2013 A

Paulo R. Labegalini:

OS DOZE ‘SIM’ DE MARIA – PARTE I  = 2 fevereiro 2013

Se você tivesse que rezar apenas dez Ave Maria e oferecê-las pedindo ou agradecendo algo, quais seriam suas intenções? Acredito que poderia não ser tão fácil lembrar-se de tudo que considera importante na vida, mas, com tempo para pensar, os critérios para isso brotariam do coração.

Na minha opinião, sentimentos de amor devem permear todas as intenções, permitindo inclusive rezar pelos inimigos – se houver. Nossa Senhora não abençoaria pedidos que contrariam princípios de cristandade; por isso, todo cuidado é pouco nas escolhas dos objetivos das orações.

Minha primeira Ave Maria seria pedindo graças à minha família, não por egoísmo, mas para continuarmos tendo paz, saúde, fé no coração; e melhor servir a Deus. A estes pedidos, certamente acompanhariam outros ocultos: esperança, coragem, emprego, caridade, felicidade etc. Eu colocaria tudo na mesma oração que, de tão fortes palavras, agraciaria muita gente que precisa de paz.

Consciente disso, a segunda eu ofereceria às intenções que guardo escritas em meu oratório. São casos de desempregos, doenças, vícios, pobreza e outros mais. Você já pensou em ter uma lista permanente de nomes aos pés de uma imagem de Nossa Senhora? Sabia que muitas graças podem ser alcançadas assim? Logicamente que a oração não pode faltar, mas evitaria repetições que demandam muito tempo. Considero que rezar uns pelos outros são presentes do Céu!

A terceira Ave Maria seria pelas intenções do Santo Padre, o Papa. Pode parecer estranho uma intenção contemplar outras, porém, nesse caso, eu estaria rezando pela construção do Reino nos corações dos homens. Ninguém sabe mais daquilo que a Igreja precisa do que o nosso querido Pastor, Bento XVI. Ah, só lembrando: eu também sempre rezo pelas intenções de minha mãe, que pede graças para um monte de gente!

A quarta oração seria pela libertação das almas do purgatório. Quantos parentes e amigos podem estar esperando a oportunidade de se encontrar com Cristo! Tais almas não conseguem mais se ajudar, porém, podemos e devemos rezar por elas, principalmente as esquecidas e as que mais precisarem da misericórdia Divina. E, com certeza, todas que ajudarmos a entrar no Céu intercederão a Deus por nós.

Quinta Ave Maria: pelos religiosos, missões e vocações do mundo inteiro. Se a messe está diminuindo é por culpa nossa – faltam orações e valores cristãos nas cabeças das pessoas. É preciso mais joelhos no chão e terços nas mãos para melhorar a força-tarefa da evangelização. Quem foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pode reclinar do seu compromisso missionário?

A sexta eu rezaria pelas pessoas que sofrem: desempregados, injustiçados, internados em hospitais, viciados, abandonados e incrédulos. Sim, também os incrédulos sofrem, e muito! Mesmo eu não conhecendo todos os sofredores da Terra, Nossa Senhora saberia quem mais precisa de graças e conversões.

Sétima Ave Maria: pelas pessoas que convivo diariamente no trabalho e nas pastorais da Igreja. Também ofereceria a todos os leitores que prestigiam e crescem com as mensagens que escrevo neste jornal, e mais: pediria bênçãos àqueles que rezam por mim. Rogaria à querida Mãezinha que retribuísse com graças o carinho de todos.

Oitava oração: em agradecimento a tudo aquilo que sou, que tenho e que farei. Sei que, se depender da vontade Divina, somente coisas boas virão e fatos ruins não mais voltarão. Aprendi bastante com os erros que cometi e, hoje, aceito melhor o Plano de Deus em minha vida.

A nona Ave Maria eu colocaria na intenção mais urgente que trago no coração e, no momento, pediria perseverança na fé aos familiares das vítimas de Santa Maria – RS.

Completando a dezena, rezaria a última pelos assistidos da Sociedade São Vicente de Paulo no mundo inteiro. São centenas de pessoas que dependem de outras para sobreviver. Para quem não sabe, o vicentino serve Jesus Cristo na pessoa do pobre e se santifica pela obra de caridade. É preciso muito amor no coração e muita ajuda do alto para dar conta de milhares de miseráveis por toda a parte. Uma Ave Maria é pouco pra tanta gente, mas a intenção é que vale.

E quem estará acolhendo cada continha de um mistério do terço será nossa maravilhosa Mãezinha do Céu, que disse os ‘doze sim’ na história da humanidade. Sobre isto escreverei no próximo artigo, mas encerro este dizendo que agrada muito o Senhor louvar Nossa Senhora. Ele que tudo sabe e tudo vê, conhece bem o coração daquele que ama a filha de Deus-Pai, a mãe de Deus-Filho e a esposa do Espírito Santo.

A historinha que faltou hoje também estará na continuação deste texto. Até lá.

O futuro já chegou? – 26 Janeiro 2013

Leia esta história:

‘Meu avô com noventa e tantos anos, estava sentado no banco do jardim olhando suas mãos. Sentei-me ao seu lado e lhe perguntei se estava bem. Ele levantou a cabeça e sorriu:

– Estou bem, obrigado – disse em voz suave. – Alguma vez, querido, voce já olhou suas mãos?

Lentamente as abri e contemplei. Virei as palmas para cima e para baixo, fiquei sem palavras e não sabia exatamente o motivo da pergunta. Então, meu avô explicou:

– Pense um momento sobre como suas mãos têm lhe servido através dos anos. As minhas, hoje enrugadas, secas e débeis, têm sido ferramentas que usei toda a minha vida para pegar e abraçar. Elas puseram comida em minha boca e roupa em meu corpo. Quando criança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas. Mostraram-se inábeis quando tentei embalar minha filha recém nascida; decoradas com uma aliança, revelaram ao mundo que eu amava  alguém muito especial.

Comecei a entender que aquela conversa reservava momentos de muita emoção e resolvi prestar mais atenção quando meu avô continuou:

– Elas tremeram ao enterrar meus pais, minha esposa, e suaram quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento. Estas mãos têm penteado meu cabelo, lavado todo meu corpo e, até hoje, quando quase nada em mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar, a sentar e ainda se juntam para rezar. Elas são as marcas de onde estive e, o mais importante, são estas mãos que Deus tomará nas Suas quando me levar à sua presença.

Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira, e lembro perfeitamente quando Jesus esticou Suas mãos, tomou as de meu avô e o levou. Agora, sempre que uso as mãos penso em meu querido avô. Jamais esquecerei que, na verdade, nossas mãos são uma benção!’

E você, leitor, o que está fazendo com suas mãos? Elas expressam carinho ou repulsam os outros? Preciso dizer-lhe para dar graças a Deus por elas, pois somente aqueles que amam com o coração limpo têm motivos para se orgulhar das mãos que receberam.

Sem medo de errar, posso afirmar que as mãos do nosso tempo não são como as de antigamente. Quando criança, ladrões só apareciam de vez em quando e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os ‘lanterninhas dos cinemas’ nos expulsassem pelas batidas de pés nas matinês de domingo. Mães, pais, professores, avós, tios e vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Confiávamos plenamente nos adultos.

Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror. Hoje, dá tristeza por tudo que perdemos, por tudo que meus netos um dia temerão, pelo medo no olhar de crianças, jovens e velhos. Matar os pais, os avós, seqüestrar, roubar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, logo esquecidas após o primeiro intervalo comercial.

Dizem abertamente que não levar vantagem é ser otário e pagar dívidas em dia é bancar o bobo. Há milhares de ladrões nas esquinas das cidades grandes, assassinos com cara de anjo no interior, pedófilos de cabelos brancos sorrindo como se nada de grave estivesse acontecendo! O que há conosco? Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas, recém-nascidos morrendo de fome! Que valores são esses?

Os carros valem mais que abraços, celulares coloridos são encontrados nas mochilas dos recém saídos das fraldas, TV ligadas o dia todo, DVDs com filmes pornográficos, vídeos-game de matança... O que mais virá em troca de um abraço? Mais vale um baseado do que um sorvete, mais valem dois vinténs do que um sorriso!

Fico pensativo quando leio isto nos blogs:

“Quando foi que o que existia de bom sumiu ou virou ridículo? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo? Quando me fechei ou me fecharam? Posso querer de volta a minha dignidade, a minha paz? Tenho o direito de sentar na calçada e ficar com a porta aberta nas noites de verão? Quero a vergonha e a solidariedade de volta à minha vida! Abaixo o ‘ter’! Viva o ‘ser’!”

Bem, se você e eu fizermos nossa parte bem feita e contaminarmos mais pessoas, muita coisa poderá melhorar. Também temos que rezar mais para Nossa Senhora nos abençoar.

A CRUZ SAGRADA – 21 Janeiro 2013

Continua circulando na internet as palavras do Frade Demetrius dos Santos Silva, publicadas no jornal ‘Folha de São Paulo’ de 09/08/2009:

“Sou padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

Jamais gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas. Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte. Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e dos pobres.”

 Foi uma resposta ao Ministério Público que, em 4 de agosto de 2009, ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas. Eu não concordo em generalizar a opinião de que a maioria dos políticos é ruim e os profissionais de direito também. É preciso analisar cada caso para um melhor julgamento, porém, em se tratando da Cruz de Cristo, todo respeito ainda é pouco.

São Bento rezava uma oração que continua sendo repetida milhares de vezes a cada hora em todo o mundo: “A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te Satanás, nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno”.

E a medalha de São Bento onde está gravada esta famosa oração é considerada um sacramental, quer dizer, um sinal poderoso de fé. Acredito que o uso da medalha protege contra as artes do demônio e concede graças – como a vitória sobre os inimigos perigosos e a tentação.

Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras CSPB – são abreviações da frase em latim: ‘Cruz Sancti Patris Benedicti’ ou ‘Cruz do Santo Pai Bento’. No alto da cruz está gravada a palavra PAX, ou Paz, que é o lema da Ordem de São Bento. A imagem do santo aparece no verso da medalha; ele segura na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz. Ao redor da medalha, lê-se ‘Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur’, que quer dizer: ‘Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte’.  

É representada também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu milagrosamente ileso.

Com certeza, o santo seguia os ensinamentos de Jesus, que dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome a sua cruz e siga-me” – São Lucas, 9,23. E sabemos, as cruzes são diferentes nas costas de cada ser humano que vive: umas leves, outras muito pesadas, mas nenhuma que não possa ser carregada com fé.

Havia um homem que tanto se queixou de seu sofrimento que o Senhor lhe apareceu em sonho. Então, aproveitando a oportunidade, o queixoso indagou:

– Senhor, por que tenho que sofrer tanto?

Jesus respondeu:

– Você acha que sua cruz está pesada? Quer escolher outra?

– Sim, Senhor, eu gostaria!

Então, o homem foi levado ao lugar das cruzes. Ali havia um monte delas, de diversas variedades: cruzes de pedras preciosas, ouro, prata, tronco de árvores etc. E o homem viu uma cujo brilho se destacava das outras. Apontou-a e disse:

– Senhor, esta é a cruz que eu quero...

E Jesus, sorrindo, exclamou:

– Mas esta é a sua cruz! Por ser de ouro é muito brilhante, mas também muito pesada.

O homem finalmente compreendeu que sua cruz não lhe fora imposta por Deus, mas carregava a cruz que era fruto de sua própria escolha. Aceitou então aquela cruz para sempre, e ela já não lhe pesou tanto.

Pois é, muita gente escolhe uma cruz de ouro, não e mesmo? E muita gente, com o passar do tempo, serra sua cruz e a torna mais leve para suavizar a caminhada; porém, a parte que fica no caminho é o ‘serviço a Deus’ que, por ser pesado para alguns, reduzia a velocidade desenfreada em direção ao pecado. Terá valido a pena?

Nas procissões desta Semana Santa, se as cruzes imaginárias fossem materializadas, veríamos algumas grandes e pesadas sendo conduzidas por pessoas de almas iluminadas. Quanto maior a confiança na salvação, maior a força interior de alguém que almeja o Céu, sem se importar com o peso da cruz.

Enfim, a cruz é o instrumento de redenção do mundo. Sua representação desperta em nós os sentimentos de gratidão para com Deus, pelo benefício de nossa salvação. Passaram 500 anos após a morte de Jesus até os cristãos fabricarem a primeira cruz. Deixou de ser sinal de maldição e se tornou o maior símbolo do cristianismo.

Amigo, que a Cruz de Cristo não seja para ti apenas um amuleto, mas também a tua verdadeira luz!

 

 

 

SEGREDOS – 9 Janeiro 2013

Conviver com segredos nem sempre é fácil. Algumas pessoas dizem que são como túmulos e jamais contariam o que lhes disseram em confiança; outras, abrem o coração sem qualquer constrangimento e divulgam tudo o que sabem. Melhor seria se as conseqüências de cada caso fossem muito bem analisadas antes de revelarmos os segredos que sabemos, mas nem sempre isso acontece.

Numa matéria exibida pelo Fantástico, alguns segredos dos ‘segredos’ foram revelados:

“Guardar um segredo é mais ou menos como mentir. As duas coisas dependem de o córtex pré-frontal, uma parte da frente do cérebro, conseguir conter seu ímpeto de fazer sempre o mais fácil: falar a verdade. É isso mesmo: contar a verdade, contar tudo, é a tendência natural do cérebro.

Quer experimentar? Então vamos lá: responda rápido e em voz alta com uma mentira: em que cidade você nasceu?... A primeira resposta que vem à cabeça é a verdade, aquela que seu cérebro aprendeu com a experiência a associar às idéias: ‘cidade’, ‘eu’ e ‘nascer’.

Ao encontrar a resposta verdadeira sem fazer esforço, as áreas do seu cérebro que produzem a fala se preparam para dizer a verdade. Para mentir, é diferente e bem mais complicado. O córtex pré-frontal tem que conseguir eliminar a resposta verdadeira; depois, tem que buscar no seu banco de dados cerebral uma resposta alternativa: o nome de outra cidade, a mentira!

Essa busca exige o funcionamento de outras regiões que cuidam da linguagem. Nessa confusão toda, uma parte do cérebro especializada em conflitos é fortemente ativada. É o córtex cingulado anterior. Ele chama nossa atenção para o problema a resolver. No caso: pôr de lado a verdade, achar uma mentira e ainda não dar com a língua nos dentes.

Enquanto você mente ou esconde um segredo, é como se essa parte do cérebro ficasse gritando: ‘mas eu sei que não é isso!’ – o que deixa qualquer um aflito. Mas pelo menos para os segredos, a neurociência tem um remedinho. Se você não agüenta guardar seu próprio segredo, mas também não quer que ele se espalhe por aí, conte para duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, elas poderão aliviar seu cingulado anterior falando sobre o segredo uma com a outra e ele ficará a salvo dos outros por mais tempo. Experimente!”

Viu! Não parece fácil? O grande problema reside nas falcatruas, imoralidades, falsidades e mentiras que geralmente envolvem os segredos. Quando alguém resolve revelar, muita gente fica em maus lençóis e os problemas vêm aos montes. É como dizem: Quem planta vento, colhe tempestade!

Mas há segredos que, se revelados, só trazem bem à humanidade. Veja, por exemplo, os segredos que Deus nos revelou através da História...

Até 1500 anos antes de Cristo, ninguém sabia sobre os Dez Mandamentos que foram entregues a Moisés. Na época, os judeus tentavam praticar centenas de princípios religiosos, que fundiam a cabeça de qualquer ser humano.

Jesus também revelou no Evangelho de São Mateus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Pronto! Segredo posto e partilhado com todos.

Hoje sabemos que a Lei de Deus resume-se em amor, e Jesus ainda ajudou-nos a clarificar algumas revelações: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só til, até que tudo seja cumprido.”

Se considerarmos essas elucidações bíblicas, um segredo é melhor do que o outro e devemos contá-los aos quatro cantos da Terra; porém, sempre estaremos preocupados com outros tipos de segredos, como nesta história:

Enquanto a mãe cozinhava, a filha aproximou-se e disse:

– Sabe, mãe, eu confio muito em você. Eu conto tudo pra você, pois sei que é minha amiga.

A mãe, com um sorriso nos lábios, respondeu:

– Que bom, meu amor. Isso me deixa tão feliz!

– Eu confio muito, muito. Só existem algumas coisas que nunca contei, coisas de quando eu era muito pequena.

Ela ainda era pequena, mas tremendamente grande na imaginação, e a mãe ficou aflita com aquela afirmação. O sorriso transformou-se numa pequena ruga na testa. O que a menina teria feito quando era muito pequena que a mãe não soubesse? Um monte de pensamentos povoou sua mente... Então, mesmo sentindo medo da resposta, formulou a pergunta:

– O que você fez que eu não posso saber e entender, meu amor?

– Mãe, eu não conto porque tenho vergonha...

– Você disse que confiava em mim!

– E confio.

– Então me conta. Anda logo!

A mãe já estava desesperada, desligou o forno e sentou-se, olhando fixamente para a filha. A menina, num gesto heróico, anunciou seu terrível segredo:

– Mãe, eu lambia meleca.

 

MÃE É MÃE – 6 Janeiro 2013

Este testemunho foi dado por uma médica dermatologista da cidade de Cruzeiro, SP:

“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e situações que me marcaram, porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais me comoveu como médica escolheria a que mais me marcou como mãe.

Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva, local onde geralmente os pacientes  estão necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da maternidade.

Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio: ‘Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...’

Para uma pessoa no fim da vida, doente, o que lhe  restara era chamar por sua mãe, e era um clamor  que vinha do coração, da alma! Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão naquele momento, era sua mãe. Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a sua mãe. Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta do quanto importante é ser mãe.

Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isso lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições; renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar: a começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.

Durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano, e é neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher.

Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória: somos o porto seguro para passos cambaleantes... para abraços aflitos... para choros carentes... Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias.

Aquele velho homem me mostrou o quanto importante é o papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas, e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida.

Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia – quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe – a gente seja a última lembrança na vida deles. Quero ser não só a última, mas  a  melhor lembrança!”

E depois de ler este relato, posso afirmar que muitas coisas passam pela mente: bate a saudade em quem já se despediu da mãe; aumenta a responsabilidade àquelas que ainda têm filhos para cuidar; dá vontade de abraçar a esposa que cedeu o corpo para formar uma família; enfim, fica a eterna gratidão às mulheres que marcaram presença no mundo na missão de ser mãe.

Um dia, na aula da Escola Vivencial do Cursilho, também falei de uma grande Mãe através do Movimento de Shöenstatt. Disse que tudo teve início em 18 de outubro de 1914, quando o Pe. José Kentenich manifestou seu desejo a um grupo de Jovens Congregados Marianos: transformar a Capela de São Miguel num Tabor de manifestações de glórias a Maria. Era seu plano criar um movimento de renovação religiosa e moral a partir dos tesouros e milagres de Nossa Senhora. Isto aconteceu na Congregação Mariana situada no vale de Schöenstatt, Alemanha.

Hoje, a Obra de Schöenstatt está presente em todo o mundo com Institutos, Uniões, Ligas, Movimentos Populares etc. Os santuários são reproduções fiéis do Santuário de Schöenstatt, e o Movimento Internacional já tem 180 capelas ao redor do mundo! Quem recebe uma capelinha em casa com a imagem da Mãe Rainha Três Vezes Admirável sabe por que é grande essa devoção em todo o planeta.

Na convicção do Pe. Kentenich, uma autêntica espiritualidade mariana deve conduzir a uma profunda espiritualidade cristológica e trinitária, a uma séria aspiração à santidade e a um generoso compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. E a Mãe Rainha ‘faz esse papel’ porque é três vezes admirável: ela é Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos remidos. Ninguém alcançou tamanho mérito na humanidade!

Essa nossa Mãe nos atenderá sempre que chamarmos por ela, dentro ou fora da UTI. Viva Nossa Senhora!

Paulo Roberto Labegalini

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