Paulo 2020

Paulo R. Labegalini
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Vicentino de Itajubá-MG e Professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG)
Autor dos livros:
- Histórias Cristãs- Editora Raboni
- O Mendigo e o Padeiro - Editora Paco
- A Arte de Aprender Bem - Editora Paco
- Minha Vida de Milagres - Editora Santuário
- Administração do Tempo - Editora Ideias e Letras
- Mensagens que Agradam o Coração - Editora Vozes
- Histórias Infantis Educativas - Editora Cleofas
Apresentações musicais:
https://www.youtube.com/results?search_query=soraia+labegalini

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Mensagem da Semana - Nº 486 –24 Outubro 2020

 

Coloque sentimento divino no seu coração

 

Enquanto Jesus ensinava na sinagoga de Nazaré, muitos comentavam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?” (Mt 13). E Jesus não fez ali muitos milagres porque eles não tinham fé.

 

Nesta curta passagem da vida de Jesus, há dois aspectos a considerar: o preconceito e a humildade. Um é humano e, o outro, divino. Um sentimento favorece o pecado e, o outro, agrada a Deus. Enquanto o preconceito exclui muitos necessitados, o homem humilde abraça a caridade.

 

E como não conseguiam provas concretas para condenar Cristo, dessa vez tentaram discriminá-lo por ser filho de um carpinteiro, mas, esse argumento foi usado inadequadamente. Eu imagino que José era o único profissional de carpintaria da aldeia onde viviam e, portanto, seus serviços eram extremamente úteis e necessários.

 

Quando alguém precisava de uma cadeira nova, ou de uma mesa de jantar, ou de portas e janelas para a casa, imediatamente recorriam ao zeloso carpinteiro. Além disso, a Bíblia confirma que o pai nutrício de Jesus era um homem bom e justo. Ora, então, por que o preconceito?

 

Acontece que, quando olhavam para a humildade de Jesus – no vestir, no falar e na ajuda ao próximo –, entendiam que aquilo não podia vir de Deus, pois o Altíssimo tinha poder suficiente para dominar o mundo! Realmente Ele tinha, mas a sua missão de servir a humanidade não lhe permitia a soberania que todos cobravam.

 

Portanto, pense nisso: ‘Humildade ou preconceito como conduta de vida?’ Os dois juntos não podem fazer parte do mesmo coração, concorda? Feliz daquele que dá amor sem olhar a quem, mas, infelizmente, poucos agem assim e alguns até se orgulham de pertencer a clubes fechados – onde pobres não entram!

 

Há uma história interessante que narra um fato na vida de um bondoso homem de oração. Ele vivia só numa velha cabana, porém, sempre limpa e abençoada. Muitos vinham visitá-lo quando precisavam de algumas graças na família, por confiarem na sua intercessão junto a Deus.

 

Com o passar dos anos, quase toda a população do lugar já conhecia o interior da cabana, contudo, ele nunca havia sido convidado para sequer tomar uma xícara de chá na casa de alguém. Mas, a humildade daquele homem era tanta que ele pouco se importava com isso.

 

Um dia, quando a saúde da esposa de um rico proprietário de terras se agravou, foram buscar o bondoso servo do Senhor para rezar com ela. Lá chegando, o dono da fazenda o recebeu na porteira:

 

- Ainda bem que veio. Já era hora! Peça a Deus que a cure e prometo que vou reformar a sua cabana inteira.

 

- O senhor me desculpe, mas não é dessa forma que o Pai nos atende.

 

- Bem, então, diga o que quer que eu faça!

 

- Quero que todos vocês entrem no quarto da senhora comigo e rezem juntos com muita fé.

 

- Ora, dizem que as suas orações são muito complicadas e demoram muito também!

 

- Demoram um pouco, sim, mas se o Senhor nos ouve pelo tempo que desejamos, o que custa rezarmos unidos por uma hora?

 

- Tá certo, não vamos mais perder tempo. Entre logo!

 

Quando chegaram no quarto da esposa, ela estava rezando em voz alta. Imediatamente, o homem de fé ajoelhou-se, pôs-se a acompanhá-la e, durante toda a semana, sem que ninguém o buscasse, ele continuou indo até a fazenda e rezando com a senhora.

 

Mais alguns dias se passaram e, certa tarde, o homem da cabana foi surpreendido com a chegada do fazendeiro e assessores no seu modesto lar. O rico senhor de botas começou a falar:

 

- Eu tomei a liberdade de trazer minha esposa até aqui porque ela me disse que vocês combinaram de rezar hoje e vou receber uns amigos em casa. Posso deixá-la com você?

 

- Certamente que pode!

 

- Já lhe disse que depois vou recompensá-lo muito bem, ouviu?

 

- Eu só desejo nunca perder a minha fé, meu senhor.

 

- Eu não entendo! Você quer virar santo?

 

- Se isso significar poder participar da glória de Deus, eu quero sim!

 

- Olha, depois a gente conversa sobre isso. Fiquem aí rezando porque eu estou atrasado no meu compromisso e preciso ir embora. Até mais tarde.

 

Poucas horas depois, durante a grande festa que dava na propriedade, o fazendeiro foi interrompido e informado que sua esposa havia morrido. Meio atordoado com a inesperada notícia, gritou com o empregado:

 

- E você, seu incompetente, a deixou lá na cabana, morta, nos braços daquele santo fajuto?

 

- Não, patrão, há mais um homem com eles.

 

- Quem mais chegou naquele lugar horrível?

 

- Antes de entrar, ele me beijou a face e disse que era o filho do carpinteiro!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 485 – 16 Outubro 2020

 

O homem do coração de ouro

 

Seu Galhardo estacionou à porta da Igreja de Santo Antônio e logo foi abordado por um menino:

 

- Hei, moço, posso vigiar o seu carro?

 

Ao mesmo tempo que respondia ‘sim’ com a cabeça, o discreto senhor foi vestindo o paletó, sem notar que a sua carteira de dinheiro caia no chão. Durante a coleta da missa, ele a procurou, pensou tê-la esquecido dentro do veículo e, somente após a celebração, constatou que a havia perdido. Tentou, então, avistar o garoto que ficou cuidando do carro, mas também não o encontrou.

 

No dia seguinte, começou a perguntar pela vizinhança se alguém sabia onde o menino pobre morava e, de ‘talvez’ em ‘talvez’, chegou a uma casinha simples ali perto. Bateu palmas e logo veio o ‘guardador de carros da igreja’ com um bonito rádio nas mãos.

 

- Olá, filho. Lembra-se de mim?

 

- O senhor é o dono do opala, não é?

 

- Sim, sou eu. Ontem, o procurei para lhe dar um trocado e você já havia ido embora. Por acaso, não achou uma carteira preta caída no chão?

 

- Não, senhor.

 

- Tem certeza? Tinha muito dinheiro nela e estou precisando encontrá-la para comprar remédios para o meu filho. Ele não anda, sabe, e está rezando neste momento na intenção que eu ache a carteira.

 

- Eu não vi a sua carteira, não senhor.

 

- Este rádio é novo, não? Quando o comprou?

 

- Eu ganhei do meu tio. Ele é muito rico.

 

- E por que não ficou me esperando ontem para pegar o dinheiro que lhe prometi?

 

- A missa demorou muito e eu estava com frio.

 

- Está bem, pegue aqui o seu troco.

 

Saindo dali, o bom senhor foi à única loja de eletrodomésticos do bairro e soube que um rádio caro havia sido vendido naquele mesmo dia a um garoto descalço. Antes de voltar ao lar, seu Galhardo entrou na igreja e rezou pela conversão do menino que ficou com o seu dinheiro.

 

Mais alguns dias se passaram e, no domingo, novamente os dois se encontraram na frente da igreja.

 

- Posso olhar o seu carro?

 

- Quanto você vai me cobrar por isso?

 

- Quanto o senhor quiser me dar!

 

- Eu gostaria que você conhecesse o meu filho da sua idade. Quer ir comigo à minha casa depois da missa? Prometo lhe dar um lanche gostoso, se estiver com fome.

 

Assim, o garoto Marcelo conheceu o menino que não andava e passou a frequentar o lugar. Brincavam, estudavam e rezavam juntos quase todos os dias, até ocorrer um fato inesperado:

 

- Seu Galhardo, eu quero agradecer tudo o que o senhor fez por mim porque amanhã vou partir para o seminário.

 

- Seminário? De qual seminário você está falando?

 

- Fica longe daqui. O padre da Igreja de Santo Antônio foi lá em casa e conversou com a minha mãe já faz tempo. Eu passei a sentir vontade de ir desde que comecei a assistir missa com o senhor aos domingos.

 

- Que notícia boa, Marcelo. O meu filho já sabe?

 

- Sim, foi o primeiro a saber. Nós choramos muito na despedida.

 

- Tá certo, então. Vou rezar por você e reze por nós também, combinado? Ah, vamos ficar esperando uma cartinha sua nos dando o endereço do lugar que vai estar. Que Deus o abençoe, meu filho.

 

E mais uma vez aquele bom homem ajudou o menino humilde, comprando algumas roupas para completar o enxoval da viagem. Trocaram muitas correspondências, se viram mais algumas vezes e, dezessete anos depois, na mesma Igreja de Santo Antônio, lá estava o seu Galhardo assistindo a ordenação do padre Marcelo. Antes da cerimônia, conversaram:

 

- Meu querido amigo, tudo o que fez por mim, Deus há de lhe retribuir, mas há uma dívida em dinheiro que preciso lhe pagar. Sei que o senhor sabe que achei aquela carteira e comprei aquele rádio, porém, também graças ao programa da Ave-Maria que ouvia nele às seis da tarde, aceitei o chamado ao sacerdócio. Não tive como lhe pagar antes, mas fiz umas economias para lhe devolver o dinheiro hoje.

 

- Ora, Marcelo, a sua dedicação ao meu filho e as orações que fez por nós, mais que pagaram qualquer dívida que possa estar lhe incomodando. Deus já lhe perdoou por aquele pecadinho de criança, e eu também. A sua verdadeira missão começa agora e não quero mais ouvir você falar nisso.

 

Abraçaram-se emocionados e os corações de ambos bateram mais forte do que o coração de qualquer outra pessoa presente.

 

Após a missa, ao sair da igreja, seu Galhardo ouviu de um garoto:

 

- Hei, moço, dá um trocado para eu comprar pilha pra este radinho que eu ganhei do padre?

 

- Como é o seu nome, meu filho?

 

- Zezinho.

 

- Eu tive um filho que também se chamava Zezinho, mas ele já morreu.

 

- Morreu de que?

 

- Não vamos falar disso agora. Se me prometer que vai ouvir a ‘Oração da Ave-Maria’ todos os dias e assistir missas aos domingos, nunca vou deixar faltar pilhas no seu rádio.

 

- Eu prometo!

 

- Então, entre no carro. Vamos comprar as pilhas na padaria e, depois, se você estiver com fome...

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 484 – 9 Outubro 2020

 

Você ama Deus de verdade?

 

Imaginemos que Jesus veio à Terra e perguntou a Satanás o que estava fazendo neste mundo. Ele respondeu:

 

- Tento colocar no coração das pessoas: o ódio, o divórcio, o aborto, a droga e tudo o que é ruim!

 

Novamente Jesus questionou:

 

- E depois, o que vai procurar fazer com elas?

 

- Irei matá-las, é claro!

 

- Se fosse para deixá-las experimentar o meu amor, quanto você cobraria?

 

- Ora, você não vai querer essas criaturas traiçoeiras, mentirosas, egoístas e avarentas! Não irão amá-Lo de verdade e tentarão cuspir no seu rosto, sem levar em consideração tudo o que você fizer!

 

- Diga logo, quanto você quer por elas, Satanás?

 

- Quero toda a sua lágrima e todo o seu sangue!

 

E Jesus pagou o preço da nossa liberdade!

 

Mesmo conscientes disso, como é possível, hoje, nos esquecermos de Cristo? Se acreditássemos em tudo o que nos ensinou, não questionaríamos as graças que recebemos a cada instante, concorda? Há aqueles que querem, um dia, estar com Ele, mas não se aproximam da Eucaristia! E muitos ainda dizem, como Satanás: ‘Eu acredito em Deus’, mas também não fazem nada para agradá-Lo e somente O procuram quando estão em grandes apuros!

 

Na catedral de Lubeck, Alemanha, há uma lápide de mármore em que se encontra esculpido o seguinte:

 

Assim falou Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘Vocês me chamam de Mestre e não me obedecem, me chamam de Luz e não me vêm, me chamam de Caminho e não me seguem, me chamam de Sábio e não me escutam, me chamam de Vida e não me desejam, me chamam de Justo e não me amam, me chamam de Rico e não me solicitam, me chamam de Eterno e não me procuram, me chamam de Bom e não confiam em mim, me chamam de Senhor e não me servem, me chamam de Onipotente e não me louvam, me chamam de Juiz e não me respeitam, me chamam de Poderoso e não me temem. Assim, eu os condeno, e não me culpem depois de tudo isso!’

 

Bem, se estas acusações não são dirigidas a você, levante as mãos para o céu e agradeça a fé que possui e a disponibilidade de tempo que oferece a Deus, porque são poucos os que O amam de verdade: sempre com o coração voltado à oração, com gestos de fraternidade cristã ao próximo e trabalhando fielmente na evangelização. Trocando em miúdos, vejamos algumas boas iniciativas para demonstrar o nosso grande amor ao Senhor, começando por esta linda oração a ser feita diante do Santíssimo Sacramento:

 

“Jesus Ressuscitado, eu creio que Você está vivo diante dos meus olhos na Hóstia consagrada. Creio, também, no Seu poder contra toda espécie de mal, porque Você venceu o pecado e a morte. Eu clamo, Jesus, que Seu sangue seja agora derramado sobre todos os meus familiares. Peço que, pelo poder libertador e salvífico deste sangue, possamos nos livrar de toda opressão diabólica na nossa família. Peço, ainda, que atenda este pedido que agora faço na Sua presença... Eu louvo o Pai por ter nos dado Você, Jesus, como presente de Páscoa. Eu agradeço ao Espírito Santo que me ilumina e me conduz nos momentos de sofrimento. Muito obrigado, meu Salvador.”

 

E com relação a gestos de fraternidade cristã, dizia Madre Teresa de Calcutá:

 

“Muitas vezes, as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas; perdoe-as assim mesmo. Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro; seja gentil assim mesmo. E se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e inimigos verdadeiros; vença assim mesmo. Se é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo; mas seja honesto e franco assim mesmo. Se você tem paz e é feliz, podem sentir inveja; seja feliz assim mesmo. O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã, mas faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de si, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor assim mesmo. Veja que, no final das contas, tudo fica entre você e Deus.”

 

Concluindo, para demonstrar o seu verdadeiro amor ao Criador num fiel trabalho de salvação, repasse às pessoas todo material de evangelização que lhe chegar às mãos. Multiplique as mensagens cristãs e as orações que Jesus permitir chegar até você, como esta:

 

“Se os meus valores são representados pelos bens da terra, será inútil dizer: ‘Pai nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome’. Se acho tão sedutora a vida e quero que todos os meus desejos se realizem, será inútil dizer: ‘Venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu’. Se prefiro acumular riquezas e não me importo em magoar os que atravessam o meu caminho, será inútil dizer: ‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Se escolho sempre o caminho mais fácil e se, por minha vontade, procuro os prazeres materiais, será inútil dizer: ‘E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. E se, sabendo que sou assim, nada faço para melhorar, pouco adiantará dizer: ‘Amém!’.”

 

Que Jesus nos inspire a construir um mundo novo, fazendo-nos homens e mulheres melhores, capazes de amá-Lo de verdade.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 483 – 1 Outubro 2020

 

Nossa Senhora me curou!

 

Quando a Igreja de Monte Sião estava sendo elevada a Santuário, entreguei ao Pe. Ramon uma declaração, confirmando a cura milagrosa que recebi com a intercessão da padroeira da cidade. O documento – assinado e com firma reconhecida – encontra-se arquivado entre outros de igual importância e foi publicado numa edição do livro de Lourenço Guireli Júnior –  saudoso prefeito e devoto fervoroso da Virgem Maria.

 

Eis o relato que escrevi:

 

“Declaro, por livre vontade que, em novembro de 1992, recebi uma grande graça de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – padroeira da cidade de Monte Sião, sul de Minas Gerais.

 

Nessa época, encontrava-me internado no Hospital Vera Cruz, em Campinas, com uma enfermidade gravíssima no coração, chamada ‘endocardite’, além de uma trombose venosa na perna direita. O chefe da equipe médica, Dr. Vitório Verri, disse à minha esposa e a familiares próximos que eu tinha cerca de 2% de chance de vida. O mesmo médico foi contra a minha transferência para o Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, porque achava que eu não chegaria vivo ao local. Sabendo do meu estado clínico, minha tia, Waldina Gottardello Tavares da Silva, residente em Monte Sião, certa tarde se dirigiu à Igreja Matriz e anunciou no alto falante que eu estava precisando de oração. Um grande número de pessoas se reuniu diante da imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e rezou um Terço por mim. A partir daquele dia, comecei a me recuperar, por intercessão da Virgem da Medalha Milagrosa e, na véspera do Natal daquele ano, tive alta no hospital. Na saída, após dois meses internado, o próprio Dr. Verri me perguntou se eu havia feito alguma promessa pela minha cura, pois confirmou que não havia explicação médica para isso. Disse-me, ainda, que por não haver ficado nem sequer uma sequela em meu organismo, o caso era para ser citado e discutido em conferências médicas como ‘extraordinário em nível mundial’. Emocionado, pude dizer ao médico que a Mãe de Deus me curou. Hoje, trabalho incansavelmente na construção do Santuário de Nossa Senhora da Agonia, em Itajubá-MG, agradecido a Maria Santíssima – com o título de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – pela minha cura. Por ser verdade, este filho mariano apaixonado data e assina esta declaração. Itajubá, 10 de agosto de 1999.”

 

Pois é, o tempo passa e a cura permanece. Serei eternamente agradecido a todos que rezaram por mim e continuo fazendo o mesmo pelos enfermos, pobres e desesperados. Quando dou este testemunho em palestras, geralmente choro ao falar do amor que sinto pela Mãezinha querida e de tantas outras graças que ela me concedeu.

 

E, cada vez mais, o povo procura por Nossa Senhora para pedir e agradecer. O Santuário de Monte Sião – antes da pandemia – vivia lotado de gente. Também em Itajubá, temos que dar graças a Deus pela grande devoção mariana na cidade.

 

Mas, como ninguém é de ferro, existem muitas outras coisas na vida que não envolvem nem oração, nem pecados, e renovam as nossas forças para enfrentar o cotidiano, tipo: uma cervejinha com os amigos, banhos de sol no clube, ginástica em academias, passeios de férias etc. Portanto, sem exageros, também podemos trilhar os caminhos do bem e do amor, mesmo sem estar rezando. O perigo, às vezes, é abusar da graça que veio do Céu e não saber agradecer, como nesta história:

 

Uma mulher foi levada às pressas para a UTI de um hospital e, lá chegando, entrou em estado de coma. Mesmo ainda respirando, encontrou-se com Deus e perguntou:

 

- “Que é isso, Senhor? Eu morri?

 

- Não. Quero apenas avisá-la que você morrerá daqui a 43 anos, 8 meses, 9 dias e 16 horas.

 

Voltando a si e alegre por saber o longo tempo que tinha de vida, ali mesmo na clínica, resolveu fazer: lipoaspiração, plástica de restauração nos seios, rejuvenescimento do rosto, retoque no nariz, massagens na barriga, tintura no cabelo... ficando com o aspecto jovial!

 

Alguns meses depois, ao atravessar a rua, veio um veículo em alta velocidade e a matou na hora. Encontrando-se de novo com Deus, ela perguntou:

 

- Puxa, Senhor, eu achei que tinha mais 43 anos de vida! Por que morri logo depois de tantas despesas com cirurgias plásticas?

 

- Porque eu não a reconheci!”

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 482 – 26 Setembro 2020

 

Será mesmo que tudo passará?

 

Conta-se que um excelente nadador tinha o costume de correr até a água e molhar somente o dedão do pé antes de qualquer mergulho. Quando lhe perguntaram o porquê daquele hábito, ele sorriu e respondeu:

 

“Há alguns anos, eu era professor de natação de um clube e, certa noite que não conseguia dormir, fui à piscina para nadar um pouco. Não acendi a luz, pois a lua cheia brilhava através do teto de vidro e, quando eu estava no trampolim, vi minha sombra no fundo da piscina. Com os braços abertos, minha imagem formava uma magnífica cruz e, em vez de saltar, fiquei contemplando aquela sombra. Pensei na cruz de Jesus Cristo e em seu significado que aprendi de criança: ‘Jesus morreu para nos salvar pelo seu precioso sangue’.

 

Não sei quanto tempo fiquei ali parado com os braços estendidos, mas foi tempo suficiente para ter certeza que Jesus acabava de salvar mais um. Haviam esvaziado a piscina e eu não tinha percebido até ver a cruz no fundo. Tremi todo e senti um calafrio na espinha, já que, se eu tivesse pulado, seria o meu último salto.

 

Naquela noite, a imagem da cruz salvou a minha vida. Fiquei tão agradecido a Deus, que ajoelhei na beira da piscina, me arrependi dos pecados e me entreguei a Ele. Fui salvo duas vezes – corpo e alma – e, para nunca mais me esquecer, sempre que vou nadar, molho o dedão do pé antes do salto.”

 

Que susto o professor de natação passou naquela noite, hein! É, nesta vida, tudo passa. Deixamos para trás: as alegrias e as tristezas; os sonhos e os pesadelos; os elogios e as ofensas; as verdades e as mentiras; enfim, o tempo nos ajuda a esquecer, a superar e a conformar com quase tudo. Epa! Eu disse ‘quase’? Pensando bem, nem tudo fica no passado, não é mesmo?

 

Carregamos conosco: a nossa experiência de vida, o conhecimento adquirido, a fé viva no coração, o respeito conquistado, as amizades sinceras, as obrigações para com a família... e a verdadeira missão que recebemos de Deus! Quanta coisa, hein? Bem, mas se este assunto fosse discutido em público, acredito que daria muito ‘pano pra manga’, porque nem todos iriam concordar com tudo que escrevi até agora.

 

Por exemplo: uns diriam que os sonhos nunca morrem; outros afirmariam que o tempo só maltrata um coração ferido de saudades; e alguns nem saberiam dizer a missão que têm neste mundo! É triste concordar que muitos pensem assim: ‘Servir a Deus e ao próximo não é coisa pra mim’. Será que esta infeliz realidade também passará?

 

No capítulo 5 do Evangelho de São Mateus, Jesus nos diz: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!... Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?... Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito”. Concordo que não é nada fácil fazer isso, mas há alternativa melhor de conquistar amigos e agradar a Deus? Não é perdoando que somos perdoados e rezando que entraremos na vida eterna?

 

É óbvio concluir que é melhor viver na presença de amigos do que de inimigos, portanto, quanto mais amizades fizermos, maior será a nossa recompensa. E mais: ganhando a confiança das pessoas, teremos mais espaço para evangelizar! Imagine só como seria bom se você chegasse no trabalho e todos se sentissem alegres com a sua presença, vindo cumprimenta-lo sorrindo e lhe desejando um ótimo dia de atividades. Dá para sonhar com isso?

 

Caso perceba uma boa intenção no seu coração, tenho certeza que Deus providenciará graças ainda maiores a você.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 481 – 17 Setembro 2020

 

A história de uma santa mãe

 

Cada vez que leio a vida de um santo, tenho vontade de relatá-la, mas acabo dando preferência a outra boa história ou a um tema que me recomendaram. Hoje, porém, vou enfocar uma maravilhosa personagem da nossa Igreja: Santa Mônica - famosa por ter sido mãe de Santo Agostinho e conseguido a plena conversão do filho.

 

Ela nasceu em Tagaste – África do Norte – no ano 332 e desejava dedicar-se à vida de oração e solidão, mas seus pais fizeram-na casar com Patrício – homem de gênio terrível, mulherengo, jogador e sem religião. Ele a fez sofrer por trinta anos, mas jamais levantou a mão contra ela. Tiveram três filhos: dois homens e uma mulher. Os dois menores foram sua alegria e consolo, mas Agostinho também a fez sofrer por dezenas de anos.

 

Naquela região, onde as pessoas eram muito agressivas, as demais esposas perguntavam a Mônica por que seu marido nunca a agredia. Ela respondia: ‘Quando meu marido está mal-humorado, me esforço para estar de bom humor e, quando ele grita, eu me calo. Como são necessários dois para brigar e eu não aceito a briga, não brigamos!’ Esta fórmula fez-se célebre no mundo e serviu a milhões de mulheres para manterem a paz em casa.

 

Embora Patrício criticasse as orações e generosidade da esposa, nunca se opunha que ela se dedicasse a estas boas obras. Mônica rezava, oferecia sacrifícios por seu marido e, no ano de 371, alcançou de Deus a graça de seu batismo. Um ano depois, ele morreu santamente, deixando a pobre viúva com o problema do filho mais velho.

 

Por ser extraordinariamente inteligente, Agostinho estudava filosofia, literatura e oratória na capital do estado, mas teve a desgraça de ver seu pai, quando vivo, não se interessar por seus progressos espirituais. Somente lhe importava que tirasse boas notas, que brilhasse nas festas sociais e que se sobressaísse nos exercícios físicos, mas, sobre a salvação de sua alma, não lhe ajudava em nada. E isso foi fatal para o filho, pois caiu de corpo e alma no pecado.

 

Quando o pai morreu, Agostinho tinha 17 anos e Mônica recebia notícias dizendo que o jovem levava uma vida nada santa. Em uma doença, frente ao temor da morte, se fez instruir sobre a religião e propôs tornar-se católico, mas, ao ser curado, abandonou esse propósito. Finalmente, tornou-se sócio da seita Maniqueus, que afirmava: ‘o mundo não foi feito por Deus, mas pelo diabo’. Mônica era bondosa, mas, ao ver o filho chegar de férias, o expulsou de casa e fechou-lhe as portas, dizendo que sob o seu teto não abrigava os inimigos de Deus.

 

Contudo, aconteceu que, naqueles dias, Mônica teve um sonho e se viu num bosque chorando pela perda espiritual do filho. Então, se aproximou dela um personagem muito resplandecente e lhe disse: ‘Teu filho voltará contigo’. Na época, faltavam ainda 9 anos para que Agostinho se convertesse.

 

Quando ela contou a um bispo que passou anos e anos rezando, oferecendo sacrifícios e pedindo orações pela conversão do filho, ele respondeu-lhe: ‘Fique tranquila, é impossível que se perca o filho de tantas lágrimas’. Esta admirável resposta e o que tinha escutado em sonho, a encheu de consolo e esperança, apesar de Agostinho não dar o menor sinal de arrependimento.

 

Aos 29 anos, o jovem decidiu ir a Roma dar aulas. Já era doutor e a mãe se propôs a ir junto para livrá-lo de todos os perigos morais, mas Agostinho armou-lhe uma armadilha. Ao chegar à beira mar, Mônica lhe pediu que fosse rezar no templo enquanto visitava um amigo, porém, ele subiu no barco e partiu, deixando-a sozinha. Não desistindo da missão, Mônica tomou outro barco e se dirigiu a Roma.

 

Em Milão, ela se encontrou com o arcebispo mais famoso da época: Santo Ambrósio. Nele, viu um verdadeiro pai, cheio de sabedoria, que foi guiando-a com prudentes conselhos. Agostinho também ficou impressionado por sua enorme personalidade e começou a escutá-lo com profundo carinho e a mudar suas ideias da fé católica.

 

E aconteceu que no ano 387, ao ler umas frases de São Paulo, Agostinho se propôs a mudar de vida. Enviou para longe a mulher que mantinha união livre, deixou seus vícios e maus costumes. Instruiu-se na religião e, na Festa da Ressurreição daquele ano, fez-se batizar. Convertido, dispôs a voltar com a mãe e o irmão à sua terra, na África, e foram ao porto de Ostia esperar o barco.

 

Mas, Santa Mônica, que já tinha conseguido tudo o que queria na vida, já podia morrer tranquila. À noite, estando ela e o filho numa casa junto ao mar, exclamou entusiasmada: ‘E a mim, o que mais pode me amarrar à terra? Já obtive meu grande desejo: ver-te cristão católico. Tudo o que pedi, consegui de Deus’. Pouco depois, teve febre que, em poucos dias, se agravou, e ela morreu. A única coisa que pediu aos filhos foi que não deixassem de rezar pelo descanso de sua alma. Faleceu aos 55 anos de idade.

 

Milhares de mães e de esposas encomendaram-se a Santa Mônica por todos estes séculos, pedindo que as ajude a converter cada uma seu marido e filhos, e conseguiram milagres admiráveis.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 480 – 8 Setembro 2020

 

Vivendo e aprendendo

 

Você se lembra bem dos mandamentos entregues a Moisés? Vamos recordá-los:

 

1º. Amar a Deus sobre todas as coisas – como resposta à misericórdia sem medidas que Ele tem por nós.

 

2º. Não tomar seu santo nome em vão – porque só deve ser pronunciado com profundo respeito.

 

3º. Guardar domingos e festas de guarda – o dia do Senhor para os seus filhos é sagrado!

 

4º. Honrar pai e mãe – a família nos garante o apoio afetivo e efetivo na busca da salvação.

 

6º e 9º. Não pecar contra a castidade / Não desejar a mulher do próximo – a sexualidade humana precisa estar a serviço do amor e da vida.

 

7º e 10º. Não furtar / Não cobiçar as coisas alheias – a cada um, o que lhe pertence.

 

8º. Não levantar falsos testemunhos – a honra do irmão tem de ser muito respeitada.

 

E sobre o pecado contra a castidade: buscar prazer sem nenhuma consideração moral, sem amor, sem respeito pelo corpo do outro e sem sensibilidade às consequências – isso tudo vai contra o projeto de Deus para a nossa sexualidade. O sexo só tem sentido no amor conjugal a serviço da vida e não como instrumento de escravidão ou de prostituição. Banalizar o próprio corpo é o mesmo que se condenar à morte!

 

Em relação aos sacramentos da Igreja, temos aqueles de iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia; dois de cura: Confissão e Unção dos Enfermos; e os sacramentos do serviço aos outros: Ordem e Matrimônio. Eu só não recebi o sacramento do Matrimônio; os demais, continuam me fortalecendo na missão de cristão luz do mundo.

 

Sobre a Unção dos Enfermos, penso nas graves enfermidades que sofri há anos atrás. Para a minha cura, um importante requisito na confirmação do sacramento foi a vontade de querer recebê-lo. Tendo consciência da sua importância – instrumento pelo qual o Espírito Santo difundiu em mim a graça de Cristo –, o mal foi arrancado pela raiz e os bons frutos vieram.

 

E sempre recordo as doze promessas que o Sagrado Coração de Jesus fez a Santa Margarida Maria Alacoque. São elas:

 

1.      Conceder-lhe-ei todas as graças necessárias ao seu estado.

 

2.      Porei a paz em suas famílias.

 

3.      Consolá-los-ei nas suas aflições.

 

4.      Serei seu refúgio na vida e especialmente na hora da morte.

 

5.      Derramarei copiosas bênçãos sobre suas empresas.

 

6.      Os pecadores encontrarão no meu Coração um oceano infinito de misericórdia.

 

7.      Os tíbios se tornarão fervorosos.

 

8.      Os fervorosos alcançarão rapidamente grande perfeição.

 

9.      Abençoarei os lugares onde estiver exposta e venerada a imagem do meu Coração.

 

10. Darei aos sacerdotes a força de comover os corações mais endurecidos.

 

11. O nome daqueles que propagarem esta devoção ficará escrito no meu Coração e nunca será apagado.

 

12. Concederei a todos aqueles que comungarem nas primeiras sextas-feiras de cada mês, durante nove meses consecutivos, a graça do arrependimento final. E não morrerão sem receber os santíssimos sacramentos!

 

E antes de concluir, vou contar esta história:

 

Certo dia, a Solidão bateu à porta de um grande sábio. Ele convidou-a para entrar e, momentos após, ela saiu decepcionada. Descobriu que não podia capturar aquele ser bondoso, pois ele sempre estava acompanhado do Amor de Deus. Depois, a Ilusão também bateu à sua porta. Ele, amorosamente, pediu que entrasse em sua humilde morada, mas logo ela saiu correndo e gritando que estava cega. O coração do sábio era tão luminoso de amor que havia ofuscado a própria Ilusão.

 

A fama do sábio foi crescendo e, a cada dia, novos visitantes chegavam para conquistá-lo: a Tentação, o Desespero, a Impaciência, a Mentira, o Ódio, a Tristeza e o Engano. Todos também saíram decepcionados com o equilíbrio daquela alma maravilhosa.

 

Em outro dia, porém, a Morte bateu à sua porta, entrou e não mais saiu. O tempo foi passando e, cheios de receio, os discípulos penetraram na casa e encontraram o cadáver do mestre estirado no chão. Imediatamente começaram a chorar, mas, depois, entenderam porquê a Morte foi aceita pelo mestre: ele havia cumprido a missão de ensinar a todos como resistir aos servos do Pecado.

 

Portanto, cumpra os mandamentos de Deus, receba sempre alguns sacramentos, exponha e venere a imagem do Sagrado Coração de Jesus, e receberá a bênção de uma boa morte para entrar na vida eterna.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 478 –  24 agosto 2020

 

Renovar-se para voar alto

 

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie, chegando a viver setenta anos! Mas, para chegar a essa idade, aos quarenta, ela tem que tomar uma séria e difícil decisão, porque está com as unhas compridas, flexíveis, e não consegue mais agarrar as presas para alimentar-se. O bico alongado e pontiagudo também se curva, dificultando a caça. Apontando contra o peito, as asas envelhecidas e pesadas pela grossura das penas, dificultam o voo.

 

Então, a águia só tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação – que irá durar aproximadamente 150 dias! Esse processo consiste em ir para o alto de uma montanha e recolher-se num ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, começa a bater o bico contra a pedra até conseguir arrancá-lo. Depois, espera nascer um novo bico, que irá ajudá-la a arrancar as unhas. E quando as novas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só então, após cinco meses, sai para o famoso vôo de renovação e vive por mais 30 anos.

 

Se todo ser humano tivesse por princípio renovar a própria vida para viver eternamente, seria preciso contar a história de uma ave para lhe servir de exemplo? Outros animais irracionais também lutam desesperadamente pela sobrevivência sem prejudicar a espécie... e os homens continuam se matando!

 

Contudo, o trabalho de evangelização da Igreja Católica não para e continua trazendo muita gente para perto de Deus através de lindas celebrações da Eucaristia, músicas maravilhosas e meios de comunicação diversos, mas, insisto, poucos abrem seus corações a Deus. O que fazer então?

 

Bem, em primeiro lugar, não podemos desanimar. Se Jesus Cristo nos passou a missão de pregar o Evangelho, temos que nos preparar para altos voos, levando a Palavra aos mais pecadores. E para atingir um maior número de pessoas, não devemos descuidar da oração. Quanto mais oração, maior será o Reino de Deus na Terra. A oração nos renova na fé, na esperança e nos impulsiona para o serviço cristão.

 

Agora, você que deseja continuar recebendo graças do Céu e também chegar lá um dia, responda com sinceridade:

 

Dou prioridade à oração todos os dias? Sou exemplo de vida na minha família? Partilho com os pobres parte do que Deus me deu? Contribuo com o dízimo e algumas outras obras da minha comunidade? Rezo pelo Papa, pelos bispos, sacerdotes, seminaristas, missões religiosas e novas vocações? Faço penitências pela paz no mundo e conversão dos pecadores?

 

Espero que tenha se saído bem porque, relendo o parágrafo anterior, percebi que tenho muitas coisas para melhorar. Só de reconhecer isso, já dou graças a Deus pela renovação que Ele procederá em mim, permitindo que eu viva os próximos anos feito ‘águia nova’.

 

E qual justificativa usaria o pecador que não quer melhorar suas atitudes indignas de cristão? Será que se julgaria com capacidade suficiente para caminhar sozinho na vida? Bem, caso conheça alguém assim, proponha a essa pessoa responder este caso:

 

‘Você está dirigindo – de madrugada e na chuva – um veículo de dois lugares apenas. Ao passar por um pequeno abrigo, avista três pessoas: uma senhora passando mal, um médico que já lhe salvou a vida, e a pessoa – de sexo oposto ao seu – mais bonita que já se viu. O que você faria?’

 

Eu fiz esta pergunta a um amigo solteiro, e ele respondeu assim: ‘Eu daria o meu lugar no carro ao médico – para que levasse a senhora ao hospital – e ficaria no abrigo com a moça’. Isso que é atitude cristã! Aliás, ele conciliou muito bem o espírito de caridade com a oportunidade de paquerar a garota, não? Fez bem, porque Deus também quer a nossa felicidade.

 

E quem aceitar a proposta salvífica de Jesus, poderá usufruir da sabedoria adquirida para sempre. Para melhor compreender isso, vou contar uma história que ouvi de um seminarista:

 

‘Após a morte, um homem estava tentando achar o caminho do Céu, quando encontrou São José. E o santo lhe mostrou uma enorme cruz, dizendo que teria que carregá-la até a entrada do Paraíso. Pois bem, São José foi à frente e o homem com a cruz atrás. No caminho, o serrote de São José caiu e, aproveitando da situação, o pretendente ao Céu cortou um pedaço da cruz, tornando-a mais leve. Mais adiante, novamente a cruz pesou e o homem usou o serrote para diminuir o seu tamanho. E estando bem próximo de se salvar, ele avistou uma vala profunda, onde precisaria da cruz inteira para fazer de ponte e poder passar.’

 

Então, o homem ficou fora do Céu. E nós? Peçamos a Deus que este artigo sirva para aprendermos que, quando as condições não nos forem favoráveis, carreguemos pacientemente a cruz por algum tempo até começarmos o processo de renovação. E quando o peso dos pecados for aliviado, iniciaremos o voo da vitória. Assim seja!

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 477 – 6 Agosto 2020

 

Sinais de Deus na infância

 

- Papai, o que é Páscoa?

 

- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa.

 

- Igual ao Natal?

 

- É parecido, só que, no Natal, comemora-se o nascimento de Jesus e, na Páscoa, comemora-se a sua ressurreição.

 

- Ressurreição?

 

- É, ressurreição. Marta, vem cá! Explica pra esse menino o que é ressurreição pra eu poder ler o jornal.

 

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

 

- Mais ou menos. Mamãe, Jesus era parente de algum coelho?

 

- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que você foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo.

 

- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

 

- É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

 

- O Espírito Santo também é Deus? E Minas Gerais?

 

- Que sacrilégio!

 

- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?

 

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus! É meio complicado, nem a mamãe entende direito, mas, se você perguntar no catecismo, a professora explica tudinho!

 

- Bom, se Jesus não é parente de nenhum coelho, quem é o coelho da Páscoa?

 

- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente, ele traz ovinhos.

 

- Coelho bota ovo?

 

- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!

 

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

 

- Era, era melhor. Ou então, urubu!

 

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? E em que dia ele morreu?

 

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

 

- Que dia e que mês?

 

- Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

 

- Um dia depois.

 

- Não, três dias.

 

- Então ele morreu na quarta-feira.

 

- Não, morreu na sexta-feira santa.... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!

 

- Como três dias?

 

- Ora, pergunte à sua professora de catecismo!

 

- Papai, e por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?

 

- É que hoje é sábado de aleluia e o pessoal vai fazer a malhação do Judas, que foi o apóstolo que traiu Jesus.

 

- O Judas traiu Jesus no sábado?

 

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!

 

- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

 

- Boa pergunta! Filho, atende o telefone pro papai e, se for um tal de Ricardo, diz que eu saí.

 

- Alô, quem fala? Seu nome é Ricardo Coelho Pascoal? Meu pai foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau... Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

 

- Cristo. Jesus Cristo.

 

- Só?

 

- Que eu saiba sim, por quê?

 

- Não sei não, mas acho que o nome dele era Jesus Cristo Coelho Pascoal. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

 

- Coitada da sua futura professora de catecismo!

 

Bem, além de engraçado, este diálogo serve para refletirmos um pouco sobre a formação cristã dos nossos filhos. Será que nós, pais, deixamos claro a eles a missão que têm aqui na Terra? Você, quando criança, sabia o que significava ser ‘luz do mundo’ ou ‘sal da terra’? Se os pais não participarem da catequese dos filhos, eles conhecerão a Deus pelos caminhos do amor? Infelizmente, quando muitos pais abrem os olhos e procuram levar os jovens à igreja, já é tarde.

 

Epa! Fazendo o papel do menino deste artigo, eu pergunto: ‘É certo dizermos que é tarde para alguém conhecer Jesus Ressuscitado?’. Se você responder: ‘Não, porque a Misericórdia Divina nos perdoa e abraça em qualquer momento de arrependimento’, eu concordo, mas pra quê esperar a época de sofrimento extremo para se aproximar de Deus? É justo um casal colocar um filho no mundo e deixar ‘os amigos’ levarem-no para caminhos obscuros?

 

Eu sei que quase nenhum pai pensa assim e nem premedita a perdição do filho, mas quando não o conduz aos caminhos santos de Jesus e Maria, mais cedo ou mais tarde, acabarão arrependendo-se. Portanto, o filho mais amado é o filho abençoado na missão que Deus lhe deu. E nenhuma missão agradará mais a nosso Senhor do que amar a Deus de coração e servir o próximo. Nada disso se aprende na rua, mas dentro da Mãe Igreja.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº476– 10 Agosto 2020

 

Felicidade conjugal

 

Eu tenho conversado com diversos casais a respeito de felicidade conjugal e sempre insisto que, no mínimo, duas coisas não podem faltar em qualquer lar cristão: a verdade e a oração. Às vezes, em particular, a esposa me confidencia que há mentiras entre eles e que estão afastados da Eucaristia; daí, não é preciso dizer mais nada.

 

Os problemas que enfrentamos na vida já são tantos que não vale a pena serem regados com pecados, não é mesmo? O casal que confia no poder da oração e nunca mente, provavelmente não terá que amargar uma separação. Quando recebo convites de ‘cerimônia de reconciliação’, me deixam muito feliz. Foi preciso oração de muita gente para que isso acontecesse, mas a felicidade na família compensa tudo.

 

Bem, e para comentar até que ponto o compromisso de fidelidade deve ser levado a sério numa relação a dois, vou contar esta história:

 

“Um carpinteiro encontrou uma lâmpada mágica e dela saiu um gênio, dizendo:

 

- Eu lhe permitirei encontrar tudo o que perder na vida, desde que nunca minta pra mim.

 

Logo na semana seguinte, o bom homem cortava o galho de uma árvore ao lado de um rio, quando seu machado caiu dentro d’água. Imediatamente chamou o gênio que, mergulhando, trouxe-lhe um machado de ouro e perguntou:

 

- É este seu machado?

 

- Não, não é ele.

 

O gênio entrou novamente no rio e, desta vez, tirou um machado de prata.

 

- E este, é seu?

 

- Também não.

 

Finalmente, o gênio mostrou um machado com o cabo de madeira e o carpinteiro falou sorrindo:

 

- Agora sim, é ele!

 

Contente com a sinceridade do homem, o gênio da lâmpada o mandou de volta para casa dando-lhe os dois outros machados de presente. E o mesmo aconteceu com diversos objetos perdidos por vários anos.

 

Um dia, o carpinteiro e sua esposa estavam passeando na floresta quando surgiram alguns lobos raivosos. Cada um correu para um lado e se perderam na mata. Após horas de procura pela mulher, o marido suplicou ajuda ao gênio, que logo apareceu com a Gisele Bundchen.

 

- É esta sua esposa?

 

- Sim, sim, é ela!

 

- Mentiroso! Você nunca mais terá a minha ajuda!

 

- Por favor, gênio, me perdoe. Entenda que se eu dissesse ‘não’, você me traria a Bruna Marquezine e, se eu novamente dissesse ‘não’, você mostraria minha mulher e, quando eu dissesse 'sim', então nos mandaria todos juntos para casa! Isso acontecendo, meu casamento estaria acabado; então, para evitar essa desgraça, prefiro ficar com a Bruna comigo apenas enquanto procuramos a minha mulher.

 

E gênio o perdoou, considerando que mentiu por uma causa nobre: a felicidade da sua família!”

 

É claro que, por ser uma história, muita gente pode dizer que nenhum homem faria isso. Eu digo o contrário: ‘se o esposo tiver consciência da sua responsabilidade em conduzir a família para o Céu, nunca cairá em tentação’. E com a esposa, acontece a mesma coisa? Antes de responder, leia este outro relato:

 

Ela era casada com um homem por quem se apaixonou na adolescência, tinha um lindo filho para completar sua felicidade e vivia dizendo que era uma mulher realizada. Tudo caminhava muito bem, até o dia em que descobriu que a pessoa que tanto amava estava lhe traindo – e não era algo recente.

 

Apreensiva, dirigiu-se ao marido e exigiu respeito. A resposta que recebeu foi bruta e desrespeitosa. Em breve, o seu príncipe encantado se transformou num ser irracional e agressivo. Foi quando ela percebeu que toda a segurança do maravilhoso casamento havia terminado e, não podendo conviver com alguém que lhe agredia até fisicamente, decidiu se matar e terminar também com a vida do próprio filho! Faria isso para que o marido sofresse amargamente de arrependimento.

 

Então, pegou na mão da criança e saiu correndo, atravessando todas as avenidas movimentadas do lugar. Os carros freavam como podiam, até que o menino escapou-lhe das mãos e correu em direção à grade de proteção do viaduto. Estranhamente, a mãe desesperou-se ao ver o filho ameaçado de cair daquele lugar tão alto e morrer. Ao alcançá-lo, deu-lhe um forte abraço, começou a chorar e a dizer que o amava. Foi quando um motorista desceu do carro e disse-lhe: ‘Por um minuto a senhora não perde o seu filho!’

 

Voltando para casa, ela pensou: ‘Em um minuto apenas, a tormenta passou, a dor também passou e o meu filho ausente voltou. A nossa vida vai continuar!’. Chegando em casa, ajoelhou-se, rezou e a esperança renasceu. Mais um minuto e a vida floresceu novamente para todos daquela família, porque a Misericórdia Divina mostrou-lhes que, com paciência e devoção, os caminhos obscuros se enchem de luz.

 

Pois bem, contei duas histórias para confirmar quatro necessidades básicas no casamento: verdade, oração, fidelidade e paciência. Isso tudo acontecendo, o amor jamais acabará e a felicidade eterna, um dia, chegará. Não duvide disso.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 475 – 5 Agosto 2020

 

Atitudes Positivas

 

 Um executivo contratou um jardineiro de 16 anos para trabalhar em sua casa e, certo dia, o rapaz pediu permissão para utilizar o telefone. O patrão prontamente o atendeu e não pôde deixar de escutar a conversa em viva voz:

 

- A senhora está precisando de um jardineiro?

 

- Não, eu já tenho um.

 

- Mas, além de cortar, eu também retiro o lixo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço.

 

- Isso o meu jardineiro também faz.

 

- Eu programo o atendimento o mais rápido possível.

 

- O meu jardineiro também me atende imediatamente.

 

- Senhora, o meu preço é um dos melhores!

 

- Não, muito obrigada. O preço do meu jardineiro também é muito bom. Passe bem.

 

Quando o garoto desligou o telefone, o executivo lhe perguntou:

 

- Você deixou de conquistar mais uma cliente?

 

- Não, eu sou o jardineiro dela. Apenas verifiquei o quanto estava satisfeita com o meu atendimento.

 

Interessante a maneira como o rapaz soube da qualidade do seu serviço, não? E você, como está tratando os seus clientes? Alguma vez já mediu a satisfação dos consumidores dos serviços que presta? Bem, quem faz ‘negócios’, certamente sabe como agir ou está preocupado demais com a concorrência, mas, em primeiro lugar, todos nós temos outros ‘clientes’ muito mais importantes a servir: Jesus Cristo e os pobres.

 

Com tantas mensagens cristãs e orações na pandemia, acho que crescemos verdadeiramente na fé; portanto, já é mais fácil concluir que Jesus Cristo veio ao mundo para nos trazer vida nova... que os pobres são o nosso caminho mais curto de salvação... que a Mãe de Deus nunca nos deixa órfãos nas aflições... e que a Páscoa celebramos todo dia!

 

Com fé viva no coração, somos capazes de trabalhar pelo Reino de Deus com a mesma criatividade e atitude positiva que o jovem jardineiro da história. E servir a Cristo e aos pobres significa sempre considerá-los nossos principais clientes na vida; assim, como os clientes geralmente têm razão, precisamos saber se estão satisfeitos com o nosso serviço.

 

Bem, as expectativas de Jesus para conosco se encontram nos Evangelhos e, as necessidades dos nossos irmãos necessitados, todos nós já sabemos; portanto, só não os serve e os agrada quem não quer. Faça agora uma avaliação da qualidade do serviço que presta a esses clientes especiais e, se estiver pecando por omissão, mude o rumo de sua vida!

 

Agora, preste atenção nesta nova história e, quem sabe, melhorando suas atitudes, mais bênçãos serão derramadas em você também.

 

Um jovem empresário dirigia apressado em seu novo Audi quando, de repente, um tijolo espatifou-se na porta lateral do carro. Freou bruscamente, saltou, pegou uma criança pelo braço e gritou:

 

            - Que besteira pensa que fez? Este é um carro caro e aquele tijolo que você jogou vai me custar muito dinheiro, sabia?

 

            - Por favor, senhor, me desculpe. Fiquei desesperado porque ninguém estava disposto a parar neste local. Meu irmão desceu sem freio, caiu no barranco com sua cadeira de rodas e eu não consigo levantá-lo. O senhor poderia me ajudar a colocá-lo de volta na cadeira?

 

Movido por uma grande compaixão, o motorista dirigiu-se rapidamente ao jovenzinho paralítico. Pegou o lenço, limpou os arranhões e, verificando que tudo estava bem, olhou para o céu e disse:

 

- Obrigado, meu Deus. Abençoe estes jovens muito mais que a mim.

 

Em seguida, o empresário trafegou lentamente de Audi para casa, refletindo na vida consumista que levava. Ele nunca consertou a porta amassada, porque queria lembrar-se de não ir tão rápido pela vida e, assim, nenhum outro ‘cliente’ teria que atirar tijolos para obter a sua atenção.

 

Espero que você também saiba que Deus sempre fala em nossos corações. Algumas vezes, quando não temos tempo para ouvi-lo, Ele tem que jogar tijolos em nós. Faça a sua escolha: escutar o chamado e tomar atitudes positivas em favor dos pobres... ou esperar pelo tijolo.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 474 –  2020

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 473 – 21 julho 2020
OColecionador de Problemas

 

Numa aldeia, muitos passavam a vida colecionando objetos descartados por outras pessoas, porque descobriram que a posse de uma grande e variada quantidade de artigos velhos os fazia valiosos novamente.

 

Um dos colecionadores tinha uma provisão esplêndida de garrafas coloridas de vidro e chamava a atenção pendurando-as em árvores e criando músicas ao tocá-las com varas. Outro, colecionava sapatos de todos os tipos e comentava o quanto variavam os tamanhos e as formas dos pés das pessoas. Havia colecionador de panelas, de livros cômicos, de jornais esportivos; na verdade, era uma verdadeira coleção de colecionadores!

 

Um dia, um velho homem vagando pela aldeia perguntou onde ficava a praça dos colecionadores. Ele levava um grande pacote, mas não parecia estar carregando muito peso. Assim que encontrou o lugar, muitos perceberam que havia um novo colecionador entre eles e quiseram saber o que o velho trazia no pacote.

 

- É apenas o meu almoço e uma capa de chuva – respondeu ele.

 

- Você quer dizer que não tem nenhuma coleção? – perguntaram-lhe.

 

- Oh, sim. Eu sou um grande colecionador, mas o que coleciono não cabe em nenhuma caixa, pois eu guardo os problemas e as preocupações das pessoas.

 

Como essa era uma ideia estranha, pediram que ele lhes explicasse.

 

- Bem, há muito tempo, descobri que todos querem se livrar das preocupações, dos fardos pesados, das tristezas, dos tempos difíceis - essas coisas que jogam as pessoas para baixo e tornam suas vidas mais tristes. Assim, eu me ofereço para colecionar esses problemas e todos se sentem bem! Não é simples?

 

Alguns pensaram que era uma convicção tola e possivelmente seria perigosa à reputação da profissão, mas logo apareceu um comerciante e novamente perguntou-lhe como colecionava problemas.

 

- Bem, provavelmente, há algo em sua vida que o aborrece agora mesmo. Fale-me um pouco dessa preocupação e eu a acrescentarei à minha coleção.

 

- Mas como isso me ajudará? Você pode desaparecer com o problema só porque lhe falo sobre isso?

 

- Não, mas você se sentirá melhor. Vamos, tente!

 

Assim, a pessoa falou para o velho sobre algo muito triste. Quando a história terminou, o colecionador de problemas acenou com a cabeça algumas vezes, elevou as mãos como se erguesse algo pesado e fingiu colocar na caixa.

 

- Pronto! Eu guardei este para você. Como se sente?

 

 - Estranho, me sinto bem! Eu acho que posso controlar o problema muito melhor agora. Realmente funciona!

 

Aquelas palavras se espalharam ao vento e todos os dias havia uma multidão em volta do velho. Muita gente chegava chorando e saía aliviada, inclusive uma mulher que se aproximou com considerável dificuldade para andar, dizendo:

 

- Oh, você não sabe quantos pesados fardos há neste mundo. Eu venho de uma cidade onde existem mais problemas do que em qualquer outro lugar. Todos sofrem, ninguém tem qualquer esperança e, o pior, as autoridades prosperam passando por cima dos problemas do povo. É um lugar desesperador! Tive que sair de lá.

 

O colecionador de problemas ficou sério, levantou-se e ergueu o pacote com um gesto mais lento que o normal. Depois de um longo silêncio, falou calmamente:

 

- Eu tenho que ir até lá.

 

Os aldeãos fizeram um grande protesto, pois não queriam perdê-lo. Tinham medo de como ficaria a cidade sem ele e lhe imploraram que ficasse, mas o velho escapuliu no meio da noite.

 

Muito tempo se passou até que um jovem entrou na aldeia. As pessoas lhe perguntaram se sabia do velho que tinha partido para a cidade dos problemas difíceis.

 

- Conheci, sim! Graças a ele, as pessoas do lugar começaram a se sentir melhor e a ter um pouco de esperança, mas não levou muito tempo para as autoridades o notarem. Mandaram que partisse e deixasse de se intrometer nas vidas das pessoas.

 

E com os olhos tristes e um nó na garganta, continuou:

 

- Como se recusou a ir embora, eles o colocaram na prisão. Lá, ele também colecionou os problemas dos outros prisioneiros! Finalmente, as autoridades decidiram que o bom homem era uma ameaça subversiva ao sistema e o executaram.

 

Todos começaram a chorar. O jovem, então, concluiu:

 

- Eu sinto muito por lhes trazer notícias tão tristes. Ele também era meu amigo.

 

De repente, o rapaz deu um pulo, sorriu e, iluminado por uma grande ideia, começou a gritar:

 

- Colecionar problemas ainda funciona! Você pode fazer isso para mim e eu posso fazer o mesmo para você! Ele só nos ‘ensinou a pescar’! O que temos a praticar é simples: basta ouvirmos as pessoas, pedirmos que desabafem e, assim, reflitam melhor nas coisas boas da vida! Serei um colecionador de problemas e hei de espalhar o que aprendi.

 

A partir dali, aquele jovem passou a ajudar muita gente e descobriu outros colecionadores de problemas. A cidade onde o mestre deles todos foi executado, tornou-se o lugar mais feliz da região!

 

Ei, você! Sim, você que está lendo este texto! Quer se tornar um ‘colecionador de problemas’? Então, siga os ensinamentos do nosso Mestre que morreu na Cruz e ame a todos.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 472 – 16 julho 2020

 

Qual seu melhor gesto na vida?

 

Um dia vendo TV, tive dificuldades em responder esta pergunta: ‘O que você já fez de mais importante na sua vida?’. Confesso que, no momento, muitas coisas me vieram à cabeça, mas, não tive discernimento para concluir. Depois, fiquei refletindo: ‘Com certeza, meu grande gesto não me beneficiou financeiramente, nem agradou somente a mim, não deve ter acontecido há tanto tempo, também foi algo muito abençoado... O que foi, então, meu Deus?’. Bem, o fato é que até hoje eu não sei exatamente o que dizer, mas vou contar um caso que sempre lembro e agradeço aos céus.

 

“Numa sexta-feira de 1998, logo que comecei a minha caminhada de Vicentino, fui visitar uma família no Bairro Santa Rosa e fiquei impressionado com o que vi. O casal e seis filhos pequenos viviam num local fedido, sem luz, banheiro entupido, fogueira no meio da sala – não tinham gás para cozinhar o restinho de alimento que sobrou –, vidros das janelas quebrados, roupas sujas, enfim, viviam abaixo do limite da miséria.

 

Impulsionado pelo espírito de caridade de São Vicente de Paulo, fui buscar o Secretário da Ação Social do Município e o levei para ver de perto a situação. Como ele também não dispunha de recursos para resolver tudo, corri atrás de gás, de encanador, de vidros na Casa Sulina, de alimentos e roupas limpas. Consegui também ajuda para pagar as contas de luz em atraso e para comprar um pouco de material de limpeza.

 

Passei o tempo todo correndo, mas bastou eu doar um único dia da minha vida para dar um pouco de dignidade humana àquela família. Acabou até sendo muito pouca dedicação para tantas melhorias! É por isso que eu agradeço a Deus por tudo quanto acabei fazendo – iluminado pelo Espírito Santo.

 

Ah, e na segunda-feira, com outros membros da nossa Conferência, conseguimos creche para as crianças, alguns remédios e, após mais algum tempo, quando um emprego para a esposa do casal já estava quase certo na AFL, eles se envolveram numa confusão e saíram às pressas da cidade.

 

Você deve estar pensando que de nada adiantou tudo o que fizemos, porque a história começou e terminou muito triste, é isso? Eu não penso assim. Tanto é verdade que estou contando o caso como ‘um feliz exemplo de algo importante que fiz na vida’! E se pensarmos em ajudar o próximo somente na certeza que tudo terminará bem, as barreiras serão muito maiores.”

 

Pense agora na vida de Jesus... Mesmo Ele sabendo do seu caminho à Cruz, teve pressa? Desanimou em algum momento? Anunciou o Reino com má vontade? E não considere que usou de forças sobrenaturais para resistir o sofrimento e a humilhação que passou, pois não foi isso que aconteceu. Jesus aceitou a vontade do Pai, amou e perdoou os irmãos – incondicionalmente!

 

E quando também penso nisso e vejo que o meu melhor gesto foi há tantos anos, sinto um pouco de tristeza, porque o ideal seria superarmos as nossas obras de caridade a cada dia. Embora eu não deixe de trabalhar nas coisas de Deus nem por uma só jornada, estou consciente que preciso melhorar e, talvez, esta história me ajude a lembrar disso no futuro:

 

“Um dia, um homem recebeu a notícia de que acabara de ser nomeado mandarim. Ficou tão eufórico que quase não se conteve, e correu contar a um amigo:

 

- Serei um grande homem agora e preciso de roupas que façam jus à minha nova posição na vida.

 

- Conheço o alfaiate perfeito para você - replicou o amigo. É um velho que sabe dar a cada cliente o corte perfeito. Vou escrever o endereço.

 

E o novo mandarim foi ao alfaiate que, cuidadosamente, tirou suas medidas e, depois de guardar a fita métrica, disse:

 

- Há mais uma informação que preciso saber. Há quanto tempo o senhor é mandarim?

 

- Ora, o que isso tem a ver com a medida do meu manto?

 

- É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo, que mantém a cabeça altiva e estufa o peito. Assim, tenho que fazer a parte da frente maior que a de trás. Um ano mais tarde, quando os transtornos advindos da experiência o tornam sensato e ele olha adiante para ver o que vem em sua direção, aí costuro o manto de modo que a parte da frente e a de trás tenham o mesmo comprimento. E mais tarde ainda, depois que está curvado pelos anos de trabalho cansativo e humildade adquirida, então faço o manto de modo que as costas fiquem mais longas que a frente. Portanto, tenho que saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente apropriadamente.

 

O novo mandarim saiu da loja pensando menos no manto e mais no motivo que levara seu amigo a mandá-lo procurar exatamente aquele sábio alfaiate. Da mesma forma, estou pensando na providência Divina que me fez assistir o programa de TV e me levou à reflexão do meu melhor gesto na vida... Será que foi para me alertar que, comigo, aconteceu o contrário do mandarim e, agora, o meu manto encurtou na frente?”

 

E você, qual é hoje o comprimento do seu manto?

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 471 – 8 julho 2020

 

O doce gosto da fé católica

 

Há uma lenda que relata a história de um homem que encontrou uma garrafa mágica. Ao abri-la, imediatamente apareceu um gênio, dizendo que iria conceder-lhe um desejo. O homem, então, pensou: ‘Sou rico, tenho família, possuo grande inteligência para negócios... Já sei! Eu quero conhecer profundamente todas as religiões’.

 

Desejo concedido, ele passou a dar palestras nos templos, igrejas e sinagogas do mundo inteiro, e seus ensinamentos eram profundamente admirados; porém, ele jamais cumpriu a sua missão na Terra por não professar uma única fé. Sempre que começava um trabalho num lugar, logo se desviava para outra tarefa, servindo outro Senhor, num centro distante. E quando morreu, será que ele se salvou?

 

Infelizmente, quando se trata de religiões diferentes, nem todos os caminhos nos levam ao mesmo lugar; por isso, temos que trilhar o caminho da salvação eterna! Bem, como sou católico convicto da missão que abracei, para chegar ao Céu tenho certeza que não posso misturar nenhuma outra crença no coração, senão me desvio dos ensinamentos que Jesus deixou.

 

Faço minhas estas palavras do saudoso Pe. Aquilino numa Festa de São José, no Santuário Nossa Senhora da Agonia: “Estou vivendo a fase mais feliz da minha vida!”. Motivos para isso eu tenho de sobra, mas, focando exclusivamente o doce gosto da minha fé, confesso que essa alegria deve-se ao meu envolvimento na Igreja desse ‘trio maravilhoso’: a Eucaristia, Nossa Senhora e o santo Papa. Em que outra religião encontramos isso? Disse Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

 

Eu respeito todas as crenças e jamais falaria mal de alguma sem conhecê-la, mas posso comentar de cadeira a fé católica porque a vivo a todo instante. E aconselho a todos que conheço: ‘Se querem viver em paz e se salvarem, sigam os Mandamentos de Deus, rezem para Nossa Senhora, participem da Eucaristia e aceitem as orientações do Papa Francisco’. Quem fizer isso, pela fé que tenho no peito, acredito que não poderia agradar mais a Jesus em outro lugar.

 

A oração da Ave-Maria, raiz na fé católica, nasceu da Bíblia (Lc 1, 28 e 42) e do povo. Não é à toa que a Virgem Maria é a Padroeira do Brasil com o nome de Nossa Senhora Aparecida: sua imagem é feita de barro, é pequena e humilde, porque abençoa a classe mais simples da nação: os sofredores e os pobres – e todos se sentem representados na imagem.

 

Foi esse povo que colocou nela o manto azul como presente. Ele é ornamentado e muito bonito, porque todos gostam muito de Nossa Senhora! Milhões de pessoas fazem romaria a Aparecida todos os anos, agradecendo as graças, carregando o andor e cantando ‘Ave-Maria’. Por quê? Porque em Maria, o povo vê realizado o ideal que alimenta há muitos séculos: a liberdade dos filhos de Deus.

 

E por amá-la tanto é que continuamos criando nomes carinhosos a ela. Minha devoção e paixão pela Mãezinha querida fazem com que eu tenha dezenas de imagens que a representam em meu apartamento. E entre as músicas que compus, eis as letras de duas, que falam da Mãe de Deus.

 

A primeira:

 

“Virgem Santa, medianeira dos favores do Senhor, / me acompanhe na alegria, alivie a minha dor. / Nos caminhos tortuosos, me segure pela mão; / nos momentos gloriosos, seu é o meu coração. // Mãe das Graças, da Agonia, do Sagrado Coração, / Soledade, Aparecida, do Socorro, a mesma são.”

 

E a segunda, música de comunhão:

 

“De Deus, nasceu Maria, a serva do Senhor; / e a Santa Eucaristia, é fruto do amor: / Jesus nos convidando a repartir o pão; / Maria nos mostrando o Altar da Salvação. / Estando preparados, faremos procissão, / levando a nossa Mãe no coração. / Voltando abençoados no Corpo do Senhor, / a luz do céu reflete puro amor: / amor de Deus a todo cristão; / amor da Mãe na Santa Comunhão.”

 

Graças a Deus, minha família tem essa forte devoção: dormimos e acordamos com Maria no coração. E nesta quarentena, estamos rezando o Terço diariamente em ação de graças por tudo o que temos, tudo o que somos, e pedindo mais bênçãos às pessoas que confiam em nossas orações. Também rezamos firmemente para que acabe de vez a pandemia nessa judiada Terra.

 

Assim é a vida: uns se matam e outros se ajudam; poucos rezam e muitos se perdem; novas promessas de salvação aparecem e alguns acreditam. Enquanto isso, continuo rezando e dizendo que quem praticar os ensinamentos da Igreja Católica vai entrar no Céu. Essa é a minha convicção, essa é a minha fé.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 470 – 1 julho 2020

 

Não perca o seu maior tesouro

 

Diz a lenda que, numa noite escura, um homem caminhava desolado pela praia. Pensava assim: ‘Se eu tivesse uma casa bem grande, seria feliz. Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz. Se tivesse uma companheira formosa, seria muito feliz!’. Nesse momento, tropeçou numa sacolinha cheia de pedras e passou a jogá-las, uma a uma no mar, a cada vez que dizia com raiva: ‘Seria feliz se tivesse um lindo carro, ou uma bela lancha, ou se pudesse fazer longas viagens...’. Prosseguiu até que a sacolinha ficou com uma só pedrinha e, esta, ele acabou guardando.

 

Ao chegar em casa, percebeu que aquela pedra era um diamante muito valioso! Pensando nos outros que jogou fora, voltou desesperado até a praia e ficou a noite inteira tentando recuperar o tesouro perdido, mas não conseguiu achar nenhum que atirou no mar. Restou a ele apenas uma pequena parte de tudo que sempre sonhou.

 

E quantos de nós vivemos jogando fora nossos preciosos tesouros por sonharmos com aquilo que é perfeito e sem dar valor ao que temos perto de nossas mãos? A felicidade está muito próxima de cada um, mas quase sempre é vista apenas no futuro distante.

 

Se déssemos valor a cada ‘pedrinha’ que conquistamos na caminhada da vida, quantas coisas maravilhosas já teríamos, não? Cada um de nossos dias pode ser considerado um diamante insubstituível e só depende de nós aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-lo; contudo, sempre é tempo de recomeçar.

 

Carlos Drummond de Andrade escreveu:

 

“Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo.

 

Sofreu nesse período? Foi aprendizado... Chorou muito? Foi limpeza da alma... Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia... Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechou a porta até para os anjos... Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da sua melhora...

 

Pois é, agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Que tal um novo emprego? Uma nova profissão? Um corte de cabelo arrojado, diferente? Um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador ou qualquer outra coisa? Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de Deus lhe esperando!

 

Tá se sentindo sozinho? Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu período de isolamento... Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para chegar perto de você! Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos... Ficamos horríveis! O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga.

 

Recomeçar... Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto, queira o melhor do melhor, queira coisas boas na vida. Pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos. Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida.

 

E é hoje o dia da faxina mental... Jogar fora tudo que lhe prende ao passado, ao mundinho das coisas tristes... Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagem e toda aquela tranqueira que guardamos. Jogue tudo fora, mas, principalmente, esvazie seu coração, fique pronto para a vida... Porque sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura."

 

Bem, criticar Carlos Drummond é coisa séria e eu não ousaria fazê-lo, mas vou interpretar as suas palavras. Quando ele disse ‘sonhe alto e queira o melhor do melhor’, pareceu-me incoerente com a colocação: ‘encontrar prazer nas coisas simples de novo’; mas, pensando melhor, é possível conseguir as duas coisas ao mesmo tempo, sim. Por exemplo, uma oração é um gesto simples de súplica, agradecimento ou entrega, e nos traz tudo aquilo que merecemos de Deus.

 

E acredito que Drummond também pensou assim, porque demonstrou um pouco de fé no texto. E quantas outras coisas simples ajudam a construir um mundo melhor, como: o amor ao próximo, o perdão, a paciência, a verdade, o respeito à vida, a fidelidade conjugal, o temor a Deus, a humildade no coração, a mansidão da alma, o espírito de paz etc. Querer isso tudo na vida não é sonhar em ter o melhor do melhor?

 

Voltando à lenda do homem na praia, muito mais útil teria sido ele ter achado uma Bíblia e lido: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, a porta será aberta” (Mt 7, 7-8). Confiando nestas palavras de salvação, o ambicioso homem não teria perdido o maior Tesouro da Terra, pois O teria guardado no coração.

 

Sempre digo que a única coisa que ninguém pode nos tirar é a fé que levamos no peito; porém, há quem a perca sozinho, porque não cuida da sua espiritualidade. Aceite este conselho: Mantenha acesa a Luz de Cristo dentro de você e, com certeza, nunca se arrependerá de não tê-la trocado por muitos diamantes.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 469 – 22 Junho 2020

 

Fraternidade às pessoas idosas

 

Um velho americano vivia sozinho em Minnesota. Ele queria formar seu jardim, mas era um trabalho muito pesado mexer toda aquela terra. Seu único filho, que normalmente o ajudava, estava na prisão. O velho, então, escreveu a seguinte carta a ele: ‘Querido filho, estou triste porque, ao que parece, não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não fazê-lo porque sua mãe adorava a época do plantio depois do inverno, mas estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, não haveria esse problema, mas sei que não pode me ajudar, pois ficará mais dois anos na prisão. Com muito amor, papai.’

 

Pouco tempo depois, o velho recebeu o seguinte telegrama: ‘Pelo amor de Deus, pai, não escave a terra. Foi lá que escondi os corpos do assassinato que cometi!’ E, às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo. Confuso, o velho escreveu outra carta ao filho, contando o que acontecera. E esta foi a resposta: ‘Pode plantar seu jardim agora, pai. Isso foi o máximo que eu pude fazer daqui pelo senhor. Com amor, seu querido filho.’

 

Logicamente que este fato não serve de exemplo para ajudarmos os idosos a buscarem soluções para os seus problemas, mas retrata um tipo de auxílio inédito, concorda? E se excluirmos esta alternativa que o filho encontrou para ajudar o pai, não existiriam dezenas de outras opções? Então, não é exagero dizer: ‘Para qualquer tipo de problema existe uma solução. É só encontrá-la!’ Bem, mas tentar encontrar a solução pode ser um outro problema. Até o final do texto, se Deus quiser, vou procurar elucidar isso também.

 

Contudo, nem sempre a idade avançada requer o amparo de terceiros, já que muitos idosos acumulam experiências maravilhosas e prestam valiosos serviços na velhice, como nesta história:

 

Havia um sujeito apelidado de Cabeçudo. Nascera com uma cabeça realmente grande, mas era um cara pacato e inteligente. Só não gostava de ser chamado pelo apelido e, desde os tempos de grupo escolar, tinha um chato que não perdoava, pois onde quer que o encontrasse, lhe dava uma palmada na cabeça e perguntava: ‘Tudo bem, Cabeçudo?’.

 

Um dia, depois de centenas de tapinhas na cabeça, o Cabeçudo deu uma grande surra no engraçadinho, que, após deixar o hospital, foi dar queixa na polícia. O caso se complicou e foi a julgamento. No tribunal, na hora de defender o agressor, um velho e sábio advogado começou assim: ‘Meritíssimo juiz, estou convicto de que o meu cliente não deva continuar preso porque não lhe pega bem o apelido de Cabeçudo.’ Quando todos pensaram que ele iria continuar a defesa, ele repetiu: ‘Meritíssimo juiz, estou convicto de que o meu cliente não deva continuar preso porque não lhe pega bem o apelido de Cabeçudo.’ Em seguida, repetiu a frase mais uma vez e foi advertido pelo juiz: ‘Peço ao senhor que, por favor, prossiga com a sua defesa.’

 

O advogado, porém, fingiu que não ouviu e continuou: ‘Meritíssimo juiz, estou convicto de que o meu cliente não deva continuar preso porque não lhe pega bem o apelido de Cabeçudo.’ O juiz não aguentou: ‘Seu irresponsável! Está pensando que a justiça é motivo de zombaria? Ponha-se daqui para fora antes que eu mande prendê-lo.’ Foi então que o velho advogado disse: ‘Se, por repetir uma frase apenas algumas vezes, o senhor me ameaça de prisão, pense na situação deste pobre homem que, durante quarenta anos, todos os dias foi chamado de Cabeçudo!’ Dessa forma, o réu foi absolvido e voltou a viver em paz.

 

Dizem que este caso aconteceu de fato e aqui serve como exemplo do idoso servindo o próximo, embora todos saibam que o envelhecimento não é sinônimo de inutilidade. Há dois pontos importantes a considerar no acolhimento dos idosos: primeiro, não podemos permitir que lhes falte o alimento, a assistência médica, a moradia e o cobertor; segundo, precisamos dar a eles a oportunidade de conhecerem melhor a Deus e perseverarem no Seu amor. Da mesma forma que o filho prisioneiro ajudou o pai a cavar o jardim, temos muitas maneiras de inovar e promover alegria aos nossos irmãos mais velhos.

 

Concluindo, talvez seja oportuno dizer que todo idoso bem cuidado – com carinho e respeito – não nos decepciona no futuro. Imagine a Rede Canção Nova de Comunicações sem a sabedoria do Monsenhor Jonas Abib! Até concordo que ele não é tão velho e nem doa o seu tempo apenas pelo carinho que recebe de todos nós, mas dizer que muitos jovens fariam o que ele faz... só mesmo sendo muito cabeçudo para afirmar isso!

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 468 –  15 Junho 2020

 

Algumas verdades e mentiras

 

Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique. Durante a primeira semana de viagem, procuraram um lugar ideal e, por aproximadamente mais duas semanas, limparam a área, desembalaram a cesta de alimentos e terminaram as arrumações. Só então descobriram que tinham esquecido o sal!

 

Após uma longa discussão, a tartaruguinha mais nova foi escolhida para voltar em casa e pegar o saleiro, pois era a mais rápida de todas. Ela lamentou, esperneou, mas aceitou ir com uma condição: que ninguém comesse nada até que ela retornasse. Todas concordaram.

 

Três semanas se passaram e a pequenina não voltava. Quatro... cinco... então, na sexta semana de sua ausência, a tartaruga mais velha não aguentou conter sua fome e começou a desembrulhar um sanduíche. Nesta hora, a tartaruguinha saiu de trás de uma árvore e gritou: ‘Viu! Eu sabia que vocês não iriam me esperar. Agora é que eu não vou mesmo buscar o sal!’.

 

Descontando os exageros, muitas coisas na vida acontecem mais ou menos da mesma forma: desperdiçamos o tempo esperando que as pessoas atendam as nossas expectativas; ficamos preocupados com o que os outros estão fazendo e deixamos de realizar coisas importantes; colocamos a culpa das nossas falhas nas costas de terceiros etc. Se cada um assumisse a responsabilidade dos atos e fizesse bem feito a sua parte, quase todos os problemas do mundo estariam resolvidos, concorda?

 

E se formos buscar a verdade, na maioria das experiências ruins que vivemos existe pelo menos uma mentira. Na própria história das tartarugas, a menor mentiu para as outras, dizendo que iria buscar o sal quando a intenção era ficar. Mas, e a mais velha, mentiu também? Não fica difícil censurá-la sem considerar um tempo justo de espera? Na verdade, a mentira pode deixar de ser mentira sob certos argumentos... ou acha que estou mentindo?

 

Bem, vamos a mais uma história:

 

Numa aldeia, vivia um velho muito pobre, mas, invejado até pelos reis, pois tinha um magnífico cavalo branco. Ofereciam quantias fabulosas pelo animal, mas o bom homem só dizia que ele não estava à venda. Certa manhã, o cavalo sumiu da cocheira e as pessoas diziam:

 

- Velho estúpido, sabíamos que um dia o animal seria roubado! Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!

 

Mas, serenamente, o velho respondia:

 

- Não exagerem! Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. Este é o fato!

 

Quinze dias depois, o cavalo voltou. Ele tinha fugido para a floresta e, ao regressar, trouxe consigo uma dúzia de lindos cavalos selvagens. O povo então disse ao velho:

 

- Você estava certo. A fuga do animal não se tratava de uma desgraça; na verdade, provou ser uma bênção!

 

O velho explicou:

 

- Novamente vocês estão se adiantando. Apenas digam que o cavalo está de volta; se é uma bênção ou não, quem sabe?

 

E seu único filho começou a treinar os cavalos. Uma semana depois, o moço caiu de um deles e fraturou as pernas. Rapidamente as pessoas se reuniram e julgaram os fatos:

 

- Velho, foi uma desgraça a chegada dos animais. Seu filho trabalhador perdeu o uso das pernas e, agora, você está mais pobre que nunca.

 

- Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto! Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção! Um dia, isso nos será revelado.

 

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar e somente o filho do velho foi poupado, pois ainda estava se recuperando. A cidade inteira chorava, porque sabia que era uma luta perdida e a maior parte dos jovens jamais voltaria. Foram até o velho e disseram:

 

- Você acertou de novo. Aquela queda se transformou numa bênção! Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Os nossos se foram para sempre!

 

- Vocês continuam julgando? Digam que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e o meu não foi. Somente Deus sabe se isso é melhor para cada um deles.

 

Um dia, a guerra terminou. Quanto aos jovens da cidade que foram lutar... bem, esta história vai longe...

 

Concluindo o assunto, é importante ressaltar duas verdades:

 

Geralmente, ‘toda mentira corrompe o espírito do ser humano’ e ‘se espalha muito mais rapidamente do que qualquer boa notícia’. Sendo assim, não seria sensato vivermos somente com verdades? Saiba que isso é perfeitamente possível e nunca trará consequências ruins a ninguém – é uma questão de bons princípios morais e religiosos. Contudo, sempre haverá alguém defendendo a seguinte tese: ‘Uma mentirinha sem maldade de vez em quando, não é pecado!’

 

Eu não me arriscaria a afirmar isso e, como o velho da história, apenas diria que nunca sabemos quais os maus resultados de cada mentira até que outros fatos aconteçam. Às vezes, uma mentirinha de nada tende a justificar outra e desencadeiam-se grandes injustiças – como muitos já experimentaram.

 

Se Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, se Nossa Senhora foi escolhida para ser a Mãe de Deus pela pureza do coração, se o Papa não diz sequer uma pequena mentira, como justificar uma vida de mentiras? Para nos salvarmos, é melhor nos acostumarmos com as verdades e deixarmos as mentiras para as histórias de tartarugas, de velhos de aldeias etc.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 467 – 9 Junho 2020

 

Quem perseverar será curado

 

Um dia recebi este relato de um padre:

 

“Os doentes do Leprosário do Rio Branco, no Acre, foram reunindo-se no galpão de zinco e leram o Evangelho do domingo seguinte: ‘A visita de Nossa Senhora à sua prima Isabel’. Dona Rosa, sentada junto ao marido, abriu o comentário e começou a falar da paz que lhe dava o conhecimento do Evangelho. O marido seguia suas palavras com um sorriso de satisfação. Há bem pouco tempo ainda, ele a maltratava, invadido por um ciúme doido.

 

A esposa leprosa era a única coisa que lhe sobrava. Saúde e bem-estar ficaram na triste lembrança do passado. A descoberta da palavra de Deus foi para ele e para a mulher uma verdadeira libertação. Encontrou em Deus e na Sua mensagem um apoio mais firme para um sentido da vida. Assim, reencontrou também a capacidade para amar sua esposa com um amor verdadeiro. Desapareceu o ciúme. Agora, os dois se dedicam de corpo e alma para comunicar aos outros algo da felicidade, da boa notícia que eles mesmos descobriram.”

 

Esta história veio na hora certa, porque na missa daquela semana, ouvi na primeira leitura:

 

“O Senhor disse a Moisés e a Aarão: ‘Quando um homem tiver um tumor, um furúnculo ou uma mancha branca na pele de seu corpo e isso virar uma ferida de lepra, esse homem deve ser levado ao sacerdote, a Aarão ou a alguns dos sacerdotes, seus descendentes. Todo homem leproso tem de andar com as roupas rasgadas e com os cabelos assanhados. Precisa tampar a sua barba e gritar: Impuro! Impuro! Enquanto ele tiver esta ferida, deve ser tratado como um impuro. Sendo impuro, tem de morar sozinho e fora do acampamento’." (Lev 13, 1-2, 44-46).

 

No Evangelho do mesmo dia, um impuro é curado:

 

“Naquele tempo, um leproso veio ao encontro de Jesus, gritando por ele. Caindo de joelhos, disse: ‘Se quiser, o Senhor pode me curar!’ Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Quero, fique curado!’ No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado.” (Mc 1, 40-42).

 

São Marcos gosta de contar que Jesus não veio ao mundo apenas para salvar a alma do homem, mas veio salvá-lo em seu corpo e em seu espírito. Também é importante saber que, naquele tempo, as leis hebraicas eram muito severas e violentas. Assim que alguém se percebesse leproso, deveria retirar-se do convívio e sair da cidade com uma campainha no pescoço. O rigor foi ao extremo de passar a doença física para a doença moral: a lepra era considerada castigo e, por conseguinte, o leproso seria pecador e evitado por todos – não só como doente, mas também detestado por Deus!

 

Bem, Jesus e seus discípulos curaram muitos leprosos, a vida de São Francisco de Assis começa com o encontro com um leproso, e hoje a lepra é totalmente curável – ninguém mais fica ‘impuro’ se estende a mão e toca num enfermo. Jesus quebrou essa ‘lei’ porque sua compaixão é maior do que qualquer lei.

 

E a nossa caridade, também está acima de qualquer lei? A ajuda e o carinho ao próximo ainda enfrentam barreiras na sociedade? Quantos religiosos realizam missões no meio rural para levar a Palavra de Deus a quem tem fome e sede de justiça! Também leigos partem para as roças confiando na graça e no poder do Espírito Santo! Bonito isso, não? Quando a ajuda é concreta, toda mão estendida com humildade recebe graças imensas!

 

Esta é uma grande verdade: ‘Quem perseverar nos caminhos de Deus será curado de todos os males que o afligem’. Assim como Jesus curou o leproso e nos libertou dos preconceitos do povo do Antigo Testamento, seus anjos e santos nos ajudam nas libertações espirituais que precisamos; contudo, é preciso sempre buscar a graça.

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 466 – 2 Junho 2020

 

A mulher

 

A mãe e o pai estavam assistindo televisão, quando ela disse: ‘Estou cansada e já é tarde. Vou me deitar’. Foi à cozinha fazer uns sanduíches para o lanche das crianças na escola, passou uma água nas taças das pipocas, tirou a carne do freezer para o almoço do dia seguinte, encheu o açucareiro, pôs talheres na mesa e preparou a cafeteira para estar pronta de manhã.

 

Colocou ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro e pregou um botão que estava caindo. Regou as plantas, despejou o lixo e pendurou uma toalha para secar. Bocejou, espreguiçou-se e foi para o quarto. No caminho, parou na mesa, escreveu uma nota para o professor e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de parabéns para uma amiga, selou o envelope e fez uma pequena lista para o supermercado.

 

Nessa altura, o pai disse lá da sala: ‘Pensei que você havia ido se deitar’. ‘Estou indo’ – respondeu ela. Antes, pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se que as portas estavam fechadas, entrou no quarto de cada um dos filhos, apagou a luz de um candeeiro, pendurou uma camisa no cabide, atirou umas meias no cesto de roupa suja e conversou um pouco com o mais velho que estava estudando.

 

Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois, lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha partida. Nisso, o pai desligou a televisão e disse sonolento: ‘Vou me deitar’. Levantou-se do sofá, caiu na cama e dormiu primeiro que ela.

 

Agora, dá para responder por que as mulheres vivem mais? Com certeza, uma das causas é porque se preparam adequadamente para resistir às tribulações. E os homens que não estão gostando de ler isto, podem provar que estou errado, pegando no pesado junto com a esposa – sem reclamar! Também não vale dizer que ‘eu já trabalhei o dia inteiro’ porque, as trabalhadoras do lar, também fizeram o mesmo!

 

Bem, não podemos negar que, em quase todos os lares, a mulher trabalha mais que o homem – embora com serviços diferentes, caso a caso. Isso também acontece comigo e reconheço que não daria conta de fazer tudo o que a minha esposa faz. Mas, resolvi escrever tudo isso porque, além de prestar uma justa homenagem às nossas mães e esposas, fui tocado com o este Evangelho:

 

“Naquele tempo, Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas, não conseguiu ficar escondido. Uma mulher, que tinha uma filha com espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia, da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: ‘Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos’. A mulher respondeu: ‘É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair’. Então Jesus disse: ‘Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha’. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.” (Mc 7, 24-30)

 

Que texto maravilhoso! Não só por ser a Palavra da Salvação, mas também porque uma mulher convenceu Jesus a fazer um milagre! Ele, que vinha curando os judeus – povo da primeira aliança –, realizou esta cura a uma criatura pagã, mostrando sim que não excluía outros povos.

 

No Livro do Gênesis, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. E, após criar todos os animais, pediu a Adão que lhes desse nomes. Mesmo obedecendo ao Criador, Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então, Deus tirou-lhe uma das costelas, formou a mulher e a conduziu a Adão, que exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!”.

 

Até hoje, todos os homens reconhecem que Adão teve muito bom gosto em aceitar o presente de Deus, concorda? Então, por que a mulher é tão judiada pelos maridos? Ah, nem sempre? Mas não precisaria ser assim, porque não vivemos sem elas e também não ganharemos o Céu sem a colaboração delas!

 

Portanto, feliz o homem que respeita a fragilidade física da esposa e se faz respeitar. Feliz o homem que tem uma mulher religiosa que o ajuda a alcançar graças para toda a família. Feliz o homem que a perdoa e a ama de coração. Feliz o homem que cumpre as promessas feitas diante do padre no dia do casamento. Feliz o homem que reconhece o sexo forte que tem ao seu lado e luta para viverem juntos até a eternidade.

 

Nestes meus 64 anos de vida, aprendi a aceitar a vontade de Deus em tudo o que faço e, hoje, não tenho dúvidas disso: ‘A família rezando unida é o maior exemplo do amor que Jesus Cristo tem por nós. Em minha casa, somos consagrados a Nossa Senhora e, Ela, nos mantém firmes na fé. Aliás, que outro ser humano criado por Deus passaria por tudo quanto a Virgem Maria passou sem reclamar? Tinha que ser Ela: essa fantástica Mulher!

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 465 –  29 Maio 2020

 

Nossos insubstituíveis sacerdotes

 

Um dia, minha mãe entregou-me um texto que ganhou em Monte Sião, com o título: ‘O Valor do Sacerdócio’, escrito pelo romancista mexicano Hugo Vaz. Vou transcrevê-lo abaixo por considerá-lo um dos mais bonitos e verdadeiros pensamentos que já li. Eis o texto:

 

“Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que um sacerdote faz... e que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel, nem Gabriel, nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram Lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz... Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia, realizou um milagre maior do que a criação do Universo com todos os seus esplendores – transformou o pão e o vinho em seu Corpo e Sangue para alimentar o pecador –, e que esse prodígio, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, o sacerdote pode repeti-lo todos os dias...

 

Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e que o que ele liga no fundo do seu humilde confessionário, Deus, cumprindo sua própria Palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante o desliga Deus... Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de Pão e esse pouquinho de Vinho...

 

Quando se pensa que isso pode acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais, e que, se isso acontecer, se estremecerão os Céus e se romperá a Terra, como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e de angústia, e pedirão esse Pão, e não haverá quem lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem as absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos...

 

Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário do que um presidente, mais do que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais do que um professor, porque ele pode substituir a todos em parte de suas atividades e ninguém pode substituí-lo... Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar, tem uma dignidade maior do que um rei, e que não é um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas é Cristo mesmo que está ali, repetindo o maior milagre de Deus...

 

Quando se pensa em tudo isso...

 

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais; compreende-se o afã com que, nos tempos antigos, cada família ansiava que do seu seio brotasse, como um ramo de perfume, uma vocação sacerdotal; compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes – o que se refletia em suas leis...

 

Compreende-se que o pior crime que alguém pode cometer é impedir ou desanimar uma vocação; compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de honra incomparável; compreende-se que mais do que uma igreja, mais do que uma escola e mais do que um hospital, é um seminário ou um noviciado...

 

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário é multiplicar os nascimentos do Redentor; compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante meia hora todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o seu Corpo e o seu Sangue, para alimentar o mundo!”

 

Quanta verdade, não? Por isso é que eu respeito um sacerdote acima de todas as demais pessoas. Por isso, independentemente da idade, o chamo de ‘senhor’. Por isso eu tomo a bênção de todos os sacerdotes que encontro. Por isso devemos beijar-lhes as mãos. Por isso temos que rezar diariamente pelas vocações sacerdotais. Por isso não devemos falar mal de padres. Por isso devemos compreendê-los como seres humanos e amá-los como enviados de Cristo.

 

Já convivi e convivo com ‘estilos’ diferentes de padres, mas – Deus é testemunha – admiro a todos. Quando alguém comenta comigo alguma virtude maior de um ou de outro, até concordo, porque nossos dons são diferentes mesmo; o que censuro são as críticas maldosas. Há pessoas que tentam encontrar um pequeno motivo que seja para criticar um sacerdote e – o que é pior! – sentem prazer nisso! Será que sabem o quanto aquele pastor está cumprindo da melhor maneira possível a missão que Jesus lhe deu? Justamente ele que vive perdoando e salvando almas, se erra, não merece perdão?

 

É preciso entender que a vida de um padre não é fácil. Por maior que seja o carinho e a ajuda que recebe da comunidade: nunca vive próximo dos parentes; não tem um bom patrimônio financeiro; não pode desfrutar dos mesmos lugares e companhias que nós; é transferido para lugares desconhecidos, deixando grandes amizades para trás; passa por momentos de solidão; celebra muitas missas por dia; atende a dezenas de confissões; escuta problemas de toda ordem; enfim, só mesmo quem muito ama a Deus e aos irmãos é capaz de receber e perseverar na Ordem.

 

Sei que a minha humilde opinião ainda é pouco para prestar a justa homenagem que os nossos queridos sacerdotes merecem, mas, mesmo crendo que o reconhecimento e a força maior vêm do alto, quero agora ratificar o que sempre pensei de cada um deles: “Padre, enquanto Jesus Cristo não volta, nada neste mundo substitui a sua presença no meio de nós”.

 

Obrigado sacerdotes! Obrigado meu Deus!

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 464 –  6 Maio 2020

 

Nossa resistência aos hábitos

 

Escolhi falar sobre os hábitos porque somos muito diferentes uns dos outros e dificilmente alguém confessa estar errado. Vendo centenas de alunos circulando à minha volta, percebi que se vestem segundo o gosto de cada um, se comportam com os próprios hábitos e ninguém se envergonha do que faz. Até aí, tudo bem, pois eu também já fui assim, mas há manias muito estranhas, como neste conto:

 

Na época dos escravos, um patrão maldoso resolveu dar um grande castigo ao empregado capturado na fuga e enviou-o à ilha deserta com uma pesada corrente presa nas pernas. Não havendo como fugir e mal conseguindo andar, o pobre escravo passava os dias tentando arrebentar a corrente com pedras.

 

Dois anos se passaram e o empregado sobrevivia comendo frutas e batendo na corrente, até que uma embarcação chegou no lugar. Ao encontrar o escravo, um dos tripulantes perguntou-lhe:

 

- Quem é você e o que faz acorrentado nesta ilha deserta?

 

- Eu era escravo, meu senhor. Fui deixado aqui para morrer na solidão, mas tenho rezado e pedido à Virgem Maria que eu não pague uma pena mais pesada do que mereço.

 

- Bem, acho que suas orações foram ouvidas porque somos contra a escravidão e iremos colocá-lo em liberdade. Vamos embora, ainda temos mais três dias de viagem!

 

- E a corrente, pode cortá-la?

 

- Infelizmente não temos ferramentas à bordo. Isso só será possível no porto.

 

- Então, permita-me levar algumas pedras e continuar tentando?

 

- Como quiser.

 

Ora, parece estranho que o escravo não quis se libertar imediatamente das pedras, mas, pensando bem, após dois anos nessa vida – dia e noite sem fazer outra coisa –, até dá para afirmar que o fez por força do hábito, certo? E quase tudo na vida funciona assim: faço porque sempre fiz; continuo fazendo porque já acostumei; não mudo porque não tenho vontade etc.

 

Dizia Einstein: “É mais fácil romper um átomo do que quebrar um hábito!” Concordo que é uma afirmação forte, mas, independentemente de ser verdade ou mentira, alguns hábitos nos fazem meio escravos também. Há maníacos compulsivos que gastam muito em tratamentos; há viciados em horóscopos que podem perder o Céu se não confiarem mais na oração; há supersticiosos que procuram satisfazer seus ‘grilos’ e perdem tempo com isso; e há o pior hábito de todos: não rezar!

 

Quem não reza, pode se apegar a qualquer outra coisa que estará fazendo uma péssima troca. E quem reza, tem o privilégio de poder ‘praticar esse hábito’ em qualquer lugar, porque até um rápido Sinal da Cruz é uma oração. Mas, não é aconselhável perder a oportunidade de rezar com calma num ambiente apropriado; por isso, toda manhã antes de sair de casa, rezo e garanto uma parte do meu dever cristão no dia. E quem acha que isso pouco adianta, aconselho que leia esta outra história:

 

Uma noviça recém-chegada ao convento procurou a superiora e disse-lhe:

 

- Querida madre, ainda não entendi por que recitamos tantas orações diferentes se não iremos conseguir decorá-las nunca!

 

Antes de responder, a madre pediu-lhe que fosse à gruta e trouxesse-lhe água num velho cesto de vime. A noviça estranhou a tarefa, mas apanhou o recipiente e se dirigiu à gruta. Mal enchia o cesto e a água vazava quase toda. Quando chegou à madre, foi logo dizendo:

 

- Onde despejo a água? Só sobrou um restinho!

 

Foi, então, orientada a jogá-la numa linda roseira e ir buscar mais para aguar as outras flores do jardim. Vendo que a água se perdia no caminho, a noviça corria cada vez mais, tentando aproveitar o máximo que pudesse. Na sexta viagem, já exausta e toda molhada, ela falou ofegante à madre:

 

- Até quando tenho que fazer isso com este cesto vazado e não com um balde novo?

 

- Até você compreender a transformação que está havendo com o cesto!

 

- Madre, o cesto está ficando cada vez mais limpo. Só isso!

 

- Exatamente, minha filha. Isso também acontece quando você reza: mesmo sem assimilar tudo o que recebe, sua alma vai se purificando!

 

Acredito que ficou bem claro o ensinamento à noviça, certo? Pois é, quando se trata de valores espirituais, nossos hábitos podem e devem ser melhorados a cada dia. Eu sempre ouvia o saudoso Pe. José Maria dizer: “Ninguém vai para o céu sozinho, como ninguém vai para o inferno sozinho”. Pensando nisso, não é melhor adotarmos os hábitos daqueles que querem se salvar? E todo processo de santidade começa pela oração.

 

Jesus pregou isto: “O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes. Quando semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Bem, quem tiver o hábito de plantar o bem e colher bons frutos, aconselho a não mudar, porque essa pessoa chegará um dia diante do Senhor com a alma limpa e sem nenhuma corrente que a impeça de se salvar.

 

Bendito seja Deus que nos deu o ‘hábito’ de sempre nos reunirmos no amor de Cristo!

 

Paulo R. Labegalini
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Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 463 – 28 Abril 2020

Para que servem os espelhos?

 Um homem entrou na igreja e começou a dizer: ‘Deus eu vim aqui porque não tem espelhos. Sou muito feio, nada dá certo na minha vida por causa da minha aparência e gostaria que o Senhor melhorasse isso em mim, por favor!’.

 No mesmo instante, um sacerdote que ouviu suas palavras, disse-lhe: ‘Não se julga alguém pela aparência, meu filho; o corpo é apenas o templo do espírito! Não importa se suas pernas são tortas, desde que guiem você rumo ao amor; não importa se suas mãos são calejadas, desde que deem e recebam honestamente; não importa a cor de seus olhos, desde que enxerguem o bem; não importa quão danificados são seus cabelos, porque só servem para lhe cobrir a cabeça; não importa o tamanho de seu nariz, desde que inspire e expire a fé; não importam as rachaduras de sua boca, desde que proclame a vida!’.

 Rumo à saída da igreja, já quase convencido de que o padre estava certo, o homem chegou diante de uma porta de vidro e ouviu uma voz do alto: ‘Agora, filho, levante a cabeça, olhe com alegria para este espelho e lembre-se que, em minhas Escrituras, não há uma só frase dizendo que sou bonito’.

 Pois é, os espelhos possuem muito mais utilidades do que simplesmente alimentarem o nosso ego, não? Eu me lembro que quando fiquei dois meses de cama em 1992, por muitos dias não coloquei as lentes de contato – pouco enxergo sem elas. Graças à quantidade de orações que recebi, melhorei e voltei a usar lentes para ler no leito. Naquele dia, veio um barbeiro em meu quarto de hospital, fez em mim a barba, cortou meu cabelo e deu-me um espelho para olhar o novo visual. Naquele instante, o que menos importava era a minha aparência; e pensei mais ou menos assim: “Este sou eu! Estou vivo!” – e sorri de felicidade.

 Não podemos nos esquecer que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança. Se à imagem do Amor fomos criados, o importante é aquilo que caregamos dentro de nós, concorda? Todo espelho que colocarem à nossa frente deve refletir amor! É a nossa ‘imagem do avesso’ que conta pontos para a santificação e não a beleza ou feiura externa – como muitos vivem pregando no Big Brother e coisas do gênero. A imagem interior é capaz de grandes obras ‘em parceria com o Espírito Santo’, como: ser exemplo aos jovens na conduta de vida regada com oração; ser espelho aos pecadores na caminhada cristã perseverante; ser esperança aos pobres no socorro de suas dificuldades etc.

 Se Jesus me ama como eu sou e deseja me levar para desfrutar de Sua morada no Céu, tenho que anunciar isso a todos com muita alegria no coração e me tornar espelho da Sua misericórdia! Quem age assim, nada deve temer, pois São Paulo disse aos Romanos: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?... Os que Ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho... e também os glorificou”.

 Neste ano de provações, mais do que antes, temos que ter consciência de que o nosso Batismo foi o princípio da nossa missão evangelizadora de também refletir a esperança de salvação a todos os povos. Mas, como muitos ‘espelhos’ refletem somente o que está à frente, vejamos mais esta história:

 Tempos atrás, num distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos. Lá chegando, um pequeno e feliz cãozinho olhou através da porta, mas, para sua grande surpresa, deparou-se com outros tantos pequenos e felizes cãezinhos – todos com os rabinhos balançando tão rapidamente quanto ao dele. Logo abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos! Quando saiu, pensou: ‘Que lugar maravilhoso! Voltarei um montão de vezes’.

 Neste mesmo vilarejo, um outro cãozinho não tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Também olhou através da porta e, quando viu dezenas de olhares hostis de cães que lhe fitavam, rosnou e mostrou os dentes. Ficou horrorizado ao ver tantos cães mostrando-lhe os dentes lá dentro. Saiu correndo e pensou: ‘Que lugar horrível! Nunca mais volto aqui’.

 Bem, os rostos que conhecemos têm um pouco de ‘espelho’ e podemos considerar que fazemos parte de uma casa de quase mil espelhos diariamente! Quando conversamos com alguém que transmite paz e fé, não desejamos que o mundo seja assim um dia e não ficamos mais aliviados dos problemas que nos afligem? O mesmo ocorre com aquelas pessoas que interagem conosco; portanto, repare bem na imagem que você vê nos rostos que encontra em seu caminho, pois podem ser o reflexo do seu próprio rosto! E lembre-se sempre:

 Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar. Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte. Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude a vencer a vergonha. Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão. Há pessoas fortes que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usarem a energia que possuem. Há pessoas que julgam que não sabem fazer nada e precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer pelo irmão. Há pessoas apressadas que precisam de alguém para lhes mostrar tudo o que não tem tempo para ver. Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros. Há pessoas que se sentem fora da Igreja e precisam de alguém que lhes mostre o caminho de entrada.

 Todas essas pessoas precisam de um espelho... que pode ser você!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 462 – 17 Abril 2020

Aprendendo a servir o próximo

Leia esta primeira história pensando na seguinte frase: “Tudo o que nos acontece traz experiência nova ou desenvolve alguma qualidade que nos faltava.” (Sakarawa)

Li que, há muitos anos, Tom trabalhava como gerente numa empresa muito preocupada com a educação dos funcionários. Um dia, o executivo principal decidiu que o corpo gerencial de doze pessoas deveria participar de um teste de sobrevivência – atravessando um rio violento e impetuoso.

Foram, então, divididos em três grupos. O grupo A recebeu quatro tambores de óleo vazios, duas grandes toras de madeira, uma pilha de tábuas, um grande rolo de corda grossa e dois remos. O grupo B ficou com dois tambores, uma tora e um rolo de barbante. O grupo C, porém, não recebeu nenhum recurso para cruzar o rio em quatro horas!

Tom teve a sorte de estar no grupo A, que não levou mais que meia hora para construir uma maravilhosa jangada. Um quarto de hora mais tarde, os quatro aliados estavam em segurança e com os pés enxutos no outro lado da margem, observando os outros colegas em suas lutas desesperadas.

O grupo B levou quase duas horas para atravessar. Tom e sua equipe há muito tempo não riam tanto como no momento em que a tora e os dois tambores viraram com os gerentes: financeiro, de computação, de produção e de pessoal. E o melhor ainda estava por vir...

Nem mesmo o ruído das águas era suficiente para sufocar o riso dos oito homens quando o grupo C tentou lutar contra as águas espumantes. Os coitados agarraram-se a um emaranhado de galhos que estava se movendo rapidamente na correnteza e, no auge da ‘diversão’, o grupo bateu num rochedo e perderam todos os galhos!

Somente reunindo as forças que lhe restava, o gerente de logística – último membro do grupo C – conseguiu atingir a margem: todo arranhado, com os óculos quebrados e 200 metros rio abaixo. Foi quando o instrutor do curso reuniu-se com os gerentes e perguntou:

- Então, como vocês se sentiram?

O grupo A respondeu em coro:

- Nós vencemos! Nós vencemos!

O instrutor contestou:

- Acho que me entenderam mal! Vocês não foram treinados para vencer uns aos outros, pois a tarefa seria concluída quando ‘os três grupos atravessassem o rio no prazo de quatro horas’! Ninguém pensou em ajuda mútua, nem questionou em dividir os recursos para atingirem uma meta comum? Por serem individualistas, vocês estouraram o tempo de prova e todos perderam com isso!

Foi uma grande lição para os gerentes e, naquele dia, aprenderam muito a respeito de trabalho em equipe com lealdade fraterna. Você concorda que se alguns deles tivessem o costume de ajudar o próximo no dia-a-dia poderiam ter se saído melhor? Bastaria apenas terem colocado em prática a virtude da caridade e todos atravessariam juntos!

Eu sempre insisto que temos que ser a mesma pessoa em qualquer situação: na igreja, no trabalho, na sociedade, na família etc.; caso contrário, não podemos dizer que temos uma só personalidade. Os dons que recebemos no batismo – fé, esperança e caridade – devem nos acompanhar constantemente para que o Espírito Santo se manifeste a todo instante.

Agora, antes da próxima história, reflita nisto: “Para lidar consigo mesmo, use a cabeça; para lidar com os outros, use o coração.” (Karl Rahner)

Havia uma garotinha que gostava de passear pelos jardins. Um dia, viu uma borboleta espetada no espinho de uma roseira e, muito cuidadosamente, soltou a borboleta encantada, que lhe disse: ‘Por sua bondade, vou conceder-lhe seu maior desejo’. A garotinha pensou por um momento e pediu: ‘Quero ser muito feliz’. A borboleta, então, aproximou-se dela, sussurrou algo em seu ouvido e desapareceu subitamente.

A garota cresceu e ninguém na terra era mais feliz que ela. Sempre que alguém lhe perguntava sobre o segredo de tanta felicidade, ela somente sorria e respondia: ‘Soltei a borboleta e ela me ensinou a ser feliz’.

Quando ficou bem velha, os vizinhos temeram que o segredo fabuloso pudesse morrer com ela e imploraram: ‘Diga-nos, por favor, o que a fada lhe disse?’. A amável velhinha novamente sorriu e revelou: ‘Ela disse que todas as pessoas, por mais seguras que pudessem parecer, precisariam muito da minha alegria!’.

Portanto, não se esqueça: ‘Quando você estende a mão a alguém, por menor que seja a ajuda, também está liberando felicidade para a sua vida. Mas, se você só quer receber, a felicidade eterna nunca lhe baterá à porta’.

E concluindo, ainda há um último aspecto a considerar: falar de pessoas que ficam remoendo o triste passado e nada fazem para melhorar. A nossa Igreja está precisando muito de fiéis comprometidos com a evangelização do povo e não podemos ‘nos dar ao luxo’ de nos isolarmos dos mais necessitados. Faço minhas as palavras de Luiz Boudakian: “Não chore por as coisas terem terminado; sorria porque elas existiram!”

Resumindo, para ajudar o próximo (também nessa pandemia) é necessário: trabalho em equipe, alegria no coração e confiança em Deus. Assim, com certeza, o fim sempre justificará os meios.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 461 – 13 Abril 2020

O velhinho da calçada

(Esta história foi baseada em fatos reais.)

Em junho de 1995, numa tarde fria em São José dos Campos-SP, Narciso estava voltando para casa com a família quando perceberam um velhinho sentado na calçada com um cobertor às costas. A esposa e os filhos chegaram a parar perto do mendigo, mas Narciso os puxou e pediu que seguissem em frente, quando seu filho disse:

- Pai, ele vai morrer de frio essa noite!

- Tem razão, filho. Mas, onde estão os vicentinos que deixam isso acontecer?

- Tem muita gente pobre espalhada por aí, pai. Eles não dão conta de socorrer a todos!

Narciso, então, aproximou-se do velho:

- Vô, qual é o seu nome?

- José Geraldo Rodrigues. Eu moro aqui na praça e estou esperando os jovens saírem para poder dormir. Tem dia que ficam até às três da madrugada!

- Sr. Geraldo, o senhor é muito parecido com meu falecido pai. Estou emocionado em lhe conhecer e sei que foi Deus que o colocou em nosso caminho hoje. Por que o senhor não vai dormir no albergue da Prefeitura?

- Eu não conseguiria chegar até lá!

- A minha casa é aqui perto e vamos ajudá-lo. Venha, levante-se!

Ao chegarem, o mendigo queria ficar junto ao cachorro da família na área da frente da casa, mas, a mulher de Narciso o levou à cozinha para um prato de sopa quente e o colocou para dormir num pequeno colchão na sala. Antes de adormecer, Narciso ajoelhou-se e rezou:

- Meu Deus, perdoe-me por reparar tanto no mau cheiro do Sr. Geraldo e por pensar: o que faremos com ele amanhã?

Na sala, o velhinho também rezava:

- Senhor, quem é essa família que me acolhe como um parente? Obrigado, meu Deus, pela sopa que eu não comia há mais de um ano com tanta vontade! Obrigado por este colchão quentinho e por essa gente tão santa! É por causa de pessoas assim que o mundo ainda existe; não é, Senhor?

No dia seguinte, Narciso levantou cedo e foi procurar um lugar para o velho ficar, mas, por ser alcoólatra, ninguém o aceitou. Chegando em casa e vendo a família ao redor do Sr. Geraldo tomando o café da manhã, Narciso encheu-se de coragem e disse:

- Vô, não consegui lugar para abrigá-lo. Terá que voltar para a praça.

- Muito obrigado por tudo, meu filho. Fique em pé e me dê um abraço.

Naquela mesma tarde, a família de Narciso foi à praça tomar sorvete e viram o velhinho comendo pão com mortadela. Quando ele os viu, se levantou e falou:

- Sr. Narciso, esqueci meu cobertor em sua casa. Manda logo ele pra mim senão o frio me corta os ossos!

De volta ao lar, olhando o cobertor sujo no chão da casa, Narciso disse a Tarciso:

- Meu filho, hoje é domingo e você vai participar da missa mais bonita de sua vida. Sua missão é ir buscar o Sr. Geraldo para morar conosco. E seja feita a vontade de Deus!

Tarciso voltou para casa abraçado com o velho, como se fosse seu avô de verdade. A recepção foi muito calorosa e rezaram juntos uma Ave Maria. Em pouco tempo, o Sr. Geraldo tinha roupas limpas, um quarto só para ele e uma cadeira exclusiva na mesa de jantar. Parou de beber, deixou de fumar e adorava contar histórias muito engraçadas... e tristes também:

- Meu pai faleceu quando eu tinha seis anos e, em seguida, minha mãe desapareceu. Meus irmãos conseguiram outras famílias para morar, menos eu. Só me sobrou a mamadeira que eu não largava por nada – mesmo vazia! Comecei, então, a dormir no paiol de milho de uma viúva com seis filhos e, com o tempo, Deus tocou no coração dela e passei para dentro da casa. Nas festas que ela dava, eu só comia quando todos iam embora. Adorava os pés de frango que sobravam!

Assim cresceu o Sr. Geraldo, sem saber o que era ser amado e sem ter direito a quase nada das coisas do mundo. Sabia que era filho de Deus e nunca perdeu as esperanças, mas, coitado, apesar de reconhecer que o Todo Poderoso olhava por ele, veio a recaída: voltou a beber! Depois de se alcoolizar, ficava violento e batia com a bengala nas crianças da praça. Os filhos de Narciso eram insultados e até apedrejados quando voltavam da escola.

Procuravam conscientizar o velhinho a não mais beber e evitar confusões, mas ele pedia um pouco mais de paciência que logo estaria morto. Num sábado à noite, o Sr. Geraldo não voltou para casa e vieram avisar a família que ele estava caído na praça. Neste dia, Narciso estava exausto, pois fazia um ano que passava por todos esses problemas. Foi até ao sofá e, na esperança de que a qualquer momento o velhinho viesse a chegar, sem perceber, pegou no sono. Porém, naquela madrugada, ele não voltou.

De manhã, Tarciso acordou o pai aos gritos no sofá:

- A polícia está aí! Aconteceu uma desgraça! O vô morreu!

O enterro do Sr. Geraldo foi digno de um querido filho de Deus. Todos compareceram, todos rezaram e todos choraram. A única família capaz de amá-lo como ele era, sentia a dor da perda do avô. Voltaram para casa meio desconsolados e, no quarto do velho, vendo a bengala e as coisas jogadas, Narciso desabafou chorando:

- Vô, estou decepcionado com o senhor. Lutei tanto para que não morresse na calçada!

Imediatamente, uma voz ecoou do alto:

- Meu filho, quando mais eu precisei, você dormia! Quando procurei a sua mão para me acolher do frio, você estava debaixo do cobertor!

- Perdoe-me, meu Deus! Eu tentei amar e vou continuar tentando! Prometo me tornar um vicentino e socorrer seus filhos, Senhor. Custe o que custar!

- Amando os pobres, querido filho, você sempre será perdoado. O seu vô descansa na minha paz e o aguarda na eternidade. Não se esqueça que sempre estarei contigo.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 460 – 3 Abril 2020

Explicando minha devoção a Maria

Quando alguém me pergunta por que sou tão apaixonado por Nossa Senhora, digo que tenho muitas histórias para contar. Alguns fatos são recentes e, outros, nem mesmo eu sabia que influenciariam tanto em minha vida.

Minhas avós e bisavós eram marianas fervorosas e viviam com o terço nas mãos, assim como mamãe o faz até hoje, graças a Deus. Principalmente por isso, temos recebido incontáveis bênçãos na família, talvez em igual número às Ave-Maria rezadas por elas.

Minha mãe contou-me que se eu nascesse mulher, iria chamar ‘Maria Auxiliadora’, porém, o nome abençoado da Mãe de Deus acabou ficando com a minha irmã: Maria Aparecida. Mas era eu que, de pequeno, gostava de ir à igreja e alguns parentes diziam: ‘Esse menino vai ser padre!’. Essa não foi a vontade de Deus, contudo, dedico praticamente todo o meu tempo livre às coisas do Reino.

Algumas dessas ‘coisas’ são para o resto da vida, pois fazem parte da missão que abracei: ser escritor católico, fazer caridade como vicentino; participar dos Movimentos de Cursilhos, aconselhar espiritualmente os casais que me procuram; dar testemunhos de minha fé em palestras; atender chamados para cantar nas missas etc. Faço tudo com muito amor no coração, procurando impor a máxima qualidade em cada serviço, já que o Senhor merece que nada seja feito às pressas.

Bem, voltando a falar de Maria, cresci frequentando a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo. Aos dezessete anos, mudei-me para Monte Sião e assistia missas no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Vim fazer faculdade em Itajubá, passei a participar das celebrações na Igreja de Nossa Senhora da Soledade, ajudei na construção do Santuário Nossa Senhora da Agonia e, hoje, faço parte da Comunidade de Nossa Senhora do Sagrado Coração. E, se você acha que os títulos de Maria foram apenas coincidências em minha vida, continue lendo este artigo.

Em outubro de 1992, passei dois meses internado em Campinas com trombose na perna e bactérias no coração – endocardite. Numa manhã de domingo, os médicos chamaram a minha esposa e disseram que o óbito poderia ocorrer naquele dia. Chegaram parentes de toda parte esperando pelo pior, mas minha saudosa tia Waldina anunciou no alto-falante da igreja em Monte Sião que às 15 horas rezariam um terço pela minha saúde. Encheu de gente no Santuário e Nossa Senhora da Medalha realizou um grande milagre naquela tarde.

Sei que muitas pessoas intercederam por mim na época e sou grato a todas, mas aquele terço... O médico-chefe da equipe de cardiologia disse-me que nunca tinha visto um quadro gravíssimo se reverter tão rapidamente e sem sequelas! Foi quando eu mostrei ao Dr. Vitório Verri a imagem de Nossa Senhora das Graças que ficou o tempo todo na cabeceira da cama no hospital – até hoje eu durmo com ela ao meu lado! Tive alta na véspera de Natal daquele ano.

Percebi, então, que havia uma missão maior reservada pra mim neste mundo, mas só em 1994 – nas viagens que fazia semanalmente para cursar doutorado em São Paulo – comecei a rezar o terço e rapidamente renovei os meus valores espirituais; por exemplo, passei a usar na corrente uma medalha de Nossa Senhora do Sagrado Coração que havia ganhado de minha irmã. Ainda hoje, minha Mãe Santíssima me acompanha dentro e fora do peito.

Em 1997, tive a graça de ser chamado para ajudar a construir o Santuário de Nossa Senhora da Agonia. De lá pra cá, aprendi liturgia, músicas, fui à televisão e programas de rádio várias vezes, enfim, aceitei definitivamente o chamado que veio do Céu. É importante ressaltar que a fé inabalável da Fátima – minha esposa – também foi fundamental para isso.

Sou feliz por ver minha família caminhando com Maria nos passos de Jesus. Já contei, mas não custa repetir que os meus filhos receberam graças maravilhosas da Virgem Maria. A Soraia foi curada da aversão que tinha pela música católica, a Thaís vive me escrevendo e contando as bênçãos que consegue através do terço, e o Alexandre leva uma vida saudável após duas tromboses!

Estou lembrando de muitos outros fatos que mereceriam ser relatados, mas o espaço que resta não é suficiente. Concluindo, posso afirmar que a Rainha da Paz transformou os corações de todos na família e não deixa que haja grandes desavenças entre nós. Acabaram as brigas e confusões no meu lar e vivemos em clima de oração.

Ah, esqueci de voltar a mencionar a impressionante cura na minha garganta – quando um nódulo desapareceu em três dias! Esta graça ficou registrada no belíssimo Devocionário de Nossa Senhora da Agonia – além de vários outros relatos de devotos espalhados pelo Brasil. Os CDs que gravamos também são grandes bênçãos e as pessoas que comentam comigo da alegria que sentem ao ler estes artigos fazem parte dos presentes que recebo de Maria Santíssima. Não dá para citar todos, mas tenho muita honra de ter como leitores vários sacerdotes. Quando elogiam algo que escrevo, penso: ‘Nossa Senhora fez em mim maravilhas!’.

Hoje vejo que Deus nos deu uma vida simples; nós é que a complicamos quando soltamos as mãos de nossa Mãe querida. Viva Nossa Senhora nessa pandemia e sempre!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 459 – 28 Março 2020

Vamos partir para o céu?

Lendo o título deste artigo, muita gente pode imaginar que o meu convite significa morrer logo, mas, o sentido é outro. Eu me refiro iniciarmos uma caminhada santa em busca da salvação e, assim, termos motivos para recomeçar após a pandemia; caso contrário, se nada mudar por amor a Deus, o que esperar de importante em 2020?

Mas, antes de continuar com esta reflexão, vamos à história de hoje:

Há muitos anos atrás, numa cidadezinha do interior, o povo se afastava cada vez mais da Igreja. As missas eram pouco frequentadas e quase ninguém procurava o padre para confissões, batizados e casamentos. Certa manhã, os sinos soaram forte anunciando o falecimento de alguém e, no alto-falante da Matriz, o sacerdote dizia: ‘Morreu nesta cidade um filho muito querido do Pai. O corpo encontra-se no salão paroquial, onde será velado’.

Os primeiros que lá chegaram, estranharam o caixão estar lacrado e não haver informações sobre o defunto. Isso fez com que mais pessoas permanecessem no velório até a hora do enterro. Veio, então, a ordem do vigário, autorizando o corpo partir para o cemitério.

Toda a cidade acompanhou o féretro pelas ruas e, assim que desceu ao túmulo, a tampa do caixão foi aberta. Uma enorme fila se formou para saber a identidade do falecido e começaram a passar ao lado da cova. Cada pessoa que olhava, via no interior do buraco o próprio rosto refletido no fundo espelhado do caixão vazio.

Atingidos no íntimo da alma, os moradores da cidade foram à Igreja pedir perdão a Deus e, daquele dia em diante, muita coisa mudou na vida daquelas pessoas: saíram do caminho da desgraça eterna e entenderam bem as palavras de Santo Agostinho: “Deus te criou sem precisar de ti, mas Ele não te salvará sem a tua vontade”.

Pois é, quem se convence disso, pode cantar com o ‘coração na boca’ esta linda melodia católica: ‘Senhor, quem entrará no Santuário (Céu) pra te louvar? Quem tem as mãos limpas e o coração puro; quem não é vaidoso e sabe amar’.

Na verdade, basta um pouquinho de fé no peito e meia hora por dia para renovarmos a nossa vida completamente. Por exemplo: a oração do Terço leva apenas 20 minutos; a leitura do Evangelho do dia não passa de 5 minutos; e só mais alguns minutinhos para rezarmos pelo Papa, pela Igreja, pelas famílias, pela paz no mundo, pelas almas, religiosos, missões, vocações, obras santas, pobres, desempregados, doentes, perseguidos, drogados, crianças e velhos abandonados, pecadores e pessoas sem fé, intenções e agradecimentos pessoais etc.

Contudo, quando o final de semana chegar, precisamos de um pouco mais de tempo para a missa dominical e para a caridade. O correto seria praticarmos a caridade diariamente também – principalmente por amor ao próximo –, mas, pensando exclusivamente em bens materiais, não devemos deixar a semana passar em branco – mesmo sem recursos financeiros. Frederico Ozanam e seus companheiros, quando fundaram a Sociedade de São Vicente de Paulo, não podendo socorrer os pobres com alimentos, levavam feixes de lenha para aquecê-los no inverno!

E o mesmo Ozanam, quando ainda era pouco fervoroso, um dia viu o professor Ampère ajoelhado dentro de uma igreja, em Paris. Espantou-se porque ali estava o maior gênio da Escola Politécnica e o descobridor da eletricidade dinâmica! E Ozanam pensou: ‘Se o notável André Marie Ampère, que descobriu uma das leis básicas do eletromagnetismo, não se sente diminuído ou envergonhado ao demonstrar a grandeza da sua fé, não vejo mais motivo para conservar o meu espírito envenenado pelo pecado!’.

Também é sempre bom lembrar que quando Jesus viveu de corpo presente aqui na Terra, pediu a Zaqueu que abrisse a sua casa, pediu um pouco de água fresca à samaritana, pediu um burrico para entrar em Jerusalém e uma sala para celebrar a Páscoa. Agora, em 2020, Ele pede a você que renove os seus valores e consiga mais tempo no seu dia para ajudá-Lo a construir o Reino – que também é nosso! Dá para negar este pedido?

Para nunca desanimar, lembre-se ainda que, na última ceia, quando São Judas Tadeu perguntou a Jesus por que se manifestaria a eles e não ao mundo, ouviu que a revelação de Deus está reservada a quem ama e observa sua Palavra. Portanto, quanto mais nos aproximamos d’Ele, mais graças nos são concedidas. E se podemos ser abençoados agora, por que deixar para depois?

Concluindo as minhas orientações para esses tempos difíceis, preste muita atenção nestas palavras quando rezar o Pai-nosso: “Seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu”. E a vontade de Deus é nos levar para o Céu! Como? Bem, isso Santo Agostinho já nos disse neste artigo, mas gostaria de acrescentar que prefiro partir logo daqui do que ver o meu rosto refletido no fundo da cova da história que contei.

Na Bíblia Sagrada, aparece 365 vezes a mensagem ‘não tema’! Então, crie coragem e grite bem alto no auge dessa pandemia: ‘Bendito seja Deus que nos reuniu no Amor de Cristo! Viva a Mãe de Deus e nossa!’.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 458 – 24 Março 2020

O cavalinho e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas de Deus que há muitos anos atrás viviam numa floresta distante. Na verdade, o cavalinho e a borboleta não tinham praticamente nada em comum, mas, em certo momento de suas vidas, se aproximaram e criaram um forte elo. Ela era livre e voava por todos os cantos enfeitando a paisagem; já o cavalinho, tinha grandes limitações porque alguém colocou nele um cabresto e, a partir daí, sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, embora tivesse a amizade de muitos outros animais, gostava de fazer companhia ao cavalinho. Agradava-lhe ficar ao lado dele e não era por pena, mas por companheirismo, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias ia visitá-lo e, lá chegando, levava primeiro um coice e, algum tempo depois, recebia um sorriso. Entre um e outro, ela optava por esquecer o coice e guardar o sorriso dentro do coração. O cavalinho estava sempre enfezado e insistia com a borboleta para ajudá-lo a carregar o seu pesado cabresto, contudo, ela dizia que não lhe era possível por ser uma criaturinha muito frágil.

Os anos se passaram e, numa manhã de verão, a borboleta não apareceu para visitar o companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto, porém, vieram outras manhãs e mais outras, até que o cavalinho sentiu-se muito só. Resolveu, então, ir procurar a amiga.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado, deitou-se debaixo de uma árvore e lá ficou até que um elefante se aproximou e lhe perguntou o que fazia ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou à procura de uma borboleta que sumiu.

- Ah, é você o famoso cavalinho? Eu tive uma grande amiga que dizia que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas, afinal, qual borboleta você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando os amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando! Você não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo. Dizia que conhecia um cavalinho, assim como você, e quando ia visitá-lo levava um coice. Sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só iria falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã; era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento, o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. E o elefante continuou:

- Sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas, entenda, foram tantos coices que ela recebeu do outro cavalinho que acabou perdendo as asinhas, ficou muito doente, triste e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: ‘Não perturbem o meu amigo com coisas pequenas, pois ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver: carrega no dorso um cabresto e está cansado demais para vir até aqui’.

Bem, terminada a história, eu diria que gosto mais de contar outras de finais felizes, mas, às vezes, é preciso falar de coisas tristes para mexer um pouco com a sensibilidade das pessoas. Sabemos que há milhares de cidadãos que melhoraram de comportamento entre uma e outra lágrima derramada, embora não precisasse ser assim.

E, antes de voltar a falar da história, preciso dizer que a mente humana grava e executa tudo o que lhe enviamos: palavras, pensamentos, atitudes positivas e negativas etc. Se permitirmos, essa ação sempre acontecerá, independente de trazer bons resultados para cada um de nós.

Para provar esta teoria, um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado em St. Louis, no estado de Missouri, onde existe a cadeira elétrica. Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após feito um pequeno corte em seu pulso – o suficiente para gotejar sangue até a gota final. Se o sangue coagulasse, seria libertado, caso contrário, morreria; porém, sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha, mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e que sua ação envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela quase sempre não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre o que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e guardar na mente os coices que lhe deram em algum momento da vida, mas, com o tempo, como aconteceu com a borboleta, as feridas não serão mais cicatrizadas. Quanto ao cabresto que tiver que carregar nessa pandemia, não culpe ninguém por isso, afinal, quando nos afastamos um pouco de Deus, nós mesmos o colocamos no dorso.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 457 – 15 Março 2020

A solução para o seu problema

Na mitologia grega, o gigante Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua casa e as colocava para dormir na cama de ferro, mas havia uma armadilha na hospitalidade: ele exigia que os visitantes coubessem com perfeição na cama. Se fossem muito baixos, ele os esticava; se fossem altos demais, cortava suas pernas!

Por mais estranho que isto possa parecer, será que não buscamos soluções ainda piores para os nossos problemas? E o que dizer das pessoas que tentam resolver questões embaraçosas forjando resultados rápidos e fantásticos? Por exemplo:

Certa mulher que acabou de perder o marido foi ao necrotério onde o corpo estava sendo preparado para o velório. Lá, viu que o falecido vestia um terno que não era dele e percebeu que o morto do caixão ao lado estava com a roupa do seu marido. Profundamente ofendida, chamou o responsável e, em meio a muitas lágrimas, apontou-lhe o erro. Assim que a senhora saiu, o gerente do necrotério gritou: ‘Pedrão, troque depressa as cabeças nos esquifes 2 e 3’.

Trata-se apenas de uma anedota de péssimo gosto? Pode ser, mas, insisto, já fizemos coisas piores na vida e muitos ainda o fazem! E se você ficou chocado(a) com estas histórias, lembre-se que a televisão nos mostra reportagens muito mais fortes, como: sequestros de bebês, espancamento de velhinhas, homens-bomba, assassinato dos próprios pais etc. Por que fatos como estes não param de acontecer?

Eu li um relato que serve de explicação para muita coisa que vem ocorrendo:

Uma operária regressava ao lar no final do trabalho noturno. Com a cabeça distante e perdida em problemas, caminhava pelas ruas escuras de seu bairro distante quando, de repente, foi tomada de assalto por um marginal. Assustada, mas incapaz de uma reação mais forte – talvez pelo cansaço do trabalho ou pelo cansaço da alma –, ouviu o rapaz dizer: ‘A bolsa ou a vida’. De pronto, ela respondeu: ‘Qualquer uma das duas, ambas estão vazias mesmo!’

Agora, eu pergunto: ‘É justo deixarmos que a nossa vida se torne tão vazia quanto uma bolsa sem dinheiro? O sentido sagrado da nossa existência não vale nada?’ Sinceramente, não sei qual foi a maior violência da história: o assalto ou a resposta da operária.

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus, caso contrário, tudo fica sem sentido e uma bolsa velha vale tanto quanto a própria vida! Se não tivermos fé e esperança na salvação, acabaremos concordando com as monstruosidades de Procusto ou com as trocas de cabeças na história do necrotério, não é mesmo?

Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”, mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos os seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o voo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto!

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que atiram-se obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Se você souber de alguém que está como um deles – cercado de problemas por todos os lados –, peça que olhe para cima! Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram: "Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33, 3).­

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 458 – 24 Março 2020

O cavalinho e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas de Deus que há muitos anos atrás viviam numa floresta distante. Na verdade, o cavalinho e a borboleta não tinham praticamente nada em comum, mas, em certo momento de suas vidas, se aproximaram e criaram um forte elo. Ela era livre e voava por todos os cantos enfeitando a paisagem; já o cavalinho, tinha grandes limitações porque alguém colocou nele um cabresto e, a partir daí, sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, embora tivesse a amizade de muitos outros animais, gostava de fazer companhia ao cavalinho. Agradava-lhe ficar ao lado dele e não era por pena, mas por companheirismo, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias ia visitá-lo e, lá chegando, levava primeiro um coice e, algum tempo depois, recebia um sorriso. Entre um e outro, ela optava por esquecer o coice e guardar o sorriso dentro do coração. O cavalinho estava sempre enfezado e insistia com a borboleta para ajudá-lo a carregar o seu pesado cabresto, contudo, ela dizia que não lhe era possível por ser uma criaturinha muito frágil.

Os anos se passaram e, numa manhã de verão, a borboleta não apareceu para visitar o companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto, porém, vieram outras manhãs e mais outras, até que o cavalinho sentiu-se muito só. Resolveu, então, ir procurar a amiga.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado, deitou-se debaixo de uma árvore e lá ficou até que um elefante se aproximou e lhe perguntou o que fazia ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou à procura de uma borboleta que sumiu.

- Ah, é você o famoso cavalinho? Eu tive uma grande amiga que dizia que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas, afinal, qual borboleta você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando os amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando! Você não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo. Dizia que conhecia um cavalinho, assim como você, e quando ia visitá-lo levava um coice. Sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só iria falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã; era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento, o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. E o elefante continuou:

- Sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas, entenda, foram tantos coices que ela recebeu do outro cavalinho que acabou perdendo as asinhas, ficou muito doente, triste e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: ‘Não perturbem o meu amigo com coisas pequenas, pois ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver: carrega no dorso um cabresto e está cansado demais para vir até aqui’.

Bem, terminada a história, eu diria que gosto mais de contar outras de finais felizes, mas, às vezes, é preciso falar de coisas tristes para mexer um pouco com a sensibilidade das pessoas. Sabemos que há milhares de cidadãos que melhoraram de comportamento entre uma e outra lágrima derramada, embora não precisasse ser assim.

E, antes de voltar a falar da história, preciso dizer que a mente humana grava e executa tudo o que lhe enviamos: palavras, pensamentos, atitudes positivas e negativas etc. Se permitirmos, essa ação sempre acontecerá, independente de trazer bons resultados para cada um de nós.

Para provar esta teoria, um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado em St. Louis, no estado de Missouri, onde existe a cadeira elétrica. Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após feito um pequeno corte em seu pulso – o suficiente para gotejar sangue até a gota final. Se o sangue coagulasse, seria libertado, caso contrário, morreria; porém, sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha, mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e que sua ação envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela quase sempre não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre o que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e guardar na mente os coices que lhe deram em algum momento da vida, mas, com o tempo, como aconteceu com a borboleta, as feridas não serão mais cicatrizadas. Quanto ao cabresto que tiver que carregar nessa pandemia, não culpe ninguém por isso, afinal, quando nos afastamos um pouco de Deus, nós mesmos o colocamos no dorso.

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Mensagem da Semana - Nº 457 – 15 Março 2020

A solução para o seu problema

Na mitologia grega, o gigante Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua casa e as colocava para dormir na cama de ferro, mas havia uma armadilha na hospitalidade: ele exigia que os visitantes coubessem com perfeição na cama. Se fossem muito baixos, ele os esticava; se fossem altos demais, cortava suas pernas!

Por mais estranho que isto possa parecer, será que não buscamos soluções ainda piores para os nossos problemas? E o que dizer das pessoas que tentam resolver questões embaraçosas forjando resultados rápidos e fantásticos? Por exemplo:

Certa mulher que acabou de perder o marido foi ao necrotério onde o corpo estava sendo preparado para o velório. Lá, viu que o falecido vestia um terno que não era dele e percebeu que o morto do caixão ao lado estava com a roupa do seu marido. Profundamente ofendida, chamou o responsável e, em meio a muitas lágrimas, apontou-lhe o erro. Assim que a senhora saiu, o gerente do necrotério gritou: ‘Pedrão, troque depressa as cabeças nos esquifes 2 e 3’.

Trata-se apenas de uma anedota de péssimo gosto? Pode ser, mas, insisto, já fizemos coisas piores na vida e muitos ainda o fazem! E se você ficou chocado(a) com estas histórias, lembre-se que a televisão nos mostra reportagens muito mais fortes, como: sequestros de bebês, espancamento de velhinhas, homens-bomba, assassinato dos próprios pais etc. Por que fatos como estes não param de acontecer?

Eu li um relato que serve de explicação para muita coisa que vem ocorrendo:

Uma operária regressava ao lar no final do trabalho noturno. Com a cabeça distante e perdida em problemas, caminhava pelas ruas escuras de seu bairro distante quando, de repente, foi tomada de assalto por um marginal. Assustada, mas incapaz de uma reação mais forte – talvez pelo cansaço do trabalho ou pelo cansaço da alma –, ouviu o rapaz dizer: ‘A bolsa ou a vida’. De pronto, ela respondeu: ‘Qualquer uma das duas, ambas estão vazias mesmo!’

Agora, eu pergunto: ‘É justo deixarmos que a nossa vida se torne tão vazia quanto uma bolsa sem dinheiro? O sentido sagrado da nossa existência não vale nada?’ Sinceramente, não sei qual foi a maior violência da história: o assalto ou a resposta da operária.

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus, caso contrário, tudo fica sem sentido e uma bolsa velha vale tanto quanto a própria vida! Se não tivermos fé e esperança na salvação, acabaremos concordando com as monstruosidades de Procusto ou com as trocas de cabeças na história do necrotério, não é mesmo?

Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”, mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos os seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o voo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto!

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que atiram-se obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Se você souber de alguém que está como um deles – cercado de problemas por todos os lados –, peça que olhe para cima! Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram: "Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33, 3).­

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 456 – 9 Março 2020

A perfeita alegria

Não acho possível ser feliz estando afastado de Deus; portanto, a verdadeira alegria só poderá ser alcançada com oração. Consciente disso, logo que levanto, me benzo com água benta, rezo a Consagração à Nossa Senhora e mais quatro orações de proteção pessoal – na certeza que as forças do mal não me tentarão naquele dia. São elas:

1. Pelo sinal da Santa Cruz (fazendo o sinal da cruz na testa, na boca e no peito): “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos e de todos os perigos e pecados. Amém”.

2. Oração a São Miguel Arcanjo: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe, Deus, instantemente o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo Divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas – que permaneçam aos pés da Cruz de Jesus. Assim seja”.

3. Levanta-se Deus: “Levanta-se Deus, intercedendo a bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e toda a milícia celeste, e sejam dispersos os Seus inimigos e fujam de Sua face todos os que os odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

4. Oração ao Santo Anjo da Guarda: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine e me traga a paz. Amém”.

Quem conhece estas orações, percebe que acrescentei umas palavras a mais, mas já me acostumei com elas assim e nem sei exatamente como eram antes. O importante é que sejam rezadas com o coração e muita confiança em cada frase pronunciada. Rezo ainda muitas outras orações e jaculatórias toda manhã, além de invocar santos e beatos; porém, como disse, começo por estas quatro de proteção pessoal.

Isso já seria o suficiente para alcançar a perfeita alegria em cada dia? Logicamente que não, mas é um bom começo. Ficam faltando: as obras de caridade, a oração do Terço, a Santa Missa, a reflexão na Sagrada Escritura, muita paciência em casa, amor ao próximo a todo momento e estar sempre disposto a multiplicar os talentos. Confesso que não pratico tudo todos os dias, mas, na semana, não fica faltando nada – graças ao bom Deus!

E a paz que sinto quando o domingo termina não tem preço. Isto sim, para mim, é uma verdadeira alegria! O dever cumprido para com Deus, para com a Igreja e para com os irmãos, me dá a certeza que consegui vencer as tentações do mundo e enviei um tijolo a mais para o Céu, como nesta história:

Um empresário faleceu e, no Paraíso, o anjo guardião foi mostrando-lhe as diversas moradias. Passando por uma linda casa, o homem perguntou: ‘Quem mora aí?’. O anjo respondeu: ‘É aquele seu motorista que morreu no ano passado’. A seguir, surgiu outra casa ainda mais bonita. ‘E aqui, quem mora?’ – perguntou o senhor. O anjo explicou: ‘Aqui é a casa da Rosalina, aquela cozinheira que você despediu sem justa causa’. Então, o homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser, no mínimo, um palácio! Estava ansioso por vê-la.

Nisso, o anjo parou diante de um barraco de tábuas velhas e disse: ‘Esta é a sua casa’. O empresário falou indignado: ‘Como é possível? Vocês poderiam ter feito coisa muito melhor pra mim!’. ‘Poderíamos – respondeu o anjo –, mas construímos de acordo com o material que você nos enviou lá de baixo!’.

Pois é, apesar de ser apenas uma história, é mais ou menos isso que acontece quando morremos; portanto, é bom sempre fazermos um balanço das nossas obras. Veja o que São Francisco disse quando questionado sobre isso:

Francisco e Leão caminhavam sobre a neve, quando Frei Leão perguntou: ‘Pai Francisco, o que é a perfeita alegria?’ E o Santo respondeu:

– Se, ao chegarmos ao nosso convento, batermos depressa esperando entrar e o porteiro, ao invés de abrir, põe-se a falar: ‘Quem sois vós que nesta hora nos incomodais?’ Responderemos: ‘Somos teus irmãos, Frei Leão e Francisco’. Se o porteiro disser que é mentira e se diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a paz, isto é a perfeita alegria. Mas, se ainda insistirmos e o porteiro sair empunhando um bastão e bater em você e muito mais em mim, nos deixando no chão a chorar, e se entendermos que este abandono imita Jesus, isto é a perfeita alegria’.

E agora, dá pra dizer que já experimentamos momentos de alegria perfeita?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 455 –  2 Março 2020

Os cuidados com a língua

Recebi uma mensagem comentando os cuidados que devemos ter com a comunicação verbal e, o autor, apresentava este fato:

Num posto de gasolina, um cliente encheu o tanque e se esqueceu de assinar o cheque. O frentista disse para o colega que estava entrando no turno de trabalho: ‘Amigo, o cheque daquele médico da esquina está com problema. Mostre a ele se vier ao posto’.

O segundo frentista também passou a mensagem ao próximo: ‘O Dr. Antônio deu um cheque sem fundo. Se ele aparecer, faça-o pagar o prejuízo em dinheiro’. E a má comunicação prosseguiu até esta última versão: ‘Estou sabendo que o doutorzinho é traficante! Se ele pintar aqui, chame a polícia e, lembre-se, ele é muito perigoso! Tá sendo procurado como Toninho do Pó’.

Parece um absurdo, não? Mas, coisas assim acontecem a toda hora, pois a língua pode causar estragos irreparáveis. Até Jesus foi vítima dos caluniadores! E, falando de comunicação, há dois fatos nos Evangelhos que merecem ser lembrados; o primeiro, relata uma cilada que prepararam para o Mestre:

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’

Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!’ Trouxeram-lhe então a moeda e Jesus disse: ‘De quem é a figura e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César’. Jesus então lhes disse: ‘Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.” (Mt 22, 15-21)

Como se vê, a pergunta feita a Jesus era de extrema gravidade, pois envolvia um dilema, do qual acreditavam que Ele não poderia sair: se dissesse que não deviam pagar o imposto, acusá-lo-íam a Pôncio Pilatos; se dissesse que devia ser pago, desagradaria o povo de Israel. A questão era embaraçosa de todos os pontos de vista, mas a sabedoria Divina na resposta desconcertou os fariseus – que nem ao menos replicaram.

No segundo fato bíblico que vou citar, a pergunta capciosa foi apresentada a propósito por Jesus:

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da lei e aos fariseus: ‘A lei permite curar em dia de sábado ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso.” (Lc 14, 1-6)

Portanto, ler diariamente um trecho da Sagrada Escritura é importante, mas isto pouco adianta àquele que não vive o seu conteúdo de coração aberto. Seguir Jesus é usar de muita sabedoria na observância da Lei, procurando sempre promover a vida plena e eterna para todos. Quem tem em mente a prática do bem e caminha em comunhão com o Espírito Santo, não se torna escravo da hipocrisia religiosa.

Alguns fariseus foram exemplos de que Deus não escolhe os mais capacitados para servi-Lo, mas capacita os escolhidos. E, ainda hoje, os escolhidos são aqueles que respondem sim ao chamado e se oferecem para servir com humildade. Até quando estamos cansados e desencorajados por esforços que não deram frutos, Deus sabe o quanto tentamos e só Ele pode nos recompensar – até com a santidade! João Paulo II, disse: “O Brasil precisa de santos!”.

Optar pela santidade é estar disposto a enfrentar com fé as tribulações para receber o prêmio da salvação. Vivendo o Evangelho em nossa vida, muitos outros também são chamados a se aproximarem mais de Deus e escolherem entre os prazeres humanos – que são passageiros – ou a vida eterna.

Concluindo todo este raciocínio, você pode pensar: ‘Eu não sou tão maldoso(a) como aqueles frentistas do posto, também não sou tão preciso(a) e sábio(a) nas respostas como Jesus; então, como adequar a minha comunicação para agradar a Deus?’ Procure obter a resposta lendo esta história:

Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para interpretar seu sonho e ouviu dele: ‘Que desgraça, senhor! Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade’. O sultão, furioso, gritou: ‘Mas, que insolente! Como ousa dizer-me isso? Fora daqui!’

Mandou, então, que trouxessem outro adivinho e também lhe contou o sonho. Este, após ouvi-lo com atenção, disse-lhe: ‘Senhor, grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes’. A fisionomia do sultão iluminou-se num imenso sorriso e, imediatamente, presenteou o súdito com cem moedas de ouro.

Quando o adivinho saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado: ‘A sua interpretação foi a mesma do seu colega! Por que somente você recebeu cem moedas de ouro?’. Respondeu o visitante: ‘É que tudo depende da maneira que se fala! A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa: se a lançarmos no rosto de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta, mas, se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade’.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 454 – 25 Fevereiro 2020

Os bons amigos de cada época

Uma senhora estava molhando o jardim de sua casa quando foi interpelada por um garotinho de 9 anos, dizendo:

- Dona, tem pão velho?

- Se está com fome, posso dar um jeito. Onde você mora?

- Depois do zoológico.

- Bem longe daqui, hein? Você está na escola?

- Não. Minha mãe não tem dinheiro para comprar material.

- E seu pai, mora com vocês?

- Já faz tempo que ele sumiu!

- Antes do pão, quero que você me conte um pouco de sua vida, de seus irmãos...

E o papo prosseguiu. A bondosa senhora jogou água nos pés do menino, deu-lhe uma toalha para se enxugar e sentou-se alguns minutos ao seu lado. Depois, disse-lhe sorrindo:

- Vou buscar alimento. Serve pão novo?

- Não precisa, não. A senhora já conversou bastante comigo, isso é suficiente. Vou andando e volto amanhã. A que horas a senhora estará aguando estas plantas novamente?

A resposta caiu como um raio. Ela teve a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança sem sonhos, sem comida, sem escola e tão necessitada de uma conversa amiga. Deu-lhe um abraço e pediu que voltasse no dia seguinte, às nove da manhã, para tomarem café juntos.

Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor, não? Por acaso, você já ouviu isto de alguém: ‘Não preciso de mais nada hoje. Já conversou bastante comigo, isso é suficiente’? Há quanto tempo você sabe que os pobres só ganham pão velho? Apenas o ‘pão de amor’ não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: "Eu sou o pão da vida!"

Bem, voltando à história, assim que o menino pobre veio para tomar café, a senhora contou-lhe um pouco de sua própria vida, assim:

“Quando eu era muito jovem, minha mãe me perguntou qual era a parte mais importante do corpo. Eu achava que o som era muito importante para nós, seres humanos, então eu disse: ‘As orelhas, mãe’. Ela discordou: ‘Não, muitas pessoas são surdas. Mas, continue pensando sobre este assunto que em outra oportunidade eu volto a lhe perguntar’.

“Algum tempo se passou até que minha mãe me questionou outra vez sobre aquilo. Desde que fiz minha primeira tentativa, eu imaginava ter encontrado a resposta correta, assim, dessa vez eu lhe disse: ‘Mãe, a visão é muito importante para todos, então, devem ser os olhos’. Ela falou: ‘Você está aprendendo rápido, mas a resposta ainda não está correta porque há muitas pessoas que são cegas’.

“Pensei: ‘Dei mancada novamente!’ Continuei minha busca ao longo do tempo, minha mãe me perguntou em várias outras oportunidades e, sempre que eu opinava, sua resposta era a mesma: ‘Não, mas você está ficando mais esperto a cada ano’.

“Então, um dia, meu avô morreu. Todos choravam. Até mesmo meu pai chorou! Eu me recordo bem porque tinha sido apenas a segunda vez que eu o via chorar. Quando fui dar o meu adeus final ao vovô, minha mãe olhou para mim e me perguntou: ‘Você já sabe qual a parte do corpo mais importante?’ Eu fiquei meio chocado por ela me fazer aquela pergunta naquele momento! Eu sempre achei que era apenas um jogo entre ela e eu.

“Observando que eu estava confusa, ela me disse: ‘Esta pergunta mostra como você viveu realmente a sua vida. Para cada parte do corpo que você citou no passado, eu lhe disse que estava errada e lhe dei um exemplo que justificava. Hoje é o dia que você necessita aprender esta importante lição’.

“Então, ela me olhou de um jeito que somente uma mãe pode fazer. Eu vi lágrimas em seus olhos quando disse: ‘Minha querida, a parte do corpo mais importante é o seu ombro’. Eu estranhei e lhe perguntei: ‘Porque eles sustentam minha cabeça?’ Ela respondeu: ‘Não, é porque pode apoiar a cabeça de um amigo ou de alguém muito amado que chora. Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento da vida! Eu espero que você tenha bastante amor, amigos e que tenha sempre um ombro para chorarem quando precisarem’.

“Então, eu descobri que a parte do corpo mais importante não é indiferente à dor dos outros. Portanto, meu querido amiguinho, nunca se esqueça disso: ‘As pessoas se esquecerão do que você disse, se esquecerão de muita coisa que você fez, mas nunca se esquecerão de como você as amparou’. Os bons amigos são como estrelas: você nem sempre as vê, mas sabe que sempre estão lá.”

Agora, leitor(a), reflita comigo:

Não é verdade que, no jardim da infância, a ideia de um bom amigo era a pessoa que segurava a sua mão quando passavam por lugares que davam medo? No primário, o grande amigo não era a pessoa que dividia o lanche quando você esquecia o seu? E no ginásio, o bom amigo não era aquele que ajudava a enfrentar o fortão da escola? Os critérios vão mudando...

Talvez, hoje, sua ideia de um bom amigo seja a pessoa que lhe passa confiança, desfaz planos para arranjar tempo para você, ajuda a consertar seus erros, sorri quando você está triste e, acima de tudo, ama você de verdade! Tudo isso se resume no ‘ombro amigo’, certo?

Portanto, entre seus amigos, coloque sempre em primeiro lugar aquele que lhe dá ‘pão novo’... aquele que lhe oferece os dois ombros... aquele que lhe entrega o coração... aquele que se faz pobre à sua porta... Jesus Cristo! Quem o conhece, não o troca por outros jamais.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 453 – 16 Fevereiro 2020

Quando a fé prevalece

O Antigo Testamento diz que a fidelidade a Deus dá vida ao homem: "... porque eu sou o Senhor que te cura" (Êx 15, 26). Também nos Evangelhos, apesar dos muitos milagres de cura citados, Jesus deixou bem claro: “Quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). Portanto, quem não colocar em prática o dom da fé que recebeu no batismo, corre o risco de desanimar e deixar de receber a graça.

Até Madre Teresa de Calcutá acreditou que Deus a havia abandonado, chegando a duvidar de Sua existência. Em 1959, fazendo referência a um estado de trevas interiores, a missionária escreveu a seu diretor espiritual: "Na minha alma, sinto uma terrível sensação de perda. Deus não me quer, Deus poderia não ser Deus, poderia não existir".

Mas, perseverando com fé nas suas provações, na década de 70 também escreveu isto: "Sem sofrimento, o nosso trabalho poderia ser apenas um serviço social. Toda a desolação dos pobres deve ser resgatada e nós devemos tomá-la um pouco sobre os nossos ombros".

Pois é, sabemos que a graça de Deus está em toda parte, mas Ele quer a nossa colaboração para concedê-la. Muitas vezes, quem menos espera alcançá-la, fica completamente estarrecido com tamanha maravilha, como ocorreu nesta história real – divulgada no site da Canção Nova:

Um sacerdote de Nova Iorque se dispôs a rezar numa das paróquias de Roma quando, ao entrar, encontrou um mendigo e percebeu que era um companheiro de seminário – ordenado padre no mesmo dia que ele. Depois de identificar-se, escutou do mendigo como havia perdido a fé e a vocação. Ficou profundamente chocado.

No dia seguinte, o sacerdote americano teve a oportunidade de assistir a missa privada do Papa. Ajoelhou-se diante dele, pediu que rezasse por seu companheiro de seminário e descreveu brevemente a situação. Um dia depois, recebeu o convite para almoçar com o Santo Padre e levar o referido homem.

Após o almoço, o Pontífice solicitou ao sacerdote que os deixasse a sós e pediu ao mendigo que escutasse sua confissão. O homem, impressionado, respondeu que já não era sacerdote, mas, o Papa disse-lhe: "Uma vez sacerdote, sacerdote sempre". Insistiu o mendigo: "Porém, estou fora de minhas faculdades de presbítero!". Explicou-lhe, então, o Papa: "Eu sou o bispo de Roma e posso encarregar-me disso".

O homem escutou a confissão do Santo Padre e lhe pediu que também escutasse a sua. Depois disso, chorou amargamente. Ao final, João Paulo II lhe perguntou em que paróquia estava mendigando, o designou assistente do pároco e encarregado da atenção aos mendigos.

Alguém imaginaria isto? Portanto, para evitarmos descrenças malignas, não podemos deixar de praticar a fé em todas as oportunidades que Deus nos permitir. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 452 – 6 Fevereiro 2020

Cinco lições de vida

Primeira lição: ‘Tudo passará’.

Pressentindo a chegada da morte, um rei chamou o filho que o sucederia no trono, tirou do dedo um anel e, entregando a ele, disse: ‘Meu filho, durante toda a sua vida, tenha sempre consigo este anel. Quando estiver vivendo situações extremas de glória ou de dor, leia o que há escrito nele’.

Em breve, o filho começou a reinar. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho e iniciou-se uma terrível guerra. O jovem, à frente do seu exército, partiu para enfrentar o inimigo e, no auge da batalha, vendo seus companheiros morrendo, lembrou-se do anel. Tirou-o e leu a inscrição: ‘Isto também passará’.

Ele perdeu algumas batalhas, venceu outras, mas, no final, saiu vitorioso. Retornou, então, ao seu reino e, coberto de glória, entrou em triunfo na cidade. Naquele momento, se lembrou novamente do seu querido pai. Tirou o anel e leu: ‘Isto também passará’

E, assim, durante toda a vida, o jovem rei guardou consigo o ensinamento que as coisas na Terra passam: os dias de dificuldades passarão; as lágrimas também passarão; a saudade do ser querido que morreu, passará; as glórias que nos fazem achar melhores que os outros, igualmente passarão.

Segunda lição: ‘Amando o próximo para aconselhar’.

Contam que uma mãe trouxe seu filho a um conselheiro e lhe implorou: ‘Por favor, faça o meu filho parar de chupar balas. A obesidade está lhe prejudicando!’ O homem fez uma pausa e disse: ‘Traga seu filho de volta em duas semanas’. Confusa, a mulher agradeceu e prometeu voltar.

Duas semanas mais tarde, ela retornou com o filho. O conselheiro olhou o jovem nos olhos e disse-lhe com autoridade: ‘Pare de chupar balas’. Inconformada, a mulher perguntou: ‘Por que o senhor me pediu para trazê-lo hoje se poderia ter dito isso a ele antes?’ E o sábio homem respondeu: ‘Antes, eu também chupava balas’.

A mãe passou a confiar mais naquele homem e aprendeu a desconfiar das pessoas que ‘vendem conselhos’ e nunca os praticam.

Terceira lição: ‘Somos todos iguais’.

Certa vez, Felipe II, rei católico da Espanha, passeava no jardim do palácio quando sua filhinha chegou reclamando que tinha apanhado da babá. O pai, chateado, chamou a criada e lhe disse: ‘Não sabeis que ela é uma princesa, filha do vosso rei?’ E a criadinha lhe respondeu: ‘E vossa majestade até hoje não sabeis que eu sou filha do vosso Deus?’ O rei ficou pensativo e, a partir daquele dia, passou a tratar a babá com mais respeito.

Quarta lição: ‘Com paciência se vai longe’.

Havia um jornaleiro que vivia mal humorado, não gostava do que fazia e sempre se irritava quando as pessoas perguntavam sobre algum jornal. Um dia, uma jovem conhecida se aproximou com a amiga, começaram a mexer nas revistas e logo veio a bronca:

- Já não bastava uma, agora são duas?

A amiga, vendo o comportamento do homem, perguntou à jovem:

- Este jornaleiro é sempre mal educado ou é só hoje?

- Ora, este é o jeito dele, cada um é como é.

- O cara lhe trata mal assim todos os dias e você continua tratando-o bem?

- Sabe, minha avó sempre dizia que debaixo da casca grossa existe uma pessoa que deseja ser amada!

- Então, quer dizer que se uma pessoa lhe maltrata e ofende, você fica numa boa?

- Bem, se a pessoa está mal humorada, deve ter lá seus problemas. Eu não posso é deixar que ela decida como eu devo ser, afinal, cada um é responsável pela sua felicidade e não pode se influenciar pelo mal humor dos outros.

- É, você tem umas ideias malucas, mas, pensando bem, acho que tem razão, pois pessoas felizes não aceitam provocações.

- É, vovó também dizia: ‘Gente feliz não torra a paciência de ninguém’.

Quinta lição: ‘Só a verdade frutifica’.

Um réu estava sendo julgado por assassinato na Inglaterra. Eram fortes as evidências sobre a sua culpa, mas o cadáver não havia sido encontrado. Quase no final da sua sustentação oral, o advogado recorreu a um truque: ‘Senhoras e senhores do júri, eu tenho uma surpresa para vocês! Dentro de um minuto, a pessoa presumivelmente assassinada neste caso vai entrar neste tribunal’. E apontou para a porta.

Os jurados, ansiosos, também ficaram atentamente olhando até que um minuto se passasse. Nada aconteceu e o advogado, então, completou: ‘Todos vocês olharam com expectativa, portanto, ficou claro que ainda têm dúvidas se alguém realmente foi morto, não?’

Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final. Minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto: ‘Culpado!’ O advogado reagiu: ‘Como culpado? Vocês estavam em dúvida! Eu vi todos olharem fixamente para a porta!’ E o juiz esclareceu: ‘Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente’.

Pois é, são lições que deixam no espírito muitas experiências de vida. Eleve agora o seu pensamento a Deus, agradeça mais esta oportunidade de estar lendo este texto e guarde no coração a certeza de que não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe. Tudo passa.

Assim, façamos sempre o melhor que pudermos, com perseverança e confiança na graça Divina, aproveitando cada minuto para amar o próximo – tendo paciência e mostrando-lhe o caminho da verdade. Todas as coisas devem ser muito bem cuidadas, desde as simples até as mais importantes, para superarmos as dificuldades com lições de dignidade cristã. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 451 – 28 Janeiro 2020

 

O preço das nossas escolhas

 

No filme ‘Crimes e Pecados’, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Concordo que, se não aceitarmos os chamados de Deus, colheremos o que plantamos e o destino nada tem a ver com isso.

 

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outras e, de opção em opção, vamos escrevendo as histórias de nossas vidas. Não é tarefa fácil, pois no momento em que alguém escolhe ser médico, por exemplo, está fechando as portas das outras profissões para sempre; mas, não se pode ter tudo, não é mesmo?

 

No amor, acontece a mesma coisa: namora-se um, outro, até que chega o momento em que é preciso decidir com quem se casar e como estruturar uma família, assumindo a responsabilidade de conduzi-la nos caminhos da fé e do amor.

 

Todas as decisões têm seus prós e contras: morar ou não na cidade; ter muitos ou poucos filhos; comer de tudo ou ser vegetariano; enfim, a maioria das alternativas é válida, mas há um preço a pagar por elas!

 

Muita gente gostaria de ser uma pessoa diferente a cada ano só para deixar as experiências ruins para trás e recomeçar, tipo: ser solteiro novamente; não ter mais filhos para cuidar; zerar as contas a pagar etc. Como nada disso é possível para quem tem caráter, nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, concorda?

 

É lógico que devemos reavaliar decisões e trocar de caminho – ninguém é o mesmo para sempre –, mas as mudanças devem acrescentar algo positivo para o futuro e não apenas anular as experiências vividas. A estrada da vida é longa, o tempo é curto e quanto menos errarmos, melhor.

 

Bem, caso isto tudo tenha ficado bem claro e você concordado comigo, vamos refletir agora em como melhorar as nossas decisões. Partindo da célebre frase de Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo do que mudar um hábito”, sem dúvida, antes estar sempre no caminho certo do que tentar correr atrás do prejuízo.

 

Portanto, as nossas decisões só nos colocarão numa trilha abençoada se forem tomadas com oração. Rezando, reduzimos as possibilidades de alguma coisa dar errada e, assim, ganhamos o respeito de muitos e a confiança necessária para fugirmos dos pecados. Quanto mais isto tudo acontecer – orar e tomar decisões que nos aproximem de Deus –, mais bonita será a nossa ‘história de hábitos’ quando partirmos para o Céu.

 

Eu me recordo com carinho de minha nona Sebastiana – mãe de meu pai e minha madrinha de batismo. Desde que eu era pequeno, ela tinha verdadeira paixão por mim e eu por ela. Em 1983, quando tive trombose, ela me visitou todos os dias no hospital de Monte Sião. Quando pude andar novamente e fui até a casa dela, ela chorou como criança ao me ver de pé. Falava comigo com sotaque italiano que me emociono só de lembrar.

 

Quando faleceu, em 1989, os filhos, noras e netos ficaram com os seus pertences – e não eram poucos! Ela guardava bonitos jogos de crochê, tinha relógios antigos e uma cristaleira cheia de peças vistosas. Todos pegaram alguma coisa, mas eu, quando soube da ‘partilha’, já não restava mais nada e não vi a ‘minha parte’.

 

Um ano depois, a casa foi vendida. Passaram-se mais alguns meses e eu me lembrei que a nona tinha uma imagem de São Sebastião num oratório pregado na parede do tanque de lavar. Conversando com a minha mãe, perguntei quem havia ficado com aquela imagem e ela me disse que não sabia. Fui até lá, perguntei à senhora proprietária a respeito e ela respondeu: “Tem sim uma imagem de santo lá no quintal. Se quiser, pode levar”. Eu nem pude acreditar que aquilo era verdade.

 

Hoje, no oratório com mais de vinte santos que tenho no quarto, a imagem de São Sebastião é a mais antiga e, segundo muitas pessoas que viram, é também a mais bonita – tem mais de 40 anos! Com certeza, a nona intercedeu a Deus para que ela fosse minha e eu rezo diante dela todas as manhãs.

 

Pois bem, embora com pouca cultura, minha nona sempre tomou decisões certas na vida: rezava demais; batalhou com dignidade para o sustento da família – quando foi rica e quando ficou pobre; sempre praticou a caridade; esbanjou amor e obediência ao nono; e nunca caiu em tentação de pecados mortais. Se não fosse assim, eu estaria agora contando passagens de sua vida? Eu teria o presente que ela me deixou? Ela chegaria ao final da ‘estrada’ que, com a ajuda de Deus, escolheu?

 

Tenho fé que vou encontrá-la no Céu e dar-lhe os parabéns pelas belas escolhas que fez. Quero dizer-lhe também que, mesmo após a sua morte, todos aplaudiram as decisões que tomou, baseadas em honestidade e confiança no Senhor. E espero contar-lhe ainda que meu pai aprendeu muitas virtudes com ela, me criou com o seu exemplo de homem temente a Deus e, eu, procurei orientar os meus filhos a seguirem pelo mesmo caminho.

 

Acredito que ela ficará contente ao ouvir isto, embora já deva até estar sabendo! Ela acreditou que tudo pode ser mudado pela oração e nunca confiou que o nosso destino já está traçado. Deus tem uma linda missão para cada um de nós, nos dá muitos dons para trilharmos nos bons caminhos e sempre nos chama à conversão. Uns aceitam o Seu chamado de amor, outros só O escutam na dor e, alguns, decidem caminhar sozinhos.

 

Olhe ao seu redor... Quanta gente quer lhe dar a mão ou precisa da sua ajuda para se levantar! Faça o que Jesus Cristo faria se estivesse no seu lugar ou explique a sua escolha a Ele. Cada um receberá o ‘prêmio’ da sua decisão.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 450 – 23 Janeiro 2020

 

Andamos sempre na contramão?

 

Um dia, um cristão levantou-se mais cedo para assistir o amanhecer. A beleza da criação Divina estava além de qualquer descrição e, enquanto contemplava, louvou o Criador pelo Seu esplêndido trabalho. Naquele momento, Deus falou com ele:

 

- Você me ama?

 

- É claro que sim, meu Salvador!

 

- Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim me amaria?

 

- Seria difícil, Senhor, mas eu ainda Te amaria.

 

- Se você fosse cego, amaria minha criação?

 

- Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de ver? É estranho pensar nisso, mas, acredito que eu amaria só de ouvir falar.

 

- Caso você fosse surdo, ainda ouviria a minha Palavra?

 

- Como poderia ouvir algo sendo surdo? Mas, pensando bem, ouvir a Palavra não é simplesmente usando os ouvidos e sim o coração. Bem, embora também fosse difícil, eu ainda ouviria a Tua Palavra, Senhor.

 

- E se fosse mudo, ainda louvaria meu Nome?

 

- Se permitisses que eu cantasse com a alma, eu louvaria Teu Nome.

 

- Então, você realmente me ama!

 

- Sim, Senhor, eu Te amo como meu único e verdadeiro Deus!

 

- Então, por que peca?

 

- Porque sou apenas um humano, não sou perfeito!

 

- Mas, quando está com problemas, você procura ser perfeito e reza com fervor, canta nos retiros, me busca nas horas de adoração... Por que então, nesta semana, você não está espalhando as boas novas? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em meu Nome? Você é muito abençoado e eu não lhe fiz para que jogasse sua vida fora. Eu o abençoei com talentos para me servir, mas, você continua pecando! Será que você realmente me ama?

 

- Por favor, perdoa-me, Senhor. Eu não sou digno de ser Teu filho.

 

- Esta é a minha graça, filho: eu nunca o abandonarei. Quando você chorar, eu terei compaixão e chorarei com você. Quando cair, vou levantá-lo. Quando estiver cansado, eu o carregarei. Estarei com você até o final dos tempos e o amarei para sempre.

 

- Como pude ter sido tão fraco, Senhor? Como posso não esquecer o quanto me amas?

 

Então, Jesus esticou Seus braços e mostrou-lhe as mãos com dois enormes buracos sangrentos. Logo, o filho pecador curvou-se aos Seus pés e, chorando, O adorou verdadeiramente...

 

Pois é, há coisas na vida que nunca esquecemos e, outras, muito mais importantes, que só lembramos quando alguém nos sacode. Normalmente andamos na contramão da estrada que nos leva ao Céu. Nessa caminhada, não ouvimos o chamado de Deus à conversão, não damos a mão ao irmão necessitado e nos deixamos levar pelo egoísmo, vaidade e ambição.

 

A cada passo dado na contramão, a nossa carga de pecados fica ainda mais pesada e mais nos distanciamos da graça de Deus. Infelizmente, isso continua acontecendo com a maioria das pessoas! Mas, considerando a grande dose de inteligência que somos dotados e o dom da fé que recebemos no batismo, por que demoramos tanto para dar meia-volta e correr para os braços do Pai? Se Deus falasse com cada um de nós – como na história que contei –, nos converteríamos mais depressa, concorda?

 

Mas, depois de tudo que Jesus sofreu e diante de tantos milagres que acontecem a todo momento, seria um absurdo exigir ouvir a voz do Senhor ecoando alta e clara em nossos ouvidos – da mesma forma que ocorreu na história. Quem busca, a ouve diariamente na Missa, na Bíblia e nas palavras do pobre que clama por socorro, contudo, como colocar isso na cabeça daquele que não tem fé? O que podemos fazer é mostrar-lhe que não somos capazes de enquadrar os mistérios de Deus nos estreitos limites da razão humana e, ainda, afirmar que a Santíssima Trindade está infinitamente acima da nossa capacidade de compreensão.

 

São Paulo dizia aos romanos que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28) e, para quem tem fé, isto é suficiente para confiar na providência Divina. Portanto, o Senhor sabe aproveitar os acontecimentos da nossa vida para o nosso próprio bem. Aceitar esta verdade é ter fé e saber abandonar-se nas mãos de Jesus.

 

Todos os santos chegaram ao Céu pelo martírio ou pela perseverança na oração, e não será andando na contramão que iremos imitá-los. Mesmo vendo centenas de pessoas correndo morro abaixo e se afastando de Deus, devemos continuar buscando o perdão do Pai e caminhar passo a passo rumo à vida eterna. Refletindo nos ensinamentos bíblicos, enxergaremos melhor as ‘placas de sinalização’ para acharmos o caminho certo.

 

Conta-se que um rei resolveu criar algo diferente para as pessoas do seu povoado: um lago de leite. Então, pediu que cada um levasse um copo de leite naquela próxima madrugada e o jogasse no reservatório vazio. Quando amanhecesse, o lago estaria formado.

 

Na manhã seguinte, tal foi a surpresa quando o rei viu o lago cheio d’água e não de leite. Consultando o conselheiro do reino, foi informado que todas as pessoas tiveram o mesmo pensamento: ‘No meio de tanto leite, se o meu copo for de água, ninguém perceberá!’

 

É por este tipo de comodismo que continuamos andando na contramão da salvação. Se cada um fizer a sua parte em qualquer circunstância da vida, sempre estará pronto a dizer: ‘Bendito seja Deus que me conduz ao Céu!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 449 – 17 Janeiro 2020

 

Um verdadeiro ato de entrega

 

Um amigo me presenteou com este texto maravilhoso que passo a divulgar. São palavras de Jesus, reveladas a um sacerdote italiano de Nápoles, Dolindo Ruotolo, que morreu em fama de santidade. Eis a mensagem que nos ajuda a crescer muito na fé:

 

“Por que vós tão facilmente vos deixais inquietar e perturbar? Entregai-me, pois, as vossas preocupações e tudo irá acalmar-se. Assim, em verdade eu vos digo, que cada ato confiante, verdadeiro e completo de entrega a mim, produz justamente aquele efeito que vós tanto desejais e soluciona a situação dolorosa, cheia de espinhos.

 

Entregar-se a mim não significa deixar-se tomar pelo medo, preocupação, desespero e, só depois, recorrer a mim numa oração fervorosa para que eu vos socorra. Antes, fechar tranquilamente os olhos da alma e abandonar-se a mim, para que somente eu o leve à outra margem, como uma criança que dorme nos braços de sua mãe.

 

Aquilo que vos perturba e prejudica é a pertinácia em refletir e ponderar vossas preocupações, atormentando-se ainda em querer fazer, a qualquer preço, tudo por si mesmo. Quando, porém, sou eu que atuo, quando a alma em necessidade se dirige sem reservas a mim nos seus interesses espirituais e materiais, esforçando-se por olhar para mim enquanto pode dizer cheia de confiança: ‘Cuidai Vós’, então, assim, ela fecha os olhos interiores e descansa em meus braços. Enquanto vos atormentais em demasia, recebereis poucas graças. Quando, porém, as vossas orações forem um total ‘confiar-se’, então, recebereis muitas graças.

 

No sofrimento, rezais para que eu o retire de vós, todavia, da maneira como vós imaginais. É verdade que vos dirigis a mim, mas quereis que eu me amolde às vossas ideias; são como os doentes que pedem auxílio médico, no entanto, eles mesmos prescrevem-lhe o modo de se tratarem. Quanto a vós, não agis dessa maneira, mas rezai como eu vos ensinei no Pai Nosso.

 

Quando achardes que o mal piora ainda mais ao invés de melhorar, não vos preocupeis. Fechai de novo os olhos da alma, ou seja, do coração, e dizei-me com toda confiança: ‘Seja feita a Vossa vontade, cuidai Vós, ó Senhor!’ Pois, então, eu vos digo que vou cuidar e intervir como um médico, com toda a minha onipotência divina e que, se for necessário, operarei até um milagre.

 

Repousai simplesmente em mim, acreditai na minha bondade, rogo-vos com insistência e vos asseguro na força do meu amor que quando dizeis nesta disposição: ‘Cuidai Vós’, eu vou cuidar inteiramente, vou consolar-vos, libertar-vos e conduzir-vos. E quando tiver que vos levar por um outro caminho diverso daquele que vós pensais, eu irei instruir-vos.

 

Sofrereis insônia ao querer avaliar e considerar, tudo reconhecer e em tudo pensar, mas vós com isso vos entregais somente às forças humanas do ‘próprio querer’ ou, ainda pior, no fundo, vos entregais aos homens quando confiais na intervenção deles. Isso tudo constitui um obstáculo às minhas intenções para convosco.

 

Oh, como eu desejaria sempre de vós a entrega verdadeira, para assim poder presentear-vos; e como fico triste ao ver-vos tão inquietos, preocupados e desesperados! É isso mesmo o que Satanás quer: levar-vos infalivelmente para a inquietação e o desespero, livrando-vos assim da minha atuação e do meu amor, para vos entregardes inteiramente às manipulações humanas.

 

Por isso, confiai inteiramente em mim, descansai em mim, entregai-vos em tudo a mim! Operarei milagres na medida de vossa entrega total e confiante a mim e da desconfiança absoluta em relação a vós mesmos. Eu darei tesouros de graças quando vós estiverdes totalmente pobres e necessitados.

 

Enquanto tendes vossas próprias fontes de ajuda e as procurais, mesmo se for pouco, vós estais no plano puramente natural e seguis assim só a esse curso natural das coisas, onde hoje Satanás, tantas vezes, diretamente ou através do ‘eu lisonjeador’ dele, desvia ou até corrompe.

 

Aquele que ainda sempre em tudo discute e considera por si mesmo, nunca experimentou ou obteve um milagre da minha parte, nem entre os santos isso aconteceu. Só se harmoniza com Deus quem se abandona totalmente a Ele! Não obstante, percebeis ainda que tudo mais se complica, dizei com os olhos fechados do coração e da alma: ‘Jesus, agora, cuidai Vós!’; e desviai-vos do próprio ‘eu’, porque o vosso intelecto infatigável faz com que tudo se torne ainda mais difícil, de modo que não conseguis entregar-me.

 

Agi sempre da maneira certa em todas as vossas necessidades. Proceda sempre assim e experimentareis notáveis, constantes, mas, silenciosos milagres, que só poderão ser vivenciados por vós e, de mais a mais, aumentam a verdadeira confiança e o vosso amor por mim. Eu, vosso Deus, cuidarei. Eu asseguro!

 

Rezais sempre nesta disposição de entrega e obtereis grande paz interior e verdadeiros frutos do meu amor, mesmo quando exijo de vós, ou seja, vos ofereço a graça do sacrifício, da expiação e do amor que impõe a cruz através de um sofrimento.

 

Isso vos parece impossível? Fechai de novo os olhos e olhai para dentro, rezando de todo coração: ‘Cuidai Vós, Jesus!’ Não tenhais medo, eu cuido verdadeiramente. Então, louvareis o meu nome quando vos humilhardes inteiramente. As vossas orações não valem tanto quanto um único ato de entrega confiante. Pensai bem, não existe uma novena mais eficaz do que esta: Oh, Jesus, a Vós eu me entrego. Cuidai Vós!”

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 448 – 9 Janeiro 2020

 

Como ser feliz para sempre

 

Como as histórias se tornaram rotina neste espaço, eis mais uma – muito singela e própria para hoje:

 

- Vó, o que acontece depois do ‘felizes para sempre’ das historinhas que você conta? Eu não vejo ninguém ser feliz para sempre!

 

- Sabe, minha querida, há uma tribo de índios que não acredita na passagem do tempo. Eles acham que existem apenas dois mundos: das coisas visíveis e das coisas invisíveis. No mundo das coisas visíveis, encontramos o que construímos: a casa, o carro, esse tricô aqui que você sempre interrompe...

 

- E no mundo das coisas invisíveis, vó?

 

- Lá, encontramos tudo o que não transformamos em realidade: os sonhos, as ideias, enfim, tudo o que a gente sempre deixa para depois, tipo: depois eu vou estudar, rezar, fazer meu sonho se tornar realidade... As pessoas sempre esperam pelo futuro, quando serão ‘felizes para sempre’.

 

- Vó, fale mais dos índios.

 

- Bem, como eles não acreditam no tempo, então não acreditam também no futuro e não passam a vida inteira esperando por ele.

 

- O que eles fazem então? Não têm coisas chatas pra fazer, como fazer lição e comer verduras?

 

- Lógico que sim!

 

- Mas, como é que podem ir para a escola se não acreditam no futuro? Meu pai sempre fala que estudou e trabalha para que a família tenha um futuro melhor.

 

- E o futuro fica mesmo melhor, netinha?

 

- Não sei, ele ainda não chegou!

 

Riram gostosamente.

 

- Sabe, querida, o que esses índios acham é que a felicidade – o ‘felizes para sempre’ – é um presente de Deus e só existe nas coisas realizadas. É como um quebra-cabeça que a gente monta todo dia: as peças são invisíveis e devemos procurar por cada uma até encontrar. Aí a gente traz as coisas do mundo invisível para o mundo visível.

 

- Você é feliz mesmo sendo sozinha, vovó?

 

- Sim; tenho você e uma porção de gente no meu coração. Nunca estou sozinha!

 

- Tem gente no seu coração?

 

- É claro que sim! Jesus pediu para morar nele e Ele só deixa entrar gente boa lá.

 

- Quando eu ficar velhinha, eu vou ser feliz, então?

 

- Não, meu bem. Criança é que você vai ser feliz.

 

- Mas, eu já sou criança!

 

- Então, seja feliz já e não se esqueça de ser criança também quando crescer para nunca deixar de ser feliz, tá bom?

 

- Combinado.

 

- E agora, vamos brincar de construir felicidade? Comece rezando comigo, pedindo a Deus que Ele e Nossa Senhora sempre morem no seu coração.

 

Não precisou falar duas vezes. Rezaram e a netinha começou a montar o seu quebra-cabeça de felicidade eterna pela peça mais importante: o momento da oração!

 

Portanto, faça como a vovó, a netinha e eu também. Não deixe para ser feliz amanhã e comece dando mais valor aos bens espirituais: caridade, oração, perdão, comunhão e perseverança na missão que Deus reservou pra você. Lembre-se: todos nós somos vocacionados, basta aceitarmos o chamado que vem do Céu.

 

E deixando de ser feliz por alguns anos, aprendi que Jesus sempre nos dá uma segunda chance. Aprendi também que viver não é só receber, mas, principalmente, dar. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para os outros. Aprendi que sempre tenho muito que aprender para continuar sendo feliz, como este menino da próxima história:

 

Na semana do Natal, um garoto chegou em casa e viu um pote com algumas balas dentro. Enfiou depressa a mão pela boca do pote e segurou três balas, mas, quando tentou retirá-las, não conseguiu. A boca do vidro era estreita e formava um gargalo, que não deixava a sua mão fechada passar. Os pais gritavam para que o filho largasse as balas, pois o vidro poderia feri-lo, mas o menino não as largava. Daí, o avô correu até o quarto e pegou um presépio para montar. Ao ver as imagens, o garotinho largou as balas e correu para ajudar o avô.

 

Portanto, siga esta receita de ser feliz para sempre: 1. Agrade a Deus hoje e não deixe para depois – como os índios da primeira história; 2. Substitua as coisas menos importantes por outras que levarão você ao Céu – como o menino da segunda história; 3. Persevere com amor na sua missão cristã – como tenho feito, escrevendo estes artigos. E nunca se assuste com tanta felicidade em sua vida! Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 447 –  5 Janeiro 2020

 

Só quem perdoa é perdoado

 

Havia um menino que não pensava para dizer as coisas. Seu pai lhe deu um saco cheio de pregos e lhe disse que cada vez que ofendesse alguém, batesse um prego na cerca. No primeiro dia, o garoto bateu quatro pregos, porém, gradativamente, o número foi crescendo, chegando à conclusão que era mais fácil controlar suas palavras do que pregá-los.

 

Quando o filho começou a melhorar sua agressividade, o pai sugeriu que cada dia que não ofendesse alguém, tirasse um prego da cerca. O tempo foi passando, até que todos foram arrancados e, seu pai, puxando-o pela mão, foi até à cerca e disse: ‘Olhe bem, garoto, ela nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas sem pensar, ficam cicatrizes como estes buracos. As palavras são como flechas, não têm volta!’

 

Conclusão: a gente até perdoa, mas a cicatriz permanece; certo? Errado! Quem perdoa com o coração e reza por aquele que lhe ofendeu, nem cicatriz fica. A história acima não enfoca o lado espiritual e sugere que evitemos apenas as ofensas, o que seria o ideal, mas como apagar os erros do passado? Só há um jeito: com arrependimento e oração.

 

O Pe. Robert Degrandis redigiu uma oração maravilhosa de perdão que, se feita diariamente, nos aproxima mais de Deus e das pessoas que ofendemos ou que nos ofenderam. Após esta primeira leitura, sugiro que a recorte, risque aquilo que não lhe diz respeito e a reze sempre. Isso lhe trará muita paz espiritual e melhor convívio social. Eis a poderosa oração:

 

Senhor Jesus, peço-Vos hoje a graça de perdoar. Senhor, eu Vos perdoo pelas vezes em que a morte e as dificuldades financeiras abateram minha família e por aquilo que me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus. Purificai hoje meu coração e minha mente, Senhor Jesus.

 

Senhor, perdoo a mim próprio por mergulhar na superstição, usar tábuas de comunicação com espíritos, ler horóscopos, consultar cartomantes e usar amuletos. Rejeito todas essas superstições e Vos aceito como meu Senhor e Salvador. Comunicai-me Vosso Espírito Santo.

 

Senhor, perdoo a minha mãe pelas vezes que me magoou, ficou ressentida e zangada comigo, me puniu, preferiu meus irmãos e irmãs à mim, me chamou de tolo, estúpido, o pior de seus filhos. Eu lhe perdoo por ter dito que eu dava muita despesa, era malquisto, um erro, que não era o que ela esperava.

 

Perdoo o meu pai pela falta de apoio, de amor, de atenção e de companhia. Dou-lhe meu perdão por suas brigas, abandonos, ausências de casa; por se haver divorciado de minha mãe, por suas bebedeiras, pelas suas ásperas críticas.

 

Senhor, perdoo os meus irmãos e irmãs, os que me rejeitaram, me caluniaram, me odiaram, disputaram o amor dos meus pais, me agrediram, foram severos demais comigo e tornaram minha vida desagradável. Perdoo a minha esposa (o meu marido) pela falta de amor, de atenção, por seus defeitos, debilidades, falhas e outros atos ou palavras que me prejudicaram e perturbaram.

 

Senhor, perdoo os meus filhos pela falta de respeito, pela desobediência, pelo pouco amor, cordialidade e compreensão; pelos seus vícios e afastamento da Igreja. Senhor, perdoo os meus parentes próximos, meus avós, tios, além de outros que têm interferido em minha família, causando confusão, colocando meus pais um contra o outro.

 

Senhor, perdoo os parentes, especialmente minha sogra e meu sogro, cunhados e cunhadas, além das pessoas que se tornaram meus parentes em virtude de meu casamento, que de algum modo me ofenderam.

 

Senhor, perdoo os meus colegas de trabalho que são desagradáveis e tornam minha vida insuportável, empurram-me trabalho que não me compete, falam mal de mim, não cooperam comigo, tentam tirar meu emprego. Também meus vizinhos devem ser perdoados, Senhor, pois eles são barulhentos, dão festas à noite, têm cães que latem o tempo todo e que não me deixam dormir. Eles me importunam com suas brigas e mexericos.

 

Senhor, perdoo a todos os padres, a todas as freiras, a todos os bispos, a minha paróquia, as paróquias do passado, os conselhos paroquiais e a todas as conferências da Igreja Católica Apostólica Romana por não me apoiarem como devem, não me inspirarem, não me utilizarem em posição-chave e por quaisquer aborrecimentos que hajam infligido a mim ou à minha família, mesmo em um passado distante.

 

Perdoo a todos os profissionais que me prejudicaram de algum modo: médicos, enfermeiras, advogados, juízes, políticos e funcionários públicos. Perdoo o meu empregador que não me paga suficientemente, não aprecia meu trabalho, é descortês, pouco razoável e, além de tudo, não me promove.

 

Perdoo, Senhor, a todos os professores da escola e a todos os instrutores do passado ou do presente. Também àqueles que me insultaram, me humilharam, me chamaram de tolo e me prenderam depois da aula.

 

Senhor, perdoo os amigos que me decepcionaram, não se prontificaram quando precisei de ajuda, pediram-me dinheiro emprestado e não pagaram. Senhor, rezo pela graça de perdoar aquela pessoa que mais me prejudicou na vida e rezo, em especial, para que eu possa perdoar a mim próprio, por haver magoado meus pais, por me ter embebedado, por usar drogas, pelos pecados contra a pureza, pelos maus livros e filmes, e pela fornicação, adultério, homossexualidade, abortos, furtos, mentiras, fraudes.

 

Senhor, suplico o perdão de todas essas pessoas, pelas mágoas que lhes causei, especialmente meu pai, minha mãe, meu cônjuge e meus filhos. Agradeço-Vos, Senhor, pelo amor que recebi por meio deles. Amém.

Paulo R. Labegalini
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