Paulo 2020

Paulo R. Labegalini
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Vicentino de Itajubá-MG e Professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG)
Autor dos livros:
- Histórias Cristãs- Editora Raboni
- O Mendigo e o Padeiro - Editora Paco
- A Arte de Aprender Bem - Editora Paco
- Minha Vida de Milagres - Editora Santuário
- Administração do Tempo - Editora Ideias e Letras
- Mensagens que Agradam o Coração - Editora Vozes
- Histórias Infantis Educativas - Editora Cleofas
Apresentações musicais:
https://www.youtube.com/results?search_query=soraia+labegalini

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Mensagem da Semana - Nº 458 – 24 Março 2020

O cavalinho e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas de Deus que há muitos anos atrás viviam numa floresta distante. Na verdade, o cavalinho e a borboleta não tinham praticamente nada em comum, mas, em certo momento de suas vidas, se aproximaram e criaram um forte elo. Ela era livre e voava por todos os cantos enfeitando a paisagem; já o cavalinho, tinha grandes limitações porque alguém colocou nele um cabresto e, a partir daí, sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, embora tivesse a amizade de muitos outros animais, gostava de fazer companhia ao cavalinho. Agradava-lhe ficar ao lado dele e não era por pena, mas por companheirismo, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias ia visitá-lo e, lá chegando, levava primeiro um coice e, algum tempo depois, recebia um sorriso. Entre um e outro, ela optava por esquecer o coice e guardar o sorriso dentro do coração. O cavalinho estava sempre enfezado e insistia com a borboleta para ajudá-lo a carregar o seu pesado cabresto, contudo, ela dizia que não lhe era possível por ser uma criaturinha muito frágil.

Os anos se passaram e, numa manhã de verão, a borboleta não apareceu para visitar o companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto, porém, vieram outras manhãs e mais outras, até que o cavalinho sentiu-se muito só. Resolveu, então, ir procurar a amiga.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado, deitou-se debaixo de uma árvore e lá ficou até que um elefante se aproximou e lhe perguntou o que fazia ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou à procura de uma borboleta que sumiu.

- Ah, é você o famoso cavalinho? Eu tive uma grande amiga que dizia que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas, afinal, qual borboleta você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando os amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando! Você não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo. Dizia que conhecia um cavalinho, assim como você, e quando ia visitá-lo levava um coice. Sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só iria falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã; era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento, o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. E o elefante continuou:

- Sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas, entenda, foram tantos coices que ela recebeu do outro cavalinho que acabou perdendo as asinhas, ficou muito doente, triste e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: ‘Não perturbem o meu amigo com coisas pequenas, pois ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver: carrega no dorso um cabresto e está cansado demais para vir até aqui’.

Bem, terminada a história, eu diria que gosto mais de contar outras de finais felizes, mas, às vezes, é preciso falar de coisas tristes para mexer um pouco com a sensibilidade das pessoas. Sabemos que há milhares de cidadãos que melhoraram de comportamento entre uma e outra lágrima derramada, embora não precisasse ser assim.

E, antes de voltar a falar da história, preciso dizer que a mente humana grava e executa tudo o que lhe enviamos: palavras, pensamentos, atitudes positivas e negativas etc. Se permitirmos, essa ação sempre acontecerá, independente de trazer bons resultados para cada um de nós.

Para provar esta teoria, um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado em St. Louis, no estado de Missouri, onde existe a cadeira elétrica. Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após feito um pequeno corte em seu pulso – o suficiente para gotejar sangue até a gota final. Se o sangue coagulasse, seria libertado, caso contrário, morreria; porém, sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha, mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e que sua ação envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela quase sempre não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre o que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e guardar na mente os coices que lhe deram em algum momento da vida, mas, com o tempo, como aconteceu com a borboleta, as feridas não serão mais cicatrizadas. Quanto ao cabresto que tiver que carregar nessa pandemia, não culpe ninguém por isso, afinal, quando nos afastamos um pouco de Deus, nós mesmos o colocamos no dorso.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 457 – 15 Março 2020

A solução para o seu problema

Na mitologia grega, o gigante Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua casa e as colocava para dormir na cama de ferro, mas havia uma armadilha na hospitalidade: ele exigia que os visitantes coubessem com perfeição na cama. Se fossem muito baixos, ele os esticava; se fossem altos demais, cortava suas pernas!

Por mais estranho que isto possa parecer, será que não buscamos soluções ainda piores para os nossos problemas? E o que dizer das pessoas que tentam resolver questões embaraçosas forjando resultados rápidos e fantásticos? Por exemplo:

Certa mulher que acabou de perder o marido foi ao necrotério onde o corpo estava sendo preparado para o velório. Lá, viu que o falecido vestia um terno que não era dele e percebeu que o morto do caixão ao lado estava com a roupa do seu marido. Profundamente ofendida, chamou o responsável e, em meio a muitas lágrimas, apontou-lhe o erro. Assim que a senhora saiu, o gerente do necrotério gritou: ‘Pedrão, troque depressa as cabeças nos esquifes 2 e 3’.

Trata-se apenas de uma anedota de péssimo gosto? Pode ser, mas, insisto, já fizemos coisas piores na vida e muitos ainda o fazem! E se você ficou chocado(a) com estas histórias, lembre-se que a televisão nos mostra reportagens muito mais fortes, como: sequestros de bebês, espancamento de velhinhas, homens-bomba, assassinato dos próprios pais etc. Por que fatos como estes não param de acontecer?

Eu li um relato que serve de explicação para muita coisa que vem ocorrendo:

Uma operária regressava ao lar no final do trabalho noturno. Com a cabeça distante e perdida em problemas, caminhava pelas ruas escuras de seu bairro distante quando, de repente, foi tomada de assalto por um marginal. Assustada, mas incapaz de uma reação mais forte – talvez pelo cansaço do trabalho ou pelo cansaço da alma –, ouviu o rapaz dizer: ‘A bolsa ou a vida’. De pronto, ela respondeu: ‘Qualquer uma das duas, ambas estão vazias mesmo!’

Agora, eu pergunto: ‘É justo deixarmos que a nossa vida se torne tão vazia quanto uma bolsa sem dinheiro? O sentido sagrado da nossa existência não vale nada?’ Sinceramente, não sei qual foi a maior violência da história: o assalto ou a resposta da operária.

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus, caso contrário, tudo fica sem sentido e uma bolsa velha vale tanto quanto a própria vida! Se não tivermos fé e esperança na salvação, acabaremos concordando com as monstruosidades de Procusto ou com as trocas de cabeças na história do necrotério, não é mesmo?

Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”, mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos os seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o voo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto!

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que atiram-se obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Se você souber de alguém que está como um deles – cercado de problemas por todos os lados –, peça que olhe para cima! Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram: "Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33, 3).­

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 456 – 9 Março 2020

A perfeita alegria

Não acho possível ser feliz estando afastado de Deus; portanto, a verdadeira alegria só poderá ser alcançada com oração. Consciente disso, logo que levanto, me benzo com água benta, rezo a Consagração à Nossa Senhora e mais quatro orações de proteção pessoal – na certeza que as forças do mal não me tentarão naquele dia. São elas:

1. Pelo sinal da Santa Cruz (fazendo o sinal da cruz na testa, na boca e no peito): “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos e de todos os perigos e pecados. Amém”.

2. Oração a São Miguel Arcanjo: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe, Deus, instantemente o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo Divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas – que permaneçam aos pés da Cruz de Jesus. Assim seja”.

3. Levanta-se Deus: “Levanta-se Deus, intercedendo a bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e toda a milícia celeste, e sejam dispersos os Seus inimigos e fujam de Sua face todos os que os odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

4. Oração ao Santo Anjo da Guarda: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine e me traga a paz. Amém”.

Quem conhece estas orações, percebe que acrescentei umas palavras a mais, mas já me acostumei com elas assim e nem sei exatamente como eram antes. O importante é que sejam rezadas com o coração e muita confiança em cada frase pronunciada. Rezo ainda muitas outras orações e jaculatórias toda manhã, além de invocar santos e beatos; porém, como disse, começo por estas quatro de proteção pessoal.

Isso já seria o suficiente para alcançar a perfeita alegria em cada dia? Logicamente que não, mas é um bom começo. Ficam faltando: as obras de caridade, a oração do Terço, a Santa Missa, a reflexão na Sagrada Escritura, muita paciência em casa, amor ao próximo a todo momento e estar sempre disposto a multiplicar os talentos. Confesso que não pratico tudo todos os dias, mas, na semana, não fica faltando nada – graças ao bom Deus!

E a paz que sinto quando o domingo termina não tem preço. Isto sim, para mim, é uma verdadeira alegria! O dever cumprido para com Deus, para com a Igreja e para com os irmãos, me dá a certeza que consegui vencer as tentações do mundo e enviei um tijolo a mais para o Céu, como nesta história:

Um empresário faleceu e, no Paraíso, o anjo guardião foi mostrando-lhe as diversas moradias. Passando por uma linda casa, o homem perguntou: ‘Quem mora aí?’. O anjo respondeu: ‘É aquele seu motorista que morreu no ano passado’. A seguir, surgiu outra casa ainda mais bonita. ‘E aqui, quem mora?’ – perguntou o senhor. O anjo explicou: ‘Aqui é a casa da Rosalina, aquela cozinheira que você despediu sem justa causa’. Então, o homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser, no mínimo, um palácio! Estava ansioso por vê-la.

Nisso, o anjo parou diante de um barraco de tábuas velhas e disse: ‘Esta é a sua casa’. O empresário falou indignado: ‘Como é possível? Vocês poderiam ter feito coisa muito melhor pra mim!’. ‘Poderíamos – respondeu o anjo –, mas construímos de acordo com o material que você nos enviou lá de baixo!’.

Pois é, apesar de ser apenas uma história, é mais ou menos isso que acontece quando morremos; portanto, é bom sempre fazermos um balanço das nossas obras. Veja o que São Francisco disse quando questionado sobre isso:

Francisco e Leão caminhavam sobre a neve, quando Frei Leão perguntou: ‘Pai Francisco, o que é a perfeita alegria?’ E o Santo respondeu:

– Se, ao chegarmos ao nosso convento, batermos depressa esperando entrar e o porteiro, ao invés de abrir, põe-se a falar: ‘Quem sois vós que nesta hora nos incomodais?’ Responderemos: ‘Somos teus irmãos, Frei Leão e Francisco’. Se o porteiro disser que é mentira e se diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a paz, isto é a perfeita alegria. Mas, se ainda insistirmos e o porteiro sair empunhando um bastão e bater em você e muito mais em mim, nos deixando no chão a chorar, e se entendermos que este abandono imita Jesus, isto é a perfeita alegria’.

E agora, dá pra dizer que já experimentamos momentos de alegria perfeita?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 455 –  2 Março 2020

Os cuidados com a língua

Recebi uma mensagem comentando os cuidados que devemos ter com a comunicação verbal e, o autor, apresentava este fato:

Num posto de gasolina, um cliente encheu o tanque e se esqueceu de assinar o cheque. O frentista disse para o colega que estava entrando no turno de trabalho: ‘Amigo, o cheque daquele médico da esquina está com problema. Mostre a ele se vier ao posto’.

O segundo frentista também passou a mensagem ao próximo: ‘O Dr. Antônio deu um cheque sem fundo. Se ele aparecer, faça-o pagar o prejuízo em dinheiro’. E a má comunicação prosseguiu até esta última versão: ‘Estou sabendo que o doutorzinho é traficante! Se ele pintar aqui, chame a polícia e, lembre-se, ele é muito perigoso! Tá sendo procurado como Toninho do Pó’.

Parece um absurdo, não? Mas, coisas assim acontecem a toda hora, pois a língua pode causar estragos irreparáveis. Até Jesus foi vítima dos caluniadores! E, falando de comunicação, há dois fatos nos Evangelhos que merecem ser lembrados; o primeiro, relata uma cilada que prepararam para o Mestre:

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’

Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!’ Trouxeram-lhe então a moeda e Jesus disse: ‘De quem é a figura e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César’. Jesus então lhes disse: ‘Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.” (Mt 22, 15-21)

Como se vê, a pergunta feita a Jesus era de extrema gravidade, pois envolvia um dilema, do qual acreditavam que Ele não poderia sair: se dissesse que não deviam pagar o imposto, acusá-lo-íam a Pôncio Pilatos; se dissesse que devia ser pago, desagradaria o povo de Israel. A questão era embaraçosa de todos os pontos de vista, mas a sabedoria Divina na resposta desconcertou os fariseus – que nem ao menos replicaram.

No segundo fato bíblico que vou citar, a pergunta capciosa foi apresentada a propósito por Jesus:

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da lei e aos fariseus: ‘A lei permite curar em dia de sábado ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso.” (Lc 14, 1-6)

Portanto, ler diariamente um trecho da Sagrada Escritura é importante, mas isto pouco adianta àquele que não vive o seu conteúdo de coração aberto. Seguir Jesus é usar de muita sabedoria na observância da Lei, procurando sempre promover a vida plena e eterna para todos. Quem tem em mente a prática do bem e caminha em comunhão com o Espírito Santo, não se torna escravo da hipocrisia religiosa.

Alguns fariseus foram exemplos de que Deus não escolhe os mais capacitados para servi-Lo, mas capacita os escolhidos. E, ainda hoje, os escolhidos são aqueles que respondem sim ao chamado e se oferecem para servir com humildade. Até quando estamos cansados e desencorajados por esforços que não deram frutos, Deus sabe o quanto tentamos e só Ele pode nos recompensar – até com a santidade! João Paulo II, disse: “O Brasil precisa de santos!”.

Optar pela santidade é estar disposto a enfrentar com fé as tribulações para receber o prêmio da salvação. Vivendo o Evangelho em nossa vida, muitos outros também são chamados a se aproximarem mais de Deus e escolherem entre os prazeres humanos – que são passageiros – ou a vida eterna.

Concluindo todo este raciocínio, você pode pensar: ‘Eu não sou tão maldoso(a) como aqueles frentistas do posto, também não sou tão preciso(a) e sábio(a) nas respostas como Jesus; então, como adequar a minha comunicação para agradar a Deus?’ Procure obter a resposta lendo esta história:

Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para interpretar seu sonho e ouviu dele: ‘Que desgraça, senhor! Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade’. O sultão, furioso, gritou: ‘Mas, que insolente! Como ousa dizer-me isso? Fora daqui!’

Mandou, então, que trouxessem outro adivinho e também lhe contou o sonho. Este, após ouvi-lo com atenção, disse-lhe: ‘Senhor, grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes’. A fisionomia do sultão iluminou-se num imenso sorriso e, imediatamente, presenteou o súdito com cem moedas de ouro.

Quando o adivinho saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado: ‘A sua interpretação foi a mesma do seu colega! Por que somente você recebeu cem moedas de ouro?’. Respondeu o visitante: ‘É que tudo depende da maneira que se fala! A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa: se a lançarmos no rosto de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta, mas, se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade’.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 454 – 25 Fevereiro 2020

Os bons amigos de cada época

Uma senhora estava molhando o jardim de sua casa quando foi interpelada por um garotinho de 9 anos, dizendo:

- Dona, tem pão velho?

- Se está com fome, posso dar um jeito. Onde você mora?

- Depois do zoológico.

- Bem longe daqui, hein? Você está na escola?

- Não. Minha mãe não tem dinheiro para comprar material.

- E seu pai, mora com vocês?

- Já faz tempo que ele sumiu!

- Antes do pão, quero que você me conte um pouco de sua vida, de seus irmãos...

E o papo prosseguiu. A bondosa senhora jogou água nos pés do menino, deu-lhe uma toalha para se enxugar e sentou-se alguns minutos ao seu lado. Depois, disse-lhe sorrindo:

- Vou buscar alimento. Serve pão novo?

- Não precisa, não. A senhora já conversou bastante comigo, isso é suficiente. Vou andando e volto amanhã. A que horas a senhora estará aguando estas plantas novamente?

A resposta caiu como um raio. Ela teve a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança sem sonhos, sem comida, sem escola e tão necessitada de uma conversa amiga. Deu-lhe um abraço e pediu que voltasse no dia seguinte, às nove da manhã, para tomarem café juntos.

Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor, não? Por acaso, você já ouviu isto de alguém: ‘Não preciso de mais nada hoje. Já conversou bastante comigo, isso é suficiente’? Há quanto tempo você sabe que os pobres só ganham pão velho? Apenas o ‘pão de amor’ não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: "Eu sou o pão da vida!"

Bem, voltando à história, assim que o menino pobre veio para tomar café, a senhora contou-lhe um pouco de sua própria vida, assim:

“Quando eu era muito jovem, minha mãe me perguntou qual era a parte mais importante do corpo. Eu achava que o som era muito importante para nós, seres humanos, então eu disse: ‘As orelhas, mãe’. Ela discordou: ‘Não, muitas pessoas são surdas. Mas, continue pensando sobre este assunto que em outra oportunidade eu volto a lhe perguntar’.

“Algum tempo se passou até que minha mãe me questionou outra vez sobre aquilo. Desde que fiz minha primeira tentativa, eu imaginava ter encontrado a resposta correta, assim, dessa vez eu lhe disse: ‘Mãe, a visão é muito importante para todos, então, devem ser os olhos’. Ela falou: ‘Você está aprendendo rápido, mas a resposta ainda não está correta porque há muitas pessoas que são cegas’.

“Pensei: ‘Dei mancada novamente!’ Continuei minha busca ao longo do tempo, minha mãe me perguntou em várias outras oportunidades e, sempre que eu opinava, sua resposta era a mesma: ‘Não, mas você está ficando mais esperto a cada ano’.

“Então, um dia, meu avô morreu. Todos choravam. Até mesmo meu pai chorou! Eu me recordo bem porque tinha sido apenas a segunda vez que eu o via chorar. Quando fui dar o meu adeus final ao vovô, minha mãe olhou para mim e me perguntou: ‘Você já sabe qual a parte do corpo mais importante?’ Eu fiquei meio chocado por ela me fazer aquela pergunta naquele momento! Eu sempre achei que era apenas um jogo entre ela e eu.

“Observando que eu estava confusa, ela me disse: ‘Esta pergunta mostra como você viveu realmente a sua vida. Para cada parte do corpo que você citou no passado, eu lhe disse que estava errada e lhe dei um exemplo que justificava. Hoje é o dia que você necessita aprender esta importante lição’.

“Então, ela me olhou de um jeito que somente uma mãe pode fazer. Eu vi lágrimas em seus olhos quando disse: ‘Minha querida, a parte do corpo mais importante é o seu ombro’. Eu estranhei e lhe perguntei: ‘Porque eles sustentam minha cabeça?’ Ela respondeu: ‘Não, é porque pode apoiar a cabeça de um amigo ou de alguém muito amado que chora. Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento da vida! Eu espero que você tenha bastante amor, amigos e que tenha sempre um ombro para chorarem quando precisarem’.

“Então, eu descobri que a parte do corpo mais importante não é indiferente à dor dos outros. Portanto, meu querido amiguinho, nunca se esqueça disso: ‘As pessoas se esquecerão do que você disse, se esquecerão de muita coisa que você fez, mas nunca se esquecerão de como você as amparou’. Os bons amigos são como estrelas: você nem sempre as vê, mas sabe que sempre estão lá.”

Agora, leitor(a), reflita comigo:

Não é verdade que, no jardim da infância, a ideia de um bom amigo era a pessoa que segurava a sua mão quando passavam por lugares que davam medo? No primário, o grande amigo não era a pessoa que dividia o lanche quando você esquecia o seu? E no ginásio, o bom amigo não era aquele que ajudava a enfrentar o fortão da escola? Os critérios vão mudando...

Talvez, hoje, sua ideia de um bom amigo seja a pessoa que lhe passa confiança, desfaz planos para arranjar tempo para você, ajuda a consertar seus erros, sorri quando você está triste e, acima de tudo, ama você de verdade! Tudo isso se resume no ‘ombro amigo’, certo?

Portanto, entre seus amigos, coloque sempre em primeiro lugar aquele que lhe dá ‘pão novo’... aquele que lhe oferece os dois ombros... aquele que lhe entrega o coração... aquele que se faz pobre à sua porta... Jesus Cristo! Quem o conhece, não o troca por outros jamais.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 453 – 16 Fevereiro 2020

Quando a fé prevalece

O Antigo Testamento diz que a fidelidade a Deus dá vida ao homem: "... porque eu sou o Senhor que te cura" (Êx 15, 26). Também nos Evangelhos, apesar dos muitos milagres de cura citados, Jesus deixou bem claro: “Quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). Portanto, quem não colocar em prática o dom da fé que recebeu no batismo, corre o risco de desanimar e deixar de receber a graça.

Até Madre Teresa de Calcutá acreditou que Deus a havia abandonado, chegando a duvidar de Sua existência. Em 1959, fazendo referência a um estado de trevas interiores, a missionária escreveu a seu diretor espiritual: "Na minha alma, sinto uma terrível sensação de perda. Deus não me quer, Deus poderia não ser Deus, poderia não existir".

Mas, perseverando com fé nas suas provações, na década de 70 também escreveu isto: "Sem sofrimento, o nosso trabalho poderia ser apenas um serviço social. Toda a desolação dos pobres deve ser resgatada e nós devemos tomá-la um pouco sobre os nossos ombros".

Pois é, sabemos que a graça de Deus está em toda parte, mas Ele quer a nossa colaboração para concedê-la. Muitas vezes, quem menos espera alcançá-la, fica completamente estarrecido com tamanha maravilha, como ocorreu nesta história real – divulgada no site da Canção Nova:

Um sacerdote de Nova Iorque se dispôs a rezar numa das paróquias de Roma quando, ao entrar, encontrou um mendigo e percebeu que era um companheiro de seminário – ordenado padre no mesmo dia que ele. Depois de identificar-se, escutou do mendigo como havia perdido a fé e a vocação. Ficou profundamente chocado.

No dia seguinte, o sacerdote americano teve a oportunidade de assistir a missa privada do Papa. Ajoelhou-se diante dele, pediu que rezasse por seu companheiro de seminário e descreveu brevemente a situação. Um dia depois, recebeu o convite para almoçar com o Santo Padre e levar o referido homem.

Após o almoço, o Pontífice solicitou ao sacerdote que os deixasse a sós e pediu ao mendigo que escutasse sua confissão. O homem, impressionado, respondeu que já não era sacerdote, mas, o Papa disse-lhe: "Uma vez sacerdote, sacerdote sempre". Insistiu o mendigo: "Porém, estou fora de minhas faculdades de presbítero!". Explicou-lhe, então, o Papa: "Eu sou o bispo de Roma e posso encarregar-me disso".

O homem escutou a confissão do Santo Padre e lhe pediu que também escutasse a sua. Depois disso, chorou amargamente. Ao final, João Paulo II lhe perguntou em que paróquia estava mendigando, o designou assistente do pároco e encarregado da atenção aos mendigos.

Alguém imaginaria isto? Portanto, para evitarmos descrenças malignas, não podemos deixar de praticar a fé em todas as oportunidades que Deus nos permitir. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 452 – 6 Fevereiro 2020

Cinco lições de vida

Primeira lição: ‘Tudo passará’.

Pressentindo a chegada da morte, um rei chamou o filho que o sucederia no trono, tirou do dedo um anel e, entregando a ele, disse: ‘Meu filho, durante toda a sua vida, tenha sempre consigo este anel. Quando estiver vivendo situações extremas de glória ou de dor, leia o que há escrito nele’.

Em breve, o filho começou a reinar. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho e iniciou-se uma terrível guerra. O jovem, à frente do seu exército, partiu para enfrentar o inimigo e, no auge da batalha, vendo seus companheiros morrendo, lembrou-se do anel. Tirou-o e leu a inscrição: ‘Isto também passará’.

Ele perdeu algumas batalhas, venceu outras, mas, no final, saiu vitorioso. Retornou, então, ao seu reino e, coberto de glória, entrou em triunfo na cidade. Naquele momento, se lembrou novamente do seu querido pai. Tirou o anel e leu: ‘Isto também passará’

E, assim, durante toda a vida, o jovem rei guardou consigo o ensinamento que as coisas na Terra passam: os dias de dificuldades passarão; as lágrimas também passarão; a saudade do ser querido que morreu, passará; as glórias que nos fazem achar melhores que os outros, igualmente passarão.

Segunda lição: ‘Amando o próximo para aconselhar’.

Contam que uma mãe trouxe seu filho a um conselheiro e lhe implorou: ‘Por favor, faça o meu filho parar de chupar balas. A obesidade está lhe prejudicando!’ O homem fez uma pausa e disse: ‘Traga seu filho de volta em duas semanas’. Confusa, a mulher agradeceu e prometeu voltar.

Duas semanas mais tarde, ela retornou com o filho. O conselheiro olhou o jovem nos olhos e disse-lhe com autoridade: ‘Pare de chupar balas’. Inconformada, a mulher perguntou: ‘Por que o senhor me pediu para trazê-lo hoje se poderia ter dito isso a ele antes?’ E o sábio homem respondeu: ‘Antes, eu também chupava balas’.

A mãe passou a confiar mais naquele homem e aprendeu a desconfiar das pessoas que ‘vendem conselhos’ e nunca os praticam.

Terceira lição: ‘Somos todos iguais’.

Certa vez, Felipe II, rei católico da Espanha, passeava no jardim do palácio quando sua filhinha chegou reclamando que tinha apanhado da babá. O pai, chateado, chamou a criada e lhe disse: ‘Não sabeis que ela é uma princesa, filha do vosso rei?’ E a criadinha lhe respondeu: ‘E vossa majestade até hoje não sabeis que eu sou filha do vosso Deus?’ O rei ficou pensativo e, a partir daquele dia, passou a tratar a babá com mais respeito.

Quarta lição: ‘Com paciência se vai longe’.

Havia um jornaleiro que vivia mal humorado, não gostava do que fazia e sempre se irritava quando as pessoas perguntavam sobre algum jornal. Um dia, uma jovem conhecida se aproximou com a amiga, começaram a mexer nas revistas e logo veio a bronca:

- Já não bastava uma, agora são duas?

A amiga, vendo o comportamento do homem, perguntou à jovem:

- Este jornaleiro é sempre mal educado ou é só hoje?

- Ora, este é o jeito dele, cada um é como é.

- O cara lhe trata mal assim todos os dias e você continua tratando-o bem?

- Sabe, minha avó sempre dizia que debaixo da casca grossa existe uma pessoa que deseja ser amada!

- Então, quer dizer que se uma pessoa lhe maltrata e ofende, você fica numa boa?

- Bem, se a pessoa está mal humorada, deve ter lá seus problemas. Eu não posso é deixar que ela decida como eu devo ser, afinal, cada um é responsável pela sua felicidade e não pode se influenciar pelo mal humor dos outros.

- É, você tem umas ideias malucas, mas, pensando bem, acho que tem razão, pois pessoas felizes não aceitam provocações.

- É, vovó também dizia: ‘Gente feliz não torra a paciência de ninguém’.

Quinta lição: ‘Só a verdade frutifica’.

Um réu estava sendo julgado por assassinato na Inglaterra. Eram fortes as evidências sobre a sua culpa, mas o cadáver não havia sido encontrado. Quase no final da sua sustentação oral, o advogado recorreu a um truque: ‘Senhoras e senhores do júri, eu tenho uma surpresa para vocês! Dentro de um minuto, a pessoa presumivelmente assassinada neste caso vai entrar neste tribunal’. E apontou para a porta.

Os jurados, ansiosos, também ficaram atentamente olhando até que um minuto se passasse. Nada aconteceu e o advogado, então, completou: ‘Todos vocês olharam com expectativa, portanto, ficou claro que ainda têm dúvidas se alguém realmente foi morto, não?’

Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final. Minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto: ‘Culpado!’ O advogado reagiu: ‘Como culpado? Vocês estavam em dúvida! Eu vi todos olharem fixamente para a porta!’ E o juiz esclareceu: ‘Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente’.

Pois é, são lições que deixam no espírito muitas experiências de vida. Eleve agora o seu pensamento a Deus, agradeça mais esta oportunidade de estar lendo este texto e guarde no coração a certeza de que não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe. Tudo passa.

Assim, façamos sempre o melhor que pudermos, com perseverança e confiança na graça Divina, aproveitando cada minuto para amar o próximo – tendo paciência e mostrando-lhe o caminho da verdade. Todas as coisas devem ser muito bem cuidadas, desde as simples até as mais importantes, para superarmos as dificuldades com lições de dignidade cristã. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 451 – 28 Janeiro 2020

 

O preço das nossas escolhas

 

No filme ‘Crimes e Pecados’, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Concordo que, se não aceitarmos os chamados de Deus, colheremos o que plantamos e o destino nada tem a ver com isso.

 

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outras e, de opção em opção, vamos escrevendo as histórias de nossas vidas. Não é tarefa fácil, pois no momento em que alguém escolhe ser médico, por exemplo, está fechando as portas das outras profissões para sempre; mas, não se pode ter tudo, não é mesmo?

 

No amor, acontece a mesma coisa: namora-se um, outro, até que chega o momento em que é preciso decidir com quem se casar e como estruturar uma família, assumindo a responsabilidade de conduzi-la nos caminhos da fé e do amor.

 

Todas as decisões têm seus prós e contras: morar ou não na cidade; ter muitos ou poucos filhos; comer de tudo ou ser vegetariano; enfim, a maioria das alternativas é válida, mas há um preço a pagar por elas!

 

Muita gente gostaria de ser uma pessoa diferente a cada ano só para deixar as experiências ruins para trás e recomeçar, tipo: ser solteiro novamente; não ter mais filhos para cuidar; zerar as contas a pagar etc. Como nada disso é possível para quem tem caráter, nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, concorda?

 

É lógico que devemos reavaliar decisões e trocar de caminho – ninguém é o mesmo para sempre –, mas as mudanças devem acrescentar algo positivo para o futuro e não apenas anular as experiências vividas. A estrada da vida é longa, o tempo é curto e quanto menos errarmos, melhor.

 

Bem, caso isto tudo tenha ficado bem claro e você concordado comigo, vamos refletir agora em como melhorar as nossas decisões. Partindo da célebre frase de Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo do que mudar um hábito”, sem dúvida, antes estar sempre no caminho certo do que tentar correr atrás do prejuízo.

 

Portanto, as nossas decisões só nos colocarão numa trilha abençoada se forem tomadas com oração. Rezando, reduzimos as possibilidades de alguma coisa dar errada e, assim, ganhamos o respeito de muitos e a confiança necessária para fugirmos dos pecados. Quanto mais isto tudo acontecer – orar e tomar decisões que nos aproximem de Deus –, mais bonita será a nossa ‘história de hábitos’ quando partirmos para o Céu.

 

Eu me recordo com carinho de minha nona Sebastiana – mãe de meu pai e minha madrinha de batismo. Desde que eu era pequeno, ela tinha verdadeira paixão por mim e eu por ela. Em 1983, quando tive trombose, ela me visitou todos os dias no hospital de Monte Sião. Quando pude andar novamente e fui até a casa dela, ela chorou como criança ao me ver de pé. Falava comigo com sotaque italiano que me emociono só de lembrar.

 

Quando faleceu, em 1989, os filhos, noras e netos ficaram com os seus pertences – e não eram poucos! Ela guardava bonitos jogos de crochê, tinha relógios antigos e uma cristaleira cheia de peças vistosas. Todos pegaram alguma coisa, mas eu, quando soube da ‘partilha’, já não restava mais nada e não vi a ‘minha parte’.

 

Um ano depois, a casa foi vendida. Passaram-se mais alguns meses e eu me lembrei que a nona tinha uma imagem de São Sebastião num oratório pregado na parede do tanque de lavar. Conversando com a minha mãe, perguntei quem havia ficado com aquela imagem e ela me disse que não sabia. Fui até lá, perguntei à senhora proprietária a respeito e ela respondeu: “Tem sim uma imagem de santo lá no quintal. Se quiser, pode levar”. Eu nem pude acreditar que aquilo era verdade.

 

Hoje, no oratório com mais de vinte santos que tenho no quarto, a imagem de São Sebastião é a mais antiga e, segundo muitas pessoas que viram, é também a mais bonita – tem mais de 40 anos! Com certeza, a nona intercedeu a Deus para que ela fosse minha e eu rezo diante dela todas as manhãs.

 

Pois bem, embora com pouca cultura, minha nona sempre tomou decisões certas na vida: rezava demais; batalhou com dignidade para o sustento da família – quando foi rica e quando ficou pobre; sempre praticou a caridade; esbanjou amor e obediência ao nono; e nunca caiu em tentação de pecados mortais. Se não fosse assim, eu estaria agora contando passagens de sua vida? Eu teria o presente que ela me deixou? Ela chegaria ao final da ‘estrada’ que, com a ajuda de Deus, escolheu?

 

Tenho fé que vou encontrá-la no Céu e dar-lhe os parabéns pelas belas escolhas que fez. Quero dizer-lhe também que, mesmo após a sua morte, todos aplaudiram as decisões que tomou, baseadas em honestidade e confiança no Senhor. E espero contar-lhe ainda que meu pai aprendeu muitas virtudes com ela, me criou com o seu exemplo de homem temente a Deus e, eu, procurei orientar os meus filhos a seguirem pelo mesmo caminho.

 

Acredito que ela ficará contente ao ouvir isto, embora já deva até estar sabendo! Ela acreditou que tudo pode ser mudado pela oração e nunca confiou que o nosso destino já está traçado. Deus tem uma linda missão para cada um de nós, nos dá muitos dons para trilharmos nos bons caminhos e sempre nos chama à conversão. Uns aceitam o Seu chamado de amor, outros só O escutam na dor e, alguns, decidem caminhar sozinhos.

 

Olhe ao seu redor... Quanta gente quer lhe dar a mão ou precisa da sua ajuda para se levantar! Faça o que Jesus Cristo faria se estivesse no seu lugar ou explique a sua escolha a Ele. Cada um receberá o ‘prêmio’ da sua decisão.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 450 – 23 Janeiro 2020

 

Andamos sempre na contramão?

 

Um dia, um cristão levantou-se mais cedo para assistir o amanhecer. A beleza da criação Divina estava além de qualquer descrição e, enquanto contemplava, louvou o Criador pelo Seu esplêndido trabalho. Naquele momento, Deus falou com ele:

 

- Você me ama?

 

- É claro que sim, meu Salvador!

 

- Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim me amaria?

 

- Seria difícil, Senhor, mas eu ainda Te amaria.

 

- Se você fosse cego, amaria minha criação?

 

- Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de ver? É estranho pensar nisso, mas, acredito que eu amaria só de ouvir falar.

 

- Caso você fosse surdo, ainda ouviria a minha Palavra?

 

- Como poderia ouvir algo sendo surdo? Mas, pensando bem, ouvir a Palavra não é simplesmente usando os ouvidos e sim o coração. Bem, embora também fosse difícil, eu ainda ouviria a Tua Palavra, Senhor.

 

- E se fosse mudo, ainda louvaria meu Nome?

 

- Se permitisses que eu cantasse com a alma, eu louvaria Teu Nome.

 

- Então, você realmente me ama!

 

- Sim, Senhor, eu Te amo como meu único e verdadeiro Deus!

 

- Então, por que peca?

 

- Porque sou apenas um humano, não sou perfeito!

 

- Mas, quando está com problemas, você procura ser perfeito e reza com fervor, canta nos retiros, me busca nas horas de adoração... Por que então, nesta semana, você não está espalhando as boas novas? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em meu Nome? Você é muito abençoado e eu não lhe fiz para que jogasse sua vida fora. Eu o abençoei com talentos para me servir, mas, você continua pecando! Será que você realmente me ama?

 

- Por favor, perdoa-me, Senhor. Eu não sou digno de ser Teu filho.

 

- Esta é a minha graça, filho: eu nunca o abandonarei. Quando você chorar, eu terei compaixão e chorarei com você. Quando cair, vou levantá-lo. Quando estiver cansado, eu o carregarei. Estarei com você até o final dos tempos e o amarei para sempre.

 

- Como pude ter sido tão fraco, Senhor? Como posso não esquecer o quanto me amas?

 

Então, Jesus esticou Seus braços e mostrou-lhe as mãos com dois enormes buracos sangrentos. Logo, o filho pecador curvou-se aos Seus pés e, chorando, O adorou verdadeiramente...

 

Pois é, há coisas na vida que nunca esquecemos e, outras, muito mais importantes, que só lembramos quando alguém nos sacode. Normalmente andamos na contramão da estrada que nos leva ao Céu. Nessa caminhada, não ouvimos o chamado de Deus à conversão, não damos a mão ao irmão necessitado e nos deixamos levar pelo egoísmo, vaidade e ambição.

 

A cada passo dado na contramão, a nossa carga de pecados fica ainda mais pesada e mais nos distanciamos da graça de Deus. Infelizmente, isso continua acontecendo com a maioria das pessoas! Mas, considerando a grande dose de inteligência que somos dotados e o dom da fé que recebemos no batismo, por que demoramos tanto para dar meia-volta e correr para os braços do Pai? Se Deus falasse com cada um de nós – como na história que contei –, nos converteríamos mais depressa, concorda?

 

Mas, depois de tudo que Jesus sofreu e diante de tantos milagres que acontecem a todo momento, seria um absurdo exigir ouvir a voz do Senhor ecoando alta e clara em nossos ouvidos – da mesma forma que ocorreu na história. Quem busca, a ouve diariamente na Missa, na Bíblia e nas palavras do pobre que clama por socorro, contudo, como colocar isso na cabeça daquele que não tem fé? O que podemos fazer é mostrar-lhe que não somos capazes de enquadrar os mistérios de Deus nos estreitos limites da razão humana e, ainda, afirmar que a Santíssima Trindade está infinitamente acima da nossa capacidade de compreensão.

 

São Paulo dizia aos romanos que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28) e, para quem tem fé, isto é suficiente para confiar na providência Divina. Portanto, o Senhor sabe aproveitar os acontecimentos da nossa vida para o nosso próprio bem. Aceitar esta verdade é ter fé e saber abandonar-se nas mãos de Jesus.

 

Todos os santos chegaram ao Céu pelo martírio ou pela perseverança na oração, e não será andando na contramão que iremos imitá-los. Mesmo vendo centenas de pessoas correndo morro abaixo e se afastando de Deus, devemos continuar buscando o perdão do Pai e caminhar passo a passo rumo à vida eterna. Refletindo nos ensinamentos bíblicos, enxergaremos melhor as ‘placas de sinalização’ para acharmos o caminho certo.

 

Conta-se que um rei resolveu criar algo diferente para as pessoas do seu povoado: um lago de leite. Então, pediu que cada um levasse um copo de leite naquela próxima madrugada e o jogasse no reservatório vazio. Quando amanhecesse, o lago estaria formado.

 

Na manhã seguinte, tal foi a surpresa quando o rei viu o lago cheio d’água e não de leite. Consultando o conselheiro do reino, foi informado que todas as pessoas tiveram o mesmo pensamento: ‘No meio de tanto leite, se o meu copo for de água, ninguém perceberá!’

 

É por este tipo de comodismo que continuamos andando na contramão da salvação. Se cada um fizer a sua parte em qualquer circunstância da vida, sempre estará pronto a dizer: ‘Bendito seja Deus que me conduz ao Céu!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 449 – 17 Janeiro 2020

 

Um verdadeiro ato de entrega

 

Um amigo me presenteou com este texto maravilhoso que passo a divulgar. São palavras de Jesus, reveladas a um sacerdote italiano de Nápoles, Dolindo Ruotolo, que morreu em fama de santidade. Eis a mensagem que nos ajuda a crescer muito na fé:

 

“Por que vós tão facilmente vos deixais inquietar e perturbar? Entregai-me, pois, as vossas preocupações e tudo irá acalmar-se. Assim, em verdade eu vos digo, que cada ato confiante, verdadeiro e completo de entrega a mim, produz justamente aquele efeito que vós tanto desejais e soluciona a situação dolorosa, cheia de espinhos.

 

Entregar-se a mim não significa deixar-se tomar pelo medo, preocupação, desespero e, só depois, recorrer a mim numa oração fervorosa para que eu vos socorra. Antes, fechar tranquilamente os olhos da alma e abandonar-se a mim, para que somente eu o leve à outra margem, como uma criança que dorme nos braços de sua mãe.

 

Aquilo que vos perturba e prejudica é a pertinácia em refletir e ponderar vossas preocupações, atormentando-se ainda em querer fazer, a qualquer preço, tudo por si mesmo. Quando, porém, sou eu que atuo, quando a alma em necessidade se dirige sem reservas a mim nos seus interesses espirituais e materiais, esforçando-se por olhar para mim enquanto pode dizer cheia de confiança: ‘Cuidai Vós’, então, assim, ela fecha os olhos interiores e descansa em meus braços. Enquanto vos atormentais em demasia, recebereis poucas graças. Quando, porém, as vossas orações forem um total ‘confiar-se’, então, recebereis muitas graças.

 

No sofrimento, rezais para que eu o retire de vós, todavia, da maneira como vós imaginais. É verdade que vos dirigis a mim, mas quereis que eu me amolde às vossas ideias; são como os doentes que pedem auxílio médico, no entanto, eles mesmos prescrevem-lhe o modo de se tratarem. Quanto a vós, não agis dessa maneira, mas rezai como eu vos ensinei no Pai Nosso.

 

Quando achardes que o mal piora ainda mais ao invés de melhorar, não vos preocupeis. Fechai de novo os olhos da alma, ou seja, do coração, e dizei-me com toda confiança: ‘Seja feita a Vossa vontade, cuidai Vós, ó Senhor!’ Pois, então, eu vos digo que vou cuidar e intervir como um médico, com toda a minha onipotência divina e que, se for necessário, operarei até um milagre.

 

Repousai simplesmente em mim, acreditai na minha bondade, rogo-vos com insistência e vos asseguro na força do meu amor que quando dizeis nesta disposição: ‘Cuidai Vós’, eu vou cuidar inteiramente, vou consolar-vos, libertar-vos e conduzir-vos. E quando tiver que vos levar por um outro caminho diverso daquele que vós pensais, eu irei instruir-vos.

 

Sofrereis insônia ao querer avaliar e considerar, tudo reconhecer e em tudo pensar, mas vós com isso vos entregais somente às forças humanas do ‘próprio querer’ ou, ainda pior, no fundo, vos entregais aos homens quando confiais na intervenção deles. Isso tudo constitui um obstáculo às minhas intenções para convosco.

 

Oh, como eu desejaria sempre de vós a entrega verdadeira, para assim poder presentear-vos; e como fico triste ao ver-vos tão inquietos, preocupados e desesperados! É isso mesmo o que Satanás quer: levar-vos infalivelmente para a inquietação e o desespero, livrando-vos assim da minha atuação e do meu amor, para vos entregardes inteiramente às manipulações humanas.

 

Por isso, confiai inteiramente em mim, descansai em mim, entregai-vos em tudo a mim! Operarei milagres na medida de vossa entrega total e confiante a mim e da desconfiança absoluta em relação a vós mesmos. Eu darei tesouros de graças quando vós estiverdes totalmente pobres e necessitados.

 

Enquanto tendes vossas próprias fontes de ajuda e as procurais, mesmo se for pouco, vós estais no plano puramente natural e seguis assim só a esse curso natural das coisas, onde hoje Satanás, tantas vezes, diretamente ou através do ‘eu lisonjeador’ dele, desvia ou até corrompe.

 

Aquele que ainda sempre em tudo discute e considera por si mesmo, nunca experimentou ou obteve um milagre da minha parte, nem entre os santos isso aconteceu. Só se harmoniza com Deus quem se abandona totalmente a Ele! Não obstante, percebeis ainda que tudo mais se complica, dizei com os olhos fechados do coração e da alma: ‘Jesus, agora, cuidai Vós!’; e desviai-vos do próprio ‘eu’, porque o vosso intelecto infatigável faz com que tudo se torne ainda mais difícil, de modo que não conseguis entregar-me.

 

Agi sempre da maneira certa em todas as vossas necessidades. Proceda sempre assim e experimentareis notáveis, constantes, mas, silenciosos milagres, que só poderão ser vivenciados por vós e, de mais a mais, aumentam a verdadeira confiança e o vosso amor por mim. Eu, vosso Deus, cuidarei. Eu asseguro!

 

Rezais sempre nesta disposição de entrega e obtereis grande paz interior e verdadeiros frutos do meu amor, mesmo quando exijo de vós, ou seja, vos ofereço a graça do sacrifício, da expiação e do amor que impõe a cruz através de um sofrimento.

 

Isso vos parece impossível? Fechai de novo os olhos e olhai para dentro, rezando de todo coração: ‘Cuidai Vós, Jesus!’ Não tenhais medo, eu cuido verdadeiramente. Então, louvareis o meu nome quando vos humilhardes inteiramente. As vossas orações não valem tanto quanto um único ato de entrega confiante. Pensai bem, não existe uma novena mais eficaz do que esta: Oh, Jesus, a Vós eu me entrego. Cuidai Vós!”

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 448 – 9 Janeiro 2020

 

Como ser feliz para sempre

 

Como as histórias se tornaram rotina neste espaço, eis mais uma – muito singela e própria para hoje:

 

- Vó, o que acontece depois do ‘felizes para sempre’ das historinhas que você conta? Eu não vejo ninguém ser feliz para sempre!

 

- Sabe, minha querida, há uma tribo de índios que não acredita na passagem do tempo. Eles acham que existem apenas dois mundos: das coisas visíveis e das coisas invisíveis. No mundo das coisas visíveis, encontramos o que construímos: a casa, o carro, esse tricô aqui que você sempre interrompe...

 

- E no mundo das coisas invisíveis, vó?

 

- Lá, encontramos tudo o que não transformamos em realidade: os sonhos, as ideias, enfim, tudo o que a gente sempre deixa para depois, tipo: depois eu vou estudar, rezar, fazer meu sonho se tornar realidade... As pessoas sempre esperam pelo futuro, quando serão ‘felizes para sempre’.

 

- Vó, fale mais dos índios.

 

- Bem, como eles não acreditam no tempo, então não acreditam também no futuro e não passam a vida inteira esperando por ele.

 

- O que eles fazem então? Não têm coisas chatas pra fazer, como fazer lição e comer verduras?

 

- Lógico que sim!

 

- Mas, como é que podem ir para a escola se não acreditam no futuro? Meu pai sempre fala que estudou e trabalha para que a família tenha um futuro melhor.

 

- E o futuro fica mesmo melhor, netinha?

 

- Não sei, ele ainda não chegou!

 

Riram gostosamente.

 

- Sabe, querida, o que esses índios acham é que a felicidade – o ‘felizes para sempre’ – é um presente de Deus e só existe nas coisas realizadas. É como um quebra-cabeça que a gente monta todo dia: as peças são invisíveis e devemos procurar por cada uma até encontrar. Aí a gente traz as coisas do mundo invisível para o mundo visível.

 

- Você é feliz mesmo sendo sozinha, vovó?

 

- Sim; tenho você e uma porção de gente no meu coração. Nunca estou sozinha!

 

- Tem gente no seu coração?

 

- É claro que sim! Jesus pediu para morar nele e Ele só deixa entrar gente boa lá.

 

- Quando eu ficar velhinha, eu vou ser feliz, então?

 

- Não, meu bem. Criança é que você vai ser feliz.

 

- Mas, eu já sou criança!

 

- Então, seja feliz já e não se esqueça de ser criança também quando crescer para nunca deixar de ser feliz, tá bom?

 

- Combinado.

 

- E agora, vamos brincar de construir felicidade? Comece rezando comigo, pedindo a Deus que Ele e Nossa Senhora sempre morem no seu coração.

 

Não precisou falar duas vezes. Rezaram e a netinha começou a montar o seu quebra-cabeça de felicidade eterna pela peça mais importante: o momento da oração!

 

Portanto, faça como a vovó, a netinha e eu também. Não deixe para ser feliz amanhã e comece dando mais valor aos bens espirituais: caridade, oração, perdão, comunhão e perseverança na missão que Deus reservou pra você. Lembre-se: todos nós somos vocacionados, basta aceitarmos o chamado que vem do Céu.

 

E deixando de ser feliz por alguns anos, aprendi que Jesus sempre nos dá uma segunda chance. Aprendi também que viver não é só receber, mas, principalmente, dar. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para os outros. Aprendi que sempre tenho muito que aprender para continuar sendo feliz, como este menino da próxima história:

 

Na semana do Natal, um garoto chegou em casa e viu um pote com algumas balas dentro. Enfiou depressa a mão pela boca do pote e segurou três balas, mas, quando tentou retirá-las, não conseguiu. A boca do vidro era estreita e formava um gargalo, que não deixava a sua mão fechada passar. Os pais gritavam para que o filho largasse as balas, pois o vidro poderia feri-lo, mas o menino não as largava. Daí, o avô correu até o quarto e pegou um presépio para montar. Ao ver as imagens, o garotinho largou as balas e correu para ajudar o avô.

 

Portanto, siga esta receita de ser feliz para sempre: 1. Agrade a Deus hoje e não deixe para depois – como os índios da primeira história; 2. Substitua as coisas menos importantes por outras que levarão você ao Céu – como o menino da segunda história; 3. Persevere com amor na sua missão cristã – como tenho feito, escrevendo estes artigos. E nunca se assuste com tanta felicidade em sua vida! Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 447 –  5 Janeiro 2020

 

Só quem perdoa é perdoado

 

Havia um menino que não pensava para dizer as coisas. Seu pai lhe deu um saco cheio de pregos e lhe disse que cada vez que ofendesse alguém, batesse um prego na cerca. No primeiro dia, o garoto bateu quatro pregos, porém, gradativamente, o número foi crescendo, chegando à conclusão que era mais fácil controlar suas palavras do que pregá-los.

 

Quando o filho começou a melhorar sua agressividade, o pai sugeriu que cada dia que não ofendesse alguém, tirasse um prego da cerca. O tempo foi passando, até que todos foram arrancados e, seu pai, puxando-o pela mão, foi até à cerca e disse: ‘Olhe bem, garoto, ela nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas sem pensar, ficam cicatrizes como estes buracos. As palavras são como flechas, não têm volta!’

 

Conclusão: a gente até perdoa, mas a cicatriz permanece; certo? Errado! Quem perdoa com o coração e reza por aquele que lhe ofendeu, nem cicatriz fica. A história acima não enfoca o lado espiritual e sugere que evitemos apenas as ofensas, o que seria o ideal, mas como apagar os erros do passado? Só há um jeito: com arrependimento e oração.

 

O Pe. Robert Degrandis redigiu uma oração maravilhosa de perdão que, se feita diariamente, nos aproxima mais de Deus e das pessoas que ofendemos ou que nos ofenderam. Após esta primeira leitura, sugiro que a recorte, risque aquilo que não lhe diz respeito e a reze sempre. Isso lhe trará muita paz espiritual e melhor convívio social. Eis a poderosa oração:

 

Senhor Jesus, peço-Vos hoje a graça de perdoar. Senhor, eu Vos perdoo pelas vezes em que a morte e as dificuldades financeiras abateram minha família e por aquilo que me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus. Purificai hoje meu coração e minha mente, Senhor Jesus.

 

Senhor, perdoo a mim próprio por mergulhar na superstição, usar tábuas de comunicação com espíritos, ler horóscopos, consultar cartomantes e usar amuletos. Rejeito todas essas superstições e Vos aceito como meu Senhor e Salvador. Comunicai-me Vosso Espírito Santo.

 

Senhor, perdoo a minha mãe pelas vezes que me magoou, ficou ressentida e zangada comigo, me puniu, preferiu meus irmãos e irmãs à mim, me chamou de tolo, estúpido, o pior de seus filhos. Eu lhe perdoo por ter dito que eu dava muita despesa, era malquisto, um erro, que não era o que ela esperava.

 

Perdoo o meu pai pela falta de apoio, de amor, de atenção e de companhia. Dou-lhe meu perdão por suas brigas, abandonos, ausências de casa; por se haver divorciado de minha mãe, por suas bebedeiras, pelas suas ásperas críticas.

 

Senhor, perdoo os meus irmãos e irmãs, os que me rejeitaram, me caluniaram, me odiaram, disputaram o amor dos meus pais, me agrediram, foram severos demais comigo e tornaram minha vida desagradável. Perdoo a minha esposa (o meu marido) pela falta de amor, de atenção, por seus defeitos, debilidades, falhas e outros atos ou palavras que me prejudicaram e perturbaram.

 

Senhor, perdoo os meus filhos pela falta de respeito, pela desobediência, pelo pouco amor, cordialidade e compreensão; pelos seus vícios e afastamento da Igreja. Senhor, perdoo os meus parentes próximos, meus avós, tios, além de outros que têm interferido em minha família, causando confusão, colocando meus pais um contra o outro.

 

Senhor, perdoo os parentes, especialmente minha sogra e meu sogro, cunhados e cunhadas, além das pessoas que se tornaram meus parentes em virtude de meu casamento, que de algum modo me ofenderam.

 

Senhor, perdoo os meus colegas de trabalho que são desagradáveis e tornam minha vida insuportável, empurram-me trabalho que não me compete, falam mal de mim, não cooperam comigo, tentam tirar meu emprego. Também meus vizinhos devem ser perdoados, Senhor, pois eles são barulhentos, dão festas à noite, têm cães que latem o tempo todo e que não me deixam dormir. Eles me importunam com suas brigas e mexericos.

 

Senhor, perdoo a todos os padres, a todas as freiras, a todos os bispos, a minha paróquia, as paróquias do passado, os conselhos paroquiais e a todas as conferências da Igreja Católica Apostólica Romana por não me apoiarem como devem, não me inspirarem, não me utilizarem em posição-chave e por quaisquer aborrecimentos que hajam infligido a mim ou à minha família, mesmo em um passado distante.

 

Perdoo a todos os profissionais que me prejudicaram de algum modo: médicos, enfermeiras, advogados, juízes, políticos e funcionários públicos. Perdoo o meu empregador que não me paga suficientemente, não aprecia meu trabalho, é descortês, pouco razoável e, além de tudo, não me promove.

 

Perdoo, Senhor, a todos os professores da escola e a todos os instrutores do passado ou do presente. Também àqueles que me insultaram, me humilharam, me chamaram de tolo e me prenderam depois da aula.

 

Senhor, perdoo os amigos que me decepcionaram, não se prontificaram quando precisei de ajuda, pediram-me dinheiro emprestado e não pagaram. Senhor, rezo pela graça de perdoar aquela pessoa que mais me prejudicou na vida e rezo, em especial, para que eu possa perdoar a mim próprio, por haver magoado meus pais, por me ter embebedado, por usar drogas, pelos pecados contra a pureza, pelos maus livros e filmes, e pela fornicação, adultério, homossexualidade, abortos, furtos, mentiras, fraudes.

 

Senhor, suplico o perdão de todas essas pessoas, pelas mágoas que lhes causei, especialmente meu pai, minha mãe, meu cônjuge e meus filhos. Agradeço-Vos, Senhor, pelo amor que recebi por meio deles. Amém.

Paulo R. Labegalini
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