Irineu 2017

José Irineu Nenevê - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - é autor do livro “Bom Dia e Bom Trabalho - Sabedoria para todos os dias”, Editora Vozes.
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Leia o Livro: BOM DIA E BOM TRABALHO, sabedoria para todos os dias. Ed VOZES.

José Irineu Nenevê
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Curitiba-PR

Todo dia ele escreve algo assim:
20 de novembro de 2017
O sofrimento não depende tanto do que se padece quanto de nossa imaginação que aumenta nossos males” (François de Salignac de La Mothe, ou “Fénelon”, teólogo e escritor francês, 1651-1715).
Nossa imaginação tem a capacidade de aumentar ou diminuir nossas sensações. Muitas pessoas têm pavor só de ver a agulha de injeção a ponto de sentir dor antes mesmo de sua pele ser tocada pela agulha. E da broca do dentista então, só de ouvir o som do giro da broca, já ficam tensas. Isso acontece porque nosso sistema de defesa antecipa o que pode acontecer e já começa a “fuga” para evitar sofrer. Em outras palavras isto é falta de autocontrole. Em situações de desastres ou calamidades, podemos ver mais facilmente heróis que superam sua dor e ajudam a muitos apesar de seus males. Penso que a sensação de dor é diferente de pessoa para pessoa, e de cultura para cultura, além de estar associada ao tipo de criação, que incentiva ou sublima esta sensação. Quem já passou por traumas onde teve que ser mais forte que a dor, aprendeu que é possível dominar esta sensação, amenizando o sofrimento. Algumas tribos desafiam os jovens a enfrentarem a dor através de vários jogos ou desafios, formando neles uma capacidade de superação da sensação de dor. Só depende de nós o controle da sensação de dor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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17 de novembro de 2017
Se tivesse de definir a democracia, poderia dizer que é a sociedade na qual não só é permitida, mas, necessária, o ser pessoa” (Maria Zambrano, filósofa e escritora espanhola, 1904-1991).

Democracia na sua definição mais simples e razoável é o “Governo do Povo, pelo Povo e para o Povo” (Abraham Lincoln). O Povo no governo, aqui entendido, difere em muito de regime comunista de poder, em que pretensamente se diz dar o governo ao povo, mas, este ainda é refém de grupos que sustentam o poder em regime de força e ditadura. A Democracia, nos ditos países democráticos, também não é Democracia no sentido mais original e originário da palavra. Em muitos países é mais uma “demôniocracia”, por causa das ações injustas das elites do poder, do que uma democracia em sentido estrito e pleno. Por outro lado, dificilmente se entende democracia como o governo da pessoa. Ou seja, do exercício do tornar-se pessoa para participar do governo democrático. Nessa concepção o que vem primeiro é o esforço de cada um ser em primeiro lugar o que é, pessoa. Ser pessoa é o trabalho consigo mesmo para deixar desabrochar a própria identidade. Trata-se de “auto-compreender-se” como ser único, indivisível, singular, mas, também, como alguém que é pertença e participante do todo de uma Sociedade. A Sociedade, neste caso, só ganha se tiver dentro e no meio dela pessoas. E pessoa assim entendida é um processo de individuação (como dizia Jung, psicanalista alemão). É um processo de contínua construção, formação, e crescimento na sua própria identidade. No momento atual em que vivemos e clamamos pelo processo de democratização do país, o acento parece estar em políticos e em ações políticas que dizem poder salvar o país. O problema é que na maioria dos casos os políticos deixaram de ser pessoas para ocuparem o poder, e se despersonalizaram em atos de corrupção. A política, por sua vez, se tornou o exercício de homens e mulheres despersonalizados e corrompidos que tratam a coisa pública como lugar de gestão de interesses individuais e grupais. A Democracia é o Governo do Povo, mas, um Povo formado por pessoas e não por meros indivíduos. Sem isso, ou melhor, sem pessoas, a Política, que é o lugar por excelência do exercício do Poder daqueles que são propriedades de si mesmos, ou que se apropriaram de sua dignidade maior como pessoas, e que se ocupam e preocupam em trazer à tona a causa pública como bem de cada um e de todos, vira uma espécie de arena de gladiadores, onde só os mais fortes é que sobrevivem sustentados por uma plateia enlouquecida que assiste ao circo de horror apenas para obter diversão e pão. Nesse sentido, talvez, tenhamos que buscar ser e buscar ter no exercício do poder, pessoas, não políticos. Ou melhor, pessoas exercendo o poder não só dentro de um Congresso, mas dentro e fora dele o tempo todo. Um poder personalizado. Personalizado enquanto ação de pessoas ou de personagens. Personagens principais de um processo político em nosso país. Jamais meros figurinos ou vítimas de um sistema. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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16 de novembro de 2017
A pior prisão é um coração fechado” (São João Paulo II, químico, esportista, operário e papa polonês, 1920-2005).

“Não fecheis o vosso coração, mas, ouvi a voz do Senhor” (salmo). Ao coração, é atribuído ser o centro de nossas emoções, talvez porque ele altera o ritmo de seus batimentos conforme nossas atividades físicas ou mentais. Sem ele tudo para. A porta do coração só se abre a partir de dentro, do interior, do nosso querer. A isso chamamos de livre arbítrio. Uma pessoa alegre e receptiva, dizemos que tem um coração aberto. Uma pessoa carrancuda, amargurada, agressiva etc, nós dizemos que ela tem um coração fechado. Então, quando alguém, por qualquer motivo, fecha seu coração a tudo e a todos, sem permitir qualquer aproximação, ela transformou seu coração em uma solitária, ou seja, em uma terrível prisão. Só com muito amor e oração é que se pode rever este quadro porque a fechadura que abre o coração está do lado interno e só a pessoa pode abrir. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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15 de novembro de 2017
De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra” (François Charles Mauriac, escritor francês, 1885-1970).

 “De que adianta o homem ganhar o “mundo todo”, se perder sua “alma”?” (Marcos 8, 36). Na década de 60 e 70 falava-se muito da conquista espacial e do homem ir à Lua. Esse sonho foi alcançado quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram pela primeira vez no solo lunar em 1969, com a missão Apollo 11.  Depois desta conquista o sonho foi conquistar as Galáxias. Muitas viagens foram empreendidas para esse fim com os mais variados tipos de foguetes, sondas e espaçonaves. Hoje, o foco parece estar na conquista e povoamento do Planeta Marte. Embora a conquista, o sair de si, o explorar novos horizontes, seja uma constante do Homem, desde sua saída das cavernas, nos últimos tempos o que alimenta mesmo sua ânsia e ambição não é nem tanto sua natureza conquistadora ou exploradora, mas seu ímpeto de consumo. Marte virou um projeto de consumo do homem terrestre. Do homem que se cansou de explorar a Terra, e que por não ter encontrado o que buscava na Lua, vai agora em busca de consumir Marte. No fundo as viagens são mais a expressão de um vazio e insatisfação (fruto de seu ser consumista) com tudo o que possui e conquista, do que o desejo de conhecer e viver algo novo que traga mudanças no seu modo de ser, de pensar e agir mais humanamente aqui na Terra. É como alguém que em se cansando de estar casado, busca outras aventuras para tentar preencher o vazio que sente e a carência que tem. Ao entrar em outra relação leva consigo o vazio e a carência. Ao final, acaba por destruir também essa nova relação, pois não mudou o essencial em si. A busca por outras realidades aqui ou em outros planetas e Galáxias é importante e notável, porém, não deveria ser ao modo da fuga e do abandono do que já se tem. Ir em direção à Lua, de Marte, ou de qualquer outro lugar que se sonhe, pode ser muito bom e válido para dar mais conhecimentos a respeito de nós mesmos e de outros mundos. O que deve ser pensado, no entanto, é se todo esse empreendimento vale a pena quando a “nossa casa comum” está sendo simplesmente abandonada e depredada, depois de usada e abusada. Talvez, antes de qualquer projeto que nos projete para o espaço, tenhamos que cuidar melhor do que temos e somos enquanto Planeta e Casa comum. Ir para frente deixando para trás alguma coisa, nunca pode ser um ato de desprezo, abandono e rejeição ao que fica, como se não tivéssemos mais nada a ver com o que aqui fica. Ir para frente rumo a outras conquistas e explorações tem que ser eco do bem já feito por aqui durante milênios. Jamais a fuga de nós mesmos, do que temos e somos enquanto seres que pertencem à Terra, e à qual somos responsáveis por ela. De nada nos serve fazer a conquista para fora do Planeta Terra se a Terra não tiver sido bem cuidada, pois levaremos para outros mundos o que aqui fizemos de bem feito ou mal feito. Significa, que antes de qualquer conquista ou saída do Planeta está em jogo o nosso modo de ser e de cuidar enquanto Homens, pois jamais levamos o que temos para onde quer que possamos ir (ainda que algo do que temos vá junto), mas levamos sempre o que somos. O que somos é que se torna mundo aqui ou em qualquer lugar do Universo ou como se diz, hoje, dos Universos paralelos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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14 de novembro de 2017
Viver a vida com seriedade não é viver a vida com severidade” (Raphael Mello Block, pensador brasileiro no Facebook).
É sinal de sabedoria saber ser flexível diante das “tempestades da vida”. Série tem a ver com uma espécie de sequência em que as coisas estão concatenadas, unidas entre si. É um estilo linear de se fazer, pensar, sentir e viver as coisas. Esse modo linear pode ser muito bom para focar a pessoa no modo como se responsabiliza por tudo o que lhe é dado a cada momento realizar. Seriedade no comer significa comer conforme a comida exige ser comida, para gerar saúde. Seriedade no trabalho é trabalhar focado no que interessa, para realizar bem a obra que foi incumbida. Seriedade no rezar é estar totalmente ligado, conectado ao Divino, para ser uno com Ele. Sendo assim, tudo o que é sério tem a lógica própria do sério que precisa ser respeitada. O problema é quando o sério se torna austeridade, severidade. A seriedade ao estilo austeridade ou severidade é aquela que nos leva para o mau humor, para a rigidez e inflexibilidade. Desta forma, começamos a ficar duros no modo de fazer e viver as coisas, não permitindo a nós mesmos qualquer desvio ou mudança no modo de lidar com as coisas, que não seja ao modo da seriedade. É sempre do mesmo jeito. E se houver algo que pareça ser diferente ou ao contrário do que pensamos, imaginamos, vivemos, ou daquilo com que tocávamos a vida, então entramos em crise e dizemos que perdemos a seriedade e que tudo virou brincadeira. A brincadeira no caso é vista como algo ruim, como quebra da seriedade. Em tais situações se diz que jamais se deve brincar com coisa séria. Na verdade, nunca se brinca com coisa séria, mas pode-se brincar em meio às coisas sérias da vida, para tirá-las do dogmatismo ingênuo em que estão colocadas, ou com a rigidez e severidade com que as vemos e colocamos. Brincar, porém, não tem a pretensão de ridicularizar o sério, mas, de dar humor a ele, de tal forma que o sério entenda que cabe nele, também, a alegria, a brincadeira, o sorriso, e a diversão que o suaviza e unge. Aliás, a vida sem humor dentro do sério é semelhante aos velhos ranzinzas e aos jovens puritanos que veem escândalo e indecência em tudo, até lá onde a inocência brinca de ser séria. Séria quando se trata de romper com tudo o que é fixação e dureza para com aquilo que precisa fluir e se soltar na vida. Aliás, brincar tem o sentido de deixar as coisas aparecerem no seu brilho. Quando nos enrijecemos na seriedade nua e crua da vida, corremos o risco de empalidecer e fazer as coisas perderem o seu brilho vital. E a palidez é sintoma de que estamos adoecendo em alguma coisa dentro de nós. Então, na vida nem tudo é só seriedade, nem tudo é só brincadeira. É possível ser sério na brincadeira, e brincar, também, com as coisas sérias. Contanto que em nenhum desses movimentos banalizemos, tiremos ou percamos o brilho que a vida tem e precisa ter em cada situação. Melhor dizendo, em cada série ou sequência que ela nos brinda com seu brilho. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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13 de novembro de 2017
Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos” (Livro dos Provérbios 4, 23).
Nossos pensamentos guiam nossas ações. Vivemos recebendo uma série de informações o tempo todo, principalmente quando estamos de posse de um dispositivo eletrônico (tipo celular), e muito de nosso precioso tempo fica à disposição de ler e responder. Penso que esta capacidade de acesso é um privilégio que temos à mão. Temos acesso a tudo o que está acontecendo no mundo em instantes. Coisas boas e coisas ruins. Mas, exige cuidados de nós. Nem tudo o que recebemos nos faz bem. Existe muita coisa que parece engraçada que só nos prejudica. O perigo está em influenciar nossos pensamentos de forma negativa, pois tudo o que entra em nossa mente tende a crescer e influenciar nossas decisões. Filtre antes de engolir como verdade as coisas que recebe. Também evite repassar coisas que prejudicam as pessoas, mesmo que seja brincadeira. Organize seu tempo, aproveite o sol, tenha critério de só acessar quando você estiver livre de suas obrigações. Podemos mudar o mundo e o nosso país, se usarmos as informações de forma inteligente, sem perder o tempo com brincadeiras sem graça, ou com coisas que não nos dizem respeito e carecem de comprovação. O “tesouro de nosso coração” (nossos pensamentos) deve estar repleto de coisas boas, que nos ajudam a caminhar de forma segura, ajudando a quem precisa. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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10 de novembro de 2017
Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo” (Jean-Paul Sartre, escritor e pensador francês, 1905-1980).

Necessidade é tudo o que é importante e que a gente tem que buscar realizar. É o que temos que satisfazer se queremos estar ou nos sentir satisfeitos de verdade. Há necessidades pequenas e grandes. E quanto maior a necessidade mais importância ela assume em nós. Com base nisso, temos muitas necessidades solicitando nossa correspondência a elas o tempo todo. Há necessidades que são criadas sem nossa participação, mas, que exige nosso envolvimento, e há necessidades que criamos. Diante de toda e qualquer necessidade que se nos apresenta, então, temos que decidir, priorizar, qual delas atender por primeiro. É comum que nos envolvamos com as mais urgentes, com aquelas que não permitem recuo ou adiamento. Porém, há uma necessidade que, em geral, se ignora sua importância maior. A de satisfazer a necessidade de mim mesmo. Satisfazer a mim mesmo é muito confundido com egoísmo. O egoísta não busca satisfazer a si mesmo, busca satisfazer um pseudo-ego, ou a visão distorcida de si. O egoísta faz de si o centro e põe tudo e todos para girar ao redor de si. E se nada girar ao redor dele, ele se desintegra, se autodestrói. Satisfazer a mim mesmo tem a ver com o fazer-me, ou melhor, com o fazer a mim mesmo da melhor maneira possível. Esse fazer a mim mesmo da melhor maneira possível, significa buscar realizar o que é o melhor de mim mesmo. E isso não está pronto, é uma tarefa, uma responsabilidade, um contínuo compromisso comigo mesmo. É como se eu fosse esculpindo ao longo da vida a mim mesmo, até revelar totalmente quem sou, minha grandeza e beleza que estava ali disposta, mas escondida de mim mesmo. É, com outras palavras, tornar-me o que sou. E isso exige lapidar até o próprio ego+ismo, ou seja, o ego fechado e, muitas vezes, desintegrado, por evitar expor-se ao trabalho libertador consigo mesmo. Todos nós nascemos com essa necessidade de satisfazer a nós mesmos. Apenas passamos o tempo da vida e a vida no tempo nos rodeando, protelando, e fingindo que desconhecemos essa incumbência sobre nossa própria existência. Por negligenciar essa incumbência é que buscamos satisfazer a nós mesmos com tudo o que não nos satisfaz, e vamos passando os dias nos enchendo interna e externamente com superficialidades, com sucatas, e com tudo o que não nos enche e nem preenche. Isto é, fazemos o caminho inverso da satisfação, e é por isso que nos encontramos totalmente insatisfeitos, apesar de buscar tantas satisfações. Satisfazer a mim mesmo é um contínuo trabalho comigo mesmo de libertar-me para mim mesmo e para a grande vida. Com o tempo isso aos poucos isso vai dando consistência e plenitude no existir. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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9 de novembro de 2017
Mais vale a paciência que a valentia, é muito mais difícil controlar as emoções do que conquistar uma cidade” (Provérbios de Salomão 16, 32).

Quem já passou uma “pinguela” (ponte improvisada, geralmente feita de um tronco) sabe que primeiro precisa controlar suas emoções (medo), antes de tentar atravessar. Emoção tem a ver com o mover. Mover no sentido de mudar. Mudança mexe com aquilo que até então estava estático, sem movimento. Em geral, quando nos emocionamos com algo, o que até então estava quieto e imóvel em nós começa a se mexer e a mexer com a gente, seja para algo bom ou ruim. Podemos nos emocionar de forma vibrante e alegre com uma música, se ela nos remete a uma situação de júbilo vivida no passado, como podemos, também, com a mesma música, entrar num estado depressivo, se ela nos lembra algo triste. Seja como for, o humor se altera e alguma emoção nos move de um estado para outro. Emoção, também, pode ser vista como aquilo que nos move. O que nos move é um princípio, um fundamento, no qual nos apoiamos para fazer ou deixar de fazer algo. Esse fundamento é onde construímos todo o resto em cima e a partir dele. Por exemplo: se o vício do cigarro é o que me move, então, tudo em minha vida se move a partir desse fundamento em forma de vício, de tal forma que o desejo é de fumar em qualquer lugar ou situação. Se algo é o móvel, o fundamento de minha vida significa que ou eu controlo aquilo que me move, ou aquilo que me move me controla. Na maioria das vezes é o móvel que me move ou impulsiona. Com as emoções acontece algo semelhante. São elas que me movem. Elas exercem um poder, uma força tão incontrolável na gente que, sem querer, ela nos empurra para fazer o que solicita. Sua força é tão grande que debaixo de seu peso e sob seu impulso, às vezes, pouco ou nada podemos fazer. Quando menos percebemos estamos sob seu fluxo e influxo de maneira descontrolada. Uma pessoa que não consegue controlar suas emoções, seja para o que é bom, seja para o que é ruim, se torna muito vulnerável e desequilibrada consigo mesma e com os outros. Eis, porque a Bíblia diz que é mais fácil conquistar uma cidade do que controlar uma emoção. A conquista de uma cidade depende de um exército externo, de um bom comandante, e das estratégias de guerra contra o opositor. Nas emoções, o exército interno é que comanda, sob as ordens de um comandante. Se elas não possuem um bom comandante, que são as boas forças do espírito controlando o ego, fica-se ao jogo da intempestividade dos humores. Nesse sentido, feliz de quem se submete ao domínio do espírito, pois, aprende a lidar com suas próprias emoções e as emoções alheias.  Lidar ou controlar as próprias emoções é diferente de reprimi-las. É dar orientação, usando sua energia para se movimentar bem nas situações e nas relações. Desta forma, as emoções mudam a pessoa sempre para melhor. Elas mexem e remexem com o seu ego, temperando-o para ser servo de uma conduta reta, serena e harmônica com tudo e com todos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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8 de novembro de 2017
Não pretendas que as coisas ocorram como tu queres. Deseja, ao invés disso, que ocorram como elas ocorrem, e serás feliz” (Epicteto de Frigia, de escravo a filósofo grego, 55-135).

O desejo de controlar os fatos da vida e a vida com seus fatos, bem como a ânsia de controlar a vida dos outros, querendo que tudo seja como queremos ou sonhamos, é o que mais causa sofrimento para nós mesmos e para os demais. Por vezes, é muito difícil suportar a lentidão com que as coisas caminham e com que as pessoas de nosso convívio se movem no lidar com os afazeres e os fatos diários da vida. Se formos mais ágeis nas decisões e no encaminhamento das coisas, isso revela uma característica muito boa para fazer acontecer e dar cabo nas responsabilidades que nos são incumbidas. Porém, do outro lado, está quem não tem essa agilidade e essa determinação, mas que, também, faz acontecer as coisas a seu tempo. No meio de tudo fica, então, o conflito entre a pressa e a calma. Ora, quem é calmo não aguenta a pressa, pois soa controle e opressão ao seu modo de ser. Ora quem é ágil e apressado detesta a lentidão dos calmos e do modo tranquilo como as coisas vão acontecendo. Porém, seja de um lado ou do outro, os espíritos se retorcem querendo que tudo seja ao modo próprio como veem como sentem e, sobretudo, como querem as coisas. A guerra silenciosa ou explícita se arma a partir dessa suposta “imposição” ou desejo de controle. Deixar que as coisas ocorram naturalmente como elas ocorrem é o grande desafio, tanto para os ágeis como para os lentos. Tanto um como outro precisa abrir mão do próprio controle e do desejo de manipular as situações ou o outro. Todo e qualquer sofrimento das relações decorre dessa opressão interna e externa em forma de desejo de controle. Por outro lado, deixar as coisas ocorrerem é bem diferente de “deixar correr solto” como se diz por aí. O dito do “deixar correr solto” é o alimento da irresponsabilidade pessoal e coletiva. Deixar ocorrer como ocorre é acompanhar com atenção e abertura tudo o que se dá, sem forçar o seu ritmo e o seu jeito de acontecer. E, desse acompanhamento, aprender e ajudar as coisas a seguirem o seu curso e percurso. Ajudar, sobretudo, o outro a ser ele mesmo, sem ser espelho de mim ou do meu desejo. Talvez, esteja aí um caminho para a verdade dos fatos e da vida. Deixar tudo ser. Quando nos colocamos nessa disposição de deixar ser, começamos a perceber que o outro e as coisas não são nem rápidas, nem lentas, nem melhores ou piores, nem maiores ou menores, nem mais feias ou bonitas, nem mais certas ou erradas, daquilo que imaginávamos. São apenas elas próprias, assim como nós somos nós mesmos, ou como eu sou eu mesmo. Perceber isso nos abre para a comunhão, a gratidão e o convívio. Isso gera felicidade, pois, felicidade no fundo, no fundo, não é tudo estar bem bonitinho e controlado ao modo do meu gosto, do meu conceito e do meu interesse, mas tudo sendo como é. E tudo em nós e ao redor de nós só é de fato quando permitimos que sejam, jamais como imaginamos ou queremos que seja. Querer que as coisas, ou o outro, seja como quero ou queremos é controle, jamais liberdade. E onde há controle não há liberdade. E sem liberdade nunca experimentamos a medida própria da felicidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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7 de novembro de 2017
Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas você não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir” (Johnny Depp, ator, músico e produtor americano, *1963)

Um fotógrafo carioca revelou uma cena na favela no Rio de Janeiro, ao focar a passagem de crianças em que os irmãos mais velhos vedaram os olhos dos irmãos mais novos para que eles não vissem os cadáveres espalhados pelas ruas. Muitos que viram a cena ou a foto enxergaram nisso algo chocante e triste. Sem dúvida, muito chocante e triste! Porém, na cena e na foto tem algo mais do que a comoção que gera tristeza e choque. Trata-se da postura presente nos irmãos mais velhos. Eles, com tal gesto, enxergam adiante e aquém daquilo que expõe a morte como vitrine da barbárie aos transeuntes. Ao evitar que os irmãos menores assistam ao espetáculo mortal, talvez, quem sabe, manter os olhos para o essencial da vida, traduzido na palavra cuidado. Cuidado pela inocência, cuidado pela realidade crua e nua do dia a dia, com todos os seus desafios; cuidado para não manchar a infância com o desejo ardente da vingança e da insensibilidade frente à crença da normalização da morte e do sofrimento alheio. Tapar os olhos ali foi um gesto pequeno de evitar dar, principalmente, aos pequeninos deste mundo, a sopa fria e o alimento amargo de um cotidiano marcado por guerras e injustiças, que quase sempre é servido por aqueles que fazem da morte uma deusa a ser adorada e, da violência, um teatro público sensacionalista da maldade humana em vista do exibicionismo na televisão e nas Redes Sociais. Ao passar adiante vendando os olhos dos menores, quem sabe o que os irmãos maiores evitavam era expor aos olhos e à mente dos pequenos o show de crueldade que milhões de pessoas são forçadas a assistirem diariamente como se isso fosse uma obrigação para despertarem para o caos social em que estão inseridas. Essa passagem de olhos vendados, incentivada pelos irmãos maiores foi uma “Páscoa” (passagem) para eles e para tantos que buscam silenciosamente sua libertação nesse contexto violento em que vivemos. Foi um silêncio que passou em procissão diante dos olhares do fotógrafo e de todos nós que vimos pela realidade e pela foto. Ali a realidade deixou de ser realidade para ser o real da realidade para cada um de nós. E o real da realidade é o que foi comunicado por essa passagem íntegra, honesta, justa, e corajosa de todas essas crianças maiores e menores. Daquele momento em diante, não somos mais indiferentes e anônimos ao sofrimento humano. A procissão tocou nosso olhar e nosso coração a tal ponto que nos vimos parceiros no sofrimento, mas, com essas crianças, seguimos adiante, ainda que de forma invisível e ignorada. A procissão seguirá dignamente adiante, através do caos que nos cerca e nos oprime. Segue livre, pois nem mesmo essa crueldade é capaz de deter a dignidade com que vemos o real da realidade que está para além da morte. Os olhos vendados não são para escondê-los do sofrimento presente, mas, para poupá-los da forma como se banaliza a vida. Os olhos vendados se fecham para o espetáculo da tristeza e do horror, mas se abrem para o que está adiante, iluminados e puxados pelo fio da vida com todas as suas verdadeiras sombras e luzes. Os olhos vendados seguem adiante, acreditando que já passaram e que, também, passamos por tantas dificuldades, mas, que, em nenhuma delas, cederam ou cederemos ao desespero e à força que tende a querer destruir o que de bom e digno foi semeado em nossas consciências e plantado em nosso caráter. Juntos com essas crianças nós seguimos o rumo da fé, da esperança, da bondade, e da confiança na vida, ainda que aquilo que nos cerca pareça dizer o contrário. E é de uma nobreza de caráter assim, testemunhada por esses pequenos gestos que temos sede e fome como justiça e como paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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6 de novembro de 2017

“Tudo está em seu lugar, graças a Deus” (Benito di Paula, pianista, cantor e compositor brasileiro, *1941).
 “Não tomarás o nome de teu Deus em vão” (Êxodo 20,7). Esta música foi causa de desentendimento entre o autor, Benito de Paulo e o deputado Carlos Marun. Benito compôs a música em agradecimento a Deus por ter conseguido reformar a casa de sua mãe que estava em ruína, sem ajuda de políticos. Marun cantarolou o refrão para comemorar a vitória na votação pela qual livraram o Presidente Temer. Este episódio revelou as articulações de bastidores que existem na política brasileira. Elas estão em toda parte como vírus, invisíveis, mas atuantes, atingindo até as crianças expostas a uma educação manipulada. As ações da “lava jato” e de outras que a antecederam, revelaram partes desta articulação existente que garante aos “amigos do rei” impunidade e segurança em suas ações (lícitas ou ilícitas) desde que estejam afinadas com as determinações centrais. Com as primeiras punições firmes da “lava jato”, tudo começou a ruir. Muita coisa veio à tona. O povo se revoltou e foram às ruas. Mas a maldade nunca descansa e aos poucos os beneficiários desta política, foram se reorganizando, com reuniões aqui e no exterior, e hoje acham já podem cantar; “tudo está em seu lugar” (novamente), pois as punições perderam efeito nas estâncias superiores da justiça. Mas o povo mudou, as mídias perderam seu poder de “hipnotismo”. Embora cansado de ver os responsáveis saírem impunes e ameaçar quem os delatou, o povo ainda tem esperança de um futuro melhor para o Brasil. Acredita nestes jovens que continuam lutando para que a justiça seja feita. Sua maior força está em sua fé, em ser sentinela da verdade, seguindo a determinação de Jesus; “vigiai e orai”, pois se “Deus é por nós, Quem será contra nós?” (Rm 8,31). O povo está atento e vigilante. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia!(21 anos)

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3 de novembro de 2017
Os pequenos feitos revelam melhor que os grandes o caráter de uma pessoa” (Samuel Smiles, escritor e reformista escocês, 1812-1904”

Caráter é a identidade moral de uma pessoa, ou seja, a coerência que existe no conjunto de suas atitudes. Pelo caráter a pessoa faz suas escolhas na vida. Independente da cultura ou do meio, o caráter é pessoal e se revela no modo de ser da pessoa em seus feitos, principalmente nos pequenos. Pequenos são os aparentemente sem importância, aqueles feitos “longe das câmeras”, onde ninguém vê; ali a pessoa é plena de si e age conforme dita o seu caráter. Sendo boa, em todas as suas ações predominará a bondade, a honestidade, etc. Sendo má, atenderá aos apelos da maldade, mesmo em suas brincadeiras, até nas atitudes mais sérias de sua vida. A escolha é pessoal, agir conforme dita sua consciência ou atender aos apelos da facilidade desonesta? Toda ação, mesmo que tarde, terá sua consequência. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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1 de novembro de 2017
A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” {Levítico 11,44} (1 carta de Pedro 1, 15).

A liturgia dos Cristãos Católicos celebra no dia primeiro de novembro o dia de Todos os Santos. Santidade é um atributo divino. Só Deus é santo. Todos os santos, canonizados ou não, participam e bebem desta santidade primeira e originária. Ninguém pode ser santo se sua santidade não tiver em Deus sua origem, sua raiz, seu fundamento, seu desabrochar e sua consumação. O convite para ser santo advém de um chamado Divino que, no fundo, é, também, uma incumbência. A incumbência de ser santo como Deus é Santo. Para saber o que, de fato, significa ser santo como Deus é Santo, é necessário, antes de tudo, compreender, pelo Mistério da Fé, como Deus é Santo, ou seja, como é o modo de ser Santo de Deus. E isso só é possível abrindo-se ao seu insondável Mistério de Santidade, deixando-se possuir por Ele. Em sendo possuído pela santidade de Deus é que nos tornamos santos. Com outras palavras, é Deus quem santifica. E santifica por meio d’Aquele que é o Santificador por excelência, o Espírito Santo. E o Espírito Santifica operando as obras de Deus naqueles que n’Ele acreditam. E a obra de Deus que santifica é o seu amor operando na pessoa como princípio, meio e fim de todas as coisas. O Espírito, por sua vez, opera por meio do amor. Daí que só conseguimos ser Santos como Deus é santo deixando o Espírito Santo operar em nós a obra do amor divino. Eis o grande desafio da santidade cristã, que aqueles que são batizados, falando particularmente assim (não que sejam maiores e melhores do que os outros não batizados, mas, porque recebem uma responsabilidade maior no chamado atendido), são chamados a ser Santos como Deus é Santo. Isso significa que em princípio todos os batizados são santos por terem recebido o batismo e o Espírito de santidade no e pelo batismo; porém, não existe garantia de santidade como Deus é santo sem o amor e fora do amor que o Espírito opera nos batizados. Nesse sentido, não há garantia de santidade real para nenhum batizado se após o batizado, ele não continua correspondendo ao santo modo de operar do Espírito. Uma coisa é ser batizado, outra é a correspondência ao batismo que gera, aprofunda e consuma a santidade batismal. Da mesma forma, uma coisa é ser santo, outra, é viver como santo na correspondência ao amor divino que o Espírito opera. Ou seja, o Batismo garante a consagração, o chamado e a missão. Não garante a obra de santidade, que depende do modo como cada batizado acolhe, celebra e vive sua vida de santidade fundada no santo modo de operar do Espírito. Sabe-se que toda a História do Ocidente e do Oriente Cristão é marcada e influenciada pelo testemunho de santos e santas que souberam deixar-se conduzir pelo Espírito Santo e o seu santo modo de operar. Foram pessoas marcadas pelo signo da operação do amor divino dentro da Igreja como um todo, das famílias, da Sociedade, do Mundo e por onde quer que se fizeram presentes. Somente quando aqueles que são chamados à santidade, conforme o modo de operar do Espírito, esqueceram-se dessa realidade é que a santidade se tornou algo piegas e decaiu para uma espécie de culto de personalidade voltada para um sensacionalismo de milagres e para uma crescente deificação do homem como substituto de Deus. Os santos colocados nos altares são apenas expressão do afeto popular por aqueles que se deixaram conduzir verdadeiramente pelo sopro do Espírito Santo e o seu santo modo de operar dentro da História humana com todas as suas grandezas e mixórdias. Bem entendida a santidade deles, não são substitutos divinos e nem mediadores entre Deus e os homens. São batizados que honraram seu batismo ao revelar a todas as criaturas o amor de Deus com que foram amados por primeiro. São testemunhas do que experimentaram na relação amorosa com Deus e a partir da ação de seu Espírito. Por isso é que são amados e reverenciados, não cultuados. São referência para cada um e para todos os que buscaram ser santo como Deus é santo. A celebração de todos os santos quer ser essa comunhão com todas as pessoas de todos os tempos, de todas as épocas, do Céu e da Terra, falecidos ou não, canonizados ou não, de nossa Igreja ou não, enfim, uma multidão incontável de pessoas do passado, presente e futuro que se deixaram, se deixam e se deixarão ser conduzidas pelo modo de amar de Deus, através de Seu Filho Jesus Cristo, auxiliados pelo seu Espírito e o seu santo modo de operar. Essa celebração é um memorial, uma festa, um anúncio, um chamado e, acima de tudo, uma verdade a respeito de nossa dignidade de Filhos do Criador. Não somos apenas santos, somos chamados a ser Santos como Deus, nosso Criador, é Santo. Isto é, trata-se de uma graça e de uma tarefa a ser continuamente realizada na Terra e no Céu, no tempo e na eternidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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31 de outubro de 2017
"A Arte não reproduz o visível, a Arte torna visível" (Paul Klee, pintor e poeta suíço, 1879-1940).
A arte desperta a partir do sensível. Os recentes episódios ocorridos no Sul do Brasil que chocaram a opinião pública e que continuam acontecendo em outras cidades, principalmente em escolas primárias, nos levam a refletir se perdemos a noção do que seja “arte”. O que se chamou de arte ficou parecendo mais uma “caricatura” para agredir os olhares de quem ali passasse. Em referência ao nu, arte jamais é representação da nudez de forma banal e ridicularizada. Ela nada tem a ver com o querer colocar uma cena de coito de modo explícito, apenas para dizer que é assim na realidade nua e crua. Para ser uma representação assim, não é necessário recorrer à arte. Basta buscar tais cenas nos cinemas, na internet, nas revistas eróticas etc. O mercado atual vive em atender aos interessados nesse tipo de publicidade. Ao mesmo tempo, a arte está longe de ser um recurso para agredir a sensibilidade das pessoas, especialmente, naquilo que lhes é mais íntimo, pessoal e, por que não, sagrado. A arte não exclui o nu, nem o erótico. Ela só não o banaliza. Tanto é que a História da Arte e a Arte na História do mundo inteiro estão repletas de cenas de nudez e de cenas eróticas, seja no aspecto sacro como no profano. Porém, em nenhuma dessas esferas, ela se utiliza do nu e do erótico para ridicularizar ou escandalizar os olhos e a sensibilidade das pessoas. Uma estátua de Davi, por exemplo, ou o nu das pinturas de Michelangelo, ou as musas nuas da arte grega, bem como os corpos nus de atletas da Grécia e outras culturas, nunca tiveram a pretensão de serem um instrumento para escandalizar os olhares ou fazer exibicionismo da sexualidade humana. Arte sempre foi, é e será o esforço de tornar visível. E o verdadeiro e bom artista é o que se coloca nessa abertura de deixar surgir a dinâmica da criação. Nesse caso, tornar visível é esforço de tentar ouvir e acolher a inspiração que vem ao encontro do artista. Isso que lhe vem ao encontro é a inspiração que fala do Mistério do real da realidade, do fundo mais profundo das coisas, dos apelos do Ser se dando como beleza, como bondade, como necessidade. Expor o nu nessa concepção de arte é tornar visíveis as forças formadoras daquilo que significa o nu, o erótico, a sexualidade etc. E isso, na arte de todos os tempos e de todos os estilos, não preza pelo juízo de valores, nem é fruto da subjetividade de uma pessoa ou de um grupo. Mas, algo precioso da humanidade de qualquer época histórica. De tal forma que, quando a pessoa olhava o nu, o erótico, o sexual, ela se via ali naquela arte como fazendo parte dela e sendo pertença, jamais sendo agredida ou ridicularizada. Nesse sentido, a arte que é arte sempre diz algo de nós mesmos, e que nos eleva ou nos faz refletir acerca daquilo que somos em nossas grandezas e misérias. Ela não está aí para nos ultrajar ou nos diminuir como pessoas. Ela torna visível o que somos e o que podemos ser em nível pessoal e coletivo. Ela é, pela inspiração, o vir à fala de nossa beleza, grandeza e dignidade mais radical. Não é representação do real de nossas depravações sexuais e de nossos lixos existenciais. A arte verdadeira, ainda que torne visível a nossa esfera sexual e a genitália humana, não o faz de modo banal e desconectado do todo do ser humano, como se fosse somente um mero órgão do nosso corpo, mas, como uma unidade de sentido de toda a existência. Significa que a arte enquanto um modo de tornar visível não está a serviço de interesses subjetivos, mas, da inspiração. Forçá-la a ser representação do queremos para defender ideias pessoais ou coletivas, ou instrumentalizá-la para atingir fins ideológicos, é um desserviço à arte e aos artistas. É hora de buscar resgatar o sentido de arte nela mesma e por ela mesma. Quem sabe desse resgate tornemos visível não apenas pinturas que expressem a beleza de nossa existência, mas a nossa existência mesma, mais bela, mais digna, no verdadeiro significado dessa palavra. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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30 de outubro de 2017
Seis honrados servidores me ensinaram tudo o que sei. Seus nomes são: como; quando; onde; o quê; quem e por quê?” (Rudvard Kipling, novelista britânico, 1865-1936).

Falar é fácil, mas, para falar com clareza, é preciso atenção no que se diz e na forma de transmitir. Para maior precisão de uma informação, estes seis pontos devem ser satisfeitos, ou seja, como o fato ocorreu, detalhes do ocorrido; quando foi isso, data e hora; onde tudo aconteceu, país, cidade, bairro etc.; o quê era? acidente, festa, corrida, etc.; quem estava envolvido e por quê. Há outras versões destas questões, mas, a base sempre é a mesma. Este tipo de exercício é muito usado no jornalismo para que a informação seja a mais completa possível. Quando tivermos que dar alguma informação sobre algo, é importante que tenhamos o cuidado de satisfazer estas seis questões, ou quando estamos recebendo um relato, devemos procurar esclarecer estes pontos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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27 de outubro de 2017
“Temos tanta pressa para fazer e registrar e assim deixar nossa voz no silêncio da eternidade, que esquecemos o mais importante: viver” (Robert Louis Stevenson, escritor britânico, 1850-1894).

Quando nos damos conta, o tempo já passou. E isso nos apavora. Principalmente quando olhamos nossas marcas deixadas no tempo para posteridade e constatamos que muito mais poderia ter sido feito e não foi feito. O que guardamos já perdeu a importância. Surgiram novas coisas. Estamos ficando desatualizados. Uma reação mais comum é correr para recuperar o tempo perdido. Restabelecer contatos esquecidos no tempo, visitar o que foi adiado, etc. Tanto se corre que se esquece de viver o hoje, o agora. Com calma. Apreciando cada segundo em sua plenitude. Sentindo-se parte deste infinito harmônico. Percebendo a força que há no silêncio. No fundo somos muito pequenos diante do insondável universo e mesmo assim somos amados como únicos pelo Criador de tudo. Sentir o amor de Deus por nós, isso é viver. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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26 de outubro de 2017
Vivemos, hoje, o silêncio da sobrevivência” (Autor desconhecido).
Dizem que a sobrevivência é o instinto mais básico de qualquer espécie. Em nós, seres humanos; não poderia ser diferente. Quem assistiu ao filme “Doze anos de escravidão”, (direção de Steve McQueen que conta a história de Solomon Northup), percebe ali essa triste realidade que por milênios nos acompanha sob o estigma da escravidão e da injustiça que vitima e silencia os inocentes. Ao mesmo tempo, o filme mostra o lado estranho e paradoxal de uma realidade que é, em nome da sobrevivência, as pessoas  se submeterem ao silêncio indesejado para ficarem fora da zona de perigo de uma situação possível de castigo e condenação. Permite-se, nesse caso, o sofrimento cruel sobre si e sobre os outros para evitar males ainda maiores. E, às vezes, para salvar a própria pele permanece-se anestesiado contemplando a maldade alheia sob as suas mais variadas formas de requinte. Nesse sentido, muitos perguntam, hoje, no cenário político brasileiro: “Onde estão as massas que não reagem às injustiças fruto do palco da corrupção no país?” “Onde estão as manifestações populares para fazer voz e vez frente à corrupção que nos domina?”. O silêncio a essa pergunta, às vezes, é ensurdecedor. Quando muito, vemos apenas uma pequena mobilização aqui e ali pensando representar o todo. Esse silêncio, talvez, venha do instinto de sobrevivência. Estamos quase todos habituados a lutar pela sobrevivência dentro do pouco que nos resta.  E atrás da luta pela sobrevivência nos acompanham dois medos básicos: o de perder  e o de enfrentar. De uma parte, tais medos (medo de perder o emprego, por exemplo) nos preservam na sobrevivência e na esperança de que dias melhores venham. De outra, nos afunda no anonimato pessoal e coletivo, inclinando ainda mais  para o fundo das águas o barco de nossa existência, tal qual a tragédia do “Titanic”. O medo que nos impulsiona a querer preservar a existência é legitimo, e ter esperança nunca é demais. Porém, o nosso fio de esperança em uma intervenção fora de nós mesmos, e de nossas pequenas e poucas possibilidades, pode nos tornar infantis, dependentes e preguiçosos no compromisso e nas transformações importantes de nossa realidade. O silêncio que vivemos, hoje, deve ser mais uma pausa para entendermos o nosso processo histórico e encontrar nele caminhos e saídas inteligentes frente ao que nos oprime e deprime, do que uma injeção de desânimo que tira nossa capacidade de sentir, de pensar e de agir. Se o nosso silêncio for apenas luta pela sobrevivência, corremos o risco de morrermos todos num processo lento de aniquilamento pessoal e coletivo, no sentido de que se não formos corrompidos pela corrupção dos políticos e de seus “compadres”, seremos fatalmente corrompidos pelo nosso próprio instinto de sobrevivência numa espécie de busca egoísta do “Salve-se quem puder”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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25 de outubro de 2017
A verdade é que ninguém gosta de falar dos seus próprios erros” (Roberto Nesta Marley, ou “Bob Marley”, cantor, guitarrista e compositor jamaicano, 1945-1981).
Erros devem ser assumidos e não sumidos. Existe em cada um de nós uma tendência normal de não querer falar dos próprios erros, nem querer que os outros falem deles. É um sistema de proteção que adotamos para evitar sofrer. Gostamos mais do princípio do prazer que nos coloca o tempo todo correndo atrás do que é bom, agradável, gostoso e perfeito. No nosso código de defesa os erros em geral são negados e reprimidos, pois soam como falha de caráter ou distorção do que somos e fazemos. Falar dos próprios erros tem tantas vezes o tom de auto-acusação. E se falamos e admitimos os próprios erros, então acende em nós aquela luzinha vermelha que aponta para a seta do castigo, da punição etc. Falar dos próprios erros, no entanto, pode ser uma forma terapêutica, inteligente e honesta de lidar consigo mesmo naquilo que constitui as nossas próprias sombras. Falar deles é bem mais do que realizar um ato de desabafo ou de auto-reconhecimento por um deslize feito. Na verdade trata-se saber integrar na existência pessoal o nosso outro lado da moeda. Trata-se de aprender a lidar com aquilo que em geral rejeitamos, porque temos expectativas enormes e descomunais a respeito de nós mesmos. Se pensarmos bem, pode ser que falar dos próprios erros pode ser o modo mais bacana que temos de expressar o que somos em nossas fraquezas e limites. Pode ainda ser o jeito mais honesto que encontramos para falar do que nos incomoda, perturba e machuca. Porém, ao falar disso que em nós constitui o que chamamos de erro, pode estar a chance de percebermos onde precisamos ser melhores, ou onde podemos aprimorar e crescer. Jamais enxergaríamos ou descobriríamos determinadas características, habilidades e potencialidades em nós se não fosse através dos erros que ao falar clareamos para nós mesmos que faltamos com isso e aquilo que era bom e importante para nós. Sendo assim, são os erros que nos impulsionam à percepção de uma maior clareza do que somos e podemos ser. Ao mesmo tempo, são eles a nos mostrar que se erramos é porque estávamos buscando acertar. Com base nisso, redescubramos e atentemos para o fato de que quando falamos dos próprios erros, ainda que não gostemos de fazê-lo, deixemos de escondê-los e tenhamos neles um instrumento que nos liberta para a graça do aprendizado, pois os erros não nos conduzem  necessariamente à queda e à perdição, mas ao caminho da aprendizagem e do autoconhecimento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia!
(21 anos)
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24 de outubro de 2017
“Eu aviso uma vez, duas vezes. Na terceira eu pego uma cadeira, sento e assisto tudo o que eu falei acontecendo” (Roberto Gómez Bolaños, “Chespirito” ou “Chaves”, engenheiro elétrico, escritor e humorista mexicano, 1929-2014).
“Quem avisa amigo é” (dito popular). Muitos dos acontecimentos atuais foram prenunciados por pessoas preocupadas com os rumos que a sociedade vinha tomando e as possíveis consequências para a natureza e as pessoas. Hoje, nossa geração e, talvez, as gerações futuras, estamos colhendo os frutos de nossa surdez ao que nos foi alertado. Um exemplo é o caso recente em Goiânia de Bullying. Não é apenas a ação e reação explosiva e momentânea de um jovem atormentado pelos colegas invejosos, infantis, perseguidores e maldosos, em nível de escola e de redes sociais. Representa o fruto de uma somatória de fatores que possuem o bullying como resultado final. Essa somatória de fatores nem sempre dá para localizar apenas em um lugar ou situação. É o acúmulo de agressões e violências lentamente produzidas na mente e na identidade da pessoa. Muitas dessas lesões são sofridas desde a gestação com os ininterruptos conflitos e guerras do casal e entre famílias. Depois, com as semeaduras de palavras e gestos hostis e agressivos à infância (veja, por exemplo, o que de lixo se joga nos olhos, nos ouvidos e na mente de crianças e adolescentes nas diversas mídias e redes sociais). O jovem e adolescente que sofre um bullying já é alguém que vem sendo massacrado por muito tempo em sua identidade de ser humano. Não ter dado atenção a esses alertas é que foi o maior atentando à vida humana, pois quem avisou foram pessoas preocupadas e atentas com o que vinha acontecendo e que conheciam muito bem das sombras e luzes que habitam no ser humano e no contexto das relações em todos os níveis onde elas se dão. Não falaram com base em preconceito ou dogmas, mas a partir de princípios,  referências e valores que a própria humanidade cunhou e construiu ao longo de milênios para pautar suas vidas e suas relações uns com os outros, com o meio ambiente e com o próprio planeta. Talvez essas pessoas sejam vistas, sim, na sua época como retrógradas, loucas, sonhadoras, caducas e ultrapassadas, porém, a nós hoje, os mais “jovens”, “inteligentes”, “sabidos” e “progressistas” de tudo acerca do ser humano, tenhamos que usar nossa sabedoria, nossa evolução e progresso, para ouvir melhor o que nos foi dito e alertado acerca das pessoas, do meio ambiente e do planeta, para ficarmos mais espertos, mais cuidadosos, e mais sóbrios com nossa condição humana. E, por outro lado, para nos abrirmos, quem sabe, a um comportamento e a um modo de ser que nos permita reorganizar interior e exteriormente nossos grandes dilemas existenciais. Quem sabe chegou a hora de dar mais atenção e ouvido ao velho dito: “Quem te avisa, amigo é”. E amigo de verdade é sempre alguém que nos ajuda a ver, a sentir, a pensar e a agir de um modo melhor do que aquele que nos encaminhava para o abismo de uma destruição pessoal e coletiva. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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23 de outubro de 2017
Aprendemos a amar não quando encontramos a pessoa perfeita, mas quando conseguimos ver de maneira perfeita uma pessoa imperfeita” (Sam Keen, filósofo, professor e autor americano, *1931).
Mais que um sentimento, amor é uma atitude. Amar quem sorri para nós e gosta de estar conosco é até de certa maneira fácil, mas, amar quem a todo instante gosta de nos hostilizar, aí sim, requer uma atitude de coração. Piora quando esta pessoa é superior em hierarquia, ou se porta como tal. E de forma direta ou indireta procura nos expor perante os demais apontando nossos erros ou atribuindo a nós erros de outros. Revidar ou fugir vai dar razão ao opressor. Temos que acreditar em nosso potencial e saber que as acusações são infundadas. Deixar de se preocupar com as opiniões alheias e continuar dando o melhor de nós. Evitemos desperdiçar energia em disputas verbais, nossas atitudes falam mais alto. Mostremos nossa simpatia com um belo sorriso. Ninguém pode atingir nosso coração para nos prejudicar sem a nossa permissão. Com isso estaremos imitando um oleiro, que com o barro das ofensas vai esculpindo um lindo coração, ou seja, amando quem nos ofende estaremos aprimorando nossa capacidade de amar e cumprindo o preceito divino. Só com o tempo perceberemos que nossas atitudes de amor transformaram muitas vidas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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20 de outubro de 2017
O essencial é o que cabe no coração” (Mabel Cristina Dias, em vídeo da internet).

Quanto mais pesada estiver a mochila, mais difícil será a caminhada. O mesmo acontece com o que carregamos no “coração”. Coração é um órgão muscular responsável pela circulação sanguínea. Coração também é a parte mais íntima do ser, berço dos sentimentos. Tudo o que é central e essencial é dito como coração. Essencial é tudo que tem núcleo. É o sumo, o miolo de uma coisa, de onde tudo procede, cresce e se sustenta. É aquilo que, aconteça o que acontecer, estejamos onde estivermos, temos que ter em nós ou junto conosco. O que é importante, mas não essencial, a gente carrega também, mas chega o momento em que o importante pode ficar desnecessário. Em relação ao dinheiro, quando ficamos com medo, por exemplo, ele não nos compra a coragem. Quando ficamos deprimidos ele não nos compra a alegria de viver. Quando estamos doentes o dinheiro compra remédio, paga os médicos e os tratamentos necessários, mas, não nos dá a saúde. Quando estamos diante da morte eminente, o dinheiro não nos impede de morrer.  O essencial, por sua vez, ainda que tenhamos medo, nos liberta para a coragem para lidar com ele. Ainda que estejamos deprimidos, o essencial nos capacita a prosseguir diante de tudo o que nos oprime e deprime. Ainda que estejamos doentes, o essencial nos encaminha para a cura. E diante da morte, o essencial nos abre para o Mistério dela e nos liberta para o inesperado e desconhecido eterno. O essencial é  guardado no coração, pois, o coração sempre foi visto não propriamente como uma bomba de jorrar e receber sangue, mas como aquela instância onde tudo o que é de mais valioso e precioso é gerado, recebido, aprofundado e compartilhado. Em síntese, é o horizonte onde tudo de bom e melhor se dá e se distribui no ser  humano. Nele cabe apenas o que é essencial. Ou seja, o que é essencial está no coração. Tudo o mais, inclusive o que é necessário tem apenas passagem pelo coração, bem como o desnecessário. Se o que não é necessário insiste em permanecer no coração ele o danifica e produz acidentes (como o AVC). Uma preocupação, por exemplo, se habita por muito tempo no coração sem ser resolvida, logo, logo, o adoece. Todo o lixo emocional que quer se fixar no coração, com o tempo o destrói. Tudo o que fica preso ao coração sem data de despejo, põe em risco a saúde corporal, mental, e espiritual da pessoa. O coração não foi feito para coisas pesadas e “aprisionantes” (que levam a prisão) como a falta de perdão e o rancor, pois, isso e muito mais são ervas daninhas que o descuido humano deixa nascer, crescer e atormentar o coração, arrancando ou menosprezando nele tudo o que é essencial. O coração é uma instância onde cabem infinitas alegrias, a bondade sem fim, o amor sem medida, a amizade verdadeira, a gratuidade sem explicação, e todas aquelas coisas que são leves, profundas, vitais para o ser humano, isto é, essenciais. Por isso, levemos nele, então, apenas o essencial ou aquilo que não nos pesa no caminho e no caminhar. Pois, aquilo que pesa e pressiona o coração, somente  o desgasta, o enfraquece, o adoece e o consome. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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19 de outubro de 2017
Assim como uma vírgula pode mudar uma frase, uma simples atitude pode mudar uma história” (frase da internet).
Com um simples sorriso muitas portas se abrem. Vírgula é um sinal gráfico de pontuação. O uso da vírgula em qualquer texto é um recurso que ajuda a encontrar o sentido do que se quer comunicar. Na sua etimologia tem a ver com um traço ou vara que era usado para separar frases para torná-las menos confusas e mais compreensíveis. Ao se separar a frase, estabelecia-se um corte que isolava as frases e proporcionava a quem estava lendo um texto ver com clareza e simplicidade as partes e fazer conexões com o todo. Servia para explicar, ligar e deslocar as frases. Quando se fala, por exemplo, a vírgula serve para estabelecer pausas e respirar. De qualquer forma, vírgula era uma espécie de exercício do escritor e do falante para gerar uma harmonia tipo “Um por todos e todos por um”.  Colocada ou isolada de forma inadequada no texto, perdia-se o contexto e ela estabelecia confusão ou uma grande diferença na compreensão do texto e da fala. A vírgula, portanto, é um simples sinal de pontuação que faz toda a diferença na comunicação escrita e oral. Da mesma forma, a atitude. Por simples que seja, estabelece diferença nas relações cotidianas. Um simples bom dia, um sorriso, um “olá”, um “tudo bem?!”, um “Que bom que você está aqui”, já muda o tom da relação. Ou, ainda, um simples “te amo”, ou “como você está melhor” já ajuda. Da mesma forma, faz toda a diferença um simples gesto de indiferença, um “não” dito com ar de superioridade ou menosprezo; um “não tô nem aí”, ou um “que se dane!”. São frases curtas que na atitude de quem fala ou faz dá o tom do dia, da noite, dos meses e até dos anos. Muitos chegam à velhice marcados negativa ou positivamente por pequenos gestos e palavras de trinta, quarenta ou cinquenta anos atrás. Atitude é, nesse sentido, os pequenos gestos e palavras que cultivamos no cotidiano que vão se somando até balizar ou fundamentar a existência. Atitudes simples possuem força de mudar a história das pessoas, não porque são feitas de uma vez por todas, mas pelo simples fato de que são construídas em pequenas doses diárias até alcançar o volume e a posição de serem quase que eternas na vida delas. Com outras palavras, é de uma atitude simples que o rumo de nossa existência e de nossa história pessoal e coletiva se faz. Pensemos, então, que se queremos a vida pessoal e coletiva melhor, elas dependem de atitudes simples que sejam boas e melhores em tudo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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18 de outubro de 2017
Por trás de cada coisa bonita, há algum tipo de dor” (Robert Allen Zimmerman, ou “Bob Dylan”, compositor, cantor, pintor, ator e escritor americano, *1941).
O belo ou bonito está também no coração bondoso de quem olha. “Bonito”  se refere àquela realidade que se mostra, ou melhor, que se externa como o melhor, o mais perfeito e essencial de uma coisa. Para vir à tona, para se mostrar ou se externar, aquilo que surge só surge porque passa por um processo lento, gradual e árduo de transformação. Esse processo lento, gradual e árduo de transformação em geral é doloroso, não vem de “mão beijada” e nem espontaneamente, entendendo o espontâneo aqui como o que se mostra sem esforço, sem luta e sem determinação. Nesse sentido, por trás de cada coisa bonita é que há algum tipo de dor. Por trás, por exemplo, de todo balé bonito e bem dançado estão muitos pés “arrebentados” e sofridos das bailarinas. Por trás das belas palavras e reflexões dos sábios existe o sofrimento de pensar o impensado de tudo o que é pensado. Por trás do profissionalismo de muitos homens e mulheres na área da saúde, da educação, da arte, da cultura, do mundo empresarial, estão as madrugadas, os dias, meses e anos curtidos no contato com livros, leituras, exames, entrevistas e verificações de todos os tipos. Também por trás da beleza de muitos corpos esculturais estão as dores e os suores de anos de academia e malhação. Por trás da serenidade e beleza translúcida do rosto de um enfermo, há a conquista e o aprendizado do sentido da dor e do sofrimento. Por trás da beleza e da alegria pura e inocente de um “bobo-alegre” está, muitas vezes, o sofrimento ocasionado pela perda da consciência ou do senso de realidade. Em síntese, o que é bonito mesmo sempre vem acompanhado de uma dor que o antecipa. Só que essa dor nada tem do prazer do masoquista que se delicia dos sofrimentos infligidos a si próprio. Tem a ver com a conquista que nasce de uma travessia sofrida, feita de altos e baixos no caminho de superação dos obstáculos e desafios que se apresentam no interior de sua alma ou no núcleo de sua vida. A dor, nesse sentido, pertence ao processo de aperfeiçoamento de tudo o que quer chegar a ser verdadeiramente belo e bonito na pessoa. Pode ser que pensando assim, toda pessoa que se mostra realmente bonita por fora é porque internamente foi bastante lapidada nos seus valores, nas suas buscas e nos seus sonhos. Desta forma, brilha por fora o que por dentro foi testado e amadurecido no tempo e no terreno do sofrimento. O bonito que nasce daí nem sempre é meramente estético, mas algo vigoroso, inquebrantável, polido, forte, precioso, e substancial. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom Dia!(21 anos)
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17 de outubro de 2017
Perguntaram ao Buda: o que você ganhou com a meditação? Ele respondeu: “Nada, mas, deixe-me dizer o que eu perdi: Ansiedade, raiva, depressão, insegurança, medo da velhice e da morte”. (frase da Internet).
Chamamos de “meditação” a contemplação mental, reflexão. Ela abre a “tampa” de um “baú” mental cheio de preciosidades. Meditação é uma daquelas realidades que dificilmente corremos atrás por se tratar de um empenho inverso ao que buscamos nos tempos atuais. Estamos mais voltados à inquietação da mente, do corpo e do espírito. Meditar em meio às correrias e pressas do dia-a-dia soa quase insensatez e perda de tempo para quem o tempo representa dinheiro, efetividade, produtividade e ação. Meditar, nesse caso, seria uma inatividade, uma improdutividade e uma inação. Porém, talvez seja essa inatividade, improdutividade e inação da meditação que a torne tão eficaz, tão produtiva e tão prática, pois, ela é apenas o caminho inverso de nossas iniciativas. Não que ela seja contra nossas iniciativas, mas, apenas não se move a partir delas. Ela é o caminho do meio. Mas, não o caminho do meio que elegemos para caminhar. Enquanto meio ela é o modo como ela mesma se dá em meio às nossas escolhas e iniciativas. Talvez, seja por isso que não ganhamos nada quando nos colocamos em meditação, pois, em geral vamos a ela para ganhar algo de nossos desejos que mais entorpecem nosso ego do que nos liberta de nossos apegos e seguranças. Desta forma, a meditação, para quem se lança nela, rompe com nossas iniciativas “egoístas”, e inverte o processo de nossos pedidos, tirando de nós o que escondíamos para não ver, não querer, e não trabalhar em nós mesmos. Ou seja, a meditação nem sempre nos dá o que queremos, mas nos tira o que não queremos por ignorarmos que o que não queremos é que tantas vezes nos move nos pensamentos, nos sentimentos e na ação. A meditação tira a ansiedade que nos coloca nervosamente no futuro; a depressão que nos prende ao passado; a raiva que incendeia e destrói nosso presente; a insegurança que nos instala na indisponibilidade e na indecisão dos passos diários; e o medo que nos anestesia e nos fecha para a manifestação da vida cotidiana. A meditação nesse sentido não serve para nada se a pensarmos como servindo para algo de nossos interesses. Porém, o seu nada é um abismo de possibilidade que vem a nós quando nos entregamos a ela. Não somos nós que arrancamos algo dela quando meditamos, mas é ela que nos dá algo de si. Mas, ela nunca dá algo de si sem nos tirar algo de nós. E o que ela tira é sempre o que temos muita dificuldade de abandonarmos por nós mesmos. Com outras palavras, a meditação tira o que nos pesa e freia para nos dar o que nos solta e nos torna mais livres e leves. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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16 de outubro de 2017
Um erro não se torna certo mesmo que todo mundo acredite nele” (Mahatma Gandhi, advogado e líder político hindu, 1869-1948).

O homem nunca esteve e nunca estará acima das leis que regem o universo. Por muito tempo as pessoas acreditavam que a Terra era o centro do sistema solar. Isto só era verdade na mente das pessoas que acreditavam nisso. Mesmo quando Galileu dissesse o contrário, ninguém acreditava nele, até que ele provou o que dizia. Isso demonstra que o ser humano ainda tem muito que aprender, nós estamos ainda gatinhando no conhecimento das coisas, enquanto o universo segue em sua jornada. São inúmeros fatos ocorridos no decorrer do tempo em que ficou demonstrada nossa ignorância (no sentido de desconhecimento). Quem se dedicou a observar e respeitar o que via, aprendeu com sua persistência, como fez Galileu. Agora, querer alterar “no grito” ou por decreto o que a natureza estabeleceu é um atestado de arrogância. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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13 de outubro de 2017
Pelo amor de uma rosa, o jardineiro é escravo de mil espinhos” (provérbio turco).

 As rosas são formadas a seu tempo ao compasso da sensibilidade do jardineiro. Dentre as inúmeras qualidades de flores que existem no mundo, a rosa tem seu lugar de destaque por sua beleza, delicadeza e perfume. Seus cuidados começam ao preparar o solo, que precisa ser rico em húmus e de preferência argiloso. Antes da floração ela precisa de água no período mais quente do dia e depois apenas quando começa a secar. Depois de um ano começam as podas, respeitando as estações do ano e o ciclo lunar. Todo este cuidado é para se obter a melhor rosa, com beleza e perfume. Há uma harmonia entre muda, jardineiro e tempo, onde tudo é mais intuitivo e o amor comanda as ações. Para preservar a delicadeza, os espinhos protegem a sensibilidade da flor. Talvez por tudo isso que a rosa represente bem o amor humano, que precisa de tempo e sensibilidade para ser cultivado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de outubro de 2017
E os anjos disseram: Ó Maria, verdadeiramente Allah te anuncia o seu verbo, seu nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, honrado neste mundo e no outro” (Texto do Alcorão, surata 3: 45-48).

“O anjo do Senhor anunciou a Maria” (Angelus). Algumas curiosidades. Pouca gente sabe que no Alcorão (livro sagrado do Islã), o único nome feminino citado é o de Maria (Maryam em árabe), mãe de Jesus. São 34 citações em 12 capítulos e, além disso, há uma surata (capítulo 19) intitulado “Surata Maryam”. Outra curiosidade. O nome da cidade de Fátima em Portugal tem origem em uma homenagem a Fátima, filha de Maomé. Mais tarde, em 1917, Nossa Senhora aparece nas imediações desta cidade a três pastozinhos, fazendo uma série de revelações. São inúmeras aparições em todos os cantos do mundo. No Brasil, as mais famosas são a de Nossa Senhora Aparecida e a do Círio de Nazaré. Ao longo da história Maria sempre está presente nos momentos mais difíceis nos apresentando o caminho da oração e da confiança em seu filho Jesus como saída para as dificuldades. Ao pé da cruz Jesus nos diz: “Eis aí a tua mãe”, e desde então, Ela sempre esteve presente na vida do cristão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de outubro de 2017
Oh quão feliz é uma pessoa depende da profundidade de sua gratidão” (John Miller, ciclista escocês, 1881-1957).

Aproximamo-nos da data em que boa parte da sociedade, de famílias e Instituições prestam suas homenagens às crianças. Nem todas as crianças, com certeza, serão beneficiadas por gestos de afetos e presentes vindos das pessoas, mas é inegável que a iniciativa de se presentear é louvável, pois, presentear é tornar presente algo que queremos que se eternize na memória e na afeição das pessoas.  Presentear, nesse sentido, é uma forma de gerar e cultivar a gratidão no coração humano. O grande desafio, porém, de boa parte da geração infantil atual com seus pais e educadores, é aprender a ser grata. Sem apelar para um pseudo-saudosismo, os mais antigos talvez se lembrem do tempo em que algumas crianças dentro das famílias, das vizinhanças e, especialmente das escolas, recebiam no dia das crianças balas e um refrigerante (às vezes, um Ki-suco de deixar a língua colorida por horas) com pão preenchido por um pedaço de salame. Isso para elas era o máximo. Era motivo de festa, de alegria e gratidão. Ainda que houvesse a possibilidade de outros presentes mais caros, mais bonitos, mais apetitosos do que aqueles que se recebia, nenhuma criança se frustrava com o recebido, por mínimo que fosse. Preparando-nos para mais essa data que culturalmente se tornou quase como que uma espécie de ritual obrigatório, vale a reflexão de como muitas crianças de nosso tempo se preparam para esse dia. Quase a exemplo do natal, muitas ficam ansiosas com a proximidade da data. Antecipadamente exigem presentes, e forçam os pais, parentes e amigos a darem o que elas querem. E como se trata de viverem em um mundo “tecnologizado”, muitas delas ao receberem, por exemplo, um celular ou tablete que não seja de última geração ou performance, sofrem, brigam, tem ataques histéricos, e entram quase numa espécie de depressão. Com essa atitude, a gratidão nem entra em questão, apenas, o ego ferido. O presente é visto como um dever e obrigação imposta aos adultos. Com tal tipo de comportamento aos poucos desenvolvem uma mentalidade que mesmo que ganhem aquilo que tanto anseiam, não são capazes de dizerem nem um “muito obrigado”. Podem ganhar o mundo inteiro e ainda se sentem insatisfeitos, pois, não há presente que preencha um ego vazio de gratidão. Por outro lado, há aquelas crianças que em recebendo um pequeno pacote de balas ou um brinquedo de plástico, sentem-se como se tivessem ganhado o máximo, e enchem de beijos e afetos aquele(s) que os presenteia(m). No coração deles nasce e se desenvolve um espírito de gratidão que ao longo da vida os torna profundos e contenta no modo de lidar com o pouco e com o muito, com o pequeno e com o grande, com o simples e com o complexo, com os altos e baixos da vida humana. Talvez seja nessa parte que o dia da criança deveria começar a despertar em todos aqueles que estão envolvidos pela força desta data, e por esse tipo de homenagens, uma maior reflexão acerca da importância da gratidão. O cultivo da gratidão vem tantas vezes do gesto de presentear e ser presenteado. E ela é a chave para a alegria de viver nesse mundo que tem tudo de bom e belo, mas que também tem suas sombras marcadas pelas comparações, pela competitividade, pelo consumismo, pela exigência de ter, e ter cada vez mais (sem medida e sem limites), pela insensibilidade, e pela ingratidão frente ao pouco e frente ao muito. Talvez a nova geração, nesse ponto, tenha perdido muito de sua alegria e simplicidade de viver, por achar que tudo que recebe é um direito, uma obrigação a ser cumprida pelos outros, um mérito próprio, ou, como se costuma ouvir de alguns ingratos: “Você fez, porque quis, eu não pedi”. A gratidão ensinada e vivida em meio às crianças, e com as crianças, por meio de presentes ou não, é uma das sementeiras onde se planta; se colhe e se reparte a alegria. Não a alegria meramente psicológica que vai e vem, mas, aquela da jovialidade de viver em toda e qualquer situação da vida humana. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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10 de outubro de 2017
Nenhum atleta será coroado se não tiver competido segundo as regras” (segunda epístola de São Paulo a Timóteo 2, 5).

Para exibir medalhas e troféus de competição, é preciso antes ter competido. Ir à loja e comprar prêmios é fácil; treinar, se esforçar, superar a si mesmo para competir e ganhar é outra coisa. São Paulo está querendo dizer que as coisas na nossa vida não caem prontas do céu; é preciso esforço de nossa parte. Compara também ao agricultor, que para colher é preciso primeiro plantar e no tempo certo, colher. Em outras palavras, o mérito da recompensa eterna é dado a quem lutar, isto é, vencer os desafios que a vida lhe impõe. Estamos em uma época em que os valores morais são questionados, a boa conduta é desprezada, os que temem a Deus são ridicularizados, pois, os que são do “mal” querem colocar como certo tudo o que a Palavra de Deus diz que é errado. Aí está nossa luta, nossa competição, superar as coisas do mal com o bem, sendo fiel e não aceitando como certo o que sabemos que é errado. Seremos tentados a desistir, pois, oferecerão vantagens para nos desviarmos do caminho do bem; mas, pense na competição; você para ser campeão deve vencer os desafios, superar obstáculos e chegar primeiro. Deus é sua recompensa. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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9 de outubro de 2017
Nas tentações invoque seu anjo, ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele” (João Melchior Bosco ou “São João Bosco”, sacerdote italiano que dedicou sua vida para a educação dos jovens, 1815-1888).

“Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger...” (Êxodo 23). Em vários relatos bíblicos, vemos a presença de seres enviados por Deus, cada um com sua missão. Também nos adverte o texto de Êxodo para respeitar nosso anjo, pois “ele não suporta nossas rebeliões”. A maldade do mundo fez com que sua figura fosse quase que esquecida pelas pessoas preocupadas apenas com o seu bem estar e dando pouca importância para o que é divino. Temos que resgatar a presença de nosso anjo em nossa vida, pois, ele nos protege e ajuda a fazer a vontade de Deus. Vale recordar uma antiga oração ao anjo da guarda; “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a Piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Amém”. Reze todos os dias e verás a diferença em sua vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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6 de outubro de 2017
São sempre mais sinceras as coisas que dizemos quando estamos com raiva do que aquelas que dizemos quando estamos tranquilos” (Marco Túlio Cícero, advogado, político, escritor, orador, filósofo e cônsul romano, 106 - 43 a.C.).

A verdade é libertadora. Quando os ânimos estão acirrados, quebramos a nossa “caixa de pandora”, onde guardamos nossos reais sentimentos, e com isso deixamos sair o que realmente pensamos sobre tudo e sobre todos. A “caixa de pandora” faz parte da mitologia grega e a expressão é muito utilizada quando nos referimos à curiosidade humana, ou seja, ela guarda coisas que desconhecemos (ou que não queremos revelar). Somos muito cautelosos ao falar com medo de ferir alguém ou de nos meter em confusão, com isso os freios de nosso inconsciente estão sempre ativos, freando nossas palavras. Mas, quando algo ultrapassa esta barreira invisível e nos atinge, dizemos coisas sem pensar e acabamos revelando a verdade de nossos sentimentos. Também conhecemos o que outros pensam sobre nós. Assim, em seu falar, prefira a verdade à mentira, pois a verdade não se quebra com o tempo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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5 de outubro de 2017
Quando descanso? Descanso no amor” (Anjezë Gonxhe Bojaxhiu ou “Madre Teresa de Calcutá”, religiosa católica de origem albanesa, 1910-1997).

O amor que vem de Deus e nos toma por inteiro quando nos deixamos tocar, dá sentido à nossa existência. Cansar e descansar são dois ritmos que a vida nos oferece em meio a tantas fadigas que nos tocam diariamente. Cansamos quando sentimos o esvaziamento das energias que nos mantinham no “pic” dos afazeres. Porém, nem sempre nosso cansaço se liga ao que fazemos, como, por exemplo, o cansaço de uma lida diária de um trabalho braçal e intelectual. Esse tipo de cansaço nos tira as energias, mas, as recuperamos de imediato numa noite tranquila de sono, num passeio, numa atividade esportiva, e até mesmo num pequeno cochilo de poucos minutos. Pois, tal cansaço não nos tira as verdadeiras forças, nem as disposições mais profundas da alma. O cansaço que nos cansa e não descansa é o das obras feitas sem amor. Tudo o que fazemos sem gosto, sem querer, sem vontade livre, enfim, sem amor, isso, sim, nos provoca um cansaço sem descanso. Trata-se daquele cansaço existencial que nos acompanha dia após dia sem data de término. Nele sentimos como se estivéssemos empurrando enormes blocos de pedras morro acima sem jamais alcançar o topo. Sentimos uma espécie de peso insuportável não apenas sobre os ombros, mas sobre a totalidade de nosso ser, aumentando em doses lentas, mas, de forma indefinida. Se aquilo que faço produz tal cansaço e fadiga que me arranca as energias sem nenhum retorno de vitalidade no dia seguinte, é um bom indicador de que aquilo que estou fazendo é sem amor. Ao mesmo tempo, é bem verdade que toda obra feita com amor cansa, mas, o amor descansa aquele que trabalha com amor e, nessa medida, até o mais pesado fardo se torna leve. Torna-se leve não porque perde o peso ou a força de sua realidade crua e nua ali a nos pesar na existência, mas, porque o amor o suporta e o carrega até nos seus limites mais extremos. Há pessoas que nunca se cansam, porque estão continuamente sustentadas pelo amor com que fazem qualquer coisa. Até mesmo numa enfermidade são fortes e invencíveis, pois não são elas a carregarem o peso da enfermidade, mas, o amor que carregam em seu íntimo. E, embora lutem, sofram e sintam o peso da dor, descansam e se refazem no amor. Ou melhor, o amor as descansa. O amor aqui não é um sentimento que criamos para nos ajudar a suportar o sofrimento. Refere-se a um modo de ser que nos toma por completo, e que nos move em tudo o que somos e fazemos. Desta forma, descansar nesse amor nada mais é do que trabalhar incansavelmente para viver e se abastecer incessantemente de sua força, de sua energia e de sua vitalidade sem fim. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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4 de outubro de 2017
Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras” (Giovanni di Pietro di Bernardone ou “São Francisco de Assis”, místico católico italiano, 1182-1226).

Para perceber a luz, precisamos sair da sombra. A palavra “sombra” normalmente determina a área sem iluminação direta o que dificulta a visão do que ali se encontra. Também é utilizada quando falta clareza nos conhecimentos ou um desconhecimento sobre algo. Desde que nascemos, vamos aos poucos tendo conhecimento sobre tudo o que nos cerca. À medida que aprofundamos nossos conhecimentos percebemos que a quantidade do que desconhecemos é muito maior. São Francisco de Assis se entregou na busca de conhecer a vontade de Deus para sua vida; ao mesmo tempo percebeu que ele ia se revelando aos poucos na medida em que deixava se iluminar por essa luz divina. Esta iluminação acontece de várias formas, desde que eu esteja aberto ou me deixe tocar por esta luz divina. Pode ser pelo canto de um pássaro, por um sorriso, pelo voo desengonçado de uma borboleta, pelo conselho de alguém que nem esperávamos, enfim, Deus nos fala a todo instante e de várias formas. Mas, principalmente por sua palavra expressa nos escritos sagrados, onde não basta apenas ler, mas deixar-se tocar por seus ensinamentos. São Francisco buscava a todo instante esclarecer as dúvidas (sombras) sobre a vontade de Deus em sua vida e era na Bíblia que ele encontrava sua maior fonte de luz (raio de sol). Desta experiência ele pode perceber que toda a criação é um hino de louvor a Deus, ou seja, somos conduzidos e irmanados pela luz divina quando nos entregamos a este amor infinito que nos quer “abraçar e beijar” com tanto carinho e alegria. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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 3 de outubro de 2017
A mudança não é dolorosa; a resistência à mudança, sim” (Sidarta Gautama ou “Buda”, filósofo chinês, 563-483 a.C.).
A vida é dinâmica e está constantemente em mutação. Mudar é um ato de nossa condição humana. Mudamos de opinião, de hábitos, de endereço, de roupas, de partido, etc. Dentre todas as mudança possíveis, a mais difícil é a de mentalidade, ou seja, de mente, da visão que temos das coisas. Esta por sua vez nem sempre é tão clara no início, às vezes opaca, estreita, quase cega. Inicialmente vemos só o que queremos ver. Qualquer visão diferente; sentimo-nos ameaçados. E para fugir desta ameaça costumamos partir para o ataque. Nem nos damos ao trabalho de pensar, refletir, ponderar ou acolher o diferente como um estímulo para repensar nosso modo de pensar, para que ele amplie seus horizontes e fique mais rico e profundo. Com isso deixamos de mudar preferindo o conforto de nosso ponto de vista. Freamos nossa possibilidade de evoluir e crescer na nossa mente, para que ela se torne mais livre no agir e mais penetrante no modo de pensar. Este freio é chamado de resistência, isto é, barrar qualquer possibilidade de mudança, de crescimento e avanço. A mudança traz consigo a possibilidade do novo, do inaudito, do impensado e do ainda não. Por isso mesmo ela jamais se machuca ou faz sofrer indevidamente. Quem nos faz sofrer e nos machuca é a resistência. Ela nos impede de analisar a crítica e a autocrítica para manter-se no poder do ego e fugir da verdade, enquanto que a mudança de mentalidade supõe a autocrítica e a critica como parte do processo de mudança. É doloroso perceber o esforço de tentar empobrecer e neutralizar qualquer possibilidade de crescimento ou mudança. Isto gera apenas mais choque e mais sofrimento, pois vive tentando bloquear o ritmo natural da vida que é sempre seguir adiante. É como querer que a água do rio corra contra a força da gravidade. A mudança de mentalidade, quando entendida, jamais é dolorosa e sim, leve e fluente como as águas de um rio caudaloso, que mesmo encontrando rochas em seu percurso, prossegue contornado obstáculos até encontrar seu destino. Analise antes de rejeitar, aprenda com o novo, rejuvenesça seu modo de pensar e ver as coisas sem fugir de você mesmo e do amor de Deus por você.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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2 de outubro de 2017
Paciência é o diamante da alma” (Soeli Zanella de Oliveira, mãe de família brasileira, *1968).

O diamante é formado com o tempo. Diamante é uma pedra preciosa composta de carbono puro. Para o carbono se transformar em diamante ele deve superar pressões extremas acima de 60kbar. Depois de formado todos admiram a beleza desta pedra preciosa, e ela atinge alta cotação no mercado. Poucos, no entanto, imaginam a pressão que ela sofreu para chegar neste ponto. Algo semelhante acontece com a vida. Quem apenas vê alguém se encantando com algo em sua vida nem consegue imaginar o que antecedeu antes, ou seja, tudo o que ela teve que passar para chegar neste ponto. Quanta renúncia, quanta dor, quanto sofrimento, quanta superação etc. Tudo isso vai lapidando a alma, semelhante ao diamante que é lapidado para atingir a perfeição. A maioria não resiste às primeiras pancadas da vida; mas, quem cultivou o dom da paciência é capaz de ir, passo a passo, superando os imprevistos da vida, rumo à perfeição. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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29 de setembro de 2017
Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras” (Padre Antônio Vieira, religioso jesuíta, filósofo, escritor e orador português, 1608-1697).

Vento é o ar em movimento. Falar ao vento é deixar suas palavras seguirem sem grandes transformações na vida de quem as ouve. Falar ao coração é marcar a vida de quem te vê em ação, e muitas vezes nem é necessário falar. Para isso, suas ações devem ter o peso de sua fé, ou seja, daquilo em que acreditas e que vale a pena dar seu empenho. Então de seu coração sai a força para realizar bem o seu trabalho. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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27 de setembro de 2017
Os grandes sucessos são sempre precedidos e atravessados por diversos obstáculos e dificuldades” (São Vicente de Paulo, de escravo a sacerdote francês, 1581-1660).

As conquistas são precedidas de muito esforço. A vida de São Vicente é uma prova disso. Guardador de porcos na infância, em uma viagem é aprisionado por piratas e vendido como escravo, foi negociado diversas vezes, acabou fugindo, depois é acusado injustamente de ladrão por um juiz, conseguiu estudar e se formar em Direito Canônico, passou a se dedicar em auxiliar os pobres e desvalidos, organizou diversas obras de assistência. Se tivesse desistido nas primeiras dificuldades, se igualaria a tantos que desistem depois das primeiras quedas. Todos os dias nós enfrentamos desafios, que devem ser vencidos um a um, sem se angustiar com os que podem vir. Muitas vezes o que temíamos nem aparece, vêm outros desafios inesperados. Vença um leão de cada vez, e deixe os tigres para depois, se surgirem. Organize sua vida, tenha confiança em sua capacidade, aja com honestidade, pense nos desfavorecidos, lembre-se que nos momentos mais difíceis Deus estará ao seu lado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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26 de setembro de 2017
Muitas vezes as leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insetos, mas, são rasgadas pelos grandes” (Anacarsis, filósofo cita, discípulo de Sólon, viveu em 590 a.C.).

O medo gera insegurança. Vemos muitas vezes pequenos produtores em dificuldades financeiras, tendo a seu encalço uma série de órgãos governamentais, cada um com suas exigências próprias, fazendo cumprir o que determinam as leis, no entanto a mesma exigência não se aplica “aos amigos do rei”. Enquanto se utiliza de uma “peneira” bem fina para garimparem os contribuintes, em busca de centavos, grandes quantidades de dinheiro em espécie passam despercebidas e algumas vezes são apreendidas em imóveis porque alguém denunciou. Falta equilíbrio. Existem leis demais e muitas sem aplicação prática. A tão sonhada reforma no Judiciário precisa acontecer o quanto antes para que as leis sejam mais justas e defendidas por todos. Sozinhas elas nunca acontecem, pois, o Judiciário está sufocado em meio a inúmeros processos. Seria necessária uma força tarefa, uma espécie de mutirão envolvendo, quem sabe, as escolas de direito e a comunidade jurídica para gerarem propostas plausíveis. Enquanto tivermos leis injustas que só castigam os mais fracos, nunca haverá paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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25 de setembro de 2017
Assim que alguém perceba que obedecer a leis injustas é contrário à sua dignidade de homem, nenhuma tirania poderá dominá-lo” (Mahatma Gandhi, advogado e líder político hindu, 1869-1948).

Em toda organização precisa-se de regras. Elas são para garantir a transparência e isonomia desta organização. Seus membros preservam e obedecem. Controlar as leis e sua formatação é o sonho de todo tirano. Até nas organizações religiosas há leis. No entanto, há limites a serem considerados. Moisés deu ao povo o que recebeu de Deus, que são os dez mandamentos. A partir daí houve desdobramentos no sentido de garantir a fidelidade do povo a seu Deus. Também nasceram os exageros na interpretação das leis. Como exemplo. No tempo de Jesus eles levavam muito a sério o respeito pelo sábado (dia sagrado), a ponto de nada fazer neste dia. Jesus cura no sábado e é criticado pelos doutores da lei e responde (Marcos 2, 27); “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, ou seja, esta lei foi para garantir o descanso neste dia, mas, a vida humana está acima da rigidez da letra da lei. Nossas leis políticas são elaboradas por representantes do povo. Mas, com o passar do tempo descobriu-se a força do lobby, ou seja, um jeito de interferir nas decisões do poder público, principalmente na formação das leis. Assim, muitas delas passaram a atender a outros interesses. Mahatma Gandhi lutou muito neste campo em defesa de seu povo. Temos a obrigação de obedecer às leis, mas, também de protestar se percebemos que ela é injusta. Quantas leis são aprovadas na calada da noite e em dias de recesso parlamentar, principalmente entre o Natal e o Ano Novo, e ninguém se dá conta disso? Geralmente são leis que atendem a grupos restritos ou a ideologias. Nosso papel de cidadãos e fazer cumprir as leis, mas, também de corrigir as distorções. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de setembro de 2017
A satisfação está no esforço e não apenas na realização final” (Mahatma Gandhi, advogado e líder político hindu, 1869-1948).

Toda e qualquer obra humana para gerar verdadeira satisfação, precisa manter um esforço contínuo no início, meio e fim. Esforço é botar força, ou melhor, usar a força. Usar a força no sentido de botar pressão até que ceda. Nas relações humanas ninguém suporta pressão extrema, pois há um limite na justa medida do esforço de uma energia. É uma energia de disposição que vai sendo conquistada de dentro para fora, até encontrar o ponto dela no trato da coisa com ela mesma. Toda tarefa que tem nas pessoas esse jeito de ser, finaliza bem o processo e traz satisfação. Este esforço, porém, é coisa que temos que fazer o tempo todo e em tudo. Desde o acordar até o voltar a dormir. Há dias que precisamos mais esforço. Esforço para abrir os olhos, levantar e começar a rotina. Também há dias que o dormir precisa de esforço. São as luzes, os mosquitos, a tensão ainda latente do dia, as preocupações etc. Se o sono não for tratado com energia bem dosada vira insônia. O esforço para dormir é deixar se levar pala magia do sono como uma criança que deixa se embalar nos braços da mãe. Por outro lado, há quem, preocupado com o resultado final, deixa de trabalhar bem o início e o meio do processo e fica insatisfeito, pois não satisfaz. Por exemplo; há quem, preocupado com uma prova do vestibular (ou outra qualquer), passa dias e noites estudando sem parar. Alimenta-se mal, dorme pouco e enche o corpo de cafeína e refrigerante. No dia da prova, está tão desgastado que não obtém a concentração necessária para responder das questões. Em outras palavras, preocupado com o resultado final, deixou de fazer bem o início, meio e comprometeu o fim. O final é o arremate de todo um esforço anterior. A satisfação está nessa dinâmica de pegar algo com garra, dando o melhor de si em todas as etapas, até sua conclusão. Pessoas satisfeitas no trabalho, em casa, na infância, na adolescência, na vida adulta, na velhice, no ontem e no hoje em vista de um amanhã, são as que se esforçam na vida e no viver. Talvez a insatisfação que muitos sentem com o mundo onde estão inseridos seja justamente essa de sentir-se esgotados em seus esforços ao querer forçar a barra para alcançar o que desejam sem fazer o devido curso e percurso das coisas como convém. Cada etapa bem feita já é uma satisfação.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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21 de setembro de 2017
Nada vai embora sem antes ter nos ensinado o que precisamos fazer” (Deirdre Blomfield Brown, ou “Pema Chodron”, monja budista americana, *1936).

Tudo o que se passa conosco e tudo o que passa por nós, geralmente vem para nos dizer algo importante, ou para nos mostrar aquilo que ainda não sabemos e precisamos aprender. Até mesmo uma dor tem seu significado nas entrelinhas de nossa existência. Por vezes, certos sofrimentos pousam em nossa alma e se instalam anos a fio sem dar sequer uma trégua para aliviar nosso tormento. Sentimos aquilo como um incômodo a dilacerar lentamente nosso frágil corpo, e a sugar nossas mais preciosas energias. Ficamos a indagar no silêncio de nossa dor a questão; “até quando poderei suportar este peso de tal angústia que durante o tecer dos anos se tornou uma companheira inseparável?” Nessas horas, é difícil acreditar que tal companheira indesejável tenha alguma coisa a nos ensinar nessa implacável escola de sofrimento. Porém, se na escola dos infortúnios, dos sofrimentos e dos abalos que cotidianamente passam por nossa existência, nós formos atentos, mais abertos e mais dispostos para aprender o que está sendo assim ensinado, perceberemos que dentro e fora de nós alguma coisa foi mexida, melhorada, reorganizada e aprofundada. Nesse momento, sem nem saber por que e por onde, descobriremos o que precisamos fazer para encaminhar as coisas e a própria vida numa direção mais clara, mais sábia e mais certeira. Aprenderemos o que antes desconhecíamos e precisávamos saber. E dentro deste aprendizado percebemos aos poucos que os diversos pontos, antes sem ligação, vão sendo aos poucos conectados dando sentido e formando um rastro de paz e um sentido mais amplo para ler e vislumbrar com outros olhos toda a nossa existência. É assim que em cada um de nós, todo e qualquer fato ou acontecimento que nos visita, está sendo processado, sempre nos ensinando e lentamente se despedindo de nós. Em sua despedida, nada vai embora sem antes ter nos dado o que estávamos precisando, ou sem abrir um novo ciclo, ou fechando um antigo. Nesta despedida deixa um aceno humilde e educado de uma realidade que nos deixa e nos diz ao coração; “espero ter ajudado”.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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20 de setembro de 2017
Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Evangelho de Mateus 5, 37).

Seja uma pessoa de palavra honrada. Que seu sim seja sim e o seu não seja não. Sim, sim; não, não. Duas palavrinhas que fazem toda a diferença no modo de Ser do Homem. Isso porque toda e qualquer palavra pronunciada é mais do que um som ou um vocábulo. É um modo de ser e uma criação. Ela expressa o Ser de uma pessoa e cria aquilo que quer dizer. Isso acontece com as palavras sim e não. Com o sim se pode afirmar e confirmar exatamente tudo na vida. E com o não se pode negar, recusar e renunciar a qualquer coisa também da vida, no mundo e nos apelos cotidianos que se dão. Isso pode acontecer em coisas simples do dia a dia de qualquer um. Veja, por exemplo, a iniciativa de um líder religioso de Curitiba que conclamou seus fiéis a fecharem sua conta de um determinado banco que obteve benefício de isenção fiscal e com ele financiou e defendeu uma campanha em um museu gaúcho que expôs fotos e ideias defendendo a questão de gênero e atacando símbolos religiosos, e invadindo as escolas com sua mensagem sem o devido consentimento e autorização dos pais que possuem seus filhos ali matriculados. Resultado: No dizer do líder, em dois dias cem mil pessoas disseram não ao banco e fecharam suas contas em suas agências. É uma iniciativa simples e eficiente que vale pensar para outros âmbitos também. Se o posto de gasolina te cobra um absurdo pela gasolina, diga não e deixe de abastecer seu carro ali. Vá a outro mais barato. Se o mercado “X” manipula os preços, altera validade dos alimentos e engana seus usuários, diga não e não pise mais ali. Vá a outro que não te manipula, ainda que mais distante. Se o restaurante, a padaria, o vendedor de espetinho ou cachorro quente, o Shopping, o Cinema, o verdureiro, a loja tal, te cobra mais caro do que devia, diga não e busque alternativas e não volte mais ali. Se tal político ou partido te enganou, se corrompeu, diga não e não vote mais nele. Se tal Igreja te aprisiona e destrói tua alma e tua consciência com suas exigências, mandamentos e orientações; saia de lá e vá para aquela onde a Fé, a liberdade e a condução da maturidade do espírito é que são a tônica da vida religiosa ali cultivada entre os fiéis. Se coisas como droga, álcool, cigarro, sexo, te aprisionam e tiram sua capacidade de lidar com a realidade como ela é; então diga não com convicção e pronto. Sabendo que para qualquer coisa que se diz não existe um preço a pagar. Um preço mais caro, às vezes, mas, ao final, se revela bem mais libertador e menos “desgastador” das energias emocionais, psíquicas e até financeira. Dizer não a tantas coisas e realidades do dia a dia é um jeito de dizer sim a outras realidades mais importantes. E no meio do caos em que vivemos atualmente, aprender ou reaprender  a dizer não, nesse sentido acima, nada tem de negativismo, mas de uma positividade imensa frente à vida. O não, do mesmo modo que o sim; é uma postura firme e decidida da nossa liberdade humana. E quem sabe dizer sim para o que é sim, e não para o que é não, nunca se perde no mal. Porque, o mal, neste caso, não é um mal moral, mas uma postura de vida de não querer se expor, de não querer buscar, de não se determinar ou se definir frente a tudo o que desafia e conclama o bom uso da liberdade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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19 de setembro de 2017
Quanto à colonização ideológica, direi apenas um exemplo que eu mesmo constatei. Vinte anos atrás, em 1995, uma Ministra da Educação pedira um grande empréstimo para construir escolas para os pobres. Deram-lhe o empréstimo com a condição de que, nas escolas, houvesse um livro para as crianças de certo grau de escolaridade. Era um livro escolar, um livro didaticamente bem preparado, onde se ensinava a teoria de gênero. […] Esta é a colonização ideológica: invadem um povo com uma ideia que não tem nada a ver com o povo: com grupos do povo, sim; mas, não com o povo. E colonizam o povo com uma ideia que altera ou quer alterar uma mentalidade ou uma estrutura”. (Papa Francisco na Conferência de imprensa no voo de Manila a Roma, 19 de janeiro de 2015).

Apesar de ser rejeitada pala comunidade científica por ser sem fundamento, recentemente tem entrado pela porta dos fundos no Brasil uma ideologia chamada ideologia de gêneros. O tema merece atenção, discussão e reflexão. O problema é que já está em curso sem boa parte dos brasileiros se darem conta ao menos do que do que se trata. Já está na pauta do Congresso sem a aprovação e conhecimento da maioria dos cidadãos. Ou seja, basta apenas o Congresso decretar como Lei e que se “dane” quem não concorda! É assim que querem nos fazer pensar. Isto está na mesma direção de uma colonização ideológica, uma invasão de consciência e de mentalidade (como aliás é bem próprio de nosso tempo, especialmente, com aqueles que já sabem como influenciar mentes) que pouco importa quem vai ser lesado, contanto que a ideia seja posta e imposta. A isso não se pode chamar de ideologia de gênero, mas, ditadura de gênero, ainda que os reais envolvidos nessa condição (aqueles a quem se atribuem o tal gênero), talvez nem tenham essa pretensão ou passem longe de querer tal ditadura. Parece que a questão é de um pequeno grupo que se faz passar por uma grande maioria e vai se infiltrando em instâncias como escolas e famílias para conseguirem adesão. Adesão de quem? De quem não sabe do que se trata a questão. Adesão de quem, a exemplo de pedófilos, como se diz, que dão uma balinha para a criança para levá-la lá onde querem aplicar o seu golpe final. A causa ideologia de gênero como tem sido defendida e imposta não é a causa de pessoas lesadas em sua dignidade, mas de um grupo de pessoas que estão importando modelos de outras realidades, nações e grupos para o Brasil com o fim bem específico de tentar minar valores como os da família (ainda que entendida na sua constituição tradicional), e da religião, que não são valores meramente de uma Sociedade e de uma época, mas valores da Humanidade de todas as épocas, em vários lugares, e sob diferentes níveis. E o pior de tudo, é que em nome da tal ideologia de gênero, repito, que talvez a maioria dos interessados de fato na questão não participem da ideologização, instrumentalizam escolas, professores, alunos, crianças e até símbolos religiosos sem o consentimento dos principais interessados. O que estão fazendo é o mesmo que Kim Jong-Um, da Coréia do Norte que, sem pedir autorização de ninguém, faz seus testes atômicos debaixo e por cima da Terra, achando que a Terra toda lhe pertence, e que ele pode se dispor dela como quiser. Com os símbolos religiosos acontece a mesma coisa.  Quem autorizou esse pessoal da ideologia de gênero a usar a imagem de Jesus Cristo (ao menos a que boa parte dos cristãos respeitam e defendem) para fazer suas propagandas? Quem autorizou esse grupo a penetrar nas escolas e fazer a cabeça das crianças com um material que a cabeça delas ainda não está preparada para compreender? Vão dizer que foi assim que fizeram as religiões com o Ensino Religioso. Não estou defendendo o Ensino Religioso aqui, pois isto é outra questão a se discutir, também, de forma madura e equilibrada. Porém, mesmo o Ensino Religioso que se faz hoje nas escolas vem sendo discutido e refletido sob a sua validade ou não, e é para quem quiser, não é mais algo obrigatório e imposto para todos. E ao menos, pelo que parece, o conteúdo que é repassado tem a aprovação dos pais e educadores que há anos vem sendo discutido, refletido e aprofundado  pelos interessados. Não é perfeito, mas, entra em discussão  pelas partes envolvidas. Não acredito que a Sociedade esteja fechada para a discussão de gênero das pessoas. Mas, isso merece o envolvimento de todos por ser um tema importante e que, queira ou não, se reflete na vida de todos e de cada um. O que não é aceitável é a forma como vem sendo feita, entrando pelos fundos do País, sutilmente, e querendo se fazer valer com todos os direitos na nossa casa, em nossas famílias, sem que a gente saiba do que se trata e o que querem. Como está, se parece mais com aqueles penetras de festa que não foram convidados e que querem se passar por donos da casa e da festa. Aceitar isso desse jeito é nos chamar de imbecis. E não estamos mais na época de colonização de ideias e práticas. Estamos na época da reflexão, da discussão madura, do diálogo inteligente, da democracia, do respeito à dignidade das pessoas, da liberdade de pensamento e da possibilidade de se expressar livremente (entendendo bem o que isso significa). Acima de tudo, entender que não estamos mais sob o domínio de interesse de grupos, mas, de grupos que falam pelo interesse de todos os que possuem um interesse comum. Sem isso, jamais alguém deve se submeter à ditadura de quem quer que seja, ainda que tentem defender como sendo uma causa “nobre e justa”. A História está aí com suas guerras “santas” ou não para provar que muito massacre se fez em nome de causas “nobres e justas” que não foram discutidas e nem aceitas pela maioria das pessoas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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18 de setembro de 2017
Somente aqueles espíritos verdadeiramente valorosos sabem a maneira de perdoar. Um ser vil não perdoa nunca porque não está em sua natureza” (Laurence Sterne, novelista humorista inglês, 1713-1768).

O amor é sem limites. Quem ama perdoa. “Quantas vezes devemos perdoar?” (Mt 18, 21). Quando Pedro faz esta pergunta a Jesus ele tinha como base o que ensinavam nas sinagogas naquele tempo, ou seja, que deveríamos perdoar até quatro vezes. Pedro vai além, “sete vezes?” e obtém como resposta, “setenta vezes sete vezes”, ou seja, o perdão deve ser sem limites. Depois Jesus conta uma parábola onde demonstra que seremos perdoamos na medida em que perdoarmos, ou seja, está tudo interligado, a força do seu perdão é que vai ser o parâmetro para você ser perdoado. Quer que Deus seja generoso com você? Seja generoso com teu irmão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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15 de setembro de 2017
Quando você tem que tomar uma decisão que envolva coração é melhor que a cabeça decida” (Enrique Jardiel Poncela, escritor e dramaturgo espanhol, 1901-1952).

Podemos ser traídos por nossos instintos, e a maldade sabe disso. Quando o tentador quis tocar nas decisões do coração de Jesus apelou para o texto sagrado, citando o Salmo 91: Se você for mesmo o Filho de Deus, pode se jogar lá para baixo, pois o texto sagrado fala que “Deus mandará seus anjos para que cuidem de você” (Mt 4, 6). E Jesus não caiu na cilada de agir com o coração e respondeu com a cabeça, citando outro texto: “não ponha a prova o Senhor teu Deus”. Assim como Jesus, também nós temos que tomar decisões que envolvem todo o nosso ser. Nestes momentos temos que ser inteligentes e não cair em ciladas, mesmo que elas se apresentem revestidas de doces palavras para nos confundir, e como fez Jesus, fique com a firmeza de seus princípios que são base de sua vida e dê uma resposta adequada a quem quer te derrubar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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14 de setembro de 2017
Se você quiser acabar com seu problema, pare de falar nele! Sua mente afeta sua boca e sua boca afeta sua mente” (Joyce Meyer, pastora e autora cristã americana, *1943).

“A boca fala do que o coração está cheio”. A palavra “problema” nos lembra uma questão que precisa de alguma solução. Problema é coisa que todo mundo tem. Uns mais e outros menos. Existe até aqueles que têm “pobrema” com o próprio problema. Há quem tenha problema com o “L” e o “R” do problema, trocando um pelo outro. O problema, no entanto, significa aquilo que se lança para adiante de si. E o que é lançado para adiante se torna algo distante do real da realidade. Fica no futuro. E no futuro fica sem resolver, pois ainda não chegou; daí o incômodo no presente. Sem raízes no agora e colocado adiante ele vira uma espécie de pedra no caminho ou um obstáculo que conduz a pessoa a tropeçar nele e cair. A isso se dá o nome de pedra de tropeço. A pedra de tropeço impede de avançar a cada vez que a pessoa levanta e recomeça. Isto é, ela está ali para paralisar a pessoa mesmo. Paralisada ela perde o controle e o domínio da situação e entra no estresse e na insegurança. Estresse por pensar no que ainda não é e não veio. E insegurança por não poder segurar e nem assegurar-se do que desconhece e só imagina.  Para tentar amenizar o estresse e a insegurança recorre-se ao recurso de falar do problema em forma de recordação, lamentação, indignação, revolta, e crítica azeda e reclamação. Ao fazê-lo espera-se ilusoriamente livrar-se dele. Com isso vem o problema do problema que é o seu efeito na mente de quem fala dele continuamente sem resolvê-lo, a afetação. O que a boca fala afeta a mente, no sentido de atingi-la em cheio e modelar nela a forma da fala. Com outras palavras, registra-se ou imprime-se na mente o que a fala expressa. Ao imprimir na mente a mente exprime na fala. E a fala vai aos poucos materializando no jeito de ser da pessoa o que está na mente. Para sair desse círculo vicioso é necessário parar de falar do problema. E parar de falar dele é bem outra coisa do que silenciar sobre o problema, mas deixar de fazer do problema um problema. Quando deixamos de fazer do problema um problema ficamos mais soltos para a vida, para o presente, para o que podemos e sabemos fazer na situação do momento, confiados de que só podemos resolver mesmo uma coisa de cada vez. É mais ou menos na ótica do texto do texto sagrado do Eclesiastes 3, 1 que deixa ser o tempo de cada coisa quando diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Confiemos nessas palavras sabendo que todo e qualquer problema tem sua solução, ainda que nem sempre dependa de nós mesmos para solucioná-lo. Façamos ao nosso tempo apenas o que sabemos e podemos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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13 de setembro de 2017
Nem tudo o que você perde é uma perda” (autor desconhecido).

Na renovação sempre se perde algo que já foi superado. A visão de perda para alguns pode parecer algo ruim e cruel, pois soa prejuízo e dano. Mas, se olharmos sinceramente para a vida, ela é feita quase sempre de perdas grandes e pequenas. Desde o nascimento, vamos perdendo. De início perdemos o aconchego do útero materno. Depois perdemos o regaço do seio que nos amamentou por alguns anos para nos dar a nutrição mais básica e essencial da vida. Perdemos aos poucos o colo dos pais, os primeiros dentes, e a inocência da infância quando nos chega a adolescência e a vida adulta. Na vida adulta alguns perdem os cabelos, outros a barriga “tanquinho” dos tempos de juventude. Na velhice aos poucos se perde a visão, a ligeireza dos passos e movimentos, a audição, e até mesmo a capacidade de ir e vir quando quiser. Há, também, os que perdem bens e oportunidades. E, assim, de perda em perda a vida vai se dando e se doando nas perdas que passamos. Em cada perda, porém, pode se fazer a experiência da perdição quando se vê nelas apenas prejuízo e dano. Mas, temos que ver além. Ver, por exemplo, na perda de uma perna ou de um braço o fim dos movimentos e da capacidade de continuar fazendo algo de útil e importante na vida. No entanto, há quem veja na perda de um braço ou de uma perna a possibilidade de explorar mais e melhor ou outro braço e a outra perna como jamais fizera antes quando tinha ambos os membros. Isso significa, que no fundo no fundo, nem tudo o que se perde é perda. Em cada perda é possível fazer a experiência de ganho. Ganhar na perda é não perder-se na perda, mas, ganhar-se de modo novo ao perder algo. Coisa que é difícil para alguns, principalmente quando a perda é de algo precioso ou de alguém muito importante em sua vida. Mas, seja a perda que for que tivermos experimentado, é essencial fazer o exercício de abandonar-se na perda para receber dela os seus ganhos que, no momento em que ela acontece, parece se mostrar somente como um Mistério do nada, do sem sentido, e do vazio. Talvez tenhamos que aprender com as cobras que quando perdem sua pele e parecem como que passar por um processo de morte, estão apenas nascendo e ganhando novas escamas, nova pele e nova vida para seguir adiante. Perder, nesse sentido, é apenas uma parte do incrível jogo da vida, onde ganhar, por vezes, pode ser uma grande perda, e perder pode se tornar um grande ganho. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de setembro de 2017
O dinheiro é um bom criado, mas um mau senhor” (Francis Bacon, filósofo, político inglês, 1561-1626).

É a ação do homem que torna algo bom ou ruim. Quem se serve do dinheiro pode fazer dele um bom criado, isto é, poder usá-lo para criar relações de justiça, de fraternidade, de solidariedade e amor-serviço entre os homens, com os homens e para os homens. Mas, quem serve “ao dinheiro”, pode encontrar nele um senhor mau e opressor capaz de destruir toda sua vida e conduzi-lo para bem distante de sua liberdade. Sob as mais variadas faces, o dinheiro seduz, ilude, e trapaceia os homens na sua ânsia de possuir. O universo da Política, da Economia e da Religião é, talvez em todos os tempos, a maior vítima do “poder sedutor do dinheiro”. Ele tem poder de seduzir bons e maus, ricos e pobres, santos e pecadores. Todos são tentados pela sua sutileza de convencimento para se adquirir poder. E com o poder, a submissão do que quer que seja. O cenário político do Brasil, de modo particular, representa um desses universos onde o dinheiro seduziu e destruiu a consciência e a honra de muitos políticos. Muitos deles conquistaram dinheiro, e com o dinheiro, status, fama, cargos, viagens, mansões, carrões de marca maior, comidas e roupas finas, iates, facilidades de entrar e sair de lugares de luxo etc. Numa palavra, com o dinheiro ganharam/conquistaram o mundo. Porém, como adverte o texto bíblico dos cristãos, perderam a alma. Ao perderem a alma começaram a perder também o dinheiro e tudo o que o dinheiro lhes proporcionou. Eis o preço de quem serve “ao dinheiro” e não se serve “do dinheiro”: a ruína total. Talvez, nessa época em que o dinheiro sob suas mais diversas máscaras se propõe e se dispõe ao uso e abuso dos homens, as palavras “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma”, e, também, daquelas pronunciadas pelo Santo da Pobreza Evangélica, São Francisco de Assis, ao dizer que “O dinheiro é esterco do diabo”, mereça mais nossa atenção e reflexão acerca do sentido do dinheiro em nossa vida e em nossas relações. Ele, por si mesmo, aparentemente é inocente, indiferente e incapaz de nos fazer mal. Mas, nas mãos de pessoas ávidas de desejo de poder e de ambição desmedida, torna-se instrumento de corrupção e destruição do caráter do homem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de setembro de 2017
A vida é para quem topa qualquer parada e não para quem para em qualquer topada” (Bob Marley, músico jamaicano, 1945-1981).

É nosso coração que se encanta e dá sentido à vida. A palavra vida nos traz a ideia do período de tempo entre o nascimento e a morte. Também se aplica a palavra vida ao dinamismo da existência que dá motivação ao estar vivo. Nessa dinâmica a pessoa se encanta ou se decepciona com os acontecimentos. Aprende com o tempo a extrair lições do que vê e procura entender as motivações. Aprende também que o isolamento em busca de segurança atrapalha muito mais do que a convivência sadia. Aprende que é a nossa visão que se encanta e procura a buscar o que é bom de cada acontecimento. Assim “topa qualquer parada”, pois saberá lidar com as situações, evitando o que é ruim e aprendendo com o que edifica a vida. “Topada” é batida em um obstáculo. Quem aprendeu a viver, contorna obstáculos sem perda de tempo e continua sua caminhada. Vai muito mais longe. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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6 de setembro de 2017
A pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo” (Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro, 1865-1918).

“Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Pátria é a terra de origem, mas, que na sua etimologia tem a palavra PAI. Quando o termo foi criado, havia o sentido de pai como alguém paterno, carinhoso, fonte do cuidado, da proteção, da segurança, e do bom andamento das coisas ligadas à família e à casa. Isso acontecia na tribo, no clã, e, depois, como no caso dos gregos, nas cidades. A Cidade ou a Polis, era o lugar e o espaço onde havia todo esse cuidado, segurança, proteção; e o bom andamento das coisas se dava, se expressava e se alimentava em forma de um bom governo e uma boa cidadania. Assim, o pai era o responsável por fazer com que todos se sentissem bem e se sentissem pertença naquele ambiente de convívio. Isso era ser paternal, e paternal era a essência do ser pai, que superava em muito o simples ato de ajudar a gerar alguém. As pessoas geradas e cuidadas nessa atmosfera paterna transmitiam de geração em geração esse cuidado paterno em forma de bem comum. E quem se tornava pai deveria ter isso como princípio de vida. A Pátria, por sua vez, era, em âmbito maior, o exercício dessa paternidade e responsabilidade em dimensões cada vez maiores e mais diferenciadas. E quando as pessoas se sentiam pertença a esse espaço e ambiência; quando se viam cuidadas e cuidando umas das outras; quando, de certa forma, percebiam que havia uma comunicação entre elas que as aproximava em todos os sentidos e direções, ali nessa convivência se dava o idioma. O idioma era a linguagem comum entre elas, que não era só falar o mesmo dialeto ou língua mãe, mas era uma maneira própria de falar onde todos se entendiam. É como no evento bíblico do Pentecostes, aonde todos, vindos de lugares diferentes e falando línguas diferentes,  se entendiam numa pertença, num amor e num cuidado comum. Isso é o idioma de uma Pátria que supera a noção de espaço físico,  de raça, de religião, de crenças, de economia, de partidarismo político etc. Esse sentido de pertença a uma origem comum, essa noção de idioma que nos coloca no bom convívio entre nós e com todas as coisas, é que precisamos resgatar para sermos de fatos independentes. Independência que no fundo não é um mero livrar-se das opressões, das situações e dos opressores  que nos oprimem (isso também,), mas nos liberar para a dependência uns dos outros, pois, viver em grupo é sempre isso, ou seja, saber que dependemos uns dos outros a todo o tempo e em tudo. Não uma dependência que nos faz ficar aprisionados ao outro em forma de camisa de força, mas, como uma árvore onde todos os ramos estão ligados numa mesma raiz da qual provém força e cuidado, atenção, solidariedade e responsabilidade pelo que é próprio de cada um e de todos. Talvez, nesse momento histórico, o que precisamos mesmo é de compromisso com nosso próximo, de união, para nos fortalecer e assim reconquistar o verdadeiro sentido de Pátria amada. É por essa Pátria amada que vivemos e morremos. Assim, tem sentido livremente cantar: “Ou ficar a pátria livre, Ou morrer pelo Brasil!”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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5 de setembro de 2017
Não se torne aquilo que te feriu” (autor desconhecido, postado na internet).

Somos derrotados em nosso íntimo quando assumimos a postura de agressor. Assim como podemos nos tornar naquilo que pensamos; naquilo que comemos; naquilo que falamos; naquilo que sentimos; naquilo que fazemos etc, também podemos nos tornar naquilo que ferimos ou que fomos feridos. Aqui, o verbo tornar-se tem o sentido de transformar-se naquilo que nos ocupa e preocupa o tempo todo, tal qual uma dor que incomoda por dentro e por fora sem dar trégua. O tornar-se transforma naquilo que nos domina, a ponto de nosso ser ficar totalmente tomado pelo que nos atinge. Quando estamos em meio às pessoas ou no convívio com elas, ferir e ser ferido por um gesto, por uma palavra, e até mesmo por um silêncio ou um olhar, costuma ser algo inevitável. Os mais sensíveis, então, são as maiores vítimas desse tipo de “atingimento”. Ser ferido é inevitável. Quando menos se espera, lá vem algo ou alguém a nos ferir. Mas só machuca se damos importância. Podemos ferir se estamos chateados, nervosos, irritados e à beira de explodir. Quando estamos nesse estado é mais difícil pensar e dosar as ações e reações, pois a raiva ou a ira nos cega e nos insensibiliza. Ao final, só resta dizer: “Pronto, falei!”. Seja o que for, estamos a todo tempo ao jogo de nossos instintos, de nossas sombras, de nossas misérias e pecados. Tudo isso faz parte de nós a tal ponto que no embate com essas “mixórdias” ferimos e somos feridos. O problema é o que fazemos com as feridas. Há quem as drible até a esquina seguinte e, depois, se tornam vítimas delas com força ainda maior. Há os que batem no peito e as reconhecem e pedem perdão ou perdoam os que os feriram. Há os que fazem terapia para se conhecerem melhor e buscarem ajuda para bem direcioná-las. Tudo isso é bom e importante fazer, no entanto, parece que a grande questão que se apresenta quando se trata de ferida não é ferir ou ser ferido, mas evitar de nos tornarmos naquilo que nos feriu. Pois, tornar-se naquilo que nos feriu significa ser ao “modo da ferida”. E o modo da ferida é um jeito humano de ser que busca se envolver com a ferida de tal forma a deixá-la ser a própria alma e o próprio corpo de tudo o que se pensa, sente e faz. Ela se torna o móvel, a razão, o sentido sem sentido da existência. É como alguém que come alho e tem todo o corpo expressando, respirando, transpirando e exalando o cheiro de alho. Tornar-se a ferida é permitir que a ferida nos tome e nos consuma até nos autodestruir ou aniquilar. A verdade, porém, é que só nos tornamos ferida, quando fomos feridos, porque a alimentamos e damos muito tempo e espaço a ela para nos invadir e se aninhar. Gastamos muita energia pensando no que nos feriu, porque nos feriu e como nos feriu. Essa mesma energia pode ser usada para buscar liberar-se e possuir uma nova pele, um novo começo, um novo sentido para a vida, uma nova maneira de amar, uma nova compreensão das coisas, dos fatos, das pessoas, e, sobretudo, para uma nova abertura ao que nos é incompreensível e difícil de lidar, para, só assim, nos dispor para um novo modo de ser, onde a ferida fica coisa pequena e insignificante frente ao que buscamos e queremos ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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4 de setembro de 2017
Onde há paciência e humildade, aí não há ira nem perturbação... Onde há misericórdia e discrição, aí não há nem superfluidade nem dureza de coração” (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).

Falar é até fácil, fazer é mais difícil. As palavras de São Francisco parecem sem sentido nos dias hoje, pois paciência neste mundo agitado é uma raridade e humildade então, nem se fala. Mas, nestas palavras há um segredo precioso, as portas do amor se abrem com paciência e humildade, ou seja, é com suavidade e carinho que dobramos os mais duros corações. E mais ainda, o perdão que se traduz em misericórdia, que acolhe sem ficar julgando é um balsamo que cura as feridas mais profundas do coração, transformando-os de corações de pedra em corações de amor. Jesus sempre acolheu sem julgar, sem expor o pecador diante dos demais. Ele sabia do mal cometido e também sabia que ali havia arrependimento e dava o seu perdão. Só os que se julgam perfeitos é que são duros com quem erra. Deus é misericordioso e paciente e espera que façamos o mesmo, pois “é perdoando que seremos perdoados” (SF). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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1 de setembro de 2017
Descreve um círculo em seguida vá acariciá-lo e ele se converterá em um círculo vicioso” (Eugene Ionesco, professor romeno considerado o pai do teatro do absurdo, 1909-1994).

Círculo vicioso, na concepção popular, é aquele modo de ser e agir que volta sempre ao início de um “empreendimento” em repetições intermináveis. O vício é para dizer que esse gesto se torna um hábito difícil ou quase impossível de tirar, por mais esforço que se faça. É como ficar lambendo a própria “ferida” achando que ela vai sarar, quando na verdade se está apenas mantendo sua exposição. Em termos do cenário político brasileiro (e aqui estamos nós num círculo vicioso a falar dele de novo), dá a impressão que estamos num círculo vicioso, no sentido de andar apenas numa direção e, ao final, ter a percepção de que já passamos por aquele lugar, por aquela reflexão, por aquela murmuração, por aquela indignação etc. Ou seja, se investiga; se denuncia; se prende; se faz acordo de delação premiada, se solta e, depois, começa tudo de novo. Este círculo já existe há tanto tempo e com mecanismos internos de se perpetuar, que neutraliza todos os esforços de uma renovação. E dizemos que o povo continua inerte e quando toma alguma iniciativa de reação é também dentro de um círculo vicioso de vai para as ruas e depois se aquieta. Se não tivermos claro o que queremos, para onde podemos ao menos querer ir como sociedade organizada num projeto social, político e econômico comum, voltado aos anseios, às iniciativas, à participação e às necessidade da população como um todo, voltamos ao ponto de partida da crítica, da murmuração, do prender, do delatar etc, sem resultados efetivos para a nação. Ou seja, caímos de novo no eterno círculo vicioso, onde só se sai muitas vezes na base da força ou da fuga covarde. Sair de um círculo vicioso com consciência e clareza do que se quer e para onde se quer ir é mais salutar e menos desgastante para cada um e para todos. Pode ser que o círculo vicioso em que estamos metidos no momento seja o alerta final para sairmos dele sem a necessidade da insanidade humana que, em última instância, apela para os meios desumanos para tentar sobreviver. Isso pode funcionar por um momento, mas depois se revela como círculo vicioso que traz novas tragédias e novas formas de opressão para a população. É o momento, quem sabe, ainda que questionado por alguns, de pensar antes de agir para não agir sem pensar. Círculo vicioso é resultado de ações e reações cheias de boa vontade, mas, impensadas. Por essa razão é que não se consegue sensibilizar, motivar, aglomerar e conglomerar as pessoas para um projeto de reconstrução ou de transformação da Sociedade que seja um anseio comum para um bem comum. Pensar (quando bem entendido esse termo) é mais do que urgente para quebrar o círculo vicioso em que temos os pés e a vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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31 de agosto de 2017
Keep calm and don’t kick the bucket” (mantenha a calma e não chute o balde).

A calma em momentos difíceis faz ver soluções. Dizem que a expressão “chutar o balde” nasceu da experiência de morte daqueles que antes de morrerem por enforcamento chutavam o balde onde estavam apoiados para deixar a corda apertar bem o pescoço e levá-la a dar cabo à própria vida. Fato que acontecia em situações de extrema angústia, desespero, falta de controle, desequilíbrio, e falta de sentido para a vida. Quando a pessoa perde o total controle de si e das situações em que está envolvida. Outras vezes, é para dizer que algo chegou ao seu limite e não tem mais solução. Ainda se pode dizer que se trata daqueles que se rebelaram contra os pesos que sobrecarregam os ombros a ponto de se tornar algo insuportável. Em tal desatino de um beco sem saída chutar o balde parece ser o último recurso para se livrar do peso pesado. Há quem queira chutar o balde por causa da raiva, do descontentamento, do esgotamento, da impaciência, mas, sobretudo, do desespero cruel em que está mergulhado. Esses não pensam duas vezes e o fazem pra valer (a forca, no caso é só um modo externo de traduzir esse desespero). Mas, há os que por medo de errar o chute, de ter que ir buscar o balde ou enxugar a água derramada, acabam por desistir da ideia e ficam só na vontade. Seja o que for, de vez em quando, a vontade de chutar o balde, não como ocorre na ideia de suicídio, mas, como símbolo de algo que chegou às raias do insuportável e se quer dar um basta, representa uma ótima terapia pessoal e coletiva. É uma forma de dizer: “Chega”! O “chega” quer dizer que até ali já deu, mas que ao chutar o balde se quer mesmo é começar algo novo e virar a água do balde para ver seu movimento, sua nova direção, sua utilidade para fazer limpeza, e até para evitar a sua estagnação. Chutar o balde, nesse sentido, não é matar-se, mas, matar o que quer nos matar. Isso, no entanto, exige certa habilidade e jeito. Inicialmente, dá para fazer com raiva mesmo só para desabafar, mas, dá para fazer melhor mantendo a calma (Keep calm). Manter a calma não é fingir aceitação resignada. Não é evitar a explosão por fora quando se está implodindo por dentro. Nem é manter o controle da situação de forma cavalheiresca para parecer forte e inquebrantável, mas, é agir mesmo, bem concretamente, soltando toda a revolta ficar mais leve dos fardos, e recomeçar a vida de modo  mais solto, mais aliviado e livre. Se a gente só chuta o balde por chutar, ou só para desabafar, pode ser que não aprende nada do gesto e com o gesto. E do outro lado, na direção em que chutamos, pode estar alguém a quem acertamos descuidadamente, e que não tem nada a ver com o que estamos passando e sofrendo. Pode ainda ocorrer de não ser o momento, nem o lugar para fazer isso, e aí estragamos tudo. Antes de chutar o balde, o importante é manter a calma. Manter a calma significa ter a calma como guia e mantenedora do processo de libertação e liberação de si. Manter a calma não tem nada a ver com sangue frio para conter-se na raiva ou na explosão, e, sim, com o não perder-se na raiva e na explosão. E sem perder-se naquilo que sente e sofre de negativo e atrapalhado, chutar o balde como quem envia para longe toda a carga, todo o peso, e tudo o que ameaçava me desestabilizar e que queria ter controle hostil sobre mim. Manter a calma antes de tudo é fazer dela, não da raiva, da indignação, do desespero e do descontrole, o móvel das ações e reações. Pois qualquer ação sem pensar, sem a calma devida, sem contar de um a três, ou sem respirar profundamente, faz do balde que chutamos, apenas uma vítima muda de nosso descarrego, mas jamais um mestre de nosso  ego ferido, ou do nosso desejo de mudança e transformação. O melhor é; “Keep Calm and carry on” (mantenha a calma e siga em frente). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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30 de agosto de 2017
“Só se é visto na medida em que se vê” (Soren Aabye Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, 1813-1855).
Nosso olho é apenas uma parte do conjunto de visão que envolve o coração. Diz o ditado que “quem não é visto não é lembrado”. E quem não é lembrado é ignorado ou não é visto. Para ser visto ou lembrado muitos se submetem a toda forma de exposição. Exposição, tantas vezes, indigna de si na Mídia, nas revistas, nas rodas de amigos, nos recintos familiares, nas organizações de trabalho. Enfim, onde houver uma oportunidade, como bem se diz, de parecer e aparecer. Aqui importa apenas ser visto para ser lembrado, e ser lembrado através do olhar de tantos. Isso acaba por criar expectativas e frustrações sob as mais variadas formas na vida da pessoa, especialmente, quando ela não é lembrada e nem vista, apesar de tanto esforço para se fazer ver. Porém, quem sabe a frase acima queira dizer outra coisa muito além e aquém de toda essa compreensão do ver que foi exposto, e que nada tem a ver com o ser visto ou lembrado pelos outros (sociedade, ambiente familiar, roda de amigos, emprego etc.). Quem sabe o ser visto queira dizer totalmente outra coisa que liberta e distancia as pessoas justamente do que elas mais buscam hoje em dia, devido suas carências e necessidades, o ser vista e ser lembrada. Ser visto, neste outro sentido, tem a ver com o se ver. Se ver é se conhecer, se perceber, se compreender melhor. Em geral não nos vemos, pois estamos muito ocupados (e preocupados) em ver o outro. Não nos conhecemos, porque estamos por demais voltados para o conhecimento dos outros. Não nos percebemos, porque nossa percepção está a todo instante voltada para a percepção do próximo. Finalmente, não nos compreendemos, porque o interesse mais interessante é o de querer compreender o outro ora para querer ajudá-lo, ora para controlá-lo. Se ver é se enxergar a partir de si e de dentro de si. Esse enxergar é um olhar atento, aberto, curioso, observador, profundo e  limpo de si mesmo. Esse olhar no fundo é um deixar-se ver no que se é e a partir do que se é. Disso brota um conhecimento, um saber que não é saber sobre alguma coisa, mas de dentro da coisa ela mesma, que é a verdade de si. Quem cultiva esse ver, esse olhar, aos poucos começa a se ver na sua grandeza e beleza; na sua identidade maior. Ao se ver na sua identidade aprende a se gostar mais, a se amar mais, a se querer mais, a se respeitar mais, a se compreender mais, a se valorizar mais. E tudo aquilo que antes estava ofuscado por uma visão alienada e alienante de si; de uma visão preconceituosa e atrapalhada de si, dá lugar para uma visão mais clara e real, que faz a pessoa se sentir e se experimentar mais serena e mais humilde, mais livre, mais confiante, mais segura, e mais grata com o seu próprio ser, com sua própria vida e com a sua própria existência. Por sua vez,  é essa visão que a liberta também para uma visão mais clara, mais madura, e mais real e plena dos outros. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia!(21 anos)

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29 de agosto de 2017
Não façais o mal e ele não existirá” (Liev Nikoláievich Tolstói, “Leon de Tolstoi”, escritor do Império Russo, 1828-1910).

O ser humano tem liberdade de escolha. Embora o problema do mal seja um “Mistério” inexplicável, ele está muito ligado à liberdade humana. Ele é também, um modo dO ser humano que inverte, reverte e perverte tudo o que é bom. No âmbito religioso, há uma tentativa de explicar esse “Mistério do mal”; porém, algumas vezes se busca explicá-lo de uma forma estranha, onde se concebe o mal, atribuindo-o quase sempre à figura do “diabo”, como aquele que entra nas pessoas ou as induz a praticar o mal. Isto é, todo e qualquer mal, dizem que vem ou foi culpa do “diabo”, livrando a pessoa de sua responsabilidade. Mas, não é bem assim; o mal está ligado diretamente com a liberdade humana relacionada com sua capacidade de aceitação, de escolha, e de decisão. Todas essas coisas que dizem respeito ao modo de ser e agir humano, com base na decisão e escolha pessoal, acontece lá onde há liberdade. No caso do mal, é liberdade de escolher o mal, embora a liberdade de escolher o mal seja escravidão e prisão. Nesse sentido, não dá para ficar culpando o diabo por tudo, mas, assumir o fato de que a existência do mal está ligada à nossa capacidade e possibilidade de “livremente” rejeitar o que é bom e fazer o que não é bom. O mal existe porque é feito, porque é praticado, e porque tantas vezes se escolhe agir em oposição ao que é bom e ao que é o bem. A prática do mal o torna existente. Praticar o mal dá a ele existência e permanência em nós e em meio a nós. O verdadeiro sentido de liberdade, no entanto, não é a de poder escolher entre o bem e o mal, mas, escolher sempre o bem. Pois, é o bem que nos torna em verdade livres. Significa que o mal só enfraquece e desaparece em nosso meio e dentro de nós, quando cada um se decide a não praticá-lo mais, seja de que forma for. O mal não acaba simplesmente porque o combatemos de frente ou o negamos, e, sim, quando ele deixa de ser referência para nossa ação e para a nossa vida, ou seja, quando o bem ou o que é bom passa a ser a referência única de nossa busca e de nossa ação. Onde o bem e o que é bom são queridos, buscados, assumidos, e praticados, ali o mal não existe. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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28 de agosto de 2017
Eu não acredito que Deus quer que sejamos felizes; Ele quer que possamos amar e ser amados. Ele quer nos amadurecer, e acredito que precisamos porque Deus nos ama, e por isso nos deu o dom de aprender no sofrimento; em outras palavras, a dor é um megafone que Deus utiliza para despertar um mundo de surdos; pois somos iguais a blocos de pedra, que o escultor, pouco a pouco, está formando a figura de um homem, os golpes de seu cinzel que nos causam tanta dor também nos tornam mais perfeitos” (Clive Staples Lewis, professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e escritor britânico, 1898-1963).

Quando observamos a cruz, também extraímos muitas lições. Foi a maldade dos homens que pregou Jesus lá; mas, também que foi pelo sofrimento vencido que o Pai O ressuscitou. Deus é um só. É amor infinito. A cruz nos mostra também que há uma recompensa eterna para aqueles que amam a Deus. Há várias passagens bíblicas que nos ensinam o valor de vencer o sofrimento: “O ouro se apura no fogo”, “escolha o caminho estreito, pois, larga é a porta que leva à perdição”, etc. Nem sempre entendemos isso; ninguém, normalmente, quer sofrer, mas, a lição da cruz nos ensina a transformar o sofrimento em trampolim para a ressurreição. É difícil, Jesus chora no horto das oliveiras antes de ser preso e torturado. Mas, com coragem venceu o ódio de muitos que queriam derrotá-lo com o sofrimento e a morte. Em momentos difíceis, pense nisso: se está difícil é porque estou me tornando mais forte, para ser capaz de enfrentar desafios ainda maiores e ajudar os mais fracos. Quem está com Deus sempre é vencedor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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25 de agosto de 2017
O que não compreendemos; também não o possuímos” (Johann Wolfgang von Goethe, autor e estadista alemão, 1749-1832).

Compreender é mais do que saber ou entender. É um movimento de apreender o sentido global de uma coisa. Apreender aqui é como agarrar a coisa e ir se beneficiando de sua revelação. Beneficiar como possuir e ser possuído pela amostragem da coisa por ela mesma. Semelhante a uma planta daquelas trepadeiras que vai se agarrando ao muro, e que na medida em que vai se agarrando vai crescendo, se avolumando, se expandindo e robustecendo e revigorando suas raízes. Ela cresce não só em extensão e para o alto, mas, também, para a raiz. Esse crescimento em todas as direções e sentidos é a compreensão.  Ela é diferente de saber. Hoje sabemos muito sobre quase tudo. Há quem saiba tudo sobre economia, mas, não compreende a economia. Há quem saiba tudo sobre Política, mas, não compreende a Política. Há quem saiba tudo sobre a  Bíblia, mas não compreende a Bíblia; há quem sabe tudo sobre a Fé, a Religião, mas não Compreende nem a Fé, nem a Religião. Há quem sabe tudo sobre o ateísmo, mas não compreende nem o ateísmo nem os ateus. Há quem domina com um saber incrível as informações dos problemas das pessoas e do mundo, mas, não compreende nem as pessoas nem o mundo. Do mesmo modo, Compreensão é diferente de entender. Entendemos, por exemplo, que um funcionário ou seu chefe chegue atrasado ao serviço, baseado em suas explicações lógicas e justas dentro do funcionamento da empresa, mas não compreendemos esse mesmo atraso e suas implicâncias dentro da totalidade de sua existência, seja como funcionário, seja como patrão. Nesse caso se entende o “entender” sempre dentro de um padrão de explicações aceitáveis e já dados no âmbito de um sistema de convívio. A compreensão não se prende a esses esquemas pré-estabelecidos e, muitas vezes, se vale até do silêncio como ausência ou presença de toda e qualquer explicação. A compreensão, diferente do saber que quer saber algo sobre alguma coisa, ou do entendimento, que entende as coisas dentro de um espaço de explicação, é uma abertura de sentido e para o sentido amplo das coisas, e que abre infinitas possibilidades de saber e de entendimento acerca do que nos vem ao encontro como desafio de pensar. A compreensão abarca uma totalidade de sentido e, por isso mesmo, nos deixa mais humildes no saber e no entendimento do que quer que seja. Quase ao modo de Sócrates que em sua frase traduzida para um grego meio aportuguesado ficou mais ou menos assim: “Só sei que nada sei”. Isto é, em não sabendo, mas buscando saber na sua profundidade e amplidão, na sua largura e largueza, é que a via do saber vai se dando aos poucos como compreensão. Talvez, hoje, o que necessitamos mais é de compreensão. Sem compreensão continuaremos nessa corrida estafante e estressante de dominar o saber que se dá em tudo, e inflacionados de informações diárias em todas as direções, porém, anêmicos no sentido mais real e profundo das coisas, que nos liberta para uma serenidade de visão e ação efetiva na vida e nas relações com todos e com tudo. Pode estar aí, quem sabe, nossa dificuldade para empreender hábitos, gestos, ações e transformações significativas e efetivas no mundo em que estamos inseridos. Pois, o que não compreendemos, não o possuímos, ou melhor, não podemos ser possuídos e nem possuir (de forma salutar) aquilo que ainda não compreendemos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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24 de agosto de 2017
Quando as pessoas se sentem prósperas e seguras, a dependência da religião diminui” (Philip “Phil” Zuckerman, professor americano de sociologia e estudos seculares, nasceu em 1968).

Religião acontece onde há amor, o resto é fanatismo. Desde Marx, que se referiu à Religião como ópio do povo (embora, muitos de seus seguidores fizeram uma péssima interpretação dessa frase), passando pelos ataques de Antônio Gramsci, e encontrando tantos adeptos na famosa canção de John Lennon “Imagine”, onde exclama: “Imagine um mundo sem Religião”, a Religião como tal tem sido alvo de ataques incessantes nas mais variadas áreas do “saber” e das “práticas”. Entre elas, a de acusá-la como reduto de pessoas inseguras e medrosas frente ao mundo hostil que as cerca. Nesse sentido, se diz que onde há prosperidade e segurança, a dependência da religião diminui. É quase como afirmar que a religião é coisa de pobre e de gente sofredora. Pode até ser em muitos casos, mas, não é esse o sentido que justifica a presença da Religião na vida das pessoas. Achar que a Religião é o problema das situações de injustiça, de guerra, de  terror e de alienação das pessoas, especialmente em questões sociais, é como acusar a Política de ser a causa da corrupção e injustiça entre os homens. A Religião acompanha o homem há milênios. E, assim como na Política, ela é o espaço onde o ser humano expressa sua religiosidade e sua espiritualidade. Da mesma forma que na Política o homem expressa sua cidadania e suas formas de conceber e praticar a justiça, o direito, a solidariedade etc. Tanto na Religião como na Política, o problema está no Homem. Sim, é o Homem que cria a Política e a Religião com seus princípios, dogmas, Constituições, Leis, princípios éticos e morais, ritos e outras formas de expressão. Uma ligada ao mundo sobrenatural, outra ao mundo natural, se é que podemos fazer essa distinção, mas ambas importantes para o ser humano se expressar. Tanto numa como noutra, o ser humano necessita buscar um sentido para sua vida. Religião é para quem busca um sentido e uma explicação para as questões fundamentais de sua existência. Da mesma forma como na Política se busca um sentido que norteie e dê configuração às justas relações entre as pessoas. A verdade é que tanto por trás da Religião como por trás da Política existe o Homem que, esquecido de si mesmo, corrompe seja a Religião, seja a Política. Tanto uma como outra tem seus Sacerdotes, Pastores, Gurus, fiéis, ritos, Leis, dogmas, pregadores, intelectuais, suas vestes, e assim por diante. Tem até seus fundamentalistas. Querer colocar os problemas, os males do mundo e da vida na Religião e na Política, é esquecer o foco principal da discussão: o Homem. Hoje a grande Questão a ser investigada precisa ser o Homem. O que aconteceu com ele, ou melhor, conosco, que ao ignorar e esquecer aquilo que nos constitui como Homens; perdemos o sentido da vida, da morte, das relações, e de tudo que nos toca e nos cerca. E, assim, como a lenda do Rei Midas que onde tocava fazia tudo se transformar em ouro, o Homem esquecido de si desfigura e destrói tudo onde tem sua presença e sua ação. Tudo o que toca ou que lhe toca, também é corrompido. A Religião é uma forma de o Homem buscar e expressar um sentido para a vida. A Política é, da mesma maneira, uma forma de busca desse sentido dentro das relações sociais. Antes de fazer belos discursos e belas canções acusando ou defendendo a Religião e a Política, é necessário redescobrirmos e nos reorientarmos na busca, ou melhor, na investigação do que de fato significa ser Homem. Na filosofia se diria a busca pela questão do Ser do Homem. Talvez isso seja uma questão por demais subjetiva e fora do real da realidade dos que estão continuamente buscando sua sobrevivência aqui e ali, e envolvidos com coisas, aparentemente, mais urgentes na vida cotidiana. No entanto, essa é a questão das questões, a mais fundamental de todas, a qual e sem a qual, deterioramos tudo o que nos toca ou tocamos, inclusive a Religião e Política. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! 21 anos)

 

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23 de agosto de 2017
Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem confiará as verdadeiras riquezas a vocês? E, se no que é do alheio ainda assim vós não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?” (Evangelho de Lucas 16, 11-12).
Quem finge não ver, também é culpado. Qualquer coisa boa nas mãos de uma pessoa má acaba se tornando algo mau. Da mesma forma, qualquer coisa má nas mãos de uma pessoa boa, acaba se tornando em algo bom. No relato bíblico, um administrador usou mal as riquezas que recebeu, praticando injustiças. Usou mal o que era bom. Tornou-se assim infiel no bem a ele confiado. O relato continua mostrando sua esperteza quando foi descoberto e na tentativa de reparar o mal cometido. Embora o relato se refira à administração de riquezas e de confiança entre as pessoas, cabe muito bem também no modo como cada pessoa se relaciona consigo mesma na prosperidade e na apropriação dos bens a ela confiados. É um exercício de fidelidade. Ser fiel aqui é cuidar, guardar, e servir bem o que se recebeu. É manter aquilo que ser recebeu na sua pureza de sentido e significado. Ou seja, guardar o sentido das coisas e que se dá nas coisas, e nas relações com ela, e a partir dela, sem mancha e sem distorções. Com outras palavras, guardar e cuidar daquilo que foi confiado como bem da forma como recebeu. Se pensarmos essas questões com as relações políticas do Brasil, por exemplo, é possível vislumbrar como alguns políticos mancharam aquilo que era um bem a eles confiado. Usaram mal o bem que receberam e se tornaram injustos e infiéis. Eles mancharam sua dignidade, sua honra, seu nome (e, quem sabe, o nome de sua família), e tornaram a política, o dinheiro público, e a própria noção de justiça, que é algo bom, em algo torpe, injusto e corrompido. Não foram fiéis no bem alheio; por isso, atraíram para si o mal do bem que administraram de forma desonesta e injusta. “Quem agora lhes dará o que é vosso”, pergunta o texto bíblico. O que é vosso agora é somente o que plantaste de mal ao usar mal o bem. No entanto, a exemplo do administrador infiel do texto bíblico, existe ainda a possibilidade da esperteza. Esperteza como pegar a manha das coisas e das situações. Ao pegar a manha, aprender. Aprender não para ficar mais esperto ainda no trato injusto das coisas, mas mais atento e cuidadoso no trato e na relação com o bem, para evitar tornar, nessa relação, mau o que é bom. Quem sabe, no cenário de políticos que usaram mal o que era bom no exercício da política nacional, ainda haja tempo não só para esses maus administradores repararem o estrago feito com tudo o que é bom a eles confiado, mas, também, haja tempo da nação brasileira despertar e se “espertar” para fazer bom uso do exercício de cidadania quando o bom uso da política lhe é solicitado nas escolhas de seus candidatos e na cobrança de seu desempenho durante o mandato. O Povo, também, de certa forma, precisa reconhecer-se como administrador injusto e recuperar sua condição de administrador bom e fiel. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de agosto de 2017
Só em nós mesmos podemos mudar alguma coisa; nos outros é uma tarefa quase impossível” (Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, 1875-1961). Com amor e carinho se consegue muito mais do que com violência. Mudar é uma necessidade das mais fortes que existe em toda e qualquer pessoa. É algo que praticamente nasce conosco e vai conosco até a morte que, ao menos até onde sabemos, é a nossa última mudança neste mundo. Quem resiste à mudança, congela ou petrifica um processo e sofre as consequências negativas de tal congelamento e petrificação. No entanto, acreditamos que a mudança precisa ser sempre para melhor, e temos medo quando não sabemos para onde ela aponta. Daí, muitas resistências às mudanças. Hoje, o planeta inteiro passa por um processo de mudança em todas as áreas, e nada foge a isso. Interna e externamente, cada um de nós está sofrendo, também, essas mudanças. A questão é quando se pensa em mudança no âmbito das relações, onde um quer mudar o outro ou mudar as coisas conforme seu gosto e interesse pessoal. Nesse sentido, quando se pensa em mudança o que se quer mesmo é que o outro mude para se encaixar no meu projeto ou ideia de mudança. Se o outro não se encaixa nesse projeto ou ideia de mudança, então, como comumente se tem feito, ele deve ser hostilizado, condenado, perseguido ou eliminado. Mudar, nessa perspectiva, significa mudar o outro. Ou muda o outro ou, ao menos como se pensa nessa ótica, a mudança não acontece. As relações atuais entre raças, religiões, partidos, e grupos das mais diferentes bandeiras, como vem acontecendo nos conflitos de ruas dos EUA (por exemplo), tem mostrado essa tirania de se querer mudar o outro, ou agredi-lo e eliminá-lo por não pensar, não sentir, não querer, não pertencer, ou não ter os mesmos princípios que “eu” ou o “meu” grupo quer e acredita. Acredita-se aqui que quem tem de mudar é o lado de lá. Está provado, porém, que isso só acirra o conflito, a discriminação e a violência. Por mais tempo que se dure esse desejo de querer mudar o outro para ser como “eu” ou o “meu” desejo quer, mais terror e guerra veremos. O mundo atual não tem mais espaço para o nivelamento de opiniões, nem para a supremacia de uma única ideia, seja ela de defesa de raça, religião, partido ou grupo. Toda e qualquer mudança acontece não de fora para dentro, mas de dentro para fora. Começa com cada um, com seu grupo, e depois se estende e se expressa para fora. Mais ainda, toda e qualquer mudança só começa quando o que em mim e no meu grupo for melhorado, isto é, for mudado para melhor, pois ninguém, do outro lado,  aceita o que é o pior de mim ou do meu grupo. Pode até suportar, mas não aceitar. Portanto, vale aqui aquela máxima cristã, sempre antiga e sempre nova, quando se trata de mudança: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão (Mateus 7, 5)”. Ou, então: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra (João 8,7)”. O ódio, o terror, a vingança, os massacres e guerras da humanidade, sempre estiveram ligados ao desrespeito às diferenças e ao desejo de impor e de querer mudar o outro para o que “eu” ou o “meu” grupo acha que é melhor. Em nome desse desejo e imposição é que se esquece de olhar para si, e de se perceber as suas próprias sombras, seus próprios desajustes e insanidade, e, também, seu próprio orgulho e desequilíbrio camuflados de tirania e autoritarismo. A História humana, no entanto, tem provado, embora pouco ou nada tenhamos aprendido dela, que mudar o outro ninguém consegue, por mais força e poder que se tenha (consegue, sim, só a  aparente submissão e medo do outro). Em verdade, só conseguimos mudar a nós mesmos, e olha lá, num processo longo, árduo, e persistente de praticamente uma vida. Até lá não sobra tempo para querer mudar o outro. Porém, uma vez vendo em nós mesmos as boas mudanças, é possível inspirar o outro a se rever, também, para que ele inicie o seu próprio caminho e processo de mudança. E, quem sabe, desse processo pessoal e comum, se alcance, mais e melhor, novas relações de proximidade, comunhão, diálogo, respeito e convívio entre os Homens. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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21 de agosto de 2017
O perigo para as crianças, querida, são as notícias. Mantenha as longe das notícias na televisão e você terá crianças muito boas e normais” (Joseph Levitch ou Jerry Lewis, ator, diretor e humorista americano, 1926-2017).

O amor às crianças se demonstra em atitudes que as eduquem. Quem conhece o humorista Jerry Lewis, vai querer achar algo de engraçado em sua frase. Mas, ela contém uma grande verdade, as notícias vinculadas na televisão, antes de serem divulgadas, passam pelo crivo da diretoria de jornalismo para que sejam adequadas aos padrões da emissora. Estes padrões estão em conformidade com os anunciantes e com os acordos formados com vários órgãos e com a política. Sem isso, ela não consegue os grandes anúncios e verbas para garantir o funcionamento da mesma. A verdade dos fatos fica em segundo plano. Sendo assim, devemos ter um cuidado redobrado com o que ouvimos ou assistimos, pois, os acontecimentos vinculados podem estar distorcidos para atender a outros interesses. Isto acontece em toda a linha de programação da emissora, principalmente com as novelas. Agora, como uma criança vai conseguir discernir tudo isso? Impossível, pois, ainda está em formação. Cabe aos pais e educadores limitar o que elas assistem. Muitos dos adultos também são levados pela mídia e nem se dão conta disso. Crianças devem ser amadas e educadas com carinho, de preferência longe de televisão e de tantos jogos e games eletrônicos que muitas vezes só distorcem sua formação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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18 de agosto de 2017
Dizem que tudo passa e o tempo duro tudo esfarela” (Ariano Vilar Suassuna, professor, poeta, romancista e dramaturgo brasileiro, 1927-2014).

‘O tempo é juiz’ (dito popular). Dizer que tudo passa é uma máxima inquestionável da vida. Estamos constantemente experimentando isso na pele e no real da “realidade”. Os mais velhos que o digam contemplando a si mesmos, o mundo, e o tempo. Nada escapa à passagem do tempo e  o tempo passa por tudo. Quem pretende prender o tempo para frear sua passagem, percebe a inutilidade de tal iniciativa, pois, é só uma questão de tempo para tudo passar. Na passagem do tempo na vida e da vida no tempo e com o tempo, existe o tempo duro. Tempo duro; é a passagem firme do tempo sobre e no interior de nossas construções e realizações. Como nossa vida é feita de ações, reações e realizações que se fazem no tempo, com o tempo tudo se revela forte ou frágil, grande ou pequeno, bom ou ruim. O tempo duro, na sua passagem, se encarrega de medir, confrontar, e provar nossas realizações. Tudo que não foi bem edificado, bem solidificado, bem temperado, e bem feito, ele se encarrega de esfarelar. Esfarelar é tornar farelo, a exemplo do grão de milho que passando pelo moinho vira pó. Ao esfarelar, o tempo duro destrói o que parecia sólido. Porém, o fato de esfarelar é ainda chance de uma nova construção (pense isso a nível psíquico e existencial). Uma pedra bruta quando esfarelada ainda se torna cimento para novo tipo de realização humana. E, assim, de passagem em passagem, de construção em construção que gera uma reconstrução, é que nos fazemos mais fortes, mais firmes e mais sólidos no tempo duro e na dureza do tempo. O tempo duro, por mais difícil que seja pensá-lo e admitir sua presença em nossa existência, é um mestre (e que mestre) que se encarrega apenas de nos colocar mais resistentes nas passagens inevitáveis que a travessia da vida nos proporciona. Nesse sentido, podemos culminar o ciclo de nossa vida terrestre (seja em que momento ela se der) mais embasados, mais temperados, mais firmes e serenos, e mais abertos para o que der e vier. Ou, mais frágeis e fragilizados, mais medrosos, mais carrancudos e fechados, mais apavorados e desesperados diante do inesperado. O tempo duro é um guia de como fazer nossa boa travessia nas durezas, nas intempéries e nos caminhos árduos da vida. E o tempo duro tem provado a todo e qualquer ser humano, a toda e qualquer situação de nossa existência, mesmo lá onde há muita resistência, que tudo se esfarela, mas, se esfarela para recomeçar, para ser pedra de toque para uma nova partida, seja ela de que jeito for, mas, com certeza, se formos bem temperados no momento dos embates da dureza do tempo, será sempre para melhor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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17 de agosto de 2017
O homem gosta de contabilizar os problemas, mas não conta as alegrias” (Fiódor Dostoiévski, escritor russo, 1821-1881).

Todo acontecimento vai ter o tom da “cor” que usamos ao narrá-lo. Quem nunca se sentou a um grupo de pessoas onde a queixa, as reclamações e a contabilização dos problemas foram a pauta principal da conversa? Nessas circunstâncias parece que reclamar e enumerar dificuldades é que atrai e congrega mais as pessoas. Costuma acontecer, também, em círculos de homens e mulheres, de se travar uma espécie de disputa ou campeonato de levantamento de problemas, onde ganha quem conseguir descrever ou apontar o problema maior, mais sério, ou mais monumental. Em um primeiro momento isto pode parecer terapia de grupo, ou técnica inconsciente de desabafo grupal, mas, pode, olhando de outra forma, revelar o ressentimento com que cada um conduz a própria existência. Esta “pseudo” “terapia grupal” pode até trazer determinado alívio das cargas emocionais negativas que se carrega, mas é incapaz de transformar a alma e nem produz a liberdade e leveza do espírito. É incapaz porque está focada demais no problema enquanto tal. Poucos, porém, são capazes de se reunirem para contar as alegrias e partilhá-las entre si. Contar as alegrias é gesto de quem leva em conta a alegria de viver e vive a vida com alegria. Viver a vida com alegria é deixar a alegria ser o móvel principal da vida. Alegria aqui é um modo de ser jovial, cordial, aberto, cheio de gratidão que nos toma por inteiro e nos orienta e conduz em meio a tudo, e por entre toda e qualquer situação que geralmente caracterizamos como boa ou má, como agradável ou desagradável, como confortante ou desconfortável em nossa existência. É um modo de ser acolhedor e receptivo da vida do jeito que ela é, e que passa por entre todas as contrariedades e situações difíceis, transformando o mal em bem. Contar essa alegria nada tem de elencar fatos alegres vividos, mas, de recordar e dar a saber o que constitui o núcleo, a essência da vida e do viver bem. E, aí, sim, só a partir dessa consciência do que é o núcleo da vida, descrever nas rodas onde nossos encontros e reuniões acontecem, as expressões e aparições das alegrias que experimentamos sob as mais variadas formas. É isso que impede em nós o desejo e o hábito da reclamação e contabilização de problemas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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16 de agosto de 2017
Nunca perca de vista o seu ponto de partida” (Chiara D’Offruducci, ou Santa Clara de Assis, mística italiana, fundadora das irmãs Clarissas, 1194-1253).

Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. É o primeiro não no sentido de uma sequência numérica, mas, como princípio criativo de uma experiência única e especial, porém, cheia de sentido e significado para toda a vida da pessoa. Enquanto princípio, ele se conserva do início ao fim como o mesmo, como o original da existência humana. Tudo o que vem depois, passe o tempo que passar, custe o que custar, aconteça o que acontecer, venha o que vier, tem sua força, sua dependência, seu sustento, seu crescimento e sua consumação nesse princípio. Santa Clara chamava esse princípio de ponto de partida, por ser o ponto onde tudo de bom, amável e perfeito, foi se fazendo ao longo de sua existência. Ou seja, tal ponto era uma espécie de fonte, de móvel, de inspiração, e a razão de ser de tudo o que se sucedeu em sua vida. Para isso é importante pensar esse ponto de partida não como um princípio do sistema de causa e efeito, em que algo é desencadeado e vai pra frente, sempre pra frente, deixando para trás o que já foi. Ponto de partida aqui é o ponto onde tudo se dá, se firma e afirma, se cria e se renova continuamente. Nesse movimento não é para frente que se vai, deixando algo para trás, mas para o fundo e para a fonte de tudo o que há e que possa vir a ser. Não perder de vista esse ponto de partida é ficar de olho o tempo todo no seu lance e deslanche, no seu movimento de criação e recriação, para, assim, se deixar ser atingido, inspirado, e  conduzido por ele. É fazer dele o próprio fundamento de nossa existência. Por sua vez, só perde de vista esse ponto quem olha para si e se faz de fundamento das coisas, tal qual Pedro quando viu Jesus andando sobre as águas e pediu para ir até Ele, mas, abandonou o olhar para o mestre para fixar em si mesmo. Mudou o foco (o ponto) e perdeu-se no olhar (daí afundou). Sendo assim, o nosso ponto de partida precisa ser algo onde toda a nossa vida tenha a sua dependência, seu sentido, sua razão de ser, e seu fundamento maior. Pois, sem isso, nada em nós nasce se desenvolve e se matura com solidez e perfeição. Precisamos de um ponto de partida para construir, fazer crescer de forma livre, forte, e segura a nossa existência. Para Santa Clara, esse ponto de partida era o toque e o chamado da Graça Divina, em Jesus Cristo, que fez principiar, crescer, aperfeiçoar e tornar plena toda a sua vida religiosa até o cume da santidade. Para nós, também, se não for o mesmo toque da Graça Divina, Talvez percamos de vista o próprio sentido da vida, e criemos outros fundamentos que jamais darão a partida para nosso crescimento e realização. Apenas nos deixarão patinando sem sair do lugar, na triste e eterna sensação de frustração de não avançarmos interior e exteriormente na grande aventura da vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos

 

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15 de agosto de 2017
É erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião” (José Bento Renato Monteiro Lobato, escritor e editor brasileiro, 1882-1948).

Sempre houve alguém contra a religião. Nas últimas décadas se atribui ser a ciência destruidora da religião. A ciência só destrói a superstição, ingenuidade religiosa, fundamentalismos, hipocrisia religiosa e etc. A boa ciência só ajuda a religião a ser melhor, pois, no exercício da busca da verdade, ela questiona os fundamentos de muitas afirmações sem sentido, incentivando a uma busca profunda em suas origens. Isto é feito em todas as áreas das ciências e do conhecimento humano. Neste sentido a ciência faz um bom serviço quando filtra o que é sério do que é sem sentido. O que mata a religião é a forma decaída e decadente das pessoas encararem sua religião. O ateísmo por sua vez, nada tem a ver com a simples negação de Deus, mas com a atitude humana do homem se fazer de Deus ou de se colocar em seu lugar. Só neste sentido há uma negação de Deus. A ciência e a religião, se bem compreendidas não são realidades opostas, mas duas realidades distintas e complementares da alma humana. Um grande cientista sempre foi um homem de fé, embora nem sempre religioso quando esta se contrapunha a pesquisa. O que deveria acontecer é cada um sair de seu canto desarmado e em uma busca sadia, ouvir os argumentos do outro e juntos, com base em seus fundamentos, limparem tudo o que destoa de sua originalidade e fé. Religião sem materializar práticas fraternas, justas, solidárias e sem se expressar em ritos que falem das verdadeiras riquezas da alma e do espírito humano acaba definhando em si mesma. Da mesma forma a ciência que deixa de investigar, de pesquisar, de criticar e de criar instrumentos que expressem os avanços da inteligência humana em todos os campos, acaba desaparecendo. Ciência e religião revelam a busca do ser humano por sua essência revelando a unidade entre corpo e alma, entre matéria e espírito. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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14 de agosto de 2017
Se quiseres ver teus bens multiplicados, divide-os, dá esmolas” (São Bernardino de Siena, frade franciscano, 1380-1444).

Essa frase soa estranha para nossa época tão acostumada a questões sociais, onde o que se preza e valoriza mais é a ocupação, o emprego, o ter que produzir. Pedir ou dar esmola seria o inverso de todas essas compreensões. Com base nisso, quando se vê alguém pedindo esmola, logo saltam ao tribunal das palavras os juízos de folgado, preguiçoso, golpista, aproveitador etc. Não faltam justificativas para condenar quem pede esmola, e nem discursos evasivos para evitar dar esmolas. Pois, pedir e dar esmola tem a conotação, para muitos, na nossa consciência contemporânea, como acomodação de quem pede e complacência e conivência de quem dá. Suspendendo um pouco esse tipo de compreensão e discussão, a esmola tem outro sentido diferente desses, que é mais desafiador para o coração e as mãos humanas. Ela significa, antes de tudo, treino para soltar e expandir as estreitezas do coração, e bálsamo para amaciar e libertar a dureza das mãos. Esmola no fundo é um jeito abnegado de serviço, onde quem dá reconhece que está à disposição de um bem e de uma força de generosidade muito maior que ele mesmo. Ela está na dinâmica da expressão cotidiana que diz: “Por favor, o que posso fazer por você?” Esse “por favor” é o mesmo que dizer: “Sou instrumento, sou ajudante, sou colaborador de um bem imenso, que não é meu, e que vem e  passa por mim e por todos se doando gratuita e generosamente. Não é meu, por isso não posso reter, nem apegar, nem acumular”, pois reter, apegar e acumular são os modos corriqueiros de criar a injustiça, o poder corrosivo da alma humana, e a distorção das relações entre os homens. Dizer “por favor” e querer fazer um favor, na compreensão da esmola, é a consciência de que quando se trata de um bem maior,  o pedir e o fazer favor não são gestos de cortesia ou de educação (ao menos em um primeiro momento), mas de liberação e expansão. Quem dá esmola libera e libera-se para um bem maior. Ao mesmo tempo, expande as fronteiras da bondade para além de si, para que o bem se multiplique no seu curso e concurso das relações humanas. Desta forma, quem quer ver os próprios bens multiplicados, deve aprender a exercitar a esmola. Não é que quando dou uma esmola fico esperando o retorno da outra parte. Trata-se de permitir crescer dentro de si e expandir o próprio ser de bondade que existe e passa por cada pessoa. A esmola é uma dessas técnicas que ajuda cada um a ficar mais rico, mais profundo, mais generoso, e mais amplo na dimensão da bondade. Tudo em nós se expande e se multiplica com a prática da esmola. Daí que esmola é mais do que dar coisas. É dar-se na dimensão da bondade. É convite para multiplicar e multiplicar-se. Multiplicar como aumentar. Aumentar no sentido de crescer. E crescer como aquilo que nasce e vai tomando tamanho e volume na gente, até se consumar na medida justa da coisa ela mesma. A esmola nos possibilita crescer na medida boa e plena da doação livre e libertadora de nosso ser. Purifica nosso ego, eleva nossos talentos e nos deixa mais plenos e cordiais na e com a vida (e, pó que não dizer, no nosso ser social?). Eis porque a esmola quando praticada, torna-se um jeito de beneficiar a todos os atingidos por ela. Beneficia unindo os corações, destruindo os muros de separação entre maiores e menores, e rompendo as estreitezas que limitam a caridade e o amor. E onde o amor está nada é apoucado, mesquinho, apossado, limitado, ou egoísta. Mas, grande, nobre, generoso, desapegado, ilimitado e partilhado a partir de uma riqueza essencial que é abissal e inesgotável. É dessa riqueza essencial que está em cada um de nós que a esmola pede ser exercitada e implora nossa participação para libertar os bens do céu e da terra para os Homens. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de agosto de 2017
O mundo inteiro abre caminho a um homem que sabe aonde vai” (Antoine de Saint-Exupéry, piloto e escritor francês, 1900-1944).

Quando se sabe aonde vai, a pessoa é decidida e seus passos são precisos. Esta postura é consequência de muita reflexão. Na reflexão todas as dúvidas são analisadas e repensadas para dar segurança na caminhada. Quem apenas vê um homem decidido desconhece todo o esforço anterior que teve que passar até chegar aonde chegou. Seus pensamentos são precisos, sua vontade é plena. Este firme querer atrai para si o que vai complementado ao que ainda falta à sua realização. Assim o mundo abre caminho a sua passagem. Sua fala será sim, quando for sim e não quando for não (Mt 5,37). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)
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10 de agosto de 2017
Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço” (Immanuel Kant, filósofo alemão, 1724-1804).

Sem a “reforma” da maneira de pensar do cidadão, nada acontecerá na política. Às vésperas de um ano de eleição no Brasil, se ouve falar muito em reforma política. Reforma política pode ter muitos sentidos; mas, aqui se entende esforços de todos e de cada um para reencontrar e fazer a política como política, na sua forma original e originária. Ou seja, nos moldes como ela desde seu nascimento foi pensada e vivida para proporcionar o bem comum. Reformar, então, tem o sentido de buscar a forma originária da política e de fazer política, para purificá-la de seus abusos, instrumentalizações, e perversões na pessoa e no Corpo Social. É ir às fontes do modo de ser político para reaprendermos a sermos políticos. Toda Legislação, Constituição, eleição, modo de governar, modo de votar, economia, enfim, tudo o que diz respeito ao público, aos cidadãos, aos governantes, aos rumos da justiça e do direito em uma nação, tem que estar pautado, antes de tudo, nessa capacidade de ir às fontes da política como forma de reformar a política. Isso exige envolvimento de cada um e de todos, especialmente na mudança interior. Mudança interior aqui é mudança de si e do próprio Sistema Político vigente. Gritar pela reforma política sem consciência clara do que seja política e a forma de fazer política, é querer fazer nascer “pelo em casca de ovo”. Consciência clara do que seja política é importante para se pensar e agir politicamente bem; caso contrário, nós estaremos condenados a repetir os mesmos padrões políticos que nos fizeram chegar aonde chegamos. A mudança para melhor, neste caso, que sonhamos e queremos, passa pela mudança interior. Mudança interior não é algo subjetivo, intimista e egoísta. Refere-se ao mudar em si o modo superficial, ingênuo, corrosivo, infantilizado, e criminoso de conceber a política e o ser político, que se dá, sobretudo, em época de eleições. As eleições, muitas vezes, apenas materializam e expõem esse jeito imbecilizado de entender e fazer política de um povo. Quem sabe para as próximas gerações e dentro de uma reforma, ou mudança política, se comece pensando em dar aos futuros candidatos uma boa preparação. Boa preparação significa: serviços prestados em comunidades carentes, envolvendo práticas ligadas à saúde pública, à segurança, à educação, ao cuidado do meio ambiente, a questões trabalhistas como de desemprego, ao transporte público etc. Mais ainda, com no mínimo dois anos de curso universitário voltados ao estudo da Política, filosofia, sociologia, antropologia, psicologia, cultura, ética e economia. Sendo que ao final, todos seriam submetidos a um concurso ou seleção para assumir cargos na política com tempo determinado de mandato. Pode ser que nesse estilo o número de candidatos ficassem reduzidos para menos da metade. Porém, o retorno e a qualidade na consciência e prática política seria, quem sabe, diferente, melhor, e mais cheia de qualidade para o próprio cidadão e para aqueles que dependem de um bom exercício do bem comum. Reforma política sem reformar a pessoa ou as pessoas que são e fazem acontecer a Política, é como querer apagar o fogo de uma churrasqueira com ar (oxigênio) soprando a brasa incandescente. Nenhuma reforma se dá sem esse esforço pessoal de clareza e prática, seja em que nível for. A Política, enquanto tal, para ser reformada, não é uma área entre outras áreas em que as pessoas atuam. É o próprio modo de cada pessoa e todo um povo se compreender e agir. Política não é uma parte da vida do cidadão que de vez em quando precisa ser acionada em reforma, assim como na reforma de uma casa. Ela é o próprio cidadão o tempo todo pensando, agindo, sofrendo, ajudando, colaborando etc... enfim, sendo. E reformar a política nada mais é, neste caso, do que formar-se ou recuperar a boa forma da política no seu ser cidadão. No seu início, produz de fato mobilização. Com o tempo, produz, sim, mudança efetiva ou melhoria no todo do Corpo Social. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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9 de agosto de 2017
Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas” (Jesus em Mateus 19, 14).

 “Você tem que ser como uma criança para abrir as portas do céu”. A expressão inglesa “ChildFree” (CF) vêm criando adeptos no Brasil, que se traduz como “sem criança” ou “livre de crianças”. Trata-se de uma associação de pessoas que não desejam ter filhos, optam para viverem livres de crianças. Por trás deste desejo e reivindicação pode estar um ato de responsabilidade para evitar trazer crianças ao mundo sem vontade e sem a devida maturidade e preparação. A imaturidade e falta de preparação costuma levar à rejeição automática dos filhos, que mais tarde podem gerar conflitos intermináveis para a psique de ambos (pais e filhos). Por outro lado, pode traduzir também um grande egoísmo de homens e mulheres que optam por não terem filhos para ficarem livres de preocupações para poderem usufruir a vida de forma como quiserem. Para estes, os filhos são empecilhos para sua felicidade plena. Querem ser livres. Mas, a questão dos filhos não pode ficar ao jogo de interesses egoístas de adultos. Criança está acima de manipulações egoístas de pais com dificuldade de lidar com a solidão, com a afetividade e até mesmo com a lucratividade. Quando se fala do direito de não ter filhos, vem à tona, o direito de matá-los com abortos ou abandoná-los com doações. Abre-se assim uma brecha para justificar tantas atrocidades já cometidas contra crianças no decorrer da história. Lembre-se que criança começa a existir deste a concepção, como ficou claro no relato Bíblico do Evangelho de Lucas, quando Maria visita Isabel, onde ambas grávidas, as crianças se reconheceram em seus seios. Elas têm direito a vida. Quando Jesus diz: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais”, Ele diz algo essencial para a humanidade de todos os tempos, isto é, o respeito pelos pequenos que portam o sopro divino da vida. Este respeito deve nortear todo o ser humano. Criança, além de ser pureza e inocência, é, também, uma forma de ser que nos capacita a viver neste mundo como filhos do Criador e irmãos de todos, na pureza, inocência, beleza, alegria e liberdade dos Filhos de Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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8 de agosto de 2017
Um por todos e todos por um” (“Unus pro omnibus, omnes pro uno”; lema dos “Três Mosqueteiros” no romance de Alexandre Dumas, e também é o lema da Suíça).

A solidez de um grupo está na união. No romance, a frase veio da consciência clara do que significa de fato de ser parceiro, companheiro, aliado etc. Nasceu num contexto em que o talento de um se unia ao do grupo, e a força do grupo ao um. Isso dava mais força, mais garra, mais firmeza, e mais possibilidade de vencer um conflito, de enfrentar um inimigo muito mais poderoso, que seria difícil vencer sozinho, e também de defender os interesses reais do todo que estava em questão ou em jogo. Essa máxima também deu força e coragem à nação Suíça para vencer as catástrofes naturais dos Alpes suíços em 1868, onde a solidariedade uniu o povo em um sentimento de irmandade e ajuda gerando uma unidade nacional. Passou a ser lema da nação e consta em seu brasão. Ela também serve de inspiração em competições esportivas e outras atividades em que o espírito de colaboração faz a diferença. A outra face desta moeda de unidade está em um jogo de se aproveitar do que une um grupo em favor de interesses econômicos. Um exemplo é a compra de jogadores por quantias milionárias esquecendo-se que seu talento se destaca em um grupo. Na margem deste “rio de dinheiro” ficam apenas os observadores silenciosos e silenciados deste “cassino milionário”. Um time nunca é feito de apenas um jogador. Mas, neste jogo de cartas marcadas, os outros são deixados de lado. Aqui só vale o “todos por um”. Toda a mídia faz parte da manipulação das consciências em favor de poucos. Encontramos cenários semelhantes de injustiças na política, nas empresas, nas artes, e até em famílias. Na política, os acordos a preços milionários valem mais que os interesses da nação. Na economia, informações privilegiadas ajudam amigos e geram prejuízos ao bolso de muitos. Em empresas, os lucros exorbitantes se contrapõem ao arrocho dos funcionários. Um maestro nada seria sem o conjunto da orquestra com o talento individual de cada músico. Uma bailarina ficaria sem destaque sem o conjunto das demais que compõem a coreografia. A limpeza de uma cidade é obra de todos e não apenas do prefeito. Em todos os ambientes, em todos os esforços, existe uma parceria, uma colaboração que dá unidade e grandeza ao grupo. O esquecimento da força que existe na expressão “um por todos e todos por um” dá início ao império da injustiça, onde apenas alguns se destacam em detrimento dos demais. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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7 de agosto de 2017
Não guarde nada para uma ocasião especial. Cada dia que se vive é uma ocasião especial” (Márcio Kühne, autor e palestrante brasileiro).

Somos acumuladores. Existem vários tipos de acumuladores. Tecnicamente toda bateria é um acumulador, pois reserva energia; mas, sem uso, com o tempo, acaba perdendo a carga. Pessoas guardam coisas para depois. Basta uma olhada para certos guarda-roupas para constatar isso. Antigamente, os idosos guardavam parafusos. Todos guardam coisas. Os mais ricos guardam dinheiro. Sobre isso Jesus conta uma parábola (Lucas 12) de um homem que construiu celeiros cada vez maiores para garantir sua colheita imaginando, agora sim, posso dormir tranquilo, meu tesouro está garantido. Mas, é chamado de tolo por Deus: “Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?”. Deve existir uma prudência na administração dos bens. Guardar só para depois, indefinidamente, perde-se a oportunidade de viver o hoje. As coisas se renovam. Celulares antigos guardados só servem para museus, assim como uma série de outras coisas. Quantas pessoas estão adiando a vida e deixam de viver o hoje. Fazem um propósito de começar algo e na hora sempre inventam uma desculpa para adiar. Temos que vencer a inércia, mesmo com dificuldade, para que a vida gire e dê continuidade ao seu viver. Hoje é uma ocasião especial de seu viver. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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4 de agosto de 2017
Movimento é o passo de passar da capacidade ao ato” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322 a.C.).

Uma pedra só sairá de sua inércia se forças externas atuarem sobre ela, pois, ela não tem a capacidade de se mover. Com os seres vivos é diferente. Conhecer nossa capacidade sem invejar a dos outros é o primeiro passo para realizar o movimento. Uma das definições de inveja é não ver o que se é e se tem e achar que quem é e tem é o outro. Inveja leva tantas vezes ao complexo de inferioridade, que é achar que o outro é melhor do que sou, ou que tem mais do que tenho. Mesmo quem ostenta superioridade, no fundo, no fundo, esconde esse complexo de inferioridade no ar de supremacia. E no caso do complexo de inferioridade, o outro é sempre mais e melhor do que eu. E todo sofrimento pessoal, toda intriga, toda agressão, toda rivalidade, e toda perseguição, nasce, muitas vezes, por ignorar a si mesmo. Isso, porque cada pessoa tem dentro de si todas as capacidades humanas possíveis. Se quisermos voar, por exemplo, isso não é uma capacidade humana, mas, dos pássaros, a não ser que voemos de avião ou aeronaves que nos respondam a essa necessidade. Desta forma, ninguém precisa invejar ninguém, nem sentir-se inferior ou superior a quem quer que seja. Basta colocar em ato o que já possui. Colocar em ato é movimento de ir fazendo aos poucos, de ir conquistando, de ir aperfeiçoando dia após dia, até fazer o que se deseja e precisa vir à luz. É fazer acontecer, e deixar aparecer. Para algo tornar-se realidade é necessário passar da capacidade ao ato, num movimento lento, leve, dinâmico, assíduo e insistente. O Ato que vem desse movimento, por sua vez, vira atitude. E atitude nada mais é do que disposição para fazer acontecer o que se quer de fato. E querer nunca se pode querer de uma vez por todas. Tem que se querer a cada momento, a cada dia, de novo, sempre de novo, pra valer, até que se realize o que se busca. Isso é movimento de passar da capacidade ao ato. Sem isso ficamos apenas na “boa vontade”, na “neutralidade”, na inércia, na crítica distante, na ignorância de nós mesmos, e na inveja. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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3 de agosto de 2017
A consequência de não pertencer a nenhum partido será a de que os incomodarei a todos” (George Gordon Byron, poeta britânico, 1788-1824).

Para fazer funcionar um regime político de forma harmônica e organizada que desse resultado na sociedade, os homens criaram os partidos políticos. O partido na sua origem quer dizer isso mesmo, o que foi “partido”, dividido. Foi dividido para não ser único, mas, para ser uno. Ou seja, é parte e pertence ao todo para compor a unidade. O partido, nesse sentido, é o que foi dividido para representar o todo na união com outras partes. A parte ou o partido é sem sentido sem a relação com as outras partes ou com o todo. Se acontecer o contrário, o que se estabelece é o desequilíbrio, a desarmonia, a corrupção das partes e do todo. Sendo assim, dentro de uma Sociedade os partidos são criados e são necessários, dentro de um Sistema Político, para ajudar na governabilidade e no processo de Justiça entre os cidadãos. O Brasil é um desses países composto de uma variedade de partidos políticos que, em princípio, no âmbito democrático, foram criados para estarem a serviço, no cuidado e na guarda da unidade entre os cidadãos dentro de uma Polis e, consequentemente, da Política. Embora sendo diferentes, pensando diferente, são chamados a uma unidade de projeto e de bem comum, para contribuir no processo de construção da Paz, da Justiça, do Direito, da harmonia, e da concordância entre os cidadãos. Os partidos no Brasil, no entanto, perderam o sentido de unidade e reivindicam o direito de unicidade em torno de interesses e projetos alheios ao Povo e à Política como um todo. Tornaram-se guetos e antro de corrupção, onde o egoísmo partidário virou regra básica de sobrevivência diante do todo. E, para sobreviver, um partido quer engolir, ignorar ou anular o outro que vê mais como inimigo a ser derrotado do que um aliado para a busca de um projeto comum que beneficie o todo. Não pertencer a nenhum partido nessa perspectiva torna-se um incômodo, embora não seja a solução. É importante, porém, retomar e buscar de novo, na compreensão e na prática, o sentido mais real de partido. Com outras palavras, para não ser partido enquanto algo que se rompe (se quebra), se estraçalha e destrói a si mesmo no todo, deve-se buscar entendê-lo como parte. Isto é, como parte no e do todo, onde um partido se liga; se comunica; se entende sempre em referência com o outro, visando a unidade na totalidade. Ainda que haja divergência de ideias, opiniões, cada um dos partidos comunga de um projeto comum e se unem quando se trata de defender os interesses dos cidadãos no funcionamento da governabilidade e da Política como um todo. Nesse caso, cada um é apenas parte auxiliando no todo, contribuindo uns com os outros em benefício de algo maior e melhor. Partido, então, nessa segunda acepção, tem o sentido de re-partir (daí, repartido), por sua vez, é o que tem parte e faz parte. Isso é participar. E participar é dar o melhor de si para que a unidade e a totalidade de um projeto comum aconteçam da melhor maneira possível. Isso dá união, comunhão, harmonia, concordância. Dá participação. Partido Político jamais deveria ser uma espécie de casta de pessoas aproveitadoras e irresponsáveis, vencidas pela sede de poder e status, mas, essa compreensão de participação para gerar o bem comum. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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2 de agosto de 2017
“Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!” (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).
O acesso ao paraíso passa primeiro pelo perdão. Quando temos consciência que ofendemos alguém de alguma forma, é até fácil pedir perdão, mas, quando alguém tem algo contra ti e você “desconhece”, aí fica mais complicado. Mas é isso que encontramos no Evangelho de Mateus (5, 23): “Assim, se trouxeres a tua oferta ao altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali mesmo diante do altar a tua oferta, e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta tua oferta” (são palavras de Jesus). O perdão se dá em dois níveis, o horizontal, um com o outro e o vertical, você com Deus. Quantas vezes apenas esquecemo-nos das ofensas ou mágoas que praticamos, mas, quem as recebeu ficou com o coração machucado, e disso um dia nós teremos que prestar contas. São as consequências de nossos atos. Isso preocupava muito São Francisco. A cidade de Assis na Itália fica no alto de um monte. Muitos turistas visitam Assis e se esquecem de visitar a Porciúncula que fica no pé deste monte. Foi nesta igrejinha (hoje está dentro de uma basílica) que começou a ordem franciscana e foi nela (em 1216) que São Francisco teve uma visão (enquanto orava) de Jesus e de Maria, circundada por anjos. E Jesus lhe pergunta, o que ele queria para a salvação das almas, e ele responde: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com a completa remissão de suas culpas”. E ouve a resposta: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis; acolho seu pedido ...”. São Francisco com lágrimas de alegria anuncia a todos esta graça com as palavras: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”. Ficou desde então estabelecido o dia 2 de agosto como o dia do “Perdão de Assis”. Com o tempo, esta graça foi estendida a todas as Igrejas Franciscanas do mundo. Pratique o perdão e abra portas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia!(21 anos)
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1 de agosto de 2017
Tem que estudar muito para saber pouco” (Charles-Louis de Secondat ou “Montesquieu”, político, filósofo e escritor francês, 1689-1755).

A internet surgiu na década de 1960 (guerra fria) para satisfazer aos interesses militares de salvaguardar as informações estratégicas, descentralizando seu armazenamento. Hoje tudo que fazemos tem um suporte na internet. Antes, todo o estudo se dava de forma, mais assídua nos livros, nas salas de aula, nas bibliotecas das escolas, etc. Estudar era não apenas se informar, mas se informar para se formar e se “inconformar” com toda e qualquer forma de saber. Assim, com o tempo se aprendia, ou melhor, se apreendia algo essencial e consubstancial para a vida. Para isso, se estudava muito para saber pouco. O muito do estudo não era o domínio e abocanhamento de uma biblioteca de livros e informações acerca de tudo o que há, mas, de alguns livros ou ideias importantes do cotidiano da vida, onde se pudesse extrair o máximo, não de páginas ou meras curiosidades das coisas, mas, de conteúdo, para compreender o sentido da vida, das coisas, e de tudo o que se dava. E, assim sendo, a partir de uma compreensão bem feita, ser no mundo ao modo de ser humano. E ser humano, não como algo dado, pronto e acabado, mas, como tarefa de ter que ser em tudo. Era aí que se entrava todo um processo de aprendizagem e aprendizado, cheio de exercícios, disciplina, cuidado, abertura, vontade, e diligência no ato de estudar. Todo esse esforço, disciplina, ao final, levava ao saber, não ao excesso de informação. Porém, a um saber pouco. Saber pouco nada tinha a ver com saber menos ou ter aprendido só um pedacinho do muito lido e estudado. Tinha a ver com o saber essencial, com o “pegar na veia” aquilo que era importante, sem perder tempo com o que era supérfluo e desnecessário ao pensar. O pouco aqui era o movimento do pensamento, se dando nas gotas do pensar. Ou seja, lento, dosado, ocupado, mas, despreocupado. Hoje, sem querer jogar pedra no modo do estudo e do estudar, parece que nos valemos mais das informações da mídia eletrônica que nos circundam diariamente. O que está aí e é circulado assumiu caráter de verdade última de nosso saber. Já vem pronto, mastigado, menos aprofundado. Temos mais facilidade nos dias atuais em acreditar no que recebemos em nossos dispositivos, do que na verdade das coisas e dos fatos eles mesmos. Se uma postagem, por exemplo, disser que família já era, que a Fé cristã é uma farsa, que Ética é coisa dos fracos etc., temos uma facilidade enorme em acreditar nisso do que em tudo aquilo que fomos ensinados por nossos pais, avós, e por toda uma tradição de valores. Nem chegamos a nos confrontar, apenas nos deixamos levar pela informação. Talvez, o papel maior do estudo, atualmente, seja esse de ajudar as pessoas a não se deixarem levar, mas, levarem o que recebem com responsabilidade, com pesquisa, com verdade, com disciplina no pensar, com zelo diligente em tudo que lhes é dado pela nova forma de estudar que a mídia impõe e propõe. Não é jogar fora ou negar esse jeito de estudar, mas, usá-lo bem, com seriedade e responsabilidade frente ao jogo do pensar. Sem isso, somos como pessoas anárquicas que gostam apenas de ver tudo desmoronado, sem saber o que fazer depois do caos. Hoje, estudar passa pelos livros e pela Mídia com todas as suas variações, mas, sobretudo, pela capacidade de ser essencial e profundo no muito que nos é dado, para tirar o pouco que de fato interessa para a vida. Esse pouco é pouco mesmo. Ou seja, concentrado, no centro mesmo de cada coisa. Eis, quem sabe, a maior tarefa do pensamento a que somos solicitados no exercício do estudo de nossa época. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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31 de julho de 2017
Quem vive sem pensar, não pode dizer que vive” (Pedro Calderón de La Barca, dramaturgo e poeta espanhol, 1600-1681).

O pensar incomoda a muitos, mas também dá sentido ao nosso viver. Pensar é submeter ao crivo do raciocínio lógico. O papagaio apenas repete o que ouve, sem ter muita noção do que está dizendo. O ser humano deveria apenas dizer o que já foi analisado em seu pensamento e tido como válido. Do pensamento surge o sentido e significado das coisas. Também o pensar nos harmoniza com o universo e tudo começa a fazer sentido. É do pensar que surgem as descobertas e se desvendam os mistérios. Há muito investimento para poder controlar a forma de pensar das pessoas e com isso comandar suas ações em benefício de poucos. Pensamentos errôneos causaram grandes prejuízos à humanidade. O pensar exige tempo de reflexão e silêncio para poder separar “o joio” do “trigo”. O pensar é um processo íntimo e pessoal e deve ser feito de forma “limpa” e livre de interferências. O pensar voa nas asas de nossa imaginação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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28 de julho de 2017
Esta paz que vossa boca anuncia deve estar primeiramente em vossos corações. Para ninguém sejais uma ocasião de cólera ou de escândalo; mas que vossa doçura atraia todos os homens para a paz, a bondade e a concórdia” (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).

“Paz e Bem”, (saudação franciscana). Quantas vezes nos emocionamos com a oração de São Francisco: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz, etc.” Mas, ela exige atitudes de paz. Primeiramente, ela deve estar enraizada em nossos corações, e isso tem grandes implicações, ou seja, nem por um instante nossos pensamentos devem se afastar do princípio da paz que é o amor, o perdão e a doçura no trato com todos, desde os homens, animais ou vegetais, ou seja, com toda a natureza. Devemos estar atentos em nossas ações para jamais sermos motivo de raiva ou de escândalo, mas, ao contrário, nossa alegria de viver e de acreditar em Deus seja doçura no trato com todos. No entanto devemos saber, assim como existem pessoas semeando a paz, existem “inimigos” da paz espalhando discórdia e em algumas vezes, arrancando as sementes do bem que você plantou. Isso não deve te levar a desistir, mas, de saber que, se querem arrancar é porque já está dando frutos e estes frutos estão incomodando. Levar a paz é um pedido de Cristo. Jesus depois de ressuscitado aparece aos discípulos com a saudação “a paz esteja convosco”, mostra as chagas da crucifixão e diz novamente; “A paz esteja convosco, assim como o Pai me enviou, envio também a vós” (João 20), ou seja, ser portador da paz é um pedido de Jesus a todos nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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27 de julho de 2017
Eu sempre acreditei, e continuo acreditando, que a imaginação e a fantasia são muito importantes, uma vez que fazem parte integrante de nossa vida” (Ana Maria Matute, novelista espanhola, prêmio Cervantes 2010, 1926-2014).

Imaginar é criar na mente. Fantasiar é “vestir” o imaginado. Penso que toda invenção passou antes pelo imaginário de seu criador. Desde o acordar até o fim do dia, somos continuamente desafiados a imaginar. Mesmo as dificuldades desafiam a nossa imaginação para achar uma saída. Há pessoas que têm a capacidade de transformar algo “sem graça” em uma obra de arte por sua fantasia da realidade. De certa forma, tudo o que vemos, temos ou tocamos têm um pouco de nossa fantasia e imaginação. É isso que dá graça e sentido a muitos aspectos da vida. De certa forma, com nossa imaginação, continuamos o trabalho de Adão (Gênesis) em cultivar e nomear todas as coisas de nosso jardim do Éden. Seja feliz imaginando e fantasiando a vida de uma forma mais leve. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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26 de julho de 2017
Bem aventurado aquele que ama e respeita seu irmão tanto quando está longe como quando está com ele, e que não diz nas costas de seu irmão o que com toda a caridade não poderia dizer na frente dele” (Adm.,XXV,2) (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).

Bons pensamentos geram amor e fraternidade. São Francisco é conhecido por seu amor à natureza e seu profundo amor a Jesus e ao evangelho que nortearam toda a sua vida. Mas, também é lembrado por seu amor a seus confrades, tanto que ele em suas orações agradecia a Deus por ter dado estes irmãos. O biógrafo Celano relata: “Quando vários se encontravam reunidos, ou quando por acaso se encontravam num caminho, que explosão de amor espiritual, o único amor capaz de fundar uma autêntica fraternidade! Então, eles se abraçavam, conversavam e riam juntos, expansivos, satisfeitos, atenciosos, doces e calmos, unânimes no seu ideal, prontos e infatigáveis para prestarem serviço”. Mas, também ele estava atento para que a semente da discórdia jamais criasse raízes em seu coração. Certa vez ele pede que um confrade pise em sua boca porque ele havia pensado mal dele. Parece exagerado, mas é muito importante cuidar de nossos pensamentos, pois eles podem comandar nossas ações. Sendo assim, jamais permita pensamentos negativos ou de discórdia, pois eles podem acabar com as amizades e destruir a fraternidade, mesmo a familiar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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25 de julho de 2017
Nós nos enganamos muitas vezes no amor. Algumas vezes nos ferimos, outras nos sentimos infelizes. Mas, sou eu que vivo e não um ser fictício criado por meu orgulho” (Amandine Aurore Lucie Dupin ou “George Sand”, novelista francesa, 1804-1876).

Amor é tão sublime que deveríamos orar antes de pronunciar esta palavra. Os gregos têm várias palavras para expressar o amor, cada uma em seu contexto para preservar sua essência. Penso que a autora (George Sand) quis destacar nesta frase a importância de sermos nós mesmos diante do amor e não um ser teatral que assume um papel para satisfazer alguém e massagear nosso ego. O amor é belo em si. Se nossa alma entende que o amor é cultivado em nossas ações no dia a dia, nossa vida vai se transformando e em nós o amor vai crescendo. Tudo se torna belo pelos olhos do amor. Até mesmo as ofensas ganham a dimensão do perdão diante do amor. O amor nos transforma. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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24 de julho de 2017
Os vícios são como visitantes, chegam como hóspedes e permanecem como patrões” (Confúcio, filósofo chinês, 551-478 a.C.).

Quem têm vícios têm tiranos em sua vida. Todo viciado achava que era mais forte que o vício. Inicialmente o vício se apresenta cheio de atrativos e de virtudes prometendo dar a pessoa algo nunca imaginado em alegria e descontração. Mas, seu efeito é passageiro e a pessoa vai querer mais. No começo, o que parecia brincadeira, agora tem um preço e condições. Como ele já se instalou na pessoa, passa a comandar suas ações. Todo o senso lógico cede lugar ao prazer escravizante do vício. A pessoa deixa de ouvir conselhos e com isso perde amigos e os parentes se afastam. Reverter é um processo longo e demorado que exige muito da força de vontade da pessoa em se livrar do vício. Por isso, o bom senso recomenda atenção; nada que venha muito fácil ou se apresente muito bom será sem uma cara cobrança posterior, por isso, fuja de tudo que se apresente muito tentador, pois, com o tempo você se arrependerá. Vale a recomendação; “evite o primeiro”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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21 de julho de 2017
As pessoas esquecerão o que você disse, esquecerão o que você fez, mas, nunca esquecerão o que você as fez sentir” (Marguerite Ann Johnson, ou “Maya Angelou”, escritora e poeta americana, 1928-2014).

Muitas vezes apenas um abraço consola muito mais que mil palavras. Certa vez, perguntaram a Madre Tereza de Calcutá por que fazia aquilo, de acolher os moribundos das ruas, de tratá-los com ternura, já que não tinham mais esperança e a morte era eminente. Ela responde que pelo menos naquele momento derradeiro poderão sentir um pouco de carinho e de amor. Era visível a mudança de semblante daqueles que eram acolhidos.  Nem sempre teremos soluções para muitos problemas que chegam a nosso conhecimento; nossos recursos muitas vezes são escassos, mas, o amor que podemos transmitir com gestos de carinho e ternura, isso ninguém nos poderá tirar. Muitas vezes basta um sorriso, outras vezes um abraço se faz necessário, mas em tudo estará presente o seu amor. Você é capaz de transformar o mundo em seu entorno quando fizer as pessoas sentirem que são acolhidas e amadas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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20 de julho de
Emoções fora de controle transformam pessoas inteligentes em estúpidas” (Daniel Goleman, "Emotional Intelligence", psicólogo e jornalista do “The New York Times”).

“Nem tudo o que reluz é ouro” (dito popular). Em um estabelecimento comercial que atendia lanches e bebidas, um assaltante ameaçou o caixa com uma faca; a esposa aflita corre e abraça o marido na tentativa de protegê-lo, mas, ele ficou indefeso e foi esfaqueado. As emoções dela inibiram uma ação inteligente. Uma pessoa que perde o controle emocional vê coisas que não existem, ou melhor, seus pré-julgamentos fantasiam a realidade com base apenas no que ela acha. Ela então toma atitudes impensadas e estúpidas. O controle emocional dura toda a vida e deve ser praticado todos os dias. Sêneca (pensador grego) ensinava, “as coisas que deixamos de fazer porque eram difíceis, na realidade se tornaram difíceis porque decidimos não fazer”, ou seja, faltou nosso controle emocional na avaliação do grau de dificuldade e confiança na nossa capacidade. Tenha mais atenção aos detalhes com uma visão mais realista e ampla e então controlarás tuas emoções. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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19 de julho de 2017
O paraíso não é um lugar, mas a perfeição” (Richard Bach, escritor americano, nasceu em 1936).

Nascemos imagem e caminhamos para a perfeição. Circula nas mídias sociais, a imagem de um senhor obeso que tem dificuldade em sair de dentro de um carro superesportivo. Parece que este carro era apenas um símbolo de status, sem a função específica de levar a pessoa para outros lugares. Assim, muitos vivem apenas para ostentar seu ego com os símbolos do consumismo moderno. Em tento de tudo, a pessoa está satisfeita? Não, porque está limitado ao ter, que hoje existe e amanhã desaparece. Nossa maior riqueza e satisfação está em cultivar nossa perfeição interior, nossa forma de pensar e de ver a vida e o mundo que nos cerca, e descobrir em tudo a presença do amor de Deus. “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” nos ensina Jesus (Mt 5, 48). Sim, é uma conquista diária de auto-superação. Mesmo nas coisas mais corriqueiras, devemos fazer da melhor forma possível, sem a pretensão de agradar alguém, mas, para treinar minha busca de perfeição. Assim, como se tivéssemos novos olhos, passamos a ver tudo com um novo sentido, onde o amor se faz presente e tudo enaltece como um hino de louvor a Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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18 de julho de 2017
As palavras mais agressivas ou o texto mais grosseiro são melhores e mais educados que o silêncio” (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900).

O silêncio pode ferir mais que um punhal. Quando alguém lhe insulta, você toma conhecimento do que ela pensa naquele momento a seu respeito; depois poderá buscar uma forma de entender e reverter, se for o caso, algum mal entendido. Mas, quando a pessoa fica em silêncio, você nem imagina o que ela está pensando a seu respeito. Com o silêncio fica praticamente trancada toda possibilidade de esclarecimento. É mais produtivo buscar o diálogo do que se isolar em suas mágoas, pois as consequências com o tempo são mais desastrosas atingindo sua saúde física e emocional. O texto bíblico vai além, pede para que antes de fazer suas orações, você deve se reconciliar com quem tem alguma coisa contra ti. (Mateus 5,23). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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17 de julho de 2017
Lutemos sempre, mesmo sem esperança de ganhar a batalha” (Teresa Martin ou “Santa Teresinha do Menino Jesus”, freira carmelita descalça e mística francesa, 1873-1897).

Quem desiste de lutar desistiu de viver. Encontramos na vida muitas barreiras aparentemente intransponíveis. A maioria desiste só de “olhar”. Mas, um olhar mais atento e a vontade de vencer podem revelar saídas inimagináveis. Mesmo a rocha mais dura se rompe diante da insistência, como nos ensina o dito popular; “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Quando todo o nosso “ser” se envolve vamos gradativamente ganhando resistência e compreendendo melhor os desafios, como em uma batalha, onde a vontade de lutar é mais importante que muitas armas. Nossa oração é a munição que temos em muitas batalhas. São Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses (1º Tes. 5, 17), nos ensina; “orai sem cessar”, ou seja, sua oração com fé é muito poderosa. Quando oramos temos Deus a nosso lado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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14 de julho de 2017
Para entender o quanto somos importunos quando apenas falamos de nós mesmos, devemos ter em conta o quanto nos incomoda quando alguém só fala de si mesmo” (Madame de Sévigné, escritora francesa, 1626-1696).

As atitudes são mais convincentes que as palavras. Chamamos de egoísmo quando alguém quer o mundo girando em torno de si. Com o tempo, mesmo sem querer, vai envolvendo as outras pessoas para que comecem a atender seus caprichos como se fossem seus serviçais. Acaba perdendo amigos, sendo excluído de convites e ficando isolado. O mais prejudicado em tudo isso é a própria que pessoa que perde a oportunidade de evoluir, ao se libertar do egoísmo. Esta libertação depende de um grande esforço de compreensão de si através dos mecanismos como a meditação, leituras de autoajuda; auxílio de profissionais, dentre outros. O mais importante é ter a noção de que precisa mudar para melhorar seu relacionamento. Os ensinamentos de Jesus são de grande valia para quem quer crescer e se libertar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos) 

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13 de julho de 2017
Nossa sociedade chegou a um momento em que já não adora mais um “bezerro de ouro”, mas o “ouro” do bezerro” (Antônio Gala Velasco, poeta, novelista e dramaturgo espanhol; nasceu em 1930).

O ouro atrai e seduz, mas, também leva à perdição. O episódio Bíblico de Êxodo 32 e Deuteronômio 9 relata o acontecimento em que o povo que saiu do Egito, estava acampado, aguardando Moisés que estava na montanha. Como ele se demorava, resolveram fazer um bezerro de ouro para adorá-lo em lugar de Deus. Quando viu aquilo ao descer da montanha, Moisés quebrou as tábuas da lei que trazia consigo, transformou o bezerro em pó e fez ingerir aqueles que o adoravam, levando à morte quase três mil pessoas. Várias lições nós podemos tirar deste episódio. O fascínio que o ouro (dinheiro e afins) exerce sobre as pessoas é uma delas, a ponto de abandonar a Deus. Os episódios políticos que vemos nos dias de hoje, nada mais são do que o domínio quase que doentio do dinheiro sobre as pessoas constituídas para exercerem cargos públicos, mas, que acabaram hipnotizadas pelo “ouro” do bezerro, a ponto de esquecerem seus deveres. Ainda criaram mecanismos jurídicos para se perpetuarem sem serem incomodadas. São Francisco de Assis advertia as pessoas deste encanto que o dinheiro possui, afirmando que o dinheiro era o “esterco” (excremento) do diabo, ou seja, através dele muitos poderiam se desviar do caminho de Deus. Quem voluntariamente se afasta de Deus por causa do dinheiro acaba sem os dois. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de julho de 2017
Não se desespere, nem mesmo se não veja saída. Quando tudo parece terminado, novas forças surgem; isto significa que estás vivo” (Franz Kafka, escritor checoslovaco, 1883-1924).

Quem já esteve no limiar da vida, quando tudo parecia estar perdido, sabe que surge do nada algo inesperado e abre nova dimensão nunca antes imaginada. Alguns atribuem aos anjos, outros às nossas forças interiores em ação, outros ainda a fé. É como se estivéssemos no volante de nossa vida diante de um desastre eminente e neste momento confiamos a direção a um anjo que nos salva daquela situação. É difícil exemplificar, pois cada caso é diferente e único. Ações impulsivas e desesperadas são desastrosas. Muitas vezes a saída está em algo simples demais. Confiança é a palavra. Deus nunca nos abandona. “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Evangelho de Mateus 28,20). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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11 de julho de 2017
Quem dá passos longos não pode ir muito longe. Quem se exibe carece de luz. Quem se elogia não brilha. Quem se exalta não merece honras. Quem se glorifica não chega” (Chuang Tzu, no livro; “Tau te Ching”, filósofo chinês, 370-287 a.C.)

Cada pessoa é o que é sem precisar demonstrar nada a ninguém. Tau te Ching poderia ser traduzido como o caminho do Tau, sendo Tau a perfeição. Neste pequeno trecho o autor (Chuang Tzu) procura mostrar que quem tenta se exaltar diante da vida está longe do caminho da perfeição. Com exemplos corriqueiros vai demonstrando que quem procura ser mais que o outro está errado, que o caminho deve ser o da simplicidade, pois a felicidade está em se ajustar à própria natureza com o que ela nos presenteou. Assim cada um se destaca com o que é sem precisar ser superior a ninguém. Nele recordamos o ensinamento de Jesus expresso em Mateus 23, 12: “Todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado e quem se humilha será exaltado”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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10 de julho de 2017
O que ganhamos viajando para a lua se não conseguimos atravessar o abismo que nos separa uns dos outros? Essa sim é a mais importante viagem de descobertas; sem ela, todas as outras são inúteis e desastrosas” (Thomas Merton, monge trapista, poeta, escritor e estudioso francês, 1915-1968).

Quando se fecha o coração abrem-se abismos. Quantos abismos aparentemente intransponíveis existem dentro de um mesmo espaço? Gente que tem dificuldade de olhar com carinho para quem está tão próximo. Muitas vezes dentro da própria família, da mesma turma, do mesmo grupo, etc. Seus olhos estão com viseiras de aço que são intransponíveis à luz que brilha no outro. Somos nós que devemos tomar a iniciativa de substituir as viseiras opacas por cristais limpos de ressentimentos, de mágoas, etc, e abraçar atitudes de compreensão, perdão e amor. Pode ser que as atitudes agressivas de alguém refletem apenas uma pessoa ferida que precisa de ajuda. Até os animais mais ferozes se dobram às atitudes de carinho e ternura. De que adianta viajar para lugares paradisíacos para buscar um pouco de paz, se o no coração só há amargura e dor. Faça antes uma boa faxina em seu coração para criar um ambiente digno de receber a paz. Veja o exemplo das plantas: primeiro devemos arrancar as “ervas daninhas” do coração, preparar a terra, para depois plantar e cuidar; com o tempo tudo começa a florescer. É trabalhoso mais vale à pena. Onde há harmonia e paz, tudo fica mais agradável. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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7 de julho de 2017
Prefira sempre necessitar menos a possuir mais” (Thomas Moro, filósofo, diplomata, escritor, advogado e chanceler inglês, 1478-1535).

É muito difícil mensurar e equilibrar as necessidades reais com os desejos do homem. Todos querem mais, e quando se comparam com outros, este desejo de posse aumenta ainda mais. A corrida da posse e para a posse costuma ser insaciável e cega. Quer abocanhar tudo o que encontra pela frente, e perde os olhos para o que realmente é necessário. O necessário desconhece a posse. A posse insatisfeita deseja o infinito e despreza o finito. A necessidade trabalha o finito e ignora o infinito. A necessidade ao preferir menos tranquiliza a alma e coloca ordem nos excessos. O desejo de possuir mais, inquieta, angustia e atormenta a alma. A alma não é preenchida e realizada pela posse ou o desejo de possuir mais, mas, pelo contentamento com aquilo que a necessidade indica e ilumina. Bem aventurados os que preferem necessitar menos, pois viverão do necessário. E o necessário é o que conta, o que importa para vivermos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom Dia! (21 anos)
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6 de julho de 2017
Quando não existe inimigo no interior, o inimigo no exterior não pode te machucar” (provérbio africano).

Entende-se por inimigo quem é hostil conosco e deseja nos derrotar de qualquer forma. Existem vários tipos de inimigos. Há os que perseguem e os que adulam. Mas, eles só têm força sobre nós se abrimos as portas, ou seja, interiormente temos inimigos que devem ser compreendidos e pacificados, pois, nos perturbam e desequilibram. Nossas forças interiores, que não foram domadas ou acolhidas na totalidade de nosso ser, é que se tornam inimigas, e que nos despersonalizam. Quando acolhidas, compreendidas, e pacificadas, nos tornam senhores de nós mesmos, e nos preparam para lidar lúcida, madura e livremente com o inimigo no exterior. O inimigo exterior é sempre o espelho e o reflexo do que está dentro de nós, porém, visto  e projetado para o externo de forma invertida. Assim, se encontra e percebe-se fora o que dentro já existe. O fora é apenas uma identificação. No entanto, esse que aparece fora consegue provocar e atingir o que está dentro. A provocação e atingimento se revelam como mágoa, irritação, tristeza, mau humor, inveja, orgulho, etc. Trata-se de tudo o que pode machucar o interior de uma pessoa e deixá-la abatida e com vontade de triturar o mais breve possível seu inimigo. Todo aquele, porém, que aprende a lidar com seus inimigos interiores, consegue, na mesma medida, lidar com os exteriores. Ao pacificar o primeiro, o segundo imediatamente é pacificado. É como se ambos fossem “gêmeos” e vibrassem na mesma intensidade na onda de inimizade. Significa que, nada do que vem de fora, por mais iníquo que seja, pode fazer mal àquele que tem sob seu domínio o próprio inimigo interior. Ou seja, o inimigo exterior só tem poder sobre a pessoa, e só pode machucá-la e desequilibrá-la, se seu inimigo interior estiver fora de controle e de domínio. Caso contrário, nenhum mal pode atingi-la ou enfraquecê-la. Sobre esta força interior Jesus motivou e alertou seus seguidores de todos os tempos dizendo: “Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum” (Mc 16, 18). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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5 de julho de 2017
A palavra uma vez falada voa e não retorna” (Quinto Horácio Flaco, poeta e filósofo Romano, 65-8 a.C.).

Além de sons, as palavras transmitem emoções. A palavra tem um poder incrível de sugestionar, influenciar, seduzir, induzir, controlar, manipular, etc, que dificilmente nos damos conta de seu alcance e de sua potência. Observe uma criança quando quer chamar a atenção, inicia um pequeno teatro de choro sem nenhuma lágrima. Ao mesmo tempo observa a reação dos pais, que com palavras tentam controlá-lo, “oh, meu Deus, quanto sofrimento, quanta dor do meu pequeno”. Para os pais parece brincadeira, mas, no seu inconsciente a criança registra e começa a chorar de verdade. Quando os pais percebem e revertem o processo com outras palavras, “todo bem, filho, agora está tudo bem”, tudo volta ao normal. Bastam algumas palavras apropriadas para influenciar no comportamento do bebê. Primeiramente o bebê ouviu a palavra como se fosse um comando e começou a sofrer de verdade. Quando ouviu outras palavras de carinho e apoio, tudo se normalizou. Embora muitos céticos digam e se recusem a acreditar que um simples bebê possa fazer associações ao ouvir, mas, as palavras carregam consigo algo mais além de sons; carregam “emoções” em forma de energia que influenciam as pessoas. Por isso, devemos ter um cuidado no que dizemos, principalmente para as crianças, pois, elas podem marcar por toda uma vida. Uma palavra dita será sempre uma palavra dita, seja ela bem dita, ou mal dita. Ela “voará” e não retornará. Ficarão apenas os sinais de seus efeitos benéficos ou maléficos. O mais importante, então, é cuidar para quem falamos e como falamos cada vez com aqueles que nos circundam, especialmente, com os mais próximos de nosso convívio diário. E a grande notícia é que do mesmo jeito que podemos destruir com o poder da palavra, podemos, também, construir. Sabendo disso, cuidemos e nos esforcemos para que toda palavra que sai de nossa boca edifique, construa, eleve, ajude, crie e transforme para melhor tudo e todos ao nosso redor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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4 de julho de 2017
A repetição do que fazemos nos torna mais perfeito” (Álvaro Granha Loregian, citado em “O Pensador”).

No repetir o passo, a cada degrau é que ganhamos altura. Quando repetimos o amassar do trigo e da água é que damos vida à massa do pão. Repetição é re+petire (re = de novo + petere = fazer de novo, ir em direção a, procurar). Tem o sentido, entre muitos sentidos, de buscar ou procurar de novo, ou ir em direção ao que constitui a origem daquilo que se dá. Geralmente temos dificuldade em repetir, pois, soa mesmice, tudo igual, ou, no jargão popular, a mesma coisa da mesma coisa. Na vida cotidiana tudo é repetição, acordar, levantar, escovar dentes, tomar café, trabalhar, comer, dormir, descansar no final de semana. No comer, algumas culturas têm todos os dias o feijão com arroz, o chimarrão, a farinha, o bacon, a massa. Repetimos preces como “Pai Nosso”, “Ave Maria”. Vamos ao Culto, à Sinagoga, à Mesquita, ou à Missa, e lá fazemos aparentemente sempre as mesmas coisas. O atleta repete exercícios todos os dias para ganhar forma etc. Parece que tudo é um ciclo de repetições sem fim. Isso parece chato, banal, óbvio, sem sabor, rotineiro demais para suportarmos. No entanto, é a repetição que nos forma, nos amadurece; sustenta-nos; e nos dá o crescimento diário do espírito. Ninguém avança sem a rotina da repetição, pois, repetir no verdadeiro sentido é pegar a mesma coisa da mesma coisa e fazer com esmero como da primeira vez, todos os dias em tudo o que fazemos. Avançar, no entanto, é diferente do progresso de hoje, que ao ir sempre para frente, deixa tudo o mais para trás, sem fazer encontro com a raiz. Nesse modo de ser só gera novidade, não o novo. Daí querermos sempre a novidade, não o novo. Por sua vez, quem faz igual, sem empenho, não está repetindo, está imitando. E quem só imita por imitar não vai em direção à origem, ao novo, e nem encontra o novo que busca. Fica no igual. Por isso que o igual cansa e deixa tudo como está. Repetição tem a ver, também, com pedir de novo. Quem pede sempre de novo sabe-se imperfeito, e busca pedir para ser perfeito. Só que perfeito como quem se perfaz na busca de aperfeiçoar-se no caminho de sua origem e de sua consumação. Pode estar nessa busca, nessa procura, nesse ir em direção à origem, ao fundamento de si e de todas as coisas, que reside a insistência de Jesus quando diz: “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto” (Lucas 5, 9). Talvez a primeira coisa que tenhamos que pedir para aprender, para ganhar, para conquistar, para crescer, para suportar a rotina, e a novidade, para avançar em direção ao fundamento de todas as coisas, é aprender a pedir, ou melhor, a aprender o aprender do próprio pedir. Isso nada tem de sabedoria ou de saber, mas, de humildade que gera, sustenta e aprofunda a verdadeira sabedoria e o verdadeiro saber. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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3 de julho de 2017
Hoje, não se sabe falar porque já não se sabe ouvir” (Pierre Jules Renard, escritor francês, 1864-1910).

Aprendemos a ouvir antes de falar. Normalmente uma criança aprende a ouvir, e aos poucos vai aprendendo a falar. Sua mente vai construindo associações de onde saem as primeiras palavras. Muitas vezes achamos engraçado quando erram. À medida que ganham segurança suas frases são mais articuladas e lógicas. As leituras abrem um novo leque de conhecimentos que irão enriquecendo o vocabulário. E assim vamos crescendo e aprendendo. Pena que muitos param este processo de aprendizado confiando apenas no que já aprenderam. O universo do conhecimento está sempre em expansão. Parar esta busca é desistir de ir em frente. Quando deixamos de navegar no mundo do conhecimento, encostamos nosso barquinho e criamos raízes onde paramos. Começamos a falar muito e a ouvir pouco. Nossa fala se torna repetitiva e perde a graça. Ficamos “surdos”, pois achamos que o que temos a dizer é mais importante do que se pode ouvir. Assim, seremos ultrapassados. Continue navegando no mundo do saber. A Sabedoria nos ensina a falar pouco e a ouvir bastante. A “ouvir” com todos os nossos sentidos. Tudo na natureza tem algo a nos ensinar. Até o silêncio, pois, nele começamos a ouvir nossa voz interior. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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29 de junho de 2017
O estresse é causado por estar “aqui” querendo estar “lá”” (Ulrich Leonard Tolle, ou “Eckart Tolle”, escritor e conferencista alemão, nasceu em 1948).

Quem anda apressado para chegar a um local, deixa de contemplar a beleza de inúmeros outros locais. Experimente andar no limite da velocidade em certos trechos que vai perceber um grande número de motoristas estressados forçando para que você seja mais rápido, com buzinas, faróis e até com os dedos. Vivem acelerados. Esse frenesi, essa correria, essa ânsia e pressa de estar lá no futuro, ignorando o exato momento em que se deve estar. É uma espécie de desejo doentio de controlar o depois, fugindo-se do agora. Ou, ainda, um estar aqui sem estar aqui, como se fosse uma maneira de não se responsabilizar pelo que está sendo exigido no momento atual. É, com outras palavras, falta de engajamento com o presente, com o aqui e agora. Viver de forma acelerada no trânsito é só uma forma de falar da aceleração total da vida. Isso contagia negativamente as pessoas dando a impressão de que viver na correria é que é o normal em nosso tempo. Isso se torna um padrão, uma medida para se medir todos e tudo quanto há. E, assim sendo, ser lento, vagaroso, desacelerado, cuidadoso, obediente às leis de trânsito, é que é considerado fora do padrão e do politicamente correto. Esse aceleramento com o tempo cria, alimenta e expressa o estresse, negando, diminuindo, ofendendo, e atacando tudo o que não é ou não está acelerado. Ele se torna medida de todas as coisas, e o que não entra nessa medida é considerado obsoleto; ultrapassado e sem vez. Inicia-se, então, a ditadura do estresse como única forma de vida possível para se sobreviver nesse mundo. O problema do estresse, nesse caso, não é tê-lo, uma vez que quase todos nos estressamos por algo ou por alguém. Mas, sim, não saber administrá-lo orientando sua energia extravasante a nosso favor. O estresse é sempre um excesso no modo de estar no mundo, seja fugindo desesperadamente para o “lá” e “aquém”, seja no modo de viver a vida sem engajamento real com o presente. O estresse é essa tensão entre o presente e o futuro mal administrado. Daí o sofrimento causado pela tensão. Essa tensão que produz o estresse só se dilui quando a pessoa se volta para as exigências reais de seu presente, sem exacerbar, sem saltar ou fugir, sem ignorar ou abandonar, sem desprezar ou abandonar nada. A tensão do estresse, que é o próprio estresse, só acaba quando a pessoa se coloca no ritmo, na exigência, e no tempo de cada coisa, sem disparar para frente, nem para trás. Todo excesso de um mau posicionamento no tempo é que cria tensão, ou melhor, estresse. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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28 de junho de 2017
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar; ir ou ficar; desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante mesmo é o decidir” (Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou “Cora Coralina”, poetisa e contista brasileira,1889-1985).

Há momentos na vida em que tudo parece caminhar para uma ruína total. Cai por terra tudo o que até então parecia nos dar segurança e firmeza. Pode se tratar de pessoas ou de coisas nas quais colocávamos toda a nossa confiança e apoio. Em tais situações ficamos à mercê da dor, da fragilidade, do sofrimento, da perplexidade, do desespero e da frustração. Tudo cai e recai sobre nossa cabeça como que querendo nos afundar terra abaixo. E lá se vão as últimas forças e esperança nas quais tudo se movia em nossa vida. E quando o móvel, o centro de nossas vidas e de nossos interesses se vai, fica a sensação de perda do sentido da vida e o amargor de uma vida sem sentido. Ficamos diante do dilema inexplicável que se instala em nossa consciência: continuar ou desistir, tentar mais uma vez ou abandonar tudo para sempre; acreditar ainda ou cair no precipício da dúvida e da descrença? Achamos que quando uma palavra acerca de nossa existência se mostra como sendo a última, que aquilo é a última palavra sobre o nosso destino. Na verdade, podemos nos dar por vencidos, perdidos e abandonados. Podemos nos sentar na rua da amargura e chorar o pranto sem fim. Podemos nos colocar como vítimas e apenas lamentar e buscar culpados. Mas, também, podemos continuar mais um passo, mais dois, e assim sucessivamente, sem jamais desistir. Podemos, ainda que perdidos, continuar procurando saídas e respostas, não nos importando se serão encontradas, pois, na busca, o mais importante não é sempre achar respostas e soluções, mas, criar possibilidades no próprio caminho que nos permita dar um passo a mais de cada vez e a cada dia. Podemos nos abandonar à queixa e à lamentação, e partir para o compromisso e o empenho de fazer o que é possível para aquela situação e aquele momento. Podemos para de nos vitimar e culpar os outros pela nossa “desgraça”, e descobrir o que em nós mesmos e na nossa maneira de ser, pensar e agir, estava inadequado na busca para nos recolocar mais firmes e decididos num novo modo de ser, pensar e agir, que nos faça mais senhores de nós mesmos do que vítimas. No fundo, no fundo, isso se chama decisão. Decisão é sempre uma ruptura que temos que fazer com nossa maneira ingênua e infantilizada de ser e agir na complexidade do cotidiano e da vida. Romper com o nosso modo estreito de pensar. Com a nossa maneira melindrosa de tratar nossos sentimentos e feridas. Com a nossa postura acomodada de achar que os outros vão fazer, pensar e sentir por nós o que de fato só compete a nós mesmos. A decisão é sempre uma definição de vida. Definir aqui é se colocar e recolocar na vida. Colocar-se e recolocar-se entre os limites que nos limitam. Para nos tirar do nó de nossa confusão das muitas possibilidades, e trabalhá-las com maior clareza e liberdade. Ou seja, sem a pressão de fazer aqui e acolá ao mesmo tempo, ou de fazer sem a suavidade de nossa clareza e liberdade, e perder-se no desgaste da indefinição. Vida indefinida, aliás, sem objetivos claros e possíveis, é o que mais tira a nossa energia e nos faz enfiar os pés pelas mãos. Por isso é que é importante decidir, ainda que a decisão seja fraquinha e diminuta, pois, a decisão sempre rompe, apara, tira e modela em nós a verdade das coisas, e nos afasta da superficialidade e estresse no modo de viver a vida. Decidir, portanto, é cortar o “rabo preso” com tudo aquilo que nos puxava para trás ou para baixo, deixando-nos sem iniciativa para tocar o rumo de nossa vida com vontade e liberdade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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27 de junho de 2017
Você não pode controlar o que o outro faz. Só pode controlar o que você está fazendo” (A. J. Kitt, ex-piloto de esqui alpino americano, nasceu em 1968).

Diante do mistério do outro, muitos têm uma grande vontade de controlar. Trata-se de uma espécie de sedução que move o ser humano a querer a qualquer custo submeter o outro ao seu domínio e interesse. Quem já não se viu, por exemplo, querendo ou desejando que o outro mude de comportamento, esperando que ele seja exatamente como se espera e sonha? Quem nunca na vida já não se deparou com o desejo de ver ou querer que o outro o aceite como é, ou, ao contrário, querer que o outro seja diferente do que é, apenas para satisfazer o meu modo de ser, pensar e agir. Desta maneira, é possível ver o esposo querendo controlar a atitude da esposa para que ela seja mais compreensiva e tolerante; a esposa querendo controlar o marido para que ele seja menos irresponsável e mais participante da vida dos filhos; são os filhos querendo controlar o tempo de presença e atenção dos pais; são os pais querendo controlar as atitudes, as idas e vindas, e as decisões dos filhos; são os professores querendo controlar as ideias dos alunos, e os alunos querendo controlar o exercício docente do professor; são os Sacerdotes e Pastores querendo controlar a consciência dos fiéis, e os fiéis querendo controlar a espiritualidade dos Sacerdotes e Pastores. A verdade é que todo controle descontrola as pessoas e põe em risco os relacionamentos. Quem quer controlar está descontrolado e inseguro em si mesmo, e precisa mostrar poder sobre os outros ou sobre algo para sentir-se seguro e protegido. A verdade, no entanto, é que cada um só tem o poder de controlar a si mesmo, sejam suas emoções, sejam seus pensamentos, vontades, e atitudes. E, assim pensando, é possível afirmar que ninguém muda ninguém se o outro não quer ser mudado. É impossível controlar uma pessoa passando por cima de sua vontade e de sua liberdade. Mas, podemos livremente controlar nossos pensamentos e emoções acerca da do outro. Podemos responsavelmente controlar nossa vontade e atitude para evitar dominar quem quer que seja. O controle de nós mesmos é a única maneira de conseguir abster-se de qualquer controle sobre os outros e, ao mesmo tempo, o único modo de manter tudo sobre controle. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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26 de junho de 2017
Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo” (Evangelho de Mateus 10, 28).

Enquanto os bons se calam, os maus tomam conta. O clima de insegurança nos faz trancar as portas e janelas, fechar os vidros dos carros, ter cuidado nos locais por onde passamos, enfim, devemos ter atenção redobrada para preservar a nossa vida. No entanto, Jesus nos alerta que existe um perigo ainda maior, daqueles que podem destruir a nossa alma. Que perigo corre a nossa alma? Nossa alma deve estar em sintonia com o que é bom; admiramos a beleza do amanhecer ou do final do dia, nos sentimos bem quando somos acolhidos com carinho, nos emocionamos quando alguém está feliz e assim por diante. Mas, nem todos pensam assim. Observe como estamos distante do bem. Veja por exemplo como os filhos afrontam os pais no tocante à educação. Os valores que aprendem são outros. Mentiras com intenções malignas estão sendo passadas disfarçadas de “pesquisas científicas” e estão conseguindo corromper muita gente. Ninguém questiona se é verdade a dita pesquisa, ou se foi feita em um ambiente controlado e assim não pode ser atribuída a todos. Em todos os campos observamos venenos para nossas almas. No parlamento, leis são aprovadas em surdina cujos efeitos maléficos só mais tarde serão notados. Vejo que até pessoas que tinham princípios admiráveis serem desviadas de seus caminhos devido a vantagens oferecidas dentre outras. Estes sim nós deveremos temer, pois estão destruindo o que ainda resta de bondade em prol de um plano maléfico. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos) 

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23 de junho de 2017
A virtude de uma pessoa mede-se; não por ações excepcionais, mas, pelos hábitos cotidianos” (Blaise Pascal, filósofo, teólogo, inventor, físico e matemático francês, 1623-1662).

Todos os dias o sol ilumina a face da terra como se fosse um hábito cotidiano, mas, nenhum dia é exatamente igual ao outro, pois, a cada dia ele irradia de forma diferente, formando as estações do ano. Conosco acontece algo semelhante. O cotidiano é o maior termômetro para medir a virtude das pessoas. E a virtude é medida por hábitos no cotidiano. Um hábito é o que se faz todo dia como uma espécie de obrigação. Não obrigação como algo obrigatório, imposto de fora, mas, como aquilo que move e impulsiona alguém a fazer algo porque é importante. E no cotidiano a virtude é uma força que move e impulsiona a pessoa de dentro pra fora, levando-a a crescer, a se transcender e a tornar-se vigorosa. É uma força, uma energia interna que só cresce quando exercitada no empenho das coisas corriqueiras da vida diária, desde um simples levantar-se cedo em uma manhã congelada para trabalhar, até as ações mais exigentes como suportar serenamente agressões injustas de quem quer que seja. Só que o exercício da virtude acontece de forma lenta, suave, discreta, humilde e persistentemente. Sem esnobismo ou ostentação. É o cotidiano com todas as suas ações e reações, com todas as graças e desgraças que tempera e modela a virtude. E esse é o motivo pelo qual as ações excepcionais não podem medir a virtude, por mais excepcional que seja. Pois, o excepcional em geral é o fora do comum. Fora do comum visto tanto como algo positivo, no sentido de um talento além do normal da pessoa, como no aspecto negativo quando se quer dizer que alguém não alcança as capacidades necessárias para desenvolver determinadas habilidades dos tidos como “normais”. O excepcional quase sempre é o que dispensa as exigências do cotidiano, do comum e corriqueiro. Uma vez que a virtude nasce, cresce e se consuma através do exercício no e pelo corriqueiro, habitual e comum, ela nada tem de excepcionalidade. Mas, à diferença do excepcional, ela torna a pessoa vigorosa em seu ser. E a vida cotidiana não é feita de gestos e ações excepcionais, embora aqui e ali algo de excepcional desabroche do exercício da virtude. Isso quer dizer que o excepcional só é excepcional, porque debaixo e anterior a ele está um volume muito grande de hábitos e exercício de virtude que incansavelmente trabalham para que o excepcional aconteça. Sendo assim, os hábitos cotidianos são fábricas de virtude, e deixar-se orientar por esses hábitos a ponto de encher-se de vigor ou de virtude é que é excepcional. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de junho de 2017
Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar” (René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, 1596-1650).

Quando a alma está elevada ela se torna inatingível do alcance da maldade. Hoje estamos envolvidos de tal forma com um “mundo” de informações que dificilmente conseguimos um tempo para meditar a sós. Quanto mais eu me deixo envolver, mais fico preso a uma maneira de pensar. O nosso desafio é saber filtrar o que ajuda e o que me destrói. Mas para isso eu preciso antes elevar a minha alma. Preciso de um tempo para o silêncio interior, poder ouvir as batidas do coração sem pensar em nada. Após um tempo, um sentimento de gratidão vai envolvendo e nos sentimos pequenos diante da imensidão do universo e somos gratos por isso. Percebemos que muito daquilo que me afligia era apenas algo temporário que precisava ser liberto de meus pensamentos. É um processo lento, mas preciso para dar à alma a força necessária para se elevar em esfera mais sublime. Irmanados aprendemos a respeitar toda a natureza como nossa irmã. A alma elevada é toda gratidão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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21 de junho de 2017
O inimigo mais poderoso que você irá encontrar é você mesmo” (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão, 1844-1900).

Um bom atleta normalmente tem atrás de si um técnico exigente que por vezes parece até inimigo. Mas, quem é nosso verdadeiro inimigo? Costumamos pensar o inimigo como algo ou alguém fora de nós, ou como aquele que é hostil ao nosso modo de ser, pensar e agir. Outras vezes, como aquele que quer nosso fracasso e destruição. Em síntese, o inimigo é frequentemente visto como aquele que deseja e pratica o mal contra nós. É uma espécie de adversário e malfeitor que planeja e age em função de fazer acontecer nossa ruína. Tal inimigo o enxergamos comumente fora de nós mesmos. O vemos no ambiente de trabalho, em casa, no vizinho, no trânsito, dentro das opiniões políticas, na crença ou na religião oposta à minha; na opinião alheia sob os mais diferentes assuntos etc. De tais inimigos, passamos a vida atacando ou nos defendendo. Por vezes, o inimigo, conforme visto pelo nosso olhar antagônico, passa a ser tão poderoso para a nossa compreensão, que cortamos “esquina” para evitar cruzar com ele. Desejamos continuamente sua distância e até, de acordo com o modo como o vemos, sua morte. Por mais que alguém, que chamamos de inimigo, nos queira e nos faça algum mal, devemos estar atentos para perceber que o inimigo mais poderoso nunca vem de fora. Se fosse aquele que vem de fora seria mais fácil evitá-lo e esquecê-lo, nos distanciando dele ou ignorando-o em nossos pensamentos e no nosso coração. No entanto, o maior inimigo nosso somos nós mesmos. O mais poderoso deles é aquele que damos alojamento inquestionável e por tempo indeterminado dentro de nosso íntimo mais íntimo. O inimigo que se torna poderoso dentro de nós é aquele que alimentamos e engordamos com nosso ódio, com nossa intolerância,  com nossos preconceitos, com nossa impaciência, com nossa difamação, e com todas as formas que criamos para denegrir alguém com quem nos antipatizamos, não queremos bem, e que vemos nele uma ameaça à nossa paz e ao nosso caráter. Um inimigo dentro de nós é alimentado e engordado na medida em que damos poder a tudo o que nos contraria ou nos confronta, e nos ataca. Pode ser, porém, que o nosso inimigo, longe de ser um inimigo, é um grande amigo, um poderoso amigo. O inimigo é nosso amigo quando é o único a nos fazer perceber nossas sombras, nosso egoísmo, nossas estreitezas, nossas durezas, e nosso infantilismo emocional. O inimigo, muitas vezes, mais do que os amigos, nos aponta o ponto fraco que evitamos olhar e trabalhar. É ele quem nos arranca das ilusões de nossas falsas imagens que os falsos amigos modelam em nós. O inimigo, enfim, é quem nos desafia a mostrar nossos reais valores e potencialidades, pois é ele quem prova tudo aquilo de bom e nobre pelo qual lutamos e em que acreditamos. E se o inimigo nos tira algo de precioso e valoroso que queríamos e em que acreditávamos, na verdade é porque aquilo ainda não era suficientemente valoroso em nós e para nós. Portanto, quando encontrarmos esse inimigo poderoso dentro de nós, procuremos dar a ele atenção e ouvido, pois na verdade, no fundo, no fundo, ele é um grande amigo disfarçado de inimigo que só está fazendo seu papel de nos ajudar a limpar e a restaurar em nós tudo o que ainda é fraco, falso, indefinido e mal resolvido. Age sem querer como nosso técnico. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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20 de junho de 2017
Por aquilo que o homem pode, chega a ele o que ele não quer” (Frei Egídio de Assis, agricultor italiano e frade místico franciscano, 1190-1262).

Até uma boa intenção pode ser desvirtuada. Seja no campo religioso ou no natural, ao homem foi concedido poder. Poder para realizar muita coisa. Esse poder não é seu, mas, lhe é dado. Ele pode na medida em que lhe foi dado poder. Ele pode usar esse poder para pensar, agir e reagir, sentir, falar etc. Com esse poder ele constrói e destrói, fala e silencia, ama e odeia, age, reage e interage o tempo todo, com tudo e com todos. Apoiado nesse poder ele pode fazer o bem e fazer o mal. E, da mesma forma que ele pode fazer o bem,  pode também evitar fazê-lo. Ao evitar fazer o bem, pode escolher fazer o mal. E quando evita fazer o bem e usa seu poder para fazer o mal, começa a vir a ele o que ele não quer. O que ele não quer é o mal, mas, o mal vem a ele no mau uso do poder. Por exemplo, pode acontecer de num determinado momento uma pessoa que amava e gostava de praticar o bem (nesse caso pelo interesse do resultado) se cansa ou se decepciona com o bem feito, por não ver o fruto ou resultado imediato daquilo que fez de bem e como bem. Passa a se lastimar, a criticar, a esbravejar e, por fim, entra no túnel do desânimo. O desânimo (apoiado no retorno) tira-lhe a alma do bem. Consequentemente, abandona a vontade e o compromisso com o bem, e deixa sua mente e coração desguarnecidos, sem proteção, abrindo espaço para a chegada de tudo aquilo que se opõe ao bem que até então acreditava e que o movia. A vida começa a dar uma girada de 180° para pior, e tudo o que não queria para si começa a possuir e a atrair. Nessa queda do bem, ele começa a perder e a perder-se. Uma vez perdido, tudo o que ele não queria passa a fazer parte de sua vida e de seu cotidiano. Eis a contradição de seu poder. Pode o que quer, mas se usar mal o seu poder passa a ter o que não quer. Que tal, então, se o poder que foi dado ao homem para poder alguma coisa, seja justamente a capacidade de ter que usar o que pode para sempre buscar fazer o bem como bem, não com interesse de alguma coisa. Pois, enquanto busca fazer o bem, nele e por ele mesmo, ele está no poder que tudo pode de bom e perfeito. E, na medida, em que ele se volta para o poder de fazer o bem, ele atrai, e chega a ele, tudo o que de bom e perfeito buscou. Isso significa; que o poder de buscar o bem, nele e por ele mesmo, só pode trazer e atrair o bem. E quem está sob o poder e domínio do bem, deve permanecer nele sempre, uma vez que a única coisa que pode tirar esse poder é o duvidar dele ou não querê-lo mais em nome da decepção, da frustração, do desânimo, e de outros interesses que, por vezes, pode ocorrer porque se está apoiado na busca imediatista e precipitada do bem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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19 de junho de 2017
Quanto mais maduros, menos ofendidos nós ficamos. Quanto mais satisfeitos, menos comparações nós fazemos. Quanto mais amados, menos afirmações nós precisamos” (Zoe Lilly, cantora, compositora e autora paulistana, mestiça de japonês e português, formada em Artes Visuais).

Só é ofendido quem se deixa atingir. À medida que vamos amadurecendo, vamos deixando as brincadeiras de criança e passamos a compreender melhor a vida que nos envolve. Simultaneamente, vamos conhecendo melhor as pessoas de nosso convívio e as demais. Mesmo os animais passam esta fase de brincadeiras da infância, pois, faz parte do aprendizado. Quantas vezes nos machucamos na infância e bastava um carinho da mãe para voltar tudo ao normal. Em disputas, as crianças acabam ofendendo com palavras umas às outras, e novamente a mãe ensina a relevar, pois, a palavras são como o vento, passam. Ficar ofendido com palavras é como alguém que vai juntando pedras e depois não consegue mais correr devido ao peso que carrega. Para correr, precisamos estar leves, para voar então, nem se fala. Da mesma forma que é sinal de equilíbrio e maturidade saber filtrar o que os outros dizem, aproveitando o que edifica e descartando palavras inúteis, também é sinal de maturidade estar satisfeito com o que nos basta. Ficar fazendo comparações ou desejando ser ou ter o que é dos outros, demonstra um desconhecimento de si e de sua capacidade. Observe as faces das pessoas: cada uma é diferente, e é nisto que está sua beleza. Nossa face é única e faz parte deste cenário maravilhoso. Deus nos ama como somos e isto nos basta. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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16 de junho de 2017
Ó glorioso Deus altíssimo, iluminai as trevas do meu coração, concedei-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito. Dai-me Senhor, o reto sentir e conhecer, a fim de que possa cumprir o sagrado encargo que na verdade acabais de dar-me. Amém.” (Giovanni di Pietro di Bernardone, ou “São Francisco de Assis”, místico católico italiano, 1182-1226).

Se quero ver a paz, devo ser um instrumento de paz. Conta o testemunho de fontes antigas que esta oração foi feita por São Francisco diante do crucifixo de “São Damião”, quando ele entendeu sua missão de ser um mensageiro da paz para o mundo, após abrir três vezes a Bíblia e compreender a vontade de Deus para sua vida. Dante Alighieri dizia sobre São Francisco que ele foi uma “luz que brilhou sobre o mundo”. Certa vez um frade lamenta-se com São Francisco como estava angustiado por tanta coisa errada que havia no mundo e até na Igreja, o que ele responde: Então, vamos nós dois começar a fazer o que é certo, ou seja, se quero ver um mundo melhor, então começo a fazer o que é certo e inspirar a outros a fazerem o mesmo. Este mesmo conselho vale para nós hoje: vamos semear a paz e a transformar o mundo começando por nós, sendo autênticos em tudo o que fizermos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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15 de junho de 2017
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu graças e deu-lhes, dizendo: Bebei dele todos; porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão de pecados. Mas, digo-vos que desta hora em diante não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber de novo convosco no reino de meu Pai. E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Evangelho de Mateus 26, 26-30).

A expressão latina “Corpus Christi”, significa; Corpo de Cristo. Como narra este trecho do Evangelho, antes de partir o pão Jesus o abençoou, tomou o cálice e rendeu graças, e depois distribuiu afirmando que deveriam comer, pois este pão agora era o seu corpo. Fez o mesmo com o vinho, que era agora é seu sangue. Dar graças (agradecer) em grego é Eucaristia. Como este gesto marcou os apóstolos, eles começaram a chamar de Eucaristia, todas as vezes que se reuniam para repetir o que Jesus fez na Última Ceia. Na Eucaristia Ele substitui o cordeiro imolado da Páscoa por seu corpo, mas, agora em forma de Pão e Vinho. A festa de Corpus Christi, recorda a criação deste sacramento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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14 de junho de 2017
Assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono, uma vida bem vivida proporciona uma boa morte” (Leonardo di Piero da Vinci, escultor, arquiteto, matemático, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, químico, naturalista, geógrafo, cartógrafo, estrategista e inventor italiano, 1452-1519).

É fato incontestável de que a vida para qualquer um de nós é apenas um lampejo. Nesse lampejo devemos aproveitar tudo o que vem e como podemos. Aproveitar aqui quer dizer vivê-la bem vivida. Vivê-la bem é uma exigência e uma incumbência. Enquanto exigência é uma espécie de apelo a todos os que dela participam. Enquanto incumbência é tarefa e responsabilidade de cada um. A grande questão da vida, no entanto, é acharmos que somos donos dela e que dela podemos nos apossar a ponto de fazermos dela o que queremos e sabemos. Nesse falso poder, vivemos atropelando a vida de cada dia. De um lado, aqueles que lutam para prolongar a vida achando que ela é eterna nos seus desejos e caprichos. Prolongam-na pensando que ser eterno é alongar seus projetos de vida e de viver indefinidamente. Da outra parte, estão os que desacreditando da eternidade da vida colocam todas as suas energias em desfrutar dos lampejos da vida no momento presente, de modo semelhante a alguém que nunca foi numa festa de rico e quando chega lá quer tirar proveito de todas as guloseimas e festejos, achando que ficará satisfeito pro resto da vida. São aqueles que não querem perder nada e usufruir de tudo que o “ego” insatisfeito pede. Tanto para os primeiros, que estão insatisfeitos e jamais ficarão saciados (ainda que tenha uma eternidade para se satisfazer), quanto para os que não possuem a eternidade, e vivem de uma satisfação atrás da outra, aqui e agora, para satisfazer o que não se satisfaz, o modo de encarar a vida é o mesmo. Ou seja, pensam a vida nos limites de seu poder e saber. Esses morrem sempre desesperados e frustrados por não terem tido o que procuravam com tanto afã. A vida, porém, é Vida, com “V” maiúsculo. Ela é a dona do viver de cada um. Ela é bela, imensa, profunda, abissal, generosa, rica e essencial. Ela se dá a cada um, e cada um vive dela, por ela, e a partir dela. Toda centralização, todo apoderamento, todo ensimesmamento, todo apego, é um contínuo nadar contra a Vida e impedir o seu fluxo e influxo. Uma vida bem vivida só se dá naqueles que seguem o curso da vida, abrindo-se a ela e entregando-se a ela. Isso significa, receber o que ela dá e aproveitar o que pode de sua doação nos mais variados pingos de sua generosidade cotidiana, inclusive ser receptivo à morte, que não é o oposto da Vida, mas parte de seu mistério de doação. O não entendimento disso é que é morte, no sentido de oposição à Vida. Por isso, nesse lampejo de vida e de viver que nos é dado, deixemos a Vida nos vivificar, aproveitando de seus benefícios, sem querer possuir ou dominar nada. Dessa forma, a morte não se torna um monstro a nos tomar da Vida, nem um fantasma a nos perseguir e a nos apontar a ampulheta do tempo esgotando seus grãos de areia. Muito menos aquela espécie de senha eletrônica que nos indica que a qualquer momento seremos chamados na grande fila de espera da antecâmara do “céu” ou do “inferno”, como pensam alguns. Aproveitar bem a Vida é viver da Vida, da sua doação, de tudo o que ela ensina e encerra em si mesma de verdade, de beleza, de grandeza, de riqueza, de bondade e de necessidade. Ou seja, viver bem a Vida é viver do bem que a Vida oferece, e não do bem que achamos que a vida é ou tem, ou deveria ter e ser. Toda a boa visão da morte e do morrer brota dessa descoberta e dessa experiência da vida e do viver. Daí dizer João Guimarães Rosa: "Merece de a gente aproveitar,  o que vem e que se pode,  o bom da vida é só de chuvisco" (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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13 de junho de 2017
Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa” (Fernando Antônio de Bulhões ou “Santo Antônio”, professor e doutor, filósofo e teólogo, frade franciscano português, 1191-1231).

Santo Antônio era um homem de uma cultura intelectual fora do comum, revelada em toda sua obra escrita, bem como um admirável amor a Jesus e um profundo conhecimento dos escritos sagrados que lhe valeu a representação iconográfica com uma Bíblia na mão e Jesus menino ali sentado. Mas, foi a visão dos cinco primeiros mártires franciscanos vítimas dos muçulmanos que o fez sair de Coimbra onde lecionava e ir até a Itália conhecer o modo de vida dos frades menores (franciscanos) e lá conheceu pessoalmente São Francisco de Assis. Mas, quem nunca sonhou ser grande, reconhecido e mundialmente famoso por suas façanhas e proezas? Quem nunca desejou ter poder, saber, bens, e tudo o que tem de bom e melhor nesta vida? Ou, quem nunca pensou em ser de fato alguém que possa deixar para a posteridade a marca de seu nome, dos valores que cultivou, e das coisas que acreditou e que lhe fez bem? O ser humano tem essa tendência inata de sempre querer poder fazer grandes coisas por si, pelos outros, pelo mundo etc. Só que no vento contrário a isso vem muitas tempestades e muitas oposições que arrastam para longe seu ânimo e sua vontade, especialmente, quando a frustração é do tamanho ou maior do que a energia entregue nessa decisão de querer e poder. Outras vezes, em nome das façanhas de grandes coisas, passa despercebida por ele as pequenas coisas, pois aparentam sem poder e sem força para mobilizar algo nele e nos outros. É como alguém que querendo mudar o mundo, a Sociedade, o Meio Ambiente, se vê como insignificante no seu modo de ser e agir cotidiano para enfrentar tamanha exigência. Fica anestesiado por achar que o que vem do outro lado como, por exemplo, violência, corrupção, injustiça, morte e insensibilidade, são maiores do que tudo o que acredita e faz. Santo Antônio dá uma dica legal dizendo que depois de ter feito, ou tentado fazer tudo o que pode fazer de grandes coisas, e ter perdido as forças de poder, isso ainda não é tudo. É apenas um modo de ser, de poder e fazer. Existe outro, menos trilhado e menos acreditado, mas que, se buscado seriamente, pode dar mais efeito do que o primeiro, ou seja, aquele do poder fazer ao menos o que está na medida das forças. Esse “ao menos” significa tudo, tudo mesmo, da melhor maneira possível, com o que está ao alcance naquele momento e naquela situação. Se você tem um centavo nas mãos não fique sonhando com cem reais. Use esse centavo no que pode e sabe, nem que seja para comprar uma balinha, mas, faça! O ruim é ficar choramingando por ter “só” um centavo e não fazer nada, ou fazer algo com um centavo acreditando que aquilo não leva a nada. Quem faz isso perde até o que tem, ou seja, a última energia de investimento para fazer crescer algo dentro e fora de si. Não fica sem recompensa quem tem o modo de ser do fazer com pouco um muito. Esse é o modo de ser humano, finito, bem casado com o real da realidade. É o famoso “pé no chão”. E quem tem “pé no chão” não é avoado, nem orgulhoso (inflado), e nem prepotente.  É humilde, livre, cordial e jovial com a Vida, assim como os Santos e as Santas. Santo Antônio é um desses representantes da jovialidade e humildade de Deus aqui na Terra. E celebrar o seu dia nada tem de adoração de imagem ou de substituição do divino na fé cristã católica. Tem a ver com o estar atento com aqueles homens e mulheres que fizeram bem a sua parte como homens e mulheres que se deixaram amar por Deus e sua mensagem, e que amaram os demais em nome desse amor. Celebrá-lo é ter nele também alguém que nos inspira e nos ajuda a amar o que ele amou. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de junho de 2017
Quem está apaixonado delira, muitas vezes lamenta, sempre suspira e fala apenas em morrer de amor” (Pietro Metastasio, poeta italiano, 1698-1782).

O amor atrai. O dia dos namorados é uma data comemorativa da atração mútua entre os seres humanos. No Brasil comemora-se no dia 12 de junho. Em outros países em 14 de fevereiro. Historicamente remonta ao tempo do Império Romano, mais precisamente ligado ao Imperador Cláudio II, que em seu tempo proibiu a realização de casamentos. Porém, o Bispo Valentino desobedeceu a ordem imperial e continuou secretamente a fazer casamentos. Ele foi descoberto, preso e condenado à morte. A sentença ocorreu em 14 de fevereiro de 270 por decapitação. Desde então se comemora o dia dos namorados nesta data. O critério da data no Brasil atende apenas a interesses comerciais. À medida que vamos conhecendo alguém, também nos encantamos e algumas vezes nos decepcionamos, pois o período de namoro é justamente para isso, desvelar os mistérios que envolvem a pessoa do outro. Quando a motivação é o amor, a pessoa atinge um grau de encantamento que dificilmente consegue ver algum defeito. Por isso a importância de saber dosar o envolvimento nesta fase para não perder a prudência e evitar possíveis grandes decepções. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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9 de junho de 2017
Ausência de prova não é prova de ausência” (John Michael Crichton, médico, autor, roteirista e diretor americano, 1942-2008).

Se não vejo o “predador” em um cômodo escuro não posso assegurar com segurança que ele não esteja lá. Como a Justiça é cega, ela vai negar sua existência. Acenda a luz para ver melhor. Na atual situação em que atravessa nosso país, em termos de investigações em torno de pessoas que cometem corrupção dentro do Sistema financeiro e da política brasileira, o que mais emperra a ação da Justiça é, segundo se afirma, a ausência de provas. Tudo foi concebido para facilitar a defesa dos acusados. Ter provas significa apresentar fatos concretos, palpáveis, visíveis e constatáveis para dar andamento nos casos de justiça. Em nome desse estilo de provas, nenhuma palavra, nenhum testemunho, até da mais respeitável personalidade do país, é suficiente para deslanchar a prática da justiça. Isso se deve em muito ao modelo de pensamento e de ação em que se funda a justiça, isto é, nos moldes da visão de “Ciência”. Embora o modelo de Ciência do nosso Século tenha a incrível capacidade de fazer acreditar que sem provas a verdade não se mostra, ela tem, também, a ingênua pretensão de achar que só provando o fato (nesse caso, provas concretas) é que o real da realidade se mostra. Isso nos força a pensar que só vale o que pode ser provado dentro de um modelo. Daí que coisas que não são palpáveis nesta medida da Ciência demonstrável, não têm valor de real. Eis a razão pela qual estamos tão anestesiados com as investigações feitas em torno de corruptos e corruptores no cenário político nacional, pois tudo só vai a um desfecho se tiver a presença de provas palpáveis, visíveis. Nesse caso, a palavra que não é palpável não tem força de convencimento. O testemunho de alguém ou de um grupo, por mais informações justas que possa oferecer para ajudar na justiça, nada vale. No entanto, a ausência de provas não quer dizer prova de ausência, pois, a ausência de alguma coisa não precisa ser necessariamente uma coisa como a Ciência impõe a pensar. Um sentimento de compaixão, por exemplo, não pode ser provado, no sentido de se poder tocá-lo com as mãos, medi-lo, espichá-lo para cá e para lá, nem colocá-lo dentro de uma redoma para estudá-lo. Para esse tipo de medida ele é tido como ausente, inexistente. Porém, ele pode ser sentido, experimentado, numa outra medida sem medida. E nessa outra medida sem medida de nossos cálculos, ele pode ser tocado não com as mãos, mas, com o coração; pode ser espichado no gesto de generosidade, pode se fazer visível numa atitude de misericórdia para com um sofredor. Com outras palavras, pode ser presente. Sua presença na ausência pode ser provada, não no sentido de cálculo, mas, de uma experiência de encontro. Ele é real nesse sentido. Se no atual momento do cenário político brasileiro, não se der voz àquilo que é considerado como ausência de provas nas investigações que são feitas, então estaremos usando a justiça de forma parcial, achando que só o “batom na cueca” é que pode provar alguma coisa. Isso é importante, também! Não se trata de excluir essa possibilidade. Mas, é importante fazer valer essa outra faceta do que é aparentemente ausente, para que a Justiça triunfe. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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6 de junho de 2017
De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro” (Fernando Tavares Sabino, escritor e jornalista brasileiro, 1923-2004).

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lei da conservação das massas de Antoine Lavoisier). De certa forma, também na dinâmica da vida, tudo está em constante movimento. Basta pegarmos um álbum de fotografias para recordarmos quanta coisa já mudou em nossa vida. Aceitar isso é sinal de sabedoria. Muitos se assustam e tentam parar o tempo com cosméticos e cirurgias sendo que o belo é saber evoluir com alegria sem perder o otimismo. Assim, a interrupção se transforma em caminho novo, a queda em passo de dança, o medo em uma escada, o sono vira uma ponte e a procura em encontro. Só o Criador sabe o momento da interrupção que abre nova dimensão em outro plano. Enquanto isso; continuamos vivendo intensamente cada segundo de nossa vida.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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5 de junho de 2017
Vocês imaginam que Deus não fala porque não ouvimos a sua voz? Quando o coração reza, Ele responde” (Santa Tereza d’Ávila, mística espanhola, 1515-1582).

Deus nos fala com amor no silêncio do coração. Temos várias formas de nos comunicar, desde sinais de fumaça até telepatia. Para o sucesso da comunicação deve haver uma harmonia entre transmissor e receptor (de quem fala com quem escuta). Mesmo falando a mesma língua, ainda assim muitos não se entendem, pois o coração atribui peso diferente para as palavras, e acabam se magoando pelo que o outro nem disse. A comunicação com Deus é feita pela sintonia do coração, ou seja, Ele fala pela linguagem universal do amor. Quem ama se comunica em outra frequência. Jesus nos ensina a falar com Deus em Lucas 18, quando conta a parábola do fariseu e do publicano, ou seja, diante de Deus devemos ter uma postura humilde, abrindo o nosso coração pela oração e deixar que responda com amor. Nada de ostentação ou orgulho. Nada de pressa também, tudo a seu tempo, o tempo Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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2 de junho de 2017
Se falarem mal de ti com fundamento, corrige-te; se o fizerem sem fundamento, limita-se a rir” (Epíteto, filósofo frígio, 130-50 a.C.).

Palavras só te atingem se você permite. Temos que ter sabedoria suficiente para garimpar o que ouvimos como se garimpa ouro; o que for valioso deve ser recolhido e purificado, e a maioria sem valor e fundamento, deve ser descartada. Quem dá importância a tudo o que ouve sem selecionar, acaba como aquelas pessoas que de tanto recolherem inutilidades, ficam sem espaço para viverem. As opiniões são como placas indicativas, você as lê para sua informação, mas se o que dizem for inútil, você descarta e segue seu caminho, mas, se te ajudarem, você aproveita da orientação, e também continua o seu caminho, agora com mais segurança, mas, deixa a placa lá. A maioria das coisas que ouvimos é sem fundamento. Aprenda a rir das inutilidades que dizem a teu respeito e com isso você desarma quem fala. Discutir por discutir é perda de um tempo precioso. Esteja acima destas opiniões. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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1 de junho de 2017
Enfrente com coragem e determinação os dias difíceis para poder merecer os dias de glória” (frase do Jiu Jitsu).

Se fosse fácil, todos conseguiriam. Quantas pessoas desistem antes de começar. Em tudo o que nos propomos a fazer haverá dificuldades. São elas que formarão nossa capacidade de superar obstáculos. No reino animal os genitores protegem a cria logo ao nascer, mas, logo ensinam a se defender e a estarem sempre alerta aos sinais de perigo, pois, terão que ir sozinhos. Veja os atletas de modo geral. Sempre que podem, estão treinando para vencer a seus medos e dificuldades para responderem com eficiência na hora da competição. Isto exige disciplina. É muito mais cômodo ficar debaixo das cobertas do que enfrentar as intempéries para treinar. Mas, a vida é mais exigente que um treino, pois, no treino você pode repetir até conseguir; na vida, muitas vezes não tem volta. Antes que aconteça, esteja preparado. Enfrente com coragem e determinação seus desafios, pois, eles ficam pequenos diante de seu querer. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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31 de maio de 2017
Se você crê somente no que gosta do Evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo” (Agostinho de Hipona ou “Santo Agostinho”, filósofo, teólogo e Bispo de Hipona, norte da África, 354-430).

A vida cristã é como a rosa; quem quer sentir o perfume, também deve respeitar os espinhos. Certa vez conversando com um ateu convicto ele argumentava que crer no evangelho era coisa para louco, pois, as palavras do Evangelho exigiam muito de nós, “onde já se viu se me baterem no rosto eu ter que dar a outra face? Coisa de doido”. Mas, foi com atitudes assim que os primeiros cristãos espalharam a fé. Cantavam hinos de louvor a Deus enquanto esperavam a sentença de morte. Morriam, mas, não renegavam sua fé. Mesmo mais tarde, a alegria de vida dos que abraçaram a fé cativava até seus algozes e muitos se convertiam pelo testemunho de vida dos cristãos. São Francisco de Assis recomendava ter muito cuidado com nossas atitudes, pois, talvez fosse o único “Evangelho” que muitos possam ler, (naquele tempo a maioria era analfabeta), ou seja, se você diz que ama Cristo e sua vida não demonstra isso, então você precisa rever seus conceitos. O Evangelho é um todo, é uma carta de amor de Deus para humanidade, mas exige um compromisso de vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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30 de maio de 2017
Se os oficiais inimigos estão em constante desacordo; se desconfianças mútuas, invejas, interesses pessoais os mantêm divididos, poderás facilmente cooptar uma parte deles, pois, por mais virtuosos e devotos a seus soberanos, a promessa de vingança, de riquezas e de postos eminentes bastará para atiçar-lhes a cobiça. E quando ela estiver acesa em seus corações, tudo farão para satisfazê-las” (Sun Tzu, general estrategista e filósofo chinês, 544-496 a.C.).

“Em boca fechada não entra mosquito” (dito popular). Quando Moisés recebe do Senhor as Tábuas da Lei e apresenta ao povo (descrito no livro de Êxodo capítulo 20), um dos mandamentos é diferente dos outros nove, pois, trata do foro íntimo, que é a cobiça. “Não cobiçarás a casa de teu próximo; não cobiçarás a mulher de teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence” (Êx 20, 17). A ambição entra no coração como um vírus, invisível a olho nu, mas, seu efeito é devastador no organismo. O ambicioso nunca está satisfeito, sempre quer mais. Pode até ter coisas melhores que as dos outros, mas, quer o que é do outro. O Rei Acab queria a vinha de Nabot, o Rei David queria a mulher de Urias, e assim por diante. Talvez por isso Jesus insista; “aquele que olhar para uma mulher para cobiçar já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5, 28), ou seja, evite a “situação de risco”. A cobiça é a pedra de tropeço de nosso egoísmo. O general Sun Tzu ensinou a utilizar desta fraqueza humana para derrotar os inimigos. Hoje vemos o mesmo quadro em nossa política. A cobiça de muitos foi tanta que secou a fonte de recursos do Estado Brasileiro. Bateu o desespero e a confusão está em toda parte. Enquanto isso, o povo morre a míngua pela carga pesada de tantos impostos e ainda querem mais, mas, sem cortar seus privilégios. Como a cobiça é de foro íntimo, só a pessoa conhece o seu deslize, mas, se não for impedida a tempo, poderá virar “epidemia”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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 29 de maio de 2017

Muito dista a ovelha que bala da que pasta” (Frei Egídio de Assis, agricultor italiano e místico franciscano, 1190-1262).
Falar é fácil, agir é mais difícil. A ovelha é um dos animais mais dóceis da natureza; talvez por isso que é símbolo de paz em muitas ocasiões. Sua comunicação se faz por balido. Normalmente quando bala quer chamar a atenção, pois seu estado normal de agir é andar pastando. Enquanto pasta está em silêncio e confiante na segurança do pastor. Uma ovelha balindo chama atenção até dos predadores expondo sua fragilidade. O pastor atento verifica o que está acontecendo. Penso que o dito de frei Egídio quer nos chamar atenção para duas coisas: uma é que quem só fala e não age, perde um tempo precioso em sua alimentação e demonstra sua falta de confiança plena no pastor que é Deus, que sempre está atento às nossas necessidades. A segunda é que quando nossa confiança está segura em quem nos apascenta, basta o silêncio reconfortante da meditação enquanto fazemos nossos deveres. Deus sempre cuida de nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom Dia! (21 anos)

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26 de maio de 2017
A covardia é a mãe da crueldade” (Michel Eyquem de Montaigne, jurista, político, filósofo, escritor francês, 1533-1592).

O covarde se entrincheira com medo para atacar com crueldade. A covardia (do latim “coda” = cauda) é a atitude humana semelhante ao gesto do animal que abaixa a cauda quando está com medo ou acuado pelo seu oponente. Para não enfrentar, põe o rabo entre as pernas sinalizando que aceita a derrota e desiste de qualquer ação ou iniciativa. Ao desistir, dá espaço para o domínio de seu ameaçador. O medo que o faz tremer as pernas, o inibe e deixa margem para o adversário fazer o que quiser com ele, sobre os que dependem dele, e sobre a situação que está em jogo. O outro lado da moeda do covarde é a atitude de agir por trás, de longe, “no silêncio”, na penumbra, e atrás da moita. Há também o covarde que para acobertar o medo, a insegurança, e a imprudência que carrega consigo, gosta de se esconder por trás de uma pseudo-coragem, bradando valentia e ostentando autoridade. Em todos os casos, o covarde é apenas alguém destituído totalmente de coragem para se expor e se lançar de corpo e alma numa situação que desafia sua integridade e seu caráter. Ao fugir, agir por trás, e ostentar a coragem que não possui, desiste de fazer o bem, e permite nascer sua principal aliada, a crueldade. A crueldade é o sentimento humano desprovido de bondade. É como alimento cru, que não foi temperado e cozido no calor dos afetos mais preciosos do coração. O oposto da covardia é a bravura e a coragem. A coragem é a ação do coração. E coração como centro motor, como o móvel (o motivo maior) que leva alguém a fazer algo com inteireza de disposição em prol daquilo que quer e ama. Essa inteireza de disposição é que coloca a pessoa na linha de frente de qualquer desafio para superá-lo, e a move a fazer tudo o que sabe e pode para vencer o medo, a inibição, a insegurança, a imprudência, e, sobretudo, a renunciar a toda forma de crueldade que humilha, divide, maltrata, escraviza, e corrompe o ser humano. Se  covardia é a mãe da crueldade, então a coragem e a bravura são as mães da bondade e da superação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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25 de maio de 2017
O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma” (Musharrif Od-Dîn Sa'di, poeta persa, 1184-1291).

Comprovadamente existe uma relação entre gratidão e felicidade. Um ingrato definha em sua melancolia. O deserto dá a impressão de ser um local esquecido, solitário, vazio, abandonado, sem graça e sem vida. Quando se quer falar da alma humana na sua ingratidão, essa é uma imagem bastante ilustrativa. O ingrato, tal qual um deserto, é um esquecido. Esquece de agradecer. É um solitário que só pensa em si. É vazio, pois nada o preenche. É um abandonado, pois pelo congelamento do coração, sufocou em si a possibilidade de qualquer reconhecimento da dádiva alheia. É sem graça, por ter perdido a capacidade de agradecer. É sem vida, pois não há vida onde tudo é sem graça. O ingrato, tal qual o deserto que sorve com avidez a água do céu, suga de todos ao seu redor o que pode, sempre achando que tem direito sobre o benefício do outro. E por achar que tem direito, quer sempre mais sem jamais retribuir, nem mesmo com um aceno, um simples gesto de muito obrigado. Seu coração é orgulhoso, seco, improdutivo. Incapaz de frutificar em gestos de generosidade; partilha, e caridade. O ingrato é um in-grato, ou seja,  um não grato. O não grato é quem está fora, distante, e à margem da graça e, consequentemente, da gratidão. É por essa razão que a graça não nasce; não desabrocha, e não frutifica nele. Por outro lado, aquele que só recebe ingratidão nunca deve criar expectativas em torno do bem feito, achando que é inútil a prática do bem. Nem mesmo deve se decepcionar por receber em troca de algum benefício realizado apenas o silêncio e o menosprezo. A bondade oferecida deve, antes, nos alargar ainda mais o coração, agigantar em nós o sentido da benevolência, e nos estimular sem medida na direção da perseverança do bem. A ingratidão deve ser apenas mais um desafio para aqueles que se propõem a buscar fazer o bem sem olhar a quem. Deve ser também, um convite para desejar ardentemente que o coração do ingrato não se encha de egoísmo, nem se torne um deserto onde a vida vive sem chances de florescer e frutificar. Pois, ingratidão é tormento da alma e apodrecimento do coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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24 de maio de 2017
Você nunca me amou. Só pensou que é agradável estar apaixonado por mim” (Henrik Johan Ibsen, dramaturgo norueguês, 1828-1906).

As letras de muitas músicas revelavam a confusão que existe entre amor e paixão. Amar e se apaixonar, são duas irmãs não gêmeas, mas, que se confundem no modo de vestir, de se comportar, e de ser. Somente aos mais experimentados é possível distingui-las, pois, é fácil apaixonar-se achando que está amando e, do mesmo modo, amar na forma de paixão. Isso não vale só para casais e namorados. Vale para todo e qualquer tipo de relação onde estejam envolvidos sentimentos ligados aos afetos e aos cuidados mútuos. O que em geral serve de muro divisor entre o “amar” e o “apaixonar” é o modo do “agradável”, visto que na paixão, ou no modo de ser do “apaixonado”, está o querer, o gostar, e até mesmo o “amar”, enquanto agradável para mim. Ou seja, enquanto me agrada, me serve, me ajuda, me ampara, me consola, me entende, me compreende, me inspira, me faz bem, então é entendido como “amor”, embora seja apenas “paixão” no sentido de estar apaixonado, atraído, fascinado e voltado para aquilo que me faz bem e satisfaz meu "ego". Nessa compreensão, tudo o que é “desagradável”, ou seja, o que não traz agrado, o que não me serve, o que não me ajuda, o que não gosto, o que não me consola, quem não me entende e compreende, o que não me inspira e nem me faz “bem”, ou melhor, tudo o que não agrada ao meu “ego”, é entendido como “desamor”, enfim, nada apaixonante. Existem muitos relacionamentos que estão baseados nesse tipo de compreensão, onde se confunde amor com paixão e paixão com amor. A vida sexual de um casal pode ser vivida anos e anos no toque da paixão, sem amor. Uma vida social pode se vista e vivida por Séculos a fio sob o signo da paixão, onde o que vale é o todo ao meu serviço. Significa que se as pessoas não giram em torno desse “ego” para satisfazê-lo nas suas exigências, então se diz: “Ninguém me ama, ninguém me quer”. Esse “não me ama” é que é o jeito da paixão, ma,s paixão aqui não no sentido de Paixão de Cristo, por exemplo. Mas, de sentimento patológico de tudo querer para si na medida do “bom e agradável pra mim”. Bem outra é a compreensão do amor que ama não porque é “agradável para mim, mas, porque é agradável amar, simples e puramente por amor. O Amor é a medida, não o meu “ego”. Numa relação onde o amor é o que “comanda”, jamais se subjuga o outro ao meu próprio interesse, seja ele de que nível for. Jamais instrumentalizo o outro para me servir ou satisfazer minhas necessidades afetivas, sexuais, emocionais, sentimentais, intelectuais, espirituais, corporais, financeiras, grupais etc. Aqui amo o outro não pelo que ele me faz ou me dá, ou que não me faz ou não me dá. O amor apenas ama, sem “porquê” e nem “para quê”. Ama por amar e por não saber  outra coisa a não ser, ser isso mesmo, “amar”. Se ainda não sei amar na medida do amor, ou o confundo com paixão, então tenho muito a aprender ainda. E amar só se aprende amando, se inscrevendo na escola do amor. Na escola do amor há muitos mestres: mães, pais, filhos, professores, leigos, santos e santas, gurus, sacerdotes, pastores, rabinos, agentes sociais, filósofos, xamãs, religiosos e religiosas, enfim, uma gama de pessoas que estão aí e que passaram pela vida fazendo o bem. E para os que cultivam a fé religiosa, há o mestre e a fonte do Amor: Deus. Só se aprende a amar olhando para Ele, aprendendo d’Ele, escutando-O, seguindo-O. Não o Deus estereotipado pela propaganda atual  que vê n’Ele a fonte das guerras e divisões, ainda que pregando o bem. Não o Deus que tantos credos e doutrinas e pessoas se apoiam no seu Nome para criar as grandes matanças e violências da História da humanidade. Mas, sim, o Deus que em Jesus Cristo, por exemplo, passou pelo mundo fazendo o bem. É aí que se encontra a fonte inspiradora para quem quer aprender a amar e de, fato, apaixonar-se, sem a contradição entre amor e paixão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

 

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23 de maio de 2017
O poder da inteligência é mais forte que o poder material” (Diógenes de Sínope, “O Cínico”, filósofo da Grécia Antiga, 412-323 a.C.).

Quem é escravo da matéria perde a lucidez da inteligência. Diógenes era filho de Hicésio, um alto funcionário ligado às finanças em Sínope, que acabou perdendo tudo em função de apenas uma acusação. Diógenes então foi viver em Atenas, criticando com suas atitudes de cinismo, o modo de ser da sociedade, escrava do poder material e dos costumes daí decorrentes. Como sabemos, ao “Homem” foi dado o poder da inteligência. Com ela, por ela, e a partir dela, ele tem o poder de ler, sondar, analisar, interpretar, diferenciar, clarear e distinguir tudo o que há. Através dela, ele orienta sua existência e compartilha do destino de outros que, também, agem sob o poder dela. Sob seu domínio é que agimos de forma sensata, equilibrada e construtiva. Por ela, nos guiamos de forma iluminada para tomar decisões, inventar, criar, e imaginar. Ela nos ensina o bom senso, o respeito, a honestidade, e nos inspira o caminho do bem. As relações sociais devem a ela o convívio de forma justa e pacífica. O “poder da inteligência”, no entanto, caminha na direção oposta do “poder material”. O “poder material”, ainda que sem força para vencer as “luzes da inteligência”, pode facilmente sombreá-la e anuviar o “Homem” em suas ações no contato com a matéria. O homem anuviado em sua inteligência pode perder-se numa luta e busca ilusória daquilo que o poder material  propõe, e passar a viver somente em função da matéria como forma de poder. Isso pode acontecer no âmbito do dinheiro, da tecnologia, da influência para obter vantagens políticas e empresariais etc. Talvez, hoje, mais do que em civilizações anteriores, estejamos mais expostos ao “poder da matéria” e à busca do “poder material” como fonte de realização e salvação. Porém, nenhuma realização pode ser encontrada no “poder material” se a “inteligência” não fundamentar e iluminar esse poder. A matéria, em vez de tirana, deve estar a serviço do homem que disponibiliza dela com inteligência. E o poder material iluminado pela força da inteligência, torna-se fonte de justiça, de partilha, de solidariedade, de comunhão, de fraternidade e proximidade entre os Homens. Quem sabe, nesse momento histórico em que o “poder material” se apoderou da “busca humana”, de forma cega e insaciável em tantos níveis e instâncias, tenhamos que deixar “ser” e “agir” em nós o poder da inteligência, pois, é ela que nos devolve o sentido de humanidade que está na raiz de nosso “ser”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de maio de 2017
Irritar-se é vingar os erros dos outros em nós mesmos” (Alexandre Pope, poeta inglês, 1688-1744).
Qualquer um pode se irritar em determinado momento; faz parte de nosso aprendizado com a vida. Mas, deixar contaminar-se pela irritação a ponto de perder a compostura e provocar escândalo é sinal que algo precisa ser mudado em nosso equilíbrio emocional. Até Jesus se irritou com os vendilhões do templo que estavam transformando uma casa de oração em um lugar de comércio. Quem tem zelo por algo pode se irritar quando percebe que estão destruindo o que plantou. Irritar-se com a pessoa certa, no momento adequado, da maneira correta é muito difícil. Lembre-se que palavras ofensivas deixam marcas no coração. O que está errado precisa ser corrigido, mas, de forma adequada para edificar quem errou e assim evitar que isso ocorra novamente, e a pessoa possa ensinar a outros evitarem este erro. Quem sai perdendo com a irritação é o equilíbrio de nosso coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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19 de maio de 2017
Fiquei muito tristonho com o jeito de fazer política no Brasil” (Haley Margon Vaz, político goiano, nasceu em Catalão em 1930).

Quem desiste de remar é levado pela correnteza. Haley foi prefeito de Catalão no período de 1986 a 1990. Fez muito por sua cidade, beneficiando sua infraestrutura; e, para a juventude trouxe a Universidade, dentre outros feitos. Após isso, exerceu vários cargos públicos, até se decepcionar com a Política. Em certa ocasião, em tom de desabafo, ele comenta sua tristeza com a política: “Ser político honesto da forma como está organizada a política é como encaminhar uma pessoa com voto de castidade a viver num prostíbulo, honrando seus votos”. O jogo político tem suas regras próprias. Toma lá, dá cá. Ele é um dentre muitos políticos que tentam fazer da Política algo de bom para o povo, mas, se deparam com um emaranhado de acordos e troca de favores em “benefício próprio”, que quase nada sobra das verbas para serem aplicadas no que foram destinadas. Existem muitos outros exemplos de pessoas tentando levar a sério seu compromisso político, mas, que praticamente desaparecem num mar de lama. Os escândalos de hoje são resultado de muitos anos de uma prática que transformou a política em uma máquina de beneficiar a si próprio e aos amigos do mesmo “time”. É por isso que a arrecadação de impostos é tão pesada para o povo, pois, precisa manter esta “máquina” e ainda aplicar em “obras”, saúde e educação. É tão bem articulada, que até quem julga deve favores a alguém. Alguns tentaram reverter este quadro, mas, desapareceram misteriosamente. Agora vemos algo novo. O Brasil acredita nesta juventude que em suas funções está enfrentado esta máquina gigante. Penso que a maior força está no poder do Altíssimo, por isso devemos orar muito pelo Brasil, e fazer a nossa parte. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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18 de maio de 2017
Para aplicar a pena de morte, a sociedade deveria ostentar a autoridade moral de não ter contribuído em nada para fabricar esse criminoso” (Evaristo de Moraes Filho, advogado, escritor e professor universitário, 1914-2016).

“A ganância insaciável é um dos tristes fenômenos que causam a destruição do homem” (dito judaico). A expressão “pena de morte” se refere a um tipo de condenação criminal prevista e regulamentada de acordo com o sistema jurídico de onde ela é aplicada. Ninguém dá pena de morte a si mesmo, excetuando os casos patológicos de suicidas ou pessoas que encontram no suicídio uma forma de saída do sofrimento extremo pelo qual atravessam. Quem se julga no direito de decidir sobre a vida dos outros, deveria ostentar uma autoridade moral tal que se encaixe perfeitamente na exceção daquelas palavras de Jesus quando perguntou aos que desejavam apedrejar a mulher pecadora: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Deve ter vida ilibada em todos os sentidos para sentir-se acima da humanidade pecadora, e fora deste planeta para ser imune a qualquer juízo sobre si, que o permita condenar alguém à pena de morte, ainda que não seja ele a dar a sentença final. Socialmente falando, deve ter todos os requisitos de uma vida moral, sem nenhuma falha, que jamais tenha contribuído com os erros e desvios dos criminosos, ladrões, assassinos e corruptos da sociedade. Fica fácil querer a condenação do outro, pensando que este outro nada tem a ver comigo ou conosco, e lavar as mãos do compromisso social que somos e que damos a todo o momento com nossa presença e participação nela. É claro que em sã consciência ninguém cria um marginal, mas se formos realistas, o nosso comportamento em casa, nossa posição política, nosso voto, as nossas políticas públicas, a nossa competição no mercado de trabalho, o nosso desejo de sobrevivência a qualquer custo para salvar a nossa pele e a de nossos amigos e familiares; as nossas exclusões e construções de muros “raciais” de separação; a nossa indiferença com os mendigos, pobres e desamparados; a nossa educação ou deseducação familiar que forma pequenos deusinhos a quem todos devem servir e obedecer; a nossa educação “civil” ou “religiosa” que mais faz a cabeça dos jovens e adolescentes para o fanatismo e fundamentalismo de diversos tipos e níveis do que para a autonomia, liberdade e responsabilidade; a nossa destruição da afetividade, sexualidade e inocência das pessoas, especialmente, das crianças. Tudo isto e muito mais são acenos de que não temos autoridade moral para pedir a “pena de morte” de quem quer que seja. O que está aí de errado não é só do outro, é nosso, queiramos ou não admitir. Temos que buscar juntos uma saída humana, racional e afetiva, entendendo que estamos todos no mesmo barco, e que não é jogando alguns para fora dele que salvamos o destino das nossas vidas e da embarcação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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17 de maio de 2017
Bem-aventurado aquele que ama sem desejar ser amado. Bem-aventurado aquele que teme sem querer ser temido. Bem-aventurado aquele que serve sem querer ser servido. Bem-aventurado aquele que se comporta bem com os outros sem desejar que os outros se comportem bem com ele. Estas coisas são grandes; os tolos não conseguem entendê-las” (Frei Egídio de Assis, agricultor, pensador e místico franciscano, 1190-1262).

Frei Egídio nunca aprendeu a ler ou escrever, no entanto viveu intensamente seu amor a Deus, e daí tirou lições de vida. Bem-aventurada é aquela pessoa, religiosa ou não, que se aventura bem no caminho da vida. O caminho da vida é diferente de um percurso que sai daqui e chega lá. É um passo a passo por veredas, abismos e montanhas, que vai se dando na medida em que se caminha. O caminho começa a existir a cada passo que se dá. Vai se dando, se construindo, se perfazendo, na medida da doação e engajamento da pessoa. Isso é o que se chama de aventura. Aventurar-se bem no caminho é percorrê-lo de “cabo a rabo” até “plenificar-se” (tornar pleno, completo) nas exigências e desafios do próprio caminho. E na vida, é importante aventurar-se bem na busca de ser. E há determinados princípios que vão perfazendo, modelando o ser da pessoa na boa-aventura de sua existência. Frei Egídio chama esses princípios básicos de virtudes. Virtudes enquanto forças, ou vigor que compõe a alma. Como aquilo que perfaz o ser da pessoa para torná-la bem-aventurada. Amar, temer, servir, comportar-se bem com os outros são algumas dessas virtudes que perfazem o ser da pessoa e que a acompanham na grande aventura da vida. Enquanto virtudes visam libertar e liberar a pessoa para uma plenitude de seu ser pessoal, comunitário, familiar, social etc. Isso significa que essas virtudes exercitam o ser mais profundo da pessoa quando ela ama sem esperar ser amada. Quando teme sem querer ser temida, quando se comporta bem com os outros sem desejar o mesmo de volta. Ou seja, ela ama, teme, serve e se comporta bem com os outros por querer, simples e claramente, estar nessas virtudes, deixando-se modelar e perfazer-se por elas. Não as instrumentaliza para obter algum benefício próprio. Quem fica à espera do outro para receber de volta o que fez ou deu, se torna dependente do outro e escravo de uma espera que pode nem acontecer. Pois, não há garantia de obter retorno no bem que é feito a não ser o bem que se fez. Isto é, quem faz o bem mergulha ainda mais na graça e na força do bem, enriquecendo-se ainda mais dele. O retorno da virtude, no caso, não é ter o reconhecimento daquele para quem se exerceu a virtude. Isso é barganha sentimental e não virtude. Essa barganha sentimental é que torna a pessoa escrava, dependente do outro. Com o tempo essa dependência se torna vício e faz nascer raiva, decepção, frustração, rancor, murmuração, tristeza, e por aí vai. Virtude é a força, o vigor que é gerado, que brota naquele que está sob o seu domínio. E quem está sob seu domínio e orientação, alcança a paz e se torna livre no caminho. Essa paz e liberdade aos poucos se apropriam da pessoa, criando um modo de ser rico, profundo, amplo, essencial. Cria um modo de ser bom, sereno, gracioso e livre, que faz a pessoa atravessar a existência até atingir uma maturidade no espírito e uma plenitude no viver. Esse modo de ser é o aceno e o convite que está expresso de forma sutil e singela na palavra bem-aventurança. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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16 de maio de 2017
Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele” (Jean Jacques Rousseau, filósofo, político, escritor e compositor suíço, 1712-1788).

“Aqui se faz, aqui se paga” (dito popular). A juventude é o tempo propício para se plantar o caráter, a honra e a saúde física, mental e espiritual de uma pessoa. É o tempo de fazer uso, de adquirir ou de acumular a verdadeira sabedoria da vida. Acumular enquanto gesto de ajuntar o máximo e a melhor porção do saber nas experiências cotidianas ao longo da existência juvenil. Isso é importante, porque a velhice vem apenas revelar, cumprir, coroar, ou melhor, apresentar o que a pessoa foi arrecadando ao longo de seus anos. Se ela passou sua juventude fazendo mau uso de comidas, bebidas, ou de entorpecentes, ou de pensamentos derrotistas e sentimentos negativos, é normal que na velhice colha os frutos de tudo isso que plantou nos tempos em que poderia investir de forma contrária. Se ela passou cultivando o melhor de cada acontecimento, tendo em Deus a sua força e sabedoria, certamente colherá a alegria em seus dias. Todos aqueles que envelhecem, sabem que a velhice cobra e paga o que cada um levou para ela. Ela cobra com doenças das mais variadas espécies; com o abandono de amigos, parentes e familiares; com a demência; com o desprezo e indiferença das pessoas; com os contínuos ataques de raiva e mau humor que tira todos de sua proximidade. Com outras palavras, a velhice mostra para cada um que chega lá o que se é e se tem acumulado e que deverá, querendo ou não, administrar. Talvez a cena do Juízo Final de Michelangelo, ou do Texto bíblico que fala dos que ficarão à direita e à esquerda de Deus, retrate também esse momento em que na velhice se é colocado diante de si mesmo com a riqueza ou a pobreza de sabedoria que cada um acumulou. E sem sabedoria ninguém sabe de fato responder ou dar sentido às grandes questões que a velhice coloca aos que a ela chegam ou se aproximam. A juventude de cada um, portanto, não está aí apenas para se desfrutar como se achar melhor, ou para passar os anos de forma irresponsável e sem juízo, como diriam os pais de cada um de nós, mas para construir dia após dia os alicerces de uma velhice sábia, pois para lá se leva sempre o que se carregou e se plantou. Significa que Juventude e velhice não são dois opostos ou dois momentos indiferentes da vida. São duas faces da mesma moeda, ou as peças de um quebra cabeça que se deve ir colocando paciente e sabiamente no cotidiano, para se chegar, ao final, a uma paisagem harmônica e comum de si mesmo na relação com o todo. Eis o desafio dos jovens e dos velhos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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15 de maio de 2017
A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus” (Platão, filósofo e matemático grego, 428-347 a.C.).

Pessoas más estão sempre em alerta para ocupar os espaços abandonados pelos bons. Talvez por influência de nossa criação, estamos na maioria das vezes esperando que alguém faça algo por nós, em vez de tomar a iniciativa e agir. É muito mais fácil comprar pronto do que fazer. Assim, vamos adiando ou abandonando nossos bons propósitos para criar um mundo melhor. O ataque cibernético que mais de cem nações sofreram na última semana, demonstra claramente que enquanto nos encantamos pelas facilidades de nossos equipamentos, outros estão agindo para tirar proveito da inocência dos acomodados. Mais ataques podem acontecer esta semana; enquanto isso ocorre, continuamos curtindo nossas mensagens. O mesmo ocorre na política e que atinge a todos que vivem sob as mesmas leis. O pouco que foi revelado pelas últimas investigações já demonstrou como o sistema judiciário foi aparelhado para proteger quem se beneficia dos bens públicos. Foram anos construindo suas defesas manipulando as leis à custa da inocência dos bons. Até o sistema eleitoral já foi manipulado. Mesmo assim, nos recusamos a acreditar e agir. Esperamos que outros façam em nosso lugar. O gado quando embarca em direção ao matadouro acha que vai passear. Alguns percebem e tentam escapar, mas, são levados pelo movimento da boiada. “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje” (dito popular). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de maio de 2017
Todas as mães, sem exceção, deram à luz grandes homens. E se a vida as enganou em seguida, delas não foi a culpa” (Boris Leonidovitch Pasternak, poeta e romancista russo,1890-1960).

Qualquer pessoa neste mundo que se entenda como filho(a), tem sempre uma boa lembrança de sua mãe. E por mais que notícias de jornais destaquem mães que abortam um filho ou os deixam na porta de casas ou à beirada de uma estrada, esse não é o retrato de uma mãe, mas, uma caricatura distorcida dela. Pois, ninguém conhece, de fato, a história e o coração de uma mãe para julgar ações limites como essas. Mesmo em tais ações, em se tratando de mãe, pode, ainda, estar um último gesto de tentativa de salvação, de doação e entrega da parte dela. Da mesma forma, não há como condenar uma mãe pelo que seus filhos se tornam mais tarde, especialmente, quando se pensa em filhos criminosos, corruptos, delinquentes, violentos, e depravados. Toda mãe dá a luz um filho(a) repleto de grandeza e potencialidades. Ela gera não um “monstro”, ou um amontoado de carne com ossos, como pensam alguns “fisiologistas”, mas, um ser já carregado de grandeza, selado para sempre com o selo de ternura e afetos. Gera alguém com uma incrível capacidade de viver, sorrir, brincar, e amar. Gera um filho(a) com uma enorme capacidade de receber beijos, abraços, “apertos”, olhares, atenções, cuidados, e toda espécie de manifestações humanas e amorosas. Toda mãe gera um grande filho(a) que pode ou não tornar-se um grande homem ou uma grande mulher. Nenhuma mãe deseja o contrário. Mas, ela pode ser enganada, traída, e decepcionada por aquilo que as escolhas dos filhos na idade da liberdade e das escolhas constroem e elegem para si mesmos. Não se pode falar em culpa para as mães, embora muitas mães se sintam culpadas em relação aos filhos. Porém, é bem diferente sentirem-se culpadas e serem culpadas. Ao sentirem-se culpadas o fazem ainda por amor, desejando em última instância atrair para si as penas dos erros das escolhas inadequadas dos filhos. É o amor que as culpabiliza. Em nome do amor maior aceitam sacrificar-se pelos filhos para que esses vivam e elas morram se for preciso. No entanto, nenhuma mãe é culpada. Ela apenas carrega sobre si a culpa dos filhos, tentando redimir com suas orações e sacrifícios o que eles mesmos ignoram por não viverem na dimensão do amor. E, talvez, seja isso que as torna tão grandes, tão preciosas, tão nobres, e tão virtuosas. Talvez seja esse jeito de ser mãe que jamais foge à lembrança dos filhos, especialmente, em momentos em que a vida os cerca de dificuldades e humilhações. Talvez, também, seja isso que salva os filhos dos abismos de seus erros e perdições quando se aventuram por uma vida destruidora, isto é, a lembrança de um toque de amor, de afeição terna e profunda, um alento de doçura e leveza que, de repente, em qualquer momento ou situação os toma, sem saber por que e para que, e os visita nos mais recônditos abismos de sua alma e de seus corações, trazendo a eles a lembrança de que são grandes e preciosos. Que, também, os recorda novamente que podem bem mais do que imaginam ser e são. É essa lembrança que trava um caminho de retorno, de conversão de um filho(a), à sua dignidade maior, dada desde a geração materna. Lembrar o dia das mães é mais do que saudar essas rainhas do amor e enchê-las de afetos filiais. É lembrar que temos uma raiz boa, forte e viçosa, da qual somos parte. É lembrar que embora tenhamos nos perdido na construção e nos rumos de nossa personalidade, nos limites de nossas escolhas e decisões pessoais, nossa base e essência vem de uma mãe que um dia amorosamente nos criou, nos amou e cuidou de nós como sabia e como podia, da melhor maneira possível. É para essa fonte que sempre de novo e de modo novo podemos nos voltar, nos reaquecer, nos retomar, nos re-formar, nos re-educar e nos rever como realmente somos, filhos. Que a lembrança do dia das mães nos encha de gratidão e nos faça ser justos com o velho dito popular: “O bom filho(a) à casa retorna”. Lembrar é recordar, ou melhor, é colocar o coração nesse ponto essencial de nossa existência e nos deixar guiar por ele e nos mover a partir dele. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de maio de 2017
Cada um é tão infeliz quanto acredita sê-lo” (Lúcio Aneu Sêneca, advogado, escritor e filósofo Romano, 4 a.C. – 65 d.C.).

Somos o que queremos ser no mais íntimo de nós. Há jovens em nossos dias que se julgam infelizes, mesmo cercados de atenção. Buscam culpar alguém por este sentimento tão íntimo. Sentem-se infelizes, pensam ser infelizes e agem como alguém infeliz. Choram, lamentam-se, isolam-se, mas buscam atenção. Culpam os pais, a sociedade, os amigos e, até Deus, como razão dessa infelicidade. Acreditam piamente que todos que os cercam desde o nascimento, de alguma forma, contribuíram por torná-los quem são: jovens infelizes. Apelam para as correções de seus pais, aos abandonos que sofreram dos amigos, às humilhações pelas quais passaram em suas relações sociais e, em referência a Deus, por Ele não ter feito nada para livrá-los de suas trágicas histórias de sofrimento. E, assim, vivem lamentando-se do peso dessa sina. Com isso, também, passam a acreditar nessa compreensão de vida como verdade absoluta, inquestionáveis para si mesmos. Acreditam, de fato, serem infelizes. E infelizes, de fato, se tornaram. Precisa de alguém que os faça refletir e rever esta forma de ver a si e a vida que os cerca. Começam a mudar a partir do instante em que passam a acreditar que nada e ninguém são responsáveis por esta infelicidade, embora tenham passado por tantos contratempos ao longo da existência. Estão enganando a si próprios ao penarem assim. Para reverter este quadro, é necessário ver e acreditar que a felicidade sempre esteve ao seu lado quando cercado de seus pais, de seus amigos, de tantas pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer no dia-a-dia, ainda que estranhos. Mais ainda, que Deus jamais desampara. O problema está nesta visão estreita e fechada a respeito de si, dos outros e de tudo. Com isso, passam a ler a vida a partir da felicidade de ser, e não da infelicidade que julgam ter. Cada um precisa mudar a forma de ver a vida. Como se trocasse as lentes dos óculos com novas lentes. Tudo ganha novo sentido. Precisam investir em si, sentindo, pensando e agindo como alguém feliz. Descobrem algo que sempre esteve ao lado, mas estava oculto pela forma de pensar. É buscando em cada acontecimento seu lado bom e positivo que se investe na felicidade. Não felicidade como uma pré-compreensão em torno de sonhos irrealizáveis, ou como quimera e desejo de uma vida sem problemas e perturbações. Felicidade como uma nova maneira de ser e de se posicionar na vida com tudo o que ela tem e é. Tudo começa a fazer sentido em termos de busca, de realização, de empenho, de aceitação, de doação e responsabilidade, quando deixamos a felicidade a fazer morada em nós. Somos e vivemos de acordo com nossas crenças! Elas nos moldam e nos conduzem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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10 de maio de 2017
É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior” (David Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês, 1858-1917).

Cada um de nós possui um modo de agir quando está em sociedade. Quando uma pessoa para no meio da rua e começa a olhar para o alto de um prédio, sem haver nada lá em cima por onde olha, e, ao mesmo tempo, todos os transeuntes começarem a parar também, e a olhar para cima para saber do que se trata, aquilo é um fato social. Ou seja, fato social seria essa maneira de agir que exerce influência exterior sobre o indivíduo, tenha ele consciência ou não. Digo isso para refletir um pouco acerca das influências que continuamente sofremos no dia-a-dia e que, em determinados casos, nos coagem a fazer o que fazemos até mesmo sem nos darmos conta. Pensemos, por exemplo, nas coisas que fazemos quando estamos em meio ao público que, se colocássemos a mão na consciência, jamais faríamos no privado. Só fazemos, porque achamos que estamos assegurados por um grupo ou multidão e que, em última instância, podemos lavar as mãos se  alguma punição chegar. O caso de determinados linchamentos, atos de violência, vandalismo em passeatas, briga de torcidas, discursos diante da mídia incentivando a pena de morte etc. Tudo isso é feito por indivíduos que influenciam no social. E o social, nesse caso, é influenciado cegamente pelo indivíduo. É mais ou menos o que aconteceu com a multidão e com Pilatos no relato bíblico da condenação de Jesus. Eles gritam “Crucifica-o” movidos pela pressão do momento. Lançam sobre o inocente sua ira, inveja, frustração e ódio individual e coletivo. Há casos também em que a pessoa não é inocente, mas, isso não isenta de o coletivo agir motivado por um indivíduo apenas desequilibrado ou com sede de vingança, ou, ainda, de querer jogar ou projetar sobre o outro o que o incomoda dentro. Nessas horas, o fato social é como socialização dos desequilíbrios individuais. E agir de forma tão intempestiva e covarde como indivíduo e grupo, por vezes, parece ser uma maneira sutil de cada um e de “todos”, depois do ocorrido, sair de fininho e lavar as mãos da atitude covarde ou criminosa que praticou. Hoje, tem se avolumando atitudes assim como fato social no Brasil e no mundo. Ficamos, quem sabe, empobrecidos e esquecidos de que somos, em nossa essência, seres destinados a pensar e a sermos livres. O fato social, quando vivido nesses moldes (por ricos ou pobres; por filhos de papai ou favelados; por brancos, negros ou índios, por homens ou mulheres), é uma agressão à nossa identidade de seres humanos, como criaturas a quem foi dada a capacidade de pensar, refletir e agir de forma livre, jamais coagida por um indivíduo ou por um grupo, por mais autoridade que este tenha e seja no tecido social. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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9 de maio de 2017
Eu me responsabilizo pelo que digo e não pelo que você foi capaz de entender” (Frase do Facebook, postado por Elisabeth Trinidad Mena).

Antes de ouvir, precisamos limpar a mente de “preconceitos”; antes de falar, precisamos pensar em quem vai ouvir. É sabido que a fala tem poder. Poder de criar e de destruir; de colocar e retirar o que colocou; de edificar e de desmoronar; de abençoar e de amaldiçoar, de educar e de deseducar. A fala atinge a inteligência e os abismos da ignorância. Alcança a alma e penetra os corações. O poder da fala pode dar direção ao diálogo, desfazer desentendidos e provocar os maiores embaraços na comunicação. Quando alguém fala, há a possibilidade de fazer-se entender e de ser aceito naquilo que transmite. Ao falar aquilo que é compreensível, a fala gera interação, relação, proximidade, unidade e, sobretudo, entendimento. Em contrapartida, existe o risco de falar e de não se fazer entendido ou ser mal entendido, pois cada um que recebe como quer a fala alheia. Recebe a fala alheia dentro de seu mundo e de seu contexto, com suas compreensões e pré-compreensões. Por exemplo, falar da beleza do mar para alguém que se afogou ou viu alguém afogar-se nele, sem poder fazer nada, não soa a mesma coisa para ambos. O mar marca uma experiência muito diversa e uma compreensão bastante diferente para cada mundo. Na fala acontece algo semelhante. Porém, quem fala nem sempre tem o domínio dos mundos a quem se dirige. Tem somente a responsabilidade de transmitir o que sabe e acredita. Jamais poderá controlar o modo como o outro lado pega, acolhe e responde ao que foi falado. O que o outro entende do que foi falado é por conta dele. Nesse sentido, ele é, também, responsável pelo que ouve. Com outras palavras, tanto quem fala quanto quem escuta, possuem a tarefa de responsabilizar-se pela fala e pela escuta da melhor maneira possível. Se a fala de quem fala comunica o bem, o bom, o belo, o importante, o essencial, ela atingirá seu propósito para o seu comunicador. Se for bem ouvida, bem recebida, e bem interpretada por aquele que a recebe, ela terá o mesmo efeito benéfico sobre ele. Significa que tanto quem fala quanto que ouve possui diante da fala e da escuta uma responsabilidade intransferível. E responsabilidade é responder, ou melhor, fazer retornar o que veio ou foi solicitado da melhor maneira possível. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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8 de maio de 2017
Fiquei envergonhado pelo nome de uma bomba, a chamaram de ‘mãe de todas as bombas’ (“maob”). Mas, a mãe dá a vida, e essa dá a morte, e chamamos de mãe esse artefato? O que está acontecendo?” (Jorge Mario Bergoglio, ou “Papa Francisco”, Pontífice da Igreja Católica, natural da Argentina).

Uma minúscula semente contém em si um potencial de vida. Esta semana antecede o dia das mães, onde praticamente todos, em sinal de gratidão, prestam alguma homenagem à sua genitora. Dia 6 de maio foi lançada sobre o Afeganistão uma bomba que teve esta denominação MAOB, que possibilitou dizer ‘mãe de todas as bombas’. Segundo fontes, ela matou 36 pessoas. A crítica do Papa se deu pala falta de respeito pelo nome “mãe” que deveria ser sinônimo de vida que se renova, e jamais algo que mata. A pergunta que se segue; “o que está acontecendo?” nos questiona sobre as atitudes que tomamos frente aos acontecimentos. Podemos ficar indiferentes, fingindo que está tudo bem, ou mostrar que há uma saída. Quando todos mudam suas atitudes bélicas e começam a praticar ações eficazes de paz, o mundo tende a se transformar. Nem que seja apenas um minuto de oração pela paz todos os dias. Pode parecer insignificante, mas, será uma força enorme quando todos aderirem. No Brasil, está sendo às 18 horas. Esta ação levará a outras. Temos que resgatar a fé, a cordialidade e o sorriso, que estão ao nosso alcance. Serão sementes lançadas que germinarão no momento adequado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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5 de maio de 2017
O primeiro a pedir desculpas é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o mais forte. E o primeiro a esquecer é o mais feliz” (autor desconhecido).

Quem vai à fonte por primeiro, encontra água limpa. Pedir desculpas, perdoar, esquecer, são três atitudes humanas que requerem grandeza de alma, força de caráter, e nobreza de espírito. É comum associar tais atitudes ao âmbito religioso e disparar logo no preconceito de que isso é coisa muito espiritual, própria de gente fraca e, que no plano material, da realidade dos mortais, isso está fora da realidade. Ainda mais, tendo que ser o primeiro a tomar a iniciativa. Nem pensar, se diz! Principalmente, se esse alguém - primeiro, a ter que tomar a iniciativa, se sente acima da ofensa e por cima de quem ofendeu. Onde já se viu os pais pedirem desculpa aos filhos, ou o patrão pedir desculpa aos empregados, ou o professor pedir desculpas aos alunos? É mais fácil acontecer o contrário, se pensa. Em nome desse pensamento se reforça a ideia de que os fracos é que devem tomar a iniciativa para questões como desculpa; perdão e esquecimento. Ou seja, é de baixo para cima e jamais de cima para baixo. Porém, para além dessa divagação, é importante pensar que ser o primeiro é o que conta nesse tipo de análise e atitude. Ser o primeiro é mais do que tomar a frente ou ir à frente de algo (às vezes se vai á frente por pressão ou por sentimento de culpa, simplesmente). Aqui ser o primeiro é ser o que vai na origem, no princípio do perdão, da desculpa e do esquecer. Ir ao princípio é ir à fonte, à origem, à fonte do perdão, da desculpa e do esquecer. Isto é, lá onde essas realidades se fundam e têm a sua razão de ser. Para ir à fonte dessas realidades é necessário aprofundar cada uma delas no momento em que elas são solicitadas, pois é lá na fonte, conforme foi dito, que está a razão de ser de cada uma delas. E quem aprofunda e vai buscar a razão de cada uma delas, encontra-as limpas, puras, no vigor originário; na sua pujança e sentido essencial. Ao encontrá-las no seu vigor originário, na sua compreensão adequada, pode se beneficiar de tudo o que essas realidades proporcionam: coragem, força e felicidade. Daí que desculpar, perdoar ou esquecer o que alguém fez é bem mais do que passar a borracha em cima de uma ofensa. Trata-se de compreender e conduzir, ou melhor, reconduzir aquela ofensa para dentro da imensidão da realidade do perdão, da desculpa e do esquecer. É daí que nasce, cresce; se fundamenta, e se consuma toda e qualquer atitude humana para perdoar, desculpar e esquecer. Da imensidão do perdão, da desculpa, e do esquecer, é que vem o esforço do perdoar, desculpar e esquecer. Dessa realidade bem compreendida e vivida é que brota a conduta que leva alguém também a tomar a iniciativa de perdoar, desculpar e esquecer uma ofensa. E quanto mais se faz isso de forma bem compreendida, mais forte se fica, mais corajoso se torna, e mais felicidade se alcança. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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4 de maio de 2017
Afinal, se coisas boas se vão é para que coisas melhores possam vir. Esqueça o passado, desapego é o segredo” (Fernando Antônio Nogueira Pessoa, ou “Fernando Pessoa”, poeta e escritor português, 1888-1935).

Toda e qualquer mudança supõe movimento, deslocamento, troca, alteração e processo. Mudam-se as coisas e de coisas, como de casa, de bairro, de cidade, de país, de continente e, no futuro, até de planeta. Muda-se o rumo e de rumo, como de uma estrada, do vento, da água, do fogo e do gelo. Muda-se a direção do sol, das estrelas e dos planetas em suas órbitas. Muda-se o tempo e o tempo muda tudo. Tudo muda, até a mudança. Muda-se até a muda. No homem muda a voz, a audição, o olfato, a pele, os cabelos, os dentes, a altura, a largura, o peso e a velocidade. Muda a consciência, o comportamento, as ideias, os pensamentos, a vontade, os sentimentos, as responsabilidades, as opções, as escolhas, e as convicções. Muda a fé, os valores, as práticas, as crenças, e dúvidas. Em todas as coisas a mudança muda sem ocasionar medo. O medo da mudança só ocorre no homem. Ele tem medo de mudar por falta de controle do onde, como, para que e por que a mudança muda. No entanto, seja em que nível for; a mudança tende à desinstalação do homem. Desinstala-o de si e do mundo que o cerca. Arranca-o de sua zona de conforto, mas, sempre o leva ao aprofundamento, à melhoria. No momento da mudança pode parecer que não há melhoria, mas, no tempo da mudança a melhoria acontece. Melhora, porque geralmente passa do ruim para o bom. Do bom para o melhor. Do melhor para o ótimo. As coisas boas se vão com a mudança, porém, a mudança traz o melhor. Se o melhor ainda está oculto, é porque está em processo, está amadurecendo, ainda é somente caminho para a mudança. E a grande arte da mudança consiste em mudar e deixar-se mudar. No primeiro caso, mudar o que pode ser mudado, pois, isso é trabalho da liberdade e da responsabilidade humana. No segundo, aceitar, soltar-se à mudança e para a mudança. Isso é tarefa da humildade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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3 de maio de 2017
Duvide do que vem fácil. E não desista do que é difícil” (frase do Pensador postada por Vagner Frizon).

Esculpir em mármore Carrara é dificílimo devido a sua dureza, mas suas obras permanecem por séculos. A palavra fácil dá ideia de tudo o que é feito sem esforço, ou seja, nem dá trabalho para ser realizado. No humano o fácil é visto como aquilo que quase vem por si. Já o difícil exige esforço, trabalho duro, e só vem por si depois de muito empenho. Aliás, não é que vem por si, e, sim, vem a si, se mostra, somente mediante muita labuta e sacrifício. Duvidar do fácil, por sua vez, é diferente de colocar pouca fé nele. Trata-se de ficar atento e desconfiar do que vem de “mão beijada”. Vir de “mão beijada” é para dizer que “não cai do céu”, à semelhança do “maná” que caia do céu – da experiência do Povo bíblico do Antigo Testamento. Daí que, o estar atento é para perceber se a coisa tem desafio ou não. Em caso negativo, significa que não vale a pena investir. O difícil é tudo o que traz desafio e persistência. Persistir é um modo de jamais desistir. E o difícil pede sempre persistência para alcançar um propósito maior. Estamos em um tempo em que o fácil parece mais vantajoso, e o difícil é quase sempre rejeitado. Isso está dando tipos humanos anêmicos no espírito, e molengas no modo de ser. Está faltando garra. Desta forma, habituados ao fácil, quando chega o difícil, se mostram totalmente despreparados, frágeis e fragilizados. Em tais momentos, se dá conta que falta uma ação fácil para auxiliá-los numa solução sábia e eficaz, e nem mesmo podem contar com uma força que os capacite a suportar o peso da dificuldade. Só lhes resta lamentarem e desesperarem debaixo do peso do insuportável. Isso é importante compreender, porque há toda uma geração que nos últimos decênios tem sido educada para buscar o fácil e evitar o difícil. Isso nada tem a ver com o querer ensinar ou jogar sobre os ombros das pessoas dificuldades mil para torturá-las ainda mais do que já se torturam na vida. Tem a ver com desafiar para o crescimento e amadurecimento do espírito, pois o espírito é forjado somente no empenho, no desafio, na disciplina e no confronto com o difícil. O difícil é para os guerreiros no espírito. O fácil é para os que se sentem “coitadinhos” e querem se tornar medíocres e cheios de “dodói” na vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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2 de maio de 2017
Justiça sem misericórdia é crueldade” (Tommaso d’Aquino, ou “São Tomás de Aquino”, doutor da Igreja e frade dominicano italiano, 1224-1274).

Podemos ser a diferença no mundo de hoje. Quando eu penso em misericórdia, me vem à mente Jesus pregado na cruz entre dois ladrões, como nos narram os evangelhos. Seguindo uma lógica humana, o ladrão arrependido deveria primeiro confessar seus pecados, ser batizado, etc, para só depois merecer ser acolhido por Deus. Mas, com Jesus é diferente. Jesus primeiro ama e o acolhe, “ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. O outro ladrão que esperava de Jesus um ato heroico que colocasse por terra seus algozes e saísse como um super herói, seguiu seu curso, pois seu coração estava endurecido confiante apenas em sua lógica e não teve nem compaixão de Jesus, todo desfigurado e aparentemente derrotado. Quando olhamos o mundo de hoje, tão fragilizado por tantas injustiças, onde muitos aguardam o surgimento de um super herói, que coloque por terra tantos perversos, Jesus inverte nossa lógica e espera que humildemente oremos pela paz no mundo, pela conversão dos pecadores e pratiquemos atos de justiça e misericórdia. Tão simples assim. Está ao nosso alcance. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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29 de abril de 2017
Amor e o ódio são a maior prova de que vivemos hipnotizados” (“Pensador” postado por Lucas R. Cunha e Márcia Rosa).

Muitas pessoas perecem zumbis, pois vivem hipnotizadas. Ao andar pelas ruas, casas e lojas, percebe-se que as pessoas estão hipnotizadas diante do celular (às vezes, dois em uma única mão). Hipnotizadas em casa pela televisão, diante de novelas, jogos de futebol, vídeos-game etc. Hipnotizadas pelo prêmio milionário da mega sena e jogos de lotéricas, a ponto de acharem, realmente, que podem ganhá-lo num país onde a corrupção também reina entre aqueles que promovem o tão sonhado prêmio. Hipnotizadas pelos seus pensamentos, suas ideias e dogmas. Defende tudo isso de modo fechado e intransigente. Hipnotizadas, por que não, pelos seus sentimentos de amor e ódio. Porém, por um amor cego e por um ódio inveterado. Também estão hipnotizadas ora pelo ontem, ora pelo amanhã. Aliás, ao estarem hipnotizadas pelo ontem, dizia um hipnoterapeuta, que já nem precisa mais fazer regressão de memória, pois a memória de muitos está continuamente fixada no passado, seja quando se apegam ao que passou de forma negativa, seja quando estão sempre dizendo: “No meu tempo não era assim...”. Pode-se dizer, do mesmo modo, que a hipnose acontece maciçamente por meio dos ídolos que se cultua nos shows, nos bastidores de teatros e cinemas, nos estádios de futebol e nos inumeráveis acessos de vídeos do Youtube (boa parte deles como verdadeira homenagem ao ridículo). Parece que aquela hipnose de palco como fazem alguns hipnólogos, é só um pequeno resquício da grande hipnose coletiva que a humanidade está vivendo no momento (daí, quem sabe, o grande fascínio que esse tipo de hipnose gera nas pessoas). A hipnose em si não é ruim. Bem aplicada traz um ótimo benefício para os dilemas mentais do ser humano. No entanto, permanecer na hipnose por tempo indeterminado, sem nenhuma conexão com a consciência, é no mínimo trágico. A hipnose deveria ser ao menos um diálogo e uma passagem de ida e volta ao mundo do inconsciente ou subconsciente, com retorno obrigatório para o consciente, jamais um estágio de permanência ou de transe definitivo da vida. Isso significa que no modo como se busca viver hoje em dia, o maior trabalho, o maior desafio das pessoas não é o de serem hipnotizadas, mas, o de retornarem para a realidade; “des-hipnotizar” e “des-hipnotizar-se”. Com outras palavras, ainda, de voltar à consciência. Consciência de si, do mundo, da vida, dos que estão ao nosso redor e de tudo que acontece conosco. Pois, hipnotizados como vivemos por tantas coisas, perdemos os pés com o real da realidade e não acessamos mais a vida com seus altos e baixos, só com as fantasias. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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28 de abril de 2017
O irracional respeito à autoridade é o maior inimigo da verdade” (Albert Einstein, físico alemão, 1879-1955).

Autoridade se conquista e não se impõe. Autoridade é palavra gasta e muito mal compreendida. E uma má compreensão gera um exercício inadequado da autoridade. Originalmente a palavra “autoridade” significa fazer crescer, aumentar. Pensemos em Einstein. Ele como físico propôs a teoria da relatividade. Para chegar a essa teoria estudou muito os físicos antigos e físicos de seu tempo. Passou noites e noites estudando e confrontando resultados de suas pesquisas. Depois de muitos anos de pesquisa, de repente, surge um lampejo de iluminação que dá origem à sua descoberta. Essa descoberta provoca uma revolução do pensamento humano, especialmente, dentro do Ocidente. Ele ganha, então, autoridade dentro do mundo científico e é respeitado até hoje pela sua inteligência, pesquisas e descobertas. Sua autoridade e respeito não vêm de uma imposição e nem de um status quo adquirido por pertencer a uma classe de cientistas. Vem do reconhecimento de todo o seu trabalho, de sua luta, de seu sofrimento, e de sua incansável determinação em crescer na pesquisa científica. Vem de um empenho volumoso de fazer e refazer cálculos, de “quebrar a cabeça” para achar o segredo da natureza e do universo, e transformar isso em algo conhecido e possível. Com outras palavras, sua autoridade dentro do mundo científico nasce e vai aumentando e crescendo na medida em que ele se doa de forma vigorosa e serviçal ao reino da pesquisa científica. Com isso a autoridade em Einstein brota, toma corpo nele, na medida de uma conquista e de um reconhecimento público de que ele é apto e competente para ajudar a humanidade a seguir na marcha do conhecimento. Isso que vemos em Einstein nos enche de surpresa quando vemos no Congresso Nacional a iniciativa de se ter um projeto de Abuso de Autoridade, para que “os criminosos” não sejam investigados e permaneçam impunes. É querer fazer descer “goela abaixo” da população um respeito que não se tem e não se conquistou na esfera política. Nos últimos tempos, esse respeito à autoridade ao invés de aumentar e fazer crescer (como sugere o termo autoridade) foi diminuindo e se autodestruindo com os escândalos de corrupção e perversão política no país. Aqueles a quem deveríamos honrar defender, homenagear e respeitar por sua competência, exemplo de cidadania, e profissionalismo dentro da política, eles se mostraram e se mostram tiranos  e incompetentes para o cargo que lhes foi confiado para honrar. Esse projeto de lei que o diga! O que estão fazendo é forçar um irracional controle da autoridade. Autoridade sem o uso da razão para governar é tirania. E isso destrói a democracia e impede a verdade política de se revelar, pois, todos ficam à mercê do medo da punição e evitam se manifestar de forma livre e aberta. A autoridade jamais sofre abuso quando está no seu correto uso. E o que vemos é que qualquer esforço de se querer protegê-la, sem que ela tenha o seu crescimento natural e seu reconhecimento normal entre as pessoas, se tornará uma legislação que servirá, apenas, para acobertar provisoriamente o abuso de poder e a tirania daqueles que usam da lei para esconder seus reais interesses de corrupção. Eis o maior inimigo da verdade e do destino harmonioso de uma nação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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27 de abril de 2017
Amor e o ódio são a maior prova de que vivemos hipnotizados” (“Pensador” postado por Lucas R. Cunha e Márcia Rosa).

Muitas pessoas parecem zumbis, pois vivem hipnotizadas. Ao andar pelas ruas, casas e lojas, percebe-se que as pessoas estão hipnotizadas diante do celular (às vezes, dois em uma única mão). Hipnotizadas em casa pela televisão, diante de novelas, jogos de futebol, vídeos-game etc. Hipnotizadas pelo prêmio milionário da mega sena e jogos de lotéricas, a ponto de acharem, realmente, que podem ganhá-lo num país onde a corrupção também reina entre aqueles que promovem o tão sonhado prêmio. Hipnotizadas pelos seus pensamentos, suas ideias e dogmas. Defende tudo isso de modo fechado e intransigente. Hipnotizadas, por que não, pelos seus sentimentos de amor e ódio. Porém, por um amor cego e por um ódio inveterado. Também estão hipnotizadas ora pelo ontem, ora pelo amanhã. Aliás, ao estarem hipnotizadas pelo ontem, dizia um hipnoterapeuta, que já nem precisa mais fazer regressão de memória, pois a memória de muitos está continuamente fixa no passado, seja quando se apegam ao que passou de forma negativa, seja quando estão sempre dizendo: “No meu tempo não era assim...”. Pode-se dizer, do mesmo modo, que a hipnose acontece maciçamente por meio dos ídolos que se cultua nos shows, nos bastidores de teatros e cinemas, nos estádios de futebol e nos inumeráveis acessos de vídeos do youtube (boa parte deles como verdadeira homenagem ao ridículo). Parece que aquela hipnose de palco como fazem alguns hipnólogos, é só um pequeno resquício da grande hipnose coletiva que a humanidade está vivendo no momento (daí, quem sabe, o grande fascínio que esse tipo de hipnose gera nas pessoas). A hipnose em si não é ruim. Bem aplicada traz um ótimo benefício para os dilemas mentais do ser humano. No entanto, permanecer na hipnose por tempo indeterminado, sem nenhuma conexão com a consciência, é no mínimo trágico. A hipnose deveria ser ao menos um diálogo e uma passagem de ida e volta ao mundo do inconsciente ou subconsciente, com retorno obrigatório para o consciente, jamais um estágio de permanência ou de transe definitivo da vida. Isso significa que no modo como se busca viver hoje em dia, o maior trabalho, o maior desafio das pessoas não é o de serem hipnotizadas, mas o de retornarem a realidade; “des-hipnotizar” e “des-hipnotizar-se”. Com outras palavras, ainda, de voltar à consciência. Consciência de si, do mundo, da vida, dos que estão ao nosso redor e de tudo que acontece conosco. Pois, hipnotizados como vivemos por tantas coisas, perdemos os pés com o real da realidade e não acessamos mais a vida com seus altos e baixos, só com as fantasias. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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25 de abril de 2017
Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato uns com os outros do que os filhos da luz” (Evangelho de Lucas 16,8).

Quando os pais lavam as mãos da tarefa de educar, outros tomam seu lugar. Suspendendo um pouco o contexto e a interpretação mais razoável para se ler bem esta frase de Lucas, faz pensar o fato de que os filhos deste mundo (em algumas traduções, “filhos das trevas”) sejam mais astutos do que os filhos da luz. O episódio da “Baleia Azul”,  que vem aterrorizando pais e educadores brasileiros, vem confirmar essa afirmação. Com o nome de desafio, os filhos das trevas estão atingindo mais eficazmente os adolescentes e jovens, do que os filhos da luz. Conseguem convencer melhor suas vítimas a se mutilarem e suicidarem, do que os filhos da luz, no esforço e empenho de trazê-los para a vida. Ou seja, os filhos das trevas desafiam jovens e adolescentes a buscarem de forma mais rápida e eficaz a realização de tarefas que os conduzam ao suplício e à morte, do que os filhos da luz conseguem desafiá-los ao amor, à felicidade e à vida. Diferente dos antigos, por exemplo, entre os gregos, onde se narra a história de Hércules que foi desafiado a realizar 12 trabalhos, simbolizado todo um conjunto de esforços e lutas para se crescer no vigor do espírito e da maturidade humana. Existem tribos brasileiras que no rito de passagem de um adolescente para a vida adulta, propõem vários desafios a ele para ajudá-lo na formação de seu caráter e no crescimento de todas as suas potencialidades. Em várias espiritualidades e movimentos místicos, também se adota como desafio uma série de exercícios espirituais para incentivar o jovem, o adolescente e o adulto, a crescer na vida interior e no progresso das virtudes. Tais exercícios ou desafios supõem  disciplina, empenho, renúncia, responsabilidade e dedicação para se tornar alguém mais pleno em sua identidade e personalidade. Geralmente quem desafiava o jovem e adolescente em tais casos era uma autoridade (pai, mãe, educador), um líder, um mestre etc. Enfim, alguém que servia de inspiração para o jovem e adolescente acreditar e se lançar na busca de realização do desafio. O que aconteceu com a “Baleia Azul”, foi que os filhos da luz perderam a autoridade e a referência para poderem desafiar seus filhos e “educandos”. Ao perderem a autoridade, a referência, a proximidade, o testemunho, e a confiança, os filhos das trevas encontraram campo aberto para desafiar os enfraquecidos jovens e adolescentes a se filiarem e se alistarem no batalhão da autodestruição e da morte. Ou seja, perderam seus filhos jovens e adolescentes para os inspiradores da “Baleia Azul”, para as fileiras do Estado Islâmico, e para todos aqueles que por meio do tráfico de drogas, das chacinas, dos assaltos, das violências e corrupções, compõem o esperto “exército dos filhos das trevas”. No entanto, esses filhos das trevas só possuem esse poder de persuasão sobre adolescentes e jovens, porque estes já não encontram inspiração, motivação, testemunho e autoridade em meio aos filhos da luz (seus pais, seus educadores, seus mestre e guias). Não encontram inspiração que possa acender neles uma chama de esperança na vida, no presente e no futuro; nem em algo que possa despertar neles o desejo de prosseguir vivendo num mundo que os vê, os valoriza, os abraça, os ama e os solta para voarem livres rumo ao amanhã. Sobretudo, não encontram mais inspiração que os motive a buscarem um caminho de realização pessoal e de resgate de suas maiores potencialidades para lutarem por mundo melhor para todos. Em síntese, o maior desafio que se pode dar e esperar dos jovens e adolescentes, hoje, até então manipulados pelo mundo das trevas, é abrir espaço para que eles mesmos se desafiem a serem livres e responsáveis, a ponto de se sentirem capazes de autonomamente construírem um projeto de vida que os leve a viver e a gostarem de viver. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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24 de abril de 2017
Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação” (Joaquim José da Silva Xavier, ou “Tiradentes”, dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político, 1746-1792).

Para sermos uma nação teremos que descruzar os braços e agir enquanto é tempo. As homenagens a “Tiradentes” deveriam ser um convite à busca de reavivar em cada um de nós, brasileiros, o empenho por um projeto pessoal e coletivo que nos faça transcender a mera concepção de País para sermos Nação. Ser País é prezar apenas pela organização política, forma de governo, estilo de economia, legislação, defesa do território nacional, e zelo pelas Instituições. Aqui o sistema físico é que é contemplado e defendido. Dentro desse Sistema, têm vez os que possuem poder de influência e decisão na economia e na política, sobretudo. É um Sistema que facilmente discrimina, marginaliza, exclui e cria fronteiras entre pessoas, ainda que vivendo dentro de um mesmo território. Nação, por sua vez, é mais do que território e Sistema de Governo e economia. É mais do que o Institucional e o Constitucional. Nação tem a ver com “nascer”, com o natural, o nativo e o amado. Trata-se de tudo o que tem a ver com a origem, a identidade de um povo, com seu fundamento, ou seja, com aquilo que realmente origina e funda um Povo. Muitas vezes, pessoas vivem em um território demarcado sem ser uma Nação. Embora tenham leis, governo, exército e economia forte, são desunidos, vivem em constante pé de guerra civil e separados entre si dentro de um território. Uma Nação é o que nasce do sentimento de pertença a uma raiz comum. Essa raiz comum é tudo que une, congrega e agrega um Povo. Tudo o que não leva o povo a se unir, congregar e agregar, inevitavelmente o segrega, separa e desune. Nação, então, é o Povo amando, buscando, querendo e lutando pelo que constitui o elemento, o ponto comum de sua unidade, que pode acontecer em termos de Política (cidadania), Cultura, Valores, Liberdade, Justiça, Paz, Amor. Se pudéssemos comparar a ideia de País e Nação, seria como na mentalidade de unidade entre corpo e alma. Um corpo (País) sem alma é apenas um cadáver. Alma sem corpo é uma abstração. No entanto, o que dá, de fato, vida ao corpo é a alma. A importância de sermos Nação no atual Brasil em que vivemos é para resgatar nossa pertença à nossa “brasileiridade” (orgulho de ser Brasileiro). Sem isso toda Política vira jogo de interesses. A Economia se torna mercado de abastecimento de corruptos. A Cultura, grupos fechados em seus conceitos e preconceitos. Os Valores se tornam dogmas intocáveis e imutáveis. Enfim, ser Nação é amar e defender tudo aquilo que colabora para que as pessoas experimentem e se sintam unidas e próximas umas das outras. Mais do que um território, elas buscam uma forma de vida que produza Justiça, Liberdade, Paz e união entre todos. Sem isso, qualquer eleição, qualquer manifestação popular, qualquer processo jurídico contra corruptos, produz muito pouco ou quase nada, pois não tem o sentimento de pertença, apenas o desejo de domínio, de tomada ou retomada do poder político e econômico, de punição, e de brilhantismo nas passarelas da mídia e das ruas.  No conturbado Brasil deste momento em que estamos vivendo, Tiradentes pode ser  um porta-voz dessa passagem que precisamos fazer de um “País Brasil”, meramente territorial e de conflito de interesses, para uma noção de “Nação Brasileira”, onde as pessoas que o habitam experimentem e sintam-se uma coletividade, uma comunhão e participação de interesses comuns. Uma Nação que, finalmente acordou e reencontrou o jeito comunitário de pensar e fazer valer pra valer tudo aquilo que diz respeito ao Homem pessoal e coletivo. Mais ainda, ao humano e ao ser do humano. Isso requer uma volta à origem, ao princípio que nos funda como brasileiros e como Cidadãos do mundo. Requer pensar e repensar, mas, também, fazer acontecer o nosso Ser Social, nosso Ser Livre, nosso Ser Cidadãos, nosso Ser Justos e nosso Ser Pacíficos. É isso que nos é natural, original e originário. É isto que devemos buscar dentro do País chamado Brasil. Cada um e todos são responsáveis por este País e por este projeto de Nação. Neste sentido, se quisermos podemos ser Nação, pois é no querer que tudo se decide e acontece. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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20 de abril de 2017
Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa!” (Francisco Everaldo Oliveira Silva, ou “Tiririca”, humorista e político brasileiro, nasceu no Ceará em 1965).

Assim como um dia sucede o outro, tudo em nossa vida tem seu momento. Coisas boas ou ruins passarão. Por isso, a importância do desapego, para permitir que a dinâmica continue. O desapego contínuo é uma das coisas das quais somos mais desafiados e exercitados no dia-a-dia. Desapegar nada tem a ver com não amar, não gostar, não querer, não usar etc. Nem com uma atitude negativa de deixar algo. Muito menos com desinteresse e indiferença com pessoas e coisas. Tem a ver com colocar tudo o que amamos, gostamos e queremos a serviço de algo essencial. Por exemplo, se assistir um programa de televisão me impede de estudar, então em nome do estudo deixo de assistir televisão, não porque não goste de assisti-la, mas porque naquele momento e naquela situação é mais importante estudar. Desta forma, tudo na vida tem essa dinâmica do desapego. Por vezes, acontece de nos apegarmos a momentos deliciosos que experimentamos com algo ou com alguém, e querer retê-los para sempre, à semelhança do discípulo Pedro querendo reter a experiência da Transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Há quem também se apegue a coisas ruins, como por uma tristeza ou um desejo de vingança. Apega-se a este sentimento até que se sinta totalmente torturado ou que “torture” alguém. Acaba só vendo maldade nas coisas. Mas isso deve passar. Tudo passa; bons e maus sentimentos, coisas boas e coisas ruins. As coisas boas irão passar. Podem retornar de outra forma e com outra cara, mas, passam. O que é ruim e não presta, ou que incomoda e entristece, ou magoa, também passa. E quando nos sentimos bem, o segredo é viver bem sem nos apegarmos a esse sentimento, pois logo irá passar. Nem tampouco, quando nos sentimos arrasados, arruinados ou deprimidos. Isso também vai passar, mais cedo ou mais tarde. Daí a importância de viver cada experiência em sua plena intensidade, acreditando que, queira ou não, passará. O que é bom, ir aprofundando, se enriquecendo e tirando o máximo de proveito delas. O que é ruim, ir aprendendo, tirando lições e tentando perceber do que se trata realmente para nos ajudar. E o que não conseguimos aprender no exato momento da experiência, aguardar, esperar, pois, muitas experiências negativas que sofremos demoram mais para revelar sua verdadeira intenção e lição, não porque querem nos fazer esperar, mas, porque ainda não temos a percepção justa do acontecido. Com outras palavras, seja bom ou ruim; tudo passa tudo passará na nossa vida. E, passa, aqui está ligado com uma dinâmica da existência semelhante ao ferro de passar roupa. Ou seja, não é só de seguir adiante como se nada tivesse acontecido, mas, de nos esquentar e nos desamassar, deixando tudo ajustado e bom para o uso. Desta forma, aproveitemos bem de tudo o que passa por nós e que se passa conosco. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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19 de abril de 2017
É ótimo ter dinheiro e as coisas que o dinheiro pode comprar, mas é bom verificar se não estamos perdendo as coisas que o dinheiro não pode comprar” (George Horace Lorimer, autor e jornalista americano, 1867-1937).

O papel moeda (dinheiro) só tem valor num contexto em que as pessoas acreditam em seu poder; fora disso, é apenas um papel pintado. Hoje ele está no lugar do bezerro de ouro do tempo de Moisés. Ao ouvir os depoimentos da delação premiada de empresários da Odebrecht, é de se ficar perplexo com o que ali se fala do poder de influência do dinheiro na vida e no processo de corrupção das pessoas. Esses depoimentos nos deixam perplexos; mas, há milênios já fomos alertados sobre esse poder corrosivo no modo de lidar com a “grana”. Não é verdade, mas esse poder de influência leva alguns a pensarem e acreditarem, sem hesitação, que, de fato, o dinheiro pode comprar tudo e de tudo. Chega-se a crer que não é mais Deus que dirige a consciência e o coração das pessoas, mas o dinheiro e o poder do dinheiro. Ouvindo os empresários darem seus depoimentos que o dinheiro servia para dar propina a determinados chefes de tribos indígenas para se calarem diante da construção de hidrelétricas; aos soldados para manterem as coisas sob controle; e de líderes e pessoas de alguns movimentos de manifestação popular para ficarem “quietinhos” etc, fica a pergunta: a quem e o que o dinheiro não compra? E em nome das coisas que o dinheiro compra, as pessoas vão perdendo tudo o que o dinheiro não compra e não é capaz de devolver depois: família, amigos, honra, respeito, dignidade, amor, paz na consciência, alegria, senso de honestidade e justiça, liberdade, e por aí vai. Pior é que o dinheiro não tem culpa. Ele por si mesmo não tem o poder que dizemos ter. Tem poder o Homem que faz do dinheiro o instrumento de sua ambição e busca maior, achando que com ele se pode tudo mesmo. Os que acreditaram nesta ideia em todos os tempos da História, mais cedo ou mais tarde, sucumbiram ao abismo da perdição com ela. O dinheiro, não custa repetir aqui, é importante pelo valor que lhe atribuímos para organizar as transações e o modo de adquirir coisas para a sobrevivência, e para usufruir determinadas facilidades na vida. Porém o seu uso abusivo, ou melhor, o seu abuso, já mostrou que só nos traz desgraça, ainda que hoje se apregoe a tal “Teologia da Prosperidade” que tem no dinheiro e no seu simbolismo o seu maior precursor. O Homem é que é senhor do dinheiro e não o contrário. Mas, é senhor para usá-lo de forma a servir a vida pessoal e coletiva, jamais para fazer da vida pessoal e coletiva serva do dinheiro e de suas aberrações. Toda e qualquer inversão dessa realidade leva o Homem a recair no dilema milenar do livro do Gênesis, quando a serpente tentava seduzir o Homem trazendo-lhe um falso conhecimento das coisas ao proclamar: “No dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus...” (Gênesis 3, 5); ou ainda do texto neotestamentário: “Eu te darei todo poder e riqueza destes reinos, porque tudo isto foi entregue a mim, e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se ajoelhares diante mim, tudo isto será teu” (Mateus 4, 6-8). Eis a antiga e sempre nova sedução e tentação que põe o Homem com tudo o que ele se relaciona em ruína, a de usar mal de seu conhecimento das coisas para querer ter poder e achar-se um deus. E no falso conhecimento do que significa ser ele mesmo, ou de ser o Todo-Poderoso, colocar tudo e todos ao seu serviço. O dinheiro, no caso, é só um pequeno símbolo, e instrumento para esse caminho de criar “deuses falsos”, e de desertificação (esvaziamento) da consciência e da alma humana. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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18 de abril de 2017
Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras, e faça doces. Recomeça” (Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou “Cora Coralina”, poetisa e contista brasileira, 1889-1985).

Recomeçar é uma arte de viver. Viver exige recomeçar a cada momento, a cada dia, sempre, diante de toda e qualquer situação, estejamos como estejamos. Recomeçar, no entanto, é mais do que do que partir do zero, ou de onde se está. Recomeçar, também, é mais do que começar de novo, pois podemos começar de novo desmotivados e sem nada de novo para inovar. É mais do que tentar mais uma vez. Recomeçar é partir das origens, da fonte, do princípio que funda e rege a nossa vida. Para alguns, o princípio que o move é a busca do dinheiro. Para outros, o trabalho. Pode ser para uma grande maioria, seja a família. Há quem possui como princípio o poder, o lucro, o crescimento pessoal, o desejo de remover obstáculos, a ética, os valores morais etc.. Tudo isto e muito mais pode ser princípio motivador das buscas, da vontade de realização e da auto-realização das pessoas. Ainda da sobrevivência e do engajamento vital de alguém neste mundo. É muito bom buscar todas essas realidades como princípio. Porém, é um princípio que está longe de ser fundamento da vida humana. Ou seja, nada disso constitui a fonte, a origem que sustenta o ser humano desde seu nascimento até sua morte, e para além de sua morte. Isto porque todas estas coisas podem ser perdidas com o tempo e no tempo. Podem ser arrancadas do homem a qualquer momento, especialmente quando as dificuldades se avolumam ao limite do insuportável. Recomeçar está ligado com ir ao fundamento maior da vida. Àquele fundo onde tudo nasce, cresce, se sustenta e se consuma. É um fundo sem fundo, um começo sem começo. Trata-se de um princípio que abraça, envolve e conduz todas as coisas. Quem se volta sempre para este fundo, tem sustentação, tem base inabalável, tem fôlego para o que der e vier. Este fundo profundo e sem fundo é o princípio onde sempre devemos ir para recomeçar, pois é ele que origina, garante e sustenta tudo o que há. Sobre as mais variadas formas as religiões ousadamente chamam este fundo profundo e sem fundo com o nome de Deus. Deus aqui é mais do que um nome, uma ideia, uma doutrina, uma verdade, ou seja, lá o que for que se queira nomear. Trata-se deste fundo profundo sem fundo de onde tudo o que há tem seu princípio, seu começo e recomeço. De onde tudo retira sua força e seu sentido. Na tradição cristã este princípio é identificado com o Cristo Ressuscitado que recria o Homem e todas as coisas a partir de seu evento de Ressurreição. É neste princípio criador e “recriador” que muitos homens e mulheres recomeçam diariamente sua aventura da vida e de viver. É neste fundamento maior que buscam vencer obstáculos, criar um novo modo de vida e de ser. De plantar novas sementes de convívio e de fazer a vida (para cada um e para todos) mais doce, suave, importante, e interessante de se viver. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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17 de abril de 2017
Quanto mais a pessoa planejar e se organizar em seu comportamento, mais fácil o acaso encontrará” (Friedrich Durrenmatt, escritor suíço, 1921-1990).

Nada é por acaso. A palavra “acaso” traduz a ideia de algo que acontece fortuitamente, de maneira imprevista, como um golpe de sorte, se algo for bom. Mas esta forma de pensar esconde algo muito maior que permanece oculto. Como uma atração gravitacional que é invisível, mas, tem o poder de atrair tudo para si, assim também é o nosso comportamento, nossa forma de agir e pensar, que atrai tudo que oscila “na mesma frequência”, ou seja; nossa forma de pensar atrai o que mais ocupa nossa mente. Assim, se você aprender a organizar sua vida e seus pensamentos, dispensando o que desagrega e destrói e focando em tudo o que é bom e construtivo, isso vai ganhando força a ponto trazer para junto de si algo bom. Da mesma forma, se a pessoa só se ocupa de coisas ruins ou algo parecido, estas coisas farão parte de seu entorno e influenciarão em seu destino. Está em nossas mãos a capacidade de decidir o que fará parte de nossa vida, mas, para isso precisamos pacientemente nos organizar e fazer as escolhas certas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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 14 de abril de 2017

O amor não é amado” (Giovanni di Pietro di Bernardone, ou “São Francisco de Assis”, místico italiano, 1182-1226).
Nunca é o bastante. São Francisco de Assis tinha um amor tão grande a Jesus que transformou sua vida em função deste amor. Um dos mistérios que ele meditava sempre era o amor de Jesus que se doou por nós a ponto de morrer na cruz. Certo dia, Frei Leão ouve um choro e o lamento de Francisco, onde ele dizia: “O amor não é amado”. Tentou consolá-lo dizendo que ele já havia largado tudo em sua vida por amor a Jesus, vivia na pobreza, foi estigmatizado, sofria muito, e Ele respondeu: “Não é o bastante”. O que nos leva a pensar; e eu, o que fiz em minha vida por amor a Jesus? (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia! (21 anos)

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13 de abril de 2017
E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará” (Evangelho de Mateus, 20,19).

Para os cristãos, particularmente os de tradição católica e ortodoxa, nestas palavras de Mateus está sintetizado o anúncio que abre, realiza e faz culminar a celebração da Semana Santa, através do chamado Tríduo Pascal. Tríduo Pascal é a celebração de três dias do evento Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.  Essa celebração constitui o centro da Fé, da meditação, das orações, da devoção, da liturgia, da doutrina, da prática, da espiritualidade, da religião, e, sobretudo, da forma como as pessoas desta tradição vivem e seguem Jesus Cristo neste mundo. Desde os primórdios da Fé cristã, tal tríduo constitui o ponto central que faz nascer, crescer, amadurecer e plenificar a vida desses seguidores. A razão disso é simples, pois, todo o Novo Testamento tem nesse evento maior a sua raiz, sua fonte, sua luz e sua orientação. Com outras palavras, os escritores sagrados do Novo Testamento quando foram compor seus escritos, tomaram o evento do Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus como referência máxima para compor todas as demais partes de seus escritos. O nascimento e o batismo de Jesus, seus milagres, suas parábolas, seus confrontos com os fariseus, seus encontros com o cego, com Zaqueu, com a Samaritana, com Lázaro e suas irmãs, com o centurião romano, com os futuros discípulos; ou ainda, os anúncios e profecias, a missão, o livro do Apocalipse, enfim, tudo isso e muito mais, são relatos iluminados pelo evento primeiro da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Era como se esse Mistério fosse o farol para iluminar e compreender todo o restante, desde o nascimento de Jesus até sua ascenção aos Céus. Portanto, só se entende bem os Evangelhos e o Novo Testamento tendo essa chave de leitura. Está aí, então, a razão pela qual os Cristãos de várias tradições valorizam tanto esta data, e a preservam de geração em geração como o segredo maior de sua fé, amor, esperança e salvação. E o fazem revivendo em si mesmos, recordando, tornando sempre presente, na História e na Terra dos Homens, este anúncio, esta Boa Notícia, esta Graça Salvífica, este Poder de Liberdade e Libertação da parte de Deus, oferecido a cada um e a todos em toda e qualquer época histórica. Os que celebram este evento não como uma data longínqua do passado, ou como uma doutrina hermética de símbolos, ou como um ritual apenas para iniciados, mas como um Mistério de Fé, que tem como princípio o amor eterno, incansável e inexplicável de Deus pelos Homens, é que encontram nesta data e celebração a oportunidade de um nascimento pessoal e comunitário, de uma vida nova e eterna, e de uma transformação radical e plena de seu ser como novo homem e nova mulher, habitante e participante de um novo Céu e de uma nova Terra. Encontram nela um sentido supremo que os ajuda a colaborar com Deus e com os Homens de boa vontade, na realização de uma digna Passagem (Páscoa) deste mundo marcado pelas sombras da morte e da maldade, para um novo e feliz dia de vida, de paz e de liberdade entre todos e para todos. Neste sentido, desejo a todos os que acolhem e celebram este Mistério de Fé, uma santa e abençoada Páscoa do Senhor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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12 de abril de 2017
Do mesmo modo que aquele que fere ao outro fere a si próprio, aquele que cura, cura a si mesmo” (Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, 1875-1961).

Somos convocados a viver em harmonia com o cosmo. Há milênios, civilizações de diferentes épocas apregoam a importância da relação do ser humano com o todo (universo), desde as mínimas criaturas ou as coisas aparentemente insignificantes, denominadas o Microcosmo, até as maiores chamado o Macrocosmo. É uma relação de dependência, ou melhor, de co-dependência, de harmonia. Essa co-relação ou co-dependência está bem impregnada e registrada nos textos sagrados dos cristãos quando Paulo fala simbolicamente da dependência e relação entre os membros do corpo. No sentido de que a mão jamais pode dizer ao braço que não precisa dele e vice-versa. É dependência vital, ou seja, a vida de um depende do outro. Em termos de relações humanas isso se dá o tempo todo, especialmente quando se trata do fenômeno de ferida ou de cura. Geralmente, achamos que quando ferimos alguém isso em nada nos fere. Ou que ao ajudar no processo de cura de uma pessoa isso em nada nos diz respeito. Curar e ferir são dois fenômenos que dizem respeito a cada um e a todos. Quando firo alguém é porque já estou ferido. Se estivesse bem comigo mesmo jamais feriria o outro, pois não faz parte do estar com saúde querer ferir-se para ficar ferido. E ao ficar ferido, ferir o outro achando que ficará imune a esse ferimento. Do mesmo modo, a ação de curar, que na língua latina tem o sentido de cuidar, refere-se ao cuidar de si. Quem cuida de si jamais deseja ferir alguém, visto que desejar ferir alguém já é descuido (des+cuido) de si. É já um sintoma de estar fora do cuidado ou da cura. Quem por sua vez está no cuidado, na cura, automaticamente leva aos outros os benefícios da cura e do próprio cuidado. Com outras palavras, ninguém dá o que não tem. Ou ainda, só dá o que se tem. Quem está na cura ora é expressão de cuidado e leva cuidado por onde passa. Quem está ferido é expressão de sua ferida e leva ferimento por onde anda. Será que não está nessa linguagem e verdade a expressão de Jesus quando afirma que não veio curar os sãos, mas os enfermos? Ele que era expressão da cura e do cuidado, levava o que era e o que tinha a todos, sem exceção. E todos os que tinham contato com Ele, ou que o tocavam, ficavam curados. O mundo atual pode estar muito ferido e cheio de pessoas feridas. Mas, assim como ele se feriu, pode também se curar, pois tanto a ferida como a cura está nas mãos, ou melhor, no coração de cada um. Só depende de como cada um quer viver, ferido ou curado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de abril de 2017
Convertei-vos e crede no Evangelho” (Evangelho de Marcos 1,12-15).

O contrário de amor é poder, e o poder corrompe. Dizem os entendidos que essa frase de Marcos no evangelho, no grego significa mudança de mentalidade. Acompanhamos no mundo atual as muitas mudanças que, após um tempo, voltam ao seu nada. A questão é que se mudam tudo, menos a mentalidade, e, por isso mesmo, sem mudança de mentalidade tudo continua como antes. É mais ou menos o que acontece na política brasileira do momento. Queremos a mudança da Previdência Social, acreditando que a elite é a culpada. E, de fato, em última instância, não há como contestar essa verdade. Para mudar a Previdência Social, bem como tantas outras coisas que dependem da política, e da forma de fazer política no Brasil, não basta tirar dos ricos e passar para os pobres, ou levar os pobres a ter o mesmo que os ricos. É importante mudar a mentalidade da política em todos, ricos e pobres. Começando com a mentalidade política que há tempo privilegiam só alguns e se esquecem dos demais. Mas, também, mudar a mente de ricos e pobres na questão política, no sentido de que estando no poder jamais desejam perdê-lo, devido ao sistema de proteção criado para quem chegar lá de qualquer maneira. Não dá para generalizar, mas, é possível ver hoje em dia muitos pobres desejando entrar na “carreira” política para viver sem trabalhar; ter garantias na Previdência Social quando sonham aposentar-se com salário altíssimo que garanta o sustento dele e de sua prole, in eternum; quando almejam ter imunidade parlamentar; e, sobretudo, tendo direitos e mais direitos garantidos em termos de moradia gratuita, cargos para sua família e amigos, sem passar por concurso público, passeios de jatinho, viagens grátis para o exterior etc.  Com outras palavras, uma vida fácil sem precisar de esforço e integridade. Tudo isso mantido por um sistema de arrecadação “de certa forma injusta”, que além de altíssimos impostos, cobra “propinas” de quem trabalha. As futuras gerações políticas estarão condenadas, também, se aqueles que almejam o “poder”, hoje, caminharem para lá sem mudança de “mentalidade”, sejam eles de classe privilegiada, ou até mesmo aquele senhor que vende cachorro quente na esquina para ter o seu ganha-pão. A máxima “Convertei-vos e crede no Evangelho” está aí há milênios convidando as pessoas terem a visão de Jesus, não simplesmente a mudarem de uma religião para outra acreditando que lá está o Cristo e o Evangelho mais original de todos, ou a Verdade máxima da Fé que todo mundo tem que abraçar, mas para ajudar homens e mulheres, ricos e pobres, a mudarem algo de fundamental, de radical, e de maior excelência em si mesmo, que o ajude a conviver em qualquer ambiente, em qualquer época, em qualquer situação, de forma pacífica, solidária, fraterna, justa e civilizada. Neste sentido, somos todos chamados nesse período de quaresma que se encaminha para o desfecho da Semana Santa, a deixarmo-nos mudar radicalmente na mentalidade para criarmos um modo novo de viver em Sociedade, uma nova maneira de fazer Política, de sermos cidadãos do Céu e da Terra. Sem mudança de mentalidade, todo nosso esforço de mudança é um girar em círculos que só traz aparentes mudanças e um desgaste enorme de energia sem necessidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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10 de abril de 2017
Ninguém pode fingir que não sabe” (Papa Francisco, sobre os conflitos na Síria)

No livro do Gênesis, quando Deus pergunta para Caim: “onde está o teu irmão Abel?” Ele responde: “Não sei! Sou porventura eu guarda de meu irmão?” (Gn 4, 9). Ele fingiu que não sabia e ainda faz uma pergunta se justificando. Sim, sou guarda de meu irmão. Se nada posso fazer de ação no momento devido a uma série de fatores, mas, no mínimo posso clamar a Deus com minhas orações. Mas, fingir que não sabe é até, de certa forma, uma covardia. O alerta vem até em forma de canção. Bob Dylan na música “Blowin’ In The Wind” (soprando no vento), ele se pergunta: “Quantas vezes o homem pode virar a cabeça fingindo não ver?” e continua: “A resposta está indo com o vento”. Se a maioria continuar de braços cruzados, o mal continuará a vencer. Minha oração tem força quando clamo a Deus de todo o meu coração. Ela é capaz de remover montanhas. Deus espera minha colaboração em favor de muitos que sofrem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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7 de abril de 2017
Se eu ajudo uma pessoa a ter esperança, já não terei vivido em vão” (Martin Luther King, pastor batista americano, prêmio Nobel da Paz, 1929-1968).

Se deixo Deus guiar minha vida, estou sendo um instrumento de sua paz. A ação do espírito da paz é como o vento, sopra onde quer; como os ensina Jesus em João (3, 8). Mas, para isso tenho que me deixar levar, como fazia São Francisco de Assis. Se pensarmos um pouco, veremos que a todo instante acontecem coisas em nossa vida, que pedem nossa atitude de paz. Um simples gesto de ajudar uma pessoa em uma dificuldade qualquer, estendendo nossa mão como apoio, e se nada posso naquele momento, nem que seja um sorriso, já valeu à pena. Mas, para isso tenho que estar predisposto a ser guiado pelo espírito de Deus. E como existem pessoas desesperadas em nossos dias, cruzando nossas vidas, como que andando às cegas, por falta de esperança. Tentaram de tudo, perderam tudo, e se sentem fracos para seguirem em frente. Às vezes basta ouvir, dar um sorriso e um abraço. Reacende a chama da esperança, uma nova luz brilha em seu caminho, e você foi “um anjo” na vida desta pessoa. Penso que Deus espera que abramos as portas que estão trancadas para que Ele possa agir. Quando somos muito racionais, isso não funciona, tem que ser um gesto espontâneo cheio de amor e a partir daí Deus toma conta. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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6 de abril de 2017
De grão em grão a galinha enche o papo” (dito popular).

Com pequenas pedras que depositamos no dia a dia, podemos construir aos poucos uma bela edificação ou, ao contrário, quando vamos retirando, podemos destruir castelos. Pensemos por um pouco a força desse provérbio em termos de bênçãos e de maldição. De bênçãos no sentido de que quando fazemos algo de bom, por pequeno que seja, aos poucos aquilo vai crescendo, se avolumando, e lá adiante, de repente, nos deparamos com uma grande conquista. Imagine, por exemplo, que é de pequenos sacrifícios diários em exercícios físicos que diminuímos o peso e a dor. O mesmo vale nas economias da casa. De moedinha em moedinha no cofre juntamos uma boa quantia para determinados projetos financeiros. O que falar, então, de certas virtudes que são cultivadas na luta silenciosa do dia a dia, mas que, de gota em gota no suor espiritual, nos tornam mais dóceis, mais amáveis e mais humanos? Tudo vem de um cultivo, de um trabalho e de um longo tempo de preparação, até que eclode na vida atual de forma esplendorosa e surpreendente. O mesmo vale para as maldições que nos diminuem o caráter e a grandeza de seres humanos. Pense, por exemplo, nos casos de assédios sexuais sofridos por tantas mulheres (e, porque não dizer, de homens também!) anos e anos a fio. Quando eclode como escândalo público, mas, que não foi uma coisa do momento. É um processo de pequenos pensamentos, palavras e ações, que foram sendo forjados, se acumulando e tomando corpo na pessoa ao longo do tempo, até chegar ao limite do insuportável. Tudo começou um dia quando se abriu uma pequena brecha ao “poder”, à “cobiça”, ao “descontrole dos instintos”, à falta de disciplina no ego, ao “desespero da sensualidade”, e à “ausência do amor”. Tudo nasce no vazio da incapacidade de amar, ou melhor, no egoísmo que inverte, perverte e converte o amor em desejo frio, seco e estéril de poder. Esse “poder” jamais possui, apenas prostitui a si mesmo e afasta tudo o que deseja possuir. Esse falso “poder” que seduz, não o outro, mas a si, e que parece (e aparece) encantador, galanteador, atrai apenas o mal. Ele é capaz de levar uma vítima para o buraco e para a morte consigo, mas jamais consegue isso sem o uso da força, da tirania, da opressão e da agressão. Ele é capaz de vitimar o inocente, de submetê-lo ao silêncio e à vergonha dia após dia. Mas, chegará o momento que seu triunfo, sua sedução beberá do próprio veneno e atrairá e trará sua ruína, pois, a sedução que atrai para o mal, trai a si mesma, ainda que isso trilhe um processo de décadas. Aqui a galinha também enche o papo, pois, vai comendo de grão em grão a sua condenação, até chegar o dia em que o papo não suporta o volume do peso e do inchaço de sua própria maldade e malícia. E é aí que terá que se ver com a força e o poder de sua própria destruição. Terá que lidar com todo o volume de veneno ingerido ao longo dos anos. Isso nos leva a pensar que tudo o que pensamos, sentimos, fazemos ou deixamos de fazer, por miúdo que seja, isso tem poder de crescer em nós se não soubermos dar a devida direção desde o início. Aquilo que é justo, bom e necessário, deixemos avolumar-se até atingir uma medida generosa de bondade, justiça, e de importância em nossa vida e na vida comunitária. Aquilo que tende a nos seduzir para o mal, cortemos de imediato, pela raiz, pois, também vai crescer e, mais cedo ou mais tarde, mostrará a que veio. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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5 de abril de 2017
Tudo o que nos outros nos irrita pode levar-nos a uma melhor compreensão de nós mesmos” (Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, 1875-1961).

“Macaco quando olha no espelho se assusta com a imagem que vê” (JIN). O “outro” ou os “outros”, tantas vezes, não passa de um prolongamento ou projeção de cada um. A irritação que o diga. Quem já não se viu em alguma situação irritado com o jeito de ser de pessoas que o cercam? Esse jeito de ser que irrita se manifesta no modo como o outro fala, pensa, sente, come, brinca, critica, escreve, olha, veste, caminha, gesticula etc. Ou seja, no modo como o outro se mostra para mim. No entanto, esse modo como eu o vejo, percebo, sinto, penso, é meu, não dele. Esse “meu” é o meu mundo, o que sou, visto e revisto, lançado e projetado no outro. Com outras palavras, é algo de mim que vejo no outro e que me incomoda (só percebo quando vejo projetado no outro). Se fosse do outro, apenas do outro, e não tivesse nada a ver comigo, ou não me pertencesse, então eu ficaria tranquilo e não me incomodaria. Mas, como tem a ver comigo, fico incomodado, ou melhor, irritado. O irritado aqui é como irritação de pele mesmo, no sentido de que diz respeito à minha pele, toca a mim. Pode ser que aquilo que me incomoda no outro seja algo que um dia eu mesmo fiz, ou que alguém condenou em mim (os pais ou professores, por exemplo) e que, agora, no exato momento, vem à tona como nova condenação, repreensão e ataque, no modo como vejo isto acontecendo na atitude de alguém. Com isto, para evitar sofrer com aquilo de novo, a tática, quase que inconsciente, é a de ver no outro isso que é meu e atacá-lo dizendo que o que ele (a) faz, me irrita. O outro se torna, neste sentido, a vítima onde lanço aquilo que quero esconder de mim mesmo. Nesse gesto de vitimar o outro naquele momento isso pode até funcionar, principalmente se o outro for alguém a quem domino com minha autoridade ou afeto, e que não pode contra-atacar ou se defender de minhas projeções. Porém, se o outro tiver o mesmo problema, pode ter certeza que o “barraco está armado” num conflito eterno sem solução. A solução só começa quando cada um se percebe e se vê projetando ou se vitimando no outro, pedindo desculpa, e se propondo a abandonar o caminho da acusação e do vitimismo, sabendo que ninguém é vítima de ninguém. Cada um tem em seu poder a capacidade de se ver com seu próprio mundo. Com o mundo o qual se é, e como se está. Mais ainda, tem a possibilidade de se dispor e encarar seu próprio mundo com humildade e compreensão, sabendo que naquilo que resiste pode estar a grande chance de sua transformação. Naquilo que resiste, se nega a ver e dar atenção, pode estar o tesouro que abrirá as portas de um maior conhecimento de si mesmo e da conquista de sua maturidade. O que o incomoda é justamente o que precisa ser olhado, cuidado. É o que precisa ser deixado se manifestar, mesmo com o risco de um sofrimento e até da “morte” do homem velho que, na conquista da própria liberdade, precisa ser vencido e deixado para trás. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia!
(21 anos)

 

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4 de abril de 2017
O que vale mais num trabalho é a dedicação do trabalhador” (Zaratustra, profeta e poeta nascido na Pérsia, século VII a.C.).

Para qualquer ocupação manual ou intelectual dá-se o nome de trabalho. No mundo do trabalho é costume valorizar aquele que trabalha pelo que produz e pela quantidade do que produz, pois a mentalidade trabalhista aqui está marcada pelo sistema de produção. No caso, você vale pelo que produz. Se for “improdutivo” nesta concepção, está dispensado. E a produção para as “empresas” significa mais renda, mais mercados, mais expansão. Dificilmente se valoriza no trabalho a dedicação do trabalhador, pois, isto é difícil de ser mensurado e não entra na contabilidade da produção. Porém, é da dedicação do trabalhador que qualquer tipo de trabalho se dá de forma nobre, normal e perfeita. Dedicação neste caso tem o mesmo sentido de quando se diz: “Dedico este prêmio, troféu, ou outra coisa de valor, aos meus filhos e minha esposa”. Dedicar está relacionado com esforço, empenho, sacrifício, doação que faz a coisa valer a pena. Quando alguém se doa total e incansavelmente naquilo ao qual está envolvido, se diz que houve dedicação. Quando não acontece, houve dispersão. Dedicação aqui é uma espécie de afeição incondicional àquilo ao qual se está afeiçoado e entregue para fazer, de tal forma que faz gratuita e livremente. Faz dando o máximo de si sem a expectativa de um resultado, mas, pelo simples prazer de fazer. O trabalhador dedicado tem esse modo de ser no trabalho. E é este tipo de trabalho que sustenta e enriquece o ambiente de trabalho e o mundo do trabalho, onde o trabalhador dedicado está. Mas, como isso não pode ser mensurado de imediato, sobretudo, pelo olhar da produção, este tipo de trabalhador é o menos visto, o menos valorizado, e o primeiro a ser mandado embora onde no trabalho se visa somente o lucro e a produtividade. Ou seja, hoje há um olhar que desconhece o jeito do trabalho dedicado para valorizar o trabalho produtivo. O trabalho dedicado é uma dedicação ao trabalho e nada mais. E essa dedicação é o que vale mais num trabalho, pois, ela tem o trabalho como princípio, não como objetivo. Ter o trabalho com princípio significa estar à mercê do próprio trabalho como fonte de vida e realização. Princípio como aquilo que possibilita algo ser feito não por causa de um objetivo específico. Pode ser que hoje o trabalho e o ambiente de trabalho, apesar de produzir bastante, esteja sofrendo de uma anemia de sentido e de realização nas pessoas e para as pessoas, porque a dedicação só é vista e valorizada enquanto meio para um fim, e não como uma forma de ser do trabalhador no trato com o trabalho. Com isso se ganha nos lucros e na produtividade, mas, as pessoas perdem-se no estresse, na falta de sentido para a vida, no medo angustiante de perder o trabalho, e no fazer o trabalho apenas para dar satisfação a algo ou a alguém. Perderam a capacidade da dedicação que enriquece o ser humano no trabalho e o trabalho no ser humano. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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3 de abril de 2017
A televisão tem feito maravilhas para minha cultura. Assim que alguém liga a TV, vou para a biblioteca e leio um bom livro” (Julius Henry Marx; usava o pseudônimo de “Groucho Marx”, ator e comediante americano, 1890-1977).

Nem tudo o que se vê é de conteúdo inocente. A televisão (tele = distante + visor = visão) foi um marco nas comunicações. Hoje cede lugar para as mídias eletrônicas nas redes sociais, pelos dispositivos móveis. Mesmo sem querer, a televisão se tornou um instrumento de manipulação de massas, pois sem esforço algum, a pessoa apenas olhando para imagem gerada, obtinha instantaneamente informações que só seriam obtidas com muito esforço e com custos elevados. Virou de certa forma uma réplica da caverna de Platão, onde as pessoas preferiam acreditar nas sombras projetas nas paredes da caverna como se fosse verdade, do que sair de seu conforto e buscar a verdade fora da caverna. Com isso, as grandes redes começaram a produzir conteúdos para induzir comportamentos aos telespectadores que favorecessem os seus anunciantes. Inicialmente eram apenas comerciais e com o tempo viram uma fonte útil para o comportamento político. Como a concessão é “propriedade” do governo, de certa forma ele controla o conteúdo das informações das redes de transmissão sob a ameaça de perder esta concessão. Como a maioria deixou de ler, também deixou de pensar e passou a acreditar em tudo o que é dito na TV. O governo agora quer controlar as redes sociais da mesma forma que controla o que passa na TV, com o aplauso entusiasta dos políticos implicados nas investigações da justiça. As leis que eram amadurecidas com o tempo em favor da população, agora são discutidas em lugares “secretos” para serem apresentadas de imediato favorecendo “a si e os seus amigos”. Os acordos acontecem previamente nos bastidores. O parlamento de certa forma virou um palco de teatro. Este comportamento tem gerado uma inquietação na população. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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31 de março de 2017
Há males que vêm para o bem” (dito popular).

“Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto” (Jo 12, 24). A nossa sensibilidade acostumada a evitar tudo o que cheira ruim e desagradável, certamente tem dificuldade em engolir um dito popular como esse. Soa, sobretudo, para alguns, como algo pessimista e até masoquista. No entanto, aquilo que chamamos mal nem sempre nos prejudica ou destrói. E aquilo que rotulamos como bem, às vezes, nos faz um enorme mal. Neste exato momento pode estar acontecendo com muitos de nós coisas e situações totalmente amargas e desagradáveis que nos deixam mal, mas que com o tempo se convertem em bem. Se ampliarmos as situações pelas quais passamos e aumentamos a lente até chegar ao Brasil, enxergamos, de fato, uma realidade cheia de males causados pela ganância, corrupção e injustiça de alguns. Olhando de outra forma, é um momento único que a coletividade brasileira está tendo de, pela primeira vez na sua história, perceber mais conscientemente o que se passa na nossa estrutura política, econômica, de tal forma a não só se indignar, mas, também, a se movimentar e posicionar contra toda essa desordem que ameaça a paz, a justiça e o equilíbrio de nossa vida social. Tudo o que está acontecendo, de certa forma tem nos aberto mais os olhos e a consciência para uma tomada de atitude mais determinada e mais honesta no plano da Política e da Democracia. Talvez estejamos aprendendo com o momento histórico para saber o que evitar; o que banir e o que melhorar daqui em diante. Em nossa vida pessoal, há situações que nos bate na cara e nos joga no chão. Choramos e lamentamos a queda, mas essa aparente desgraça com a qual nos vemos mergulhados é que nos possibilita, quase sempre, largar um mundo velho e caduco, um comportamento fechado, uma visão estreita, um mundo idealizado sem grandes raízes, para nos lançar num novo mundo mais aberto, numa visão mais clara das coisas, num comportamento mais desapegado e mais livre, e numa nova forma de lidar mais sábia e madura com as situações. Assim sendo, o que antes nos parecia algo totalmente ruim, mau, improvável, e difícil de aceitar, acaba se tornando a possibilidade de uma nova vida para nós. Uma vida mais bem assentada, mais firme e resistente, e mais madura e consistente. Ao mesmo tempo, muito do que nos apegávamos como algo bom e agradável, se converte em uma experiência de dor e de terror. Determinadas relações que no início se mostravam cheias de paixão, de coisas prazerosas e plenas de promessas eternas, ao final se transformam em verdadeiros “rings” de ofensas verbais e corporais. É um grande bem que se tornou mal na vida do casal. Porém, pode acontecer que mesmo em meio a esse desastre de um bem que trouxe males, o casal dar a volta por cima e fazer com que todos os males venham para o bem, na medida em que retomam a relação dentro de outra compreensão, ótica e decisão. No sentido, de que eles mesmos se responsabilizam por dar novo significado e nova direção ao relacionamento, conduzindo, aprofundando, melhorando e enriquecendo tudo o que antes era motivo de ruína e queda para ambos. Isso quer dizer que os males que nos sucedem cotidianamente podem estar apenas nos limando, nos desafiando, nos empurrando para uma posição mais decidida, mais clara, mais livre e mais honesta com os fatos que nos acontecem, para que redescubramos o bem que havíamos abandonado ou esquecido de realizar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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30 de março de 2017
Resista a começar” (provérbio inglês).

 

Para descer uma ladeira abaixo sem controle, basta uma pequena escorregada no topo. Quem já viveu no interior do país certamente deve ter ouvido o provérbio português que dizia: “Dou um boi para não entrar na briga, mas, dou uma boiada para não sair”. Com isso se prezava muito o não querer começar algo, principalmente conflito. Porém, uma vez começado, o problema estava instalado. Há coisas desagradáveis em nossa vida que devemos resistir para não começar. Em termos de vícios, por exemplo, há sempre uma tentação inicial de se ceder no início de seus ataques. Quando se cede é difícil largar. E quando se larga é mais difícil ainda manter a decisão. Existem conflitos armados por meio de palavras que, quando entramos, os estragos são incalculáveis em nós e naqueles com os quais trocamos farpas. O mundo bélico há milênios começou com pequenos atos de violência, e até hoje sofremos sua expansão e os efeitos de sua destruição. Há caminhos que inicialmente se apresentaram para nós como viáveis, isto é, como sendo via de acesso à felicidade. Quando, no entanto, nos deixamos levar por eles, somos conduzidos à ruina. O que dizer de certos pensamentos que num relance atropelam nossa mente com seus encantos apararentes e com seu poder de sugestionabildiade, mas que daqui a pouco encontramos muita dificuldade de controlá-los e expulsá-los. É assim que nos vemos no dia a dia com o início das coisas. Há sempre um início para tudo. Esse início não está num começo, mas, num modo de principiar as coisas, isto é, num modo de permitir o surgimento, o crescimento e a maturação das coisas. Muita coisa do que toma início em nós, e do que entra e se aloja em nossa vida, fazendo uma verdadeira mudança em nossos comportamentos e no nosso modo de ser, tem a ver com o momento inicial, com aquela pedra de toque, com aquele principiar que depois temos muita dificuldade de frear ou de dar um basta. Pois, esse princípio com o tempo edifica em nós uma grande prisão da qual nos mantemos anos a fio engaiolados nela.  Portanto, é importante aprender a resistir no início. E resistência requer insistência onde temos os pés e persistência no que acreditamos. Nossa insistência está lá onde temos nossas verdadeiras raízes, e nossa persistência no como queremos viver e caminhar. Com outras palavras, em bons princípios que nos sustentam, especialmente, nas horas mais sedutoras e tentadoras da vida. Se não nos agarramos as esses princípios fundamentais de nossa existência, cedemos a outros princípios que também se enraizam em nós e crescem, amadurecem e se fortificam em nosso ser. Só que ao se fortificarem nos enfraquecem por completo.  Aqui vale, então, a máxima de resistir a começar! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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29 de março de 2017
Quando você estiver muito feliz, ou muito triste, lembre-se: isso também vai passar” (provérbio indiano).

Por natureza somos seres de passagem. Estamos continuamente passando. Neste sentido, somos seres pascais, pois Páscoa tem, além de outras terminologias e significados, o sentido de “passar”. Passamos por tudo e tudo passa por nós. Somos uma espécie de portal do ser onde tudo passa e repassa. Ao mesmo tempo, quando nos prendemos a algo sem fazer passagem, mas apenas nos retemos e tentamos reter algo em nós, ali começa o nosso sofrimento, pois a posse indica que estamos nos traindo ou impedindo o nosso ser passante de passar. Isso é diferente de nos deter com algo e diante de algo. O deter-se é um dos momentos da passagem. Por outro lado, passar é mais do que ir para frente deixando algo para trás. É uma experiência de sofrer. Sofrer enquanto ser atingido e se deixar tocar por algo. Quem é atingido de fato no âmago de seu ser por algo, faz sempre uma experiência de mudança e de transcendência. Isso é importante para compreender, sobretudo, nossos sentimentos, neste caso, de felicidade e de tristeza. Há dias em que estamos felizes, em outros, tristes. Esse estar indica que é um estado de ânimo que vem e vai, conforme o balanço da vida cotidiana, ou seja, não é algo que pertence à nossa essência. Há dias que passamos por situações onde a felicidade nos toma. No dia seguinte, pode acontecer o contrário. Invade-nos uma tristeza sem explicação. Mas, tanto uma como outra, passa, ainda que no tempo cronológico demore ou se faça de modo fugaz. Na passagem de cada um delas, no entanto, devemos aprender que nem uma nem outra permanecem para sempre. São condições de nosso ser passante. Por isso, jamais nos apegarmo-nos nem aos momentos de felicidade, nem aos de tristeza. Apeguemo-nos somente ao exercício de deixar passar e aprender de tudo o que passa por nós e se passa conosco. Felicidade e tristeza são no fundo modos de ser no mundo. É a maneira como nos compreendemos cada vez diante da vida. Isso não é fixo, são apenas interpretações e significados que vamos dando a nós mesmos e acolhendo no encontro e confronto com tudo o que há. Essa compreensão vai sendo limada aos poucos. Ela se aprofunda, se transfigura; se enriquece e amadurece em cada passagem que fazemos. Daí que o mais importante aqui não é tanto estar feliz ou triste, mas passar se enriquecendo e amadurecendo em cada passagem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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28 de março de 2017
Deixe para trás tudo o que não te leva para frente” (frase da internet).

Boa parte de nossos dramas existenciais estão na falta de decisão para largar aquilo que nos amarra ou nos prende ao passado. Como estamos acostumados ao sistema de posse, o que passou se torna uma das formas de possuirmos. E toda posse é difícil de deixar. Essa posse chama-se apego do “eu”. O “eu” se acostuma e se amarra a certas experiências sofridas ou não, que se enraízam no ser da pessoa e que, com o tempo, ficam tão grudadas, que deixar para trás é como se fosse arrancar uma parte delas. O problema é que todo esse apego não deixa a pessoa avançar, por mais que queira. Avançar é atitude determinada de, custe o que custar, ir em frente. Ir em frente é enfrentar com a cara e o coração o momento presente com tudo o que nos bate à porta. Só avança, nesse sentido, quem é capaz de deixar para trás o que o impede de ser decidido a enfrentar, a ir em frente. Nesse caso, o que mais paralisa é o “eu” amarrado, cheio de posses, especialmente, a posse inadequada de si mesmo. Isso é diferente de apropriar-se e seguir adiante. Pois, esse tipo de apropriação é buscar o que é próprio do “eu”. Ou seja, daquele “eu” grande, aberto, livre, determinado e essencial. Talvez tenhamos nos esquecido de fazer a experiência dessa apropriação mais real de nós mesmos, e porque temos certa preguiça espiritual de fazê-la é que nos apossamos só daquilo que nos impede de avançarmos na nossa própria liberdade e grandeza. Ao mesmo tempo, fica sempre o desafio e o convite para a atitude de soltar e deixar para trás, para sermos capazes de sermos abnegados e liberados para a vida. Esse deixar para trás nem sempre precisa ser de algo que não presta ou que nos soa ruim, mas tudo e de tudo o que nos freia a conquista e a apropriação de nós mesmos, isto é, de nossa essência e de nossa verdade. Desse modo, deixar para trás para seguir adiante, nada mais é do que livrar-se para liberar-se no caminho de nossa própria liberdade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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27 de março de 2017
Encontrarás muitos que mentem sem má intenção, nem em benefício próprio, nem para dano ou vergonha alheia, mas porque a mentira em si lhes agrada, assim como quem bebe não por sede, mas por gostar de vinho” (Giovani Della Casa, poeta italiano, 1503-1556).

A mentira tem pernas curtas. Antes mesmo de começar a falar, o corpo dá sinais de desconforto quando a pessoa se propõe a mentir. A mentira e a omissão são irmãs. Nos escritos sagrados a mentira é associada com a maldade, por isso o livro dos provérbios (12, 22) o texto afirma: “O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas aprecia os que falam a verdade”. Mentimos para as crianças várias vezes, e sem perceber estamos criando nelas uma passividade em aceitar as mentiras como algo normal. De certa forma vivemos em um mundo de mentiras reforçadas pelos meios de comunicação. Com isso estamos nos distanciando do caminho do bem. “Eu sou a verdade” afirma Jesus. É uma questão de opção, se sou do bem, jamais irei mentir, mesmo que isso me prejudique. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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24 de março de 2017
Não se pode julgar no escuro” (provérbio hindu).

Quando se investe muito na publicidade, alguém está sendo enganado. Julgar é como enxergar. Veem-se melhor quando se está na claridade. Quem está no escuro vê pior, ou não vê, ou vê tudo de forma opaca, ofuscada, desfigurada. É, também, uma forma de visão. Porém, visão limitada e deturpada da realidade. Quem está na claridade é iluminado pela luz e pode ver com clareza. Em termos de julgamento, acontece o mesmo. É difícil tecer julgamento no escuro, ou seja, lá onde tudo se encontra opaco e desfigurado. Onde o real da realidade se encontra confuso e difícil de ser visto e interpretado. Melhor, onde a verdade foi atropelada pela pressa da imposição dos fatos. O Brasil do momento atual se encontra atropelado por uma onda de acontecimentos, onde a pressa não dá espaço nem para o trabalho da inteligência, nem para a verdade transbordar e libertar as consciências da opacidade dos juízos. O caso da “Carne fraca”, por exemplo, bem como tantos pronunciamentos públicos sem fundamentos mais sólidos, têm colocado o povo mais na sombra da dúvida e da escuridão das respostas, do que na certeza dos fatos e na verdade propriamente dita dos acontecimentos. A vontade exacerbada, e a necessidade urgente de publicar os fatos, tornam os fatos impublicáveis (no sentido de não atingir  inteiramente o íntimo da consciência do que é o público). Desta forma, a escuridão nas mentes se instala e os julgamentos precipitados assumem o palco dos discursos frágeis e das ações intempestivas. Um juízo, um julgamento, para brilhar na verdade e libertar os fatos de sua prisão e escuridão, precisa de tempo, de observação atenta, de investigação paciente, e muita clareza e lucidez. Aliás, lucidez é o mesmo que a ação da luz nos espíritos vigilantes, mostrando a verdade e trazendo à tona julgamentos justos e sensatos que devolve ao público a possibilidade de ser respeitado e bem atendido. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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23 de março de 2017
Um poeta que lê seus versos em público, pode ter outros hábitos desagradáveis” (Robert Anson Heinlein, escritor de ficção científica norte-americano, 1907-1988).

Todos têm a necessidade de aparecerem no mundo digital para se sentirem inseridos na sociedade. O planeta, hoje, vive uma inflação de “publicidade”. Tudo tem que ser exposto. Estamos inflacionados de câmaras por todos os cantos. Vivemos uma espécie de “Big Brother” global, estendido, particularmente, às empresas, instituições de ensino, e até nos lares. Os blogs, Facebook, twitter, e uma infinidade de redes sociais estão aí para alimentar essa publicidade. Estão aí para quem gosta de dar razão ao velho dito: “Cresça e apareça”. E quem está fora dessa onda, se não tiver a consciência do que de fato significa ser público, fica doente. Muitos sintomas de depressão e ansiedade, por incrível que pareça, decorrem daqueles que perderam a visibilidade pública, a ostentação e a publicidade nessa concepção, pois não suportam não serem “públicos” (visualizados, “curtidos” etc.). É como o poeta que acha que só pode ser reconhecido como poeta lendo seus textos para a grande platéia. A verdade, porém, é que essa neurose de ser “público” tem tornado tantos em “impúblicos”, principalmente os jovens em seu universo social e os desligados desta tecnologia. “Impúblicos” aqui é uma palavra forjada para dizer que nunca se foi tão desprovido e destituído do verdadeiro sentido do ser público como nessa geração atual. O que não pode ser exposto é tido como inexistente ou não “público” (neste sentido de estar exposto). Ai dos que se “escondem” do público nessa acepção. Ai dos que se tornaram anônimos dessa massificação e exacerbação do “público”. Esses constituem uma ameaça para a “publicidade” que vigora neste grande “público”. Aqui não se trata de apedrejar o público, nem defender o anonimato como tábua de salvação para alguns. Trata-se de tentar recuperar o que de fato significa ser “público” na grande tradição das sociedades livres e democráticas. O público não exclui o privado, o anônimo, para se expressar, para se expor, para se tornar visível. Nessa compreensão o anônimo, também, não luta contra o público. O público (o bem comum) é vigor e o brilho que aparece do povo sendo, de fato, povo. Povo como o vir a ser de quem está numa comunhão de interesses e busca daquilo que é o bem comum, não de seu exibicionismo pessoal. O anônimo neste caso é quem se retrai da visão do povo, não para deixar de ser povo, mas para cultivar o que é o próprio do ser povo, isto é, o cultivo do bem de cada um e de todos. E quem está nessa tarefa fundamental, sendo público ou anônimo (privado como querem alguns), sabe que toda e qualquer tentativa de exposição, de “querer aparecer”, de exibicionismo de um “eu” pessoal ou “sociabilizado”, apenas estraga ou corrompe o público e o anonimato. Por sua vez, o público e o anonimato corrompidos, atraem outros hábitos desagradáveis para a sociedade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de março de 2017
A razão manifesta a capacidade crítica do homem, diante do que ele faz” (Immanuel Kant, filósofo alemão, 1724-1804).

A palavra razão vem do latim significando o conjunto de faculdades intelectuais que nos permite a compreensão. O produto da razão é o conhecimento. O esclarecimento é a maior produção que a razão pode fazer. O esclarecimento é uma confiança na razão, não de forma onipotente, mas que sabe se colocar no limite de sua possibilidade. Vivemos nos perguntando se está certo ou está errado. Quem vai dar esta resposta é a gente mesmo. Não porque o outro não possa responder, mas, porque tenho a decisão e a coragem de buscar em mim esta resposta. Se a reposta vem do outro, criamos uma tutela. Uma pessoa que sobrevive com meio salário mínimo, por exemplo, faz uma ginástica para sobreviver, mas vive angustiada para sair desta situação. Outro, nas mesmas condições descobriu em seus limites como extrair o máximo de suas possibilidades; nisto está a maior dignidade humana. O fenômeno da coragem na busca independe da quantidade de “força”. A objetividade é a proposta da razão para a realidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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21 de março de 2017
Vale mais fazer e arrepender-se, que não fazer e arrepender-se” (Nicolau Maquiavel, historiador, poeta, diplomata e músico italiano, 1469-1527)

Arrependimento é sentimento que nos chega sempre depois de uma ação equivocada. Chega-nos como uma espécie de dedo indicador apontando a falta cometida e incomodando a consciência. Por um lado, é um sentimento ruim a martelar no mais íntimo de nossa interioridade, querendo um alento para apaziguar o conflito estabelecido. Por outro, é uma chamada de atenção para aquele que errou ajustar e reajustar tudo o que foi desajustado por uma ação inconsequente. Arrependimento nesse sentido possui um aspecto positivo ou de graça, que é o desejo de reparação de um mal praticado. No fundo, é uma aceitação humilde do próprio erro em busca de se redimi-lo. É um arrepende-se por ter feito. Porém, por ter feito mal feito. Na via oposta está o de arrepender-se por não ter feito. Ou melhor, por não ter feito, arrepender-se. Tal é o arrependimento que nos pesa mais à consciência, pois nos deixa caídos no vale da lamentação, sem qualquer esperança para uma melhoria ou renovação. Há, ainda, outro modo de conceber o arrependimento, que é o de não ter feito o que poderia ser feito, e desejar voltar no tempo para ter nova oportunidade de ação. Aqui, porém, vale mais o arrepender-se por ter feito, pois tal atitude nos diz que embora nem sempre acertemos, ao menos pelo fato de tentar acertar e fazer, já ganhamos um pouco mais de experiência no que foi feito, e uma nova janela de compreensão mais madura e sábia nos é aberta para aperfeiçoar o que na primeira tentativa não saiu tão bem. Vale mais, então, fazer e arrepender-se do que não fazer e arrepender-se, visto que nisto está o caminho do aprendizado e do aperfeiçoamento. No tempo de Quaresma da liturgia cristã católica, se fala muito de arrependimento como exercício de mudança de vida, de conversão. Só que esse arrependimento para uma mudança de vida ou conversão, está longe de ser um aglomerado de exercícios e práticas de autopunição para corrigir quem está arrependido. É, sim, um convite solene e urgente para todos e para cada um que se sente mobilizado e atraído pela mensagem da Boa Nova do Evangelho, fazer e dar o melhor que pode e sabe para seguir as pegadas e as Palavras de Jesus Cristo. Num tal engajamento, é possível sempre dar as boas-vindas ao arrependimento e fazer dele um instrumento de maior adesão ao Mestre, um sepultador do homem velho, e um restaurador do homem novo em nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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20 de março de 2017
A boa ação deve ser praticada sem apego, sem paixão, por dever, não por prazer, nem ódio, nem em proveito próprio” (provérbio hindu).

Ser bom é uma opção do coração. Fizeram uma experiência com transeuntes, onde colocaram situações do quotidiano com alguma espécie de dificuldade momentânea, para ver a reação das pessoas. Era um carrinho de bebê abandonado, uma pessoa idosa com dificuldade de transportar sacolas, carteiro com as correspondências pelo chão etc. Depois convocaram algumas das pessoas que passaram ao lado sem notar para responder um questionário com imagens. Todas disseram que ajudariam. Depois mostraram um vídeo em que elas se viram passando ao lado sem ajudar. Foi um choque, pois elas nem tinham notado, depois choraram. A vida é assim, acontece sem alarde, nas coisas pequenas do dia a dia. Passamos ao lado sem notar, pois estamos sobrecarregados de preocupações ou distraídos. Perdemos a oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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17 de março de 2017
O vento não quebra um galho que se dobra” (provérbio indiano).

A admiração nos curva em reverência ao Criador. Sempre me perguntei por quê o costume de pessoas, em boa parte das religiões, se dobrarem em seus cultos ou nas relações com seus representantes. Inicialmente pensava ser um gesto de subserviência forçada a uma entidade ou a pessoas de poder. Tantas vezes, parecia bajulação e fingimento para ostentar humildade. Embora a subserviência, a bajulação e o fingimento não possam ser descartados de vez, observava que havia algo mais profundo que, mesmo onde havia fingimento, era possível encontrar algo mais do que o próprio fingimento na postura do dobrar-se. É que até na natureza, as coisas se dobram. O camelo, o boi, o cavalo, o elefante, e tantos outros animais se dobram para descansar ou para realizar um serviço em favor de algo. Quem já se deu conta da expressão antiga que diz “Os sinos dobram” para indicar que ele soa para anunciar acontecimentos importantes de determinada comunidade religiosa? Anuncia o que recebeu. É mensageiro. Da mesma forma os galhos das árvores, também, se dobram. Dobram-se para quebrar a força do vento e evitar que o vento os quebre. Dobrar nesse sentido é um curvar-se para romper a resistência, a força e a dureza que há em si, pois se ficar duro e irresistível, o vento tem maior chance de parti-lo. Talvez aqui tenhamos que redescobrir a verdadeira sabedoria do dobrar e do dobrar-se. Dobrar, no fundo, é mais do que fazer-se em dois. É gesto de inclinar-se. Ao inclinar-se a pessoa se dobra. E, ao dobrar-se, se curva. Ao se curvar muda a direção de si e aponta para aquilo que é solicitado. Mudando a direção ao que é solicitado, a pessoa sai de si e se volta para o que é dado ou solicitado. Ao sair de si evita permanecer só no que tem e sabe. Essa mudança de direção é uma espécie de abertura. É um abrir-se que acolhe e recolhe o que vem, sem fazer resistência. Pois, resistência em muitas situações é o que provoca o confronto, a briga, a imposição de força, e a quebra da harmonia nas relações. Resistir em tal concepção é um permanecer firme, duro, inflexível, sem mudança. Quem não está disposto a mudar é resistente e inflexível. Por isso, permanece no seu posto e jamais se enriquece ou se aprofunda com aquilo que solicita sua abertura para o que é maior do que ele mesmo. Então, pode estar na postura do dobrar-se, do inclinar-se, do curvar-se, tão presente nas religiões, e na relação entre pessoas, um segredo esquecido por nossa geração. Um segredo que aponta para uma abertura para aquilo que vem de encontro a nós. Se fizermos resistência àquilo que vem de encontro a nós, podemos nos chocar e criar um acidente. Mas, podemos, também, nos voltar para aquilo que vem e receber com cordialidade e liberdade. E, na cordialidade e liberdade, receber e dar rumo, orientar para um significado mais profundo e mais valioso para nós mesmos. Quem faz isso costumeiramente, com o tempo cria hábito de inclinar-se para receber. Essa recepção livre, cordial, aberta, respeitosa, sem resistência, é que muitos dão o nome de reverência. Pessoas de paz e de bem geralmente são reverentes a tudo que lhes vem de encontro, pois em tudo se inclinam para receber a mensagem maior que lhes é dada. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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16 de março de 2017
“Situações difíceis abrem a alma à luz que a prosperidade não vê”
(Herni Dominique Lacordaire, sacerdote e pregador francês, 1802-1861).

Quando alguém está com seu barquinho navegando tranquilo no mar da vida, parece que tudo é só paz; mas, quando o inesperado acontece e o barco vira, e a pessoa tem que lutar pela sobrevivência, voltar à superfície, desvirar o barco, avaliar os prejuízos e voltar a remar; aí, sim, que se demonstra sua força interior. Esta força interior é construída dia a dia, em exercícios diários para superar o comodismo, sendo proativo nos afazeres, ajudando a quem precisa, e principalmente estando em sintonia com o amor de Deus em sua vida, com orações e exercícios espirituais. Como um atleta se fortalece em cada treino, assim também nosso espírito se fortalece a cada oração, cada gesto de caridade, a cada contemplação etc. Quantas vezes só entendemos a razão de uma situação difícil, depois de certo tempo, quando percebemos que aquilo nos ajudou e evitar uma situação pior lá na frente. Quando aprendemos a avaliar, percebemos que tudo tem um propósito na vida e a queda de hoje evita o desastre de amanhã. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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15 de março de 2017
Não me vender, é o único luxo dos pobres” (Teresa de Ávila, “Santa Teresa de Jesus”, mística e santa espanhola, 1515-1582).

Quando São Francisco de Assis dizia que “O dinheiro é esterco do diabo”, certamente ele falava dentro de um contexto em que o dinheiro corrompeu boa parte das pessoas de seu tempo, especialmente das classes mais abastadas e das Instituições de poder que mais predominavam na Sociedade Medieval. Isso não quer dizer que se deva generalizar os ricos e nem inocentar todos os pobres dessa corrupção gerada pelo mau uso do dinheiro como instrumento de poder. A verdade é que onde o reino do dinheiro impera em maior abundância; ali a desonestidade, fruto da ambição desmedida e da luxúria, vira esterco para adubar a injustiça, a corrupção, os desvios, e a compra e venda até de “pessoas”. Hoje não se compra apenas bens para se banquetear no grande refeitório do mercado de consumo. Compra-se o tempo, o silêncio, o discurso, a intenção, os votos das pessoas. Há os que vendem até o último resquício de honra e honestidade que ainda possuem, em nome do “salve-se quem puder”. De fato, o dinheiro, e com ele as formas de sua utilização no mundo de coisas vendáveis e vendíveis (cartões, cheques etc.), tem se tornado um “ótimo” esterco onde se planta, cultiva e desenvolve a queda e ruína de homens, mulheres, grupos, Instituições e, por que não dizer, de quase toda uma Sociedade. Há, sim, entre os mais ricos e, sobretudo, nas camadas mais pobres, um pequeno grupo onde o único luxo ainda é sua integridade e honestidade. Mesmo em meio a tanta desordem e ruína causadas pelo mau uso e abuso do dinheiro, onde tudo é comprado e vendido sem escrúpulos, há aqueles que se conservam sóbrios e justos no trato com o dinheiro e com as relações de poder que ele cria. Talvez entre os mais pobres essa integridade seja mantida não apenas por estarem longe desse poder de circulação do dinheiro, pois no dia-a-dia chegar alguns trocados no bolso deles é coisa rara, mas por viver outro estilo de vida onde mesmo o poder do dinheiro significa pouco ou quase nada para manchar valores que eles adquirem no trato com as dificuldades e na luta pela sobrevivência. Nessa luta, o único luxo que podem ostentar é o de permanecerem fiéis a princípios, gestos e atitudes que guardam e sustentam a humanidade quando tudo parece um caos. Nesse sentido, também, são os pobres que cuidam e que mantêm a Terra na sua órbita de justiça. E a Terra pertence aos que dela vivem assim. Pode ser esse o luxo dos pobres, o de não poderem vender o que não se pode vender, mas de administrar a Terra no que ela tem de mais sagrado, a Vida. E com a Vida, tudo o que faz viver. É por isso que eles são bem-aventurados, pois, a Terra pertence aos que dela cuidam, ou melhor, dos que se aventuram ou caminham sobre ela sem se apossarem dela e do que pertence a ela sobre as mais variadas formas de vida e de relações. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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14 de março de 2017
Não é difícil morrer nesta vida: Viver é muito mais difícil” (Vladimir Vladimirovitch Maiakovski, poeta, dramaturgo e teórico russo, 1893-1930).

Um dito popular afirma que “para morrer, basta estar vivo”.  Quase oposto a este está um que diz que “Até quem não morria, está morrendo”. E em relação à morte e ao morrer, estão alguns cuja preocupação principal não é morrer, mas, o não morrer. Pois, o não morrer é o pensamento ingênuo de querer insistir e persistir na vida, acreditando que não se morre. Morrer, no entanto, não é o mais difícil na vida. A todo o momento, aqui e ali neste planeta e nesta vida, alguém morre de morte “morrida” e de morte matada. É fácil morrer quando se vive ou se está vivo, pois, a vida está sempre por um fio. Difícil mesmo é viver. Viver supõe contar com a morte para não morrer e pensar a morte no contexto da vida. Viver requer não apenas lutar contra a morte, mas viver em favor da vida. É um luta de mãos fortes, onde quem é fraco e sem coragem, sucumbe ao primeiro golpe. Viver é difícil, porque a vida exige que vivamos e não morramos, embora saibamos que podemos morrer para continuar vivendo. Viver é um ato de coragem, de ousadia, de oblação, não do homem, mas, da própria vida acontecendo em cada homem. Nesse sentido, viver é difícil, porque não somos donos da vida, mas seus receptores. Frente à vida, à sua doação só podemos mesmo é recebê-la, vivê-la dignamente, e nos responsabilizar por ela. Ela é leve e suave, mas difícil de carregar. E quem a carrega deve aprender a estar nela, com ela e para ela dia a dia, faça chuva ou faça sol, doa o que doer, venha o que vier. Eis a razão de sua dificuldade, pois em geral, se quer estar nela apenas enquanto ela parece fácil, boa e agradável. Porém, uma vida sem dificuldades, sem luta, sem responsabilidade, sem doação, sem esforço e sem enfrentamento, é morte. Mas, uma morte mais mortal do que a própria morte, uma vez que morrer, embora fácil, comporta enfrentamento, abertura e entrega. É essa entrega radical e livre o mais difícil da vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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13 de março de 2017
A pessoa é responsável por aquilo que faz de si mesmo” (Hermógenes Harada, frade franciscano Japonês, teólogo, PhD em filosofia, 1928-2009).

O sujeito é inteligência, conhecimento e vontade. O específico do ser humano é a capacidade de compreender. O ser humano se vê e interpreta a partir de seu comportamento. Comportamento aqui não é a ação do sujeito, pois o sujeito já é comportamento. Aquilo que o sujeito é e aquilo que conhece, tem que ser adquirido. O ser humano é aquilo que decidiu ser. Logo a pessoa é responsável por aquilo que ela fez de si mesmo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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10 de março de 2017
Tenho gosto simples. Satisfaço-me com o melhor” (Oscar Wilde, escritor, poeta e dramaturgo irlandês, 1854-1900).

Caminhamos para a perfeição, dia após dia, passo a passo. Satisfazer-se com o melhor pode parecer uma contradição, pois há casos em que em nome da satisfação a pessoa se torna eternamente insatisfeita. Insatisfeita por não satisfazer-se. Nesse caso, satisfazer-se com o melhor é busca de ter “o melhor” como satisfação. O melhor aqui não é o inalcançável do máximo, mas, o que se pode alcançar com trabalho e dedicação. O melhor faz parte de um processo de busca de perfeição, onde o perfeito nada tem a ver com o sem defeito e “certinho”, mas, com algo bem feito, feito com esmero, caprichado. Algo onde a pessoa deu o máximo que podia e sabia. O melhor pertence a esse tipo de empenho em qualquer realidade da vida. Satisfazer-se com o melhor, então, não tem nada de grã-finagem e sofisticação, mas com tudo aquilo que é mais do que o esperado. Semelhante ao que Jesus dizia: “Se alguém te forçar a andar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5, 41). Ter gosto pelo simples é gostar desse modo de ser que torna tudo perfeito e bom. O simples é sem sofisticação e sem frescura. É a coisa no seu ponto de realização, como deve ser. Quem gosta do simples assim, tem chance de assentar-se bem na vida e de estar bem com tudo o que há. E na vida, mais do que em negócios de empresas, deveríamos ter como foco de busca o tempo todo a frase que diz: “Somos optantes do simples”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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9 de março de 2017
Devemos ser bons não para se mostrar aos outros, mas, para estar em paz conosco mesmo” (Achile Tourmier, escritor francês, 1847-1906).

Ser bom é uma opção. De certa forma, o mundo nos coloca uma série de coisas como se fossem vantagem e que no fundo estão carregadas de veneno da maldade. Nem sempre é tão óbvio assim discernir. Mas se temos por princípio sempre fazer o bem e ser bom, então estaremos mais seguros no caminho da paz. Esta paz semeada em atitudes retorna em forma de alegria. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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8 de março de 2017
Para pobreza faltam muitas coisas, para avareza falta tudo” (Públio Sírio, escritor romano, 85 a.C. – 43)

A palavra “falta” lembra privação, carência etc. Pobreza e avareza. Nas duas há falta. A falta na primeira nada tem a ver com a segunda. Na pobreza, a falta vem da necessidade de se ter o essencial para viver e sobreviver. Principalmente, para se viver bem. Viver bem aqui é viver do necessário, e fazendo da necessidade a busca de cada dia. A pobreza, nesse sentido, não é miséria e nem penúria, mas, carência dos meios mais importantes para se viver dignamente. A pobreza é, por outro lado, um modo todo próprio de ser da existência. Esse modo de ser sente a vida nos seus pesos, contrariedades, limites e exigências. Porém, ela não se ressente, ou seja, não é ressentida com a vida quando não possui. Já a avareza é um modo de ser ressentido e medroso frente à vida. Ela tem medo de perder o que possui, pois não sabe possuir. Possui ao modo de amarras, pois não deixa os bens serem como são. Não os deixa se multiplicarem, nem se movimentarem na direção da “superfluência” e da abundância. Ela tranca a necessidade numa espécie de egoísmo sobre ela mesma. Eis porque a avareza fecha a possibilidade de qualquer ato de generosidade. Ela apenas insiste e persiste no querer mais e mais para acumular. Ao acumular não sabe usar, pois o medo e a insegurança de perder freia qualquer iniciativa para fora de si mesma. O avarento, então, é aquele que vive da avareza. É alguém vazio, pois possui tudo o que quer e precisa, mas, não tem coragem de soltar e fazer movimentar o que possui. Embora tenha tudo, lhe falta tudo. Falta a capacidade de lidar com o que possui de modo livre. E quem não é livre frente ao que tem, pouco ou muito, nada tem. Talvez esteja na avareza um dos pecados capitais que os antigos diziam tornar o homem vazio de si mesmo (no sentido negativo deste termo), pois, embora tudo queira e conquiste, nada consegue preenchê-lo. É um vazio e insatisfeito por natureza. E é esse vazio que o atormenta. É o seu inferno. O que se vê, hoje, no cenário político brasileiro de muitos sentenciados e presos pela operação “Lava-jato”, por exemplo, é o resultado catastrófico de vidas que se governaram ou se deixaram governar pela avareza. Hoje pagam o preço de experimentarem o vazio de sua avareza. Avareza que um dia queria tudo e, de certa forma, tinha tudo. No entanto, agora que tanto precisam de uma migalha de sentido para a vida, lhes falta tudo. Por outro lado, hoje, também, com toda divulgação e pregação da teologia da prosperidade que incentiva uma ojeriza à pobreza em nome do ter dinheiro e prosperidade, palavras como as do Mestre de Nazaré, como “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5, 3); ou “Do que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma” (Mc 8, 36), talvez tenham que ser resgatadas na sua pujança de sentido e de valor, para colocar o ser humano de novo com os pés no real chão da vida e da Terra dos Homens. Visto que a Terra pertence aos que cuidam e vivem de fato nela. Não dos que dela se apoderam, exploram gananciosamente, e a esvaziam de bens e de sentido. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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7 de março de 2017
Há defeitos que manifestam uma alma bela melhor que certas virtudes” (Ronan Dias da Silva, filósofo, teólogo e parapsicólogo brasileiro, de Anápolis GO).

A palavra “defeito” (do latim “defectus”) significa uma imperfeição (física ou moral). Defeito é como dar bola fora. Uma espécie de falha quando se estava buscando acertar. Bola fora, por sua vez, pertence a quem está jogando e tentando acertar. Errou o alvo, mas continua jogando. Pode acontecer que de tanto errar e dar bola fora, uma hora entra ou acerta o alvo. Tem gente que é assim, vive dando bola fora, mas continua chutando. Esses são pessoas de alma grande, nobre e honrada. Aos olhos dos mais “certinhos” e “virtuosos” eles são um fracasso, uma imperfeição. Os “virtuosos”, “certinhos” e “perfeccionistas”, esquecem-se, porém, que só conquistaram determinadas virtudes no jogo de erro e acerto, de fracasso e da vitória. Quem se considerando “virtuoso”, “perfeito”, desse modo, geralmente tem a alma manchada pela presunção e orgulho, pois ignora de onde veio, por onde passou e por onde está sempre sujeito a passar. Uma virtude conquistada à custa da presunção não é virtude, é rompante e aparência de virtude. A virtude pura e bela é aquela que nem mesma se vê. É força interior que se mostra no exterior sem “porquê” e nem “para quê”. Quando a virtude é anuviada pelo desejo da aparência e do brilho da ostentação superficial, ela é vulgar e se mostra “pior” do que o defeito. E nesse sentido, o defeito é que manifesta a grandeza da alma, não a “virtude”. Talvez seja nessa concepção que certas “virtudes” podem nos trazer mais sombras do que luz.  E certos defeitos, mais luz do que sombra. Pode estar aí o alerta de Jesus aos seus seguidores quando afirmava: “Eu vos digo que os “publicanos” (coletores de impostos) e as “prostitutas” vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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6 de março de 2017
O que é verdade? Pergunta difícil, porém, é o resultado do que a consciência está dizendo ao ouvir a voz interior” (Mahatma Gandhi, advogado, político e místico hindu, 1869-1948).

Com o tempo a verdade sempre prevalece. A primeira ideia que nos vem à mente é que a palavra “verdade” se opõe a “mentira”. Mas, ela é muito mais que isso. Pilatos pergunta para Jesus: “O que é verdade?” (Jo 18, 38). Disse isso após ouvir de Jesus que sua missão era dar “testemunho da verdade”. Jesus já havia ensinado: “conhecereis a verdade é ela vos libertará” (Jo 8, 32). Em outro versículo (Jo 17, 17): “Tua palavra é a verdade” (do Pai). São 101 versículos falando sobre a verdade. Em oposição a isso, temos a mentira, que procede do maligno com intenção de enganar, e está sempre presente na boca de seus seguidores, distorcendo a verdade, exaltando o egoísmo, gerando um mundo de fantasias. Qualquer mentira tem a intenção de enganar. Quem tem um coração puro e guarda os preceitos divinos, sua voz interior sempre estará falando a verdade. Quem vive mentindo “joga no outro time”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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3 de março de 2017
A tristeza da alma pode matar muito mais rápido que uma bactéria” (John Ernst Steinbeck, escritor americano, 1902-1968).

A fé é capaz de vencer qualquer dificuldade. Na época da diáspora africana (escravidão) muitos escravos morriam de “banzo” (sentimento profundo de melancolia pela perda de liberdade e saudade da terra natal), ou seja, depressão. Como matavam os escravos, a depressão continua fazendo suas vítimas nos dias de hoje quando as perspectivas para superar uma crise se acabam e a pessoa entra em desespero. É muito complexo e atinge pessoas de todas as idades. Pare reverter este quadro a pessoa terá que buscar dentro de si, em sua fé, a coragem necessária para lutar contra todas as perspectivas negativas que o rodeiam. Quem se dedicou a isso nos primórdios do cristianismo, foram os “padres do deserto”, fazendo uma “tomografia” da alma humana, e encontrando nas práticas de jejum, oração, vigílias e afins, forças para vencer a “acídia” (preguiça da alma) que impediam a pessoa de superar as dificuldades. Suas recomendações continuam válidas, mas exige de cada pessoa esforço e fé. É semelhante a nadar cansado, quando dá vontade de desistir de tudo, mas, parar é pior, então busca dentro de si uma força extra para continuar. Neste ponto a pessoa olha para o alto e vê em Deus seu refúgio e salvação e continua até vencer. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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2 de março de 2017
Retroceder ante ao perigo dá como resultado aumentá-lo” (Gustavo Le Bom, psicólogo francês, 1841-1931).

A palavra retroceder dá ideia de recuar. Em recuando podemos ter várias atitudes, uma delas é sair correndo para se livrar da ameaça, ou simplesmente mudar de posição para melhor dimensionar a extensão deste perigo. Quem foge carrega consigo a dúvida da real força desta ameaça, tendo a impressão que era intransponível. Quem muda de posição, saindo da ação imediata do perigo e procura descobrir a real dimensão da ameaça vai poder descobrir como neutralizá-la, se for o caso. Na vida temos muitas ameaças e de várias dimensões. Desde cedo devemos aprender a lidar com os perigos sem fugir, para ganhar força e coragem para enfrentá-los. Quando se foge, eles ficam maiores que a realidade, quando se confronta, se descobre que a maioria deles é igual brincadeira de criança que com máscaras e gritos só servem para assustar. Com o tempo vamos ganhando experiência diante dos perigos da vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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2 de março de 2017
Há cordas no coração humano que seria melhor não fazê-las vibrar” (Charles John Huffam Dickens, romancista inglês, 1810-1870).
Vibram as cordas dos instrumentos musicais e produzem música. Vibrar é movimento de ir e vir. Numa linguagem popular se diz: “Tudo o que vai, volta”.  O coração humano tem essa dinâmica vibratória de ir e vir, no sentido de que tudo o que ele envia, volta. É assim até no coração com seu curso de batimentos, ao pulsar o sangue e fazê-lo circular pelo corpo, produziu vibração. Isso vale para as emoções que aparecem no corpo. Por exemplo, se estou com raiva de alguém e tenho vontade de acertar-lhe um tapa, este tapa é vibração da raiva, ou melhor, a raiva vibra como tapa. O tapa em alguém produz o desejo de vingança, que depois retorna em forma de outro tapa. A alegria, a felicidade, a bondade, a simpatia, a gentileza, a cortesia, vibram do mesmo modo de dentro do coração humano e se manifestam como sorriso, contentamento, doação, amizade, cuidado e atenção para com os outros. Esses gestos vibram de tal forma no externo e no semelhante que mais cedo ou mais tarde retorna como gratidão, serviço, reconhecimento, colaboração, proximidade, etc. Se entendermos o coração humano como um instrumento de cordas que está continuamente vibrando, então é importante perceber que por vezes há nele também muitas emoções ruins e atrapalhadas que deveríamos evitar e não deixá-las vibrar, sob o risco de ir destruindo tudo o que encontra pela frente, e, mais cedo ou mais tarde, retornar a nós também em forma de destruição. Se vibrar é eco que sai e volta a nós, é inteligente esforçarmo-nos por deixar e fazer vibrar sempre o que há de melhor em nós. Talvez esteja nessa ideia a concepção simples e milenar das palavras de Jesus ao admoestar seus seguidores dizendo: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt 7,12). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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1 de março de 2017
Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor” (Papa Francisco).

Com estas palavras o Papa Francisco abre o tempo da quaresma de 2017. “A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho”, continua ele. O tempo da quaresma tem início na quarta-feira de cinzas e termina na quarta feira da Semana Santa. Cinza lembra a penitência e neste dia, recordamos “lembra-te que és pó e ao pó voltarás”, com o pedido, “convertei-vos e crede no Evangelho”. São quarenta dias marcados pelos apelos ao jejum, partilha e penitência; tudo isso visa à preparação para a Páscoa. No Brasil, a quaresma é marcada pela Campanha da Fraternidade, que neste ano de 2017 tem como tema “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”. Os biomas (ecossistemas) brasileiros são: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Somos convidados a viver intensamente o tempo da quaresma para dar uma renovada em nossa vida; deixando de lado as coisas que atrapalham nossa proximidade com Jesus, começado com o domínio de nosso egoísmo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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24 de fevereiro de 2017
Somos o que somos diante de Deus e nada mais!” (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).

Somos uma obra de amor do Criador. Isto basta. Recebi um vídeo pelo WhatsApp, onde uma senhora de traços orientais, de maneira magistral e encantadora, manipulava bolhas de sabão para uma plateia que foi ao delírio com sua apresentação. Desconheço se o texto acoplado ao vídeo era de quem montou o vídeo ou de quem enviou o mesmo. Porém, ali se construía um diálogo, onde se dizia: “Filha, o que você vai fazer quando crescer?” “Vou fazer bolhas de sabão para as pessoas”! “Perdeu o juízo? Você nunca vai ser alguém fazendo isso”! O diálogo impressiona pelo fato de estar presente uma mentalidade corriqueira que nos toma há décadas, talvez, fruto de uma visão “funcional” do ser humano. Somos o que fazemos (“O que você vai fazer quando crescer?”). Nesse sentido, só é alguém aquele que se destaca no público como fazendo algo de magistral ou de destaque. No mundo profissional, por exemplo, é considerado alguém aquele que é médico, cientista, engenheiro, ou qualquer outra profissão de renome. Gari, coletor de lixo nas ruas, padeiro, faxineira, lavador de carro etc, nesse caso, não é considerado uma profissão e nem algo de renome que possa tornar a pessoa reconhecida como alguém de fato, ao menos, nessa concepção. Pois, ser alguém, é fazer algo que os outros possam reconhecer e valorizar. Se isso não for feito, então, não sou reconhecido e, por isso mesmo, não sou ninguém. O ser está em função do fazer. Quem não faz, não é. A questão de fundo é, se um dia me tirarem as bolhas de sabão e a possibilidade de fazer shows e apresentações; ou se um dia me acontecer algo que me tire totalmente a possibilidade de fazer o que sabia fazer, e nunca mais tenha como exercer o que sabia, então, não sou mais eu? E se não sou mais eu, não tenho mais valor, nem dignidade, nem mesmo o respeito das pessoas? Se assim o for, pode ser que toda a nossa concepção de velho, de aposentado, de crianças deficientes, de desempregados, de artistas anônimos etc, esteja, de fato, condenados ao sumiço e ao desamparo. Um gari, um coletor de lixo, uma faxineira, antes de exercer sua profissão, é alguém; é um ser humano com dignidade, independente do rótulo profissional que carregue. O simples fato de dizer que é um SER HUMANO já diz tudo. Por outro lado, sim, esse Ser Humano se mostra, se revela no que faz, no que pensa, no que fala, no que sente e assim por diante. E pode ser que a senhora da bolha de sabão mostra e revela no espetáculo incrível das bolhas o Ser Humano incrível que ela é. Por trás desse jogo de encantamento aos olhos de tantas pessoas,  está alguém que forjou seu caráter, sua personalidade, sua dignidade, fazendo e refazendo diariamente, com muito cuidado, amor, e dedicação, a arte de brincar com o simples e infantil arco de bolhas. Na arte de criar bolhas sob os mais diversos prismas e formas, está o exercício incansável de alguém que gostaria de mostrar a outras pessoas a maravilha de ser ela mesma com seu desejo cheio de sonho e fantasia infantil, ou seja, o de criar bolhas numa espécie de alegria e festa do Universo com seus planetas, asteroides, estrelas e galáxias. E diante do Criador que é o que é, sem nossos tributos e atributos, ela mostrou apenas o que é: um SER HUMANO como eu, como você, como todos nós. E o que fez e faz é apenas eco dessa grandeza e maravilha chamada SER HUMANO. Pensando em Francisco de Assis, seria o mesmo que dizer: “Somos o que somos diante de Deus e nada mais”. Isso basta! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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23 de fevereiro de 2017
A informática e as telecomunicações serão para o século XXI o que as rodovias foram para o século XX”. (William Jefferson Clinton, “Bill Clinton”, político americano, nasceu em 19 de agosto de 1946).
“Nada há escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido” (Mateus 10, 26). No século XX tivemos várias revoluções que criaram um novo mapa político, social, econômico e cultural para alguns países. E a partir deles, para o mundo. Boas ou más, justas ou não, elas impactaram e configuraram, em muitos aspectos, o mundo ocidental e oriental que temos, hoje. No entanto, essas revoluções foram forjadas durante anos a fio. Em geral, contamos apenas o seu resultado final, como a “cereja do bolo”. E isso, porque não havia a rapidez das informações e decisões chegando a todos, especialmente, às camadas mais simples do povo, para fazer o processo deslanchar em curto prazo. Era preciso tempo para as notícias, reivindicações e ideologia ou, como se sabe, a adesão autoritária a um líder, atingir todo um grupo a forçá-los a seguir sua cartilha. Hoje, com o advento de tantas tecnologias jorrando informações a todo instante, as notícias chegam a todos os grupos, classes, raças e povos, de maneira simultânea, ao menos para começar o processo de ingestão, indigestão, ou digestão do que se deseja. Os processos de mudança que são discutidos, rejeitados e aprovados, são mais acelerados. Que o diga o homem do campo de antigamente que só um ou dois dias depois recebia uma mensagem provinda do centro urbano. Por que essa reflexão rápida? Porque  de três anos para cá, mais ou menos, em particular, no Brasil, uma revolução interna já começou a ser processada com a criação da operação Lava-jato. Aos poucos ela vem trazendo à tona os bastidores escondidos de uma política ultrapassada caduca e corrompida, e de uma degradação social arquitetada por pessoas de partidos políticos, empresas e setores mais elitizados da sociedade que atingiu até as camadas mais pobres. Com a rapidez das informações, ainda que mal discutidas em determinados casos (só repassadas), uma nova consciência vai se fazendo em busca de mudanças. A diferença é que a nova consciência de mudança agora atinge mais pessoas, e de forma mais rápida. Não precisa de séculos para gerar uma  leitura dos fatos e uma transformação. As coisas se dão em tempo mínimo e recorde. Embora não seja garantia 100% (cem por cento) de uma consciência de mudança realmente mais madura, inevitavelmente, caminha-se mais velozmente para um processo de transformação das estruturas. Seu “preço” nenhuma bola de cristal tem poder de prever. A questão é que essa mudança já está em curso.  Baseado nisso, quero estar aqui para dizer um dia que ela foi de forma pacífica e organizada, dentro da sensatez de um processo democrático e de um povo, de fato, conscientizado. Mas, não gostaria de ser um daqueles que dirá no futuro que tudo se deu aos moldes de uma revolução francesa, com todos os seus méritos, porém conquistada a preço de sangue e de insanidade popular, em muitos casos. Melhor ainda, não gostaria de dizer um dia a frase costumeira que nos vem de imediato à mente em situações assim: “Eu avisei”! Quero, sim, ser o porta-voz, quem sabe, do anúncio de que a revolução aconteceu. Que chegou e trouxe a mudança esperada, pra melhor! Mas, que se deu por caminhos populares, democráticos, civilizados e pacíficos. E que um novo e melhor século, ao menos para nós brasileiros, finalmente chegou! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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22 de fevereiro de 2017
Muitos dos que parecem estar lutando contra a adversidade são felizes; muitos, em meio a grande afluência, são totalmente infelizes”. (Públio Cornélio Tácito, historiador, orador e político romano, 54-117).

Na afluência de rios caudalosos que se provam os melhores remadores. Alguns ou muitos de nós já ouvimos uma fala bastante comum de pais da geração passada aos filhos desta nova geração que soa mais ou menos assim: “Meu filho(a) nunca passará pelas mesmas dificuldades e sofrimentos pelos quais passei”. É uma frase apaixonada pronunciada por pais cheios de boa vontade e, que de bom coração, desejam o melhor para seus filhos, no intuito de vê-los realmente afastados de tudo aquilo que um dia soou para eles como adversidade. Para eles, certamente, adversidades não faltaram. Muitas delas em forma de sofrimentos gigantescos dos quais querem os filhos afastados. É louvável tal intenção vinda de pais zelosos pelo crescimento e cuidado dos filhos. Esquecem-se eles, porém, que aquilo pelos quais passaram em termos de lutas, adversidades e sofrimentos, é que lhes deu um caráter íntegro, uma visão mais plena da vida, que ainda, hoje, desfrutam e que guiam seus passos pelos calçadões da existência. Esquecem-se eles que, justamente essas adversidades os ajudaram a chegar aonde chegaram e a conquistar um lugar ao sol mais confortável e agradável. Ignoram, quem sabe, que na luta contra as adversidade é que experimentam finalmente um aconchego maior no colo da senhora felicidade. Privar os filhos de tal luta contra as adversidades seria, nesse caso, assinar um atestado de impotência e incapacidade para eles, abandonando-os a uma vida fragilizada e insegura frente aos embates do cotidiano. Aqueles embates que só estão aí para forjar e medir o caráter e a grandeza de cada um. Talvez, no mundo atual, alguns pais estejam arrancando das novas gerações a possibilidade de alcançarem uma riqueza maior de vida, de edificarem paulatinamente um crescimento de caráter, e de conquistarem uma maturidade mais sadia em termos de personalidade. Tudo isso, simplesmente, por quererem que seus filhos mantenham-se distantes da academia que capacita os músculos do espírito e o cérebro que governa a alma (ânimo) a ficarem mais resistentes e mais inteligentes, ou seja, está enfraquecendo neles aquilo que forja os homens e mulheres a caminharem bravamente sobre a Terra dos Homens. Ao tirar-lhes essa possibilidade de encontro e confronto com as adversidades, anestesia neles a fraqueza de ânimo, o desvio de caráter e, sobretudo, injetam em suas veias existenciais o medo, a ansiedade e a fuga frente a tudo que soa desafio e dificuldade. Nasce então uma geração dependente, apática, medrosa, insegura, e infeliz. Pois, imagina tudo com facilidade, sem provações, sem esforço, sem envolvimento persistente, sem luta e reluta. Não lhes restando  nada mais e nada menos do que a sensação de impotência frente ao mundo que os cerca. A bem da verdade, embora recebam tudo de mão beijada e, ainda que tenham todos os recursos para conquistarem o que desejam,  sentem-se no fundo, vazios, por não estarem à vontade consigo mesmos. Sentem uma infelicidade inexplicável por não poderem celebrar nem sua independência, nem o espírito de gratidão pelo dever cumprido, nem o gosto de uma conquista qualquer, e nem mesmo um sucesso vitória vindo dos grandes embates e lutas contra as adversidades. Nesse sentido, os pais que mais ajudam seus filhos são aqueles que, ao invés de os pouparem das adversidades, os ensinam a mergulhar nelas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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21 de fevereiro de 2017
Um dia , quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste” (Sigismund Schlomo Freud, médico neurologista criador da psicanálise, 1856-1939).

Viver é lutar. A primeira luta com a qual todo ser humano, desde sua concepção, tem que se a ver, queira ou não, é com a própria sobrevivência. Sobreviver para viver. Tal luta se desenvolve vida afora de forma, muitas vezes, solitária, heroica, cansativa, intransferível. Para alguns, ela é sem trégua, para outros uma rotina. Seja o que for; luta tem a ver com nosso esforço, com o colocar força, com o nosso dispormo-nos para a vida. Há dias, no entanto, em que estamos, por alguma razão, mais apagados, amuados, sem força, sem motivação, sem vontade, sem disposição para viver e para a vida. Isso porque alguma avalanche de situações adversas nos chega, nos atropela de forma imprevista e surpreendente. Chega com uma força que parece sucumbir nossa força. Tristeza, decepção, frustração, depressão, desmotivação, uma agressão verbal ou física, uma desilusão... São apenas algumas forças que nos testam a força maior de nós mesmos. Por vezes, sucumbimos ao esmagamento delas por nos parecerem demasiadas e insuportáveis. É o momento da batalha, da luta de nós mesmos contra nós mesmos. Ganha quem ficar de pé, quem não desiste, quem perseverar, quem se dispuser mais, ainda que com um último recurso nas mãos e à disposição. É semelhante àquela cena de um pássaro querendo engolir um sapo e, este, já entrando na boca do pássaro, usa de um último recurso que é apertar a goela da ave para evitar a passagem. O interessante aqui nem sempre é saber de quem será a vitória, ou assistir ao duelo que se trava incansavelmente, mas, a disposição de viver, de não se entregar, e de, aconteça o que acontecer; querer o querer do próprio querer de forma única e nova. Quem luta assim sofre muito na vida, mas, vence sempre. Vence não porque ganha, mas, porque, cresce dentro de si, fica forte no combate e mais preparado para vencer inimigos ou adversários cada vez maiores. Um dia, quando olhar para trás, verá que nenhum esforço foi em vão; nenhuma batalha trouxe de fato prejuízo; e nenhuma luta realizada na grande arena da vida visa a destruição da pessoa. São apenas os desafios para o crescimento e a superação. No momento do combate em geral se está cego para enxergar isso. Tempos depois, com calma e sabedoria, é possível ver e ler que em cada luta uma lição, uma aprendizagem, uma escola superior de caráter e maturidade. É possível, também, descobrir que os dias mais belos foram aqueles em que se deu uma luta, pois, ali apareceu a verdadeira beleza, grandeza e nobreza de um ser humano. Pois, no fundo, no fundo, ser humano é ter que ser, é ter que crescer, é ter que superar-se, é ter que evoluir, é ter que se transcender... é ter que lutar sempre! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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20 de fevereiro de 2017
O galo tem grande poder no seu galinheiro” (Públio Siro, poeta latino, século I a.C.).

Quando o galo canta, o dia já está amanhecendo. Tudo o que vemos nos últimos tempos nos grandes embates que dominam a mídia, é uma grande demonstração do jogo de poder. De certa forma tudo está interligado. A voz de uma pessoa tenta contrariar a vontade de milhões, quando estão em jogo seus interesses e de seus companheiros. Para garantir o sucesso de suas ações malignas, foi sendo articulada no decorrer do tempo, uma rede de articuladores, para que todos os postos chaves tivessem pessoas de sua confiança e assim garantir sua impunidade. Só que existem outros jogadores disputando o mesmo “baralho” do poder. O desespero está em tornar público este jogo. Muitos se divertem neste cassino político, poucos estão almejando uma transformação, porque se sentem fracos diante de forças tão bem articuladas, e também porque são perseguidos em suas melhores intenções. E assim, os dias passam sem perspectivas reais de mudança. Olhando de outra forma, este poder está restrito dentro do mesmo “galinheiro”. Só que a granja é grande. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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17 de fevereiro de 2017
Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre” (Olavo Luiz Pimentel de Carvalho, escritor, conferencista, ensaísta, jornalista e  filósofo brasileiro, nasceu em 1947).

Para poder nadar bem, precisa entrar na água por inteiro. O que é o bem? O que é bom? São questões que há milênios intrigam o homem de diferentes culturas, civilizações e lugares. Com tais questões se ocuparam pensadores e filósofos, teólogos e místicos, gurus e xamãs, sacerdotes e religiosos de variadas religiões. Nem sempre a resposta de um agrada, abrange, ou atinge a todos. Hoje, quando se fala do que é bom há sempre a pergunta: “Bom para quê e para quem”? Ou ainda, o que é bom para um pode não ser bom para outro. Seja o que for; por intuição e por experiência milenar o ser humano sabe interior e exteriormente o que é bom, embora, em determinadas situações, chame de bom o que é mau. Mas, algo para ser bom mesmo é aquilo que foi provado e confirmado pela bondade, e bondade como a essência do que é bom. Nesse sentido, bom é tudo o que foi e é feito dentro de um processo de perfeição, ou seja, aquilo que vai se aperfeiçoando até atingir seu ponto de maturação. É como fazer comida. A comida boa é aquela que vai sendo temperada, degustada, provada, reprovada, até chegar à sua consumação e dar o ponto dela mesma para o cozinheiro e para os paladares. Na vida humana estamos cheios de coisas boas, de experiências e acontecimentos bons. Alguns de valor e intensidade menores, outros maiores. Alguns passageiros e fugazes. Outros, duradouros e intensos. E há, também, os que alcançam quase a duração de uma eternidade. É o caso dos relacionamentos que temos nas diversas circunstâncias da vida. Há os que dura só um instante; os que permanecem por um tempo maior. Outros ainda que são perenes e que permanecem por toda uma vida. Isso significa que tudo o que queremos de bom e que permaneça, precisa de investimento mais profundo, dedicado e prolongado da nossa parte. Podemos escolher, por exemplo, que tipo de relacionamento, de convívio, de amizade, e de comunidade nós queremos pra nossa vida. Mas, cada um desses níveis vai depender sempre do quanto de tempo e dedicação oferecemos para tornar isso, de fato, bom. Pode ser que o investimento que damos torne tudo bom por um instante. Outras vezes, pode ser só por algum tempo. Porém, pode ser, quem sabe, pela eternidade. E eternidade não é o tempo sem tempo, sem passado, presente e futuro. É apenas o modo como vivemos bem e intensamente o instante que nos é dado viver. Tudo o que é intenso, profundo e bem vivido adquire valor de eternidade, pois nunca acaba e nem se perde. Daí que o que é bom mesmo é para sempre. Para sempre, ou o eterno, como costumamos chamar, é aquela experiência rica, real, plena e significativa que nos atinge e nos impressiona de tal forma, que passamos a viver e nos mover em tudo, a cada momento e, a todo e a qualquer momento, a partir daquele toque e daquela impressão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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16 de fevereiro de 2017
A ignorância é a mãe da maldade e de todos os demais vícios” (Galileu Galilei, físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, 1564-1642).

A ignorância que produz maldade e gera vícios de todos os tamanhos e tipos não é a mesma apregoada por Sócrates, “Sei que nada sei”. Nem aquela do homem do campo que nada sabe sobre os conhecimentos científicos das Universidades. Nem daquele médico que sabendo muito da medicina, desconhece tudo sobre a arte de cozinhar ou construir enormes edifícios. Quando se fala em ignorância (desconhecimento) de algo que o outro não domina é apenas para dizer que naquela área de conhecimento ou atuação ele não “manja” o bastante como aquele que ali está envolvido até o “pescoço”. A ignorância que de fato pode ser tida como ignorância, e que produz maldade e vícios, é aquela onde alguém que sabe não se dispõe saber mais, a aprofundar, a se enriquecer com novos conhecimentos, a clarear o que já supõe como sabido, e se torna dogmático, estreito, e fechado no que sabe. Essa ignorância é má e viciada, porque torna a pessoa presa numa espécie de posse de um saber que a ferro e fogo procura recusar outros saberes, outras posições, outras maneiras de pensar e de se dar. A maldade e vício que tal ignorância produz é a de marginalizar, excluir, criminalizar e condenar tudo o que não é ela. E para defender sua supremacia no reino do falso conhecimento, ela conta com o apoio da falácia, do falso julgamento, do orgulho, da vaidade, da hipocrisia, e por aí vai. Um vício atrás do outro se soma para tapar a própria ignorância. Eis que essa mãe da maldade e dos vícios se trai por ter que revelar em suas atitudes a pequenez e estreiteza de seu saber, pois lá no fundo ela sabe que não sabe. Não ao modo de Sócrates que, não sabendo, buscava saber o saber do “próprio saber”, e aprender a aprendizagem do “próprio aprender”. Isso o tornava sábio sem querer, e ignorante para conhecer cada vez mais o que desconhecia. Talvez, hoje, com tantos saberes à nossa disposição, com tantos conhecimentos às mãos, com tanta tecnologia a desfrutar e explorar, e com tantas especializações no campo das ciências, tenhamos que nos colocar mais na atitude  humilde de ignorantes como Sócrates, do que de “sábios” ignorantes que Galileu Galilei alertava para não decair no bom conhecimento das coisas. Ou seja, para evitar cair nas piores ações humanas que são aquelas onde se pensa e age achando que sabe. Para esses, e quem sabe para mim e para nós também, fica sempre estendida a mão da misericórdia a balançar a consciência dando nova luz e nova oportunidade de reconstrução do modo de pensar e agir quando diz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lucas 23, 34). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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15 de fevereiro de 2017
E brasileiro não teve medo do fim do mundo em 2012, mas, tem medo do fim do mês. Fim do mês é o fim do mundo em parcelas” (José Simão é um jornalista humorístico brasileiro. Nasceu em 1943).

O fim de algo marca o começo de outro. Desde a mal interpretada data do fim do mundo, profetizada pelo calendário Maia, de lá para cá não faltaram arautos do fim do mundo. Quase sempre tendo a queda de algum asteróide ou o choque de algum meteoro como protagonista do desastre final na Terra, levando tudo à ruína e destruição. Nem é necessário discorrer que todos esses anúncios tiveram fim no dia seguinte, e a Terra continuou viva e formosa como sempre, vista, sobretudo, do espaço. O último desses anúncios, segundo alguns, está marcado para amanhã, dia 16/02/2017 (https://www.youtube.com/watch?v=VL31UFtmTkA). Como sempre, soa alarmante e provoca certo calafrio em alguns. Calafrio em pensar a possibilidade de ser real. E se for verdade, perguntarão os mais temerosos? Para os brasileiros, acostumados com a inverdade desses anúncios, o fim mais próximo, e que causa terror e quase pânico, é mesmo o fim do mês com a proximidade das contas a pagar, e diante do pouco dinheiro a saldar as dívidas. Independentemente do modo como se ouve, pensa, interpreta, ou se acolhe uma notícia da chegada do fim do mundo, é importante pensar sobre essa possibilidade como uma entre tantas outras. Que a Terra tenha seu fim pode acontecer a qualquer momento, considerando-se a ameaça de asteróides, aquecimento solar, explosões nucleares etc. A morte ou aniquilamento do planeta é tão real quanto nossa morte. Mas, o que fazer diante do inevitável a não ser aguardá-lo como se aguarda o inesperado? Por outro lado, é essencial para qualquer povo ou cultura anunciar continuamente o fim do mundo como uma forma de esperança e metamorfose. O mundo precisa de tempos em tempos ter o seu “fim” para continuar sendo mundo. Hoje, mais do que em tantas épocas precisamos do fim do mundo. Porém, o mundo das guerras, dos roubos, da corrupção, da violência, da inimizade, da fome, dos fundamentalismos religiosos e políticos, do preconceito e marginalização, do desrespeito à vida desde a concepção até a vida planetária. Tudo isso clama por um fim que de fato esperamos e sonhamos. E só o fim deste mundo pode de fato dar lugar a um outro de maior convivência, respeito, solidariedade, justiça e amor. Que venha o fim do mundo! Que vá, este, marcado pela caduquice, pela petrificação dos grandes valores, e pelo desmoronamento da verdade e do bem. E surja um novo, mais humano e mais pleno de sentido e paz para todos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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14 de fevereiro de 2017
É melhor corrigir os seus próprios erros do que corrigir os outros” (Demócrito de Abdera, filósofo grego, 460-370 a.C.).

Para erguer o outro, precisa primeiro saber estar de pé. O dito evangélico “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão” (Mateus 7,5), constitui uma admoestação importantíssima para qualquer ser humano quando se trata da correção fraterna. Em geral, há tendência de começar pelo caminho inverso, de mudar o outro, de tentar corrigir o outro sem olhar para si. Mais ainda, de achar que o outro é que é culpado e que precisa mudar de atitude. Diria Sartre: “O inferno são os outros”. Parafraseando: “O demônio é o outro”. Por essa razão, há quem passe a vida lutando e sofrendo na tentativa de mudar o outro, de corrigi-lo, e transformá-lo na sua imagem e semelhança. Isso pode ser (também), em nível familiar, escolar, social, tribal, planetário etc. Aos poucos, quem sabe, depois de cem anos, se percebe que o outro não muda ou não mudou, apesar de todos os meus esforços. E, avaliando toda a trajetória, fica a triste decepção de uma constatação trágica: o desgaste inútil das tentativas de mudanças. Uma vida investida no absurdo de uma teimosia desnecessária. Corrigir, enquanto desejo mudar o outro, dá muito trabalho, e trabalho sem frutos. Nada mais cruel a se constatar depois de muitos anos de aplicação nessa inutilidade. A mudança que de fato produz algum fruto é aquela onde se consegue com suor e afinco: corrigir-se e aperfeiçoar-se no aprendizado diário das próprias correções. Corrigir-se é erguer-se e ficar de pé, seguindo avante, diante de cada obstáculo ou dificuldade que a própria vida pessoal, familiar, social, impõe diariamente a cada um. Esse ficar de pé é um reger-se autonomamente, no sentido de jamais esperar pelo outro ou forçar o outro a ser como quero e espero. Aliás, reger tem dentro de si a palavra rei. E rei enquanto aquele que rege a si mesmo. Rei não como aquele que chegou lá em cima oprimindo pessoas, tornando-as súditos. Mas, como aquele que alcançou autoridade junto aos demais por ter permanecido de pé na linha de frente dos combates. Por ter vencido com os companheiros e conquistado a confiança e lealdade deles. Rei como aquele que aprendeu a colocar ordem no próprio reino interior, nos seus impulsos, nos seus juízos, domesticando tudo o que era rebelde, sem domínio, e sem orientação. O rei, neste caso, antes de corrigir o outro, impondo sua compreensão sobre o que acha que é maior e melhor, é alguém que compreende muito bem a si e, por isso mesmo, ajuda os demais a se compreenderem e a ficarem de pé nos grandes desafios. Correção, por sua vez, é arte de cor+regere, que no fundo é ter coração de um regente, de um rei. Quem não tem coração de regente, de um rei, de alguém que aprendeu a ficar de pé frente à vida no que ela tem de alto e baixo, de grande e pequeno, de bom e ruim, de forte e fraco, enfim, de todas as suas exigências e vigências, esse julga falsamente e não serve para corrigir os demais. Não tem autoridade e nem credibilidade para ajudar o outro a ficar de pé. Pelo contrário, ao querer corrigir sem autoridade, sem conhecimento e sem credibilidade, é semelhante (tal qual diz São Paulo na carta aos Coríntios 13, 1) ao metal que soa ou o sino que tine. Com outras palavras, é uma inutilidade! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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13 de fevereiro de 2017
Ousa dizer a verdade: nunca vale a pena mentir. Um erro que precise de uma mentira, acaba precisando de duas.” (George Herbert, poeta inglês, 1593-1633).

Jamais mentir. A mentira destrói a pessoa e seus relacionamentos, age em silêncio no cérebro, como a oxidação no ferro. Vai consumindo sorrateiramente; devagar, de dia e de noite. Nem adianta uma camada de tinta para disfarçar, pois ela continua a deteriorar no escondido. Uma mentira puxa outras mentiras para se justificar, até ficar insustentável. Com o tempo a pessoa nem sabe mais o que é verdade de tanta mentira que contou. Para remover a ferrugem (da mentira) precisa retirar toda sua ação, desgastando tudo o que foi infectado e aplicar “anticorrosivos”. Então é mais fácil enfrentar as consequências da verdade do que viver na mentira. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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10 de fevereiro de 2017
Quanto menos os homens pensam, mais eles falam” (Charles Louis de Secondat, “Barão de Montesquieu”, filósofo e político francês, 1689-1755).
Para pensar, necessitamos um pouco de silêncio. Pensar é um processo mental de transformar em raciocínio lógico o que temos em mente. Para isso precisamos buscar os elementos que ainda desconhecemos para dar base ao nosso raciocínio. Quanto mais embasada for a nossa busca, mais segurança nós teremos para falar sobre o assunto. Como é um processo trabalhoso que demanda tempo, preferimos muitas vezes apenas repetir o que ouvimos, sem pensar sobre isso. Muitas pessoas agem assim, falam demais e sem muita segurança no que estão dizendo, pois abdicaram de sua capacidade de pensar. Por isso, São Francisco de Assis dizia que as pessoas deveriam ter um pescoço comprido como os de uma girafa para que as palavras demorassem a sair, dando assim oportunidade para serem bem pensadas antes de serem proferidas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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9 de fevereiro de 2017
Aquele que é fiel no pouco, também é fiel no muito e quem no pouco for infiel, também será infiel no muito”. “Aquele que é desonesto no pouco, também será desonesto no muito”. (Evangelho de Lucas 16,10).

A pessoa honesta detesta a mentira e será fiel em seus princípios em qualquer situação. Fidelidade é coisa de envolvimento até às últimas consequências com alguém ou com algo. Esse envolvimento significa, antes de tudo, sou o que sou com o outro, pelo outro e para o outro, em qualquer situação, e aconteça o que acontecer. Aconteça o que acontecer não arredo pé de ser e estar na fidelidade como valor maior de meu envolvimento. O tema fidelidade talvez ilumine um pouco do que acontece atualmente no cenário político, econômico, social, e, também, cultural do país. Percebe-se uma onda de indignação contra a greve dos policiais no Espírito Santo, onde vidas estão sendo deixadas na arena da morte para o espetáculo dos leões do crime e da violência. Sobre este aspecto, a Mídia tem dado a sua atenção e feito as críticas e ponderações necessárias para alertar a população para a gravidade deste triste espetáculo macabro. No entanto, temos que ter cuidado com esta orquestração, pois, pode haver mais do que aparenta. Há muitos grupos de interesses diferentes envolvidos. A quem interessa tanta bandalheira e sua divulgação? A quem quer transformar isso em ato político justificando que os arruaceiros o fazem em nome da indiganação, da reivindicação, da “justiça” e da melhoria da política e da vida social do país. No entanto, no modo como o fazem, caem na própria armadilha, pois, querem ser fieis nas grandes causas, mas tropeçam nas pequenas. As pequenas coisas ou causas são, justamente, estas de desrespeitarem o patrimônio público; tomarem o que não lhes pertence; de lesarem o próximo com seus ataques de raiva e insanidade, especialmente, em torno daqueles bens que a pessoa deu um duro na vida para conquistar. Muitos destes que saem às ruas pedindo cadeia para os ladrões e corruptos, são os mesmos que procuram subordinar professores, policiais e empresas para conseguirem um diploma; para escaparem de uma multa; e alcançarem um emprego. Muitos destes são os que vendo um caminhão de alimentos tombado na estrada o saqueiam como se fosse um ataque de piranhas no rio. Dizem que querem a melhoria do mundo, da sociedade, dos políticos e da política, mas ali onde estão e possuem a chance de serem honestos, éticos, justos e livres, se deixam também corromper, não pelas grandes fortunas ou grandes tentações do poder, dos bens e da riqueza, mas das pequenas coisas e do pouco das migalhas. Estes são os que destroem o próprio caráter em nome de pequenos furtos, pequenos tropeços, pequenas mentiras, pequenas falcatruas... até tornarem-se grandes na corrupção e destruição de suas vidas e da vida social. São estes que perdem a autoridade em suas reivindicações e na sua indignação. E são estes que se tornam vírus de contaminação do tecido social no que ela tem de mais podre e fétido. Pois, uma vez que se corrompem nas pequenas coisas, deixam enraizar em seu ser uma sólida árvore de frutos indignos para si e para todos. Então, vale, sempre de novo e de modo novo, pensar e abraçar o alerta religioso (mas que para nós tem um caráter profundamente ético), de que quem é fiel nas pequenas coisas e no pouco, o será também no muito e nas grandes. Nada mais rico e profundo para conduzir cada um e a todos na direção de convívio mais justo, humano e fraterno.  A chance está sendo dada a todos diante do caos. Quem puder entender, entenda! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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8 de fevereiro de 2017
Não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia” (Lúcio Aneu Sêneca, advogado, escritor e filósofo Romano, 4 a.C. – 65 d.C.).

Se buscarmos a origem da palavra “feliz” encontraremos a palavra “fértil”. Fértil é a terra ou terreno que é bem cultivado e produz algo de bom para o produtor. Para ser fértil a terra precisa ser adubada, arada, cultivada, molhada e trabalhada até sua consumação nos frutos ou produtos. Isso exige atenção, cuidado, espera e dedicação de quem trabalha a terra. Para ser feliz, então, é necessário cultivo dedicado e suado no terreno da existência, até que ela libere sua fertilidade, ou seja, sua capacidade criativa e criadora, no sentido de liberar o  melhor de suas forças para dar ou produzir bons “frutos”. Essa felicidade jamais se dá prejudicando alguém, ou melhor, procurando a infelicidade alheia. Procurar a infelicidade alheia pode ter aqui o sentido de prejudicar alguém com nossas atitudes e palavras; e pode ter o sentido de buscar ser como aquele que opta por um caminho e um estilo de vida destrutivo para si mesmo, à semelhança de quem mexe com drogas, roubo, crimes etc. Procurar isso é querer para si o que torna o outro infeliz. Isso destrói a ambos e impede em um e no outro a felicidade. Impede cada um de cultivar o solo do próprio coração para ser fértil, isto é, feliz. Sou feliz quando desejo e busco no outro, com o outro, e para o outro, aquilo que o torna feliz. Isso quer dizer que sou feliz quando busco a felicidade alheia. Pode ser que nessa compreensão é que podemos olhar e aprender do texto bíblico que ensina: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt 7, 12). Ou o seu contrário: “Tudo o que quereis que os homens não vos façam, não o façais a eles”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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7 de fevereiro de 2017
Quanto mais opções você tiver, maior será a sua angústia” (Leandro Karnal, professor de história e conferencista brasileiro, nasceu em primeiro de fevereiro de 1963).

Quanto mais tem, mais quer. A angústia em nosso tempo poderia ser caracterizada como uma espécie de ansiedade, ou seja, como aquele aperto ou sufoco no peito que, às vezes, não sabemos direito de onde vem e nem quando se vai. Só sabemos que a sentimos em todo o seu desconforto e estreitamento do ser. Uma realidade muito comum que desperta em nós a angústia, é a quantidade de opções com as quais nos vemos envolvidos no cotidiano. Opções são inúmeras alternativas que se apresentam para a nossa decisão e escolha. O problema da escolha é que em geral a fazemos movidos pelo ego que sofre por querer demais, ou por não querer de menos. Isso provoca uma espécie de apreensão e pressão. Apreensão por ficar na dúvida se vai mesmo obter o que espera e deseja. E pressão por imaginar que pode não obter o desejado e esperado. Em contrapartida, se a pessoa obtém tudo o que deseja das muitas possibilidades que se apresentam, o vazio, que é um dos maiores sintomas da angústia, se instala. É o vazio do descontentamento de quem está com tudo, mas sente que não tem nada, pois está dividido e sem saber o que de fato escolher para se lançar. A divisão, no caso, é desperdício de energia, ou seja, aquela sensação de não estar nem lá nem cá. É como vazamento de combustível por vários buracos. Ao final, tudo o que injetava energia e movia a pessoa, se esvai. Essa sensação de não ter aproveitado bem nada das muitas opções, embora tenha se investido tanto, é a angústia. No fundo, angústia é dispersão de energia diante das muitas opções. E, por isso mesmo, um viver disperso por falta de “concreteza” (ser real), de humildade e foco na situação na qual se está envolvido ou se tem às mãos. Diante das muitas possibilidades ou opções que continuamente se mostram aos olhos, ao coração, à mente, ao espírito, o importante é escolher uma única possibilidade e doar-se a ela até o limite da doação, de forma fiel, perseverante e única. Isso pode não dar grandes resultados no início, mas ao invés de gerar o vazio da angústia, produz contentamento, gratidão e leveza de ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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6 de fevereiro de 2017
Você nunca achará o arco-íris, se estiver olhando para baixo” (Charles Spencer Chaplin, autor, diretor, produtor e empresário britânico, 1889-1977).

Para poder ver, nossos olhos devem estar abertos e olhando na direção certa. O arco-íris é um fenômeno natural produzido quando a luz do sol é refratada nas gotas de água formando um arco com as sete cores do espectro solar. Para vê-lo, o sol tem que estar atrás do observador e as gotas de água a sua frente, formando um ângulo de 42 graus com seus olhos. Por sua beleza, muitas histórias são contadas relacionadas a este fenômeno. A mais popular é de se encontrar um pote de ouro em seu final. A visualização do arco-íris depende mais do observador e da posição de seus olhos em relação à luz do sol. No livro do Gênesis (Gn 9, 16), este arco está relacionado com a lembrança da aliança de Deus com os homens. O arco-íris também está relacionado com a esperança de um futuro melhor. Assim, nossa postura otimista diante da vida vai nos permitir contemplar dias melhores. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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3 de fevereiro de 2017
Há cordas no coração humano que seria melhor não fazê-las vibrar” (Charles John Huffam Dickens, romancista inglês, 1810-1870).

Vibram as cordas dos instrumentos musicais e produzem música. Vibrar é movimento de ir e vir. Numa linguagem popular se diz: “Tudo o que vai, volta”.  O coração humano tem essa dinâmica vibratória de ir e vir, no sentido de que tudo o que ele envia, volta. É assim até no coração com seu curso de batimentos, ao pulsar o sangue e fazê-lo circular pelo corpo, produziu vibração. Isso vale para as emoções que aparecem no corpo. Por exemplo, se estou com raiva de alguém e tenho vontade de acertar-lhe um tapa, este tapa é vibração da raiva, ou melhor, a raiva vibra com o tapa. O tapa em alguém produz o desejo de vingança, que depois retorna em forma de outro tapa. A alegria, a felicidade, a bondade, a simpatia, a gentileza, a cortesia, vibram do mesmo modo de dentro do coração humano e se manifestam como sorriso, contentamento, doação, amizade, cuidado e atenção para com os outros. Esses gestos vibram de tal forma no externo e no semelhante que mais cedo ou mais tarde retorna como gratidão, serviço, reconhecimento, colaboração, proximidade, etc. Se entendermos o coração humano como um instrumento de cordas que está continuamente vibrando, então é importante perceber que por vezes há nele também muitas emoções ruins e atrapalhadas que deveríamos evitar e não deixá-las vibrar, sob o risco de ir destruindo tudo o que encontra pela frente, e, mais cedo ou mais tarde, retornar a nós também em forma de destruição. Se vibrar é eco que sai e volta a nós, é inteligente esforçarmo-nos por deixar e fazer vibrar sempre o que há de melhor em nós. Talvez esteja nessa ideia a concepção simples e milenar das palavras de Jesus ao admoestar seus seguidores dizendo: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt 7, 12). “A boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12, 34). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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2 de fevereiro de 2017
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que inteligência, precisamos de afeição” (Charles Spencer Chaplin, ator, autor, compositor e empresário inglês, 1889-1977).

Quando caminhamos em direção ao amor, ele retorna com afeição. A indústria automobilística está testando carros e caminhões que são capazes de sozinhos seguirem o fluxo do trânsito, identificando semáforos, sinalizações e mudanças repentinas de trajetórias. Estacionam sozinhos em vários tipos de vagas etc, o que está levando a um questionamento, embora esteja melhorando a segurança no trânsito, como fica o ser humano em tudo isso? O ser humano deve resgatar o seu sentimento mais profundo de amor e afeição que foi sendo perdido com o tempo em disputas desnecessárias para superar os demais, sem entender que a nossa força está em sermos solidários uns com os outros. Será um processo longo de resgate do que é essencial, que é o amor sem medida. Receber bem um amigo que te visita, apoiar quem esteja fraquejando, corrigir quando alguém erra, em vez de se omitir, sendo exemplo e estímulo para os mais jovens, apontando o caminho do bem que supera o ódio. Mas acima de tudo isso, aprender a louvar e agradecer o Criador por mais um dia de vida junto com tanta gente boa. Temos amigos quando somos amigos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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1 de fevereiro de 2017
Ninguém é responsável pelo meu fracasso. Ninguém é responsável pela minha felicidade”(Leandro Karnal, professor de história e conferencista, nasceu em primeiro de fevereiro de 1963).

O cuidado em fazer bem feito até as coisas mais insignificantes, direciona para a excelência. Há quem enfrentando tempestades prolongadas de fracasso, ou experimentando os bons ventos da felicidade durante longa estação, tem a tendência de atribuir o primeiro (fracasso) ao diabo, o segundo (felicidade) a Deus. Ou ainda, atribuem o fracasso aos inimigos, invejosos, perseguidores e por aí vai. Quando se trata de felicidade alguns são lembrados como os colaboradores, amigos, parentes, professores, e pessoas afins. Embora, fique mais fácil e cômodo fazer essas atribuições a um outro, externo a si, para escapar de si mesmo quando se vai ao alto ou ao mais baixo abismo do desespero, na verdade é que cada um carrega o dom “de ser capaz, de ser feliz”, realizado; ou infeliz e fracassado. Não sou o autor consciente do fracasso e da felicidade, mas sou aquele que ao receber um ou outro, me responsabilizo pelo que recebo. Responsabilizar, neste caso, é responder. Mas, responder como um ato de compromisso de retomar e retornar o que foi recebido, “seja de onde vier”, ou como vier, e trasnformar aquilo em um bem. Ou seja, É devolver melhor do que se recebeu. Se o que recebo aponta para o fracasso, minha tarefa é transformar e devolver, não o fracasso, mas, o sucesso que nada mais é do que a energia do fracaso bem orientada para o bem. É como o pessoal que cata lixo reciclavel e transforma aquilo em algo útil para si e para os outros. Por sua vez, responsabilizar pela felicidade é saber que felicidade não cai pronta do céu, mas, tem que ser construída e cultivada na nossa lida diária, junto a todas as coisas. Aristóteles entendia a felicidade nesse sentido, isto é, como bem supremo. Não bem supremo que vem do além e do aquém, mas como uma tarefa cotidiana do homem ter que aperfeiçoar tudo o que faz e aperfeiçoar-se em tudo o que faz. Deste modo, está nas mãos de cada um o fracasso e a felicidade. Isto não vem de fora ou dos outros. O ambiente, os outros apenas influenciam, mas não determinam nosso fracasso ou felicidade. Fracasso e felicidade são duas faces da mesma moeda. São modos do humano lidar consigo mesmo e com tudo o que o toca e provoca. A questão é saber como se recebe o que se recebe, e o que se faz com o que se faz. Quem recebe mal torna mal o bem ou o mal que recebe; quem recebe bem o mal ou o bem que recebe, torna bem o mal e o bem recebido. Esse modo de receber e gestar para um bem maior se chama bem supremo. Na linguagem de Aristóteles, excelência ou felicidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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31 de janeiro de 2017
Esse mundo que aí está foi feito por nós, portanto, pode ser por nós reinventado” (Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro, nasceu no Paraná em 1954).

A palavra “mundo” ganha a dimensão do contexto. Esse mundo, cada mundo, o mundo de alguém, o meu mundo, o mundo... é sempre e será o que foi construído pelo humano. Mundo é o que fabricamos a partir do que somos e sonhamos. Mundo sou eu. Mundo somos nós. Sou parte dele e ele de mim. Aliás, eu e o mundo somos um. Não há como estar fora dele. Já nascemos no mundo. A única coisa que pode acontecer é a de estar nele e não ser dele. Bom ou ruim, grande ou pequeno, bonito ou feio... mundo, vasto mundo, meu mundo, ainda que imundo. Por isso, jamais posso culpar os outros pelo mundo que dizemos estar aí com todas as suas mixórdias e corrupções, achando que estou fora ou à margem dele. Quando digo, por exemplo, é culpa do Sistema, isso é uma forma de dizer que o mundo fora de mim é culpado, ou seja, aquele algo fora de mim tem culpa do que acho que não tenho culpa. No entanto, se estou no mundo eu sou parte dele e sou responsável por ele. Tudo dele e nele me diz respeito, ainda que não concorde com essa ideia. O mesmo vale para quando digo Sistema. Se estou no Sistema, sou parte dele. Então, tenho culpa na sua graça e desgraça; na sua fabricação e reprodução; na sua ruindade ou bondade; nas suas virtudes e vícios. Pois, mundo e Sistema é o que construo em parceria com tantos outros mundos como eu. O mundo presente, o mundo futuro pode ser melhor se reinventado, se melhorado, se transformado, se recriado, se responsabilizado. Daí a pergunta: que mundo desejo para mim? Qual mundo quero tornar melhor? Da resposta a essa questão depende o mundo de cada dia. Depende o meu mundo. E o meu mundo é mais o que sou do que o que faço. O que sou ressoa sempre no mundo dos outros para melhor ou pior. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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30 de janeiro de 2017
Em algumas escolas o aluno não repete mais de ano e terá quantas chances precisar para evitar a repetição até acertar. Isto não se parece com absolutamente nada na vida real. Se pisar na bola estará despedido, rua! Faça certo da primeira vez”. (Bill Gates, norte americano, fundador da Microsoft, nasceu em 1955).

As coisas só acontecem quando alguém toma iniciativa e faz. A maioria das pessoas têm que lutar todos os dias a partir da madrugada para conseguir realizar algo durante do dia. São felizardos, pois uma grande parte da população está desesperada à procura de emprego. É a criatividade que está mantendo muitos ainda vivos. Mas, para uma grande parte da juventude, a vida se resume em uma tela de algum smartphone onde o curtir alguma postagem irá melhorar o seu relacionamento com os amigos. Eles parecem viver em outro mundo baseado em fantasias. Quando se deparam com a realidade, e fracassam, tentam responsabilizar a todos por suas derrotas com palavras e atitudes agressivas. Nunca a própria falta de ação nos momentos corretos, porque estavam distraídos em suas ilusões. Está na hora de acordar deste sonho e perceber que sua vida depende só de você, nada virá por um passe de mágica; precisa se empenhar para valer e com muita coragem. Faça certo e bem feito, pois nem sempre terá uma segunda chance na vida real. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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27 de janeiro de 2017
A vida, a vida que ri e chora todos os dias, é mais importante que a própria dor” (Víctor Ruiz Iriarte, dramaturgo espanhol, 1912-1982).

Temos a força na alegria de vencer. Como um rio caudaloso, a vida segue seu curso vencendo obstáculos de todo o tipo, são pedras, remansos, troncos, etc. Nas pedras, a dor do atrito purifica; nos remansos, a alegria do descanso, o peso do tronco traz e o deixa em uma margem. Só chegará ao seu destino se souber vencer as dores dos infortúnios sem perder o ritmo. As águas que param pelo caminho viram pequenos lagos e acabam secando. Cada dia, uma nova surpresa a ser vencida. A força está na alegria e na esperança da chegada. Com alegria, até os momentos difíceis se tornam suaves e fáceis de serem vencidos, pois a vida é mais importante que a dor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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26 de janeiro de 2017
O orgulho é que produz o tirano, e quando tiver em vão acumulado excessos e imprudências, cairá do pináculo de seu poder num abismo de males, de onde não poderá sair jamais” (Sócrates, filósofo grego, 470-399 a.C.).

Orgulho é sentir prazer e satisfação com tudo o que é seu. Orgulho é um dos sete pecados capitais, pois confia mais em si e em sua capacidade do que em Deus. Nas páginas da Bíblia, do orgulho de Lúcifer é que lhe vem a ruína, pois deixa sua condição de anjo e passa a ser demônio. No Cântico do Magnificat, diz que Deus desconcertou os corações orgulhosos e exaltou os humildes. Para o orgulhoso, ele já é perfeito, portanto não aceita correção, nem pede ajuda, gosta tudo do seu jeito, além de querer dar palpite em todos os assuntos. Com isso fica difícil admitir que cometa erros. Para sair desta condição, só com muita humildade, reconhecendo seus erros e pedindo a ajuda de Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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25 de janeiro de 2017
Como lindas flores coloridas, mas sem aroma, são as doces palavras de quem fala, mas, não vive de acordo com elas” (Buda, filósofo hindu, 563-486 a.C.)

Falar é fácil, praticar é que é difícil. As palavras são uma das formas das pessoas se comunicarem. Podem ser ditas, escritas ou visualizadas em forma de sinais. Sua função é transmitir uma mensagem de um emissor para um ou vários receptores. Estes por sua vez entendem esta mensagem conforme sua capacidade de interpretação e estado de espírito. De certa forma, falar é uma arte de se comunicar. Quem domina esta arte pode encantar uma plateia com suas palavras. Pode, inclusive, induzir comportamento. Mas, há uma grande distância entre falar e viver o que se fala. Por isso, quem muito faz pouco fala. Em outras palavras, quem só fala depois de vivenciar o que vai falar, sabe como é comprometedor falar do que desconhece ou que ainda não foi praticado. Prefere demonstrar com atos o que diz. Assim suas palavras têm credibilidade. Cuidado com palavras falsas, mentiras, calúnias, fofocas, etc, pois “A boca fala do que o coração está cheio” (Mateus 12), ou seja, pelas palavras que profere a pessoa demonstra o que tem em seu coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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24 de janeiro de 2017
Eu cheguei à compreensão que o único modo de salvar o mundo da guerra, de salvá-lo do ateísmo, é a conversão da Rússia de acordo com a mensagem de Fátima” (São João Paulo II, papa de 1978 a 2005, de origem polonesa, 1920-2005).

Totus tuos” (“todo teu”, lema de João Paulo II). No dia 13 de maio de 1981, o Papa João Paulo II, durante uma audiência pública em Roma, abaixa-se para abraçar uma menina que estava vestida com a imagem de Nossa Senhora de Fátima; neste momento Ehmet Ali Agca, (assassino profissional turco) faz dois disparos em direção à sua cabeça; mas, como havia abaixado, erra e atinge dois peregrinos, fez um terceiro disparo e atingiu seu abdômen. O papa ficou seis meses hospitalizado. Durante este tempo, ele aprofunda seu conhecimento sobre o segredo de Fátima. No dia 25 de março de 1984, ele consagra a Rússia a Maria, atendendo ao pedido de Fátima (era para ser como todos os bispos do mundo). Em 9 de novembro de 1989, cai o mundo de Berlin como consequência. A outra condição era que o mundo estivesse sempre em oração para livrar o mundo do ateísmo. O ateísmo é não acreditar em Deus e nesta condição, tudo é permitido, inclusive matar o corpo e a alma, em nome da liberdade. Este pedido de oração depende de cada um de nós, independentemente da religião que professa. Deixar para que os outros façam nossa parte é covardia. Vivemos a consequência deste ateísmo em nossas cidades. Que tal começar a orar hoje? (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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23 de janeiro de 2017
O inferno está cheio de boas intenções e o céu de boas obras” (dito popular).

Quem quer, faz; quem não quer, apenas planeja. Quantas coisas nos propuseram fazer e quantas foram realmente concretizadas? Um conto infantil narra a proeza de um grupo de ratinhos que tiveram a grande ideia de colocar um guizo no rabo do gato para alertá-los quando este se aproximasse. A proposta foi aprovada por unanimidade. Só que ninguém se voluntariou para executar devido aos riscos existentes. Assim acontece na vida: temos muitas ideias, mas sempre aparecem empecilhos que acabam desviando nossa intenção. Por isso, é importante a coragem e a disposição para começar sem demora, pois nosso querer é dinâmico e sempre estará faltando algo para melhorar e com isso as coisas vão sendo adiadas. Faça enquanto pode. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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18 de janeiro de 2017
A natureza nos mostra apenas a cauda do leão. Mas, eu não tenho dúvida de que o leão exista, mesmo que ele não possa revelar-se de uma vez por causa de seu enorme tamanho” (Albert Einstein, físico alemão, Prêmio Nobel de Física em 1921, 1879-1955).

Somos mais do que podemos imaginar. Leão é um animal carnívoro da família dos felídeos. Conhecido como o rei dos animais pela beleza e agilidade, inspirando medo e respeito. Einstein foi um físico que em seus trabalhos foi além do óbvio, buscou as raízes, e com isso desenvolveu a teoria da relatividade geral, que ao lado da mecânica quântica, estabeleceu as bases da física moderna. Com sua base de conhecimentos, comparou o que se apresenta na natureza apenas como a cauda de um leão, pois seu todo permanece oculto para quem se contenta apenas com o básico. E assim é, pois em todos os campos do conhecimento, o que se apresenta é apenas uma pequena parte de um todo apenas acessível pela busca apaixonada do saber. Algo semelhante acontece com os seres humanos; o que se apresenta é apenas uma parte de algo muito maior, desconhecido muitas vezes pela própria pessoa, que ainda desconhece as maravilhas de seu ser. Quando nos conhecermos, aprenderemos também a descobrir maravilhas em nossos semelhantes e a respeitá-los como uma obra prima do Criador. Isso também é amar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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17 de janeiro de 2017
Quando eu me encontro em momentos difíceis, Mãe Maria vem para mim. Não haverá tristeza, deixe estar.” (primeira estrofe da música “Let it Be” música de James Paul McCartney, dos Beatles)

O amor de Deus não é privilégio dos que professam a fé. Embora possa parecer que esta música tenha um cunho religioso, se referindo a Maria Mãe de Jesus, na verdade foi escrita devido a um sonho que James Paul McCartney teve com sua mãe (Mary McCartney). Os Beatles estavam vivendo um momento difícil; e de certa forma, ele era o único que ainda se importava com a banda, e neste sonho, ela, que já havia falecido havia dez anos, se apresenta com um semblante de paz dizendo “tudo ficará bem, não se preocupe, pois tudo se acertará”.  Ela era fumante, e foi diagnosticada com câncer na mama, e antes de ir para fazer “mastectomia”, deixa tudo pronto em casa, até o uniforme das crianças e diz à cunhada, “está tudo pronto, caso eu não volte”. Ela falece na cirurgia. Esse sonho deu para ele forças para continuar. Vejo neste episódio um pouquinho do amor de Deus. Ele, mesmo sem fé, se encontra perdido e desesperado, e um sinal de esperança se acende através de um sonho com sua mãe. Deus não faz distinção de pessoas, ama a todos. Se tudo em volta está difícil, há outra mãe Maria, que diz algo semelhante a você: “Não se preocupe, tudo vai dar certo, confie em Deus”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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16 de janeiro de 2017
Bulimia e anorexia são as reações patológicas mais comuns para as contradições e os desafios típicos de nosso modo de vida, em particular, dos aspectos egocêntricos e consumistas” (Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, 1925-2017).

Nossa sociedade de certa forma está doente. A palavra “bulimia” traduz a ideia de uma fome insaciável, e a palavra “anorexia” traduz a da perda acentuada do apetite. Elas são reações de nosso inconsciente diante da massificação a que fomos levados. “Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional que elimina a fronteira que antes separava o público e o privado, expondo publicamente o privado numa virtude e num dever público”... “(idem). O autor compara este comportamento como se todos nós estivéssemos patinando em uma camada de gelo fino, se diminuímos a velocidade, podemos cair, por isso estamos sendo levados. “Os consumidores podem estar correndo atrás de sensações... expostas nas prateleiras... mas, estão também tentando escapar da agonia chamada insegurança... quando vão às compras é que eles trazem consigo temporariamente a promessa de segurança” (idem). Embarcamos neste trem bala, pois, pensamos primeiro em nosso bem estar, e neste conjunto de egocêntricos, perdemos nossa identidade, esquecemos das origens e de nossa base de fé que nos dava a certeza de nunca estarmos sozinhos. Devemos nos questionar um pouco para vermos qual o caminho que estamos seguindo, e quem sou eu neste modelo de sociedade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia!
(21 anos)

 

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13 de janeiro de 2017
Deves se prevenir bem de água parada, de um cachorro silencioso e de um inimigo calado” (Provérbio Judeu).

Antes prevenir do que remediar. Prevenir é ter cautela, estar atento e tomar atitudes que evitem catástrofes. Águas paradas são profundas e escondem perigos em lugares abertos, e geralmente podem estar contaminadas em ambientes restritos. Os cães latem conforme a raça e o comportamento de seu dono. O latido é uma das formas de comunicação do animal. Quando está em atitude de cão de guarda, late para chamar atenção e conter um possível invasor. Mas, quando o animal é feroz ele prefere o silêncio para poder agredir de surpresa quem o ameaça. Um inimigo calado esconde suas atitudes, o que dificulta uma possível ação prévia de defesa. O provérbio recomenda cautela em todos estes casos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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12 de janeiro de 2017
Pode ser chamado de herói tanto quem triunfa como quem sucumbe, mas, jamais quem abandona o combate” (Thomas Carlyle, historiador, pensador e ensaísta inglês, 1795-1881).

A decisão de dar o primeiro passo está em quem caminha. A palavra “herói”, de origem latina, é atribuída a alguém com muita coragem, cujos feitos ultrapassam o comum dos mortais, enfim alguém que provoca admiração por suas realizações. Normalmente os heróis se revelam em momentos difíceis, enquanto todos se escondem, o herói enfrenta as dificuldades com determinação. Ao herói se presume que, além da coragem, ele tenha uma inteligência capaz de correr um risco calculado, ou seja, quando o inimigo é muito maior, em vez de enfrentar “mano a mano”, usa-se uma “funda”, como fez David diante de Golias (1º Samuel 17, 4). Todos os dias a vida nos coloca diante de desafios, grandes ou pequenos; quanto mais vencemos, novos desafios sempre aparecem, desafiando nossa coragem e iniciativa, como se estivéssemos sendo treinados para coisas ainda maiores. Quem desiste e abandona o combate, em vez de paz, encontra remorsos a perturbar o seu sono. Lembre-se que; quando você toma a iniciativa e age, todo o universo está do seu lado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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11 de janeiro de 2017
A amizade é uma alma que habita em dois corpos; um coração que habita em duas almas” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322 a.C.).

Amizade é como sal, tempera, dá sabor, mas, se come aos poucos. Nossos parentes vêm a nós por força dos laços de família, nem escolhemos, mas os amigos somos nós que escolhemos. Nos textos sagrados (Eclesiástico 6) encontramos: “um amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o achou, descobriu um tesouro” e continua a falar do amigo. Mas, é uma via de mão dupla, ou seja, se quero um bom amigo, devo também ser um bom amigo. Com o tempo, sentimos que entre amigos de verdade as palavras até são desnecessárias, pois, o outro já sabe sem que tenha que pedir. Ele sente. Talvez, por isso que Aristóteles tenha dito que a amizade é uma alma que habita em dois corpos. Amizade é diferente de coleguismo. Colegas estão juntos para fazerem algo em comum, seja no serviço, na diversão etc; amigo, mesmo distante continua sendo amigo, pois foi o tempo que solidificou a amizade. Por isso, é que se diz: “para ser amigo de verdade, precisa antes de tudo, comer um saco de sal juntos”, ou seja, amizade se faz com o tempo, pois, o sal precisa ser comido aos poucos, é “amargo”, leva tempo, diferente do doce que geralmente se come às pressas até dar dor de barriga. Antes de querer amigos, seja amigo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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10 de janeiro de 2017
Entre dois indivíduos, a harmonia nunca vem dada, ela deve ser conquistada indefinidamente” (Simone de Beauvoir, novelista e intelectual francesa, 1908-1986).

A harmonia nasce quando esqueço um pouco de mim para pensar no outro. A harmonia é uma conquista. Em uma orquestra, cabe ao maestro organizar a harmonia entre os músicos, fazendo com que cada um ocupe seu lugar na musicalidade, nem mais nem menos, para que o conjunto saia perfeito. Por mais capaz que seja um músico, a beleza da música está quando o músico está em sintonia com os demais. Quando há respeito entre os motoristas, o trânsito flui. Quando há respeito entre os membros de uma família, há paz e amor. Mas, isso é fruto de uma conquista de minuto a minuto, onde antes de julgar ou acredito, e quando o outro desconhece, eu mostro com o exemplo antes de falar. Gritar só afasta os corações. Lembre-se do dito popular: “Pegamos mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de fel”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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9 de janeiro de 2017
Se quiseres ser sábio, aprende a interrogar razoavelmente, a escutar com atenção, a responder serenamente e a calar quando não tenhas nada a dizer” (Johann Kaspar Lavater, filósofo, poeta e teólogo suíço, 1741-1801).

Ouvir é uma arte. Falamos demais, entendemos pouco e quase nunca ouvimos. Normalmente, damos mais atenção quando o assunto nos interessa e temos algum conhecimento. Mas, o sábio, que deseja aprender, vai buscar o desconhecido. Além de escutar com atenção, ele esclarece suas dúvidas com perguntas pertinentes, sem querer aparecer. Tem sempre palavras de estímulo a quem busca o conhecimento. E quando nada tem a acrescentar, prefere o silêncio. Enquanto se cala, seus pensamentos estão processando tudo o que ouviu e aprendeu. Devemos ter a humildade de reconhecer que temos muito para aprender, e que até uma folha caindo pela ação do vento, pode nos ensinar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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6 de janeiro de 2017
Todos os reis o hão de adorar, hão de servi-lo todas as nações” (Salmo 71, 11 (Hebr 72, 11)). 
Jesus veio para todos os povos. O Evangelho de Mateus (2, 1-12) relata a chegada dos Reis Magos que vieram do Oriente a Jerusalém, e que confusão aconteceu quando o Rei Herodes tomou conhecimento. O Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, Cap 5, 10, refere-se a estes reis, dando-lhes os nomes de Melquior (ou Belchior), que reinava sobre os persianos, Baltazar que reinava sobre os indianos e Gaspar que reinava em países Árabes. Em outro documento datado no século VI, diz que Belchior era um velho de setenta anos que morava em Ur na Caldéia (terra de Abraão), Gaspar era moço e forte, tinha uns vinte anos e Baltazar era mouro, de barba cerrada, com quarenta anos de idade. Denomina-se na época Magos, quem tivesse grande conhecimento sobre Astrologia. Os presentes que trouxeram são ricos em significados; ouro representa a condição de Rei do menino, o incenso (olíbano), usado em cerimônias religiosas pelos sacerdotes, representando sua divindade e a mirra, planta medicinal misturada com óleo que era usada como remédio e para embalsamar os corpos numa ideia de imortalidade, fazendo referência à paixão de Jesus e seu papel de profeta do Altíssimo. Na cidade de Colônia na Alemanha, se encontram as urnas contendo os restos mortais destes reis, que foram transladados de Istambul. Vejo neste relato do evangelho de Mateus, que Jesus veio para todas as nações, como diz o Salmo, e todos os que procuram com afinco o encontram, como foi o caso dos Reis Magos, ou seja, Deus não exclui ninguém. Ele quer que todos sejam salvos e para isso devemos nos amar como irmãos, respeitando a individualidade de cada um.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

 

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5 janeiro 2017
Caríssimos: Esta mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros, não como Caim, que, sendo do Maligno, matou seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama pertence à morte. Todo aquele que odeia seu irmão é um homicida (assassino)” (1 Carta de João 3, 11-15).

Amor se demonstra com gestos. Quem ama de verdade, nem em pensamento deixa de amar. O amor se traduz em atitudes, em obras. Sendo assim, uma pessoa que é do bem, tudo o que ela faz, tem esta marca, são obras justas, ou seja, estão iluminadas pela justiça, são honestas, jamais tem a intenção de passar alguém para trás, ou levar vantagem indevida. Com esta atitude, forma com os demais irmãos que pensam da mesma forma, uma corrente do bem, onde o amor ao próximo está ali presente. Estes gestos nos colocam em outro patamar, dos que pertencem à vida que vence a morte. É o amor em todas suas dimensões que permite isso. Amor assim tem consequências, os que amam a maldade vão te perseguir, vão zombar, vão te chamar de otário e etc, ou seja, vão te odiar. Mas, a força do amor de seus irmãos, te dará coragem de acreditar que vale a pena amar como Jesus nos amou. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (21 anos)

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