Paulo 2020

Paulo R. Labegalini
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Vicentino de Itajubá-MG e Professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG)
Autor dos livros:
- Histórias Cristãs- Editora Raboni
- O Mendigo e o Padeiro - Editora Paco
- A Arte de Aprender Bem - Editora Paco
- Minha Vida de Milagres - Editora Santuário
- Administração do Tempo - Editora Ideias e Letras
- Mensagens que Agradam o Coração - Editora Vozes
- Histórias Infantis Educativas - Editora Cleofas
Apresentações musicais:
https://www.youtube.com/results?search_query=soraia+labegalini

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Mensagem da Semana - Nº 463 – 28 Abril 2020

 

Para que servem os espelhos?

 

Um homem entrou na igreja e começou a dizer: ‘Deus eu vim aqui porque não tem espelhos. Sou muito feio, nada dá certo na minha vida por causa da minha aparência e gostaria que o Senhor melhorasse isso em mim, por favor!’.

 

No mesmo instante, um sacerdote que ouviu suas palavras, disse-lhe: ‘Não se julga alguém pela aparência, meu filho; o corpo é apenas o templo do espírito! Não importa se suas pernas são tortas, desde que guiem você rumo ao amor; não importa se suas mãos são calejadas, desde que deem e recebam honestamente; não importa a cor de seus olhos, desde que enxerguem o bem; não importa quão danificados são seus cabelos, porque só servem para lhe cobrir a cabeça; não importa o tamanho de seu nariz, desde que inspire e expire a fé; não importam as rachaduras de sua boca, desde que proclame a vida!’.

 

Rumo à saída da igreja, já quase convencido de que o padre estava certo, o homem chegou diante de uma porta de vidro e ouviu uma voz do alto: ‘Agora, filho, levante a cabeça, olhe com alegria para este espelho e lembre-se que, em minhas Escrituras, não há uma só frase dizendo que sou bonito’.

 

Pois é, os espelhos possuem muito mais utilidades do que simplesmente alimentarem o nosso ego, não? Eu me lembro que quando fiquei dois meses de cama em 1992, por muitos dias não coloquei as lentes de contato – pouco enxergo sem elas. Graças à quantidade de orações que recebi, melhorei e voltei a usar lentes para ler no leito. Naquele dia, veio um barbeiro em meu quarto de hospital, fez em mim a barba, cortou meu cabelo e deu-me um espelho para olhar o novo visual. Naquele instante, o que menos importava era a minha aparência; e pensei mais ou menos assim: “Este sou eu! Estou vivo!” – e sorri de felicidade.

 

Não podemos nos esquecer que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança. Se à imagem do Amor fomos criados, o importante é aquilo que caregamos dentro de nós, concorda? Todo espelho que colocarem à nossa frente deve refletir amor! É a nossa ‘imagem do avesso’ que conta pontos para a santificação e não a beleza ou feiura externa – como muitos vivem pregando no Big Brother e coisas do gênero. A imagem interior é capaz de grandes obras ‘em parceria com o Espírito Santo’, como: ser exemplo aos jovens na conduta de vida regada com oração; ser espelho aos pecadores na caminhada cristã perseverante; ser esperança aos pobres no socorro de suas dificuldades etc.

 

Se Jesus me ama como eu sou e deseja me levar para desfrutar de Sua morada no Céu, tenho que anunciar isso a todos com muita alegria no coração e me tornar espelho da Sua misericórdia! Quem age assim, nada deve temer, pois São Paulo disse aos Romanos: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?... Os que Ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho... e também os glorificou”.

 

Neste ano de provações, mais do que antes, temos que ter consciência de que o nosso Batismo foi o princípio da nossa missão evangelizadora de também refletir a esperança de salvação a todos os povos. Mas, como muitos ‘espelhos’ refletem somente o que está à frente, vejamos mais esta história:

 

Tempos atrás, num distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos. Lá chegando, um pequeno e feliz cãozinho olhou através da porta, mas, para sua grande surpresa, deparou-se com outros tantos pequenos e felizes cãezinhos – todos com os rabinhos balançando tão rapidamente quanto ao dele. Logo abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos! Quando saiu, pensou: ‘Que lugar maravilhoso! Voltarei um montão de vezes’.

 

Neste mesmo vilarejo, um outro cãozinho não tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Também olhou através da porta e, quando viu dezenas de olhares hostis de cães que lhe fitavam, rosnou e mostrou os dentes. Ficou horrorizado ao ver tantos cães mostrando-lhe os dentes lá dentro. Saiu correndo e pensou: ‘Que lugar horrível! Nunca mais volto aqui’.

 

Bem, os rostos que conhecemos têm um pouco de ‘espelho’ e podemos considerar que fazemos parte de uma casa de quase mil espelhos diariamente! Quando conversamos com alguém que transmite paz e fé, não desejamos que o mundo seja assim um dia e não ficamos mais aliviados dos problemas que nos afligem? O mesmo ocorre com aquelas pessoas que interagem conosco; portanto, repare bem na imagem que você vê nos rostos que encontra em seu caminho, pois podem ser o reflexo do seu próprio rosto! E lembre-se sempre:

 

Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar. Há pessoas tristes que precisam de alguém que as conforte. Há pessoas tímidas que precisam de alguém que as ajude a vencer a vergonha. Há pessoas com medo que precisam de alguém para lhes dar a mão. Há pessoas fortes que precisam de alguém que as faça pensar na melhor maneira de usarem a energia que possuem. Há pessoas que julgam que não sabem fazer nada e precisam de alguém que as ajude a descobrir o quanto podem fazer pelo irmão. Há pessoas apressadas que precisam de alguém para lhes mostrar tudo o que não tem tempo para ver. Há pessoas impulsivas que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros. Há pessoas que se sentem fora da Igreja e precisam de alguém que lhes mostre o caminho de entrada.

 

Todas essas pessoas precisam de um espelho... que pode ser você!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 462 – 17 Abril 2020

Aprendendo a servir o próximo

Leia esta primeira história pensando na seguinte frase: “Tudo o que nos acontece traz experiência nova ou desenvolve alguma qualidade que nos faltava.” (Sakarawa)

Li que, há muitos anos, Tom trabalhava como gerente numa empresa muito preocupada com a educação dos funcionários. Um dia, o executivo principal decidiu que o corpo gerencial de doze pessoas deveria participar de um teste de sobrevivência – atravessando um rio violento e impetuoso.

Foram, então, divididos em três grupos. O grupo A recebeu quatro tambores de óleo vazios, duas grandes toras de madeira, uma pilha de tábuas, um grande rolo de corda grossa e dois remos. O grupo B ficou com dois tambores, uma tora e um rolo de barbante. O grupo C, porém, não recebeu nenhum recurso para cruzar o rio em quatro horas!

Tom teve a sorte de estar no grupo A, que não levou mais que meia hora para construir uma maravilhosa jangada. Um quarto de hora mais tarde, os quatro aliados estavam em segurança e com os pés enxutos no outro lado da margem, observando os outros colegas em suas lutas desesperadas.

O grupo B levou quase duas horas para atravessar. Tom e sua equipe há muito tempo não riam tanto como no momento em que a tora e os dois tambores viraram com os gerentes: financeiro, de computação, de produção e de pessoal. E o melhor ainda estava por vir...

Nem mesmo o ruído das águas era suficiente para sufocar o riso dos oito homens quando o grupo C tentou lutar contra as águas espumantes. Os coitados agarraram-se a um emaranhado de galhos que estava se movendo rapidamente na correnteza e, no auge da ‘diversão’, o grupo bateu num rochedo e perderam todos os galhos!

Somente reunindo as forças que lhe restava, o gerente de logística – último membro do grupo C – conseguiu atingir a margem: todo arranhado, com os óculos quebrados e 200 metros rio abaixo. Foi quando o instrutor do curso reuniu-se com os gerentes e perguntou:

- Então, como vocês se sentiram?

O grupo A respondeu em coro:

- Nós vencemos! Nós vencemos!

O instrutor contestou:

- Acho que me entenderam mal! Vocês não foram treinados para vencer uns aos outros, pois a tarefa seria concluída quando ‘os três grupos atravessassem o rio no prazo de quatro horas’! Ninguém pensou em ajuda mútua, nem questionou em dividir os recursos para atingirem uma meta comum? Por serem individualistas, vocês estouraram o tempo de prova e todos perderam com isso!

Foi uma grande lição para os gerentes e, naquele dia, aprenderam muito a respeito de trabalho em equipe com lealdade fraterna. Você concorda que se alguns deles tivessem o costume de ajudar o próximo no dia-a-dia poderiam ter se saído melhor? Bastaria apenas terem colocado em prática a virtude da caridade e todos atravessariam juntos!

Eu sempre insisto que temos que ser a mesma pessoa em qualquer situação: na igreja, no trabalho, na sociedade, na família etc.; caso contrário, não podemos dizer que temos uma só personalidade. Os dons que recebemos no batismo – fé, esperança e caridade – devem nos acompanhar constantemente para que o Espírito Santo se manifeste a todo instante.

Agora, antes da próxima história, reflita nisto: “Para lidar consigo mesmo, use a cabeça; para lidar com os outros, use o coração.” (Karl Rahner)

Havia uma garotinha que gostava de passear pelos jardins. Um dia, viu uma borboleta espetada no espinho de uma roseira e, muito cuidadosamente, soltou a borboleta encantada, que lhe disse: ‘Por sua bondade, vou conceder-lhe seu maior desejo’. A garotinha pensou por um momento e pediu: ‘Quero ser muito feliz’. A borboleta, então, aproximou-se dela, sussurrou algo em seu ouvido e desapareceu subitamente.

A garota cresceu e ninguém na terra era mais feliz que ela. Sempre que alguém lhe perguntava sobre o segredo de tanta felicidade, ela somente sorria e respondia: ‘Soltei a borboleta e ela me ensinou a ser feliz’.

Quando ficou bem velha, os vizinhos temeram que o segredo fabuloso pudesse morrer com ela e imploraram: ‘Diga-nos, por favor, o que a fada lhe disse?’. A amável velhinha novamente sorriu e revelou: ‘Ela disse que todas as pessoas, por mais seguras que pudessem parecer, precisariam muito da minha alegria!’.

Portanto, não se esqueça: ‘Quando você estende a mão a alguém, por menor que seja a ajuda, também está liberando felicidade para a sua vida. Mas, se você só quer receber, a felicidade eterna nunca lhe baterá à porta’.

E concluindo, ainda há um último aspecto a considerar: falar de pessoas que ficam remoendo o triste passado e nada fazem para melhorar. A nossa Igreja está precisando muito de fiéis comprometidos com a evangelização do povo e não podemos ‘nos dar ao luxo’ de nos isolarmos dos mais necessitados. Faço minhas as palavras de Luiz Boudakian: “Não chore por as coisas terem terminado; sorria porque elas existiram!”

Resumindo, para ajudar o próximo (também nessa pandemia) é necessário: trabalho em equipe, alegria no coração e confiança em Deus. Assim, com certeza, o fim sempre justificará os meios.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 461 – 13 Abril 2020

O velhinho da calçada

(Esta história foi baseada em fatos reais.)

Em junho de 1995, numa tarde fria em São José dos Campos-SP, Narciso estava voltando para casa com a família quando perceberam um velhinho sentado na calçada com um cobertor às costas. A esposa e os filhos chegaram a parar perto do mendigo, mas Narciso os puxou e pediu que seguissem em frente, quando seu filho disse:

- Pai, ele vai morrer de frio essa noite!

- Tem razão, filho. Mas, onde estão os vicentinos que deixam isso acontecer?

- Tem muita gente pobre espalhada por aí, pai. Eles não dão conta de socorrer a todos!

Narciso, então, aproximou-se do velho:

- Vô, qual é o seu nome?

- José Geraldo Rodrigues. Eu moro aqui na praça e estou esperando os jovens saírem para poder dormir. Tem dia que ficam até às três da madrugada!

- Sr. Geraldo, o senhor é muito parecido com meu falecido pai. Estou emocionado em lhe conhecer e sei que foi Deus que o colocou em nosso caminho hoje. Por que o senhor não vai dormir no albergue da Prefeitura?

- Eu não conseguiria chegar até lá!

- A minha casa é aqui perto e vamos ajudá-lo. Venha, levante-se!

Ao chegarem, o mendigo queria ficar junto ao cachorro da família na área da frente da casa, mas, a mulher de Narciso o levou à cozinha para um prato de sopa quente e o colocou para dormir num pequeno colchão na sala. Antes de adormecer, Narciso ajoelhou-se e rezou:

- Meu Deus, perdoe-me por reparar tanto no mau cheiro do Sr. Geraldo e por pensar: o que faremos com ele amanhã?

Na sala, o velhinho também rezava:

- Senhor, quem é essa família que me acolhe como um parente? Obrigado, meu Deus, pela sopa que eu não comia há mais de um ano com tanta vontade! Obrigado por este colchão quentinho e por essa gente tão santa! É por causa de pessoas assim que o mundo ainda existe; não é, Senhor?

No dia seguinte, Narciso levantou cedo e foi procurar um lugar para o velho ficar, mas, por ser alcoólatra, ninguém o aceitou. Chegando em casa e vendo a família ao redor do Sr. Geraldo tomando o café da manhã, Narciso encheu-se de coragem e disse:

- Vô, não consegui lugar para abrigá-lo. Terá que voltar para a praça.

- Muito obrigado por tudo, meu filho. Fique em pé e me dê um abraço.

Naquela mesma tarde, a família de Narciso foi à praça tomar sorvete e viram o velhinho comendo pão com mortadela. Quando ele os viu, se levantou e falou:

- Sr. Narciso, esqueci meu cobertor em sua casa. Manda logo ele pra mim senão o frio me corta os ossos!

De volta ao lar, olhando o cobertor sujo no chão da casa, Narciso disse a Tarciso:

- Meu filho, hoje é domingo e você vai participar da missa mais bonita de sua vida. Sua missão é ir buscar o Sr. Geraldo para morar conosco. E seja feita a vontade de Deus!

Tarciso voltou para casa abraçado com o velho, como se fosse seu avô de verdade. A recepção foi muito calorosa e rezaram juntos uma Ave Maria. Em pouco tempo, o Sr. Geraldo tinha roupas limpas, um quarto só para ele e uma cadeira exclusiva na mesa de jantar. Parou de beber, deixou de fumar e adorava contar histórias muito engraçadas... e tristes também:

- Meu pai faleceu quando eu tinha seis anos e, em seguida, minha mãe desapareceu. Meus irmãos conseguiram outras famílias para morar, menos eu. Só me sobrou a mamadeira que eu não largava por nada – mesmo vazia! Comecei, então, a dormir no paiol de milho de uma viúva com seis filhos e, com o tempo, Deus tocou no coração dela e passei para dentro da casa. Nas festas que ela dava, eu só comia quando todos iam embora. Adorava os pés de frango que sobravam!

Assim cresceu o Sr. Geraldo, sem saber o que era ser amado e sem ter direito a quase nada das coisas do mundo. Sabia que era filho de Deus e nunca perdeu as esperanças, mas, coitado, apesar de reconhecer que o Todo Poderoso olhava por ele, veio a recaída: voltou a beber! Depois de se alcoolizar, ficava violento e batia com a bengala nas crianças da praça. Os filhos de Narciso eram insultados e até apedrejados quando voltavam da escola.

Procuravam conscientizar o velhinho a não mais beber e evitar confusões, mas ele pedia um pouco mais de paciência que logo estaria morto. Num sábado à noite, o Sr. Geraldo não voltou para casa e vieram avisar a família que ele estava caído na praça. Neste dia, Narciso estava exausto, pois fazia um ano que passava por todos esses problemas. Foi até ao sofá e, na esperança de que a qualquer momento o velhinho viesse a chegar, sem perceber, pegou no sono. Porém, naquela madrugada, ele não voltou.

De manhã, Tarciso acordou o pai aos gritos no sofá:

- A polícia está aí! Aconteceu uma desgraça! O vô morreu!

O enterro do Sr. Geraldo foi digno de um querido filho de Deus. Todos compareceram, todos rezaram e todos choraram. A única família capaz de amá-lo como ele era, sentia a dor da perda do avô. Voltaram para casa meio desconsolados e, no quarto do velho, vendo a bengala e as coisas jogadas, Narciso desabafou chorando:

- Vô, estou decepcionado com o senhor. Lutei tanto para que não morresse na calçada!

Imediatamente, uma voz ecoou do alto:

- Meu filho, quando mais eu precisei, você dormia! Quando procurei a sua mão para me acolher do frio, você estava debaixo do cobertor!

- Perdoe-me, meu Deus! Eu tentei amar e vou continuar tentando! Prometo me tornar um vicentino e socorrer seus filhos, Senhor. Custe o que custar!

- Amando os pobres, querido filho, você sempre será perdoado. O seu vô descansa na minha paz e o aguarda na eternidade. Não se esqueça que sempre estarei contigo.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 460 – 3 Abril 2020

Explicando minha devoção a Maria

Quando alguém me pergunta por que sou tão apaixonado por Nossa Senhora, digo que tenho muitas histórias para contar. Alguns fatos são recentes e, outros, nem mesmo eu sabia que influenciariam tanto em minha vida.

Minhas avós e bisavós eram marianas fervorosas e viviam com o terço nas mãos, assim como mamãe o faz até hoje, graças a Deus. Principalmente por isso, temos recebido incontáveis bênçãos na família, talvez em igual número às Ave-Maria rezadas por elas.

Minha mãe contou-me que se eu nascesse mulher, iria chamar ‘Maria Auxiliadora’, porém, o nome abençoado da Mãe de Deus acabou ficando com a minha irmã: Maria Aparecida. Mas era eu que, de pequeno, gostava de ir à igreja e alguns parentes diziam: ‘Esse menino vai ser padre!’. Essa não foi a vontade de Deus, contudo, dedico praticamente todo o meu tempo livre às coisas do Reino.

Algumas dessas ‘coisas’ são para o resto da vida, pois fazem parte da missão que abracei: ser escritor católico, fazer caridade como vicentino; participar dos Movimentos de Cursilhos, aconselhar espiritualmente os casais que me procuram; dar testemunhos de minha fé em palestras; atender chamados para cantar nas missas etc. Faço tudo com muito amor no coração, procurando impor a máxima qualidade em cada serviço, já que o Senhor merece que nada seja feito às pressas.

Bem, voltando a falar de Maria, cresci frequentando a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo. Aos dezessete anos, mudei-me para Monte Sião e assistia missas no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Vim fazer faculdade em Itajubá, passei a participar das celebrações na Igreja de Nossa Senhora da Soledade, ajudei na construção do Santuário Nossa Senhora da Agonia e, hoje, faço parte da Comunidade de Nossa Senhora do Sagrado Coração. E, se você acha que os títulos de Maria foram apenas coincidências em minha vida, continue lendo este artigo.

Em outubro de 1992, passei dois meses internado em Campinas com trombose na perna e bactérias no coração – endocardite. Numa manhã de domingo, os médicos chamaram a minha esposa e disseram que o óbito poderia ocorrer naquele dia. Chegaram parentes de toda parte esperando pelo pior, mas minha saudosa tia Waldina anunciou no alto-falante da igreja em Monte Sião que às 15 horas rezariam um terço pela minha saúde. Encheu de gente no Santuário e Nossa Senhora da Medalha realizou um grande milagre naquela tarde.

Sei que muitas pessoas intercederam por mim na época e sou grato a todas, mas aquele terço... O médico-chefe da equipe de cardiologia disse-me que nunca tinha visto um quadro gravíssimo se reverter tão rapidamente e sem sequelas! Foi quando eu mostrei ao Dr. Vitório Verri a imagem de Nossa Senhora das Graças que ficou o tempo todo na cabeceira da cama no hospital – até hoje eu durmo com ela ao meu lado! Tive alta na véspera de Natal daquele ano.

Percebi, então, que havia uma missão maior reservada pra mim neste mundo, mas só em 1994 – nas viagens que fazia semanalmente para cursar doutorado em São Paulo – comecei a rezar o terço e rapidamente renovei os meus valores espirituais; por exemplo, passei a usar na corrente uma medalha de Nossa Senhora do Sagrado Coração que havia ganhado de minha irmã. Ainda hoje, minha Mãe Santíssima me acompanha dentro e fora do peito.

Em 1997, tive a graça de ser chamado para ajudar a construir o Santuário de Nossa Senhora da Agonia. De lá pra cá, aprendi liturgia, músicas, fui à televisão e programas de rádio várias vezes, enfim, aceitei definitivamente o chamado que veio do Céu. É importante ressaltar que a fé inabalável da Fátima – minha esposa – também foi fundamental para isso.

Sou feliz por ver minha família caminhando com Maria nos passos de Jesus. Já contei, mas não custa repetir que os meus filhos receberam graças maravilhosas da Virgem Maria. A Soraia foi curada da aversão que tinha pela música católica, a Thaís vive me escrevendo e contando as bênçãos que consegue através do terço, e o Alexandre leva uma vida saudável após duas tromboses!

Estou lembrando de muitos outros fatos que mereceriam ser relatados, mas o espaço que resta não é suficiente. Concluindo, posso afirmar que a Rainha da Paz transformou os corações de todos na família e não deixa que haja grandes desavenças entre nós. Acabaram as brigas e confusões no meu lar e vivemos em clima de oração.

Ah, esqueci de voltar a mencionar a impressionante cura na minha garganta – quando um nódulo desapareceu em três dias! Esta graça ficou registrada no belíssimo Devocionário de Nossa Senhora da Agonia – além de vários outros relatos de devotos espalhados pelo Brasil. Os CDs que gravamos também são grandes bênçãos e as pessoas que comentam comigo da alegria que sentem ao ler estes artigos fazem parte dos presentes que recebo de Maria Santíssima. Não dá para citar todos, mas tenho muita honra de ter como leitores vários sacerdotes. Quando elogiam algo que escrevo, penso: ‘Nossa Senhora fez em mim maravilhas!’.

Hoje vejo que Deus nos deu uma vida simples; nós é que a complicamos quando soltamos as mãos de nossa Mãe querida. Viva Nossa Senhora nessa pandemia e sempre!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 459 – 28 Março 2020

Vamos partir para o céu?

Lendo o título deste artigo, muita gente pode imaginar que o meu convite significa morrer logo, mas, o sentido é outro. Eu me refiro iniciarmos uma caminhada santa em busca da salvação e, assim, termos motivos para recomeçar após a pandemia; caso contrário, se nada mudar por amor a Deus, o que esperar de importante em 2020?

Mas, antes de continuar com esta reflexão, vamos à história de hoje:

Há muitos anos atrás, numa cidadezinha do interior, o povo se afastava cada vez mais da Igreja. As missas eram pouco frequentadas e quase ninguém procurava o padre para confissões, batizados e casamentos. Certa manhã, os sinos soaram forte anunciando o falecimento de alguém e, no alto-falante da Matriz, o sacerdote dizia: ‘Morreu nesta cidade um filho muito querido do Pai. O corpo encontra-se no salão paroquial, onde será velado’.

Os primeiros que lá chegaram, estranharam o caixão estar lacrado e não haver informações sobre o defunto. Isso fez com que mais pessoas permanecessem no velório até a hora do enterro. Veio, então, a ordem do vigário, autorizando o corpo partir para o cemitério.

Toda a cidade acompanhou o féretro pelas ruas e, assim que desceu ao túmulo, a tampa do caixão foi aberta. Uma enorme fila se formou para saber a identidade do falecido e começaram a passar ao lado da cova. Cada pessoa que olhava, via no interior do buraco o próprio rosto refletido no fundo espelhado do caixão vazio.

Atingidos no íntimo da alma, os moradores da cidade foram à Igreja pedir perdão a Deus e, daquele dia em diante, muita coisa mudou na vida daquelas pessoas: saíram do caminho da desgraça eterna e entenderam bem as palavras de Santo Agostinho: “Deus te criou sem precisar de ti, mas Ele não te salvará sem a tua vontade”.

Pois é, quem se convence disso, pode cantar com o ‘coração na boca’ esta linda melodia católica: ‘Senhor, quem entrará no Santuário (Céu) pra te louvar? Quem tem as mãos limpas e o coração puro; quem não é vaidoso e sabe amar’.

Na verdade, basta um pouquinho de fé no peito e meia hora por dia para renovarmos a nossa vida completamente. Por exemplo: a oração do Terço leva apenas 20 minutos; a leitura do Evangelho do dia não passa de 5 minutos; e só mais alguns minutinhos para rezarmos pelo Papa, pela Igreja, pelas famílias, pela paz no mundo, pelas almas, religiosos, missões, vocações, obras santas, pobres, desempregados, doentes, perseguidos, drogados, crianças e velhos abandonados, pecadores e pessoas sem fé, intenções e agradecimentos pessoais etc.

Contudo, quando o final de semana chegar, precisamos de um pouco mais de tempo para a missa dominical e para a caridade. O correto seria praticarmos a caridade diariamente também – principalmente por amor ao próximo –, mas, pensando exclusivamente em bens materiais, não devemos deixar a semana passar em branco – mesmo sem recursos financeiros. Frederico Ozanam e seus companheiros, quando fundaram a Sociedade de São Vicente de Paulo, não podendo socorrer os pobres com alimentos, levavam feixes de lenha para aquecê-los no inverno!

E o mesmo Ozanam, quando ainda era pouco fervoroso, um dia viu o professor Ampère ajoelhado dentro de uma igreja, em Paris. Espantou-se porque ali estava o maior gênio da Escola Politécnica e o descobridor da eletricidade dinâmica! E Ozanam pensou: ‘Se o notável André Marie Ampère, que descobriu uma das leis básicas do eletromagnetismo, não se sente diminuído ou envergonhado ao demonstrar a grandeza da sua fé, não vejo mais motivo para conservar o meu espírito envenenado pelo pecado!’.

Também é sempre bom lembrar que quando Jesus viveu de corpo presente aqui na Terra, pediu a Zaqueu que abrisse a sua casa, pediu um pouco de água fresca à samaritana, pediu um burrico para entrar em Jerusalém e uma sala para celebrar a Páscoa. Agora, em 2020, Ele pede a você que renove os seus valores e consiga mais tempo no seu dia para ajudá-Lo a construir o Reino – que também é nosso! Dá para negar este pedido?

Para nunca desanimar, lembre-se ainda que, na última ceia, quando São Judas Tadeu perguntou a Jesus por que se manifestaria a eles e não ao mundo, ouviu que a revelação de Deus está reservada a quem ama e observa sua Palavra. Portanto, quanto mais nos aproximamos d’Ele, mais graças nos são concedidas. E se podemos ser abençoados agora, por que deixar para depois?

Concluindo as minhas orientações para esses tempos difíceis, preste muita atenção nestas palavras quando rezar o Pai-nosso: “Seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu”. E a vontade de Deus é nos levar para o Céu! Como? Bem, isso Santo Agostinho já nos disse neste artigo, mas gostaria de acrescentar que prefiro partir logo daqui do que ver o meu rosto refletido no fundo da cova da história que contei.

Na Bíblia Sagrada, aparece 365 vezes a mensagem ‘não tema’! Então, crie coragem e grite bem alto no auge dessa pandemia: ‘Bendito seja Deus que nos reuniu no Amor de Cristo! Viva a Mãe de Deus e nossa!’.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 458 – 24 Março 2020

O cavalinho e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas de Deus que há muitos anos atrás viviam numa floresta distante. Na verdade, o cavalinho e a borboleta não tinham praticamente nada em comum, mas, em certo momento de suas vidas, se aproximaram e criaram um forte elo. Ela era livre e voava por todos os cantos enfeitando a paisagem; já o cavalinho, tinha grandes limitações porque alguém colocou nele um cabresto e, a partir daí, sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, embora tivesse a amizade de muitos outros animais, gostava de fazer companhia ao cavalinho. Agradava-lhe ficar ao lado dele e não era por pena, mas por companheirismo, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias ia visitá-lo e, lá chegando, levava primeiro um coice e, algum tempo depois, recebia um sorriso. Entre um e outro, ela optava por esquecer o coice e guardar o sorriso dentro do coração. O cavalinho estava sempre enfezado e insistia com a borboleta para ajudá-lo a carregar o seu pesado cabresto, contudo, ela dizia que não lhe era possível por ser uma criaturinha muito frágil.

Os anos se passaram e, numa manhã de verão, a borboleta não apareceu para visitar o companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto, porém, vieram outras manhãs e mais outras, até que o cavalinho sentiu-se muito só. Resolveu, então, ir procurar a amiga.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado, deitou-se debaixo de uma árvore e lá ficou até que um elefante se aproximou e lhe perguntou o que fazia ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou à procura de uma borboleta que sumiu.

- Ah, é você o famoso cavalinho? Eu tive uma grande amiga que dizia que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas, afinal, qual borboleta você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando os amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando! Você não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo. Dizia que conhecia um cavalinho, assim como você, e quando ia visitá-lo levava um coice. Sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só iria falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã; era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento, o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. E o elefante continuou:

- Sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas, entenda, foram tantos coices que ela recebeu do outro cavalinho que acabou perdendo as asinhas, ficou muito doente, triste e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: ‘Não perturbem o meu amigo com coisas pequenas, pois ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver: carrega no dorso um cabresto e está cansado demais para vir até aqui’.

Bem, terminada a história, eu diria que gosto mais de contar outras de finais felizes, mas, às vezes, é preciso falar de coisas tristes para mexer um pouco com a sensibilidade das pessoas. Sabemos que há milhares de cidadãos que melhoraram de comportamento entre uma e outra lágrima derramada, embora não precisasse ser assim.

E, antes de voltar a falar da história, preciso dizer que a mente humana grava e executa tudo o que lhe enviamos: palavras, pensamentos, atitudes positivas e negativas etc. Se permitirmos, essa ação sempre acontecerá, independente de trazer bons resultados para cada um de nós.

Para provar esta teoria, um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado em St. Louis, no estado de Missouri, onde existe a cadeira elétrica. Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após feito um pequeno corte em seu pulso – o suficiente para gotejar sangue até a gota final. Se o sangue coagulasse, seria libertado, caso contrário, morreria; porém, sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha, mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e que sua ação envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela quase sempre não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre o que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e guardar na mente os coices que lhe deram em algum momento da vida, mas, com o tempo, como aconteceu com a borboleta, as feridas não serão mais cicatrizadas. Quanto ao cabresto que tiver que carregar nessa pandemia, não culpe ninguém por isso, afinal, quando nos afastamos um pouco de Deus, nós mesmos o colocamos no dorso.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 457 – 15 Março 2020

A solução para o seu problema

Na mitologia grega, o gigante Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua casa e as colocava para dormir na cama de ferro, mas havia uma armadilha na hospitalidade: ele exigia que os visitantes coubessem com perfeição na cama. Se fossem muito baixos, ele os esticava; se fossem altos demais, cortava suas pernas!

Por mais estranho que isto possa parecer, será que não buscamos soluções ainda piores para os nossos problemas? E o que dizer das pessoas que tentam resolver questões embaraçosas forjando resultados rápidos e fantásticos? Por exemplo:

Certa mulher que acabou de perder o marido foi ao necrotério onde o corpo estava sendo preparado para o velório. Lá, viu que o falecido vestia um terno que não era dele e percebeu que o morto do caixão ao lado estava com a roupa do seu marido. Profundamente ofendida, chamou o responsável e, em meio a muitas lágrimas, apontou-lhe o erro. Assim que a senhora saiu, o gerente do necrotério gritou: ‘Pedrão, troque depressa as cabeças nos esquifes 2 e 3’.

Trata-se apenas de uma anedota de péssimo gosto? Pode ser, mas, insisto, já fizemos coisas piores na vida e muitos ainda o fazem! E se você ficou chocado(a) com estas histórias, lembre-se que a televisão nos mostra reportagens muito mais fortes, como: sequestros de bebês, espancamento de velhinhas, homens-bomba, assassinato dos próprios pais etc. Por que fatos como estes não param de acontecer?

Eu li um relato que serve de explicação para muita coisa que vem ocorrendo:

Uma operária regressava ao lar no final do trabalho noturno. Com a cabeça distante e perdida em problemas, caminhava pelas ruas escuras de seu bairro distante quando, de repente, foi tomada de assalto por um marginal. Assustada, mas incapaz de uma reação mais forte – talvez pelo cansaço do trabalho ou pelo cansaço da alma –, ouviu o rapaz dizer: ‘A bolsa ou a vida’. De pronto, ela respondeu: ‘Qualquer uma das duas, ambas estão vazias mesmo!’

Agora, eu pergunto: ‘É justo deixarmos que a nossa vida se torne tão vazia quanto uma bolsa sem dinheiro? O sentido sagrado da nossa existência não vale nada?’ Sinceramente, não sei qual foi a maior violência da história: o assalto ou a resposta da operária.

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus, caso contrário, tudo fica sem sentido e uma bolsa velha vale tanto quanto a própria vida! Se não tivermos fé e esperança na salvação, acabaremos concordando com as monstruosidades de Procusto ou com as trocas de cabeças na história do necrotério, não é mesmo?

Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”, mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos os seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o voo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto!

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que atiram-se obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Se você souber de alguém que está como um deles – cercado de problemas por todos os lados –, peça que olhe para cima! Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram: "Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33, 3).­

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 458 – 24 Março 2020

O cavalinho e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas de Deus que há muitos anos atrás viviam numa floresta distante. Na verdade, o cavalinho e a borboleta não tinham praticamente nada em comum, mas, em certo momento de suas vidas, se aproximaram e criaram um forte elo. Ela era livre e voava por todos os cantos enfeitando a paisagem; já o cavalinho, tinha grandes limitações porque alguém colocou nele um cabresto e, a partir daí, sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, embora tivesse a amizade de muitos outros animais, gostava de fazer companhia ao cavalinho. Agradava-lhe ficar ao lado dele e não era por pena, mas por companheirismo, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias ia visitá-lo e, lá chegando, levava primeiro um coice e, algum tempo depois, recebia um sorriso. Entre um e outro, ela optava por esquecer o coice e guardar o sorriso dentro do coração. O cavalinho estava sempre enfezado e insistia com a borboleta para ajudá-lo a carregar o seu pesado cabresto, contudo, ela dizia que não lhe era possível por ser uma criaturinha muito frágil.

Os anos se passaram e, numa manhã de verão, a borboleta não apareceu para visitar o companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto, porém, vieram outras manhãs e mais outras, até que o cavalinho sentiu-se muito só. Resolveu, então, ir procurar a amiga.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado, deitou-se debaixo de uma árvore e lá ficou até que um elefante se aproximou e lhe perguntou o que fazia ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou à procura de uma borboleta que sumiu.

- Ah, é você o famoso cavalinho? Eu tive uma grande amiga que dizia que também era sua amiga e falava muito bem de você. Mas, afinal, qual borboleta você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando os amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando! Você não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo. Dizia que conhecia um cavalinho, assim como você, e quando ia visitá-lo levava um coice. Sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só iria falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã; era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento, o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento. E o elefante continuou:

- Sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas, entenda, foram tantos coices que ela recebeu do outro cavalinho que acabou perdendo as asinhas, ficou muito doente, triste e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: ‘Não perturbem o meu amigo com coisas pequenas, pois ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver: carrega no dorso um cabresto e está cansado demais para vir até aqui’.

Bem, terminada a história, eu diria que gosto mais de contar outras de finais felizes, mas, às vezes, é preciso falar de coisas tristes para mexer um pouco com a sensibilidade das pessoas. Sabemos que há milhares de cidadãos que melhoraram de comportamento entre uma e outra lágrima derramada, embora não precisasse ser assim.

E, antes de voltar a falar da história, preciso dizer que a mente humana grava e executa tudo o que lhe enviamos: palavras, pensamentos, atitudes positivas e negativas etc. Se permitirmos, essa ação sempre acontecerá, independente de trazer bons resultados para cada um de nós.

Para provar esta teoria, um cientista dos Estados Unidos conseguiu um voluntário em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado em St. Louis, no estado de Missouri, onde existe a cadeira elétrica. Aceitando participar da experiência, ele seria libertado se sobrevivesse após feito um pequeno corte em seu pulso – o suficiente para gotejar sangue até a gota final. Se o sangue coagulasse, seria libertado, caso contrário, morreria; porém, sem dor.

Fizeram, então, o corte em seu pulso e disseram-lhe que ouviria o gotejamento na vasilha, mas, sem que ele soubesse, debaixo da cama havia um frasco de soro com uma pequena válvula e era o soro do frasco que gotejava.

Com o passar do tempo, o condenado foi perdendo a cor e teve uma parada cardíaca. Morreu sem ter perdido praticamente nenhum sangue; e o cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre tudo o que é aceito pelo homem – seja positivo ou negativo – e que sua ação envolve todo o organismo – quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Este fato é um alerta para filtrarmos o que enviamos à nossa mente, pois ela quase sempre não distingue o real da fantasia, o certo do errado. Simplesmente grava e cumpre o que acreditamos ser verdade.

Sabendo disso, hoje você até pode deixar de perdoar e guardar na mente os coices que lhe deram em algum momento da vida, mas, com o tempo, como aconteceu com a borboleta, as feridas não serão mais cicatrizadas. Quanto ao cabresto que tiver que carregar nessa pandemia, não culpe ninguém por isso, afinal, quando nos afastamos um pouco de Deus, nós mesmos o colocamos no dorso.

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Mensagem da Semana - Nº 457 – 15 Março 2020

A solução para o seu problema

Na mitologia grega, o gigante Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua casa e as colocava para dormir na cama de ferro, mas havia uma armadilha na hospitalidade: ele exigia que os visitantes coubessem com perfeição na cama. Se fossem muito baixos, ele os esticava; se fossem altos demais, cortava suas pernas!

Por mais estranho que isto possa parecer, será que não buscamos soluções ainda piores para os nossos problemas? E o que dizer das pessoas que tentam resolver questões embaraçosas forjando resultados rápidos e fantásticos? Por exemplo:

Certa mulher que acabou de perder o marido foi ao necrotério onde o corpo estava sendo preparado para o velório. Lá, viu que o falecido vestia um terno que não era dele e percebeu que o morto do caixão ao lado estava com a roupa do seu marido. Profundamente ofendida, chamou o responsável e, em meio a muitas lágrimas, apontou-lhe o erro. Assim que a senhora saiu, o gerente do necrotério gritou: ‘Pedrão, troque depressa as cabeças nos esquifes 2 e 3’.

Trata-se apenas de uma anedota de péssimo gosto? Pode ser, mas, insisto, já fizemos coisas piores na vida e muitos ainda o fazem! E se você ficou chocado(a) com estas histórias, lembre-se que a televisão nos mostra reportagens muito mais fortes, como: sequestros de bebês, espancamento de velhinhas, homens-bomba, assassinato dos próprios pais etc. Por que fatos como estes não param de acontecer?

Eu li um relato que serve de explicação para muita coisa que vem ocorrendo:

Uma operária regressava ao lar no final do trabalho noturno. Com a cabeça distante e perdida em problemas, caminhava pelas ruas escuras de seu bairro distante quando, de repente, foi tomada de assalto por um marginal. Assustada, mas incapaz de uma reação mais forte – talvez pelo cansaço do trabalho ou pelo cansaço da alma –, ouviu o rapaz dizer: ‘A bolsa ou a vida’. De pronto, ela respondeu: ‘Qualquer uma das duas, ambas estão vazias mesmo!’

Agora, eu pergunto: ‘É justo deixarmos que a nossa vida se torne tão vazia quanto uma bolsa sem dinheiro? O sentido sagrado da nossa existência não vale nada?’ Sinceramente, não sei qual foi a maior violência da história: o assalto ou a resposta da operária.

Da maneira que a sobrevivência se apresenta injusta e sofrida pra tanta gente neste mundo, é preciso arranjar tempo para se aproximar de Deus, caso contrário, tudo fica sem sentido e uma bolsa velha vale tanto quanto a própria vida! Se não tivermos fé e esperança na salvação, acabaremos concordando com as monstruosidades de Procusto ou com as trocas de cabeças na história do necrotério, não é mesmo?

Santo Agostinho dizia: “A oração sobe e a misericórdia desce”, mas é preciso rezar com fé e diariamente! Muita gente diz que não é atendido nos pedidos que faz ao Céu, mas só reza nas horas de aperto, ou reza sem convicção, ou está manchado de pecados e não se confessa, ou pouco faz para merecer a graça.

Portanto, há soluções para todos os nossos problemas sim, porque o nosso Pai não nos colocou na Terra para nos castigar. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós que, logicamente, se completará no Céu, desde que obedeçamos os seus Mandamentos. Nada mais justo, já que nós, pais, também fazemos o mesmo com nossos filhos: se nos obedecem, nos alegramos e caminhamos lado a lado; se desobedecem, os repreendemos e procuramos mostrar-lhes o caminho do bem – para que não sofram mais tarde.

Se você concorda que é muito mais fácil preencher um coração com a Palavra do Senhor do que encher uma bolsa com dinheiro, concordará também que tudo pode ser resolvido com paciência, amor e confiança na oração, pois, para Deus, nada é impossível!

E se me disser que acha difícil falar das maravilhas do Evangelho para um irmão sofrido, eu diria que a sua ‘bolsa’ nunca esteve vazia o suficiente para sentir o que ele está sentindo. Ou será que a nossa condição privilegiada de animal racional serve pra tudo na vida, menos para evangelizar?

Você sabia que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado, aberto apenas na parte de cima, apesar de sua habilidade para o voo, o pássaro será um prisioneiro? A razão é que um falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá prisioneiro pelo resto da vida na pequena cadeia sem teto!

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado num piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair num pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de fugir onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto jogar-se contra o fundo do vidro.

Não podemos ser como o falcão, o morcego e o zangão, que atiram-se obstinadamente contra os obstáculos sem perceber que a saída está logo acima. Se você souber de alguém que está como um deles – cercado de problemas por todos os lados –, peça que olhe para cima! Deus é a solução de todos os problemas e nunca deixa de responder àqueles que O procuram: "Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33, 3).­

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 456 – 9 Março 2020

A perfeita alegria

Não acho possível ser feliz estando afastado de Deus; portanto, a verdadeira alegria só poderá ser alcançada com oração. Consciente disso, logo que levanto, me benzo com água benta, rezo a Consagração à Nossa Senhora e mais quatro orações de proteção pessoal – na certeza que as forças do mal não me tentarão naquele dia. São elas:

1. Pelo sinal da Santa Cruz (fazendo o sinal da cruz na testa, na boca e no peito): “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos e de todos os perigos e pecados. Amém”.

2. Oração a São Miguel Arcanjo: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe, Deus, instantemente o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo Divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas – que permaneçam aos pés da Cruz de Jesus. Assim seja”.

3. Levanta-se Deus: “Levanta-se Deus, intercedendo a bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e toda a milícia celeste, e sejam dispersos os Seus inimigos e fujam de Sua face todos os que os odeiam. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

4. Oração ao Santo Anjo da Guarda: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine e me traga a paz. Amém”.

Quem conhece estas orações, percebe que acrescentei umas palavras a mais, mas já me acostumei com elas assim e nem sei exatamente como eram antes. O importante é que sejam rezadas com o coração e muita confiança em cada frase pronunciada. Rezo ainda muitas outras orações e jaculatórias toda manhã, além de invocar santos e beatos; porém, como disse, começo por estas quatro de proteção pessoal.

Isso já seria o suficiente para alcançar a perfeita alegria em cada dia? Logicamente que não, mas é um bom começo. Ficam faltando: as obras de caridade, a oração do Terço, a Santa Missa, a reflexão na Sagrada Escritura, muita paciência em casa, amor ao próximo a todo momento e estar sempre disposto a multiplicar os talentos. Confesso que não pratico tudo todos os dias, mas, na semana, não fica faltando nada – graças ao bom Deus!

E a paz que sinto quando o domingo termina não tem preço. Isto sim, para mim, é uma verdadeira alegria! O dever cumprido para com Deus, para com a Igreja e para com os irmãos, me dá a certeza que consegui vencer as tentações do mundo e enviei um tijolo a mais para o Céu, como nesta história:

Um empresário faleceu e, no Paraíso, o anjo guardião foi mostrando-lhe as diversas moradias. Passando por uma linda casa, o homem perguntou: ‘Quem mora aí?’. O anjo respondeu: ‘É aquele seu motorista que morreu no ano passado’. A seguir, surgiu outra casa ainda mais bonita. ‘E aqui, quem mora?’ – perguntou o senhor. O anjo explicou: ‘Aqui é a casa da Rosalina, aquela cozinheira que você despediu sem justa causa’. Então, o homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser, no mínimo, um palácio! Estava ansioso por vê-la.

Nisso, o anjo parou diante de um barraco de tábuas velhas e disse: ‘Esta é a sua casa’. O empresário falou indignado: ‘Como é possível? Vocês poderiam ter feito coisa muito melhor pra mim!’. ‘Poderíamos – respondeu o anjo –, mas construímos de acordo com o material que você nos enviou lá de baixo!’.

Pois é, apesar de ser apenas uma história, é mais ou menos isso que acontece quando morremos; portanto, é bom sempre fazermos um balanço das nossas obras. Veja o que São Francisco disse quando questionado sobre isso:

Francisco e Leão caminhavam sobre a neve, quando Frei Leão perguntou: ‘Pai Francisco, o que é a perfeita alegria?’ E o Santo respondeu:

– Se, ao chegarmos ao nosso convento, batermos depressa esperando entrar e o porteiro, ao invés de abrir, põe-se a falar: ‘Quem sois vós que nesta hora nos incomodais?’ Responderemos: ‘Somos teus irmãos, Frei Leão e Francisco’. Se o porteiro disser que é mentira e se diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a paz, isto é a perfeita alegria. Mas, se ainda insistirmos e o porteiro sair empunhando um bastão e bater em você e muito mais em mim, nos deixando no chão a chorar, e se entendermos que este abandono imita Jesus, isto é a perfeita alegria’.

E agora, dá pra dizer que já experimentamos momentos de alegria perfeita?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 455 –  2 Março 2020

Os cuidados com a língua

Recebi uma mensagem comentando os cuidados que devemos ter com a comunicação verbal e, o autor, apresentava este fato:

Num posto de gasolina, um cliente encheu o tanque e se esqueceu de assinar o cheque. O frentista disse para o colega que estava entrando no turno de trabalho: ‘Amigo, o cheque daquele médico da esquina está com problema. Mostre a ele se vier ao posto’.

O segundo frentista também passou a mensagem ao próximo: ‘O Dr. Antônio deu um cheque sem fundo. Se ele aparecer, faça-o pagar o prejuízo em dinheiro’. E a má comunicação prosseguiu até esta última versão: ‘Estou sabendo que o doutorzinho é traficante! Se ele pintar aqui, chame a polícia e, lembre-se, ele é muito perigoso! Tá sendo procurado como Toninho do Pó’.

Parece um absurdo, não? Mas, coisas assim acontecem a toda hora, pois a língua pode causar estragos irreparáveis. Até Jesus foi vítima dos caluniadores! E, falando de comunicação, há dois fatos nos Evangelhos que merecem ser lembrados; o primeiro, relata uma cilada que prepararam para o Mestre:

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’

Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!’ Trouxeram-lhe então a moeda e Jesus disse: ‘De quem é a figura e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César’. Jesus então lhes disse: ‘Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.” (Mt 22, 15-21)

Como se vê, a pergunta feita a Jesus era de extrema gravidade, pois envolvia um dilema, do qual acreditavam que Ele não poderia sair: se dissesse que não deviam pagar o imposto, acusá-lo-íam a Pôncio Pilatos; se dissesse que devia ser pago, desagradaria o povo de Israel. A questão era embaraçosa de todos os pontos de vista, mas a sabedoria Divina na resposta desconcertou os fariseus – que nem ao menos replicaram.

No segundo fato bíblico que vou citar, a pergunta capciosa foi apresentada a propósito por Jesus:

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da lei e aos fariseus: ‘A lei permite curar em dia de sábado ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso.” (Lc 14, 1-6)

Portanto, ler diariamente um trecho da Sagrada Escritura é importante, mas isto pouco adianta àquele que não vive o seu conteúdo de coração aberto. Seguir Jesus é usar de muita sabedoria na observância da Lei, procurando sempre promover a vida plena e eterna para todos. Quem tem em mente a prática do bem e caminha em comunhão com o Espírito Santo, não se torna escravo da hipocrisia religiosa.

Alguns fariseus foram exemplos de que Deus não escolhe os mais capacitados para servi-Lo, mas capacita os escolhidos. E, ainda hoje, os escolhidos são aqueles que respondem sim ao chamado e se oferecem para servir com humildade. Até quando estamos cansados e desencorajados por esforços que não deram frutos, Deus sabe o quanto tentamos e só Ele pode nos recompensar – até com a santidade! João Paulo II, disse: “O Brasil precisa de santos!”.

Optar pela santidade é estar disposto a enfrentar com fé as tribulações para receber o prêmio da salvação. Vivendo o Evangelho em nossa vida, muitos outros também são chamados a se aproximarem mais de Deus e escolherem entre os prazeres humanos – que são passageiros – ou a vida eterna.

Concluindo todo este raciocínio, você pode pensar: ‘Eu não sou tão maldoso(a) como aqueles frentistas do posto, também não sou tão preciso(a) e sábio(a) nas respostas como Jesus; então, como adequar a minha comunicação para agradar a Deus?’ Procure obter a resposta lendo esta história:

Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para interpretar seu sonho e ouviu dele: ‘Que desgraça, senhor! Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade’. O sultão, furioso, gritou: ‘Mas, que insolente! Como ousa dizer-me isso? Fora daqui!’

Mandou, então, que trouxessem outro adivinho e também lhe contou o sonho. Este, após ouvi-lo com atenção, disse-lhe: ‘Senhor, grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes’. A fisionomia do sultão iluminou-se num imenso sorriso e, imediatamente, presenteou o súdito com cem moedas de ouro.

Quando o adivinho saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado: ‘A sua interpretação foi a mesma do seu colega! Por que somente você recebeu cem moedas de ouro?’. Respondeu o visitante: ‘É que tudo depende da maneira que se fala! A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa: se a lançarmos no rosto de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta, mas, se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade’.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 454 – 25 Fevereiro 2020

Os bons amigos de cada época

Uma senhora estava molhando o jardim de sua casa quando foi interpelada por um garotinho de 9 anos, dizendo:

- Dona, tem pão velho?

- Se está com fome, posso dar um jeito. Onde você mora?

- Depois do zoológico.

- Bem longe daqui, hein? Você está na escola?

- Não. Minha mãe não tem dinheiro para comprar material.

- E seu pai, mora com vocês?

- Já faz tempo que ele sumiu!

- Antes do pão, quero que você me conte um pouco de sua vida, de seus irmãos...

E o papo prosseguiu. A bondosa senhora jogou água nos pés do menino, deu-lhe uma toalha para se enxugar e sentou-se alguns minutos ao seu lado. Depois, disse-lhe sorrindo:

- Vou buscar alimento. Serve pão novo?

- Não precisa, não. A senhora já conversou bastante comigo, isso é suficiente. Vou andando e volto amanhã. A que horas a senhora estará aguando estas plantas novamente?

A resposta caiu como um raio. Ela teve a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança sem sonhos, sem comida, sem escola e tão necessitada de uma conversa amiga. Deu-lhe um abraço e pediu que voltasse no dia seguinte, às nove da manhã, para tomarem café juntos.

Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor, não? Por acaso, você já ouviu isto de alguém: ‘Não preciso de mais nada hoje. Já conversou bastante comigo, isso é suficiente’? Há quanto tempo você sabe que os pobres só ganham pão velho? Apenas o ‘pão de amor’ não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: "Eu sou o pão da vida!"

Bem, voltando à história, assim que o menino pobre veio para tomar café, a senhora contou-lhe um pouco de sua própria vida, assim:

“Quando eu era muito jovem, minha mãe me perguntou qual era a parte mais importante do corpo. Eu achava que o som era muito importante para nós, seres humanos, então eu disse: ‘As orelhas, mãe’. Ela discordou: ‘Não, muitas pessoas são surdas. Mas, continue pensando sobre este assunto que em outra oportunidade eu volto a lhe perguntar’.

“Algum tempo se passou até que minha mãe me questionou outra vez sobre aquilo. Desde que fiz minha primeira tentativa, eu imaginava ter encontrado a resposta correta, assim, dessa vez eu lhe disse: ‘Mãe, a visão é muito importante para todos, então, devem ser os olhos’. Ela falou: ‘Você está aprendendo rápido, mas a resposta ainda não está correta porque há muitas pessoas que são cegas’.

“Pensei: ‘Dei mancada novamente!’ Continuei minha busca ao longo do tempo, minha mãe me perguntou em várias outras oportunidades e, sempre que eu opinava, sua resposta era a mesma: ‘Não, mas você está ficando mais esperto a cada ano’.

“Então, um dia, meu avô morreu. Todos choravam. Até mesmo meu pai chorou! Eu me recordo bem porque tinha sido apenas a segunda vez que eu o via chorar. Quando fui dar o meu adeus final ao vovô, minha mãe olhou para mim e me perguntou: ‘Você já sabe qual a parte do corpo mais importante?’ Eu fiquei meio chocado por ela me fazer aquela pergunta naquele momento! Eu sempre achei que era apenas um jogo entre ela e eu.

“Observando que eu estava confusa, ela me disse: ‘Esta pergunta mostra como você viveu realmente a sua vida. Para cada parte do corpo que você citou no passado, eu lhe disse que estava errada e lhe dei um exemplo que justificava. Hoje é o dia que você necessita aprender esta importante lição’.

“Então, ela me olhou de um jeito que somente uma mãe pode fazer. Eu vi lágrimas em seus olhos quando disse: ‘Minha querida, a parte do corpo mais importante é o seu ombro’. Eu estranhei e lhe perguntei: ‘Porque eles sustentam minha cabeça?’ Ela respondeu: ‘Não, é porque pode apoiar a cabeça de um amigo ou de alguém muito amado que chora. Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento da vida! Eu espero que você tenha bastante amor, amigos e que tenha sempre um ombro para chorarem quando precisarem’.

“Então, eu descobri que a parte do corpo mais importante não é indiferente à dor dos outros. Portanto, meu querido amiguinho, nunca se esqueça disso: ‘As pessoas se esquecerão do que você disse, se esquecerão de muita coisa que você fez, mas nunca se esquecerão de como você as amparou’. Os bons amigos são como estrelas: você nem sempre as vê, mas sabe que sempre estão lá.”

Agora, leitor(a), reflita comigo:

Não é verdade que, no jardim da infância, a ideia de um bom amigo era a pessoa que segurava a sua mão quando passavam por lugares que davam medo? No primário, o grande amigo não era a pessoa que dividia o lanche quando você esquecia o seu? E no ginásio, o bom amigo não era aquele que ajudava a enfrentar o fortão da escola? Os critérios vão mudando...

Talvez, hoje, sua ideia de um bom amigo seja a pessoa que lhe passa confiança, desfaz planos para arranjar tempo para você, ajuda a consertar seus erros, sorri quando você está triste e, acima de tudo, ama você de verdade! Tudo isso se resume no ‘ombro amigo’, certo?

Portanto, entre seus amigos, coloque sempre em primeiro lugar aquele que lhe dá ‘pão novo’... aquele que lhe oferece os dois ombros... aquele que lhe entrega o coração... aquele que se faz pobre à sua porta... Jesus Cristo! Quem o conhece, não o troca por outros jamais.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 453 – 16 Fevereiro 2020

Quando a fé prevalece

O Antigo Testamento diz que a fidelidade a Deus dá vida ao homem: "... porque eu sou o Senhor que te cura" (Êx 15, 26). Também nos Evangelhos, apesar dos muitos milagres de cura citados, Jesus deixou bem claro: “Quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). Portanto, quem não colocar em prática o dom da fé que recebeu no batismo, corre o risco de desanimar e deixar de receber a graça.

Até Madre Teresa de Calcutá acreditou que Deus a havia abandonado, chegando a duvidar de Sua existência. Em 1959, fazendo referência a um estado de trevas interiores, a missionária escreveu a seu diretor espiritual: "Na minha alma, sinto uma terrível sensação de perda. Deus não me quer, Deus poderia não ser Deus, poderia não existir".

Mas, perseverando com fé nas suas provações, na década de 70 também escreveu isto: "Sem sofrimento, o nosso trabalho poderia ser apenas um serviço social. Toda a desolação dos pobres deve ser resgatada e nós devemos tomá-la um pouco sobre os nossos ombros".

Pois é, sabemos que a graça de Deus está em toda parte, mas Ele quer a nossa colaboração para concedê-la. Muitas vezes, quem menos espera alcançá-la, fica completamente estarrecido com tamanha maravilha, como ocorreu nesta história real – divulgada no site da Canção Nova:

Um sacerdote de Nova Iorque se dispôs a rezar numa das paróquias de Roma quando, ao entrar, encontrou um mendigo e percebeu que era um companheiro de seminário – ordenado padre no mesmo dia que ele. Depois de identificar-se, escutou do mendigo como havia perdido a fé e a vocação. Ficou profundamente chocado.

No dia seguinte, o sacerdote americano teve a oportunidade de assistir a missa privada do Papa. Ajoelhou-se diante dele, pediu que rezasse por seu companheiro de seminário e descreveu brevemente a situação. Um dia depois, recebeu o convite para almoçar com o Santo Padre e levar o referido homem.

Após o almoço, o Pontífice solicitou ao sacerdote que os deixasse a sós e pediu ao mendigo que escutasse sua confissão. O homem, impressionado, respondeu que já não era sacerdote, mas, o Papa disse-lhe: "Uma vez sacerdote, sacerdote sempre". Insistiu o mendigo: "Porém, estou fora de minhas faculdades de presbítero!". Explicou-lhe, então, o Papa: "Eu sou o bispo de Roma e posso encarregar-me disso".

O homem escutou a confissão do Santo Padre e lhe pediu que também escutasse a sua. Depois disso, chorou amargamente. Ao final, João Paulo II lhe perguntou em que paróquia estava mendigando, o designou assistente do pároco e encarregado da atenção aos mendigos.

Alguém imaginaria isto? Portanto, para evitarmos descrenças malignas, não podemos deixar de praticar a fé em todas as oportunidades que Deus nos permitir. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 452 – 6 Fevereiro 2020

Cinco lições de vida

Primeira lição: ‘Tudo passará’.

Pressentindo a chegada da morte, um rei chamou o filho que o sucederia no trono, tirou do dedo um anel e, entregando a ele, disse: ‘Meu filho, durante toda a sua vida, tenha sempre consigo este anel. Quando estiver vivendo situações extremas de glória ou de dor, leia o que há escrito nele’.

Em breve, o filho começou a reinar. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho e iniciou-se uma terrível guerra. O jovem, à frente do seu exército, partiu para enfrentar o inimigo e, no auge da batalha, vendo seus companheiros morrendo, lembrou-se do anel. Tirou-o e leu a inscrição: ‘Isto também passará’.

Ele perdeu algumas batalhas, venceu outras, mas, no final, saiu vitorioso. Retornou, então, ao seu reino e, coberto de glória, entrou em triunfo na cidade. Naquele momento, se lembrou novamente do seu querido pai. Tirou o anel e leu: ‘Isto também passará’

E, assim, durante toda a vida, o jovem rei guardou consigo o ensinamento que as coisas na Terra passam: os dias de dificuldades passarão; as lágrimas também passarão; a saudade do ser querido que morreu, passará; as glórias que nos fazem achar melhores que os outros, igualmente passarão.

Segunda lição: ‘Amando o próximo para aconselhar’.

Contam que uma mãe trouxe seu filho a um conselheiro e lhe implorou: ‘Por favor, faça o meu filho parar de chupar balas. A obesidade está lhe prejudicando!’ O homem fez uma pausa e disse: ‘Traga seu filho de volta em duas semanas’. Confusa, a mulher agradeceu e prometeu voltar.

Duas semanas mais tarde, ela retornou com o filho. O conselheiro olhou o jovem nos olhos e disse-lhe com autoridade: ‘Pare de chupar balas’. Inconformada, a mulher perguntou: ‘Por que o senhor me pediu para trazê-lo hoje se poderia ter dito isso a ele antes?’ E o sábio homem respondeu: ‘Antes, eu também chupava balas’.

A mãe passou a confiar mais naquele homem e aprendeu a desconfiar das pessoas que ‘vendem conselhos’ e nunca os praticam.

Terceira lição: ‘Somos todos iguais’.

Certa vez, Felipe II, rei católico da Espanha, passeava no jardim do palácio quando sua filhinha chegou reclamando que tinha apanhado da babá. O pai, chateado, chamou a criada e lhe disse: ‘Não sabeis que ela é uma princesa, filha do vosso rei?’ E a criadinha lhe respondeu: ‘E vossa majestade até hoje não sabeis que eu sou filha do vosso Deus?’ O rei ficou pensativo e, a partir daquele dia, passou a tratar a babá com mais respeito.

Quarta lição: ‘Com paciência se vai longe’.

Havia um jornaleiro que vivia mal humorado, não gostava do que fazia e sempre se irritava quando as pessoas perguntavam sobre algum jornal. Um dia, uma jovem conhecida se aproximou com a amiga, começaram a mexer nas revistas e logo veio a bronca:

- Já não bastava uma, agora são duas?

A amiga, vendo o comportamento do homem, perguntou à jovem:

- Este jornaleiro é sempre mal educado ou é só hoje?

- Ora, este é o jeito dele, cada um é como é.

- O cara lhe trata mal assim todos os dias e você continua tratando-o bem?

- Sabe, minha avó sempre dizia que debaixo da casca grossa existe uma pessoa que deseja ser amada!

- Então, quer dizer que se uma pessoa lhe maltrata e ofende, você fica numa boa?

- Bem, se a pessoa está mal humorada, deve ter lá seus problemas. Eu não posso é deixar que ela decida como eu devo ser, afinal, cada um é responsável pela sua felicidade e não pode se influenciar pelo mal humor dos outros.

- É, você tem umas ideias malucas, mas, pensando bem, acho que tem razão, pois pessoas felizes não aceitam provocações.

- É, vovó também dizia: ‘Gente feliz não torra a paciência de ninguém’.

Quinta lição: ‘Só a verdade frutifica’.

Um réu estava sendo julgado por assassinato na Inglaterra. Eram fortes as evidências sobre a sua culpa, mas o cadáver não havia sido encontrado. Quase no final da sua sustentação oral, o advogado recorreu a um truque: ‘Senhoras e senhores do júri, eu tenho uma surpresa para vocês! Dentro de um minuto, a pessoa presumivelmente assassinada neste caso vai entrar neste tribunal’. E apontou para a porta.

Os jurados, ansiosos, também ficaram atentamente olhando até que um minuto se passasse. Nada aconteceu e o advogado, então, completou: ‘Todos vocês olharam com expectativa, portanto, ficou claro que ainda têm dúvidas se alguém realmente foi morto, não?’

Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final. Minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto: ‘Culpado!’ O advogado reagiu: ‘Como culpado? Vocês estavam em dúvida! Eu vi todos olharem fixamente para a porta!’ E o juiz esclareceu: ‘Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente’.

Pois é, são lições que deixam no espírito muitas experiências de vida. Eleve agora o seu pensamento a Deus, agradeça mais esta oportunidade de estar lendo este texto e guarde no coração a certeza de que não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe. Tudo passa.

Assim, façamos sempre o melhor que pudermos, com perseverança e confiança na graça Divina, aproveitando cada minuto para amar o próximo – tendo paciência e mostrando-lhe o caminho da verdade. Todas as coisas devem ser muito bem cuidadas, desde as simples até as mais importantes, para superarmos as dificuldades com lições de dignidade cristã. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 451 – 28 Janeiro 2020

 

O preço das nossas escolhas

 

No filme ‘Crimes e Pecados’, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Concordo que, se não aceitarmos os chamados de Deus, colheremos o que plantamos e o destino nada tem a ver com isso.

 

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outras e, de opção em opção, vamos escrevendo as histórias de nossas vidas. Não é tarefa fácil, pois no momento em que alguém escolhe ser médico, por exemplo, está fechando as portas das outras profissões para sempre; mas, não se pode ter tudo, não é mesmo?

 

No amor, acontece a mesma coisa: namora-se um, outro, até que chega o momento em que é preciso decidir com quem se casar e como estruturar uma família, assumindo a responsabilidade de conduzi-la nos caminhos da fé e do amor.

 

Todas as decisões têm seus prós e contras: morar ou não na cidade; ter muitos ou poucos filhos; comer de tudo ou ser vegetariano; enfim, a maioria das alternativas é válida, mas há um preço a pagar por elas!

 

Muita gente gostaria de ser uma pessoa diferente a cada ano só para deixar as experiências ruins para trás e recomeçar, tipo: ser solteiro novamente; não ter mais filhos para cuidar; zerar as contas a pagar etc. Como nada disso é possível para quem tem caráter, nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, concorda?

 

É lógico que devemos reavaliar decisões e trocar de caminho – ninguém é o mesmo para sempre –, mas as mudanças devem acrescentar algo positivo para o futuro e não apenas anular as experiências vividas. A estrada da vida é longa, o tempo é curto e quanto menos errarmos, melhor.

 

Bem, caso isto tudo tenha ficado bem claro e você concordado comigo, vamos refletir agora em como melhorar as nossas decisões. Partindo da célebre frase de Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo do que mudar um hábito”, sem dúvida, antes estar sempre no caminho certo do que tentar correr atrás do prejuízo.

 

Portanto, as nossas decisões só nos colocarão numa trilha abençoada se forem tomadas com oração. Rezando, reduzimos as possibilidades de alguma coisa dar errada e, assim, ganhamos o respeito de muitos e a confiança necessária para fugirmos dos pecados. Quanto mais isto tudo acontecer – orar e tomar decisões que nos aproximem de Deus –, mais bonita será a nossa ‘história de hábitos’ quando partirmos para o Céu.

 

Eu me recordo com carinho de minha nona Sebastiana – mãe de meu pai e minha madrinha de batismo. Desde que eu era pequeno, ela tinha verdadeira paixão por mim e eu por ela. Em 1983, quando tive trombose, ela me visitou todos os dias no hospital de Monte Sião. Quando pude andar novamente e fui até a casa dela, ela chorou como criança ao me ver de pé. Falava comigo com sotaque italiano que me emociono só de lembrar.

 

Quando faleceu, em 1989, os filhos, noras e netos ficaram com os seus pertences – e não eram poucos! Ela guardava bonitos jogos de crochê, tinha relógios antigos e uma cristaleira cheia de peças vistosas. Todos pegaram alguma coisa, mas eu, quando soube da ‘partilha’, já não restava mais nada e não vi a ‘minha parte’.

 

Um ano depois, a casa foi vendida. Passaram-se mais alguns meses e eu me lembrei que a nona tinha uma imagem de São Sebastião num oratório pregado na parede do tanque de lavar. Conversando com a minha mãe, perguntei quem havia ficado com aquela imagem e ela me disse que não sabia. Fui até lá, perguntei à senhora proprietária a respeito e ela respondeu: “Tem sim uma imagem de santo lá no quintal. Se quiser, pode levar”. Eu nem pude acreditar que aquilo era verdade.

 

Hoje, no oratório com mais de vinte santos que tenho no quarto, a imagem de São Sebastião é a mais antiga e, segundo muitas pessoas que viram, é também a mais bonita – tem mais de 40 anos! Com certeza, a nona intercedeu a Deus para que ela fosse minha e eu rezo diante dela todas as manhãs.

 

Pois bem, embora com pouca cultura, minha nona sempre tomou decisões certas na vida: rezava demais; batalhou com dignidade para o sustento da família – quando foi rica e quando ficou pobre; sempre praticou a caridade; esbanjou amor e obediência ao nono; e nunca caiu em tentação de pecados mortais. Se não fosse assim, eu estaria agora contando passagens de sua vida? Eu teria o presente que ela me deixou? Ela chegaria ao final da ‘estrada’ que, com a ajuda de Deus, escolheu?

 

Tenho fé que vou encontrá-la no Céu e dar-lhe os parabéns pelas belas escolhas que fez. Quero dizer-lhe também que, mesmo após a sua morte, todos aplaudiram as decisões que tomou, baseadas em honestidade e confiança no Senhor. E espero contar-lhe ainda que meu pai aprendeu muitas virtudes com ela, me criou com o seu exemplo de homem temente a Deus e, eu, procurei orientar os meus filhos a seguirem pelo mesmo caminho.

 

Acredito que ela ficará contente ao ouvir isto, embora já deva até estar sabendo! Ela acreditou que tudo pode ser mudado pela oração e nunca confiou que o nosso destino já está traçado. Deus tem uma linda missão para cada um de nós, nos dá muitos dons para trilharmos nos bons caminhos e sempre nos chama à conversão. Uns aceitam o Seu chamado de amor, outros só O escutam na dor e, alguns, decidem caminhar sozinhos.

 

Olhe ao seu redor... Quanta gente quer lhe dar a mão ou precisa da sua ajuda para se levantar! Faça o que Jesus Cristo faria se estivesse no seu lugar ou explique a sua escolha a Ele. Cada um receberá o ‘prêmio’ da sua decisão.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 450 – 23 Janeiro 2020

 

Andamos sempre na contramão?

 

Um dia, um cristão levantou-se mais cedo para assistir o amanhecer. A beleza da criação Divina estava além de qualquer descrição e, enquanto contemplava, louvou o Criador pelo Seu esplêndido trabalho. Naquele momento, Deus falou com ele:

 

- Você me ama?

 

- É claro que sim, meu Salvador!

 

- Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim me amaria?

 

- Seria difícil, Senhor, mas eu ainda Te amaria.

 

- Se você fosse cego, amaria minha criação?

 

- Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de ver? É estranho pensar nisso, mas, acredito que eu amaria só de ouvir falar.

 

- Caso você fosse surdo, ainda ouviria a minha Palavra?

 

- Como poderia ouvir algo sendo surdo? Mas, pensando bem, ouvir a Palavra não é simplesmente usando os ouvidos e sim o coração. Bem, embora também fosse difícil, eu ainda ouviria a Tua Palavra, Senhor.

 

- E se fosse mudo, ainda louvaria meu Nome?

 

- Se permitisses que eu cantasse com a alma, eu louvaria Teu Nome.

 

- Então, você realmente me ama!

 

- Sim, Senhor, eu Te amo como meu único e verdadeiro Deus!

 

- Então, por que peca?

 

- Porque sou apenas um humano, não sou perfeito!

 

- Mas, quando está com problemas, você procura ser perfeito e reza com fervor, canta nos retiros, me busca nas horas de adoração... Por que então, nesta semana, você não está espalhando as boas novas? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em meu Nome? Você é muito abençoado e eu não lhe fiz para que jogasse sua vida fora. Eu o abençoei com talentos para me servir, mas, você continua pecando! Será que você realmente me ama?

 

- Por favor, perdoa-me, Senhor. Eu não sou digno de ser Teu filho.

 

- Esta é a minha graça, filho: eu nunca o abandonarei. Quando você chorar, eu terei compaixão e chorarei com você. Quando cair, vou levantá-lo. Quando estiver cansado, eu o carregarei. Estarei com você até o final dos tempos e o amarei para sempre.

 

- Como pude ter sido tão fraco, Senhor? Como posso não esquecer o quanto me amas?

 

Então, Jesus esticou Seus braços e mostrou-lhe as mãos com dois enormes buracos sangrentos. Logo, o filho pecador curvou-se aos Seus pés e, chorando, O adorou verdadeiramente...

 

Pois é, há coisas na vida que nunca esquecemos e, outras, muito mais importantes, que só lembramos quando alguém nos sacode. Normalmente andamos na contramão da estrada que nos leva ao Céu. Nessa caminhada, não ouvimos o chamado de Deus à conversão, não damos a mão ao irmão necessitado e nos deixamos levar pelo egoísmo, vaidade e ambição.

 

A cada passo dado na contramão, a nossa carga de pecados fica ainda mais pesada e mais nos distanciamos da graça de Deus. Infelizmente, isso continua acontecendo com a maioria das pessoas! Mas, considerando a grande dose de inteligência que somos dotados e o dom da fé que recebemos no batismo, por que demoramos tanto para dar meia-volta e correr para os braços do Pai? Se Deus falasse com cada um de nós – como na história que contei –, nos converteríamos mais depressa, concorda?

 

Mas, depois de tudo que Jesus sofreu e diante de tantos milagres que acontecem a todo momento, seria um absurdo exigir ouvir a voz do Senhor ecoando alta e clara em nossos ouvidos – da mesma forma que ocorreu na história. Quem busca, a ouve diariamente na Missa, na Bíblia e nas palavras do pobre que clama por socorro, contudo, como colocar isso na cabeça daquele que não tem fé? O que podemos fazer é mostrar-lhe que não somos capazes de enquadrar os mistérios de Deus nos estreitos limites da razão humana e, ainda, afirmar que a Santíssima Trindade está infinitamente acima da nossa capacidade de compreensão.

 

São Paulo dizia aos romanos que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28) e, para quem tem fé, isto é suficiente para confiar na providência Divina. Portanto, o Senhor sabe aproveitar os acontecimentos da nossa vida para o nosso próprio bem. Aceitar esta verdade é ter fé e saber abandonar-se nas mãos de Jesus.

 

Todos os santos chegaram ao Céu pelo martírio ou pela perseverança na oração, e não será andando na contramão que iremos imitá-los. Mesmo vendo centenas de pessoas correndo morro abaixo e se afastando de Deus, devemos continuar buscando o perdão do Pai e caminhar passo a passo rumo à vida eterna. Refletindo nos ensinamentos bíblicos, enxergaremos melhor as ‘placas de sinalização’ para acharmos o caminho certo.

 

Conta-se que um rei resolveu criar algo diferente para as pessoas do seu povoado: um lago de leite. Então, pediu que cada um levasse um copo de leite naquela próxima madrugada e o jogasse no reservatório vazio. Quando amanhecesse, o lago estaria formado.

 

Na manhã seguinte, tal foi a surpresa quando o rei viu o lago cheio d’água e não de leite. Consultando o conselheiro do reino, foi informado que todas as pessoas tiveram o mesmo pensamento: ‘No meio de tanto leite, se o meu copo for de água, ninguém perceberá!’

 

É por este tipo de comodismo que continuamos andando na contramão da salvação. Se cada um fizer a sua parte em qualquer circunstância da vida, sempre estará pronto a dizer: ‘Bendito seja Deus que me conduz ao Céu!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 449 – 17 Janeiro 2020

 

Um verdadeiro ato de entrega

 

Um amigo me presenteou com este texto maravilhoso que passo a divulgar. São palavras de Jesus, reveladas a um sacerdote italiano de Nápoles, Dolindo Ruotolo, que morreu em fama de santidade. Eis a mensagem que nos ajuda a crescer muito na fé:

 

“Por que vós tão facilmente vos deixais inquietar e perturbar? Entregai-me, pois, as vossas preocupações e tudo irá acalmar-se. Assim, em verdade eu vos digo, que cada ato confiante, verdadeiro e completo de entrega a mim, produz justamente aquele efeito que vós tanto desejais e soluciona a situação dolorosa, cheia de espinhos.

 

Entregar-se a mim não significa deixar-se tomar pelo medo, preocupação, desespero e, só depois, recorrer a mim numa oração fervorosa para que eu vos socorra. Antes, fechar tranquilamente os olhos da alma e abandonar-se a mim, para que somente eu o leve à outra margem, como uma criança que dorme nos braços de sua mãe.

 

Aquilo que vos perturba e prejudica é a pertinácia em refletir e ponderar vossas preocupações, atormentando-se ainda em querer fazer, a qualquer preço, tudo por si mesmo. Quando, porém, sou eu que atuo, quando a alma em necessidade se dirige sem reservas a mim nos seus interesses espirituais e materiais, esforçando-se por olhar para mim enquanto pode dizer cheia de confiança: ‘Cuidai Vós’, então, assim, ela fecha os olhos interiores e descansa em meus braços. Enquanto vos atormentais em demasia, recebereis poucas graças. Quando, porém, as vossas orações forem um total ‘confiar-se’, então, recebereis muitas graças.

 

No sofrimento, rezais para que eu o retire de vós, todavia, da maneira como vós imaginais. É verdade que vos dirigis a mim, mas quereis que eu me amolde às vossas ideias; são como os doentes que pedem auxílio médico, no entanto, eles mesmos prescrevem-lhe o modo de se tratarem. Quanto a vós, não agis dessa maneira, mas rezai como eu vos ensinei no Pai Nosso.

 

Quando achardes que o mal piora ainda mais ao invés de melhorar, não vos preocupeis. Fechai de novo os olhos da alma, ou seja, do coração, e dizei-me com toda confiança: ‘Seja feita a Vossa vontade, cuidai Vós, ó Senhor!’ Pois, então, eu vos digo que vou cuidar e intervir como um médico, com toda a minha onipotência divina e que, se for necessário, operarei até um milagre.

 

Repousai simplesmente em mim, acreditai na minha bondade, rogo-vos com insistência e vos asseguro na força do meu amor que quando dizeis nesta disposição: ‘Cuidai Vós’, eu vou cuidar inteiramente, vou consolar-vos, libertar-vos e conduzir-vos. E quando tiver que vos levar por um outro caminho diverso daquele que vós pensais, eu irei instruir-vos.

 

Sofrereis insônia ao querer avaliar e considerar, tudo reconhecer e em tudo pensar, mas vós com isso vos entregais somente às forças humanas do ‘próprio querer’ ou, ainda pior, no fundo, vos entregais aos homens quando confiais na intervenção deles. Isso tudo constitui um obstáculo às minhas intenções para convosco.

 

Oh, como eu desejaria sempre de vós a entrega verdadeira, para assim poder presentear-vos; e como fico triste ao ver-vos tão inquietos, preocupados e desesperados! É isso mesmo o que Satanás quer: levar-vos infalivelmente para a inquietação e o desespero, livrando-vos assim da minha atuação e do meu amor, para vos entregardes inteiramente às manipulações humanas.

 

Por isso, confiai inteiramente em mim, descansai em mim, entregai-vos em tudo a mim! Operarei milagres na medida de vossa entrega total e confiante a mim e da desconfiança absoluta em relação a vós mesmos. Eu darei tesouros de graças quando vós estiverdes totalmente pobres e necessitados.

 

Enquanto tendes vossas próprias fontes de ajuda e as procurais, mesmo se for pouco, vós estais no plano puramente natural e seguis assim só a esse curso natural das coisas, onde hoje Satanás, tantas vezes, diretamente ou através do ‘eu lisonjeador’ dele, desvia ou até corrompe.

 

Aquele que ainda sempre em tudo discute e considera por si mesmo, nunca experimentou ou obteve um milagre da minha parte, nem entre os santos isso aconteceu. Só se harmoniza com Deus quem se abandona totalmente a Ele! Não obstante, percebeis ainda que tudo mais se complica, dizei com os olhos fechados do coração e da alma: ‘Jesus, agora, cuidai Vós!’; e desviai-vos do próprio ‘eu’, porque o vosso intelecto infatigável faz com que tudo se torne ainda mais difícil, de modo que não conseguis entregar-me.

 

Agi sempre da maneira certa em todas as vossas necessidades. Proceda sempre assim e experimentareis notáveis, constantes, mas, silenciosos milagres, que só poderão ser vivenciados por vós e, de mais a mais, aumentam a verdadeira confiança e o vosso amor por mim. Eu, vosso Deus, cuidarei. Eu asseguro!

 

Rezais sempre nesta disposição de entrega e obtereis grande paz interior e verdadeiros frutos do meu amor, mesmo quando exijo de vós, ou seja, vos ofereço a graça do sacrifício, da expiação e do amor que impõe a cruz através de um sofrimento.

 

Isso vos parece impossível? Fechai de novo os olhos e olhai para dentro, rezando de todo coração: ‘Cuidai Vós, Jesus!’ Não tenhais medo, eu cuido verdadeiramente. Então, louvareis o meu nome quando vos humilhardes inteiramente. As vossas orações não valem tanto quanto um único ato de entrega confiante. Pensai bem, não existe uma novena mais eficaz do que esta: Oh, Jesus, a Vós eu me entrego. Cuidai Vós!”

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 448 – 9 Janeiro 2020

 

Como ser feliz para sempre

 

Como as histórias se tornaram rotina neste espaço, eis mais uma – muito singela e própria para hoje:

 

- Vó, o que acontece depois do ‘felizes para sempre’ das historinhas que você conta? Eu não vejo ninguém ser feliz para sempre!

 

- Sabe, minha querida, há uma tribo de índios que não acredita na passagem do tempo. Eles acham que existem apenas dois mundos: das coisas visíveis e das coisas invisíveis. No mundo das coisas visíveis, encontramos o que construímos: a casa, o carro, esse tricô aqui que você sempre interrompe...

 

- E no mundo das coisas invisíveis, vó?

 

- Lá, encontramos tudo o que não transformamos em realidade: os sonhos, as ideias, enfim, tudo o que a gente sempre deixa para depois, tipo: depois eu vou estudar, rezar, fazer meu sonho se tornar realidade... As pessoas sempre esperam pelo futuro, quando serão ‘felizes para sempre’.

 

- Vó, fale mais dos índios.

 

- Bem, como eles não acreditam no tempo, então não acreditam também no futuro e não passam a vida inteira esperando por ele.

 

- O que eles fazem então? Não têm coisas chatas pra fazer, como fazer lição e comer verduras?

 

- Lógico que sim!

 

- Mas, como é que podem ir para a escola se não acreditam no futuro? Meu pai sempre fala que estudou e trabalha para que a família tenha um futuro melhor.

 

- E o futuro fica mesmo melhor, netinha?

 

- Não sei, ele ainda não chegou!

 

Riram gostosamente.

 

- Sabe, querida, o que esses índios acham é que a felicidade – o ‘felizes para sempre’ – é um presente de Deus e só existe nas coisas realizadas. É como um quebra-cabeça que a gente monta todo dia: as peças são invisíveis e devemos procurar por cada uma até encontrar. Aí a gente traz as coisas do mundo invisível para o mundo visível.

 

- Você é feliz mesmo sendo sozinha, vovó?

 

- Sim; tenho você e uma porção de gente no meu coração. Nunca estou sozinha!

 

- Tem gente no seu coração?

 

- É claro que sim! Jesus pediu para morar nele e Ele só deixa entrar gente boa lá.

 

- Quando eu ficar velhinha, eu vou ser feliz, então?

 

- Não, meu bem. Criança é que você vai ser feliz.

 

- Mas, eu já sou criança!

 

- Então, seja feliz já e não se esqueça de ser criança também quando crescer para nunca deixar de ser feliz, tá bom?

 

- Combinado.

 

- E agora, vamos brincar de construir felicidade? Comece rezando comigo, pedindo a Deus que Ele e Nossa Senhora sempre morem no seu coração.

 

Não precisou falar duas vezes. Rezaram e a netinha começou a montar o seu quebra-cabeça de felicidade eterna pela peça mais importante: o momento da oração!

 

Portanto, faça como a vovó, a netinha e eu também. Não deixe para ser feliz amanhã e comece dando mais valor aos bens espirituais: caridade, oração, perdão, comunhão e perseverança na missão que Deus reservou pra você. Lembre-se: todos nós somos vocacionados, basta aceitarmos o chamado que vem do Céu.

 

E deixando de ser feliz por alguns anos, aprendi que Jesus sempre nos dá uma segunda chance. Aprendi também que viver não é só receber, mas, principalmente, dar. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para os outros. Aprendi que sempre tenho muito que aprender para continuar sendo feliz, como este menino da próxima história:

 

Na semana do Natal, um garoto chegou em casa e viu um pote com algumas balas dentro. Enfiou depressa a mão pela boca do pote e segurou três balas, mas, quando tentou retirá-las, não conseguiu. A boca do vidro era estreita e formava um gargalo, que não deixava a sua mão fechada passar. Os pais gritavam para que o filho largasse as balas, pois o vidro poderia feri-lo, mas o menino não as largava. Daí, o avô correu até o quarto e pegou um presépio para montar. Ao ver as imagens, o garotinho largou as balas e correu para ajudar o avô.

 

Portanto, siga esta receita de ser feliz para sempre: 1. Agrade a Deus hoje e não deixe para depois – como os índios da primeira história; 2. Substitua as coisas menos importantes por outras que levarão você ao Céu – como o menino da segunda história; 3. Persevere com amor na sua missão cristã – como tenho feito, escrevendo estes artigos. E nunca se assuste com tanta felicidade em sua vida! Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 447 –  5 Janeiro 2020

 

Só quem perdoa é perdoado

 

Havia um menino que não pensava para dizer as coisas. Seu pai lhe deu um saco cheio de pregos e lhe disse que cada vez que ofendesse alguém, batesse um prego na cerca. No primeiro dia, o garoto bateu quatro pregos, porém, gradativamente, o número foi crescendo, chegando à conclusão que era mais fácil controlar suas palavras do que pregá-los.

 

Quando o filho começou a melhorar sua agressividade, o pai sugeriu que cada dia que não ofendesse alguém, tirasse um prego da cerca. O tempo foi passando, até que todos foram arrancados e, seu pai, puxando-o pela mão, foi até à cerca e disse: ‘Olhe bem, garoto, ela nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas sem pensar, ficam cicatrizes como estes buracos. As palavras são como flechas, não têm volta!’

 

Conclusão: a gente até perdoa, mas a cicatriz permanece; certo? Errado! Quem perdoa com o coração e reza por aquele que lhe ofendeu, nem cicatriz fica. A história acima não enfoca o lado espiritual e sugere que evitemos apenas as ofensas, o que seria o ideal, mas como apagar os erros do passado? Só há um jeito: com arrependimento e oração.

 

O Pe. Robert Degrandis redigiu uma oração maravilhosa de perdão que, se feita diariamente, nos aproxima mais de Deus e das pessoas que ofendemos ou que nos ofenderam. Após esta primeira leitura, sugiro que a recorte, risque aquilo que não lhe diz respeito e a reze sempre. Isso lhe trará muita paz espiritual e melhor convívio social. Eis a poderosa oração:

 

Senhor Jesus, peço-Vos hoje a graça de perdoar. Senhor, eu Vos perdoo pelas vezes em que a morte e as dificuldades financeiras abateram minha família e por aquilo que me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus. Purificai hoje meu coração e minha mente, Senhor Jesus.

 

Senhor, perdoo a mim próprio por mergulhar na superstição, usar tábuas de comunicação com espíritos, ler horóscopos, consultar cartomantes e usar amuletos. Rejeito todas essas superstições e Vos aceito como meu Senhor e Salvador. Comunicai-me Vosso Espírito Santo.

 

Senhor, perdoo a minha mãe pelas vezes que me magoou, ficou ressentida e zangada comigo, me puniu, preferiu meus irmãos e irmãs à mim, me chamou de tolo, estúpido, o pior de seus filhos. Eu lhe perdoo por ter dito que eu dava muita despesa, era malquisto, um erro, que não era o que ela esperava.

 

Perdoo o meu pai pela falta de apoio, de amor, de atenção e de companhia. Dou-lhe meu perdão por suas brigas, abandonos, ausências de casa; por se haver divorciado de minha mãe, por suas bebedeiras, pelas suas ásperas críticas.

 

Senhor, perdoo os meus irmãos e irmãs, os que me rejeitaram, me caluniaram, me odiaram, disputaram o amor dos meus pais, me agrediram, foram severos demais comigo e tornaram minha vida desagradável. Perdoo a minha esposa (o meu marido) pela falta de amor, de atenção, por seus defeitos, debilidades, falhas e outros atos ou palavras que me prejudicaram e perturbaram.

 

Senhor, perdoo os meus filhos pela falta de respeito, pela desobediência, pelo pouco amor, cordialidade e compreensão; pelos seus vícios e afastamento da Igreja. Senhor, perdoo os meus parentes próximos, meus avós, tios, além de outros que têm interferido em minha família, causando confusão, colocando meus pais um contra o outro.

 

Senhor, perdoo os parentes, especialmente minha sogra e meu sogro, cunhados e cunhadas, além das pessoas que se tornaram meus parentes em virtude de meu casamento, que de algum modo me ofenderam.

 

Senhor, perdoo os meus colegas de trabalho que são desagradáveis e tornam minha vida insuportável, empurram-me trabalho que não me compete, falam mal de mim, não cooperam comigo, tentam tirar meu emprego. Também meus vizinhos devem ser perdoados, Senhor, pois eles são barulhentos, dão festas à noite, têm cães que latem o tempo todo e que não me deixam dormir. Eles me importunam com suas brigas e mexericos.

 

Senhor, perdoo a todos os padres, a todas as freiras, a todos os bispos, a minha paróquia, as paróquias do passado, os conselhos paroquiais e a todas as conferências da Igreja Católica Apostólica Romana por não me apoiarem como devem, não me inspirarem, não me utilizarem em posição-chave e por quaisquer aborrecimentos que hajam infligido a mim ou à minha família, mesmo em um passado distante.

 

Perdoo a todos os profissionais que me prejudicaram de algum modo: médicos, enfermeiras, advogados, juízes, políticos e funcionários públicos. Perdoo o meu empregador que não me paga suficientemente, não aprecia meu trabalho, é descortês, pouco razoável e, além de tudo, não me promove.

 

Perdoo, Senhor, a todos os professores da escola e a todos os instrutores do passado ou do presente. Também àqueles que me insultaram, me humilharam, me chamaram de tolo e me prenderam depois da aula.

 

Senhor, perdoo os amigos que me decepcionaram, não se prontificaram quando precisei de ajuda, pediram-me dinheiro emprestado e não pagaram. Senhor, rezo pela graça de perdoar aquela pessoa que mais me prejudicou na vida e rezo, em especial, para que eu possa perdoar a mim próprio, por haver magoado meus pais, por me ter embebedado, por usar drogas, pelos pecados contra a pureza, pelos maus livros e filmes, e pela fornicação, adultério, homossexualidade, abortos, furtos, mentiras, fraudes.

 

Senhor, suplico o perdão de todas essas pessoas, pelas mágoas que lhes causei, especialmente meu pai, minha mãe, meu cônjuge e meus filhos. Agradeço-Vos, Senhor, pelo amor que recebi por meio deles. Amém.

Paulo R. Labegalini
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