Paulo 2019

 

Paulo R. Labegalini
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Vicentino de Itajubá-MG e Professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG)
Autor dos livros:
- Histórias Cristãs- Editora Raboni

- O Mendigo e o Padeiro - Editora Paco
- A Arte de Aprender Bem - Editora Paco
- Minha Vida de Milagres - Editora Santuário
- Administração do Tempo - Editora Ideias e Letras
- Mensagens que Agradam o Coração - Editora Vozes
- Histórias Infantis Educativas - Editora Cleofas
Apresentações musicais:
https://www.youtube.com/results?search_query=soraia+labegalini

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Mensagem da Semana - Nº 451 – 28 Janeiro 2020

 

O preço das nossas escolhas

 

No filme ‘Crimes e Pecados’, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Concordo que, se não aceitarmos os chamados de Deus, colheremos o que plantamos e o destino nada tem a ver com isso.

 

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outras e, de opção em opção, vamos escrevendo as histórias de nossas vidas. Não é tarefa fácil, pois no momento em que alguém escolhe ser médico, por exemplo, está fechando as portas das outras profissões para sempre; mas, não se pode ter tudo, não é mesmo?

 

No amor, acontece a mesma coisa: namora-se um, outro, até que chega o momento em que é preciso decidir com quem se casar e como estruturar uma família, assumindo a responsabilidade de conduzi-la nos caminhos da fé e do amor.

 

Todas as decisões têm seus prós e contras: morar ou não na cidade; ter muitos ou poucos filhos; comer de tudo ou ser vegetariano; enfim, a maioria das alternativas é válida, mas há um preço a pagar por elas!

 

Muita gente gostaria de ser uma pessoa diferente a cada ano só para deixar as experiências ruins para trás e recomeçar, tipo: ser solteiro novamente; não ter mais filhos para cuidar; zerar as contas a pagar etc. Como nada disso é possível para quem tem caráter, nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, concorda?

 

É lógico que devemos reavaliar decisões e trocar de caminho – ninguém é o mesmo para sempre –, mas as mudanças devem acrescentar algo positivo para o futuro e não apenas anular as experiências vividas. A estrada da vida é longa, o tempo é curto e quanto menos errarmos, melhor.

 

Bem, caso isto tudo tenha ficado bem claro e você concordado comigo, vamos refletir agora em como melhorar as nossas decisões. Partindo da célebre frase de Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo do que mudar um hábito”, sem dúvida, antes estar sempre no caminho certo do que tentar correr atrás do prejuízo.

 

Portanto, as nossas decisões só nos colocarão numa trilha abençoada se forem tomadas com oração. Rezando, reduzimos as possibilidades de alguma coisa dar errada e, assim, ganhamos o respeito de muitos e a confiança necessária para fugirmos dos pecados. Quanto mais isto tudo acontecer – orar e tomar decisões que nos aproximem de Deus –, mais bonita será a nossa ‘história de hábitos’ quando partirmos para o Céu.

 

Eu me recordo com carinho de minha nona Sebastiana – mãe de meu pai e minha madrinha de batismo. Desde que eu era pequeno, ela tinha verdadeira paixão por mim e eu por ela. Em 1983, quando tive trombose, ela me visitou todos os dias no hospital de Monte Sião. Quando pude andar novamente e fui até a casa dela, ela chorou como criança ao me ver de pé. Falava comigo com sotaque italiano que me emociono só de lembrar.

 

Quando faleceu, em 1989, os filhos, noras e netos ficaram com os seus pertences – e não eram poucos! Ela guardava bonitos jogos de crochê, tinha relógios antigos e uma cristaleira cheia de peças vistosas. Todos pegaram alguma coisa, mas eu, quando soube da ‘partilha’, já não restava mais nada e não vi a ‘minha parte’.

 

Um ano depois, a casa foi vendida. Passaram-se mais alguns meses e eu me lembrei que a nona tinha uma imagem de São Sebastião num oratório pregado na parede do tanque de lavar. Conversando com a minha mãe, perguntei quem havia ficado com aquela imagem e ela me disse que não sabia. Fui até lá, perguntei à senhora proprietária a respeito e ela respondeu: “Tem sim uma imagem de santo lá no quintal. Se quiser, pode levar”. Eu nem pude acreditar que aquilo era verdade.

 

Hoje, no oratório com mais de vinte santos que tenho no quarto, a imagem de São Sebastião é a mais antiga e, segundo muitas pessoas que viram, é também a mais bonita – tem mais de 40 anos! Com certeza, a nona intercedeu a Deus para que ela fosse minha e eu rezo diante dela todas as manhãs.

 

Pois bem, embora com pouca cultura, minha nona sempre tomou decisões certas na vida: rezava demais; batalhou com dignidade para o sustento da família – quando foi rica e quando ficou pobre; sempre praticou a caridade; esbanjou amor e obediência ao nono; e nunca caiu em tentação de pecados mortais. Se não fosse assim, eu estaria agora contando passagens de sua vida? Eu teria o presente que ela me deixou? Ela chegaria ao final da ‘estrada’ que, com a ajuda de Deus, escolheu?

 

Tenho fé que vou encontrá-la no Céu e dar-lhe os parabéns pelas belas escolhas que fez. Quero dizer-lhe também que, mesmo após a sua morte, todos aplaudiram as decisões que tomou, baseadas em honestidade e confiança no Senhor. E espero contar-lhe ainda que meu pai aprendeu muitas virtudes com ela, me criou com o seu exemplo de homem temente a Deus e, eu, procurei orientar os meus filhos a seguirem pelo mesmo caminho.

 

Acredito que ela ficará contente ao ouvir isto, embora já deva até estar sabendo! Ela acreditou que tudo pode ser mudado pela oração e nunca confiou que o nosso destino já está traçado. Deus tem uma linda missão para cada um de nós, nos dá muitos dons para trilharmos nos bons caminhos e sempre nos chama à conversão. Uns aceitam o Seu chamado de amor, outros só O escutam na dor e, alguns, decidem caminhar sozinhos.

 

Olhe ao seu redor... Quanta gente quer lhe dar a mão ou precisa da sua ajuda para se levantar! Faça o que Jesus Cristo faria se estivesse no seu lugar ou explique a sua escolha a Ele. Cada um receberá o ‘prêmio’ da sua decisão.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 450 – 23 Janeiro 2020

 

Andamos sempre na contramão?

 

Um dia, um cristão levantou-se mais cedo para assistir o amanhecer. A beleza da criação Divina estava além de qualquer descrição e, enquanto contemplava, louvou o Criador pelo Seu esplêndido trabalho. Naquele momento, Deus falou com ele:

 

- Você me ama?

 

- É claro que sim, meu Salvador!

 

- Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim me amaria?

 

- Seria difícil, Senhor, mas eu ainda Te amaria.

 

- Se você fosse cego, amaria minha criação?

 

- Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de ver? É estranho pensar nisso, mas, acredito que eu amaria só de ouvir falar.

 

- Caso você fosse surdo, ainda ouviria a minha Palavra?

 

- Como poderia ouvir algo sendo surdo? Mas, pensando bem, ouvir a Palavra não é simplesmente usando os ouvidos e sim o coração. Bem, embora também fosse difícil, eu ainda ouviria a Tua Palavra, Senhor.

 

- E se fosse mudo, ainda louvaria meu Nome?

 

- Se permitisses que eu cantasse com a alma, eu louvaria Teu Nome.

 

- Então, você realmente me ama!

 

- Sim, Senhor, eu Te amo como meu único e verdadeiro Deus!

 

- Então, por que peca?

 

- Porque sou apenas um humano, não sou perfeito!

 

- Mas, quando está com problemas, você procura ser perfeito e reza com fervor, canta nos retiros, me busca nas horas de adoração... Por que então, nesta semana, você não está espalhando as boas novas? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em meu Nome? Você é muito abençoado e eu não lhe fiz para que jogasse sua vida fora. Eu o abençoei com talentos para me servir, mas, você continua pecando! Será que você realmente me ama?

 

- Por favor, perdoa-me, Senhor. Eu não sou digno de ser Teu filho.

 

- Esta é a minha graça, filho: eu nunca o abandonarei. Quando você chorar, eu terei compaixão e chorarei com você. Quando cair, vou levantá-lo. Quando estiver cansado, eu o carregarei. Estarei com você até o final dos tempos e o amarei para sempre.

 

- Como pude ter sido tão fraco, Senhor? Como posso não esquecer o quanto me amas?

 

Então, Jesus esticou Seus braços e mostrou-lhe as mãos com dois enormes buracos sangrentos. Logo, o filho pecador curvou-se aos Seus pés e, chorando, O adorou verdadeiramente...

 

Pois é, há coisas na vida que nunca esquecemos e, outras, muito mais importantes, que só lembramos quando alguém nos sacode. Normalmente andamos na contramão da estrada que nos leva ao Céu. Nessa caminhada, não ouvimos o chamado de Deus à conversão, não damos a mão ao irmão necessitado e nos deixamos levar pelo egoísmo, vaidade e ambição.

 

A cada passo dado na contramão, a nossa carga de pecados fica ainda mais pesada e mais nos distanciamos da graça de Deus. Infelizmente, isso continua acontecendo com a maioria das pessoas! Mas, considerando a grande dose de inteligência que somos dotados e o dom da fé que recebemos no batismo, por que demoramos tanto para dar meia-volta e correr para os braços do Pai? Se Deus falasse com cada um de nós – como na história que contei –, nos converteríamos mais depressa, concorda?

 

Mas, depois de tudo que Jesus sofreu e diante de tantos milagres que acontecem a todo momento, seria um absurdo exigir ouvir a voz do Senhor ecoando alta e clara em nossos ouvidos – da mesma forma que ocorreu na história. Quem busca, a ouve diariamente na Missa, na Bíblia e nas palavras do pobre que clama por socorro, contudo, como colocar isso na cabeça daquele que não tem fé? O que podemos fazer é mostrar-lhe que não somos capazes de enquadrar os mistérios de Deus nos estreitos limites da razão humana e, ainda, afirmar que a Santíssima Trindade está infinitamente acima da nossa capacidade de compreensão.

 

São Paulo dizia aos romanos que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28) e, para quem tem fé, isto é suficiente para confiar na providência Divina. Portanto, o Senhor sabe aproveitar os acontecimentos da nossa vida para o nosso próprio bem. Aceitar esta verdade é ter fé e saber abandonar-se nas mãos de Jesus.

 

Todos os santos chegaram ao Céu pelo martírio ou pela perseverança na oração, e não será andando na contramão que iremos imitá-los. Mesmo vendo centenas de pessoas correndo morro abaixo e se afastando de Deus, devemos continuar buscando o perdão do Pai e caminhar passo a passo rumo à vida eterna. Refletindo nos ensinamentos bíblicos, enxergaremos melhor as ‘placas de sinalização’ para acharmos o caminho certo.

 

Conta-se que um rei resolveu criar algo diferente para as pessoas do seu povoado: um lago de leite. Então, pediu que cada um levasse um copo de leite naquela próxima madrugada e o jogasse no reservatório vazio. Quando amanhecesse, o lago estaria formado.

 

Na manhã seguinte, tal foi a surpresa quando o rei viu o lago cheio d’água e não de leite. Consultando o conselheiro do reino, foi informado que todas as pessoas tiveram o mesmo pensamento: ‘No meio de tanto leite, se o meu copo for de água, ninguém perceberá!’

 

É por este tipo de comodismo que continuamos andando na contramão da salvação. Se cada um fizer a sua parte em qualquer circunstância da vida, sempre estará pronto a dizer: ‘Bendito seja Deus que me conduz ao Céu!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 449 – 17 Janeiro 2020

 

Um verdadeiro ato de entrega

 

Um amigo me presenteou com este texto maravilhoso que passo a divulgar. São palavras de Jesus, reveladas a um sacerdote italiano de Nápoles, Dolindo Ruotolo, que morreu em fama de santidade. Eis a mensagem que nos ajuda a crescer muito na fé:

 

“Por que vós tão facilmente vos deixais inquietar e perturbar? Entregai-me, pois, as vossas preocupações e tudo irá acalmar-se. Assim, em verdade eu vos digo, que cada ato confiante, verdadeiro e completo de entrega a mim, produz justamente aquele efeito que vós tanto desejais e soluciona a situação dolorosa, cheia de espinhos.

 

Entregar-se a mim não significa deixar-se tomar pelo medo, preocupação, desespero e, só depois, recorrer a mim numa oração fervorosa para que eu vos socorra. Antes, fechar tranquilamente os olhos da alma e abandonar-se a mim, para que somente eu o leve à outra margem, como uma criança que dorme nos braços de sua mãe.

 

Aquilo que vos perturba e prejudica é a pertinácia em refletir e ponderar vossas preocupações, atormentando-se ainda em querer fazer, a qualquer preço, tudo por si mesmo. Quando, porém, sou eu que atuo, quando a alma em necessidade se dirige sem reservas a mim nos seus interesses espirituais e materiais, esforçando-se por olhar para mim enquanto pode dizer cheia de confiança: ‘Cuidai Vós’, então, assim, ela fecha os olhos interiores e descansa em meus braços. Enquanto vos atormentais em demasia, recebereis poucas graças. Quando, porém, as vossas orações forem um total ‘confiar-se’, então, recebereis muitas graças.

 

No sofrimento, rezais para que eu o retire de vós, todavia, da maneira como vós imaginais. É verdade que vos dirigis a mim, mas quereis que eu me amolde às vossas ideias; são como os doentes que pedem auxílio médico, no entanto, eles mesmos prescrevem-lhe o modo de se tratarem. Quanto a vós, não agis dessa maneira, mas rezai como eu vos ensinei no Pai Nosso.

 

Quando achardes que o mal piora ainda mais ao invés de melhorar, não vos preocupeis. Fechai de novo os olhos da alma, ou seja, do coração, e dizei-me com toda confiança: ‘Seja feita a Vossa vontade, cuidai Vós, ó Senhor!’ Pois, então, eu vos digo que vou cuidar e intervir como um médico, com toda a minha onipotência divina e que, se for necessário, operarei até um milagre.

 

Repousai simplesmente em mim, acreditai na minha bondade, rogo-vos com insistência e vos asseguro na força do meu amor que quando dizeis nesta disposição: ‘Cuidai Vós’, eu vou cuidar inteiramente, vou consolar-vos, libertar-vos e conduzir-vos. E quando tiver que vos levar por um outro caminho diverso daquele que vós pensais, eu irei instruir-vos.

 

Sofrereis insônia ao querer avaliar e considerar, tudo reconhecer e em tudo pensar, mas vós com isso vos entregais somente às forças humanas do ‘próprio querer’ ou, ainda pior, no fundo, vos entregais aos homens quando confiais na intervenção deles. Isso tudo constitui um obstáculo às minhas intenções para convosco.

 

Oh, como eu desejaria sempre de vós a entrega verdadeira, para assim poder presentear-vos; e como fico triste ao ver-vos tão inquietos, preocupados e desesperados! É isso mesmo o que Satanás quer: levar-vos infalivelmente para a inquietação e o desespero, livrando-vos assim da minha atuação e do meu amor, para vos entregardes inteiramente às manipulações humanas.

 

Por isso, confiai inteiramente em mim, descansai em mim, entregai-vos em tudo a mim! Operarei milagres na medida de vossa entrega total e confiante a mim e da desconfiança absoluta em relação a vós mesmos. Eu darei tesouros de graças quando vós estiverdes totalmente pobres e necessitados.

 

Enquanto tendes vossas próprias fontes de ajuda e as procurais, mesmo se for pouco, vós estais no plano puramente natural e seguis assim só a esse curso natural das coisas, onde hoje Satanás, tantas vezes, diretamente ou através do ‘eu lisonjeador’ dele, desvia ou até corrompe.

 

Aquele que ainda sempre em tudo discute e considera por si mesmo, nunca experimentou ou obteve um milagre da minha parte, nem entre os santos isso aconteceu. Só se harmoniza com Deus quem se abandona totalmente a Ele! Não obstante, percebeis ainda que tudo mais se complica, dizei com os olhos fechados do coração e da alma: ‘Jesus, agora, cuidai Vós!’; e desviai-vos do próprio ‘eu’, porque o vosso intelecto infatigável faz com que tudo se torne ainda mais difícil, de modo que não conseguis entregar-me.

 

Agi sempre da maneira certa em todas as vossas necessidades. Proceda sempre assim e experimentareis notáveis, constantes, mas, silenciosos milagres, que só poderão ser vivenciados por vós e, de mais a mais, aumentam a verdadeira confiança e o vosso amor por mim. Eu, vosso Deus, cuidarei. Eu asseguro!

 

Rezais sempre nesta disposição de entrega e obtereis grande paz interior e verdadeiros frutos do meu amor, mesmo quando exijo de vós, ou seja, vos ofereço a graça do sacrifício, da expiação e do amor que impõe a cruz através de um sofrimento.

 

Isso vos parece impossível? Fechai de novo os olhos e olhai para dentro, rezando de todo coração: ‘Cuidai Vós, Jesus!’ Não tenhais medo, eu cuido verdadeiramente. Então, louvareis o meu nome quando vos humilhardes inteiramente. As vossas orações não valem tanto quanto um único ato de entrega confiante. Pensai bem, não existe uma novena mais eficaz do que esta: Oh, Jesus, a Vós eu me entrego. Cuidai Vós!”

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 448 – 9 Janeiro 2020

 

Como ser feliz para sempre

 

Como as histórias se tornaram rotina neste espaço, eis mais uma – muito singela e própria para hoje:

 

- Vó, o que acontece depois do ‘felizes para sempre’ das historinhas que você conta? Eu não vejo ninguém ser feliz para sempre!

 

- Sabe, minha querida, há uma tribo de índios que não acredita na passagem do tempo. Eles acham que existem apenas dois mundos: das coisas visíveis e das coisas invisíveis. No mundo das coisas visíveis, encontramos o que construímos: a casa, o carro, esse tricô aqui que você sempre interrompe...

 

- E no mundo das coisas invisíveis, vó?

 

- Lá, encontramos tudo o que não transformamos em realidade: os sonhos, as ideias, enfim, tudo o que a gente sempre deixa para depois, tipo: depois eu vou estudar, rezar, fazer meu sonho se tornar realidade... As pessoas sempre esperam pelo futuro, quando serão ‘felizes para sempre’.

 

- Vó, fale mais dos índios.

 

- Bem, como eles não acreditam no tempo, então não acreditam também no futuro e não passam a vida inteira esperando por ele.

 

- O que eles fazem então? Não têm coisas chatas pra fazer, como fazer lição e comer verduras?

 

- Lógico que sim!

 

- Mas, como é que podem ir para a escola se não acreditam no futuro? Meu pai sempre fala que estudou e trabalha para que a família tenha um futuro melhor.

 

- E o futuro fica mesmo melhor, netinha?

 

- Não sei, ele ainda não chegou!

 

Riram gostosamente.

 

- Sabe, querida, o que esses índios acham é que a felicidade – o ‘felizes para sempre’ – é um presente de Deus e só existe nas coisas realizadas. É como um quebra-cabeça que a gente monta todo dia: as peças são invisíveis e devemos procurar por cada uma até encontrar. Aí a gente traz as coisas do mundo invisível para o mundo visível.

 

- Você é feliz mesmo sendo sozinha, vovó?

 

- Sim; tenho você e uma porção de gente no meu coração. Nunca estou sozinha!

 

- Tem gente no seu coração?

 

- É claro que sim! Jesus pediu para morar nele e Ele só deixa entrar gente boa lá.

 

- Quando eu ficar velhinha, eu vou ser feliz, então?

 

- Não, meu bem. Criança é que você vai ser feliz.

 

- Mas, eu já sou criança!

 

- Então, seja feliz já e não se esqueça de ser criança também quando crescer para nunca deixar de ser feliz, tá bom?

 

- Combinado.

 

- E agora, vamos brincar de construir felicidade? Comece rezando comigo, pedindo a Deus que Ele e Nossa Senhora sempre morem no seu coração.

 

Não precisou falar duas vezes. Rezaram e a netinha começou a montar o seu quebra-cabeça de felicidade eterna pela peça mais importante: o momento da oração!

 

Portanto, faça como a vovó, a netinha e eu também. Não deixe para ser feliz amanhã e comece dando mais valor aos bens espirituais: caridade, oração, perdão, comunhão e perseverança na missão que Deus reservou pra você. Lembre-se: todos nós somos vocacionados, basta aceitarmos o chamado que vem do Céu.

 

E deixando de ser feliz por alguns anos, aprendi que Jesus sempre nos dá uma segunda chance. Aprendi também que viver não é só receber, mas, principalmente, dar. Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para os outros. Aprendi que sempre tenho muito que aprender para continuar sendo feliz, como este menino da próxima história:

 

Na semana do Natal, um garoto chegou em casa e viu um pote com algumas balas dentro. Enfiou depressa a mão pela boca do pote e segurou três balas, mas, quando tentou retirá-las, não conseguiu. A boca do vidro era estreita e formava um gargalo, que não deixava a sua mão fechada passar. Os pais gritavam para que o filho largasse as balas, pois o vidro poderia feri-lo, mas o menino não as largava. Daí, o avô correu até o quarto e pegou um presépio para montar. Ao ver as imagens, o garotinho largou as balas e correu para ajudar o avô.

 

Portanto, siga esta receita de ser feliz para sempre: 1. Agrade a Deus hoje e não deixe para depois – como os índios da primeira história; 2. Substitua as coisas menos importantes por outras que levarão você ao Céu – como o menino da segunda história; 3. Persevere com amor na sua missão cristã – como tenho feito, escrevendo estes artigos. E nunca se assuste com tanta felicidade em sua vida! Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 447 –  5 Janeiro 2020

 

Só quem perdoa é perdoado

 

Havia um menino que não pensava para dizer as coisas. Seu pai lhe deu um saco cheio de pregos e lhe disse que cada vez que ofendesse alguém, batesse um prego na cerca. No primeiro dia, o garoto bateu quatro pregos, porém, gradativamente, o número foi crescendo, chegando à conclusão que era mais fácil controlar suas palavras do que pregá-los.

 

Quando o filho começou a melhorar sua agressividade, o pai sugeriu que cada dia que não ofendesse alguém, tirasse um prego da cerca. O tempo foi passando, até que todos foram arrancados e, seu pai, puxando-o pela mão, foi até à cerca e disse: ‘Olhe bem, garoto, ela nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas sem pensar, ficam cicatrizes como estes buracos. As palavras são como flechas, não têm volta!’

 

Conclusão: a gente até perdoa, mas a cicatriz permanece; certo? Errado! Quem perdoa com o coração e reza por aquele que lhe ofendeu, nem cicatriz fica. A história acima não enfoca o lado espiritual e sugere que evitemos apenas as ofensas, o que seria o ideal, mas como apagar os erros do passado? Só há um jeito: com arrependimento e oração.

 

O Pe. Robert Degrandis redigiu uma oração maravilhosa de perdão que, se feita diariamente, nos aproxima mais de Deus e das pessoas que ofendemos ou que nos ofenderam. Após esta primeira leitura, sugiro que a recorte, risque aquilo que não lhe diz respeito e a reze sempre. Isso lhe trará muita paz espiritual e melhor convívio social. Eis a poderosa oração:

 

Senhor Jesus, peço-Vos hoje a graça de perdoar. Senhor, eu Vos perdoo pelas vezes em que a morte e as dificuldades financeiras abateram minha família e por aquilo que me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus. Purificai hoje meu coração e minha mente, Senhor Jesus.

 

Senhor, perdoo a mim próprio por mergulhar na superstição, usar tábuas de comunicação com espíritos, ler horóscopos, consultar cartomantes e usar amuletos. Rejeito todas essas superstições e Vos aceito como meu Senhor e Salvador. Comunicai-me Vosso Espírito Santo.

 

Senhor, perdoo a minha mãe pelas vezes que me magoou, ficou ressentida e zangada comigo, me puniu, preferiu meus irmãos e irmãs à mim, me chamou de tolo, estúpido, o pior de seus filhos. Eu lhe perdoo por ter dito que eu dava muita despesa, era malquisto, um erro, que não era o que ela esperava.

 

Perdoo o meu pai pela falta de apoio, de amor, de atenção e de companhia. Dou-lhe meu perdão por suas brigas, abandonos, ausências de casa; por se haver divorciado de minha mãe, por suas bebedeiras, pelas suas ásperas críticas.

 

Senhor, perdoo os meus irmãos e irmãs, os que me rejeitaram, me caluniaram, me odiaram, disputaram o amor dos meus pais, me agrediram, foram severos demais comigo e tornaram minha vida desagradável. Perdoo a minha esposa (o meu marido) pela falta de amor, de atenção, por seus defeitos, debilidades, falhas e outros atos ou palavras que me prejudicaram e perturbaram.

 

Senhor, perdoo os meus filhos pela falta de respeito, pela desobediência, pelo pouco amor, cordialidade e compreensão; pelos seus vícios e afastamento da Igreja. Senhor, perdoo os meus parentes próximos, meus avós, tios, além de outros que têm interferido em minha família, causando confusão, colocando meus pais um contra o outro.

 

Senhor, perdoo os parentes, especialmente minha sogra e meu sogro, cunhados e cunhadas, além das pessoas que se tornaram meus parentes em virtude de meu casamento, que de algum modo me ofenderam.

 

Senhor, perdoo os meus colegas de trabalho que são desagradáveis e tornam minha vida insuportável, empurram-me trabalho que não me compete, falam mal de mim, não cooperam comigo, tentam tirar meu emprego. Também meus vizinhos devem ser perdoados, Senhor, pois eles são barulhentos, dão festas à noite, têm cães que latem o tempo todo e que não me deixam dormir. Eles me importunam com suas brigas e mexericos.

 

Senhor, perdoo a todos os padres, a todas as freiras, a todos os bispos, a minha paróquia, as paróquias do passado, os conselhos paroquiais e a todas as conferências da Igreja Católica Apostólica Romana por não me apoiarem como devem, não me inspirarem, não me utilizarem em posição-chave e por quaisquer aborrecimentos que hajam infligido a mim ou à minha família, mesmo em um passado distante.

 

Perdoo a todos os profissionais que me prejudicaram de algum modo: médicos, enfermeiras, advogados, juízes, políticos e funcionários públicos. Perdoo o meu empregador que não me paga suficientemente, não aprecia meu trabalho, é descortês, pouco razoável e, além de tudo, não me promove.

 

Perdoo, Senhor, a todos os professores da escola e a todos os instrutores do passado ou do presente. Também àqueles que me insultaram, me humilharam, me chamaram de tolo e me prenderam depois da aula.

 

Senhor, perdoo os amigos que me decepcionaram, não se prontificaram quando precisei de ajuda, pediram-me dinheiro emprestado e não pagaram. Senhor, rezo pela graça de perdoar aquela pessoa que mais me prejudicou na vida e rezo, em especial, para que eu possa perdoar a mim próprio, por haver magoado meus pais, por me ter embebedado, por usar drogas, pelos pecados contra a pureza, pelos maus livros e filmes, e pela fornicação, adultério, homossexualidade, abortos, furtos, mentiras, fraudes.

 

Senhor, suplico o perdão de todas essas pessoas, pelas mágoas que lhes causei, especialmente meu pai, minha mãe, meu cônjuge e meus filhos. Agradeço-Vos, Senhor, pelo amor que recebi por meio deles. Amém.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 446 –  27 Dezembro 2019

 

Uma parábola de vida e salvação

 

Numa reunião de Vicentinos, um confrade leu parte do capítulo 13 do Evangelho de São Mateus, onde Jesus diz:

 

“O reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo; semeou joio no meio do trigo, e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ Disse-lhes ele: ‘Foi um inimigo que fez isto!’ Replicaram-lhe: ‘Queres que vamos e o arranquemos?’ ‘Não – disse ele –, arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro’.”

 

Em seguida, Jesus explicou a parábola aos discípulos, assim:

 

“O que semeia a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal, e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça”.

 

Quanta sabedoria! Também, pudera; o que poderíamos esperar da Palavra de Deus, senão verdadeiros ensinamentos de vida e salvação? E as maravilhosas conclusões desta parábola parecem não ter fim, pois quanto mais nela refletimos, mais ensinamentos encontramos.

 

Quando foi ordenado pelo pai de família: ‘deixai-os crescer juntos até a colheita’, significa que os homens bons e os maus devem conviver lado a lado neste mundo, certo? Quem discordar disso, precisa analisar se nunca foi ‘joio’ na vida e, se isso aconteceu, já não deveria ter sido excluído do nosso meio? Se assim fosse, quantos estariam hoje na face da Terra?

 

Nenhum de nós gostaria que a Justiça de Deus acontecesse antes da morte, com certeza! Portanto, pela infinita bondade Daquele que nos criou, os ceifadores esperam que nos transformemos em trigo antes da colheita e, assim, não seremos lançados ao fogo.

 

Que felicidade termos ouvidos, entendimento e fé para fugirmos do ranger de dentes! Contudo, para vivermos como irmãos e quem for ‘trigo’ resgatar o ‘joio’, é necessário revermos a maneira de servir o próximo, como nesta história:

 

     Um certo homem ouviu dizer que óleo de fígado de bacalhau era bom para a saúde do seu cachorro; então, resolveu dar-lhe uma dose todos os dias. Prendia o pobre animal entre as pernas e lhe enfiava óleo goela abaixo. O cachorro se debatia furiosamente, mas acabava tomando o remédio.

 

Certa manhã, para espanto do dono, o cachorro se dirigiu sozinho ao vidro de óleo e começou a lamber a tampa. Satisfeito, o homem correu para dar-lhe a dose do dia, mas quando o prendeu entre as pernas, o animal novamente se debateu desesperado. Foi aí que ele entendeu que o cachorro não lutava contra o óleo, mas sim contra o método usado para alimentá-lo.

 

É claro que o cachorro só serviu de personagem na história e não pode ser comparado a nenhum ser humano que conhecemos, mas a lição deve ser aprendida por todos: Muitas vezes o problema não é o que fazemos, mas a maneira como fazemos’.

 

Eis outro exemplo interessante:

 

Há muito tempo atrás, Lili se casou, foi viver com o marido na casa da sogra e descobriu que não se daria bem com ela. As personalidades eram muito diferentes e a jovem foi se enfurecendo com as brigas. Toda raiva e infelicidade dentro da casa também estavam causando grande estresse ao pobre marido.

 

Não aguentando mais, Lili foi procurar um bom amigo, o Sr. Huang, que vendia ervas. Ela expôs a situação e pediu que lhe desse algum veneno para matar a sogra, resolvendo de uma vez por todas o problema.

 

O homem pegou um pacote de ervas e disse-lhe: ‘Você não pode usar isso de uma só vez porque causaria suspeitas. Então, a cada dois dias, prepare alguma carne saborosa e ponha um pouco destas ervas no prato dela, mas, para ter certeza de que ninguém irá desconfiar de nada quando ela morrer, aja de forma muito amigável. Não discuta, obedeça-a em tudo e trate-a como se fosse uma rainha’.

 

Lili voltou apressada ao lar para dar início ao projeto de assassinar a sogra. Depois de seis meses, a casa inteira havia mudado. A nora tinha controlado tanto o seu temperamento que nunca mais se aborreceu. As atitudes da sogra também mudaram e até começou a amar a jovem como se fosse sua própria filha.

 

E novamente Lili foi pedir ajuda ao Sr. Huang, mas agora para evitar que o veneno fizesse efeito. Disse a ele: ‘Ela se transformou numa mulher agradável e eu a amo como minha própria mãe! Não quero mais que ela morra’. O conselheiro acenou com a cabeça e falou: ‘Não há nada com que se preocupar porque eu nunca lhe dei qualquer veneno. As ervas eram vitaminas para melhorar a saúde dela. Na verdade, o único mal estava dentro de sua mente, mas isso mudou através do amor que envolveu seu coração’.

 

Portanto, melhorando nossa maneira de tratar as pessoas, muitas pragas secarão e, praticando a verdadeira caridade em 2020, poderemos enfim dizer: ‘Que o celeiro de trigo do Pai nos aguarde!’

 

Mas, antes disso, Deus permita um ano novo cheio de paz, saúde e fé a todos nós. Também peço a Nossa Senhora que sempre nos proteja de todas as tentações e perigos dessa vida. Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 445 –  23 Dezembro 2019

 

O maior absurdo dos absurdos!

 

Numa edição mais antiga da revista ‘Super Interessante’, consta uma matéria de onze páginas, intitulada: “Bíblia, o que é verdade e o que é lenda”, afirmando que descobertas recentes da arqueologia indicam que a maior parte das Escrituras Sagradas não passa de coleção de mitos, lendas inventadas e propaganda religiosa. Talvez nem valesse a pena perder tempo discutindo tamanho absurdo, mas, para ajudar a combater os anticristos do mundo, vou descrever alguns comentários do autor Vinícius Romanini e procurar emitir uma opinião sobre o assunto.

 

O texto diz que o Gênesis, por exemplo, é visto como uma epopeia literária. O mesmo vale para as conquistas de David e as descrições do império de Salomão, no Antigo Testamento – chamados de “pequenos líderes tribais” pelo pobre jornalista. Os cientistas citados na reportagem também afirmam que: Abraão e Moisés jamais existiram; não havia muralhas em Jericó quando os hebreus tomaram Canaã; Jesus – com certeza! – foi um judeu sectário e um agitador político, que ameaçava levantar dois milhões de judeus da Palestina contra o exército romano etc.

 

Ainda sobre Jesus, o relato menciona que tudo o mais que a Bíblia diz Dele necessita de fé para ser considerado verdade. Comenta, também, que Mateus e Lucas omitiram algumas situações do Evangelho de Marcos por considerarem heresias! E afirma: “Em Marcos, Jesus é uma figura estranha que precisa fazer rituais de magia para conseguir um milagre”.

 

Para encerrar as conclusões ridículas do triste autor ateu, a matéria termina assim: “Uma bela história. Seja a da versão bíblica oficial, a apócrifa ou a que a ciência hoje propõe como a que tem mais chances de ser verdadeira”.

 

Já basta de asneiras, não? Embora eu relate isso aqui, confesso que li a matéria dando boas risadas das ‘piadas’ que os arqueólogos contam. Dizer que não conseguem comprovar cientificamente a existência de algum personagem bíblico, tudo bem, mas entrar no mérito religioso, contestando as Escrituras Sagradas e a própria divindade de Jesus, só pode ser invenção de quem não tem o que fazer. E mais: de que adianta, por exemplo, sabermos se Adão tinha umbigo? Descobertas sem nenhuma importância para os católicos irão mudar a nossa maravilhosa fé católica?

 

Eu imagino a momentânea alegria do infeliz jornalista quando terminou de escrever a matéria, achando que lançaria uma grande polêmica na mídia e colocaria dúvidas imensas nas cabeças de quase meio milhão de leitores da revista. Acredito que ele não sabe o que diz a Palavra na carta de São Paulo aos Hebreus: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível" (Heb 11, 1-3).

 

Portanto, qualquer coisa que venha daquele que não tem uma caminhada de vida cristã, não serve para criar polêmicas religiosas; mas precisamos ficar atentos nessas investidas de Satanás. Somente rezando e evangelizando, estaremos combatendo aqueles que tentam arrastar mais pessoas para o inferno.

 

E com esse objetivo de salvar almas, contei esta bonita história numa palestra:

 

No início da civilização humana, havia uma tribo que morava nas profundezas de uma grande caverna. Lá, não conheciam o sol, as estrelas, a natureza e quase nenhum animal. Viviam à beira de um rio subterrâneo, se alimentando de poucos peixes e sempre com medo de saírem daquele lugar.

 

Um dia, mesmo desautorizado pelos mais velhos, um grupo de jovens resolveu se aventurar pelos caminhos escuros e procurar descobrir outros meios de sobrevivência. Enfrentando muitos perigos, foram em frente até chegarem à boca da caverna. Maravilhados com a luz do sol e o verde da floresta, iniciaram uma discussão para resolver se voltariam ou não à tribo, buscando os que lá ficaram. Como não chegavam a um acordo, alguns foram em frente e outros voltaram – novamente enfrentando todos os perigos, por amor aos familiares que deixaram para trás.

 

Chegando ao fundo da caverna, os jovens eufóricos começaram a contar tudo o que lhes esperava do lado de fora, mas, julgados loucos pelos mais velhos, foram condenados à morte. Alguns morreram e outros conseguiram escapar, levando consigo mais pessoas para desfrutarem as maravilhas que Deus pôs na natureza.

 

O tempo foi passando e, quanto mais coisas bonitas descobriam ao ar livre, mais tentativas faziam para trazer para fora aqueles que ficaram na escuridão. E sempre a história se repetia: uns aceitavam, saíam e não se arrependiam; mas outros preferiam não acreditar em nada que lhes contavam e expulsavam os ‘loucos’.

 

Com base nesta lenda, posso agora dizer que a nossa luta de evangelização segue tão perseverante como o espírito dos jovens naquela caverna. Há muitos que continuam vivendo nas trevas, não conhecem os caminhos da graça e precisam ouvir os nossos testemunhos de fé. Cabe a cada um de nós, mais privilegiados, retirá-los do mundo obscuro que vivem e conduzi-los ao amor infinito de Deus.

 

Isso não é loucura, pois sempre foi e sempre será assim. Até que Jesus Cristo volte, milhares de pessoas O seguirão e outras infelizes O trairão. Espero que o autor da famigerada matéria da revista não esteja numa caverna muito profunda e que alguém, um dia, tenha fé e coragem para resgatá-lo.

 

Salve 2020!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 444 –  19 Dezembro 2019

 

As belas invocações a Nossa Senhora

 

A palavra ladainha vem do grego e significa súplica. Na Ladainha de Nossa Senhora – artigo anterior –, o grupo das treze invocações simbólicas requer algumas explicações para melhor compreensão.

 

No livro ‘Na Escola de Maria’, André Damino escreveu que a nossa civilização fechou-se para o simbolismo e, aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo exclusivismo concedido ao espírito prático. Por exemplo, como ressaltar a beleza de uma estrela a pessoas que ficam fechadas em cidades perigosas? Igualmente, o ritmo de vida atual não favorece a contemplação das maravilhas da criação.

 

Por isso, o autor nos explica alguns títulos da Virgem Maria, recitados na ladainha que encaminhei na semana passada:

 

Espelho de Justiça – Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade. Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã. Toda perfeição pode ser admirada nela, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

 

Sede da Sabedoria – Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria, pois, enquanto Deus, tudo sabe e tudo conhece. Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho; Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria. E continua a sê-lo, pois é nela que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

 

Causa de Nossa Alegria – A verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade. É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um pateta que ri à toa. E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade. Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós; foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade. Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

 

Vaso Espiritual – Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé. Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu e guardou, como num vaso sagrado, o Tesouro da Fé inabalável.

 

Vaso Honorífico – Em nossa época, a honra quase não é considerada, pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas; mas a honra e a glória, na realidade, valem muito. Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas e manteve a honra do gênero humano decaído. Se não tivesse existido Maria, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

 

Vaso Insigne de Devoção – Devoto quer dizer dedicado a Deus. A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

 

Rosa Mística – A rosa é a rainha das flores; é aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

 

Torre de Davi – Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela. Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade para torná-la inexpugnável e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir: Nossa Senhora. Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa.

 

Torre de Marfim – O marfim é um material que tem características raras na natureza e, ao mesmo tempo, é muito forte e muito claro. Igualmente Nossa Senhora, é muito forte espiritualmente – a maior inimiga dos inimigos de Deus – e de uma pureza alvíssima. Assim, Ela contraria a ideia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força está com os impuros.

 

Casa de Ouro – O ouro é o mais nobre dos metais, por isso, sempre que desejamos dar alguma coisa que seja insuperável, a oferecemos em ouro – uma medalha de ouro numa competição, por exemplo. Se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa que não fosse superável, neste sentido, uma casa de ouro. E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

 

Arca da Aliança – No Antigo Testamento, na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto, por isso, ela lembrava as promessas e a proteção de Deus. Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

 

Porta do Céu – Ela é invocada desse modo, pois foi por meio dela que Jesus Cristo veio à Terra e é por Ela que nos vêm todas as graças, as quais têm como finalidade nos levar ao Céu, nossa morada eterna. Assim, Ela favorece nossa entrada no Paraíso, como a porta favorece a entrada num outro local.

 

Estrela da Manhã – Pouco antes de nascer o sol, quando a escuridão é maior e vai começar a clarear, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade. Depois, quando as outras estrelas desaparecem na claridade nascente, ela ainda permanece. Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

 

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que sua compreensão nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração neste Natal e sempre. Assim seja.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 443 –  ? Dezembro 2019

 

A maravilhosa Ladainha Lauretana

 

Muitos católicos já rezaram a Ladainha de Nossa Senhora, mas poucos conhecem bem o grande valor teológico e simbólico de suas invocações. Várias são óbvias e nem precisam de explicações – ‘Santa Mãe de Deus, rogai por nós’ etc; mas nem todas são simples de compreensão.

 

Se quisermos agradar a Deus em nossas orações, precisamos procurar entender com profundidade o significado daquilo que Lhe dizemos e, com isso, tornar mais eficaz o pedido que fazemos. Portanto, também para aperfeiçoar nossa espiritualidade, hoje e na próxima semana, vamos nos aprofundar um pouco na ladainha-título deste artigo.

 

Quando a casa de Nossa Senhora, na Palestina, foi transportada milagrosamente para a cidade de Loreto – Itália, 1921 –, uma série de súplicas foi sendo composta pelos peregrinos que a visitavam. Posteriormente, eram cantadas diariamente no Santuário e a sequência se popularizou como Ladainha Lauretana.

 

Algumas invocações foram acrescentadas pelos Papas ao longo do tempo, mas o corpo central permanece o mesmo. No início da ladainha, as invocações se dirigem a Nosso Senhor e à Santíssima Trindade. Após essa introdução, seguem-se três invocações, nas quais pronunciamos o nome da Virgem Maria e lembramos dois de seus principais privilégios: ser Mãe de Deus e Virgem das virgens. A seguir, há um grupo de doze invocações para honrarmos a maternidade de Nossa Senhora e outras seis para honrarmos sua virgindade. Em seguida, treze figuras simbólicas, quatro invocações de sua misericórdia e, finalmente, doze invocações à Rainha gloriosa e poderosa.

 

Eis a ladainha completa, para rezarmos com fé e alcançarmos muitas graças:

 

Senhor, tende piedade de nós. / Cristo, tende piedade de nós. / Senhor, tende piedade de nós.

 

Jesus Cristo, ouvi-nos. / Jesus Cristo, atendei-nos.

 

Deus, Pai dos céus, tende piedade de nós. / Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós. / Deus Espírito Santo, tende piedade de nós. / Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

 

Santa Maria, rogai por nós. / Santa Mãe de Deus, rogai por nós. / Santa Virgem das virgens, rogai por nós.

 

Mãe de Jesus Cristo, rogai por nós. / Mãe da divina graça, rogai por nós. / Mãe puríssima, rogai por nós. / Mãe castíssima, rogai por nós. / Mãe imaculada, rogai por nós. / Mãe intacta, rogai por nós. / Mãe amável, rogai por nós. / Mãe admirável, rogai por nós. / Mãe do bom conselho, rogai por nós. / Mãe do Criador, rogai por nós. / Mãe do Salvador, rogai por nós. / Mãe da Igreja, rogai por nós.

 

Virgem prudentíssima, rogai por nós. / Virgem venerável, rogai por nós. / Virgem louvável, rogai por nós. / Virgem poderosa, rogai por nós. / Virgem benigna, rogai por nós. / Virgem fiel, rogai por nós.

 

Espelho de justiça, rogai por nós. / Sede da sabedoria, rogai por nós. / Causa de nossa alegria, rogai por nós. / Vaso espiritual, rogai por nós. / Vaso honorífico, rogai por nós. / Vaso insigne de devoção, rogai por nós. / Rosa mística, rogai por nós. / Torre de Davi, rogai por nós. / Torre de marfim, rogai por nós. / Casa de ouro, rogai por nós. / Arca da aliança, rogai por nós. / Porta do céu, rogai por nós. / Estrela da manhã, rogai por nós.

 

Saúde dos enfermos, rogai por nós. / Refúgio dos pecadores, rogai por nós. / Consoladora dos aflitos, rogai por nós. / Auxílio dos cristãos, rogai por nós.

 

Rainha dos anjos, rogai por nós. / Rainha dos patriarcas, rogai por nós. / Rainha dos profetas, rogai por nós. / Rainha dos apóstolos, rogai por nós. / Rainha dos mártires, rogai por nós. / Rainha dos confessores, rogai por nós. / Rainha das virgens, rogai por nós. / Rainha de todos os santos, rogai por nós. / Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós. / Rainha assunta ao céu, rogai por nós. / Rainha do Santo Rosário, rogai por nós. / Rainha da paz, rogai por nós.

 

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. / Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor. / Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

 

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

 

Oremos: Senhor Deus, nós vos suplicamos que concedais a vossos servos lograr perpétua saúde de alma e corpo; e que pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

 

Em geral, é no grupo das treze invocações simbólicas que surgem as maiores dificuldades de compreensão. Na semana que vem, veremos a explicação de André Damino, em seu livro ‘Na Escola de Maria’, para o significado dessas maravilhosas invocações da ladainha. Até lá, exercite esta receita abençoada de vida feliz:

 

Amigos: nunca deixe faltar. Raiva de alguém: se acontecer, que seja passageira. Paciência: o máximo possível. Lágrimas: enxugue todas. Sorrisos: os mais variados. Paz: em grande quantidade. Perdão: à vontade. Desafetos: nenhum. Esperança em Deus: não perca jamais. Coração puro: quanto maior, melhor. Oração: sempre.  Amor ao próximo: pode abusar.

 

Modo de preparo: Reúna seus amigos e inimigos, esqueça os momentos de raiva, use toda a sua paciência, substitua as lágrimas por sorrisos, junte a paz com o perdão e ofereça-os aos seus desafetos. Deixe a esperança cristã crescer rapidamente em seu coração puro.

 

Deste modo, prepare sua melhor receita de vida feliz e nunca economize na oração ou no amor sincero. No final da festa, neste Natal, tenho certeza que você dirá: ‘Como valeu a pena experimentar!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 442 –  2 Dezembro 2019

 

Cuidado para não queimar a língua

 

Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiá-lo.

 

O velho aceitou mais aquele teste e o homem mau começou a xingá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu-lhe e gritou todos os tipos de insultos. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o homem sem escrúpulos se deu por vencido e retirou-se.

 

Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pode suportar tanta indignidade. O velho, porém, também lhes questionou: ‘Se alguém chega com um presente e vocês não o aceitam, a quem pertence o presente?’ Um dos discípulos respondeu-lhe: ‘A quem tentou entregá-lo’. Daí, o sábio completou: ‘O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. Portanto, a sua paz interior depende exclusivamente de você, pois as pessoas só podem lhe tirar a calma se você permitir’.

 

Bem, com certeza, falar é bem mais fácil do que praticar a paciência, contudo, eu posso testemunhar que o velho mestre da história tem razão. Mudando o meu comportamento e não mais deixando que me irritassem, adquiri o hábito da paciência e quase não discuto com alguém; aliás, quem procura colocar as suas insatisfações para fora, corre o risco de ‘queimar a língua’, como neste conto verídico que foi publicado no jornal ‘Juventude Vicentina’ de Barbacena:

 

Na década de 70 em Belo Horizonte, perto da Estação Ferroviária Carlos Prates, havia uma ponte de ferro que servia de abrigo para os mendigos. Idosos, jovens, mulheres e crianças vegetavam ali, em grande contraste com os padrões de classes culturais, financeiras e sociais.

 

Todos os dias dentro do carro, ao voltarem do trabalho, um senhor comentava com o amigo: ‘Tenho nojo dessa gente, são uns vagabundos! Essa raça é preguiçosa e não vale nada’. O colega, ao ouvir isto, o repreendia: ‘Não diga nunca uma coisa dessas sobre nossos semelhantes. É preciso entender que esses indigentes são filhos de Deus e, infelizmente, não tiveram uma família estruturada e nem oportunidades de realizar nada’.

 

Mas, o companheiro sempre discordava: ‘Que nada, pau que nasce torto, morre torto. Nem você e nem ninguém irá me convencer que estou errado a respeito dessa gentinha de rua’. E, assim, iam discutindo meses e meses ao passarem pelo local.

 

Um dia, próximo da estação, o gato do homem que se enojava dos pobres se assustou dentro do seu carro e pulou sobre ele, fazendo-o perder o controle do veículo. Como a rua saía em frente ao Rio Arrudas, o carro foi pra dentro d’água, colocando em risco a vida do motorista e de sua esposa. Se não fosse o pronto socorro prestado pelos mendigos ali presentes, eles teriam morrido.

 

Parte daquela ‘gentinha’ pulou voluntariamente nas correntezas, enquanto outros correram para cercar os motoristas que vinham passando e solicitaram que levassem os dois afogados ao hospital. Em seguida, os pedintes amarraram o veículo com cordas e evitaram que fosse levado pela correnteza, até chegar o reboque.

 

Esta história saiu no jornal com o título: ‘Os miseráveis em resgate!’ Eu penso que o maior resgate que fizeram naquele dia nem foi do veículo ou da vida do casal, mas da alma daquele que os considerava ‘lixo’.

 

Para uns, isso tudo pode ser apenas coincidência ou capricho da natureza, mas a verdade é bem outra: quem não se volta para Deus, um dia acaba levando uma ‘bofetada na face’. E quando Jesus disse que tomando uma bofetada numa das faces do rosto devemos dar a outra, não se referiu à parte física, mas, sim ao perdão. É através do perdão que cultivamos a paz nos corações rancorosos e agradamos a Deus, além de evitarmos correr o risco de ‘queimar a língua’, não é mesmo?

 

Pena que a história não trouxe o depoimento do casal resgatado pelos mendigos após o acidente. Será que o marido seria capaz de repetir os insultos que fazia aos diariamente pobres? Como terá sido a sua conversão? Hoje, estaria vivo ou praticou a caridade e já se encontra no Céu? Tudo isso eu gostaria muito de saber, mas os fatos mais importantes acredito que foram contados.

 

O diálogo abaixo também é verídico e foi travado em outubro de 1995 entre um navio da marinha norte-americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland. Os americanos disseram primeiro pelo rádio:

 

- Favor alterar seu curso 15 graus para norte para evitar colisão com a nossa embarcação.

 

Os canadenses responderam de pronto:

 

- Recomendo mudar o seu curso 15 graus para sul.

 

O americano ficou mordido:

 

- Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o seu curso.

 

Mas, o canadense insistiu:

 

- Não. Mude você o seu curso atual.

 

O negócio começou a ficar feio e o capitão americano berrou no microfone:

 

- Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico. Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e navios de suporte. Eu exijo que vocês mudem seu curso 15 graus para norte ou então tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio.

 

E a resposta foi humilhante:

 

- Aqui é um farol, câmbio!

 

Pois é, quantas vezes criticamos a ação dos outros, exigimos mudanças de comportamento nas pessoas que vivem perto de nós, quando na verdade nós é que deveríamos mudar o nosso rumo. Quem não percebe isso a tempo, pode acabar queimando muito mais do que a língua.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 441 –  26 Novembro 2019

 

Pode o rico entrar no céu?

 

Cristo disse: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19, 24). Comentando esta afirmativa do Senhor, Clemente de Alexandria – século III – falou que as riquezas são dadas ao homem pela munificência de Deus bom; assim, não são nem boas nem más, pois é o homem que lhes dá a sua qualificação ética. E não são elas que precisam ser destruídas, mas os vícios do coração – que provocam a avareza dos que as possuem e a cobiça dos que não as têm.

 

São Basílio, bispo de Cesareia no século IV, se insurgiu contra a ganância em numerosos textos: “Possuir mais do que o necessário é prejudicar os pobres, é roubar”. “Quem despoja um homem das suas vestes, terá nome de ladrão, e quem não veste a nudez do mendigo quando o pode fazer, merecerá outro nome?”. “Ao faminto pertence o pão que tu guardas; ao homem nu, o manto que fica nos teus baús; ao descalço, o sapato que apodrece na tua casa; ao miserável, o dinheiro que tu guardas enfurnado”.

 

E no século V, Santo Agostinho comentou: “Vemos, às vezes, que um rico é pobre e o pobre oferece-lhe seus préstimos. Eis que alguém à beira de um rio e, quanto tem de posses, tem de delicado, não conseguirá atravessar; se tirar a roupa para nadar, teme resfriar-se, adoecer, morrer... Chega um pobre, mais robusto e preparado, ajuda o rico a atravessar e faz esmola a ele”.

 

Portanto, não são pobres somente os que não têm dinheiro. Observe, você também, em que é pobre, porque, com certeza, é rico sob outro aspecto e poderá prestar ajuda a muita gente. Talvez fosse melhor ajudar alguém com seus braços do que se ajudasse com dinheiro. Deus é quem nos dá tudo e nós apenas repassamos – todos recebemos d’Ele, o único rico do universo.

 

Certa ocasião, João Paulo II fez um breve resumo sobre o Salmo 8: Grandeza de Deus e dignidade do homem. Ele disse: “Queridos irmãos e irmãs! O domínio do homem, que o Salmo 8 nos narra extasiado, não pode ser exercido humilhando os nossos semelhantes e a criação. O apelo e a esperança do salmista encontrará plena realização em Jesus Cristo, que ‘não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos’ (Mc 10, 45). Ele é o homem perfeito; domina o universo com a força da paz e do amor, que preparam os novos céus e a nova terra”.

 

Com estas palavras do Papa em relação ao ‘domínio desumano do homem no mundo’, o que mais dizer? Se o próprio Deus nasceu pobre e se humilhou, haverá de entrar no Céu aquele que acumula tesouros e humilha o semelhante?

 

Conta-se que um velho analfabeto rezava com tanto fervor a cada noite que, certa vez, o rico chefe da grande caravana que viajava chamou-o e perguntou:

 

- Por que reza com tanta fé? Como você sabe que Deus existe, quando nem ao menos sabe ler?

 

O fiel cristão respondeu:

 

- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?

 

- Pela assinatura!

 

- Quando recebe uma joia, como é que se informa quanto ao autor dela?

 

- Pela marca do ourives!

 

- E quando ouve passos de animais ao redor da tenda, como tem certeza, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?

 

- Pelos rastros, é claro!

 

Então, mostrando-lhe o céu, onde a lua brilhava cercada por multidões de estrelas, o fervoroso velho falou respeitoso:

 

- Senhor, e aqueles sinais lá em cima? Não podem ser dos homens, concorda?

 

Naquele momento, o orgulhoso caravaneiro, já com os olhos lacrimosos, esqueceu-se da sua ‘riqueza’, ajoelhou-se na areia e também começou a rezar.

 

Pois é, nesse nosso mundo globalizado e cheio de correrias, tudo gera explicações e preocupações. Quem trabalha com computadores, se desespera quando a internet não funciona; quem só pensa em investimentos, quebra a cabeça para não vir a perder um centavo sequer... E a vida espiritual, como fica? Quantos se preocupam com as ricas novenas que acontecem na cidade ou com os famintos que sofrem calados?

 

A vida de Frei Pio – 758º santo da Igreja quando canonizado – era rica em miséria e sacrifícios. Em 1912, ele assim escreveu: “Deus escolhe as almas e, entre elas, apesar da minha indignidade, escolheu também a minha para ter uma ajuda na grande obra da salvação humana. Há algum tempo sinto a necessidade de entregar-me ao Senhor como sacrifício pelos pobres pecadores. Suplico-lhe que envie sobre mim os castigos preparados aos pecadores, multiplicando-os, contanto que os mais pecadores se convertam”. Viveu, portanto, como um rico instrumento nas mãos de Deus.

 

Após todas essas reflexões, podemos concluir que a riqueza é, pois, indiferente: nem boa, nem má. O coração do homem é que a torna boa ou má. Quem está apegado às riquezas materiais, dificilmente entrará no Reino de Deus, mas quem não tem o coração preso às coisas do mundo, esse poderá entrar no Céu.

 

Santa Madre Tereza de Calcutá dizia: “A vida é uma oportunidade, aproveite-a. A vida é beleza, admire-a. A vida é um sonho, torne-o realidade. A vida é um desafio, enfrente-o. A vida é um dever, cumpra-o. A vida é preciosa, cuide dela. A vida é uma riqueza, conserve-a. A vida é um mistério, descubra-o. A vida é tristeza, supere-a. A vida é um hino, cante-o. A vida é uma luta, aceite-a. A vida é a vida, defenda-a”.

 

Eu diria que viver uma experiência religiosa é se fazer pobre para ser digno de viver como filho rico do Criador e alcançar o seu Reino após a morte. Você já experimentou viver assim?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 440 –  15 Novembro 2019

 

Negócios sim, mas, almas à parte

 

Um dia li que a BBC Brasil divulgou que o britânico Gareth Malham vendeu sua alma – em um site de leilões na internet – por cerca de R$ 45,00. O artista, de 26 anos, colocou um anúncio no ‘eBay’ e sua alma foi comprada por um morador do Estado de Oklahoma, nos Estados Unidos. Segundo Malham, o comprador queria uma nova alma porque havia perdido a sua num jogo de hóquei, e confirmou que fecharia o acordo assinando um documento com o seu próprio sangue!

 

O tal artista, natural da cidade de York, se formou em fotografia, vídeo e digitalização de imagens na Universidade de Sunderland e tinha um emprego de meio expediente no departamento de fotografia da própria universidade. Começou a vender coisas pela internet porque passava por uma situação financeira difícil. Logicamente, representantes da Igreja Católica disseram que o leilão abre um precedente muito perigoso.

 

Que absurdo! O pior é pensar que, se a moda pega, talvez milhares de pessoas saiam às ruas oferecendo o maior tesouro que possuem por um preço de banana! É isso que a Igreja deve ter imaginado ao fazer o seu protesto. Mas, será que podemos concluir que, quem venderia a alma, não acredita na vida eterna e, quem a compraria, pensa que realmente estaria se salvando com essa transação?

 

É até difícil comentar o assunto de tão fantasioso que parece, afinal, a nossa alma não nos pertence no sentido que o britânico imaginou. É impossível trocá-la ou vendê-la, graças a Deus; contudo, quem tentar fazê-lo, acaba mesmo por perdê-la, mas sem nada em troca.

 

As dezenas de casos que aqui já contei provam que muita gente acredita na salvação e, portanto, sabe que a nossa alma não poderá estar manchada de pecados no momento da morte. Como eu também tenho certeza disso, contarei mais algumas histórias para exemplificar a importância da nossa maravilhosa e inegociável alma.

 

Um garoto vivia só com o pai e ambos tinham uma relação muito especial. O jovem pertencia à equipe de futebol da escola e quase nunca tinha oportunidade de jogar, mas, mesmo assim, seu pai permanecia sempre torcendo no alambrado.

 

Ele amava jogar futebol e não faltava a nenhum treino ou jogo, pois estava decidido a dar o máximo de si e se sentia muito comprometido com o grupo. Os meninos do 2º grau o chamavam de ‘esquenta banco’, porque era um eterno reserva, porém, o pai, com espírito lutador, sempre estava dando o melhor apoio que um filho poderia esperar.

 

No final da temporada, e justo alguns minutos antes de começar o primeiro jogo das eliminatórias, o diretor da escola lhe deu uma triste notícia: seu pai havia falecido. O menino respirou fundo e, tremendo, disse ao treinador de futebol: ‘Meu pai morreu esta manhã. Existe algum problema se eu não jogar hoje?’ O técnico o abraçou e falou: ‘Fica o resto da semana de folga, filho, e nem se preocupe em vir na final de sábado’.

 

Na decisão, a equipe do menino tinha dois gols de desvantagem quando o jovem entrou no estádio e, já uniformizado, correu até o treinador. Todos ficaram impressionados ao vê-lo regressando e, ele, insistiu tanto para jogar que, finalmente, o treinador deixou.

 

Minutos depois, poucos podiam acreditar no que viam: o pequeno desconhecido do público, que nunca havia participado de algum jogo, estava sendo brilhante e ninguém conseguia detê-lo em campo – corria fácil e driblava como ninguém. Sua equipe começou a fazer gols até ganhar com um golaço do ‘menino craque’. As pessoas que estavam nas grades gritavam emocionadas e, todos os jogadores, o levaram carregado até a torcida.

 

Finalmente, quando tudo terminou, o técnico notou que o jovem estava sentado quieto num canto. Aproximou-se e disse-lhe: ‘Garoto, não posso acreditar. Você esteve fantástico! Conte-me, como conseguiu?’ O rapaz olhou para o professor e explicou: ‘O senhor sabia que meu pai era cego? Veio em todos os jogos sem poder enxergar, mas, hoje, foi a primeira vez que ele realmente me viu jogar e eu quis mostrar-lhe que podia se orgulhar de mim’.

 

Emocionante, não? Ainda bem que o pai do garoto não vendeu a alma e continua até hoje torcendo por ele! Mas, o britânico Gareth Malham, se não se arrepender a tempo da besteira que fez, vai acabar presenciando de perto um outro tipo de história, semelhante a esta:

 

Uma alma condenada passou séculos implorando que alguém a tirasse do sofrimento, até que, um dia, ouviu uma voz do alto: ‘Você poderá subir ao Céu se prometer amar seus irmãos de todo o seu coração’. Feliz, a alma do inferno logo concordou e, de repente, viu um fio de teia de aranha descendo até lá.

 

Mesmo duvidando que aquele fiozinho pudesse resistir, começou a subir rapidamente quando percebeu que, atrás, outras almas subiam também. Furiosa, passou a gritar: ‘Larguem! Esse fio foi enviado a mim! Vocês irão arrebentá-lo, idiotas!’ E o fio, realmente, se rompeu.

 

Como é difícil cumprir a promessa de sempre amar a todos, hein! Acredito que é muito mais difícil no inferno... credo! E, para encerrar as histórias de hoje, eis mais uma para você refletir e passar a cuidar melhor da sua alma:

 

No mês passado, olhando para a Terra, Deus viu todo o mal que se passava aqui e decidiu enviar um anjo para investigar. Quando o anjo regressou, relatou ao Senhor: ‘Sim, a Terra é 95% má e 5% boa’. Deus disse: ‘Isso não me agrada. Vou mandar uma carta aos 5% das pessoas boas do mundo para dar-lhes ânimo. Quero pedir que não desistam e que sigam evangelizando, sem perder a fé’. E assim o fez.

 

Você recebeu a carta? Não? Então, vamos procurar melhorar, porque eu também não a recebi!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 439 –  8 Novembro 2019

 

O amor santifica a família

 

Das muitas ‘histórias de sábio’ que adaptei para estes artigos, eis uma que ainda não contei:

 

Um esposo foi visitar um sábio conselheiro, disse-lhe que já não amava mais sua esposa e que pensava em separar-se. O sábio escutou, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma palavra: ‘Ame-a’. Assim que se calou, ouviu a insatisfação do homem: ‘Mas, não sinto nada por ela!’ Disse-lhe novamente o sábio: ‘Ame-a’.

 

Depois de um breve silêncio, diante da perplexidade do senhor, o velho conselheiro explicou: ‘Amar é uma decisão cristã, não apenas um sentimento. Amar é dedicação, é entrega e o fruto dessa ação é a salvação. O amor é como um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas ou excesso de chuva, mas, nem por isso abandone o seu jardim. Aceite sua esposa, valorize-a, respeite-a, dê-lhe afeto e ternura, admire e compreenda-a. Isso é tudo: ame-a!’

 

E, a partir de então, aquele homem começou a rezar para amar mais a mulher. Com o passar do tempo, ficou fascinado ao descobrir nos Evangelhos a forma maravilhosa como Jesus amou. Então, já com o lar bem estruturado, começou a amar os irmãos sem distinção. Um dia, após se doar a muitos por amor, escreveu estas linhas:

 

‘A inteligência sem amor te faz perverso. A justiça sem amor te faz implacável. A diplomacia sem amor te faz hipócrita. O êxito sem amor te faz arrogante. A riqueza sem amor te faz avaro. A docilidade sem amor te faz servil. A pobreza sem amor te faz orgulhoso. A beleza sem amor te faz ridículo. A autoridade sem amor te faz tirano. O trabalho sem amor te faz escravo. A simplicidade sem amor te deprecia. A lei sem amor te escraviza. A fé sem amor te deixa fanático. A cruz sem amor se transforma em tortura. A vida sem amor... não tem sentido algum.’

 

Muitas outras conclusões ele poderia ter tirado, concorda? O importante foi ter descoberto que ‘só o amor constrói’. E você, conhece algum santo que não tenha amado os irmãos? É possível que exista no Céu alguém que nunca amou com absoluta retidão? Aliás, tente se imaginar cumprindo os dez mandamentos sem amar a Deus e ao próximo... Impossível, concorda?

 

Neste nosso mundo de pecados, às vezes, chegamos a ficar estarrecidos com a maldade dos homens. O que fazer para melhorar o rumo das coisas erradas? Na música ‘Hino à Família’, do segundo CD do Grupo Nossa Senhora da Agonia, escrevi esta mensagem: “Há muitos lares onde impera a falsidade e a oração de cada dia é brigar; se o casal lesse sempre os Evangelhos, saberia melhor o que buscar. Nossas crianças não podem ser felizes se encontrarem a paz jogada ao léu; é dando as mãos que vamos lhes mostrar o sabor da vida lá no Céu”.

 

Trocando em miúdos, vou relacionar dez ações para o casal praticar na sua caminhada cristã, deixando bons exemplos aos filhos:

 

- Recitar o Terço todos os dias.

 

- Fazer caridade toda semana.

 

- Assistir Missa aos domingos e dias santos.

 

- Pagar o dízimo todos os meses.

 

- Ser sempre fiel no casamento.

 

- Instruir os filhos a trilhar os caminhos de Jesus.

 

- Ler a Bíblia frequentemente em família.

 

- Rezar diariamente pelo Papa, pela Igreja, pelos bispos, sacerdotes, vocações e religiosos(as).

 

- Oferecer jejuns e penitências pelas almas do purgatório.

 

- Evangelizar principalmente os mais pecadores.

 

Exceto jejuns e algumas penitências, os demais itens eu tenho cumprido regularmente. Sei que ainda preciso melhorar muito para não mais ofender a Deus e ganhar o meu lugar no Paraíso, mas, rezando, confessando e comungando, vou melhorando.

 

E você, que auto avaliação faria hoje no cumprimento das dez ações que relacionei? Nenhuma é muito difícil de cumprir, portanto, agradeça o Senhor por lhe permitir estar lendo estas linhas agora e comece também a melhorar. Se o fizer, todas as suas próximas gerações serão abençoadas pelos seus atos.

 

Mas, como cada um sabe de si e só Deus conhece as intenções de todos, não devemos nos colocar na condição de juiz moral de ninguém. E para melhor exemplificar que não é fácil julgar o comportamento das pessoas, vou me basear nesta história que um amigo me enviou:

 

Um fazendeiro comprou uma mula de outro proprietário, pagou R$ 100,00 adiantados e concordou em receber o animal no dia seguinte, mas, assim que amanheceu, só recebeu esta má notícia do vendedor:

 

– Desculpe-me, mas a mula morreu.

 

– Então, devolva-me o dinheiro.

 

– Não posso, já gastei tudo!

 

– Sendo assim, peço apenas que me traga a mula.

 

– E o que você vai fazer com uma mula morta?

 

– Vou rifá-la.

 

– Mas você não pode rifar uma mula morta!

 

– Claro que posso. Só não vou dizer pra ninguém que ela está morta.

 

Um mês depois, os dois homens se encontram e o fazendeiro que vendeu o animal perguntou:

 

– E aí, que fim levou a mula morta?

 

– Eu a rifei, como tinha dito que faria. Vendi 500 números a R$ 2,00 cada e tive um lucro de R$ 998,00!

 

– E ninguém reclamou?

 

– Só o sujeito que foi premiado na rifa. Então, eu lhe devolvi seus R$ 2,00.

 

Agora, pense e responda: qual dos dois agiu melhor? Lembre-se que o segundo rifou uma mula morta! Mas, também não se esqueça que o primeiro não devolveu o dinheiro que não lhe pertencia! É meio complicado, não? Eu sugiro que façamos bem feita a nossa parte aqui na Terra para facilitarmos o julgamento de Deus após a morte.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 438 –  1 Novembro 2019

 

Deus quer que vivamos hoje

 

Quando pequenos, pensamos no futuro, pois é comum crianças dizerem que querem ser isso ou aquilo quando crescerem. Quando jovens, nos convencemos que a vida será melhor depois que casarmos e tivermos um filho, depois outro etc. Aí ficamos frustrados porque as crianças não são grandes o bastante para se cuidarem sozinhas e achamos que estaremos melhor quando se tornarem adultas.

 

O tempo passa e somos provados por termos que lidar com adolescentes e certamente achamos que seremos muito mais felizes quando eles passarem dessa fase. Também falamos que a nossa vida estará completa quando comprarmos aquele carro legal, ou gozarmos aquelas sonhadas férias, ou nos aposentarmos...

 

A verdade é uma só: não existe melhor fase para ser feliz do que agora mesmo. E, se não agora, então quando? A vida sempre estará repleta de desafios, não é mesmo? O melhor é admitir isso o quanto antes e decidir ser feliz já.

 

Por um longo tempo eu achei que a minha vida estava prestes a começar, mas, sempre havia um obstáculo no caminho: algo a resolver, coisas mal acabadas, dívidas para pagar e, aí sim, a vida boa realmente começaria. Hoje, vejo aqueles obstáculos como sendo a minha própria vida. E essa percepção me ajudou a enxergar que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

 

Eu já sofri com doença do pânico, doença na córnea, laringite crônica, endocardite, duas tromboses venosas, hérnia de hiato, fiz duas cirurgias – apêndice e hérnia inguinal –, fiquei quase dois anos com problema de unha encravada no pé – removendo-a por duas vezes –, enfim, eu poderia estar dizendo que as doenças me perseguem, no entanto, dou graças a Deus por tudo que passei.

 

E sou muito feliz convivendo com algumas sequelas e tratamentos: perna meio inchada, meia elástica diariamente, lentes de contato desde que levanto, remédios para o estômago e tantos outros pela manhã etc. Nada disso atrapalha a vontade que sinto em servir a Igreja de Jesus Cristo.

 

Quando penso que já recebi extrema-unção na cama de um hospital em 1992 e só tinha 2% de chance de vida, valorizo ainda mais cada minuto aqui e agora. Aprendi com os meus pais a nunca blasfemar e sempre repito: a oração cura, a fé salva e a confiança na Providência Divina nos faz superar com dignidade cristã qualquer tipo de problema.

 

Portanto, valorize cada momento que você tem, principalmente os que pode dividir com alguém que necessita do seu tempo. Pare de esperar até que volte a estudar, ou até perder 10 quilos, ou até que seus filhos saiam de casa, ou até o verão chegar, ou até perceber que não existe melhor hora do que agora mesmo para ser feliz. Trabalhe como se não precisasse de dinheiro, ame como Jesus Cristo ensinou e viva confiando nas orações que afastarão você do pecado.

 

Imagine que isto aconteceu hoje na sua vida:

 

‘Fui ao Hospital do Senhor para fazer um check-up de rotina e soube de alguns problemas. Quando Jesus mediu minha pressão, verificou que estava baixa de ternura. Ao tirar a temperatura, o termômetro registrou 40 graus de egoísmo. Fiz um eletrocardiograma e diagnosticaram que eu necessitava de uma ponte de amor, pois minhas veias estavam bloqueadas e não abasteciam meu coração vazio. Eu tinha dificuldade de andar abraçado com os irmãos por ter fraturado o braço, ao tropeçar na minha vaidade. Tinha também miopia constatada por não enxergar além das aparências. Queixei-me de não poder ouvi-lo e Jesus diagnosticou bloqueio auditivo em decorrência das palavras queixosas do dia-a-dia.’

 

Agora, agradeça e prometa, assim:

 

‘Obrigado, Senhor, por não ter custado nada a consulta e pela Sua grande misericórdia. Prometo, após ser medicado e receber alta do hospital, somente usar homeopatia – que são os remédios naturais que me indicou e estão no receituário dos Evangelhos. Ao levantar, vou tomar chá de Obrigado Senhor; ao entrar no trabalho, experimentarei uma colher de sopa de Bom Dia Irmãos; e, de hora em hora, um comprimido de Paciência com meio copo de Humildade. Ah, Senhor, ao chegar em casa, vou tomar uma injeção de Amor e, ao deitar, duas cápsulas de Consciência Tranquila.’

 

E, para arrematar, eis a receita de felicidade dada por Madre Tereza de Calcutá:

 

‘O dia mais belo? Hoje. A coisa mais fácil? Equivocar-se. O obstáculo maior? O medo. O erro maior? Abandonar-se. A raiz de todos os males? O egoísmo. A distração mais bela? O trabalho. A pior derrota? O desalento. Os melhores professores? As crianças. A primeira necessidade? Comunicar-se. O que faz feliz? Ser útil aos demais. O mistério maior? A morte. O pior defeito? O mau humor. A coisa mais perigosa? A mentira. O sentimento pior? O rancor. O presente mais belo? O perdão. O mais imprescindível? O lar. A estrada mais rápida? O caminho correto. A sensação mais grata? A paz interior. O resguardo mais eficaz? O sorriso. O melhor remédio? O otimismo. A maior satisfação? O dever cumprido. A força mais potente do mundo? A fé. As pessoas mais necessárias? Os pais. A coisa mais bela de todas? O Amor.’

 

Pois é, tudo isso só tem valor se praticado no momento presente.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 437 –  26 Outubro 2019

 

O eterno banco do tempo

 

Imagine só um banco que credita na sua conta 86400 toda manhã, mas não transporta o saldo para o dia seguinte – à noite, apaga o que não foi usado durante o dia. O que você faria? Gastaria tudo, não é? Pois bem, há um banco assim: é o Banco do Tempo.

 

De manhã, ele deposita 86400 segundos na sua conta e nenhum saldo vai para o próximo dia – jamais poderá usar o tempo perdido! Também não permite agendamento de saque para o futuro, pois todos os dias abre uma conta nova e queima os arquivos velhos.

 

Portanto, desfrute o máximo que puder em saúde, paz, oração e caridade. Trate de dar atenção à família, aos amigos necessitados e, principalmente, a Jesus Cristo – que se apresenta como pobre humilhado pela sociedade. Seja generoso hoje, ame hoje e agradeça hoje. Não deixe nada para amanhã, pois você só tem hoje para gastar com sabedoria os recursos que o Banco do Tempo lhe oferece.

 

E, se quiser saber quanto vale um ano, pergunte a um estudante que foi reprovado; para saber o valor de um mês, pergunte à mãe que teve um filho prematuro; para saber o valor de uma semana, pergunte ao mendigo com quatro filhos para alimentar; para saber o valor de um dia, pergunte a um paciente de UTI; para saber o valor de uma hora, pergunte a quem recebeu uma grande graça na Missa; para saber o valor de um minuto, pergunte a quem foi salvo de afogamento; e, se quiser saber quanto vale um segundo, pergunte a quem experimentou colocar a mão no fogo.

 

Agora, se você também quiser saber o verdadeiro valor de uma vida, leia o capítulo 15 de São Marcos. Lá, você aprenderá a valorizar cada momento vivido neste mundo e o apreciará ainda mais se o repartir com alguém. Lembre-se que o tempo não espera por nós e, sabendo aproveitá-lo segundo os Mandamentos de Deus, haverá tempo de sobra para todos na eternidade.

 

Eis um conselho que sempre dou nos cursos que ministro: ‘Gaste o seu tempo com o mesmo cuidado que gasta o seu dinheiro... e não se arrependerá’. Conheço também dezenas de outras frases de efeito sobre o tempo, mas nenhuma substitui os bons exemplos de disponibilidade das pessoas: na oração, no anúncio do Evangelho, nos chamados de Deus, no socorro aos pobres etc.

 

Acredite que é possível gastar com sabedoria os recursos que o Banco do Tempo nos disponibiliza. Agindo assim, plantamos mais esperança nos corações católicos e asseguramos bons frutos na colheita; mas, infelizmente, nem todos enxergam as coisas dessa maneira. Portanto, antes de concluir sobre o assunto, leia esta história:

 

Uma cobra vivia perseguindo um vaga-lume. Um dia, já sem forças, ele parou e disse à cobra:

 

- Pertenço à sua cadeia alimentar ou fiz algum mal a você?

 

- Não.

 

- Então, por que quer me comer?

 

- Porque não consigo perdoar a sua mania de brilhar mais do que eu.

 

Agora pense no Banco do Tempo e na história acima, e veja se concorda com as conclusões que preparei: ‘Se você quer ser feliz por um instante, então, vingue-se de alguém; mas, se desejar experimentar a felicidade eterna, perdoe sempre.’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 436 –  12 Outubro 2019

 

Menos esmola e mais caridade

 

As lições de vida que temos presenciado como Vicentinos poderiam ser contadas aqui por várias semanas, mas, respeitando a privacidade de muitas pessoas conhecidas na cidade, vou relatar uma história real narrada por um Confrade de Belo Horizonte-MG:

 

“Certa vez fui visitar um homem indicado para uma sindicância. Seu barraco, com uma minúscula porta e entulhado de velharia, mal deixava a luz do sol entrar em meio à fumaça de um fogão de lenha. Bati palmas e gritei: ‘Ô de casa, sou Confrade!’ Ouvi uma voz fraca seguida de tossidos: ‘Entre, entre!’

 

Aquela visão e o cheiro de fumaça provocou-me lágrimas de comoção. Ali sentado no chão, perto do fogão em que cozinhava dois pedaços de costela quase sem carne, ele apenas disse: ‘É meu almoço, partirei para nós’. Agradeci e começamos a conversar. Contou-me ter 92 anos, vivia com Deus e mais um cachorro que, deitado do lado da cama, quase não enxergava mais. Outra vez chorei.

 

Eu precisava fazer algo urgente para amenizar a situação daquele velho homem. Ainda conversamos um pouco mais em meio aos tossidos, depois, fui embora e prometi voltar com a solução de um lugar melhor.

 

Voltei após dois dias para comunicar a ele um novo lar no asilo. Ali o tempo parecia não ter passado, pois a cena era a mesma, exceto pelo fato dele ter no colo o cão que estava muito doente. Disse a ele: ‘Voltei para ajudar-lhe na sua mudança’. Com dificuldade, ele se pôs de pé. Era um homem alto e muito magro que, chegando à porta, perguntou: ‘Como vamos levar todas as coisas? Não vejo nenhuma carroça!’

 

Eu lhe disse que não precisava levar nada e percebi o cachorro lambendo-lhe as mãos. O velho abaixou-se, apertou o cão no peito e disse com voz embargada: ‘Não, eu não posso abandonar este que foi meu melhor amigo nos últimos anos e jamais me abandonou. Enquanto eu viver, ele ficará comigo’.

 

Mais uma vez fiquei comovido porque passei a pensar em quanto sentimento cabia dentro de um homem tão humilde! Dias depois ele morreu, mas, antes, disse-me meio sorrindo: ‘Enterre o meu cachorro à sombra da mangueira, por favor’. Na mesma tarde de seu falecimento, o velho cão também deu seu último suspiro.”

 

Se este relato fosse apenas uma ficção, seria o suficiente para muita gente refletir na necessidade de fazermos mais caridade, mas, o fato realmente aconteceu. E muitos velhos abandonados continuam esperando calados serem socorridos da miséria – que os coloca abaixo da mínima dignidade imaginável de sobrevivência.

 

Quem não é Vicentino e não visita as situações de pobreza pode pensar que estou exagerando, porém, embora estejamos numa cidade e região privilegiadas do Brasil, muita coisa triste acontece bem perto de nossas casas. Eu concordo que nem o prefeito, nem o governador e nem o presidente podem resolver todos os problemas de uma hora para outra; portanto, temos o dever cristão de ajudar os pobres – mas ajudar como Jesus pediu!

 

Se cada um de nós entendesse que ‘ajudar o irmão necessitado’ não significa só ‘dar esmolas’, tudo se resolveria rapidamente. Jesus pediu que praticássemos a partilha e não apenas déssemos as migalhas que estão sobrando. Quem é capaz de tirar do bolso uma nota de dez e outra de um real e doar a maior a um mendigo? Eu confesso que também não tenho agido assim, mas já fiz isso e me senti muito bem em fazê-lo.

 

Há uma história a respeito de um diálogo entre notas, assim:

 

Olá, por onde tens andado? – perguntou a nota de um real à de cinquenta.

 

Eu estou em todas as contas bancárias deste país, em bolsos de calças caras, em caixas de lojas bacanas etc. E você, prima pobre, onde se esconde?

 

Eu e minhas moedinhas não temos moradia fixa. Ora estamos no cesto de coleta da igreja, ora estamos sendo deixadas nas mãos de famintos nas ruas, enfim, somos usadas como esmolas.

 

E então, isso não é verdade? Quando será, meu Deus, que os homens aprenderão que dar esmolas não resolve a vida de ninguém? Por que as pessoas de posses não procuram os Vicentinos e lhes perguntam o que as suas famílias assistidas precisam para sair da miséria? Eu tenho as respostas e, peço, veja se você também não se ‘encaixa’ numa dessas opções:

 

Não sou rico e ajudo o quanto posso.

 

Pago os meus impostos e não vejo o governo promover a justiça.

 

Não tenho tempo para ajudar a construir o Reino de Deus.

 

Preciso formar o meu patrimônio e deixar alguma coisa para os meus filhos.

 

Perdoe-me colocá-lo(a) nessa condição de ‘exame de consciência’, mas se não pararmos e pensarmos seriamente em mudar a situação da pobreza, o que será do mundo? Se dar esmolas fosse suficiente para ganhar o céu, somente os ricos seriam santos, já que nada sobra aos pobres para doar!

 

Então, lembre-se que a verdadeira partilha não é darmos o que sobra, mas dividirmos o que temos. Reze também para que isso venha a acontecer conosco um dia.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 434 –  30 Setembro 2019

 

Reflexão sobre a vida e a morte

 

Procure imaginar você curtindo a família em casa na sexta à noite e ouvindo o noticiário na TV, assim: ‘Numa cidadezinha da África, morreram três pessoas, vítimas de uma gripe desconhecida’. Naquele final de semana, você nem se lembrou mais disso.

 

Na segunda-feira, logo cedo, você fica sabendo que a tal gripe já matou mais de mil nas colinas da Índia e que um grupo de cientistas americanos está investigando a doença. Na terça, todos os jornais falam da gripe mortal – que se espalha rapidamente pelo mundo!

 

Dias depois, a Europa fecha suas fronteiras, mas, infelizmente, a epidemia encontra-se fora de controle. Começa então o pânico, porque se fica sabendo que, quando se contrai o vírus, em quatro dias a morte é certa.

 

Agora você já está rezando numa igreja, quando entra uma pessoa aos gritos dizendo: ‘Ouvi no rádio que a doença chegou ao Brasil, mas deram esperança que é possível fabricar uma vacina se encontrarem a pessoa que possui o sangue apropriado e raro para isso’.

 

As filas nos hospitais dobram os quarteirões na tentativa de ajudar a achar o doador certo e, finalmente, um médico divulga o nome de seu filho menor, dizendo que só ele poderá salvar a humanidade. Que maravilha, não? O antídoto poderá ser fabricado! Todos sorriem, menos você.

 

De repente, já estão à sua frente com uma autorização para assinar, constando você concorda que todo o sangue do menino será retirado para a fabricação da vacina. Você reluta em deixar, mas as câmeras de televisão gravam os médicos lhe dizendo: ‘Por favor, assine. Estamos prestes a conseguir a cura para o mundo inteiro!’

 

Chorando, você assina e vê seu filho ser levado, gritando: ‘Pai, o que está acontecendo? Você está me abandonando?’ Antes que ele morra, você ainda grita: ‘Eu te amo, meu filho.’ E, assim, todos se salvam com a perda da vida dele.

 

Semanas depois, você marca uma Missa em sua memória e pouca gente comparece. Você vai furioso à televisão e diz chorando: ‘Meu filho morreu por vocês! Não se importam com isso? Preferem ficar em casa vendo futebol e lendo jornais do que rezarem por ele?’ Mas, nada muda...

 

Já pensou se tudo o que narrei fosse verdade e você – pai ou mãe – tivesse que passar por isso? Lembre-se que Deus entregou seu Filho para nos salvar e pouca gente lhe rende glória. Lembre-se também que quase todo mundo diz que crê em Deus, mas, somente alguns deixam seus compromissos particulares para estarem junto Dele na Eucaristia.

 

No dia do juízo final, que desculpa daremos ao Pai para argumentarmos que preferimos ficar em casa descansando ou no clube nos divertindo enquanto Ele nos esperava na Igreja? Será que valerá a pena continuarmos desprezando a salvação que recebemos através do sangue de seu Filho na cruz?

 

Espero que esta história de hoje possa mudar a vida de muita gente, pois, somente assim poderemos nos encontrar, um dia, no Céu – caso eu também chegue lá. É importante deixar claro que, para Deus, ninguém é melhor do que ninguém; mas, eu procuro testemunhar as maravilhas que estou vivendo – seguindo Jesus Cristo e sendo abençoado por Nossa Senhora.

 

E para confirmar o poder do Nosso Senhor, eis mais um conto:

 

Um guerreiro tornou-se famoso por sua invencibilidade na guerra. Era um homem extremamente cruel e, por isso, temido por todos. Quando se aproximava de um povoado, os moradores saíam correndo e se escondiam.

 

Certo dia, alguém o viu aproximar-se com seu exército de uma pequena aldeia, onde viviam alguns agricultores. Quando o pessoal escutou a terrível notícia, tratou de juntar o que podia e fugir rapidamente para as montanhas. Só um velhinho ficou para trás, porque, pela idade, não podia fugir.

 

O guerreiro chegou, então, na casa do senhor velhinho e, sem piedade, foi dizendo a ele que seu dia havia chegado, mas, lhe concederia um último desejo antes de passá-lo pelo fio de sua espada. O pobre homem pensou um pouco e pediu que o acompanhasse até o bosque e, ali, lhe cortasse um galho de árvore. O guerreiro achou aquilo uma besteira, dizendo: ‘Este velho deve estar gagá. Que último desejo mais besta!’ Mas, foram até o bosque.

 

Com um golpe da espada, o homem valente cortou um galho de uma árvore e o velho sábio logo lhe falou: ‘Muito bem, o senhor cortou o galho. Agora, por favor, coloque este galho na árvore outra vez’. O guerreiro deu uma grande gargalhada, dizendo que o velho era louco, pois todo mundo sabia que isso não seria mais possível.

 

O velhinho, então, lhe respondeu: ‘Louco é você, que pensa que tem poder só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Poder tem aquela pessoa que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Essa pessoa sim, tem o verdadeiro poder’.

 

Bem, podemos até concluir que o velho homem teve a sua vida preservada no final da história, mas, isso não é o mais importante. A sua conclusão sim, essa foi magnífica! Qualquer um pode tirar a vida, mas só Deus pode devolvê-la!

 

Na primeira carta de São Pedro está escrito: “Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados; o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito”.

 

Portanto, preserve a sua vida dando testemunho do amor de Deus por nós e, quando a perder, Ele a devolverá. Aleluia!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 433 –  24 Setembro 2019

 

O céu pede socorro

 

Uma das formas mais eficazes de falar sobre assuntos complexos é a linguagem figurativa ou simbólica. Muitas vezes os assuntos mais difíceis se tornam de fácil compreensão quando contados de forma simples. Jesus fazia muito isso através de parábolas e comparações; Ele utilizava o cotidiano da época, e, eu – muito distante de Sua sabedoria – conto histórias para fazer alguns questionamentos do nosso tempo. Eis mais uma:

 

“Certa ocasião, um empresário de sucesso, mas cheio de problemas familiares, foi procurar um psicólogo. Durante a consulta, o profissional pediu ao homem rico que fosse à janela e descrevesse tudo o que estava enxergando. O empresário falou: ‘Vejo prédios, restaurantes, automóveis e viadutos.’

 

Em seguida, o psicólogo chamou uma funcionária da limpeza à sala e disse-lhe: ‘Quero que você olhe com atenção e tente me dizer o que está vendo de importante lá fora. E ela relatou assim: ‘Vejo uma fila de pessoas esperando ser atendidas no Posto de Saúde; lá adiante, vejo mendigos deitados debaixo da marquise de um prédio; em frente ao restaurante, vejo gente procurando comida no lixo; percebo também crianças desnutridas pedindo comida nos faróis, jovens com ar de drogados, idosos doentes... quanta coisa triste!’

 

O psicólogo, novamente a sós com o homem rico, falou: ‘Muito bem, meu caro amigo, agora toma este espelho, olha para ele e diga o que está enxergando.’ Ele respondeu: ‘Ora, pelo tamanho do espelho, vejo tão somente a mim mesmo!’ E voltando a chamar a faxineira, também pediu que olhasse no espelho e descrevesse o que via. Ela estranhou a pergunta, mas, disse-lhe: ‘Vejo uma filha abençoada de Deus que tem uma missão importante no mundo: ajudar os que nada têm.’ E o empresário, emocionado, chorou.”

 

Assim é a nossa vida! Muitas vezes nossos olhos ficam cobertos por uma camada de egoísmo que nos impede de ver o quanto somos abençoados. Também não vemos a dor e o sofrimento dos nossos semelhantes e insistimos em resolver somente as nossas dificuldades. A indiferença, a ganância, o individualismo e o comodismo da vida nos impedem de sentir e partilhar a dor dos irmãos. Somos tão 'miseráveis' que não vemos outra coisa a não ser o dinheiro.

 

É por isso tudo que o Céu está pedindo socorro. Está sobrando lugar no Paraíso! Cada vez menos almas se salvam! Poucos atendem o chamado de Deus! Quase ninguém se importa com a pobreza! Multidões só pensam em acumular bens aqui na Terra!

 

São Tomás de Aquino comparava a alma do homem a uma folha em branco, na qual, no decorrer de sua vida, registra tudo quanto se refere à sua espiritualidade e à sua conduta moral. Assim, a alma assimila o que chegou a conhecer e a amar. Enquanto o ‘homem religioso’ coleciona o amor a Deus e ao próximo, o ‘pecador que não se converte’ transforma-se em ferrenho adversário do Senhor.

 

Um chega ao Céu e, o outro, entra no além com tudo quanto assimilou em sua vida terrena: paixões proibidas, vícios, maldades e perversidades. O que buscou a Deus descansará na paz eterna e a alma manchada de pecados mortais irá uivar e ranger os dentes para sempre. Enfim, ou imitamos a Cristo e nos salvamos, ou aceitamos os prazeres da carne e nos condenamos. Nada mais justo!

 

Eis outra história para reflexão:

 

“Um sujeito fugia de um urso e, ao cair num barranco, agarrou-se às raízes de uma árvore. O animal, bem acima dele, rosnava, babava e mostrava-lhe os dentes. Embaixo, prontas para engoli-lo se caísse, estavam nada menos do que três onças!

 

Meio perdido, ele olhou para o lado e viu um grande e lindo morango vermelho. Num esforço supremo, sustentou o seu corpo com a mão direita e, com a esquerda, pegou o morango. Então, levou a fruta à boca e se deliciou com aquele sabor doce e suculento. Final da história: ‘Foi um prazer imenso para ele comer aquele morango!’”

 

Mas, vendo que a narrativa acabou, talvez você pergunte: ‘Mas, e o urso?’ Com todo respeito, eu lhe responderia: ‘Dane-se o urso! O importante é saber que o sujeito comeu o morango.’ E as onças? Azar delas que ficaram vendo ele comer o morango!

 

Lembre-se, leitor, sempre existirão ursos querendo devorar nossas cabeças e onças prontas para arrancar nossos pés, mas nós precisamos saber ‘comer morangos’. E perdoe-me pela insistência, mas você ainda poderia me dizer assim: ‘Eu tenho problemas muito mais complicados para resolver do que os do sujeito da história!’ Eu acredito e imagino que sim, mas, os problemas não impedem ninguém de se salvar.

 

Nas suas maiores provações, coma também o ‘morango’ que Deus lhe dá. Poderá não haver outra oportunidade de atender o grito de socorro que vem do Céu.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 432 – 16 Setembro 2019

 

Paz, fé, amor e esperança

 

Quatro velas estavam queimando calmamente quando uma delas disse: ‘Eu sou a Paz! Apesar da minha luz, as pessoas não conseguem manter-me acesa. Acho que vou apagar...’ E diminuindo devagarzinho, apagou.

 

A segunda vela falou: ‘Eu me chamo ! Infelizmente quase ninguém me percebe e não faz sentido eu continuar queimando.’ Assim que também apagou, a terceira vela se manifestou: ‘Sou o Amor! Não tenho mais forças para queimar porque ninguém cuida de mim.’ E, sem demora, perdeu toda a luz.

 

De repente, entrou uma criança na sala quase escura, viu as três velas apagadas e perguntou chorando à quarta vela: ‘Por que as outras não estão queimando até o fim?’ Ouviu, então, a resposta: ‘Não tenha medo de ficar no escuro, criança. Eu sou a Esperança e, enquanto eu estiver acesa, poderemos acender também a Fé, a Paz e o Amor.’

 

Com esta história, pretendo hoje desenvolver a alegria de viver em cada um de nós e, sem esperança na Misericórdia Divina, isso seria impossível. Desde que a ‘Vela da Esperança em Deus’ nunca se apague dentro do nosso coração, poderemos continuar caminhando – crescendo na fé, espalhando o amor e buscando a paz.

 

Mas, o correto não seria o inverso? Não teríamos que primeiro cultivar a fé, plantar o amor e pregar a paz para termos mais esperança na salvação? Acompanhe antes esta outra história e voltaremos ao assunto:

 

Dois irmãos moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, mas, por desavenças, não se falavam há anos. Certa manhã, um carpinteiro veio procurar emprego na casa do irmão mais velho e logo recebeu uma missão do proprietário: construir uma cerca bem alta, de modo a separar definitivamente as terras da família.

 

Na semana em que o carpinteiro trabalhou, o dono da fazenda fez uma viagem de alguns dias e, quando voltou, ao invés da cerca, avistou uma linda ponte sobre o riacho – ligando as duas propriedades. Enfurecido, pegou o machado e foi se aproximando para destruí-la, quando percebeu que seu irmão mais novo vinha feliz em sua direção, gritando: ‘Que gesto maravilhoso, mano! Esta ponte veio para nos unir definitivamente!’

 

Após se abraçarem demoradamente, foram atrás do carpinteiro para lhe agradecerem pelo excelente serviço e convidá-lo para uma grande festa em família, mas, olhando o horizonte e com a caixa de ferramentas nas mãos, o bom homem lhes disse: ‘Eu adoraria ficar, mas ainda tenho muitas outras pontes a construir!’

 

Agora, já dá para concluir a ‘ordem das coisas’? É preciso sempre ter esperança para colher bons frutos ou é plantando o bem que crescerá em nós a esperança? Eu penso que tanto faz, pois as duas coisas andam juntas. Quando falamos na esperança da graça de Deus em nossas vidas, sabemos que ela só continuará existindo se Lhe apresentarmos boas obras, assim como toda boa obra realizada nos enche de esperança em chegar ao Céu, concorda?

 

No caso dos irmãos fazendeiros que brigavam, a ponte foi a obra necessária para manter a esperança de união definitiva da família e, no caso das velas que queimavam, foi a esperança que reacendeu a luz do amor, da fé e da paz na vida da criança; portanto, como lição geral, não é a ordem em que isso ocorre que importa.

 

E quando se perde a esperança, o que fazer? Eu diria: fortalecer-se na fé, receber muito amor e cultivar a paz! Basta agir com dignidade cristã que, aos poucos, a esperança volta para ficar e, voltando, faz crescer o sentimento essencial em nossas vidas: o amor! Santo Agostinho dizia que ‘o amor não se gasta como dinheiro; o dinheiro se esgota quando é usado, enquanto o amor cresce com o uso’.

 

É difícil separar uma coisa da outra, não? Se não desejarmos fazê-lo, basta não amarmos o pecado e, cada vez mais, nos santificaremos a ponto de evitarmos as coisas mundanas que nos afastam de Deus. É importante alguém dar esperanças a quem precisa; não apenas isso, mas principalmente falar com o coração à frente da boca, passando muita credibilidade nas palavras de paz, de amor e de fé.

 

Portanto, em qualquer ordem: viva construindo pontes de esperança ou de caridade; ame profundamente a chama da paz – para que nunca se apague; aumente a fé que está em seu coração, rezando o Terço todos os dias; e se, por engano, você for parar no inferno, o próprio diabo levará sua alma ao merecido lugar – já reservado, no Paraíso. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 431 –  09 Setembro 2019

 

As consequências do pecado

 

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no sentido da fé, nenhum mal e maior do que o pecado. Suas consequências atingem não só o pecador como também a própria Igreja e o mundo inteiro!

 

Santo Agostinho dizia que o pecado destrói o homem. Ele reconhecia que, ao invés de procurar as verdades e os prazeres em Deus, procurava tudo isso nas criaturas. Só depois de sua maravilhosa conversão – a pedido incessante de sua mãe, Santa Mônica –, reconheceu que o pecado é uma grave ofensa a Deus.

 

E Jesus ensinou que a raiz do pecado sempre está no coração do homem. Muitos se exaltaram e depois foram humilhados, mas Jesus se humilhou e foi exaltado pelo Pai. Também a Bíblia Sagrada ensina que o diabo é o pai da mentira e o autor de todo pecado; e São Paulo completa: O salário do pecado é a morte! Quem quiser viver no pecado, não herdará o Reino de Deus.

 

Cometendo os pecados mortais, perdemos a graça santificante e nos afastamos do amor de Deus; por isso, sempre devemos ter em mente os Dez Mandamentos:

 

1 Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.

 

2 Guardar domingos e dias santos.

 

3 Não tomar Seu santo nome em vão.

 

4 Honrar pai e mãe.

 

5 Não matar.

 

6 Não pecar contra a castidade.

 

7 Não roubar.

 

8 Não levantar falso testemunho.

 

9 Não desejar a mulher do próximo.

 

10 Não cobiçar as coisas alheias.

 

E para evitar que a tentação nos atinja a ponto de cometer essas graves faltas, a Igreja nos orienta a não termos certos vícios – falhas de conduta –, chamados de pecados capitais: soberba, inveja, ganância, gula, luxúria, ira e preguiça. São pecados da carne, que podem conduzir a pecados mortais – matando a graça santificante na vida da pessoa e, se não for reparado, causando a morte eterna!

 

O único pecado que não é perdoado é aquele cometido contra o Espírito Santo: quando rejeitamos a graça de Deus em nós e, por consequência, a salvação Divina. Nas demais faltas, existe o Sacramento da Penitência, que nos reconcilia com o Nosso Senhor. Pela Sua infinita misericórdia, podemos ser perdoados, porque Deus quer que todos se salvem e nunca nos condena ao inferno se pedirmos piedade.

 

Felizmente, Jesus veio tirar os pecados do mundo como Cordeiro de Deus e sabia que a continuidade no pecado faz perdermos a noção de sua gravidade, deixando de enxergar a perdição que nos encontramos. Mesmo assim, a humanidade não aprendeu. O Papa Bento XVI chegou a dizer que o mundo vive como se Deus não existisse!

 

Então, tenhamos consciência que a tentação sempre nos rondará e é preciso muita oração para fortalecermos nosso espírito e não nos afastarmos de Deus. Sabemos que não é fácil cumprir à risca o que Jesus pediu, tipo: “Amai vossos inimigos... Perdoe sempre... Não julgue para não ser julgado...”; e também por isso, São Paulo nos orienta: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.” ((1Cor 6, 12)

 

E você, já pensou em viver sem Deus para sempre? Isso não irá acontecer se pautar sua vida na oração e na caridade. Com certeza, o Pai celeste desejará que você esteja para sempre ao Seu lado no Paraíso. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 430 –  2 Setembro 2019

 

A nossa viagem pela vida

 

Um homem, quando nasceu, recebeu uma cesta de pétalas de rosas e um punhado de espinhos. Caminhando pela vida, de vez em quando ele jogava umas pétalas aqui, outras ali e, muitas e muitas vezes, jogava espinhos. Quando ficou velho, a cesta estava praticamente cheia de rosas e quase não havia mais espinhos. Então, ele falou em voz alta: ‘Jesus, já terminei a minha missão. O que faço agora?’ E Deus lhe respondeu: ‘Agora, meu filho, volte descalço pelo mesmo caminho que você andou.’

 

Pois é, quem encara esta história apenas como ficção e acha impossível que isso aconteça consigo um dia, precisa começar a espalhar muito amor pela vida e ser solidário com o seu semelhante, senão, certamente sentirá mais tarde a dor dos espinhos nos pés.

 

E falando em ‘andanças pela vida’, há algum tempo li um livro que comparava a nossa vida com uma viagem de trem. Dizia que, quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre na viagem conosco: nossos queridos pais. Infelizmente, isso não é verdade. Em alguma estação, eles descerão e nos deixarão órfãos de carinho, amizade e companhia insubstituível; mas, durante a viagem, pessoas que virão a ser muito especiais para nós, também embarcarão.

 

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos; muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio, outros encontram nessa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem prontos a ajudar a quem precisa; muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.

 

A viagem é cheia de atropelos, sonhos, esperas, despedidas, porém, jamais retornos. É preciso, então, fazer esse ‘passeio’ da melhor maneira possível, tentando se relacionar bem com todos os passageiros, procurando o que tiverem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e precisaremos entender isso – porque nós também fraquejaremos e, com certeza, haverá alguém que nos compreenderá.

 

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos aquele que está sentado ao nosso lado! Eu fico pensando se, quando descer desse trem, sentirei saudades... Acredito que será difícil separar-me de alguns amigos que fiz na viagem, deixar meus filhos continuarem pelos trilhos sozinhos, mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na Estação Principal e sentirei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram. E o que vai me deixar feliz será pensar que eu colaborei na salvação de cada um deles.

 

São sonhos que podem tornar-se realidade, não? Aos que são ‘movidos pela fé’, tudo é possível durante a viagem pela vida, concorda? Basta priorizarmos as coisas mais importantes e não perdermos a esperança.

 

Estou lembrando agora que, há mais de 15 anos, na colação de grau de minha filha, em Campinas, o paraninfo quis surpreender a turma durante a sua fala. Tirou debaixo da mesa um balde grande, colocou-o ao lado de uma pilha de pedras no palco, começou a jogá-las no balde e perguntou aos formandos: ‘Está cheio?’ Todos disseram que sim.

 

Em seguida, ele tirou debaixo da mesa um saco menor com pedrinhas e também as colocou dentro do balde. Agitando devagar, as pedrinhas penetraram pelos espaços encontrados entre as pedras maiores. O professor sorriu com ironia e repetiu: ‘Está cheio?’ Dessa vez, a turma respondeu meio tímida: ‘Está!’

 

Pegando agora um saco com areia, ele começou a despejá-la no balde. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pedrinhas. ‘Está cheio?’ – perguntou de novo. ‘Não!’ – exclamaram. Pegou, então, um jarro e começou a jogar água dentro do balde – que a recebia sem transbordar. Assim, ele deu por encerrada a apresentação e disse: ‘O que esta lição nos ensina é que, se não colocamos as pedras grandes primeiro, nunca seremos capazes de colocá-las depois’.

 

E quais são as grandes pedras – prioridades – em nossas vidas? São os nossos filhos e netos e a pessoa amada, ou os amigos, ou os nossos sonhos, ou a nossa saúde e o trabalho, ou as missões que Deus nos deu? Acerte na resposta e verá que o resto é resto... e encontrará por si o seu lugar.

 

Para encerrar por hoje, respondo a algumas pessoas me perguntaram mais detalhes sobre o grande sinal de Deus na cura de meu filho, em março de 2000.

 

Resumindo, quando vi a sua perna toda inchada, fui com ele para Campinas e, como já suspeitávamos, o diagnóstico foi trombose venosa profunda com provável causa hereditária – eu já tive duas iguais a essa.

 

O grande sinal da cura que viria recebemos ao entrarmos no Hospital Vera Cruz. Saindo do elevador, encontramos uma irmã de caridade que havia levado Jesus Sacramentado aos doentes e, ao nos ver chegar, perguntou se desejávamos comungar. Foi o único momento de emoção que passei no hospital: ver o próprio Deus e Senhor nosso nos esperando e se oferecendo para nos purificar!

 

A partir daquele momento, todos os dias a irmã nos trazia Jesus no quarto – graça que não teríamos alcançado se não estivéssemos ‘presos’ ali. Ele, o Todo-Poderoso, foi o único a visitar diariamente o Alexandre nos dez dias que ficou internado – isso, talvez, por ele ser um coroinha tão dedicado à Comunidade Nossa Senhora da Agonia, na época. Ou será que foi ‘simplesmente’ porque todos nós somos iguais aos olhos do Pai? A resposta, encontraremos viajando com fé pela vida.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 429 –  23 Agosto 2019

 

Alguns tipos de lealdade

 

O imperador romano, Júlio César, confiava cegamente em Brutus - eles compartilhavam grandes ideias e segredos. Um dia, por volta do ano 44 antes de Cristo, César entrou no prédio do senado romano e foi surpreendido por assassinos. Enfrentava bravamente os conspiradores quando viu aproximar-se seu amigo Brutus – de adaga em punho e pronto para golpeá-lo.

 

Ferido pela traição, César abandonou a resistência, puxou a toga sobre a cabeça, pronunciou a memorável frase: ‘Até tu Brutus?’; e sem mais protestar, foi ao encontro da morte. Ali terminava a confiança, a lealdade e a transparente amizade entre dois seres humanos da nossa história.

 

Desde então, milhares de outros fatos foram narrados enfocando verdadeiras e falsas amizades na face da Terra. Eis uma história comovente de lealdade:

 

Em 1864, em Edinburgh, na Escócia, vivia um velho homem chamado Jock. Durante toda sua vida tinha sido um fiel pastor de ovelhas, enfrentando bravamente perigos e intempéries para defender o rebanho. Com quase setenta anos, ainda conservava o coração e a habilidade de um bom pastor, mas, não a saúde necessária.

 

Suas pernas já não podiam escalar as pedras para resgatar uma ovelha ou para espantar um predador e, embora a família para quem trabalhava gostasse muito dele, as finanças iam mal e não podiam conservá-lo. Assim, mancando por fora e magoado por dentro, partiu de trem, deixando sua terra natal rumo a um novo lar na cidade.

 

Jock fazia um pouco de tudo e ganhou muitos amigos num lugar de mercadores. Eles gostavam do velho pelo seu sorriso simpático e por suas habilidades nos mais variados trabalhos, mas, apesar disso, sua família se constituía apenas dele e de um cachorrinho Fox Terrier que ele adotou com o nome de Bobby.

 

Eram inseparáveis e estavam sempre juntos na rotina de passar pelas lojas em busca de serviços. Todos os dias eles começavam pelo restaurante local, onde recebiam o que comer em troca de trabalho; depois, continuavam de porta em porta até que, à noite, os dois voltavam para um porão que lhes servia de morada.

 

Dizem que muitas pessoas pressentem quando o tempo de morrer está próximo e foi assim com Jock. Um dia, ao amanhecer, quase um ano após chegar à cidade, ao invés de levantar-se, o velho puxou sua cama para perto da janelinha do quarto e lá ficou olhando as montanhas distantes de sua amada Escócia. ‘Bobby – disse ele afagando o pelo escuro e denso do cachorro, com a mão que agora só tinha a força do amor –, é tempo de eu ir para casa. Eles não conseguirão me afastar de minha terra novamente. Sinto muito, camarada, mas você vai ter de se cuidar sozinho daqui por diante.’

 

E Jock foi enterrado no dia seguinte num lugar pouco comum para pobres. Por causa da necessidade de ser sepultado rapidamente, seus restos mortais foram colocados num dos cemitérios mais nobres de Edinburgh – o Greyfriar. Assim, entre os grandes e mais nobres homens da Escócia, foi enterrado um homem muito simples. E é aqui que a melhor parte da história começa.

 

Na manhã seguinte, o pequeno Bobby apareceu no mesmo restaurante em que ele e Jock visitavam a cada dia e, a seguir, fez também a ronda das lojas. Isso aconteceu dia após dia, mas, à noite, o cachorrinho sumia e somente reaparecia no dia seguinte.

 

Amigos do velho Jock sempre perguntavam onde o animal teria ido dormir, até que o mistério foi revelado. Cada noite, Bobby não ia à procura de um lugar quente para descansar, nem mesmo de um abrigo para protegê-lo do frio e da chuva constantes da Escócia. Ele ia até o cemitério Greyfriar e tomava posição ao lado de seu dono.

 

O vigia do cemitério o tocava de lá cada vez que o via, afinal, existia uma ordem expressa proibindo cachorros de entrarem em cemitérios. O homem tentou consertar a cerca, pôs armadilhas para caçá-lo, até que, finalmente, com a ajuda do chefe de polícia, o pequeno Bobby foi capturado e preso por não ter uma licença. E, uma vez que ninguém se apresentou como seu legítimo dono, parecia que Bobby seria morto.

 

Chegou o dia em que o caso passaria pela alta corte de Edinburgh. Seria quase um milagre salvar a vida de Bobby e conceder ao cão fiel o destino de continuar perto do túmulo de seu amigo, mas, num ato sem precedentes na história da Escócia, foi exatamente o que aconteceu.

 

Antes que o juiz pudesse dar a sentença, uma turma de crianças entrou na sala de audiência e, moeda por moeda, apresentaram a quantia necessária para a licença de Bobby. O oficial da corte ficou tão impressionado pela afeição das crianças pelo animal que concedeu a ele um título especial, tornando-o propriedade da cidade – com uma coleira declarando o fato pendurada em seu pescoço.

 

Bobby pôde, então, correr livremente com as crianças durante o dia e, a cada noite – durante quatorze anos até a data em que morreu, 1879 –, manteve guarda silenciosa no cemitério de Greyfriar, bem ao lado de seu dono. Se algum dia você for para Edinburgh, poderá ver a estátua de Bobby naquele cemitério – 140 anos desde sua morte.

 

E assim, um cachorrinho demonstrou uma característica que gostaríamos de encontrar em todos os seres humanos: lealdade. Quem a tem, permanece ao lado da cama do amigo doente, ouve os seus problemas horas sem fim, reza por ele e lhe presta todos os tipos de caridade até mesmo em domingos e feriados.

 

Jesus Cristo é muito leal a todos os que o seguem e, a esses, peço a salvação eterna e dedico esta história. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 428 –  19 Agosto 2019

 

Os autores da felicidade

 

Nós podemos comprar: uma cama, mas não o sono; a comida, mas não o apetite; um livro, mas não o conhecimento; uma casa, mas não um lar; um relógio, mas não o tempo; as pessoas, mas não os amigos; o remédio, mas não a saúde; a convivência, mas não o carinho; o crucifixo, mas não a fé; um lugar luxuoso no cemitério, mas não o Céu; a diversão, mas não a felicidade. Mas, onde buscar a felicidade?

 

Um dia, Mário Quintana escreveu isto:

 

“A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor – o que já é um pacote louvável –, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

 

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

 

Dinheiro é uma bênção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

 

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

 

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo e faça o que for necessário para ser feliz, mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples – você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes que nos atormenta e provoca inquietudes no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade”.

 

E José Sarney, há muito tempo, numa Semana Santa, escreveu assim na Folha de São Paulo:

 

“Pela primeira vez, na comunidade de Antioquia, os seguidores de Cristo receberam a denominação de cristãos. Assim está dito no Atos dos Apóstolos. Esta semana, a Santa, é sempre no calendário católico um momento para a reflexão. Nela está concentrado o mistério da morte e da ressurreição.

 

Neste ano, pela primeira vez em muitos, não teremos o Papa em todas as cerimônias litúrgicas da Paixão. Mas, não se esconde de nossos olhos aquela figura com um cheiro de eternidade, sentada em sua cadeira ou ajoelhada com as mãos postas. Ele é o símbolo da própria história da Igreja Católica.

 

O cristianismo atravessou estes dois milênios com grandes lutas, grandes mártires, grandes cismas, santos e doutores debruçados sobre os textos históricos e sagrados que constituem o conjunto do Evangelho. Teólogos, em todos os tempos, procuraram interpretar e vislumbrar nuances e ensinamentos escondidos nesses textos.

 

Jesus Cristo falava para o povo simples - pescadores e pastores - entender e, por isso mesmo, não se derramava em questões teológicas. Ensinava, num tempo de violência e de servidão, da força bruta e das castas: ‘Todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai, filhos de Deus’.

 

Nada mais belo e cheio de preceitos de vida do que o Sermão da Montanha, abrindo com a máxima da justiça: ‘Não julgueis para que não sejais julgados. Porque, com o juízo com que julgardes, sereis julgados e, com a medida com que tiverdes medido, vos hão de medir a vós... Amai-vos uns aos outros... Portanto, tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós, porque esta é a Lei e os profetas... Perdoai aos vossos inimigos...’

 

E, questionado sobre qual era o grande mandamento, disse: ‘Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu pensamento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Tais coisas jamais poderiam ser entendidas. Mas nelas há a concepção da igualdade, da paz, da convivência e da extirpação do ódio.

 

Depois de reunir esses preceitos, se realizados, a transformação da humanidade começará dentro de cada um de nós. A isso Cristo chamou: paz. Não à ausência de conflitos e de guerras, mas à paz interior, essa que nos dá a tranquilidade de espírito.”

 

Pois bem, Mário Quintana disse que a felicidade é um sentimento simples que transmite paz e não emoções fortes; Sarney foi mais profundo e concluiu que sem a transformação da humanidade – com Cristo no coração –, não haverá paz nem felicidade. Ambos estão cobertos de razão.

 

Mas, se você tivesse que procurar a felicidade nas palavras de alguém que nunca experimentou brigas ou pecados na vida, saberia por onde começar? Por mais ‘Quintanas e Sarneys’ que lesse, nada se compararia aos ensinamentos do Autor da Felicidade: Jesus Cristo, que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Com Ele, encontramos a Verdadeira Felicidade!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 427 –  10 Agosto 2019

 

Histórias do Povo de Deus

 

Uma música que compus – ‘Acolhamos alegres a Bíblia’ – começa assim: “A história do povo de Deus aumenta nossa esperança de vermos o amor e a justiça vencerem o ódio e a matança. Os textos sagrados confirmam que quem suportar sua dor, com dignidade cristã, verá a volta do Nosso Senhor”.

 

Quem já estudou algumas passagens bíblicas sabe que tem razões de sobra para acreditar nas promessas do Pai; porém, mesmo com maravilhosas graças acontecendo aqui na Terra há milhares de anos, para outros, isso ainda não foi suficiente para se converterem. E quem não procurar crescer em espiritualidade, irá demorar muito mais para conhecer o Autor da vida – e também o Único que poderá lhe dar a vida eterna.

 

No segundo Livro dos Reis (5, 1-15), há esta linda ‘história’:

 

“Naamã, general do exército do rei da Síria, era um homem muito estimado e considerado pelo seu senhor, pois foi por meio dele que o Senhor concedeu a vitória aos arameus. Mas esse homem, valente guerreiro, era leproso. Ora, um bando de arameus, que tinha saído da Síria, tinha levado cativa uma moça do país de Israel. Ela ficou ao serviço da mulher de Naamã. Disse ela à sua senhora: ‘Ah, se meu senhor se apresentasse ao profeta que reside em Samaria, sem dúvida, ele o livraria da lepra de que padece’.

 

Naamã foi então informar o seu senhor: ‘Uma moça do país de Israel disse isto e isto’. Disse-lhe o rei de Aram: ‘Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Israel’. Naamã partiu, levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa. E entregou ao rei de Israel a carta, que dizia: ‘Quando receberes esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures de sua lepra’.

 

O rei de Israel, tendo lido a carta, rasgou suas vestes e disse: ‘Sou Deus, porventura, que possa dar a morte e a vida, para que este me mande um homem para curá-lo de lepra? Vê-se bem que ele busca pretexto contra mim’. Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado as vestes, mandou dizer-lhe: ‘Por que rasgaste tuas vestes? Que ele venha a mim, para que saiba que há um profeta em Israel’.

 

Então Naamã chegou com seus cavalos e carros, e parou à porta da casa de Eliseu. Eliseu mandou um mensageiro para dizer: ‘Vai, lava-te sete vezes no Jordão e ficarás limpo’. Naamã, irritado, foi-se embora, dizendo: ‘Eu pensava que ele sairia para me receber e que, de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me curaria. Será que os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores do que todas as águas de Israel, para eu me banhar nelas e ficar limpo?’ Deu meia-volta e partiu indignado. Mas, seus servos aproximaram-se dele e disseram-lhe: ‘Senhor, se o profeta te mandasse fazer uma coisa difícil, não a teria feito? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e ficarás limpo’.

 

Então ele desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado. Em seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse: ‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel’.”

 

No capítulo 4 do Evangelho de São Lucas, Jesus falou na sinagoga de Nazaré sobre a ‘história de Naamã’: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria... no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Ouvindo estas palavras, o povo expulsou Jesus de sua terra, mas Ele continuou sua missão em outros lugares – sem se desviar da vontade do Pai.

 

Pois é, como naquela época, hoje Deus continua escolhendo seus representantes no meio do povo e muitos não são bem aceitos em suas comunidades – assim como ocorreu com Jesus. O importante é continuar a missão, procurando encontrar a paz e não deixando nenhuma Obra sem operários. O mal se paga com o bem e somente através do amor é que poderemos continuar construindo um mundo melhor.

 

E gosto de contar que, após a primeira guerra mundial, havia um menino que imaginava muita paz na Terra e resolveu lutar por isso. Como gostava muito da cor azul, pintou a sua casa da cor do céu e foi passando essa ideia em frente.

 

Primeiro insistiu com as pessoas do bairro em que morava e, assim que foi crescendo, passou a viajar por outros lugares, pregando a sua teoria. Todo dinheiro que ganhava no trabalho, usava para estocar tinta azul e doar àqueles que não a podiam comprar. Assim, foi colorindo de ‘paz’ todas as ruas que visitava.

 

O tempo passou, ele envelheceu, mas não queria morrer sem ver o seu sonho realizado. Gravemente doente, lutou pela vida por três anos no quarto de um hospital, na esperança de ainda poder ajudar mais pessoas a pintarem suas casas.

 

Certo dia, não aguentando mais o sofrimento da doença, ouviu esta notícia na televisão: ‘Os astronautas que estão no espaço disseram que a Terra é azul!’ E aquele menino, que sonhou com isso a vida toda, morreu em paz.

 

Portanto, vale a pena continuar sonhando e trabalhando por um mundo melhor, mesmo que não sejamos premiados como foi Naamã, afinal, já fazemos parte da História do Povo de Deus.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 426 –  3 Agosto 2019

 

Reflexão sobre o nosso planeta

 

Um dia li e anotei isto: se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro em uma vila de 100 pessoas, mantendo a proporção do povo existente hoje no mundo, tal vila seria composta mais ou menos assim: 57 asiáticos, 21 europeus, 14 americanos e 8 africanos; 52 seriam mulheres e 48 seriam homens; 30 seriam brancos; apenas 30 seriam cristãos; 11 seriam homossexuais; e 6 pessoas possuiriam 59% da riqueza existente.

 

Em consequência da má distribuição da renda, 80 viveriam em casas inabitáveis, 70 seriam analfabetos, 50 sofreriam de desnutrição, 1 estaria para morrer e apenas 1 teria formação universitária.

 

Assim é o planeta em que vivemos e que continua excluindo cada vez mais gente da possibilidade de sobreviver com dignidade. E as coisas não melhoram principalmente porque cada um de nós acredita que não é o culpado disso tudo e também que não pode fazer nada para mudar as coisas. Se São Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá, Santa Madre Paulina e tantos outros praticantes da caridade cristã pensassem assim, o que teria sido de milhares de pessoas assistidas por eles?

 

Graças a Deus que eu tenho o privilégio de poder estar escrevendo este artigo agora e que você, leitor(a), pode me ajudar a melhorar a situação descrita. Quem ler estas linhas, com certeza, é uma das pessoas mais abençoadas do mundo e tem a obrigação de ajudar o próximo.

 

Aqui mesmo, em Itajubá-MG, quantos se dirigem à Vila Vicentina da Igreja Nossa Senhora Aparecida, ou à APAE, ou à Casa da Criança, ou ao Asilo dos Velhos, ou às creches, ou à Ação Social da Prefeitura, perguntando se precisam de um pouco de comida ou de braços para trabalhar? Infelizmente poucos!

 

Saiba que se você pode ir a lugares assim sem medo de bombardeios ou de ser preso, você tem mais ‘sorte’ do que 30 milhões de pessoas no mundo. E se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre a sua cabeça e um lugar para dormir, considere-se ‘melhor’ do que 75% dos habitantes da Terra.

 

Agora, se tiver dinheiro no banco ou na carteira, assim como eu, você está entre 8% das pessoas com a melhor qualidade de vida do mundo! E só por estar lendo esta mensagem, você recebeu uma tripla bênção: há alguém querendo ajudá-lo; você não está entre milhões de pessoas que não sabem ler; e teve acesso a um meio de comunicação de qualidade.

 

Pense nisso com carinho e procure se orientar melhor sobre o que Deus quer de você. Abra a Bíblia, leia alguns capítulos dos Evangelhos e terá as respostas que sempre procurou para ganhar o Céu. Acostume-se a ouvir o que vem do alto, assim como este índio da história se acostumou naquilo que lhe era mais importante.

 

Conta-se que um caçador levou um indígena para passear no centro de São Paulo. Seus olhos brilharam com a altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético dos pedestres. Espantava-se com o barulho ensurdecedor dos automóveis e das pessoas falando em voz alta.

 

De repente, o índio falou: ‘Ouço um grilo.’ O amigo, espantado, retrucou: ‘Impossível ouvir um inseto tão pequeno nesta confusão!’ Mas, o índio insistiu que ouvia um grilo cantando e, tomando o seu cicerone pela mão, levou-o até um canteiro de plantas. Afastando as folhas, apontou para o inseto.

 

‘Como isso é possível?’, perguntou-lhe o caçador, ainda sem crer. O índio pediu-lhe algumas moedas e, então, jogou-as na calçada. Quando caíram, devido ao tilintar do metal, pessoas pararam e as apanharam.

 

Com esta história, fica fácil concluir que nós ouvimos o que estamos interessados ou acostumados a ouvir. Quem pouco vai à Igreja e não lê a Palavra de Deus, não ouve a Sua voz chamando a todo momento e pedindo que se esforce para modificar os corações maldosos da humanidade. E quem não se esforçar, também não poderá dizer que não é culpado pelo quadro vergonhoso de injustiça social relatado no início do artigo.

 

Na verdade, todos nós somos culpados, porque se eu tenho comida em abundância em casa, tenho a obrigação de repartir um pouco com aqueles que nada têm. E quem não souber como fazer a comida chegar na boca do pobre, procure um Vicentino e peça que ele o faça. Aquele que nos pedir ajuda, será muito bem atendido porque esse é o trabalho dos Vicentinos e o fazemos por amor a Jesus Cristo.

 

Sabemos que não somos santos, mas tentamos chegar à santidade abraçando a causa dos pobres – pecadores como nós – e, com a proteção de São Vicente e da Virgem Maria, seguiremos em frente na nossa missão. Mesmo sabendo que bastaria um pouco de vontade política para resolver o problema da pobreza em muitas cidades, procuramos fazer o trabalho de ‘formiguinha’, pois quem sofre precisa ser amparado.

 

Jesus Cristo disse que sempre teremos pobres entre nós, mas também falou que todo aquele que ajudar a um pequenino em Seu nome, é a Ele que estará ajudando.

 

E que bom que você ainda está vivo(a)! Então, faça a sua parte.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 425 – 28 Julho 2019

 

Assim caminha a humanidade

 

O jornal francês ‘Le Monde’ publicou que a cada três segundos ocorre uma tentativa de suicídio no mundo, o que resulta, em média, em um morto a cada quarenta segundos. Segundo o ‘China Daily’, os condenados à morte constituem a maior fonte de órgãos para transplante do país, colaborando com um comércio que movimenta cifras respeitáveis. A China conta, ainda, com cerca de 20% dos suicídios mundiais!

 

Dados aterrorizantes sobre o Brasil também são divulgados diariamente, mas as qualidades das nossas educação e cultura explicam, em parte, as volumosas ocorrências de roubos e assassinatos no país. E assim caminha parte da humanidade...

 

Por essas e outras, o nosso querido João Paulo II um dia disse: “Não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão... e não se mata em nome de Deus”. Se todos entendessem que não é à toa que o próprio Papa escolheu o dia de celebrarmos a paz mundial coincidindo com a Festa da Santa Mãe de Deus, tudo seria diferente.

 

Quem melhor do que a Rainha da Paz para receber de Jesus a missão de manter a tranquilidade na Terra? Rezando a Ela, todos poderiam ser construtores da paz ao invés de provocadores de guerras; mas, o orgulho de alguns não os permite enxergar as maravilhas realizadas por Nossa Senhora na História.

 

Em 1453, por exemplo, ao Algarve, em Portugal, um sinal de luz desconhecido começou a aparecer sobre a fonte do lugar, que passou a chamar-se ‘Fonte da Luz’. Naquela ocasião, Pedro Martins foi aprisionado pelos mouros e levado para o norte da África. Desesperado, começou a invocar a proteção da Consoladora dos Aflitos e Nossa Senhora lhe apareceu em sonho durante trinta dias consecutivos.

 

No último daqueles sonhos, Ela prometeu-lhe que, no dia seguinte, ele acordaria na sua propriedade portuguesa e deveria procurar Sua imagenzinha escondida perto da Fonte da Luz. Ao encontrá-la, teria que providenciar a construção de uma capela no local. E assim aconteceu.

 

O próprio Bispo de Lisboa promoveu o lançamento da pedra fundamental da obra onde, hoje, é o majestoso Santuário de Nossa Senhora da Luz. Este título de Maria está presente nos altares de muitas igrejas brasileiras, inclusive em Itajubá.

 

Os milagres da Senhora da Luz – ou das Candeias – não param de acontecer. Muitos pedem a Ela a Luz de Cristo em suas vidas e, com certeza, nenhum desses devotos viverá os fatos citados na primeira parte deste artigo.

 

E os olhos da Virgem de Guadalupe, como a ciência explica? Para quem não conhece a história, vale a pena saber que em 9 de dezembro de 1531, no palácio episcopal da Cidade do México, para provar a veracidade das aparições que tivera de Nossa Senhora, o índio Juan Diego desdobrou seu poncho diante dos presentes e dele caíram perfumadas rosas das mais variadas cores – ele próprio as colheu em pleno inverno! E o mais impressionante: ficou impresso no poncho a imagem da Virgem, tal como ele a vira.

 

Tentando desvendar o mistério, pesquisadores analisaram a estampa do poncho através de possantes microscópios e descobriram que, refletidas na íris e na pupila da imagem, haviam13 pessoas em ambos os olhos – as mesmas que estavam presentes diante do índio quando deixou cair as rosas. Descobriram ainda que a imagem não contém corantes naturais, nem minerais, nem animais, o que é inexplicável para a ciência... mas não o é para a fé, porque milagres existem!

 

Tanto existem que em Lourdes chegam a ser espetaculares. Desde que se manifestou à Santa Bernadete, em 1858, os milagres jamais cessaram e atraem milhões de peregrinos todos os anos – inclusive eu e minha esposa, no ano passado. E tudo começou porque a jovem foi obediente e seguiu o pedido da Mãe Santíssima: beber a água da fonte e se lavar com ela... mas, a fonte não existia! No entanto, ela conseguiu encontrar um canto úmido e, cavando com as próprias mãos, fez jorrar a água abençoada que segue curando.

 

Santa Bernadete continua com o corpo humano incorrupto, assim como Santa Catarina de Labouré – que viu Nossa Senhora das Graças – e tantos outros católicos que recebiam a Eucaristia diariamente. E se fôssemos continuar falando dos milagres da Virgem Maria, nunca chegaríamos ao fim, porque desde os mais conhecidos – Fátima, em 1917 etc. – até os vivenciados em nossas comunidades marianas, há centenas de milhares para contar.

 

Enfim, parte da humanidade caminha para as trevas e outra parte para a Luz. Eu dou graças a Deus por ter Nossa Senhora como minha protetora e dela ter recebido inúmeros milagres em minha vida. Viva a Santa Mãe de Deus e nossa!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 424 –  21 Julho 2019

 

Três orações maravilhosas

 

Acredito que não exista uma só pessoa de fé que não tenha recebido ou passado alguma oração a alguém. Eu tenho dezenas de textos que retratam diversos tipos de orações: de cura, de agradecimento, de consagração, de entrega, de louvor, novenas etc., e hoje, vou colocar à sua disposição apenas três, mas foram escolhidas com muito carinho e podem mudar a sua vida, afinal, quem não precisa de oração?

 

Eis a primeira, para ser rezada assim que acordar:

 

“Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te a paz, a sabedoria e a força. Quero olhar, hoje, o mundo com olhos cheios de amor: ser paciente, compreensivo, manso e prudente; ver Teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Cerra meus ouvidos a toda calúnia, guarda minha língua de toda maldade, que só de bênçãos se encha meu espírito e que eu seja tão bondoso e alegre que todos aqueles que se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, para que, no decurso deste dia, eu Te revele a todos. Amém.”

 

Como Deus atende quem pede com fé, passe a rezar esta oração com o coração voltado para o Céu e pode esperar dias cheios de paz, de amor e de bênçãos; porém, não deixe de continuar fazendo as orações matinais que você reza. Quanto mais, melhor.

 

A seguir, relato as lindas palavras de Santa Tereza de Calcutá:

 

“Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida; quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água; quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor. Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo; quando minha cruz parecer pesada, dai-me compartilhar a cruz do outro; quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado. Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos; quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém; quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo. Quando sentir necessidade de compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha; quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender; quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa. Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje. Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia e, dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.”

 

Que fé tinha a Madre Tereza, não? Procure rezar a oração com muita atenção e veja como é difícil usar de sinceridade o tempo todo! Na verdade, a Santa Madre apenas mostrou que entendeu completamente a mensagem de humildade e de partilha deixada por Jesus Cristo. Eu disse ‘apenas’? Queira Deus que saibamos encarar essa ‘comunhão’ com naturalidade.

 

E, como terceira oração, coloco esta de agradecimento:

 

“Obrigado, Senhor, pelos meus braços perfeitos, quando há tantos mutilados; pelos meus pés que andam, quando muitos se enrijeceram; pelos meus olhos que veem, quando há tantos sem luz; pelos meus ouvidos que ouvem, quando tantos se silenciaram para sempre; pela minha voz que canta, quando outras se emudeceram mesmo antes de nascer. É maravilhoso, Senhor, ouvir, cantar, sorrir, sonhar, quando tantas pessoas sofrem, choram, revolvem-se em pesadelos e morrem para sempre. Obrigado, Senhor, principalmente, por ter tão pouco a pedir e tanto a agradecer!”

 

Não é realmente uma grande bênção poder rezá-la antes de dormir ou, se preferir, pela manhã? Há pessoas mutiladas que a rezam como ação de graças! Mas, isso não é triste – no Céu, todos seremos iguais! –; triste é pensar nos ‘perfeitos’ que não têm coragem ou tempo para rezar.

 

Sempre que fiz algumas destas três orações em encontros que animei, alguém me pede uma cópia – o que significa que Deus tocou no coração daquela pessoa e ela passará a multiplicar as palavras que ouviu. Assim, de mão em mão, o Reino do Altíssimo vai se instalando em muitos outros lares brasileiros; lares abençoados como do Dr. Victo Rennó, que um dia me enviou estas palavras escritas por Dom Helder Câmara:

 

“Descobri, Mãe querida, donde vem o respeito imenso que me inspira toda mãe que passa, de ventre pesado, carregando o filho ou alimentando ao seio o fruto de seu amor. Não é só pensando no milagre da vida; penso em ti, Virgem Mãe, e honro em cada mãe o mistério de uma criatura gerar o Criador – o mistério do seio humano alimentar o Senhor da Vida!”

 

Refletindo com profundidade na mensagem, dá até para se emocionar. Pense você também: Nossa Senhora carregou Deus em seu ventre! Que criatura maravilhosa foi a nossa querida Mãe! Aliás, Ela sempre será bendita e maravilhosa!

 

Assim, de graça em graça alcançada, de oração em oração rezada, de CD em CD gravado, de caridade em caridade praticada... o mundo católico vai me fascinando cada vez mais. E quando criança, será que eu teria a coragem do menino desta história?

 

Conta-se que um professor pediu aos estudantes que citassem as sete maravilhas do mundo moderno. E começaram as opiniões: Pirâmides do Egito; Taj Mahal; Grand Canyon; Canal do Panamá; Empyre State Building; Basílica de São Pedro; Muralha da China...

 

Mas, o professor notou um estudante muito quieto e perguntou-lhe se tinha alguma coisa a dizer. E o menino respondeu: ‘Eu penso que as sete maravilhas do mundo sejam: andar; sentir sabor; ver; ouvir; rir; amar; e ter muita fé.’

 

O professor, impressionado, comentou: ‘Muito bem! Você é daqueles que não só carregam a cruz no peito, mas têm peito para carregar a cruz.’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 423 –  15 Julho 2019

 

Você acredita nestas verdades?

 

Se Deus tivesse uma carteira, levaria a sua foto nela. Se não acredita, olhe estas provas do amor que Nosso Senhor tem por você: Ele lhe manda flores na primavera; lhe manda o nascer do sol a cada manhã; a qualquer momento que você quiser conversar, Ele lhe escuta; e, mesmo podendo morar em qualquer lugar do universo, Ele escolheu ficar no seu coração!

 

Tenha certeza: Deus é louco por você! Ele não lhe prometeu dias sem dor, risos sem sofrimento e nem sol sem tempestade, mas prometeu lhe dar: força a cada dia; conforto para as lágrimas; e muita luz para o caminho da salvação. Imagine, agora, Jesus lhe dizendo assim:

 

‘Eu lhe dei a vida, mas não vou vivê-la por você. Posso lhe mostrar caminhos, mas não carregarei você. Posso lhe chamar à Igreja, mas não implorar para que tenha muita fé. Posso lhe mostrar a diferença entre o certo e o errado, mas não decidir por você. Posso permitir que compre roupas bonitas, mas não exigir que seja formidável por dentro.

 

‘Eu posso lhe dar conselhos, mas não posso aceitá-los por você. Posso lhe oferecer amor, mas não impô-lo à força. Posso lhe ensinar a compartilhar, mas não adiantará nada se deixar de praticar a caridade. Posso lhe aconselhar sobre seus amigos, mas não posso escolhê-los em seu lugar. Posso alertar você sobre os pecados, mas não posso manter seu coração puro. Posso informar você sobre álcool e drogas, mas não posso exigir que me queira sempre por perto.

 

‘Eu posso lhe falar um pouco sobre sucesso, mas não vou atender você da forma que o deseja. Posso lhe ensinar sobre a gentileza, mas não forçarei você a ser fraterno. Posso caminhar a seu lado, mas não quero me impor contra a sua vontade. Posso lhe falar da vida, mas não lhe dar a vida eterna, se não quiser. Eu posso amar você incondicionalmente para sempre... e isso eu farei.’

 

E agora, dá para acreditar que ninguém é mais fiel a você do que o Todo-Poderoso? Na verdade, Ele tudo pode sim, mas nunca invadirá o seu coração sem permissão. E, se isso ficou bem claro, basta não desejar viver na escuridão que você sempre O terá por perto.

 

E como é bom ter certeza que as promessas de Jesus sempre serão cumpridas, não? Quando Ele enviou os doze para pregar (Mc 6), recomendou que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; e saíram cheios do Espírito Santo, gritando mais ou menos assim: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está próximo!’ Hoje, os nossos sacerdotes fazem o mesmo, mas quantos de nós os ouvem? Por que os maus exemplos de alguns incrédulos influem tanto nos comportamentos de outros cristãos?

 

Conta-se que um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e pegou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o escorpião o picou e, devido a dor, o homem o deixou cair novamente no rio.

 

O monge, então, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou na correnteza, colheu o animal e o salvou. Voltando para junto dos discípulos, um deles o recebeu perplexo, dizendo:

 

– Senhor, deve estar doendo muito! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Seria um a menos se se afogasse! Viu como ele respondeu à sua ajuda? Picou a mão que o salvava e não merecia nenhuma compaixão!

 

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:

 

– Ele agiu conforme sua natureza... e eu, de acordo com a minha.

 

Que bonito exemplo, não? É claro que as histórias não devem ser compreendidas e vividas somente no contexto que aconteceram, mas, principalmente, no cotidiano de cada um de nós. Pense, então, em dar bons exemplos e salvar um ‘escorpião’ por dia através do seu amor, justiça e caridade. Um ao dia pode parecer muito quando o objetivo a ser alcançado não é regado com oração, porém, com o terço nas mãos, até os ‘escorpiões’ mais venenosos se tornam mansos!

 

É importante, então, ter certeza que todo batizado deve ser imitador de Cristo e só assim ganhará o Céu – eis aí outra verdade que ninguém pode refutar. Portanto, se você acredita nisto tudo que escrevi, dê graças a Deus, continue salvando os ‘escorpiões’ que encontrar pelo caminho e o Senhor continuará com a sua foto na carteira. Assim seja!

 

Hoje, 14 de julho, completo 40 anos de casado. Louvado seja Deus e sua Mãe, Maria Santíssima!

 

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 422 –  6 Julho 2019

 

Verdades que educam o coração

 

Olhando a agenda de planejamento diário da Sociedade de São Vicente de Paulo que usei, vi frases maravilhosas proferidas por grandes personagens da História. Seria impossível relatar todas aqui – são quase quatrocentas! –, mas, apenas como referências, eis algumas bonitas:

 

“Fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gl 5, 3).

 

“Deus quis que não recebêssemos nada que não passe pelas mãos de Maria” (São Bernardo).

 

“Quem não ama não descobriu a Deus, porque Deus é amor” (1ª João 4, 8).

 

“Acender o fogo do amor divino em todas as pessoas é continuar a missão do Filho de Deus” (São Vicente de Paulo).

 

“Há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20, 35).

 

“Vós, pobres, sois para nós a imagem sagrada deste Deus que não vemos e, não sabendo amá-Lo de outro modo, nós O amaremos em vossas pessoas” (Antônio Frederico Ozanam).

 

“Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo” (Ef 5, 2).

 

“A glória de Deus é que o pobre viva” (Mons. Oscar Arnulfo Romero).

 

Dá para imaginar a motivação para servir o próximo quando eu abria a agenda e lia mensagens como estas? Acredito que o meu coração foi educado a tal ponto que estou mais perto de atender plenamente a este chamado do Papa João Paulo II:

 

“Voltemos nossa mente e nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de ação e de oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em gênio da caridade, nos ajude a por mais uma vez as mãos no arado – sem olhar para trás – para o único trabalho que importa: o anúncio da Boa Nova aos pobres.”

 

Aproveitando o assunto, uma história árabe diz que um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para interpretar seu sonho.

 

– Que desgraça, senhor! – exclamou o adivinho. – Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

 

– Mas que insolente! – gritou o sultão, enfurecido. – Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

 

Mandou, então, que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

 

– Excelso, senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que havereis de sobreviver a todos os vossos parentes.

 

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso e, imediatamente, mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

 

– Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito! Por que ao primeiro ele expulsou do palácio e, a você, pagou uma fortuna?

 

– Lembra-te, meu amigo, tudo depende da maneira de dizer as verdades. Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.

 

Que a verdade deve prevalecer em qualquer situação, não resta dúvida, mas a forma como é comunicada tem provocado, em alguns casos, grandes problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa: se a lançarmos no rosto de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta; mas, se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade.

 

A embalagem, nesse caso, é o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos. Antes de ‘jogarmos na cara de alguém o que julgamos ser uma grande verdade!’, seria prudente rezar, dizê-la diante do espelho e, conforme for a própria reação, podemos seguir em frente ou adiar o nosso intento – evitando conflitos desagradáveis.

 

Juntando agora as partes deste artigo, posso concluir que existem dois tipos de verdade: a primeira, está contida no Evangelho e, a segunda, está dentro de cada um de nós – podendo ser aceita ou contestada por outra pessoa.

 

Eu jamais discuto a ‘Verdade das Escrituras’ e nem as frases proferidas pelos santos; apenas as aceito e sempre procuro incorporá-las em minha vida – são mensagens que recebo de Deus! Quanto à ‘verdade dos homens’, procuro avaliar a intenção de quem a diz e a consequência provocada pelo seu impacto nas pessoas. Em muitos casos, todo cuidado é pouco para ouvir e falar.

 

O importante é ter sempre em mente que a Verdade de Deus nunca causará prejuízo a ninguém e continuará no nosso meio para educar todos os corações. Portanto, por que não adequarmos as nossas ‘outras verdades’ à vontade d’Aquele que nos criou? Para isso, não é preciso ser adivinho, mas é necessário agir com sabedoria. O aprendizado está na Bíblia, na santa Missa, nas agendas católicas, enfim, nas lições que vêm do Céu.

 

Concluindo, quem poderá contestar a Verdade do Evangelho no Sermão da Montanha? Disse Jesus: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça... os misericordiosos... os puros de coração... os que promovem a paz... os que são perseguidos por causa da justiça... porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 3-12).

 

Amém!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 421 –  2 Julho 2019

 

Entre o céu e o inferno

 

Certo dia, uma diretora de Recursos Humanos de uma grande empresa morreu e sua alma chegou ao Paraíso, onde conheceu São Pedro. Disse-lhe o santo:

 

- Bem-vinda, mas não estamos seguros de que você se sentirá feliz conosco. É muito raro uma diretora de sucesso chegar aqui, sabia?

 

- Eu tenho outra opção? - questionou a mulher.

 

- Bem, façamos o seguinte: você passa um dia no inferno e outro aqui; então, escolhe onde quer ficar eternamente.

 

E ela desceu até o inferno. Chegando lá, a diretora entrou num clube maravilhoso e logo encontrou os amigos que trabalharam com ela – todos em trajes de festa e muito felizes. Jogaram golfe, jantaram juntos num ótimo restaurante e se divertiram bastante.

 

O diabo, surpreendentemente, mostrou-se um anfitrião de primeira classe. Era elegante, charmoso e muito educado. A executiva sentiu-se tão bem que, antes que desse conta, já estava na hora de ir embora.

 

Subiu, subiu, subiu... e se viu novamente na porta do Paraíso. Nas 24 horas seguintes, a mulher tocou harpa, rezou e cantou. Era tudo tão bonito e sereno que, também, quando ela percebeu, o dia já havia acabado. E São Pedro chegou para perguntar:

 

- Então, você pode me dizer o que escolheu?

 

- Senhor, o Paraíso é maravilhoso, mas me senti bem melhor lá embaixo, com meus amigos e aquela vida social intensa, que prefiro voltar pra lá.

 

Assim, ela, outra vez desceu, desceu... e, quando chegou, encontrou um lugar sujo e cheio de coisas ruins. Viu todos os amigos vestidos com trapos, trabalhando como escravos e aguilhoados por diabos. Dirigiu-se, então, a um dos capetas e perguntou-lhe chorando:

 

- Não entendo, ontem eu estive aqui e havia um clube! Comemos lagosta, caviar, dançamos e nos divertimos muito; agora, tudo o que existe é um deserto cheio de lixo e meus amigos são uns miseráveis!

 

O diabo olhou para ela, sorriu e disse-lhe:

 

- Ontem, estávamos lhe contratando. Hoje, você já faz parte da equipe. Ah, ah, ah...

 

Caro leitor, não encare esta história simplesmente como mais uma dentre dezenas que lhe contei. Peço que reflita e conclua que isso realmente acontece conosco todos os dias. Nos deparamos com o bem e com o mal a cada instante e decidimos qual o melhor caminho a seguir, não é mesmo? Mas, será que ainda dá para ter dúvidas entre as coisas que nos levarão ao Céu e ao inferno?

 

Bem, se a dúvida aparecer, pense o que Jesus Cristo faria se estivesse no seu lugar. Faça o mesmo e as portas do Céu se abrirão para você. Se agirmos assim, passaremos: a perdoar mais, a ofender menos, a ter paciência nos momentos difíceis, a amar mais o irmão que nos agride; enfim, tudo o que Jesus faria!

 

Portanto, quando você estiver para fazer algo que lhe pesará na consciência, pare e pense que está entre o Céu e o inferno. Se cair na tentação e desagradar a Deus, perderá o ‘estado de graça’ que se encontra e, como consequência, poderá ficar sem a proteção Divina no futuro. E eu lhe pergunto: vale a pena perder a companhia do seu anjo da guarda e se lambuzar de pecados?

 

É importante sabermos que o diabo faz de tudo para nos contratar, mas depois... Ao contrário, quando ficamos disponíveis para atender os chamados de Jesus, vislumbramos grandes recompensas no Paraíso. Mesmo aqui na Terra, só não recebe muitas graças quem não quer!

 

E para completar a mensagem de hoje, vou lhe contar mais uma história e, ao terminar a leitura, peço que você reflita se está desempenhando bem a sua missão de ‘barbeiro que almeja o Céu’.

 

Era uma vez um homem que foi ao barbeiro. Enquanto tinha seus cabelos cortados, contava suas experiências com Deus. O barbeiro, ia ouvindo e censurando a forma como o Senhor abençoava seu cliente.

 

Tantas foram as referências sobre o assunto que, repentinamente, o barbeiro incrédulo, não aguentando mais tanta religiosidade, falou:

 

- Deixa disso, meu caro. Deus não existe!

 

Surpreso com tal demonstração de ateísmo, o homem retrucou:

 

- Por que você diz isso?

 

- Ora, se Deus existisse mesmo, não haveria tantos doentes, mendigos, guerras etc. Olhe em volta e veja quanta tristeza!

 

Para não continuar discutindo, o freguês pagou o serviço e foi saindo da barbearia, quando avistou um homem maltrapilho, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada e suja abaixo do pescoço. Voltando-se para o barbeiro, comentou:

 

- Sabe de uma coisa? Você falou da sua descrença em Deus e eu quero lhe dizer que não acredito que barbeiros existam.

 

Também surpreso, o barbeiro gritou:

 

- Como? O que tem a ver uma coisa com a outra?

 

- É claro que tem! Se existissem barbeiros, certamente não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas e sem trato, não é?

 

O barbeiro, então, dando de ombros, respondeu:

 

- Ora, existem porque evidentemente não vêm a mim!

 

O fervoroso homem abriu um largo sorriso e disse-lhe:

 

- Ah! Agora você respondeu porque ainda existe tanta tristeza em torno de nós.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 420 –  24 Junho 2019

 

Precisamos parar de reclamar

 

Certa vez, cansado da vida cheia de pecados que levava, um cidadão resolveu ser monge. Dirigiu-se a um mosteiro e demonstrou disposição de se redimir dos pecados, viver uma vida de meditação e de sacrifícios, pois, apesar de ser rico, queria doar todos os seus bens à irmandade onde passaria o resto da vida. Sabia que seria uma caminhada difícil, mas o desejo de purificação da alma estava em primeiro lugar.

 

Ao chegar no mosteiro, foi recebido pelo Superior que, ao ouvir todo o seu relato de vida, argumentou que ele iria encontrar muitas dificuldades por perder o contato com o mundo de onde vinha. O candidato continuava firme em seu propósito; dizia renunciar a tudo e a todos para alcançar a paz interior e, principalmente, o reino dos céus.

 

Vendo a firmeza de caráter e a vontade de pertencer àquela irmandade, o Monge Superior aceitou-o como iniciante, mas alertou-o que, além das dificuldades já expostas, teria que se contentar em pronunciar apenas duas palavras a cada ano. Sem hesitar, o homem aceitou todas as condições.

 

Passado o primeiro ano, ele foi chamado e autorizado a dizer as suas duas primeiras palavras. E ele disse: ‘Comida fria.’ Falou-lhe o Superior: ‘Pode voltar para a sua reclusão.’ Após mais um ano, ele disse: ‘Cama dura.’ No final do terceiro ano, mais duas palavras: ‘Vou embora.’ O Superior, olhando bem nos seus olhos, exclamou: ‘Eu já sabia. Desde que você entrou aqui não faz outra coisa senão pensar em reclamar!’

 

Pois é, sabemos que existem pessoas que não resistem a qualquer dificuldade – reclamam de tudo e de todos. São pessoas que, na maioria das vezes, não fazem nada para melhorar as coisas, sempre dependem dos outros e nada está bom. Geralmente, quem mais reclama é quem menos direito tem.

 

Não é preciso que sejamos monges, mas, é indispensável fazermos uma reflexão sobre as maneiras simples de viver. Jesus Cristo não pregou nenhuma conduta de vida tão extraordinária que ninguém conseguisse cumprir sem reclamar; muito pelo contrário, resumiu tudo em ‘nos amarmos e vivermos sem pecados’. Para isso, é permitido a qualquer um: se divertir, ter dinheiro, usufruir de plena liberdade pessoal a cada dia etc; porém, sem deixar de rezar e praticar a caridade.

 

Hoje, eu só estou escrevendo sobre este assunto – parar de reclamar – porque um dia ouvi uma opinião que mexeu comigo. Foi durante o baile de formatura de minha filha, em Campinas. O meu sobrinho, casado e papai, me disse mais ou menos isto: ‘Tio, a partir de hoje, a Thaís precisa agradecer muito a Deus por estar formada. Muito pouca gente neste país tem o privilégio de tirar o diploma numa faculdade e ela conseguiu!’

 

Naquela noite, antes de dormir, fiquei pensando naquilo que ouvi e, embora tivesse a mesma opinião, concluí duas coisas interessantes: a primeira, que o meu sobrinho reza pouco – como ele mesmo confessou – e, mesmo assim, no meio da festa, falou de um grande dever espiritual de cada um de nós: agradecer quando recebe uma bênção; e, a segunda coisa que mexeu comigo, foi a reflexão sobre a oportunidade que tão poucos têm: estudar até se formar!

 

Eu vivo no meio de estudantes e, por isso, passo muitos dias convivendo com um ‘mundo irreal’ no nosso país: alunos bem alimentados, com capacidade para aprender, sorrisos nos lábios, contando os dias para se tornarem engenheiros etc. E depois que se formarem, será que darão valor ao presente que receberam de Deus ou serão novos ‘reclamões’ na face da Terra?

 

O sobrinho que citei dá um duro danado para sobreviver com dignidade e nem por isso reclama; aliás, vive sorrindo! Eu também poderia contar muitas histórias tristes que vejo no meu trabalho de Vicentino e, assim, puxar a orelha de quem vive reclamando de barriga cheia, mas, para não chocar o coração de alguém, vou relatar apenas um curioso testemunho dado pelo poeta Rupert Brooke.

 

Ele estava para embarcar num navio e viajar da Inglaterra para a América. No convés, todos tinham alguém para se despedir, menos ele. Rupert se sentiu terrivelmente solitário ao observar aqueles abraços, beijos e desejou ter alguém que sentisse sua falta. Logo vislumbrou um jovem à sua frente e perguntou seu nome. ‘William’, foi a resposta do rapaz. E o poeta lhe disse:

 

- William, você gostaria de ganhar algumas moedas?

 

- Claro que sim! O que devo fazer?

 

- Apenas acene para mim quando eu partir – instruiu o poeta solitário.

 

E, mesmo sabendo que o dinheiro não pode comprar o amor, por algumas moedas, o jovem William fez Rupert Brooke se sentir querido enquanto o navio se afastava. Algum tempo depois, o poeta escreveu: “Algumas pessoas sorriam, outras choravam; algumas abanavam lenços brancos, outras abanavam chapéus. E eu? Eu tinha William que, por poucas moedas, abanava entusiasmado seu enorme lenço vermelho e impedia que me sentisse completamente só.”

 

Que lição isso nos traz? Mostra que pessoas solitárias construíram paredes ao invés de pontes ao redor? Nem sempre, não é mesmo? Madre Teresa costumava descrever a solidão como ‘a maior doença do nosso tempo’. E os mais solitários não residem somente em asilos, nem vivem todos sozinhos. Rupert, por exemplo, estava só, com centenas de pessoas à sua volta!

 

É necessário reconhecer que, espiritualmente, não estamos sós. Precisamos buscar mais o sentido cristão de nossa vida e, assim, nunca estaremos no lugar do poeta: reclamando e dando moedas em troca de um simples aceno.

 

Há um provérbio hindu que diz: ‘Ajuda o barco do teu irmão a atravessar o rio e, quando menos esperares, o teu também já fez a travessia.’ Quem agir assim, certamente nunca se sentirá só e talvez não terá do que reclamar.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 419 –  15 Junho 2019

 

Precisamos servir com o coração

 

Existiu um ferreiro que, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda dedicação, nada mais dava certo em sua vida; muito pelo contrário, seus problemas acumulavam-se cada vez mais.

 

Numa bela tarde, um amigo que o visitava, comentou: ‘É realmente muito estranho que, justamente depois de você se tornar um homem temente a Deus, sua vida começar a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda sua crença, nada tem melhorado!’

 

O ferreiro já havia pensado nisso muitas vezes e, agora, acreditava saber a resposta. Começou, então, a falar:

 

‘Nesta oficina, eu recebo o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado que tenho e aplico vários golpes até que a peça adquira a forma desejada. Depois, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche de vapor. E ainda tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita – uma vez apenas não é o suficiente!’

 

O ferreiro deu uma pausa, e continuou: ‘Às vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras; e como jamais se transformará numa boa lâmina de espada, eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada da minha ferraria.’

 

Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu: ‘Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições e tenho aceitado as marteladas que a vida me dá. Às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço, mas a única coisa que peço é o seguinte: Meu Deus, não desista até que eu consiga tomar a forma que o Senhor deseja. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro velho das almas.’

 

Que história bonita, não? Quantas pessoas já passaram por isso e, por confiarem na Providência Divina, se transformaram em ótimas ‘lâminas de aço’! – leia o Livro de Jó na Bíblia Sagrada. Outros, por desistirem de servir a Deus com o coração à frente, estão cheios de rachaduras, esperando o pior acontecer.

 

Portanto, não há meio termo. Ou servimos a Deus ou servimos o diabo! E, para não deixar a impressão de que quem trabalha para Deus sofre como aço de espada e não recebe nada em troca, eis uma outra história interessante:

 

Numa noite, um homem estava dormindo em sua cabana quando, de repente, seu quarto ficou cheio de luz... e Deus lhe apareceu. O Senhor, então, mostrou uma grande rocha na estrada e explicou-lhe que deveria empurrar a rocha com toda a sua força, dia após dia.

 

E o homem assim o fez por muitos anos. Ele pelejou de sol a sol com seus ombros escorados na fria superfície da rocha imóvel, empurrando-a com toda a sua força. A cada noite, retornava aborrecido à sua cabana, sentindo que havia gasto todo o seu dia em vão.

 

E desde que o homem mostrou-se desencorajado, Satanás decidiu entrar em cena, colocando estes maus pensamentos em sua mente: ‘Você tem empurrado essa rocha por tanto tempo e ela ainda nem sequer se moveu? Desista!’ Isso dava ao homem a impressão de que a sua tarefa era impossível e que ele era um verdadeiro fracasso.

 

Assim, pensou em manter apenas o mínimo esforço na tarefa, mas, como era muito temente a Deus, resolveu rezar. E, ele disse: ‘Senhor, eu tenho trabalhado duro por muito tempo a Teu serviço, colocando toda a minha força para fazer aquilo que me mandou, entretanto, não consegui mover a rocha por nem um milímetro! O que está errado? Onde eu tenho falhado?’

 

O Senhor lhe respondeu com compaixão: ‘Meu filho, quando pedi que me servisse e você aceitou, eu disse que sua tarefa seria empurrar a rocha com toda a sua força, e é o que você tem feito. Eu nunca sequer mencionei que esperava que você a movesse; agora, você vem a mim, após todo o seu esforço, dizendo que falhou? Será isso realmente verdade?’

 

E continuou: ‘Olhe para si mesmo. Seus braços estão fortes e sadios, suas costas estão enrijecidas e bronzeadas, suas mãos estão calejadas pela pressão constante, suas pernas se tornaram musculosas e firmes. Você cresceu muito em saúde e agora suas habilidades superam o que você era antes! Apenas não moveu a rocha, mas, seu chamado foi para ser obediente, exercitando sua fé e confiança na minha vontade, e isso você fez. De hoje em diante, meu bom amigo, eu mesmo moverei a rocha sempre que você precisar.’

 

Pois é, quase sempre, o que Deus deseja de nós é apenas um pouco mais de obediência e, em troca, passamos a ter crédito com Ele. Que ótimo ‘negócio’ poderemos fazer!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 418 –  9 Junho 2019

 

É sempre muito bom ser bom

 

Estavam reunidos na floresta: um pássaro, um peixe, um coelho e um pato. Conversavam sobre suas habilidades e modos de lidarem com as adversidades da vida. A respeito da possível aproximação de um caçador, disse o pássaro: ‘Eu saio voando como um foguete.’ O peixe, por sua vez, comentou: ‘Se aparecer um caçador, eu nado com toda minha destreza e velocidade.’ O coelho, ponderou: ‘No meu caso, corro como uma bala.’

 

Demonstrando um certo ar de superioridade devido a aparente limitação de seus companheiros, o pato deu um passo à frente e declarou: ‘Eu não terei problemas em me safar, pois além de voar, sei nadar e correr. Farei qualquer uma dessas coisas, pois tenho várias habilidades e usarei a que for mais conveniente.’

 

A conversa seguia seu rumo quando, de repente, surgiu um caçador na floresta. Sem demora, o pássaro alçou voo, o peixe nadou rapidamente para o fundo do rio e o coelho saiu em disparada. O pato, porém, foi apanhado. Com tantas habilidades, não conseguiu definir a tempo a melhor estratégia de fuga!

 

Pois é, muitas vezes passamos a vida inteira adquirindo conhecimentos sobre assuntos que pouco acrescentam ao nosso futuro, relegamos os ensinamentos do Evangelho e caminhamos para locais distantes do objetivo que Deus nos deu. Vale a pena viver assim?

 

Há pessoas com erudição em muitas áreas, mas, por serem indecisas na fé, não conseguem superar em paz os desafios que a vida apresenta. É importante termos certeza que cada ser humano tem um talento especial que, lapidado e polido, o levará ao Céu. Porém, para se chegar lá, é preciso ser bom sempre!

 

E, falando em ‘ser bom’, há algum tempo recebi um e-mail de uma amiga com uma história que viveu junto com uma boa senhora:

 

“Numa tarde de dezembro, uma amiga veio me trazer um prato de quibes. Exímia em comida árabe, sempre me ofertava essas preciosidades. Fomos para a cozinha fazer um pequeno lanche e saborear os quibes quentinhos.

 

Conversando sobre diversos assuntos, ela olhou para o forno micro-ondas na parede e disse: ‘Puxa vida, um dia ainda quero ter um forno desses. Dizem que é uma maravilha! O que você acha?’ Respondi: ‘Na verdade, eu só o uso para esquentar a comida quando vou comer um mexido.’ Então, ela contou tudo o que faria se tivesse um forno daqueles.

 

À noite, fiquei pensando: ‘Meu Deus, por que uma mulher que trabalhou a vida inteira, lutadora incansável, boa esposa, mãe e avó, prestes a completar 50 anos de casada, não tem um forno tão simples e barato como esse? Tem coisas que não posso entender...’

 

No dia seguinte, liguei para meu filho e pedi que me ajudasse a comprar um forno. Fomos cedinho para o Shopping BH e, de loja em loja, procuramos um que fosse adequado para ela, pois a família é grande e o modelo do meu não serviria. Achei o forno e comprei.

 

Com aquela caixa enorme no carro, pensei: ‘Quero deixar na porta da casa dela.’ Cheia de felicidade por estar repartindo o que Deus havia me dado, toquei o interfone e disse com voz de entregador de loja: ‘Uma encomenda pra você! Por favor, venha pegar porque vou deixar aqui no portão.’ Corri para a garagem da casa ao lado e fiquei com o corpo encolhido para que não me vissem.

 

Abriram a porta, pegaram a caixa e, quando vi que estava tudo normal, saí do meu esconderijo e fui embora. Deixei um papel, representando um cartão de oferecimento e, nele, eu dizia que estava me antecipando às comemorações das Bodas de Ouro, que seria no dia 31 de janeiro.

 

Quando subi as escadas do meu prédio, abri a porta do apartamento e ouvi a voz dela em prantos, falando na minha secretária eletrônica: ‘Você me mata Jandyra! Olha, estamos todos chorando de emoção... de felicidade. Sei que foi você, pois ontem conversamos sobre o forno micro-ondas.’ E, em lágrimas, disse muitas coisas elogiosas à minha pessoa.

 

Chorei de emoção também. Como é bom fazer alguém feliz! Não me custou quase nada e para ela foi a realização de um desejo de anos e anos. Ela que sabia usar o micro-ondas não o tinha e eu, que só esquentava comida, tinha o meu meio encostado no canto da cozinha. Não achei justo.

 

Professor, estou revelando este acontecimento porque estava lendo uma mensagem que recebi e, lá, dizia que devemos repartir tudo o que temos. O homem que escreveu a mensagem contou que foi à cozinha e viu dois perus. Ficou com um e levou o outro para um amigo pobre que morava no final da rua. O amigo nem ficou sabendo quem o havia colocado na sua porta, e pensou: ‘Vou levar o franguinho que assei para a fulana, que não deve ter nada para comer neste Natal.’

 

E as coisas foram sendo entregues sem que ninguém visse, de um amigo para outro, até que terminou num pedaço de bolo que uma criança ia comendo pela rua e, deixando cair o farelo, alimentava os pombinhos que vinham atrás – também comemorando o Natal.”

 

Pois é, há certas coisas que Deus nos mantém informados para que possamos saber os desejos dos nossos irmãos e, assim, repartir o que temos com eles. O Senhor sabe que, para alguns, tudo é tão difícil neste mundo e, para outros, as necessidades são obtidas em abundância e com grande facilidade!

 

Não podemos negar que é gostoso ver pessoas chorando de felicidade, não é mesmo? É sempre bom demais!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 417 –  1 Junho 2019

 

Um excelente negócio para você

 

Não custa nada darmos boas dicas de negócios aos amigos, não é mesmo? Quando isso acontece, além de os ajudarmos a lucrar um pouco mais, preservamos algumas amizades e uma boa imagem pessoal, com certeza. Mas, qual seria o melhor conselho que poderíamos dar a quem é muito desconfiado, não concorda em pagar comissão e também não quer correr riscos desnecessários?

 

Eu conheço um negócio cem por cento garantido, aliás, um verdadeiro tesouro! É a aquisição de uma propriedade, cujo dono é riquíssimo e, tamanha a sua generosidade, nem faz questão de dinheiro. Se provarmos a ele que somos obedientes aos seus ensinamentos, ganharemos um lote do seu reino sem desembolsar nenhum tostão! E, ainda, este investimento está ao alcance de todos!

 

Você já deve estar imaginando que só é possível isso tudo ser verdade se a propriedade for o Céu e o dono for Deus. E, sabendo disso, agora posso dizer-lhe que é o melhor negócio do mundo, pois não há chance de sermos enganados confiando nesta milenar promessa: “Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam” (Mt 6, 20).

 

Eu fico muito feliz quando penso que a minha fé cresce a cada dia e, com ela, aumenta a certeza de que vale a pena procurar viver em espírito de santidade aqui na Terra. Quem assim o faz, além das graças que recebe no dia-a-dia, será recompensado com uma vida de felicidade eterna – junto aos anjos e santos do Paraíso (Mc 10, 30).

 

Se todos pensassem assim, não seria necessário contar esta história – que retrata a maldade que existe no mundo:

 

“Era uma vez uma cobra perseguindo um vagalume que vivia a brilhar. Ele sempre fugia rápido com medo da feroz predadora, mas, a cobra nem pensava em desistir. Um dia, já sem forças, o vagalume parou e disse à cobra: ‘Antes de me comer, posso lhe fazer uma pergunta?’ Mais do que depressa a serpente concordou, preparando-se para dar o bote. E o pobre vaga-lume perguntou: ‘Se não pertenço à sua cadeia alimentar e nunca lhe fiz nenhum mal, por que insiste em me comer?’ A resposta já estava na ponta da língua da cobra: ‘Porque não suporto mais o seu brilho.’”

 

Eu imagino que muita gente agora, lendo este conto, deve estar se lembrando de ‘cobras’ e ‘vagalumes’ soltos pela cidade. Mas não adianta caracterizarmos os personagens da história sem nada fazermos para ajudá-los, não acha? Uma ‘cobra’ também pode chegar ao Céu se a perdoarmos, se rezarmos pela sua conversão e se ela própria aceitar as oportunidades que lhe dermos para melhorar. Será que alguém que não concorda em estender a mão aos ‘predadores de cristãos’ também não foi ‘cobra’ um dia?

 

Por outro lado, eis um relato de alguém que merece ser imitado:

 

A história é de um fazendeiro muito bem sucedido que, ano após ano, ganhava o troféu ‘Milho Gigante’ na feira de agricultura do município. Ele sempre entrava no concurso com seu formoso milho nas mãos e saía com uma faixa azul de vencedor no peito.

 

Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal ficou intrigado com esta informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto: ‘Eu compartilho a semente do meu milho com os vizinhos!’ Então, o repórter lhe perguntou: ‘O que o leva distribuir sua melhor semente aos seus vizinhos, quando eles estão competindo com o seu milho gigante a cada ano?’

 

O fazendeiro sorriu por um instante e respondeu: ‘Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva de campo em campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polenização degradará continuamente a qualidade do meu milho! Portanto, se eu quiser cultivar milho bom, tenho que ajudar meus vizinhos a cultivá-lo também.’

 

Assim é a nossa vida: se quisermos ter paz, devemos colaborar para que o próximo a tenha em abundância, caso contrário, o nosso bem-estar será instável e sujeito a muitas decepções. Mas, é preciso muita humildade para deixar de ser ‘cobra’ e compartilhar a boa semente com os vizinhos.

 

Lembre-se que Jesus Cristo nos fala no Evangelho de Mateus (Mt 24, 44): “Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.” E sabemos que quando isso acontecer, quem tiver feito bons negócios será muito bem recompensado.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 416 –  26 Maio 2019

 

Ninguém, alguém, qualquer um, todo mundo

 

Acho que você já ouviu esta história ou outra bem parecida:

 

Moravam quatro pessoas na casa: Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém. Havia um importante trabalho a ser feito e Todo Mundo tinha certeza que Alguém o faria. Qualquer Um poderia tê-lo feito, mas Ninguém o fez. Alguém zangou-se porque era um trabalho de Todo Mundo e Todo Mundo pensou que Qualquer Um poderia fazê-lo, mas Ninguém imaginou que Todo Mundo deixasse de realizá-lo. Ao final, Todo Mundo culpou Alguém quando Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito.

 

Que caso engraçado, não? Agora, se eu lhe perguntasse quem agiu certo na história, talvez você a relesse e respondesse: ‘Ninguém!’ Mas, e se você soubesse que o referido trabalho deles era sair correndo para socorrer o filho de Alguém? Daí, Qualquer Um poderia tê-lo feito, concorda? A intenção não é complicar a cabeça de ninguém, mas deixar claro que todo mundo deve dar uma parcela de colaboração a qualquer um que vive pedindo ajuda a alguém.

 

E quando realmente precisarmos atender o pedido desesperado de um filho? Será que ele sempre será atendido nas suas necessidades espirituais como Jesus Cristo desejaria a qualquer um? Se os nossos filhos forem preparados adequadamente para alcançar algumas graças rezando sozinhos, não seria melhor do que terem que recorrer a alguém?

 

Contam que na reunião de pais, a diretora de uma escola ressaltou o apoio que eles deveriam dar aos próprios filhos. Pediu-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível, pois ela entendia que, embora todos daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicarem às crianças.

 

E a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e, com seu jeito humilde, explicou que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana, porque quando saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo; quando voltava do serviço, já era tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família.

 

Ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho; mas, tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa e, para que o menino soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Assim, quando o filho acordava e via o nó, sabia que o pai tinha estado ali e o havia beijado. Um simples nó era o meio de comunicação entre eles durante toda a semana.

 

A diretora ficou emocionada com aquela singela história e se mostrou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola!

 

Pois é, algumas vezes nos importamos tanto com a forma de educar os filhos que nos esquecemos da comunicação sincera através do sentimento. Simples gestos – como um beijo e um nó na ponta do lençol – valem muito mais do que presentes ou desculpas vazias.

 

É válido, portanto, preocuparmos-nos intimamente com nossos filhos, mas também é muito importante que eles sintam isso. E para que haja uma comunicação perfeita, é preciso que os filhos ‘ouçam a linguagem do nosso coração’, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto do que as palavras.

 

Por exemplo, é essencial que desde pequenas, as crianças sintam que a oração – revestida de muita fé – cura a dor de dente, o arranhão no joelho, o medo do escuro etc. Os filhos menores poderão não entender o significado de muitas palavras, mas saberão que os pais, através desse gesto de amor e de entrega, estarão fazendo o melhor que podem para ajudá-los.

 

Um nó na ponta do lençol serve para marcar presença e mostrar ao filho que alguém se preocupa com ele, mas é através da semente de fé plantada no coração que a criança terá certeza que poderá contar sempre com Aquele que a criou.

 

E você, algum dia deu nós nos lençóis de seus filhos? Não precisou? Ótimo! Mas, acredito que já rezaram juntos, não? E hoje, ainda rezam em família? Se estiver respondendo ‘sim’, tenho que dar-lhe os parabéns e dizer-lhe que está cumprindo o seu dever espiritual de pai – ou de mãe – aqui na Terra, pois há duas maneiras de se encarar a vida: uma, é acreditar que não existem milagres e, a outra, é dar graças por crer que todas as coisas são verdadeiros milagres.

 

Disse Jesus, o Autor dos milagres: “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21, 22); e ainda: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15, 7). Pena que muitos filhos não sabem ou não acreditam nisso!

 

Eu não tenho dúvidas ao dizer que precisamos construir um mundo melhor através da oração e do serviço ao irmão para continuarmos merecendo o milagre da vida; e se meus pais não tivessem me educado para esse fim, talvez hoje eu também não pensasse assim. E foi muito mais importante eu ter ficado rezando ao lado deles do que desfazendo nós dos lençóis.

 

Mas, cada caso é um caso e eu respeito a história que cada um viveu, apenas insisto que ainda é tempo de recuperar os períodos que os nossos filhos deixaram de rezar. Se ninguém se ajoelhar com eles, qualquer um terá a chance de fazê-los acreditar que alguém é mais importante que Jesus Cristo!

 

Que a Virgem Maria e São José ajudem todo mundo a rezar pela paz com os filhos e os abençoem sempre. Assim seja!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 415 –  20 Maio 2019

 

Quem não tem pecados nas costas?

 

Quase dois mil anos após Jesus ter dito: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”, continuamos sofrendo as terríveis consequências da má conduta humana. O tempo passa, a Palavra de Deus é pregada pelos continentes a cada minuto, mas o pecado continua no coração do homem.

 

Certos pecados de nossa época são apenas mais ‘modernos’, do tipo: esbanjamento de automóveis, desperdício de água, aborto, corrupção política, violência nas ruas, contrabando de drogas, atentados diversos etc. Analisando caso a caso, conclui-se que alguns pecam por iniciativa própria e, outros, o fazem em grupo – o que é ainda pior!

 

Com isso, nos afastamos de Deus, o nosso planeta continua sendo destruído, a fome e a doença ficam fora de controle, enfim, a maldade ganha força e – por perverter o coração do homem – gera mais pecados na face da Terra. Que panorama triste, não? E mesmo sabendo que só existirá paz no mundo quando houver plenitude de amor em cada ser humano, pouco colaboramos para isso!

 

Pense nos seus amigos... inimigos, se tiver... parentes... mendigos... e, agora, responda: Você está fazendo bem feito a sua parte? Tem dito ‘sim’ ao amor que Deus manifesta em sua vida? Olha para Jesus Cristo com a consciência tranquila?

 

Saiba que, para não pecar, além de cumprir os dez mandamentos, você não deve: guardar ressentimentos de ninguém; se omitir em ajudar o irmão necessitado; trabalhar pensando somente em acumular bens materiais; ter a intenção de prejudicar outra pessoa com atos ou palavras; ou seja, os valores do Evangelho precisam ser vividos a cada dia e não somente em datas especiais.

 

É importante ressaltar que a vida muda para melhor se vivida com dignidade cristã. São João disse: “Onde existe o amor, Deus aí está”; portanto, deixando de lado o nosso egoísmo e as injustiças que praticamos, com amor, podemos realizar muito mais obras espirituais e prestar a verdadeira solidariedade que a Igreja tanto prega.

 

Eu tenho consciência que ninguém foi mais solidário conosco do que a Virgem Maria. Ela gerou o maior Tesouro que veio a este mundo e não O quis só para si, muito pelo contrário, entregou-O à morte de cruz para nos salvar. Foi o mais significativo testemunho de fé de toda a história! É por isso que sou apaixonado por Ela e, através dela, consigo muitas graças – e quantos milagres já testemunhei!

 

Em nome de Jesus, praticando a solidariedade sem preconceitos, os nossos pecados deixam de pesar tanto nas costas e, assim, nos acostumamos a viver em paz – como autênticos cristãos.

 

Eis uma história que ajudará a concluir tudo isso:

 

“Dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família rica, que se recusou a deixá-los ficar no quarto de hóspedes. Foram, então, colocados para dormir num pequeno e frio espaço no porão.

 

Quando estavam se ajeitando no chão duro, o anjo mais velho percebeu um buraco na parede e o consertou. O outro estranhou o que viu e logo perguntou o porquê daquilo. E o mais velho, apenas lhe respondeu: ‘As coisas nem sempre são o que parecem ser.’

 

Na noite seguinte, os anjos foram à casa de pessoas muito pobres, mas, muito hospitaleiras. Depois de dividirem o pouco de comida que tinham, o bom fazendeiro e sua esposa acomodaram os viajantes na única cama de casal, onde poderiam ter uma boa noite de descanso.

 

Pela manhã, os anjos viram os donos da casa em prantos. A única vaca que tinham, cujo leite era a fonte de renda do casal, estava morta no campo. O anjo mais novo ficou indignado e desabafou com o colega: ‘Como você pode deixar isso acontecer? O primeiro homem tinha tudo e você o ajudou. Esta família tem pouco, mas se dispôs a dividir tudo... e você deixou a vaquinha morrer!’

 

O anjo mais velho, pacientemente lhe explicou: ‘As coisas nem sempre são o que parecem ser. Quando ficamos no porão daquela mansão, vi que havia ouro dentro daquele buraco na parede e, como o dono da casa era totalmente obcecado por dinheiro e incapaz de dividir sua fortuna, tapei o buraco para que ele não o achasse. Na noite passada, quando estávamos dormindo na cama do fazendeiro, o anjo da morte veio buscar sua esposa. Eu, então, lhe dei a vaca em troca dela.’ E concluiu: ‘Viu? As coisas nem sempre são o que parecem!’”

 

Pois é, quando os fatos não se concretizam do jeito que gostaríamos, tendo fé e confiando na providência Divina, tudo irá se esclarecer algum dia. É preciso acreditar que até os anjos são solidários aos nossos problemas e se colocam a nosso serviço – sempre para nos ajudar! E se fizermos o mesmo com os nossos irmãos excluídos, maior será a ajuda que receberemos do Céu.

 

Diga ‘não’ à morte e ‘sim’ à vida. Confesse, se liberte dos pecados e obtenha a cura que você tanto precisa. Experimente! As coisas nem sempre são tão boas ou ruins como parecem.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 414 –  14 Maio 2019

 

Um balanço de vida e salvação

 

O ano está passando e muitos ainda não prestaram atenção nas graças que continuam recebendo na vida. Esses, deixam de agradecer a Deus a cada amanhecer e querem que os seus projetos pessoais aconteçam o mais depressa possível, mas, e o Plano de Salvação que o Senhor traçou para o mundo, quando merecerá atenção? Enquanto não concluírem o planejamento de acumular bens materiais na Terra, os valores espirituais continuarão em segundo plano?

 

Chega até a ser engraçado como a maioria das pessoas leva a vida: reza só quando ‘dá tempo’; não perde uma única oportunidade de se divertir com os amigos; dificilmente lê o Evangelho; prefere se omitir dos trabalhos pastorais da Igreja; não se confessa; enfim, não se encontra com Jesus Cristo e ainda reclama quando alguma coisa dá errado!

 

Eu também já fiz tudo isso, mas, por deixar Deus agir em minha vida, hoje sou outra pessoa. Embora ainda pecador e, portanto, longe do Céu, eu simplesmente abracei a missão de ajudar a construir o verdadeiro Reino aqui na Terra e procuro fazer a minha parte.

 

E para que você também possa fazer um balanço de salvação em sua vida, leia primeiro esta história:

 

“Uma pobre mulher morava numa humilde casinha e estava com a neta muito doente. Como não tinha dinheiro para levá-la ao médico e percebendo que a criança piorava a cada dia, resolveu ir a uma Igreja distante para pedir ajuda a Nossa Senhora.

 

Ao entrar, encontrou algumas mulheres rezando e, quando iam se levantando, a vovó lhes disse: ‘Eu também gostaria de fazer uma oração.’ Vendo que se tratava de uma pessoa de idade, as senhoras concordaram e a velhinha começou: ‘Nossa Senhora, sou eu. Olha, a minha neta está muito doente e eu gostaria que a Senhora fosse lá cuidar dela. Pega uma caneta que eu vou dizer aonde fica.’

 

As mulheres estranharam, mas continuaram ouvindo: ‘Já está com a caneta? A Senhora vai seguindo o caminho daqui de volta pra casa e, quando passar a ponte, entra na segunda estradinha de barro, entendeu?’

 

A essa altura, as senhoras já estavam se esforçando para não rir, mas a vovó continuou: ‘Seguindo mais uns 20 minutinhos, tem uma vendinha. Vai pela rua depois da mangueira que o meu barraquinho é o último. Pode ir entrando que não tem cachorro e, olha, Nossa Senhora, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho. Pega ela, entra e cura a minha netinha, mas, por favor, não esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho, senão eu não consigo entrar quando chegar em casa.’

 

As mulheres, indignadas, a interromperam, dizendo que não era assim que se rezava, mas que ela poderia ir pra casa sossegada, pois, com certeza, a Mãezinha do Céu iria ouvir as suas preces e curar a menina.

 

A velhinha pegou o caminho um pouco desolada, mas, ao entrar em sua casinha, a neta veio correndo lhe contar: ‘Vó, eu ouvi um barulho na porta e pensei que fosse a senhora voltando, mas entrou uma mulher de vestido branco em meu quarto e me mandou levantar. Não sei como, mas eu simplesmente levantei e fiquei boa!’

 

E, em prantos, a menina continuou: ‘Depois, ela sorriu, beijou a minha testa e pediu que eu avisasse a senhora que ela deixaria a chave debaixo do tapetinho vermelho.’”

 

Pois é, o nosso orgulho e a nossa escolaridade não nos levam ao Céu. Leia os ensinamentos de Jesus sobre as ‘bem-aventuranças’ – Mateus 5, 1-12 – e saiba como chegar lá.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 413 –  7 Maio 2019

 

Cinco lições de vida

 

Em cada história deste artigo, peço que você tire algumas conclusões e as use para melhorar espiritualmente a vida que Deus lhe deu.

 

1 – Na escola:

 

Durante o segundo mês na escola de enfermagem, um professor passou o primeiro questionário de avaliação. Mário era bom aluno e respondeu rápido todas as questões até chegar na última, que era: ‘Qual o nome da mulher que faz a limpeza da escola?’ Ele já havia passado por ela várias vezes; era alta, cabelo escuro, tinha uns 40 anos, mas como podia saber o seu nome? O jovem entregou o teste deixando a referida questão em branco e, logo após, quis ter certeza se a última pergunta iria influir na nota. ‘É claro! – respondeu o professor. – Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas e todas terão um certo grau de importância. Cada uma deve merecer sua atenção, mesmo que seja num sorriso ou num simples cumprimento pelo nome.’ O enfermeiro Mário nunca mais esqueceu essa lição de respeito pelo ser humano e também guardou para sempre o nome da faxineira Madalena.

 

2 – Na chuva:

 

Numa noite, estava uma senhora negra numa estrada do estado do Alabama, enfrentando um tremendo temporal. O seu carro tinha enguiçado e ela precisava desesperadamente de uma carona.  Completamente molhada, começou a acenar para os veículos que passavam. Um jovem branco, parecendo que não tinha conhecimento dos conflitos dos anos 60, parou para ajudá-la. Ele a colocou num lugar protegido, procurou ajuda mecânica e chamou um táxi para ela. A senhora parecia estar realmente com muita pressa, mas conseguiu anotar o endereço do rapaz e agradecê-lo. Sete dias se passaram quando bateram à porta da casa do jovem e, para sua surpresa, uma enorme TV colorida lhe foi entregue com um bilhete, que dizia: ‘Muito obrigada por me ajudar naquela noite. A chuva não só tinha encharcado minhas roupas como também meu espírito. Por sua causa, consegui chegar ao leito de morte do meu marido antes que ele falecesse. Deus o abençoe por ter me ajudado. Sinceramente, Sra. Nat King Cole.’

 

3 – Na lanchonete:

 

Um menino pobre, de 12 anos, entrou na lanchonete de um bonito hotel e sentou-se à mesa. ‘Quanto custa um sorvete com cobertura de chocolate?’, perguntou à garçonete. ‘Três reais’, respondeu-lhe a moça. O garoto puxou as moedas do bolso, começou a contá-las e depois questionou: ‘Bem, quanto custa o sorvete simples?’ A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa e a garçonete respondeu de maneira brusca: ‘Dois e cinquenta. Vai ou não querer?’ O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse sorrindo: ‘Eu vou querer, então, o sorvete simples.’ A moça trouxe-lhe o sorvete, a conta, colocou tudo na mesa e saiu apressada. O garoto tomou o sorvete, pagou a conta no caixa e deixou o hotel. Quando a garçonete voltou, começou a chorar à medida que ia limpando a mesa, pois do lado do prato havia 50 centavos em moedas. O menino não pediu a cobertura de chocolate porque queria que sobrasse a gorjeta da moça.

 

4 – Na estrada:

 

Em tempos bem antigos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada e ficou observando escondido. Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente deram a volta pela pedra. Muitos até esbravejaram contra o rei, dizendo que ele não mantinha as estradas limpas. Um camponês, com uma boa carga de vegetais nas costas, ao se aproximar da imensa rocha, pôs de lado a bagagem e tentou removê-la. Após muita força e suor, finalmente conseguiu deslocar a pedra para o lado da estrada. Então, notou que havia uma bolsa no local onde estava a rocha. Dentro, achou moedas de ouro e uma nota escrita pelo rei, dizendo que a recompensa era para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho. O camponês aprendeu que Deus nunca abençoa um filho que quer fazer o bem, sem antes dar-lhe forças para realizar o seu desejo.

 

5 – Na montanha:

 

Um certo alpinista queria escalar sozinho o pico do Aconcágua, na América Central, mas não aceitava dividir os louros da conquista com mais ninguém – tal era a sua ambição. Na escalada, percebeu que não conseguiria chegar ao cume antes de anoitecer, mas decidiu seguir adiante, afinal, faltava tão pouco para atingir o topo! A noite chegou de mansinho e tomou conta de tudo. O alpinista já não enxergava mais nada e, mesmo assim, continuava subindo. Quando faltavam cem metros para concluir a escalada, seu pé pisou em falso e ele caiu! Na queda, via apenas figuras escuras passarem ao lado, até que sentiu um forte puxão. Percebeu que a corda do seu cinto havia se enroscado numa das pedras da montanha e, assim, ficou suspenso no ar – balançando de um lado para outro, sem enxergar nada. Começou a gritar por ajuda, mas em vão. Não restando outra coisa a fazer, pediu: ‘Deus, por favor, me salve!’ Então, uma voz ecoou grave, dizendo: ‘Se acredita em mim, corte a corda.’ Por alguns minutos houve um silêncio total. O alpinista pensou no que Deus lhe dissera, mas resolveu continuar agarrado na corda, pois, se a cortasse, tinha certeza que morreria na queda. No dia seguinte, uma equipe de resgate o avistou pendurado na montanha. Foram salvá-lo, mas o encontraram morto pelo frio da noite; estava a apenas dois metros do chão! Sua descrença o matou.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 412 –  1 Maio 2019

 

Um ser humano clonado teria alma?

 

No futuro, continuará sendo possível dizermos que ‘qualquer ser humano é filho de Deus’ e, ainda, que ‘todos nós fazemos parte dos planos divinos de salvação’? E se o homem realmente for clonado – infelizmente, parece que pode acontecer –, esse ser terá alma? Por se tratar de uma obra exclusivamente humana, será apenas uma ‘coisa’ a mais na face da Terra? Eis a opinião do Cônego José Luiz Villac, numa das edições da Revista Catolicismo:

 

“A alma é criada diretamente por Deus toda vez que se constitui um ser humano pela conjunção natural de um homem e de uma mulher. Discutiu-se, entre os teólogos, em que momento do desenvolvimento do feto isso se dá, mas a tendência atual defende que essa infusão ocorre no momento mesmo da concepção.

 

Assim, a alma estaria presente desde as primeiras etapas do desenvolvimento do ser humano, governando esse desenvolvimento. Seja como for, o aborto provocado, desde o instante seguinte à concepção, é sempre pecado mortal e passível de excomunhão.

 

No caso de um ser humano clonado – suposto que isso seja realmente realizável – o mesmo fato poderia dar-se? A alma seria criada e infundida por Deus no ser assim constituído? Se Ele não infundir a alma, poderemos não ter uma pessoa humana, mas um ‘monstro’ – eventualmente até um boneco dirigido pelo demônio! O futuro e a Igreja o dirão.

 

O Japão proibiu a clonagem; também autoridades religiosas têm se pronunciado: ‘A clonagem de embriões humanos para a investigação médica é imoral e desnecessária’ – afirmaram os Bispos da Inglaterra e Gales, pedindo aos membros do Parlamento inglês opor-se a essa disposição.

 

Da parte da Santa Sé, o diretor do Instituto de Bioética João Paulo II, Mons. Elio Sgreccia, disse que a clonagem de um ser humano é um ato grotesco contra a humanidade. Ele elogiou a decisão da Câmara de Representantes dos Estados Unidos por proibir toda forma de clonagem humana, tornando-a crime federal.

 

Na clonagem de animais irracionais, tem-se alegado que, mesmo as experiências que chegam a seu término, produzem seres com debilidades genéticas incomensuráveis, tornando o ser clonado suscetível de contrair toda espécie de doença e de apresentar malformações orgânicas. Imagine-se um ser vagamente parecido com um homem, mas que tem uma orelha no lugar do nariz, cabelo nascendo dentro dos olhos e coisas semelhantes – como se pode ver comumente em quadros da chamada arte moderna.

 

Com efeito, o que a clonagem humana tem de pior é o desígnio de alterar a própria ordem estabelecida por Deus para a propagação da espécie. Trata-se, portanto, de uma investida contra o próprio plano do Criador que, pela variedade e dessemelhança entre os seres, quis que fossem dessa maneira mais amplamente representadas as perfeições divinas.

 

Está escrito no Gênesis (1, 26) que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança; cada homem espelha uma parcela – por ínfima que seja – de alguma perfeição divina. O projeto de clonagem humana se insurge, pois, contra o desígnio divino de espelhar suas perfeições através da infinita variedade de seres criados. Como não ver atrás disso a mão do demônio que permanentemente tenta, por pouco ou muito que lhe seja permitido, deslustrar a obra magnífica da Criação?”

 

À reflexão do sacerdote, eu acrescentaria esta história:

 

Os animais reuniram-se na floresta e começaram a escolher algumas disciplinas práticas para treinar. O pássaro insistiu para que houvesse aula de voo; o peixe para que o nado fizesse parte do currículo; o esquilo achou que a subida em árvores era fundamental... o coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída. As sugestões foram atendidas, mas, cometeram um grande erro: os bichos participariam de todos os cursos oferecidos.

 

O coelho foi magnífico na corrida, mas queriam ensiná-lo a voar! Colocaram-no numa árvore e disseram: ‘Voa coelho!’ Ele saltou lá de cima e quebrou as pernas. Não só ficou sem aprender a voar como acabou também sem poder correr. O pássaro voava como nenhum outro, mas, o obrigaram a cavar buracos como a toupeira! Quebrou o bico, estragou as asas e passou a não conseguir voar tão bem.

 

Conclusão: ‘Os animais são diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais habilidades próprias. Não podemos forçar alguma espécie a ser igual à outra ou ter exatamente as mesmas qualidades.’

 

Também com o homem, se insistirmos na clonagem, acabaremos fazendo com que muitos sofram e, no final, poderão não ser nem parecidos com o que gostaríamos que fossem.

 

Na minha opinião, respeitar as diferenças significa amar a Deus e ao próximo.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 411 25 Abril 2019

 

O grande valor da espiritualidade

 

Apesar de ter perdido o braço esquerdo num terrível acidente de carro, um garoto de 10 anos decidiu praticar judô e começou as lições com um velho mestre japonês.

 

O menino ia muito bem, mas, após três meses de treinamento, o professor havia lhe ensinado apenas um movimento. O garoto, então, perguntou-lhe: ‘Mestre, não devo aprender mais golpes?’ O japonês lhe respondeu com convicção: ‘Este é realmente o único movimento que você sabe, mas também é o único que você precisará saber.’ Sem entender completamente mas acreditando em seu mestre, o aprendiz continuou treinando.

 

Meses mais tarde, o velho inscreveu o aluno em seu primeiro torneio e, para a surpresa de todos, o menino ganhou facilmente seus primeiros dois combates. A terceira luta prometia ser a mais difícil, mas, depois de algum tempo, o adversário tornou-se impaciente e agitado. Foi quando o menino usou seu único movimento para ganhar mais uma etapa da competição.

 

Espantado pelo sucesso alcançado, o garoto de um só braço estava agora nas finais do torneio. Dessa vez, seu oponente era bem maior, mais forte e mais experiente. Preocupado com a possibilidade do menino se machucar, cogitaram em cancelar a decisão; porém, o mestre interveio: ‘De forma alguma! Deixe-o continuar.’

 

Usando os ensinamentos do professor, o dedicado aluno entrou para lutar e, quando teve oportunidade, usou seu golpe para prender o adversário. E, assim, o menino ganhou o torneio. Foi o grande campeão!

 

Mais tarde, na academia, o garoto e o mestre viram em vídeo cada movimento das lutas. Então, o aluno criou coragem para perguntar aquilo que estava há muito tempo em sua mente: ‘Mestre, como eu consegui ganhar o torneio sabendo somente um movimento?’

 

‘Você ganhou por duas razões – respondeu o mestre. Em primeiro lugar, você dominou um dos golpes mais difíceis do judô e, em segundo, a única defesa possível para esse movimento seria o seu oponente agarrar o seu braço esquerdo.’

 

Portanto, a maior fraqueza do menino tinha se transformado em sua maior força. E nós também podemos usar as nossas fraquezas a nosso favor; para isso, são necessários: humildade, oração e determinação na missão.

 

Por exemplo, os Vicentinos se reúnem nas Conferências para rezar e discutir as ações necessárias na prática da caridade; nessas reuniões, muitos problemas são apresentados e, para minimizá-los, a espiritualidade cristã de cada um é de fundamental importância para superar toda espécie de fraqueza humana.

 

E quando falamos em espiritualidade – a nossa maneira de seguir Jesus Cristo –, sabemos que sempre precisamos melhorar. Assim como o garoto da história treinou judô por muito tempo para vencer seus combates, os Vicentinos, por exemplo, também precisam aprofundamento espiritual para praticar a caridade. Por isso, temos a ECAFO – Escola de Caridade Antônio Frederico Ozanam, da Sociedade São Vicente de Paulo.

 

Felizmente, muitos aceitam as limitações próprias e estão participando de formação e atualização permanentes, aprendendo: a cumprir melhor suas missões; a melhor desenvolver lideranças; a julgar melhor os irmãos sob a luz da fé; a se aperfeiçoar pela oração/ação através dos exemplos deixados por pessoas iluminadas na Terra.

 

Jesus, antes de morrer e ressuscitar, formou pessoas para continuar sua obra: instruiu os doze apóstolos em tempo integral, segundo a condição e o talento de cada um. Imite o Mestre: use os seus dois braços para desferir um grande golpe na pobreza e se tornar vencedor(a) para Jesus Cristo. Com certeza, Ele há de lhe recompensar.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 410 13 Abril 2019

 

GUERRA ou paz: DEPENDE DE VOCÊ!

 

Dar palpites na vida dos outros é fácil, não é mesmo? Até opinar em ‘qual seria a melhor ação dos americanos contra a Venezuela’ é um direito de cada um; mas, praticar o que se prega é mais difícil.

 

Muita gente que defende uma grande retaliação militar por parte dos Estados Unidos provavelmente não se envolveria na guerra – com medo de morrer etc; outros, que falam de paz, vivem discutindo e fazendo inimigos por toda parte. Se todos nós desejamos viver em paz, o que realmente temos feito para unir os povos?

 

Imagine um poderoso patrão que gritou com seu diretor porque estava com ódio naquele momento. No mesmo dia, chegando em casa, o diretor que foi ofendido gritou com a esposa porque ela estava gastando demais. A esposa, por sua vez, gritou com a empregada que quebrou um prato. A empregada, então, descontou a bronca dando um chute no cachorrinho.

 

O animal saiu correndo e mordeu uma senhora que atrapalhou sua saída pelo portão da rua. A senhora, furiosa, foi à farmácia e acabou esbravejando com o farmacêutico, porque a vacina doeu ao ser aplicada. O farmacêutico, à noite, gritou com sua mãe porque o jantar não estava do seu agrado.

 

A bondosa mãe, já idosa, passou a mão nos cabelos do filho, beijou-lhe a testa e disse: ‘Você está muito nervoso, pois trabalhou muito e a esta hora deve estar bastante cansado. Amanhã você se sentirá melhor.’ Abençoou lhe e foi se deitar. Naquele momento, o círculo do ódio se rompeu, pois o farmacêutico encontrou a tolerância, o perdão, a paz e o amor. No dia seguinte, ele acordou alegre e sorriu para todos.

 

Lembre-se que diariamente você se torna um personagem desta história e também poderá quebrar um círculo vicioso de ódio e vingança. Pense nisso sempre que estiver triste e descontente com alguém, pois, para que o mundo seja melhor, precisamos fazer bem feito a nossa parte a todo momento. É claro que com o Terço nas mãos e Jesus Cristo no coração fica muito mais fácil ter paciência e pregar a paz. Eis um bom exemplo:

 

Havia um viúvo que morava com suas duas filhas curiosas e inteligentes. Elas lhe faziam muitas perguntas e, algumas, ele não sabia responder. Como pretendia oferecer a melhor educação para elas, enviou-as para passar as férias com um amigo padre – aposentado, que morava no alto de uma colina. Este, por sua vez, respondia todas as perguntas das jovens, sem hesitar.

 

Muito impacientes por conviverem com um sacerdote sábio, as garotas resolveram inventar uma pergunta que o velho não soubesse responder. Certo dia, uma das meninas apareceu com uma linda borboleta azul e exclamou para a irmã: ‘Dessa vez o padre não vai saber a resposta!’

 

‘O que você vai fazer?’ – perguntou a outra. E a irmã revelou seu plano: ‘Ficarei com a borboleta azul em minhas mãos e vou perguntar a ele se está viva ou morta. Se me disser que está morta, vou abrir as mãos e deixá-la voar. Se disser que está viva, vou apertá-la rapidamente e matá-la. Assim, qualquer resposta que ele nos der, será a errada.’

 

As duas meninas foram então ao encontro do sacerdote sábio, que rezava o Terço sob um eucalipto na montanha. Uma delas aproximou-se e perguntou: ‘Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me, está ela viva ou morta?’ Calmamente o padre sorriu e respondeu-lhe: ‘Depende de você, querida. Ela está em suas mãos!’

 

Assim é a nossa vida: o nosso presente e o futuro só depende de nós! Não devemos sempre culpar alguém porque algo deu errado; o insucesso também é uma oportunidade para recomeçar – com mais inteligência e paciência.

 

É importante termos consciência que somos os maiores responsáveis por aquilo que ainda não conquistamos e, para lutarmos contra as guerras infernais de toda espécie, a Paz de Cristo sempre estará em nossas mãos – como uma borboleta azul! Cabe a cada um escolher o que fazer com ela.

 

Siga este conselho: ‘Esforce-se para quebrar o círculo vicioso do ódio, reze para que ninguém interfira negativamente nessa sua decisão e você verá lindas borboletas voando por muito tempo.’ Só depende de você!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 409 8 Abril 2019

 

Os santos de nossa devoção

 

Dos santos mais populares da Igreja, setembro é um mês privilegiado de comemorações: São Gregório Magno – padroeiro dos cantores, dia 3; São João Crisóstomo – padroeiro dos pregadores, dia 13; e São Mateus, padroeiro dos banqueiros – dia 21; e no calendário dos católicos, tivemos também as festas marianas: Natividade de Nossa Senhora, dia 8; e Nossa Senhora das Dores, dia 15. E mais: dia 24, São Geraldo; dia 26, São Cosme e São Damião; dia 27, São Vicente de Paulo; e dia 29, os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

 

Para confirmar que todos merecem estar junto de Deus e também para aumentar a nossa fé, sempre vale a pena saber um pouco mais da vida exemplar de cada santo. Portanto, eis alguns maravilhosos detalhes destes últimos citados:

 

São Geraldo nasceu em Veneza e foi filho de Santo Estêvão, rei da Hungria. Em seu bispado, dedicou-se intensamente à renovação litúrgica, procurando tornar os cultos mais festivos e agradáveis. Um de seus surpreendentes dons era a profecia e, além de realizá-la como ninguém, também era dotado de vertiginosa coragem. Contam que, ao chegar na Igreja de Chonal para ser coroado, o rei Avon foi recebido aos gritos por São Geraldo, bradando:

 

“A Quaresma foi instituída para conceder perdão aos pecadores e recompensa aos justos. Tu a profanaste com assassinatos e, privando-me de meus filhos, privaste-me do nome de pai; é por isso que hoje não mereces perdão. Como estou disposto a morrer por Jesus Cristo, dir-te-ei o que vai acontecer-te: no terceiro ano de teu reinado, a espada vingadora se levantará contra ti e perderás, com a vida, o reino que obtiveste pela fraude e pela violência.”

 

Em 1047, estourou a perseguição ao cristianismo e as palavras do santo se confirmaram. Entre tantos bispos e cristãos mortos, estava também São Geraldo.

 

Já o mérito maior dos irmãos Cosme e Damião – padroeiros dos médicos e farmacêuticos – se resumia em curar todas as doenças e fazer caridade, sem receber nada em troca. Conta-se que uma vez, entretanto, contrariando a regra de conduta, Damião aceitou a remuneração de uma mulher por ele curada, de nome Paládia. O fato provocou uma severa bronca de Cosme, que disse não querer ser enterrado ao lado do irmão.

 

Diz a história que, quando foram sepultá-los separados, um camelo começou a bradar em voz humana, pedindo que enterrassem os dois irmãos juntos, uma vez que Damião havia recebido a oferta apenas para não humilhar a pobre mulher que curou.

 

Embora não se saiba ao certo, é provável que São Cosme e São Damião tenham sido martirizados no final do século IV, durante a perseguição aos cristãos pelo imperador Diocleciano.

 

E São Vicente de Paulo! Bem, este santo é venerado no mundo inteiro por suas boas ações em favor dos pobres. Nascido na França em 24 de abril de 1581, aos 19 anos abraçou o sacerdócio. Dedicou grande parte de seu tempo ao alívio material e espiritual dos remadores condenados – nas embarcações chamadas ‘galés’. Por isso, hoje é também considerado padroeiro dos prisioneiros.

 

O padre Vicente fundou quatro instituições de caridade e, em sua homenagem, Antônio Frederico Ozanam iniciou a Sociedade de São Vicente de Paulo, que hoje congrega quase um milhão de membros em 135 países!

 

São Vicente morreu em Paris no dia 27 de setembro, aos 79 anos de idade, e foi canonizado em 1737 – apenas 77 anos após o sepultamento. Entre suas inúmeras mensagens, esta ele sempre dizia aos sacerdotes: “Meus irmãos, amemos a Deus, mas amemo-Lo às nossas custas: com a fadiga de nossos braços e com o suor do nosso rosto.”

 

Os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael aparecem na Sagrada Escritura com missões muito importantes para a história da humanidade. São Gabriel – que significa ‘Deus é Forte’ – é o anjo da Encarnação do Filho de Deus e também aquele que anunciou à Isabel a chegada de João Batista.

 

São Rafael – ‘Deus Cura’ – teve como função acompanhar o jovem Tobias, por isso é considerado o guia dos navegantes; e São Miguel – ‘Como Deus’ – é o padroeiro da Igreja Católica Universal, além de protetor dos comerciantes, juízes, paraquedistas etc. A trajetória dos cristãos com a Santa Providência sempre incluiu a devoção aos três poderosos arcanjos.

 

Não é gratificante sabermos os fatos que marcaram os bem-aventurados de Deus? Concluindo, eu sempre lembro destas palavras de Santo Agostinho: “Quando quer não pode; quando pode não quer. E assim, por um mal querer, perde-se um bom poder.” Certamente, esse grande Doutor da Igreja falou isso pensando naqueles que perdem boas oportunidades de ajudar as obras de Deus ou recusam se aprofundar na fé.

 

Eis o diálogo entre dois oportunistas no inferno:

 

– Estou aqui porque nunca dei ouvidos a ninguém – disse o primeiro.

 

– Gozado! – respondeu, chorando, o outro – Estou aqui porque sempre ouvi todo mundo!

 

Pois é, na Bíblia, Jesus nos ensina a viver como santos; pena que muitos não Lhe deem a menor atenção.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 408 1 Abril 2019

 

Muitos Anjos de Deus lutam sempre por nós

 

Um missionário americano contou esta história verdadeira quando visitou sua Igreja, em Michigan:

 

“Enquanto servia um pequeno campo hospitalar na África, de duas em duas semanas eu viajava de bicicleta pela floresta, perto da cidade, para ajudar pessoas. Era uma jornada de dois dias e requeria acampamento todas as noites no meio do caminho.

 

Numa dessas jornadas, eu cheguei na cidade aonde planejei coletar dinheiro no banco – para comprar remédios e suprimentos – e começar meu segundo dia no campo hospitalar. Observei dois homens brigando e notei que um deles estava seriamente ferido. Tratei de seus machucados enquanto falava de Deus a ele.

 

Duas semanas mais tarde, chegando novamente na cidade, fui abordado pelo jovem que havia tratado. Ele falou que sabia que eu tinha conseguido dinheiro e remédios; então disse-me: ‘Alguns amigos e eu seguimos você dentro da floresta, sabendo que acamparia à noite. Nós planejamos matá-lo e pegar todo dinheiro e drogas, mas, justo na hora em que entramos no seu acampamento, vimos que estava cercado por 26 guardas armados.’

 

Nessa hora, eu ri e falei que estava sozinho naquela ala da floresta. O jovem insistiu na questão e disse-me: ‘Não senhor, eu não fui a única pessoa que viu os guardas. Meus cinco amigos também viram e todos juntos contamos quantos eram. Esse foi o motivo pelo qual ficamos com medo e abandonamos o senhor.’ Aquilo me deixou confuso!”

 

Nesse momento do testemunho, um dos homens da congregação interrompeu o missionário e perguntou-lhe se poderia revelar o dia exato em que aquele fato havia acontecido. Após confirmada a data, o homem também contou a todos sua história:

 

“Naquela noite do incidente na África, era manhã aqui e eu estava preparando para jogar golf quando senti um chamado para rezar por você. Na hora, o chamado de Deus foi tão grande que pedi a homens desta igreja para se encontrarem comigo aqui neste Santuário... e rezamos por você.” E completou: “Por favor, os homens que me ajudaram a rezar poderiam se levantar?” Levantaram-se vinte e seis!

 

Esta história é um exemplo de como o Espírito Santo age misteriosamente em nossos caminhos e, com certeza, tudo pode ser mudado pela oração, exceto os destinos daqueles que já atravessaram os portões do inferno. Portanto, se todos nós realmente acreditássemos que Jesus nos ouve e rezássemos mais uns pelos outros, não teríamos tanto sofrimento sobre a Terra.

 

Eu não posso deixar de agradecer a fé que foi plantada e cresce em meu coração. Se não fosse por isso, como eu poderia acreditar nessa história do missionário americano? Se não fosse pela fé dos meus amigos e parentes, como eu poderia ter sido curado de tantas doenças físicas e espirituais nesses sessenta e três anos de vida?

 

E, convivendo com pessoas de fé, a minha espiritualidade cristã aumenta a cada dia. Por exemplo, numa Missa em que participei, ouvi o padre contar um caso interessante. Disse ele que, certa época, um protestante da Igreja Anglicana fez várias críticas ao Vaticano porque discordava da canonização dos santos. Convidado pela Santa Sé a examinar um dos processos de canonização em andamento, aceitou o desafio e ficou meses lendo a documentação que lhe foi entregue.

 

Assim que formou uma opinião a respeito, voltou ao Vaticano e disse estar convencido que aquele beato do processo realmente merecia ser declarado santo, mas continuava duvidando de outros santos e santas já confirmados pela Igreja. E completou: ‘Será que houve a mesma lisura e seriedade que verifiquei neste processo que analisei?’

 

Para sua surpresa, disseram-lhe que, nos outros, as exigências foram ainda muito maiores, pois aquele beato que o protestante acabara de analisar nunca seria declarado santo pela Igreja. O processo seria definitivamente arquivado por falta de documentação legal mínima – exigida em todos os casos.

 

Pois é, se somente os santos entram no Céu, precisamos de muitos anjos nos defendendo contra as ciladas do demônio e, ainda, de muito mais oração a cada dia. É por isso que eu procuro manter o meu anjo da guarda ao meu lado – não falando palavrões, ajudando os pobres, trilhando bons caminhos etc. – e quando alguém me pergunta o ‘preço’ de algum favor que lhe fiz, respondo: ‘Reze uma Ave-Maria por mim’.

 

Reze você também por aqueles que precisam alcançar mais algumas graças na vida. Para não me esquecer de ninguém, eu mantenho muitos nomes sobre o meu oratório e, toda manhã, rezo por todos eles. Divido as listas assim: oração pela saúde; oração pelas almas; e oração pelas intenções particulares. Sugiro que faça a sua relação e passe a me ajudar – numa grande corrente de fé.

 

Com Nossa Senhora à frente, a legião de anjos e santos do Céu continuarão vencendo muitas batalhas por nós. Todos os dias isso acontece e continuará acontecendo para a glória de Deus, mas somente alcançarão essa especial proteção aqueles que a buscarem com perseverança.

 

Eu não preciso ver vinte e seis anjos ou analisar alguns milagres em processos de canonização para continuar rezando e fazendo caridade... e você?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 407 18 Março 2019

 

Livro: Pegadas na Areia

 

Publicado este mês pelas Editoras Appris/Prismas, eis um texto do início de meu novo livro:

 

“Certa tarde, quando eu tinha cerca de 13 anos, fui nadar com os amigos no chamado ‘Tanque do Assunto’ em Monte Sião. Lá, havia um cipó que nos permitia transpor a parte funda do rio. E como eu não sabia nadar, só soltava o cipó quando tinha certeza que cairia no raso.

 

Porém, numa das vezes em que me pendurei, minhas mãos escorregaram e fui parar no fundo! Graças a Deus, o Paulo Pintado percebeu que eu estava me afogando, pulou na água e me salvou. Depois, ainda me xingou e ficou furioso, porque eu o agarrei com tanta força pelo pescoço que quase morremos juntos.

 

A partir daquele dia – acho que para se vingar –, o Paulo começou a contar histórias de terror quando nos reuníamos à noite na praça da cidade. Acredito que alguém lhe tenha dito que eu tinha medo de assombração. E o danadinho era bom naquilo; tanto era que eu passava horas sem dormir à noite – ‘curtindo’ o medo!

 

Comecei a sair de perto quando as histórias começavam, o que não adiantou muito, porque ele já iniciava focando que, antigamente, na casa onde eu passava as férias, ouviam-se correntes arrastadas na madrugada e gritos de todo tipo. Nossa, aquilo era terrível para a minha imaginação!

 

Hoje, curado do medo, ainda penso o que leva uma pessoa ter prazer em praticar o mal. Sei que éramos crianças e o exemplo que citei pode não ser o melhor, mas, independentemente disso, há milhares de pessoas no mundo que não se importam com suas imagens aos que os cercam. Essas mesmas pessoas já praticaram o bem, mas também se alegram em fazer o mal!”
E tristeza nunca dá bons frutos. Tanto é verdade que, também eu, quando morava em república e cursava engenharia, fiz uma maldade com um colega. Era aniversário dele e, por ele ser órfão, não teria festa em família; porém, para nossa surpresa, a namorada dele trouxe um delicioso pudim para comemorarmos à noite. Ele ficou feliz da vida e nos prometeu repartir quando voltasse do treino de vôlei.

 

Ao retornar, por volta de 23 horas, nós quatro da república fingíamos dormir no quarto. Ele foi direto na geladeira e viu que só havia um prato com a calda do pudim! Rindo baixinho, nós ouvíamos o Zé Maria chorando e dizendo: ‘Que sacanagem! Não me deixaram nem um pedaço! Não acredito!’ E repetindo isso, ficou um bom tempo se lamentando na sala.

 

Quando acendeu a luz do quarto para dormir, nós o aguardávamos com o pudim nas mãos e cantamos parabéns. Ele não sabia se sorria ou se chorava, porque ficou triste por um bom tempo e comentava que a brincadeira foi de muito mau gosto.

 

‘Mau gosto’ também eu disse a um outro colega, Waldir, durante uma missa na época de adolescência. Aconteceu que, durante o ofertório, a cesta da coleta chegou ao banco em que estávamos e ele começou a procurar dinheiro nos bolsos. Ficou um bom tempo colocando a mão nos bolsos da frente da calça, nos bolsos de trás, procurou na jaqueta, voltou a conferir na calça... e a pessoa com a cesta esperando!

 

De repente, ele tirou um lenço e, sorrindo, enxugou o nariz. Eu fiquei morrendo de vergonha e balancei a cabeça, desaprovando a brincadeira de mau gosto do colega. Depois da missa, o Waldir repetia com ar de gozação: ‘Eu não disse que estava procurando dinheiro. Ela ficou esperando porque quis!’

 

E a última história pitoresca que lembro para contar – evidenciando algum tipo de maldade – ocorreu num feriado, na volta de Itajubá para Monte Sião. Meu primo, Toninho, dirigia o carro à noite na minha companhia e de mais três colegas.

 

Assim que cochilei, o Toninho combinou com os demais simularem um acidente. Então, num lugar seguro, apagou os faróis, saiu da estrada e, freando bruscamente, todos gritaram juntos. Eu acordei no banco de trás, percebi colegas meio caídos em cima de mim e, naquele silêncio, fiquei apavorado! Não sabia o que fazer e tentei sair a qualquer custo, mas as portas estravam travadas. Quando ‘acordaram’, se divertiram às minhas custas.

 

Pois é, nem toda brincadeira termina bem e, algumas, traumatizam e criam inimizades para sempre. Portanto, faça o bem, porque fazer o bem não faz mal a ninguém.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 406 12 Março 2019

 

Como abandonar-se nas mãos de Deus?

 

Para responder essa pergunta – título do artigo – é preciso ter fé. Quem crê em Deus e comunga com Seus planos de salvação, sabe que a esperança de receber a Sua misericórdia sempre existe e, assim, pode entregar-se completamente a Ele de diversas maneiras: na oração; na caridade; no serviço em comunidade; nas obras das pastorais; no anúncio do Evangelho; na obediência dos Mandamentos; na santa caminhada da Igreja etc. Tudo se baseia na fé – que deve ser ‘alimentada’ dia-a-dia através do esforço pessoal de cada um de nós.

 

Mas, o que é a fé? A Bíblia explica: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem” (Hb 11, 1). Portanto, quem se abandona em Deus de corpo e alma é porque tem muita fé.

 

Confiar na Providência Divina não é dar um pulo no escuro ou correr o risco de decepcionar-se; é tomar a decisão certa, usando toda sabedoria que o Espírito Santo nos concede – para a nossa própria salvação!

 

Eu sempre digo que tendo fé, saúde e paz, o resto a gente corre atrás. E quando nos falta saúde ou paz, é ainda mais importante nos fortalecermos na fé para recuperarmos o bem estar físico e espiritual, concorda?

 

Sempre digo também que a maior herança que deixamos aos nossos filhos é a fé que colocamos em seus corações. Os pais que dão bons exemplos de fé católica aos seus descendentes, plantam vida em abundância nas gerações futuras – com raízes firmes, profundas e responsáveis por frutos cada vez mais abençoados.

 

Pois é, quem tem fé vai longe! Foi Jesus quem disse: “Todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11, 10). E, ao curar um cego perto de Jericó, Jesus exclamou: “Tua fé te salvou” (Lc 18, 42). Portanto, seguir Jesus Cristo com humildade e mansidão é o mesmo que estar caminhando para o Céu numa estrada que nos conduz à verdadeira felicidade. A cada passo, a fé se renova e a presença de Deus se torna mais visível.

 

Eu não conheço alguém que tenha se arrependido de ter se abandonado nas Mãos de Deus, imitando Nossa Senhora. Ela seguiu à risca a voz que saiu da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que Ele diz” (Lc 9, 35). E, tendo passado por tantas provações, Maria Santíssima também foi agraciada por esta promessa de seu Filho, no Sermão da Montanha:

 

“Bem aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (Mt 5, 11-12).

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 405 7 Março 2019

 

O que fiz para merecer isso?

 

Infelizmente, é comum ver pessoas revoltadas com Deus, dizendo que nunca fizeram mal a ninguém e não aguentam mais tanto sofrimento! Para piorar as coisas, há quem deixa de ir à Igreja e até muda de religião, como se isso resolvesse todos os problemas.

 

Muita gente já me questionou e eu tenho tentado responder à pergunta usada como título deste artigo, mas, quando sinto a fé do próximo abalada, qualquer tipo de explicação naquele momento é inútil. E como já passei por sérios problemas na vida, sei que tudo pode ser mudado com paciência, oração e confiança na providência Divina.

 

Sempre que me pedem ajuda, prometo rezar e digo que Deus não manda castigo pra ninguém, mas, ao contrário, evita desgraças maiores e abençoa os filhos que trilham bons caminhos. Considero inteligente e equilibrado quem consegue aceitar com realismo os fatos irreversíveis e ainda procura superá-los com fé no coração – como fez Nossa Senhora ao pé da Cruz.

 

Portanto, é preciso saber separar as ‘coisas do mundo’ das ‘coisas de Deus’, senão, é impossível entender as provações que passamos nesta vida. E, para exemplificar como podemos crescer espiritualmente para melhor enfrentar o mundo, vou contar uma história.

 

“Era uma vez, um rei que tinha quatro rainhas. Ele amava a quarta esposa demais e vivia dando-lhe lindos presentes. Ele também amava muito sua terceira esposa e gostava de exibi-la nos reinados vizinhos, contudo, tinha medo que um dia ela o deixasse por outro rei.

 

E também amava sua segunda esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele – com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela para atravessar tempos difíceis.

 

A primeira esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo o que estava ao seu alcance para manter o rei poderoso, mas ele não a amava. Apesar de o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.

 

Um dia, o rei adoeceu e percebeu que seu fim estava próximo. Foi quando pensou em toda a luxúria de sua vida e ponderou: ‘É, agora eu tenho quatro esposas comigo, mas quando morrer, ficarei sozinho!’ Então, falou à quarta esposa: ‘Querida, te cobri das mais finas roupas e joias, mostrei o quanto eu te amava cuidando bem de você. Agora que estou morrendo, você é capaz de morrer comigo para não me deixar partir sozinho?’

 

‘De jeito nenhum!’ – respondeu ela, saindo do quarto sem sequer olhar para trás. A resposta cortou o coração do rei. Tristemente, ele então perguntou à terceira esposa: ‘Eu também te amei tanto a vida inteira, você é capaz de morrer comigo?’

 

‘Claro que não, a vida é boa demais! Quando você morrer, eu vou casar de novo.’ – respondeu ela.  O coração do monarca sangrou de tanta dor; e ele falou à segunda esposa: ‘Eu sempre lhe ouvi quando precisei de ajuda e você sempre esteve ao meu lado. Você será capaz de morrer comigo para me fazer companhia?’

 

‘Sinto muito, mas, desta vez, não posso fazer o que me pede.’ – respondeu aquela esposa. E completou: ‘O máximo que eu farei será enterrá-lo.’ Esta resposta veio como um trovão na cabeça do rei, que ficou arrasado.

 

Daí, uma voz se fez ouvir: ‘Eu partirei com você e o seguirei por onde você for.’ O rei levantou os olhos e lá estava a sua primeira esposa: magrinha e muito sofrida! Com o coração partido, o marido disse-lhe: ‘Eu deveria ter cuidado melhor de você enquanto ainda podia...’ Em seguida, morreu.”

 

Na verdade, todos nós temos quatro ‘esposas’ na vida. A quarta esposa é o nosso corpo. Apesar de todos os esforços que fazemos para mantê-lo saudável e bonito, ele nos deixará quando morrermos. Nossa terceira esposa é a riqueza. Gostamos de exibi-la, mas, quando morremos, tudo vai para os outros. A segunda esposa é a nossa família. Apesar de nos amar muito e estar sempre nos apoiando, na morte, o máximo que cada parente pode fazer é rezar e nos enterrar.

 

E nossa primeira esposa? É a nossa alma! Muitas vezes a deixamos de lado por perseguirmos os prazeres do mundo e, apesar disso, ela é a única que irá conosco – não importa para onde formos.

 

Lembre-se disso e se liberte um pouco mais da vaidade, do dinheiro e da vida fechada em família. Consiga mais tempo para a Confissão, a Eucaristia e a Partilha. Procure enxergar os chamados que recebe diariamente para servir Jesus Cristo e Ele não descuidará de sua alma. Fortaleça o quanto antes a alma, pois livre de pecados, será esse o maior presente que você poderá dar a si mesmo. Deixe que a alma brilhe aos olhos de Deus e, mesmo na eternidade, você nunca se arrependerá.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 404 25 Fevereiro 2019

 

O Milagre Eucarístico de Lanciano

 

Há mais de doze séculos, aconteceu um grande e prodigioso milagre na Igreja Católica. Por volta dos anos 700, na cidade italiana de Lanciano – antigamente Anciano –, os monges de São Basílio viviam no Mosteiro de São Legoziano e, entre eles, havia um que se fazia notar mais por sua cultura mundana do que pelo conhecimento das coisas de Deus. Sua fé parecia vacilante e sempre era perseguido pela dúvida de que a hóstia consagrada fosse realmente o verdadeiro Corpo de Cristo e, o vinho, o Seu verdadeiro Sangue.

 

Mas, a graça Divina nunca o abandonou, fazendo-o orar continuamente para que esse doloroso espinho saísse do seu coração. Foi quando, certa manhã – celebrando a Santa Missa, atormentado pela sua dúvida –, após proferir as palavras da consagração, ele viu a hóstia converter-se em Carne e o vinho em Sangue.

 

Sentiu-se confuso e dominado pelo temor diante de tão espantoso milagre, permanecendo algum tempo transportado a um êxtase verdadeiramente sobrenatural; até que, em meio à transbordante alegria e com o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse:

 

– Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!

 

A estas palavras, os fiéis se precipitaram para o altar e começaram também a chorar e a pedir misericórdia. A Carne apresentava uma coloração ligeiramente escura – tornando-se rósea se iluminada do lado oposto – e tinha uma aparência fibrosa. O Sangue era de cor ferrosa – entre o amarelo e o ocre –, coagulado em cinco fragmentos, de forma e tamanhos diferentes. Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade, transformando o monge num novo Tomé.

 

Aos reconhecimentos eclesiásticos do milagre, a partir de 1574, veio juntar-se o pronunciamento da ciência moderna – através de minuciosas e rigorosas provas de laboratório. As relíquias foram colocadas num tabernáculo de marfim e, a partir de 1713, a Carne passou a ser conservada numa custódia de prata e o Sangue num cálice de cristal.

 

Foi em novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais decidiram, devidamente autorizados, confiar a dois médicos – de renome profissional e idoneidade moral – a análise científica das relíquias. Para tanto, convidaram o Dr. Odoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e Livre Docente de Anatomia e Histologia Patológica e de Química e Microscopia Clínica, para proceder aos exames – assessorado pelo Prof. Bertelli, Emérito de Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena.

 

Após alguns meses de trabalho, exatamente a 4 de março de 1971, os pesquisadores publicaram um relatório contendo o resultado das análises, nos seguintes termos:

 

1. A Carne é verdadeira carne;

 

2. O Sangue é verdadeiro sangue;

 

3. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago), totalmente homogênea e não apresenta lesões – como apresentaria se fosse cortada com uma lâmina;

 

4. A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sanguíneo (AB) e pertencem à espécie humana;

 

5. É o mesmo tipo de Sangue encontrado no Santo Sudário de Turim;

 

6. Trata-se de Carne e Sangue de uma pessoa viva, vivendo atualmente, pois que esse Sangue é o mesmo que tivesse sido retirado, naquele mesmo dia, de um ser vivo;

 

7. No Sangue foram encontrados, além de proteínas normais, os seguintes minerais: cloretos, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio;

 

8. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário!

 

Se já não bastasse tanto mistério – que só a fé explica! –, há um outro dado desconcertante: pesando-se os cinco fragmentos de Sangue coagulado, cada um deles teve o mesmo peso dos cinco juntos! E, antes mesmo de redigirem o documento sobre o resultado das pesquisas, os doutores Linoli e Bertelli enviaram aos frades um telegrama nos seguintes termos: “E o Verbo se fez Carne!”

 

É assim que o Milagre de Lanciano se apresenta aos nossos olhos: como a prova mais viva e palpável de que o “Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós”, mais do que uma simples simbologia para muitos, é o sinal Divino de que no Sacramento da Comunhão está o alimento do nosso espírito, da nossa fé, da nossa esperança nas promessas de Cristo para a nossa salvação. Disse Jesus: “Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6, 54)

 

Reconhecendo que a maior e a mais preciosa de todas as bênçãos deste mundo é Jesus na Sagrada Eucaristia, podemos diariamente buscar n’Ele a cura para o nosso coração, nos afastando, assim, das armadilhas demoníacas para sempre. Adorando o Santíssimo Sacramento no altar, damos também um grande testemunho de fé cristã – acreditando que Jesus está vivo!

 

Aleluia! Glória a Jesus na Hóstia Santa!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 403 20 Fevereiro 2019

 

As promessas do sagrado coração

 

Walmir Alencar compôs ‘Cantando as doze promessas’ – o autor de ‘Perfeito é quem te criou’, ‘Vinde, Espírito Santo’, ‘Imagem e semelhança’ etc. Veja a letra, releia, divulgue, coloque em prática e a guarde sempre no coração.

 

“Doze promessas do Sagrado Coração aos filhos seus que abandonaram o pecado: darei as graças necessárias, diz Jesus, para cumprirem seus deveres de estado. A paz darei às suas almas angustiadas, outra promessa de seu Grande Coração. ‘Ó, vinde a mim vós todos que estais cansados, consolarei em toda vossa aflição’.

 

Feliz promessa do Coração de Jesus que dá certeza e esperança à própria sorte: ‘Serei refúgio e proteção durante a vida, mas sobretudo na hora de sua morte’. Aos seus devotos, que no amor forem constantes, Jesus promete suas bênçãos abundantes. Abençoará todos os seus empreendimentos, derramará bênçãos em todos os momentos.

 

Misericórdia, piedade e compaixão, os pecadores em Jesus encontrarão. E um oceano de amor, grande, infinito, abraça o filho que retorna arrependido. Tornar-se-ão as almas tíbias, fervorosas; linda promessa do Sagrado Coração. E as fervorosas subirão rapidamente à santidade, fruto dessa devoção.

 

Jesus promete abençoar aqueles lares onde estiver exposta e honrada a sua imagem. Dará a graça aos sacerdotes, seus amigos, de converter os corações endurecidos. Terão o nome bem escrito e bem gravado os que buscarem propagar a devoção. E este nome não será mais apagado – ficou gravado no Sagrado Coração.

 

E no extremo do Amor-Misericórdia, grande promessa para a última hora. É: quem fizer as comunhões reparadoras, não morrerá sem sua graça salvadora. Olhando a cruz nós vemos uma porta aberta: a entrada certa para a nossa salvação! É o Coração de Jesus Cristo transpassado! Ressuscitado! Glorioso Coração!”

 

Vale a pena decorar os pedidos do Mestre, não? Logicamente que, cantando, a letra se torna ainda mais bonita; e quem pratica a verdadeira devoção ao Coração de Jesus pode ter a certeza de que receberá as graças necessárias para cumprir fielmente sua missão: de pai, de mãe, de filho, de padre, de religiosa, de agente pastoral etc.

 

Sempre digo que herdarmos o céu ou o inferno é uma questão de opção – e cada um faz a sua! Como já abordei algumas vezes o tema ‘Paraíso Celeste’, hoje escreverei um pouco a respeito do ‘Inferno’ – lugar de tormentos (Lc 16, 28), para onde vão as almas daqueles que morrem na inimizade de Deus.

 

O texto que segue foi extraído da renomada obra ‘Preparação para a morte’, do grande Santo Afonso Maria de Ligório.

 

“O inferno é um abismo fechado de toda a parte, onde nunca penetrará raio de sol ou de qualquer outra luz. Neste nosso mundo o fogo ilumina; no inferno, deixará de ser luminoso. O fumo que sair dessa fornalha formará o dilúvio de trevas – de que fala São Judas Tadeu – e que afligirá os olhos dos condenados. São Tomás diz que os condenados só terão luz suficiente para serem mais atormentados; a esta sinistra claridade, verão o estado horrendo dos outros réprobos e dos demônios, que tomarão diversas formas para lhes causarem mais horror.

 

O olfato terá também o seu suplício. Quanto não sofreríamos se nos metêssemos num quarto onde jazesse um cadáver em putrefação! O condenado deve ficar no meio de milhões e milhões de condenados, cheios de vida com relação às penas que sofrem, mas verdadeiros cadáveres enquanto ao mau cheiro que exalam. Diz São Boaventura que o corpo de um condenado, se acaso fosse atirado à Terra, bastaria com sua infecção para fazer morrer todos os homens.

 

O ouvido será continuamente atormentado pelos rugidos e queixas dos desesperados. Quando desejamos dormir, é com o maior desespero que ouvimos o lastimar contínuo de um doente, o ladrar de um cão ou o choro de uma criança. Pelo que diz respeito ao gosto, sofrer-se-á fome e sede. O condenado sentirá uma fome devoradora, mas nunca terá nem uma só migalha de pão. Além disso, será atormentado de tal sede que nem todas as águas do mundo bastariam para saciar.

 

Pela maneira como o condenado cair no inferno no último dia, dessa maneira viverá ali constrangidamente, sem nunca mudar de situação e sem nunca poder mexer pés nem mãos, enquanto Deus for Deus.”

 

Para nunca conhecer esse lugar horrível, reze assim ao Sagrado Coração de Jesus:

 

Senhor, eis-me aqui, remido por Teu precioso Sangue. Deixa-me entrar mais e mais dentro desse Coração misericordioso. Deixa-me perceber os Teus sentimentos, o Teu grande amor ao Pai e à humanidade. Que, do Teu Coração aberto, possa emanar o poder da Divindade que, atingindo o meu coração, renove-o totalmente à semelhança do Teu Coração! Amém!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 402 10 Fevereiro 2019

 

Os anjos de Deus

 

Um menino voltou-se para a mãe e perguntou: ‘Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum!’ Como ela confirmou a existência deles, o filho a convidou para caminhar pelas estradas até encontrarem um.

 

Lá se foram – o menino correndo e a mãe seguindo atrás. De repente, uma carruagem majestosa e puxada por lindos cavalos brancos apareceu na estrada. Dentro estava uma formosa dama envolta em sedas, cheia de joias e com algumas plumas nos cabelos escuros. O pequeno correu à carruagem e perguntou à senhora: ‘Você é um anjo?’ Ela nem respondeu, apenas resmungou alguma coisa ao cocheiro que, chicoteando os cavalos, os fez sumir na curva da estrada.

 

O menino ficou coberto de poeira. Em seguida, esfregou os olhos, tossiu bastante e perguntou à mãe: ‘Não era um anjo, não é, mamãe?’ Ela respondeu-lhe sorrindo: ‘Com certeza não, meu filho. Mas, um dia poderá se tornar um!’

 

Mais adiante, uma jovem belíssima, num vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram como estrelas azuis, e ele lhe perguntou: ‘Você é um anjo?’ Ela ergueu o garoto em seus braços e falou feliz: ‘Uma pessoa muito especial me disse ontem à noite que eu era um anjo!’ E enquanto o menino empolgado a beijava, a jovem viu seu namorado chegando. Tentou se livrar rapidamente da criança e, como não conseguiu se firmar nos saltos dos sapatos, foi ao chão.

 

‘Olhe, você sujou meu vestido branco, seu monstrinho!’ – disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado. O menino ficou chorando, até que sua mãe chegou e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse-lhe: ‘Aquela moça também não era um anjo. Estou cansado, você me carrega?’

 

E voltaram para casa cantando: “Se acontecer um barulho perto de você, é um anjo chegando para receber suas orações e levá-las a Deus...” À noite, depois que rezaram e já iam dormir, a mãe ainda teve que responder mais esta pergunta do filho: ‘Mãezinha, você é meu anjo, não é?’ E cheia de sabedoria, ela explicou: ‘Não, meu amor, o seu anjo veio do Céu e foi Deus quem o enviou. Eu também tenho o meu anjo da guarda, que me ajuda a ser a sua protetora humana aqui na Terra e doar a minha vida por você – se for preciso. Agora, vá dormir e diga bom dia ao seu anjinho assim que acordar amanhã.’

 

Este é um conto simples, singelo e mais bonito quando temos a oportunidade de catequizar as crianças e ensinar-lhes o quanto Jesus e Nossa Senhora nos amam. Mas, com certeza, sempre surgem comparações entre as coisas do Céu e da Terra – como o anjo que o menino procurava na estrada. No caso da história, a grande diferença entre os anjos e os seres humanos está no fato de que os enviados de Deus nunca nos decepcionam, enquanto os homens sim.

 

No entanto, da mesma maneira que acusamos algumas pessoas de agirem errado conosco, também estamos sendo julgados por terceiros: pela nossa incoerência nas palavras, pelas nossas atitudes impróprias, pelo nosso egoísmo, pelas ambições, vaidades etc. O melhor seria que mudássemos de comportamento e déssemos o exemplo de não mais julgar ninguém.

 

Não restam dúvidas de que essa virtude de compreender melhor as pessoas requer humildade, mansidão no coração e muita oração, mas não é impossível de se conseguir – vindo a praticar sempre. Eu tenho tentado melhorar em aceitar todos como são e, quanto mais tento, mais preciso exercitar o perdão e também mais sinto o meu anjo da guarda me aconselhando a persistir nesse caminho.

 

Embora eu ainda esteja longe de ser o modelo de virtudes que Deus gostaria de ver em mim, posso testemunhar que quem vive procurando os caminhos do bem, da verdade e do amor, desfruta de muito mais alegrias do que decepções. Quando alguma coisa parece não ter conserto, acontece uma graça Divina e tudo volta ao normal.

 

E tentando concluir este artigo, peguei um semanário litúrgico para buscar algumas palavras de salvação. O tema de uma referida missa foi: ‘Deus muito perdoa a quem mostra muito amor’ e, no Evangelho (Lc 7, 36-50), Jesus deixa claro que aquele que mais perdoa será também sempre mais amado por todos.

 

Portanto, para fazer o papel de um anjo de Deus na construção de seu Reino e, um dia, conhecer os verdadeiros anjos e santos no Céu, lembre-se destes conselhos (que também obtive no folheto litúrgico que citei): “A autossuficiência mata a pessoa por dentro e por fora. Por isso, nas comunidades cristãs, não pode haver exclusões de pessoas nem arrogância, para que todos sejam sinais transparentes da bondade de Deus.”

 

Sempre que isso acontecer, juntamente com os anjos e os santos, poderemos dizer: ‘Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!’

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 401 1 Fevereiro 2019

 

Coisas de criança

 

Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus: ‘Dizem que estarei sendo enviada à Terra amanhã, mas como vou viver lá sendo assim tão pequena e indefesa?’ E Deus disse: ‘Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você. Estará lhe esperando e guiará os seus passos.’ A criança ainda quis saber como faria para ser feliz, e o Senhor lhe respondeu: ‘Seu anjo alegrará você e sempre será possível sentir-se muito amada.’

 

Ainda confusa, a pequena criatura continuou perguntando: ‘Como poderei entender quando falarem comigo, se não conheço a língua deles?’ O Criador explicou que, com muito carinho e paciência, o bom anjo lhe ensinaria primeiro a rezar e depois a falar. E querendo logo encerrar as dúvidas, a criança exclamou: ‘Eu serei muito triste se estiver longe do Senhor!’ Aí, Deus sorriu e disse: ‘Seu anjo sempre falará de mim, lhe ensinará como me encontrar e, assim, eu também estarei dentro de você.’

 

Nesse momento, havia muita paz no céu e as vozes da Terra já podiam ser ouvidas. A criança, apressada, pediu suavemente: ‘Oh, Deus, se eu estiver pronta para ir agora, diga-me, por favor, qual o nome do meu anjo?’ E Deus respondeu: ‘Você chamará seu anjo de Nossa Senhora!’

 

Belo conto, não? Apesar de ser apenas uma história e Maria não ser anjo – mas a eterna Rainha dos anjos –, cada vez que eu a conto a alguém, digo que essa criança sou eu. O amor que sinto pela Santíssima Mãe do Céu é tão grande que chego a imaginar, quando pequeno, o Divino Pai me tocando e recomendando que eu nunca largue as mãos de Nossa Senhora. E quantas outras pessoas devem agora estar imaginando ter passado por isso também!

 

Quando Roberto Carlos compôs a sua grande homenagem à Virgem Maria, deve ter voltado a ter um humilde espírito de criança para escrever: ‘Nossa Senhora, me dê a mão, cuida do meu coração, da minha vida, do meu destino, do meu caminho, cuida de mim.’

 

Até um grande amor pode se fundamentar em brincadeiras sadias de criança. Por exemplo, contam que um casal chegou a completar bodas de ouro sem nunca ter brigado, porque eles faziam um jogo muito interessante: um escrevia a palavra ‘Neoqerpv’ num lugar inesperado e, assim que o outro achasse, deveria escrevê-la em outro lugar escondido.

 

Eles colocavam Neoqerpv dentro do açucareiro para que o próximo que fosse usá-lo achasse, escreviam na janela embaçada pelo sereno, escreviam no sabonete e até no final do rolo de papel toalha! Não havia limite para colocar a palavra Neoqerpv e surpreender o parceiro.

 

Aquilo era mais do que um jogo de diversão – era um modo de vida! Muita gente não entendia a brincadeira que faziam e a felicidade que sentiam quando um achava o bilhete do outro, até que um dia, quando ela morreu, as palavras tristes do bondoso velhinho revelaram o grande segredo.

 

Durante o velório, ele disse a todos o que significava a palavra ‘Neoqerpv’: ‘Nunca esqueça o quanto eu rezo por você!’ E as pessoas passaram a compreender a vida que levaram: agradecendo a refeição que comiam, indo de mãos dadas à missa, ajudando os necessitados, criando os filhos na fé cristã, e, principalmente, um intercedendo a Deus pelo outro. O marido até mandou gravar Neoqerpv no caixão da eterna amada.

 

São coisas de criança que nos ajudam a chegar ao céu! E quanta gente se esquece que Jesus Cristo gravou ‘Eu te amo’ no coração de cada um de nós, no dia do batismo. Sem dúvida, aquela foi a data mais abençoada de nossa vida de criança e, como parte de minha missão evangelizadora, eu sempre dou testemunhos a casais, dizendo que a partir do dia que começamos a rezar e a trabalhar juntos a serviço de Deus, eu e minha esposa deixamos de brigar. E isso já faz mais de vinte anos!

 

Também os pais de uma criança devem cuidar bem dos valores que farão parte da vida dela. É triste saber que existem crianças rezando assim:

 

“Senhor, esta noite peço algo especial: me transforme num celular. Gostaria de ocupar o seu lugar para poder viver o que ele vive em minha casa, sem ser interrompido e nem questionado. Quero que me levem a sério quando falo e que acreditem em tudo o que eu digo. Quero também sentir o cuidado imediato que recebe o celular quando algo não funciona e ter a companhia do meu papai quando chega em casa. Gostaria que minha mamãe me procurasse quando está aborrecida e que meus irmãos brigassem para estar comigo. Me ajuda, Senhor, a viver a sensação de que a minha família larga tudo para passar alguns momentos ao meu lado. Amém!”

 

Pois é, saiba que não há nada que compense o fracasso familiar na cabeça de uma criança.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 400 26 Janeiro 2019

 

Quem é o burro da história?

 

Um dia, o saudoso padre Aquilino me passou esta história:

 

Um anjo do Céu resolveu fixar sua morada na Terra e desceu numa planície, por onde passava um lenhador puxando o seu burro pelo cabresto. Querendo obter informações sobre o mundo em que viviam, foi logo perguntando: ‘Por favor, neste planeta, quem de vocês inventou a guerra?’ Respondeu-lhe o burro: ‘Foi ele.’ – levantando a pata em direção ao homem.

 

‘E qual de vocês ajuda o outro?’ – perguntou o anjo. ‘Ele.’ – afirmou o homem, muito sem jeito. ‘Qual é o que, ao lombo, conduz os peregrinos cansados?’ – quis saber o anjo. ‘Sou eu, senhor.’ – falou o burro, todo envaidecido. ‘Mas, quem de vocês mata os outros animais para lhes comer a carne? – indagou o anjo. ‘Sou eu, sim, senhor.’ – afirmou o homem, muito cheio de si.

 

‘Quem conduziu Jesus ao Egito, vencendo léguas pelo deserto?’ – perguntou o anjo. ‘Foi ele aqui.’ – disse o homem, olhando para o burro. ‘Qual foi o que perseguiu o Menino Jesus e o quis degolar? – quis saber o anjo. ‘Foi ele, senhor.’ – disse o burro, de olho no homem. ‘E quem levou Jesus a Jerusalém para pregar a Boa Nova?’ – interrogou o anjo. ‘Ele.’ – confirmou o homem.

 

‘Quem fez a barbaridade de injuriar e crucificar Jesus?’ – indagou o anjo. ‘Ah, isso quem fez foi ele!’- retrucou o burro, levantando as orelhas e se afastando do dono. ‘Mas, quem entre vocês, por ter vida honrada e pura, é o rei da criação e se considera a imagem de Deus? Só pode ser você, não é burro?’ – quis concluir o anjo. ‘Não, senhor, sempre foi ele.’ – afirmou o burro, desapontado e com os olhos cheios de lágrimas.

 

Ao ouvir esta última resposta, o anjo levantou voo e, voltando ao Paraíso, passou a dizer aos outros arcanjos: ‘Não queiram viver na injustiça dos homens!’

 

Pensando bem, não é à toa que muitos humanos são chamados de burros, não é mesmo? E mesmo assim, a ofensa ainda poderia ser considerada um grande elogio, se pensássemos na utilidade desse animal irracional tão sofrido! Mas, analisando pelo lado da espiritualidade, você concorda que ‘burro’ mesmo é aquele que não aceita seguir Jesus Cristo? Sem querer ofender ninguém, reflita comigo se dá para entender um ser humano que, mesmo sabendo que está caminhando para o inferno, continua na vida de pecados! Não é burrice?

 

Eis outra história que poderá mudar o destino de muita gente inteligente:

 

Uma filha se queixou ao pai sobre sua vida e como as coisas estavam difíceis para ela. Já não sabia mais o que fazer e queria desistir de enfrentar os problemas. O pai, levou-a até a cozinha, encheu três panelas com água e as colocou em fogo alto. Numa, ele pôs cenouras, noutra, colocou ovos e, na última, pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.

 

Minutos depois, ele pescou as cenouras e as deixou numa tigela. Retirou os ovos e os depositou na mesa. Por último, pegou o caldo de café com uma concha e o colocou para coar. Virando-se para a filha, perguntou: ‘Querida, o que você está vendo?’ Ela respondeu: ‘Cenouras, ovos e café!’

 

Ele, então, pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que estavam macias. Ele também pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Depois de retirar a casca, ela verificou que o ovo endurecera com a fervura. Finalmente, o pai pediu à filha que adoçasse e tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar o seu aroma delicioso.

 

Depois disso tudo, a jovem perguntou humildemente: ‘O que significa isso, pai?’ E ele explicou que cada ingrediente havia enfrentado a mesma adversidade: água fervendo; mas que cada um reagiu à sua maneira. A cenoura entrou forte, firme e inflexível, mas, depois de ter sido submetida à fervura, amoleceu e se tornou frágil. Os ovos eram frágeis e, depois, se tornaram muito mais rijos.

 

O pó de café, contudo, era incomparável. Depois que foi colocado na água quente, ele transformou a água! E o pai perguntou à filha: ‘Qual deles é você? Quando a tristeza bate à sua porta, como você responde? Você é do tipo cenoura, ovo ou pó de café?’

 

E continuou falando: ‘Você é como a cenoura que parece forte, mas, com a adversidade, murcha, se torna frágil e perde a força? Ou será que você é como o ovo que parece maleável e, depois de alguma provação, se torna duro por dentro? Ou será ainda que você é como o pó de café que mudou a água? Lembre-se que quanto mais quente estiver a água, mais gostoso se torna o café.’

 

Assim concluiu o pai: ‘Filha, seja como o pó de café: quando tudo ferver à sua volta, é hora de se tornar melhor e fazer com que todos reconheçam o seu valor.’

 

Só faltou ao pai dizer que tudo é muito mais difícil quando não se tem fé. Confiando em Deus, é possível superar todos os problemas nas Suas promessas: “... o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.” (Jo 16, 23); “O que é impossível aos homens, é possível a Deus.” (Lc 18, 27); Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. (II Cor 12, 9); “Não te deixarei, nem desampararei.” (Heb 13,5).

 

É claro que um burro não entenderia isso!

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 399 22 Janeiro 2019

O maravilhoso paraíso celeste

No capítulo ‘Felicidade do Céu’, do livro ‘Preparação para a Morte’, Santo Afonso descreve o Paraíso – lugar onde vão as almas dos justos após a purificação no Purgatório, ou então diretamente, por merecimento de santidade. Para o crescimento espiritual de todos nós e fortalecimento da fé cristã em cada coração, será muito proveitoso refletirmos aqui algumas palavras do citado Santo a esse respeito:

“Depois de entrar na felicidade de Deus, a alma não terá mais nada a sofrer. No Paraíso, não há doenças, nem pobreza, nem incômodos. Deixam de existir as vicissitudes dos dias e das noites, do frio e do calor; é um dia perpétuo e sempre sereno, primavera perpétua e sempre deliciosa. Não há perseguições, nem ciúmes; neste reino de amor, todos os seus habitantes se amam mútua e ternamente, e cada qual é tão feliz da ventura dos outros como da própria. Não há receios, porque a alma, confirmada na graça, já não pode pecar nem perder a Deus. Tudo é novo, tudo consola, tudo satisfaz.

Os olhos deslumbrar-se-ão com a vista desta cidade cuja beleza é perfeita. Que maravilha não nos causaria a vista de uma cidade cujas ruas fossem calçadas de cristal, e cujas casas fossem palácios de prata ornados de cortinados de ouro e de grinaldas de flores de toda espécie. Oh, quanto mais bela ainda é a cidade celeste!

Que delicioso não será ver todos os seus habitantes vestidos com pompa real, porque todos efetivamente são reis, como lhes chama Santo Agostinho: ‘Quot cives, tot reges’. Que delicioso não será ver Maria, que parecerá mais bela que todo o Paraíso! Que delicioso não será ver o Cordeiro divino, Jesus, o Esposo das almas! Um dia Santa Teresa viu apenas uma das mãos de Cristo e ficou cheia de admiração à vista de semelhante beleza.

Cheiros suavíssimos, perfumes incomparáveis regalarão o olfato. O ouvido ouvirá arrebatado as harmonias celestes. Um anjo deixou um dia São Francisco ouvir um único som da música celeste, e o Santo julgou morrer de felicidade. O que não será ouvir todos os Santos e todos os Anjos cantarem em coro os louvores de Deus! O que não será ouvir Maria celebrar as glórias do Altíssimo! A voz de Maria é no Céu – diz São Francisco de Sales – o que é num bosque a do rouxinol, que vence a de todas as outras aves.

Numa palavra, o Paraíso é a reunião de todos os gozos que se pode desejar. Mas, essas inefáveis delícias até aqui consideradas são apenas os menores bens do Paraíso. O maior é o Bem supremo, que é Deus – diz Santo Agostinho. A recompensa que o Senhor nos promete não consiste unicamente nas belezas, nas harmonias, nos outros encantos da bem-aventurada cidade; a recompensa principal é Deus, isto é, consiste em ver Deus face a face e amá-Lo.

Assegura Santo Agostinho que, para os condenados, seria como estar no Paraíso se chegassem a ver Deus. E acrescenta que se fosse dado a uma alma, ao sair desta vida, a escolha de ver a Deus ficando nas penas do inferno, ou ser livre do inferno e ao mesmo tempo privada da vista de Deus, ela preferiria a primeira condição.

A felicidade de contemplar com amor a face de Deus, não a podemos conceber neste mundo, mas procuremos avaliá-la, ainda que não seja senão pela rama, segundo os efeitos que conhecemos.”

Que lindo relato do Céu! Somente alguém em estado de graça poderia ter tanta certeza das maravilhas que nos esperam, não? Êpa, nos esperam? Todos nós, sem distinção? Sim, todos que quiserem! Pense nisso e conclua comigo que Nosso Senhor chama igualmente a todos para o Seu Reino, mas, infelizmente, poucos aceitam esse convite.

Ao evangelizarmos em Seu nome, por que não conseguimos enfiar na cabeça de alguns irmãos a beleza de viver eternamente no Paraíso? Bastaria apenas que resolvessem experimentar as graças maravilhosas que sempre alcançamos em oração e, assim, passariam a trabalhar em comunidade... mas nem todos querem renunciar os pecados do mundo e seguir Jesus Cristo, não é mesmo?

Falando assim, você pode pensar que julgo já ter ganho o Paraíso, mas, acredite, eu tenho certeza que ainda preciso de muita purificação para chegar lá. Contudo, sempre digo que o meu objetivo neste mundo é mostrar a Deus que eu sou trigo e não joio para a humanidade. Para isso, sei que preciso sempre me penitenciar – através da Confissão Sacramental – para receber o Corpo de Cristo, pois São Paulo nos advertiu: “... todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente... come e bebe a própria condenação.”

E, como sempre insisto, a oração do Terço também soluciona inúmeros problemas, assegura a salvação eterna e antecipa a implantação do Reino do Imaculado Coração de Maria no mundo. Enquanto eu for abençoado com uma boa saúde, vou rezando e trabalhando para chegar mais perto das maravilhas do Céu.

E você, o que tem feito para salvar mais almas para Jesus? Se a pessoa que você mais gosta estivesse prestes a pular de um prédio, não se arriscaria para salvá-la? Isso nunca acontecerá se você rezar por ela... e ainda poderá salvá-la de corpo e alma!

Tenha certeza: Deus é muito bom e justo com você.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 398 11 Janeiro 2019

Não desista de você

Infelizmente, nem todos superam os obstáculos com oração. Vou contar o triste caso de Lee Harvey – um americano órfão de pai e filho de uma mulher que destruiu três casamentos. A mãe não lhe deu nenhum afeto ou educação na infância e, por consequência, sua adolescência foi cheia de brigas e confusões.

Apesar de um Q.I. alto, Lee fracassou na escola e desistiu de estudar no penúltimo ano do segundo grau. Tentou ser fuzileiro naval, mas, foi expulso da corporação. Casou-se e teve dois filhos antes de abandonar o lar. Após algumas tentativas mal sucedidas de reconciliação com a esposa, um dia, foi à garagem de sua casa, apanhou uma espingarda e a levou consigo para o emprego que acabara de arranjar – num depósito de livros. E, de uma janela do terceiro andar daquele prédio, logo após o almoço do dia 22 de novembro de 1963, atirou duas balas – que esfacelaram a cabeça do presidente John F. Kennedy.

Este relato da vida de Lee Harvey Oswald mostra o quanto um ser humano pode se desviar dos caminhos de Deus. E, muitas vezes, somos culpados por tratar as pessoas da mesma forma que ele foi tratado. Quando poderíamos ter amado, retivemos a afeição. Quando poderia ter sido tão simples responder com um sorriso, criticamos. Quando a Palavra de Deus poderia ter iluminado a vida de um irmão, decidimos permanecer silenciosos...

Há um provérbio árabe que diz: ‘Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.’ Pensando assim, outro americano – John Pierpont –sempre lutou contra o fracasso. Em 1866, aos oitenta e um anos, acabou seus dias como funcionário público de baixo escalão em Washington – arrastando o peso de inúmeras frustrações!

Formou-se em Yale, optando pela carreira de professor. No magistério, porém, logo se revelou um fracasso. Resolveu tentar um estágio como advogado, mas o fracasso outra vez não demorou a derrotá-lo. Como sua terceira opção, Pierpont tentou o mercado de secos e molhados: abriu um armazém. Novo fracasso, pois o homem simplesmente era incapaz de cobrar preços que lhe dessem lucro e não resistia aos pedidos de fiado.

Entre uma profissão e outra, ele escrevia poesias e, apesar de serem publicadas, não lhe rendiam direitos autorais suficientes para viver de versos. Conseguiu, então, ser indicado como candidato a governador de Massachussetts, mas perdeu a eleição. O mesmo aconteceu quando foi candidato ao senado.

Com a Guerra Civil em andamento, aos setenta e seis anos, Pierpont apresentou-se como Capelão ao 22º Regimento de Voluntários, mas pediu baixa quinze dias mais tarde, ao descobrir que não tinha estômago para guerras. Morreu, como já disse, pensando ter sido um perfeito fracassado.

Não conseguiu fazer até o fim uma única coisa das que tentou, mas, no Natal, todos nós cantamos a música que John Pierpont compôs e nos deixou de presente: Jingle Bells!

Pois é, há casos e casos reais – tudo é bênção ou lição! Seja qual for o seu, lembre-se que Deus nunca desiste de salvar você.

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 397 –  2 Janeiro 2019

A Senhora do Rosário de Fátima

Como o primeiro dia do ano a Igreja festeja a devoção à Santa Mãe de Deus, começo 2019 com uma história de profundo amor da Maria Santíssima por seus filhos, que ocorreu em 1917, Portugal. Começa em 1916, quando o mundo passava pela I Guerra Mundial e por todas as desgraças que ela trazia às famílias – destruídas pela morte, pobreza e descrença. Naquela época, num vilarejo de Fátima, viviam três crianças: os irmãos Francisco e Jacinta Marto – 9 e 7 anos – e a prima Lúcia de Jesus – 10 anos. Felizes, eles tomavam conta de ovelhas, brincavam e, principalmente, rezavam o Terço.

Um dia, tocando o rebanho, descobriram uma gruta. Entraram para descansar e, de repente, apareceu-lhes um anjo convidando-os para rezar a seguinte oração: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Amém.” E o Anjo da Paz disse-lhes também que os Corações de Jesus e Maria ficariam profundamente tocados se eles rezassem com muita fé.

A partir daquele dia, os pastorzinhos passaram a rezar constantemente, preparando seus corações para as próximas visitas do anjo; e, na sua última visita, ele deu às crianças três Hóstias pingando o Preciosíssimo Sangue de Jesus – a Primeira Comunhão! Assim, os pequenos foram perfeitamente preparados para as revelações futuras em suas vidas.

Os videntes receberam a primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima ao meio dia de 13 de maio de 1917. Ela apareceu sobre uma árvore pequena, com uma nuvem a seus pés, vestida de branco e segurando um lindo Rosário. Naquele momento tão abençoado, a Virgem Maria disse-lhes: “Não temam, não lhes farei nenhum mal. Vim do Céu para pedir que venham aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora e, em outubro, direi quem sou e o que desejo de vocês para o futuro.”

Ela perguntou aos meninos: “Vocês se oferecem a Deus para suportar os sofrimentos que Ele enviar, em reparação pelos pecados com que é ofendido e pela conversão dos pecadores?” Eles responderam ‘sim’ e um pacto divino teve seu início. Os três compreenderam o que Maria pediu e nos pede até hoje: oração e conversão.

Assim, eles começaram a sofrer grandes tribulações, mas sempre eram fortalecidos pelos Sagrados Corações. Chegaram a viver uma experiência ímpar na história da humanidade: no dia 13 de julho de 1917, Nossa Senhora permitiu que eles tivessem uma terrível visão do inferno e das almas ali condenadas. Depois disso, tiveram ainda mais horror do pecado e do mal, dedicando-se com muito ardor à oração e à penitência.

Durante os seis meses das aparições e mesmo depois que elas terminaram, os três foram interrogados e pressionados pelas autoridades. Chegaram a ser raptados, presos, ameaçados de morte, sofreram violências físicas e todos zombavam deles, mas, pela graça de Deus e pela intercessão de Nossa Senhora, superaram as dificuldades.

É importante sabermos que, na última das aparições, em 13 de outubro de 1917, Maria revelou em sua mensagem: “Eu sou a Senhora do Rosário. Vim para exortar os fiéis a reformarem o seu comportamento e pedirem perdão dos pecados que cometeram. É preciso que eles não ofendam mais a Jesus, já bastante ofendido e ultrajado pelos pecados e crimes da humanidade. Meu Coração Imaculado haverá de triunfar!”

Em seguida, a chuva forte que caía parou e o sol girou no céu milagrosamente, fazendo mais de cinquenta mil pessoas acreditarem que Nossa Senhora estava aparecendo ali na Cova da Iria. Ela insistiu também em quatro pontos muito importantes para que o seu Imaculado Coração possa realmente triunfar e nos trazer muitas graças:

- Que tenhamos uma grande devoção ao seu Imaculado Coração;

- Que rezemos o Rosário diariamente, com muita fé e devoção;

- Que façamos sacrifícios pelos pecadores, pelo Papa e em reparação aos pecados cometidos contra o seu Imaculado Coração; e

- Que haja a nossa consagração sincera ao seu Imaculado Coração.

Que história maravilhosa! É por este e outros fatos que confio plenamente na proteção de Nossa Senhora. Ela olha por mim, pela minha família, pela nossa Comunidade, pelos nossos padres, pelos nossos doentes, enfim, Ela está à frente de tudo o que pensamos e fazemos. E quando algo me preocupa em excesso, rezo assim: “Mãezinha, toma conta disso pra mim.” E preciso dizer o que acontece?

Em julho do ano passado, quando estive em Fátima com um grupo de devotos, senti a emoção de presenciar os lugares onde a Virgem Maria esteve com os pastorinhos, pude rezar o Terço e missa naquele local e participar da comovente procissão de luz à noite. Não há palavras para descrever essa forte experiência de fé. E também por isso, eu quero continuar sendo um pastorzinho da Rainha, e você?

Paulo R. Labegalini
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Mensagem da Semana - Nº 396 –  21 Dezembro 2018

 

Como comemorar o natal?

 

O dia de Natal só existe porque em Belém, há quase dois mil anos, nasceu o Filho de Deus para nos salvar: “...E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1, 14). Portanto, nenhuma comemoração neste dia tem mais sentido do que sermos instrumentos de Jesus Cristo - que continua vivo entre nós. Mas, de que forma faremos isso?

 

Sem dúvida, pela vontade de Deus, uma maneira de vivenciarmos o espírito do Natal será através da caridade. Não podemos nos esquecer que o Menino Jesus nasceu de uma família pobre, numa manjedoura. Se, hoje, temos fartura na ceia ou no almoço de Natal – talvez, muito mais do que Cristo teve em qualquer momento de sua vida aqui na terra -, é graças a Ele que conseguimos. Nesta semana, partilhando um pouco do que é nosso com os pobres, a noite de Natal será mais bonita, porque Jesus estará mais alegre – derramando mais bênçãos sobre nós.

 

Como cristãos, outra opção que teremos no dia 25 será visitar os doentes, as crianças abandonadas, os idosos carentes ou os encarcerados, e prestar solidariedade natalina a eles: falando de Jesus e de Maria, pregando o Evangelho, levando presentes, fazendo orações etc. Isso pode parecer difícil ou quase impossível pra muita gente por estar reunida com familiares, mas se fosse um parente próximo nosso que estivesse vivendo alguma dessas situações, provavelmente não estaríamos lá também? É preciso lembrar que o próprio Cristo está presente em cada irmão anônimo que sofre as injustiças sociais do nosso país e, ajudando a eles, será a Deus que estaremos servindo.

 

No dia de Natal, também não poderemos deixar de rezar. Rezar principalmente agradecendo pelas nossas vidas, agradecendo por cada momento de paz que desfrutamos com a nossa família e agradecendo pelos nossos dons. Dons que deveriam ser oferecidos ao Senhor durante o ano inteiro: na caminhada de evangelização do Seu povo, no trabalho de pastorais da Sua Igreja e na realização de obras materiais para a construção do Seu Reino. Quem agir assim, estará plantando a paz rumo ao Novo Milênio.

 

E mesmo que você, caro leitor, aceite alguma das minhas sugestões para comemorar o nascimento do Menino Jesus, não se esqueça também de, ao menos, telefonar para os amigos e lhes desejar um santo Natal com Cristo. Na minha opinião, isso é mais importante do que um simples cartão de boas festas. Quem sabe, durante a conversa, você não terá oportunidades de contar sobre a sua boa ação da semana e lhes sugerir que façam o mesmo? Se o fizer, o Espírito Santo estará ao seu lado lhe ajudando. Experimente!

 

Que Deus dê um Natal de paz a todos os seus filhos. Peço a Nossa Senhora que abençoe o Papa, que abençoe o Brasil, que abençoe o nosso pároco, que abençoe as nossas comunidades e também que abençoe e converta o mundo inteiro ao Coração de Jesus.

 

Natal é missa! Natal é partilha! Natal é oração! Natal é solidariedade com o irmão! E que os anjos digam ‘amém’!

Paulo R. Labegalini
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