Paulo 2017

 Paulo R. Labegalini

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Vicentino de Itajubá-MG e Professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG)
Autor dos livros:
- Histórias Cristãs - Editora Raboni
- O Mendigo e o Padeiro - Editora Paco
- A Arte de Aprender Bem - Editora Paco
- Minha Vida de Milagres - Editora Santuário
- Administração do Tempo - Editora Ideias e Letras
- Mensagens que Agradam o Coração - Editora Vozes
- Histórias Infantis Educativas - Editora Cleofas

Apresentações musicais:
https://www.youtube.com/results?search_query=soraia+labegalini

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Mensagem da Semana - Nº 34318 Novembro 2017

Deus nos envia

Aquilo que recebemos pela quantia que pagamos: essa é a base da medida do valor que damos a um serviço. Ao contratá-lo, o preço constitui um elemento crucial na avaliação do resultado desejado.

Por exemplo: antes de cortar o cabelo, o cliente tem uma expectativa de como ficará a sua aparência após o corte. Ao ver o resultado, conclui se está ou não do seu agrado e, em função dessa avaliação, fica ou não satisfeito em pagar a quantia combinada.

Portanto, se o que se está vendendo no mercado não passar no teste do valor, o cliente deixará de comprar. Para ele, o preço que paga por determinada qualidade tem que ser, no mínimo, igual aos benefícios que obtém.

Assim, no mundo competitivo de hoje, para continuar vendendo cada vez mais, cabe ao fornecedor adicionar mais valor quanto possível antes, durante e depois da prestação do seu serviço.

É dessa maneira que as coisas funcionam no mundo dos homens, mas, como será esse julgamento de valor no Reino de Deus? Vejamos a parábola dos operários da vinha (Mt 20, 1-15):

“Com efeito, o reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para a sua vinha. Pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: ‘Por que estais todo o dia sem fazer nada?’ Eles responderam: ‘É porque ninguém nos contratou.’ Disse-lhes ele então: ‘Ide vós também para minha vinha.’

Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: ‘Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros.’ Vieram aqueles da undécima hora, e receberam cada qual um denário. Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas, só receberam cada qual um denário. Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: ‘Os últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor.’ O senhor, porém, observou a um deles: ‘Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura, vês com maus olhos que eu seja bom?”

Ao relatar esta parábola, Jesus deixou bem claro que a justiça de Deus é diferente da justiça dos homens. Se considerarmos o conceito de valor explicado no início do artigo, realmente cada trabalhador da vinha teria que receber uma quantia proporcional àquela de um dia de trabalho, mas, se entrarmos agora no Reino de Deus, sabemos que “muitos dos últimos serão os primeiros”! (Mt 19, 30)

Para o nosso Pai Eterno, o valor de um serviço não depende basicamente do preço a ele atribuído. O mais importante para Ele são os resultados espirituais, e não apenas os materiais. Sabemos que a sua Misericórdia é infinita, portanto, abençoa igualmente a todos que se esforçam em agradá-Lo.

Aqueles que desejam buscar a salvação, devem dar mais valor às coisas espirituais e realizar muitas obras em nome do Senhor, pois para Deus, o preço a ser pago para isso pouco importa - estaremos cumprindo a nossa missão aqui na terra. O melhor para cada um de nós é o valor daquilo que estaremos recebendo: uma passagem para o céu!

E mesmo que continuemos pensando que aquilo que recebemos pela quantia que pagamos é a nossa base da medida do valor, servindo a Deus vale a pena, já que “muitos serão os chamados, mas, poucos os escolhidos.” (Mt 20, 16)

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 3429 Novembro 2017

Deus nos educa

Precisamos entender melhor as fatalidades e delas tirar proveito. Eis o que a carta aos Hebreus (12, 4-7; 11-15) nos fala sobre alguns fatos da vida e nos mostra que não nos trazem sofrimentos à toa – se soubermos colher os frutos na Palavra do Senhor.

“Irmãos, vós ainda não resistis até o sangue na vossa luta contra o pecado, e já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: ‘Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho’. É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois, qual é o filho a quem o pai não corrige? No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas, causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. Portanto, ‘firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; acertai os passos dos vossos pés’, para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado. Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; cuidai para que ninguém abandone a graça de Deus. Que nenhuma raiz venenosa cresça no meio de vós, tumultuando e contaminando a comunidade.”

Portanto, é para a nossa educação que sofremos e, por ser nosso Pai, Deus nos corrige porque nos ama; porém, não devemos encarar todo tipo de sofrimento como fruto da Sua vontade. Temos muita culpa nas dificuldades que vivemos - devido aos nossos atos, maus pensamentos e omissões.

Se prestarmos um pouco mais de atenção na leitura, veremos que Deus nos pede para não desanimarmos (quantos nem tentaram buscar a verdadeira paz!), nos pede para acertarmos os passos para a santificação (não sozinhos, mas junto com os irmãos necessitados) e nos pede para não abandonarmos a Sua graça (quantos largaram das mãos de Deus!).

Se desprezarmos esses ensinamentos, nem sequer poderemos considerar que Deus está nos educando nos sofrimentos que passamos, pois, viramos as costas a Ele mesmo antes da dor. Mas, como o Pai sempre nos aceita de volta se vivermos a Sua Palavra, é tempo de deixarmos o pecado pra trás.

Jesus pode já estar voltando! Eu creio nisso e, por amor a Deus e aos irmãos, peço a Nossa Senhora que nos ajude para que realmente ‘nenhuma raiz venenosa cresça no meio de nós, tumultuando e contaminando as nossas comunidades católicas’. Amém!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 3415 Novembro 2017

Dona Onofra

No dia de finados, além de pedir a Deus por parentes e amigos que partiram, ofereci missa e rezei por pessoas muito queridas que faleceram recentemente, todas no mês passado: Onofra Fernandes, Nilson Canela, Cida Périco e Elza Labegalini. Fiéis devotos de Nossa Senhora, foram chamados pelo Pai no mês que a Padroeira do Brasil completava 300 anos de aparecimento nas águas do Rio Paraíba. Hoje, essas bondosas almas descansam ao lado de nossa Mãe no Céu.

E eu poderia escrever muito sobre cada um desses amigos, mas, escolhi relatar um pouco de minha história com Dona Onofra – senhora de 101 anos que assisti como Vicentino nos últimos 20 anos de sua vida.

Em 1997, quando a conheci no bairro da Capetinga, Itajubá-MG, ela cuidava de cinco netos pequenos numa casinha muito pobre, quase caindo. Lembro que o fogão era de lenha e a fumaça ficava pairando na cozinha, pois, não tinha chaminé. O cheiro era tão forte que precisávamos sair para conversar e, mesmo lá fora, ela tossia sem parar! Cheguei a pensar que aquela velhinha estava com alguma doença grave no pulmão.

Então, meses depois, com a ajuda do amigo Cesário – que conseguiu doações –, derrubamos a humilde casa dela e construímos uma nova. Além disso, as doações foram suficientes para comprar móveis e eletrodomésticos novinhos em folha! Que alegria quando, no Natal daquele ano, Dona Onofra e seus netinhos voltaram para o novo lar. Que Deus continue abençoando aqueles benfeitores que nos ajudaram.

Depois, como Vicentino da Conferência Nossa Senhora do Sagrado Coração, passei a visitar minha assistida quase toda semana, levando uma cesta básica por mês, gás e remédios. Ela ganhou força e vontade de viver; dizia que não queria morrer sem ver os netos crescidos e independentes. Para isso, lutou muito dia-a-dia nas provações que foi submetida. Inúmeras vezes chorou e pediu minha ajuda para superar os problemas que enfrentava. E sempre Deus teve misericórdia!

A cada visita que eu lhe fazia, rezávamos uma Ave Maria e suplicávamos graças a outros santos de sua devoção. Com o tempo, também fui confiando em suas orações e pedia que rezasse por mim. Sou testemunha que alcancei muitas curas por sua intercessão, pois Jesus tem compaixão dos pobres.

E assim nos acostumamos um com o outro; ela era como uma nova avó pra mim; eu era como um filho pra ela. Toda vez que nos despedíamos, ela dizia: ‘Paulo, não despreza eu. Venha sempre aqui’. Eu prometia e cumpria.

Eu também rezava diariamente por ela e pelos netos, que cresciam rapidamente. E com eles também cresciam os problemas a cada ano; tanto cresciam que o mais velho, Rogério, veio a falecer em acidente de carro. Foi um duro golpe para Dona Onofra, mas, sua missão de cuidar dos outros continuava. Aos poucos, sua atenção e seu amor comigo contagiou minha família. Fátima e Soraia – esposa e filha – sempre estavam na casa dela. Não passava um mês sem a visita costumeira àquela senhora tão sofrida, mas, muito abençoada nas suas intenções. Também minha mãe a visitava quando vinha a Itajubá, e uma passou a rezar pela outra.

Certo ano, na Semana da Família, ela me acompanhou num testemunho que dei na missa da Matriz Nossa Senhora da Soledade. Falei da bênção em conhecê-la, de sua imensa fé, e ela disse aos presentes: ‘O Paulo é um anjo na minha vida!’

Quando completou 100 anos, em 9 de janeiro de 2016, muita gente dizia que ela estava enganada quanto à sua idade, mas, vi vários documentos que comprovavam a longevidade de Dona Onofra. Corpo debilitado, cheio de dores, mas, a cabeça sempre boa. Não esquecia de nada! Perguntava de meus filhos pelos nomes e contava detalhes de tudo aquilo que acontecia na minha ausência.

Mas, este ano ela precisou ser internada e ficou quase duas semanas no Hospital Escola tratando de início de pneumonia. Chegou muito fraca no local e pensamos que não sairia de lá com vida, porém, a ‘danadinha’ voltou para casa! Nos dias que eu não a visitei no hospital, os médicos perguntaram à família: ‘Quem é Paulo que ela fala tanto?’

Daí, mais duas semanas na casa dela e veio a falecer. Foi bem tratada até os últimos dias: comia pouco, mas aquilo que gostava; tomava banho em cadeira própria; recebia carinho dos vizinhos; tinha uma cuidadora; companhia de dois netos e um bisneto no lar; comia sopa que minha esposa fazia; enfim, demos a assistência que ela merecia – com Jesus Cristo ao lado dela.

Na véspera de sua morte, antes de eu viajar a Pouso Alegre para trabalhar, despedi-me dela, dei-lhe um beijo, fiz o sinal da cruz em sua testa e falei: ‘Fica firme aí que quero ver a senhora quinta-feira, na minha volta’. Ela sussurrou: ‘Vá com Deus. Gosto muito de você, Paulo’.

Adeus, Dona Onofra. Ainda não me acostumei com sua ausência, mas, espero que eu tenha méritos suficientes para encontrá-la no Céu. Assim seja!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 3401 Novembro 2017

DEUS CASTIGA QUEM NÃO PAGA PROMESSAS?

Uma leitora do jornal ‘O São Paulo’, da Arquidiocese de São Paulo, enviou esta pergunta - título deste artigo - ao Pe. Cido Pereira. Eis um trecho da resposta: “Não é necessário fazer promessas, pois, Deus sabe do que precisamos. Quem, porém, quiser fazer promessas, prometa a Deus uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. E saiba agradecer os sinais de bondade que Deus vai fazendo você experimentar ao longo da vida.”

A leitora achou que a pergunta dela não fora respondida e insistiu: “Afinal, quem não cumpre promessas é castigado ou não?” Eis mais um trecho da resposta do Pe. Cido, na outra edição do jornal: “Se o amor de Deus por nós é tão grande, você acha que Ele iria, logo depois de uma bênção maravilhosa, nos dar um castigo, só porque não cumprimos o que prometemos? Até porque se Deus nos fez experimentar o seu amor, Ele o fez gratuitamente e não pelo que lhe prometemos.”

Correto! Eu também penso assim. A Paternidade Divina não se vinga dos filhos ingratos dessa forma, mas, continua lhes dando oportunidades para a conversão. E se a conversão for definitiva na vida de um cristão, agradará muito mais ao Pai do que o cumprimento de promessas.

Isso não significa dizer que ninguém deva pagar as suas promessas, muito pelo contrário. Todos nós temos o dever de agradecer e louvar a Deus pelas graças recebidas; porém, algumas pessoas, em momentos de desespero, fazem promessas quase impossíveis de serem cumpridas. E daí, o que fazer depois?

Volto, em parte, à explicação do Pe. Cido: acredito que Deus concordaria que substituíssem as promessas difíceis por uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. Assim, não precisariam mais se preocupar com novas promessas.

Como é bom ter certeza de que a Misericórdia Divina é infinita, não? Imagine se Deus agisse como nós! Dando um exemplo: um cidadão promete ao amigo ser avalista na compra de um imóvel muito cobiçado, mas na hora de fechar o negócio, o tal avalista não comparece no cartório e o seu “amigo” perde a grande oportunidade financeira da vida. Considerando que não houve motivo de força maior para a ausência do avalista no horário combinado, como seria o relacionamento entre ambos a partir dali? Dá para imaginar, não?

Pois bem, com Deus, sempre que ‘furamos’ os compromissos, somos perdoados e ganhamos novas oportunidades para reconciliarmo-nos com Ele no seu amor. Isso só não dura para sempre, porque o nosso tempo neste mundo é limitado. Se Ele cumpre tudo o que nos promete e nós nunca lhe mostramos gratidão, o nosso tempo vai se esgotando e o dia do juízo final chegará.

Quando Jesus curou dez leprosos e só voltou um para agradecer (Lc 17, 11-19), Ele indagou: “Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?” Isso mostra que Deus fica feliz com cada coração agradecido, embora não exija sacrifícios de ninguém.

Recitar e colocar em prática o salmo 39 pode perfeitamente substituir muitas promessas meio inconsequentes: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!” Dá pra prometer e cumprir isso?

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 33926 Outubro 2017

O SANTO DIA DE DOMINGO

Muita gente aguarda o domingo para descansar. Longe do trabalho, aproveita para dormir até mais tarde, ler o jornal, assistir televisão, ir ao clube se encontrar com os amigos, comer um pouco melhor e ir à missa.

Se você, caro(a) leitor(a), concorda que essas atividades são praticadas pela sua família aos domingos, ótimo. Parabéns por saberem conciliar o lazer com a obrigação cristã no dia dedicado ao Senhor. Continuem assim que, certamente, não se arrependerão.

Nos finais de semana, ao chegar na igreja, é gratificante ver todo o seu espaço interno tomado pelos filhos de Maria, que buscam a Deus em agradecimento às graças recebidas a cada dia. Quanto mais gente, mais bonita é a missa: o coral canta mais alegre, o hino de louvor ressoa mais alto, a fila da comunhão parece não acabar; enfim, tudo contribui para aumentarmos a nossa fé.

Eu não consigo entender a razão daqueles que ficam fora desse banquete do Pai. Dá para acreditar na falta de tempo? Os programas de televisão, as matérias do jornal, as mensagens no whatsapp e os passeios também são adiados no domingo? Por que então, em alguns casos, só não sobra tempo para se dedicar à religião?

A culpa não é do tempo, muito pelo contrário - geralmente o temos de sobra nos finais de semana. O problema está na fé. Se o nosso amor a Deus fosse correspondido em tudo aquilo que Ele nos abençoa, teríamos tempo para estar com Ele, na sua casa, todos os dias da semana. Só a graça de termos saúde para isso já deveria ser o suficiente. Não é maravilhoso poder caminhar, enxergar, se comunicar, sorrir... chorar?

Ainda pior do que não ir à missa aos domingos e dias santos, é não colaborar para que a família o faça. Quem não tem esse ‘hábito’ de participar da missa, pode acabar convidando outras pessoas para atividades de lazer nos horários que poderiam estar na igreja, desencorajando-as de rezar.

Mas, é preciso ter coragem para participar da Celebração Eucarística? Em muitos casos, infelizmente, sim! Se não pensassem assim, hoje o mundo estaria melhor, porque é na homilia do sacerdote que mais ouço falar de fraternidade, de justiça social, de paz e, principalmente, de salvação eterna.

É por isso que peço a Jesus que continue abençoando todo o seu povo e, cada vez mais, conduzindo-o à sua Igreja, onde maravilhas acontecem - é bênção sobre bênção em cada palavra que Deus coloca em nossos corações.

Por exemplo, veja estas lindas palavras: “O Senhor falou a Moisés, dizendo: ‘Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz! Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei’.” (Nm 6, 22-27). Existem palavras mais santas para abençoarmos os nossos filhos?

Também São Paulo (Gl 4, 4-7) nos coloca que Deus, ao enviar seu Filho ao mundo por meio de Maria, nos concedeu a graça de sermos seus filhos também. Deus assumiu a natureza humana! Foi de carne e osso aqui na terra como qualquer um de nós!

E o Evangelho de São Lucas (2, 16-21) se refere ao encontro dos pastores com Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, ficou maravilhada com o que lhe fora dito a respeito do menino e, até hoje, nossa Mãe continua a nos apresentar a vida divina.

Portanto, feliz de quem ouve esses ensinamentos de Deus e ainda pode se aprofundar na homilia do padre. Esses – posso afirmar sem medo de errar –, começam ou terminam o dia muito abençoados.

Nada deve impedir de assistirmos missa aos domingos, recebermos as bênçãos de Jesus, de Maria, e sermos sempre um canal de graças para toda a nossa família. Até os enfermos podem fazê-lo pela televisão!

Com a graça de Deus, só depende de cada um de nós.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 338Outubro 2017

A SANTA MISSA

O Pe. Robert Degrandis, no livro ‘A cura pela missa’, diz que “o centro da fé católica é o sacrifício da missa. Devemos acreditar que a missa é muito mais do que até hoje imaginamos, porque ela é uma cerimônia de cura: na missa, Cristo transforma as nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Se realmente cremos em Jesus presente na hóstia consagrada, obteremos a integridade ao receber seu corpo em nós.”

Muitos outros religiosos enfatizam que as partes da santa missa constituem elementos de uma cerimônia de cura. Santo Agostinho, por exemplo, escreveu sobre as curas que testemunhou em sua igreja, como resultado de as pessoas receberem a Eucaristia.

É maravilhoso ir à casa de Deus e participar da celebração do grande mistério da vida, da morte e da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa fé, a nossa oração e o nosso louvor a Deus, nos colocam em estado de graça durante a missa.

Ao chegarmos na igreja, a água benta já se encontra à disposição para nos renovar em nome da Trindade: o Pai que nos criou, o Filho que nos salvou e o Espírito Santo que nos santifica, “porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18, 20).

No decorrer da missa, somos perdoados pela Misericórdia Divina no ato penitencial, louvamos a Trindade Santa no hino de louvor, ouvimos a Palavra de Deus na proclamação do Evangelho, professamos a nossa fé no creio, fazemos os nossos pedidos na oração da comunidade, oferecemos as nossas vidas ao Senhor no ofertório, adoramos a Deus no canto do Santo, presenciamos a transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Jesus na consagração, recitamos a oração perfeita que o próprio Jesus nos ensinou no Pai-nosso e, após o Cordeiro, chegamos à comunhão.

Ao recebermos o corpo santo de Cristo no nosso, vivenciamos o imenso amor e a infinita misericórdia de Deus para conosco ao permitir que, mesmo pecadores, tenhamos a graça de receber a própria pessoa que cura – Jesus, o centro da missa. Principalmente por isso, após a comunhão, devemos rezar ou cantar, dando graças por estarmos sendo muito abençoados naquele momento.

Se não bastassem todas essas maravilhas na missa, sabemos ainda que a Virgem Maria também está presente - nos ouvindo como verdadeira mãe e intercedendo por nós. Por isso é que nós, do ministério de música, cantamos quase que o tempo todo, explodindo de alegria por sermos católicos. Nada substitui a santa missa.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 33712 Outubro 2017

EXPERIMENTAR OU NÃO O AMOR DO PAI

Uma pessoa tem um problema quando: deseja atingir um resultado; tem diante de si duas ou mais linhas de ação capazes de levá-la ao resultado desejado; e tem dúvidas sobre qual é o melhor caminho a seguir.

Se o problema não for bem definido ou conduzido, fica ainda mais difícil acertar na solução.

Partindo para um exemplo:

“Era uma vez, um sujeito que não dormia de preocupação devido a um grande pecado que o atormentava. Passava noites se remoendo, com dor na consciência, sem conseguir se desculpar. Certo dia, resolveu procurar um padre e contar a ele o seu problema. Acabou se confessando, foi perdoado pela Misericórdia do Pai e conseguiu viver em paz, perseverando na fé.”

Repare que ele mudou de linha de ação para resolver o problema; antes, preocupava-se em se desculpar; depois, resolveu experimentar o Amor de Deus e não mais pecar. Portanto, como mencionado no primeiro parágrafo, o passo inicial ao se analisar um problema é o resultado que se deseja atingir. E foi olhando para o futuro que o personagem do citado exemplo resolveu o seu problema.

Que bom se todo cristão se conscientizasse que é um filho amado de Deus e n’Ele confiasse para alcançar os melhores resultados nos seus problemas! Nunca existiriam dúvidas sobre qual o caminho a seguir; mas, infelizmente, muitos não buscam a Deus por amor e, quando o fazem, já estão sofrendo na dor.

Para aquele que caminha nas estradas de Jesus e é protegido por Maria Santíssima, parece tão simples usar do seu poder de decisão pessoal - dom que o próprio Pai lhe concedeu - para aceitar o Amor de Deus e se entregar à Sua vontade! Por que assim também não agem muitos de nossos irmãos em Cristo? Até quando irão insistir em critérios de decisão baseados em riscos, sem oração?

Você não quer atingir um resultado maravilhoso em sua vida durante um encontro pessoal com Jesus? Os responsáveis em revigorar a sua fé e a sua identidade no Amor de Deus são os agentes de pastorais de sua Comunidade. Olhe, então, para o futuro e comece agora a rezar. Peça ao Espírito Santo que aja na sua decisão de se aproximar de grupos católicos e, principalmente, agradeça a Ele por mais essa oportunidade de experimentar o Amor Divino em sua vida.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 336 - Outubro 2017

O TERÇO

A oração diária do Santo Rosário é um dos cinco pedidos que Nossa Senhora nos faz em suas mensagens de Mediugórie para a salvação do mundo. Não devemos nos esquecer que o Terço tem sido - e sempre será - uma “poderosa arma” do cristão contra as forças do mal aqui na terra.

Quanto podemos aprender com Maria! Muitos, nos sofrimentos e provações, se revoltam contra Deus e até O abandonam, afastando-se d’Ele e da Sua Igreja. Se seguissem o exemplo da Mãe celeste - na aceitação da vontade de Deus em sua vida -, teriam a certeza de que o Senhor nos ama e de que através do sofrimento podemos crescer na fé, pois, de todo mal aparente, Deus tira um bem maior.

Ao oitavo dia do nascimento de Jesus, Maria O leva para ser circuncidado e, após se completarem os dias de purificação, como todo primogênito de Israel, se dirige ao Templo para consagrá-Lo ao Senhor. Assim, Maria nos ensina que a primeira preocupação e atitude dos pais deve ser a de iniciar os filhos na fé, através do Sacramento do Batismo.

São Lucas nos relata, na visita dos pastores a Jesus recém-nascido, que, eufóricos, revelam a José e a Maria tudo o que ouviram dos anjos, e adoram o Menino-Deus. O texto diz que “Maria meditava estas palavras em seu coração”. Certamente, a Virgem Maria compreendeu que Deus lhe falava através daqueles simples pastores que seu filho era o Salvador esperado por Israel. E, mais uma vez, nossa Mãe Santíssima vem nos ensinar a refletir em todos os fatos e acontecimentos de nossa vida. Isso é preciso, porque Deus nos fala através de fatos e de pessoas para que, com a simplicidade e a humildade de Maria, possamos ter o coração alimentado em nossa caminhada rumo à Casa do Pai.

Se olhamos para Jesus e imaginamos o Seu sofrimento e a Sua agonia na Cruz, podemos também olhar para Maria e tentar imaginar a dor que Ela sentiu naqueles momentos. Mas, diante dessa cena, a postura de Maria muito nos ensina. Diz São João que ela “estava de pé” junto à Cruz e isso significa que, mesmo na maior dor, Ela não estava em desespero, em revolta. Mais uma vez, estava entregue nas mãos de Deus, aceitando Sua vontade até finalmente ouvir: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito”.

Vamos, portanto, neste tempo de tantas injustiças com os filhos de Deus, olhar para Maria e examinar a nossa postura diante do sofrimento e das tribulações. Se Ela nos pede que rezemos o Santo Terço diariamente, ainda muito pouco se compararmos com as bênçãos que todos os dias recebemos em nossas vidas, vamos logo atender a este pedido da Mãe com o nosso generoso “sim”.

Como diz Roberto Carlos na sua composição ‘O Terço’: “Com o Terço na mão peço a vós, minha Virgem Maria: minha prece levai a Jesus, Santa Mãe que nos guia...”.

Sou apaixonado por ela!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 33529 Setembro 2017

CAMINHOS PARA ENTRAR NA VIDA ETERNA

Hoje, vou refletir um pouco sobre a salvação.

São João Crisóstomo, Doutor da Igreja, bispo de Antioquia e de Constantinopla no século IV, escreveu sobre os caminhos da conversão que conduzem ao Céu. O primeiro é a condenação das nossas faltas. Condenando os pecados cometidos, o Senhor sempre nos atenderá; e disse o santo: “Aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas”.

O segundo caminho é dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão do Mestre. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste perdoará a vós” (Mt 6, 14).

O terceiro caminho da conversão é a oração fervorosa e perseverante do fundo do coração. O quarto é a esmola – ela tem uma força considerável e indizível. Em seguida, a humildade não é meio inferior para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu pela oferta da sua humildade e entregou o pesado fardo das suas faltas (Lc 18, 9).

Portanto, segundo João Crisóstomo, estes são os cinco caminhos de conversão: condenação das faltas, perdão das ofensas, oração, caridade e humildade. E completou-os, dizendo: “Não fiques inativo, mas, em cada dia, utiliza estes caminhos. São fáceis e não podes usar a tua miséria como desculpa”.

Com certeza, ele se inspirou na Bíblia para dar esses conselhos. E para testemunhar o valor do santo Livro, eis as palavras do padre vicentino Lucas de Almeida:

“A Sagrada Escritura é realmente sagrada. Seu autor é o próprio Deus, que se serviu de autores humanos, que respeitou neles os seus variados estilos e variados graus de cultura. É uma coleção de pequenos livros, mas infinitos no valor: 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo. É o livro mais lido do mundo, o mais estudado e o que mais ricas lições têm para todos os homens – mesmo os que não pertencem à Igreja de Cristo nem ao povo judeu.

Até como valor literário, distribuído na beleza do Evangelho, na riqueza da oração dos Salmos, na profundidade dos ensinamentos dos Profetas, na doutrina dos sábios que escreveram os Livros Sapienciais, a Bíblia é simplesmente maravilhosa. O mais belo livro do mundo!

A Bíblia é Deus caminhando com a gente. Desde aqueles capítulos iniciais do Gênesis, que são na Bíblia uma espécie de pré-história – sem as características do rigor histórico e mais como meditação sobre a ação de Deus na criação do mundo – até o canto final do Apocalipse, cheio de mistério e de santidade, vamos acompanhando a ação de Deus a guiar o homem pelos caminhos da verdade e da justiça.

A começar de Abraão, lemos a maravilhosa história dos patriarcas, com os quais Deus fez sua primeira aliança, multiplicando-lhe a descendência como as estrelas do céu e como as areias do mar. Depois da escravidão do Egito, veio Moisés, com toda a maravilha do êxodo e da formação do Povo de Deus ao deserto, com a promulgação do Decálogo e a Aliança do Sinai.

Depois vieram os Juízes, os Reis, a divisão das doze tribos em dois reinos – Judá e Israel –, o exílio da Babilônia, a volta, a era dos Macabeus, até se chegar ao Novo Testamento.  Em todo esse tempo, Deus está com seu povo. Admoestando-o e instruindo-o pelos profetas, suportando e perdoando sua prevaricação e levando-o sempre a uma nova esperança.

Com a chegada de Cristo, chegou o Evangelho e a Igreja. Dentro dela nasceram os livros do Novo Testamento. E aí está a Bíblia. Aberta generosamente na estante da história, ela continua a ser o caminho de Deus conosco, útil para instruir, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para todas as boas obras, como escreveu São Paulo a seu discípulo Timóteo (2Tm 4, 16).”

Pois é, mesmo que o Pe. Lucas passasse toda a sua vida explicando, não conseguiria retratar as maravilhas do Livro Sagrado. É tão magnífico que nele constatamos que quanto mais cometemos pecados, mais somos amados e temos a atenção de Deus. Ele se comunica conosco e nos chama à conversão.

E para correspondermos a esse Amor gratuito, devemos cumprir os nossos deveres cristãos, participando: da Eucaristia, da Confissão Sacramental e das práticas de piedade com os nossos irmãos. Tudo isso faz com que a tibieza não penetre em nosso coração e tome conta da nossa alma.

No livro ‘O Monge e o Executivo’, há esta bela lição: “o amor é o que o amor faz”. Lembre-se sempre disso e caminhe com passos firmes para a vida eterna.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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Mensagem da Semana - Nº 334 - 22 Setembro 2017

PROVIDÊNCIAS DE DEUS

“Assim como o corpo sem o espírito é morto, assim também a fé, sem as obras, é morta”, disse São Tiago inspirado pelo Espírito Santo. E completou: “De que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não tem o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos’, e ‘Comei à vontade’, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso?”.

A caridade só pode ser praticada com amor no coração. Melhor ainda seria se grupos se unissem para ajudar o próximo, como acontece em Pastorais e Movimentos da nossa Igreja, mas, infelizmente, nem todos pensam assim. Uns dizem que lhes falta tempo, outros, que lhes falta fé, e o tempo vai passando.

O ser humano é tão complicado que, mesmo envolvido no mesmo ideal de um grupo, consegue desmotivar alguns bons parceiros. Se ao menos procurasse se orientar por ensinamentos bíblicos, saberia o que fazer. Veja, por exemplo, o que o grande santo Tiago ensina:

“Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz.”

Eu costumo dizer que devemos aproveitar os chamados que vêm do Céu para servirmos a Deus, mas, nem sempre abrimos o coração e nos colocamos à disposição do Senhor. Porém, como Ele nos ama infinitamente, surgem novas oportunidades, como nesta linda história:

Um empresário muito rico estava viajando a negócios e, quando foi pagar a conta do hotel, não quiseram liberá-lo porque deram falta do controle remoto da televisão do quarto. Ele ficou furioso e começou a revirar toda a mobília tentando encontrar o objeto.

Somente ao retirar o colchão da cama, localizou o que procurava e, para não passar em branco a humilhação que julgou ter passado, insistiu com o gerente na demissão da camareira que vistoriou o apartamento. Ela implorou que não apresentasse a queixa porque tinha filhos pequenos e não poderia ficar sem aquele emprego, mas, ele não a perdoou.

Ao sair apressado para o aeroporto, esbarrou na barraca de uma senhora que vendia frutas e espalhou toda a mercadoria pelo chão. As maçãs começaram a rolar ladeira abaixo e, mais uma vez, ele se enfureceu:

- Que absurdo! Aqui não é lugar de vender isto!

Em seguida, percebeu que a pobre senhora, mesmo agachada, não conseguia localizar suas frutas porque era cega. Naquele momento, Deus tocou o duro coração daquele homem e o fez amolecer. O sentimento de compaixão apoderou-se dele e, imediatamente, colocou sua bagagem no chão para ajudar a recolher a mercadoria que derrubou.

Após pagar pelas maçãs perdidas e estragadas, desculpou-se e se dirigiu ao aeroporto. O trânsito o fez atrasar ainda mais e acabou perdendo o embarque.

Andando pelas lojas do lugar até resolver o que faria, viu um menino apertando uma boneca contra o peito. Aquilo lhe chamou a atenção e ficou olhando até ouvi-lo conversar com uma mulher idosa:

- Vó, não posso mesmo levar esta boneca?

- Não, querido. Coloque-a de volta na prateleira porque já estamos indo embora.

O empresário, então, se aproximou e disse baixinho ao menino:

- Por que quer comprar a boneca?

- Quero que a minha mãe a leve à minha irmã que está no Céu.

- Mas, como ela irá fazer isso?

- Papai disse que a minha mãe vai se encontrar com ela. Eu também queria dar uma rosa branca pra mamãe, mas não tenho dinheiro!

- E onde está sua mãe agora?

- No hospital. Eu estou indo lá com a vovó dar adeus a ela.

Mais uma vez, aquele senhor bem vestido sentiu profunda compaixão e comprou os presentes que o jovenzinho queria. Depois, voltou para o mesmo hotel que havia se hospedado, onde aguardaria o voo do dia seguinte. Com as provações que passou, ele já se sentia outro homem.

A primeira coisa que fez foi retirar a queixa contra a funcionária. Depois, entrou no apartamento e chorou copiosamente. Ligou à esposa e justificou seu atraso. Também pediu desculpas pela vida vazia que levavam e prometeu fazê-la feliz. Conversou ainda longamente com cada um dos filhos e reconheceu ter sido um pai muito ausente em casa.

Quando amanheceu, de malas prontas para partir, encontrou a mesma camareira no corredor e ouviu dela:

- Deus lhe pague por ter voltado atrás na queixa que fizera a mim. Vou rezar pela sua família e a Virgem de Nazaré irá sempre abençoá-la.

Já no avião, ele abriu o jornal do dia e viu a foto do velório de uma mulher que havia levado um tiro durante um assalto. Ao lado dela, no caixão, estavam uma boneca e uma rosa branca.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 333 - 15 Setembro 2017

Além do horizonte

Um bom homem, chegando ao Céu, disse a São Pedro que precisava fazer uma reclamação a Deus-Pai. Foi então recebido pelo Todo-poderoso e começou assim sua colocação:

- Querido Deus, tudo o que criou é perfeito, porém, há uma coisa que não serve para nada!

Curioso com aquela afirmação e impressionado com a coragem do homem, o Pai indagou:

- Mas, por que está dizendo isso? O que foi que fiz que não lhe agradou?

- Não vejo nenhum sentido no ‘horizonte’! Olho para frente e lá está ele muito distante; então, caminho em sua direção e não consigo me aproximar. Quanto mais ando, mais distante ele parece estar! Passei grande parte da minha vida tentando conhecer o horizonte e nada! Se ninguém nunca chega até ele, por que o criou?

E Deus, na sua infinita sabedoria, pacientemente explicou:

- Meu filho, o horizonte serve para que a humanidade nunca deixe de caminhar. É caminhando que as esperanças se renovam; é caminhando que as pessoas se ajudam; é caminhando que todos buscam a felicidade; enfim, é caminhando que se vive!

- Puxa, eu não havia pensado nisso! E também foi caminhando que eu cheguei aqui no Paraíso, porque, no cansaço, eu rezava e pedia a sua proteção, meu Pai.

- E quando você caiu, eu o carreguei no colo para que não deixasse de caminhar.

Lindo isso, não? Eu gostei dessa história principalmente porque retrata a realidade. É olhando para frente que nos libertamos dos erros do passado e é olhando para o horizonte que percebemos que a nossa caminhada não tem limites. As barreiras que encontramos são muitas, mas, Deus nos mostra muitas alternativas para seguirmos em frente.

E só quando estamos na direção certa, o horizonte começa a se aproximar, porque ele se confunde com o Céu e lá todos podem chegar. Sabendo disso, eu olho para o horizonte e vejo letreiros luminosos com as palavras: fé, esperança e caridade. São os dons teologais que recebemos no Batismo e nos ajudam a caminhar com dignidade cristã.

Não é através da fé que as esperanças se renovam e a caridade tem sentido? Ou será que é tendo esperança que crescemos na fé e praticamos a caridade? Talvez, fazendo mais caridade, alimentamos a fé e teremos esperança num mundo melhor! Bem, não importa a ordem, o importante é caminharmos com os três dons em direção ao horizonte.

E se o horizonte não é tão fácil de compreender, o que haverá além do horizonte? Esta outra história nos ajudará na reflexão:

Num lindo parque florido, um garoto parou ofegante na frente de um senhor idoso sentado confortavelmente no banco e, cheio de alegria, falou:

- Veja o que encontrei!

Na sua mão estava uma flor com as pétalas caídas. Querendo ficar livre do menino, o velho apenas sorriu e voltou a ler seu jornal. O garoto, porém, insistiu:

- Veja como é linda! Agora ela é toda sua, pode pegar!

Novamente olhando para aquela flor morrendo, o senhor pensou ser uma brincadeira de mau gosto, mas, para ter sossego, estendeu a mão esperando que o menino se aproximasse. Foi quando percebeu que o garotinho era cego! Então, teve certeza que aquela era a flor mais linda daquele lugar e a pegou com as duas mãos. Em seguida, emocionado, o velho abraçou o menino e exclamou:

- Muito obrigado, meu rapaz!

- De nada - respondeu o menino, e voltou a brincar ali por perto.

Naquele momento, o idoso senhor projetou na sua mente o filme da sua vida e viu em quantos momentos ele foi cego. Levou aquela feia flor ao nariz, sentiu o quanto seu perfume lhe aliviava a alma e, chorando, agradeceu a Deus pela beleza da vida.

Com certeza, ele passou a enxergar além do horizonte e viu muitas pessoas clamando por socorro. Ficou incomodado com seu passado, onde passou a maior parte do tempo indiferente ao amor ao próximo. Precisou Deus se revelar naquele menino para ele perceber que tinha uma grande missão: deixar de ser cego para o mundo e transformar os corações de outras pessoas. Olhando para além do horizonte, passou a enxergar os pobres ao seu redor!

Pois é, a primeira reação da pessoa incomodada é querer se ver livre de todos que não lhe são agradáveis. Nessas horas, é preciso lembrar o exemplo de Jesus, no capítulo 7 de Marcos:

“Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. Afastando-se da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: ‘Effathá’, que quer dizer ‘abre-te’. Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava corretamente. Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas, quanto mais lhes recomendava, mais eles o apregoavam. No auge do assombro, diziam: ‘Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos’.”

Portanto, lembre-se: você encontrará a resposta para todos os seus problemas com amor no coração e olhando além do horizonte!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 332 – 4 Setembro 2017

RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA

As lembranças de fatos que marcaram os primeiros anos podem exercer poderosa influência na formação do nosso caráter, balizando muitas ações por toda a vida. Isso foi o que aconteceu com Norman, cuja história foi publicada na Revista Seleções.

Contou ele que, quando sua esposa ficou gravemente doente, perguntou a si mesmo como poderia arcar com as dificuldades emocionais e cuidar dela. Numa noite, quando suas forças ameaçavam a abandoná-lo, veio-lhe à mente um episódio há muito esquecido.

Lembrou-se de quando tinha uns dez anos de idade e sua mãe estava muito mal. Levantou-se no meio da noite para beber água e, ao passar pelo quarto dos pais, observou a luz acesa e entrou. Viu que seu pai estava lá, de roupão, sentado numa cadeira ao lado da cama da mãe, apenas olhando-a.

– O que aconteceu, papai? Por que você não está dormindo? – perguntou Norman.

– Não aconteceu nada, filho. Estou apenas velando por ela.

Norman diz que não sabe explicar como, mas, a lembrança daquela cena antiga lhe deu forças para retomar a própria cruz. Contou também como recordou do episódio que marcou seu filho, Jim, de quinze anos de idade. Diz ele que, num dia claro de primavera, quando ambos pintavam a grade da varanda, perguntou ao filho do que ele se lembrava mais claramente. Jim respondeu sem hesitar:

– Da noite em que íamos de carro para algum lugar, somente nós numa estrada escura, e você parou e me ajudou a pegar vaga-lumes.

Norman se recordou que isso acontecera quando Jim tinha apenas cinco anos. Haviam parado para limpar o para-brisa e foram cercados por uma nuvem de insetos. Lembrou-se de que tinha um vidro no porta malas e que ajudou o menino a colocar dentro dele muitos vaga-lumes, para depois destampar o vidro e deixá-los voarem um a um, enquanto ia falando ao filho da misteriosa luz fria que aqueles insetos levam no corpo.

Daquele dia em diante, Norman passou a pedir aos amigos que pensassem na infância e lhe contassem o que lembravam com maior nitidez. Um deles, filho de um diretor de empresa que passava muito tempo longe da família, falou da cena de que se lembrava nitidamente:

– É do dia do piquenique anual do colégio, quando meu pai, normalmente muito distinto, se apresentou em mangas de camisa, sentou-se comigo na grama, comeu o almoço frio e depois deu o chute mais forte no nosso jogo de bola. Descobri, depois, que ele tinha adiado uma viagem de negócios à Europa para ficar comigo.

Como Norman, seu filho e seu amigo, todos temos algo para recordar ou para deixar marcado na alma dos nossos filhos. Os pais podem, por seus atos ou palavras, comunicar emoções e lindas experiências aos filhos. Podemos deixar-lhes lembranças de coragem, e não de medo; de força, e não de fraqueza; de gosto pela oração, e não apenas de interesse pelas coisas do mundo; de caridade, e não de filantropia somente.

É precisamente nessas recordações que se enraízam as reações e os sentimentos que caracterizam toda a atitude da pessoa com relação à vida. E aquilo que para o adulto possa parecer uma palavra ou um ato banal é, para a criança, muitas vezes, o núcleo de uma lembrança importante sobre a qual ela vai se apegar para construir alguma coisa importante.

Assim, se você é pai ou mãe, procure encontrar tempo e entusiasmo extras para executar um projeto pequenino e aparentemente insignificante, mas, que será muito significativo para seu filho. Um dia, ele certamente se lembrará que você rezava um terço pela família, ou lia textos bíblicos para buscar caminhos seguros a seguir, ou participava de missas nos finais de semana, ou tinha compromissos com os irmãos necessitados, enfim, ele irá se lembrar que Deus habitava no seu coração.

Eu recordo claramente que meu pai se ajoelhava todos os dias para rezar antes de dormir, lembro-me perfeitamente da sua pontualidade em pagar as contas e, principalmente, dele chorando no quarto do hospital quando me viu tendo alta após muito tempo de internação. De minha mãe, guardo na memória seu compromisso em nos ensinar orações e, também, ela repassando as lições de escola comigo e com minha irmã.

Graças a Deus, coisas ruins eu não tenho muito a contar, porque tive a bênção de ter pais maravilhosos. Hoje, reconheço como isso foi importante na minha formação moral e religiosa, e procuro repassar o mesmo aos meus filhos.

E você, o que se recorda dos seus pais? E com os filhos, ainda dá tempo de influenciar positivamente no futuro deles? Ter coragem para mostrar o poder da oração e doar amor ao próximo, não custa nada, concorda? Quando estamos bem intencionados, Deus sempre ajuda!

Apesar de eu não deixar grandes virtudes de santidade para serem lembradas, espero que meus queridos filhos nunca se esqueçam que entreguei minha vida nas mãos de Nossa Senhora. Ela muito me abençoou a atendeu a todos os meus pedidos. Devo à sua intercessão a paz que desfrutei em família e a fé que guardei no coração. Um dia, quando eles se recordarem disso, espero estar junto da minha querida Mãezinha no Céu.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 331 - 31 Agosto 2017

Dicas para a NOITE

Muita gente cai em tentações pecaminosas devido se exceder no carnaval. Depois, aqueles que se arrependem se confessam e até se livram do inferno, mas, o tempo de purgatório aumenta um pouco mais. O pior acontece com pessoas que não levam a sério a religião e acabam entregando as almas para o diabo!

Pode parecer muito forte dizer isso, porém, como negar que os pecados mortais sem sincero arrependimento nos impedem de entrar no Céu? Nosso trabalho de evangelização nos impulsiona a prestar esse tipo de orientação, principalmente quando grande parte da população se prepara para se ‘divertir nas ruas’.

E adaptando uma reflexão que recebi pela internet, vou relacionar alguns conselhos que podemos aprender com a Arca de Noé:

1. Não perca o embarque da salvação - investigue quem é o condutor.

2. Considere que estamos todos no mesmo barco - um pode ajudar o outro.

3. Planeje o futuro - não estava chovendo quando Noé construiu a Arca.

4. Mantenha-se em forma - aos 60 anos, alguém também pode lhe pedir para construir algo grande.

5. Não dê ouvido aos críticos - faça o bom trabalho que precisa ser feito.

6. Edifique sua obra em terreno alto - mais próxima possível do Céu.

7. Por segurança, viaje em pares - você pode precisar de alguém que lhe conheça melhor.

8. Não atinja alta velocidade - os caramujos estavam a bordo com os leopardos.

9. Quando estiver estressado, flutue por um tempo - o mundo não acabará hoje.

10. Não tema a tempestade se você está com Deus - há sempre um arco-íris o esperando.

11. Jamais se desespere nas aflições - das nuvens mais negras, cai água límpida e fecunda.

12. Lembre-se: a Arca foi construída por amadores; o Titanic, por profissionais.

Concluindo, apenas mais dois conselhos para curtir a noite com sabedoria cristã: ‘Reze antes de sair de casa’ e ‘Zele pelo seu corpo - imagem e semelhança de Deus’.

Faça isso e, com certeza, não deixará de se divertir e nem se arrependerá ao som das músicas, também nos carnavais da vida: ‘Um pierrô apaixonado, que vivia só cantando, por causa de uma colombina acabou chorando, acabou chorando’.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 33026 Agosto 2017

AGRADECIMENTOS A CADA DIA

Agradeço sempre a Deus pela vida abençoada que tenho. Quando surgem oportunidades, gosto de contar esta história a amigos:

“Existiu na Babilônia um modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Um dia, um velho mercador da Fenícia parou na porta de sua humilde casa vendendo uma variedade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu uma espécie de livro com caracteres desconhecidos.

Era uma preciosidade aquele livro e custava apenas três dinares! O alfaiate o comprou e logo tratou de examinar o bem que havia adquirido. Qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: ‘O segredo do tesouro de Bresa’!

Enedim recordava vagamente já ter ouvido qualquer referência a ele, mas, não se lembrava onde, nem quando. Mais adiante, decifrou: ‘O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, lá ainda está até que algum homem esforçado venha encontrá-lo’.

Muito interessado, o tecelão dispôs-se a decifrar todo o livro e apoderar-se do fabuloso tesouro. As primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus.

Em função disso, ao final de três anos, ele deixou a profissão de alfaiate e foi ser o intérprete do rei, pois, não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros. Passou, então, a ganhar muito mais e a viver numa confortável casa.

Continuando a ler o livro, encontrou várias páginas cheias de cálculos e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os especialistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das operações aritméticas. E graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates.

Ainda por força da tradução do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento.

Passou a viver num suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais poderosos do mundo. E também graças ao seu trabalho e ao seu estudo, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo. No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter relido todas as páginas do livro.

Certa vez, teve a oportunidade de questionar um sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu: ‘O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois, graças ao livro, você adquiriu grande sabedoria, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa saber e Harbatol quer dizer trabalho’.”

Pois é, com trabalho honesto, o homem pode conquistar tesouros maravilhosos. E o maior tesouro é a sabedoria que qualquer ser humano alcança por meio do amor, da humildade e da oração. Lembro ainda destas palavras de São Bento: “Nada deve ser preferido ao serviço de Deus”. Eu também penso assim e procuro não desprezar os chamados que vêm do Céu.

E como exemplo do espírito que devemos trabalhar nas pastorais católicas, eu cito a sabedoria do terceiro operário desta história:

“Em certa cidade, estava sendo construída uma bela catedral feita de pedras. Centenas de operários moviam-se por todos os lados e, um dia, passou por ali um ilustre visitante, que foi convidado pelas autoridades para ver a obra.

Ele observou como aqueles trabalhadores passavam carregando pesadas pedras e resolveu entrevistar três deles. A pergunta foi a mesma, mas as respostas foram bem diferentes.

Falou ao primeiro: – Moço, o que você está fazendo?

– Carregando pedras!

E perguntou ao segundo: – Amigo, o que é que você faz?

– Defendo meu pão de cada dia.

Finalmente, perguntou ao terceiro: – E você, o que é que está fazendo?

– Estou construindo uma catedral, onde muitos louvarão a Deus e meus filhos aprenderão o caminho do Céu.”

O interessante é que faziam a mesma coisa, mas a maneira de pensar era completamente diferente. No serviço a Deus também é assim: o chamado pode ser o mesmo para todos, mas, a maneira de atender é diferente – dependendo da fé e do interesse de cada um. Existem aqueles que se acomodam enquanto outros carregam as mais pesadas pedras – em perfeita comunhão com os irmãos que sofrem.

Refletindo sobre as bênçãos que recebo a cada dia, faço minhas as palavras de Madre Teresa de Calcutá: “Deus não me chamou para ser um sucesso, mas, para ser fiel”. Hoje sei que ser discípulo é praticar a arte de agradar Jesus Cristo.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 329 - 18 Agosto 2017

TENTAÇÕES PARA MATAR A ALMA

Da morte de Jesus até os Evangelhos escritos, muito tempo se passou. Iluminados pelo Espírito Santo, os evangelistas descreveram fatos baseados em documentos que reproduziram histórias daqueles que viveram com Cristo. As Escrituras Sagradas, portanto, não contam tudo o que aconteceu, mas, servem para confirmar a nossa fé nos ensinamentos mais importantes da Lei de Deus.

Contudo, procurando ‘completar’ as informações do passado, muita gente se aventura a escrever o que lhe vem à cabeça, como se fosse possível contradizer a Bíblia por vontade própria e sem a ajuda do Pai. Mas, como a Rede Globo produz e divulga muita coisa que não presta, colocaram no Fantástico alguém dizendo que Jesus teve irmãos e outras besteiras mais.

Mesmo com todas as religiões cristãs sérias afirmando o contrário, há centenas de anos – após estudarem exaustivamente a vida do Filho de Deus –, um ‘pesquisador’ fez algumas viagens à terra santa e disse que descobriu a verdade! Só rindo, não é mesmo?

Passatempo muito melhor que esse foi ler um livro que me emprestaram: As Testemunhas da Paixão, de Giovanni Papini. Serviu para refletir um pouco mais a respeito da força do mal no mundo. A história começa lembrando que Jesus foi tentado e resistiu, mas, na mesma época, Judas cedeu.

Embora não querendo provar nada por ter sido escrito como lenda, o livro narra como o apóstolo de Cristo foi convencido por Satanás a trair o Mestre. Eis alguns argumentos que o diabo usou:

1 – A prisão de Jesus provocará uma revolta, que fará de ti e dos teus os chefes da cidade. E quando a plebe se rebelar e o libertar, ele será proclamado Messias e Rei!

2 – Se ele é Deus, mesmo preso, será imortal e ninguém poderá atingi-lo. Se morrer, é porque não é Deus e você não terá traído aquele que o teria criado. Faça isso por amor a ele!

3 – Peça a Caifás apenas 30 moedas de prata e não mais – este é o preço justo por um escravo. Mostre a ele que você está entregando um rei pelo preço de um servo!

4 – E para não desobedecer teu mestre, ele próprio lhe dirá a hora de entregá-lo. Falará assim na presença dos outros: ‘Vai e faz depressa o que deves fazer’.

5 – Tens coragem e estarei contigo até o fim.

Repito que tudo isso é lenda, mas, coisas desse tipo podem ter passado pela cabeça de Judas Iscariotes, não é mesmo? Quando caímos em tentação, não nos apegamos a ‘bons argumentos’ naquele momento? Somente o firme propósito de manter a dignidade cristã e honrar a nossa família pode nos livrar dos pecados mortais.

E, no mesmo livro que citei, o autor conta que, após a morte de Jesus, sabendo que João e Pedro pregavam em seu nome, Caifás os deteve e tentou convencê-los a desistir da missão, justificando a crucificação do Mestre:

– Eu tinha obrigação de proteger a Lei de Deus e Jesus veio mudá-la! Além do mais, ele respeitava César, que oprimia o povo, e ao invés de se juntar a mim que represento a fé, preferiu ficar com a plebe. Disse que iria destruir o Templo do qual sou o chefe! E se sou homem e ele era Deus, como explicam eu ter conseguido levá-lo à morte?

E continuou:

– Se foi ele mesmo que disse que veio para morrer, eu apenas o obedeci de bom grado! Não disse ainda que será salvo quem obedecer a vontade do Pai e, também, que perdoava os seus matadores? Então, estou perdoado por eles, concordam? Peço que deixemos o passado e ordeno que parem de pregar falando em nome de Jesus Cristo.

Foi quando Pedro se levantou furioso e gritou com o sumo sacerdote:

– Para trás, Satanás! Para trás! Queres tentar os servos como tentaste o teu Senhor? Jesus foi vendido por um traidor, mas, nós não estamos à venda. Podes nos matar, mas não poderás, com todo o teu ouro, comprar nossa fé no Messias crucificado. Cristo era verdadeiro Deus e tu não és senão um mal-aventurado filho de Satã.

Pois é, este apóstolo não se deixou levar pela tentação e preservou seu espírito puro. Como disse Confúcio: “Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Ninguém se torna amigo fiel ou traidor de Cristo de uma hora para a outra. A queda de Judas representa para nós uma permanente reflexão: ‘Como pode um homem que tinha todas as condições para ser fiel até o fim, escolhido e preparado por Deus para realizar uma grande missão, ter caído tão fundo? E por que não se redimiu em tempo de salvar sua alma?’.

Um dia, o professor Plínio Corrêa de Oliveira fez esta colocação: “Se o traidor, após toda sua ignomínia, tivesse procurado Nossa Senhora para sinceramente pedir perdão, ele o teria obtido por meio dela. São Pedro, pelo contrário, pediu perdão até o fim de seus dias por ter negado Jesus três vezes e, por isso, tornou-se um grande santo. Mas exatamente o que Judas não quis foi humilhar-se e pedir perdão”.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 32811 Agosto 2017

A RECEITA DE COCA-COLA

Dona Maria, uma senhora humilde, ia passando pelo centro da cidade em que morava quando viu a seguinte faixa na fachada de uma casa: ‘Escola de Culinária – Ensinamos fazer Coca-Cola’. Parou por um instante e pensou o quanto seus filhos gostavam daquele refrigerante e na economia que faria se aprendesse a receita. Então, entrou no recinto e matriculou-se para o curso.

Chegando em casa, anunciou à família que não mais precisariam comprar garrafas e latinhas de coca porque logo iria produzir bastante para o consumo. Os vizinhos souberam da novidade e ficaram na expectativa de ganharem alguns litros de vez em quando. E, falando com um parente por telefone, dona Maria também se animou com a ideia de fabricar o refrigerante para vender no bairro.

O curso de culinária começou na segunda-feira de manhã. Após a primeira aula, a senhora voltou para casa e viu a mesa arrumada para o almoço com muitos copos sobre ela. Seu filho mais novo perguntou:

– Mãe, vai fazer coca pra gente?

– Não, querido, hoje nós só aprendemos ‘higiene na cozinha’, mas, logo teremos aulas sobre receitas de refrigerantes.

Mais alguns dias se passaram e dona Maria foi ficando sem graça por ter que dizer à família que ainda não sabia fazer Coca-Cola! E, após a penúltima aula, voltou pra casa confiante:

– Olha, amanhã vou aprender a receita que vocês adoram!

Bem, aconteceu que, no dia seguinte, quando os alunos chegaram para a última aula, a casa alugada que servia de ‘escola’ estava fechada e ninguém nunca mais soube dos professores. Foi outro golpe aplicado na praça, aproveitando da inocência de pessoas de bem.

O dinheiro que dona Maria pagou aos impostores daria para ter comprado dezenas de litros de Coca-Cola para os filhos. E o tempo que ela perdeu, quanto vale? Mas, o pior foi consolar seu filho caçula. Ele chorou muito ao escutar a mãe falando da tristeza que as amigas do curso ficaram. Para consolá-lo, ela contou esta história:

Lá no fundo do oceano, uma ostra abriu bem a sua concha para deixar a água passar e extrair o alimento que precisava. De repente, um peixe grande levantou uma nuvem de areia com um movimento do rabo. Rapidamente a ostra se fechou, mas, um grãozinho duro se alojou no seu interior.

Puxa, como aquele grãozinho de areia a incomodava! Mas, as glândulas especiais que Deus lhe havia dado para revestir o interior de sua concha começaram a produzir uma substância brilhante para cobrir o grão de areia irritante. A cada ano que passava, a ostra acrescentava mais camadas sobre o grãozinho, até que produziu uma pérola reluzente e de grande valor.

E dona Maria completou:

Às vezes, meu filho, os problemas que temos se assemelham um pouco a esse grãozinho de areia. Eles nos chateiam e nos perguntamos: por que será que temos que passar por esse incômodo? Mas, se permitirmos, Deus começa a transformar os nossos problemas e fraquezas em algo muito precioso!

É nas dificuldades que nos aproximamos mais do Senhor, rezamos com maior fervor, ficamos mais humildes e capacitados para enfrentar os problemas. Como bênçãos disfarçadas, o Senhor pega esses grãozinhos ásperos de areia na nossa vida e os transforma em pérolas preciosas de força espiritual, e eles também se transformam em esperança e inspiração para muitos.

Portanto, Deus nos faz mais fortes com cada vitória. É mais ou menos como uma vacina: Ele nos dá pequenas doses para não pegarmos a doença e para, de uma forma constante e gradual, aumentar nossa resistência. Mas, se você – que também às vezes sofre – não for posto à prova e não tomar uma dose da vacina, nunca conseguirá administrar doses grandes.

De certa forma, Jesus faz isto com você: insiste para dar um pouco mais de si, sacrificar-se um pouco mais, lutar um pouco mais e crescer muito mais também.

No final destas palavras, o filho de dona Maria não chorava mais. Acredito que ele entendeu que aquilo que plantamos, colhemos. Semeando: verdade, alegria e fé; colhemos: milagres, esperança e amor. Porém, como dizem, quem semeia vento, colhe tempestade. Entenda-se por ‘vento’, os sete pecados capitais: gula, avareza, soberba, luxúria, preguiça, ira e inveja.

É no sofrimento que Deus experimenta a nossa fé, pois não há ressurreição sem calvário! É preciso que façamos sempre boas confissões com nossos queridos sacerdotes, deixando a carga do pecado para trás e permitindo que Deus nos preencha com seu Espírito.

Nem só de Coca-Cola vive o homem; porém, não sobrevive sem a graça divina.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 3274 Agosto 2017

Sonhos

Desde pequena, Karina só tinha conhecido uma paixão: dançar e ser uma das principais bailarinas do Ballet Bolshoi. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em qualquer outra atividade.

Certa vez, ela teve sua grande chance profissional ao conseguir uma audiência com o diretor do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a companhia. Nessa oportunidade, Karina dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que aprendera em cada movimento, pensando que sua vida inteira pudesse ser contada num único passo.

Ao final, aproximou-se do renomado diretor e perguntou-lhe: ‘Então, o senhor acha que posso me tornar uma grande bailarina?’ E decepcionou-se com a resposta. Na longa viagem de volta à sua aldeia, Karina, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele ‘não’ deixaria de soar em sua mente.

Meses se passaram até que pudesse novamente calçar uma sapatilha e fazer seu alongamento em frente ao espelho. Dez anos mais tarde, quando já era uma estimada professora de ballet, ela criou coragem de ir à apresentação anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem à frente e notou que o senhor Davidovitch ainda era o diretor máster.

Após o concerto, aproximou-se dele e contou-lhe o quanto lhe doera, anos atrás, ter ouvido que não seria capaz de ser profissional.

– Mas, minha filha, – disse o diretor – eu digo isso a todas as aspirantes!

Com o coração ainda aos saltos, Karina não pôde conter a revolta e desabafou:

– Como o senhor foi cometer uma injustiça dessas? Eu poderia ter sido uma grande bailarina se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou!

Havia solidariedade e compreensão na voz do diretor, mas, ele não hesitou na resposta:

– Perdoe-me, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente se foi capaz de abandonar seu sonho na primeira opinião contrária que ouviu.

Pois é, essa história sugere que devemos continuar sonhando, com capacidade e dedicação, quando buscamos alcançar nossas metas honestamente. A cada sonho, muitos obstáculos terão que ser transpostos, e será importante lutarmos sempre contra o medo e a preguiça para vencermos. Mark Twain disse: “Nunca se afaste de seus sonhos porque, se eles se forem, você continuará vivendo, mas, terá deixado de existir”.

E São Luís Maria Grignion de Montfort, pregador do século 17 e autor do Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima, também escreveu isto sobre Nossa Senhora:

“A sua humildade era tão profunda que não teve na Terra interesse mais forte e mais constante do que esconder-se perante si mesma e perante toda criatura, para só ser conhecida por Deus. O Pai consentiu que Ela não fizesse qualquer milagre durante a sua vida, pelo menos que se soubesse. Deus Filho consentiu que Ela quase não falasse, embora lhe tivesse comunicado a sua sabedoria. E Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e os evangelistas falassem muito pouco d’Ela, apenas o necessário para dar a conhecer Jesus Cristo, embora Ela tivesse sido a sua esposa fiel.

Maria é a excelente obra-prima do Altíssimo, da qual só Ele tem o conhecimento e a posse. Maria é a fonte selada e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só Ele pode entrar. Maria é o santuário e o lugar do repouso da Santíssima Trindade, onde Deus está de forma mais magnífica e divina do que em qualquer outro lugar do universo, incluindo a sua morada acima dos querubins e dos serafins; e não é permitido a nenhuma criatura, por mais pura que seja, entrar nela sem um privilégio especial.

Digo-o com todos os santos: Maria é o paraíso terrestre do novo Adão. É o grande e divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência do Altíssimo, onde Ele escondeu, como em seu próprio seio, o seu Filho único e, n’Ele, tudo o que há de mais excelente e mais precioso. Oh, quantas coisas grandes e ocultas fez o Deus poderoso nesta criatura admirável, como Ela mesma se sente obrigada a dizer, apesar da sua profunda humildade: ‘O Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas!’ O mundo não as conhece porque disso é incapaz e indigno.”

Portanto, Nossa Senhora nos ensinou os maiores segredos para alcançarmos os nossos objetivos: humildade, oração e caridade. Infelizmente, a maioria das pessoas – como eu – só aprende isso depois dos quarenta! Muitos jovens pensam que somente a capacidade e a dedicação bastam, e vários quebram a cara porque se afastam de Deus.

Voltando à bailarina da história, será que rezou o suficiente antes de se apresentar ao diretor? Sua autossuficiência não pode tê-la prejudicado?

Então, procure fazer de sua vida um mar de bênçãos. Para isso, persiga um sonho que promova a paz no nosso meio, reze diariamente pedindo ajuda à Virgem Maria para fugir dos pecados que lhe cercam e tenha uma conduta digna de ser filho de Deus. Assim, a felicidade de ver seu sonho realizado chegará.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 32629 Julho 2017

LIÇÕES PARA BEM VIVER

O pensador russo Gurdjieff, que viveu no início do século passado, traçou algumas regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Estresse. Segundo os especialistas em comportamento humano, quem consegue praticar a metade dessas lições, terá mais harmonia íntima e menos estresse. As regras são as seguintes:

1. Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho.

2. Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3. Planeje seu dia, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4. Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez.

5. Esqueça que você é imprescindível. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6. Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

7. Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os, porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

8. Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho.

9. Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Dê um tempo e depois retome o diálogo.

10. Tenha sempre alguém em quem confia e fale tudo abertamente.

11. Saiba a hora certa de sair de cena e nunca perca o sentido de uma saída discreta.

12. Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram de bom, sem qualquer convencimento.

13. A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

14. Uma hora de intenso prazer substitui com folga três horas de sono perdido, pois o prazer recompõe mais que o sono.

15. Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

Enfim, as regras de Gurdjieff se fundamentam em ‘você é o que fizer de você mesmo’. E não há como negar que, se fizermos esforços prejudiciais ao nosso bem-estar, nossa saúde mental reage negativamente. Portanto, uma vida de melhor qualidade pode ser nossa grande recompensa neste ano.

Na minha modesta opinião, eu trocaria as lições 5 e 9 por estas:

5. Tudo depende da sua oração. Reze também pelas intenções do Papa e será mais abençoado.

9. Não carregue pecados no seu coração. A confissão e a comunhão são Sacramentos imprescindíveis a qualquer cristão que deseja amar o próximo e promover a paz.

E, independente de aceitar todas estas regras, eu desejo a você muitas felicidades na proteção da Virgem Maria!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 32522 Julho 2017

NOSSOS COMPROMISSOS

Um cavalo de raça ficou doente e seria sacrificado pelo dono no final de semana se não melhorasse. Logo na terça-feira, quando soube, o porco foi até a cocheira animar o amigo:

– Você vai ficar bom! Alimente-se bem e movimente-se o mais que puder.

No dia seguinte, lá estava o porco novamente:

– Puxa, como você melhorou! Amanhã, iremos passear juntos, certo?

Na sexta-feira, vendo o cavalo desanimado, o porco insistiu:

– Levante-se! Você não pode se entregar! A vida é bela e ninguém vai matá-lo se quiser continuar vivendo.

Assim, com a ajuda do amigo, o puro-sangue saiu para o pasto e foi ganhando forças para vencer rapidamente a doença. E quando o fazendeiro viu seu estimado animal curado, chamou imediatamente o caseiro e ordenou:

– Mate o porco para comemorarmos este grande acontecimento com um belo jantar.

Embora irreal, este conto nos lembra como a vida pega a gente de surpresa, mesmo sem o envolvimento de pessoas mal intencionadas. Mas, os imprevistos serão menores quando assumimos compromissos com Jesus, concorda? Além de crescermos em espiritualidade, sempre recebemos outros presentes do Céu.

Por exemplo, quem conhecer os fatos de minha cura física e interior, certamente crescerá um pouco mais na fé. Da mesma forma, todos que aplicarem as técnicas que conheço para melhor administrar o tempo, provavelmente alcançarão sucesso pessoal e bons resultados profissionais. Assim, vou multiplicando os talentos que recebi.

E você, o que tem feito com os dons que Deus lhe deu? Não pense em usá-los apenas em seu favorecimento, mas também em ajudar o próximo: sua família, seus amigos, seus inimigos e Jesus Cristo na pessoa do pobre! Eu concordo que ‘amar o próximo como a si mesmo’ é difícil, mas, quem confia na providência Divina sofre novas conversões a cada dia.

E como dizia São Paulo, o dom mais importante é a caridade, que precisa ser um compromisso assumido com Deus. Mesmo quem pensa assim, será que anota na agenda a necessidade de ajudar o irmão que sofre?

Há gente triste por toda parte e precisamos mostrar o lado bom da vida. Eu sempre digo que isso se resume em amar a Deus e ao próximo. Aliás, foi Jesus que disse isto e Ele gosta que repitamos muitas vezes. Se colocarmos em prática então, iremos agradar a Deus ainda mais, além de deixarmos bons exemplos aos menores.

Contam que um menino saiu do cemitério de mãos dadas com a mãe, após o enterro do pai. Ela chorava copiosamente e dizia a todos que seria muito difícil a vida sem aquele homem maravilhoso. Foi quando o filho falou:

– Mamãe, o papai não morreu. Ele vive em mim através de tudo o que me ensinou! Somente o seu corpo não está aqui, mas, ele falará por mim quando eu for obediente, quando for honesto, quando eu perdoar os meus amigos...

– Está certo, querido, mas, a mamãe está triste.

– Um dia, papai me disse que eu poderia ter certeza que ele sempre estaria ao meu lado. E agora eu acredito que ele vive através da herança do amor que nos deixou.

Pois é, quanta gente já partiu do nosso meio deixando sementes de paz em nossos corações, não é mesmo? Jesus quer o nosso peito bem aberto para poder entrar e regar as sementes que ainda não brotaram. Quem lhe der abrigo, assumirá o compromisso de cuidar da nova planta que irá nascer. A cada dia, terá que adubá-la com oração e muito amor.

Não podemos esquecer que o nosso coração só tem fechadura do lado de dentro. Se não o abrirmos espontaneamente, nem Jesus entra! E você, quer assumir o compromisso de aceitar Maria e José como hóspedes no seu coração? Eles farão renascer o Filho tão amado dentro de ti.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 323 - 12 Julho 2017

Humildade com sabedoria

Um homem que se julgava completamente sem sorte vivia em uma aldeia. Ele reclamava e as pessoas escutavam suas queixas: da primeira vez, com simpatia; depois, com certo desconforto; e, enfim, quando o viam, mudavam de caminho ou entravam para dentro de casa, evitando-o. Então, o homem se tornou chato e muito só.

Com o tempo, ele começou a querer achar um culpado para a situação. Concluiu que, se não era um caso genético, só poderia ser coisa do Criador! E depois de muito pensar, resolveu ir até o fim do mundo falar com Deus. Andou um ano e, pouco antes de entrar numa grande floresta, ouviu uma voz:

- Moço, me ajude.

Ele então se deparou com um lobo magro e quase sem pelos.

- Há três meses estou nesta situação. Não tenho forças nem para me levantar daqui!

O homem, refeito do susto, respondeu:

- Você está se queixando à toa. Eu tive azar a vida inteira! Mas, faça como eu e venha procurar o Criador para resolver o seu problema.

- Eu não tenho forças... Por favor, pergunte o que está acontecendo comigo.

O homem disse que estava muito preocupado com seu próprio problema, mas, se lembrasse, perguntaria. E andou mais um mês e um dia; de repente, ao tropeçar numa raiz, viu uma folhinha caindo, caindo, e percebeu uma árvore com apenas duas folhas. Observando suas raízes desenterradas e sua casca soltando-se do tronco, ouviu a lamentação:

- Não sei o que está acontecendo comigo. Há seis meses que minhas folhas estão caindo e, agora, como vê, só restam duas!

E pediu ao homem que procurasse uma solução com o Criador. Mal humorado, o homem virou as costas com mais uma incumbência. Andou muito e chegou até uma casa onde morava uma moça muito bonita. Eles conversaram longamente e, quando já estava saindo, ela lhe pediu um favor:

- Você poderia perguntar ao Senhor uma coisa para mim? Sinto um vazio no peito que não tem explicação. Gostaria de saber o que posso fazer por isso.

O homem prometeu que perguntaria e, depois de muitos meses, chegou ao fim do mundo. Sentou-se e ficou esperando até que ouviu uma voz. Só podia ser o Criador...

- O que deseja?

E o homem contou então toda a sua triste vida. Conversou longamente até que foi se levantando para se despedir, quando a voz lhe perguntou:

- Você não está se esquecendo de nada? Não ficou de obter respostas para uma árvore, para um lobo e para uma jovem?

Voltou-se para ouvir o que tinha para ser dito. Depois, correu mais rápido que o vento até chegar na casa da jovem. Ela o viu passando e o chamou:

- Ei! Você conseguiu encontrar o Criador? Teve as respostas que queria?

- Sim, claro! O Criador disse que minha sorte está no mundo. Basta ficar alerta para perceber as oportunidades de felicidade! E o Criador também falou que, assim que encontrar um companheiro, você será completamente feliz e fará mais feliz quem viver ao seu lado.

- Você quer ser meu namorado?

- Claro que não! Não posso perder tempo. Adeus!

E correu mais rápido do que a água do riacho, chegando até a floresta onde estava a árvore. Ele nem se lembrava dela, mas quando voltou a tropeçar na raiz, viu caindo a última folhinha. Ela perguntou se ele tinha aquela resposta, e ouviu:

- Estou indo buscar minha sorte que está no mundo. O Criador disse que há uma caixa de ferro cheia de moedas de ouro embaixo de você e o ferro está corroendo suas raízes. Se cavar e tirar este tesouro daí, vai terminar todo o seu sofrimento e será uma árvore saudável novamente.

- Por favor, faça isso por mim! Pode ficar com o tesouro porque eu só quero minha força de volta.

- Você está me achando com cara de quê? Resolva o seu problema porque eu não vou sujar minhas mãos na terra.

E virando as costas, correu mais rápido e chegou onde estava o lobo - muito mais magro e ainda mais fraco. O homem se dirigiu a ele apressadamente e disse:

- O Criador mandou lhe falar que você não está doente, mas, com muita fome. Vai morrer aí mesmo, a não ser que passe por aqui uma criatura bastante estúpida e você consiga comê-la.

E, nesse momento, os olhos do lobo se encheram de um brilho estranho. Reunindo o restante de suas forças, o lobo deu um pulo e comeu o homem sem sorte.

Pois é, a solução de todos os nossos problemas está quase sempre dentro de nós e aparentemente não conseguimos vê-la. Muita gente morre em cima da resposta que procura sem percebê-la.

Santa Teresa D’Ávila disse: “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”. Portanto, ninguém pode negar a importância da humildade de coração, desde que acompanhada de sabedoria; e de nada adianta dizer: ‘não posso fazer isso’ ou ‘não consigo fazer aquilo’; na verdade, tudo podemos realizar com oração, alguma ajuda dos irmãos e autossugestão.

Mas, também precisamos reservar bagagem espiritual para fugir das tocaias dos ‘lobos’ no caminho da salvação.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 322 – 29 Junho 2017

Valeu a pena!

Santa Cecília viveu no século III e pertencia a uma das famílias mais tradicionais de Roma. Assim que atingiu a maturidade, seus pais prometeram-na em casamento para um jovem chamado Valeriano, também membro da alta sociedade local.

Mesmo contra sua vontade, Cecília aceitou a decisão dos pais, mas, pediu que o rapaz se convertesse ao cristianismo e respeitasse seu voto de castidade concedido ao Senhor. Somente após receber a visita de um anjo, Valeriano se converteu, foi catequizado e batizado pelo Papa Urbano.

Mas, Cecília foi presa e levada a julgamento por negar-se a adorar outro Deus. Condenada à morte por asfixia, colocaram-na numa câmara de banho turco totalmente fechada. Então, começou a cantar incessantemente músicas de louvor a Cristo – por este motivo, foi eleita padroeira dos músicos.

E como não faleceu após várias horas, tentaram também matá-la numa casa em chamas, porém, ela saiu intacta. Então, quase foi degolada, mas, inexplicavelmente o soldado não conseguiu cortar sua cabeça. Ela somente viria a morrer três dias depois, devido aos ferimentos no pescoço. Anos após, o Papa Paschal I ordenou que suas relíquias fossem levadas para a cidade de Trastevere, na Itália, onde hoje se encontra a grande catedral de Santa Cecília.

Pouco antes de sua morte, ela pediu ao papa Urbano que transformasse sua bela casa num templo de orações e que todos os seus bens fossem doados aos pobres. Atualmente, na Europa, dentre todos os santos da Igreja Católica, Santa Cecília é a que possui o maior número de igrejas e capelas. Portanto, além de salvar a alma, seu exemplo cristão se perpetuou e valeu a pena tanta abnegação ao amor de Deus, concorda?

Outra história conta que um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia. Quando chegou à recepção, o hall estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: ‘Bem-vindo ao Venetia, senhor’.

Três minutos após a saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: uma discreta opulência, uma cama impecavelmente limpa, uma lareira e um fósforo tentador – em posição perfeitamente alinhada para ser riscado. Aquele homem que queria um simples quarto para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte.

Mudou de roupa para o jantar. A refeição foi deliciosa, como tudo o que tinha experimentado naquele local até então. Assinou a conta e retornou ao quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia uma chama crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um.

No dia seguinte, o cliente deixou a pousada muito feliz por ficar num lugar tão acolhedor, e pensou: ‘Valeu a pena ter descansado naquele local’. Mas, o que lhe ofereceram de especial? Principalmente, um fósforo e uma bala de menta? Sim, mas, acontece que o valor das pequenas coisas conta, e muito! O bom relacionamento fez com que ele, cliente, percebesse o quanto era um parceiro importante!

Isso vale também para nossas relações na família. Pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois, a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples do nosso dia-a-dia e, na maioria das vezes, passamos despercebidos pelos detalhes.

Se Deus nos permitisse viver sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. A força também vem dos problemas que temos para resolver e, a coragem, pode estar no perigo para superá-los. Às vezes, a gente se pergunta: não recebi nada do que pedi a Deus; mas, na verdade, recebemos muito mais do que precisamos e nem percebemos! Cada oração nos traz uma graça.

Portanto, estas duas histórias que contei servem de referência para comprovar as palavras de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Tanto a morte de mártires cristãos como os simples gestos de serviço ao próximo, contribuíram para o mundo que vivemos. Se ainda está longe do ideal, certamente seria pior se pessoas de bem não tivessem plantado exemplos de dignidade.

Então, não quebre essa corrente de amor. Quando doar uma bala ao próximo, faça com um sorriso no rosto e veja o resultado. Quanto mais nos envolvermos no Projeto de Amor de Deus, maior será a certeza de que um dia ouviremos pessoalmente do Pai: “Valeu a pena, meu querido filho!”.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 321 - Junho 2017

O ESCAPULÁRIO

Foi na madrugada do dia 16 de julho de 1251 que Nossa Senhora apareceu ao inglês Simão e entregou-lhe o miraculoso Escapulário do Carmo. São Simão Stock era Superior Geral dos Carmelitas, e se encontrava aflito, pois sua Ordem passava por dificuldades muito sérias, sendo desprezada, perseguida e até ameaçada de extinção.

Homem de fé viva, Simão não cessava de implorar socorro à Santíssima Virgem e pedia também um sinal sensível de que seria atendido. Comovida pelas súplicas angustiantes do seu fervoroso filho, Nossa Senhora lhe trouxe do Céu o santo escapulário e dirigiu-lhe estas palavras:

“Recebe, filho diletíssimo, o escapulário de tua Ordem, sinal de minha confraternidade, privilégio para ti e para os carmelitas. Todos os que morrerem revestidos deste escapulário, não padecerão no fogo do inferno. É um sinal de salvação, refúgio nos perigos, aliança de paz e pacto para sempre”.

A partir dessa misericordiosa intervenção da Mãe de Deus, a Ordem carmelitana refloresceu em todo o mundo! E o escapulário passou a percorrer sua milagrosa trajetória, como sinal de aliança de Nossa Senhora com toda a humanidade.

Setenta anos mais tarde, a Virgem Maria apareceu ao Papa João XXII e lhe fez nova promessa, considerada como complemento da primeira: “Eu, como Mãe dos carmelitas, descerei ao purgatório no primeiro sábado depois de suas mortes, os livrarei e os conduzirei ao Monte Santo da vida eterna”.

Essa segunda promessa deu origem à célebre Bula Sabatina do Papa João XXII, publicada em 03 de março de 1322, confirmada posteriormente por vários Sumos Pontífices, como Alexandre V, Clemente VII e Paulo III.

De início, o escapulário era de uso exclusivo dos religiosos carmelitas. Mais tarde, querendo estender os privilégios e benefícios espirituais desse uso a todos os católicos, a Igreja simplificou seu tamanho e autorizou que sua recepção ficasse ao alcance de todos.

Somente o primeiro escapulário precisa ser bento e imposto por um sacerdote. Tanto essa bênção como a imposição valem para todos os outros que substituírem o primeiro. Uma vez tendo-o recebido, devemos usá-lo sempre e continuamente.

Entre os Papas devotos do escapulário, destacam-se: Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Sixto IV, Clemente VII, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XIII, Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII – que com bulas apostólicas aprovaram os seus privilégios.

As declarações dos Papas são expressões autorizadas do autêntico pensar da Igreja. Eles não deram apenas o exemplo usando o hábito do Carmo, mas, estimularam e aconselharam a usá-lo e premiaram a devoção.

E eis os santos que usaram o escapulário: Santo Afonso, São Pedro Claver, São Carlos Borromeu, São Francisco de Salles, São João Vianney, São João Bosco, Santa Teresa de Ávila, Santa Teresinha do Menino Jesus, São João da Cruz, Santa Maria de Jesus etc.

Bem, de forma resumida, um dia eu contei esta história a mais de 100 cursistas em Piranguinho. Em seguida, os presenteei com escapulários, que foram bentos e impostos pelo sorridente Pe. Catarino na missa.

Na Celebração da Eucaristia da noite seguinte, eu transbordei de felicidade ao ver tanta gente com o escapulário no pescoço, mostrando que aceitaram a Virgem Maria como protetora até a hora da morte. Lindo isso, não? Com certeza, não se arrependeram nem por um minuto da decisão que tomaram, porque o poder da Mãe de Deus é inquestionável!

Da mesma forma que Jesus disse: “Se alguém quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 15, 24), Nossa Senhora também falou que estará protegido quem seguir seu Filho de escapulário no pescoço.

É por isso que eu não tiro o meu. E que assim seja para sempre!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 32019 Junho 2017

VISÕES DO PADRE REUS SOBRE A SANTA MISSA

Eis um breve relato de algumas visões do padre João Baptista Reus, com relação à maravilhosa realidade sobrenatural da Santa Missa. Falecido em odor de santidade, teve este sacerdote a graça de ver o que acontece de sobrenatural durante a Santa Missa, a qual, por razão, costumava chamar de ‘A FESTA NO CÉU’.

Ao tempo em que o demônio procura escondê-la, vamos adorar mais e mais a Jesus, em reparação a tantas blasfêmias que contra a Eucaristia se cometem. Eis o que era dado ver ao Padre Reus:

“Nossa Senhora convida todo o Paraíso para participar da Santa Missa. Todos os anjos e Santos a seguem em maravilhoso cortejo até o altar. Os Santos formam um semicírculo ao redor do sacerdote celebrante e o acompanham até o altar. Lá chegando, os anjos se colocam atrás dos Santos. Outra multidão de anjos cerca a Igreja e cobre os fiéis, impedindo a aproximação dos demônios durante a Santa Missa, em honra à Majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Virgem Santíssima está sempre junto do celebrante, do lado do altar onde é servida a água e o vinho, e onde são lavadas as mãos do sacerdote. É a própria Mãe de Jesus quem serve o celebrante e lava suas mãos. Entre Nossa Senhora e o celebrante, é convidado o Santo do dia.

Todas as almas do Purgatório também são convidadas pela Virgem Maria e permanecem durante toda a Santa Missa aos pés do altar, entre o celebrante e os fiéis.”

Conta o Padre que ele via as almas do Purgatório em verdadeira festa e com grande esperança de libertação. Padre Reus via uma chuva caindo sobre o Purgatório durante toda a Santa Missa.

No momento sublime da Consagração, quando estas almas veem Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sentem um desejo incontrolável de sair daquelas chamas e se atirarem em Seus braços, mas não conseguem, por não estarem ainda purificadas.

Após a Consagração, acontece a libertação do Purgatório, das almas que já atingiram a purificação. Nossa Senhora estende a mão a cada uma delas e diz: ‘Minha filha, pode subir.’

Os anjos saúdam as almas libertadas do Purgatório, abraçando-as. É um momento de imensa alegria e beleza. Em seguida, estas almas, resplandecendo com a beleza indescritível, adornadas como noivas, como anjos, são introduzidas triunfalmente no Paraíso, por uma multidão de anjos, ao som de música e cantos celestiais.

E agora que já sabe quão santa e maravilhosa é a santa missa, saiba também quem foi Padre Reus:

http://www.derradeirasgracas.com/2.%20Segunda%20P%C3%A1gina/As%20vis%C3%B5es%20do%20Padre%20Reus/A%20biografia%20do%20Padre%20Reus..htm

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 31909 Junho 2017

A SANTIDADE É POSSÍVEL!

Certa vez, um artista expôs um quadro que ficou famoso. À primeira vista, quem olhasse para aquela pintura tinha a impressão de estar vendo um senhor piedoso em atitude de oração: ajoelhado, cabeça baixa, mãos postas e possuído de grande paz interior.

Porém, aproximando-se da tela e olhando com mais atenção, percebia-se que a imagem era bem diferente: via-se um homem apertando fortemente um pássaro entre as mãos e, seu semblante, refletia toda a sua ira. O pintor quis representar ali o homem hipócrita: piedoso só na aparência!

O grande pecado do hipócrita é ser um falso santo: tira proveito da re­ligião em benefício de seu egoísmo. Na época de Jesus, os fariseus também salvavam as aparências: conheciam a Lei, mas fal­tava-lhes a sinceridade e o verdadeiro amor. Por isso, Cristo os colocava abaixo dos cobradores de impostos: “Os publicanos e as meretrizes entrarão no reino de Deus primeiro que vós” (Mateus 21, 31).

E a hipocrisia pode, muitas vezes, ser evitada através do nosso silêncio, pois: calar sobre sua própria vitória, é humildade; calar sobre os defeitos dos outros, é caridade; calar quando o outro está falando, é delicadeza; não falar palavras inúteis, é prudência; calar quando Deus nos fala no coração, é escuta; calar diante do mistério que não entendemos, é sabedoria!

Mas, quando se tem fé, a hipocrisia pode também ser manifestada através do mesmo silêncio: calando diante do sofrimento alheio; calando diante da injustiça; calando quando o outro espera uma palavra; calando quando Deus nos chama; calando para não ter que rezar. Tudo isto pode significar: condenação!

É importante lembrar que todas as graças nos são concedidas unicamente pelos méritos de Jesus Cristo. Graças a esses merecimentos, bênçãos formidáveis são enviadas por Deus através da Virgem Maria e dos santos, nos convidando a trilhar os caminhos da perfeição. A caridade dos santos é mais viva, pois, do Céu contemplam muito melhor as necessidades de cada um.

E se eles chegaram à santidade, por que não tentamos o mesmo? Bem, um dos motivos que nos impedem é a vaidade, tornando-nos escravos da aparência física. Isso também é hipocrisia, concorda? E quando colocamos a felicidade do outro na frente da nossa, parece que estamos fazendo alguma coisa errada, como nesta história:

“Uma menina tinha vergonha das mãos de sua mãe: cheias de cicatrizes e muito enrugadas. Desde a primeira vez que perguntou, soube da mãe que eram assim porque havia contraído uma doença muito grave na juventude.

Perto das amiguinhas, evitava pegar nas mãos da mãezinha para não expor aquela imagem que tanto a envergonhava. E a filha também mentia na escola, dizendo que a mamãe lavava muita roupa e sempre machucava as mãos. Assim, achava que conseguia justificar a ‘imperfeição física’ daquela que a trouxe ao mundo.

O tempo foi passando e, na sua humildade, a mãe daquela criança aceitava o distanciamento entre elas por um simples problema de vaidade. A menina cresceu, se casou e, um dia, sua mãe faleceu. Durante o velório, uma mulher idosa aproximou-se do caixão, pegou nas mãos daquela senhora e comentou:

– Estas mãos salvaram a vida da filha quando pequena. O cortinado do berço se incendiou e ela o puxou para junto do seu corpo para não queimar a menina. Foi uma santa mulher!

O arrependimento machucou o coração da filha porque deixou de aproveitar a mão amiga e amorosa que sempre esteve ao seu lado.”

Mas, acho difícil julgar o motivo do comportamento injusto de algumas pessoas porque muitas vezes eu também coloco as minhas necessidades na frente dos mais pobres. Quanto mais me envolvo com o serviço gratuito a Deus, mais preciso rezar e vigiar meu próprio comportamento. Isso também acontece com você?

Conta uma antiga lenda que S. Pedro, depois de ter chegado a Roma e trabalhado muito na formação daquela comunidade, um dia decidiu fugir por causa das constantes perseguições do imperador Nero aos cristãos. Pôs-se, então, em retirada, na busca de um lugar mais seguro. No caminho, deparou-se com a imagem de Cristo carregando a cruz. Assustado com aquela visão, perguntou:

– Para onde vai, Mestre?

– Vou para Roma. Se eu for mais uma vez crucificado, talvez vocês aprendam a cumprir suas missões até o fim.

Assim que Jesus desapareceu, Pedro retornou a Roma, continuou sua pregação e morreu crucificado de cabeça para baixo.

No capítulo 12 da Carta aos Romanos, São Paulo nos mostra o caminho da santidade: “Quem distribui donativos, faça-o com simplicidade; quem preside, presida com solicitude; quem se dedica a obras de misericórdia, faça-o com alegria. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração”.

E muitos outros ensinamentos vêm na sequência. Leia o resto, pratique e será santo no Céu.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 3183 Junho 2017

ENTRE O CÉU E O INFERNO

Um rapaz vinha dirigindo sua pequena caminhonete numa estrada e logo avistou uma tempestade. Resolveu, então, encostar num posto de gasolina e lá encontrou três pessoas precisando de carona: uma senhora gravemente doente, uma bela jovem que lhe sorriu docemente, e um médico indo para o trabalho. Na caminhonete só dava para levar um deles. Se fosse você, quem levaria?

Numa atitude cristã e com muita sabedoria, ele ficou no posto com a jovem e entregou a chave do carro para o médico levar a senhora ao hospital. Nada mais justo e conveniente, não acha?

Da mesma forma, quantas decisões poderiam ser tomadas com amor ao próximo, colocando em primeiro lugar o sofrimento daqueles que precisam de ajuda! Por exemplo, quando passamos pela rua e vemos um pobre caído, um amigo se aproximando pela calçada e um filho passando de carro, o que fazemos?

Mesmo sabendo que a caridade sempre deve prevalecer, talvez o mais provável seria saudarmos o filho com uma das mãos e estendermos a outra para cumprimentar o amigo. E qual a consequência disso, já pensou? Futuramente, o filho tenderia a seguir a mesma atitude do pai, o amigo ouviria uma série de assuntos meio sem importância naquele momento e o pobre continuaria jogado na calçada.

Que tal seria se os três colocassem o homem caído no carro e o levassem a um abrigo ou ao hospital? Não seria o que Jesus faria? Seria também uma atitude digna de merecer o Céu, concorda? Mas, há quem faça isso, sim, e eu conheço vários irmãos da Pastoral da Sobriedade que cumprem fielmente a missão que Deus lhes deu.

E o valor da caridade ainda é maior porque servem com amor e no anonimato. Sabem que existe um lugar maravilhoso na eternidade esperando-os e não são egoístas de buscarem chegar lá sozinhos. Compreendem, também, a diferença entre o Céu e o Inferno, como nesta história:

“Um samurai, alto e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.

– Monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno.

O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e lhe disse:

– Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo! Seu cheiro é insuportável! Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.

O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva. Então, empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.

– Aí começa o Inferno – disse-lhe o sábio, mansamente.

O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara; afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o Inferno. E o bravo guerreiro abaixou lentamente a espada.

Passado algum tempo, já com a intimidade pacificada, o samurai pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse pelo gesto infeliz. Percebendo que seu pedido era sincero, o monge disse:

– Aí começa o Céu.”

Portanto, tanto o Céu quanto o Inferno, são estados de espírito que escolhemos no nosso dia-a-dia e começam dentro de nós. A cada instante, somos convidados a tomar decisões que definirão o início do Céu ou o começo do Inferno. Quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância. A escolha é livre!

Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou o óleo do perdão. Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança. Ante a partida de um ente querido, podemos optar pelo punhal do desespero ou pelo livro de oração.

Enfim, surpreendidos pelas mais infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz. A decisão depende sempre de nós mesmos.

Portanto, criar céus ou infernos dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós. A porta que nos separa do Paraíso não poderá abrir-se enquanto esteja fechada a que fica entre nós e o próximo.

E você, que certamente quer morar no Céu e se livrar do fogo do Inferno, está fazendo a sua parte? Se ainda não pensou nisso, sabe ao menos por onde começar o seu gesto concreto? São dezenas de opções, mas, eis algumas: doar alimentos aos Vicentinos ou à Pastoral da Sobriedade, ajudar uma creche ou um asilo, visitar um doente e rezar com ele, procurar um padre e se confessar, entrar num movimento ou pastoral da Igreja e perseverar com o grupo etc.

Melhor do que qualquer explicação é ver de perto. Então, convido você a participar efetivamente da Igreja e testemunhar um pedacinho do Céu. Verá que vale a pena chegar lá!

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 31727 Maio 2017

EM BUSCA DO TESOURO

Você se lembra quando a maioria das famílias tinha em casa um quadro do Sagrado Coração de Jesus? Quanta gente passou a infância sob as bênçãos do Sagrado Coração! E você sabe por que as famílias costumavam ter esse quadro? Por causa da promessa que Jesus fez no século XVII,  numa aparição a Santa Margarida Maria Alacoque, dizendo: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem do meu Coração”.

Portanto, num lugar que tem a bênção do Coração Divino, as provações são mais suportáveis e as soluções mais visíveis. Ele prometeu também: ser o próprio consolador de seus fiéis nas aflições; abençoar nossas empresas; nos conceder graças particulares nas necessidades maiores; restabelecer a paz nas famílias; e gravar no Coração o nome de quem propagar sua devoção.

Eu tento fazer a minha parte para que o meu nome permaneça gravado para sempre. Além de receber a sagrada comunhão, exercito a mais eficaz forma de mostrar o meu amor pelo Senhor: rezando o Terço. Contemplando os mistérios, vejo que o amor do Sagrado Coração predomina em todos. Por isso, tenho recomendado que nos aproximemos de Deus pela Eucaristia e pelo Rosário.

Quando Nossa Senhora é invocada sob vários títulos, recorremos ao amor daquela que resume todo o bem e todo o encanto das perfeições criadas no mundo. Ninguém melhor do que a Virgem Maria para interceder por nós e conseguir do Filho graças abundantes de conversão, de perseverança e de paz a cada dia. Se a imitássemos um pouco mais, conseguiríamos não recusar o serviço gratuito e sempre dizer “não” ao pecado.

Infelizmente, existem pessoas do tipo ‘mais ou menos’. São: mais ou menos boas, mais ou menos caridosas, mais ou menos sinceras, mais ou menos comprometidas com os deveres cristãos, observam mais ou menos os mandamentos de Deus etc. Agindo assim, será que após a morte conseguirão viver num lugar mais ou menos igual ao Céu? É bom lembrar que o nosso Criador não é mais ou menos justo!

Agora, se você não veste a carapuça do ‘mais ou menos’, espero que esteja mais para ‘mais’ do que para ‘menos’, no seguinte sentido: perdoar a todos, não levantar falso testemunho, praticar caridade sem exclusões, dar prioridades às coisas espirituais, evangelizar com compromisso assumido em pastorais e ser fiel aos ensinamentos da fé católica. A pessoa que for promotora da paz, também a terá em abundância porque estará nos caminhos de Jesus em busca do tesouro eterno.

Mas, apesar desta minha convicção, sei que muitos duvidam que Cristo se dá a todos ao mesmo tempo. Pois é, se não procurarem crescer na fé, sempre irão estranhar os mistérios de Deus. O engraçado é acreditarem que há um mesmo sol que entra em todas as casas, mas, duvidam que Jesus possa entrar em todas as almas! A esses incrédulos, seria necessária uma bandeira vermelha, como nesta história:

“Martinho, maquinista de uma estrada de ferro, tinha explicado à filhinha que, no seu trabalho, a bandeira vermelha significava sinal de perigo, e completou:

– Quando vejo a bandeira levantada, paro a locomotiva para não acontecer um grande desastre.

No dia seguinte, a criança viu sua mãe chorando porque o marido voltara a beber e poderia perder o emprego. Então, a menina correu no quarto, pegou a bandeira vermelha e, quando o pai chegou em casa, ela levantou o sinal de perigo quando o viu abrindo uma cerveja. Comovido, Martinho a abraçou e prometeu não mais exagerar na bebida.”

Esse conto serve também para refletirmos o poder de uma criança. Assim como ela pode colocar fogo num edifício, é igualmente capaz de amolecer os corações endurecidos pelo pecado. Sua inocência possibilita conduzir muita gente aos caminhos do amor, não é verdade?

Quem vive a pureza de uma criança, sem destaque e egoísmo, serve a Deus construindo uma catedral ou varrendo o chão. Com amor no coração, as duas coisas têm o mesmo valor no serviço missionário – teremos esta certeza iniciando uma nova vida no Paraíso após a morte!

E concluo com mais esta história:

“Um senhor muito ambicioso sonhou que encontrara no campo um grande pote de ferro. Olhando dentro, viu que tinha uma moeda de ouro e, ao pegá-la, imediatamente surgia outra no fundo do pote! Isso o deixou maravilhado e começou a retirar moedas e mais moedas até se cansar. Parou por um momento e percebeu que o pote ficou mais fundo.

Rapidamente voltou a retirar outras moedas, parou mais um pouco... e o pote cresceu! Então, parando outras vezes, permitiu que o pote se tornasse tão grande que não mais conseguia alcançar no fundo. Inconformado por deixar tanto tesouro para trás, passou sua vida ali, apenas vigiando o tesouro.”

Da mesma forma, se não aproveitarmos as bênçãos da Sagrada Família, perderemos a oportunidade de usufruir um grande tesouro e estaremos entre os que assumem ser mais ou menos católicos. Olhe para dentro de si e veja se não há uma bandeira vermelha de alerta.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 31622 Maio 2017

VIDA E MORTE

Em 1978, 913 pessoas morreram em Jonestown, selva guianense, porque creditaram demais em Jim Jones e, por conseguinte, menos na vida. Se tivessem lido com atenção a Palavra de Deus, não teriam dado ouvidos ao falso reverendo. Entre os mortos, estavam mais de 270 crianças! E alguns seguidores de Jones que se recusaram a beber a poção de cianureto foram executados com tiros ou injeções letais. É fácil concluir que ele ensinava religião própria.

Por causa disso, também morreram os fiéis do falso Jesus Cristo do Texas e os 48 seguidores da seita Ordem do Templo, liderada por outro fanático, o médico belga Luc Jouret. Eram fiéis demais? Demais ou de menos, aceitaram as ‘verdades’ de pessoas brincando de porta-voz de Deus.

Crer muito além daquilo que Jesus pregou é o mesmo que não crer direito, porque toda seita que não promove a vida esconde a morte da alma ao invés da ressurreição. É enganação demais e oração de menos. Portanto, religião em dose certa é um santo remédio; em dose errada, enlouquece e envenena. Muita gente se entrega totalmente por uma crença, mas, não sabe que está mais perto do inferno que do céu.

Quando isso acontece, as pessoas querem mudar radicalmente tudo e todos, e não se importam com mais nada, porque qualquer coisa vira milagre e vontade de Deus. Na maioria das vezes, não passa de vontade de um pregador fanático.

E cuidado com pregadores que só gritam que ‘está na Bíblia’. Pode até estar, mas, não para ser seguido ‘ao pé da letra’. Na Bíblia também está escrito: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o” (Mt 5, 29), porém, ninguém vai arrancar um olho do rosto por algum pecado cometido. E, ainda, se fosse o esquerdo que nos escandalizasse, não poderíamos arrancá-lo porque Jesus só falou do direito?

O último a querer que sejamos fanáticos é Jesus. Ele não veio trazer a morte ao pecador, mas a conversão e a vida. Pratique a Palavra como um todo e você terá uma religião plena, cheia de amor. No nosso comportamento, nada deve contrariar os dois maiores mandamentos: amar a Deus e ao próximo de todo coração.

Paulo R. Labegalini
Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 31515 Maio 2017

A PARÁBOLA DO LÁPIS
Eis uma linda parábola:

A vida de um seguidor de Cristo é como um lápis que já contém em si todas as possibilidades de cumprir plenamente sua tarefa, mas, não escreve por si mesmo. Se ele não tiver a mão de alguém para conduzi-lo na escrita, continuará sendo, como tantos outros, um objeto inútil. Ao cometer um erro, sempre haverá possibilidade de correção, uma vez que a carga do lápis se compõe de um material que lhe dá condições de fazê-lo. Então, apagado o erro, poderá recomeçar suas funções.

Ao escrever, conduzido pela mão de alguém, o lápis deixará suas marcas sobre qualquer superfície. É essencial esta característica do lápis, pois, de outra forma, de nada haveria de servir. Quem poderia enxergar algum traço se não ficassem as marcas do lápis sobre a superfície, seja ela papel, madeira ou qualquer outra superfície capaz de receber marcas?

É conveniente lembrar que qualquer lápis vai perdendo a ponta à medida que escreve. Isso também é muito natural devido à natureza do material que o compõe. Por essa razão, quando isso acontece, o lápis deverá ser apontado e não haverá como reclamar, pois, de outro modo, mais uma vez não servirá para mais nada!

Deixar-se fazer a ponta e perder um pouco do seu material externo poderá custar alguma dor e alguma renúncia, mas, há de valer a pena, pois o lápis poderá readquirir sua capacidade de escrever – de continuar sendo simplesmente lápis.

Finalmente, aqui está o mais importante da parábola do lápis: o material que ele tem dentro e com o qual cumpre a sua tarefa. O corpo externo do lápis poderá ter as mais variadas formas e cores, mas, se não fosse a grafite incrustada no seu interior, seriam inúteis todas as suas funções.

Ainda é necessário explicar a parábola do lápis? Talvez este complemento sirva para você aplicar alguns ensinamentos na sua vida:

1. Deixe-se guiar pela mão de alguém que não é outro senão Aquele que escreve suas palavras no coração e na vida dos seus discípulos: “Todo mundo sabe que sois uma carta de Cristo, redigida por nosso intermédio, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, gravada não em tábuas de pedra, mas em corações humanos” (2Cor 3, 3).

2. Você tem sempre a possibilidade de apagar seus erros e pode, então, continuar a escrever com sua própria vida – como tantos o fizeram com o próprio sangue – a história da salvação e as maravilhas que o Senhor opera em favor do seu povo: “Aquele que está sentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas”. Depois, ele falou: “Escreve, pois estas palavras são dignas de fé e verdadeiras” (Ap 21, 5).

3. Você deixará marcas em qualquer superfície que você escrever. São as marcas do testemunho de vida, da retidão, da honestidade, da humildade, da solidariedade, da fraternidade, do perdão e do amor. Se não as percebe de imediato, essas marcas, todavia, são indestrutíveis e permanecerão por todas as gerações. Se você não deixar pegadas na sua passagem pela vida, de que terá servido sua vida cristã? Lembre-se de Jesus dizendo: “Se o sal perde seu sabor, não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas” (Mt 5, 13). Logo, se o lápis não escrever...

4. Deixe-se ‘apontar’, isto é, como se faz com o lápis que de tanto escrever perde a ponta, você deve estar disposto a que Deus mesmo lhe restitua a capacidade de escrever. É o caminho da conversão perseverante. Quando você perceber que já está ‘escrevendo’ menos – no cansaço, na rotina, na negligência, na preguiça –, suplique ao Pai que volte a fazer-lhe a ponta. Quem sabe pela provação, por algum sofrimento físico ou moral, por alguma contrariedade, deixe Deus agir! Colabore com Ele tratando de fazer você mesmo a ponta desgastada.

5. Por último, como num lápis, não se esqueça que o mais importante está dentro de você mesmo. Primeiro a graça, a vida divina alimentada pela fé, pela oração, pela Palavra de Deus, pelos sacramentos. “Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1Cor 3, 16). Depois, a sua própria energia interior, sua potencialidade de ser humano, de dedicação, de espiritualidade. Tudo muito simples, não acha? Então, aplique a parábola a você mesmo e seja como um lápis! Eis como pode começar:

Em 1328, a Virgem Maria apareceu a São Domingos, recomendando-lhe a reza do rosário para a salvação do mundo. Rosário significa coroa de rosas oferecidas a Nossa Senhora. Portanto, os divulgadores da devoção do rosário no mundo inteiro foram os dominicanos. Somos hoje, felizmente, convidados a meditar sobre os mistérios de Cristo, associando-nos como Maria Santíssima à encarnação, paixão e gloriosa ressurreição do Filho de Deus. Fazendo isso, mantemos o lápis muito bem apontado!

E um traço forte pode ser dado neste próximo final de semana. Da noite de quinta a domingo, teremos a tradicional Festa Social na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração – Instituto Padre Nicolau, em Itajubá-MG. Participe com sua família. Não faltarão boa comida e alegria.

Paulo R. Labegalini
Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 314 - 8 Maio 2017
Minha mãe, Maria
Maio, mês dedicado a Maria Santíssima. Rezamos mais vezes a Salve Rainha, a Ave Maria, e coroamos a imagem da nossa Mãezinha, oferecendo-lhe uma música que expressa todo amor do Pai a essa criatura maravilhosa: ‘Perfeito é quem te criou’. Uma das frases diz: ‘Se o Criador te coroou, te coroamos, ó Mãe, nossa Rainha!’. Abaixo de Jesus, ninguém supera as virtudes e o poder da Mãe de Deus.

E embora sabendo que não merecemos tantas graças que Ela derrama sobre nós, continuamos pedindo e sendo atendidos; aliás, se não fosse pela intercessão dela, eu não estaria escrevendo este artigo. Meus filhos e netos também não estariam gozando de tanta saúde e paz se não tivéssemos pegado no terço e rezado constantemente por eles.

É por isso que publiquei há anos o livro ‘Minha Vida de Milagres’. Nele, eu conto todas as bênçãos que recebemos de Maria Santíssima. O livro anterior, ‘Mensagens que Agradam o Coração’, eu também ofereci a ela. Escolhemos a pessoa certa para nos proteger e agradarmos a Deus.

E como Deus abençoa quem ama sua querida Mãe, recebi de um outro filho apaixonado por Ela esta reflexão:

“Certo dia, notei que num canto da mesa alguém havia colocado uma mensagem que dizia: Você quer ser gente? Então decore e vivencie estes 12 pontos:

1 - Três coisas devemos cultivar: o esforço, a verdade e a perseverança.

2 - Três qualidades devemos preservar: o caráter, a nobreza e a humildade.

3 - Três colunas devemos manter de pé: a calma, o otimismo e a serenidade.

4 - Três flores devemos plantar: a caridade, o bem e a cordialidade.

5 - Três tesouros que devemos sempre acumular: os amigos, a cultura e a família.

6 - Três sentimentos que devemos expulsar: a cobiça, o medo e o rancor.

7 - Três fontes inesgotáveis de energia para revigorar: a terra, o céu e o mar.

8 - Três bandidos devemos banir: o pessimismo, a covardia e o desânimo.

9 - Três legados preciosos devemos defender: a honra, a dignidade e a honestidade.

10 - Três diamantes devemos burilar: o trabalho, a justiça e a alegria.

11 - Três galhos devemos podar: a língua, a indisciplina e a maledicência.

12 - Três irmãs gêmeas que devemos nutrir: a fé, o amor e a esperança.”

No momento em que li estas virtudes, pensei em Maria. Ela, com certeza, soube praticar como ninguém todos estes pontos. Também por isso foi a escolhida entre todas as mulheres para gerar o próprio Deus em seu ventre. Hoje, como Mãe da Igreja, assume todos os nossos problemas e nos alivia das preocupações quando nos abandonamos em seu colo.

Temos que imitar aquela que é citada mais de uma dezena de vezes na Bíblia: na anunciação, na visita a Isabel, no sonho de José, no nascimento de Jesus, na fuga para o Egito, no recenseamento, no encontro de Jesus no Templo, nas bodas de Caná, na cura dos enfermos, ao pé da cruz, no cenáculo, no apocalipse de São João... Em cada passagem, estava uma mulher parecida com o povo brasileiro - sofrido, mas repleto de esperança em Deus.

Temos que despertar mais para Maria de Nazaré: usando escapulário, fazendo peregrinações a templos marianos e, principalmente, rezando o Terço.

Ó Maria concebida sem pecado, Mãe amantíssima, rogai por nós que recorremos a vós; e que seja feita a vontade de seu santo Filho, Jesus.

Paulo R. Labegalini
Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 313 – 6Maio 2017
Qual a sua maior missão?
Este título pode fazer muita gente fugir desta leitura por várias razões: não se interessar pelo assunto; não aceitar refletir sobre o tema; não desejar mudanças em sua vida; e o mais preocupante: temer vestir a carapuça dos pecados que escolheu. Por outro lado, quem se dispõe servir a Deus, nada teme e sempre procura melhorar. Portanto, se você for continuar lendo, tenha este objetivo: crescer na fé e mudar de direção, se necessário.

Estamos nos aproximando do meio do ano e o que temos de bom para oferecer a Jesus em 2017? E sua grande missão na vida, como vai? É importante saber que vocação é uma coisa e missão é outra. Digo isto porque já ouvi pessoas afirmando que abraçaram a missão de pai, ou de professora, ou de jogador de futebol etc. Na verdade, cada um destes casos se refere à vocação e não à missão.

Vocação é um chamado que predispõe o talento de cada um. De acordo com nossas aptidões, desempenhamos atividades diversas e colocamos os dons que recebemos de Deus a serviço de alguma causa – até mesmo pessoal. Por sua vez, a missão nos é conferida por alguém e podemos abraçá-la ou não. Quando aceita, assumimos um sério compromisso e passamos a ter uma nova obrigação a cumprir.

Todos nós, cristãos, temos duas missões em comum: amar a Deus e servir o próximo. E se alguém lhe perguntasse se você tem vocação pra isso, o que diria? Se fosse comigo, eu responderia que o amor é o único dom presente em todo ser humano. E como doar esse amor só depende de mim; posso fazê-lo com liberdade a quem desejar, principalmente adorando o meu Criador e ajudando os mais necessitados.

Havia um menino que começava alguma tarefa e logo a largava desinteressado. Certo dia, seu pai pegou uma lente e lhe disse:

- Preste atenção que quando o sol incide na lente e eu não concentro o foco num ponto desta folha de papel, nada acontece. Agora, mantendo o ponto de luz imóvel por algum tempo, o papel se incendeia e surge um furo.

Este princípio também se aplica a tudo que fazemos. Para alcançarmos qualquer êxito na vida e agradarmos a Deus é indispensável concentrarmos os esforços na missão que recebemos. Tudo é questão de paciência, tempo e comprometimento. Às vezes, quando estamos prestes a desistir, rezamos e a solução do problema aparece.

Agora você pode concluir a respeito do foco que tem dado às maiores missões de sua vida. Inspire-se nesta frase de Samuel Johnson:

“As grandes obras são executadas, não pela força, mas pela perseverança.”

Paulo R. Labegalini
Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ – Editora Cléofas.

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Mensagem da Semana - Nº 312 – 28 Abril 2017

AS SETE CHAVES

Um dia li que, segundo o padre vicentino Lucas de Almeida, temos sete chaves para abrirmos o coração e lermos a Bíblia de forma libertadora, agradável e correta. As chaves são fáceis de encontrar, pois estão simbolizadas em nosso próprio corpo. Através delas, encontraremos a Palavra de Deus e entendemos melhor o sentido escondido atrás das mensagens. Eis as chaves:

1. Pés plantados na realidade – Para ler a Bíblia bem, é preciso olhar para a vida, conhecer a realidade pessoal, familiar e comunitária do país e do mundo. É preciso conhecer também a condição na qual viveu o povo de Deus. A Palavra não caiu do céu prontinha; ela nasceu das lutas, das alegrias, das esperanças e da fé de um povo.

2. Olhos bem abertos – Um olho deve estar sobre o texto e o outro na própria vida. O que fala o texto da Bíblia? O que fala o texto da vida? A Palavra de Deus está na Bíblia e na vida, e precisamos ter olhos para enxergá-la.

3. Ouvidos atentos – Um ouvido deve escutar o chamado de Deus e o outro escutar o irmão. Às vezes, o chamado é o mesmo!

4. Coração livre para amar – Ler a Bíblia com sentimento, com a emoção que o texto provoca. Só quem ama a Deus e o próximo pode entender o que o Todo-poderoso fala na Escritura e na vida. Existe um coração pronto para viver em conversão?

5. Boca para anunciar e denunciar – Aquilo que os olhos viram, os ouvidos ouviram. E o coração, sentiu a Palavra e a vida?

6. Cabeça para pensar – Usar a inteligência para meditar, estudar e buscar respostas para nossas dúvidas. Ler também outros livros que nos expliquem a Bíblia.

7. Joelhos dobrados em oração – Só com muita fé e oração dá para entender a Palavra e a vida. Pedir o dom da sabedoria ao Espírito Santo para entender a Bíblia.

Além das chaves que abrem nossos corações, o mesmo sacerdote recomenda algumas regras de ouro para a leitura da Santa Palavra, que são:

1. Ler todos os dias – Quando tivermos vontade e quando não tivermos também. É como um remédio: com ou sem vontade, tomamos porque é necessário.

2. Ter uma hora marcada para a leitura – Descobrir o melhor período do dia para ouvirmos Deus.

3. Marcar a duração da leitura – O ideal é que seja, no mínimo, de 30 a 40 minutos por dia.

4. Escolher um bom lugar – É bom lermos no mesmo lugar todos os dias. Deve ser um local tranquilo, silencioso, que facilite a concentração e favoreça a criação de um clima de oração. Se, num determinado dia, não pudermos fazer o trabalho no lugar escolhido, não faz mal. Em qualquer lugar e em qualquer hora devemos ler. O importante é lermos disciplinadamente todos os dias.

5. Ler com lápis na mão – Sublinharmos e anotarmos: as passagens mais importantes, tudo aquilo que chamar nossa atenção, e as coisas que Deus falar de modo especial ao nosso coração. Isso facilitará encontrarmos as passagens quando precisarmos delas.

6. Fazer tudo em espírito de oração – Termos um diálogo com Deus: escutarmos, nos sensibilizarmos, chorarmos etc. É um encontro entre duas pessoas que se amam. Quando rezamos, falamos a Deus; quando lemos as Sagradas Escrituras, é Deus quem nos fala.

7. Decidir aplicar os ensinamentos – Para agradar a Deus e caminhar para a eternidade, temos que ser obedientes à Palavra; portanto, quanto antes decidirmos colocá-la em prática, melhor. As oportunidades que teremos para servir o irmão necessitado são limitadas e não podemos desperdiçá-las, mesmo porque dificilmente passaremos pelas mesmas leituras futuramente.

Bem, na verdade, esta sétima regra eu introduzi por considerar que vivemos planejando melhorias em nossa vida e sempre deixamos para depois. Damos desculpas diversas achando que Deus aceita e perdoa tudo. É bom sabermos que também existe a justiça Divina avaliando as nossas atitudes.

Temos que estar sempre vigilantes, porque parte de nós é vontade, mas a outra parte é cansaço; parte de nós é esperança, mas a outra é medo; parte de nós é crença, mas a outra é dúvida; parte de nós é caridade, mas a outra parte é ambição. Porém, nunca deixe de acreditar, porque parte de Deus é amor, e a outra também.

Deixe Jesus Cristo cuidar de tudo e não se arrependerá. Faça de conta que você é inquilino d’Ele e considere que assinaram um contrato que precisa ser fielmente cumprido. Pense na multa contratual muito alta que fatalmente pode lhe trazer sérios prejuízos. E na casa que alugou, coloque Nossa Senhora como governanta. Peça que Ela arrume tudo direitinho para você e que não permita que o Patrão seja ofendido. Pecados? Nem pensar!

Dá para adequar isso à realidade? Com certeza, muito mais felizes são aqueles que conseguem obedecer a Deus e entregar seus problemas à Virgem Maria. Então, para experimentar essas bênçãos, pegue agora mesmo as sete chaves e repasse algumas cláusulas do ‘contrato’. Sabe onde se encontra a sua Bíblia?

Paulo Roberto Labegalini
Itajubá-MG

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Mensagem da Semana - Nº 311– 13 Abril 2017

AS DECISÕES ACERTADAS QUE TOMEI

Os fatos abaixo foram alguns passos importantes que dei na vida e que, em cada momento, mudaram completamente o meu destino. Para tecer esses comentários, omitirei os nomes completos das pessoas envolvidas.

Em 1972, após um ano de namoro, eu e a Fátima nos separamos. Passados alguns meses, ela foi a um baile de formatura em São Paulo, onde eu residia, e chorou o tempo todo ao me ver com outra namorada. Aquilo me comoveu, me fez ver o quanto ela ainda me amava, voltamos a namorar e estamos juntos até hoje. Que baile marcante, hein?

Após um ano, no último dia de carnaval em Monte Sião, conversando com um colega – Zezinho – que também cursaria o terceiro colegial, fui convidado a estudar com ele para o vestibular. Se eu aceitasse, teria que me desligar do emprego em São Paulo e me mudar para lá. Não demorou muito para eu rasgar a passagem de ônibus do dia seguinte e dizer que iria ser engenheiro. Aquela decisão deu início à minha carreira profissional.

Mais três anos se passaram e, numa aula do professor Hermeto, a nossa turma foi desafiada a fazer um exercício de Mecânica Geral no quadro negro. Como ninguém se prontificou e percebendo a decepção dele conosco, resolvi enfrentar o problema. Meio aos ‘trancos e barrancos’, consegui chegar à solução, fiquei motivado a continuar aprendendo o assunto e me tornei monitor da matéria. Considero que abracei a docência naquele dia e, formado, trabalhei na UNIFEI por 36 anos!

Depois, muita coisa aconteceu, mas, vou direto a 1992. Muitas pessoas sabem que fiquei internado em Campinas-SP e só tinha dois por cento de chance de sair vivo do hospital. Graças a muitas orações, fui curado e passei a ter mais ânimo para encarar novos desafios. Então, no ano seguinte, o professor Turrioni me animou a fazer doutorado com ele na USP e, como as demais decisões, foi rápida e abençoada.

E, agora, vem o mais importante, que aconteceu em 1997 na Capela de Nossa Senhora da Agonia. Ao final da missa, o amigo Valadão anunciou que estavam precisando de pessoas para ajudar na comunidade. De pronto, fui ao seu encontro, comecei a grande missão de evangelização em minha vida e, tenho certeza, não há volta, pois experimentei o Amor do Pai e vivo aceitando os seus chamados.

Esses chamados acontecem a toda hora e, vários, influem até hoje em tudo o que faço para o Reino de Deus. Eis aqueles convites que melhor recordo: do Manezão, para eu ser vice-presidente da Associação Nossa Senhora da Agonia; do Ernani e da Meire, para ser Vicentino; do Pacheco, para escrever semanalmente no jornal ‘O Sul de Minas’; do Luiz Antônio, para participar da Tribuna Independente, na Rede Vida; do Cesário, para gravar o primeiro CD; da Ângela do Aldo, para escrever um livro de artigos católicos; da Helena, para ingressar na Pastoral da Comunicação; do Inácio, para a Pastoral Familiar; do Júlio César, me indicando para colunista de jornais e revistas Vicentinos; do José Vítor, para animar os encontros da Escola de Caridade Antonio Frederico Ozanam; do Paulinho, para fazer concurso no Instituto Federal em Pouso Alegre; enfim, isso não tem fim!

Como eu nunca disse ‘não’ aos chamados, continuo caminhando para entrar em muitas outras portas que Deus me abrirá, porque sei que posso contar com as orações da minha mãe, dos familiares e amigos; posso sempre recorrer à intercessão do meu pai, dos parentes falecidos e de muitos santos protetores; posso continuar contando com os bons comportamentos de minha esposa e filhos, que me dão paz suficiente no dia-a-dia; e conto, ainda, com a bênção maior daquela que é a paixão da minha vida: Nossa Senhora.

Se eu tivesse comido uma batata a cada decisão acertada que tomei, já teria engordado tanto que não poderia sequer andar; mas, pensando bem, não foi quase isso que Jesus fez por nós? Só que, ao contrário, Ele foi assumindo os nossos erros e acabou, realmente, sem poder andar – pregado na Cruz! Eu, pelo menos, aprendi que é mais fácil caminhar com oração e acertar em cada decisão do que pecar e não ter sempre alguns ‘anjos’ de prontidão.

Convite: a Semana Santa chegou. Não deixe de participar. Deus conta com você!

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Mensagem da Semana - Nº 310- 7 Abril 2017

HISTÓRIA OU REALIDADE?

Na semana passada, escrevi sobre o poder da oração e continuo convicto de que as maiores necessidades do homem podem ser obtidas com os joelhos no chão. Pena que nem todos pensem assim e muitos insistem em não crescerem na fé. Quando as pessoas participam do cursilho, por exemplo, saem dizendo: ‘Quanto tempo eu perdi na vida sem rezar e praticar caridade!’.

Sabemos que o tempo perdido não pode ser recuperado, mas, Deus permite que os arrependidos entrem no Céu; então, por que a teimosia de alguns em não aceitar o terço nas mãos ou um altar santo à sua frente? Seria medo do compromisso futuro de estarem sempre sendo chamados ao serviço gratuito? Exceto isso, não sei o que pensar porque completamente ateu ninguém é.

Conheço a história de um homem chamado Jacinto que não entrava na igreja perto de sua casa há anos. Aos domingos, quando saía na janela, via muitos entrando e um mendigo na porta pedindo esmolas. Achava isso normal e não se compadecia dele. O tempo foi passando e o homem descrente começou a ficar incomodado pensando no dinheiro que aquele pobre arrecadava na calçada. Resolveu, então, fazer as contas.

Levantou bem cedo e, assim que o mendigo chegou, começou a marcar quantas notas iam para o chapéu colocado no chão. Obcecado com a quantidade de dinheiro ali depositado, Jacinto até se esqueceu do almoço para não deixar de contar tudo direitinho. À noite, o pobre velho se levantou e saiu andando com uma sacola na mão.

O proprietário da casa bonita da praça não aguentou de curiosidade e foi atrás. Ele queria saber qual era o bar que o ‘safado’ iria parar e beber pinga até cair. Andou mais de uma hora seguindo o senhor que mancava e caminhava com dificuldade. Chegando a um terminal de ônibus, viu o mendigo forrar o chão com jornal e se acomodar para dormir. Mais uma vez, Jacinto pensou indignado: ‘Safado! Só não vai beber hoje porque os bares já estão fechando. Aposto que amanhã ele enche a cara’.

Quando voltou pra casa, aquele homem insensível ao sofrimento alheio assustou-se ao perceber outro senhor pedindo esmolas na porta da mesma igreja, e foi logo concluindo: ‘Ah, já sei! Um segura o lugar pro outro e aqui ninguém mais tem vez’. E voltou para a janela querendo saber qual seria a arrecadação daquele pobre coitado.

Tarde da noite, o mendigo se acomodou por ali mesmo e dormiu. Jacinto se sentiu realizado com a conclusão que aquilo dava muita grana. Mal amanheceu o dia e ele correu até o terminal de ônibus para saber como o primeiro pobre gastaria o dinheiro. Esperou ele acordar e o seguiu pela avenida.

Andaram mais uma hora e meia até avistarem outra igreja. Assim que entraram, o velho depositou o saco de dinheiro no altar e se ajoelhou para rezar. Jacinto não estava entendendo nada e ainda tinha esperanças que aquilo terminasse em cachaça; porém, logo veio o padre, pegou o dinheiro e deu um abraço naquele senhor que rezava.

Enquanto conversavam, o mendigo que dormiu na calçada perto da outra igreja também entrou. Fez o mesmo gesto: depositou o dinheiro no altar e se ajoelhou para rezar. Jacinto só pensava besteiras e repetia baixinho: ‘Que diabos é isso?’. Já atrasado para o trabalho, aguentou firme sentado no banco até que os dois velhos deixassem o local.

Jacinto os alcançou e foi logo perguntando:

– Perdoem minha curiosidade, mas tenho uma quantia para doar e gostaria de saber se esta igreja está precisando do dinheiro.

– Toda igreja precisa – respondeu um deles.

– Mas, aqui, qual o principal uso da esmola, vocês sabem?

– Sim, sabemos. Estão construindo um hospital para crianças com câncer.

– Quem deve se preocupar com isso é o governo e não a Igreja! – disse Jacinto.

– Pode ser, mas nós já perdemos filhos porque não pudemos pagar o tratamento e não queremos que isso volte a acontecer com outros pais.

Jacinto estremeceu com aquilo que acabava de ouvir e, gaguejando, resolveu abrir o jogo:

– Eu moro na praça onde vocês esmolam e ontem percebi que o senhor não almoçou nem jantou!

– Eu me acostumei a comer pouco. Quando meu filho estava doente, eu oferecia o meu jejum pela sua cura e valeu a pena.

– Como valeu a pena se ele morreu?

– Ele não morreu. Deixou de sofrer e vive lá no Céu junto a Jesus e a Maria. Hoje eu pratico o bem porque quero estar com eles um dia.

Mais uma vez, Jacinto ficou sem palavras. Voltou-se para a igreja e viu pessoas entrando. Muito lentamente, também entrou e colocou um dinheiro no cofre. Em seguida, olhou para a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós no altar e rezou com as palavras que sabia: ‘Ave, cheia de graça! Bendito é o vosso fruto, Jesus. Santa, mãe de Deus, rogai por nós na hora da nossa morte. Amém!’.

Imagine agora, leitor(a), você no lugar daquele homem... O que faria daquele dia em diante? Deixaria de rezar e praticar a caridade diariamente? Se tiver dúvidas do destino do dinheiro do dízimo na igreja, procure o sacerdote da sua comunidade e pergunte. Você não irá se frustrar e Deus vai lhe agradecer – sempre colocando anjos para lhe acompanhar. Assim seja!

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Mensagem da Semana - Nº 309- 31 Março 2017

ABRINDO O CORAÇÃO

Há fatos na vida que demoramos para comentar e, às vezes, ficam em segredo para sempre. Os motivos são diversos e dependem do espírito de cada um. Eu, por exemplo, tenho alguns critérios que julgo serem condizentes com o serviço que presto na Igreja Católica: não conto histórias que possam vir a prejudicar alguém ou humilhar quem quer que seja.

Por isso, me policio para divulgar somente aquilo que contribui para a promoção da vida, o crescimento da fé e a salvação da alma. Também quando tenho certeza que algumas pessoas pensariam que estou exagerando na conclusão da graça recebida, deixo de relatar.

Hoje, porém, resolvi abrir o coração e trazer à tona parte do que ficou pra trás. Estarei me expondo um pouco mais e envolvendo alguns amigos nos relatos, mas, por ser tudo verdade, pode contribuir para novas conversões.

Um dia, meu amigo Paulo Augusto Bonaldi foi à minha sala na UNIFEI para pedir oração. Na época, ele confessou que rezava pouco, mas confiava na oração dos amigos. Estava meio desesperado, com uma dor no pé que não passava há meses. Segundo ele, já havia consultado vários médicos e feito muitos tratamentos, sem resultados de melhora.

Bem, eu aceitei o compromisso de ajudá-lo com orações e pedi que também o fizesse, mas, com maior frequência e confiança. Pouco tempo depois, ele voltou e trouxe a boa notícia que estava curado. No primeiro agradecimento que me fez, expliquei que apenas fui um dos agentes intercessores da graça recebida, pois, sua esposa também rezou e contribuiu bastante para isso. A cura o ajudou a confiar mais na oração e, por iniciativa própria, começou uma novena e alcançou outra graça.

Como nem só notícia ruim corre de boca em boca, o Bonaldi encontrou-se com o médico Jarbas de Brito e confidenciou que Nossa Senhora era íntima comigo. Então, muito tempo depois, eu assumi outro compromisso: rezar pela cura das aftas do Jarbas que o incomodavam há anos. E mais uma vez a graça aconteceu! O fato foi tão marcante em sua vida que ajudou a reacender a fé em seu peito.

Mais histórias como estas de cura pela oração eu teria para contar em detalhes aos montes, mas, o que concluir disso tudo? Já pensei muito a respeito e tirei minhas conclusões.

Em primeiro lugar, sei que não tenho poder algum de estar curando pessoas, apenas sou atendido em alguns casos por ter pequenos méritos com Deus. Como nunca digo ‘não’ aos chamados de evangelização, Ele me atende quando o pedido é de Sua vontade.

Segundo, o meu amor por Nossa Senhora é tão grande que minha Mãezinha não deixa de me conceder graças. Tudo o que preciso, coloco em suas mãos e confio plenamente no seu poder. Se Jesus veio ao mundo por Ela, também continuarão vindo bênçãos sobre bênçãos por meio d’Ela.

E um terceiro ponto importante a considerar é que há inúmeras intenções que rezo há anos e ainda não foram atendidas. Por quê? Bem, o nosso tempo é diferente do tempo de Deus e cada um receberá o que merece na hora certa. Quem já alcançou alguma graça maravilhosa, tem o compromisso de viver com dignidade cristã e ajudar na construção do Reino; e quem continua carregando sua pesada cruz com oração, o Céu o espera para mostrar quão bela é a recompensa.

Eu publiquei um livro pela Editora Santuário – ‘Minha Vida de Milagres’ – onde digo que tenho sido muito abençoado após minha conversão em 1994. Passei a rezar mais, trabalhar em várias pastorais e ajudar os necessitados. Isso não está ao alcance de todos? Só não participa desses trabalhos comigo quem não quer.

E quando caminhamos com Jesus e Maria no coração, os sinais não param de chegar. Num sábado, na dúvida se poderia ou não comungar por estar sem confessar há meses, acabei não indo à mesa do altar. No dia seguinte, durante a missa, eu disse a Jesus que não tinha nenhum pecado mortal no coração e, pedindo perdão pelos pecados menores, fui recebê-lo na Eucaristia. Pois bem, sem perceber, a ministra colocou duas Hóstias em minha mão! Julguei que Jesus quis ‘repor’ minha comunhão do dia anterior.

Para concluir o quanto devemos nos entregar nas mãos de Deus, eis um testemunho do Monsenhor Jonas Abib:

“Vivi uma experiência inesquecível há algum tempo. Numa missa, percebi uma alergia muito intensa na mão de uma pessoa que ia receber a Eucaristia. No momento em que coloquei a Hóstia em sua mão, a alergia desapareceu. Durante todo o restante do rito da comunhão fiquei me perguntando: ‘Senhor, o que vi foi mesmo real ou foi impressão minha? O Senhor curou?’. Após a comunhão, tive a coragem de anunciar aquela cura e falei em voz alta: ‘Onde você estiver, se manifeste e mostre para as pessoas a sua mão’. A resposta foi imediata: com lágrimas nos olhos, a pessoa mostrou a todos sua mão curada!”

Acredito que haverá muito mais a contar quando Deus me revelar novas curas. Assim seja!

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Mensagem da Semana - Nº 308- 24 Março 2017

INVEJA E AMBIÇÃO

Havia uma tartaruga que vivia num lago com dois patos. Eles sempre foram amigos, mas, ela tinha muita inveja de tudo que os via fazendo. Um dia, quando os patos resolveram fazer um passeio a um lugar distante, a tartaruga perguntou:

- O que irão fazer lá?

- Vamos comer coisas diferentes para nos fortalecer - respondeu um dos patos.

- Eu também quero ir.

- Mas, voando, como podemos levá-la?

- Vocês seguram com o bico as pontas de um graveto e eu mordo no meio.

- Tá certo, mas, você não pode falar nada durante a viagem para não cair. Nós voamos bem alto, sabia?

E partiram em busca de novos alimentos. Lá de cima, a tartaruga vivia uma experiência maravilhosa, coisa que nunca pensou conseguir. De repente, ela avistou um parque de diversões com uma roda-gigante imensa, e acabou dizendo:

- Eu também quero andar...

Quando percebeu que se soltou do graveto, já era tarde. Ela caiu na rocha e morreu. Então, um pato falou pro outro:

- Demorou, mas, sua inveja a matou!

Pois é, se a inveja e a ambição não existissem no coração do homem, a partilha no mundo seria completamente diferente. Santo Agostinho disse: “Buscai o suficiente para vós e não queirais mais, porque tudo o que excede o necessário, oprime e não eleva, pesa e não honra”.

Mas, como disseminar a caridade nos corações endurecidos pelo pecado da ganância? Sabemos que tudo começa pela oração, porém, com certeza, a prioridade ainda é o gesto concreto. O fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo, Antonio Frederico Ozanam, falou: “Deixa a tua oração, se um irmão te pede um copo de água”. E, mais recentemente, Mário Quintana definiu bem aqueles que só pensam em si:

“Louco é quem não procura ser feliz com o que possui. Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de fome. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir o desabafo do amigo. Paralítico é o que não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. Diabético é quem não consegue ser doce. Anão é quem não deixa o amor crescer. E miseráveis são todos que não conseguem falar com Deus.”

Quem já sabia disso há dois séculos era São João Maria Vianney. Vivia em Ars, uma aldeiazinha de 230 habitantes, e somente pôde aprender a ler aos 18 anos de idade. Sentiu-se chamado para o sacerdócio, mas não foi capaz de seguir o curso normal de seminário porque não conseguiu dominar o latim e a filosofia. Mesmo assim, o bispo resolveu ordená-lo, embora achando que ele nunca teria discernimento suficiente para atender confissões.

Aconteceu exatamente o contrário. Padre Vianney revelou-se extraordinário apóstolo do confessionário, com luzes sobrenaturais que o faziam converter os pecadores e reconciliá-los com Deus. Começaram a vir peregrinos de toda a França e até do estrangeiro, desejosos de se confessarem ou lhe pedirem orientação.

Desde 1830 até sua morte, vinham anualmente 100 mil pessoas a Ars, o que perfazia uma média de mais de 270 por dia! Para atender a tanta gente, o zeloso pároco precisava passar de 12 a 18 horas diárias no confessionário. Levou uma vida muito sacrificada durante 35 anos. Foi canonizado em 1925, sua festa aconteceu em 4 de agosto e é venerado como padroeiro dos párocos.

É impressionante como tanta gente chegou ao Céu por dar exemplos cristãos fascinantes e, ainda hoje, aprendemos tão pouco. Quanto mais lutamos para melhorar de vida, mais pensamos em comprar e mais nos esquecemos do pobre. Até quando fecharemos os ouvidos para as necessidades dos que sofrem? Adianta ficarmos xingando os corruptos se o nosso dinheiro também não é partilhado?

O Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Emérito Bento XVI, um dia escreveu esta oração:

“Senhor Jesus Cristo, ajuda-nos não só a acompanhar-te com nobres pensamentos, mas a caminhar pelo teu caminho com o coração; mais ainda, com os passos concretos da nossa vida quotidiana. Liberta-nos do medo da cruz, do medo diante da troça dos outros, do medo que a nossa vida possa escapar-nos se não aproveitarmos tudo o que ela nos oferece. Ajuda-nos a desmascarar as tentações que nos prometem a vida, mas cujas consequências nos deixam, no fim, sem objectivo e desiludidos. Ajuda-nos a não nos fazermos senhores da vida, mas, a dá-la. Acompanhando-te pelo caminho do grão de trigo que cai na terra para dar muito fruto, ajuda-nos a encontrar, ‘perdendo a nossa vida’, o caminho do amor - que nos dá verdadeiramente a vida em abundância.”

Amém!

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Mensagem da Semana - Nº 307- 17 Março 2017

AS DUAS FACES DA MOEDA

Você sabe quem é capaz de provocar inúmeras alterações na vida de algumas pessoas que têm com ele contato mais estreito? Pois bem, eis algumas dicas:

– Pode mudar completamente a filosofia de vida de alguém, pois reverte sua postura perante os outros. Há, ainda, aqueles que se tornam seus servos. Noutros, ele altera radicalmente o senso de justiça porque é, realmente, muito poderoso.

– Em cada país, veste-se com roupagem diferente e atende sob diversas denominações, mas em todo lugar tem seus adoradores. Aqueles que entendem o seu verdadeiro objetivo, o têm para promover a paz e o bem-estar social. Ele também mantém empregos, permite pesquisas científicas importantes, impulsiona a tecnologia, fomenta a educação e a saúde de muita gente.

E agora, você já sabe de quem é que estou falando? O dinheiro? Sim, é isso mesmo! O dinheiro, por si só, é neutro; o que faz a diferença é o valor que cada um lhe atribui. Sem dúvida, é um valioso recurso para servir de alavanca ao progresso da humanidade e não há nada de errado possuí-lo em abundância.

O que ocorre é que, quase sempre, o colocamos acima da promoção do ser humano. Salvo as honrosas exceções, o homem – que deveria ser o senhor – se submete a ele totalmente, tornando-se escravo por opção. Dispõe-se a servi-lo a qualquer custo e, muitas vezes, vende a honra, a dignidade, a fidelidade às leis e até a própria vida – como temos visto na política.

O cidadão insensato torna-se mesquinho e arrogante, negando até mesmo a existência de Deus e elegendo o dinheiro como o todo poderoso, ao qual presta reverências. Já o homem prudente, o usa para conquistar a liberdade na Terra e o descanso eterno no Céu. Como aplicar esse recurso, é apenas uma questão de escolha.

Mas, se no início deste artigo, você pensou que eu estava falando de Jesus, também acertou. Releia os três primeiros parágrafos e confirme que as afirmações podem se referir ao nosso Senhor. Quem O aceita, muda radicalmente de vida, passa a adorá-Lo e consegue promover a paz, concorda? Em cada lugar, O exaltam com denominações próprias: Cristo, Menino Jesus de Praga, Senhor do Bonfim, Ressuscitado, Salvador, Cordeiro de Deus, Rei dos Reis, Javé, Filho do Altíssimo, Espírito Santo etc.

Logicamente que ser servo de Jesus é bem diferente de ser escravo do dinheiro. Quem serve a Deus, sabe que os últimos serão os primeiros, enquanto que quem adora a fortuna, só se esforça para acumular riquezas aqui na Terra. E quem ama a Deus partilha; já quem ama demasiadamente o dinheiro, prefere esbanjá-lo sempre. Enfim, estar com Jesus só faz bem, mas o mesmo nem sempre acontece quando temos muito dinheiro.

Nem é novidade dizer que ser rico não é pecado, porém, o mau uso da riqueza pode nos fazer perder os valores espirituais que nos levariam à salvação. Por isso é que Jesus disse que dificilmente um rico entra no Reino do Céu. E para ficar mais claro tudo o que estou escrevendo, vamos refletir nesta história:

Três homens viajavam pelo deserto e, após duas semanas de caminhada, ficaram perdidos. O velho camelo que os levava também adoeceu e não podia suportar mais tempo sem tratamento. Desesperados, começaram a rezar e, no entardecer de mais um dia de sofrimento, avistaram um mercador montado num belo animal.

Correram pra junto dele e pediram que os levasse, mas, a resposta foi preocupante:

– Só vou levar um de vocês. Quando amanhecer, quem me pagar mais pela viagem, será transportado na traseira do meu camelo.

Cansados e assustados, começaram a preparar o local de pouso sem mais nada conversar. Assim que o sol apareceu, só dois homens estavam ali. Perceberam que o outro companheiro os roubou e seguiu viagem com o mercador. Começaram, então, a lamentar:

– Por que não tive a mesma ideia? Eu era o mais forte dos três e podia ter conseguido o dinheiro na hora!

– Mas, eu é que tinha mais dinheiro no bolso! Se tivesse feito a oferta e pago ontem à noite, teria garantido o meu lugar.

Foi quando viram uma coberta enrolada na areia. Dentro, havia uma folha com o seguinte recado do mercador: ‘A atitude do amigo de vocês irá condená-lo ao fogo do inferno. Agora, cabe a vocês se salvarem, pedindo perdão dos pecados e confiando na graça de Deus’. E aqueles dois homens ainda se dividiram nas opiniões:

– Quem ele pensa que é para nos aconselhar? Se não fosse a sua proposta gananciosa, ainda teríamos alguma chance de sairmos daqui.

– Calma, companheiro! Vamos rezar e pedir a Deus que as pegadas na areia não se apaguem logo. Com certeza, aquele mercador foi enviado em resposta às nossas preces.

Em seguida, saíram caminhando: um atrás da vingança e o outro, quem sabe, buscando entrar novamente numa igreja. Naquele momento, o dinheiro no bolso não fazia nenhuma falta, mas o Espírito Santo no coração fazia toda a diferença.

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Mensagem da Semana - Nº 306- 11 Março 2017

A ESPERANÇA CONTINUA

Era uma vez, uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo. Era uma ave diferente de todas as outras por ser encantada. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar; mas, o da menina voava livre e vinha quando sentia saudades.

Suas penas também eram diferentes e mudavam de cor – sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde ele voava. Certa vez, voltou totalmente branco, com uma cauda enorme de plumas fofas como algodão, e disse:

– Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua. Trouxe nas minhas penas um pouco do encanto que vi, como presente para você.

E assim ele cantava canções e contava histórias daquele mundo que a menina nunca vira, até que ela adormecia e sonhava que voava nas asas do pássaro. Outra vez, voltou vermelho como fogo e com um penacho dourado na cabeça; e de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. Também a ave amava a menina, pois voltava sempre, mas chegava a hora da tristeza...

– Tenho que ir amanhã – ele dizia.

– Por favor, não vá. Fico tão triste, terei saudades e vou chorar.

– Eu também terei saudades, também vou chorar, mas, assim como as plantas precisam da terra, você precisa do ar e os peixes precisam da água, o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza na espera da volta que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudades, deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.

E, mais uma vez, ele partiu. A menina chorava de tristeza à noite imaginando se o pássaro voltaria. Numa dessas noites, ela teve uma ideia malvada: ‘Se eu o prender na gaiola, ele nunca mais partirá e será meu para sempre. Jamais terei saudades e ficarei feliz’.

Com este pensamento egoísta, comprou uma linda gaiola – própria para um pássaro que se ama muito – e ficou à espera. Finalmente ele chegou maravilhoso, com suas novas cores e lindas histórias. Foi então que a menina, cuidadosamente, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E ela adormeceu feliz, até acordar de madrugada com um gemido triste do pássaro.

– Ah, menina, o que é que você fez? Quebrou o meu encanto! Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das histórias. Sem a saudade, o amor irá embora.

A menina não acreditou e pensou que ele acabaria por se acostumar; mas, isso não aconteceu. O tempo foi passando e o pássaro ficando diferente. Caíram suas plumas – os vermelhos, os verdes e os azuis transformaram-se num cinzento triste. Deixou também de cantar.

A menina se entristeceu e percebeu que aquele não era o pássaro que ela amava. De noite, ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu melhor amigo. Enfim, não mais aguentou e abriu a porta da gaiola.

– Pode ir, amiguinho, e volte quando quiser.

– Obrigado, minha linda. Você sabe que preciso partir para que muitas coisas boas aconteçam dentro de mim. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita e se enfeitará para me esperar.

Então, voou para lugares distantes, enquanto a menina contava os dias. Cada hora que passava, a saudade crescia.

– Que bom, meu pássaro está ficando encantado de novo – pensava ela.

E ia ao guarda-roupa escolher os vestidos, penteava seus cabelos e colocava flores nos vasos. Quase sempre dizia à mãe:

– Nunca se sabe, pode ser que ele volte hoje!

Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro, porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum continente ele haveria de voltar. E ela repetia:

– Que mundo maravilhoso que guarda em alguma cidade o pássaro que eu amo!

E foi assim que, cada noite que ia para a cama, ela ficava com o coração triste de saudade, mas feliz com a esperança de vê-lo novamente.

– Quem sabe ele voltará amanhã?

Ela dormia e sonhava com a alegria do reencontro...

Da mesma forma, não prenda a caridade no seu coração. Deixe-a partir às casas dos pobres e ela voltará dando mais sentido à sua vida. Estando fechada dentro de você, muitas histórias bonitas deixarão de ser contadas e o mundo será menos colorido.

Quem pratica a caridade sabe que, mesmo quando descansa à noite, Deus abençoa e cura sua vida. Portanto, há uma gaiola dentro de você que precisa estar sempre aberta: o seu coração. Nele, o amor sai e a graça entra, permitindo uma amizade muito próxima com Jesus Cristo. Ele mantém viva a esperança de chegarmos ao Céu porque, lá também, a porta está aberta.

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Mensagem da Semana - Nº 305 - 2 Março 2017

ANIMAIS IRRACIONAIS

Deus criou o burro e disse-lhe:

- Trabalharás de sol a sol carregando fardo no lombo, comerás capim, não terás inteligência alguma, viverás 30 anos e serás burro.

O pobre animal respondeu:

- Serei burro, mas viver 30 anos é muito. Senhor, dá-me apenas 10 aniversários.

E Deus lhe deu 10 anos de vida.

Depois, criou o cachorro e disse-lhe:

- Vigiarás a casa do homem e serás seu melhor amigo. Comerás os ossos que ele te jogar e viverás 20 anos.

Por reclamar do longo tempo de vida comendo ossos, Deus lhe deu apenas 10 anos.

E o Criador preparou outro animal, dizendo:

- Serás macaco, pularás de galho em galho fazendo macaquices. Serás divertido e viverás 20 anos.

O macaco também reclamou de ficar fazendo micagens durante toda a vida e conseguiu reduzir 10 anos na sua existência.

Enfim, o Todo-poderoso criou o ser humano e declarou:

- Serás homem, o único animal racional sobre a face da Terra. Usarás tua inteligência para te sobrepores aos demais animais e à natureza, dominarás o mundo e viverás 30 anos.

O humano esperto respondeu:

- Senhor, sendo o mais inteligente dos animais, viver 30 anos é muito pouco! Dá-me os 20 anos que o burro rejeitou, mais 10 anos que o cachorro não quis e também outros 10 que o macaco dispensou.

- Está bem. Terás 30 anos como homem; casarás e passarás a viver 20 anos como burro, trabalhando e carregando fardos; serás aposentado pelo INSS, vivendo 10 anos como um cachorro, vigiando o lar e chupando ossos; e depois ficarás velho e viverás mais 10 anos como macaco, pulando de casa em casa, de um filho para outro, fazendo macaquices para divertir os netos.

E assim terminou a história da criação dos animais, segundo os piadistas de plantão.

Bem, logicamente que não dá para concordar com isso, mas não deixa de ser um conto engraçado. Agora, se quisermos levar o relato um pouco mais a sério, será que não existem algumas boas verdades na brincadeira? Quanta gente come capim para sobreviver, é tratado como cachorro em hospitais e vive pulando de galho em galho por não ter onde morar!

Outros, em situações financeiras privilegiadas, fazem pouco uso da inteligência e vivem como burros, sem religião. Quando se consideram superiores no ambiente rico que frequentam, fazem macaquices para chamar a atenção. E alguns até ameaçam morder se ameaçados!

Veja, a intenção não é desfazer de ninguém, mas é impressionante como há semelhanças de pessoas com animais irracionais, tipo: rato, cavalo, pavão, peixe, preguiça, e outros que nem vale a pena citar. E esta reflexão tem mais sentido quando a inserimos no contexto da desigualdade socioeconômica do nosso Brasil. Nisto, somos o segundo país do mundo! Se aqui não houvesse tantos ratos e cobras traiçoeiras, a situação seria outra, concorda?

E o que fazer para mudar? Moisés, por exemplo, foi um grande exemplo de como devemos enfrentar os problemas que surgem em nosso trajeto. Logo de início, já dá pra dizer que as maiores dificuldades, geralmente, estão no comportamento injusto e teimoso da própria pessoa.

O primeiro episódio decisivo da vida de Moisés termina em fracasso - quando ele enfrenta e mata um egípcio que maltratava um escravo hebreu. No dia seguinte, falou com outros hebreus e foi incompreendido. Teve que fugir para não ser preso e só depois de 40 anos trabalhando como pastor de ovelhas foi chamado ao exercício da liderança.

Não foi uma liderança que caiu do céu, pois ele teve que construí-la passo a passo, gesto por gesto. Para isso, soube fortalecer suas qualidades, que se tornaram mais poderosas do que seus pontos fracos, tais como: falta de confiança em si próprio, dificuldade na comunicação, medo de assumir desafios e ira.

Confiante em Deus, tornou-se persistente, justo, prudente, estrategista, aberto a novas ideias, carismático, solidário, disciplinado, humilde e paciente. E os resultados dessas mudanças acredito que todos saibam, mas que fique bem claro que os frutos que colheu se fundamentaram na fé.

Algumas sabedorias populares poderiam traduzir esse sucesso com as seguintes frases:

‘Os tristes acham que o vento geme; os alegres e cheios de esperança afirmam que ele canta’. ‘O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos’. ‘Somos todos anjos com uma asa só, e só podemos voar quando abraçados uns aos outros’.

Quem quiser melhores conselhos, sugiro que consulte o Livro da Sabedoria. No momento, prefiro afirmar o seguinte: ‘O tempo de vida que você dedica a Deus e foge dos pecados o coloca no Céu ou no Inferno’. Corra para o seu objetivo como um leopardo ou retarde a sua chegada como uma tartaruga. Isso depende de bom senso e, principalmente, do seu instinto racional.

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Mensagem da Semana - Nº 304 - 17 Fevereiro 2017

O QUE É MAIS IMPORTANTE?

Um homem encontrou uma lâmpada mágica e, ao libertar o gênio, soube que teria direito a dez desejos pessoais, mas, dois de cada vez e sem poder repeti-los. E foi logo pedindo:

- Eu quero muitas mulheres e bastante dinheiro. Que maravilha! Ele mal pode acreditar naquilo que estava vendo: lindas garotas e malas de notas de cem à sua frente! Porém, com o tempo, suas namoradas gastaram tudo o que tinha e foram embora. Então, percebeu que precisava saber administrar o que o gênio lhe concedia, e pediu novamente:

- Dê-me fama e beleza. De repente, começou a ser convidado para desfiles de moda e ficou conhecido em todo lugar, mas era pouco comunicativo e logo caiu no esquecimento. Nervoso porque não tinha feito os pedidos certos, mais uma vez tentou:

- Agora, desejo um bom emprego e muita inteligência. Achando que enfim tinha acertado, passou algum tempo sendo um executivo de sucesso, mas ficou gravemente doente e foi demitido. Inconformado com a falta de sorte que lhe rondava, resolveu fazer um pedido diferente:

- Saúde e amigos sinceros. Tudo caminhou bem por muito tempo, até que ficou triste por estar sempre repetindo os mesmos programas e perdeu a vontade de sair de casa. Ao chamar o gênio novamente, foi alertado que só restaram dois pedidos. Pensou bastante e concluiu:

- Preciso de vida longa e paz de espírito. O bom gênio sorriu, deu-lhe uma Bíblia e disse-lhe:

- Meu amo, aqui está o segredo de tudo. Perseverando na fé, você constituirá uma família cristã e, através da caridade, terá paz e ganhará a eternidade.

E você, leitor, o que pediria para não errar na primeira tentativa? Os dois maiores Mandamentos, segundo Jesus, teriam chance de fazerem parte da sua decisão? Quantas pessoas da sua família você acha que diriam: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a mim mesmo’?

Eu acredito que se a pesquisa fosse feita no nosso país, a maioria pediria ‘dinheiro e felicidade’. Bem, sabemos que só dinheiro não leva ninguém para o Céu, muito pelo contrário, se assim fosse, não haveria ninguém tão rico porque saberiam repartir com os pobres. E felicidade, o que significa ser feliz para você?

Se não der para resumir numa única colocação, o gênio também não saberia como lhe atender, concorda? E se os seus critérios de felicidade não condicionarem sua permanência junto de Deus, eu discordo. Sem estar caminhando com o Espírito Santo, ninguém é feliz de fato e toda alegria resultará em nada.

Em minhas orações, eu sempre peço: ‘Paz, saúde e fé’. Com isto, eu corro atrás do resto e alcanço a minha felicidade e a de muita gente que posso ajudar. Mas, se eu também tivesse que fazer apenas dois e não três pedidos, ficaria com ‘fé e saúde’.

Veja, perseverando na fé, eu cresceria em espiritualidade e nunca deixaria de amar a Deus e ao irmão. Ainda, com fé, não perderia a esperança de buscar a paz através da oração. E o segundo desejo - a boa saúde - viria como complemento para cumprir a missão que Deus me reservou.

Fechando o raciocínio, eu diria que há coisas que são bonitas no papel, mas, na prática, não acontecem porque muitos dizem ser filosofia barata. No caso dos dois últimos pedidos que citei, são possíveis de serem concretizados por quase todas as pessoas.

Quem já tem saúde para se divertir e fazer tantas outras coisas, só falta perseverar na fé! Isso se consegue facilmente em grupo quando estamos firmes numa Comunidade. Sozinho é meio difícil, mas participando de alguma Pastoral, uns motivam os outros e o fervor nos impulsiona ao trabalho missionário.

Concluo, que não podemos nos deixar levar pelo comodismo, egoísmo e falta de tempo. Com humildade, perdão e oração, iremos longe! No capítulo 10 de São Mateus, Jesus diz: “Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas... Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós... E sereis odiados por todos, por causa do meu nome; mas aquele que se mantiver firme até o fim será salvo”.

Portanto, o caminho da salvação está aberto para todos e não há como desvincular a nossa vida com a missão de servir a Deus. Quem reconhece isso e abre o seu coração, conta também com a santa proteção de Nossa Senhora a todo momento. Agora, quem ainda acha que a diversão é mais importante do que a oração e a caridade, sugiro que pegue a Bíblia e se oriente melhor.

Há uma pequena história a respeito de um diálogo entre dois amigos, assim:

- Neste final de semana, ao invés de ir à missa, vamos pescar?

- Não - respondeu o outro.

E viveram felizes para sempre.

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Mensagem da Semana - Nº 303– 12 Fevereiro 2017

ACEITE O FILHO

Eis uma linda história que me contaram:

Um senhor extremamente rico vivia com muita fartura. Bens materiais ele tinha todos, mas, não conseguia dar à esposa aquilo que ela mais desejava: um filho. Após muitos anos tentando ter a criança tão esperada, um tratamento no exterior permitiu que o herdeiro viesse ao mundo.

Devido ao parto prematuro, o menino nasceu com alguns problemas de saúde e foi crescendo tomando muitos remédios. Aos doze anos, ele contraiu uma doença seríssima e, antes de morrer, quis pintar um quadro com a melhor qualidade que conseguisse; porém, por estar na cama de um hospital, as pinceladas não saíram tão bonitas. Mesmo assim, o quadro foi colocado na sala da mansão da família após sua morte.

Pouco tempo depois, os pais do menino perderam a vontade de viver e foram se entregando nas mãos de Deus, até que faleceram também. E por não terem parentes próximos, deixaram uma fortuna em quadros famosos a uma creche da cidade. Todos foram a leilão, inclusive o quadro do filho.

Assim que o leiloeiro deu início aos lances, começaram a gargalhar quando viram que aquela primeira obra era de péssima qualidade. Todos só olhavam para os Van Gogh e Picasso que viriam depois, mas, o leiloeiro insistiu:

– Tenho ordens de não prosseguir o leilão enquanto este quadro não for vendido.

Como nenhuma oferta foi feita, uma senhora de idade se levantou no fundo da sala e disse:

– Minha gente, perdoe a minha intromissão, mas trabalhei na casa do benfeitor da creche e proprietário destes quadros. Sei que este que está sendo leiloado foi pintado com muita dificuldade motora e também sou testemunha que o menino artista era muito amado pelos pais. Se ninguém quiser comprá-lo, dou vinte reais e vinte centavos por ele. Só não dou mais porque não tenho.

Muitos continuaram rindo e um senhor gritou:

– Vamos, venda logo a ela para que possamos prosseguir o leilão.

E quando o quadro foi arrematado pela senhora, o leiloeiro leu um bilhete deixado pelo ricaço falecido, assim: ‘Quem comprar a obra do meu filho, terá direito de ficar com todas as outras’.

Pois é, a senhora não investiu apenas vinte reais e vinte centavos naquilo que deu valor, mas investiu tudo que tinha na obra do filho! E nós, será que também valorizamos a obra do Filho de Deus a ponto de nos doarmos completamente para nos tornarmos herdeiros do Pai? Quanto vale pra você o sacrifício do Filho na Cruz?

E para não ficar a impressão de que já perdemos muito tempo na vida e agora não adianta mais tentarmos um lugarzinho no Céu, lembre-se do bambu chinês. Depois de plantar sua semente, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um pequeno broto. Todo crescimento é subterrâneo: uma complexa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra. Então, ao final do quinto ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de vinte e cinco metros!

Muitas coisas na vida são iguais ao bambu chinês. A gente investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir o crescimento pessoal e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos; mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, o ‘quinto ano’ chegará e, com ele, virão mudanças jamais imaginadas.

Sempre é preciso muita ousadia para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita profundidade para agarrar-se ao chão. Bem, mas continuar preso à terra ainda é mais fácil do que se aproximar do Céu, porém, com humildade, caridade e paciência, vamos buscando a santidade. Não devemos perder as esperanças em obter a cura do corpo e da alma, porque foi o próprio Filho quem disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10, 10).

Então, sugiro que deixemos as ‘obras mais famosas’ para serem disputadas nos leilões da vida e passemos a buscar a maior obra de todas: aquela que pode ser partilhada e não custa caro. O preço justo por ela não está no bolso de cada um, mas no coração. Quem souber valorizar os ensinamentos do Evangelho, estará oferecendo sua gratidão a Deus e investindo sua vida para herdar a eternidade no Paraíso.

Nenhuma tecnologia de ponta pode produzir fé, esperança e caridade nas pessoas como você, se quiser. Basta acreditar que o Espírito Santo estará ao seu lado na luta contra o mal, e nunca é tarde para começar. Nem mesmo os pecados cometidos o atrapalharão. Recorde que a única diferença entre a traição de Pedro e a do outro apóstolo – Judas Iscariotes – foi o comportamento que tiveram depois: Judas, em desespero, se enforcou; Pedro, arrependido, chorou amargamente e pediu perdão.

O santo morreu crucificado de cabeça para baixo e foi sepultado na Colina do Vaticano, onde hoje está a grande Basílica de São Pedro. Não precisamos morrer como ele, mas também nunca devemos deixar de aceitar o Filho – nem em pensamento!

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Mensagem da Semana - Nº 302- 4 Fevereiro 2017

COMPROMISSO DE PERDOAR

Um dia, um aluno me pediu uma folha em branco para refazer a primeira questão da prova. Olhando o espaço disponível, eu lhe disse que poderia riscar os erros e resolver o exercício na própria página. Em casa, ao corrigir a questão, logicamente não considerei a parte nula e dei valor àquilo que ele havia acertado.

Bem, mal comparando, Deus também age assim conosco; aliás, ao invés de riscar o passado, Ele sempre permite que usemos uma nova folha em branco. E reflita comigo se não é maravilhoso podermos confessar os pecados, sermos perdoados por tudo que fizemos de errado e, ainda, escrevermos uma nova história que nos levará à salvação!

Tudo isso só depende de cada um de nós, mas, infelizmente, muita gente diz que acredita em Deus só da boca pra fora, porque na hora de deixar de pecar e aceitar os Mandamentos, prefere continuar repetindo os erros. E - o pior! - deixando de se confessar, a folha de sua vida continuará manchada e será avaliada com fatos condizentes à condenação.

Ainda bem que já queimei uma papelada imensa ao receber Sacramentos nas confissões que fiz. Agora, continuo escrevendo numa folha limpa e espero não sujá-la tão cedo; porém, se isso acontecer, pedirei ao querido Pai uma nova página, prometendo caprichar mais na história que estarei vivendo. Mas, é importante lembrar que a falta de perdão já é um pecado!

Ainda refletindo na educação que muitos recebem na escola, contam que um professor pediu aos alunos que trouxessem uma sacola de casa. Depois, mostrando um saco de batatas que se encontrava na sala de aula, solicitou que pegassem uma batata para cada pessoa que os magoou, e algumas sacolas ficaram muito pesadas!

A tarefa seguinte consistia em carregar consigo a sacola durante uma semana para onde quer que fossem. Com o tempo, as batatas foram se deteriorando, ficou incômodo carregá-las o tempo todo e ainda sentir o mau cheiro. Foi assim que os alunos entenderam a lição de que carregar mágoas é tão ruim quanto carregar batatas. Perceberam, também, que perdoar e deixar os ressentimentos irem embora é a única forma de viver em paz e aliviar o peso do sofrimento.

Agora, que tal jogar fora suas ‘batatas’? Não é muito melhor sorrir ao invés de estar triste desejando mal para os outros? Se eu lhe perguntasse se tem experiência em perdoar ou guardar mágoa, tenho certeza que responderia: ‘Sim, já fiz as duas coisas’.

Então, veja se concorda que quase todo mundo: já fez bola de chiclete e lambuzou o rosto; já passou trote por telefone; já raspou o fundo da panela de arroz doce; já escreveu no muro da escola; já sentiu medo do escuro; já gritou de felicidade; já roubou flores num jardim; já chorou por ver amigos partindo; e já descobriu que, apesar de tudo, a vida continua.

Foram tantas coisas iguais guardadas no nosso coração que chegamos à conclusão que não vale a pena deixar de perdoar sabendo que tudo passará com o tempo, queiramos ou não. E assim como há semelhanças entre pessoas, também há diferenças, e quem insiste em guardar mágoa, na verdade tem vergonha de ser igual aos bons e perder a identidade - além de desobedecer a Cristo!

Você sabe por que a maioria das pessoas fracassa em seus sonhos? Não é por falta de capacidade, mas, sim, por falta de compromisso. O compromisso produz entusiasmo e gera recompensas cada vez maiores. Nada cai do céu de mão beijada! A Bíblia nos diz: “Esforça-te e tem bom ânimo, estou contigo por onde quer que andares” - Josué 1, 6.

Não adianta você ficar sentado esperando um milagre; faça alguma coisa. Lute com a verdade! Reze! Verifique na história da humanidade e conclua que não conhece uma só pessoa que tenha sido vencedora sem ser disciplinada. A disciplina é a chama através da qual o talento se transforma em capacidade.

Roy Smith disse: “Você produzirá muito mais se fizer uso do chicote contra si mesmo”. Isto significa que disciplina com compromisso fará de você o que a maioria das pessoas não poderá ter: sucesso! Quem sabe hoje você precisa tomar esta decisão: romper com tanta coisa que lhe faz mal, fazendo uma limpeza no coração. Deus dá a vara de pescar, mas você tem que buscar a isca!

Jogue fora aqueles sentimentos de tristeza, de menosprezo, de mágoa, de ódio, de injustiça contra você. Pare de remoer o passado, de abrir mão do direito de fazer justiça, de colocar diante de Deus sua frustração por não conseguir o que você quer.

Se você caiu, levante-se! Se você perdeu, tente de novo! Nunca é tarde para reconstruir e recomeçar sua vida. Não deixe para amanhã. Decida hoje. Comece hoje. Você vai vencer se souber aliar: perdão, compromisso, verdade, disciplina e oração. Ninguém vai detê-lo!

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Mensagem da Semana - Nº 301 - 27 Janeiro 2017

O VALOR DE CADA UM

Há muito tempo, um aluno foi procurar o professor em seu gabinete de trabalho, dizendo:

- Venho aqui porque não tenho forças para fazer mais nada. Dizem que não realizo bem as tarefas, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar e conseguir que me valorizem mais?

- Sinto muito, meu jovem, mas agora não posso orientá-lo porque devo resolver com urgência um outro problema. Se quiser me ajudar, tento desocupar mais cedo e conversaremos sobre aquilo que lhe perturba.

- Claro, professor. O que preciso fazer?

- Pegue este meu anel com brilhantes, monte no cavalo e vá até o mercado. Venda-o pelo maior preço que conseguir para que eu possa pagar uma grande dívida, mas não aceite menos do que trinta moedas de ouro, entendeu?

Mal chegou ao mercado e o rapaz percebeu que ninguém se interessava pelo anel. Uns riam e outros nem davam atenção quando ouviam a proposta de trinta moedas de ouro pelo objeto. Somente depois de oferecer a todos, ele voltou à sala do professor contando os fatos:

- Infelizmente é impossível conseguir o que me pediu. Tenho ofertas de moedas de prata e bronze, mas, nenhuma de ouro porque dizem que não vale essa quantia!

- Bem, então, temos que ter certeza do valor do anel. Vá ao joalheiro e pergunte o quanto ele paga, mas não o venda agora, seja por quanto for.

Chegando à joalheria, o jovem acompanhou o profissional examinar com cuidado a joia: primeiro com uma lupa e depois com testes de reagentes e pesagem. Em seguida, veio a oferta:

- Embora valha 70 moedas, no momento só posso lhe pagar 60 se quiser vendê-lo com urgência.

- Moedas de prata ou de bronze?

- Não, eu estou falando de moedas de ouro!

O garoto, emocionado, foi correndo contar ao mestre o que ocorreu e, depois de explicar, ouviu do professor:

- Eu já sabia que isso iria acontecer e o fiz aprender mais uma lição. Lembre-se que você, meu jovem, é como este anel: uma joia valiosa e única! Poucas pessoas podem descobrir o seu verdadeiro valor, mas isso não o desvaloriza jamais.

E voltando a colocar o anel no dedo, completou:

- Você me convenceu a não me desfazer do meu precioso objeto e espero tê-lo convencido a não desanimar ao ser julgado por pessoas que não conhecem o seu valor. Com humildade, prove a todos que têm muitas virtudes e a sua cotação irá subir no mercado.

Pois é, acho que algumas vezes já passamos por isso, não? Há fases na vida que precisamos de palavras amigas e muita oração para superarmos as dificuldades, mas tudo passa! Da mesma forma, quem se acha melhor do que os outros, um dia cai do pedestal - em vida ou após a morte. O ideal seria que pelo menos a autoconfiança nunca acabasse, permitindo que nos reerguêssemos com nossas próprias forças.

Isso é perfeitamente possível quando caminhamos com Jesus e Maria no coração. Eles nos impulsionam a não perdermos a esperança e até darmos força àqueles que mais precisam. E há pessoas que são carentes de algumas palavras apenas, o que se torna muito fácil de remediarmos quando nos comprometemos em ajudar o próximo.

Também é importante lembrar que da mesma maneira que gostamos de receber ajuda nas dificuldades, todos gostam, e uns precisam muito mais da nossa compaixão do que imaginamos, como neste próximo caso:

Um jovem disse ao abade do mosteiro:

- Eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida exceto jogar xadrez. Por ser uma bela e nobre diversão, quem sabe se este lugar não está precisando de mim?

O abade estranhou o pedido, mas pegou um tabuleiro, chamou um velho monge e solicitou que jogasse com o rapaz. Antes de começar a partida, porém, acrescentou:

- Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todos fiquem praticando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro e abrirá uma vaga para você, meu jovem.

O abade falava sério e o rapaz sentiu que jogava sua própria vida. Começou a suar frio e a olhar para o tabuleiro como se fosse o centro do mundo! E, com muita habilidade nas jogadas, atacou o monge que, mesmo perdendo, não escondia seu olhar de santidade.

Vendo a serenidade do adversário, o rapaz começou a errar de propósito, afinal, não seria justo entrar para o mosteiro daquele jeito. De repente, o abade colocou  o tabuleiro no chão, dizendo:

- Jovem, você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram. Primeiro, concentrou-se para vencer e foi capaz de lutar pelo que desejava. Depois, teve disposição para sacrificar-se por uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque mostrou que sabe equilibrar a justiça com a misericórdia.

Portanto, leitor, em todo julgamento precisa haver justiça e em todo sofrimento precisa haver compaixão. Assim, cada um sempre terá o valor que merece e receberá a caridade que agrada a Deus.

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Mensagem da Semana - Nº 300 - 22 Janeiro 2017
 

ESTE PERSONAGEM É VOCÊ? 

Certa vez, sentei-me num banco da igreja e ouvi o padre dizer: ‘Precisamos de alguém para dar aulas de catequese. Quem assumirá essa tarefa?’ Eu senti Deus ao meu lado, sussurrando: ‘Filho, essa é pra você’. Simplesmente respondi: ‘Senhor, falar pra tanta gente, é uma coisa que não sei fazer! O Carlos seria o homem ideal para ser chamado, pois não há o que ele não saiba desempenhar. Eu prefiro ficar aqui rezando’.

 

Outro dia, sentado no mesmo banco e ouvindo o coral ensaiar, escutei o maestro dizendo: ‘Precisamos de uma pessoa para ser a voz principal nos cantos. Quem quer assumir essa responsabilidade?’. E novamente Deus me falou: ‘Filho, essa é com você’. Eu discordei: ‘Senhor, cantar diante de uma multidão é coisa que não posso fazer! Mas, há o Jonas que poderá realizar isso muito bem. É melhor eu ficar ouvindo as músicas sentado aqui no banco’.

 

No mês seguinte, quando voltei à igreja, uma senhora anunciou no microfone: ‘Preciso de uma pessoa para atuar como anfitrião na entrada. Quem aceita essa tarefa?’ E Deus completou no meu ouvido: ‘Filho, isso é algo que você pode fazer!’ Pensei por um momento e argumentei: ‘Mas, Senhor, ficar falando com estranhos é coisa que não me dá prazer. O Mário é que sabe dar boas-vindas às pessoas como ninguém! Ele não é retraído como eu, que posso continuar cumprimentando a todos aqui do banco’.

 

Os anos se passaram, até que numa noite eu fechei os olhos e sonhei que estava na praia perto do Céu. Éramos quatro caminhando para a eternidade: Carlos, Jonas, Mário e eu. Deus nos disse: ‘Eu preciso de três de vocês para um trabalho no Paraíso’. Imediatamente me apresentei: ‘Senhor, não há nada que eu não faria para lhe servir. Pode contar comigo’. Ele respondeu: ‘Obrigado, meu filho, mas, não há bancos no Céu’.

 

Acordei assustado e comecei a rezar. Pedi à Virgem Maria que me ajudasse a quebrar as barreiras que me impediam de participar ativamente numa comunidade católica, e logo veio a resposta. Um anjo apareceu e conversamos sobre o assunto. Ele começou perguntando:

 

- Quantos animais você tem em casa?

 

- Dois: um gato e um cachorro.

 

- Quando você chega de carro, qual deles o recebe com mais entusiasmo?

 

- É claro que é o cachorro! Ele vem correndo no portão e apronta o maior barulho, além de pular em mim e continua latindo até lhe dar um pouco de atenção.

 

- E o gato, o que faz nessa hora?

 

- Ele fica na dele e não solta um miado sequer. Às vezes eu nem percebo que está na sala! Só depois de algum tempo é que se aproxima e passa o rabo em mim.

 

- Isso muda de vez em quando ou é sempre assim?

 

- Nunca muda. Todos os dias é a mesma coisa porque é o instinto deles!

 

- Ah, falando em instinto, e vocês seres humanos, se parecem mais com gatos ou cachorros?

 

- Bem, depende. Quando algo nos interessa, também falamos alto e chamamos a atenção de todo mundo; mas, se não estamos interessados, nos comportamos como gatinhos mimados.

 

- Você, por exemplo, é um ‘gato’ ou um ‘cachorro’ para servir a Deus?

 

- Eu nunca pensei nisso, mas, me desculpe, eu não vejo comparação nesse tipo de coisa.

 

- Pense, então, quando você vai à missa e vê pessoas acolhendo aqueles que chegam. Eles ficam na deles ou vão de encontro aos fiéis?

 

- É, concordo que agem meio como ‘cachorros’ neste caso.

 

- E os agentes do grupo de canto, ficam quietinhos ou colocam os dons a serviço com alegria e bocas no microfone?

 

- Mostram uma alegria parecida com o meu cachorro, com certeza!

 

- E você, já agiu assim alguma vez na comunidade?

 

- Olha, seu anjo, pra ser sincero, eu sempre fiquei na minha, nunca fiz festa com ninguém e nem me ofereci para estar junto com os grupos que trabalham. Devo concordar que sou mais parecido com o meu gatinho realmente.

 

- Sorte sua que a vida continua lhe dando oportunidades de consertar os erros do passado, mas, saiba que isso só aconteceu porque você rezou pedindo ajuda e não há nada que Nossa Senhora não atenda. Portanto, seja um ‘bom cachorro’ ao se aproximar das pessoas e um ‘feliz gatinho’ quando já tiver feito a sua parte.

 

- Puxa, que lição maravilhosa! Devo começar agora?

 

- Sim, se ofereça para ajudar numa Pastoral e aguarde outros chamados aparecerem. Faça tudo com oração, obediência, amor no coração, e não se arrependerá.

 

- Agradeça à Mãezinha por mim. Eu sempre a respeitei como Mãe de Deus e Mãe de todos nós, cristãos.

 

- Você mesmo pode agradecê-La, rezando o Terço diariamente. Ela tem pedido isso aos seus filhos e poucos a atendem.

 

- Posso rezar deitado no banco aqui de casa?

 

Nota: Essas histórias foram inspiradas nas pregações de dois queridos irmãos cursilhistas - ‘cachorros bem ferozes’!

 

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Mensagem da Semana - Nº 299 - 16 Janeiro  2017

NÃO TEMA, CRÊ SOMENTE

O título deste artigo é uma frase do capítulo 5 de São Marcos. E antes de refletir melhor sobre o assunto, vou contar uma história.

“Um rei condenou seu humilde súdito à morte. O homem, prestes a ser executado, propôs e teve a concordância do rei, permitindo que ensinasse o cavalo real a voar. Caso não conseguisse no prazo de um ano, então sua sentença seria cumprida. Foi quando um companheiro de cela lhe perguntou:

- Por que adiar o inevitável?

- Não é inevitável. Das cinco possibilidades de ocorrência, as chances são quatro a uma a meu favor. Veja, dentro de um ano: o rei pode perder o trono; eu posso fugir; o cavalo pode morrer; ou posso ensiná-lo a voar! Só na pior hipótese, o animal pode não colaborar e acabarei morrendo.”

Bem, frequentemente nos vemos diante de obstáculos difíceis e aparentemente impossíveis de transpor, não é verdade? Por mais que busquemos soluções, elas parecem não existir. O primeiro impulso pode até ser desistir, mas, é preciso que jamais esqueçamos que para o nosso amado Deus todas as coisas são possíveis.

Assim, como o súdito da história, aprendamos a olhar a situação com otimismo. Para cada possibilidade adversa, muitas favoráveis poderão ser encontradas e, com muita fé e determinação, o que parecia impossível logo será realidade.

Mas, além da fé, é preciso ação! Por exemplo, se existem três sapos numa folha de vitória régia e um deles decide pular para dentro d’água, quantos sapos restam na folha? A resposta certa é: três sapos - porque o sapo apenas decidiu pular e não pulou.

Muitas vezes, decidimos fazer isso, fazer aquilo, mas acabamos não fazendo nada! Na vida, temos que tomar decisões - algumas fáceis e outras difíceis. A maior parte dos erros que cometemos não se deve às decisões erradas, mas, às indecisões. Temos que viver com as consequências das nossas decisões e isto é arriscar. Aliás, tudo é arriscar.

Rir é correr o risco de parecer um tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Expor ideias e sonhos é arriscar-se a perdê-los. Amar é correr o risco de não ser amado. Viver é correr o risco de morrer. Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar e tentar é correr o risco de falhar.

Os riscos precisam ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca, não faz nada e não tem nada. Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas, não aprende, não muda e não cresce. Também quem se entrega nas mãos de Deus e ‘arrisca receber uma grande graça’, é sempre aquele mais abençoado.

Porém, quanto mais aliados tivermos, menores serão os riscos de insucesso. Então, temos que aprender a nos aproximar das pessoas que nos cercam e este conto nos ensina a fazer isso:

“Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seu discípulo:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?

- Bem, porque desejamos que nos ouça melhor.

- Então, não é possível falar-lhe em voz baixa?

- Talvez sim, mas é difícil controlar!

- O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir essa distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro através da grande distância.

E o mestre continuou explicando:

- Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam! Falam suavemente porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena e, às vezes, seus corações estão tão próximos que nem falam, somente sussurram! E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham e basta.

Por fim, o pensador concluiu, dizendo:

- Quando discutir com alguém, não deixe que seus corações se afastem e não diga palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta. Pense nisso, meu amigo!”

Portanto, quando também você for discutir com alguém, lembre-se que o coração não deve tomar parte nisso. Se a pessoa não concordar com suas ideias, não é motivo para gostar menos dela ou se distanciar, ainda que por instantes. E quando pretender encontrar soluções para as desavenças, fale num tom de voz que permita uma aproximação cada vez maior.

Bem, podemos concluir dizendo que nossa vida é como a vida de um atleta. Estamos numa corrida e no final do percurso está Jesus, esperando para nos entregar pessoalmente a medalha de campeão. Ele nos encoraja a todo tempo, dizendo: ‘Força!’.

O nosso prêmio será tê-Lo em nossa vida para sempre; mas, lembre-se: para ser um atleta vencedor e correr poucos riscos de perder, você precisa de muito treino. Então, deixe que a oração traga Jesus para fazer parte da corrida para o Céu.

Coragem! Não esmoreça nunca! Mesmo que tudo indique o contrário, creia: o seu cavalo pode voar!

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Mensagem da Semana - Nº 298-  12 Janeiro  2017

RELACIONAMENTOS DE AMOR

Nas férias escolares, um garoto foi para o interior visitar os bisavós. Chegando à casa do casal de velhos, o netinho percebeu o carinho que um tinha pelo outro e sentiu-se à vontade para conviver alguns dias com eles.

Numa manhã, enquanto tomavam café, a bisavó falou para o marido:

– Meu bem, acho que hoje vai chover.

– Você está certa, meu amor – respondeu ele.

Passados alguns minutos, ela falou novamente:

– Pensei melhor e já sinto que não choverá hoje.

– Você tem razão, minha querida – disse ele prontamente.

Estranhando as respostas do bisavô, o menino cochichou no seu ouvido:

– Vô, você deu a mesma resposta para perguntas diferentes! Acho que a vovó não entendeu nada!

– É isso mesmo, Zezinho. Sabe que você tem razão?

A bisavó havia entendido sim, porque conhecia o marido que tinha. Ele não discutia e nem criava polêmicas por pouca coisa, apenas aceitava a opinião das pessoas para conviver em paz com todos. Por isso, vivia tão bem em família há anos, sem nunca ter brigado com ninguém!

Não dá vontade de ter esse espírito harmonioso sempre? Quem vive procurando confusão e aumentando o número de inimigos, será que tem consciência que Deus reprova seus atos? Jesus nos deu uma missão de pregar a união e a paz; então, que tipo de filhos maldosos e desobedientes nos tornamos?

Eu já disse por algumas vezes que só se afasta do Pai quem nunca viveu uma verdadeira experiência no Seu amor. E também foge da reflexão na Sua Palavra porque teme ser tocado no coração e precisar mudar de vida. Quem age assim, um dia, com certeza, irá se arrepender.

Um dia, enquanto tomava café, assisti uma entrevista do Ney Matogrosso. Ele disse que não tem religião e nunca precisou dela, mas comentou que já falou muito de sexo em suas músicas e agora irá passar mensagens espirituais. Acredito que essas mensagens serão meio vazias no conteúdo e irão agradar principalmente quem está afastado de Deus.

Jamais condenarei quem prega o amor, mas, além disso, o cantor não poderia atender outros desejos de Cristo? Às vezes, falta coragem para anunciar o Evangelho e fica cômodo enfocar apenas superficialmente alguma mensagem. Se Jesus não fosse até às últimas consequências – por amor a cada um de nós –, haveria ressurreição dos mortos? Seria pavoroso pensar em permanecer enterrado para sempre!

Há terapeutas ensinando a hipótese de que dentro de nós existem dois cachorros brigando – um bom e outro ruim. A cada dia, vence a briga aquele que alimentamos melhor. Quem se enfurece com o irmão, em nada ajuda à sua saúde física e mental. Além disso, a mancha do pecado cresce no coração e a alma vai se perdendo.

Portanto, todos ganham no relacionamento amoroso aprovado por Deus. E como paciência e bom senso estão em falta nos dias de hoje, é preciso que conheçamos muito bem os Mandamentos e façamos orações espontâneas para fugir das tentações. Ah, valorizar o irmão também é fundamental em qualquer relação, como mostra este texto:

“O homem é a mais elevada das criaturas e a mulher é o mais sublime dos ideais. O homem é o cérebro; a mulher é o coração – o cérebro fabrica a luz; o coração, o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas – a razão convence, as lágrimas comovem. O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios – o heroísmo enobrece, o martírio sublima.

O homem é um código, a mulher é um evangelho – o código corrige, o evangelho aperfeiçoa. O homem é um templo; a mulher é o sacrário – ante o templo nos descobrimos, ante o sacrário nos ajoelhamos. O homem pensa; a mulher sonha – pensar é ter no crânio uma larva, sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher é um lago – o oceano tem a pérola que adorna; o lago, a poesia que deslumbra. O homem é a águia que voa; a mulher é o rouxinol que canta – voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma.

Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra; a mulher, onde começa o Céu. Nós, homens e mulheres, agradecemos a Deus por fazermos parte de seu Reino – com o maravilhoso dom de servir” – Vitor Hugo.

Pois é, que bom seria se nos amássemos incondicionalmente e praticássemos todas essas virtudes. Tudo irá melhorar se a mudança começar por você!

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Mensagem da Semana - Nº 297- 2 Janeiro  2017

LEVANTE A CABEÇA

Há pessoas que vivem desanimadas com os problemas que enfrentam; outras, com dificuldades ainda maiores, esbanjam otimismo com certo grau de felicidade; e também há aquelas que julgam não ter grandes problemas na vida porque não se comovem com o sofrimento do próximo. Através da minha modesta opinião, vou comentar cada situação.

Bem, àquele que só vive reclamando e perdeu as esperanças de encontrar a paz, eu diria que precisa procurar ajuda espiritual e, às vezes, material ou psicológica também. Sei que cada caso é um caso e existem problemas dificílimos de solucionar, porém, com oração e dignidade cristã, Deus providencia dias melhores.

Quem já reza, participa de alguma Pastoral na Igreja e, mesmo assim, ainda sofre provações, pode testemunhar que a esperança nunca morre – a misericórdia Divina vem na hora certa e afaga cada coração. Isso aconteceu comigo por diversas vezes e, com certeza, com todas as pessoas que trabalham nas comunidades que ajudo. É por isso que sempre alertamos: ‘Quem não se aproxima do Pai por amor, acaba procurando-O na dor – o que é bem pior!’.

E o caso mais triste é daquele que só se preocupa consigo e não ajuda ninguém. Infelizmente, é o personagem que existe em maior número na face da Terra: está acima do bem e do mal, pensa que é feliz e despreza qualquer tipo de ajuda espiritual. Como sempre rezamos pela conversão dos mais pecadores, acredito que muitos ainda abrirão a mente e o coração para as graças que caem abundantemente sobre nós; caso contrário, verão a justiça severa do Altíssimo no dia da morte!

Há uma história interessante de um sábio que contava a todos o seguinte:

“Tenho duas caixas que Deus me deu para guardar. Ele disse: ‘Coloque as suas tristezas na preta e as alegrias na dourada’. Eu atendi e, embora a dourada ficasse cada dia mais pesada, a preta continuava tão leve quanto antes.

Curioso, abri a preta e vi na base da caixa um buraco pelo qual minhas tristezas saiam. Mostrei-a a Deus e disse-lhe: ‘Gostaria de saber onde minhas tristezas podem estar!’. Ele gentilmente falou: ‘Meu filho, elas estão aqui comigo’. Perguntei novamente: ‘Senhor, por que me deu a dourada inteira e a preta com buraco?’. Ele explicou: ‘A dourada é para você contar suas bênçãos e a preta é para você deixar vir a mim suas tristezas!’. Então, entendi que, se confiar n’Ele, não preciso me preocupar com a minha salvação.”

E para aumentar a nossa confiança em Deus, há uma oração maravilhosa, assim:

“Senhor Jesus, coloco-me diante de Ti tal como sou. Sinto grande desgosto pelos meus pecados e, por favor, perdoa-me. No Teu Nome eu também perdoo a todos por aquilo que fizeram contra mim. Renuncio a Satanás, aos espíritos malignos e a todas as suas obras. Dou-me inteiramente a Ti, Jesus.

Convido-te para minha vida, Senhor, e aceito-Te como meu único Salvador. Cura-me, transforma-me, fortaleça meu corpo, minha alma e meu espírito. Venha, Senhor Jesus, cubra-me com Teu precioso Sangue e encha-me do Teu Espírito Santo. Amo-te, Jesus, louvo-te agora e sempre. Seguir-Te-ei em todos os dias da minha vida.

Maria, minha Mãe, Rainha da Paz, São Miguel Arcanjo e toda milícia celeste, intercedam por mim e pela minha família. Amém!”

E como ‘receita de vida’, faço minhas estas palavras da Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade, Madre Teresa de Calcutá:

“O melhor meio de manifestar a nossa gratidão a Deus, assim como aos outros, é aceitar tudo com alegria. Um coração alegre concilia-se naturalmente com um coração abrasado pelo amor. Os pobres sentiam-se atraídos para Jesus porque Ele era possuído por alguma coisa maior do que Ele. Irradiava essa força nos Seus olhos, nas Suas mãos e em todo o Seu corpo.

Que nada possa inquietar-nos, até ao ponto de nos encher de tristeza e desencorajamento, arrebatando-nos a alegria da Ressurreição. A alegria não é uma simples questão de temperamento quando se trata de servir a Deus e às almas; ela está sempre a receber e essa é uma razão forte para nos esforçarmos por adquiri-la e fazê-la crescer em nossos corações. Mesmo que tenhamos pouco para dar, não obstante ficará a alegria que brota de um coração enamorado de Deus.

Por todo o mundo há pessoas famintas e sedentas do amor de Deus. Nós respondemos a essa carência quando semeamos a alegria. Ela é também uma das melhores defesas contra a tentação. Jesus não pode tomar plena posse de uma alma senão quando ela se abandona alegremente a Ele.”

Pois é, onde muitos veem a morte, alguns aproveitam a oportunidade para recomeçar melhor do que antes. E se você disser: ‘Perdi a esperança’; Deus dirá: ‘Perdi um filho’. Portanto, levante a cabeça e faça-se feliz em 2017 e em todos os dias de sua vida.

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Mensagem da Semana - Nº 296 - 1 Janeiro  2017

EM 2017, ALEGRIA POVO DE DEUS!

Quem vive nesta virada de ano deve levantar as mãos para o Céu e agradecer por ainda estar tendo oportunidades de se aproximar mais de Deus. E quanta coisa boa poderemos fazer juntos neste ano abençoado!

Eu costumo dizer que ninguém serve bem o Pai sozinho, por isso, tudo o que faço tem a participação de pessoas envolvidas em oração, comunicação, música católica e caridade. E se depender do meu estado de espírito, sempre haverá alegria e esperança nos trabalhos que o Senhor nos chama, porque só assim estaremos motivados para o serviço religioso, seja ele qual for.

A vida eterna que nos espera será regada com amor e paz no Paraíso ou com choro e ranger de dentes no inferno, por isso, como quero mostrar a Jesus Cristo que estou me preparando para assumir o lugar que Ele me reservou a seu lado, preciso estar sempre de bom humor e contagiar aqueles que me cercam.

Então, embora eu tenha muitos problemas a resolver no dia-a-dia, procuro olhar a vida pelo lado das graças que recebo e não pelas provações que enfrento. Quando me alimento, eu agradeço; quando acordo à noite, eu agradeço; quando aparece mais serviço para fazer, eu agradeço; e quando a doença aparece, confio na cura que irei experimentar.

Assim, tudo se torna muito mais fácil de resolver e a minha fé aumenta cada vez mais. Caminho com perseverança na graça porque a paz de espírito que sinto me impulsiona a viver o Evangelho. Também fico feliz por contar com a amizade de pessoas que alegram a minha vida. Tenho consciência que eu não seria tão calmo e paciente se não encontrasse gente assim no meu caminho.

Contam que um pai muito rico, antes de morrer, chamou o seu único filho e pediu que ele lhe prometesse se pendurar na forca, armada no celeiro, quando perdesse toda a fortuna da herança. O filho chegou a rir do pedido do pai, pois achava impossível jogar fora tanto dinheiro e ficar sem nada, mas, na insistência do velho, prometeu que assim o faria.

Anos depois, desesperado por gastar tudo em jogos e negócios mal feitos, o filho foi até o celeiro e, vendo a forca deixada pelo pai, colocou nela o pescoço e se atirou da escada. Para a sua surpresa, o pau que a sustentava era oco e, ao partir, caiu sobre ele uma Bíblia, um pouco dinheiro e um bilhete, dizendo: ‘Meu filho, esta é a sua última chance de entrar no Céu, aproveite-a’.

Da mesma forma, se Deus nos dá mais uma grande chance neste Ano Novo, vamos aproveitá-la com oração, trabalho e alegria. Salve 2017!

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Mensagem da Semana - Nº 301 - 27 Janeiro 2017

O VALOR DE CADA UM

Há muito tempo, um aluno foi procurar o professor em seu gabinete de trabalho, dizendo:

- Venho aqui porque não tenho forças para fazer mais nada. Dizem que não realizo bem as tarefas, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar e conseguir que me valorizem mais?

- Sinto muito, meu jovem, mas agora não posso orientá-lo porque devo resolver com urgência um outro problema. Se quiser me ajudar, tento desocupar mais cedo e conversaremos sobre aquilo que lhe perturba.

- Claro, professor. O que preciso fazer?

- Pegue este meu anel com brilhantes, monte no cavalo e vá até o mercado. Venda-o pelo maior preço que conseguir para que eu possa pagar uma grande dívida, mas não aceite menos do que trinta moedas de ouro, entendeu?

Mal chegou ao mercado e o rapaz percebeu que ninguém se interessava pelo anel. Uns riam e outros nem davam atenção quando ouviam a proposta de trinta moedas de ouro pelo objeto. Somente depois de oferecer a todos, ele voltou à sala do professor contando os fatos:

- Infelizmente é impossível conseguir o que me pediu. Tenho ofertas de moedas de prata e bronze, mas, nenhuma de ouro porque dizem que não vale essa quantia!

- Bem, então, temos que ter certeza do valor do anel. Vá ao joalheiro e pergunte o quanto ele paga, mas não o venda agora, seja por quanto for.

Chegando à joalheria, o jovem acompanhou o profissional examinar com cuidado a joia: primeiro com uma lupa e depois com testes de reagentes e pesagem. Em seguida, veio a oferta:

- Embora valha 70 moedas, no momento só posso lhe pagar 60 se quiser vendê-lo com urgência.

- Moedas de prata ou de bronze?

- Não, eu estou falando de moedas de ouro!

O garoto, emocionado, foi correndo contar ao mestre o que ocorreu e, depois de explicar, ouviu do professor:

- Eu já sabia que isso iria acontecer e o fiz aprender mais uma lição. Lembre-se que você, meu jovem, é como este anel: uma joia valiosa e única! Poucas pessoas podem descobrir o seu verdadeiro valor, mas isso não o desvaloriza jamais.

E voltando a colocar o anel no dedo, completou:

- Você me convenceu a não me desfazer do meu precioso objeto e espero tê-lo convencido a não desanimar ao ser julgado por pessoas que não conhecem o seu valor. Com humildade, prove a todos que têm muitas virtudes e a sua cotação irá subir no mercado.

Pois é, acho que algumas vezes já passamos por isso, não? Há fases na vida que precisamos de palavras amigas e muita oração para superarmos as dificuldades, mas tudo passa! Da mesma forma, quem se acha melhor do que os outros, um dia cai do pedestal - em vida ou após a morte. O ideal seria que pelo menos a autoconfiança nunca acabasse, permitindo que nos reerguêssemos com nossas próprias forças.

Isso é perfeitamente possível quando caminhamos com Jesus e Maria no coração. Eles nos impulsionam a não perdermos a esperança e até darmos força àqueles que mais precisam. E há pessoas que são carentes de algumas palavras apenas, o que se torna muito fácil de remediarmos quando nos comprometemos em ajudar o próximo.

Também é importante lembrar que da mesma maneira que gostamos de receber ajuda nas dificuldades, todos gostam, e uns precisam muito mais da nossa compaixão do que imaginamos, como neste próximo caso:

Um jovem disse ao abade do mosteiro:

- Eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida exceto jogar xadrez. Por ser uma bela e nobre diversão, quem sabe se este lugar não está precisando de mim?

O abade estranhou o pedido, mas pegou um tabuleiro, chamou um velho monge e solicitou que jogasse com o rapaz. Antes de começar a partida, porém, acrescentou:

- Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todos fiquem praticando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro e abrirá uma vaga para você, meu jovem.

O abade falava sério e o rapaz sentiu que jogava sua própria vida. Começou a suar frio e a olhar para o tabuleiro como se fosse o centro do mundo! E, com muita habilidade nas jogadas, atacou o monge que, mesmo perdendo, não escondia seu olhar de santidade.

Vendo a serenidade do adversário, o rapaz começou a errar de propósito, afinal, não seria justo entrar para o mosteiro daquele jeito. De repente, o abade colocou  o tabuleiro no chão, dizendo:

- Jovem, você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram. Primeiro, concentrou-se para vencer e foi capaz de lutar pelo que desejava. Depois, teve disposição para sacrificar-se por uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque mostrou que sabe equilibrar a justiça com a misericórdia.

Portanto, leitor, em todo julgamento precisa haver justiça e em todo sofrimento precisa haver compaixão. Assim, cada um sempre terá o valor que merece e receberá a caridade que agrada a Deus.

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Mensagem da Semana - Nº 338Outubro 2017

A SANTA MISSA

O Pe. Robert Degrandis, no livro ‘A cura pela missa’, diz que “o centro da fé católica é o sacrifício da missa. Devemos acreditar que a missa é muito mais do que até hoje imaginamos, porque ela é uma cerimônia de cura: na missa, Cristo transforma as nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Se realmente cremos em Jesus presente na hóstia consagrada, obteremos a integridade ao receber seu corpo em nós.”

Muitos outros religiosos enfatizam que as partes da santa missa constituem elementos de uma cerimônia de cura. Santo Agostinho, por exemplo, escreveu sobre as curas que testemunhou em sua igreja, como resultado de as pessoas receberem a Eucaristia.

É maravilhoso ir à casa de Deus e participar da celebração do grande mistério da vida, da morte e da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa fé, a nossa oração e o nosso louvor a Deus, nos colocam em estado de graça durante a missa.

Ao chegarmos na igreja, a água benta já se encontra à disposição para nos renovar em nome da Trindade: o Pai que nos criou, o Filho que nos salvou e o Espírito Santo que nos santifica, “porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20).

No decorrer da missa, somos perdoados pela Misericórdia Divina no ato penitencial, louvamos a Trindade Santa no hino de louvor, ouvimos a Palavra de Deus na proclamação do Evangelho, professamos a nossa fé no creio, fazemos os nossos pedidos na oração da comunidade, oferecemos as nossas vidas ao Senhor no ofertório, adoramos a Deus no canto do Santo, presenciamos a transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Jesus na consagração, recitamos a oração perfeita que o próprio Jesus nos ensinou no Pai-nosso e, após o Cordeiro, chegamos à comunhão.

Ao recebermos o corpo santo de Cristo no nosso, vivenciamos o imenso amor e a infinita misericórdia de Deus para conosco ao permitir que, mesmo pecadores, tenhamos a graça de receber a própria pessoa que cura – Jesus, o centro da missa. Principalmente por isso, após a comunhão, devemos rezar ou cantar, dando graças por estarmos sendo muito abençoados naquele momento.

Se não bastassem todas essas maravilhas na missa, sabemos ainda que a Virgem Maria também está presente - nos ouvindo como verdadeira mãe e intercedendo por nós. Por isso é que nós, do ministério de música, cantamos quase que o tempo todo, explodindo de alegria por sermos católicos.Nada substitui a santa missa.

Paulo R. Labegalini

Vicentino, Ovisista e Cursilhista de Itajubá-MG. Engenheiro e professor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre-MG). Autor do livro ‘Histórias Infantis Educativas’ - Editora Cléofas.
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