Irineu 2016

José Irineu Nenevê - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - é autor do livro“Bom Dia e Bom Trabalho - Sabedoria para todos os dias”, Editora Vozes.
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Leia o Livro: BOM DIA E BOM TRABALHO, sabedoria para todos os dias. Ed VOZES.

José Irineu Nenevê
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Curitiba-PR

Todo dia ele escreve algo assim:

28 de dezembro de 2016
Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faça doces. Recomeça.” (Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, poetisa e contista brasileira, 1889-1985).

Tudo o que acontece conosco, de certa forma, nós é que permitimos. Até as doenças tiveram permissão de nosso inconsciente, mesmo sem querer. Muitas vezes somos levados pelos ventos das opiniões alheias, e deixamos de acreditar em nossa capacidade que nos foi dada por Deus. Estamos em mais um começo de um novo ano civil. Então: “Recrie tua vida, sempre, sempre. Remova pedras e plante roseiras e faça doces. Recomece”. Também o nosso “Bom Dia e Bom trabalho” terá um recomeço. Passaremos para 21 anos de sua criação. Agradeço a você que lê e curte o Bom dia, a você que compartilha o Bom Dia, a você que ora e pede a Deus para que possa ajudar muitas pessoas. Teremos uma pausa de alguns dias nas mensagens de “Bom Dia e Bom trabalho”. Mas, voltaremos. Desejo-te um FELIZ ANO NOVO, cheio de graça e alegria. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de dezembro de 2016
Para sonhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem que merecê-lo, tem que fazê-lo de novo; eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” (Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro, 1902-1987).

O ano novo começa no coração de cada um. O acontecimento de um novo ano no calendário civil, ou seja, um ano novo, é fictício (arbitrário). A data de primeiro de janeiro como o início de um ano novo foi arbitrado por um decreto do Imperador Romano Julio César no ano de 46 a.C., pois os Romanos dedicavam esse dia ao “Deus dos Portões” (Jano que deu origem ao nome de Janeiro) e este tinha duas faces, uma voltada para frente, simbolizando o futuro e outra voltada para trás, simbolizando o passado. Outras datas foram usadas como início do ano novo, tais como 1 de março, 25 de março, 1 de setembro, 25 de dezembro, dependendo da cultura. Só em 1582, o Papa Gregório XIII, unificou os calendários, e manteve o primeiro de janeiro como início de um ano novo. Mesmo assim, demorou um pouco até que isso fosse aceito pela maioria dos países. Hoje, a maioria aceita e comemora o dia 1 de janeiro como o início de um novo calendário civil. Portanto, as superstições decorrentes estão mais na cabeça de quem acredita do que em algum acontecimento. Ao mesmo tempo é muito bom recomeçar, deixar para trás o que nos faz mal e ter em mente uma vontade de começar melhor. Bons propósitos, coragem para recomeçar, coração forte para perdoar, alegria como fonte de energia e muita fé garantirão um bom ano novo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de dezembro de 2016
Naquela mesma região havia pastores no campo velando a noite, vigiando o rebanho. Apresentou-se-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu de luz e eles ficaram possuídos de grande temor. Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que é para todo o povo: Nasceu-vos hoje o Salvador, que é Cristo Senhor, na cidade de Davi. Este será o sinal: Encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura’. Imediatamente ao anjo se achegou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus dizendo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados’”. (Evangelho de Lucas 2, 8-14).

“Vigiai e orai, pois não sabeis o dia e a hora”. Quem estava dormindo naquela noite santa, continuou seu sono sem ser importunado, mas, um grupo desprezível pelos intelectuais religiosos do tempo e do templo, a eles foi dada a honra de conhecer em primeira mão este grande mistério: nasceu Jesus. Eram os pastores. Segundo o Padre Ângelo (teólogo e professor), os fariseus (grupo religioso judeu ultraconservador) consideravam os pastores como ladrões, enganadores e pecadores, pois, desconheciam os detalhes da lei judaica. Eles eram proibidos de serem testemunhas em tribunais. Não possuíam direitos civis. Nem podiam frequentar o Templo de Jerusalém. E é justamente a estes que o anjo aparece. Este fato demonstra que a lógica divina está muito longe da lógica humana. Os fariseus imaginavam ter o controle de tudo o que é do Céu e ditar as normas para o culto divino; continuaram dormindo e nem tomaram conhecimento que o Céu estava em festa pelo nascimento de Jesus e o comunicou a quem estava vigilante. Deus age aonde quer. Olhe com carinho para os pequenos e desprezados. Deus conhece a boa intenção do coração humano. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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23 de dezembro de 2016
Santa Mãe da Esperança que destes o Teu Sim em totais desapego e gratuidade, com irrestrita confiança, sejais norte e farol de luz a iluminar nossa caminhada. Ao depositar o nosso sim na manjedoura e ali encontrar o sim do irmão, auxilie-nos, frágeis como somos, a descobrir a nossa unidade em Deus, nosso Pai, que sendo Verbo, se fez carne, e habitou entre nós” (Lourenz Johannes Heimair, pensador, artista e escritor alemão, residente no Brasil). Este texto faz parte de um Projeto chamado “A Anunciação”, composto de ilustração e texto, no qual Lourenz deixa transparecer toda sua inspiração e amor ao Mistério da Encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo, mostrando-nos que no Sim de Maria, Deus nos dá a Mãe da Esperança. Convoca-nos a buscarmos em nosso interior a harmonia com tão grande mistério, através do amor a Deus e ao irmão. Com este texto quero te desejar um FELIZ NATAL, e que o Deus Menino encontre em seu coração, um lugar de amor e esperança. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom Dia e Bom trabalho! Feliz Natal (20 anos)

 

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22 de dezembro de 2016
Hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é o Messias, o Senhor! Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em panos e deitado sobre uma manjedoura” (Evangelho de Lucas 2, 11-12).

É chegado o natal cristão. Natal cristão é Cristo no centro das intenções e das atenções. Ele nasce de nossa carne humana para nos fazer nascer para a divindade. Eis o intercâmbio que se anuncia nesta festividade. O Criador que criou o universo nasce da criatura. Aquele que não é criado é feito. Aquele que o céu não conteve, faz-se frágil e pequeno. Aquele que é o autor do tempo e da eternidade entra em nossa história. N’Ele o invisível se mostra, o imaterial se encarna. Aquele a quem não se tocava pode ser tocado. Aquele que é Filho de Deus se faz filho do homem para nos tornar filhos de Deus. N’Ele o divino se humaniza e nossa humanidade é divinizada. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem confusão e sem divisão. Ele é o sinal, o sacramento onde Deus e o homem podem ser vistos e acolhidos. Ele é a criança, o recém-nascido envolto em panos de humildade, ou melhor, o Deus revestido de nossa humanidade. Enquanto recém-nascido, Ele nasce criança para nos conhecer desde o início da vida, para viver conosco, e, para que desse modo, possamos com Ele aprender a conhecer e viver com Deus. Ele foi deitado em uma manjedoura para adormecer, da mesma maneira como adormeceu no lenho da cruz. Ao adormecer nos acordou para a vida. É a partir de todas essas verdades acerca desse encontro do Filho de Deus e filho do homem que celebramos e festejamos o Natal cristão. Nosso Natal é um evento de Fé, onde proclamamos que Deus não é mais um deus distante e estrangeiro entre nós. Ele, em Jesus, é Deus conosco. D’Ele podemos nos aproximar e deixá-Lo se aproximar de nós. Podemos, em Jesus, voltar a Ele. E esse retorno é possível mediante nosso despojamento do homem velho revestindo-nos do homem novo. O Natal cristão é esse revestimento feito em forma de um nascimento novo em Cristo. Eis porque o nascimento de Cristo nada mais é do que o nosso nascimento. Como dizia Agostinho: “Que este nascimento se produza sempre” e “Para quê isto me serve se não se produz em mim?”, “Que ele se produza em mim é o que importa”. A celebração do Natal cristão é festividade que anuncia e realiza ininterruptamente a cada ano e a cada dia esse nascimento de Cristo em cada homem de fé, e de cada homem de fé em Cristo. Por isso, devemos dizer uns aos outros não apenas Feliz Natal, mas feliz nascimento! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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21 de dezembro de 2016
Ser Papai Noel, na noite de luz. Fazer uma oração, pro Menino Jesus. O amor está presente. Um anjo diz amém. Porque este menino somos nós também” (Trecho da música “Ser Papai Noel”, de Sérgio Reis, no CD Natal de Amor).

O brilho do Natal está nos gestos de bondade que cada um dá neste tempo natalino. Embora Papai Noel seja uma figura historicamente controvertida e, atualmente, ridicularizada e injustamente explorada pelo universo econômico de tantos, ele tem em seu simbolismo natalino algo que talvez somente as crianças e os puros de coração ainda captam e enxergam. Independentemente de nossas dificuldades com a imagem de Papai Noel, em decorrência, talvez, de nossas relações traumáticas com a figura paterna de sangue, ou com a ojeriza de uma imagem de um Deus ancião e barbudo a nos olhar e vigiar austeramente dos céus, a figura noelina tem em suas origens um dado essencial que a cada natal ainda se busca guardar e resguardar. Trata-se da mensagem que ele traz e traduz em seus gestos de anonimamente entrar sorrateiramente nas casas para discreta e silenciosamente deixar presentes. Na figura histórica de São Nicolau, um velho senhor rico da Turquia, que se vestia com roupa de bispo, e saía pelas ruas e casas deixando presentes, especialmente, para as crianças e famílias mais pobres, está encarnada a mensagem evangélica do dar com uma mão sem que a outra saiba. Ao mesmo tempo, estão concretizadas as palavras de Jesus que deixou como parte essencial de sua Boa Nova o preceito de dar de comer, de beber, de vestir e visitar seus irmãos em quem Ele se faz presente (“Pois tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber... Mt 25, 35-36). É o gesto do amor dispensado especialmente aos mais necessitados da bondade e compaixão humana. Talvez o Papai Noel em todos os tempos carregue essa imagem carismática de bochechas rosadas, pança graúda e barba farta para ser uma interpretação do carisma jovial, da alegria, da fartura e saúde, e do retraimento do próprio Deus, que se esconde em pessoas como Nicolau da Turquia, para fazer o bem sem olhar a quem. Dessa gratuidade divina é que a figura noelina é uma miniatura no seu esforço de traduzir esse bem ao mundo, no mundo e para o mundo dos Homens. Hoje, talvez, apesar da pouca credibilidade que se dá à figura do velhinho, contestando-o com nossa racionalidade fria e calculista (com suas influências cocalianas), não conseguimos tirar do encantamento das crianças e dos puros de coração essa imagem arquetípica que no fundo é convite para o que cada um é chamado a ser na imitação da generosidade divina neste mundo, isto é, ser papai noel uns para os outros na noite de luz. Ser papai noel uns para os outros é ser ao modo da bondade e gratuidade de Deus, onde ao oferecer qualquer gesto, qualquer palavra, qualquer presente, o fazemos sempre na alegria, na disposição gratuita, na discrição, e no retraimento da própria bondade que é Deus. Ao sermos papai noel somos a doação incondicional de nós mesmos ao próximo. Levamos ao outro na sua noite um pouco de luz; na sua tristeza, alegria; na sua carência, um gesto de amor; no seu ódio, um perdão; no seu distanciamento, isolamento e solidão, uma proximidade; na sua doença, um conforto; na sua solidão, uma presença; na sua pobreza, algo de nossa riqueza interna e externa; na sua lágrima, um sorriso; no seu desespero, uma esperança, na sua dúvida, a fé; na sua morte, uma prece. Ser papai noel é no fundo ser a cada natal, e a partir de cada natal, um Menino Jesus para os outros, ou seja, é ser um nascimento na graça, na ternura, no amor, na humildade e na singeleza de uma nova vida, transformada por Deus. E nascendo a partir e para essa nova vida, sermos uma dádiva para todos os seres deste mundo, especialmente, para o próximo mais necessitado da grandeza de nosso coração. Ser dádiva para o próximo é ser próximo. Somos próximos uns dos outros quando estamos alicerçados na fonte da vida que é Deus. Sem isso, somos estranhos, inimigos e concorrentes uns dos outros. É essa estranheza e inimizade que ofusca o brilho de Deus em nós; que distorce nosso natal cristão e que nos impede sermos papai noel uns para os outros. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de dezembro de 2016
É natal e no natal se pode fazer um pouco mais. É natal e no natal se pode amar um pouco mais. É natal e no natal se pode fazer um pouco mais. É natal e desde o natal pode-se acreditar mais.” (Tradução de uma música infantil italiana: “A Natale Puoi”)

O Natal cristão, quando bem compreendido, tem uma força incrível de nos levar a fazer, amar e acreditar um pouco mais. Fazer mais do que rotineiramente, durante o ano, fazemos. Fazer um pouco mais para a esposa, para o marido, para os filhos, para os pais, para os vizinhos, para os amigos, para os ricos e pobres, para os bons e maus. Fazer aquilo que até então não tínhamos coragem de fazer, talvez por vergonha, medo, impossibilidade, ou indiferença mesmo. Fazer não por desencargo de consciência, para nos sentirmos melhores ou por interesse de reconhecimento. Simplesmente, porque no natal, à semelhança da generosidade divina, podemos fazer mais. Nosso coração tem uma abertura de generosidade imensa que exploramos pouco, pois em geral, ele é estreitado pelo egoísmo e pela frieza que entope as veias de nosso ser mais gentil e amável. No Natal cristão, podemos amar um pouco mais. Amar porque o amor é fonte e arremate de todo e qualquer bem. Por essa razão, amar não somente os que nos amam e fazem bem, mas, também, os que nos perseguem, nos fazem injustiça e nos querem mal. Amar nessa medida e intensidade é aceitar o desafio de explorar e conquistar aquela liberdade de amar na grandeza, imensidão e profundeza do amor daquele que nos ama como somos e apesar do que somos, Deus. No Natal cristão podemos, também, acreditar mais. Acreditar mais em nós mesmos, em nossas potencialidades. Acreditar no irmão, no seu crescimento e na sua capacidade de superação. Acreditar no mundo e na sua transformação para melhor. Acreditar na vida e na sua condução que nos faz atravessar altos e baixos; que nos eleva aos céus e, também, nos afunda para o fundo do poço para nos ensinar o valor de um verdadeiro encontro conosco mesmos. No Natal cristão acreditamos um pouco mais em Deus, pois nossa fraca fé, costumeiramente, nos torna ingratos e vacilantes para com Ele. No Natal cristão se pode um pouco mais de tudo: no perdão, na alegria, na esperança, na generosidade, na abertura das mãos e do bolso (mesmo em tempos de crise). No Natal se pode e é permitido sempre mais, pois Deus a quem honramos nessa data, nos deu tudo o que tinha. E o que Ele tinha de mais e melhor era seu Filho. Nesse Filho, o Pai fez tudo o que podia ter feito por nós, nos amou como só Ele sabia e podia amar; e acreditou em nós a ponto de se entregar totalmente em nosso favor. Essa entrega radical, total e abissal de Deus é que se chama Fé. Podemos chamá-la, também, pelo nome de Encarnação. Na encarnação do Filho de Deus, Deus fez, amou e acreditou em nós. E o que fazemos no Natal cristão é procurar compreender, amar, corresponder, imitar e celebrar essa iniciativa e ação Divina em nós, conosco e para nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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19 de dezembro de 2016
Maria sua Mãe (de Jesus) estava prometida em casamento a José. Mas, antes de morarem juntos, ficou grávida do Espírito Santo. Sendo um homem JUSTO e não querendo denunciá-la, José, seu marido, resolveu abandoná-la sem escândalo” (Evangelho de Mateus 1, 18-19).

Naquele tempo, o noivado durava um ano, e neste período os noivos já vivenciavam a fidelidade matrimonial. Em caso de rompimento deste compromisso, o marido poderia denunciar a esposa, que seria morta a pedradas. José, por ser justo, resolve assumir a culpa de abandoná-la, evitando qualquer suspeita sobre ela. O termo “JUSTO” ocorre 183 vezes na Bíblia. Seu significado está mais ligado à integridade, retidão moral, ajustado, centrado, maduro (no sentido de completo). Foram pessoas abençoadas por Deus. Assim era José, um homem de poucas palavras, mas centrado em seus deveres. Entende a mensagem do Anjo, e sem questionar, acolhe Maria. Nos dias de hoje é difícil encontrar um homem justo, que mais age e pouco fala. Falamos demais, e mesmo por isso, pouco nos entendemos. Damos ouvido a muitas coisas sem mesmo saber da veracidade do que foi dito. Na preparação para o Natal, precisamos de mais ação concreta de amor e menos de palavras de felicitações. Prefira dar um abraço e um sincero sorriso do que mensagens de celulares. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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16 de dezembro de 2016
Que todo vale seja aterrado, que toda montanha e colina sejam abaixadas: que os cimos sejam aplainados, que as escarpas sejam niveladas”! (Livro do Profeta Isaías, 40, 4).

Vale, montanha, colina, cimos e escarpas, são acidentes geológicos da natureza. Historicamente, sempre foram lugares estratégicos para se travar batalhas, para se esconder de perseguições, para contemplar a paisagem; e até para eliminar inimigos, no caso de lançar abismo abaixo. No mundo atual, são lugares de passeios, de turismo, de alpinismo e etc. No contexto bíblico, sempre foram lugares onde o Povo de Deus se abrigou, se escondeu, travou batalhas, fez experiências religiosas marcantes com o Divino, e fez travessias perigosas rumo ao destino que os aguardava. Com o tempo, tais lugares se tornaram símbolos de experiências profundas que forjaram o espírito do Povo de Deus para lidar com outras formas de desafios, dificuldades, tentações e provas de todos os tipos e nos mais diversos lugares. Vale, montanha, colina, cimo e escarpa se transformaram em imagem de todo e qualquer enfrentamento do espírito com realidades opostas ao projeto de vida do homem bíblico na sua relação com o Divino. Mas, também, de todo o esforço, penitência, sacrifício, doação e empenho para guardar o essencial de sua fé religiosa. Quando na Igreja se lê esse texto de Isaías no tempo de Advento, o pano de fundo no qual se pensa a caminhada rumo ao Natal, está nesse espírito, ou seja, de uma travessia que supõe batalhas, enfrentamentos, tentações, provas, mas, também, esforços, penitências, sacrifícios, doação e empenho, para se deixar fazer em cada um uma travessia. Essa travessia é uma espécie de gestação, a gestação do Filho de Deus em nós e de nós em filhos de Deus. As batalhas e enfrentamentos, os sacrifícios e empenhos, aqui não são no sentido de sacrificações e empenho ético para sermos bem dotados em virtudes religiosas, mas um modo todo especial de curtir em nós o amor de Deus em meio a todos os desafios e obstáculos que nos impedem de sermos filhos no Filho e filhos como o Filho de Deus (Jesus). O Advento nos capacita nessa empreitada, nessa esperança e nessa realização. Por isso, é que aterramos vales, subimos montanhas, abaixamos colinas, aplainamos cimos e nivelamos escarpas. Numa linguagem religiosa poderíamos dizer, descemos ao vale da humildade, subimos a montanha da contemplação do amor Divino, abaixamos nosso orgulho (aquele que expulsou Adão e Eva do Paraíso e provocou a queda de Lúcifer), aplainamos nossa fé, no sentido de deixá-la nos guiar e nos colocar, ou recolocar, no Plano de Deus, e nivelamos nossas relações de fraternidade, pois, em geral elas são vivenciadas em nível de superioridade ou inferioridade para com o próximo. O advento é nossa chance de conquistar e de sermos conquistados por um novo Céu e uma nova Terra. Essa conquista não é algo do tipo exploração colonialista, mas, uma dádiva que corremos atrás até alcançarmos. Essa conquista nos faz habitantes de uma nova Pátria, a do Reino de Deus. E o que é o Reino de Deus senão o seu nascimento e seu reinado definitivo em nós?! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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15 de dezembro de 2016

 

“Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Evangelho de Lucas 21, 36).
Quem nunca se arrepiou com o anúncio destas palavras de Jesus? Arrepiou no sentido de medo. Medo de que esteja despreparado para a chegada de Cristo, especialmente, se a vida estiver um pouco fora do eixo e bagunçada? É comum algumas pessoas se apavorarem só em pensarem o que pode acontecer com elas e com o mundo se, de repente, Jesus, conforme se apregoa, chegar e pegar a turma de "calças curtas", vivendo de qualquer jeito nesta vida. Mas, será esse o sentido do texto evangélico? Meter medo e terror para quem não tem bom comportamento, tal qual o menino que é reprovado na escola por ter negligenciado com suas tarefas: ou o filho(a) que não ganha presente do Papai Noel no dia de natal por ter se comportado mal? Esse é um jeito todo moralizante e indigesto de ler e saborear as palavras de Jesus, especialmente, neste tempo de advento em que nos preparamos para o natal. O texto, porém, é um convite alegre e amável de Deus em sua Palavra para que a gente cuide de preparar-se bem para o que já se deu em nós: a Salvação. Salvação como Saúde ou vigor de Deus em nós. Ela já nos foi dada, mas devido ao nosso modo descuidado de lidar conosco, com a vida, com o próximo, e com todas as realidades deste mundo, vamos comendo tanta “porcaria” que nos intoxicamos e adoecemos nas raízes de nosso ser. A isso chamamos de perdição. Perdição enquanto perder o jeito de lidar com a Saúde, o entusiasmo, o vigor divino em nós. Quando perdemos esse jeito, essa saúde, esse entusiasmo e vigor, ficamos desajeitados e usamos mal o bem que recebemos até adoecermos pra valer. É como alguém que ganha na loteria e gasta com besteiras até perder tudo, ficando ao final pior do que estava antes de ganhar. Tempo de advento é um chamado especial da parte de Deus para termos Saúde de primeira, daquela que Deus tem, para, então, escaparmos dos males que Cristo venceu em nós e por nós com sua cruz. Esses males não se tratam de lista de pecados que desejamos serem absolvida de nossa consciência, mas de uma postura, de um modo de ser que tira nossa energia vital aos poucos, e que obscurece o brilho de nossa condição e de nossa dignidade de filhos do Criador. É um mal que nos adoece na raiz de nosso ser, nos enfraquece e nos impede de estar e de nos apresentar de pé diante do Filho do Homem. No advento cuidamos desta saúde, desse vigor e desse entusiasmo em nós, nos outros e no mundo, através do exercício da oração e da vigilância. Orar e vigiar no advento é permanecer em todo o tempo e lugar colado na cruz de Cristo, pois, só ela é que nos abre a possibilidade de um nascimento novo em Deus e de Deus em nós, por meio de Cristo e de sua cruz. A esse nascimento novo chamamos Natal. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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14 de dezembro de 2016
Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor” (Livro do profeta Isaías, 43, 3).

Em cada passo dado, o caminho vai se formando. Tempo do advento é um período propício para cada um que crê na Boa Nova do Evangelho: preparar o caminho do Senhor. O caminho do Senhor é o Senhor mesmo como caminho. Ele é caminho, Verdade e Vida. Significa, o único acesso a Deus por parte do Homem é só por Deus mesmo. Se Deus não vem a nós e não nos mostra o modo como ir a Ele, não sabemos como ir a Ele. Para mostrar como ir a Ele, Deus Pai, nos envia o Filho Jesus para se fazer caminho de volta ao Pai. E Jesus se faz caminho desde o nascimento até a morte de cruz. É o caminho de sua vida e a sua vida como caminho. Sua vida como caminho é o modo de amar como só Deus sabe amar. Assim sendo, preparar o caminho do Senhor não tem tanto a ver com aquela preocupação de desobstruir os impedimentos que nos afastam de Deus (embora isso seja importante fazer, se for o caso), mas de nos tornar discípulos(as) de seu modo de amar radical e absoluto. Aquele modo de amar revelado em palavras e obras por Jesus desde o nascimento até a morte de cruz. É esse o caminho que deve ser preparado. Ele já foi desbravado por Jesus. Agora cada um o prepara na medida em que o acolhe em si, e o percorre de maneira fiel e discipular. Ao mesmo tempo, cada um que se prepara para o advento do Senhor, é convidado a permanecer nesse caminho e dar testemunho dele em sua vida. Aqui não importa tanto se somos bons ou maus, moralmente falando. Importa entregar-se e colocar-se nesse caminho, e fazer dele o nosso curso e percurso diário, em toda e qualquer situação, para facilitar o advento do Filho de Deus em nós pelo modo de ser do amor do Pai. Sem isso, nosso natal cristão pode ser cheio de comida, de encontros familiares, de festas, presentes, obras de caridade aos pobres etc, porém, vazio de seu sentido mais profundo e real. Pois, tudo o que é feito sem esse modo de ser movendo toda a nossa existência, é estéril e sem sustentação, por mais boa vontade que tenhamos e façamos as coisas. Sem esse modo de ser nos envolvendo e revestindo inteiramente, seríamos a tradução e o resumo mais visível e concreto daquelas palavras do Apóstolo Paulo quando tece o hino ao Amor dizendo: “E ainda que [...], e não tivesse amor, nada seria”. (1Coríntios 13). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! 20 anos)

 

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13 de dezembro de 2016
Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa” (Martin Luther King, pastor e ativista político americano, 1929-1968).

As palavras têm o poder de encantar, mas também de magoar. Uma pessoa diante de uma flor se for um botânico, suas palavras irão classificar esta flor, sua dimensão é a ciência. Se for um poeta, suas palavras irão cantar a beleza da flor, sua dimensão é a poesia. Se for alguém ligado a decoração, suas palavras irão posicioná-la como parte de uma decoração, sua dimensão é a posição social. Um místico como São Francisco, suas palavras irão louvar o Criador por tamanha beleza, sua dimensão é a fé. E assim por diante. As palavras dão uma dimensão à realidade conforme a intenção de quem as profere. Assim, antes de se encantar ou se magoar quando alguém diz algo, procure entender por que empregou estas palavras, pois elas revelam o que está no coração de quem às proferiu, ou o que está ainda oculto por detrás destas palavras. Também pense bem antes de falar, pois suas palavras vão revelar o que está em seu coração. Por segurança, nunca diga algo sem ter certeza, muito menos sobre alguém, prefira sempre dizer algo bom, pois suas palavras têm o poder de criar amigos ou inimigos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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12 de dezembro de 2016
Não deixe o seu coração perturbado. Eu não estou aqui? Não temas a enfermidade ou angústia. Eu não sou sua mãe? Você não está sob a minha proteção?” (Mensagem de Guadalupe ao índio Juan Diego, em nove de dezembro de 1531).

O dia 12 de dezembro, em toda América, principalmente no México, se homenageia a Virgem de Guadalupe. A palavra Guadalupe (em espanhol) tem origem na língua “nahuatl” (língua indígena local) que significa “aquela que esmaga a serpente”, numa referência ao deus “quetzalcoatl” ou serpente de pedra, para quem os Aztecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Em 1487 foram imolados cerca de oitenta mil cativos em uma cerimônia que durou quatro dias. Guadalupe traz uma mensagem de confiança no poder de Deus, a todos os que estão desesperados por diversos motivos. Principalmente nos dias de hoje, pois são vários os que se encontram em situações difíceis, e esta mensagem se mostra atual quando pede que coloquemos nossa confiança em Deus, e que sua mãe está velando por nós como nossa mãe que estende seu manto protetor. Com fé, tudo é possível. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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9 de dezembro de 2016
Que vossa paz se multiplique” (Livro de Daniel 6, 26).

Ter paz, estar em paz, caminhar na paz, são os maiores desafios com o qual qualquer ser humano se depara rotineiramente. Em geral, somos mais habituados a estar longe ou fora da paz. Somos por demais ocupados e preocupados, agitados e nervosos, tensos e ansiosos, nos deveres e afazeres da vida. Habitados por tamanha inflação de inquietações, dizemos que não temos paz. A questão, no entanto, não é tanto a de se ter a paz, mas a de saber se a paz nos tem. Ter a paz é um modo de entender a nós mesmos e o movimento da paz. Achamos nesse entendimento que somos os sujeitos da paz, que ela tem em nós os seus protagonistas e fundadores. Quem entende assim acha que a paz é algo do seu empenho, da sua decisão e vontade. E por concebê-la nessa perspectiva se frustra quando se percebe sem a paz, ou quando a perde por qualquer circunstância adversa. Bem diferente é o modo de compreender a paz como aquela que nos tem, ou melhor, como aquela que é anterior a nós e às nossas iniciativas. Como aquela que nos funda, nos envolve, nos move e conduz. A paz que nos toma é um dom que nos abraça e enlaça; possui-nos e nos influencia em tudo o que fazemos e onde quer que estejamos. Essa paz está em tudo, está dentro e fora, no céu e na terra, em todas as criaturas, no uno e no múltiplo. Por estar no múltiplo tudo é alcançado por ela. Da mesma forma, multiplicar a nossa paz significa guardá-la na multiplicidade dos acontecimentos da vida, mesmo naqueles que são adversos, difíceis, desafiadores e negativos. Guardá-la na multiplicidade dos fatos e acontecimentos é aquela atitude de permanecer na paz, ou melhor, deixar a paz permanecer em nós, aconteça o que acontecer, esteja onde estiver. Com outras palavras, na família, no trabalho, no lazer, na escola, quando esperamos o ônibus que se atrasa, quando alguém nos humilha ou ofende, quando o outro investe contra nós todo o seu veneno de discórdia e oposição. Em tudo isso e muito mais, se a paz está em nós e, consequentemente, nós nela, nada nos perturba. Pois, onde ela está envolvendo e influenciando, tudo está em unidade e harmonia. Tempo do advento é advento no tempo, isto é, em toda e qualquer circunstância da vida. Na multiplicidade das coisas, das correrias, dos afazeres, dos preparos e reparos, dos embalos e abalos, somos chamados a permanecer em paz e na paz, visto que natal (para o qual o advento nos prepara) é celebração, proclamação e anúncio da paz entre os homens de boa vontade aqui na terra. É encontro da paz que vem do céu e da abertura daqueles que desejam a plenitude desta paz ainda neste mundo. O advento cristão é esforço de multiplicar essa paz para que o natal seja a festa e o júbilo desta multiplicação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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8 de dezembro de 2016
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida” (Evangelho de Lucas 21, 34).

A preparação começa pelos sentidos. Santo Agostinho gostava de dizer que “inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Deus”. Nosso coração tem uma sadia inquietude por não encontrar naquilo que procura o fundamento maior e mais radical da nossa existência. Agostinho foi alguém desse estilo, pois passou uma vida procurando o sentido maior e último de sua vida até encontrá-lo em Deus. Porém, existe outra inquietude que é aquela de ter o coração voltado para tudo o que nos distancia desta quietude. Longe da quietude somos dispersos, vazios e agitados. Gula, embriaguez e preocupações da vida são símbolos de tal inquietude. Gula é a dimensão do excesso e da apropriação. O guloso é o que vive a partir do desejo destemperado de satisfação imediata. Por essa razão se torna intemperado, egoísta e cobiçoso. Nada o satisfaz nem em termos de comida, nem em termos de prazeres e de posses. O embriagado é quem tem a consciência entorpecida, intoxicada pelo abuso da bebida e afins. Beber é símbolo daquilo que a pessoa toma, mas que na verdade toma a pessoa tornando-a de certa forma dependente. E uma vez que a toma, vicia e escraviza. Quem é tomado por algo que entorpece sua consciência, fragiliza sua vontade, sua determinação, suas ações e decisões. Preocupações da vida também inquietam negativamente o coração, no sentido de colocá-lo fora do real da realidade. O preocupado está sempre fora de si e de onde tem os pés. É um eterno habitante de lugar nenhum. Preocupação é falta de confiança em Deus, em si e na vida. No entanto, preocupação aqui não tem o sentido do ocupar-se com o hoje em vista do amanhã, como, por exemplo, quando temos uma festa amanhã e temos que providenciar os “comes-e-bebes”, hoje, deixando tudo preparado para o dia seguinte. A preocupação da vida significa que impedimos a vida ser e se dar em nós livremente, mas queremos controlá-la, manipulá-la para que seja do jeito que queremos. Viver assim nos deixa insensíveis, ou seja, com os sentidos despreparados para bem receber e bem experimentar tudo o que é importante e essencial para nossa vida. O tempo do Advento cristão que nos prepara para o Natal do Senhor, pede esse cuidado para com os sentidos para não nos tornarmos insensíveis. O insensível, assim pensado, fica anestesiado e despreparado para receber e experimentar bem as riquezas e bênçãos presentes no Natal do Senhor. Devemos cuidar bem do que precisa ser cuidado para termos a sensibilidade mais apurada de captação do verdadeiro sentido e significado do Natal cristão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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7 de dezembro de 2016
O Senhor está pra chegar, já se cumpre a profecia; o seu Reino então será liberdade e alegria” (Parte da estrofe de um canto da Liturgia do Advento, “O Senhor está para chegar”).
O advento que nos prepara para o natal cristão é alerta, profecia e realização. Alerta enquanto provoca, convoca e evoca o Cristo que já está em cada ser humano, uma vez que Ele se fez carne. A cada ano, a cada advento se renova esse alerta de expectativa para deixar o Cristo em cada um se aproximar, se achegar, ou aflorar de dentro para fora de sua vida. Dizer que o Cristo está para chegar é o mesmo que dizer que Ele só está esperando uma brechinha para se manifestar naquele (a) que o aguarda. É profecia enquanto anúncio de que Deus vem a nós e denúncia de tudo o que impede sua aproximação e ação em nós. Isso requer, antes de tudo, denunciar em nós mesmos, ou melhor, acusar e colocar no tribunal interior, ou de nossa consciência, o que desfigura, ofusca e macula a Imagem de Cristo em nós. Essa Imagem é constantemente apagada em nós pelo egoísmo e pelo desamor, pois é o mandamento do amor que expressa o Cristo em nós. É realização, porque ao invés de pensarmos que um dia, há milênios atrás, Cristo veio na forma humana e habitou entre nós, proporcionando realização a todos os que ouviram sua voz, amaram sua pessoa e seguiram seus ensinamentos, passamos a perceber que se Ele está em nós e nós estamos n’Ele, então tudo em nós se cumpre de maneira plena e perfeita. A realização é esse cumprimento da Palavra e dos ensinamentos de Cristo em nós. Por sua vez, quando ela se cumpre em nós, alcançamos a liberdade e a alegria dos filhos de Deus. O Reino de Deus é essa festa de liberdade e alegria tomando conta da gente e nos movendo em tudo o que pensamos, sentimos e fazemos, seja pessoalmente, seja em grupo ou comunidade de fé. Isso tudo significa afirmar que o Senhor que está para chegar não é alguém que de fora vem para nos visitar e salvar, mas é aquele que de dentro de cada um de nós pede para nascer, para chegar ao mundo e para ser o nosso natal, isto é, o nosso nascimento para a vida eterna. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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6 de dezembro de 2016
O cauteloso raras vezes se equivoca” (Confúcio, filósofo chinês, 551-479 a.C.).

Agir com cautela é uma forma cuidadosa de agir. O cuidadoso é quem tem o modo do cuidado. Cuidado é cuidar. Cuidar é curar. Curar no sentido “mineiro” de lidar com o queijo. O queijo mineiro precisa de muita cura. Essa cura é um processo longo e demorado, no tempo e através do tempo, de ir transformando a massa do futuro queijo na sua cor, aroma, peso, e sabor. É uma espécie de tempero que vai equilibrando aos poucos aquela massa até ela conquistar o seu ponto bom. E isso só acontece de fato com o passo a passo da “curtição” da massa. Portanto, cautela é uma atitude humana onde a pessoa vai aos poucos ponderando, dosando, e temperando as situações da vida e do cotidiano que a cerca. Essa ponderação, por sua vez, é que impede a pessoa de se equivocar no que quer que seja. Pois, equívoco vem de aequi+vox (igual+voz),  e quer dizer uma voz igual que confunde o ouvinte. É como falar ao telefone e a pessoa do outro lado escutar sons semelhantes sendo produzidos ao mesmo tempo para confundir a conversa, tanto de quem fala quanto de quem ouve. O cauteloso, no caso, é alguém, que sabe ouvir os sons nos seus detalhes, identificá-los e diferenciá-los no seu contexto de produção. Isso, por causa de sua experiência na arte de ouvir com atenção os sons e as vozes que se propagam aos ouvidos. Na vida cotidiana há que se ter cautela para tudo, especialmente na fala e nas atitudes, pois é daí que brotam os maiores equívocos nas relações entre as pessoas. A falta de cautela provoca mal entendidos, julgamentos precipitações, acusações injustas, provocações, e brigas com prejuízos para todos. Em contrapartida, a presença da cautela promove a justiça, a concordância, e ajuda a evitar todo tipo de confusão. O Tempo do Advento cristão é a oportunidade e o momento para as pessoas de fé terem cautela quanto à preparação para o natal cristão. Cautela para evitar os equívocos de uma celebração superficial e vazia em torno do sentido mais profundo do Natal. A esse tipo de cautela em relação ao Advento é que, biblicamente falando, os cristãos chamam de orai e vigiai. No caso do Natal cristão, orar e vigiar é uma atitude de curar a fé para se colocar de modo mais adequado e cauteloso na receptividade do nascimento de Jesus na pessoa e no munco que a cerca. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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5 de dezembro de 2016
O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte” (Mohandas Karamchand Gandhi, ou “Mahatma Gandhi”, advogado e líder político hindu, 1869-1948).

Para perdoar precisa ser forte. Talvez o perdão seja uma das atitudes humanas mais difíceis de praticar, pois se trata da iniciativa de um “agredido” sendo complacente com “agressor”, na maioria das vezes. Nossa primeira atitude é querer vingança, revidar a ofensa recebida, e chamamos por justiça. Bem natural esta atitude, pois coloca todos em um pé de igualdade. Mas, os fortes estão em um patamar acima, antes de reagir, buscam entender as motivações, compreendem as fraquezas de seu “agressor”, e oferecem seu perdão, abrindo um espaço para a paz, pois ela começa no coração das pessoas. Quem pratica o perdão está fortalecendo seu espírito na paz e seguindo a recomendação de Jesus (Mt 18, 21) que diz para perdoar “sempre” (“setenta vezes sete”). Pode parecer fraqueza aos olhos do mundo praticar o perdão, mas, os filhos do alto são muitas vezes incompreendidos diante dos que têm carência de luz em sua vida. Foi assim com Jesus, pode ser assim conosco.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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2 de dezembro de 2016
As pessoas não morrem, ficam encantadas” (João Guimarães Rosa, escritor brasileiro, 1908-1967).

Em um círculo, o fim é apenas o começo de outra volta. Quem já teve a oportunidade de observar alguém nos últimos instantes de sua vida, talvez tenha observado como é diferente quando esta pessoa tem fé ou não. A fé dá esperança e prepara o espírito para esta passagem. A falta dela normalmente causa angústia ao relembrar tudo o que está deixando e pesar pelo que deixou de fazer. De certa forma o mês de dezembro nos coloca diante do fim de um ciclo e nos provoca a pensar no que fizemos este ano. Quem tem fé começa a pedir perdão pelas falhas e a perdoar as ofensas recebidas para recomeçar o ano com energias renovadas. Para esta pessoa, o Natal será o ponto culminante. Quem se apega só ao material irá fazer um balanço das finanças e quando for supersticioso vai querer pular ondas e outros ritos afins. Para esta pessoa a noite do dia 31 será o ponto culminante. Talvez este tempo encante quem tenha consciência que estamos neste mundo de passagem, pois nosso destino é a eternidade. Cada um sabe em que acredita. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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1 de dezembro de 2016
O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano” (Isaac Newton, cientista inglês, 1643-1727).
Para enxergarmos, é preciso estar atentos e de olhos abertos. As palavras de Newton se referem a princípio a esta infinidade de conhecimentos sobre as leis do universo que ainda são desconhecidas aos seres humanos. Em outra ocasião ele diz: “eu não sei como eu posso parecer ao mundo, mas, para mim, eu pareço-me apenas como uma criança brincando na beira do mar, divertindo-me e encontrando um seixo mais liso ou uma concha mais bonita do que o ordinário, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo “indescoberto” diante de mim”. Penso que esta verdade do quanto ainda existe para ser descoberto vale também para outras realidades da vida, até mesmo sobre nossa própria existência. Só foi possível a esta “criança brincando” descobrir tanta coisa foi porque sua curiosidade estava aguçada e que a deixou se encantar pelo que encontrava. Tantas coisas passam aos nossos olhos todos os dias e nem mesmo notamos, talvez porque ainda estamos fechados em nós mesmos. Precisamos abrir os olhos, deixar os sentidos aguçados para percebemos esta infinidade de coisas a serem descobertas e que estão ao nosso redor. Nunca é tarde para começar a se encantar com a vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de novembro de 2016
A política ama a traição e abomina o traidor” (Itagiba de Moura Brizola, “Leonel Brizola”, engenheiro civil e político brasileiro, 1922-2004).
Existe um dito popular que diz: “Um gambá cheira o outro”, mostrando que entre iguais nada incomoda. Enquanto a nação estava de certa forma enlutada pela morte trágica dos atletas da Chapecoense na Colômbia, os “representantes do povo”, nesta madrugada (1h: 23min de 30/11/2016), na Câmara dos Deputados, aprovaram uma emenda às “10 medidas contra a corrupção”, que define “crimes de responsabilidade” contra Juízes e Membros do Ministério Público. Em outras palavras, querem colocar no banco dos réus quem ousar punir políticos corruptos. Acharam um jeito de acabar com a “Lava Jato” e passar a conta para o povo Brasileiro, em uma demonstração de poder e corporativismo. Aqui cabe outra frase de Leonel Brizola: “Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergona, que ao verem a chance de chegar ao poder, esquecem os compromissos com o povo”. Que Deus tenha piedade de nossa Nação. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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29 de novembro de 2016
Você nunca sabe que resultados virão de sua ação. Mas, se você não fizer nada, não existirão resultados” (Mohandas Karamchand Gandhi, “Mahatma Gandhi”, líder político hindu, 1869-1948).
Quem quer pescar precisa lançar o anzol. De nada adianta ficar sentado na beira da água, esperando que o peixe saia e venha a seu encontro. Da mesma forma, toda realização depende do mínimo de iniciativa. Com o tempo e a prática constante, os resultados vão melhorando. É assim que funciona. As coisas acontecem para quem faz. Quem recebe tudo sem nenhum esforço, nunca saberá dar o devido valor no que recebeu. Faça enquanto é tempo para evitar lamentos futuros. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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28 de novembro de 2016
“Não discutirá nem gritará, nem se ouvirá sua voz nas praças públicas. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha fumaçando, até fazer triunfar o direito” (Jesus, citando Isaías, em Mateus 12, 19-20).

A voz do coração é mais forte que muitos gritos. Normalmente quem quer ter destaque diante de um público, usa de diversos artifícios para ser ouvido por um maior numero possível de pessoas. São equipamentos de som, cartazes, palcos, mídia eletrônica, gritos e gestos grandiosos, sempre em lugares de maior concentração de pessoas, etc. No tempo do profeta Isaías (722 a.C.), também os oradores usam as praças públicas para darem seus recados. Isaías, no entanto, anuncia que o Messias será diferente, nada de gritos, Ele falará ao coração de quem quiser ouvir. E mais, resgatará o que aparentemente estava perdido, usando a imagem de um caniço rachado e de uma mecha se apagando. Assim como ele resgata a vida de um caniço rachado, que a maioria iria jogar fora, quanto mais ele fará com as pessoas quebradas pelas dificuldades da vida. Uma chama quase se apagando, para ser restituída é preciso jeitinho e muita atenção, caso contrário ela se extinguirá; da mesma forma o Messias irá resgatar a chama quase se apagando da esperança em nossos corações. Jesus fala aos corações com voz suave, é assim que ele nos resgata, mas para isso o nosso coração precisa confiar em seu amor. Com esta imagem de esperança e confiança é que começa nossa preparação para o Natal do Senhor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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25 de novembro de 2016
Uma comunidade é como um navio; todos devem estar preparados para tomar o comando” (Henrik Johan Ibsen, dramaturgo norueguês, 1828-1906).

Podemos viver como espectadores ou participantes na vida. A Política, a Sociedade como um todo, escolas e comunidades, a Igreja ou as Igrejas, a Ética, enfim, tudo o que reúne pessoas para a vida comum, traz consigo a responsabilidade pessoal e comunitária. Funciona como num barco onde se pode delegar alguém para assumir o comando, mas, que, ao mesmo tempo, não significa que os demais comandados não possam assumir quando solicitados ou quando a necessidade os convocar. Cada um e todos devem estar preparados para comandar. Não apenas comandar o outro, mas a si mesmo. Dar comando a si é não precisar que o outro fique dizendo o tempo todo o que se deve fazer ou não fazer. Na Política, na Sociedade, nas Igrejas e na Ética, existe a tendência de se esperar pelo outro. Se o outro faz, faço. Se não faz, não faço. Quando o outro não faz, fico do outro lado malhando, criticando e azedando tudo. Fico como se estivesse de uma janela vendo o circo pegar fogo e rindo da desgraça alheia. Quem entende, assim, será sempre comandado; e corre o risco de ver o navio, a Política, a Sociedade, a Igreja e a Ética, naufragar com ele ou ela junto. Ou melhor, tal qual um “Titanic”, começa a perder a direção, a bater e afundar. Quando se fala de comunidade estamos todos juntos, saibamos ou não, queiramos ou não. Nela não há posicionamento de distância. Estamos envolvidos até o pescoço. O que acontecer com um acontece com todos. Dependo de todos e todos dependem de mim. Daí a responsabilidade e a atitude de estar em constante alerta e senso de compromisso uns com os outros. Criticar negativamente, falar mal, murmurar contra, desejar o pior, só depõe contra quem o faz. É energia de “ping-pong” que vai, mas, depois volta contra quem lançou. No entanto, a boa inteligência diz que do mesmo modo que a crítica azeda, e o falar mal destrói e corrompe quem recorre a tais recursos, do mesmo modo o falar bem, o fazer algo bom, o envolver-se positivamente, o dar sua contribuição, também muda para melhor a comunidade. É questão de rever o modo como se está dentro do todo e procurar fazer sempre o melhor que pode e sabe. É desse comando e comandante que o navio da Política, da Igreja ou Igrejas, da Sociedade e da Ética se necessita hoje em dia. É disso que se tem fome e sede no momento para comunitarizar a vida humana numa direção mais promissora daqui pra frente. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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24 de novembro de 2016
Estamos perto do natal: haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios, (...) mas, é tudo falso. O mundo continua em guerra, fazendo guerras, não compreendeu o caminho da paz” (Desabafo do Papa Francisco sobre o natal em 19/11/2015 às 17h54min).
Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto. Penso que o Papa Francisco esteja triste ao ver que todo o esforço feito em favor da paz seja ofuscado pelas luzes e festejos e estes nos impeçam de ver quantos que ainda sofrem no mundo. É justo é louvável que o Papa Francisco com essa afirmação queira defender a centralidade de Cristo no natal cristão, bem como deseje que a festividade natalina seja a oportunidade de conduzir os homens ao e no caminho da paz. Sem querer ser mais Papa do que o Papa, muito menos mais Igreja do que a Igreja; é importante ressaltar outro ponto de vista que foi emudecido nessa fala, e impensado nesse pensamento, pois ele não era o foco desta fala do Papa. Trata-se de ver, também, nos símbolos natalinos uma expressão do sentido cristão do natal. É claro que em boa parte dos casos eles são usados para fins comerciais e banais, para ofuscar a figura de Cristo e do mistério de sua natividade. E, assim usado, torna a festividade superficial e hipócrita mesmo! Embora haja nos últimos decênios uma tentativa de obscurecer os símbolos natalinos dentro e fora das casas e Igrejas, para não tirar de cena o Menino do presépio e seu significado para a nossa Humanidade e Salvação (coisa que até cristãos conscientes o fazem por medo de pecarem contra o mistério maior), é importante lembrar que os símbolos natalinos nasceram da meditação dos textos evangélicos, como também da milenar experiência de “inculturação” e tentativa de adaptação de elementos de outras culturas e religiões para dentro do pensamento cristão. Eles são frutos de um esforço de leitura, interpretação e diálogo do ser cristão com a arte e a cultura de muitos povos, mesmo considerados “pagãos”. Os símbolos natalinos são a cristalização de um encontro, muitas vezes, marcados por desencontros iniciais com outras maneiras de ser e pensar dos povos. É o caso, por exemplo, da árvore de natal, que nasceu desse embate de encontros e desencontros com o paganismo, onde a árvore que era tida por eles como um símbolo sagrado, e foi confrontada com temas dos textos bíblicos da árvore do conhecimento do bem e do mal (do Gênesis), até chegar à compreensão da árvore ou do lenho da Cruz, onde foi colocado aquele que é chamado de Luz do Mundo, e da mística dos frutos. Do confronto e, ao mesmo tempo, do diálogo e esforço de “inculturação” com outros povos, é que o símbolo natalino da árvore encontrou aceitação sem dificuldades em várias nações do Ocidente onde o cristianismo se fez presente. Negar esse esforço de “inculturação”, apelando apenas para o discurso barato de condenação dos símbolos natalinos, dizendo que são símbolos “pagãos” e que apagam o sentido cristão do natal, sem perceber essa dimensão de riqueza e grandeza de um diálogo histórico que criou uma religiosidade popular e eclesial em torno deles, isso, sim, é tratar o símbolo de forma superficial e inadequada. Os símbolos natalinos só são uma farsa, de fato, como afirma o pontífice, quando se esquece ou se ignora essa realidade. Talvez por falta de aprofundamento na sua história, na sua teologia, na sua forma de “inculturação”, na sua espiritualidade e no seu valor psicológico e místico, é que se caia numa espécie de esquecimento, de banalização e ojeriza desses símbolos por parte de muitos cristãos. Lamentável quando isso acontece, pois eles não ferem em nada a centralidade do Mistério natalino e, muito menos, da figura de Cristo. Apenas o expressam de forma mais plástica, artística e gloriosa. É como se os símbolos falassem daquilo que nem sempre as palavras conseguem traduzir com toda a sua riqueza de sentido. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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23 de novembro de 2016
Afeiçoemo-nos aos dons e benefícios da paz, magníficos e sublimes” (São Clemente 1, foi o terceiro papa, batizado por São Pedro, nasceu em Roma, 35-101).
Quem promove a paz está sujeito a perseguições. Falar de paz quando tudo está calmo é fácil, mas diante de uma perseguição, só com muita fé. São Clemente viveu na época da grande perseguição aos cristãos, logo no primeiro século. Foi autor da Epístola de Clemente aos Coríntios, animando os perseguidos, e proclamando a importância de se promover a paz. Foi martirizado por suas convicções. Ainda hoje, quem busca a paz é perseguido. Vivemos em um império que manipula o pensar. Só tem vez e voz quem pensa conforme padrões estabelecidos. Essa intolerância está gerando um desconforto e esmagando nossas convicções. Temos a aprender a ouvir, pensar, e só aceitar como verdade o que realmente tiver fundamentos sólidos. Mas, acima de tudo, devemos buscar e promover a paz, pois ela é o princípio da fraternidade. Se os argumentos forem insuficientes, vamos usar a inteligência e mudar a forma de apresentar, quem sabe assim desperta a vontade de pensar e podemos chegar a um consenso. A paz nasce no coração de cada um de nós e cresce com o amor. O fogo do amor derrete os mais duros corações. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 de novembro de 2016
O ser humano só revela o que há de melhor nele quando é esmagado” (Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé, filósofo, escritor e ensaísta brasileiro, de 1959).
Esmagar é comprimir até arrebentar. Quase todo mundo (pra não radicalizar demais dizendo “todos”), se é um ser humano de fato, já passou pela experiência do esmagamento. Esmagamento é como ir ao fundo do poço, ao mais profundo do abismo de si mesmo e de suas misérias. Por incrível que pareça, quando volta de lá, volta diferente. Esmagado, mas, diferente. Em muitos casos, melhor. É que o esmagamento tem poder de nos prensar e de tirar o nosso melhor “caldo”. Aquele caldo que a gente no cotidiano nem sempre dá diante dos desafios e dificuldades, pois preferimos fugir, fingir que não vemos, ou ignorar, para não mostrar o que realmente achamos que podemos e sabemos. Quem de nós, por exemplo, só descobriu o que é sorriso, porque um dia já se sentiu muito triste ou chorou demais? Quem só se deu conta do que é felicidade, porque já viveu anos e anos abraçando à infelicidade? Quem só percebeu a capacidade que tem, e só encontrou o sucesso onde navega hoje, porque, tantas e tantas vezes, só se viu como inútil e fracassado? Quem, hoje, só se sente e se vê calmo e sereno, porque viveu tanto tempo movido pelo impulso da raiva e da ira? Quem, atualmente, se tornou bom e generoso, porque no passado foi, muitíssimas vezes, consumido pela maldade e avareza? Quem, no momento em que se encontra, está mais cordial e amoroso com as pessoas, porque já passou pelo vale de lágrimas do orgulho e da indiferença para com o próximo? Quem possui e é possuído por uma fé inabalável na atual existência religiosa, só porque um dia perdeu a fé e perdeu-se de fato na fé?  Ou, ainda, quem hoje, crê realmente na existência de Deus, porque, tal qual o Jacó bíblico, já lutou com Deus, ou duvidou d’Ele no mais íntimo de seu ser? Isso, porém, não significa querer e buscar toda e qualquer forma de esmagamento para sermos melhores um dia, mas é que, inevitavelmente, ele surge no curso da vida, sem nossa previsão e autorização. Se chega, no entanto, é para esmagar mesmo. Esmaga de tal forma que só deixa passar, ir adiante, o que é resistente e o que tem força de prosseguir em nós. Tudo o mais fica para trás ou na antecâmara da provação. É desse esmagamento, em última instância, que nasce nossa grandeza, nossa força, nossa disciplina, nossa dignidade, nossa liberdade, nosso autoconhecimento, e nossas virtudes. Talvez hoje sejamos um pouco melhores do que já fomos, porque passamos por poucas (em alguns casos, muitas) e boas (ou más) situações que nos esmagaram e nos provaram até o extremo. Hoje, aqui e agora, somos, enfim, o fruto desses esmagamentos que nos proporcionaram o caldo mais rico, mais profundo, mais saudável e mais vital de nossos embates conosco mesmos e com tudo o que nos dificultou um dia a vida e o caminho. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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21 de novembro de 2016
Qual é a cama mais cara do mundo? A cama de um doente. Você pode empregar alguém para dirigir o carro para você, mas não pode ter alguém para suportar a doença por você. Coisas materiais perdidas podem ser encontradas. Mas, há uma coisa que nunca pode ser encontrada quando perdida, a vida. Quando a pessoa vai para a sala de cirurgia, ela percebe que existe um livro que ele ainda tem que terminar de ler, o livro da vida saudável. Qualquer que seja o estágio da vida, estamos no agora. Com o tempo, vamos enfrentar o dia em que a cortina cai. Tesouros de amor para sua família, amor para seu esposo, para os amigos. Trate-se bem. Respeite e ame os outros” (trecho das últimas palavras de Steve Paul Jobs, inventor e empresário americano, 1955-2011).
Inegável a vida intensa e a criatividade de Steve Jobs. Ele fez história por sua dedicação e talento. Até que chegou o dia em que se viu diante da “cortina que caía”. Neste momento, sentimos a diferença entre uma pessoa que tem fé e de outra que coloca toda sua esperança apenas nas coisas do mundo. São Francisco de Assis, também viveu intensamente sua vida, mas, focado no amor de Deus. Seu discurso de despedida foi o “Cântico das Criaturas”. Nele ele louva a Deus por tudo, chamando de irmãos e irmãs, pois são filhos e filhas do mesmo Pai. Nu é posto no chão e expira rezando o salmo 142. Cabe a cada um de nós escolher como quer viver, mas, devemos ter em mente que esta escolha se refletirá no dia em que “a cortina da vida cairá”.  (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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18 de novembro de 2016
Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar” (Trecho da música, “apesar de você” de Francisco “Chico” Buarque de Hollanda).
Tristeza está ligada a uma postura psicológica do estado de humor que coloca a pessoa pra baixo. Pra baixo, no sentido de que toma tudo como se fosse sem grandeza, apoucado, sem valor, sem prazer, sem vida. O olhar do triste é para o chão (cabisbaixo) (“farol baixo”). Nega-se a olhar para o alto, para aquilo que abre os horizontes e aponta para a imensidão do céu. Por exemplo: em algumas Igrejas tudo o que é grande e significativo para determinados grupos está no alto (altar, Santíssimo, crucifixo, imagens). É para lá que se olha para contemplar, para prestar atenção em algo importante, e para captar e acolher o que é profundo e misterioso. Dessa contemplação e desse prestar atenção é que a pessoa sai do templo “pra cima”, renovada, transformada, e compreendendo mais e melhor as coisas para praticá-las de modo mais claro e jovial. O modo de ser triste pode ter muitas causas, muitas delas sem explicação aparente; porém, quando ela toma alguém é porque tem algo a lhe dizer. Dizer algo de sua postura com a vida, e na vida, no exato momento em que está vivendo. Significa que ela vem para avisar que a pessoa abandonou, por algum motivo, o caminho do “vigor” da vida. Aquele caminho e vigor do qual somente ela é responsável por acolher, cuidar, e dar sentido. Por essa razão, está nas mãos de cada pessoa triste, “desinventar” (reverter) a tristeza. “Desinventar” tem o mesmo movimento e a mesma dinâmica de quando inventou a tristeza, (se deixou abater). “Desinventar” a tristeza aqui é entrar pelo mesmo caminho que a fez vir, descobrindo as razões pelas quais ela veio (por que e para que veio), e dar nova direção e novo significado para suas exigências e convocações. Pode ser que a tristeza apareceu um dia em minha vida, porque estava muito apegado às minhas ideias ou modo de ver e fazer as coisas. Por ficar amarrado a isso, sem me abrir a outras opiniões, outra maneira de ver e fazer as coisas, a tristeza me golpeou de tal forma que fiquei pra baixo. Sentido e ressentido com tudo e com todos. Criei a tristeza como uma forma de defesa do ego, para que ele não sofra mais. E para não sofrer mais de rejeição, frustração, ou outra coisa que o valha, fico quieto no meu canto, calado, amuado, distante, irado e me machucando internamente. O fruto dessa postura é a tristeza, criada por mim. “Desinventar” a tristeza (ou a frustração), então, é pegar tudo isso de novo e, de modo livre, ousado, e criativo, abrir-me para o que antes me mantinha fechado, pois achava que só o que vinha de mim e do meu modo de ser e entender as coisas é que era verdadeiro e autêntico. Significa que: “desinventar” a tristeza não é tanto destruí-la e mandá-la embora, mas desmontá-la criativamente para enxergar nela o que estava escondido à minha sensibilidade e razão e que eu não percebia (como o trabalho de um perito em explosivos que busca nos destroços as evidencias que levaram o artefato a explodir), ou seja, estar atento aos apelos mais preciosos para abrir de novo a visão e o caminho para aquilo que é superior e que está no alto. Pode estar aí um dos sentidos do  texto bíblico do Salmo 121, 1 quando afirma: “Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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17 de novembro de 2016
O dinheiro é uma felicidade humana abstrata; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele” (Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, 1788-1860).
Na ilusão de poder, o dinheiro seduz e escraviza. São Francisco de Assis foi uma das raras pessoas na História que entendeu e soube lidar com o significado da dimensão do dinheiro e do poder nas mãos e na vida das pessoas. Dinheiro não tanto como cédula de papel ou moeda, pois esse é apenas um valor que se atribui a ele para exercitar relações comerciais de compra, venda, troca etc. Mas, como um símbolo de poder e uma fonte de relações. Para ele os homens podem estabelecer relações fraternas e justas com, pelo, e a partir do dinheiro, mas, também, abismos de distanciamento entre as pessoas de todas as classes, raças e credos. Pode criar relações de injustiça, de corrupção, de egoísmo, de ódio e inimizade. Na concepção de Francisco, na relação com o dinheiro o homem precisa, antes de tudo, estar preparado para o desprendimento e para a liberdade, em vista de tê-lo e usá-lo não como mero recurso para sua realização pessoal, familiar e grupal, mas, como um instrumento que desafia e exercita as mãos, a consciência e o coração, para o senso de responsabilidade comum para com tudo e para com o todo. Essa relação responsável é para alertar o homem que ele, o dinheiro, não é foco de interesse para estabelecer ou criar a tão sonhada e proclamada felicidade humana. Acima de tudo, ele jamais pode ser o centro de preocupação da pessoa, de tal modo que ela passe a vida se dedicando completamente a ele. Quem faz isso torna o dinheiro um deus a quem serve e a quem se submete oferecendo os maiores sacrifícios de sua vida. Isso na verdade não é idolatria, mas suicídio pessoal e coletivo, pois quando o dinheiro é o dono, o patrão, e o senhor de nosso modo de ser, pensar e agir, ele nos corrompe e mata. De prêmio, ainda nos leva para o buraco (para nos enterrar vivos) junto com todos os que corrompemos com seu uso e abuso. São Francisco percebeu a força de destruição que esse simbolismo do dinheiro cria nas mentes e corações das pessoas de seu tempo. Ao invés de se deixar subjugar pelo dinheiro, subjugo-o em função de interesses e valores mais altos. Valores bem mais significativos e poderosos para estabelecer verdadeira comunhão e relações de amor entre as pessoas. Em seu desprendimento, conquistou o verdadeiro significado de pobreza como liberdade de espírito e liberdade para com o mundo, para com as pessoas, para com a natureza e para com todas as criaturas. Seu legado não é o do homem que abomina o dinheiro, mas de alguém que soube lidar com ele e com seu simbolismo ameaçador e destruidor das relações humanas. Soube lidar com ele como um homem pobre enriquecido por tudo o que constitui a verdadeira essência da vida. Nessa conquista o dinheiro adquiriu outro sentido e outro uso. Não de um poder simbólico capaz de criar e fomentar um abismo de injustiça e ódio entre ricos e pobres, senhores e escravos, patrões e empregados, mas de um poder que pode e deve tornar os homens mais próximos e mais irmãos. Nessa nova relação o rico não busca enriquecer à custa dos pobres e desfavorecidos. Muito menos busca a riqueza simplesmente para tirar vantagens dela para seu egoísmo e interesse pessoal. Do mesmo modo, o pobre não busca o dinheiro e a riqueza como meio de chegar lá onde os ricos estão. Nem tampouco busca o dinheiro como fuga da pobreza que o oprime e o libera de sua tristeza e frustração. Aqui rico e pobre buscam se libertar da corrupção que o dinheiro traz e proporciona aos que se sujeitam ao seu domínio, apagando a consciência e cegando os olhos para a justiça e a fraternidade. Dinheiro que, mal usado, é capaz de gerar no coração e na mente apegada o ódio, a divisão, a inimizade, a corrupção e a destruição da alma de cada um e de todos. Pois, quando o dinheiro é buscado de forma indigna no rico e no pobre ele gera um poder destrutivo que estabelece as muralhas que separam ambos em mundos completamente desiguais e corrosivos. Talvez tenhamos que olhar de novo e mais atentamente para o pobrezinho de Assis, e reaprender dele e com ele o modo pobre, livre, desprendido, generoso, solidário, justo e gratuito de lidar com o dinheiro enquanto símbolo de relações entre os homens. Buscando com esse homem livre que foi Francisco, a riqueza essencial da vida, visto que é ela que nos torna irmãos de fato, e gera um mundo onde as pessoas se reconhecem próximas e livres nas relações. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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16 de novembro de 2016
“A vida não é sempre uma questão de ter boas cartas, mas, às vezes, jogar bem com cartas
 ruins” (John Griffith Chaney, “Jack London”, autor, jornalista e ativista social norte-americano 1876-1916).

Quem é criativo joga tão bem a carta ruim que para os oponentes parecerá a melhor carta do baralho da vida. A vida como tal, vivida de tantos modos, com suas infinitas possibilidades, bem como com sua variedade de compreensões e interpretações, corre o risco de ser vivida e pensada de um modo muito estreito e fechado. Como em um jogo de cartas é jogada (vivida), tantas vezes, como se fosse feita apenas de cartas boas, onde as ruins são descartadas de imediato. No entanto, o segredo é aprender a jogar bem com as cartas ruins, pois quem joga bem com cartas ruins entende que o jogo é feito de combinações de cartas boas e ruins. A ruim, em outras palavras, faz parte do jogo. Acontece o mesmo com quem acha que a vida é uma meta feita apenas de felicidade ou momentos felizes, de coisas prazerosas e de bem estar. Talvez um pequeno grupo no mundo inteiro esteja vivendo a partir dessa compreensão. O que é muito bom, só que no momento em que aparecem as coisas desagradáveis eles estão despreparados, não sabem o que fazer, e não têm músculos interiores para suportar a “parada”. A vida, então, para esses se lhes torna completamente amarga e sem sentido, pois só viam sentido no que era tido como gostoso; bom e prazeroso. Esquecem, porém, que a felicidade nunca é uma meta ou um objetivo final, onde tudo o que é ruim e negativo tem que ser descartado de antemão para se alcançar somente o que lhes parece feliz. Ou onde só entra o que é bom e agradável. A felicidade na vida e a vida de felicidade é um movimento diário de conquista. De saber usar bem tudo o que somos, o que temos, o que nos cerca, o que nos é dado, e o que nos vem ao encontro. Usar o que se mostra como ruim à nossa percepção da melhor forma possível, melhorando aquilo e melhorando sempre para nós mesmos e para o mundo. Desta forma, felicidade deixa de ser meta, objetivo e sonho longínquo para ser compreendida e vivida como possibilidade do presente. Ou melhor, é a vida presente bem vivida, bem experimentada com tudo o que se dá de bom e ruim (lembrando que o ruim aqui é sempre o que consideramos como ruim, pois pode ser que para outra pessoa o nosso ruim é bom). Desse movimento diário, criativo, engajado, interessado e disposto dentro da vida e no curso e percurso da vida é que a felicidade se instala na vida da pessoa, pois felicidade jamais é o que queremos, pensamos, imaginamos e sonhamos, mas, o que vivemos. Ou seja, é o modo como vivemos a vida como ela é e como nos deixamos envolver por ela que nos faz felizes. Essa vida feliz é bem diferente de um projeto criado e idealizado por mim ou por nós. Trata-se da própria vida vivendo em nós. Como num jogo, não somos nós que jogamos, mas somos lançados para bem jogar. O resultado depende de como analisamos as cartas que temos em mão e nos colocamos no jogo com todos os seus desafios e lances. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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14 de novembro de 2016
Aprendei o que significa a Misericórdia. É a Misericórdia que eu quero e não o sacrifício, porque não vim chamar os justos e sim os pecadores” (Jesus no Evangelho de Mateus 9, 13).
“Uma gota de mel (bondade) pega mais moscas que uma gota de fel (castigo)”. A palavra “Misericórdia” tem origem latina e tem a junção de duas palavras, compaixão (miseratio) e coração (cordis), dando o significado de “coração compadecido”. A palavra Misericórdia está presente 103 vezes na Bíblia, sendo 72 vezes no Antigo Testamento (só nos Salmos são 28), e 31 vezes no Novo Testamento. Muitos povos em suas manifestações religiosas, e até o povo hebreu, queriam encontrar uma forma de agradar a divindade. Achavam que oferecendo sacrifícios (imolação de animais em altares, ou queima de alimentos), dentre outros, seria algo agradável, pois estava prescrito em muitos de seus escritos sagrados. Pensavam inclusive que se sacrificassem os inimigos, (“morte aos infiéis”), isso seria agradável a deus. No entanto, como vimos pela quantidade de citações, é a Misericórdia que Deus quer, é o amor em todas as dimensões, é o perdão infinito. Muitos até hoje ignoram o que Jesus ensina: “Bem aventurados os Misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7). Tivemos um ano todo voltado à misericórdia, que se encerra agora. Este ano teve a intenção de recordar este pedido de Deus para sermos misericordiosos em toda a nossa vida, e pelo amor demonstrado por nossas atitudes de misericórdia, mostrar a bondade de Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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11 de novembro de 2016
A pessoa avarenta controla seu tesouro para ter em mente que é seu proprietário, mas, também seu carcereiro” (Francisco de Quevedo e Villengas, escritor espanhol, 1580-1645).

O dinheiro ao mesmo tempo em que encanta também escraviza. A palavra “avareza”, do latim “avaritia”, designa alguém com muito apego ao dinheiro e afins. A avareza é um dos sete pecados capitais, por sua capacidade de escravizar o ser humano. Os sete pecados são: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, soberba. O avarento de certa forma idolatra tudo que possui como sendo seu “deus”, pois se sente poderoso podendo comprar tudo com seu dinheiro, inclusive controlar a opiniões das pessoas a seu respeito, até no meio religioso. Mas, Jesus chama de insensato quem pensa assim (ver Lucas 12, 16-21): “insensato, nesta noite mesmo virão demandar tua alma; e as coisas que ajuntaste, para quem serão? Assim acontece àquele que entesoura para si, e não é rico em Deus”. Sem Deus nada vale. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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10 de novembro de 2016
A opinião pública é um poder ao qual nada resiste” (Napoleão Bonaparte, oficial de artilharia e líder político francês, 1789-1821).
A “opinião pública”, é um conceito abstrato, fruto da era moderna, para ser uma espécie de mediador entre o governo e o povo. Opinião pública é aquele modo de um grupo de pessoas entendem o que se chama de realidade. A opinião pública é praticamente um jeito comum de organizar e representar a realidade. Isso se dá em forma de ideias, crenças, valores etc. Ela, por sua vez, passa e repassa, de pessoa para pessoa, de grupo para grupo com poder e força irresistível desta verdade e se torna com o tempo, uma espécie de dogma. Hoje, sob a influência da Mídia, ela passa e repassa o tempo todo informando e formando as mentes. Praticamente não há quem escape de sua ação e persuasão. Ela tem seu valor e sua importância no público e privado, pois é o material que temos para lidar com o “real”. A grande questão da opinião, no entanto, é que ao passar e repassar o conhecimento e o saber ela o faz de modo congelado, deixando as pessoas anestesiadas no exercício do pensar. O grande risco da opinião pública, então, é viver desse e nesse congelamento tomando o fato congelado, a ideia congelada como norma  do real e da formação, informação e do conhecimento. Escolas, religiões e a até a política correm esse risco. A grande notícia é que a opinião gera também o descontentamento, a inquietação e a inquietude com o que está congelado. Dessa inquietude é que nasce o filósofo, o artista, o revolucionário, o pensador. Estes não abandonam nem excluem, muito menos, exorcizam a opinião pública, mas partem dela, contam com ela, e fazem dela a plataforma de lançamento para as grandes questões que abrem o reino do pensamento para liberar a verdade que se esconde no interior e para além do público e da publicidade. Esse para além não é para longe da opinião, mas, trazendo ela à sua mais fina e pura realização, descongelando o que estava petrificado e liberando sua força de influência em termos de conhecimento e saber. Talvez nos tempos atuais estejamos demais habituados, e até acomodados, com a quantidade de informações e formações que nos são derramadas aos olhos e à consciência com a velocidade de um asteróide. Ao mesmo tempo, esse é o desafio que se nos impõe, não de negar ou excluir a opinião pública, mas ajudá-la a ser o canal de manifestação da verdade, do conhecimento do real da realidade, não do conhecimento aparente do qual tantas vezes estamos presos e dogmatizados. Lembrando que o dogma (político, religioso, econômico, jornalístico etc.) em si nada tem de perverso e ruim. O ruim e perverso é o seu congelamento, sua petrificação que não permite mais o novo, e nem dá espaço para a continuidade da busca da arte de pensar e de ser. Embora se diga que pensar e ser é o mesmo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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9 de novembro de 2016
Aprova os bons, tolera os maus e ama a todos” (Aurélio Agostinho de Hipona, “Santo Agostinho”, professor, teólogo e filósofo, da Argélia, 354-430).

Só Deus é o sumo bem. No texto Sagrado dos cristãos está dito que Deus faz o sol se levantar sobre maus e bons, e a chuva descer sobre justos e injustos (Mt 5, 45). Uma alegoria para falar de seu Filho Jesus, o Sol de Justiça, que desceu sobre bons e maus, salvando a todos, e do Espírito Santo que  e a chuva bendita que desce sobre justos e injustos, revigora-os e purifica-os, fazendo-os renascer pela graça e vigor presente na imagem da água. Assim é Deus, assim devem ser seus filhos e filhas, e seus seguidores, no trato com bons e maus. Nas palavras de Agostinho, isso significa aprovar os bons, tolerar os maus e amar a todos. Aprovar os bons é colocá-los à prova, no sentido de ajudá-los a provar da bondade que está dentro de si até sua consumação. Isso, porém, é perceber a bondade em si mesma, não a bondade que vem de uma subjetividade e visão distorcida do que é bom e do que é mau. A bondade em si mesma é o próprio Deus. Deus é bom, e para sabermos o que é bondade precisamos olhar para Ele e aprender d’Ele como ser bom de fato. Tolerar os maus nada tem a ver com fechar os olhos para a maldade alheia, ou ser tolo e deixar todo mundo manipular e humilhar. Tolerar aqui tem o antigo sentido de “tirar”, mas, tirar como aproveitar ou tirar proveito da coisa. Por exemplo, diante do que nos acontece de “negativo” temos a tendência de ficar lamentando, choramingando e, assim, aquilo que soa “negativo”, nos domina e passamos a perceber a vida e tudo que acontece conosco a partir daquele “negativo”. Tolerar nessa situação é aprender a tirar proveito do que é “negativo”, tornando aquilo que é tido como “ruim” algo bom para nosso crescimento e a melhoria de tudo que precisa ser melhorado. Amar a todos é amar ao modo de Deus que a ninguém exclui, mas a todos inclui na grandeza de seu coração. Inclui não porque o outro é bom (às vezes, o outro é a própria manifestação do mal), mas porque Ele é tão bom que da parte d’Ele não há como ser diferente. Essa bondade está em tudo e em todos. O que obscurece essa bondade, humanamente falando, é o egoísmo, a insensibilidade e dureza de coração. Mas, por estar em tudo e em todos, ela está o tempo todo esperando a primeira oportunidade para se manifestar. É por isso que a pessoa mais pecadora do mundo no momento em que se abre para essa bondade é totalmente refeito por ela (Agostinho que o diga!). Desse modo, aprovar os bons, tolerar os maus e amar a todos, é uma espécie de academia cristã onde se exercita os músculos do espírito naquilo que é o básico, o fundamento do ser cristão em nós mesmos e no relacionamento para com tudo e com todos. É assim que, de imperfeitos, nos tornamos perfeitos como o Pai celeste é Perfeito. E ser perfeito aqui nada tem do ser sem defeitos, mas do contínuo aperfeiçoar-se na empreitada do amor que passou na prova e aprovação do amor divino, e na tolerância de tudo o que há e que acontece conosco, sem perder-se na falta de cordialidade e estreiteza de coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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8 de novembro de 2016
Não há coisa que mais nos engane do que o nosso juízo” (Leonardo di Ser Piero da Vinci, polímata (gênio em várias áreas) italiano, 1452-1517).
Juízo é um modo todo próprio de analisar intelectualmente e sentenciar sobre uma causa ou pessoa. Análise, em geral, baseada em fatos. Fato enquanto o que foi feito por alguém. O juízo, portanto, fala e tece sentença de acordo com o que viu ou ouviu de um fato. Trata-se de uma medida acerca de alguma coisa que se deseja avaliar. No entanto, por ser medida, nem sempre alcança toda a verdade do fato, apenas sua aparência. Quando julgamos é assim que procedemos. Falamos da aparência, não da essência. É por isso que nos enganamos tanto nos juízos, pois ficamos só com o que parece ou aparece. Nos contentamos com o que achamos ou pensamos sem pensar que o que pensamos e achamos pode não ser a totalidade do fato ou do que aparece. Ao mesmo tempo, ao julgar nos fazemos supremos. Nos fazemos lei, justiça e direito. Lei por pensarmos que somos a norma da verdade. Justiça por entender que sabemos tudo o que é justo e reto acerca do outro que sofre nossos juízos. Direito por achar que somos donos da situação, que dispomos dela para fazer o que bem entendemos. O problema do juízo é que ele nos engana acerca de nós mesmos, visto que ao julgarmos nos fazemos maiores do que a situação, e deuses do destino do outro. No juízo apenas projetamos a nós mesmos no outro e, nessa medida, nos distanciamos dele e da verdade que ele vive, sofre e experimenta. Talvez daí nasceu a grande recomendação de Jesus de Nazaré ao pedir aos seus discípulos “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus 7, 1). Ao julgar apenas transpomos ao outro o que somos e temos como medida. O cuidado no fundo é porque no juízo estamos revelando nossa medida. E quando ela é insuportável de carregar e compreender, fica mais fácil de lançar sobre o outro e encobrir nossa própria miséria contida na estreiteza de visão, de concepção, de entendimento e compreensão. Todo e qualquer juízo só ajuda e salva o outro se for, conforme o próprio Jesus ensinou e mostrou, juízo de amor, pois o amor é sem medida. Ou melhor, a única medida que alcança a verdade do outro é o amor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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7 de novembro de 2016
Se tua missão é ensinar, estuda e prepara-te para bem exerceres este encargo. Primeiro ensina com tua vida, por teu comportamento, para que não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa e fazer outra, zombem de tuas palavras” (São Carlos Borromeu, sacerdote italiano, cardeal e Arcebispo de Milão, 1538-1584).
Falar é fácil, viver é difícil. Onde tem muito cacique, os índios ficam perdidos. Um dos primeiros sistemas de ensino que se conhece é o discipulado, ou seja, aprendiam vendo na prática, como um discípulo que seguia seu mestre. Com o tempo, foi necessário o aprimoramento deste ensino devido ao número crescente de aprendizes e o aprimoramento das técnicas. São Carlos Borromeu viveu em um tempo difícil para a Igreja, e ele, preocupado com a formação do clero, foi o primeiro bispo a criar seminários para este fim. Também construiu hospitais e criou centros de caridade para atender os mais necessitados. Sua vida refletia o que ensinava. Suas palavras nos ensinam que devemos nos preparar bem para exercer nossos ofícios, mas também que devemos viver de tal maneira que nossas ações sejam testemunhas do que dizemos. De que adianta dizermos algo para nossos filhos (ou aprendizes), se agimos de forma muito diferente? Repetir ensinamentos igual papagaio que repete tudo o que ouve, sem comprovar a veracidade do que é dito, é um desserviço ao aprendizado. Antes de falar, verifique se o que você vai dizer tem comprovação, ou que você já testou sua veracidade. Na dúvida, é melhor ficar calado do que falar “besteiras”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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4 de novembro de 2016
Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica” (Fritjof Capra, PHD em física e escritor austríaco, do site; ecodesenvolvimento.org).

Por ignorância (desconhecimento) estamos matando a natureza que é fonte de nossa sobrevivência. Para facilitar a comercialização e a distribuição de alimentos, só alguns, de uma gama quase infinita de alimentos naturais, são comercializados, deixando de lado uma riqueza imensa de nutrientes que estão a nosso dispor, e que muitos que desconhecem seu valor nutritivo e as classifiquem como “mato”. Por exemplo; Na região de Minas Gerais, uma hortaliça (pereshi aculeata), conhecida como “ora pro nobis”, oferece múltiplos benefícios ao ser humano, tanto que ganhou o apelido de “carne dos pobres”, por sua alta concentração de proteínas. Até o nosso “dente de leão” (taraxacum officinale) comum em nossas regiões, é comestível e rico em minerais, combate o colesterol, diabetes, doenças hepáticas e inflamações. Jogamos fora no preparo dos alimentos, as cascas e algumas folhagens que poderiam ser aproveitadas. Cada época do ano oferece uma gama de alimentos, que deveríamos respeitar seus ciclos, variando de cultura para que nunca falte. Em função desse desconhecimento, nossa saúde ficou fragilizada fazendo crescer uma indústria de medicamentos que são muito restritivos e de alto custo para a maioria. Nossa incapacidade em lidar com o que nos cerca, gera uma quantidade imensa de lixo, que está matando tudo o que é vivo. Precisamos pensar diferente e reaprender a utilizar bem nossos alimentos, sem desperdício, para garantir o futuro de nosso planeta. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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3 de novembro de 2016
Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é hipocrisia. Pois, não há nada oculto que não se venha a descobrir e nada escondido que não se chegue a ser revelado. Por isso, tudo que dizeis nas trevas, será ouvido na luz; e o que falais aos ouvidos em lugar secreto, será apregoado de cima dos telhados” (Jesus no Evangelho de Lucas, 12, 1-3).

As tentações atraem, mas, também derrubam. A palavra “hipocrisia” vem do grego “hupokrisia”, que era para designar o ato de representar um papel, como em um teatro; ou seja, fingir ser algo que não é. Os “fariseus” eram judeus que gostavam de se distinguir dos demais pela sua grande “santidade”, ou pelo menos queriam passar essa ideia, e viviam julgando os demais que infligissem os preceitos religiosos; no entanto, eles às escondidas praticavam seus delitos. A advertência de Jesus é para não sermos iludidos pelas aparências, pois com o tempo tudo será revelado, ou seja, atualizando estas palavras poderíamos dizer; os acordos de bastidores em “pizzarias” ou “jantares noturnos” um dia serão desmascarados. Esta prática é comum em vários lugares, de várias formas e em vários níveis. Mas, tudo isso virá à luz, ou seja, será revelado a todos. Talvez por isso o medo de muitos quando as investigações começam a revelar o que para eles era um segredo guardado a “sete chaves”. Sendo assim, procure sempre ser correto e evite as facilidades atraentes, pois, elas escondem “arapucas” (armadilhas). É como no trânsito, para evitar multas, respeite as leis. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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2 de novembro de 2016
Porquanto foi por este motivo que Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor tanto de vivos quanto de mortos” (Carta de São Paulo aos Romanos 14, 9).
Dentro da tradição cristã católica, há o costume de, desde o Século II, lembrar dos falecidos, ou orar pelos que morreram. Na linguagem oficial, pelos que finaram (viraram feno). Daí o dia de finados. Esse é um costume que historicamente, se sabe, sofreu influências de outras culturas onde se cultuava ou orava pelos falecidos. A Igreja enquanto tal, muitas vezes, para viver e sobreviver em determinados contextos teve que se adaptar e se “inculturar”. No entanto, a raiz desse costume é bíblica, no sentido de que tem aí sua inspiração maior. Por entender que o Deus cristão é Deus dos vivos e dos mortos. Ele não é Deus de mortos, mas, dos mortos. Deus de mortos é o Deus que gosta da morte, de matar, e do que está morto. Isso é contra sua natureza básica, ou seja, a de ser o Deus Vivo, fonte e doador da vida, ou melhor, ser a própria Vida se doando, se expandindo etc. Ser Deus dos mortos é ser aquele que tem domínio sobre os mortos e sobre o mundo dos mortos, a ponto de exercer poder sobre a morte e de dar vida ao que morre ou aos que estão mortos. Enquanto Deus dos mortos Deus é aquele que, à diferença dos deuses pagãos, sofre a morte em seu Filho Jesus. Ele não é um Deus distante, indiferente, frio e apático à morte e ao morrer. Ele sabe do que se trata, lutou com ela e a venceu. Consequentemente, venceu a morte e resgatou os mortos do reino da morte. É por isso que Ele é Senhor também dos mortos. Isso significa que sua solidariedade a nós na morte é total. Ele chora a morte de Lázaro, se compadece da viúva de Naim, ressuscitando seu filho e, ao morrer, mata nossa morte para que vivamos com Ele, por Ele e para Ele. E essa é a Vida Eterna, não a vida imortal apregoada pelos filósofos gregos. Vida imortal é apenas uma vida que se prolonga indefinidamente como era antes. A Vida Eterna é aquela que tem em Deus sua origem, seu fundamento, sua Graça, sua novidade, sua consumação e que, ainda que o Homem morra (o que é inevitável), esse fato não constitui o adeus final da vida e à vida, mas sua passagem para algo totalmente inaudito e novo que procede única e exclusivamente da bondade, misericórdia e gratuidade de Deus. Foi para revelar essa verdade que Cristo morreu e ressuscitou. E quem crê nisso experimenta não a imortalidade, mas, a Vida Eterna que vem de Cristo. Essa vida é abundante. Abundância quer dizer que sempre jorra, sem jamais se esgotar ou se cansar. Não existe nenhuma medida para calculá-la e nada pode controlá-la, diminuí-la, freá-la ou destruí-la. É nessa verdade e dessa verdade que a Igreja celebra os que finaram. Ela chora com os que choram seus falecidos, ora por eles, e acredita na comunhão deles com Deus e conosco. Sobretudo, celebra a vitória de Cristo em cada um desses que partiram (bons e maus). Celebra o júbilo de saber que a morte nãos os afastou de Deus e de nós, mas, os colocaram eternamente juntos de Deus e de nós, de um modo todo especial. De um modo mais amável, mais radical, mas despojado, mais real e mais profundo do que antes. Eles agora não são ausentes, mas invisíveis. É justo orar por eles e, com eles, celebrar o grande Mistério do amor de Deus que em seu Filho não deixou que a morte nos separasse d’Ele para sempre; e nos ajudou a compreender que a morte corporal é normal e natural de todo ser humano, mas é, também, em Cristo, passagem e reencontro com a Fonte da nossa vida, através da sua ressurreição. Nesse sentido é que São Francisco de Assis entendia a morte como irmã, não como inimiga ou estranha, pois, nos proporcionava um novo nascimento em Cristo e reencontro com o Pai, autor e fonte da Vida, e com toda a família celeste e terrestre (comunhão dos Santos). Eis porque no momento de sua morte ele cantou: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrem em pecado mortal! Felizes os que ela achar conformes à tua Santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal”. (Cântico das Criaturas). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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1 de novembro de 2016
Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois brigam, e então você vence” (Mohandas Karamchand GANDHI, advogado e líder político hindu, 1869-1948).
“Uma vida sem princípios é como um navio sem leme”. Gandhi é conhecido pela sua luta em favor da não violência. Em outras palavras, ele acreditava que se quisermos ter a paz, deveríamos ser de paz. Reuniu isso em dez princípios; primeiro, mude a si mesmo, e os outros mudarão. Segundo, você é senhor de seus pensamentos e atitudes, logo, ninguém te atinge sem tua autorização. Terceiro, perdoar e seguir em frente, pois os fracos nunca perdoam. Quarto; sem ação você permanece estagnado, agir vale mais que mil palavras. Quinto; se preocupe com o presente, você não tem controle sobre o futuro. Sexto; para se livrar dos erros você precisa reconhecer seus erros. Sétimo; acredite, mantenha a fé, com o tempo a oposição desaparece. Oitavo; veja sempre o lado bom das pessoas. Nono; o que você pensa, diz, e faz devem estar em harmonia, seja íntegro. Décimo; aprenda sempre, nossa natureza é de evolução e não de estagnação. Em outras palavras, seja humilde, íntegro e persistente, e com isso você mudará o mundo para melhor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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31 de outubro de 2016
Não existe crime mais sério do que a corrupção” e nem “ofensa mais grave do que a daquele no qual é depositada tão sagrada confiança”. “O corrupto é pior que o ladrão, é tão maligno como o assassino”. “Outras ofensas violam uma lei enquanto a corrupção ataca as fundações de todas as leis”. Quem tolera a corrupção é responsável por ela. “A exposição e a punição da corrupção pública são uma honra para a uma nação, não uma desgraça. A vergonha reside na tolerância, não na correção. Se nós falharmos em dar tudo o que temos para expulsar a corrupção, nós não poderemos escapar de nossa parcela de responsabilidade pela culpa.” (Juiz Sérgio Moro citando trecho de um discurso de Theodore Roosevelt sobre a corrupção, de 1903).
“O pior cego é aquele que se recusa a enxergar”. Durante as apurações das eleições de 30 de outubro, o jornalista Gerson Camarotti alerta que volta a ideia de uma anistia geral para o caixa 2, em uma ampliação de um acordo anterior. Tal manobra demonstra que os envolvidos estão se articulando para garantirem seus “dividendos” como também, para escaparem das punições, legitimando tais desvios, como sendo de campanha e aí sim podem “roubar o povo”. Tudo é feito as escondidas. Como quase todos estão envolvidos, então está fácil passar tal ideia. Quem deveria estar atento e punir, age como Pilatos, lavando as mãos e fingindo que não sabem de nada, mesmo diante de fatos irrefutáveis. Querem mais uma vez que o povo pague a conta dos corruptos enquanto eles preparam a campanha de 2018. Basta, pois, o povo não aguenta mais. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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28 de outubro de 2016
É bom dar quando nos pedem, mas é melhor dar sem que nos peçam, como bons entendedores” (Gibran Khalil Gibran, ensaísta, filósofo, poeta e pintor libanês, 1883-1931).
Quando amamos, melhoramos nossa compreensão. No reino animal, há uma vigilância constante, devido aos perigos da selva, principalmente entre presas e predadores. Ela começa logo ao nascer e recomeça todos os dias. Nossa sociedade organizada procura dar segurança a seus membros por meio de diversas ações. Mesmo assim, muitos estão desassistidos e dependem do auxílio dos demais. A sensibilidade de perceber alguém em situação difícil é desenvolvida a partir do amor no coração. Quando se ama, o outro é muito importante para nós, e desperta nosso afeto e atenção. Por amor a Deus e aos seus ensinamentos, muitos deixam o conforto de seus lares e vão até aos mais necessitados sem que eles peçam, respondendo ao amor que têm em seus corações. Cada um tem um chamado diferente e responde a este chamado conforme entende. Mesmo ouvindo, muitos preferem fingir que não entenderam, e ficam restritos ao conforto de sua vida. A atenção para com o próximo é tão séria, que Jesus nos recomenda a amar até nossos inimigos, a fazer o bem a todos. Como no reino animal, todos os dias nós deveríamos acordar dispostos a fazer o bem, amando indistintamente, semeando a alegria e a bondade por onde passarmos, sem muito alarde, apenas amando. O mundo seria bem melhor se todos fizessem isso. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de outubro de 2016
Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas” (Confúcio, filósofo chinês, 551-479 a.C.). 
Só a arte de pensar gera compreensão. Quem já acompanhou todo o processo de fazer pão, pode notar que em cada etapa há uma arte passada de gerações anteriores com respeito ao tempo, aos ingredientes e principalmente pelo querer de quem faz. Algo semelhante aconteceu com toda a formação do pensamento, desde os pré-socráticos, o dos filósofos orientais, até os dias atuais. Toda vez que se quis aprisionar uma forma de pensar e impor aos demais, ela se tornou tirana. O pensar filosófico é livre como um pássaro, que pousa aonde é bem-vindo. Rotular ideologias e impor a força na mente dos jovens, chamando isso de educação, principalmente nas escolas, é um crime contra a humanidade. O que se vê é a mentalidade da pressa que há decênios nos domina, querendo mais uma vez se impor sobre o tempo das coisas. Somos uma geração do fazer tudo para ontem. Queremos de imediato a solução, sem mesmo, termos compreendido bem a pergunta. Somos a civilização técnica, do ter e fazer agora, mesmo que esse agora seja pra ontem. Não é à toa que nosso índice de ansiedade e estresse está como nunca. Aliás, tudo na vida, se quisermos que seja bom, de fato, precisa, antes de tudo, de uma boa compreensão. O que não é bem compreendido gera transtorno, confusão, briga, desgaste, intempestividade, enrolação e muitos atrapalho com a terminação “ão”. Talvez, a grande confusão para se discutir a questão do momento seja isso mesmo, a incompreensão da coisa ela mesma em causa. Politicamente falando, somos um povo dividido em Partidos e interesses mesquinhos. Tem sido um problemão pensar a Educação, a Saúde, o Emprego, o Salário, a Aposentadoria etc, dentro da Sociedade Brasileira como um todo, e não como algo partidário e em função de eleições. Parece mais cada um “puxando a brasinha para a sua sardinha”. Precisamos de arte para falar o que pensamos, sentimos, sofremos, queremos e sonhamos. Falta compreensão. Compreensão do real da realidade que se dá, sobretudo, no perguntar e no responder. Compreensão de que nos falta pensar a pergunta e pensar a resposta. Pensar a resposta aqui não é pensar em soluções, em saídas imediatas para apagar o fogo do momento, ou envernizar as situações para esconder o buraco que é mais no fundo. Pensar a resposta é fazer da resposta ou das respostas envolvidas numa questão. E questão como busca fundamental de tudo o que está nos incomodando, nos batendo na cara, e nos pedindo uma mudança radical no modo de ser, de fazer, de sentir, de operar, de educar, de fazer política, de nos relacionar, de agir, enfim, de pensar. Sem isso, toda e qualquer pergunta e toda qualquer resposta que dermos não atingirá de fato o problema. As respostas rápidas e urgentes são válidas, sim, mas sem fôlego, sem clareza, sem profundidade e sem solidez para nos proporcionar as reais respostas e soluções do que estamos buscando na Sociedade Brasileira. Aliás, Sociedade Brasileira quer dizer, antes de tudo, pessoas que são sócias, parceiras, companheiras, e também, irmãos e irmãs, na verdadeira Arte de Pensar o Bem Comum.  Ou seja, na busca de compreender bem o Bem Comum para saber como responder às suas exigências. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de outubro de 2016
Preocupar-se significa dar voltas em círculos inúteis e enlouquecedores. Significa sofrer antes e ser dominado pelo medo” (Norman Vincent Peale, pastor e escritor americano, 1898-1993).
Preocupar-se é ocupar-se previamente. O prévio é o que deseja ser visto antes do tempo. Como o que se deseja ver não pode ser visto antes do tempo, a pessoa permanece em círculos de ilusão e tensão no eterno desgaste inútil do desejo de querer ver e acontecer o que foge ao alcance. Tal tensão e ilusão geram sofrimento e medo. Sofrimento pela sensação de impotência frente ao que ainda não se pode dominar, e medo pelo que se pensa que vai ou pode acontecer. Na vida agitada e corrida que levamos dos últimos tempos, estamos quase sempre ocupados com o que já foi, com o que virá, ou com o que achamos que virá. Por um lado, são os receios frente ao que se fez de errado no passado. Por outro, são as contas a pagar, festas e encontros a se planejar, lazer a se programar, tarefas a serem cumpridas, problemas diversos por se resolverem, compromissos que não podem ser adiados, etc. Tudo ainda por vir. Achamos que podemos e devemos manter tudo sobre nosso controle (passado e futuro), caso contrário, nos sentimos ameaçados na existência. Pensamos que se não tivermos tudo sobre as amarras do controle, algo de mais grave pode nos acontecer. Acreditamos loucamente que o passado não passou, e que o futuro pode ser aprisionado no presente. Fica, então, o incômodo e a sensação de que se não dermos conta do recado, que se algo não for resolvido pelo nosso controle, podemos nos frustrar, fracassar, decepcionar, enfim, sofrer. E o que mais queremos evitar nessa vida é sofrer. Temos medo de sofrer e sofremos o tempo todo com nossos medos. Medos, em geral, fantasmagóricos. Isso não quer dizer que não temos medos reais. Quem não tem medo, por exemplo, de pensar que se não pagar a conta de luz, vai ter que se a ver com as consequências? Mas, isso pode e deve ser um pensamento e uma ocupação normal e necessária, não uma preocupação. Talvez muitas de nossas doenças atuais tenham sua raiz nesse tipo de preocupação que gera medo, angústia e ansiedade pelo passado que já foi, ou pelo futuro que ainda não veio ou, quem sabe, nem virá. Quantas coisas importantes adiamos, deletamos, ou deixamos de fazer no momento, simplesmente porque ou estamos aterrorizados com o passado, ou preocupados com o depois. Vejo pessoas que perdem noites de sono, principalmente, preocupadas com o amanhã; cheio de “neuras” se o mundo vai acabar; se vai haver um Tsunami aqui e ali, se o planeta vai ser atacado por Meteoros, e assim por diante. Se vier a acontecer de fato tais coisas, das quais sabemos que é difícil escaparmos, então para que sofrer antes da hora. Aproveitemos a vida com o que ela nos proporciona aqui e agora. Façamos o que deve ser feito e ponto final. Qualquer coisa que queiramos dominar do futuro com medo e ansiedade, nos tira os pés do real da realidade e nos deixa soltos como balão no ar, vagando sem direção e sem sentido. Isso não quer dizer que ao ouvirmos falar de ameaças como Tsunamis, que não possamos fazer o que é possível para evitarmos tragédias e mortes (cuidando melhor do planeta), buscando abrigos e lugares de refúgio quando for necessário. Nem significa que não devamos corrigir erros passados. Porém, sem sermos consumidos pela ansiedade e medo de um futuro catastrófico, ou de um passado que passou. A cada dia sua ocupação, e, se temos que ficar preocupados, que seja com as possibilidades de cada momento e de cada situação, não com as impossibilidades de um tempo longínquo e inevitável, se for o caso. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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25 de outubro de 2016
Um pouco de filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo, mas profundidade em filosofia traz de volta as mentes das pessoas para a religião” (Francis Bacon, filósofo inglês, 1561-1626).
Filosofia é amor pelo saber. Se entendermos a filosofia como uma grande capacidade investigativa das grandes questões da vida, sem a pretensão de obter respostas imediatas para o que comumente chamamos de pergunta, então, hoje em dia, se faz urgente filosofar o ateísmo e a religião, pois tanto um como o outro tem sido uma semente poderosa para germinar confusão e neurose na mente das pessoas. Isso não quer dizer que todo ateu e toda pessoa religiosa seja neurótica. Mas, preocupa a quantidade de pessoas que, sem se dar conta, estão “neuróticas” por defenderem seu ateísmo e sua religião. A defesa se faz em forma de fundamentalismo, de dogmatismo e falta de profundidade na sua respectiva área, ou modo como se vive, vê e “defende o seu peixe”. Perdeu-se o amor e o respeito à pessoa humana em nome do ateísmo e da religião sem profundidade. O que se vê e percebe é uma espécie de tolerância fingida entre pessoas de credos diferentes, entre religiosos e ateus, e entre ateus e religiosos. Muitas discriminações, perseguições, violências, atentados terroristas e guerras em nome de Deus ou do ser contra Deus. Crueldades com mulheres, crianças e velhos, estão acontecendo em nome do ateísmo e da religião. No Brasil, por exemplo, existe um luta implícita entre as religiões para conquistar o Poder Político, para disputar fiéis, para manter o controle das mentes no setor público e ver quem faz da nação uma “nação de Deus”. Existe uma espécie de perseguição de pretensos defensores do ateísmo (de alguns ateus) para eliminarem da sociedade tudo o que sinaliza, cheira, ou proclama algo de nome ou sentido religioso. Existe uma guerra religiosa travada nas redes sociais para difamar a opinião do outro que tem crença diferente da dele. Também, dos símbolos religiosos, dos líderes, da doutrina, dos livros sagrados da religião de um grupo ou de outro. Cada um proclamando-se o detentor da verdade última sobre o assunto. Pior, faz-se uma batalha titânica entre os deuses de uma e de outra religião, segundo a concepção que se tem e se quer defender desse mesmo Deus. Com isso, se diviniza o demônio e demoniza Deus com argumentos de que se sabe o que cada um deles é e quer. O demônio, então, deve estar horrorizado com o tanto de coisas que se dizem que ele faz, quando tudo não passa de projeção das neuroses humanas. E o que se diz ser Deus, então, nem se fala. Tal Deus a quem se atribuem tantos males deve estar ruborizado de vergonha com o que se pensa, fala e defende, afirmando ser Ele ou d’Ele. Nunca se viu tantas profecias estúpidas nos nossos tempos dizendo que “Deus me falou, me revelou...”, quando na verdade são os medos pessoais acerca de si, do outro e do destino do mundo e do planeta, projetados em Deus. Nunca se assistiu a tanta defesa de um lado e a tanto ódio, por exemplo, da figura de Maria, que no fundo nada mais é do que uma projeção dos recalques ou traumas de pessoas que viveram e vivem uma má relação com a própria mãe ou esposa ou filha. Ou o seu contrário, dos afetos exagerados de “superproteção” com a mãe de sangue. Com outras palavras, a pobre figura de Maria virou uma vítima das projeções doentias de nossa própria imagem interior do feminino, ajustada ou desajustada. Desse modo, os livros sagrados, o divino, o demônio, os Santos, os símbolos religiosos, ou a falta de tudo isso, está mais sob o jogo dos radicalismos ateus e religiosos do que de fato de uma verdadeira experiência do modo de ser ateu e religioso. Talvez um pouco de filosofia (não filosofia barata do antigo Almanaque “Capivarol”, por exemplo) nos ajude e nos faça pensar e repensar melhor a grande questão da religião e do ser ateu no qual estamos envolvidos até o pescoço, hoje em dia, e nos recoloque mais maduros, mais sábios e mais prudentes para o real sentido dessas dimensões no nosso tempo. Mais ainda, nos ajude a recuperar as relações mais dignas e mais reais de afeto, ternura, amor e respeito que a religião e o verdadeiro ser ateu tem em suas raízes, quando bem entendido e bem praticado. Nesse sentido, talvez o ateu tenha que se tornar de fato mais religioso e o religioso mais ateu para que haja o retorno à origem mais profunda, mais rica, mais séria, mais radical (não radicalismo) e mais ampla dessas duas formas de ser do humano no mundo. Trata-se de um filosofar urgente e necessário, pois seguindo apenas o curso do racionalismo ou do sentimentalismo em que nos metemos, a neurose só aumenta e facilmente pode nos colocar numa psicose ou esquizofrenia social sem precedentes na História. E nada pior para nós do que aquilo que vem desse estado desintegrado de nós mesmos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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24 de outubro de 2016
Para reduzir o infinito ao finito, o inatingível para a realidade, só há um caminho: a concentração” (Pierre Jules Théophile Gautier, jornalista, escritor, poeta, crítico e novelista francês, 1811-1872).
Deus deu ao homem a capacidade de decifrar o universo. A palavra “concentração” nos traz a ideia de voltar ao centro, condensar, buscar o primordial, etc. Assim, diante de algo aparentemente gigantesco, nossa atenção deve estar na essência, no primordial. E para isso, temos que buscar em nosso interior os fundamentos através da concentração. Quando nos concentramos, deixamos de lado o supérfluo e ficamos com a base. Arquimedes, dizia: “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu erguerei o mundo”, demonstrando que nada é impossível para quem busca com afinco. Se algo se apresenta diante de ti como inatingível, sem pânico, com calma, se concentre e busque entender e decifrar e verá que para tudo há uma solução. Até o mais complexo computador pode ser desligado quando se corta a energia que o alimenta. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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21 de outubro de 2016
Em época de eleições é onde se encontram os melhores atores” (Frase do site “Os Vigaristas” - Anônimo).
Precisamos reinventar a Política. Quem assiste a um debate eleitoral seja no Brasil, ou nos EUA, como quem teve a oportunidade de ver em (19/10/2016), entre Hilary Clinton e Donald Trump, fica com a sensação que já sabe em quem não votar, ou seja, em nenhum dos dois. Isso, porque eleição, horário eleitoral, virou uma espécie de palco onde os atores apenas interpretam papeis que julgam de antemão agradar ao público. No entanto, o público, por mais despreparado e ingênuo que seja na análise de enredos teatrais, tem assistido a um verdadeiro show de horrores de interpretações políticas no grande cenário do palco político brasileiro e mundial. Assiste-se um vexame de ataque mútuo, onde ao invés de se fazer Política, a Política se desfaz nos seus discursos e agressões. Dá a impressão de que estão mais preocupados em se defender atacando do que mostrar do que de fato seu plano de governo é capaz. A maior parte dos atos desses atores no palco parece ser a preocupação em humilhar e envergonhar o oponente. Cada tema eleito durante as discussões parece ser a oportunidade para se ressuscitar o passado miserável do adversário para destruí-lo. Ou seja, parece ser um momento maquiavélico de querer brindar o público com a desvalorização moral da vida pessoal e familiar do candidato opositor. Mais ainda, a chance de criar uma fala que destrua de uma vez por todas a candidatura do inimigo.  E, assim, quanto mais esquenta o debate, mais “defunto” da cova se levanta para justificar a insegurança de cada um. Ao final, quem sai assustado mesmo é a “dama” Política e o público. Porém, isso é  preço a pagar de uma geração que se perdeu na arte de fazer política limpa devido às articulações que culminaram em corrupções feitas e sofridas. Por outro lado, pode ser que esse tipo de debate no palco atual da Política traga uma reflexão mais crítica e mais apurada para o futuro dos Políticos e da Política. Que tipo de reflexão? Que Política enquanto arte de governar precisa do debate, mas, também, de arremate. Precisa de opiniões diferentes, mas, sobretudo, de respeito pelas diferenças. Precisa de confronto, não de briga. Precisa de tese e antítese, mas, também, de síntese. Precisa de propostas e respostas, não de déspotas. Precisa de diálogo, não de acusações. Precisa da apresentação de uma agenda pessoal política bem cumprida, não de sonhos e devaneios ou projetos irrealizáveis. Precisa de candidatos que valorizem o que o outro tem de bom para bem governar uma cidade, um estado, um país, não de denegrir a imagem pessoal que cada um com certeza tem (e quem não tiver atire a primeira pedra) na sua história pessoal. A Política precisa no momento de gente que diga humildemente “eu e meus colaboradores do partido”, e não do orgulhoso que proclama “eu vou”, “eu faço”, “eu tenho”. Precisa, sobretudo, de pessoas que queiram dividir o palco da Política com o grande público num espetáculo que proporcione mais justiça, mais alegria, mais vida digna, e mais humanização para todos, para que ao final de cada mandato ou ato político, todos os envolvidos na questão do bem comum possam aplaudir de pé aquele que tomou a frente para o serviço da arte política por um tempo determinado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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20 de outubro de 2016 A paciência começa com lágrimas, ao fim, sorri” (Beato Raimundo Lullo, escritor, filósofo, poeta e teólogo nas línguas, latim, catalã e árabe, nasceu em Palma de Maiorca, Espanha, 1232-1316). As lágrimas aliviam o peso da alma. Paciência é capacidade de suportar. Suportar é diferente de tolerar. Toleramos muitas vezes, porque, assim dizemos, não tem outro jeito. E, porque não tem outro jeito, fazemos forçados, amuados, por imposição mesmo. Quando é assim não somos livres. Suportar, por sua vez, é colocar-se livremente debaixo da situação e carregá-la até o fim, mesmo que custe caro para quem carrega. O suportar, nesse sentido, quer dizer que tem a ver com algo importante e precioso para meu crescimento e maturação na vida. Mais ainda, tem a ver com algo fundamental de todo ser humano, ou seja, aquilo diz respeito a mim e a todos em qualquer época, em qualquer situação, e para qualquer pessoa de qualquer parte do planeta. Como é importante, a paciência, às vezes, exige carregar pesos enormes, que pode ser uma ofensa, uma injustiça, uma perseguição, uma incompreensão, uma confusão, uma intolerância, uma agressão, uma palavra amarga, um gesto de grosseria. Às vezes, a paciência nos pede calma em determinadas circunstâncias. Em outras, prudência. Em algumas, sabedoria. E, em outras, lágrimas. Em todas, amor. Aliás, lágrima, segundo dizem, vem do latim “lachrima”, que alguns dizem vir do grego “dracma”. Dracma era não só uma unidade monetária que no período helenístico circulava no mundo antigo, mas, também, tinha o sentido de uma medida de peso que equivalia a 1772 gramas. Lágrima, então, no sentido de “dracma” significa peso. Quando o coração está pesado, choramos. Quando a alma pena (de peso), ela sofre e solta o suco de seu pesar pelas lágrimas. Em contrapartida, quando nosso coração está repleto, transbordando de alegria, cheio de contentamento, tal qual uma usina que suporta bastante tempo a pressão das águas, choramos para aliviar a carga, a emoção. A lágrima é o suporte, isto é, o que porta consigo o que carregamos de íntimo, de valoroso, de pesado (no sentido do que tem peso e importância) no fundo do coração e da alma. A paciência por ser a capacidade de suportar pesos com liberdade, para a liberdade e pela liberdade, transforma pesos pesados em leveza da alma quando choramos. Ao chorar nos tornamos livres frente a todo peso que nos oprime ou que suportamos cordialmente no nosso processo de crescimento. Acima de tudo, a paciência transforma toda e qualquer lágrima em gotas de sorriso, pois ela traz o suco amargo que é triturado na alma para os canais puros dos olhos e os derrama sobre as faces vermelhas da humildade, e as torna doces sobre os lábios de um sorriso. A paciência suporta, curte, transforma tudo o que tem o peso amargo do sofrimento em lágrimas doces do sorriso. Quem tem paciência e a quem a paciência o tem, sabe do que se trata. Quem não a tem pode deixar-se possuir por ela e aprender o que significa e qual o seu sentido para suportar os grandes pesos da vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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19 de outubro de 2016
Se não sabe escutar, não sabe falar” (Heráclito de Éfeso, filósofo grego, 535-475 a.C.).
Escutar é uma arte nada fácil de exercitar. Em geral, escutar é entendido como uma atitude que vem de um dos órgãos dos sentidos (ouvido) que usamos para captar vozes, sons, ruídos etc. E de acordo com o que escutamos, vai se formando uma série de significados em nossa mente até que falamos. Falamos com base no que escutamos. Escutar, porém, tem outra significação mais profunda, na qual os “ouvidos externos” são apenas eco e expressão. Escutar é prestar atenção. Prestar atenção é colocar-se pra valer na tensão da situação. Há situações que são tensas, ou seja, nos colocam tensos. Tenso é o que está esticado. Por isso, exige de nós a atitude de esticar, estender, alargar o horizonte de visão e de compreensão para captar bem o que está sendo dado. Para isso deve ir além de inclinar os ouvidos. É necessário fazer-se todo ouvido. E para fazer-se ouvido é importante abrir-se ao máximo para receber o que está se oferecendo. A vida cotidiana, por exemplo, é cheia de acontecimentos, de desafios, de falas, de momentos, de exigências e provocações que nos pedem atenção, envolvimento, interpretação e exercício de compreensão. Quando isso é feito de modo atento, cuidadoso, livre e engajado, brota uma experiência daquilo que escutamos e faz surgir uma fala cheia de sentido. Fala cheia de sentido é aquela que nasce de uma escuta essencial, isto é, da essência das coisas. A essência nessa perspectiva tem a ver com o essencial. O essencial como a coisa se mostrando ela mesma, nela mesma, e a partir dela mesma. É dessa experiência que desabrocha um tipo de fala que tem autoridade, que convence, que inspira, que forma, que convoca e provoca para uma mudança, um crescimento, uma transformação, uma conversão e um novo sentido para a vida. Talvez estejamos vivendo um tempo em que esse exercício de escuta e fala se faça urgente, pois é da carência dele que sofre nossa educação, nossa política, nossas relações no ambiente de trabalho, nossa aliança matrimonial, nosso convívio familiar entre pais e filhos, filhos e pais, e, até mesmo, saibamos ou não, nossa relação com o divino. Nossas confusões e atrapalhações em muitos âmbitos da existência hoje em dia, têm na sua raiz essa dificuldade de escutar e falar. Escutar e falar são um modo todo especial de estar na existência e de criar e recriar mundos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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18 de outubro de 2016
Para viver fora da lei, você precisa ser honesto” (“Bob Dylan”, nome artístico de Robert Allen Zimmerman, músico, compositor, ator e escritor norte americano, prêmio Nobel em 2016, nasceu em 1941).
Por “lei” entendemos um princípio ou regra estabelecida por direito a um grupo. Quem cria as leis em uma nação são os representantes do “povo” no legislativo. Algumas vezes os interesses corporativos estão acima do bem do povo na criação de leis. De uns anos para cá, vivemos um paradoxo em relação à lei. Há aqueles que acham que ela é desnecessária por ser algo impositivo, obrigatório e exigente. Soa uma espécie de autoritarismo massacrante que vai contra os princípios, o modo de ser, agir e pensar de algumas pessoas.  Por isso mesmo, cumpri-la cheira a submissão, obediência cega a Instituições ou grupos de pessoas. Com outras palavras, lei dá ojeriza em alguns por se entender que ela inibe a liberdade humana. Então, o melhor; nesse modo de ver e pensar a lei parece ser a rebeldia, o ser contra, o fugir, o quebrar e negar a lei. Na outra vertente, estão os que acham que a lei é a forma mais adequada de se manter a coesão de um grupo, de fazer as pessoas respeitarem aqueles princípios maiores que fazem nascer, crescer e sustentar a vida daqueles que vivem em grupo ou em sociedade. A lei para esses torna-se algo quase “divino”, a quem todos devem obediência e respeito. No entanto, seja quem vai pelo caminho da rebeldia ou da obediência e respeito, precisa aprender que a lei está aí para cada um e para todos. Queira ou não, goste ou não, concorde ou não, ela está aí. Ainda que seja rompida, contestada, desrespeitada, a lei continua lei, presente e envolvente como sempre. Na verdade, admita-se ou não o valor e a força da lei, ela representa o mínimo que precisamos saber e atentar para vivermos de acordo uns com os outros. Porém, se quisermos viver fora da lei, como quem vive acima dela, paralelo a ela, e distante dela, é necessário ser honesto. Honesto no sentido de ter aquela postura ou modo de ser que tenha ou não a exigência de uma lei, se comporta e age como convém. Agir como convém é bem diferente de agir forçado ou obrigado pela circunstância em que se está ou se vive. Por exemplo, num ambiente em que as pessoas burlam a lei e se deixam corromper pelo dinheiro e pelo poder, é fácil se deixar levar pela mentalidade de que se todo mundo pode e faz, então, também, posso e faço. Ainda mais, faço porque percebo que ninguém está olhando ou cobrando nada com base na lei. O honesto é aquele que independentemente se existe ou não uma lei; se há cobrança ou não; se há alguém olhando ou não; julgando ou não, ele se mantém na integridade e lealdade da ação. Faz até mais, se for o caso, do que é exigido na lei. Aliás, até contesta a lei se ela não estiver a serviço da honestidade que se deve ter para com tudo e para com todos dentro de qualquer ambiente. Quem assim age nem sempre está contra a lei. Nem sempre está a favor da lei. E nem sempre está acima da lei. Está apenas fora dela. Mas, fora aqui nada tem a ver com o estar afastado, alheio e em desacordo com a lei. Tem a ver com o estar exposto, ou seja, posto fora de qualquer deslize que manche ou deturpe o verdadeiro significado da lei. Esse modo de ser assim todo exposto, cordial, livre, coerente, justo e aberto para a lei e o exercício da lei, talvez tenhamos que recuperar para viver em sociedade nos dias atuais, e nas mais diferentes exigências onde a lei nos convida ao seu cumprimento, à concordância e respeito. Pode ser que seja nesse sentido que há milênios ouvimos o Mestre Jesus de Nazaré dizer: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir”. (Mt 5, 17). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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17 de outubro de 2016
Toda dificuldade contornada se converterá mais tarde em um fantasma que perturbará nosso repouso” (Frédéric François Chopin, músico e compositor polonês, 1810-1849).
Em cada passo que damos, mais segurança no caminhar. Quando observamos a natureza e vemos como as mães ensinam seus filhotes, nos parece até cruel, pois elas obrigam, de certa forma, que eles enfrentem as dificuldades para ganhar independência. Nós temos a tendência de superproteger nossas crias, retardando seu aprendizado e independência. Assim, diante das dificuldades, corremos para a “barra da saia” da mãe. Muitas vezes, quando nos falta este apoio, em vez de enfrentar, sublimamos para esquecer. Só que nosso inconsciente “engaveta”, para mais tarde nos cobrar uma solução. Nós precisamos enfrentar as dificuldades quando elas se apresentam, buscando em nossa criatividade, os caminhos para uma solução. Tudo tem uma solução. É o nosso medo que faz ver dificuldades onde elas não existem. Como em um jogo de encaixe, as peças devem girar para encontrar o ponto certo, também em nossas dificuldades, em vez de insistir em apenas um modo de solucionar, devemos reposicionar as premissas, para que as soluções se apresentem. Acredite em sua capacidade, evoluímos em cada dificuldade vencida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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14 de outubro de 2016
A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporcione apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração” (Madre Tereza de Calcutá, missionária católica de origem albanesa, 1910-1997).
O sorriso abre corações. A regra é simples; proporcione ao outro aquilo que gostaria de receber. Só que a Madre acrescenta outro elemento, o sorriso de alegria. E como é bom ver o sorriso na face de quem nos atende. Por mais difícil que seja o trabalho naquele momento, por mais cansado que você esteja, por mais incômodo que seja quem você atende, dê-lhe um sorriso de alegria. Você deve ser portador da luz, e esta luz muitas vezes se reflete em vosso sorriso. Além de todo empenho que tens em teus cuidados, irradies teu sorriso de alegria. Ele tem um efeito terapêutico enorme, proporcionando a quem o recebe uma gota de esperança na humanidade e um agradecimento ao Pai do céu. Neste momento, de certa forma, você está sendo um anjo (mensageiro de Deus) na vida desta pessoa. Nunca negue seu sorriso. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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13 de outubro de 2016
Amores vêm e vão, mas nunca vêm em vão” (frase na internet).
O pássaro livre voa e pousa. Só permanece onde encontra carinho. Independente do significado, da importância, do valor, do tamanho, da profundidade, da largura, ou do modo de ser  do amor, ele, tal qual um visitante, vem e vai. Ele vem gratuita e discretamente a qualquer um de nós. Essa gratuidade e discrição quase sempre nos passa despercebida. Aliás, por não lhe darmos atenção ele continua seu caminho. É assim que nos gestos de bondade, cortesia, delicadeza, generosidade, justiça, compreensão, respeito e solidariedade que demonstramos uns aos outros no cotidiano, ali o amor está sempre disfarçado vindo a nós. De modo particular, nas relações homem e mulher, pais e filhos, entre casais de namorados, ou grupos de amigos, o amor vai e vem. Há também um modo dele ir e vir. É quando as pessoas saltam de uma relação para outra ao modo de trocar de roupa de manhã, à tarde e à noite. Nesses, e para esses, o amor também chega, mas não tendo enraizamento, se vai. Uma verdade, porém, é inegável. O amor nunca vem em vão. Ele sempre deixa sua marca, seu ensinamento, suas pegadas, seu sentido e sua orientação. Por não vir em vão, ele cumpre sua missão. Depois volta de onde veio num eterno ciclo parecido ao da chuva que vai aos céus e, depois, volta à terra fecundando, criando e recriando tudo. Temos costume de nos apegar a tantas coisas, situações e, até, pessoas, que nem sempre deixam marcas positivas e significativas em nós, mas temos muita dificuldade de nos apegarmos ao amor. O apego a ele jamais nos aprisiona, tal qual nos aprisiona quando nos apegamos a pessoas, situações e coisas.  Ele é solto, livre e aberto. Aberto, livre e solto é quem nele se apega. Apegar-se ao amor nada tem a ver com posse, pois o amor jamais se deixa possuir. Trata-se de grudar-se nele e deixá-lo grudar-se em nós para que a cada passagem sua possamos ir para onde ele vai, seguindo e experimentando sua aventura de receptividade e doação. Nesse sentido, sua passagem em nós e para nós nunca será em vão, ou seja, jamais nos deixará vazios ou ocos, mas cheios, plenos de sua doação gratuita. E quem recebe do amor quando ele passa, passa a viver do amor, no amor e para o amor em tudo e para com tudo e todos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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12 de outubro de 2016
Se dizem mal de ti com fundamento, corrige-te; caso contrário, dê umas boas risadas” (Epicteto, escravo e filósofo grego, 55-135).
Rir faz bem. Certa feita perguntaram a uma criança o que ela queria ser quando crescer. Ela disse que queria aparecer na TV. Perguntaram se ela queria ser atriz. Ela disse que não, queria apenas aparecer na TV, pois isso fazia ela aparecer. Aparecer parece ser o grande sonho de muitas crianças, jovens e adultos, hoje em dia. O desejo de serem reconhecidos aponta, muitas vezes, para a baixa estima elevada que experimentam há anos. Precisam aparecer para parecer, ao menos para si mesmos, que contam para os outros, para a família, para o mundo. Nessa história de querer aparecer conta muito a visão, a fala, e o parecer do outro. O problema é quando a fala, a visão, e o parecer do outro vem em forma de crítica, ou do falar mal. Como esperam sempre que se fale bem, que elogiem, que reconheçam sua existência, ao menos na aparência, facilmente caem em desalento, decepção e tristeza, quando nada disso chega. Pelo contrário, sofrem muito quando a crítica aparece. Quem deseja crescer dentro de si é bom aprender a tomar o falar mal e a crítica que vem dos outros como material de análise, e não como verdade pronta, logo de partida, a respeito de si. Analisar, para ver se tem fundamento. Se tiver, aproveitar para fazer ajustes e reajustes no que o outro tem razão, pois isso é inteligente para quem deseja se aperfeiçoar. Caso o outro não tenha razão, então ria. Rir aqui é como alguém que gosta de ver a sua imagem aparecendo num palco de teatro e sendo percebida de outra forma e de outro ângulo que não seja o seu. Essa capacidade de se ver diferente do que se percebe e imagina é interessante para criar uma abertura dentro de si, no sentido de saber que aquilo pode não ser verdade, mas representa uma possibilidade dentro da grande imensidão da vida. Ou seja, no terreno da liberdade humana posso ser qualquer coisa, depende sempre de como me assumo ou não em cada situação que me é dada. Essa postura nos coloca mais no fundo de nós mesmos. E isso é crescer com fundamento sólido na personalidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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11 de outubro de 2016
Qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão” (Epicteto, escravo e filósofo grego, 55-135).
Para o preguiçoso, tudo é difícil. Vontade é disposição de buscar pra valer o que constitui o interesse maior de nossa vida, de nosso coração. Só que esse interesse maior é o que de fato é; não o que achamos que é. Às vezes achamos que o interesse maior de nosso coração é lutar para ter um bom emprego. E ter um bom emprego significa aquele que pode me dar um salário alto e boa garantia de vida até a velhice. Se conseguir tal emprego e, de repente, vejo que ele não bate com meu desejo, com meu interesse, então começo a achar que não vale à pena e mudo para outro, para outro e, assim por diante, até me esgotar de tanto procurar. E se fico aqui e ali fazendo bico ou temporariamente tentando sobreviver com um salário menor é porque (ao menos se diz) não tem outro jeito. O emprego que faço nessa situação vira camisa de força, casa de tortura, uma prisão, pois, o faço sem a mínima vontade. Minha vontade mesmo é a de estar naquele que imagino e não no real ali onde tenho os pés no momento. Isso vale, também, para uma profissão, para o matrimônio e até mesmo para o lazer. Se estiver numa festa, por exemplo, e vejo que não me agrada no projeto de meu desejo e vontade, então não fico, ainda que a festa seja de fato boa e que todo mundo esteja gostando. Com outras palavras, tudo que contraria minha vontade então eu deixo de fazer. Mas, a vida está cheia de coisas que contrariam a vontade da gente. Só que, às vezes, não tem saída, me sinto obrigado a fazer algo mesmo contra a vontade. E é isso que se torna o tormento e a prisão. Que tal se a gente começasse a entender que vontade não é apenas fazer o que se gosta e deseja, mas, a disposição firme, séria e decidida de fazer o que pode e o que deve ser feito a cada momento e em cada situação. Entender “vontade” como sendo uma abertura para a vida como ela é e na qual eu sempre me disponho para me colocar dentro dela, venha o que vier e aconteça o que acontecer. É assim que se estou num emprego que não gosto, faço o melhor que posso para crescer ali dentro, custe o que custar. Ao invés de ficar saltando de galho em galho, gastando energia e tempo com meu desgosto, aproveito aquela oportunidade que está às mãos e me dedico da melhor maneira fazendo daquilo o meu foco de interesse. Essa postura é livre e jamais nos aprisiona num capricho pessoal. Ela treina a vontade e nos coloca mais dentro da vida com tudo o que ela tem e é. Lá onde estou (numa profissão, num casamento, na escola, no lazer etc), ali sempre é o lugar onde tenho a liberdade e responsabilidade de me colocar e de crescer. A vontade é a minha mestra para me treinar no uso da liberdade. Ela não é fazer só o que gosta e muito menos evitar o que não gosta, mas, se dispor a fazer o que gosta ou o que não gosta, se for o caso. Só quando nego essa disposição para “fazer” é que começo a entrar no reino da preguiça. E preguiça aqui nada diz de canseira psicológica, mas é um modo de ser que me toma quando não faço bom uso da vontade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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10 de outubro de 2016
Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que de máquinas. Mais de bondade e ternura do que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá” (Charles Spencer Chaplin, ator, diretor, produtor, humorista, roteirista e músico britânico, 1889-1977).
Sem o coração o cérebro vira máquina. A palavra sentir, de origem latina, nos traduz a ideia de perceber pelos sentidos, pela sensação; experimentar. É o que faz o cozinheiro, que depois de ter executado conforme a receita, experimenta, aguça seus sentidos, tudo deve estar harmônico, daí a “receita” se transforma e ganha “vida”. De certa forma é isso que Chaplin alerta; de nada adianta executar algo conforme um protocolo, se faltar humanidade, sentimentos. Por isso devemos ir até o chão fértil da terra (húmus), esquecendo nosso orgulho, esvaziando a vaidade e de lá renascer (humildade), pois é daí que a vida fertiliza (germina), e isso é uma experiência do humano, coisa que as máquinas são incapazes. As sensações aguçam nosso relacionamento com o próximo, pelo amor que se traduz em bondade e ternura que é vivenciado no praticar, no se doar, no esquecer de si para que o outro cresça. São coisas do coração e não do intelecto. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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7 de outubro de 2016
Quando nos livramos da necessidade de orientar as coisas a nosso modo, permitimos que o fluxo divino nos guie até onde devemos chegar” (Jiddy Krishnamurti, filósofo, escritor e educador indiano, 1895-1986).

Quem confia no Senhor, nunca está perdido. Já ficou demonstrado que, quando alguém se baseia apenas em seus instintos, sem uma orientação segura, acaba andando em círculos. Muitas vezes nos comportamos como crianças birrentas que queremos tudo do nosso jeito. O modo de ver da criança naquele momento é que ela tem que satisfazer sua vontade a qualquer preço, e quando não consegue, apronta o maior escândalo. Muitos pais, para evitar um constrangimento, acabam cedendo, tornando-se assim, refém de um “tiranozinho”. Ao desprezar a orientação segura de seus pais, ela deixa de conseguir algo melhor para si. Deus é um pai amoroso que sempre sabe o que é melhor. Quando nos deixamos guiar por Ele, tudo vai contribuindo para que as coisas aconteçam de modo sereno e harmonioso. Este fluxo divino de orientação age sem que percebamos. Mas, para isso temos que confiar no “wase” (aplicativo de navegação e trânsito) “divino”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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6 de outubro de 2016
Antes de entrar numa batalha, é preciso acreditar naquilo pelo qual se está lutando” (Chuang Tzu, filósofo chinês, 370-287 a.C.).

A força da vitória está em um espírito decidido. A palavra “batalha” nos lembra luta, conflito, opiniões divergentes. As opiniões são formadas após um período de aprendizagem. Dependendo de quem foi o “mestre”, as opiniões podem ser diferentes. Assim, antes de sair defendendo a opinião de terceiros, comprometendo sua integridade, assegure-se da veracidade dos fatos. Dependendo do ponto de vista, um fato pode ter várias abordagens. Más interpretações podem gerar ações desastrosas. Primeiro esvazie seu espírito de todas as paixões por certas opiniões, deixando apenas o que tens de certeza absoluta. Depois, analise o que está causando desentendimento e se pergunte se aquilo poderia ter outra interpretação. Só depois de formar convicção, é que poderás entrar em “batalha”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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5 de outubro de 2016
Lembre-se: você é seu próprio general. Então, tome agora a iniciativa, planeje e marche decidido para a vitória” (Sun Tzu, filósofo chinês, 544-496 a.C.).
Ser comandado é mais cômodo que comandar. Quando estamos viajando de passageiro, estamos mais tranquilos, pois cabem a quem está na direção as decisões pertinentes a cada momento. Quando somos nós que estamos dirigindo, temos a responsabilidade de levar com segurança o “veículo”, com atenção redobrada para que cheguemos ao destino. Em nossa vida acontece algo semelhante. Quando somos crianças, estamos em formação, e cabe a nossos pais a orientação necessária para que possamos no futuro tomar as nossas decisões. À medida que crescemos, a escola vai dando elementos de conhecimento, para serem aplicados em momento oportuno. Mas, está em nós o querer aprender, associando o que nos ensinam, com nossa própria experiência. Chega o momento em que assumimos o comando de nossa vida. Temos que tomar decisões para que ela caminhe. Tudo que aprendemos desde a infância, agora vai contribuir para nosso planejamento e ação. Se perdermos o momento propício, podemos perder a “batalha”. Ninguém vai te dizer quando e como agir. Cabe a você. Esta segurança está dentro de ti. Abra os olhos, perceba o que ainda está oculto, analise tudo que tens e “marche decidido para a vitória”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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4 de outubro de 2016
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união.” (Giovanni di Pietro di Bernardone, “São Francisco de Assis”, místico católico italiano, 1182-1226).
“Meu Deus e meu tudo”. O dia de quatro de outubro é dedicado a São Francisco de Assis, e por consequência, dia da natureza e dos animais. Temos a tendência de olhar com uma visão romântica, onde tudo está em paz; os pássaros cantam, e as pessoas se abraçam etc. Mas essa visão esconde a realidade. Esta paz tão almejada é fruto de um trabalho árduo de uma vida inteira. Foi difícil. Primeiro era entender o que Deus queria com ele. Até seus amigos acharam que ele tinha enlouquecido; o pai dele mandou prendê-lo. Teve muitas dúvidas. Em todas elas, ele recorria ao Evangelho, aberto aleatoriamente, para encontrar uma resposta. A vida dele foi se tornando uma oração constante ao amor de Deus na pessoa de Jesus. Aos poucos foi ficando claro, qual era sua missão de paz. Seu maior desafio era vencer a si mesmo. O corpo pedia conforto, descanso; sua mente oferecia alternativas mais fáceis; muitos opinavam de maneira diversa; mas ele se manteve fiel ao compromisso de amor a Deus e ao próximo, que se estendeu a toda a natureza. Abraçou a pobreza como uma “esposa” querida, e sem nada, Deus se tornou o seu tudo. As lições de vida que ele nos deixou iluminam nossos passos até hoje. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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3 de outubro de 2016
Todas as coisas que foram criadas são filhas do mesmo Pai e irmãs do homem. Deus quer que, como irmãos, ajudemos os animais que necessitam de auxílio. Toda a criatura tem o mesmo direito de ser protegida” (Giovanni di Pietro di Bernardone, “São Francisco de Assis”, místico católico italiano, 1182-1226).
Assim como o mundo de hoje é reflexo de ações do passado, também o que fazemos hoje refletirá no futuro. Só agora que o mundo desperta para a importância da preservação de nosso planeta. Muitas espécies de peixes estão escassas ou desapareceram, ou pela pesca em quantidade exagerada sem dar tempo para reprodução natural, ou pela quantidade de agentes químicos que alteram o equilíbrio das águas, resultado da falta de cuidados com os dejetos do próprio homem, causando a poluição. Também os animais que povoam a vida na terra tiveram suas vidas agredidas pela incapacidade de muitos humanos de convirem pacificamente respeitando as criaturas de Deus. O mesmo vale para as plantas. Olhando mais atentamente, continuamos a fazer o mesmo em nossas casas, quando descartamos de forma irresponsável o que deixou de ser útil, ou quando falta o cuidado necessário com as plantas e animais. São Francisco entendeu a vida como um grande presente de Deus, onde tudo e todos devem conviver em harmonia, garantindo assim a preservação da vida na terra. Já são 790 anos de sua morte e ainda não aprendemos a conviver como irmãos de todas as criaturas, nem mesmo com nossos semelhantes. Até mesmo em nossos lares muitas vezes falta o respeito ao próximo. Muitos jovens estão atentos a isso e começam a buscar uma vida mais saudável. Estão atentos ao que está acontecendo com nosso planeta. A partir do seu alimento diário, estão nos mostrando que é possível, quando buscam algo mais natural para sua saúde. Nossas ações de hoje se refletirão no futuro. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de setembro de 2016
Não é a política que faz o candidato virar ladrão. É o seu voto que faz o ladrão virar político” (Anônimo).
Domingo que vem (02/10/2016), o brasileiro é convidado (para alguns, obrigado) a ir às urnas e expressar sua consciência política, através do voto. Por causa do cenário político atual, pode acontecer do pessimismo falar mais alto e nos deixar com a sensação de que política é sujeira, roubo, exploração e corrupção. E que político é tudo a mesma coisa, tudo ladrão, se diz! Esse modo de conceber a política e os políticos até certo ponto tem sua razão de ser, porém, não deixa de ser, também, generalizante e precipitado. Isso, porque, enquanto seres sociais, sociáveis, e que vivem em sociedade, somos um. Isso significa que enquanto “UM” somos responsáveis pelo todo que chamamos bem comum. E para ajudar a promover o bem comum, costumamos eleger representantes que estejam à frente desse processo de “comunitarizar” (tornar comum, dar acesso a todos) o bem social. O voto ainda é o instrumento clássico que assinamos como cheque em branco para autorizar nossos representantes a trabalharem conosco, por nós e para nós no exercício do bem comum. Trata-se, portanto, de uma responsabilidade social única, intransferível e, por que não dizer, sem volta. Voto é sem volta até a próxima eleição ou outro rumo que se queira decidir no caminho ou processo iniciado. Ele é, de certa forma, o nosso futuro político através de nossa forma de fazer política com ele. Por outro lado, é ingênuo pensar que é nosso voto que elege ladrões que se tornam futuros políticos ladrões. O que faz um ladrão não é o voto. O voto apenas o confirma, se for o caso. Um ladrão é gerado na família ou na falta de uma família. É gerado numa sociedade excludente e numa pervertida educação ao longo do crescimento do cidadão. É difícil na hora do voto saber quem é ou não é um ladrão, pois não temos bola de cristal e nem fomos acostumados a detectá-los, mas a confiar naqueles que colocamos nos cargos públicos. Além de que pelo simples fato de ser cargo público, já temos uma confiança natural de que estamos colocando lá alguém que de fato nos represente. O que temos de pensar na hora do voto é se pessoal e coletivamente temos feito uma trajetória familiar (seja com o tipo que for que se queira conceber essa palavra hoje em dia),  educacional, religiosa, cultural e política (no sentido real desse termo), para na hora do voto nem precisarmos nos preocupar se a urna está recebendo um candidato que de fato nos represente ou não. A urna em certo sentido não é o começo de um processo, é o final. A urna apenas expressa nossa formação política, especialmente coletiva. Ela é o termômetro que mede nossa responsabilidade e consciência social do momento. É isso que devemos começar a pensar ou que já deveríamos ter pensado antes de depositar um voto nas urnas. Ou seja, quem estará amanhã nos representando já depende de quem somos na atual conjuntura em termos de Unidade social ou responsabilidade coletiva já trilhada há anos. É possível mudar o quadro político em que vivemos, hoje; mas isso exige quase que comecemos de novo e de modo novo, assumindo cada um, antes de tudo, o “mea culpa” social em que nascemos e nos criamos até agora. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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29 de setembro de 2016
Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo” (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo, filólogo, crítico, poeta e compositor alemão, 1844-1900).
Somos apenas parte de um todo muito maior que nosso ego. Há uma idade na vida da gente em que começamos a ser muito egocêntricos (centrados em si mesmo). Isso é muito bom, pois representa aquela fase em que nos aventuramos no caminho do autoconhecimento. Iniciamos uma jornada de conhecer, descobrir, explorar e compreender o próprio “território” interior chamado “EU”. Ser egocêntrico aqui é tarefa de centralizar-se, de se colocar no eixo que dá equilíbrio à personalidade e no bom sentido da autoafirmação. Isso leva uma vida. É uma espécie de retiro prolongado conosco mesmo. Com o tempo começamos a criar uma ótima autoestima, a ter uma profunda percepção e visão de nosso mundo interior e, consequentemente, uma visão mais clara, mais real, mais respeitosa e transparente não só de nós mesmos como, também, do próximo. Se esse tipo de trabalho com o "ego" não for bem feito ele decai para o egocentrismo. O egocentrismo é um modo de, também, se colocar no centro. Só que “absolutiza” (se acha o máximo) a si mesmo e passa a ter uma visão e compreensão distorcida de si e dos outros. Esse modo de ser vira modo de pensar, sentir e agir que chamamos de egoísmo. Por isso se diz que o egoísta só pensa em si, só ama a si, e faz tudo e todos girarem ao redor de seu "ego" “absolutizado”. Esse tipo de ego “absolutizado” cria uma falsa identidade e vive em função dela, deixando ela mover seus pensamentos, seus sentimentos e suas ações. Ou seja, ele se apega a esse “ego” decaído como única verdade a medir o que quer que seja. Fica preso a ele e sufocado pelos seus impulsos defensivos e agressivos para se proteger o tempo todo. Isso, por sua vez, o impede de ver de forma mais ampla o real da realidade, o próximo e a si mesmo. Aprisionado no seu egoísmo, o egoísta perde o senso da verdade, se instala em um mundo apoucado e acredita cegamente que esse mundo constitui o todo. É semelhante ao sapo no seu poço perguntando se o mundo que o cercava era maior do que o seu pequeno reduto de água e lama. Esquecia-se que seu poço era apenas parte de um todo imensamente maior e mais livre do que onde tinha o próprio corpo. Negligenciava o fato de que pertencia a uma imensidão da qual era chamado a reconhecer e tomar posse mergulhando nela e se inteirando de sua grandeza, profundidade, largura e radicalidade. Se fizesse isso aumentaria seu campo de visão e compreensão, seria mais livre, mais solto e mais real. Veria mais coisas e um horizonte maior de possibilidades se desprendesse e se despregasse de onde estava. Desprender-se e despregar-se aqui não era para anular e desprezar o seu poço, mas um exercício de sair de si, de suspender provisoriamente o lugar de seu posicionamento “absolutizado” (se achando o dono da verdade), para encontrar e encontrar-se naquilo que possibilitava o seu próprio poço e o seu estar no poço. Assim acontece com todo aquele que aceita desprender-se de sua própria visão, de seu "ego" estreito, de sua maneira estreita de viver, de pensar, de ser e agir. Esse aprende a ver muitas coisas dentro e fora de si. Amplia seus horizontes de percepção do mundo em que está e se reencontra mais livre e solto na sua própria identidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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28 de setembro de 2016
“Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração”
(James Freeman Clarke, teólogo e escritor americano, 1810-1888).
Teu voto é tão precioso que os candidatos fazem de tudo para te convencer. Aproximando-se as eleições municipais no Brasil, é possível ouvir, ver e acompanhar o “ti-ti-ti” que ecoa das conversações políticas no meio em que vivemos. Há uma troca de informações de forma informal entre os eleitores, perguntando-se aqui e acolá em quem votar. Paira no ar uma dúvida sobre em quem votar, não por causa da desinformação (em alguns casos, sim!), mas por causa do trauma político vivenciado pela população brasileira, particularmente, nos últimos anos. Em um curto espaço de tempo são muitos os que carregam o estigma de que já não dá para confiar em políticos, e de que eleição virou plataforma de lançamento de interesses para a eleição seguinte. Ou seja, em cada eleição é elaborado um cardápio de propostas enganadoras que servem para eleger o candidato, mas, uma vez alcançado o objetivo, a administração vigente se torna um canteiro ou horta onde se planta sementes visando colher frutos para a próxima eleição. Tal qual a personagem da antiga “Escolinha do Professor Raimundo” que dizia virando os olhos “Só pensa naquilo...”, de igual modo são entendidas as eleições na mente de alguns políticos brasileiros: “Só pensam na próxima eleição...”. Não pensam nem no presente e nem no futuro das próximas gerações, mas, unicamente no futuro de seus interesses pessoais. Para isso, mentem sem medida. Político assim é aquele que usa do Estado, da máquina pública, ou da arte de governar, em função de seus caprichos. Esse estilo de político e de governo é que tem comandado e “administrado” a sociedade brasileira dos últimos decênios. Deles estamos saturados e traumatizados. Talvez, nos falte no momento a presença de um Estadista. Estadista no sentido de alguém que seja tarimbado na arte de liderar pessoas no âmbito político e de administrar a coisa pública com sabedoria e arte. Estadista é bem diferente daquele que da noite para o dia se apresenta como a solução e o milagre de um país, mas, é alguém que a vida pública foi sendo construída e tomando corpo em sua existência, de tal modo que ele se torna pura expressão do bem comum. Sua fala, seus gestos, suas ações passadas, seus pensamentos, suas relações, enfim, seu modo de ser e de agir falam por si, dispensa as apresentações envernizadas e camufladas para se fazer valer. Um Estadista nunca é alguém que faz política antes, durante, e depois das eleições, mas é a própria política em movimento o tempo todo e a vida toda em tudo o que pensa, sente e faz. O momento político atual pede um olhar mais acurado dos eleitores para fazer escolhas políticas à altura do que realmente merecemos. A escolha do momento é desafiante. Pode ser que seja um trabalho de garimpagem para identificar estas “joias raras” num terreno de aparências políticas, mas, que no fundo mais fundo e profundo ainda deixa encontrar algumas dessas joias raras. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de setembro de 2016
Cuidado ao abrir a caixa de Pandorra” (Frase na internet.

O poeta grego Hesíodo (século VII a.C.), narra o mito da caixa de Pandora (que significa bem dotada) para ilustrar aspectos da natureza humana. Nele, a caixa de Pandora é o recipiente que na mitologia grega Zeus deu à primeira mulher criada por ele e que continha todos os males do mundo. Pandora levada pela curiosidade abre a caixa e deixa sair todas as desgraças da caixa, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair (esperança que alguns acreditam ser o único bem deixado propositalmente por Zeus na caixa). Há algumas versões desse mito e pode ser interpretado de muitos modos, aliás, como tem sido até por filmes de Hollywood. Porém, jamais devemos esquecer que ele é uma fala da existência no seu modo de ser frente à realidade do que se pode chamar aqui de mal. Mal enquanto modo deficiente do homem e da mulher serem ou de se colocarem na vida. Esse mal não é apenas mal moral (com o tempo pode se tornar mal moral também), é o próprio homem e a mulher fazendo sua experiência distorcida da busca do conhecimento. A curiosidade entra apenas como a maneira intempestiva, distraída, distorcida, bisbilhoteira (não de interesse), e apressada de trilhar esse processo, totalmente desconectado com sua fonte divina. Esse modo de ser habita dentro de nós; nós o liberamos continuamente da, na e para a nossa existência, sem cuidado e sem atenção. Uma vez liberado de dentro de nós mesmos, de forma pessoal, comunitária, social, ou de qualquer outra forma onde sejamos e estejamos presentes, ali tem início o nosso destino de destruição e violência de nós mesmos, dos outros, da natureza, do planeta Terra e, assim, em ondas cada vez mais crescentes. Ao menos o mito não diz se há um modo de fazer voltar o mal para a caixa, mas ele pode e deve ser reorganizado dentro de nós mesmos pelo uso da inteligência (o fogo que Prometeu havia roubado do Olimpo). É do bom uso da inteligência que o mundo dentro e fora de nós reencontra sua beleza original simbolizada por Pandora. Na tradição judaico-cristã, Pandora pode muito bem ser representada por Eva e pela alma humana na sua busca do conhecimento. Esse conhecimento quando buscado em sintonia com a sua fonte, com seu Criador, é que nos dá sabedoria para viver e organizar o mundo em que somos e estamos. Sem essa sintonia e conexão nos tornamos meros curiosos do saber. A aproximação do saber pelo caminho da mera curiosidade, entendida como mero desejo de dominar o conhecimento, não traz sabedoria, mas, perdição. Pois, o conhecimento se retrai para aqueles que se aproximam dele sem real interesse, buscando apenas vantagens de poder. Talvez a tecnologia atual tenha muito dessa abertura da caixa de Pandora, pois buscada e realizada em sintonia com os princípios do conhecimento tem dado enormes avanços e ajuda ao ser humano. Quando buscada sem essa sintonia tem gerado danos e destruição irreparáveis para a humanidade. Mais, ainda, tem se tornado uma forma de idolatria e de fanatismo que deixa rastros de desumanização em todos os cantos do planeta. Resta a esperança de que fomos agraciados com a inteligência e com ela a capacidade de lidar com todo o mal que liberamos de dentro de nós mesmos. Podemos lidar com ele de forma sábia para recriar o mundo em que somos e que nos cerca. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de setembro de 2016
“Você tem a liberdade de escolher um bom hábito ou um mau hábito. Se você repete um pensamento negativo ou age negativamente durante certo período, ficará sob a compulsão desse hábito. A lei do seu subconsciente é o hábito” (Joseph Murphy, escritor irlandês, 1898-1981).
Bons pensamentos geram boas ações. Muitas coisas de nossa vida foram adquiridas pela força do hábito, e só nos damos conta disso depois que perdemos. Uma delas é nossa capacidade de andar. Como aprendemos andar quando ainda criança, o fazemos até sem pensar; mas, foi um aprendizado. Quando alguém fica longo tempo sem poder andar, por conta de um acidente, por exemplo, é preciso reaprender a andar. Em tudo que fazemos regularmente, vamos marcando nosso subconsciente e com o tempo nem nos damos conta de como fazemos, vira hábito. Dirigir, andar de bicicleta e muitas outras. Vamos até nos aperfeiçoando quando ganhamos confiança no que estamos fazendo. Tanto vale para bons hábitos como para maus hábitos. Por isso, devemos ter a inteligência de cultivar bons pensamentos e a partir deles, adquirir bons hábitos, para que possamos colher bons frutos em nossa vida. Quanto mais nos entregamos à comodidade (no sentido de nada fazer), mais ela suga nossa energia criativa, e assim vamos definhando; ao contrário, quanto mais vencemos a inércia, estando em “movimento” e sendo fieis aos hábitos saudáveis, mais estaremos nos aperfeiçoando. É difícil cultivar bons hábitos, pois toda vez que começam, irão aparecer muitas coisas para te distrair e fazer mudar de ideia. A força de vontade é necessária para a perseverança. Com o tempo verá que valeu a pena. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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23 de setembro de 2016
Justiça extrema é injustiça” (Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano, 106–43 a.C.).
Por “justiça” entendemos a prática e o exercício do que é direito. Justiça é uma palavra preciosa, e uma prática que entendida dentro e, também, para além do âmbito legal e jurídico, tem condições de trazer muita concordância e paz, especialmente na vida social de um povo. No Brasil e, infelizmente, em muitos outros países, a justiça vem tantas vezes entendida como um julgamento que, no fim das contas, conduz à cadeia, às grades, à pena de morte e por aí vai. Justiça, portanto, é sinônimo de prisão e sentença de morte. Dificilmente se encontra atitudes sociais e políticas que fazem da justiça um espaço de libertação dos homens e mulheres envolvidos em causas condenatórias. Aqui vale pensar no sábio Rei Salomão quando teve diante de si a causa de duas mulheres reivindicando ser a mãe verdadeira do mesmo filho. Para fazer justiça à questão ele mandou que partisse a criança ao meio e desse metade para cada uma. Final da história, a mãe verdadeira aceitou ceder o filho para a falsa mãe contanto que fosse preservada a vida da criança. O senso de justiça na questão levou o sábio rei a entregar a criança à mãe verdadeira. Esse senso de justiça que não impõe medidas frias, padronizadas, estabelecidas e calculadas sobre os incriminados, mas que ouve em cada situação a solicitação mesma da própria justiça, é que talvez nos falte no momento para julgar tantas causas no Brasil. Não é a aplicação de uma justiça extrema para fazer valer o pré-estabelecido que traz o brilho real da justiça, mas a capacidade de percebê-la a cada momento se dando e solicitando a verdade mais profunda do acontecer da existência, até mesmo lá onde tudo soa apenas maldade, crime, e maldição. Esse senso de justiça precisamos recuperar e, nos últimos dias, contra tantas vozes em contrário, foi possível degustá-la em miniatura na ação do juiz Sérgio Moro quando mandou revogar a prisão do Ex-Ministro da Fazenda Guido Mantega, que assistia sua esposa passando por uma cirurgia de câncer em um dos hospitais de São Paulo. Neste ponto o senso de justiça viu para além da aplicação fria da lei, para além do extremo que quer fazer justiça a qualquer custo. Dito de outro modo, fazer justiça ao modo de vingança, sem perceber todos os meandros que a aplicação da lei envolve. Se tivesse feito valer a lei pela lei, sem a sensibilidade que a situação exigia no momento, talvez muitos veriam com bom olhos essa prática, pois, justiça é para ser cumprida para todos, se diz. Isso, no entanto, por mais correto que pudesse ser, humanamente falando, seria somente um extremismo de causa e imposição de uma justiça cega que só vê a si mesma, jamais o todo de uma situação. E justiça cega que quer apenas fazer valer o fio da espada na cabeça do criminoso, sem se dar conta da totalidade de sua existência e de seu mundo, no fundo é injustiça. Justiça aqui nada tem a ver com piedade e cegueira para o crime que alguém cometeu. Tem a ver com ouvir a solicitação maior que se esconde nos fatos e para além deles. Um bom juiz é aquele que está sempre preocupado em ouvir essa solicitação maior que vem da justiça mesma. A justiça é para nos justificar, nos tornar justos, livres em alguma dimensão de nosso ser, e não para nos condenar, matar, ou nos tornar inconscientes e inconsequentes com nossos desejos reprimidos de ódio e retaliação. Quando a intenção da justiça é só prender, condenar e matar, é sinal de que ela já não ouve, nem enxerga e nem fala mais. E isso não é ser neutra e indiferente, mas decadente. Parabéns ao Juiz Sérgio Moro que na revogação de um ato jurídico e legal (por pressão ou não, vai saber!) nos trouxe um pouco de reflexão melhor acerca do verdadeiro senso de justiça, evitando que ela seja um cálice de cristal sagrado nas mãos de bêbados. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 de setembro de 201
A esperteza quando é excessiva, acaba por engolir o esperto” (Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, engenheiro eletromecânico e político brasileiro, 1929-2003).
Na calada da noite do dia 20 de setembro do corrente ano, sem alarde, deputados queriam aprovar uma proposta para anistiar investigados pela Lava Jato, temendo que o avanço das investigações os atingisse. Para evitar suspeitas, escolheram um projeto que já tramitava, para transformá-lo a seu favor. Tentaram ser espertos e passar a perna na opinião pública. A esperteza é uma atitude humana muito importante. Ela nos faz atentos diante do perigo, lúcidos frente à malícia e enganação alheia. Por exemplo, quem é esperto não costuma “cair no conto do vigário”, nem “comprar gato por lebre”. Muito menos confia em quem se passa por aquilo que não é. Porém, a esperteza que aconteceu nos bastidores da Câmara dos Deputados é de outro nível e sentido. É aquela do aproveitamento, da rasteira, do golpe baixo, e da armação. Trata-se de uma esperteza de quem quer ser mais esperto do que os espertos. De quem fica vigiando ansiosamente uma situação para dar o golpe na hora em que menos se espera. Ou seja, fica vigiando a esperteza do outro para procurar ser mais esperto ainda e levar vantagem. Como fica de olho apenas na esperteza alheia, tem visão curta, estreita, e acaba facilmente se distraindo de sua própria malícia, trapaça e ambição em forma de esperteza. É aí que ele se torna vítima e presa fácil da própria esperteza. Ela o engole na sua distração e o prende na sua própria armadilha. Foi assim com os “anônimos” do caixa dois da Câmara dos Deputados. Caíram na cilada que armaram, pois foi descoberta a intenção e a maracutaia que tentavam tramar. Aliás, falando a partir da real esperteza presente na História da humanidade, ela sempre foi louvada como sendo uma grande virtude dos homens e mulheres atentos aos sinais dos tempos em suas respectivas épocas: místicos, filósofos, mães com seus recém-nascidos e, até mesmo, ascetas e gurus na espera do inesperado nas caladas da noite. Por outro lado, sempre houve também aqueles que agiam na calada da noite com outro intuito, o de roubar, saquear e matar. São os lobos, os ladrões e salteadores. E pelo que parece os “anônimos” daquela noite de terça-feira não se encaixam, em termos de esperteza, nem aos místicos, nem aos filósofos, nem às mães, nem tampouco aos ascetas e gurus. A esperteza os enganou e desmascarou, engolindo-os como o crocodilo de “Peter Pan” que engoliu o capitão gancho. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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21 de setembro de 2016
A indiferença faz sábios e a insensibilidade monstros” (Denis Diderot, filósofo e escritor francês, 1713-1784).
Ser indiferente e ser insensível são duas possibilidades da existência na qual estamos mergulhados. A questão maior é como estamos e como nos compreendemos em cada uma delas. Podemos atravessar a existência ao modo da indiferença e, também, da insensibilidade. Porém, a indiferença quase sempre vem entendida como ser apático às pessoas e situações, como alguém que vive do desinteresse por tudo e por todos. E, insensibilidade, muitos a entendem como ter sangue de barata, coração de gelo e pele de jacaré. Ou seja, ser uma espécie de cofre fechado para dar e receber afetos. Esse modo de ser assim entendido jamais nos torna sábios e sensíveis. Olhando por outro lado, podemos entender a indiferença com um modo de ser da existência onde evitamos dar atenção, consideração e preocupação ao que não constitui o interesse maior de uma busca pelo real sentido da vida. É assim que um estudante que precisa passar no vestibular, tem nos estudos o seu foco principal para sua realização pessoal e profissional. Em nome disso se desinteressa, fica indiferente a muitas coisas que antes lhe ocupavam o tempo e o interesse como, por exemplo, ver TV, sair para uma balada com os colegas, deter-se longamente em um churrasco de final de semana, e diversas outras coisas, encontros e possibilidades que possam afastá-lo de sua busca fundamental. Essa indiferença o torna seletivo diante do real interesse de sua vida. Aos poucos ele vai mudando seu foco de interesses e se posicionando na direção de somente aquilo que de fato o move numa realização maior de vida. E isso que constitui a realização maior de sua vida é que abre seus olhos, sua mente, seu coração, seu espírito, para aquilo que vale realmente a pena em tudo. Desse engajamento nasce uma nova visão, um novo sabor, uma nova relação e um novo engajamento mais sério, radical e essencial para com tudo que o cerca. Consequentemente, isso cria nele um saber diante da vida que o orienta e move em tudo o que pensa, sente e faz. Cria, inclusive, uma nova sensibilidade não mais monstruosa, pois a sensibilidade que se monstrifica é aquela afetação negativa que nos afasta para longe de nossos afetos e dos afetos dos outros. Portanto, a indiferença que nos faz sábios é aquela onde nos tornamos diferentes e fazemos a diferença no interior de nós mesmos. E a insensibilidade que se transforma em sensibilidade nova é aquela onde somos afetados e afeiçoados a uma grande paixão de vida e de viver ao modo da doação e recepção. Assim, deixamos de ser monstros para nós mesmos e para os outros, pois monstro nada mais é do que aquele que tem sua sensibilidade deformada, ou seja, mal formada, mal trabalhada, e por isso mesmo, desfigurada. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de setembro de 2016
Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” (Caio Fernando Loureiro de Abreu, jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro. 1948-1996).
Direitos e deveres se alternam na trama do tecido social. De novo nos aproximamos de um momento importante para o destino político do país com a chegada das eleições. Com elas, o “poder” (que emana do povo) será passado, repassado, delegado, transferido, e, em alguns casos, “eternizado” por partidos, grupos e pessoas. Que o poder passe adiante ou continue nas mãos de alguns dirigentes que insistem em permanecer no poder, é inevitável. E, junto com o poder, chegam também as responsabilidades. O problema do poder, portanto, é uma questão de responsabilidade. Mas, responsabilidade tem sido anuviada pela corrida pelo poder, só que, na maioria dos casos, como lugar de ascensão social e de lucratividade. Por sua vez, responsabilidade tem sido a palavra e a missão levada ao esquecimento do esquecimento das gerações da história política de nosso país. É bom, no entanto, frisar aqui que responsabilidade se vier a ser recuperada pela classe política de nossa nação, deve ser entendida bem diferente daquela ideia de trabalhos e compromissos assumidos em campanha política que antecedem as eleições. Trata-se de uma incumbência toda especial de responder aos apelos da Política enquanto exercício do poder-serviço do povo, para o povo e com o povo, jamais como poder domínio. Essa responsabilidade é a consciência do real sentido do poder político que, nesse sentido, cria o Estado, a Nação, o Governo, a Democracia, a justiça, o Bem comum. E cria, também, e, por que não, o voto. O voto é uma forma de responsabilidade política das mais sérias, radicais e importantes que existe para a condução dos destinos de um povo e de uma nação. Enquanto tal, ele é praticamente um juramento, um pacto livre para cada cidadão mostrar e demonstrar sua pertença à Sociedade, ou melhor, aos grupos onde todos são sócios no bem comum. Por essa razão, o voto longe de ser apenas um instrumento de escolha de candidatos para governar o país nas suas mais diversas instâncias e preocupações, representa o modo como cada homem e cada mulher se revelam da melhor maneira possível no seu ser social e sociável. O voto, então, é o que cada um coloca de si mesmo, não só na urna, mas no fio que traça (no tecido social) os destinos de vida e de morte de uma sociedade, o seu compromisso de cidadão, ainda que esteja delegando poderes e responsabilidades a um servidor público. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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19 de setembro de 2016
O chato no amigo é que nos diz coisas desagradáveis na nossa cara; o inimigo diz em nossas costas e quando descobrimos nada acontece” (Alfred de Musset, poeta francês, 1810-1857).
O bom do amigo é que podemos pensar alto em sua frente e ele nos entende. Um amigo é como um rádio, está sintonizado em nosso coração, mesmo distante, pode nos ouvir. Por querer o nosso bem, pode nos dizer coisas que nem gostaríamos de ouvir naquele momento, mas quando ouvimos, sabemos que é para que nos tornemos melhores. Geralmente nosso inimigo está sempre dizendo coisas a nosso respeito às nossas costas, destruindo nossa imagem, disseminando discórdia. Revertemos isso sendo gentis, demonstrando com nossas atitudes que somos melhores que isso. Com o tempo tudo vai se esclarecendo. Tenha como princípio do bem, nunca falar mal de ninguém, nem passar para frente algo que ouviu. Se nada de bom puder falar, prefira o silêncio. Estarás assim semeando a paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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16 de setembro de 2016
A razão escraviza todas as mentes que não são suficientemente fortes para a dominarem” (George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. 1856-1950).
Mentes brilhantes são iluminadas pela luz da razão. Razão é iluminação. Iluminação semelhante àquela luz que vai surgindo aos poucos até atingir uma intensidade plena. É como o nascer do sol que vai se intensificando até chegar ao auge de seu esplendor. Ao chegar ao auge nada escapa ao seu brilho e fulgor. E tudo o que está sob o toque desse brilho e fulgor é beneficiado. Esse brilho e fulgor nunca podem ser controlados por quem quer que seja. Mas cada um pode se colocar debaixo dos raios de sua claridade. Quando isso acontece, a pessoa começa a ficar iluminada e encontra a razão de tudo e presente em tudo. Ficar iluminado é ficar sob o domínio da razão. Quem está sob o domínio da razão a domina. “A domina” no sentido de viver a partir de seu domínio e de sua inspiração, não no sentido de que a controla. Qualquer um que quer buscá-la fora dessa dinâmica de deixar-se dominar por ela, será escravizado por uma “pseudo compreensão” (falsa compreensão) de razão. A razão falsamente entendida é treva nas mentes, e torna os homens fracos no pensar e ser. É dessa escuridão mental que brota todo o erro, toda a mentira e negação da vida. Aprisionados por uma pseudo-razão os homens instalam o caos dentro de si e ao redor de si. Toda insensatez, imprudência, cegueira intelectual e tolice humana, cuja raiz se encontra na pseudo-razão, é que implanta a injustiça, a corrupção, a violência, o autoritarismo, a guerra e a opressão nos homens e no mundo. Por outro lado, a razão quando entendida como luz que ilumina aquele que se põe sob sua luminosidade, é que dá força e liberdade no pensar e ser do homem. Quem está no movimento dessa força e nas asas dessa liberdade é que de fato domina o mundo sem corrompê-lo, sem subjugá-lo e sem oprimi-lo. A esses é que se chamam de mentes brilhantes. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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15 de setembro de 2016
O êxito começa no exato momento em que o homem decide o que quer e começa a trabalhar para consegui-lo” (Roberto Flávio C. Silva, pensador brasileiro). 
Sem dar o primeiro passo em direção ao destino, nunca se chega. Palavras como êxito, assim como êxodo e exato, tem dentro de si a ideia de sair, de dirigir-se para fora. No fundo, sair de si. Quem quer ter êxito precisa aprender a sair de si, sem perder a própria personalidade, e dirigir-se para aquilo que constitui o tesouro maior que o atrai. O tesouro maior é aquilo pelo qual alguém se sente atraído e põe sua vida num caminho de decisão para alcançá-lo. Decisão é atitude de corte, de ruptura e de discernimento lá onde se está diante de muitas possibilidades. Onde se tem muitas possibilidades a tentação é a de não decidir, mas vagar e divagar por entre todas e nenhuma delas. Por sua vez, onde não se tem nenhuma possibilidade, ali a capacidade de decisão é nula, visto que não há para o que se decidir. Sendo assim, quando se fala em êxito, é essencial ter se exercitado na capacidade de decidir, pois na arte de decidir está o chamado para se fazer cortes (como cortar despesas) e determinar-se naquilo que se quer pra valer. E quando se quer algo pra valer, a pessoa fica mais centrada, mais sóbria, e coloca-se totalmente à disposição daquilo que quer, passando a mover-se e a esforçar-se fielmente para alcançar aquilo para o qual se determinou e se sente chamada. Significa que sem essa capacidade de sair de si, de decidir-se pelo que se quer e para o qual se sente, de fato, chamada, e se determinou, fica difícil conquistar o que quer que seja. Toda conquista, todo êxito, todo sucesso, tem na sua anterioridade, na sua origem um grau muito alto e firme de decisão no querer. Mas, querer jamais como voluntarismo, pois voluntarismo é querer hoje e abandonar amanhã. O querer que quer o querer do próprio querer é aquele que ao invés de querer de uma vez por todas, como se faz, por exemplo, em cerimônias de casamento quando se entende equivocadamente o “sim” dos noivos, é querer hoje, daqui a pouco de novo, amanhã novamente, e assim por diante. Ou seja, nunca é um querer dogmático que acha que querendo hoje já o fez de uma vez por todas ou para sempre. Mas, trata-se de um querer que se renova a cada instante, em cada situação, a cada dia, a cada novo desafio e provocação. É um querer que vai se fazendo aos poucos. Vai crescendo, amadurecendo e se consumando na cotidianidade da existência com tudo o que se dá nela, com ela, por ela, e para ela. É assim que surge o êxito, o sair de si, pois sair de si quando bem entendido também, nunca é um deixar-se se abandonando na exterioridade das coisas que se quer, mas um movimento de determinar-se no querer para conquistar-se e conquistar o que é fundamental para si. Qualquer sucesso na vida depende desse movimento incansável e interminável na atitude do querer. Somente com ele é que, se alcança e se conquista aquilo pelo qual se trabalha assiduamente. Nesse sentido, querer é fundamental. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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14 de setembro de 2016
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes... Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar, alguém merece a minha confiança” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322 a.C.).

Somos humanos e estamos sujeitos a erros e enganos. Enganar pode ter o sentido de confundir-se e equivocar-se, mas, também, o de trapacear e faltar com a verdade. No primeiro caso, o engano pode surgir de uma distração ou de uma falta de conhecimento mais profundo e mais abrangente de uma coisa, pessoa, lugar ou situação. No segundo, o engano é fruto de uma intenção consciente de ludibriar, de “passar a perna” ou de agir maliciosamente para prejudicar alguém. Vivemos um tempo onde esse segundo sentido de enganar está se tornando uma prática muito recorrente para se sobreviver na sociedade atual. Enganar virou sinônimo de esperteza. Esperteza de fazer o grande público de lojas e supermercados, por exemplo, adquirirem produtos sem se darem conta de que foram enganados, e isso ocorre de várias formas: no peso, no preço, no volume, na quantidade e na qualidade. Quem já não se viu enganado, também, por publicidades que prometem uma coisa e, depois, na hora do vamos ver, é outra? Seja o que for a enganação, ela tem atingido ricos e pobres, empresários e funcionários (na tentativa ou de pagar menos do que a pessoa merece, ou do funcionário que trabalha na base do “fingimento” por ordem superior para se manter no emprego), ateus e religiosos na “arte” de promover o ceticismo ou o proselitismo, e, por que não dizer, os políticos no exercício de sua prática política. Enganar virou uma espécie “salve-se quem puder” para se manter numa posição cômoda. Somos a todo momento enganados por algo ou por alguém. Isso acaba desafiando e colocando à prova também aqueles que em meio a tanta enganação procuram e desejam se manter firmes e distantes da corrupção do caráter no que toca ao jamais enganar. Independente de quem, do como e do quanto se engana, o mais importante é cada um guardar-se de toda e qualquer enganação. Mais ainda, de aprender a confiar no poder e na graça da verdade que está em tudo e atua em tudo, preparando e inundando aqui e ali uma pessoa de boa vontade que consegue se proteger das imposições da enganação. Confiar que alguém merece a nossa confiança, mais do que dar um voto de credibilidade ao outro, é um sinal de que a confiança que alimento em mim, alcance, também, aquele que se distanciou dela por razões mesquinhas e interesseiras. Neste sentido, o outro merece a minha confiança (a confiança que me tem e está em mim), ou seja, merece ser atingido por ela para reencontrá-la e viver na verdade. Se bem entendido, isto tem grande chance de acabar com a corrupção do mundo e das instâncias onde o engano está fazendo escola e discípulos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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 13 de setembro de 2016
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como “Chico Xavier”, foi um médium e filantropo mineiro, 1910-2002).

Somos como um grande navio, sem “marcha ré”, mas com um “timão” que controla a direção que vamos seguir. Voltar atrás pode parecer um pleonasmo, mas em relação à vida e ao viver é importantíssimo tomar consciência de que isso é, em certo sentido, uma impossibilidade do humano. No que toca ao tempo cronológico, jamais podemos voltar atrás para refazer ações, mudar contextos de vida, evitar erros, ou corrigir determinadas atitudes ou comportamentos que tivemos. Podemos voltar atrás apenas no sentido de repensar uma atitude impensada em dado momento, ou quando voltamos ao passo anterior para retomar o caminho mais adequado que queremos empreender. Ou, ainda, para pegar um impulso maior para saltar mais distante na direção que nos interessa (daí o dito: "dar um passo atrás, para dar dois para frente"). De outro modo, se não podemos voltar atrás, há a possibilidade de partir sempre de novo e de modo novo do ponto onde estamos. Isso supõe ter ânimo novo, vontade nova, atitude nova, iniciativa nova e querer novo para recomeçar. Com tais disposições é possível, também, determinar-se a ir de encontro a um novo fim, ou seja, a uma nova consumação da vida e do viver. Isso significa, a única coisa que temos e que podemos mudar para melhor, ou pior, se quisermos, é o nosso momento atual, nosso presente. Ele está cada vez em nossas mãos para responsavelmente iniciarmos uma nova trajetória de nossa existência. Quer dizer, ao invés de lamentar o passado e nos ocuparmos e preocuparmos com o futuro, motivo de tanta depressão e ansiedade nas pessoas no mundo de hoje, lançar raízes no presente com toda a nossa força, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, e com todo o nosso vigor. É essa postura que dá um sentido construtivo ao passado e que cria um novo futuro. Futuro como consumação daquilo que foi criativamente assumido, elaborado e determinado na responsabilidade do presente. Portanto, se somos perspicazes mesmos, começamos a perceber que a única coisa real da vida é o presente. O passado e o futuro são fantasias. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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12 de setembro de 2016
Todos os males do regime democrático podem ser sanados com mais democracia” (Alfred Emanuel Smith, político americano, 1873-1944).
“Quem se cala, consente” (dito popular). Por “democracia”, se entende um regime político de governo no qual é o povo que exerce sua soberania de modo direto ou indireto. Para tal, foi concebido que o povo exerça sua vontade através de seu representante por meio de voto. Quem tenha a maioria dos votos, irá representar o povo em um dos órgãos políticos, por um tempo limitado. Caso algo precise ser melhorado, os representantes do povo irão debater até chegar a um consenso e a partir daí, estabelecer as regras necessárias. Se algo continua ruim, é porque faltou debate, ou os interesses de grupos influentes impediram que o assunto fosse debatido. Em outras palavras, no regime democrático, a participação do povo é fundamental para corrigir as distorções. Ficar esperando que os representantes tomem a iniciativa, já foi demonstrado que não funciona. Se as distorções graves continuam a acontecer, é porque os representantes do povo abandonaram o povo para cuidar de seus interesses pessoais. Só voltarão a ouvir o povo, quando o povo demonstrar sua insatisfação de alguma forma que sejam ouvidos. Os interesses do corporativismo político têm mais força que a voz do povo. Você tem em suas mãos, novas formas de ser ouvido. Faça valer sua voz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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6 de setembro de 2016
O que ameaça a Demorcracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não têm recursos para enfrentá-la” (João Belchior Marques Goulart, advogado e político brasileiro, 1918-1976).
Quando se pensa em comemorar a Independência do Brasil, vem a pergunta: independentes de que? Os fatos mais conhecidos que antecederam o sete de setembro foram a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. O povo estava cansado pela alta carga de impostos, pela fome causada pela seca de 1816 e pelo luxo da corte. A Independência trirou o PODER do Império e deu a Democracia (governo do povo). A Democracia virou jargão e ladainha cansativa, tanto dos que atacam como dos que defendem o Poder. Essa defesa ou ataque esconde nos seus discursos a sutileza de um interesse econômico que vai se arquitetando para manter, seja o status quo, seja o Sistema viciado de politicagem que se arraigou no Brasil há Séculos. A Democracia tornou-se apenas um verniz dos discursos bonitos e inflamados para camuflar barganhas de quem consegiu um lugar neste “luxuoso camarote”. Trocam-se as peças deste teatro político com as eleições, mas os atores são os mesmos. Como em um complicado quebra cabeça, as regras do jogo “democrático” foram cuidadosamente pensadas para garantirem a impunidade dos articuladores dos bens do povo em benefício próprio. Os protestos das ruas demonstraram a insatisfação popular. Isto deu força para buscar a justiça. Mas, os donos do poder já articulam saídas para evitar serem atingidos. Esta atitude está compromentendo a Democracia. A instabilidade econômica está afetando em cheio, sobretudo a vida dos mais pobres. Pois, uma economia que não consegue aumentar a renda dos mais desfavorecidos da sociedade; que aumenta o desemprego em proporções gigantescas de um ano para o outro; que perdeu o controle do aumento abusivo dos preços em quase todas as instâncias dos produtos básicos indispensáveis para a sobrevivência das pessoas; e que gera, como consequência, a insegurança geral, fruto da violência em forma de saques, assaltos à mão armada e roubos das coisas mais simples às mais sofisticadas em vários lugares de nossas cidades; que promove a fome e a miséria, de modo particular, nos lares mais humildes da população brasileira; e que faz com que ao final do mês as pessoas estejam mais e mais endividadas com seus nomes no cadastro dos negativados da economia do País; que coloca boa parte de nossos aposentados e pensionistas na fila de espera, por uma justiça que caminha como lesma na busca de fazer valer seus direitos garantidos na Constituição. Sem falar daqueles que vivem na mendicância por remédios e cesta básica para suprir o que esses direitos básicos não lhes proporcionam no momento em que precisam. Tudo isto e muito mais é que está minando pouco a pouco a Democracia brasileira, pois bem mais do que um Sistema de Governo do povo, com o povo e para o povo, em termos de exercício Político, ela representa um modo de o povo viver e ser. Se este povo está vivendo em condições, ou melhor, sem condições de ter comida, saúde e dinheiro para gerir os itens básicos de sua sobrevivência, então é sinal de que a dita Democracia há anos está na UTI do Sistema Político, ou já perdeu suas características mais fundamentais de um regime político que os Povos e Países do Ocidente tanto proclamam, defendem e querem sustentar. As eleições estão aí de novo como oportunidade do Povo retomar sua consciência política, rever de fato o que significa para ele a Democracia, fazendo valer seus princípios fundamentais não apenas através do voto (que tantas vezes pode ser manipulado por causa da busca de sobrevivência que no fim das contas fala mais alto para alguns), mas por um novo posicionamento claro e consciente de que uma Democracia só se sustenta quando nossa barriga, nossas enfermidades, nosso pão de cada dia, nossa possibilidade de moradia, de emprego e de lazer estão contemplados e garantidos. Mais ainda, de ter condições de poder fazer uma compra no supermercado com tranquilidade sem passar pelo vexame de saber que o nome está sujo no SPC. Aliado a isso, sim, também a justiça, o direito de expressão, a paz, a  concordância entre os diferentes modos de pensar, de ser e agir na Democracia. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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5 de setembro de 2016
Eu também não. Não faço isso por dinheiro nenhum. Faço este trabalho por amor a Deus e a todos estes que sofrem” (Agnes Gonxha Bojaxhiu Slopje, “Madre Tereza de Calcutá”, missionária católica de origem albanesa, 1910-1997).
Um pouco de amor faz muita diferença. No dia 4 de setembro, foi reconhecido o grande trabalho de amor de Madre Tereza de Calcutá, e em cerimônia no Vaticano, a Igreja lhe atribuiu o título de Santa, ou seja, seus feitos foram tão grandiosos em favor dos mais necessitados e em função disso reconhecemos que ela sem dúvida mereceu estar junto com o Pai do Céu; isto é, sua morada ficou pronta e o próprio Jesus veio buscá-la para ocupar seu lugar, como nos ensina o Evangelho de João 14, 3. Conta-se que certa ocasião uma pessoa de grandes posses foi visitar a religiosa em seu trabalho e observa ela limpando as feridas de uma pessoa leprosa e diz: “Irmã, eu não faria isso que a senhora faz nem que me dessem todo o dinheiro do mundo”, ela respondeu: “Eu também não. Não faço isso por dinheiro nenhum. Faço este trabalho por amor a Deus e a todos estes que sofrem”. Em outra ocasião ela diz: “No mundo existe mais fome de amor e de ternura do que de pão”. De fato, a falta de afeto sincero em gestos de amor, está criando uma série de “doenças” que se manifestam de várias formas. Somos escravos do tempo e de formalismos que nós mesmos criamos que o amor ficou esquecido. Devemos aprender com Madre Tereza a sermos “próximos” de quem está carente de nosso afeto, dando um pouco de dignidade à vida desta pessoa (Lc 10, 30-37). Um pequeno gesto de amor pode mudar a vida de uma pessoa. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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2 de setembro de 2016
Deus se manifesta a todos, de várias formas. Em primeiro lugar pela vida do universo e em segundo lugar pelo pensamento humano. A primeira manifestação chama-se natureza e a segunda é a arte” (Victor Marie Hugo, pensador e humanista francês, 1802-1885).
Tudo o que nos toca só percebemos se a nossa sensibilidade estiver aguçada. Para vermos a luz, nossos olhos devem estar abertos; para ouvirmos, nossos ouvidos devem estar atentos; para sentirmos o aroma, nossas narinas devem estar desimpedidas; para sentirmos o toque do vento, nossa pele tem que estar exposta a ele; o sabor dos alimentos se dá quando nossa língua está em contato com eles. Existem outras realidades que estão diante de nós, mas, para percebermos, nossa mente tem que estar sensível às suas manifestações. Para sentirmos a beleza do arrebol, nossos olhos devem estar olhando em direção ao sol no horário propício, e nossa mente aberta para acolher suas cores brilhantes com movimentos harmônicos. Desde o micro cosmo ao macro cosmo, tudo é um espetáculo para quem se permite admirar a beleza do Criador. O ser humano se manifesta de forma criativa pela arte em suas várias formas. Também necessita de uma mente aberta para acolher tudo o que ela quer comunicar. Quando a mente é capaz de captar o que está além da aparência, atribuímos ao coração esta sensibilidade. Assim, o que o “coração” percebe vai muito além da aparência quando a alma é sensível. Uma lágrima que corre dos olhos revela muito do que está oculto no interior. Com ela um músico compõe uma música, o artista pinta um quadro, um gourmet cria um prato inspirador, um poeta revela seu poema, um “vitralista” cria seu vitral e assim por diante, cada um com seu talento e com muita arte, desvela o que tem dentro de si e, de certa forma, pode nos ligar até Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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1 de setembro de 2016
O costume com costume se vence” (Thomas de Kempis, monge e escritor alemão, 1380-1471).
De tanto fazer, nem sabia descrever como fazia. Costume é hábito. Hábito é aquilo que a gente faz, ou melhor, se repete como o ditado; “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. De tanto repetir, o repetido vence. Vence no sentido de, finalmente, fazer ninho, de encontrar um lugar, um habitat na pessoa. Habitat é casa, morada. Morada é onde tudo encontrou o seu lugar, seu espaço, seu jeito, sua forma e sua adequação. O costume, com o tempo, tem força de criar ou fazer morada em nós, justamente por causa da repetição. É o repetir, portanto, que cria o costume, o hábito, tornando-se, de certa maneira, uma só coisa com aquele que foi habituado. Desse modo, o costume nos acostuma e vamos ficando habituados. Habituamo-nos com tudo e com todos. Com as pessoas e com as coisas; com o que é bom e com o desagradável; com a saúde e com a doença; com o bem e com o mal; com os convívios e com as relações; com as virtudes e com os vícios. Habituamo-nos até conosco mesmos no nosso modo de pensar, sentir e agir. Hoje, por exemplo, somos um emaranhado de coisas com as quais nos acostumamos e com os quais nos adequamos. Nosso modo de ser, de ver, de pensar e agir está marcado profundamente por aquilo com o qual nos acostumamos, seja em relação à vida, ao mundo, ao outro, à Política, à Religião, à Cultura etc. Ou seja, nos habituamos com o modo com que as pessoas pensam ao nosso respeito, com o que nos ensinaram em termos de fé e de valores como retidão, justiça, solidariedade, com o que é o bem e o mal, e assim por diante. A grande questão, no entanto, é que nos habituamos a tudo e a todos sem jamais nos questionamos a razão e o sentido desses costumes para nós, sem indagar se aquilo que fizemos tantas vezes como hábito tem sentido, verdade ou valor para nós também. Simplesmente nos deixamos habituar, levar. Como se fossemos aos empurrões sendo forçados a fazer isso e aquilo repetidamente. De repente, percebemos um dia que já não somos nós mesmos, mas apenas vivemos a partir do que nos foi colocado meio sem o nosso consentimento, sem o nosso querer livre. Ao acordarmos nos damos conta de que o nosso ser mais íntimo ficou para trás e somos, nesse exato momento, somente o que quiseram que fôssemos o que quiseram que pensássemos e fizéssemos. Nasce daí um abismo de distanciamento entre o nosso ser real e a capa ou máscara com a qual tentamos dia a dia nos apresentar no palco da vida. Nasce junto a isso o nosso conflito existencial que só se resolve no dia em que somos capazes de nos desabituar de tudo, de todos, mas, principalmente, de nós mesmos. No dia em que dizemos ‘basta’ e nos voltamos para o nosso ser essencial, para o nosso ‘ser si mesmo’, para, como alguns preferem chamar, nossa ‘criança interior’, que deixamos há muitos anos para trás, por causa de nossas repressões, proibições e alienações. É essa criança interior que devemos nos habituar com ela, ou melhor, nos re-acostumar com ela, pois nela está o princípio de nosso verdadeiro “eu”, de nosso verdadeiro ser, de nosso “ser si mesmo”. É do costume, do hábito em lidar novamente com essa ‘criança interior’ que devemos, de fato, nos deixar vencer como hábito e costume para posicionarmo-nos de novo e de modo novo na vida. Pode ser que voltemos a ser o que éramos; só que agora com nova consciência. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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31 de agosto de 2016
Apressa-te vagarosamente” (Provérbio latino)
Uma tartaruga pode ser lenta, mas, seu passo é firme e vive “quatrocentos anos”. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição, e o ser vagaroso é ser amigo da boa execução. Pressa “tem a ver” com pressão, estar pressionado ou apertado. Estar apertado é como alguém que quer ir ao banheiro, pois está com a bexiga cheia e pressionada, querendo esvaziar o conteúdo que incomoda. Outras vezes, a pressa se caracteriza por aquela correria ofegante para dar conta de muitas coisas em pouco tempo. Ou seja, o tempo à disposição é curto para a demanda que é grande. Com isso, ao invés de se privilegiar um trabalho ou uma ação bem feita, tudo sai do eixo, se desfoca, para forçar as coisas a saírem do jeito e no ritmo que não é o delas. Na pressão, a pessoa fica debaixo de uma imposição e, ao mesmo tempo, impõe ou determina de antemão como devem ser as coisas. Resultado: a imperfeição. Imperfeição aqui é aquilo que não perfez o seu caminho natural para chegar à maturidade. É como fruta quando se quebra o seu processo de amadurecimento para forçar sua maturação. Na pressa, esse processo de crescimento e maturidade é cortado, retalhado e atalhado para ficar pela metade. A metade neste caso é o medíocre (o que ficou pelo meio e não alcançou a perfeição). No dia-a-dia somos apressados, ou melhor, apertados por muitas coisas, muitos compromissos, muitas tarefas e empenhos diversos. Temos que dar conta de muitas coisas em pouco tempo. Isso em conta gotas vira um modo de ser da pessoa que passa a viver na pressa, da pressa e com pressa em tudo. Consequentemente, embora se doe muito, se faça muito, e se desdobre muito, a imperfeição é que dá o tom final das coisas. Do lado oposto está o ser vagaroso. Há pessoas que são devagar. Devagar e sempre, se diz. São iguais às tartarugas que a gente deixa na sala e, quando menos se espera, já está na rua. O devagar não é o lento, pois o lento é movimento vacilante e que não se consuma fácil. Lento é o vazio (de vacare = vazio, desocupado em latim). Quem está vazio e desocupado naquilo que é e faz, fica mais receptivo ao que é dado, e não impõe seu modo de ser e agir à coisa, mas vai sob a obediência e direção que a coisa ela mesma dá. O vazio segue o ritmo daquilo que lhe é dado perfazer. Eis porque do vazio temos a palavra vagar, no sentido de andar despreocupado, ou seja, sem colocar uma ocupação em cima. Por essa razão, alguém devagar no seu ser e naquilo que faz, apressa-se vagarosamente em realizar o que lhe é proposto. Com outras palavras, na decisão de fazer e ser, aperta o cinto para fazer bem o que precisa ser feito. Porém, no executar, vai devagar, isto é, se esvazia de si e de tudo o que possa atrapalhar ou comprometer o bem fazer de uma obra confiada às suas mãos. É assim que nas mãos de um vagaroso apressado tudo se consuma, sai bem, e é perfeito. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de agosto de 2016
É fácil descer ao inferno” (Provérbio latino)
A “gravidade” facilita para quem desce e dificulta para quem sobe. É interessante como no ser humano tudo que leva ao alto, ao que é superior, precisa de bastante esforço e dedicação contínua. Experimente, por exemplo, dizer “Bom dia” todos os dias para a mesma pessoa e com a mesma alegria e bom humor com que pronunciou isso a primeira vez. Quem tem costume de ir a algum templo religioso para rezar ou executar os ritos ali vivenciados pela comunidade, tente estar lá todo inteiro e de todo o coração cada vez que entrar nesse recinto para fazer suas preces do mesmo modo quando rezou no início de sua atração por aquele ambiente ou religião. Experimente beijar filhos e esposa, e dizer a eles, todos os dias, que os ama com a mesma intensidade e abertura de mente e coração que o fez quando pronunciou essa palavra apaixonadamente pela primeira vez. Há dias em que isso será mais exigente, mais vacilante e mais difícil, por causa do modo como se está e por causa, às vezes, dos trancos e barrancos dos confrontos da vida cotidiana. Nem sempre é possível, como verás, manter-se no caminho do alto, da superação, do crescimento, daquilo que se quer como o maior, o superior, o melhor em si mesmo. Em determinados dias, haverá que retomar de novo e de modo novo aquilo que um dia o moveu à transcendência de um ser, de um querer e de um fazer. Por outro lado, perceberás que, em certas circunstâncias, precisas retomar tudo como se fosse do zero. O caminho para subir, para elevar-se e para transcender-se é íngreme e árduo. Bem outro é o caminho para o inferno. Inferno é o que é baixo e inferior. É fácil descer a ele. Muitas vezes nem precisa de empurrão, basta se soltar e se deixar levar pela sua própria atração e gravidade. Exemplo claro disso é quando estamos afetados por uma preocupação exagerada de algo que achamos que não daremos conta de realizar. Ou quando no dia anterior nos aconteceu um fato que nos tirou o sono e a serenidade. Isso é o suficiente para recomeçarmos o dia seguinte sem a mesma inspiração de um “bom dia” para os mais próximos, ou um “eu te amo” para aqueles a quem sempre pronunciávamos essa frase de bom grado, com fervor e ternura. Basta, também, uma má interpretação de uma atitude sofrida da parte de uma pessoa que supomos nos ter ofendido para plantarmos no solo do coração o ressentimento e a excitação do mau humor. Começa com esses e tantos outros fatos contrários ao nosso modo de ser, pensar e agir, a nossa escalada para o inferno de nós mesmos. Afundamos no que temos de pior e, tal como um vulcão em erupção, detonamos as piores imagens, pensamentos, palavras e gestos na direção do mundo que nos cerca. Eis porque o inferno pintado por Dante Alighieri é mais do que um local onde se dá o incessante sofrimento de pessoas no fogo e enxofre. Ele é algo interno no qual nos tornamos toda vez que facilmente caímos daquela busca de algo bom, amável, superior, transcendente e feliz que havíamos nos proposto quando todos os ventos pareciam soprar ao nosso favor. Tomar, retomar e seguir sempre de novo e de modo novo no caminho daquilo que é o mais alto e profundo de nós mesmos, ainda que, por algumas vezes, caiamos naquele mundo que nos inferioriza e inferniza, é o que nos faz reconquistar a grandeza de nós mesmos. É o que nos faz superiores no sentido de sermos melhores do que sempre achávamos que éramos e podíamos ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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29 de agosto de 2016
Não se pode desatar um nó sem decifrar como ele foi feito” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322 a.C.).
Quem persiste e não desiste, consegue. A palavra “desatar”; nos traz a ideia de tirar o laço, abrir, libertar, despregar, soltar e assim por diante. Ela pode ser empregada, tanto no sentido literal de desmanchar um nó de cordas, linhas ou qualquer tipo de fio, como no sentido figurado de desmanchar “algo” feito contra uma pessoa. Em ambos os casos, é preciso paciência e principalmente atenção para entender como foram feitas as amarras. Uma vez decifrada, dá-se início ao processo inverso, para que tudo seja desfeito. Querer desatar sem entender só vai “embaralhar” ainda mais. O principal é ter um equilíbrio emocional para começar a desatar um por vez, soltando os mais apertados, para visualizar todos os nós. Persistência é outro elemento chave para desvendar. Se um ponto não estiver claro, retorna quantas vezes forem necessárias, até que seja desfeito. Coragem para não desistir. Devemos ter em mente o trecho do Evangelho de Marcos (4, 22), que nos anima: “pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia”. Com Deus somos mais fortes. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de agosto de 2016
O fruto do silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é a caridade. O fruto da caridade é a paz” (Madre Teresa de Calcutá, religiosa e missionária católica de origem albanesa, 1910-1997).

A paz é fruto do amor. Basta olhar as pessoas se movimentando pelas ruas, ou em lugares públicos, para perceber quantos estão com fones de ouvido, numa tentativa de se desligarem da realidade que os envolve e se refugiarem em suas preferências musicais, ou afins. De certa forma parece uma fuga da realidade. Uma pessoa acostumada com o campo ou florestas, jamais agiria assim, pois precisa se conectar com os sons da natureza, para deles se orientar e perceber tudo que a envolve. Ao abrir seu coração para o entorno, com seus sons, aromas, cores, toques do vento, percebe que o silêncio afina sua percepção. Ao perceber se encanta. Ao se encantar, aprende a louvar, e agradece por fazer parte desta grande “sinfonia”, e seu espírito se eleva em oração. Mesmo na cidade é possível ter experiência semelhante. Percebemos os olhares, uns alegres outros tristes, alguns até apreensivos. São passos lentos, outros apressados. Cada um com uma infinidade de histórias para contar, e ninguém para ouvir. Podemos orar por eles, e no momento oportuno estender nossa mão amiga, talvez apenas para ouvir. Gestos assim de caridade, vão montando atitudes de paz. Quando se ama, até o silêncio fala ao nosso coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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25 de agosto de 201
Não escrevo para agradar nem para desagradar. Escrevo para desassossegar

(Fernando António Nogueira Pessoa, poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político português, 1888-1935).
Escrever é como viver. Há quem viva para agradar pai, mãe, amigos, vizinhos, professores, patrão, colegas de trabalho, a sociedade, a religião etc. E há quem viva para desagradar os mesmos, simplesmente para tentar se auto-afirmar ou para buscar sua identidade no confronto com tudo o que o cerca ou desafia. Na escrita acontece algo semelhante. Existe no mercado da literatura uma vastidão de livros, revistas, artigos, enfim, publicações de todos os gêneros, que a única intenção é a de tentar agradar os leitores e fazer fortuna em forma de Best Sellers. As livrarias hoje em dia estão inflacionadas de tantos exemplares de literatura com tal intento. Por outro lado, existe literatura que foi escrita para desagradar, ou seja, para ser do contra e para atingir alvos específicos. Literatura política e religiosa tem muito disso. Nem sempre é para esclarecer e iluminar, mas para combater e rebater, e no combate, bate e rebate para causar o desagrado. No entanto, na escrita e na vida, ou, ainda, na escrita da vida e na vida escrita, vale mais o desassossegar. Desassossegar é tirar o sossego. Sossego é a quietude, a calmaria, onde as coisas estão prontas e não precisam mais do trabalho, do empenho e da dedicação, pois já alcançaram o seu descanso e a sua realização. O desassossegado, por sua vez, é a postura de quem está inquieto, isto é, de quem deseja manter o ritmo constante da busca. Escrever e viver tem essa dinâmica de estar sempre na busca, sempre na questão, no ter que ser, no ter que se responsabilizar, e no ter que realizar de modo pleno. Nesse sentido, há que se buscar viver por viver. Viver porque a vida já está em curso em nós, e porque ela é digna, bela e boa em si mesma, e não viver para agradar ou desagradar quem quer que seja, ou o que quer que seja. Quem vive para agradar ou desagradar “desfoca” (tira o foco) a energia da vida e desfigura o sentido da vida. Escrever se escreve por escrever. Por acreditar que o ato em si de escrever já traz a sua grandeza e a sua realização naquele que se põe a fazer o ato de escrita. Escrita entendida como corte, incisão. Só que o corte da escrita aqui não é o do passe da navalha, mas da delimitação, isto é, de ir aos poucos delimitando, colocando, configurando e trazendo à tona o essencial de um toque, de uma análise, de uma observação atenta àquilo que se mostra em si e a partir de si. É mais ou menos como o trabalho do transporte de abóboras que se ajeitavam no balançar da carroça. No balanço tudo se delimitava, ou melhor, se limitava dentro de uma possibilidade de ser e de estar. Com outras palavras, se ajeitava de uma forma que não era prevista de antemão, mas que se dava em si e a partir de si. Bastava ao carroceiro o trabalho de deixar tudo ser e se delimitar na medida em que, pelo transporte, promovia o balanço. Esse balanço que vai dando a medida justa das coisas num trabalho contínuo é que poderia ser chamado de; o desassossegar da escrita. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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24 de agosto de 2016
Saber significa ver a realidade em sua nudez” (Erich Fromm, psicanalista alemão, filósofo e sociólogo, 1900-1980).
O real da realidade está ao nosso lado a todo o momento. Por ocasião do encerramento da Olimpíada/2016, no Brasil, uma frase muito comum ouvida na segunda feira que a precedeu era: “Vamos voltar à realidade”. Essa é uma frase ambígua se a colocamos no real da realidade. Ela pode estar dizendo que todo o nosso tempo e envolvimento com as Olimpíadas, era algo etéreo, abstrato, sem os pés na realidade. Ou seja, a alegria, o encanto, a maravilha, o brilhantismo e o lúdico vivido e experimentado no convívio com as diversas formas de lazer e prazer esportivo, tanto para quem realizou, quanto para quem assistiu ao evento, pareceu ser apenas uma fantasia, um show à parte do que se chama realidade. Logo, uma alienação que nos tira dos nossos compromissos concretos do dia a dia. Mais ou menos como dizemos nos feriados, no carnaval, nos dias santos etc. É o estigma da nossa época, de uma linguagem ambígua e dualista, que opõe sempre o concreto ao abstrato, o material ao espiritual, o prazer ao sofrimento, o lá ao cá, o céu à terra, o finito ao infinito, e assim por diante. Primeiro um e, depois, o outro, se diz, como se um não tivesse nada a ver com o outro. Nesse sentido, o trabalho tornou-se um peso para muitos, pois importa mesmo é a sexta feira, o descanso, o relax do final de semana. Para quem gosta do trabalho, o final de semana é um tormento, pois tira a pessoa da produtividade, do lucro, do ter que ter. É, com outras palavras, a fórmula da má compreensão da Ciência, aonde alguns só veem o visível, o útil, o constatável, o tangenciável ou palpável. Tudo o que não é, nessa visão, tocável, utilitário e produtivo, está condenado ao não existente, ao inútil, ao alienado e sem consideração. Algo como Olimpíada, por exemplo, só é aceitável e tolerável, porque pode (de alguma forma) gerar algum lucro financeiro ou produzir  para a pessoa, para as pessoas, ou para o país, um algo “útil”. Experimentar por um momento, ou por alguns dias, situações como se emocionar, se alegrar, se enraivecer, se solidarizar, ter esperança, dançar, desafogar as mágoas, se encontrar, abrir a visão e o coração para dimensões mais profundas do ser humano; diferente de minha maneira de pensar, ser e agir, tudo isso e muito mais parecem ser apenas idealismo e distração da “verdadeira realidade”. No entanto, se formos realmente realistas, é essa distração de alguns momentos e de alguns dias que se tornam o combustível e a energia mais cara e mais preciosa que nos vivificam e nos ajudam, de fato, a prosseguirmos mais animados, mais confiantes, mais leves e soltos para sustentar a dita “realidade” nos seus maiores desafios e desdobramento diários de cada um. É justamente essa pitada de sonho e “inutilidade” de uma festa esportiva que reabastece as pessoas para lidarem de forma mais suave e generosa com aquilo que alguns chamam de “realidade” dura e sofrida. Na verdade, essa “realidade” nada mais é do que uma projeção e representação que alguns dão ao real da realidade, pois a “realidade” vista como oposta ao lúdico, diz bem pouco do real da realidade, visto que o real da realidade contempla o útil e o inútil, o abstrato e o concreto, o ideal e o real de nossas mais variadas interpretações. Quem está atento a isso é sábio, pois sabe ver a “realidade” na sua nudez, ou seja, no modo como ela realmente se mostra e se dá. E a nudez da realidade é quando ela é percebida não como oposição entre as coisas, as pessoas e suas situações, mas como uma unidade diferente e diferenciada, como um núcleo que está em tudo, criando, recriando e sustentando tudo. Esse núcleo, essa essência que está fora de nosso domínio, de projeção e interpretação é que se dá o nome de real da realidade. Somente os sábios é que o veem e o reconhecem se dando em todos e em tudo. O sábio sabe, portanto, saborear esse real da realidade se dando a todo momento em tudo. O sábio sabe celebrar essa manifestação do real da realidade no inútil é tão útil, no abstrato tão concreto e no concreto tão abstrato, no sonho tão real no real de um sonho, também, Olímpico. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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23 de agosto de 2016
Viver é rasgar-se e remendar-se” (João Guimarães Rosa, escritor brasileiro, 1908-1967).
Como as ondas do mar, nossa vida está em movimento contínuo. Viver é o dinamismo da vida no seu dar-se e acontecer. Nesse dinamismo, um de seus movimentos mais radicais é o de rasgar-se e remendar-se. Rasgar é abrir um espaço em si para deixar ir o que estava retido e entrar o que estava banido. E remendar-se é um modo todo particular de colocar remendos. Remendo no sentido de reparo. Reparar é preparar de novo, por exemplo, um terreno para um cultivo. A vida tem essa dinâmica de rasgo e remendo o tempo todo, ou seja, de abrir uma possibilidade, um caminho, uma saída, uma alternativa, para de modo novo e sempre de novo cultivar o viver. Rasgar-se e remendar-se, então, significa aquela rotina de começar, retornar e de recomeçar; de construir, destruir e de reconstruir; de fazer, desfazer e de refazer; de montar, desmontar e de remontar; de unir, romper e de reunir, de fiar, desfiar e de refiar; de cortar, recortar e costurar. Nesse ciclo contínuo sofremos e resistimos, choramos e sorrimos, perdemos e encontramos, ficamos e partimos, entristecemo-nos e nos alegramos, trabalhamos e brincamos, odiamos e amamos, nos desesperamos e confiamos, vivemos e morremos, morremos e vivemos. Nos rasgar-se e remendar-se da vida é que encontramos a jovialidade de ser, pois a vida não é só isso ou só aquilo. Nem tanto e nem tão pouco. Nem é mistura das duas coisas, mas cada coisa no seu tempo e na sua medida de “suportabilidade”. O rasgar-se, às vezes, parece corte profundo e comprido, mas é apenas um fundo e um horizonte para se enxergar melhor o que antes era raso e fechado. O remendar-se é mais do que tapar partes abertas. É possibilidade nova de criar a partir da convocação do abismo do vazio e do nada. Rasgar-se e remendar-se é como aquela atitude de “Penélope” (da Mitologia grega) esperando seu esposo Ulisses voltar da guerra. Enquanto esperava tecia de dia e, à noite, desfiava todo o trabalho feito. É assim que, também, fiamos, desfiamos e, continuamente, refiamos o fio da vida nas suas mais diversas manifestações. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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22 de agosto de 2016
Não há mais necessidade de queimar livros, pois o mundo está cheio de pessoas que não leem, que não aprendem e que não sabem” (Ray Douglas Bradbury, escritor americano, 1920-2012).
A sede pelo saber sempre despertou nos corações sedentos uma inquietação que motivava a busca. Nos primórdios da humanidade, os arautos transmitiam as mensagens em lugares públicos, e muitos acorriam para saber as novidades. Com o advento da escrita, quem tinha o privilégio de saber ler, lia e transmitia aos outros o que entendia. Neste embalo, quem governava, enviava emissários e seu interesse era na maioria das vezes motivada para arrecadação de impostos. Com a divulgação da escrita, apareceram publicações que contrariavam os interesses de quem detinha o poder, e sua forma de neutralizar novas ideias era destruir estas publicações. A mais famosa destruição foi da Biblioteca de Alexandria. Com o tempo, destruições semelhantes aconteceram. Hoje o poder da imagem eletrônica está ocupando o lugar dos livros tradicionais. As pessoas preferem um vídeo sobre um fato a investigar as causas que motivaram este fato. As pessoas preferem ver um filme a ler um livro que motivou o filme. E como é diferente um do outro. Como dizia o professor José Munir Nasser, a sociedade atual está “emburrecendo” (ficando burra, sem conhecimento), pois deixou de pensar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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19 de agosto de 2016
A verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos” (Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust, escritor francês, 1871-1922).
Quando algo muda em nosso interior, nossos olhos ganham nova visão. Conta uma lenda que um trabalhador passava todos os dias pelo mesmo caminho, quando se deslocava para o serviço. Um dia, sem querer, ele se distraiu e acabou se perdendo. Tentou em vão achar novamente o caminho, mas, nada, e cansado acabou dormindo. Ao acordar, se deu conta de tudo que o cercava, até as formigas trabalhando ganharam sua atenção. Foi então que percebeu que infinito havia em uma simples “senda” (“sendas perdidas”). Admirando tudo, acabou encontrando novamente o caminho, que agora tinha outro sentido. Na realidade, o que mudou em seu interior, fez com que ele percebesse maravilhas a seu redor, que sempre estiveram ali, mas sua vista estava cega a tudo isso, porque seu coração estava fechado. Muitas vezes a vida nos dá uma rasteira, para que possamos ver além da nossa mesmice. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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18 de agosto de 2016
Nada faz tanto dano a uma nação do que gente esperta querer se passar por inteligente” (Sir Francis Bacon, filósofo e estadista britânico, 1561-1626).

A nação sofre com a esperteza de seus políticos. A palavra inteligente (do latim inter+legere = capaz de entender), ou seja, é a capacidade de analisar uma situação e dela achar uma solução. Já a palavra “esperto” (do latim expertus = experimentado); é o indivíduo capaz de encontrar soluções para tirar proveito próprio, ou seja; salvar sua pele. Nosso sistema político confere ao legislativo a tarefa de criar as leis. Para chegar a ele, é preciso ser eleito (ou ser suplente). Para ser eleito, é preciso convencer os eleitores de sua capacidade, ou ter alguém que faça isso. Para isso precisa ser esperto e ter os contatos eficientes. Uma vez eleito, precisa retribuir o esforço de seus colaboradores. Mas, a esperteza é ambiciosa e transforma “o governo” (por serem eles que fazem as leis e indicam os cargos do executivo e judiciário) em um jogo complexo que garante aos “amigos” os benefícios da lei, e aos “inimigos” os rigores da lei. Uma vez ameaçado este “jogo esperto”, se unem para derrotar “os inimigos”, mesmo que estes estejam buscando o benefício da nação. É injusto culpar os eleitores por terem escolhido seus representantes, pois só é apresentado como candidato quem aceita as regras do jogo. Por isso, tanta preocupação com o controle da informação. Isso garante e perpetuação no poder. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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17 de agosto de 2016
Um ferreiro bate o ferro muitas vezes até chegar à perfeição da figura” (Frei Egídio de Assis, agricultor e pensador franciscano, 1190-1262).
Até o pneu precisa ultrapassar obstáculos para dar movimento ao veículo. Ninguém gosta das contrariedades da vida, pois machuca e pode deixar marcas. Mas, nem sempre podemos escolher só o que nos agrada. Na maioria das vezes, temos que enfrentar situações que nem imaginávamos. É na habilidade em enfrentar situações adversas que vamos ganhando força interior. Então, nos lembramos que, para chegar à perfeição as mais duras matérias devem ser moldadas. O ferro precisa de fogo e muitas marretadas até chegar à consistência e na forma ideal; o mármore também é moldado pelas batidas do artista, o ouro ganha forma pelo calor que o faz derreter, o diamante é lapidado, e assim por diante. Quando o artista Divino quer nos transformar em uma obra de arte, vai aos pouco nos moldando de acordo com o material que “sou” constituído. Manteiga e gesso, num instante estão prontos. Mas, materiais mais nobres dão um pouco mais de trabalho. Entendo assim, temos força para vencer os desafios sem nunca desistir. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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16 de agosto de 2016
A resignação é um suicídio cotidiano” (Honoré de Balzac, escritor francês, 1799-1850).

Quem desiste de nadar é levado pela correnteza. A palavra resignar tem origem no latim (resigno) significando: tirar o selo, anular, renunciar. Resignar é uma forma de desistir de uma tarefa, de uma responsabilidade, de um esforço, ou de uma luta que vínhamos fazendo. É como jogar a toalha no “ring” antes de soar o “gongo”. É semelhante, também, à história do nadador que saiu nadando de seu País para o País de um Continente vizinho e quando estava chegando nas praias do Continente almejado disse: “Vou voltar para o meu País, pois não aguento mais”. Na resignação se renuncia a prosseguir, porque se acha que já apanhou o bastante das pessoas, das situações, e da vida. Na família, por exemplo, é o caso de quem começa a se fechar por achar que não vale mais a pena ajudar, falar, lutar ou ensinar qualquer coisa, visto que, segundo se diz, já se fez tudo o que podia. No ambiente de trabalho se nota a resignação quando um funcionário se submete à humilhação do patrão e a uma rotina estafante da empresa para não correr o risco de ser mandado embora. Quem não conhece a situação de determinadas mulheres que se colocam debaixo de todas as grosserias do parceiro para evitar uma separação conjugal ou um sofrimento para os filhos? Assumem o silêncio e a omissão como um modo de sobrevivência em meio à triste rotina cotidiana de tortura sobre suas ideias, gostos, interesses e modo de pensar e agir. A isso se poderia chamar de um lento suicídio cotidiano, pois aniquila a pessoa aos poucos, em doses lentas, e de dentro para fora, até o ponto em que seu vigor e vitalidade, sua saúde e realização se esgotam ou desaparecem por completo do cenário de sua vida. A palavra de ordem se torna a desistência e não a persistência. A pessoa desiste para não ter que sofrer oposições ao seu modo de ser e agir. Esse modo de ser resignado provoca, por sua vez, uma paralisação e uma paralisia total na vontade, no ânimo e nas forças interiores da pessoa, a ponto de levá-la a uma postura de indiferença, nos moldes do “tanto faz quanto tanto fez”. E quem vive nessa postura, bebe o amargo veneno da acomodação para ir morrendo lentamente  no anonimato, na revolta pessoal e na covardia. O que vence a resignação é a insistência e a persistência na vida com todos os seus arranjos de oposição ao nosso modo de ser, pensar e agir. A insistência e persistência abre portas e possibilidades novas para quem tem a coragem e a ousadia de sempre dar um passo a mais, de fazer uma nova tentativa e de prosseguir mesmo lá onde tudo soa contra e ao nosso desfavor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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15 de agosto de 2016
Não há caminho para paz, a paz é o caminho” (Mahatma Gandhi, advogado, político e místico hindu, 1869-1948).

A paz começa com uma atitude interior de não violência. A paz requer uma alma livre de rancores, disposta a se sacrificar pelo amor. Sendo assim, em todos os dias é preciso recomeçar o compromisso com a paz. Como no filme, “Como se fosse a primeira vez” (50 first dates), onde o ator (Adam Sandler) precisa reconquistar sua amada (Drew Barrymore) todos os dias, para ficar a seu lado. São atitudes que brotam do coração. Quanto mais você está comprometido (a) com a paz, mais surgirão “tentações” para fazer você desistir. Mas é justamente nesta hora que você precisa ser forte. Esta força está em uma vontade indomável de fortalecer em todos os corações o compromisso com a paz. Paz e Bem! Era a saudação de São Francisco, reafirmando seu compromisso diário com a paz e com Deus (o sumo Bem). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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12 de agosto de 2016
Quem quer que esteja fisicamente bem preparado pode fazer coisas incríveis com seu corpo. Mas, quem junta a um corpo em forma uma cabeça bem cuidada é capaz de feitos excepcionais” (Aleksandr Vladimirovich Popov, ex-nadador russo, detentor de quatro ouros olímpicos em provas individuais, nasceu em 16 de novembro de 1971).
Para vencer na vida, necessitamos muito empenho pessoal. Grandes atletas de competição Olímpica ou de outros eventos esportivos, já perceberam que corpo e mente não são realidades antagônicas, mas, perfazem uma unidade. Mais ou menos como diziam os antigos com a frase “Mens sana in corpore sano” (mente saudável em corpo saudável). Isso implica numa compreensão. Uma está na outra e é influenciada pela outra. Embora o “podium” não seja garantia de que um atleta seja melhor do que o outro que não galgou o mesmo posto, é justo e sensato pensar que quem tem uma cabeça bem cuidada, ou melhor, uma mente bem saudável, conduz o corpo a ter a mesma “performance”. Do mesmo modo, um corpo capaz de realizar acrobacias incríveis, dribles sensacionais, lances excepcionais, e atos inimagináveis no universo esportivo, expressa, sim, uma boa preparação, uma disciplina e atenção que responde às exigências de uma mente aberta, livre, criativa, imaginativa e bem determinada em realizar grandes feitos. Atletas que tiveram e cultivam essa correspondência e harmonia são mais propensos a atingir com mais sucesso aquilo que a que se propuseram e propõem dentro de um Estádio ou qualquer Arena onde um esporte desafia os limites humanos. Com base nisso, o Brasil precisa pensar muito no modo como capacita seus atletas. Ainda que talentosos, e suspendendo um pouco a análise dos seus patrocinadores, a maioria deles vai para as competições com a mente fragilizada pelo contexto pessoal, familiar, empresarial e social do país. Isso, sem dúvida influencia o rendimento de cada um deles na hora do desempenho esportivo. O corpo, no caso, não responde adequadamente à vontade interior de ganhar e ter sucesso, pois está amarrado a medos e limitações provenientes de um contexto que impede o deslanche de sua habilidade esportiva. Talvez o baixo quadro de medalhas do Brasil nas Olimpíadas aqui em seu território, expresse muito dessa desarmonia entre corpo e mente de nossos atletas. Isso também vale para a vida cotidiana. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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11 de agosto de 2016
As alegrias passageiras encobrem os males eternos que elas próprias causam” (Blaise Pascal, físico, matemático, filósofo e teólogo francês, 1623-1662).
A verdadeira alegria está em harmonia com o “universo”. Alegria passageira é alegria que passa sem deixar rastro, peso e conteúdo naquele que a experimenta. Ela é fugaz e vai-se embora quando embora vai aquela experiência vivida. Ela não nos preenche, não nos completa, apenas nos esvazia. Por esta razão, muitas são as situações em que a alegria nos toma por um momento e no momento seguinte nos sentimos novamente vazios e esvaziados, secos, frustrados e tristes. Ela tem a duração de apenas uma emoção forte, mas sem força de penetração no imenso cofre das verdadeiras riquezas do coração. Ao invés de nos trazer um grande bem, ela produz um mal eterno. Eterno enquanto um ciclo que se repete de forma indefinida e que, ao mesmo tempo, se torna raiz de uma forma de viver que vive de busca em busca de satisfação que nunca satisfaz plenamente, pois encobre a razão e cega os olhos para ver onde de fato se fundamenta a verdadeira alegria que não é fugaz e nem passageira. A alegria que não passa é aquela que passa por nós despretensiosamente e nos cativa, depois nos toma, nos enche e nos mantém numa plenitude de ser. Ela nunca é uma coisa que vem de uma determinação nossa, mas gratuitamente se apresenta ao nosso cotidiano solicitando ser vista e aceita. Ela se apresenta em pequenas coisas das quais nem sempre damos atenção; em insignificantes experiências de encontros e desencontros que nos sucedem; em pequenos prazeres dos quais havíamos ignorado por serem pequenos. Ela está até mesmo ali onde antes não víamos sentido e dávamos as costas por achar que era contra nosso gosto, nosso interesse e nosso modo de ser, pensar e agir. A alegria que não passa tem o modo de ser daquilo que constitui o núcleo de nossa vida. Ou seja, daquilo que representa o ponto, a rocha, o fundamento, o núcleo, a raiz, onde tudo em nós nasce, se ergue, se forma e se compreende. Esse ponto, esse fundamento significa que aconteça o que acontecer, venha o que vier, façamos ou deixemos de fazer qualquer coisa, é nele, por ele, e para ele que sempre nos voltamos, que nos movemos e somos. E fundamentados nesse ponto e, só nele, é que as coisas encontram seu sentido e razão de ser. E fora dele nada tem sentido. A alegria que não passa está assentada nesse ponto. Tudo o que não converge para ela é fugaz e não preenche nossa alma. Logo, não merece crédito e nem o gasto de nossa energia de vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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10 de agosto de 2016
A arte de agradar muitas vezes encobre a arte de enganar” (Textos Judaicos)
Quem busca agradar a todos, acaba esquecendo-se de si. Agradar é uma forma de tentar contentar e contentar-se. Contentar é querer estar no mesmo desejo da outra pessoa, ou querer que a outra pessoa fique no mesmo desejo que o meu. Desejo de coisas boas, no caso. O lado legal do contentamento e do querer agradar é quando, por exemplo, uma pessoa vai à minha casa e faço o melhor para que ela se sinta bem à vontade e feliz. O inverso dessa situação é quando no desejo de agradar se quer no fundo é ser valorizado, ou se faz de tudo pelo outro para esconder o medo de ser decepcionado. Desta forma, há quem passe uma vida tentando agradar familiares, patrão, colegas de trabalho, amigos, parentes etc, como um modo de não decepcionar e nem ser decepcionado. Dificilmente consegue dizer não, ou melhor, vive dizendo sim para todos e para tudo para não sofrer ou encarar o fato de que cultivou a arte de enganar e de enganar-se para safar-se de suas próprias sombras e medos. Isso com o tempo se transforma em uma camisa de força com um peso insuportável que vai inclinando cada vez mais a pessoa para o sentimento de impotência consigo mesma, até o dia em que tudo estoura numa depressão, num pranto sem consolo, e numa revolta interior que, se não explode, acaba por implodir a pessoa. Se em forma de explosão aí dos que cercam tal pessoa, pois verão um verdadeiro furacão a devastar tudo pela frente. Se for implosão, a doença ou as doenças dos mais variados nomes se instalam com uma violência surpreendente. A doença vem como alerta final de que ao longo dos anos a pessoa se machucou o bastante, se feriu tanto que finalmente o sofrimento vem à tona de modo nu e cru, dizendo apenas que a partir de agora não dá mais para enganar ou enganar-se. Uma atitude deve ser tomada para não continuar se martirizando. No entanto, nunca é tarde para se tomar decisões a favor da própria liberdade e saúde integral. Tomar decisão aqui é se decidir ao menos uma única vez e, pra valer, por si mesmo, pela própria integridade e como um ato de justiça para reparar tantos males feitos a si mesmo em nome do querer agradar. Agradar é muito bom, mas, somente, quando se tem dentro de si um senso de gratidão por tudo e por todos. Senso de gratidão jamais é bajulação para conseguir recompensas, mas um jeito leve, livre e desinteressado de servir e de se colocar à disposição daquilo que solicita a grandeza de meu coração para realizar a bondade pela bondade ela mesma. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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9 de agosto de 2016
Quando você estiver muito feliz, ou muito triste, lembre-se: isso também vai passar”. (Provérbio indiano).
“Enquanto os cães ladram, a caravana passa” (dito popular). A vida é uma contínua passagem. Nela tudo passa o tempo todo e em todo o tempo. Passa o dia e passa a noite. Passa o inverno e passa a primavera. Passa o verão e passa o outono. Passa a infância e passa a juventude. Passa a vida adulta e passa a velhice. Passa o nascimento e passa a morte. Passa a dor e passa a saúde. Passa a tempestade e passa a bonança. Passa o choro e passa o sorriso. Passa a guerra e passa a paz. Passam os bens e passam os males. Passa a tristeza e passa a alegria. A vida passa e se passa em nós e para nós. E nós passamos com a vida, pela vida e para a vida. E, assim, de passagem em passagem vamos partindo e chegando. Vamos perdendo e ganhando. Vamos diminuindo e crescendo. Vamos esvaziando e enchendo. Vamos criando e recriando e sendo recriados. Vamos fundando, afundando e aprofundando. Vamos apertando e sendo estreitados. Vamos para traz e para frente, para o lado e para o outro lado, para cima e para baixo. Vamos para dentro e para fora. Vamos para a essência, para a superfície, e para a superficialidade. Vamos para longe e para perto, para o próximo e para o distante. Vamos para onde pudermos ir, para onde pudermos passar, pois passar é o nosso destino. Porém, o mais importante de toda e qualquer passagem, é lembrar que tudo passa e se deixar, de boa vontade e de vontade boa, passar. Quem resiste, insiste e persiste em não passar, jamais evolui ou experimenta; tal qual uma cobra que troca de pele; a mudança e a transformação de seu ser. Manter a consciência clara e distinta, e a memória sempre afinada de que tudo passa, nunca é resignar-se com um destino trágico, fatídico e inevitável da vida, mas é vigiar para que a cada passagem se tome ela como uma oportunidade de um nascimento e renascimento para tudo o que há de melhor, mais abrangente, mais rico, mais profundo e mais interessante da própria vida. Sabendo, é claro, que até mesmo essa consciência e memória vão passar. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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8 de agosto de 2016
Viver é isto: ficar se equilibrando o tempo todo entre escolhas e consequências” (Jean-Paul Charles Aymard Sartre, filósofo, escritor e crítico francês, 1905-1980).
“Um minuto de bobeira pode levar a uma vida de arrependimentos” (dito popular). Quando alguém joga uma casca de banana em um lugar de transeuntes, ele fez uma escolha com base em sua liberdade, mas se alguém cai e se machuca por ter escorregado nesta mesma casca, aquela opção traz agora suas consequências, pois terá que se responsabilizar pelo ocorrido. Existem consequências a curto, médio e em longo prazo. Elas podem ser boas ou ruins. Quando se recupera mananciais ou áreas em torno dos rios, toda a natureza devolve com vida. Mas, transformar o rio em depósito de lixo elimina toda uma cadeia de vida. Nossa escolha de hoje tem consequência amanhã. Um simples abraço pode devolver alegria a alguém. Nortear todas as escolhas de uma vida apensas para consequências econômicas pensando somente em si e nos seus, pode levar um futuro de frustrações quando começar a sentir-se só. Nada é por acaso, tudo são consequências. Nasce uma flor, porque uma semente foi germinada. Um grupo de amigos se reúne para comemorar o sucesso de um de deles, isso foi consequência de anos de amizade. Mínimas escolhas podem gerar grandes consequências. Na dúvida, opte pelo bem, mesmo que na hora pareça irrelevante. Evite até de pensar mal, pois isso traz consequências negativas para nossa vida. Saiba ser grato. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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5 de agosto de 2016
Combater a religião é atentar contra a sociedade” (Charles-Louis de Secondat, “Barão de Montesquieu”, político, filósofo e escritor francês, 1689-1755).
Fé apenas se vive sem muita explicação. Em matéria de religião há os que a seguem; os que a rejeitam e os que a perseguem. Essa perseguição e hostilidade ora é explícita, ora implícita. Aqueles que a seguem em qual denominação ou expressão forem, podem ser pessoas santas, fiéis, sensatas e equilibradas, como também podem ser insanas, fundamentalistas, dogmáticas e loucas. Os que a rejeitam o fazem tantas vezes por medo, por raiva, por decepção ou desculpa para encobrir ou culpá-la dos seus próprios defeitos e misérias. Os que a perseguem e hostilizam a combatem por ódio e por acharem que ela representa uma ameaça para si e para o Estado. Estes leem na História somente as atrocidades cometidas em nome de uma divindade, e justificam seu ódio, indiferença e combate à religião com base somente nesses fatos interpretados a partir de uma visão unilateral. Porém, a religião pertence ao homem e o homem pertence a ela. Ela é o modo como ele sente e percebe sua relação com o divino e com as instâncias mais secretas e sagradas de si mesmo. Pela religião o homem expressa sua unidade, sua ligação e re-ligação (daí religião, da palavra religare em latim) com um ser Supremo, consigo, com os outros, com a natureza e com tudo o que existe. Essa ligação e re-ligação é que proporciona sua organização e saúde psíquica, se bem compreendida e bem experimentada, é claro. Mal compreendida e mal experimentada pode levar à neurose, psicose, e aos piores transtornos mentais inimagináveis. Mas, mesmo assim, a religião é sempre uma marcha e uma aventura para o universo da interioridade humana em direção àquela realidade onde tudo se encontra e se harmoniza. Essa é a razão pela qual qualquer combate à religião que não entenda isso, se presta mais a prejudicar do que ajudar a sociedade. O combate à religião só tem força para colocar a religião em combate, ou seja, ao querer destruí-la ou tiranizá-la, apenas des-liga e promove nos seus seguidores e adeptos uma ruptura com o tecido social. Por isso, os que veladamente querem destruí-la, ensinam que “em vez de ser religar (sentido original da palavra), deveria ser reler (uma nova leitura)”, para assim neutralizar seus princípios divinos, gerando uma ruptura. Essa ruptura é o início da ruína social a curto, médio, ou longo prazo. A religião jamais deveria ser combatida ou perseguida e, sim, incentivada e respeitada. O que deve ser combatido negado são o mau uso e o abuso da religião por seus adeptos e seguidores. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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4 de agosto de 2016
A ninguém foi dada a posse da vida, a todos foi dado o usufruto” (Tito Lucrécio Caro, poeta e filósofo romano, 99-55 a.C.).
O Homem se esquece que faz parte da Natureza e dela depende, embora muitos se sintam donos. No livro “A História da Riqueza do Homem”, do historiador Léo Huberman, ele tem uma frase muito interessante quando diz: “Eu anexaria os planetas, se pudesse”, referindo-se ao desejo insaciável de posse que normalmente está em todo Homem, sobretudo na sociedade capitalista onde o ter é mais valorizado que o ser. É uma afirmação em torno do desejo de possuir que tem formado especialmente a Civilização Ocidental em busca de abocanhar riquezas e mais riquezas, posses e mais posses. Essa corrida em linha reta na direção do desejo de possuir é antiga e, de uns tempos para cá, recorre aos avanços da tecnologia para justificar essa ambição sem limites. Hoje, por exemplo, há toda uma discussão sobre a posse dos territórios da Lua, de Marte etc. Já se discute até as Leis que deveriam governar a distribuição dos terrenos lá explorados. Como no velho Oeste americano na busca do ouro, a ideia é de que quem chegar primeiro toma posse do que der conta de explorar. Aqui na Terra, portanto, já começa toda uma guerra antecipada em torno dessa questão que apenas projeta nos planetas, nas galáxias, uma anexação que reflete este modo de ser  e de pensar do homem dos tempos atuais. O homem do desejo de posse e da posse do desejo. O desejo é da nossa natureza, mas está sem controle, sem disciplina, sem educação e orientação, ele é um desastre para qualquer um. O desejo mal administrado faz do homem um ser fora de si que acha que pode possuir tudo, até a própria Vida. No desejo de possuir e da posse desenfreada do desejo, o homem cada vez mais se esquece de sua essência, e pensa a Vida, as pessoas, o planeta, o Universo, sempre dentro dessa cobiça e desse domínio insaciável. Esquece que tudo lhe foi dado para cuidar. A Vida ele não a possui, mas é possuído por ela. Ela é anterior a ele e condição de sua possibilidade de existir. Tudo está no seu usufruto, também a Vida. Aliás, usufruto é usufruir da coisa, isto é, aproveitar, ao modo de quem degusta o sabor de uma fruta. A pessoa não é dona da fruta. A fruta se dá para ser aproveitada, isto é, para se fazer um uso que seja útil dentro de uma abrangência de sentido do viver humano, e não para uso egoísta e de ganância sem limites. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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3 de agosto de 2016
Errar é humano” (Marco Túlio Cícero, cônsul e político romano 106–43 a.C.)
Aprendemos a andar porque corrigimos nossos erros. Vivemos numa época em que não conseguimos mais refletir acerca do valor e da importância do erro. O erro virou sinônimo de culpa e de falta. Culpa como a mancha que ficou de uma falta cometida, falta leve ou grave. E falta que deve ser evitada, ou condenada quando cometida. Nesse sentido, em todos os níveis da existência, quando se comete um erro, ao invés de se pensar na correção, se quer a punição de imediato. Pois, quem cometeu o erro fica como um culpado que precisa reparar ou redimir a falta cometida. E como na sociedade atual quem é culpado precisa pagar pela culpa, então o culpado(a) vira vítima de um sacrifício, como na antiga mentalidade religiosa, que com a vida deve pagar pelo que fez. Por sua vez, vivemos como uma geração que implícita ou explicitamente, consciente ou inconscientemente, achamos que devemos pagar pelos erros cometidos, ou seja, devemos pagar pela culpa que carregamos ou supostamente achamos que temos. Igualmente, as formas de relacionamento em que erros são cometidos, na educação, na política, na religião, em determinadas empresas, na forma de compreender o ser humano, e na sociedade em geral, a punição e a condenação viram palavras de ordem o tempo todo. Filhos quando erram vão logo pro castigo, mesmo antes de uma conversa ou orientação. Na religião quem comete erros já fica excluído do grupo ou é condenado imediatamente aos infernos. Sem falar naqueles que se não pensam como na minha religião são vistos como errantes e que devem se redimir para entrar no caminho da salvação. Em algumas empresas o erro é visto como falta que leva o funcionário à desgraça dos colegas e do patrão, e que entra sutilmente no início da lista dos que serão mandados embora. Não ganham oportunidade de correção e de melhoria na imperfeição, mas carta de condenação pelo erro cometido. Errar, no entanto, é humano. Faz parte de nossa condição. Isso não quer dizer que devamos tomar o erro como medida de comportamento. Somente que ele também nos pertence. Se está em nós e faz parte de nossa existência é porque tem uma utilidade, tem um valor e uma importância dentro de nosso processo de crescimento, de aperfeiçoamento e de humanização. Se tomássemos o erro nessa perspectiva seriamos mais compreensivos uns com os outros e menos punitivos e intolerantes. Compreensão aqui é um modo de ver o erro dentro de uma totalidade de sentido, e não como um fenômeno separado de nosso modo de ser e viver. Quem vê o erro como algo anormal, inumano e separado de nossa vida e realidade, faz dele como se faz hoje com a realidade do aborto. Pensa aquele “serzinho” como uma parte da mulher e que ela deve dispor e indispor como e quando quiser, se achar que aquilo é um erro. Esse “serzinho” é ela mesma e não uma parte dela. O que chamamos erro tem sempre algo de importante a dizer a cada um e a todos. Tem sempre algo de humano a nos dizer e que ainda não fomos capazes de compreender e aceitar, mas que se formos abertos, bons ouvintes e aprendizes, teremos algo a aprender e compreender como jamais tínhamos imaginado e pensado. Ou, talvez, como algo que havíamos esquecido e ignorado de nossa própria raiz e origem. Nesse sentido, o erro está no fundamento de nossa existência como possibilidade de todo e qualquer acerto e aperfeiçoamento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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2 de agosto de 2016
Poucos são aqueles que vêem com seus próprios olhos e sentem com seus próprios corações” (Albert Einstein, físico alemão,1879-1955)
Para ver direito, todo nosso ser deve estar envolvido. As Escrituras Sagradas nos ensinam, em mais de uma citação, que: os olhos são a janela da alma. Poderíamos parafrasear e dizer que; os olhos são janelas do coração. E se é verdade que os olhos expressam a alma, digo, o coração, então, é justo dizer que olho e coração expressam algo de essencial de nós mesmos. Embora alguns digam que quem “vê cara não vê coração”, pelos olhos nós captamos muito do que está no coração. Um coração triste deixa caídos os olhos. Um coração enfurecido deixa avermelhados e opacos os olhos. Um coração feliz deixa brilhantes os olhos. Ou seja, aquilo do qual o coração está cheio se mostra nos olhos. Muito do que o coração sente,  é plantado e cultivado pela influencia daqueles e daquilo que permitimos e acolhemos no terreno do coração. Isso que influencia o coração é conduzido aos olhos e influencia o modo de ver as pessoas, as coisas, e as situações. Tal influencia nos leva assim a um modo de sentir e ver que não nos é próprio, mas que se apropria de nós e nos faz fantoches e robôs no modo de sentir e ver. Uma das bem-aventuranças evangélicas diz: “Bem aventurados os puros de coração”. O coração puro é aquele que se mantém fiel às suas origens, a fonte de seu ser. É aquele que não se contaminou e nem se deixou apropriar pelo que não é a raiz de seu próprio ser. Esses são poucos, mas os poucos que veem com os próprios olhos e sentem com o próprio coração. Estes não são uma minoria privilegiada e seleta. O pouco aqui é o bem concentrado, ou seja, o que centrou o modo de sentir e ver naquilo que é de fato o núcleo, o tesouro maior do coração. Esses poucos é que pensam e veem tudo a partir de sua verdade fundamental, sem rodeios, sem máscaras, sem manipulação, sem engano e sem hipocrisia. Coração puro vê tudo na sua propriedade, na sua transparência e inocência. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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29 de julho de 2016
Deixe o seu sorriso mudar o mundo, mas nunca deixe o mundo mudar o seu sorriso” (Demetria Devonne Lovato, “Demi Lovato”, cantora, atriz e compositora americana, nasceu em 20 de agosto de 1992).
Nosso sorriso revela quem somos em nosso interior. Sorrir é uma graça que se recebe e se dá de graça para proporcionar graça. Essa graça é uma “cócega” nas axilas de nossa existência despertando o bom humor. O bom humor nos muda pra melhor. Muda nosso mundo. Um sorriso sincero não pode ser comprado ou forçado. Pode apenas ser aceito ou rejeitado. Pode, também, ser trocado. Ele é espontâneo. Enquanto espontâneo significa que vem por si e a partir de si. Quando forçado, corre o risco de ser fingido, sarcástico ou zombeteiro. Hoje existe todo um esforço para se colocar dentaduras e aparelhos sofisticados para melhorar o sorriso e a estética facial das pessoas. No entanto, o sorriso vem de dentro, da alma, de um espírito bem espiritualizado que sabe colher e perceber de fato “o espírito da coisa”. Bebês, por exemplo, são banguelas e não há sorriso mais belo, mais encantador e livre do que o deles. Uma senhora idosa, mesmo sem dente nenhum; quando sábia e bem vivida, solta abertamente um sorriso “desdentado” que traz para todos os que a ouvem e cercam um aceno de felicidade gratuita. Há pessoas feridas, magoadas e sofridas que, por razões só suas, esconderam há muito a estampa de seu sorriso, deixando todos os que fazem parte de seu convívio, na esperança de que um dia seu sorriso desate as amarras internas de sua prisão e volte a brilhar e a dar sentido e força a todos os que dele dependem. Porém, um sorriso é mais do que um escancarar aberto da boca e da face. Ele é um mundo que se mostra, uma abertura de nosso ser que se revela como alegria, contentamento, superação, vibração e redenção. Esse mundo somos nós mesmos no nosso cotidiano. Às vezes, ele é frágil e não consegue suportar os encontros e desencontros com outros mundos que o sufocam, fazendo-o mudar como a flor que de manhã é viçosa, mas a tarde murcha e cai. Mas, também, ele tem a manha das manhãs que sempre de novo e de modo novo se irrompe do “coração” e na alma, no corpo, na face, nos lábios, nos dentes, enfim, num modo de ser teimoso e amoroso que jamais permite ser enterrado eternamente nas vicissitudes da existência. O sorriso tem a graça de ser a ressurreição cotidiana de um modo de ser livre, cordial e jovial do espírito. E ele, assim como o amor, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos

 

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28 de julho de 2016
O mundo está em guerra porque perdeu a paz” (Papa Francisco, durante a viagem a Cracóvia em 27 de julho de 2016).
“O pior cego é aquele que se recusa a enxergar” (dito popular). O mundo está inundado de informações sobre deslocamento em massa de populações fugindo de uma morte eminente, bem como de mortes em atentados. Até que ponto este deslocamento é espontâneo e até que ponto é orquestrado? Semelhantes foram os fatos que antecederam as duas grandes guerras. Depois a mídia se encarregou de dar uma conotação política. Previsões desta nova guerra já foram anunciadas por diversas profecias. E o Papa continua: “Uma palavra que – sobre isto dizia Padre Lombardi -  se repete tanto é “insegurança”. Mas a verdadeira palavra é “guerra”. Há tempos dizemos que “o mundo está em guerra em partes”. Esta é a guerra. Houve aquela de 1914 com os seus métodos; depois a de 39 a 45; uma outra grande guerra no mundo, e agora existe esta. Não é tão orgânica, talvez; organizada, sim; digo; mas é guerra. Este santo sacerdote (Padre Jacques Hamel) que morreu precisamente no momento em que fazia a oração por toda a Igreja, é “um”; mas quantos cristãos, quantos inocentes, quantas crianças… Pensemos na Nigéria, por exemplo: “Mas, lá é a África (justificam alguns)”. Esta é a guerra! Não tenhamos medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra, porque perdeu a paz”. “Uma só palavra gostaria de dizer para esclarecer. Quando eu falo de “guerra”, falo de guerra seriamente, não de “guerra de religiões”: não. Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra. Alguém pode pensar: “Está falando de guerra de religiões”: não! Todas as religiões querem a paz. A guerra, a querem os OUTROS. Entendido?” Temos que pensar e orar, para não sermos iludidos e usados como massa de manobra atendendo a interesse dos OUTROS. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de julho de 2016
A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos. A beleza de uma mulher não se limita a estética, mas, no reflexo de sua própria alma. Está na preocupação de doar-se com amor e no afeto que ela demonstra” (Audrey Kathleen Ruston; “Audrey Hepburn”, atriz, modelo e humanista belga, 1929-1993).

“O essencial é invisível aos olhos” (Exupéry). A atriz belga Audrey Hepburn, marcou as telas do cinema vivendo uma adolescente espirituosa e sofisticada, mas principalmente por sua beleza. Quando pediram seu segredo, ela resumiu em dez itens. 1- Se desejar beijar, fale palavras de ternura. 2- Se quiser olhos encantadores, procure ver sempre o lado positivo das pessoas. 3- Se quiser uma silhueta esquia, compartilhe sua comida com aquele que tem fome. 4- Se quiser cabelos bonitos, deixe uma criança passar os dedos entre eles uma vez ao dia. 5- Se quiser uma bela postura, caminhe com sabedoria, pois você nunca andara só. 6- Se quiser atenção, nunca despreze ninguém. Muito mais do que as coisas, são as pessoas que devem ser restauradas, revividas, requisitadas e perdoadas. 7- Se quiser uma mão amiga, você a encontrará na extremidade de cada um de seus braços. Na medida em que for envelhecendo, descobrirá que tem duas mãos, uma para ajudar você e outra para ajudar os outros. 8- Você descobrirá que a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, na imagem que ela carrega ou no penteado de seus cabelos. A beleza da mulher está em seus olhos, pois eles são a porta de entrada de seu coração, o lugar onde o amor reside. 10- Assim, a beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos. A indústria de cosméticos mantém as mídias repletas de propagandas de seus produtos de beleza, que acabam convencendo que são seus produtos que irão garantir a beleza feminina. Com isso as mulheres passam horas em salões ou diante do espelho, se vendo cada vez mais bonitas, mas a preço de ouro. Ficam sem tempo de pensar e redescobrir que a maior beleza é o reflexo de um coração amoroso irradiado em todo o seu ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de julho de 2016
Ninguém pode fazer o bem em uma área de sua vida se faz o mal em outro. A vida é um todo indivisível” (Mohandas Karamchand Gandhi, advogado, político e pensador hindu, 1869-1948).Somos todos parte de um. Quando alguém faz o bem e fica dizendo
para todos que isso foi obra sua, já perdeu sua essência, pois somos parte do universo onde o Pai de tudo realiza suas obras também através de mãos bondosas. Assim, é sinal de sabedoria agir sem vanglória, para que o agradecimento suba até os céus, e Deus seja sua recompensa. Nosso mundo é cheio de contradições. Abraçamos e beijamos animais de estimação e maltratamos outros animais que também são partes da criação. Postamos fotos com um sorriso no rosto e somos rudes com os mais próximos, principalmente em casa. Devemos observar mais e aprender que as coisas se complementam; se existe um alto, haverá também um baixo, o pequeno e o grande e assim por diante, cada coisa tem sua importância em seu contexto. Fazemos parte de uma unidade maior em Deus, e nossas ações refletem quem somos no íntimo; desta forma, é incoerente ser bom “diante das câmeras” e mau às escondidas. Se as “prostitutas” (em sentido amplo) revelassem quem vai às ocultas negociarem com elas, sobraria muito poucos com uma reputação ilibada. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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25 de julho de 2016
Você chama de violentas as águas de um rio que tudo arrastam; mas não chama de violentas as margens que o aprisionam” (Eugen Bertholt Friedrich Brecht, dramaturgo e poeta alemão, 1898-1956).
Na esperança está a força do homem. Em condições normais há uma harmonia em toda a natureza. Ao mesmo tempo, ela é dinâmica e segue seu curso alternando acontecimentos, e aí está sua força de renovação. Um dos elementos que temos presente é o rio que recolhe as águas por onde passa pela ação da gravidade e vai ganhando volume e força à medida que segue seu curso em direção ao mar. O rio também faz um papel de redistribuir nutrientes de um lugar para outro. Seu curso é limitado pelas margens. Quando por algum motivo o volume de águas ultrapassa a quantidade normal, ele avança para além das margens, pois precisa de espaço para dar vazão a suas águas. Nesta busca de espaço leva consigo tudo que está em suas margens. Dizemos então que ele está violento. Esta atitude se assemelha a de um felino que quando encurralado, dá saltos imprevisíveis na busca de sair de uma situação de perigo. Na busca para entender o que aconteceu encontramos várias respostas; ora foi o excesso de lixo jogado no rio que assim foi diminuído as suas margens, ora foi a ação do homem que retirou a mata das margens, cujas raízes davam sua sustentação, ora um fenômeno atmosférico. Com as pessoas acontece algo semelhante. A vida de muitos foi formatada em um modelo como um rio dentro de suas margens, tudo pré-definido e programado, onde basta seguir o curso “das águas”. Quando por algum motivo, o homem perde o sentido de tudo, ou fica sem saída, aquele frágil cordeirinho vira um gigante em busca de sua sobrevivência. Se sua ação foi “violenta”, dizemos que está fora de si. Mas, quase ninguém se pergunta sobre o que levou a estar neste estado, ou melhor, que angústias o aprisionavam? Foi injustiçado? Faltou alguém para apenas ouvir? Que chance ele teve para sair da crise? Neste momento ele busca em seu interior uma centelha de fé e reage com esperança para encontrar uma saída. Aqui, uma mão amiga faz muita diferença. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 de julho de 2016
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário” (Manoel Wenceslau Leite de Barros, poeta brasileiro, 1916-2014).
Ventos contrários podem trazer tempestades, mas são elas que renovam a terra. A palavra “contrário” tem origem no latim “contrarius”, significando o que está em frente, oposto, hostil etc. Mas também contrário é o que nos contraria. O que nos contraria costumamos evitar ou ignorar, pois, soa uma ameaça, um perigo ao nosso modo de ser. Por considerá-lo um inimigo, ficamos contra o “contrário”, o ignoramos e não gostamos de fazê-lo. Quem está deprimido, por exemplo, tem muito medo de sair de casa, de expor-se ao convívio, de enfrentar novamente a vida e o que antes parecia normal e corriqueiro. Abrir as portas aos imigrantes estrangeiros hoje representa um verdadeiro terror para determinadas nações. Fazer entrevista de emprego, enfrentar um vestibular, tomar certas decisões, constitui um verdadeiro drama para algumas pessoas. Muitas democracias com seus partidos políticos de direita ou esquerda, hoje em dia, possuem uma verdadeira aversão a tudo o que possa cheirar o contrário de suas ideias e posições. Do outro lado, muitas ideologias, partidos e grupos, contrários à democracia, tem nela a ideia de um monstro devorador de seus princípios e fundamentos. O combate sutil e, às vezes declarado, de ódio e racismo entre culturas e religiões, tem se mostrado, atualmente, um artifício muito recorrente para se disfarçar a insegurança e o medo frente ao que soa diferente e desconhecido.  O contrário, no entanto, pode inicialmente aparentar ameaça e perigo, mas, se o entendermos como o que vem de encontro a nós solicitando e desafiando nossa compreensão para um maior conhecimento de nós mesmos, das coisas e situações, para sermos cada vez mais amplos e abrangentes, então ele pode nos proporcionar sempre algo novo e inédito ao que sabíamos e julgávamos saber. O que vem de encontro a nós pode num primeiro momento parecer ameaçador e aterrorizante, mas trata-se daquilo que desconhecemos e que, se formos abertos e acolhedores, pode nos trazer lições e mensagens ainda não decifradas pelo código da vida. Isso exige na maioria das vezes termos que fazer o contrário do que queremos, pensamos, sentimos e desejamos, pois pode estar aí, dentro do nada do nosso saber, o portal que nos coloca em contato com inesperadas e infinitas riquezas do saber e de possibilidades de nós mesmos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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21 de julho de 2016
Vive bem quem vive despercebido” (Públio Ovídio Naso, poeta romano 43aC.-17dC.).
Quando a camuflagem é intensa, só o que está além dos sentidos nos faz perceber. No Reino Animal, é comum haver animais que se camuflam no instinto de sobrevivência, para evitarem o ataque de predadores, ou, então, para atacar suas presas. A camuflagem é um disfarce, uma espécie de fumaça que impede a visão e faz com que aquele que se camufla passe despercebido aos olhos dos que o circundam e observam. Por outro lado, a camuflagem é uma forma de adaptação ao meio, permitindo a sobrevivência nos diferentes ambientes. Entre os homens, a camuflagem é muito usada no meio militar e entre grupos de guerrilhas como forma de enganar os inimigos. As máscaras de carnaval de certa forma são uma camuflagem para esconder o verdadeiro rosto das pessoas. E no sentido psicológico se diz que o homem recorre ao uso das máscaras (“persona”, Jung) para esconder sua verdadeira personalidade, adotando outro modo de ser e de agir que não é o seu. Seja o que for, são formas de se viver despercebido. No entanto, o viver despercebido aqui tem o sentido de viver escondido. Viver escondido, porém, não é isolar-se do convívio dos demais como fuga do social, da sociedade ou da comunidade. Mas, é mergulho sério no coração, no centro, na essência do que significa convívio, social e comunitário. Ou seja, é um modo de se colocar dentro do verdadeiro núcleo de algo. Ou melhor, do verdadeiro ser do convívio, do social e do comunitário. É como alguém que está tão enamorado de uma pessoa que passa despercebido por tantos outros, às vezes, até mesmo sem dizer “bom dia!”, “Olá!”, “Tudo bem?”. Não é que ele não goste, não se interesse ou faça descaso dos demais. É que sua afeição e seu interesse está totalmente voltado para um único ponto e interesse, para aquilo que constitui o âmago de sua preocupação, isto é, o amor na e da pessoa amada. A pessoa está tão devotada e voltada para esse núcleo que a envolve e atrai que tudo o mais, sem perder a sua importância e valor, fica anuviado para ela. Desse modo em tudo e para tudo ela passa despercebida, camuflada, escondendo o seu tesouro maior, mas que é a fonte e o sentido de seu viver. No entanto, é da paixão e do cultivo desse tesouro, e do estar continuamente voltado para esse centro que é a origem e a razão de seu ser e viver, que ela tira e retira a inspiração e a direção mais justa para o convívio, para o estar com os outros, e o ser um com os demais, visto que é o amor o princípio, o meio e o fim de todo e qualquer convívio real entre os homens. Embora não pareça e nem apareça de forma “carnavalesca”, é esse modo de ser despercebido que em todas as épocas criou tipos humanos que foram capazes de viverem bem consigo, com os demais, e com tudo o que há. Com outras palavras, nesses que procuraram viver o verdadeiro significado do despercebido é que o mundo ganhou no convívio, no seu ser social e no seu ser comunitário. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de julho de 2016
Imagine uma nova história para sua vida e acredite nela” (Paulo Coelho de Souza, escritor brasileiro, nasceu em 24 de agosto de 1947).
A nossa mente é o timão de nosso destino. Imaginar é aquele processo de deixar vir à mente uma imagem. A imagem pode vir por si e a partir de si, como um dom, como uma graça sem “porquê”. Mas, também, pode vir ou surgir mediante uma representação de nossa parte. Nesse sentido, podemos imaginar o que quisermos. A imagem tem força de verdade em nossa mente. Na mente ela jamais é um sonho, uma ilusão ou uma abstração entendida como algo etéreo e sem conexão com o real da realidade. Na mente podemos imaginar tudo e de tudo. Se aquilo, porém, que surge à mente ou representamos nela tem a nossa aceitação e nosso cultivo, com o tempo ela se concretiza tal qual foi imaginada. Às vezes, seu surgimento brota quase sem querer querendo, pois já estava lá como parte de nós mesmos. E quando vem à tona não é porque estava dentro e vem para fora, mas pelo simples fato de estar em nosso mundo como expressão de nós mesmos, de nossa abertura, de nosso querer cordial e receptivo, de nossa aceitação livre, de nosso cultivo em forma de correspondência. Por isso, é importante deixar e ter sempre uma boa imaginação na mente para que no tempo oportuno ela aflore como um projeto de vida bem balizado, como uma nova história a nos desafiar, como um sonho bem sonhado a ser materializado, como uma decisão a ser tomada sem arrependimentos e sem precipitação, como um ter que deixar e ter que partir novamente, como um ter que abandonar e um ter que abraçar, como um ter que acreditar de novo e de modo novo para prosseguir. A mente assim cultivada é que nos torna e proporciona isso e aquilo no mundo em que estamos. Essa mente aberta, livre e cheia de boa vontade é que cria para nós novos horizontes e novas oportunidades. São Francisco de Assis tinha uma mente assim cordial, aberta, livre e determinada durante todo o curso e percurso de sua vida. No arremate de sua vida, depois de tudo ter correspondido ao que lhe fora solicitado na vida e pela vida, chama seus confrades e lhes diz: “Irmãos comecemos, pois até agora pouco ou nada fizemos”. Esse tipo de abertura e prontidão frente à vida, é aquela atitude humilde e serena de reconhecer que tudo o que fizemos, fazemos e viermos a fazer, é apenas correspondência ao que já recebemos e temos como dom e graça do alto, do Senhor. Todo e qualquer empenho de nossa parte é apenas para manter a cordialidade e prontidão nessa abertura, para que jamais sejamos indelicados ou lentos em receber. Por sua vez, imaginar dia-após-dia que estamos nesse processo de começar sempre de novo e de modo novo na graça do Senhor, é o que nos permite inaugurar cada vez uma nova história e um novo começo de vida, e, por incrível que pareça, bem mais maduro e pleno do que o anterior. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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19 de julho de 2016
A mais insuportável tirania é a tirania dos inferiores” (Napoleão Bonaparte, líder político e militar francês, 1769-1821).

Quando uma criança faz uma birra quando contrariada, é uma forma de tirania dos inferiores. Paulo Freire costumava dizer que “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”. Esse alerta é uma chave para compreender também a questão da tirania dos inferiores que está se avolumando no mundo atual. Dentro dos lares e até nas estruturas políticas isso acontece. O Estado Islâmico, por exemplo, vem tornando-se um grupo tirano na tentativa de conquistar um poder que ambiciona dos grandes e poderosos. Hoje, também, é perceptível o modo como determinadas facções de ateus, de grupos religiosos, de ex-católicos, e até políticos, olham para a Igreja Católica e falam mal, proclamam seu fim iminente, e atacam o seu poder, acorrentados pela inveja de suas posses que foram adquiridos ao longo da história. Lampejam ódio e babam veneno de palavras destrutivas sobre ela; não tanto para ajudá-la em seu processo de conversão e mudança nas suas estruturas de poder, mas porque usam de seus discursos, críticas e difamações para esconderem a inferioridade que sentem e o desejo de poder que ostentam por detrás de seus desabafos nas redes sociais, principalmente. Quantos estudantes nas universidades ou empregados nas empresas que sonham somente com os cargos superiores, não porque entendem a missão e responsabilidade que isso acarreta, mas, simplesmente, porque querem chegar lá e sentir o gostinho de estar por cima, de “ensinar”, de dominar e tirar vantagens pessoais como professores, reitores ou gerentes e empresários? E o que dizer dos que não sabem fazer outra coisa que criticar ricos e poderosos do governo e da sociedade, nem tanto porque percebem o mal social que eles fazem a si mesmos e ao próximo com sua ganância e egoísmo, mas, porque não suportam ver e encontrar pessoas que tiveram mais "sucesso" do que eles na vida. É esse complexo de inferioridade que em nada ajuda ou muda o mundo em que vivemos. Apenas produz a tirania dos inferiores que, em certas circunstâncias, se torna maior do que daqueles que, hoje, tiranizam e são tiranizados por aquilo que ambicionaram um dia no modo desvirtuado do poder e da posse. Essa tirania é insuportável tanto para quem a produz quanto para quem a sofre. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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18 de julho de 2016

Não devemos ter medo da bondade e da ternura” (Jorge Mario Bergoglio, “Papa Francisco”, doutor em química e líder católico, nasceu em 1936 na Argentina).
O amor deve ser sem limites. Muitas vezes nos emocionamos com vídeos postados que mostram animais em atitudes de compaixão, ou de solidariedade. Parece que eles são como “anjos” a ensinar os seres humanos o que deveria ser corriqueiro entre todos os irmãos, a ternura e a bondade, pois somos filhos do mesmo Pai que está nos céus, “que faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5, 4), ou seja, devemos amar indistintamente. E nos perguntamos; quem somos nós para mensurarmos quem merece ou não merece nossa atenção e carinho, por isso o Papa nos exorta: “não devemos ter medo da bondade e da ternura”, pois elas abrem as portas dos corações mais duros. Talvez uma atitude mal interpretada ou um gesto agressivo tenham feito que nosso coração ficasse receoso, mas as sementes de amor lançadas devem superar as do medo ou da desconfiança. Será com gestos de amor e bondade que poderemos mudar este mundo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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15 de julho de 2016
A concórdia civil é o muro das cidades” (provérbio latino).
Todos desejam proteção. Desde os tempos mais remotos existe o costume de se criar muros e muralhas para abrigar e proteger as pessoas. Se por um lado protege e abriga a uns, por outro esconde e marginaliza os demais. Desse modo, ao longo dos séculos ele torna-se símbolo de proteção, mas, também, de separação entre pessoas, grupos e a sociedade civil. Mesmo sendo erguido com material resistente e quase indestrutível, ele pode ser frágil e impotente para defender as pessoas de seus medos e ameaças internas. A China antiga, a Alemanha pós-segunda Guerra Mundial, Israel e, hoje, de certa forma, a União Europeia, constrói mais um muro de separação. Com todas as boas justificativas que isso tem, tanto para quem continua, como para quem sai do bloco de união, a verdade é que mais um muro se eleva entre todos, pois no fundo é a concórdia que foi ferida entre os países. Concórdia nada diz de apagar as diferenças, pelo contrário, ela precisa ser mantida e respeitada; mas é manter o coração numa afeição e num interesse vital comum, isto é, guardar junto o coração naqueles assuntos, preocupações e interesses que representam o núcleo de sustentação de um povo, nesse caso, dos povos que compõem a União Europeia. Pensar essa concórdia apenas em termos de economia é um desastre. Há uma abrangência histórica, cultural, religiosa, política comum que precisa ser levada em conta e que constitui o coração desses povos. Ignorar isso é provocar “taquicardia” e, consequentemente, um AVC europeu com ressonâncias mundiais. A concórdia civil, no entanto, consegue estabelecer outro tipo de muro entre os povos, ou seja, um muro natural de respeito, de diálogo e concordância entre as pessoas. Esse muro, diferente de uma muralha, passa a ser um limite que deve haver na busca do bem comum. Só que limite aqui nada tem a ver com barreira e, sim, com as fronteiras que delimitam os interesses comuns. Esses limites, embora respeitem as discordâncias, apenas ressaltam o papel de cada um e de todos no que toca o que lhe é próprio. A fronteira ou o muro, neste caso, significa o que todos e cada um deve estar ciente para amar, buscar e se responsabilizar em vista do todo. Somente quando esse limite é entendido como barreira e inibição dos interesses individuais é que o verdadeiro muro de separação se instala numa sociedade civil. Ao mesmo tempo, isso cria uma mentalidade que se expande e logo, logo, vira um modo de ser consumista que outros povos abraçam sem se dar conta de sua real natureza e de sua destruição. O mundo do consumo vai além da comercialização de alimentos e afins, atinge tendências, modismos, tecnologias, mas, principalmente, ideias. Ideias que geram comportamentos ingênuos e infantis, dogmatismos e fundamentalismos (econômico, político, religioso etc.). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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14 de julho de 2016
A boa conduta lhe trará amigos; a má, inimigos” (provérbio iídiche).
“Semelhante atrai semelhante. Pensamentos atraem fatos” (lei da atração). Por boa conduta se entende aquele(a) que se conduz ou se deixa conduzir por algum tipo de comportamento correto, ilibado. Esse comportamento pode ser movido por uma atitude ética, religiosa, ou por padrões sociais adquiridos. Quando se trata de atitude ética é comum pensar naquele que se guia por princípios bons ou bons costumes que aos poucos formam o caráter da pessoa. Os fariseus da Bíblia são exemplos de pessoas assim. A atitude religiosa é aquela onde o indivíduo ou grupo se guia a partir de valores superiores, transcendentes, vindos ou orientandos por um “Ser Superior”. Quanto à conduta gerada por padrões sociais, são aquelas normas e princípios que norteiam a conduta de um grupo ou de um povo na direção das boas relações entre eles. Quando alguém desse grupo resolve quebrar ou romper com esses padrões, os demais se movem para puni-la, bani-la ou deixá-la mal vista pelos demais. Seja ética, religiosa ou social, neste caso, a conduta é um apelo para a pessoa ou o grupo deixar-se guiar pelo que é bom ou para uma atitude boa. Boa aqui quer dizer bem trabalhada, bem disciplinada, bem provada, até atingir um ponto que seja reconhecido e aceito por cada um e por todos como sendo bom e válido.  Independente de querer estabelecer filosoficamente aqui aquela ideia de que se o que é bom ou ruim para mim é bom ou ruim para o outro e vice-versa, na verdade quem busca viver na boa conduta ou se deixa guiar por ela, atrai para junto de si tudo aquilo e todos aqueles que seguem pelo mesmo caminho. Significa que não precisa atrair necessariamente somente pessoas boas, mas situações boas, como, por exemplo,  fazer uma boa viagem, ter sucesso financeiro, estabelecer uma boa relação com pessoas difíceis etc. A boa conduta é semelhante a um ímã que puxa tudo o que é bom para a pessoa. De modo semelhante, a má conduta atrai para si tudo o que é mau e todos os que são maus. Não é normal para a boa conduta atrair inimigos, nem para a má conduta atrair amigos. Cada um atrai o seu próprio. Por isso, quem opta pela má conduta deve estar ciente de que na sua companhia outros de conduta má se achegarão. E os de conduta boa terão próximos de si os que amam a conduta boa. Mas, é bom pensar que os de má conduta terão cada vez mais a vida e o caráter destruídos e enfraquecidos, gerando destruição para si e para os demais. Os de boa conduta conquistarão um caráter sempre mais firme, coerente e decidido, a ponto de promover todo o bem para si e para os que cercam ou se acercam deles. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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13 de julho de 2016
Eu não fracassei. Eu só encontrei dez mil soluções que não funcionam” (Thomas Alva Edison, físico e inventor americano (inclusive da lâmpada, foram 2.332 patentes), 1847-1931).
Aprendemos muito com nossos erros. Para quem desiste, erro é sinal de fracasso, mas para quem insiste em aprender, erro é um bom professor. As crianças são as que mais aprendem com seus errinhos. Existem vários tipos de erros, uns reversíveis outros irreversíveis. Quando alguém tenta colocar uma porca em um parafuso, pode errar muitas vezes até acertar. Para um perito em explosivos ao desmontar uma bomba, um erro pode ser o único e último. Um gesto impensado ou uma palavra dita de forma inapropriada pode gerar um grande desconforto para ser reparado. Pode levar tempo. Por isso, é necessário pensar antes de fazer. Todos nós falhamos, o que nos diferencia é a forma de lidar com nossas falhas. Uns aceitam que erraram e logo procuram corrigir, outros distorcem os fatos para culparem alguém, outros ainda fogem. Para Thomas Edison os erros eram oportunidades para recomeçar de novo e de maneira mais correta. Se você fracassou, peça desculpas e recomece de maneira correta, se alguém falhou contigo, perdoe, pois desistir ou guardar ressentimentos só vai te trazer tristezas e acabar com sua saúde. Seja alegre e viva feliz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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12 de julho de 2016
Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas” (Confúcio, filósofo chinês, 551-479 a.C.).
Se um “burro” te der um coice, dê milho em vez de castigo. Aqueles que acompanham os noticiários de TV e jornais, já devem ter ouvido e lido a respeito da vingança que um dos filhos de Bin Laden pretende fazer aos EUA. Em um dos jornais se diz que algumas mulheres estão se armando até o pescoço para combater o Estado Islâmico. Sinal de que a guerra e o ódio não têm trégua. Tanto o filho de Bin Laden como essas mulheres, são pessoas que perderam entes queridos em suas famílias, vítimas de ataques de seus inimigos. Só um pai ou uma mãe sabe o que é perder um filho(a) na guerra. Filhos que veem os pais sendo barbaramente assassinados dificilmente perdem da memória a cena de sua execução. Mulheres que perdem maridos estupidamente massacrados por grupos terroristas ou não, ficando com os cuidados dos filhos órfãos e da casa empobrecida, bem como com a falta de consolo para suas lágrimas e dor, podem buscar na vingança o alívio que julgam amenizar um pouco de seu tormento. Nietzsche já dizia que “Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem”. Isto por elas serem mais intensas nessas duas dimensões radicais do coração humano. Essa realidade indica que todo ato de violência praticado ontem e hoje, por menor que seja, planta a semente de mais ódio e terror para o amanhã. Ao mesmo tempo, aquele (a) que busca e pratica a vingança, já está cavando a cova do inimigo e a sua própria para a sepultura que os espera a curto, a médio ou em longo prazo. A vingança tem esse poder de atrair ao buraco da morte todos os que se voltam para ela. Ninguém fica imune. Nem jovem ou velho, nem homem ou mulher. Portar a arma da vingança é sempre dar um tiro com um revólver de dois canos. Um voltado para a cabeça do inimigo e o outro para a sua própria. A vingança vitima a todos e a ninguém sacia ou realiza. Recorrer ao seu uso para fazer uma pretensa justiça é como provar um veneno mortífero para ver se é bom mesmo para matar o próximo. Vingança, como o próprio nome sugere, é um tipo de mal que vinga, ou seja, que uma vez plantado, cresce, amadurece, dá seus frutos e serve de alimento para quem o plantou. Servir de alimento significa que produz energia de destruição para quem se nutriu dela. Por isso, o caminho para os males, os horrores e o ódio do mundo, que vitima tantas pessoas, especialmente as inocentes, jamais deve ser a vingança e, sim, o amor. Só o amor “vinga” as pessoas sem destruí-las. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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11 de julho de 2016
Tudo o que se pode pensar, ver, falar e tocar com as mãos, nada é diante do que não se pode pensar, ver, falar e tocar com as mãos” (Frei Egídio de Assis, agricultor, pensador e místico franciscano, 1190-1262).
As realidades invisíveis são maiores e acessíveis apenas para quem se abre a elas e aprofunda na arte de pensar. Pensar, ver, falar e tocar são modos como nossos sentidos se expressam e se comunicam. Esse modo de expressão e comunicação é que usamos para receber e compreender o real da realidade. Ao pensar, permitimos que as coisas se mostrem no seu ser, em si e a partir de si. No ver a nossa visão penetra o sentido das coisas do jeito que elas se dão. Na fala e pela fala vem à tona o mistério da existência na sua pluralidade de sentidos. No toque tateamos o real em busca de sermos atingidos na sua revelação e verdade. Todos esses passos moldam em nós um modo de compreensão do mundo e uma forma de viver a vida. Com essa compreensão e forma de viver a vida é que construímos nosso destino e damos a configuração de nossa existência e do mundo. No entanto, tudo isso por mais interessante que seja, e por mais realizações que opere, a ponto de elevar os homens às melhores alturas do conhecimento, da construção de uma sociedade justa, fraterna, solidária, ao progresso, à paz e a um projeto de humanidade nova e harmoniosa, nada é diante do que não se pode pensar, ver, falar e tocar com as mãos. Isso significa que há um modo de pensar, ver, falar e tocar que vem de outra inspiração, de outra iniciativa e de outra dimensão que não é do próprio homem. Para Frei Egídio, essa outra dimensão infinitamente maior e melhor do que tudo o que o homem possa a partir de si, ele entende como sendo a dimensão Divina, a dimensão do Espírito. É essa dimensão anterior, dentro e para além do próprio homem; que inspira; que toma a iniciativa, que conduz e opera no homem o começo, o meio e o fim de tudo o que há. Essa dimensão é princípio, é fonte, origem e condição de possibilidade de tudo o que houve, que há e que haverá. Disso o homem não tem controle. Porém, quando se abre a ela, ele experimenta; pensar, ver, falar e tocar tudo de um modo novo. É isso que faz dele um Homem Novo e habitante de um Novo Céu e Nova Terra. Esse Homem Novo jamais é alguém alienado e distante desta terra e desta vida. Ele é alguém que pensa, vê, fala e toca esse mundo a partir não mais de si, mas dessa dimensão que possibilita tudo o que há. Por isso mesmo, esse mundo se torna Novo e transfigurado pela sua participação e presença. Esse Homem Novo onde se manifesta um Mundo Novo é a realização daquilo que se diz na Escritura Sagrada: “Estou no mundo, mas não sou do mundo” (Jo 17, 16). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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8 de julho de 2016
“Avança para águas mais profundas” (Evangelho de Lucas 5, 4).
“Vai, eu estou contigo” (Êx 3, 2). Jesus pede a Simão que deixe a segurança das águas rasas e avance até às águas mais profundas para ali pescar. Simão era um pescador experiente, que havia passado a noite pescando e nada tinha conseguido, diz a Jesus: “Mestre, a noite toda estivemos trabalhando e nada pescamos, mas sob tua palavra lançarei as redes”. Sim, ele deixa de lado suas convicções e confia na palavra do Senhor; e mesmo diante do impossível deslumbra um resultado espetacular, uma pesca formidável. Em nossa vida também passamos por momentos difíceis, e na nossa lógica não vemos saída, pensamos que é o fim; mas, Jesus nos desafia para “avançarmos para as águas mais profundas”, nada de desistir ou ficar esperando um milagre; sim, o milagre acontece para quem vai atrás e confia na palavra do Senhor, ele acontece na vida de quem acredita e faz por merecer. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!

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5 de julho de 2016
Do que não se pode alcançar, basta-nos o que temos desejado” (Caio Plínio Segundo, ”o velho”, filósofo e naturalista romano, 23-79).
De um coração ardente de desejo o impossível acontece. Desejo é uma daquelas forças que temos dentro de nós e que nos impulsiona a buscar o que mais nos importa. É, portanto, o que nos importa para dentro. O dentro é o fundo mais fundo do que queremos obter. É como ir atrás de pedra preciosa. Interessa a mais cara, a mais brilhante, a mais bela, mesmo que tenhamos que desmoronar toda uma montanha, ou cavar em cima de rocha. O desejo nos coloca como admiradores e seguidores daquilo que almejamos. É como se deixar orientar pelo curso e brilho das estrelas. Razão pela qual desejar tem o sentido de “seguir estrelas”. Porém, o desejo pode nos colocar, também, na estrada da ambição infinita, do querer sem medida. Do ficar descontente por não alcançar o que esperávamos, ou por nos empurrar na direção daquilo que não temos como alcançar. O problema neste caso não é desejar, mas querer a ferro e fogo alcançar o que se deseja. Às vezes, desejamos sermos santos, virtuosos, honestos, sinceros, justos etc. No entanto, por mais que haja desejo e esforço de ser assim, o que surge mesmo é o oposto. Nesta hora, basta o desejado, sem ficar sofrendo pelo que não se pode alcançar com as próprias forças e méritos. Talvez, no gesto de humildade e aceitação dessa dificuldade de não poder alcançar, de repente, por graça e bondade, tudo o que foi desejado vem a nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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4 de julho de 2016
Uma pessoa comum só vai reconhecer sua felicidade quando experimentar a desgraça” (Muslih Ud Din Saadi, poeta persa, 1184-1291).
Tudo o que temos e somos é um dom Divino. A palavra “desgraça”, a princípio, traduz a ideia de falta de “graça”, no sentido de falta dos dons divinos protegendo a vida; com isso vêm desastres, contratempos, infortúnios, miséria, angústias etc. Quem se encontra em tal situação de vida, é comum que nada faça sentido em sua mente, tudo seja “sem graça”. Só com muito esforço que consegue “re-significar” sua vida, ou seja, encontrar sentido no que está acontecendo consigo. O poeta diz em seu texto que mesmo uma pessoa que tenha de tudo aos olhos de “todos”, ela só dará valor a tudo isso no dia em que tudo perder. Mais que perder, quando tiver consciência do que deixou passar. Em vários níveis e de diversas formas, muitos fazem esta experiência da perda em suas vidas. Tanto de bens materiais, como saúde e amizades. Nem sempre dá para se refazer depois das perdas, e mesmo que elas aconteçam, sempre deixa cicatrizes, pois a vida é dinâmica. Aprenda a agradecer todos os dias a felicidade que você tem na medida certa. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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1 de julho de 2016
Uma águia não caça moscas” (Provérbio latino).

Quem vê do alto sabe distinguir o que realmente vale a pena. A águia, diferente de uma mosca que voa baixo, ela voa alto. Ela tem foco, é visionária, e caça seu alimento. Ao buscar alimento, vai atrás do que tem a proteína necessária para seu porte. Ter estilo de águia é também voar alto. Só que confundimos o voar alto como pensar grande no sentido de correr atrás do sucesso, da riqueza, do poder etc. Voar alto no sentido da águia é pensar grande, sim. Só que pensar grande é pensar de forma profunda tudo o que diz respeito à vida que vivemos. Há ricos, poderosos e pessoas de sucesso que, nesse sentido, pensam pequeno. Por essa razão sua riqueza, sucesso e poder os leva ao egoísmo, à injustiça, ambição e insensibilidade para com tudo e todos. Quem pensa grande ao modo de águia tem clareza, profundidade e nobreza em tudo o que tem, que faz e experimenta. Por exemplo, lá onde há conflitos humanos de toda sorte, desde rixas pessoais até as grandes guerras entre povos, a pessoa que pensa grande sabe penetrar de forma sábia nos conflitos e encontrar conselho e soluções que apaziguam o que está desarmonizado. Quem pensa pequeno, ao modo da mosca que voa baixo, em meio aos conflitos só tenta salvar a própria pele e os próprios interesses. Quem é águia é profundo em meio às discussões de que ordem for, e suscita entre as pessoas mais sensatez, mais equilíbrio, mais abertura, mais segurança e mais transparência para a verdade se mostrar. Quem se comporta como mosca, é baixo nas palavras e fútil nas ideias. Por isso mesmo, procura nivelar os participantes de uma discussão à estreiteza de suas argumentações e de suas banalidades. Quem vive ao modo de águia não caça moscas, no sentido de não perder tempo e nem gastar energia com aquilo que é pequeno e sem substância. Isso nada diz de desprezo ao que é pequeno. Pois, pequeno aqui é o apoucado e sem conteúdo. Pensando assim, podemos escolher perguntar, a todo instante e em cada situação em que estamos e vivemos; se queremos ser águias ou moscas. Queremos voar alto ou baixo, ser grande ou pequeno? Ou seja, nesta vida podemos a todo instante escolher se queremos pensar, sentir, falar e agir alto. Talvez esteja aí, ou podemos ver nesse tipo de interpretação, uma daquelas sábias palavras do apóstolo Paulo aos Colossenses (3, 1) quando os exortava dizendo: “buscai as coisas lá do alto”. Todo homem e mulher já têm internalizada essa lei e esse desejo pelo que é alto e do alto. Precisa apenas aventurar-se nessa direção e deixar o que alto aflorar em sua existência e torná-lo livre, leve e solto como uma águia. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de junho de 2016
A vida jorra como um gêiser para aqueles que perfuram a rocha da inércia” (Alexis Carrel, fisiologista, cirurgião, biólogo e sociólogo francês, 1873 - 1944).

Só com muito esforço é que vencemos o comodismo. A palavra “gêiser” é de origem islandesa que significa “fonte jorrante”. A água que penetra as rochas encontra altas fontes de calor geradas por áreas recentes de erupções vulcânicas, e o vapor formado é jorrado com intensidade para a superfície. A outra palavra, “inércia”, designa um estado da matéria de permanecer em seu estado, repouso ou movimento, se nenhuma outra força atuar sobre ela (primeira lei de Newton). Ela também é utilizada para traduzir a preguiça mórbida, indolência. Alexis faz uma analogia com estes fenômenos naturais e a vida. Se ficarmos inertes e conformados só com a “vidinha facial”, nada de extraordinário irá acontecer. Para que aconteça, é preciso um duro trabalho de perfurar a rocha do comodismo. E como é difícil! Muitos começam esse trabalho, cheios de esperança, mas diante da rigidez que desgasta as brocas e danifica as pás e picaretas, logo desistem. É um trabalho de dias, semanas e até de anos. Mas quando esta rocha é rompida, todo vapor represado jorra para o alto. Tudo ganha novo significado. A alegria é incomensurável. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)
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29 de junho de 2016
Os seres humanos não podem refazer-se sem sofrimento, porque ele é o escultor e o mármore” (Alexis Carrel, fisiologista, cirurgião, biólogo e sociólogo francês, 1873 - 1944).
“Toda vez que o ser humano supera dificuldades, torna-se mental e espiritualmente mais forte” (A. Carrel). O mármore e o granito são as pedras mais duras para se esculpir, daí a expressão: “esculpido em Carrara”. Mas, também formam as mais belas esculturas. Sua dureza exige muito esforço, empenho, paciência e dedicação para lapidá-la. Exige muito trabalho para tirá-la de seu estado bruto até arrancar dela uma forma que seja arte. Os golpes secos aplicados pelo cinzel e martelo trazem à tona o segredo de uma obra prima escondida entre suas lascas e seus excessos. Um mármore, portanto, para produzir uma imagem ou uma obra de arte, passa por vários processos e etapas de aprimoramento, desde sua saída da rocha até seu estágio final. Por duro que seja ele é cortado, lapidado, lixado e polido. Isto seria de certa forma, o seu estágio de “sofrimento” para alcançar a forma de alguma coisa bela e artística. Os seres humanos de modo semelhante ao mármore sofrem, também, um processo de corte, lapidação e polimento quando se trata de buscar a maturidade de espírito. À maturidade jamais se chega sem o exercício do sofrimento. Sofrimento, mas, sem aquela conotação negativa de “judiar” de si para conquistar uma grandeza. Ele significa o ter que passar por uma espécie de porta estreita para chegar a uma transcendência. Para tal, o ser humano, enquanto escultor e mármore, lapida e esculpe a si mesmo, e em si mesmo, uma obra prima para deixar aparecer o que ele realmente é em sua essência e identidade maior. Esse processo de escultura requer lapidar o excesso, arrancar durezas e resistências e, sobretudo, polir atitudes e comportamentos que o estão impedindo de manifestar sua condição de criatura, de filho(a) do Criador. Desde o útero materno ele já sofre uma ruptura, o corte do cordão umbilical, e a lapidação de sua natureza selvagem quando deixada a si mesma e ao jogo de seus caprichos. Mas, na medida em que aventura e se deixa esculpir a si mesmo e em si mesmo a sua condição de criatura e de Filho(a) do Criador, ele encontra a si mesmo, e se reencontra com as demais criaturas numa espécie de fraternidade universal. Desse encontro e reencontro é que toda a Criação anseia celebrar e desfrutar ansiosamente há séculos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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28 de junho de 2016
A decomposição de qualquer governo começa pelo declínio dos princípios sobre os quais foi fundado” (Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu, político, filósofo e  escritor francês, 1689-1755).
No nosso corpo, “quando um membro padece, todos os membros padecem com ele” (1Cor 12). Assim também é na sociedade. Todo e qualquer governo tem como princípio básico o dirigir, o ser guia, o ir à frente de um grupo ou de um povo. Ir à frente nem sempre é estar na primeira fileira ao estilo de um guerreiro que toma a iniciativa de estar na frente de todos para dar e sofrer os primeiros golpes numa batalha. Ir à frente é colocar-se constantemente naquela força e naqueles princípios que movem as pessoas a viverem diversamente na unidade. Isso supõe a capacidade de ser uma liderança que agrega as diferenças para trabalharem juntos na construção de tudo aquilo que une as pessoas num projeto de bem comum. O bem comum jamais é o que um pensa ser bom para todos, mas, o bem que se realiza e acontece em cada um e se expande para todos. Nesse sentido, quando o gari realiza bem sua tarefa de gari ele está ajudando o todo da sociedade. Ele é governo, é guia, é dirigente do povo quando executa bem o que foi confiado fazer. O comerciante, da mesma forma, quando comercializa sem ser levado pela ambição pessoal, pelo egoísmo, e pela vontade de aumentar seus lucros lesando os demais. O professor quando educa; os pais quando amam e formam os filhos; os filhos quando obedecem e respeitam os pais; o pregador quando ministra a pregação; o empresário quando gerencia sua empresa com equidade e honestidade; o político quando serve aos cidadãos com senso de justiça; os cidadãos quando elegem seus representantes com pureza de intenção e verdade. Quando, por sua vez, um só destes membros deixa de cumprir bem a sua parte, então, o todo perde. Começa aí a decomposição do governo que somos todos nós e não é só  dos políticos e pessoas que exercem cargos de poder nas esferas legislativas e executivas. Trata-se da decadência de cada um que tem uma responsabilidade diante do todo que é a sociedade em que vivemos. E toda sociedade tem seus princípios fundamentais que precisam ser observados por cada um e por todos. Negligenciá-los em nome de interesses egoístas e da ambição pessoal é o início da decomposição do governo. E decomposição aqui nada mais é do que tirar ou romper com aquilo que é o ponto, a posição, o lugar comum de cada um e de todos. Vale dizer é a ruptura da unidade na diversidade e da diversidade na unidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de junho de 2016
O que se faz com precipitação, nunca se faz bem; faça sempre com tranquilidade e calma” (São Francisco de Sales, advogado, bispo e doutor de origem francesa, 1567-1622).
Quando fazemos bom feito, nos tornamos artistas no que fazemos. O engenheiro e capitão da Força Aérea Edward Murphy, a partir das próprias experiências, cunhou a expressão, “se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”, a qual passou a ser chamada “Lei de Murphy”. Com o tempo outras expressões foram sendo acrescentadas. Mas, essa lei nos chama a atenção para a prevenção e assim evitar que algo dê errado, fazendo o certo desde o começo. Desta forma, devemos evitar a precipitação de querer terminar logo sem dar atenção aos detalhes. São eles que fazem a diferença. Geralmente os artistas trabalham com a calma necessária que transforma em arte o que fazem. A origem está no controle de nossas emoções. Quantas coisas que fazíamos às vezes sem pensar, mas quando estamos diante de certas circunstâncias, começamos a nos descontrolar e tudo dá errado. Vêm a irritação e as atitudes irracionais. Calma, silencie o teu coração e retome da maneira correta e com a tranquilidade necessária. Dê um tempo para você praticar a paz em sua vida, deixe um pouco de lado as distrações e se concentre em buscar seu equilíbrio interior. Os Orientais têm vários exercícios para se controlar; um deles é o Tai Chi Chuan, onde a respiração correta tem um papel fundamental. A simples observação de tudo o que nos rodeia, valorizando cada detalhe já é um bom começo. A paz e a prática do amor devem ser exercitadas todos os dias para que sejam corriqueiras em nossa vida. Com elas vêm a harmonia conosco e com todos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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24 de junho de 2016
Uma vida gasta cometendo erros não é mais honrada, mas é mais útil do que uma vida gasta fazendo nada” (George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês, 1856-1950).
Quem sabe analisar o seu erro está em um processo de melhoria contínua. Diante de um erro qualquer, nosso ou dos outros, temos a mania de saltar logo para os juízos, condenações, e sermões morais. Com isso valorizamos mais o erro do que o esforço em acertar. Há indivíduos que passam a vida cometendo erros, muitas vezes sem esta intenção, mas porque estão na busca de fazer algo que seja bom, justo e agradável. O erro, no caso, é a soma de uma infinidade de tentativas fracassadas. Mais ainda, pertence ao processo de busca, ao caminho de um encontro. Esse jeito sem jeito e até desajeitado de tentar, de buscar e de caminhar, torna a vida da pessoa um itinerário errante, mas cheio de honra. A honra, por sua vez, não justifica nem ignora o erro e o errante, apenas reconhece a grandeza de sua luta e de seu esforço. Por outro lado, há aquele que temendo cometer um único erro no que quer que seja, permanece imobilizado e temeroso para se lançar e se soltar numa empreitada de vida. Passa, então, uma vida atolada no medo e na paralisia do nada. Gastar-se na paralisia do nada, nesse sentido, jamais dá honra e grandeza ao espírito humano. Tem razão o dito popular que afirma que “Errar é humano”. Se a “pedagogia Divina” nos permite errar é porque alguma utilidade ele tem no nosso processo de aprendizagem e de crescimento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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23 de junho de 2016
Generalizar sempre é equivocar-se” (Hermann Graf Keyserling, escritor e filósofo alemão, 1880-1946)
Cada pé tem seu sapato. Existe uma forma de compreender a generalização que é aquela de tomar uma ideia, um fato, uma coisa, e atribuí-la aos demais ou a tudo. Costumamos, por exemplo, usar palavras como “nunca”, “sempre”, “todos vocês”, “nenhum de vocês”, “jamais” etc, para generalizar.  Generalizar é um processo de ordenar e encaixar as coisas, subordinando numa cadeia e numa escala, do mais baixo ao mais alto, do menor ao maior, até atingir o supremo, o mais abrangente. O erro de generalizar, neste caso, é porque abrangemos ou reduzimos demais uma realidade, colocando tudo dentro de um padrão. Pela generalização desse tipo tornamos injustas as nossas colocações, nossos juízos, nossas práticas e nossas decisões. Pois, colocamos na mesma forma o que, às vezes, é informal. Medimos com a mesma régua o que é imensurável. Ou, como se costuma dizer, colocamos tudo dentro da mesma panela sem fazer as devidas distinções e clarificações. Mesmo quando dizemos que “Generalizar sempre é equivocar-se”, sem querer, já estamos na compreensão da generalização como um equívoco ao dizer “sempre” na generalização. Para evitar incorrer em equívoco da generalização, é importante começar a distinguir bem as coisas, as palavras, as situações, o real da realidade, para assim poder respeitar a medida de cada coisa, as diferenças que se dão no todo; as divergências, e até mesmo a Unidade na sua harmonia. Visto que, a generalização corre o risco de na sua precipitação de fala, de conceitos e aplicações, ferir as diferenças e a Unidade que se dá na diversidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 de junho de 2016
As pessoas só nos atingem quando damos poder a elas” (Zibia Alencastro Gasparetto, escritora brasileira, nasceu em 1926).
Algo só nos atinge se ficamos em sua linha de alcance. Muitas vezes ao andarmos pela rua, cachorros latem na defesa de seu território, como um sinal de poder, do ponto de vista deles. Normalmente ninguém vai discutir com o cachorro sobre o que seja território, nem que a rua é de todos, pois nossos valores são diferentes, também nem ficamos magoados com eles por isso. Simplesmente seguimos nosso caminho sem dar importância ao acontecido. Mas, com gente é diferente. Pelo fato de sermos seres sociais e sociáveis, continuamente somos influenciados e influenciamos uns aos outros. Essa influência pode ser ao modo do atingimento. Atingir é tocar. Tocar enquanto mexer no ponto forte ou fraco da pessoa. Positivamente falando, costumamos ser atingidos pelas pessoas quando elas tocam nosso ser com uma palavra ou com um gesto de bondade, de delicadeza, de carinho e amor. Negativamente, quando as mesmas palavras ou gestos delas nos fazem sofrer amargamente, ou nos ferem até o profundo da alma. Seja positiva ou negativamente, a verdade é que ninguém consegue nos fazer sofrer ou nos prejudicar sem que nós dermos este poder a elas. Dar poder aqui é abrir acesso para que o que vem delas entre em nós, nos atingindo. Exceto no caso de algo forçado, tudo o que atinge o nosso ser, tem o nosso consentimento. Uma palavra dura, um gesto de agressividade ou violência vindo de quem quer que seja; só terá poder em nós, quando abrimos espaço para sua aproximação. É o caso, por exemplo, de quando somos perseguidos ou caluniados. Que sejamos perseguidos, caluniados ou feridos pela maldade de alguém, nem sempre podemos controlar ou evitar. Porém, se o mal do outro me bater e abater em meu ser, então é porque dei ao seu gesto o poder de mudar quem eu sou. “Grades” podem deter nosso corpo por certo tempo, mas não quem nós somos. No momento em que permitimos que o mal do outro nos atinja e faça mal, então é sinal de que entregamos a ele o poder de fazer conosco o que bem entende. Por essa razão que muitas vezes ficamos à mercê do toque do outro para o bem ou para o mal a cada instante. Lembremos que, de fato, as pessoas podem ter o poder de nos atingir de forma ruim e negativa, mas que, antes de tudo, esse poder foi delegado por nós mesmos no momento de nosso conflito com elas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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21 de junho de 2016
O passado é lição para refletir, não para repetir” (Mario Raul Moraes de Andrade, poeta e escritor brasileiro, 1893-1945).
Está em nós a energia que nos impulsiona para um futuro melhor. Passado de certa forma é o que passamos; o que se passou em nós, e por onde devemos passar, cada vez, para que possamos nos compreender melhor. O que passamos não é só um conjunto de fatos e acontecimentos que vão ficando para trás, na medida em que avançamos na escala do tempo. Trata-se de nossa vida pela história, do sentido que brotou de tudo o que vivemos de forma profunda e significativa. Nossa história jamais é um arsenal de fatos ocorridos conosco e congelados no museu de nossa existência. Ela é o modo como vivemos a vida na totalidade de sentidos. Por essa razão, o passado nunca é apenas o pó e o rastro que deixamos para trás (e que muitos preferem esquecer), mas a forma e a configuração na qual somos e estamos agora. Por exemplo, hoje somos o que fizemos, sentimos e pensamos no passado. O passado está em nós, pessoal e coletivamente. Está vivo e presente, de tal forma que é impreciso dizer que é difícil voltar ao passado. Diferente de querer voltar no tempo é aprendermos com ele e, sim, nos voltamos para ele. Ao voltarmos para ele podemos estudá-lo, refleti-lo, retomá-lo de modo novo. Retomá-lo, porém, nada diz de repeti-lo, mas de tomá-lo a sério e cordialmente sempre de modo novo. Com espírito mais disposto, mais aberto, mais decidido e mais sábio. Quem se porta e se comporta assim diante do próprio passado, pode aprender dele, se reencontrar nele e fazer dele um mestre que inspira ações mais claras, seguras, maduras e efetivas para o futuro. Isso vale, sobretudo, no que toca à maneira como estamos no presente, visto que em relação ao passado são muitos os que se sentem e que estão amarrados e vitimados por ele. Os prisioneiros e vítimas do passado são os que murmuram sem cessar em cima do que passou, e os que acham impossível seguir adiante por causa das marcas do passado. Quem vive na murmuração e no “vitimismo” (se julgando vítima) do passado, apenas o repete, ou melhor, o tem eternamente no presente como um bloco de peso insuportável de carregar, ou como uma muralha sem possibilidades de transpor. Resta, então, a questão acerca de que tipo de presente queremos ter em relação ao passado: aquele que se eterniza como peso e ferida incurável, ou como aquele de onde procedem nossos aprendizados, e para onde sempre vamos para compreender melhor o que somos e para onde queremos ir? O passado pode ser o nosso rolo compressor ou, então, o nosso motor, a nossa fonte de energia que nos impulsiona para avançar livremente em direção ao porvir. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de junho de 2016
Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo que você disser poderá e será usado contra você no tribunal
(‘Miranda rights’, garantido na Quinta Emenda da legislação estadunidense).
O sábio silencia no momento certo. A expressão “Miranda rights” (direitos de Miranda) refere-se a uma decisão (Landmark) da Corte Suprema dos Estados Unidos, que obriga ao agente da lei informar ao acusado de seu direito de permanecer em silêncio (Caso Miranda contra Arizona). Em outras palavras, é melhor ficar calado do que falar o que não deve. Quanta coisa é dita quando estamos com o estado emocional alterado e que mais tarde isto nos é cobrado. Nem adianta muito dizer “me desculpe”, pois tudo o que fere deixa cicatrizes para sempre. Dizem que as palavras ditas em momentos assim revelam o que estava encubado no coração. Diante de pessoas mais próximas (amigos e parentes) isto é mais comum acontecer, ou seja, falar sem pensar ferindo mesmo sem querer. “O silêncio vale ouro”. Jesus se calou em diversas situações, se calou diante dos acusadores da mulher adultera e no momento propício disse “que estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Diante da negação de Pedro ele só olhou. Diante do Sinédrio (suprema corte Judaica) ele se calou, diante de Pilatos só disse o necessário, e assim por diante. Gritos acontecem quando os corações estão distantes, mesmo que os corpos estejam pertos. Quando as palavras ferem, é como a oxidação (ferrugem) em carro antigo ao atingir a lataria, ela começa a agir debaixo da pintura, e quando aparece o primeiro sinal, já fez um grande estrago. Remendar, passar uma tinta por cima, de nada adianta. Precisa evitar seu efeito ao primeiro sinal, com uma ação eficaz. O mesmo acontece com um mal entendido: é preciso esclarecer o quanto antes para evitar que isto tome grandes proporções. Antigamente havia costumes que evitavam tudo isso, as famílias tomavam refeição juntas, geralmente precedida de uma prece de agradecimento, e ali conversavam; os pais se interessavam pelos assuntos das crianças e estas ouviam seus pais. Hoje conversamos mais com pessoas distantes que muitas vezes só conhecemos pelos aplicativos eletrônicos e nem damos um bom dia para quem mora conosco. Só um grande amor vivido a partir das famílias será capaz de criar esta força que une, perdoa e restabelece a alegria de uma convivência harmoniosa. Pode ser apenas uma gota num oceano, mas ele seria menor sem esta gota (Madre Tereza). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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17 de junho de 2016
Se o teu olho está doente, todo o teu corpo ficará na escuridão. Ora, se a luz que existe em ti é escuridão, como será grande a escuridão” (Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus, 6, 23).Existe luz que emana do coração que poucos a veem. Quem ama Jesus e procura seguir seus ensinamentos pode até parecer fracassado aos olhos do mundo, mas está construindo um tesouro no céu. Nossos olhos permitem que possamos ver o mundo que nos cerca. De dia o sol ilumina e facilita nossa visão. À noite, geralmente dependemos de outras fontes de luz. Mas, sempre dependemos da iluminação para enxergarmos. Jesus compara esta experiência física da visão, para falar de algo ainda maior, que é a luz interior. Ela nos abre outra visão, a do amor. Ela se manifesta em nossas atitudes. Compadece-se da “ovelha ferida”, seja no corpo ou na alma, percebe quando alguém precisa de ajuda, vai além do comum e faz a diferença na vida do outro. Esta é a luz que o mundo não vê, pois só os olhos do coração a percebem. Aos olhos do mundo, pessoas que agem assim são fracassadas, pois não estão construindo tesouros para si neste mundo. São chamados de otários, de bobos, de fracassados até por seus parentes mais próximos. Mas, o Pai que tudo vê, no momento propício recompensará. “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5, 16). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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16 de junho de 2016
Você pode sobreviver, mas sobrevivência não é vida” (Bhaneesh Shree Rajneesh, “Osho”, místico hindu, 1931-1990).
A mente que pensa encontra a chave da sobrevivência ao dar sentido a tudo. A primeira imagem ou ideia que vem à mente, hoje em dia, quando se fala ou se pensa em sobrevivência, é a de alguém ou de um grupo tendo que viver à custa de muita dificuldade com o mínimo necessário. A segunda é aquela de, à semelhança de alguém que está diante do perigo de afogamento ou incêndio, saltar sobre tudo e todos para salvar a própria pele. Ou seja, é uma atitude egocêntrica (não egoísta) de safar-se da ameaça em obediência à Lei Natural de Sobrevivência do Indivíduo. Essa Lei está muito presente nos dias atuais fazendo com que pessoas e grupos tentem a todo custo continuar se mantendo lá onde tinham a vida, de certa forma, garantida. Pensemos, por exemplo, nos políticos e partidos que depois de tanta atrapalhada no seu “cargo”, agora tentam segurar como um cão o osso do poder, ameaçando com mordidas quem tenta fazê-los soltar. Sobrevivência, no entanto, pode ser entendida, também, de outra forma. Como a própria etimologia sugere, supra = acima + vivere = além, significa “viver além”. Esse além é bem diferente daquela compreensão que o pensa como pós-morte ou algo que está infinitamente distante da realidade deste mundo. O além da sobrevivência aqui tem a ver com a transcendência. Mas, não transcendência que deixa para trás o passado de uma coisa ou realidade e, sim, o que assume o passado com tudo o que ele tem e o transforma numa possibilidade nova e melhor do que já era. É assim que, por exemplo, alguém que tem um único pedaço de pão para comer, ao ver crianças com fome, ao invés de pensar somente em si e na sua sobrevivência, como tendo que viver a qualquer custo, pode até abrir mão do que tem para que a outra pessoa viva. Esse gesto é mais do que viver para sobreviver, mas é sobreviver para viver. Pois assume sua dimensão mineral, vegetal ou vegetativa, e animal, e a eleva a um nível mais alto, mais profundo, mais radical e mais qualitativo do que era. Esse mais não quer dizer distante e separado dos outros níveis anteriormente descritos, mas o intensamente mais cheio de significado. Isso é que nos diferencia de vegetais, minerais e animais, pois somos capazes de ir além, de dar sentido a tudo o que vemos; ouvimos; sentimos e fazemos, ou do que nos cerca e acerca. A isso chamamos também de “aprender a pensar”. E viver ou sobreviver, nesse sentido, é pensar. A vida, portanto, é uma constante, exigente e responsável tarefa de pensar em toda e qualquer situação, por mais paradoxal e estranha que seja a aquilo que se nos apresenta. Sobreviver é viver o tempo todo nesse desafio de ir além. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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15 de junho de 2016
Nem toda mudança é crescimento; nem todo movimento é para frente” (Ellen Anderson Gholson Glasgow, escritora norte americana, 1873-1945).
Na beira de um precipício, um passo à frente significa derrota. Diante do fracasso da Seleção Brasileira no jogo com o Peru, que a eliminou da Copa América no último domingo, é normal que nasçam críticas, que se incendeiem os ânimos, que haja revolta com a equipe e com os treinadores e, sobretudo, que se peça e exija mudanças. É sintoma normal de que somos apaixonados pelo futebol pelo que ele representa na nossa cultura e no nosso simbolismo psíquico. Mas, faz pensar o fato de que nossa paciência seja tão curta a ponto de não sabermos lidar com a derrota, com o fracasso e com as dificuldades de uma equipe que joga futebol. Longe de fazer análises sobre a questão econômica, técnica e empresarial que hoje envolve e influencia os clubes e seleções, interessa aqui perceber o que humanamente está atingindo o nosso modo de ser brasileiro. Parece que de uns tempos para cá fomos ensinados, talvez movidos pelo progresso da tecnologia, que devemos sempre ir para frente, crescer sem medida e sem pausa. Avolumar-se cada vez mais para expandir rumo ao infinito. Essa tendência parece razoável, mas é incapaz de perceber o finito e lidar com ele. O finito, o aqui e o agora, com tudo o que somos e podemos, parecem perder a importância. Estamos sempre querendo o além, o movimento que nunca para, a agitação, o próximo dia, mês, ano e milênio. Ir para frente, atropelando e deixando todo o resto para trás. Isso acarreta como consequência o não aceitar o real da realidade, nem as dificuldades, os fracassos e derrotas a que estamos sujeitos em tudo o que empreendemos. Em nome da perfeição que estabelecemos como regra de vida, ficamos vulneráveis a toda e qualquer imperfeição e obstáculos que se apresentam em nossa vida. Esquecemos que todo e qualquer crescimento e mudança nunca pode ser intempestivo e voando por sobre o lugar onde temos os pés. Crescimento e mudança são como a história do sapo que para pegar o alimento que queria na beira do barranco, saltava de seu brejo com várias experiências de insucesso. Com o tempo, na perseverança de seus saltos, começou a criar debaixo de si uma base de lama que foi ficando sólida e lhe valeu um dia o impulso que fez pegar o que desejava. Em cada pulo, em cada salto, de fracasso em fracasso ele criou uma base mais sólida para construir o sucesso. Não foi abandonando o poço, nem mudando de lugar ou de técnica (embora em certas situações se possa recorrer a isso) que ele chegou lá. Primeiro foi necessário assumir o limite, o fracasso, a derrota, e trabalhar em cima disso, aprendendo do próprio limite que surge a cada instante. Mudança e crescimento não são só ir para frente e para “o infinito e além”, mas, partir do limite e do que obstaculiza nossa maneira de ser e agir, seguir mais real e confiante, mais claro e decidido, mais firme,  paciente e perseverante no que sempre de novo se apresenta pedindo nosso engajamento, nossa liberdade e nossa responsabilidade. Crescer e mudar nesse sentido, nem sempre é progredir, mas ir ao princípio original de tudo, à fonte, ao fundamento, e de lá sempre de novo seguir, avançar e construir. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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14 de junho de 2016
Se a meta principal de um capitão fosse preservar seu barco, ele o conservaria no porto para sempre” (São Tomás de Aquino, doutor em teologia e filosofia, proclamado Doutor da Igreja, nasceu na Itália, 1225-1274).
Para o corajoso capitão, os perigos serão sanados à medida que apareçam. Sonhar grande, alcançar metas, realizar objetivos, é o que boa parte das pessoas procura na vida. Muitos são os que traçam para si uma gama de objetivos e se perdem na dúvida de qual deles realizar por primeiro. Na confusão gastam mais energia na indecisão do que na escolha. Outros são os que diante de determinadas metas são muito entusiasmados no início, mas ao longo do processo perdem o fôlego inicial e desistem. Há também os que almejam obter grandes façanhas na vida, movidos pelo objetivo que estabeleceram para si, mas ficam se preservando dos riscos e desafios que surgem, e se estagnam nas praias do medo e da covardia. Há, porém, aqueles que à semelhança de um capitão destemido e bem experimentado nas peripécias da vida e das viagens marinhas, que se lançam e se soltam na grande aventura de fazer a travessia do mar rumo ao certame que lhe é proposto. Lançar-se e soltar-se é exercício de entrega, de abandono, de enfrentamento e ousadia não tanto do que está lá na frente à sua espera, mas do que está como princípio norteador de seu ânimo e de seu querer em todas as fases do percurso. Aqui o mais importante nunca é o ponto de chegada, mas a fidelidade ao toque inicial que motivou toda a doação do capitão (no caso) ao que der e vier. O que se chama de ponto de chegada jamais é um ponto utópico que o navegante um dia pretende alcançar, mas a consumação bem feita de cada etapa do percurso. Por isso, a meta principal, ou o ponto de chegada de quem quer alcançar algo de essencial para sua vida, é ter claro desde o início o princípio do princípio que move alguém (o capitão) a se soltar e a se lançar pra valer numa empreitada existencial. Aqui há lugar somente para a doação, para a confiança e a boa disposição de fazer valer  e crescer o que se quer como convite maior do tesouro do coração, nunca o preservar-se. Pois, o preservar-se nesse sentido é pre+servar, ou seja, atitude de posse de um servo que vigia ou guarda o tesouro que recebeu sem investir ou trabalhar para fazê-lo lucrar. Ao querer preservar a meta ou o objetivo eles jamais serão atingidos. À medida que navegamos, os perigos ficam para trás. Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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13 de junho de 2016
Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa” (Fernando de Bulhões ou Santo Antônio, doutor em gramática, lógica, retórica, aritmética, geometria, astronomia, música e místico franciscano, nasceu em Lisboa, Portugal em 13 de setembro de 1191 e faleceu em Pádua, Itália em 13 de junho de 1231).
Dia 13 de junho é dedicado a Santo Antônio. Lecionava ele em Coimbra, quando viu os primeiros mártires franciscanos cujos esquifes vinham de Marrocos, mortos pelo Islã. Resolveu conhecer esta ordem (Franciscanos). Em 1220 chegou à Itália e entrou para a ordem recebendo o nome de Antônio. Conheceu São Francisco e recebeu dele a incumbência de ensinar aos frades menores. Seus sermões ficaram famosos e foram citados até por Antônio Vieira. A fama de sua santidade, amor a Jesus e às Sagradas Escrituras, fez com que artistas o representassem com o menino Jesus no colo sentado em uma Bíblia. Suas palavras traduziam um imenso amor a Jesus, que encantava até aos animais (narram as biografias). Por um milagre divino, sua língua até hoje permanece intacta. Foram tantos milagres atribuídos a ele, que três meses após sua morte, a Igreja o reconheceu como santo, ou seja, está na recompensa celeste. No Brasil ganhou fama de santo casamenteiro. Talvez por isso o dia dos namorados é próximo a seu dia. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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10 de junho de 2016
Não é a distância que mede o afastamento” (Antoine de Saint-Exupéry, escritor, ilustrador e piloto francês, 1900-1944).
Existem “dimensões” que são imensuráveis. Há milênios que os homens, visando medir a distância entre os objetos, recorrem a determinados instrumentos para calcular os espaços entre eles. Para tanto se utilizam de metragens padronizadas. É assim que usam as polegadas, os centímetros, os metros, os quilômetros, as jardas, e tantas outras medidas para mensurar as distâncias, ou para proclamar o tamanho da proximidade ou do afastamento de uma coisa de outra. Nesse sentido se mede a distância de uma cidade a outra, de um número para outro, de um vizinho até o outro, da margem de um rio à outra, da velocidade de um veículo para outro etc. São medidas que se baseiam na “lei” dos espaços. Entre os espaços se estabelece o afastamento ou a proximidade. No entanto, nem sempre a distância consegue medir o afastamento ou proximidade das coisas que se dão. Acontece, por exemplo, no modo como as pessoas se relacionam consigo mesmas ou com as demais. Alguém pode estar, em termos de distância, muito próximo de familiares, de amigos e de colegas de trabalho, e sentir-se totalmente distante de todos eles. Outro pode estar totalmente afastado do convívio das pessoas e sentir-se em plena comunhão com todas elas. Alguns tímidos são exemplos de pessoas que em determinadas circunstâncias estão inseridos entre a multidão, mas completamente afastados dela em nível de pertença e participação. E o que falar dos tristes e depressivos que se afastam de tudo e de todos, se isolam em seus quartos, mas, no quarto sofrem com a presença de seus fantasmas e de tudo o que lhes causa sofrimento. Não conseguem distanciar-se da grande questão existencial que os afeta. Na verdade, o afastamento de coisas e pessoas jamais livra alguém da real proximidade ou distância daquilo ao qual foge e se esconde. O verdadeiro afastamento, a verdadeira distância se mede com o coração e com a mente. Mas, também, a mais autêntica proximidade se dá lá onde os corações e as mentes estão unidos e em comunhão. Se os corações e as mentes estão interligados, nenhum espaço, nenhuma distância, nenhum afastamento, os separa ou é capaz de mantê-los isolados. É no coração e na mente onde podemos medir o quanto estamos próximos ou distantes uns dos outros. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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9 de junho de 2016
Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções, porque o corpo corruptível torna pesada a alma” (Livro da Sabedoria 9, 14-15).
O corpo é uma tenda de argila para alma. De umas décadas para cá, com a onda de supervalorização do corpo, aconteceu uma corrida alucinatória em torno de academias, plásticas e cirurgias em todas as partes do corpo, bem como buscas de cosméticos, dietas e alimentação balanceada. A tecnologia sofreu grandes avanços para se tornar instrumento a serviço da estética do corpo. Mas, mesmo assim, o homem ainda se percebe e se sente vazio, com a baixa estima elevada, e uma visão muito negativa a respeito de si. Apesar de todos os esforços para embelezar e corrigir o que chama de defeitos do corpo, ele sente a alma pesada de uma sensação de frustração e angústia. Sente, ainda, que o corpo se corrompe dia a dia na direção de um aniquilamento e deterioração. Seus cuidados corporais, por mais dedicados que sejam, deixam a mente insegura a respeito do que realmente constitui a saúde, a beleza e a grandeza originária de seu ser, do qual o corpo compõe uma unidade. Talvez tudo isso se dê por conta não só da “dicotomização” (divisão em partes) sofrida entre corpo e alma, e corpo entendido como prisão da alma, cuja libertação, se diz, só acontece, se for supervalorizado em detrimento da alma. Aqui é importante entender que corpo é sempre o surgir, o aparecer da alma, e alma é a vida que se mostra no corpo. Investir no corpo ignorando que seu princípio vital, seu vigor originário, seu fundamento e razão de ser vem da alma, é corrompê-lo e viver todas as suas manifestações em forma de pensamentos, sentimentos, emoções, intuições, vontades, como se fosse um peso e uma prisão. Alma nada diz de uma coisa dentro de outra coisa chamada corpo, mas o modo de ser mais fundamental do homem que se mostra em tudo o que pensa, sente, imagina e faz. Biblicamente falando, alma é o princípio mais importante que fundamenta toda a vida do homem de fé. Alma é a disposição maior que enraíza, envolve, faz crescer e plenifica seu ser. Essa disposição não vem de uma vontade própria, nem de um querer voluntarioso, mas de uma ligação com a fonte, princípio e origem de seu ser. Esse princípio que comanda, guia, sustenta e leva a bom termo todas as realizações que cercam e constituem sua vida, o homem de fé denomina ousadamente de Deus. Alma nesse sentido é a vida orientada em todos os aspectos por essa força essencial (força divina) que dá sentido a tudo o que o homem é e faz. Aliás, o homem animado por essa força essencial possui o corpo leve, e tudo o que empreende a partir desse princípio fundamental, tem vida, tem ânimo, beleza, e se mantém de forma incorruptível. O incorruptível aqui não é o somente o que não se deteriora com o tempo, mas o que não se corrompe na sua essência. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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8 de junho de 2016
A ingratidão descobre o vilão” (Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), escritor, filósofo e político brasileiro, 1773-1848).
Quem tudo vê, sabe reconhecer o bem praticado. A ingratidão é uma daquelas atitudes humanas que ignora, esquece e faz mau uso dos benefícios que recebe. Ela possui a força de secar o coração daqueles que a praticam e, por vezes, fechar o daqueles que a sofrem. Os ingratos são incapazes de perceber a bondade alheia, tomando como um direito seu o ato de ser servido pelos demais. Tal atitude de egoísmo e estreiteza de coração, cega o ingrato a ponto de ser incapaz de reconhecer a graça vinda da bondade alheia. Por isso mesmo, ela (a ingratidão) enche os seus praticantes de orgulho, fazendo-os pensar e sentir que qualquer favor que venha ao seu encontro é um mérito seu e um dever dos demais. Mais ainda, a ingratidão apenas faz aparecer o lado vilão daquele (a) que a porta consigo. Vilão, no sentido de alguém que mostra seu lado vil debaixo de sua personalidade escondida, muitas vezes, na aparência de uma nobreza e grandeza de caráter. Em contrapartida, quem sofre a dureza de uma ingratidão, pode assumir, muitas vezes, a postura de um injustiçado que prestou um serviço na expectativa de ser recompensado. Sofre e lamenta, assim, a decepção de ter feito o bem sem o reconhecimento do outro. Reflitamos, afinal, que a ingratidão do próximo, limitado pela sua pequena ou nenhuma experiência no bem, não nos tire a possibilidade de continuar operando na graça do bem, e nos esforçando para estar sempre à mercê de um gesto desinteressado de bondade em favor de quem quer que seja. Que a ingratidão alheia seja apenas uma academia de exercício onde aqueles que amam servir e fazer o bem; se exercitem diariamente nela, para fortalecer as musculaturas do espírito da generosidade. Seja a ingratidão a oportunidade e o desafio maior que nos faça abandonar expectativas de retorno do bem, uma vez que o bem vale por si, e de continuarmos firmes e inabaláveis na capacidade de realizarmos o bem. Acima de tudo, que a possibilidade de realizar o bem jamais nos faça sentirmo-nos superiores aos demais, mesmo aos ingratos, e nem nos dispense de continuarmos sendo livres na graça de doarmos e de nos doarmos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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7 de junho de 2016
O desespero é o suicídio do coração” (Jean-Paul Charles Aymard Sartre, filósofo, escritor e crítico francês, 1905-1980). 
Desesperar é perder a esperança. Esperança é esperar, aguardar, ou melhor, guardar e guardar-se naquele ponto ou naquela plataforma onde as coisas e as situações encontram sua sustentação, seu fundamento, sua razão de ser. Quem se desespera é porque perdeu todos os fundamentos sólidos, todas as plataformas seguras onde colocava seu sustento, sua força e poder maior. É costume afirmar que a esperança tem sua sede no coração. Ela nasce, cresce e amadurece nele. O coração é, portanto, o núcleo onde se dá e se consuma a esperança. Uma vez destruído esse núcleo, a pessoa entra em desespero. Ao se desesperar ela perde o chão onde tem os pés da existência e abandona lentamente o esforço, o empenho e a vontade de continuar investindo naquilo que até, então, era a razão e o fundamento de seu coração. Essa falta de esforço, de empenho e de vontade, motivada pelo desespero, mata pouco a pouco as energias criativas e criadoras do coração, levando-o à perda do sentido da vida. Desta forma, é que o desespero leva à morte do coração ao modo de suicídio. E suicídio aqui nada mais é do que aquela atitude de tirar de si e a partir de si o vigor da vida que, neste caso, está no coração enquanto centro da vida. O cultivo diário da esperança em pequenas doses de paciência em torno das tribulações e sofrimentos que nos colocam às margens do aniquilamento e do abismo da destruição de nós mesmos, é que nos faz dar a volta por cima e reencontrar a nossa capacidade maior de dizer não ao desespero e às suas insinuações de suicídio do coração. O desespero jamais deveria ser a palavra final e última de nossas tentativas e esforços pela permanência na luta da vida, seja em que situação for, mas o ponto de partida para uma aventura nova numa direção e visão que jamais tínhamos imaginado ou nos esforçado para trilhar. Desespero, nesse sentido, pode ser o início de uma esperança mais firme e mais convicta na direção do ainda inaudito e inesperado. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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Todo dia ele escreve algo assim:
6 de junho de 2016
Impossível é apenas uma palavra usada pelos fracos que acham mais fácil viver no mundo que lhes foi determinado do que explorar o poder que possuem para mudá-lo. O impossível não é um fato consumado. É uma opinião. Impossível não é uma afirmação. É um desafio. O impossível é algo temporário. Nada é impossível.” (Muhammad Ali-Haj, (Cassius Marcelus Clay Jr), pugilista americano, 1942-2016).
Impossível é um desafio a ser conquistado. Muitas coisas consideradas impossíveis deixaram de ser empecilho, ou barreira, quando alguém usando sua capacidade resolveu superar. Quando temos apenas conhecimento limitado, tudo parece impossível. À medida que procuramos entender as limitações da impossibilidade, vemos que, mudando o ponto de vista, surgem novas possibilidades antes aparentemente inatingíveis. O homem voar, por exemplo, sempre foi considerado impossível, mas usando a velocidade e o poder de sustentação do ar, com o equipamento adequado, esta barreira foi quebrada e o homem começou a voar. Assim, as invenções surgiram quando pessoas superaram o impossível. No livro do Gênesis, o homem é desafiado a conquistar o mundo com sua criatividade. Em todos os dias temos que superar desafios em diversas escalas. Só o fato de podermos andar, já é um desafio vencido com nossa capacidade. Quem já ficou algum tempo sem poder andar sabe bem disso. Mas é preciso força de vontade e coragem para vencer. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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3 de junho de 2016
O pessimista só vê o sol como fazedor de sombras” (Provérbio popular).
O bom humor é um antídoto para o pessimismo. Algumas vezes o mau humor é diagnosticado como doença (distimia), pois quem tem distimia não consegue ver o lado bom das coisas. “O doente coloca defeito em tudo, não sabe lidar com imprevistos, se sente injustiçado, leva tudo para o lado pessoal e parece que carrega um grande peso nas costas” (Myriam Durante). Para alguns, o pessimista é alguém muito mau. Mau no sentido de que está sempre de mau humor ou mal humorado. Quem está com o humor mau ou mal humorado sente, pensa e percebe tudo como mau. Nesse sentido, o mau humor é um modo de ser que toma toda a pessoa e a pessoa toda, desfigurando, enfeando e inferiorizando tudo o que há. É um modo de ser que vem de dentro da pessoa que se vê e se percebe baixa, inútil, incapaz e inferior, e que se projeta na realidade como se fosse uma espécie de farol negro, turvando, diminuindo e transformando as coisas, as pessoas e as situações a partir daquele ocular e daquela lente interior totalmente sombreada. Porém, o interessante é que não é a realidade que é desfigurada, opaca, baixa, feia e inferior, mas aquele que se projeta nela, porque está com o humor mal administrado. Este não percebe e não sabe o veneno que bebeu, apenas se embebeda nele e não consegue ver bondade, luz, beleza, alegria e vida em nada. Jamais vê o sol na sua verdade como fonte de luz, calor e energia, apenas como fazedor de sombras. Dificilmente enxerga seus talentos e possibilidades. Somente os defeitos e impossibilidades. Por se inferiorizar tanto, só percebe o mundo como expressão de sua própria inferioridade, incapacidade e infelicidade. A cura para o pessimismo, no entanto, não é o otimismo, nem o pensamento positivo, mas o bom humor. O bom humor nasce de um plantio e de um cultivo no terreno da humildade. A humildade é o húmus, a terra, o solo onde a existência brota, desabrocha, cresce e amadurece nas suas maiores e melhores possibilidades e potencialidades.  Isso dá uma maneira de ser que com o tempo torna a pessoa jovial e cordial com tudo. Faz brotar uma jovialidade, uma cordialidade, uma serenidade e uma alegria imensa, capaz de ver, sentir, pensar e perceber a vida no seu núcleo, na sua essência, na sua verdade maior, e vibrar com ela em todas as suas manifestações, sejam elas “boas” ou “ruins”. Em conta gotas, quando bem cultivado, isso produz na pessoa um humor bom que vê, sente e percebe tudo a partir de uma dimensão de bondade que se pode chamar de bom humor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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2 de junho de 2016
Ciúme é sinal de amor como a febre em um doente, existe sinal de vida, mas de uma vida enferma e indisposta” (Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol, 1547-1616).
Ciúme é sinal de insegurança. Pode estar ligado em um contexto de amor ou de inveja. Geralmente o ciúme está ligado também à ideia de posse, como são tratados os animais estimação, faz de tudo, dá banho, tosa, bate fotos, posta para todos verem, etc, mas sempre por perto e com uma coleira. Assim o ser amado vira um reflexo de si. Jamais um ser livre. Existem muitas passagens na Bíblia que tratam do tema, recomendando oração e sacrifícios para vencer o “espírito de ciúmes”, pois este comportamento não é normal, lembrando que o amor é forte e o ciúme violento. Quem ama, respeita a individualidade do outro, e se sente realizado em ver a alegria do outro em sua liberdade; já quem tem ciúmes vai querer moldar o outro do seu jeito, como uma marionete, gerando infelicidade para todos. Santo Agostinho dizia; “ama e faz o que queres”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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1 de junho de 2016
Pornografia é usada no estupro – para planejá-lo, para executá-lo, para coreografá-lo, para gerar excitação em cometer o ato” (Andrea Rita Dworkin, escritora feminista norte-americana conhecida por sua ferrenha oposição à pornografia, 1946-2005).
Quando achamos engraçadas as crianças imitando danças sensuais estamos incentivando a pornografia. Em alguns países e, agora no Brasil, se tenta fazer pegar a moda do estupro coletivo, quase o justificando como uma prática que deve ser imposta e aceitável pela sociedade. Motivado por um passado onde estuprar era um ato machista sem criminalização dos culpados, praticado por patrões sobre empregadas, por senhores sobre suas escravas, por reis sobre suas concubinas, por maridos sobre suas mulheres, e até mesmo por religiosos que impunha ameaças "sagradas" amordaçando no silêncio seus fiéis. De umas décadas para cá, o grande mercado de incentivo ao estupro tem sido a pornografia semeada na cabeça de crianças, jovens e adultos. Como aquilo que se arquiteta na mente torna-se, mais cedo ou mais tarde, realidade, a pornografia como vem defendida e divulgada, especialmente na mídia, pouco a pouco faz uma verdadeira coreografia de imaginações na mente de indivíduos e grupos, até se concretizar ou ser executado em alguém, na grande maioria das vezes em  vítimas como mulheres e crianças. Que se criem leis e penalizações para coibir esse tipo de prática é algo de se empreender com urgência, porém, só coibir não basta. Podemos mudar as leis, acabar até mesmo com a pornografia em todas as instâncias, mas se ignorarmos que a mente humana é onde tudo se planeja, se coreografa e se arquiteta; então nossos empenhos são como esforços de apagar as lavas de vulcão, sem buscar as causas que estão no seu núcleo. O núcleo onde se forma a mente e o coração dos indivíduos e grupos é na família, na escola e no ambiente social. Se destruirmos as famílias, matamos a educação e jogamos no ambiente social apenas a sucata dos comportamentos desajustados de nossos filhos e de nós mesmos, sobretudo, naquilo que anos a fio cultivamos na mente em nível pessoal e grupal, então continuaremos apenas demonstrando em formas de passeatas e de debates teóricos (sem negar a força e grandeza disto tudo) a nossa indignação e horror frente a atos de estupro na sociedade. O que tem acontecido no Brasil com os atos de estupro que deixa a tantos estupefatos, é já um sinal de que aquilo que há tantos anos se semeou na mente, sobretudo, dos jovens, agora está em plena execução. A excitação está no seu ápice e quer se saciar de qualquer forma, custe o que custar. O espetáculo pornográfico tão longamente amadurecido e consumido na mente da população, sobretudo, masculina, vem agora à tona nas suas formas mais  deterioradas e trágicas. O estupro mental finalmente e, infelizmente, criou a mente de muitos estupradores. Mais, ainda, destruiu aquele que o pratica e quem é vitima dele, pois o estupro nada mais é do que um dos maiores atentados contra a liberdade humana. Ele é uma relação baseada não mais no respeito, na ternura, no mistério do amor, quem mantém as pessoas na concordância e proximidade, mas na insanidade do uso abusivo da força e do “pseudo-poder” do mais forte sobre o mais fraco. Esse abuso da força e do poder que tiraniza e afasta as pessoas de sua liberdade é que invadiu há muito tempo o âmbito da Política, da Religião, da economia e outras instâncias das relações humanas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de maio de 2016
“Cuidar dos interesses dos nossos vizinhos é essencialmente cuidar do nosso próprio futuro” (Tenzin Gyatso, “Dalai Lama” atual, nasceu em 1931).
Como vejo o outro diz muito de quem sou. Vizinho é quem mora ao lado (ou trabalha ao lado). Morar ao lado é mais do que ter alguém na casa pareia à nossa. Esse que somente mora ao lado, às vezes, representa apenas um incômodo a mais nas relações. Morar ao lado é ser companheiro num destino ou causa comum. É ser parceiro no mesmo bem que une duas ou mais pessoas. Vizinho, nesse caso, são pessoas que estão engajadas em ser e estar bem num espaço comum, ou seja, na casa. Casa é onde se mora ou se está bem com tudo e com todos. Caso contrário, é só abrigo.  Vizinhos, portanto, são pessoas que cuidam do interesse uns dos outros. Mas, cuidar do interesse uns dos outros nada diz de estar ocupado e preocupado com a responsabilidade do outro, substituindo-o naquilo que é próprio dele. Cuidar do interesse do outro é estar mergulhado até o pescoço naquilo que faz eu e o outro sermos e estarmos próximos um do outro, isto é, o bem. Bem aqui é estar no ponto, naquilo que constitui o núcleo mais fundamental de nós mesmos. Se estou bem comigo mesmo, nessa compreensão, todas as coisas estão bem e se apresentam bem,  e o que não está bem eu me esforço para deixar estar bem e tornar um bem. Quando cada pessoa cuida em estar bem ali onde está, o ambiente em que vive se torna morada, casa. A casa primeira de toda e qualquer pessoa é a sua própria interioridade. A casa, lar, onde a família ou um grupo de pessoas reside apenas expressa o que cada um traz em sua interioridade para o convívio diário. Essa casa depois pode ser ampliada até chegar ao ponto de ser o planeta Terra (nossa casa comum), o Sistema Solar, a Galáxia etc. Ser vizinho é manter esse cuidado com o interesse de cada um e de todos. Aliás, interesse nada mais é do que inter+esse, ou seja, estar dentro, na essência, no íntimo mais íntimo de uma coisa. E coisa é a causa comum de todo o ser humano. A causa comum de todo é qualquer ser humano é ele mesmo. Quem quer saber como será o futuro, pergunte primeiro como está o cuidado com esse interesse comum, com esse bem fundamental. Da resposta a essa questão é que depende o amanhã da humanidade e o sentido de vizinhança, que ao invés de ser um inimigo que mora ao lado, é um sócio na grande empreitada de tornar o bairro, a cidade, o país, o planeta, enfim, a humanidade, um lugar habitável. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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25 de maio de 2016
Quem ainda não teve que suportar tribulações, ainda nem começou a ser verdadeiramente cristão” (Santo Agostinho, filósofo e bispo da Argélia, 354-430).
Quem está comprometido com o mundo e seus encantos, está longe do projeto de Deus. Olhando o que ensina o Evangelho, até parece uma loucura seus ensinamentos para quem nunca se engajou neste projeto de amor. Amar o próximo mesmo que este te insulte e te bata, e se te bater oferece também a outra face. Só o fato de ter raiva de alguém, já te coloca distante do Evangelho, até pensar mal já te coloca fora. É tão sério que é melhor sair de suas orações e buscar o perdão, do que tentar agradar a Deus só da boca para fora. Mesmo que você não tenha feito nada, só o fato de alguém ter algo contra ti, já te coloca em “maus lençóis”, “busca reconciliar o quanto antes”, nos ensina Jesus. (Mt 5). Este tipo de comportamento é um contraste com que nos ensina “o mundo”, e desperta o ódio de muitos, principalmente dos comprometidos com a maldade. Estes vão perseguir, mentir, caluniar, e fazer de tudo para te afastar destes ensinamentos. Ser cristão implica ter um comprometimento com o projeto de amor de Deus de tal forma que nem as tribulações podem afastá-lo deste amor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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24 de maio de 2016
Perfumes são memórias” (Johnny Kwergiu, pensador brasileiro).
Praticamente somos consequência do que pensamos. Se prestarmos bem atenção, o “perfume” somos nós mesmos nos expressando através do cheiro. Quem tem mau hálito, por exemplo, sempre vai dizer que é problema de estômago ou  da gengiva (às vezes pode ser isso mesmo) etc, porém, isto já é um sinal que algo está fora de harmonia. O hálito “mau” vem de dentro da “alma humana”, no sentido de que se a alma está apodrecendo ou se curtindo em algo ruim (raiva, rancor, agressividade interna, julgamentos sobre os outros, críticas amargas), ela inevitavelmente começa a exalar esse cheiro estragado pela boca em forma de palavras e suspiros. O cheiro, neste caso, seja da boca, dos pés ou do corpo, revela ou mostra fora o que está dentro. É uma forma de proteção e de expressão. Acontece com o ser humano o mesmo que determinados animais, como o gambá, que se protege exalando seu forte odor para  afastar os que ele sente como ameaça. Nossos cheiros, também, trazem à memória daquilo que somos ou do modo como estamos internamente, no cultivo de nossa alma. Memória aqui nunca deveria ser confundida com lembrança, no sentido de trazer o passado presente. Memória é fazer presente aquilo que está na origem e como fundamento das coisas. Fazer memória, então, é tornar presente algo no seu fundamento, na sua verdade mais íntima e essencial. Perfume enquanto memória invoca, provoca e evoca uma realidade originária e mais fundamental de nós mesmos. Nosso corpo, como expressão de nossa alma, traz sempre presente o modo como ela está no momento. Daí que pessoas de alma boa, inocente e pura, exalam sempre bons odores por onde passam. Esse bom odor gera aproximação, comunicação e simpatia. Eis porque as plantas cheirosas conseguem nos atrair e nos deixar com uma sensação de prazer e satisfação muito grande. Em relação aos seres humanos, os bebês, por exemplo, possuem esse poder de aproximação, pois na sua inocência, pureza e beleza, exalam um perfume natural muito atraente que nos faz sentir a delicadeza, a gostosura e a ternura de estar com eles e de admirá-los. Eles são a memória viva de que na nossa origem e fundamento, na nossa essência, possuímos um odor, um cheiro agradável, um perfume delicioso de comunicação de amor, onde nos sentimos bem em viver e estar próximos uns dos outros. Se perfume é a essência de algo, então, deixar aparecer o cheiro, o odor de nós mesmos, é permitir que aquilo que está no núcleo mais profundo de nós mesmos venha à tona. Quem entende isso sabe o cheiro que tem. Sabe o perfume que os outros exalam ao seu redor. Mas, sabe, sobretudo, cuidar do próprio cheiro em todos os sentidos, para que de dentro de si exale o bom perfume de sua alma que gera comunhão e proximidade com as pessoas, jamais um odor apodrecido que serve para se proteger, mas, também, para gerar inimizade, distanciamento e repulsa dos demais. Que cheiro eu exalo, que perfume, tal qual uma fumaça de um sacrifício, ou um incenso que se eleva aos céus, é liberado de mim? É importante pensar nisso para descobrir que a aproximação ou distanciamento das pessoas que me cercam dependem em muito desse perfume. Sem essa clareza, usar apenas bons e caríssimos perfumes debaixo do braço, na boca, nos pés e no corpo, não resolve nossos problemas mais profundos de nossa existência e de nossas relações. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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23 de maio de 2016
No Egito chamavam as bibliotecas de tesouro dos remédios da alma. Assim eram chamadas porque curavam a ignorância, a mais perigosa doença e a origem de todos os outros males” (Jacques Benigne Bossuet, clérigo e escritor francês, 1627-1704).
Para quem está atento, a comunicação ocorre de muitas formas. O primeiro livro impresso pelo método de Gutenberg foi a Bíblia, cuja primeiro exemplar demorou cinco anos para ser concluído. Teve início no dia 23 de fevereiro de 1455. O método anterior era o manuscrito. No entanto, segundo o Padre Ângelo (Curitiba), foi a própria natureza o primeiro livro com que Deus nos presenteou, impresso com as “letras” formadas do próprio existir no tempo. Nela Deus nos revela seu amor também pela dinâmica e harmonia de toda a criação. A Bíblia é a chave deste mistério. Assim como diante de um livro uma pessoa pode ter várias atitudes, o mesmo acontece diante da natureza. Muitos percebem a existência dos livros, mas não têm a curiosidade de conhecer o título ou saber seu conteúdo. Outros até começam a ler, mas a grande quantidade de distrações faz com que abandonem a leitura. Por fim, há os que encontram nos livros uma espécie de jogo de quebra cabeça que vai formando figuras (como um mosaico) à medida que vai lendo e estas ajudam a desvendar muitos mistérios. A dinâmica da natureza está continuamente falando conosco. Um destes mistérios que foram revelados pelo tempo, é o da Santíssima Trindade. Escreve-nos Dr. Marcos Fernandes (UnB): “Este mistério, veio se revelando aos poucos através da História sagrada. Enquanto no Antigo Testamento, Deus se revelou como o Um (Dt 6, 5), no Novo nos foi revelado como Três – Pai e Filho e Espírito Santo - conforme o conhecido mandato de Cristo aos Apóstolos: “Ide, batizai a todos os povos, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19)”. Sendo assim, continua Marcos: “A Trindade: é vida divina que ferve, e, fervilhando, transborda, superflui, derrama-se na criação do universo, na encarnação do Filho, nosso irmão, na santificação de todas as coisas e na deificação dos homens e mulheres, que, renunciando ao ter para alcançar a liberdade de ser, aprendem a lição do amor gratuito e misericordioso, tornando-se luz do mundo e sal da terra”. Este mistério somos convocados a testemunhar por nossa vida, amando e respeitando toda a natureza, tendo o amor a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) como premissa e o amor aos irmãos como coroamento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de maio de 2016
De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar” (Platão, filósofo e matemático grego, 428-348 a.C.).
Seremos livres na medida em que aprendemos a domar nosso eu interior. Domar é palavra latina para designar casa, lar (vem de domus = casa). Essa palavra deu, também, origem à palavra domesticar, cujo sentido era o de trazer um animal selvagem para trabalhar ou morar na mesma casa do homem. O homem tinha a tarefa de amansar o animal selvagem. Amansar era qualquer empenho ou força conduzida ou direcionada pelas mãos humanas. Esse trabalho das mãos humanas requer muita paciência e dedicação para transformar o selvagem e distante em algo caseiro e próximo. Na mesma linha, domesticar era, também, o gesto de trazer o escravo conquistado na guerra, por exemplo, para viver na casa do senhor para aprender a servi-lo e até amá-lo (quando este se tornava seu íntimo e amigo). Para que o escravo aprendesse a servir bem ao seu senhor, eram necessários muitos anos de trabalho e convívio mútuo, até o ponto do escravo ser conquistado pela amabilidade de seu senhor e seu senhor conquistar a fidelidade, simpatia e amizade de seu escravo. E quando isso se dava, a casa se tornava não mais um espaço ou abrigo de pessoas fazendo coisas e buscando a sobrevivência comum, mas um lar, ou seja, um domus, onde todos se davam bem e viviam em alegria e concordância. Quando se diz que o jovem é o mais difícil de domar é porque nele todas as forças da natureza estão atuando a todo vapor. É como um potro impetuoso, pronto para mostrar suas habilidades e capacidades, porém, ainda solto sobre si mesmo e sem direção. O jovem é a somatória e a expressão de todas as boas experiências da existência, acumuladas e fervilhando num vulcão pronto para explodir em chamas e lavas de seu núcleo mais íntimo. São chamas e lavas fervilhando e aparecendo no ar e no chão da existência, buscando solidificar-se em alguma realização de vida. Essa força e efervescência é bonita, vigorosa e potente, porém, precisa ser conhecida, entendida, valorizada, trabalhada e bem direcionada. Com outras palavras, necessita ser domada, caso contrário, é tempestiva e perigosa no próprio jovem.  Por sua vez, essa força juvenil não se refere apenas a uma idade cronológica do homem. Ela está presente a vida inteira em toda e qualquer pessoa. Por isso mesmo, cada um precisa se confrontar com a domesticação dessa natureza tempestiva, para viver com serenidade e alegria o seu ser jovem. E ser jovem é educar-se para adquirir o ser jovial. Jovial vem de Jovis, nome com que os gregos designavam o deus supremo, o deus da força do dia. Ser jovem nesse sentido é conquistar a força de Deus, do Deus que é a força e o vigor de nossa existência. Quem conquista esse modo de ser de Deus em si, vive bem em sua casa, ou seja, no bom convívio com o seu Senhor, na amizade dele, participando de todos os bens de sua casa. Casa enquanto o modo de ser de Deus. Nesse sentido, a casa do jovem é Deus e a casa de Deus é o jovem, ou seja, a jovialidade de ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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19 de maio de 2016
O ontem não é nosso para recuperar, mas o amanhã é nosso para ganhar ou perder” (Lyndon Baines Johnson, professor e político Americano, 1908-1973).
Hoje posso entender o passado para ter nova visão do futuro. O ontem é tudo o que somos hoje. Nossos pensamentos, emoções, sensações, ideias, sentimentos, ações, reflexões, vontades, enfim, tudo o que está em nós ou em mim nesse momento, é, de alguma forma, o resultado, o eco, o fruto, a expressão daquilo que construímos ou fizemos a nós mesmos no passado. O que aparece agora, no hoje, aqui e agora de minha existência, com todas as suas consequências boas ou ruins, foi longamente plantado, edificado, amadurecido e arquitetado, nos anos passados da vida de cada pessoa. Alguns se prendem ao passado, porque ali, até certo ponto, está tudo o que ele (a) é agora. Se for um ódio, por exemplo, longamente cultivado no solo dos pensamentos ou das emoções da pessoa, agora ela está atrelada a ele, como uma espécie de parte de seu ser, de uma segunda natureza fazendo parte dela. Essa é a razão pela qual é muito difícil deixar de odiar uma pessoa, uma situação e até a si mesmo, se for o caso, pois, em geral, o que se busca é romper com o passado para sentir conforto e alívio no presente. No entanto, não há como romper com o passado. Ele foi construído e faz parte da pessoa. O que passou, passou, mas deixou sua marca. Carregamos a marca do que fomos. O problema é que nos iludimos querendo ir ao passado para resolver o que já está resolvido. Não temos como fazer isso, como se entrássemos numa máquina do tempo para consertar o que está feito ou para recuperar o irrecuperável. Só existe uma coisa que podemos fazer em relação ao passado. Reconciliarmo-nos com ele aqui e agora, pois tudo o que fomos e fizemos está conosco agora e aqui. Bem feito ou mal feito; bem aceito ou não, bem vivido ou não. Tudo, exatamente tudo o que fomos e fizemos está conosco neste exato momento presente. É como dizer que o passado está em mim dos pés à cabeça, por dentro e por fora, até o mais íntimo de meu ser. Ele está completamente em minhas mãos. Só eu posso lidar com ele. Só eu posso dar a ele um sentido. Só eu posso transformá-lo. Só eu posso me reconciliar com ele. Sendo assim, em relação ao passado só há uma coisa a fazer, recriá-lo e renascer no hoje de minha existência, retirando dele as lições dadas, aprendendo dele o que na época passada ignorei, abandonando o que tempos atrás insisti em manter e possuir. Agora no presente posso largar tudo o que no passado eu prendi. Posso libertar todos os que eu acorrentei inclusive a mim mesmo. No exato momento em que tenho a graça de estar e viver; posso, finalmente, abraçar, amar, querer, perdoar, compreender e acolher tudo e todos como jamais fiz antes. Só no presente posso dizer sim ao que tantas vezes disse não. Apenas no presente posso soltar tudo o que amarrou por tanto tempo minhas emoções, meus sentimentos, meus pensamentos, minhas ideias, enfim, todo o meu ser. Apenas abandonando, renunciando, soltando e me esvaziando do passado é que o presente de liberdade se impõe, e tenho condições de ter algum ganho no amanhã de minha existência. Eis porque em relação ao passado só há duas alternativas, ganhar ou perder. O presente é a oportunidade de se responsabilizar por essa escolha que dá os ganhos ou perdas do futuro. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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18 de maio de 2016
A recompensa de todas as virtudes está nela mesma” (Lúcio Aneu Sêneca, advogado, escritor e filósofo romano, 4 a.C.-65 d.C.).
Pela prática das virtudes nos tornamos melhores. Quando se fala ou se pensa em recompensa, logo vem aquela ideia de prêmio ou retribuição por alguma ação feita, ou melhor, bem feita. Desta forma, é normal se fazer ações visando a recompensa, a retribuição. Faz-se, por exemplo, caridade aos pobres, porque se imagina que “quem dá aos pobres, empresta a Deus”. Um dia, Deus paga o bem feito, se diz. Outros procuram viver uma vida santa e impecável, cheia de sofrimentos e sacrifícios aqui na terra por imaginarem que, depois da morte, terão uma recompensa, um galardão no céu. Há, também, os que fazem favores políticos por pensarem que “uma mão lava a outra”, e a recompensa poderá vir, ainda que secretamente, em forma de propinas ou outros tipos de “maracutaias”. E o que dizer daqueles que bajulam os parentes, os companheiros de trabalho, o chefe, o professor, porque no fundo o que buscam mesmo é o galardão de futuros reconhecimentos? No cotidiano é fácil encontrar os que estão o tempo todo atrás de um prêmio para o ego pessoal quando agem sem medir esforços para fazer qualquer coisa que resulte em um elogio ou aplauso. Todas essas formas de recompensa e busca de retribuição são dependentes daquilo que vem do outro ou dos outros. Por vezes, a dependência é tanta que a pessoa é capaz de entrar em depressão se não for elogiada, reconhecida ou premiada por aquilo que realiza. Entender a recompensa nesse nível pode criar pessoas altamente ressentidas quando aquilo que fazem não resulta numa premiação ou retribuição. Acontece de ficarem extremamente zangadas e iradas por acharem que os outros são insensíveis, cegos e indiferentes com suas iniciativas, esforços e gestos de doação. Esses acham que recompensa significa a valorização e o peso positivo que o outro dá aos seus empenhos e tarefas. Pensa-se que recompensa é mérito próprio pelo realizado. No entanto, recompensa tem, sim, o sentido de retribuição e mérito pelo realizado, mas é diferente de um salário ou paga que vem do reconhecimento do outro.  É recompensa que vem de si mesma. Esta recompensa está diretamente ligada com o valor que a coisa que fazemos tem em si, então ela mesma nos dá. Assim sendo, se me empenho em praticar a justiça, a justiça por si mesma cresce em mim, independente de que as pessoas me elogiem e reconheçam ou não como justo. Se fizer qualquer obra boa, a obra boa me torna melhor para mim mesmo na grandeza de meu coração. Se fizer qualquer coisa para Deus ou para o próximo, a retribuição está em que o simples fato de praticar o bem já me torna uma pessoa boa, ainda que não precise morrer para, só depois, receber recompensa no céu. A recompensa, no caso, é que o bem que faço, ele mesmo, me faz bem, tão bem quanto se a recebesse no céu. E toda e qualquer virtude que a pessoa pratica, ao praticá-la já tem sua recompensa nela mesma pela simples razão de que a virtude deixa a pessoa virtuosa em si mesma. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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17 de maio de 2016
Proibir algo é despertar o desejo” (Michel Eyquem de Montaigne, filósofo, jurista, político e humanista francês, 1533-1592).
Mudando o ângulo de nosso olhar, vemos o que estava oculto. Na etimologia da palavra proibir estão os vocábulos; pro+haber, onde pro significa em frente ou distante (longe), e haber tem o sentido de  ter ou manter. Proibir, então, quer dizer manter algo distante ou longe do alcance, pois só se alcança o que está “próximo” e se entende bem. Em toda e qualquer sociedade o uso recorrente de proibições muitas vezes é entendido e colocado como algo para se tentar controlar ou frear determinados comportamentos ou ações das pessoas. Por essa razão, praticamente em todas elas as proibições  quase sempre se sobressaem às permissões. Na educação, na família, na religião, por exemplo, as proibições são frequentes, e são usadas por tantos como um modo de impedir que as pessoas ou um grupo de pessoas cometam ações que venham a prejudicar ou colocar em perigo a coletividade. Proibir neste caso é manter todos e cada um longe daquilo que possa comprometer a harmonia e o equilíbrio comum. O problema é que a proibição tem algo de sedutor e “atraente” que acaba, tal qual um ímã, atraindo a pessoa para a sua proximidade. É assim que quando os pais proíbem as crianças dizendo “não façam isso”, o passo seguinte é ver o oposto acontecendo. Quase como se fosse um comando: “Faça”! É assim que quando muitos jovens são proibidos a certas práticas relacionadas ao sexo e às drogas, logo, logo, estão fazendo justamente o que lhes pedira para não fazerem. O desejo de fazer ou se aproximar do proibido, assim como em Adão e Eva no Paraíso, é uma sedução constante na humanidade de todos os tempos. O proibido tem algo que nos desperta o desejo. Que desejo? O desejo de posse. Pois, estamos sempre entre o jogo de desejar o que não podemos e de não poder o que desejamos. Nesse jogo, o “não poder” soa como uma insatisfação e não como uma realização, pois vemos no não poder uma carência quando deveríamos ver nele uma possibilidade de poder ter, não ao modo da posse, mas, da não posse. Não posse significa aqui jamais ter algo a partir de meu desejo, mas a partir da doação “da coisa ela mesma”. Adão e Eva sucumbiram ao desejo de ter um conhecimento da árvore da vida, não da fonte de seu Criador, mas, a partir de si mesmos em sintonia com o deturpado conhecimento oferecido pela serpente. A proibição, se bem entendida, como sempre a entenderam os antigos, deveria ser vista não como uma matança de nossos desejos, mas como uma afinação deles, no sentido de que toda e qualquer proibição, antes e para além de ser coibição, é um convite à verdadeira liberdade frente a tudo o que existe e se dá. Por exemplo, na proibição de “não roubar” está, antes de qualquer coisa, o convite para ser honesto, ser justo, ser fiel no pouco e no muito. A proibição na sua origem quer levar cada um a conseguir lidar com os desejos do próprio coração para que se seja, de fato, “fato livre”. Ou melhor, o sentido de toda e qualquer proibição jamais está na coibição, mas na liberdade de ser e de ter que “ser”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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16 de maio de 2016
O único dia fácil foi ontem” (lema dos Navy Seals, “The only easy day was yesterday”).
“Um homem prevenido vale por dois.” Cada um estabelece sua rotina para o novo dia. Uns acordam cedo e começam agradecendo a Deus por mais um dia. Outros preferem ficar mais um pouco na cama. Normalmente quem gosta de acordar cedo é motivado pela recomendação de Jesus: “Vigiai e orai, pois não sabeis o dia e a ora” (Mt 25, 13). Sendo assim, sua atitude é vigilante, preferem deixar tudo pronto, nada de adiar serviço, quando este pode ser feito logo, e assim por diante. Já acordam preparados para o “combate”. Os que gostam do aconchego das cobertas são motivados pela recomendação do Livro do Eclesiastes 3: “Tudo neste mundo tem seu tempo, cada coisa tem a sua ocasião”; e logo concluem: para que apressar o que pode ser adiado? São opções pessoais que estabelecem um padrão de comportamento. A sabedoria recomenda equilíbrio. Nem tão apressado que a “fruta” esteja ainda verde, nem tão adiado que a “fruta” já esteja podre. Penso que devemos fazer nosso melhor em tudo agora, buscando a perfeição com equilíbrio, evitando sermos apanhados desprevenidos. Nada de sofrer com o que ainda virá, pois Jesus nos recomenda: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá suas próprias dificuldades. A cada dia basta o seu fardo.” (Mt 6, 34). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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13 de maio de 2016
Quando se ama, não se tem juízo, ou quando se tem juízo, não se está amando” (Públilio Siro, escritor latino da Roma antiga, 85-43 a.C.)
“O amor nos liberta”. Quem está na medida do amor, e no amor sem medida, deixa de julgar, pois julgar é ter medida curta acerca da realidade. Por essa razão, todo e qualquer juízo sofre de anemia e de “estreiteza” por sua limitação para conseguir ir longe e assim alcançar a grandeza da verdade. Deste modo, julga somente quem está na periferia ou à margem do amor. Por outro lado, quando alguém ama, desaparece dele(a) o juízo, o julgamento, visto que o amor vê em profundidade, de forma abrangente, veraz, e sem estreiteza. Nessa profundidade, abrangência, verdade e magnitude, ele sempre abraça a tudo e a todos. Quando Jesus diz para que “Não julgueis para não serdes julgados”, mais do que uma proibição moral acerca de qualquer juízo, ele admoesta e convida para que se ame, pois quem está amando tem o coração cheio de amor. E quem tem o coração cheio de amor não tem espaço para criar sentenças, ou para estabelecer critérios ou parâmetros de condenação sobre os outros a partir de si. O coração pleno de amor desconhece o juízo, uma vez que o juízo ignora o amor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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12 de maio de 2016
Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando António Nogueira Pessoa, poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português, 1888-1935).
Em minha alma está o “tesouro” de meu viver. Na era da tecnologia e de tanta diversidade ideológica, política, religiosa, econômica e cultural, falar em alma soa, muitas vezes, algo abstrato, sem cor e sem sabor. Coisa de piegas, linguagem de religiosos e palavrório de poetas e sonhadores. No entanto, alma sempre foi a palavra, juntamente com espírito e vontade, para caracterizar o ânimo, a disposição, o vigor, o querer e o modo de ser maior,  mais puro e mais dedicado do humano na sua decisão e liberdade de ser e de fazer valer as coisas. Nesse sentido, alguém sem alma é alguém morto ou um “morto-vivo”, ou, ainda, um “vivo-morto”. Alma, então, é o melhor de alguém voltado, solto, livre e empenhado naquilo que constitui o tesouro maior de seu coração. Alma, em síntese, é vida vivendo a vida da melhor maneira possível. Alma pequena é aquela que se fechou e cuja disposição, doação, e modo de ser e aparecer é estreita, mesquinha, sem posição e disposição para o lance e salto da entrega. Quem tem alma assim está sempre com um pé atrás, com medo, sem iniciativa, sem coragem e sem decisão de se lançar, de partir, de conquistar, de desbravar mundo novo e de se abrir e de se colocar à espera do inesperado. Para aquele que cuja alma é grande, grande no sentido de larga, profunda e aberta, toda e qualquer situação; todo e qualquer mundo ainda por desbravar; todo e qualquer esforço, vale a pena. Vale a pena significa, merece o preço de minha doação e de qualquer sacrifício. Sacrifício como a mais sagrada e preciosa oferenda de mim mesmo na direção daquilo representa a razão maior de uma busca e de um projeto de vida. Diante disso vale a pergunta: o que em minha vida, neste mundo, nessa existência vale a pena, ou melhor, o preço de minha doação, o custo de cada gota de suor e sacrifício de minha vida? Com outras palavras, o que nesta vida vale o preço de minha alma para torná-la grande, nobre e preciosa? (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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11 de maio de 2016
Endireite o galho, enquanto a árvore é nova” (Provérbio japonês).
A vida nos molda todos os dias. Todo jardineiro sabe que só se endireita um galho dando a ele a direção que se deseja, modelando-o dia após dia, até que ele siga naturalmente o curso apontado. Por sua vez, isso é mais fácil quando a árvore é nova e cheia de flexibilidade, pois aceita, sem quebrar ou endurecer-se, os “entorses” da mão que a conduz. A natureza humana também tem a mesma dinâmica. Se bem orientada durante a infância, ela cresce bem e produz bons frutos no caráter da pessoa, pois a criança, em geral, é flexível e aberta a uma boa direção e condução. De igual modo acontece com nossa “criança” interior. Na medida em que é guiada na direção da formação de um bom caráter, ela responde e corresponde com maleabilidade e sem resistências. E essa é condição essencial para qualquer crescimento e para a pessoa elevar-se às alturas da maturidade humana. Nossa criança interior, também, à semelhança do galho, só alcança os cumes elevados da grandeza humana quando se deixa modelar pelas mãos dos desafios e dos obstáculos cotidianos que, em alguns momentos da vida, surgem à nossa frente, impulsionando-nos a tomar uma direção bem diferente daquela que queríamos e buscávamos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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10 de maio de 2016
Nada te pode dar a paz, exceto tu mesmo. Nada te pode dar a paz, exceto o triunfo dos princípios” (Ralph Waldo Emerson, escritor e poeta americano, 1803-1882).
A paz é fruto do amor. O que impede a paz a tanta gente hoje em dia é a dependência doentia das iniciativas, dos afetos, das ações e reações dos outros. Geralmente se entende que para estar bem é importante que o outro esteja primeiro; que para sorrir é necessário que o outro sorria antes; que só consigo amar se me amarem antes; que só perdoarei se o outro me perdoar; que só dou respeito se respeitado for; que primeiro o(a) outro(a) venha a mim para somente depois ir a ele(a); que só faço isso, só me responsabilizo, só tomo a iniciativa, se antes... E, assim, de dependência em dependência traço meu pretenso destino de paz. Com o tempo percebo que o tormento aumenta e que dentro de mim se instala uma espécie de inquietação, vazio, raiva, tristeza e perturbação sem fim. Pois, acontece da dependência me deixar na mão, uma vez que tudo o que esperava nunca chega. Ao contrário, apenas me distancia ainda mais do que esperava e dependia. A paz, no entanto, é um modo de ser que nasce, cresce e se fortalece interiormente em cada pessoa, mas que, se bem experimentada no seu processo de vir a ser, se expande por todas as direções e atinge tudo ao seu redor. Ela se curte na atitude da recepção. Porém, recepção daquilo que o outro jamais poderá me dar. Recepção enquanto atitude de bem receber a negação como possibilidade e impossibilidade do outro. A paz é empenho pessoal de fazer valer o princípio básico dela mesma: o de estar no amor. Estar no amor significa estar em tudo com um modo de ser que aconteça o que acontecer é fiel a si mesmo na graça de amar, pois o princípio básico da paz é amar livremente. Qualquer condição que se ponha ou imponha ao amor para amar gera a guerra e a perturbação, jamais a paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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9 de maio de 2016
Ensinarás a voar, mas não voarão o teu voo...” (Madre Tereza de Calcutá, missionária católica de origem albanesa, 1910-1997).

É até comovente vermos tantas manifestações de carinho no dia das mães. Pelo menos neste dia, elas são nossas heroínas. Mas, entendermos em plenitude o sentido da palavra mãe, seria preciso estar ao seu lado em cada momento, sentindo o palpitar de seu coração, pois cada uma tem sua caminhada e nela encontraremos muito da mão divina. A meu ver, este poema da Madre Teresa traduz um pouco da emoção e algumas vezes da decepção de ser mãe; “Ensinarás a voar... Mas, não voarão o teu voo. Ensinarás a sonhar... Mas, não sonharão o teu sonho. Ensinarás a viver... Mas, não viverão a tua vida. Ensinarás a cantar...Mas, não cantarão a tua canção. Ensinarás a pensar... Mas, não pensarão como tu.  Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem... Estará a semente do caminho ensinado e aprendido!” Obrigado por ter aceitado das mãos de Deus esta missão sublime de ser mãe! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia!(20 anos)

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3 de maio de 2016
A melancolia é a felicidade de estar triste” (Victor Marie Hugo, novelista, dramaturgo, ensaísta, artista e estadista francês, 1802-1885).
Somos capazes de transformar tudo pelo nosso querer. Melancolia e tristeza são duas realidades semelhantes na sua origem. Ambas traduzem a ideia de um humor sombrio e pesado sobre a vida da pessoa. Humor tem ligação com a palavra “húmus” que significa terra. O humor caracterizado como melancolia e tristeza é um tipo de ligação com a terra de forma desenraizada, só na superficialidade, sem profundidade. E a melancolia e tristeza possuem esse poder de deixar a pessoa sem ligação com a terra, onde tudo fica sem consistência, sem persistência e sem insistência. Então o amargor se apodera da pessoa e a deixa infeliz, curtindo “adoidada” a felicidade de estar triste, como se fosse “masoquista” (tentando tirar prazer do sofrimento). Nesse caso, ao invés de  fincar raízes lá onde tudo tem sustentação, peso e grandeza, ela se apega e se coloca somente onde tudo é frágil, sem força e sem significação para tocar e conduzir a existência. Por outro lado, ao invés de colocar os pés de sua vida no grande “EU”, ela se aprisiona no “euzinho mixuruca”. Nesse “euzinho mixuruca” tudo o que bate nele dói, seja uma contradição, um fato desagradável, uma dificuldade, uma palavra dura que vem dos outros etc. Tudo o que bate na pessoa a machuca e derruba por falta de solidez. Esse “euzinho mixuruca” é aquela postura de “vitimismo” (se acha vítima) e de “centralismo” em que ela culpa todo mundo (até Deus) por tudo o que acontece com ela, e acha que tudo deve ser do jeito e de acordo com a vontade dela. Se algo for contra a sua maneira de pensar, de agir e de ser, ela pensa que estão querendo destruí-la, feri-la e magoá-la. Com isso se fecha pensando que nada vale a pena, que tudo e todos caíram sobre ela como um raio de destruição. Esse fechamento sobre si a faz perder contato com a “terra dos homens”, onde tem de tudo, desde um simples olhar de indiferença de alguém, até as grandes injustiças e adversidades no caminho. Porém, tudo o que é acontecimento bom ou ruim nesta terra é apenas exigência de confronto, de responsabilização por nós mesmos, pelos outros, pelo mundo e pela vida que nos é dada. Nada que venha a nós é por acaso. É chance de mudança, é oportunidade de aprimoramento, e graça para rever as próprias posturas para se ficar de pé, jamais tombado no caminho da lamentação, e fincar melhor a planta dos pés no chão (húmus) para desabrochar melhor em direção ao céu e ao infinito. A melancolia e a tristeza são também graças concedidas a nós para nos aperfeiçoarmos no caminho. Quem deixa de entender isso, atola nelas e afunda sua existência numa paralisia sem fim. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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2 de maio de 2016
Muitos gritam e discutem até que o outro se cale. Acreditam que seus argumentos foram convincentes. Mas, sempre estão equivocados” (Noel Clarasó, escritor espanhol, 1899-1985).
Gritos afastam as pessoas, argumentos convincentes aproximam. Com alguns animais, a pessoa grita e tenta mostrar uma estatura maior, para intimidar e sair de uma situação de risco. Por serem irracionais, não entenderiam argumentos. Entre seres racionais isso deixa de ser válido, justamente porque a capacidade de raciocinar permite que se chegue a um consenso pelo diálogo. O convencimento se dará pela capacidade de demonstrar seus argumentos através de sua bagagem de provas e afins. Cristo calou uma multidão que acusava uma mulher apanhada cometendo um crime (pelos padrões da época), cuja pena era clara, ser morta a pedradas. Aparentemente Ele estava sem saída. Apenas disse; “quem estiver livre de qualquer acusação (sem pecados) que atire a primeira pedra”. Como todos tinham uma coisa ou outra em suas consciências; saíram de “fininho”. Sem gritos Ele convenceu a todos. Observamos que as pessoas que menos têm razão são as que mais gritam, se assemelhando aos animais irracionais, que tentam assustar o oponente para que desista ou fuja. Quem precisa gritar demonstra que seu coração está tão distante do outro que só com grito pode ser ouvido. Quando os corações estão próximos, basta um olhar para poder ser entendido. Quebre as barreiras, aproxime os corações. O amor fará o resto. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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29 de abril de 2016
Você acha que um homem pode mudar seu destino? Eu acho que um homem faz o que pode até que seu destino lhe seja revelado” (frase do filme “O último Samurai”).
Você faz seu destino. Narra uma lenda chinesa (o entalhador de sinos) que o imperador desejava um entalhe “perfeito” para a armação de sustentação dos sinos do palácio. Um artesão foi incumbido da missão. Quando ele apresentou o seu trabalho, achavam que era obra “dos deuses”. Ele contesta dizendo; quando recebi a missão, primeiro jejuei para só me concentrar no trabalho, depois afastei de minha mente qualquer sonho de recompensa, quando minha mente ficou vazia, fui para a floresta e encontrei o pedaço de madeira perfeito. Bastou retirar os excessos e o trabalho estava feito. Neste filme (O último Samurai) também aborda o tema da “mente vazia”, quando o autor (Tom Cruise) precisa esvaziar sua mente para poder a dominar a “Kataná” (espada japonesa). Só conseguiu lutar quando a mente se livrou de todas as preocupações e ficou livre para se concentrar. No decorrer do filme mostra que o homem deve fazer o seu melhor a cada momento de sua vida, e com esta atitude o destino lhe revela seu potencial. Todo nosso trabalho deveria ser feito com a plenitude de nosso potencial, daí sim, seríamos bons em nossos ofícios e o destino iria se formando. Mas, quantos sofrem por antecipação, ou seja, antes do problema acontecer já estão sofrendo, quando o problema realmente surge, suas mentes estão sobrecarregadas que impedem de ver uma solução. Sua mente cria seu destino pelo que você pensa. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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28 de abril de 2016
Acontece com as pessoas de mente limitada o mesmo que ocorre com as garrafas de gargalo estreito. Quanto menos contém mais ruídos fazem” (Alexandre Pope, poeta inglês, 1688-1744).
Antes de falar, pelo menos tenha certeza do que vai dizer faz algum sentido. Devemos pensar a nossa mente como um complexo computador que vai aprimorando as resoluções à medida que o usuário vai se habituando aos comandos; diferente de um recipiente no qual depositamos conteúdos. De nada adianta a pessoa ficar contemplando os livros de uma biblioteca se nem faz ideia de qual deles deve começar a ler. É no exercício da leitura que vamos estimulando nossa mente a interagir com nossa imaginação, para o conteúdo fazer sentido. Vejo alunos diante de matérias que exigem um envolvimento maior da mente; como matemática, física, química e etc; tentando apenas decorar conteúdos, mas sem se exercitar nos problemas. É no exercício que tudo começa a fazer sentido. A experiência faz grandes mestres. Para compensar, estes que pouco se exercitaram na arte de pensar, são os mais afoitos em falar sobre o que desconhecem, chegam até a afirmar que “Tiradentes foi crucificado”, por exemplo. E são muitos que se encantam com um tipo de discurso sem conteúdo, mas, cheio de chavões jocosos.  Vemos exemplos assim em vários campos; nas torcidas, na política, nas religiões, etc. As pessoas de mente limitada foram as que fizeram a opção de procurar tudo o que era mais fácil, e as mentes brilhantes foram as que buscaram a perfeição, corrigindo cada erro, transformado em aprendizado, sem desistir diante da dificuldade. Depende só de nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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27 de abril de 2016
A decomposição de todo o governo começa pela decadência aos princípios sobre os quais foi fundado” (Charles Louis de Secondat, “Barão de Montesquieu”, político, filósofo e escritor francês, 1689-1755).
Os princípios são como bússola a nos indicar a direção correta. A palavra “princípio” (do latim, principium) traz consigo a ideia do primeiro impulso dado a alguma coisa, ou aquilo que regula o comportamento ou a ação, são os antecedentes, enfim é a base de algo. Em toda edificação bem feita, há uma grande preocupação com a base (alicerce) que dará sustentação, pois é ela que será “ancoradouro” ao resto da obra. Na formação de um partido político, os princípios devem ser bem discutidos, pois são eles que nortearão a conduta de seus membros. Pelo menos deveria ser assim. Desta forma, fica meio sem sentido uma pessoa mudar de partido, pois é como ele traísse seus próprios princípios. Os eleitores geralmente gostam dos princípios de determinado partido e depositam nele sua confiança pelo voto. Mas, quando um governo abandona seus alicerces ou princípios, deixa de ter o apoio popular que os elegeu, pois perdeu a identidade. Quando há muitos partidos e os princípios se confundem ou nem existem, tudo isso se assemelha a um jogo de “blefe”, onde o “se dar bem” está em primeiro lugar e os princípios são deixados de lado. Com isso o povo padece, pois é dele que vêm os recursos que todos almejam. De maneira semelhante todos nós temos princípios adquiridos desde a nossa infância, com nosso convívio familiar. Eles são fundamentados pela experiência de nossos pais e antecedentes, e nos são transmitidos para nos auxiliar na tomada de decisões em nossa vida. Quem os segue têm pelo menos uma direção, quem os renuncia anda a esmo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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26 de abril de 2016
Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada de uma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento na sua capacidade de amar” (Papa Francisco, no documento “Amoris Laetitia” (Alegria do Amor), comentado pelo Padre Ângelo Carlesso Primo, no Jornal Uberaba News, Ano XX – Abril de 2016).
A paz no coração nos enche de alegria. Os primeiros passos de alunos em uma escola são indecisos e tudo é novidade. À medida que o aluno vai se exercitando, vai também ganhando confiança e começa a ter desenvoltura naquilo que está aprendendo. O professor conduz com sua capacidade de ensinar, estimulando a aprendizagem. Depende de o aluno vivenciar esta oportunidade. De certa forma a construção do amor na família, se assemelha a uma escola. O encanto do amor do casal vai ganhando forma, quando “cada um, cuidadosamente desenha e escreve na vida do outro” (AL 322). “Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e de nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante”. O amor de Deus vai moldando com o cinzel da alegria. “Não percamos a esperança, por causa de nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida”. A tônica de todo o documento é a alegria. São Francisco de Assis dizia que; “os demônios não podem fazer mal algum aos servos de Cristo, quando os veem cheios de santa alegria” (Vita Secunda, cap 88). A santa alegria é a chave que vai transformando a nossa vida em algo encantador, e quando vivido em família, é um fermento capaz de transformar toda a sociedade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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25 de abril de 2016
O sorriso é o sol que esquenta o inverno do rosto humano” (Victor Hugo, novelista francês, 1802-1885).
Só depende de nós esquentarmos o frio da vida humana. O inverno é a estação mais fria do ano. Nela toda a natureza se retrai pelo frio. Os seres humanos se recolhem, buscando o calor. Se for necessário sair, procuram se agasalhar ao máximo para suportar as intempéries do clima. Ficam quase irreconhecíveis. Quando o sol aparece, há esperança de temperaturas mais amenas, e as pessoas se alegram com isso. Quando as pessoas se fecham em seu mundo, sem se expor, se assemelham a aquelas que se agasalham com medo do frio e assim ficam irreconhecíveis, sem brilho. Mas, quando elas irradiam a todos sua alegria por meio de um sorriso, elas se assemelham ao sol que a todos esquenta e renova as esperanças. O sorriso abre portas, abre também os corações mais fechados, pois é um dom acessível a todos de boa fé. Seja este sol que a todos alegra por seu maravilhoso sorriso. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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20 de abril de 2016
Se nós todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la” (Joaquim José da Silva Xavier, “Tiradentes”, dentista e ativista, 1746-1792)
“A união faz a força” (dito popular). União implica adesão de corpo e alma de todos, senão, no momento crucial você poderá ficar sozinho. O sonho de Tiradentes poderia ser concretizado se tivesse o apoio de todos. A ideia era que os líderes da Inconfidência Mineira sairiam pelas ruas da cidade de Vila Rica dando gritos de “Viva a República”, e com a adesão popular, o Império cairia. A insatisfação popular era motivada pelas altas taxas na cobrança de impostos (derrama), e como o povo estava sem recursos, sua dívida crescia. No jogo de bastidores, houve traidores, o plano falhou, e culminou com a morte de Tiradentes. Seu sonho continua vivo no coração dos que amam esta nação. Um dito popular nos ensina que para se conhecer os verdadeiros amigos, aqueles que podemos contar nos bons e maus momentos, “temos que comer um saco de sal juntos”. Sal é que dá tempero ao alimento, mas se usa pouco de cada vez. Leva tempo para comer um saco. Tem que ter paciência. Tem que sentar-se à mesa juntos. Faz a gente conhecer e ser conhecido. Por isso o amigo é tão importante na vida da gente, pois ele nos conhece mais que nós mesmos, e mesmo assim gosta da gente. Se os “inconfidentes” fossem amigos de verdade, a “coisa” tinha dado certo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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19 de abril de 2016
A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue” (Mao Tse-Tung, líder político chinês, 1893-1976).
Quando grandes interesses estão em jogo, o respeito fica de fora. Quem assistiu à votação do impeachment no domingo (17 abril 2016) deu razão que de fato era uma guerra sem derramamento de sangue. Dois grupos se digladiando no ring do poder, com acusações mútuas ou defesas disfarçadas de humildade política. Embora se dissesse com tanto fervor que o voto era pela “Constituição”, pelo “Brasil”, pelo “futuro de nossas crianças e jovens”, por um “país melhor” etc, no bolso e na manga de cada um parecia estar escondida a carta da verdade que ninguém queria lançar na mesa para não se comprometer. A quantidade de dinheiro e poder que “rolam” nos bastidores da Política Brasileira são tantos que nenhum quer perder sua fatia, e vira uma luta de vale tudo. O desrespeito político se escondeu atrás das palavras iniciais de “Sua Excelência” e de “Meus caros”. Ao fundo, a mediocridade daqueles que sabem muito bem querer manipular a opinião popular através da imagem com dizeres a favor ou contra o impeachment. Dessa guerra sem sangue fica a dúvida do “mineirinho desconfiado” se todo esse esforço de impeachment dará os frutos de que precisamos para a mudança do país, pois com todos os personagens de dentro e fora daquele circo e falso campo de guerra do domingo passado, será que exista alguém que possa nos representar nesse exato momento de nosso cenário político? Ou mesmo, será que terá condições de agir em um “jogo de cartas marcadas”? O impeachment pode e deve ser, sim, um bom começo para as boas mudanças de que sonhamos tanto, mas pode, também, ser o início de uma queda de braços em que o povo apenas assistirá tudo de novo, sendo obrigado mais uma vez a, simplesmente, torcer pelo mais forte ou pelo que usa de mais astúcia para abocanhar o poder. Ou seja, um “Big Brother” político em que apenas assistimos a vergonha nacional em forma de "Política de eliminação", e que depois de tudo feito, nos jogam a “batata quente” na mão somente para votarmos sim ou não. Que essa primeira fase do impeachment de domingo passado nos tenha aberto os olhos, os ouvidos e a consciência, para deixarmos de sermos meros assistentes de espetáculos de guerra sem derramamento de sangue no ring da Política Brasileira atual, para sermos mais protagonistas e mais participantes dos rumos de nossa nação. Caso contrário, a guerra sem derramamento de sangue se converte facilmente em guerra com derramamento de sangue com e em nome da Política. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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18 de abril de 2016
O fato de que muitos políticos de sucesso sejam mentirosos não é exclusivamente um reflexo da classe política, é também um reflexo do eleitorado. Quando pessoas querem o impossível, somente mentirosos podem satisfazê-las” (Thomas Sowell, filósofo e economista americano, 1930-).
A honestidade é demonstrada nas pequenas ações de nosso dia a dia. Quem acompanhou a votação do Impeachment do dia 17, pode notar pela fala política que, aparentemente todos são honestos e desejam um futuro melhor para sua família (em primeiro lugar) e para seu país. No entanto, neste mesmo mês (dia 6), o Tribunal de Contas da União, suspendeu o programa de reforma agrária porque ele beneficiou 1.017 políticos, 61.000 empresários e 213 estrangeiros. Em tese demonstra que, muitos “destes envolvidos” estavam lá votando em nome da família. Ainda há muito de “podre” a ser revelado. É vergonhoso que estes desonestos possam se esconder debaixo do “foro privilegiado”, garantindo sua impunidade pelo voto dos “amigos”. A coisa é muito complexa e estamos longe de saber a verdade. Mas, aos poucos, pela valentia destes jovens do setor judiciário e afins, “o que estava oculto” vai sendo revelado. Quando votamos errado, assumimos uma parcela de culpa das “trapaças” de nosso eleito. Lembremo-nos das palavras de Jesus (Lucas 16, 10): “Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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15 de abril de 2016
O tempo dissolve o desnecessário e preserva o essencial” (https://br.pinterest.com/pin/331577591289557776/)
As coisas se ajeitam à medida que caminhamos. O tempo, tal qual o experimentamos no ritmo cadenciado do relógio, tem um poder incrível de curar, transformar e ajustar as coisas. Mais ainda, de dissolver o desnecessário. O desnecessário aqui é tudo o que ao longo do caminho foi sucumbindo à prova e à resistência do tempo. Há casamentos que o tempo dissolveu aos poucos pelo peso da rotina e da indiferença conjugal. Há amizades que o passar dos dias, ou dos anos, enfraqueceu até tudo esfarelar. Há valores que o tempo congelou ou petrificou até desvalorizar sua preciosidade. O que falar, então, de determinados sonhos, projetos, empreendimentos e conquistas que fizemos, mas que hoje resta apenas o pó? E aquelas relações familiares e de trabalho que no início prometiam tanto e eram cheias de situações prazerosas, mas que, no momento atual, estão jogadas às traças? O que dizer de certos sentimentos nobres que um dia com tanta sinceridade e com tanto entusiasmo cultivamos no trato com as pessoas próximas e distantes, e que hoje estão praticamente enterrados dentro de nós? Por que razão nós experimentamos no momento presente tanto cansaço e apatia em relação à vida que vivemos e a tudo o que nos cerca, se tempos atrás tudo era tão encantado, cheio de vida e vigor? Se neste exato momento todas essas coisas e tantas outras estão dentro e fora de nós como terreno baldio, carregado de lixo e mato, é sinal de que o tempo se encarregou de sepultar tudo o que era fraco e sem solidez em nós. O tempo apenas fez o trabalho de nos alertar e nos mostrar, com bastante honestidade, a mais fantástica realidade da vida, a de que se algo que tanto buscávamos como razão da vida e do viver se dissolveu rapidamente, é porque aquilo não era resistente o suficiente para se manter de pé e nos levar até o fim. Mas, se desmoronou é porque ainda estava fraco e carente de mais solidez e raiz profunda. Ao mesmo tempo, se algo ficou de tudo o que caiu (ou ficou para trás) é sinal de que aquilo é essencial e vale a pena preservar, pois sinaliza  o tesouro mais precioso, a grandeza e a profundidade mais radical de todos os nossos esforços e lutas. Significa, também, que tudo o que não ficou de pé nos embates da vida, é porque faltou o essencial. E esse essencial agora é que bate à porta de nossa existência pedindo pra valer para ser novamente lembrado, acolhido e experimentado com todo o nosso coração, com todas as nossas forças e com todo o nosso ser. O que foi dissolvido em nossa vida acena para a fragilidade de nossos investimentos existenciais, mas, também, para a oportunidade de um recomeço e de uma nova chance de aprender com os fracassos, derrotas e insucessos, para começar a reconstruir tudo com bases mais fortes e resistentes. Há pessoas que entendem isso e fazem do caos em que se encontra sua vida no momento, a oportunidade de uma guinada radical e de uma ressurreição de vida. Esses são os que renascem dos cacos e dos pedaços estilhaçados de sua existência. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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14 de abril de 2016
Seja a mudança que você deseja ver no mundo” (Mohandas Karamchand Gandhi, advogado e líder político hindu, 1869-1948).
O primeiro passo da mudança está em nossa forma de pensar. Assistimos nos tempos atuais uma série de situações que fervilham mudanças. Mudanças no clima, no tempo, nas ciências e tecnologias, nos comportamentos, na estrutura familiar, na economia mundial, na política e no modo de governar os países, na moral e costumes, na cultura dos povos, nas concepções religiosas e ateístas etc. No Brasil, por exemplo, estamos diante de um cenário que implora mudanças, e, tudo indica que estamos caminhando para isso. Isso demonstra que o homem sente a necessidade de mudanças, porque ele mesmo está continuamente em processo de evolução, de desenvolvimento e crescimento. Mudar é mais do que deslocar de um lado para o outro. Tem o sentido de transformar. Transformar é partir do que já é e do que se tem e aperfeiçoar, aprofundar, melhorar e dar novo sentido. Isso se faz num exercício contínuo de cada vez de novo e de modo novo, ou seja, com uma nova vontade, nova disposição, novo empenho, novo engajamento e por aí vai. Sem isso a mudança é só projeto de papel. O desejo de mudança já deve ser mudança no desejo para que o desejo não seja só abstração da vontade. Porém, há que se partir sempre da mudança de si para alcançar mudanças no mundo. Quem vive desejando a mudança do mundo, da sociedade, da política, da religião, do governo, da economia, ou do que quer que seja, sem antes ter realizado o que deseja em si mesmo, torna-se um voluntarioso que a ferro e fogo quer que o outro, os outros, ou o mundo ao seu redor mude. Quando isso é feito a mudança externa pode até acontecer, mas não estaremos preparados para ela e, dificilmente, saberemos nos envolver e participar do que foi mudado ou está em processo de mudança. É como aqueles que ficam sempre na defensiva e na crítica destrutiva, indiferentes e amuados perante o processo de crescimento das coisas, do mundo e da vida. Ser a mudança que desejamos no mundo é mudar o nosso próprio modo de ser para ficar aberto aos desafios que a vida e o mundo nos colocam para sermos participantes dele e não meros expectadores. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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13 de abril de 2016
A boa consciência admite testemunhas; a má se agita e se conturba ainda que na solidão” (Lúcio Aneu Sêneca, advogado, escritor e pensador Romano, 4 a.C. – 65).
Quem vive para fazer o bem, dorme tranquilo. Consciência é a capacidade de comparar os próprios atos com os padrões morais. Ter uma boa consciência é condição indispensável para dormir bem e acordar bem. A noite é balança da consciência. Pesa para cá e para lá, pendendo sempre para a parte mais pesada. Pesada é a consciência que ponderou as atitudes boas e ruins do dia na relação com tudo o que há. Onde o peso foi mais forte, ali está; ou a paz ou a inquietude da pessoa. A boa consciência, porém, tem peso leve e nada sobrepõe à sua leveza. A má consciência é pesada, e só com muita humildade e abertura consegue equilíbrio e elevação para conquistar a leveza de ser. A boa consciência nunca teme testemunhas, pois se apoia na verdade partilhada e reconhecida. Aliás, conta com as testemunhas para não ficar só diante da verdade. A má consciência odeia as testemunhas e a solidão, pois a primeira representa uma ameaça à sua inclinação para o mal, e a segunda um incômodo ao seu silêncio frente à verdade. A boa consciência é a ciência boa das coisas. Ciência aqui é mais do que obter e cultivar informações sobre o que quer que seja. Trata-se de um modo de ser que se deixa conduzir pela verdade e pela bondade em tudo o que se dá. Esse modo de ser é bom, porque busca aquilo que é o excelente, o ponto máximo das coisas; à semelhança de um cozinheiro que vai dosando a comida até que a comida dá o seu ponto no sabor. A boa consciência vive desse empenho diariamente em todos os encontros e desencontros; em todas as relações e ações. Por essa razão é que ela pousa e repousa na paz e nada a perturba. O travesseiro para uma boa consciência é promessa de uma noite restauradora. A solidão é a sua maior amiga, e a presença de testemunhas a sua maior garantia de permanecer junto á verdade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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12 de abril de 2016
Todas as crianças nascem artistas. O problema é como seguir sendo artista ao crescer” (Pablo Ruiz Picasso, dramaturgo, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e pintor espanhol, 1881-1973).
A mente da criança está aberta ao inesperado. Os “adultos” quando olham as crianças “aprontando”, costumam dizer que elas estão “fazendo arte”. Fazer arte neste caso pode se entendido pelos adultos como fazer coisa errada ou fora dos padrões de “normalidade” do mundo de gente grande. Antes, ainda, de ser entendida dentro do mundo dos artistas; pintores, por exemplo, a arte infantil tem a ver com a capacidade de criar, de romper com os padrões normais das coisas. É uma espécie de inventividade muito grande que a criança apenas se deixa conduzir por ela, sem se apossar, sem controlar, sem padronizar. A criança, nesse sentido, se torna um instrumento muito livre da ação da criação. Os adultos como estão acostumados com as coisas “bonitinhas”, “organizadinhas”, “retinhas”, “perfeitinhas”, “arrumadinhas”, estranham muito esse jeito de ser criativo das crianças e procuram dizer que tem que ser assim e assado, senão não está correto e bom. Ao fazer isso impedem, tantas vezes, as crianças de seguirem sendo criativas e, aos poucos, as colocam na mesma forma que deforma a criatividade infantil. Ao se tornarem adultos essas crianças ficam resistentes, bitoladas, medrosas e incapazes de lidarem com o novo, com a surpresa e com o inesperado da vida, pois, tudo precisa estar sempre em “ordem” e na medida em que se tem e se acha. Tudo o que soa diferente dos padrões adquiridos é negado ou reprimido. Se isso foi muito forte na infância, eis agora na vida adulta o terreno perfeito para o cultivo e desenvolvimento da ansiedade e da síndrome de pânico. Na vida adulta é importante rever a própria criança interior e dar a ela espaços de desenvolvimento e liberdade, sem tornar-se infantil e “infantilizado”. Com razão incentivava Jesus dizendo aos discípulos: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Lc 18, 16). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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11 de abril de 2016
Irmão lobo, você prejudica a muitos nestas paragens e faz grande mal. Todas estas pessoas o acusam e amaldiçoam. Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre você e essas pessoas” (São Francisco de Assis, místico italiano, 1182-1226).
Onde há amor o ódio foge. Gubbio é uma cidade da região da Úmbria, centro da Itália. Lá aconteceu um fato que marcou a vida de São Francisco. Estava ele passando quando encontrou um grupo de moradores que estavam saindo armados para caçar um lobo que atormentava a região. Com dó do animal, ele pede que o deixem falar com o animal para buscar a paz. Concordaram. A força do amor era tão grande que o animal o ouviu, e com um aceno de cauda, aceitou a paz. Então São Francisco disse: “Irmão lobo, desde que é de teu agrado fazer e conservar esta paz; prometo te dar continuamente o alimento enquanto viveres, pelos homens desta terra, para que não sofras fome; porque sei bem que pela fome é que fizeste tanto mal. Mas, por te conceder esta grande graça; quero; irmão lobo, que me prometas não lesar mais a nenhum homem, nem a nenhum animal: prometes-me isto?” Novamente o aceno de cauda evidenciou o sim. Viveram em paz e até hoje existe uma igrejinha em Gubbio e ao lado uma lápide com uma estátua, marcando onde o lobo foi enterrado depois de velho. Muitos interpretam este fato como evidência da força do amor. Até os inimigos mais ferozes se curvam diante da força do amor. Se cultivarmos o amor em nossa vida, faremos parte da harmonia que existe no Universo, onde o amor mantém tudo em paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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8 de abril de 2016
Não tenha medo de crescer lentamente. Tenha medo apenas de ficar parado.” (Provérbio chinês).
Nascemos para crescer, desenvolver, evoluir. Crescer é movimento de potencializar o que já somos e o que recebemos. Recebemos praticamente tudo. Recebemos, antes de tudo, a vida com todas as suas variantes de coisas agradáveis e desagradáveis, de bom e de ruim. O que recebemos de bom, fazer frutificar, aumentar. O que for ruim, transformar, melhorar e aprimorar. Às vezes, por um bom tempo, recebemos somente o que nos desagrada e desencanta. Quando isso acontece achamos que deixamos de evoluir e nos colocamos na redoma do medo. Porém, é justo aí que se encontram nossas maiores chances de prosseguir crescendo e aprofundando o sentido da vida, pois não há crescimento onde não existem desafios, obstáculos e oposições ao nosso modo de pensar, sentir e agir no real da realidade. E se há que ter medo que seja o da paralisia, pois paralisia é anestésico da alma livre e aventureira. Ter medo apenas de parar no processo de crescimento que impede a maturidade do espírito. Por outro lado, há que se parar quando for necessário. Parar para fazer pausas estratégicas que ajudem a  pensar, a rever, a analisar, a ponderar, a reconsiderar, a meditar e a retomar o melhor caminho e a melhor decisão no itinerário do crescimento. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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7 de abril de 2016
O homem é lobo do próprio homem” (Tito Macio Plauto, dramaturgo romano, 230-180 a,C.).
Sem “equilíbrio”, tudo tende ao desastre. A frase de Plauto tem muitos sentidos e interpretações. Uma delas é aquela de que na História humana o homem, geralmente, comportou-se como um lobo. Lobo enquanto aquele que luta contra a própria espécie, agindo como seu predador, ora subjugando-a ora dizimando-a. A realidade das guerras e domínios dos povos na esfera econômica, política, religiosa e cultural, revela um traço macabro disso há milênios. Outro jeito de ver essa frase é entendendo o homem como um ser sociável e grupal, pois lobos vivem e andam em matilhas. Em matilha vivem e buscam sua sobrevivência e proteção. A Sociedade em muitos aspectos sempre foi essa busca do homem associar-se para viver em segurança e em paz, traçando aqui e ali determinada a pactos e alianças que garantissem esse estado de vida. Mas, essa frase também pode ser compreendida como o homem sendo lobo de si mesmo, ora rivalizando-se com sua própria natureza, com seus impulsos e instintos, no sentido de travar lutas internas homéricas que afetam negativamente seu psiquismo; ora mantendo um cuidado vigilante com suas potencialidades e forças interiores para conseguir viver e conviver em grupo e em sociedade. Qualquer grupo ou sociedade humana só ganha em espírito comunitário, solidariedade, paz e fraternidade, quando cada homem, à semelhança de um lobo, guarda, cuida, protege e vigia sobre esta interioridade. Nesse sentido, o homem deve procurar ser lobo de si, domando sua fera interior e tornando-a domesticável, amiga e dócil. Talvez esteja aí um ensinamento da antiga lenda dos Índios Cherokees que diziam ter no homem dois lobos, um bom e outro ruim. Sobrevive dentro dele aquele que o homem alimentar mais. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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6 de Abril de 2016
Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela. Mas há, também, aquelas que fazem de uma simples mancha amarela, o próprio Sol” (Pablo Ruiz Picasso, pintor espanhol, 1881-1973).

Toda força capaz de transformar o nosso mundo está dentro de cada um de nós. Ela está em nossa paixão, ou seja, no que realmente valorizamos a ponto de se tornar única em nossa vida. Talvez por isso que o filósofo alemão Hegel diz: “Nada de grande se realiza no mundo sem paixão”. Sim, esta “mancha amarela” será o “nosso sol” se jamais houver espaço para dúvida, se a nossa alegria for capaz de vencer os obstáculos e “agora” todo nosso ser se realiza nisso. Isso é o princípio da paixão. Isso é o princípio da fé. Seremos capazes se acreditarmos nisso sem duvidar um só instante. Depende só de nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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5 de abril de 2016
As diferenças de opinião nunca devem suscitar inimizade nem ressentimento” (Carlos Bernardo González Pecotche, “Raumsol”, escritor, educador, conferencista e pensador argentino, 1904-1963).
Quando a busca de poder está acima do bem comum, gera um desconforto social e uma descrença nas instituições. O Brasil é um país de diferentes modos de entender, de sentir, de pensar e de viver a realidade. Os diferentes e as diferenças coexistem há séculos na Pátria Guarani, sem muitos desarranjos de inimizades e ressentimentos entre seus filhos. Mas, existem muitas maneiras de pensar, e para alguns uma convivência pacífica incomoda, pois precisam criar “lutas de classes” para aparecerem com sua solução e com isso ganharem poder. Assim, de uns tempos para cá, surgiram defensores de minorias que até então nem sabiam que eram discriminadas. Um pai que corrigia seu filho com umas palmadas, agora é um agressor, expressões que eram comuns no colóquio informal, agora têm uma conotação discriminatória, que pode ser um crime inafiançável, e por aí vai. O palco passou a ser o cenário político. Estas diferenças agora estão dentro de casa, até nas brigas familiares. Muitos nem se falam mais. O debate político deveria ser um laboratório das experiências do diálogo, do respeito, da tolerância à pessoa e às suas ideias; aos partidos e à sua forma de pensar o bem comum; às instituições e ao seu jeito de se organizar. Mesmo quando se trata de investigar corruptos e corrupção na política, e de fazer justiça na apuração dos crimes encontrados, a política ainda deveria ser o lugar onde se defende acima de tudo o direito à vida, à dignidade das pessoas, ao senso da justiça, à lucidez da verdade, à liberdade de expressão e, sobretudo, à garantia da paz. Mas, para isso, todos os envolvidos devem cumprir seus deveres acima de tudo; o investigador deve investigar, o juiz julgar, o político se inteirar do conteúdo da matéria antes de votar, e assim por diante. Se todos cumprissem seus deveres sem desvios o Brasil seria o melhor país do mundo. Se cada um só pensar em si, nada disso será possível. A paz só virá quando os ânimos forem desarmados e em seu lugar assumir o respeito. Quando a água está barrenta, devemos buscar na fonte água limpa; assim, o que é sujo desaparece. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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4 de abril de 2016 Nós não temos a chance de fazer muitas coisas, e cada uma deve ser realmente excelente. Porque esta é a nossa vida. A vida é breve, e então você morre, sabe? E todos nós escolhemos o que fazer com as nossas vidas. Então é melhor que seja muito bom. É melhor valer à pena”. (Steven Paul Jobs, inventor e empresário americano, 1955-2011). Ficar esperando que outros façam para depois só colher os frutos, pode acontecer que ninguém faça e todos percam tudo. Na parábola de Esopo, “a galinha dos ovos de ouro”, o autor mostra que a ganância do ser humano é sem medida, sempre quer mais, sem respeitar os limites de cada coisa. Nesta parábola, sua galinha punha ovos diferentes, pois eram de “ouro”, o que dava um ganho fantástico. Na gana de querer sempre mais, ia ao extremo da capacidade de galinha. Até o dia que resolveu matar a galinha para descobrir seu segredo, ou seja, o que a fazia gerar ovos de ouro. Ficou sem a galinha e sem os ovos de ouro. Esta parábola lembra muito o que está acontecendo na economia brasileira. Com tantos ovos de ouro, todo mundo quis uma parte. Mas, esqueceram de alimentar a galinha. Até que se deram conta que ela está morrendo de inanição e não há mais de onde repor tantos “ovos de ouro”, para manter tantos privilégios. Agora é tarde, acabou a ração da galinha. Na tentativa de se manter, começam a cortar tudo, desde gastos até empregados. Indiferente a isso, aumentam preços e impostos gerando a falência de quem ainda está de pé. Os que nunca trabalharam, querem garantir seus direitos conquistados. E são muitos em todos os níveis sociais. Cada dia, o número de desempregados aumenta em uma progressão geométrica. Seremos presas fáceis deste tsunami se ficarmos de braços cruzados. O tempo é curto e a vida é breve. Teremos que “nadar” para sobreviver. Quando todos os que estão dispostos se ajudam, aumenta a chance de vencer. Não há espaço para tentativas, as decisões devem ser certeiras e urgentes, para salvar o pouco que resta e dar esperança às gerações futuras. O Brasil precisa de você agora. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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1 de abril de 2016
Não esqueçamos que as pequenas emoções são os capitães de nossas vidas e as obedecemos sem sequer nos darmos conta” (Vincent Van Gogh, artista holandês, 1853-1890).
As emoções nos moldam. Por definição, emoção é o conjunto de reações que ocorrem no corpo e no cérebro a partir de um conteúdo mental. Portanto emoção é tudo o que muda em nós a partir daquilo que “atinge em cheio” o âmago de nosso ser. É como se algo em nós se deslocasse ou tomasse outra direção, outra forma,  outro tom ou sabor, no momento em que somos afetados no nosso modo de pensar, sentir, perceber e viver a vida. Muitas dessas emoções acontecem no silêncio de nossa interioridade, de forma imperceptível, sem nos darmos conta até. Porém, por pequena que seja, toda e qualquer emoção é poderosa para transformar totalmente o que somos. Elas se tornam motores, motivos de nossa conduta, de nosso comportamento onde quer que estejamos e façamos o que quer que façamos. Por sua vez, as pequenas emoções estão na origem de grandes mudanças que acontecem conosco. Por serem imperceptíveis e não lhe darmos tanto crédito, elas se acumulam e se agigantam diariamente em forma de gota a gota ou, tijolo a tijolo. No final temos um oceano de emoções boas ou ruins, e um edifício de humores saudáveis ou não. Por isso, é importante cuidar de toda e qualquer emoção que nos toma diariamente. Elas são o núcleo e a raiz de nossas ações e reações. Por pequenas que sejam devemos dar-lhe atenção e administrá-las bem. Uma vez que as pequenas emoções são “capitães” (do latim “capita” = cabeça, no sentido de raiz e origem) de nossas vidas, devemos administrá-las da melhor forma possível. Administrar aqui não tem o sentido de sermos donos e controladores delas, mas servos, receptores e instrumentos de sua manifestação. Fazendo de tudo o que está ao nosso alcance para que elas nos encontrem preparados e maduros para governarem, ou melhor, conduzirem o barco de nossa existência em direção a uma personalidade mais sadia, mais equilibrada, mais rica, mais profunda, mais jovial, mais vigorosa e mais realizada. Nessa perspectiva, nenhuma emoção deve ser ignorada, rejeitada, reprimida ou superada, mas, trabalhada, transformada, de tal forma que ela nos toque, nos atinja e nos mude sempre para melhor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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31 de março de 2016
Às vezes no escuro, no complicado, se toca a verdade” (Carmen Martin Gaite, escritora espanhola, 1925-2000).

Na falta de luz, outras sensações nos permitem ver. Há momentos na vida em que nos encontramos no escuro e no complicado. O escuro representa nossos impasses e impossibilidades em determinadas situações. Aquilo que não enxergamos em circunstâncias desafiantes de nosso cotidiano. Quando tudo está sombrio costumamos perder a visão e o tato com a realidade. Em termos de emoções, o escuro representa aqueles dias ou períodos em que nosso humor e nossa autoestima lá embaixo: tristeza, depressão, complexo de inferioridade, desânimo etc. Internamente aparecem como nossas sombras, ou melhor, como aquilo que temos e percebemos de negativo e escondemos dos outros e até de nós mesmos. Nesse escuro existencial ficamos à mercê da insegurança e da paralisia psíquica e física. Ficamos cegos e rodopiando em busca de uma saída. O complicado, por sua vez, é o que por diversas razões não entendemos e não conseguimos dar a entender aos demais. Ou seja, é o que falta clareza e fica difícil de ser assimilado e repassado. Na complicação perdemos o senso e a direção das coisas e enveredamos pelo caminho da “enrolação”. No entanto, escuro e complicação nunca deveriam ser vistos como algo de ruim em nossa vida, ainda que soframos com sua presença e manifestação. Pois, é no escuro e na complicação, na perda do sentido das coisas, que temos a chance de encontrar algo inaudito e um sentido novo que surpreende nossas expectativas e nossa percepção. Mais, ainda, essas realidades nos desafiam a recolocar a vida e nossas compreensões inadequadas das coisas na sua forma mais justa e adequada. Nesse sentido, todas aquelas coisas que produzem em nós a chegada de realidades que baixam nossa autoestima, e que geram um apagão no nosso entendimento de tudo o que há, podem ser a oportunidade de uma nova visão de nós mesmos e da vida numa amplitude maior. A escuridão e a complicação em forma do que quer que seja; podem estar nos chamando para abrir a mente e o coração para tudo aquilo que até então ignorávamos e não enxergávamos por causa de nosso orgulho, egoísmo, inflexibilidade, dureza de coração e estreiteza de compreensão. Porém, se formos mais insistentes e persistentes no caminhar por entre a escuridão, a complicação e as nuvens da existência, sem evitá-las ou aceitá-la como um mal necessário, encontraremos nelas as luzes e respostas mais reais que nos conduzem à verdade de tudo aquilo que precisamos e buscamos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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30 de março de 2016
A misericórdia para a qual somos chamados abraça toda a criação que Deus nos confiou para sermos guardiães e não exploradores, ou pior ainda, destruidores” (Jorge Mario Bergoglio, “Papa Francisco”, mestrado em química, filósofo e teólogo argentino, 17-12-1936).
Quem tem a oportunidade de contemplar a natureza em sua plenitude, do micro ao macro cosmo, vê que tudo é perfeito. Qualquer ação humana que põem em risco esta harmonia condena o futuro da humanidade. Os pescadores reclamam da escassez de pescados, no entanto, estudo realizado pelo Institut de Rocherche (IRD) da França, indica a pesca excessiva como um dos fatores que contribuem para o desequilíbrio ambiental e como consequência a proliferação de águas-vivas, que fogem da poluição e sem predadores (peixes e tartarugas) estão causando a morte de oceanos. O excesso de lixo nas cidades, a falta de critério de ocupação, a destruição de mananciais, também estão provocando desequilíbrio semelhante, gerando a proliferação de doenças até então desconhecidas. Mesmo em casa, quando descuidamos com nossa alimentação saudável e do equilíbrio entre descanso e atividades, estamos destruindo a nós mesmos, fugindo de nossa responsabilidade de preservar a natureza. Toda vez que você deixa de ingerir algo porque poderá lhe fazer mal, ou você der água a uma planta, ou contribui para que os animais vivam em paz, você está sendo guardião da criação. Ela inclui nossos irmãos. Deus nos confiou esta responsabilidade desde a criação do mundo (ver Gênesis). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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29 de março de 2016
O fato de que milhões de pessoas compartilham os mesmos vícios não converte esses vícios em virtudes” (Erich Fromm, psicanalista, filósofo e sociólogo alemão, 1900-1980).
Ir com a maioria pode levar a um abismo. Vício é uma espécie de hábito que coloca em prejuízo físico e moral para quem recorre a ele. Ele tem a capacidade de atrair, de seduzir, de tentar e de escravizar quem faz uso dele. Essa capacidade de atração gera grupos afins que compartilham do mesmo interesse. Por vezes nos deparamos com vozes que defendem determinados vícios como se fossem virtudes. Quem tem uma postura contrária aos que compartilham dos mesmos vícios, é visto como retrógrado, ultrapassado, conservador etc. Em certos ambientes é possível detectar a pressão e a força de rejeição sobre aqueles que não compartilham daquilo que a maioria defende e sustenta como virtude, ainda que continue sendo vício. Quem está do lado oposto da moeda muitas vezes “surfa” (é levado) na onda da maioria por causa da pressão e do medo de ser ignorado e deixado para trás.  Ao mesmo tempo, sofre terrivelmente por ser pressionado a pensar que pelo fato de um grupo majoritário praticar e defender vícios como se fossem virtudes, em nome da liberdade de expressão, que isso seja um bem e uma verdade a ser acatada e respeitada a qualquer custo. Significa que quem não compartilha do que a grande maioria pensa, ainda que seja um vício, está fora. A verdade que devemos aprender com tais posturas é uma só: que o fato de muitos, diga-se de passagem, a maioria, compartilhar os mesmo vícios, isso jamais torna o vício em algo virtuoso. Aderir a um vício só por conta de que a maioria o pratica e defende é sinal de fraqueza, pois, não deveria mudar em nada a posição contrária de quem abomina, nem pratica ou alimenta. Serve apenas para cada um se examinar e se posicionar melhor frente a si mesmo, acreditando que é possível permanecer sendo diferente e livre, até mesmo lá onde a maioria tenta impor sua força de coerção por achar que ser maioria é dominar e estar com a razão e a verdade das coisas, convertendo o erro em verdade e o vício em virtude. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

 

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28 de março de 2016
Como gostaria de encontrar palavras para encorajar um estado evangelizador mais ardoroso, alegre, generoso, ousado, cheio de amor até o fim e feito de vida contagiante! Sei, porém, que nenhuma motivação será suficiente se não arder nos corações o fogo do Espírito” (Papa Francisco em EG 261).
“É dando que se recebe”. São Boaventura, em sua biografia do santo (LM 7, 9), escreve que São Francisco de Assis sempre procurou mostrar a seus confrades e irmãos que eles eram peregrinos neste mundo, e como os antigos hebreus rumo à terra prometida, estavam atravessando o deserto deste mundo sem nada (na pobreza), sem afeições que os impedissem de amar a Deus em primeiro lugar (na castidade), tendo como leme (direcionamento) o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo (em obediência), para celebrar a Páscoa definitiva com Deus no céu. Neste espírito ele escreveu esta oração: “Absorvei-me Senhor, eu vos suplico, e pela suave e ardente força de vosso amor, desafeiçoai-me de todas as coisas que debaixo do céu existem; a fim de que possa morrer por vosso amor, ó Deus, que por meu amor, vos dignastes morrer”.  O Papa Francisco diz: gostaria de manifestar ao mundo que a alegria da Páscoa é contagiante quando se tem amor no coração, mas para isso, nossos corações precisariam estar inflamados pelo ardor do Espírito de Deus. Jesus nos ensina que, se pedirmos com fé ao Pai, ele nos dará seu Espírito. Peçamos, então, para que possamos transformar este mundo com a alegria que vem de Deus. Quanto mais dividirmos esta alegria, mais ela retorna em forma de amor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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24 de março de 2016
Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem” (Livro dos Salmos 23, 4).
Na “tela” da vida só vê (e participa) quem está “ligado” ao infinito. Segue a Semana Santa Cristã, e com ela o Povo cristão em procissão. Aliás, procissão é o processo de ir em frente, custe o que custar, aconteça o que acontecer. O Povo de Deus marcha na Semana Santa rumo à meditação, contemplação e identificação com o Mistério da Paixão, morte e ressurreição de Cristo. Procura marchar e caminhar com Ele, ainda que por um vale de trevas e morte. Os que estão fora ou não entendem isso, acham tudo um teatro, uma hipocrisia religiosa. Quem está dentro, medita o Mistério maior de sua vida e de sua Fé, entre eles, o da morte. Morte de Deus na Cruz. Como pode que o Deus Cristão morra? Morre para matar a morte ou o significado cruel e desastroso que ela tinha para a humanidade, o de levar à ruína total do ser humano na sua separação de Deus. O homem separado de Deus caminha para o abismo das trevas e morte e está sujeito a sucumbir nele. O Homem na sua unidade com Deus caminha por entre o vale de trevas e morte, e sente aí a presença de Deus a protegê-lo. O cajado e a vara de Deus é a Cruz de seu Filho que resgata o ser humano da situação de morte. Ao fazer isso, devolve à morte o seu sentido no reino da vida. Ela é nossa companheira, embora a realidade mais repulsiva de nosso psiquismo. Porém, a morte depende do como olhamos e vivemos a vida. Se nossa visão dela for a de que tudo começa no marco zero de nosso nascimento e acaba no marco “X’ de nossa velhice (ou antes, depende!), então ela é o fim de tudo. E como “final da picada”, tudo entra no trágico vazio do nada. A morte, no entanto, para os que meditam o Mistério do Deus que se entrega na Cruz, é redenção, transfiguração. Ou seja, não acabamos na morte, mas somos transformados nela pelo modo como vivemos a vida e ingressamos, na sua passagem e transformação, ao mundo onde existe somente a vida, e vida eterna. Eis a razão pela qual na Sexta-feira da Paixão, se celebra o evento da morte de Cristo matando nossa morte pela sua passagem nela. Ao meditar e contemplar esse mistério nos alimentamos de uma esperança e confiança na vida plena, total e eterna. E prosseguimos na nossa procissão, na nossa marcha terrestre, renovados na Fé e na certeza de que ainda que andemos por entre o vale de sombra e de morte, na nossa peregrinação terrestre, não tememos, pois o Deus vitorioso sobre a morte está conosco. E nós o seguimos nessa sua compreensão e modo de ser. Meditar a morte aqui é um segredo de vida para viver bem nossa peregrinação terrestre, e não um mero ato ritualístico (sem querer negar sua importância nesse processo), uma hipocrisia religiosa, ou um ato de adoração à morte ou a um “Deus morto”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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23 de março de 2016
Mas, não coma da árvore do conheci­mento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certa­mente você morrerá” (Livro do Gênesis 2, 17).
Para que a seiva possa correr, tudo tem que estar ligado com a raiz. Comer da árvore do conhecimento do bem e do mal é aquela atitude humana de buscar o saber, o conhecimento da vida e de tudo quanto há, na sua separação de Deus. Todo conhecimento buscado fora da Sabedoria com que Deus criou todas as coisas, torna-se um anti-saber, um desconhecimento, um analfabetismo religioso, político, econômico, social, tecnológico etc. Esse tipo de saber, desconectado com a raiz e origem de todo e qualquer saber, é que produz a divisão das coisas em bem e mal, em trevas e luz, em certo e errado. A partir disso, o homem pode construir sua história, sua vida, sua civilização, sua cultura, seu destino e seu conhecimento, com base única e exclusivamente, nesse princípio dicotômico. A morte, no caso, é a experiência mais radical dessa divisão e dessa perda da originalidade, da essência e da vitalidade no trato com tudo o que há. É o processo de definhamento das forças da vida. A degeneração e corrupção do homem e de tudo o que ele toca e faz a partir de sua própria estreiteza de conhecimento da verdade. Tudo o que o homem realiza na ignorância da verdade, o conduz ao distanciamento de si mesmo e à ruptura com todas as coisas. Árvore, no caso, é a simbologia maior desse “desenraizamento” (perde as raízes) com sua verdade interior, original e originária. Todos os frutos que nascem dessa forma de pensar, de ser e viver; toda a seiva que corre e decorre de uma mentalidade e coração sem ligação com o húmus de seu Criador, degenera sua própria existência e o faz estabelecer, a partir de si, um código de princípios que, se não se encaixam nas suas medidas curtas de valores, ele as toma como mal, como erro e como algo que deve ser eliminado a qualquer custo, numa luta interminável entre bem e mal. Na Semana Santa Cristã, é apregoado que o Deus cristão morre na Cruz. A Cruz é a nova árvore do Paraíso onde, em Jesus, Deus rompe com essa dicotomia de bem e mal e reconcilia tudo na Paz de um Crucificado. No Crucificado, tudo se harmoniza e pacifica. A partir d’Ele, tudo se enraíza novamente na bondade de Deus. Dessa bondade divina nasce o novo homem reconciliado que não vive mais a partir de si e da dinâmica do bem e do mal, do certo e do errado, mas, unicamente, do bem, ou melhor, de Deus que é o Bem, o Supremo Bem. Por sua vez, a fonte, a raiz de todo Bem. A Semana Santa Cristã é convite para cada um tomar consciência de sua ligação (daí o re-ligare da religião) com essa árvore da Cruz, para renascer e “conascer”, daí a palavra conhecimento, com a seiva da Vida Divina que produz na humanidade os frutos que enchem a terra, a nossa casa comum, de bênçãos. Ou melhor, do Bem que tudo cria, transforma, edifica, sustenta, alimenta e mantém. É tempo de comer e nos saciar dos frutos dessa árvore bendita. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 de março de 2016
Enchei-vos do Espírito” (Carta aos Efésios 5,18)
Nossa semana só será santa se nos voltarmos para Deus. A Semana Santa dos Cristãos, de acordo com algumas tradições, abre suas portas na celebração do Domingo de Ramos. É chamada de Santa por ser o próprio Deus o autor. Por ser Santo, tudo o que Deus toca, atinge e opera, torna-se santo. No caso da Semana Santa, Deus a santificou por meio do caminho e do testemunho de doação de seu Filho Jesus. Em Jesus, Deus santificou tudo o que estava profanado e destruído pelo “Homem”, desde a perda da sua inocência, pureza e ex-comunhão do Paraíso do Éden. Santo na língua grega (onde o termo tem muito da significação bíblica) é hagios, significando “separado”, “sancionado”. Sancionar, no caso, é aprovar, no sentido de colocar à prova. Colocar a provar uma coisa ou uma realidade até o fim, até sua mais plena realização. Jesus é aquele que realizou e pôs em marcha, até às últimas consequências, o amor do Pai pela humanidade. Esse amor levado até à morte, e morte de Cruz, é que reconciliou o “Homem” com Deus e o reintroduziu na amizade e convívio filial que ele tinha com Deus, quando fora criado no Paraíso. Por sua vez, o Pai, vendo o testemunho de extrema doação do Filho, aprovou seu sacrifício e entrega. Com outras palavras, “sancionou” toda a obra do Filho consumada na Cruz. E com isso, em Jesus, o Homem foi tirado, ou melhor, separado para sempre de sua condição de escravo. O Pai, em Jesus, nos separou do reino do mal para vivermos nas bênçãos eternas de seu Reino de bondade e misericórdia. O Homem, agora reintroduzido nas graças do Reino celeste, tem apenas que procurar corresponder à santidade que recebeu por obra de Cristo. Ou seja, ser santo. Ser santo, nesse caso, é encher-se da santidade de Deus comunicada pelo Espírito de doação revelado em Jesus de Nazaré. Encher-se do Espírito é a tarefa principal de cada um que celebra a Semana Santa. Isso nada tem de eflúvios espirituais e de sentimentalismos para abastecer o ego pessoal e comunitário de “pieguismo” religioso. Tem a ver com o estar até o pescoço mergulhado e identificado com o Mistério de Amor do Pai manifestado por Cristo na Cruz; experimentando essa realidade suprema como caminho, verdade e vida aqui na nossa casa comum, em clima de reconciliação com toda Criatura humana e com toda humana Criatura. Sem esse espírito, nossa Semana Santa corre o risco de ser somente mais uma ritualização estéril; um feriado mais prolongado, e uma data que, logo após as celebrações, deixamos para trás sem nenhum efeito sobre nossa vida, nossa fé e nosso testemunho. Que o Espírito da Semana Santa nos santifique; conserve-nos separados de todo o mal, e nos faça cantar e viver, desde já, o coro e a comunhão dos reconciliados. E que essa reconciliação nos faça próximos de todo próximo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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21 de março de 2016
Ninguém ganha uma partida, jogando para a torcida” (Jorge Paulo Lemann, empresário brasileiro, citado no livro “Sonho Grande”, de Cristiane Correa).
Em vez de exibir suas habilidades para a plateia, concentre-se no jogo. Todo novo dia descortina infinitas possibilidades. Só o fato de acordar já é uma conquista. O primeiro fator a ser trabalhado é o tempo. Administrá-lo bem facilita seu dia. O segundo é dar o melhor de si, concentrando-se no que faz. Depende só de você. Muitas coisas aparecerão para te distrair, principalmente sua própria vaidade; mas, você tem uma meta, e ela deve ser cumprida. Se algo está te atrapalhando, melhor afastá-lo(a), do que perder seu tempo. Adiar muitas vezes é deixar de ser feito. Tudo depende, mas a concentração deve ser mantida sob pena de colocar tudo a perder. Cada “bola” lançada será devolvida. Cada novo “lançamento” aprimora-se as habilidades. No final do dia você poderá descansar na certeza que deu o melhor de si. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! 
Bom Dia! (20 anos)

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18 de março de 2016
Em política é preciso curar os males e nunca vingá-los” (Carlos Luís Napoleão Bonaparte, Napoleão 3º, Imperador da França, 1808-1873).
Pense antes de falar. O cenário político do Brasil no momento apresenta muitas facetas e desdobramentos que mesmo o melhor analista político não consegue decifrar totalmente. Para tentar entender é preciso voltar a julho de 1990 com o Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e Caribe. Deste encontro saíram diretrizes que conseguiram colocar no poder seus seguidores em doze países. Portanto é ingenuidade pensar que os que lutaram por tantos anos para conseguirem seus intentos irão abandoná-los. Muita coisa foi sendo mudada aos poucos para concretizar seus planos. Debaixo do manto da Democracia, existe muita coisa escondida. Só que a ambição acabou por revelar os insatisfeitos. Desta briga interna, alguns caíram. Agora tropeçam nas pedras que colocaram. Os males criados precisam de cura. Ir às passeatas, gritar, buscar a verdade dos fatos, apurá-los, fazendo justiça, e clamar por mudanças é importante, mas nada disso substitui a tarefa de cada um rever a si próprio na sua parcela de “culpa” pelo que está aí, bater no peito, reconhecer que também “pisou na bola” quando deixou para os outros um dever que era seu de participar e buscar a noção de política pela política, para, assim, de novo tentar acertar os passos, especialmente, nas novas eleições que se aproximam. Mas, criando a consciência, sobretudo, de que política não começa nas praças e ruas, mas na mudança interna da sua própria visão de povo, de justiça, de liberdade, de bem comum etc. Ir às praças fazer reivindicações deve ser o ponto de chegada, não de partida. Sem isso qualquer tentativa de curar os males da sociedade pode ser boa, mas não cura a raiz do problema. Só mostra a ferida e atrai a vingança. O momento deve ser de reflexão da própria postura  e conduta política de cada um, para dar os fundamentos sólidos de criação de um novo país que tem na política a expressão mais polida do bem comum, e não apenas um exercício de desafogar mágoas na “malhação do Judas”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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17 de março de 2016
Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade” (Provérbio chinês).
O poder corrompe quando ele assume o lugar da humildade e do respeito. Ambição é uma palavra ambígua, como uma faca com dois gumes. Pode ser usada para levar alguém a uma grande conquista, mas, também, à ruína. Leva à conquista quando é busca limpa, séria, honesta e empenhada ao redor ou na direção de um grande ideal. Ideal de ser um bom juiz, por exemplo. E para ser um bom juiz é necessário amar a justiça e a verdade como critério último de conduta na aplicação da lei. Leva à ruína quando conduz a pessoa a querer a qualquer preço, custe o que custar; possuir o objeto de sua cobiça e pretensão. O ambicioso, nesse sentido, escolhe percorrer a via perigosa da desonestidade e da corrupção pessoal para chegar ao ponto mais alto de sua gula. Pode ser gula por cargo, por dinheiro, por coisas de consumo, por comida, por sexo, mas, principalmente, pelo poder. O poder é a menina dos olhos dos ambiciosos. Eles ficam de olho, à espreita dele o tempo todo esperando a primeira oportunidade para abocanhá-lo. E quando estão com ele nas mãos, ficam tão obcecados e fascinados pelo seu brilho que não se contentam só com uma porção. Saem à cata de mais e mais. Essa cata ao poder os torna insaciáveis em seu coração e, a partir desse momento, perdem sua paz, seu descanso e sua tranquilidade, pois precisam avolumá-lo infinitamente para tentar encher o vazio que portam consigo, pois valorizaram mais a “sombra” que a “luz”. Alguns dos representantes políticos de nossa nação, hoje, refletem essa trajetória da intranquilidade e da perda da paz por terem feito um caminho de ambição pelo poder que pouco a pouco os destrói no cenário político nacional. Estão colhendo aquilo que a ambição a qualquer custo lhes proporcionou ao longo de tantos anos dentro do poder. Usaram mal do poder e agora o próprio poder lhes faz mal. É por essa razão que quem abre o coração à ambição, atrai intranquilidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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16 de março de 2016
As pessoas crescidas tem sempre necessidade de explicações... nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças sempre a darem explicações” (Antoine Jean Baptiste Marie Roger Foscolombe, “Antoine de Saint-Exupéry”, escritor, ilustrador e piloto francês, 1900-1944).
Onde há muita explicação há pouca clareza. Com razão as crianças costumam dizer que os adultos são muito complicados, pois necessitam continuamente dar muitas explicações a respeito daquilo que pensam e fazem. Complicado é alguém enrolado. Enrolado é aquele que ao invés de desenrolar o rolo para ficar mais fácil de ver o todo (ver a coisa no plano e na sua retidão), faz o movimento contrário de tornar o rolo cada vez mais dobrado, ao modo de dobrar um papel até a gente não poder ler mais nada do que tem nele. Eis a razão pela qual a palavra complicar no latim diz complex (com+plicare) significando aquilo que se dobra junto. Na complicação se dobra o que deveria ficar sem dobras para ser visto de forma direta e com maior amplitude. Isso dificulta a visão e a compreensão das coisas. O contrário da complicação é a simplicidade, sendo que o simples da simplicidade é o que pode ser visto sem dobras e sem “enrolação”. A criança é simples por essa razão, pois vê tudo na retidão e pureza, no plano real das coisas, sem precisar de qualquer explicação. Isso a torna criativa e capaz de compreender a vida na sua inocência e pureza de uma forma rápida e certeira. Por outro lado, esse é um dos motivos pelo qual as pessoas crescidas, que perderam essa capacidade de contato direto com a realidade, com a simplicidade da vida, precisem da mediação das explicações para tentar alcançar a compreensão de tudo o que há. Na educação das crianças muitas vezes se faz necessário levar em conta a simplicidade delas para conseguir, além de entrar no seu mundo e compreendê-la, mas também, evitar cansá-las com explicações excessivas e enroladas. Ser simples (nos ensinam as crianças), não é complicado. Complicado é deixar de ser simples. E quem deixou de ser simples implica, complica, replica e explica sem necessidade. Está aí o caminho e o princípio de tudo o que gera incompreensão e os conflitos. É mais ou menos nesse panorama de incompreensão, de complexidade e de complicação que está implicado o momento político do Brasil atual. E se não compreendermos bem isso de forma urgente, o resultado será talvez outra eleição desastrosa para a nação, pois estaremos enrolados em velhos esquemas e mentalidades de usar as urnas apenas para uma desobriga e desencargo político, e para manter aí antigas e novas “raposas” do poder. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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15 de março de 2016
Se não queres que ninguém saiba, não o faças” (Provérbio Chinês).
Em muitas situações é melhor deixar de fazer. O fazer humano é mais amplo do que imaginamos. Ele passa e perpassa todo o nosso ser. Ou melhor, ele é o nosso ser em operação e a operação do nosso ser. Quando pensamos, sentimos, imaginamos, falamos ou gesticulamos, somos um “fazer”. Esse fazer por mais que tentemos esconder vem à tona, como uma rolha que flutua sobre a água, surge em nós quando menos esperamos, pois ele nunca aparece como um pedaço ou parte de nós, mas como nossa a própria identidade. Ao mesmo tempo, o que aparece em nós como pensar, sentir, imaginar, falar ou gesticular é apenas um fato, ou seja, o que já está feito em nós, o que já foi moldado e preestabelecido. “Por isso, nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia” (Mc 4, 22), seja algo bom ou ruim, pois é expressão de nosso fazer, de nossa ação. Nossa conduta nesse sentido é eco de nosso fazer. Por sua vez, tudo aquilo que em nós desejamos que chegue ao conhecimento dos outros já está em curso antes mesmo de querermos. Resta saber se o que desejamos que o outro saiba de nós mesmos é algo construtivo e edificante. Caso contrário, chegará ao outro aquilo que de nós é destrutivo e aniquilador. Mas, se queremos de fato que ninguém saiba o que somos ou o que fazemos, por tratar-se de algo que envergonha até a nós mesmos, então o melhor é evitar sua realização, sua ação, seu fazer desde o início. Não fazer, em certas situações, é o melhor a ser feito. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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14 de março de 2016
Não basta apenas soerguer os fracos; devemos ampará-los depois” (William Shakespeare, poeta, dramaturgo e ator inglês, 1564-1616).
Quem ajuda indica o caminho, quem ama caminha ao lado. Dentro de cada um de nós existe uma força de compaixão natural que alguns desenvolvem mais e outros menos. Alguns nem desenvolvem e, por isso, ficam secos e duros internamente no seu coração. É essa compaixão que tantas vezes consegue enxergar o fraco e sofrido. Quem enxerga o fraco e sofrido só com “peninha” e “dózinha”, ainda não enxerga o outro, apenas a si mesmo projetado no outro. Isso vale tanto em nível pessoal como social. Esse tipo de “peninha” não ajuda o outro, mas afunda com ele no buraco do ressentimento, da murmuração, do “vitimismo”, ou da ajuda provisória, que no instante em que vê o próprio ego saciado, se afasta e ignora. A compaixão que ergue os fracos é aquela que desperta no fraco as suas próprias forças e capacidades interiores para realizar o bom e necessário, e o acompanha ou ampara no seu processo de crescimento, até o ponto de ele chegar a ser ele mesmo e poder seguir e conduzir com autonomia seu próprio destino. Talvez seja por isso que amparar na língua latina tenha o sentido de “aprontar ou munir alguém do necessário”. Quem encontrou o necessário, quem está pronto, pode seguir por si mesmo de forma autônoma o projeto de construção da própria vida pessoal e comunitária. A compaixão, no fundo, é esse estilo de envolvimento e engajamento comum no grande projeto de libertação do ser humano. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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11 de março de 2016
Pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos, não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política; não sabe ele que de sua ignorância nasce, a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o explorador das empresas nacionais e multinacionais” (Eugen Bertholt Friedrich Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão, 1898-1956).
Viver em sociedade é se importar com o próximo. Quando Deus pergunta a Caim, “onde está teu irmão?”, ele responde; “não sei, sou por ventura guarda de meu irmão?” (Gn 4, 9). Sim, somos “guardas” de nossos irmãos, e as nossas ações devem ser pautadas nesta perspectiva. O Gênesis é um livro “retórico de ensinamentos” que procura explicar a origem das coisas, neste caso, da maldade. Mostra que ao se distanciar do irmão, nasce a inveja e o ódio; do ódio o crime, do crime a mentira e por fim, o castigo. Sabemos por experiência quanto é difícil vivermos juntos, mesmo em família, mas é justamente nestes momentos que devemos colocar um freio em nossos impulsos para podermos conviver em paz. E quando todo o grupo está ameaçado por algum mal, é da união de todos que nascerá a força para combatê-lo. Este grupo organizado que os gregos chamavam de “polis” (cidade). A arte de bem administrar este grupo que chamavam de “política”. Sendo assim, todos que pertencem a “polis” são corresponsáveis pelo bem de todos. Fugir desta responsabilidade é o que chamam de “analfabeto político”. Somos chamados a buscarmos juntos uma “saída” para a nossa “polis”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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10 de março de 2016
O moralismo rançoso tem muito de quixotesco: põe-se a combater moinhos de vento, em vez de ajudar na construção de uma nova realidade pessoal e social” (Frei Antonio Moser, mestre e doutor em Teologia Moral brasileiro, 1939-2016)
“Macaco cuida de teu rabo e deixe o rabo do vizinho” (dito popular). Ao olharmos a história de nossa civilização, vemos alternância de moralismos, ora julgando e condenando inocentes em nome dos bons costumes, ora sendo condescendente em excesso, permitindo uma desordem social. Então, a moral de certa forma está intimamente ligada à política, no sentido de formação de leis e costumes que regem a sociedade. Jesus foi criticado várias vezes por violar muitos destes preceitos. A resposta d’Ele veio quando apresentaram uma mulher apanhada em adultério. A lei da época punia a mulher e nada dizia sobre o homem. Pela lei ela deveria ser apedrejada. Diante do alvoroço ele apenas se inclinou e escrevia no chão. Como eles ainda insistissem, ele diz: “Quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra” (João 8, 7). Com esta resposta ele desmascara um legalismo hipócrita que condena os mais fracos deste tecido social e deixa impunes os que se escondem em seus cargos ou posições sociais, que se julgam bons, mas, que no fundo praticam seus delitos na sombra da impunidade. Ele quer mostrar outro caminho, ou seja, ajudar em vez de condenar, oferecer alternativas. São nossas ações mais secretas que vão depor a favor ou contra nós no dia do juízo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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9 de março de 2016
Todos nós estamos no meio da lama, porém alguns estão olhando para as estrelas” (Oscar Wilde, dramaturgo e novelista irlandês, 1854-1900).
Só quando saímos da caverna é que podemos ver o sol. Em outras palavras, quando abrimos nossos olhos e olhamos para além das limitações, vemos novas possibilidades. Quantas pessoas se curaram quando saíram de seu “mundo” de enfermidades e deram a si mesmas a oportunidade de viver, abraçando hábitos mais saudáveis. Quantas pessoas estavam no limite do desespero por não verem saída, mas quando resolveram viver cada passo, isto é, fazendo o possível com o que tinham a mão, sem angústia com o amanhã, viram se descortinar novas possibilidades até então desconhecidas. Por mais dramático que possa parecer, com paciência e inteligência podemos desmontar até uma “torre” que nos incomoda. Tudo isso é possível quando nosso “querer” assume o comando de nossas decisões. Eleve seu olhar para poder ver as estrelas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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7 de março de 2016
Uma nação em crise não precisa de plano. Precisa de homens” (Eugênio Gudin Filho, engenheiro civil e economista brasileiro, 1886-1986
O homem faz, enquanto o covarde espera. Quando pensamos na palavra “homem” nos vem à mente o ser humano por inteiro, em sua plenitude. Em sua plenitude ele é íntegro, pois ele foi criado à imagem e semelhança de Deus. Corrupção, mentira, fraude e afins são deturpações desta plenitude. Quando o homem cede e começa a se deteriorar, abrindo mão de sua plenitude, ele enfraquece e perde sua força e vigor, e acaba cometendo muitos erros. É semelhante ao filho que abandona a casa do pai para viver uma vida devassa (Lucas 15). O homem de vigor é capaz de superar obstáculos. O homem foi criado para viver em sociedade. De certa forma, uma nação é o lar do homem, onde se encontra em casa e procura preservar e defender. Neste sentido, tudo que ameaça a paz ele procura corrigir. Quando a crise atinge a sociedade, é semelhante quando uma enchente traz sujeira e muita lama para nossa casa. Reclamar e apontar culpados neste momento, pouco ajuda para limpar a casa. É preciso que todos se unam com o propósito de restaurar o que foi “deteriorado”, lavando, removendo entulhos, reforçando as estruturas danificadas, substituindo o que foi quebrado, e para isso precisa de homens, isto é, pessoas dispostas a arregaçar as mangas e agir onde for preciso, com retidão, e com a fé de ser capaz. Cruzar os braços e esperar que outros façam é um sinal de covardia. Lembrando o Almirante Barroso; “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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4 de março de 2016
“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Evangelho de Mateus 9, 13).
O amor misericordioso de Deus vem até nós. A preferência de Deus pela misericórdia ao sacrifício é porque a misericórdia é o modo mais amoroso e acessível de Deus estar com o humano e no humano. É que misericórdia na língua hebraica significa Hésèd, traduzindo o amor sem restrição e sem distinção de Deus. Na língua grega é èleos, que significa compaixão. E no latim, miserere, significando coração compassivo ou coração que se inclina para a miséria alheia. Escondido no fundo de cada uma dessas traduções, muitas vezes imperfeitas, está impressa e expressa a experiência do que se poderia chamar do amor que é Deus. Um amor cheio de afeição pela sua criatura. Um amor inabalável, inexplicável, cheio de ternura e bondade da parte de Deus. Amor cheio de paixão e compaixão que vem do íntimo mais íntimo de Deus. Vale dizer, de suas “entranhas” divinas, e que desce de forma misteriosa ao encontro de cada um de nós. É esse amor que se compadece e que por livre iniciativa divina vem a nós. Essa compaixão nada tem a ver com uma espécie de “dózinha” ou “peninha” de Deus por nós. Compaixão que se traduz por misericórdia é um modo quase sem modo para falar de um Deus apaixonado por nossa natureza e condição humana. Tão apaixonado que ficou “doidinho” para se tornar um de nós e ser como nós, exceto, na experiência do pecado (embora Paulo diga que Cristo não tendo conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós – 2Cor 21). Misericórdia no fundo, então, é como se fosse o encantamento de Deus, a alegria estonteante de Deus, pelo que nós somos, pela nossa miséria ou baixeza (não no sentido negativo da palavra). Ele amou tanto isso que quis ser assim também. Por isso, se pode dizer que é a partir da misericórdia que toda a graça, toda a beleza e todo o amor gratuito e livre de Deus se derrama e vem a nós. O sacrifício, por sua vez, é a resposta do homem ao toque e à iniciativa desse amor compassivo, ou melhor, dessa misericórdia de Deus por nós. Porém, nenhum sacrifício, por melhor que seja, alcança a largura, a grandeza, a imensidão e o abismo de profundidade  da misericórdia. Então, se não podemos ir a Deus com nossos sacrifícios, podemos deixá-lo vir a nós com sua misericórdia, pois esse é o caminho mais acessível para estabelecer cotidianamente esse encontro com Ele. E, na misericórdia e pela misericórdia, corresponder à iniciativa divina de ter nos amado apaixonadamente por primeiro. Corresponder a ela, abrindo-nos a ela. É nisso que se funda o novo céu e a nova terra, as bem-aventuranças do Evangelho, a gratuidade do Reino de Deus, o princípio da Nova e Eterna Aliança, a alegria da reconciliação com Deus, e a presença dos novos laços de paz, justiça e fraternidade entre os homens de boa vontade. Embora Deus não dispense nossos sacrifícios e oferendas, Ele prefere a misericórdia ao sacrifício, porque sabe que esse é o jeito mais simples, direto e sem enrolação para Ele estar em nós e conosco, e nós n’Ele e com Ele. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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3 de março de 2016
“Junte-se aos bons que serás um deles, junte-se aos maus e serás pior que eles” (dito popular português).
Bons pensamentos atraem coisas boas. Pensar que o simples fato de estar junto dos bons já nos faz melhores é correto só até certo ponto. Entender a frase de Guimarães Rosa (“É junto dos bão que a gente fica mió”) só nesse sentido é como aquela pessoa piegas que acha que somente tocando a estátua do santo já o faz santo também. Ficar junto dos bons para ficar melhor é um exercício de observação e de comprometimento. Observar o que torna o outro bom e pegar isso como material de aprendizado e trabalho para ficar melhor do que ele. Ficar melhor do que o outro nada tem a ver com uma concorrência de virtudes ou com o desejo de sentir-se superior a ele depois de alcançá-lo, e, sim, de realizar um trabalho de conquistar o que o outro conquistou e, partindo disso, elevar ainda mais o nível de bondade a que ele chegou. Por sua vez, a bondade aqui não quer dizer o “bonzinho”, mas o maduro, o que chegou a uma boa realização naquilo que faz. Trata-se de uma tarefa árdua de crescimento pessoal, aonde a pessoa vai se aprimorando e aprimorando tudo o que está em suas mãos como desafio e responsabilidade. É como determinados atletas que começam se espelhando nos bons e, depois, ficam melhores do que eles. Nesse sentido, cada um tem algo de bom dentro de si que precisa conquistar, fazer crescer, aprimorar e tornar cada vez melhor. Ao mesmo tempo, indo ao encontro de outras pessoas ou situações que já estão no mesmo processo de crescimento. O que não dá é imaginar que só basta estar junto para ser melhor. Estar junto nunca é estar somente ao lado ou do lado, encostado ou esperando a coisa acontecer, mas é um estar com o outro na mesma empreitada, na mesma corrente, no mesmo engajamento, no mesmo empenho, e na mesma decisão de melhorar o que já está bom. Também estar junto com pessoas comprometidas com a maldade, desafia a pessoa a impressioná-las superando suas maldades, para ser reconhecido. Por isso, crianças envolvidas no mundo do crime tornam-se mais cruéis que seus comparsas. Vale a pena refletir o dito popular; “diga-me com quem andas e eu te direi quem és” ou ainda; “um gambá cheira o outro” dizendo que os iguais se reconhecem. Há também a citação do livro dos Provérbios de Salomão 13, 20: “Quem anda com sábios será sábio; mas quem se faz amigo dos insensatos sofre aflição”, dentre outros. Escolha bem teus companheiros para crescer junto com eles. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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2 de março de 2016
“É junto dos bão que a gente fica mió” (João Guimarães Rosa, escritor brasileiro, 1908-1967).
As coisas só acontecem se eu deixo. Quando estamos perto de pessoas fofoqueiras, sem perceber nos tornamos fofoqueiros com elas. Juntos daqueles que estão de mau humor, uma nuvem sombria de humor azedo também toma conta de nós. Próximos dos que só agem de maneira a prejudicar e enganar os outros, facilmente, sem nos darmos conta, começamos a agir do mesmo modo. Ao deixarmos entrar ou sair de nós uma onda de pensamentos, palavras e atitudes negativas, logo, logo, como um imã atraímos quem gosta, pensa, fala e age do mesmo modo. É a lei do semelhante que atrai semelhante. Porém, se a lei da atração dos semelhantes funciona para as coisas ruins e negativas, e com pessoas negativas e ressentidas, então ela funciona, também, para o que é bom, agradável e prazeroso, bem como para pessoas agradáveis e positivas. Ou seja, se eu estiver bem, atraio pessoas e coisas boas para mim. De igual modo, as pessoas e coisas boas sempre virão a mim se em mim está aquela energia e atmosfera que as atrai. Vale dizer, também, que se procuro ficar “junto dos bão”, fico “mió” ainda, não é mesmo?! É importante pensar com base nisso que o modo como me encontro, ou o modo como tudo o que de bom ou de ruim está acontecendo comigo neste momento só tem como resposta eu mesmo. É só buscar mudar pra melhor que o entorno melhora. Mas, sabe qual é o mais difícil e complicado nessa situação? É acreditar que isso seja verdade, pois em geral estamos bitolados a achar que o mundo, o outro, o governo, o país, o colega de trabalho, o patrão, o esposo, a esposa, o vizinho etc, é que é o problema. Que são eles que provocam ou fazem com que eu me sinta assim ou esteja desse jeito. Pode até ser que eles façam coisas que me prejudiquem de verdade (isso, às vezes, é inevitável), mas só serei prejudicado pra valer com minha permissão interna. Tudo depende de nossa permissão, mesmo quando dizemos que foi sem querer querendo! Quando o interno é consciente, bom, sadio e forte, mesmo o externo não tem poder de mudá-lo. Pois, só muda, de fato, aquilo que passa pelo meu consentimento. Eis porque nessa situação o querer e o não querer são fundamentais. Querer, no entanto, jamais é voluntarismo, do tipo quero e pronto, mas trata-se de uma busca contínua e decidida de ter que fazer valer, pra valer, o que quero com todo o meu coração, com todo o meu pensamento, com todas as minhas forças, com todo o meu ser. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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29 de fevereiro de 2016
“O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silencio dos bons” (Martin Luther King Jr., Pastor protestante e ativista político americano, 1929-1968).
“Quem se cala, consente” (dito popular). Os predadores da vida selvagem assustam os rebanhos de animais fazendo-os correr para isolar e abater os mais fracos. Isso acontece quando cada animal busca apenas salvar sua pele sem se preocupar com o outro que poderá ser capturado. Desconhecem a força que têm quando estão unidos. Com os búfalos a coisa é diferente. Eles se unem e vão salvar quem foi capturado, quase sempre abatendo o predador. Muitas vezes agimos como animais assustados, cada um procurando apenas defender a sua pele, fingindo que tudo está bem, se escondendo ou correndo, enquanto “predadores” abatem os mais fracos, ou que estão em situação vulnerável. Enquanto permanecermos calados, eles continuarão agindo impunemente, cobrando propina, desviando verbas, fazendo que os preços e os impostos continuem aumentando sem uma contrapartida de serviços, escoando os recursos pelos “esgotos” das artimanhas administrativas, enriquecendo “os amigos do rei”. Seus planos vão além. Pretendem formar uma geração de “zumbis” incapazes de pensar, apenas saberão aplaudir, que irão garantir seu futuro. Para isso estão reformulando o conteúdo escolar da pré-escola até a universidade. Tudo isso já vem acontecendo há um bom tempo, e a maioria continua correndo, sem tempo para nada. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)
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26 de fevereiro de 2016
“O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém” (William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês, 1564-1616).
Ler e citar textos da Bíblia, qualquer um o faz, mas inspirar-se por eles para orientar a vida, só para quem tem fé a ponto de se guiar pelo Espírito. No Evangelho de Mateus 4, 1-11, fala-se das tentações de Cristo no deserto. Nelas a figura do diabo tenta Jesus, citando as Escrituras, embora de modo inadequado e com uma péssima contextualização. Uma coisa é certa, ele cita as Escrituras quando lhe convém, porque de certa forma ele a “conhece”. Ele a sabe, de “cor e salteado”! E com isso tenta iludir, desvirtuar, confundir e fazer tropeçar aqueles que buscam nela o seu fundamento de vida. De igual modo, ele luta com Jesus e com todos os homens de todas as épocas a partir daquilo que constitui o fundamento maior do que essas pessoas amam e seguem. Eis sua esperteza. Derrubar o homem lá onde ele tem sua confiança maior. Fazendo isso o resto é resto para ele. O problema é que ao citar as Escrituras ele conhece o texto, mas desconhece o Espírito que a cria, move e inspira. Sem esse Espírito, a Sagrada Escritura é apenas um texto bonito, ético, filosófico, sapiencial e até mesmo, digamos, religioso. A Sagrada Escritura, no entanto, é um livro de Fé para quem tem Fé naquele e naquilo que ela proclama, anuncia e testemunha. Só a compreende de fato e a pratica na sua verdade e pureza de intenção quem se deixa mover por esse Espírito. E isso o diabo e aqueles que apenas citam as Escrituras quando lhes convém não fazem. O tempo da quaresma é uma caminhada para a abertura ao Espírito que está nas letras do texto sagrado da Bíblia, seja ela de que tradução religiosa for. Apenas estudá-la, interpretá-la, citá-la ou saber suas etimologias, seu contexto histórico, sua arqueologia etc, por mais importante que seja, ainda não abre as portas para a verdadeira experiência de encontro com o Deus da Fé bíblica, pois todas essas coisas, exceto o abrir-se ao Espírito de Deus e ao seu santo modo de operar, até o diabo sabe fazer e, diga-se de passagem, muito bem! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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25 de fevereiro de 2016
“Algumas pessoas seriam sábias se não pensassem que o são” (Baltasar Gracián y Morales, filósofo, teólogo e autor espanhol, 1601-1658).
O primeiro sinal de sabedoria é o respeito pela pessoa do outro. Dias atrás ouvi um famoso e renomado jornalista brasileiro ironizar e maldizer outros personagens importantes do cenário nacional e internacional. Personagens da política, da religião e da religiosidade popular. Falava com tom de quem está por cima como se fosse “a última bolacha do pacote”. Dava para sentir seu ego inflamado, sua língua serpentina e suas ideias derramadas pelos microfones, onde falava como se fosse um banho de sabedoria de um mestre guru sobre os mais “incultos”. Falava ao modo de quem tem sempre a última palavra sobre qualquer assunto, driblando os colegas quando esses insinuavam qualquer palavra contestatória de suas argumentações. Do outro lado, uma enxurrada de fãs “lambendo” sua oratória e “verborréia” ao modo de uma vaca que desliza sua língua em seu filhote recém-nascido. Suas palavras pareciam hipnotizar o público que o seguia fiel e cegamente em seus comentários, jamais questionando, mas quase sempre dizendo “amém, amém” a tudo o que dizia! Nenhum problema para um jornalista tecer suas críticas e seu parecer a respeito de quem quer que seja. Afinal, parece que esse é seu ofício para continuar mantendo-se nas pesquisas e tendo seu salário no mundo da comunicação. No entanto, aqui vale o dito de que “certas pessoas seriam, de fato, sábias se não o pensassem que são”. É esse tipo de sábio que não sabe que é sábio, ou que não sabe que sabe, que os meios de comunicação de hoje em dia necessitam para garantirem audiência. O sábio mesmo ao invés de ironizar e maldizer aqueles que são oposição à sua posição, parte antes de tudo de uma atitude de respeito com o outro. Mais ou menos como no tribunal da obra “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, onde os jagunços opositores, ainda que inimigos, se elogiam e se respeitam, pois para além das diferenças e contendas que eles vivem entre si, um honra a grandeza, a nobreza e o espírito de valentia do outro e em cada jagunço ali representado. O sábio vê e experimenta sabedoria até mesmo onde tudo parece opaco de saber. Já o medíocre e insensato só vê a si mesmo projetado nos outros em forma de pseudo-saber. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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24 fevereiro 2016
“O fundamentalismo é sempre uma falsificação das religiões” (Joseph Aloisius Ratzinger, “Bento XVI”, Papa Emérito de origem alemã).

Todo fanatismo é burro. Todas as grandes religiões do mundo, especialmente as três “abraamicas” (que têm origem em Abraão), Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, possuem como fundamento a ideia de um Deus Criador e amoroso. Por sua vez, todas as criaturas foram criadas por Ele e para Ele. E no reino das suas criaturas, a lei da harmonia foi estabelecida para guardar tudo e a todos no perfeito equilíbrio. A religião dentro deste contexto tem um papel importantíssimo no sentido de ter a função não só de despertar uma experiência religiosa, mística e espiritual profunda do homem com o divino, em forma de rituais e expressões sagradas, mas também de criar pontes de amor, de convívio, de respeito, de amizade, de fraternidade e tolerância entre os Homens. Isso significa, antes de qualquer coisa, que o fundamento da religião é somente Deus. Querer colocar outro fundamento que não seja Ele é o início da falsificação da religião. Ao falsificar a religião nasce o fundamentalismo religioso, onde o homem substitui Deus por sua ideia de Deus, isto é, faz de Deus uma ideia, um conceito, uma representação, uma fantasia pessoal para realizar suas frustrações e ambições, e esconder seus medos e voracidade pela barbárie. Deus deixa de ser fundamento para o homem obcecado por sua própria subjetividade doentia e ele tornar-se o fundamento de sua religião. Nesse momento a religião se torna instrumento de crueldade sem limites, pois expressa apenas o antigo dilema do homem querer ser ou colocar-se no lugar de Deus. Eis o início de todo e qualquer fundamentalismo no mundo, seja ele de cunho religioso, político, econômico ou de qualquer outra ordem. E como semelhante atrai semelhante, o fundamentalismo tem a facilidade de arrebanhar pessoas e grupos que compartilham a mesma esquizofrenia religiosa. Toda crença religiosa que põe como fundamento a intolerância, a violência, a difamação, a destruição, a morte e a crueldade como doutrina e mandamento a ser praticado a qualquer custo, até de uma guerra santa (como se guerra pudesse ser santa) faz de Deus um palhaço de sua crença e da religião uma aberração, ou melhor, um monstro que só destrói e cria um mundo e um muro de separação e distanciamento entre os homens, jamais uma ponte (religião) que religa o céu e a terra, Deus e o Homem e os Homens entre si. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!Bom Dia!(20 anos)

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23 de fevereiro de 2016
“A oração é o encontro da sede de Deus e da sede do homem” (Agostinho de Hipona, “Santo Agostinho”, Bispo, filósofo e teólogo, da Argélia, 354-430).

Quem “bebe” da água do Divino nunca mais terá “sede”. Oração tem sua origem na palavra “oráculo” (resposta da divindade). Dentro dela tem a palavra oral para designar “boca”. Orar, então, é usar a boca para falar. Só que falar com alguém, de alguém, ou para alguém. Sobretudo, falar a partir de alguém. Na Grécia antiga havia os oráculos que eram em boa parte um grupo de pessoas que no templo interpretavam ou falavam em nome do divino (das divindades). Na maioria dos casos atuavam respondendo perguntas que as pessoas faziam em busca de sanar sua “sede” de respostas em relação ao futuro e aos problemas que as afligiam no momento. A resposta à pergunta ou ao pedido feito vinha, então, em forma de “oráculo”. O templo, por sua vez, era o lugar predileto para o encontro e para a realização desses “oráculos”. Dentro da experiência cristã a oração é também uma fala, uma conversa, um diálogo, mas, sobretudo, a experiência de um encontro de duas “sedes”, a de Deus e a do Homem. Deus tem “sede” de se comunicar com o Homem e o Homem tem “sede” de buscar conhecer a Deus e à sua Vontade. Na oração pura e sincera essa comunicação e esse conhecimento se dão aos que o buscam. No entanto, na oração cristã o mais importante não é orar a Deus, nem orar para Deus, ou orar com Deus. Mas, sim, orar “a partir” de Deus. Para orar a partir de Deus é necessário que Deus mesmo “venha e fale”. Nesse sentido, orar é “deixar Deus falar” em nós e através de nós. Ele fala em nós e através de nós pelo “Espírito”. Com outras palavras, é o Espírito de Deus que nos “conduz à oração” pura e sincera, àquela que agrada a Deus, e que os verdadeiros adoradores do Pai fazem e operam. Ter sede de Deus é desejar “beber da fonte do Espírito”, pois é Ele quem nos informa sobre a “Vontade do Pai”,  e é quem sacia os nossos anseios mais profundos. Somente Ele enche e preenche nossos vazios essenciais e nos “plenifica” (torna pleno) com a presença daquele que é o único que pode transformar a nossa vida e dar a ela um sentido novo, real e eterno. O tempo da quaresma é uma oportunidade para nos encaminharmos alegremente para esse encontro; e, se nos abrimos ao Espírito, Ele nos impulsiona à “sede” da oração. E movidos por essa “sede” buscar realizar em nós as maravilhas desse encontro do divino em nós e de nós no divino. Esse encontro não deve ser buscado longe ou fora de nós, mas em nós, pois “no humano já habita o divino”. Dar-se conta disso e deixar-se mover por isso é a grandeza do toque de tal encontro que sacia nossas sedes mais profundas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 Fevereiro 2016
“Fundamentalistas dão um toque de arrogante intolerância e rígida indiferença com aqueles que não compartilham suas visões de mundo” (Umberto Eco, filósofo e escritor italiano, 1932-2016).
Como é difícil argumentar com quem têm poucos argumentos. Muitas pessoas de boa fé são facilmente convencidas sobre algo, por falta de “malícia” para questionar o que ouvem, ou buscar outras fontes da mesma informação. Com isso podem se transformar em novos “fundamentalistas” (rigidez na obediência a determinados princípios ou regras), por acreditarem que estão fazendo o melhor. Pessoas assim são convencidas de que sua visão de mundo é a única certa, e todas as demais querem destruí-la, e por isso mesmo devem evitar até de ouvi-las. Os manipuladores destas mentes enchem de simbolismos para encantar e garantir sua fidelidade, ao mesmo tempo fazem de tudo para impedir o contato com outra forma de pensar. Isso pode estar acontecendo em qualquer lugar, sob os mais inocentes argumentos. Antes de aceitar como verdade, pesquise sua veracidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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19 Fevereiro 2016
“Que a tua esmola fique suando nas mãos, até que saibas para quem a estás dando” (Livro Didaqué 1, 5-6).
Esmola deve ser partilha. O tempo da quaresma propõe a esmola como uma prática importante no caminho da libertação do nosso centralismo e do nosso egoísmo. Hoje temos uma enorme dificuldade em praticar a esmola, seja pelo fato de que temos sempre uma “boa” desculpa para não praticá-la, seja porque ficamos no impasse de saber se a esmola que praticamos é de fato sincera ou não. No primeiro caso, a dificuldade está, especialmente, diante da indústria e da profissionalização da esmola cultivada nas grandes cidades, muitas vezes, por pessoas realmente desonestas e aproveitadoras. Evitamos dar a quem julgamos usar mal da nossa boa fé e da nossa boa vontade em doar. No segundo caso, porque a consciência nos pesa pelo fato de acharmos que não estamos cumprindo o mandamento evangélico do dar com uma mão sem que a outra saiba o que está fazendo. O segredo da esmola cristã, no entanto, aquela proposta e ensinada por Jesus Cristo, não está tanto no a quem fazemos ou no tanto que oferecemos, mas no como praticamos. Esse como significa ao modo da caridade divina que faz o sol nascer para todos e faz a chuva cair sobre justos e injustos. Ou seja, aquela ação desinteressada que acontece no secreto do coração, onde apenas o Pai celeste conhece a verdadeira intenção da mão que oferece, enquanto extensão do coração. O modo de praticar a esmola é que deve ser o exercício mais radical de nossa prática quaresmal. Tudo o que foge a isso, deixa apenas egoístas; interesseiros ou cheios de vanglória. Enquanto não descobrirmos o modoo como dar esmola, um bom exercício é permanecermos com as mãos suando na tentativa de saber para quem dar. Isso, diferente de reter, é conter a ânsia e a hipocrisia de querer demonstrar bondade apenas para satisfazer o próprio ego inflamado de desejo de ser louvado e reconhecido. O suor nas mãos nada tem de medo e pavor diante do julgamento de Deus sobre nossa intenção, mas de amor e temor diante do reconhecimento de que somos a passagem da bondade gratuita de Deus aos homens que necessitam experimentar bem concretamente o poder misericordioso das mãos generosas de Deus através de nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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18 Fevereiro 2016
“Volte-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto” (Livro de Joel 2,12).
O jejum nos remete às nossas origens. Uma das recomendações do tempo da quaresma é a observância não obrigatória do jejum. Independentemente da forma como se observa o jejum, ele representa uma admoestação bíblica para aqueles que querem manter uma relação honesta e agradável com Deus, com o próximo e com tudo o que é sagrado. Em geral se mantém a prática de abstinência de comida ou bebida para se guardar o jejum. Outros o fazem de algum vício ou até mesmo de algo que sente prazer. Em qualquer sentido, a prática do jejum é recomendável e boa para operar certas mudanças na vida da pessoa. Mas, aqui, é importante entender o jejum bíblico que, embora respeite nossas renúncias, deve ser visto mais como um anúncio. Anúncio de uma realidade fundamental que está no esquecimento de nosso tempo, ou seja, que tudo o que fazemos em termos de abstinência tem um único propósito, o de limpar nossa subjetividade viciada e orgulhosa para nos aproximar com humildade e gratidão do Mistério inesgotável da bondade de Deus. Significa limpar em nós toda aquela atitude de “pseudograndeza”, de hipocrisia e de escravidão em torno de uma falsa compreensão de nós mesmos, para nos abrir para a grandeza, a verdade e a liberdade de nossa própria criação. A nossa subjetividade viciada nos impede de perceber que somos Criaturas. Criaturas que temos no nosso ser em Deus; que Dele viemos, e que só existimos por causa Dele, por Ele e para Ele. Viver de forma a ignorar esse princípio básico de nossa existência é o que Jesus chamava de hipocrisia dos fariseus. O fariseu achava que todo o seu ser e que todo o seu empenho ético e religioso é que os tornava melhores do que os outros homens; os fazia merecedores de todos os bens do Reino, e que os aproximava a partir de seus esforços heróicos, do próprio Deus. O cuidado com a hipocrisia era o alerta de Jesus para aqueles que se esforçavam por ter uma subjetividade aparente de grandeza, heroísmo e vida ética e religiosa ilibada, quando na essência ignoravam seu verdadeiro ser e tudo aquilo que de fato agrada a Deus, ou seja, ser o que se é diante de Deus e nada mais. Todo e qualquer jejum deve ser um exercício dessa honestidade de criatura que nos liberta para a nossa essência e não para nossa aparência. Nesse sentido ele nos faz voltar para nossa origem, para as raízes de nosso ser. Essa volta se chama conversão. E o coração é o espaço e o laboratório mais importante onde exercitamos essa guinada e essa volta para a nossa origem, ou melhor, para o fundamento maior e mais essencial de nossa vida, Deus. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)
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17 Fevereiro 2016
“Deixe cada um o seu mau caminho e converta-se da violência que há em suas mãos” (Livro do Jonas 3, 8).
Nossas mãos revelam muito de nós. Quem já observou italianos ou descendentes conversando, deve ter notado que as mãos são parte integrante da conversa. As mãos são extensão de nosso corpo. Nosso corpo fala, também, pelas mãos. Alguns dizem que elas são o prolongamento do coração. Gesticulamos em forma de círculos quando estamos confusos e perplexos. Batemos na mesa quando estamos irritados. Apontamos o dedo para alguém quando queremos julgá-lo ou intimidá-lo. Fechamos os punhos quando queremos conter a ira. Em cenas de bate papo nossas mãos estão sempre gesticulando para expressar nossas ideias e sentimentos. Acenamos para cumprimentar, para nos despedir, para dizer adeus, para adorar e para demonstrar afetos. As mãos podem revelar também, por outro prisma, os reflexos de nossa violência. Violência enquanto tudo aquilo que violamos ou quebramos de nossa própria harmonia interior. As mãos de uma pessoa que violou sua lei interna de honestidade, por exemplo, se mostra corrupta no trato com os negócios externos de sua lida diária. Quem violou sua lei interna de bondade e justiça tem nas mãos o símbolo maior de mesquinharia e egoísmo no trato com o próximo. Em contrapartida, todo aquele que conserva seu coração na justiça, no amor e na bondade, possui mãos generosas que se abrem para o acolhimento, para a doação e o serviço desinteressado a toda humana criatura. Um coração marcado pela fé sincera e pela força da misericórdia; possui mãos que se cruzam na confiança da prece, no cuidado com os necessitados e na gratidão aos céus por todas as dádivas recebidas. Ao mesmo tempo, todo aquele que conserva um coração puro e por isso mesmo, não o viola por qualquer espécie de mal, possui mãos ungidas para abençoar e sustentar tudo o que se encontra fraco e necessitado de cuidados. O tempo da quaresma é o momento único de cada um purificar as próprias mãos de toda e qualquer injustiça e maldade que ecoa do coração e da mente, para iniciar um caminho de conversão em direção a uma interioridade mais madura e um espírito mais forte e decidido.  Esse caminho possui a marca da liberdade a direção para nos levar ao encontro de Deus, de nós mesmos, do próximo e de todas as criaturas, numa grande festa de reconciliação e fraternidade.  A casa comum  que é esse planeta espera de nós essa obra criativa de nossas mãos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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16 Fevereiro 2016
“Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Livro do Deuteronômio 6, 4-5).
Celebramos o tempo da quaresma como um tempo propício de salvação. Salvação quer dizer salus, isto é, boa saúde. Boa saúde é o que todo mundo procura, quer e precisa. E para ter saúde da boa mesmo é necessário ir à fonte onde ela se origina; se dá e se consuma. Nesse sentido, a quaresma significa um tempo favorável, Isto é, um tempo colocado a nosso favor para buscarmos recuperar nossa saúde originária e essencial. Para recuperar a saúde originária e essencial somos convidados a fazer uma espécie de treino e de peregrinação para aquele lugar onde a saúde de nosso corpo, de nossa alma, de nossa mente e de nosso espírito encontra seu vigor e seu rejuvenescimento. Esse lugar não é um onde, mas um quem: Deus. Ele é a fonte da nossa Salvação, de onde brota a saúde verdadeira que precisamos ter para vivermos plenamente neste mundo e em qualquer mundo. Por sua vez, o suco ou o “supra sumo” dessa saúde consiste em aprender a escutar o núcleo, o fundamento, o básico do básico da experiência da salvação que é: “amarás”. Quaresma é tempo de aprender a Escutar. Escutar aquilo que representa o ponto mais fundamental de nosso ser cristão, ou seja, amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças. Só podemos fazer isso nos deixando mover pelo próprio amor de Deus que já nos amou por primeiro. Amamos e só podemos amar a partir dessa experiência, ou melhor, só podemos aprender a amar a Deus realmente se Ele próprio nos ensinar. E Ele nos ensinou pelo Filho Jesus Cristo. O Filho mostrou com todo o seu corpo, com toda a sua alma, com todo o seu coração e com todas as suas forças, como amar o Pai e como o Pai nos ama. Isso quer dizer que só prendemos a amar de fato como Deus ama escutando atentamente o Filho de Deus, Jesus Cristo, especialmente, no seu Mistério de Paixão, Morte e Ressurreição.  Pois, foi neste Mistério que se deu a revelação mais plena deste amor. Nossa quaresma pode ser frutuosa se partir desse princípio e ponto de escuta e de envolvimento. Pode alcançar seus melhores resultados quando tudo o que pensarmos, sentirmos e fizermos em termos de oração, jejum, obras de misericórdia, conversão e penitência, for apenas exercício para melhor nos dispor para a arte de amar o Senhor, nosso Deus, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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15 Fevereiro 2016
“O Senhor falou a Moisés, dizendo: Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros. Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor. Não exploreis o teu próximo nem pratiqueis extorsão contra ele. Não retenhais contigo a diária do assalariado até o dia seguinte. Não amaldiçoes do surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigieis o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça. Não seja um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado do pecado por causa dele. Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Livro do Levítico 19, 1-2, 11-18).

O amor a Deus passa pelo amor ao irmão. Se alguém tivesse a certeza absoluta de onde encontrar a chave de uma grande fortuna, certamente faria de tudo para conseguir tal acesso para assegurar uma vida sossegada. Mas temos um tesouro muito maior cuja chave nos foi dada muitas vezes e por diversas formas, uma delas é este trecho acima. Ele nos coloca diante de nosso irmão em posição de respeito e amor, pois tal atitude nos abre as portas para uma vida eterna. Ela nos permite ouvir de Jesus, no dia de nosso julgamento, as palavras; “Vinde benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino que vos foi preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25). O tempo de quaresma é um desafio para praticarmos este amor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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12 Fevereiro 2016
“A beleza de Deus se manifesta assim, nas pequenas coisas, mas de tamanha grandeza e magnitude que enche de beleza os olhos, bem diferente das construções do homem que, se não forem faraônicas, ninguém nem as percebe” (Maria Aparecida Roncari Mari, professora em Terra Boa (PR)).
Para vermos bem, nosso coração deve estar em paz e silêncio. Às vezes penso que os olhos estão ligados com o “coração”, no sentido de percepções, pois vemos só o que nos interessa. A experiência da professora, que ao ver dois preás na porteira da chácara onde mora, seu coração se encheu de admiração a ponto de perceber a beleza da criação de Deus nestas criaturinhas, demonstra que nossa visão depende do estado de nosso coração. Quem já teve a oportunidade de acordar bem cedo e ver o sol nascer, pode observar um espetáculo que é diferente todos os dias, pois Deus é um “artista” que nunca repete o mesmo “quadro”. Já quem tem um coração carregado de sentimentos “maldosos” ou “negativos”, tudo é ruim, nada presta, vive reclamando de doenças, transforma em maldade tudo o que ouve; se julga juiz do mundo, por isso vive vigiando a vida alheia. Pessoas que agem assim estão fechadas em si, são cegas para as belezas que Deus maravilhosamente criou. Sobre isso Jesus nos ensina no Evangelho de Mateus 12, 33: “A boca fala do que está cheio o coração. A pessoa boa tira coisas boas do seu bom tesouro, mas a pessoa má tira coisas más do seu mau tesouro”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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11 Fevereiro 2016
“Antes, que o direito corra como a água e a justiça como um rio caudaloso” (Amós 5, 24).
O respeito que tenho ao próximo é um sinal que amo a Deus. Esse versículo do Livro do profeta Amós, é uma resposta ao clamor do povo que se sente abandonado, e o profeta fala em nome de Deus, dizendo ao povo que; não são as reuniões de louvor, nem as festas, nem sacrifícios, cultos, nem os cantos e hinos que agradam a Deus, e sim “quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5, 24) (lema da Campanha da Fraternidade 2016). Em outras palavras, demonstre seu amor a Deus através do respeito e admiração que tens a teus irmãos, assegurando o direito e a justiça. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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5 Fevereiro 2016
“Bem aventurado o homem que não espera nada, porque nunca será decepcionado”. (Alexander Pope, poeta britânico, 1688-1744).
A espera pode frustrar. Biblicamente, a esperança é colocada como uma das mais fortes colunas que sustenta o edifício da vida do homem que crê. Aliás, ela vem associada quase que como irmã gêmea da fé e da caridade. Na tradição cristã, as três são chamadas de “virtudes teologais” (por serem de iniciativa Divina). Deus, no caso, é quem suscita a esperança, a fé e a caridade no coração humano. Ao mesmo tempo, na compreensão cristã o Homem que espera em Deus jamais será decepcionado. Como entender, então, que o homem que nada espera nunca seja decepcionado? É uma contradição? Na verdade a frase de Pope não diz daquele que espera em Deus, mas daquele que não espera nada. Ou seja, daquele que jamais cria expectativas em torno disso ou daquilo. Muitas de nossas decepções e amarguras provêm de expectativas frustradas. Esperamos em algo ou de alguém e aquilo ou aquele(a) não corresponde. O homem que nada espera é livre, pois vive de uma única atitude: da acolhida. Venha o que vier, ele(a) acolhe. Mais ainda, acolhe como dádiva. Se o que vem é bom (segundo seu entendimento) ele aprimora, faz crescer e desenvolve. Se for ruim (também conforme seu entendimento) ele melhora, dá os ajustes necessários, e transforma em algo que dá sentido à sua vida. Tal homem ou mulher que vive da acolhida livre e generosa de tudo o que se dá e vem; nunca se decepciona, pois mostra que nunca viveu de expectativas que fossem apenas o reflexo de seus desejos ou vontades. Se é possível falar de uma espera do homem que em nada espera, é aquela de alguém que vive à espera do inesperado, pois nesse tipo de espera é imprevisível, sem calcular e determinar nada, somente abrir-se, abraçar e trabalhar o que vier. Talvez nesse sentido a “não espera” de Pope com a esperança cristã se toquem e se encontrem, pois nenhuma delas coloca o acento no homem com suas idealizações fixas e estreitas de espera, o que causa muita frustração e decepção ao longo do caminho e paralisa a jornada caso não se veja satisfeito com o que esperou. Mas, acentua a atitude de um coração e de uma vida aberta para lidar livre e generosamente com qualquer realidade que se apresenta. Essa atitude jamais decepciona, pois decepção nada mais é do que a experiência do sentir-se enganado ou traído por uma expectativa da qual se colocou tanta energia de espera. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)
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4 Fevereiro 2016
“Toda palavra dita desperta uma ideia contrária”
(Johann Wolfgang von Goethe, diretor de teatro, poeta, romancista, dramaturgo, filósofo, teórico de arte e diplomata alemão, 1749-1832)
Nem sempre quem é contra tua ideia é contra você. Para realizar um bom caminho de diálogo ou de um bom discurso em qualquer área ou situação da vida, é importante entender a ideia de oposição ou do contrário como pertencente ao processo dialogal. É costume entender a oposição ou o contrário como algo negativo quando se refere ao diálogo. Pensa-se muitas vezes o diálogo como a concordância das mesmas ideias e falas. Nessa compreensão as falas e ideias opostas ou contrárias são tidas como ameaça e barreira ao diálogo. Porém, a oposição e o contrário representam o teste maior para o verdadeiro diálogo. No diálogo tudo o que é contrário em termos de ideias e falas significam o teste maior que prova a clareza, a resistência, a distinção e a maturidade do diálogo. Essa é a razão pela qual dentro do diálogo já vem suposto, proposto e pressuposto a ideia do contrário ou da antítese para gerar uma boa síntese. Entender bem essa ideia ajuda a fazer do diálogo uma porta aberta para a compreensão de tudo o que se dá como fala, como tese, como palavra, como discurso, como atitude ou comportamento, pois tudo isso, queira ou não, desperta uma noção do contra ou do contrário. Porém, o contrário não é para eliminar, enfraquecer ou inibir o diálogo, mas, para enriquecê-lo, amadurecê-lo, purificá-lo e torná-lo mais aberto, transparente, abrangente e profundo. A palavra dita numa conversa ou num diálogo desperta uma ideia contrária, simplesmente, porque sabe que uma única ideia, uma única palavra, uma única posição, uma única visão, jamais consegue puxar ou desenrolar do grande novelo da vida as suas mais diversificadas possibilidades, ou suas infinitas criações. Talvez seja por isso que lá onde o verdadeiro diálogo se instala ali nenhuma forma de ditadura, de poder opressivo, de incomunicabilidade, de dogmatismo ou fundamentalismo se imponha. O diálogo se alimenta de ideias contrárias para gerar comunhão e liberdade em tudo e com todos. “Bem aventurados” os que sabem ouvir e aprender com a “oposição”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia!(20 anos)

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3 Fevereiro 2016
“O barco do amor chocou contra a rotina diária. Agora eu e você terminamos. Por isso, é inútil elaborar uma lista de mágoas, dores e feridas mútuas” (Vladimir Mayakovsky, poeta russo, 1893-1930).
Todos os dias o amor se reinventa. A união de duas pessoas distintas pelo vínculo do amor é fruto de todo um amadurecimento mútuo onde se aprende ao conviver respeitando e amando as diferenças. Um filme que ilustra bem isso é “Como se fosse a Primeira Vez” (Life House You and Me), do diretor Peter Segal. Nele Lucy (Drew Berrymore) e Henry (Adam Sandler), se encontram no Havaí, ele um veterinário marinho e ela uma moradora local que sofre de uma doença (Síndrome de Goldfinger), oriunda de um acidente que afetou seu lóbulo temporal e a impede de armazenar fatos novos, ou seja, esquece o dia anterior. Ele se apaixona por ela e todo dia tem que reconquistá-la “como se fosse a primeira vez”. Para eles, o que seria a rotina, era um novo recomeço; cada dia aperfeiçoando o anterior. Só o amor tornou isso possível, pois muitas barreiras precisaram ser removidas. Em nossas vidas, também enfrentamos situações semelhantes, onde devemos ultrapassar barreiras, remover os ressentimentos, e acima de tudo perdoar de coração. Caso contrário, a rotina começa a “enferrujar” (oxidar) o relacionamento, ressaltando magoas que crescem com o tempo, gerando dores e feridas mútuas. O amor é o “bálsamo” capaz de cicatrizar estas feridas. Seja criativo, que a rotina seja sempre um recomeço. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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2 Fevereiro 2016
“Não há motivo para buscar o sofrimento, mas se ele vier não o tema; encare-o sem medo e o enfrente com coragem” (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900).
A maioria de nossos medos são frutos de nossa imaginação. Quando temos algo a fazer e estamos inseguros, muitas vezes ficamos imaginando o pior e quando chega a hora já estamos tremendo de medo, e tudo tende a dar errado. Mas, se levantarmos a cabeça, confiando em nossa preparação, sem medo dos monstros criados pela imaginação e com segurança fizermos a nossa parte, tudo tende a dar certo. Mesmo que seja algo que nos cause sofrimento, seus efeitos serão mínimos se o enfrentarmos com coragem. Veja por exemplo quem tem medo de injeção; muito antes da aplicação a pessoa já começa a sentir dores, oriundas apenas da imaginação; mas, se pensar que aquilo é insignificante, que muitos já passaram por isso, que existem ferimentos piores e que se fugir da medicação, aí sim poderá sentir dor, seguramente este medo será amenizado. A coragem vem de dentro, de nosso acreditar e com ela até o sofrimento desaparece. Em tudo que fizermos devemos primeiro acreditar em nossa capacidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)
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1 Fevereiro 2016
“O homem mais perigoso para qualquer governo é o homem que tem a capacidade de pensar as coisas por si mesmo, sem medo de superstições ou tabus” (Henry Louis Mencken, jornalista e escritor americano, 1880-1956).
Quem pensa incomoda. Em nosso tempo, a grande força de comunicação de massa é sem dúvida a mídia em suas diversas formas de se apresentar. Por isso mesmo, quem domina a mídia, domina o pensar da grande maioria, porque é mais fácil acreditar no que está sendo dito, do que exercitar a capacidade de pensar. A grande mídia oficial controla os meios de comunicação através da vinculação em massa e a alto custo, da propaganda de “estatais”. Estes meios dependem destas verbas para continuarem existindo. Assim, tenha desconfiança da veracidade da informação se esta mídia está cheia “propaganda” oficial (Caixa, BB, Saúde, Educação etc). Por outro lado, é difícil pensar neste mar de informações controladas, pois você terá que buscar em outras “fontes” estas mesmas informações até que tenha bagagem suficiente para tirar as próprias conclusões. Como é trabalhoso e precisa de tempo, poucos são capazes de discernir o que é verdade ou mentira em uma informação. Jesus chama de hipócritas aqueles que se recusam a pensar e com isso são incapazes de discernir “os sinais dos tempos”, quando diz: 'E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?' (Mateus 16, 3). A capacidade de pensar é um dom divino que deve ser desenvolvido para o bem de todos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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29 Janeiro 2016
“O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quanto o destino” (Antoine de Saint-Exupéry, escritor, ilustrador e piloto francês, 1900-1944).
Nossa ação de hoje determina como vai ser o futuro. Quando ouvimos e vemos algumas catástrofes provocadas pelo homem, ficamos perplexos como alguém pode provocar isso. No entanto nos esquecemos que nossas ações de hoje podem provocar tragédias amanhã, ou um lugar perfeito. Há transbordamentos de água nas cidades, porque faltam escoamento e áreas de absorção, ou os canais estão entupidos de lixo. Rios viraram esgoto, ou seja, em vez de tratar, preferimos descartar. E tudo isso vai para o mar, prejudicando a vida marinha. Todos estão preocupados com a proliferação dos mosquitos e suas doenças, no entanto, há quanto tempo abandonamos a prevenção, facilitando criadouros e eliminando os predadores naturais? Sempre esperamos que o outro faça. Quando você vê algo caído, ajunta ou deixa para outro fazer? As grandes transformações começam com pequenas atitudes, para o bem ou para o mal. Quando vemos que tudo caminha para um desastre eminente e ficamos só esperando para ver no que vai dar, é um sinal de covardia, pois se todos agirem assim, nada vai mudar e o pior vai acontecer. Como diz Madre Tereza, minha ação pode ser apenas uma gota no oceano, mas sem ela o oceano seria menor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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28 Janeiro 2016

“A esperança faz com que um náufrago agite seus braços no meio das águas, mesmo que não esteja vendo terra em nenhum lado” (Publio Ovídio Nasón, poeta latino, 43 a.C. – 18).
“A esperança não decepciona” (Rm 5). Mesmo diante do “impossível”, quem tem esperança continua acreditando e lutando. Quantas pessoas se salvaram porque tiveram a coragem de dar mais um passo. Conheço pessoas que se curaram de doenças terminais porque se recusaram a desanimar, e continuaram sua busca para recuperar a saúde, praticamente alicerçadas apenas na esperança. Quando desanimamos, desligamos “o motor” que nos dá propulsão, e ficamos à “deriva”. Cada passo deve ser dado com o cuidado necessário de se evitar uma queda ainda pior. Mas, para quem acredita, todo o universo conspira a seu favor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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27 Janeiro 2016
“É preciso saber o que se quer, quando se quer, e ter a coragem de dizê-lo, e quando disser, ter a coragem de realizar” (Georges Benjamin Clemenceau, médico, jornalista e político francês, 1841-1929).
Um tronco e uma canoa são semelhantes, por terem a mesma origem. Em um rio, se comportam de maneira bem diferente. Um viaja à deriva enquanto o outro serve de transporte. Há pessoas que se assemelham a um tronco enquanto navegam pelo rio da vida. São levadas pelas ondas, vão sem destino, sem propósito, sem coragem, às vezes se enroscam em alguns galhos da margem do rio e ficam ali paradas até que uma enchente os solte. Outras são como canoas, têm a capacidade de assumir a direção de seu destino enquanto navegam no rio da vida. Sabem aonde e quando ir. Com coragem manifestam sua vontade e com vigor realizam o planejado. É mais cômodo ser como os troncos, sem responsabilidade, sempre tendo alguém para culpar quando algo dá errado. Mas troncos apenas são levados enquanto que canoas a muitos ajudam a vencerem as águas do rio. Seja senhor(a) de sua vida. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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26 Janeiro 2016
“Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá suas próprias dificuldades. A cada dia basta o seu fardo” (Jesus em Mateus 6, 34).
Quem carrega o fardo de amanhã no dia de hoje, se cansa mais rápido. Quantas vezes eu adiei para fazer depois e no dia seguinte já estava tudo diferente. Perdi oportunidades por adiar decisões. Passei noites acordado com pânico para enfrentar algo “amanhã”, mas na hora, havia outro arranjo e tudo se encaminhou, então lamentei ter perdido uma boa noite de sono. A vida é dinâmica e a oportunidade de hoje, amanhã será bem diferente. Como em uma espiral, aparentemente voltamos ao mesmo ponto a cada volta, mas se prestarmos bem atenção, estamos uma volta a mais. Esse capítulo do Evangelho de Mateus pede que tenhamos confiança em Deus Pai. “Olhai as aves do céu...olhai os lírios do campo... vosso Pai Celeste sabe muito bem do que vós necessitais...” Portanto, façamos o melhor a cada dia e o Pai que tanto nos ama, vai estar ao nosso lado a cada passo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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25 janeiro 2016
“Nunca desista! Nunca, nunca, nunca. Em nada. Grande ou pequeno. Importante ou não, Nunca desista. Nunca se renda a força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo”
(Winston Leonard Spencer Churchill, estadista britânico, escritor e vencedor do Prêmio Nobel, 1874-1965).
Para quem não desiste, sempre haverá uma saída. Por vezes a vida nos coloca em situações em que é difícil encontrar uma saída. Como se estivéssemos no fundo de um poço, já sem forças, depois de ter tentado de tudo para encontrar uma maneira de sair, e aparentemente a melhor alternativa é desistir. Mas, é justamente aí que devemos olhar para cima e ver que existe uma saída; embora difícil, ela está aí, basta ter fé e confiar, sem nunca desistir. Desta confiança brota uma solução jamais imaginada antes. Talvez “fininha” como uma teia de aranha, mas mais resistente que o aço. Deus jamais desiste de nós. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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22 Janeiro 2016
“Um homem de espírito não pode nem pensar que existe a palavra dificuldade” (Georg Christoph Lichtenberg, cientista e escritor alemão, 1782-1799).
Quando o homem dá o primeiro passo, Deus abre seus caminhos. Chamamos de “homem de espírito” este indivíduo com capacidade de pensar e raciocinar agindo com determinação. Desconhece a dificuldade, pois a encara como um desafio a ser superado. Segundo o livro dos provérbios de Salomão (Pr 20, 27), é um dom de Deus, que ilumina seu interior como uma lâmpada. Além de pedir, a pessoa tem que agir para merecer. Na medida em que a pessoa descruza dos braços (ou sai da zona de conforto) e toma atitudes concretas diante das dificuldades, este espírito cria saídas nunca imaginadas. Esperar que a solução caia pronta do céu sem o mínimo esforço, é esperar em vão. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom Dia! (20 anos)

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21 Janeiro 2016

“Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada” (Sêneca, filósofo latino, 4 a.C.-65 d.C.).
Quem tem fé e determinação nunca está só. Vela, na linguagem náutica, é o tecido preso ao mastro da embarcação, capaz de impulsionar a mesma, pela força do vento. É a perícia do timoneiro que consegue dar direção e velocidade utilizando esta força eólica em seu barco. As águas do mar estão em contínuo movimento, por diversos fatores, desde as marés até as tempestades. Dependendo do tamanho da embarcação, uma tempestade é capaz de afundá-la, ou causar grandes avarias. Se por algum motivo, a vela de um barco é avariada, este barco vai perder em parte sua força de impulsão, e pode até ficar à deriva. Neste momento é que os grandes timoneiros demonstram sua capacidade, ao conduzirem a embarcação a um porto seguro, mesmo com a vela despedaçada. Nossa vida se assemelha a um barco. Estamos navegando no mar da vida. Há momentos de paz e muita calma, mas também existem momentos de tempestade. São eles que testam nossas habilidades e também aprimoram nossa experiência. Muitas vezes nos sentimos sozinhos em um mar agitado e, mesmo no desespero, temos que enfrentar as dificuldades, e nem adianta gritar, é de nosso interior que brota a força capaz de superar obstáculos. Ela nos ensina que o medo nos faz imaginar monstros enormes tentando nos destruir, mas eles sucumbem diante de nossa coragem para enfrentá-los. Prefira resolver logo seus problemas enquanto são pequenos, para evitar que virem monstros difíceis de lidar. Tenha bons propósitos, organize sua vida para que seu ano seja promissor. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom Dia!
(20 anos)

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Abençoado ANO NOVO!
(As mensagens de Bom dia e Bom trabalho retornam em 21 de janeiro de 2016)
Obrigado por ter acompanhado as mensagens durante estes 19 anos
José Irineu Nenevê
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9 de maio de 2016

“Ensinarás a voar, mas não voarão o teu vôo...” (Madre Tereza de Calcutá, missionária católica de origem albanesa, 1910-1997).

É até comovente vermos tantas manifestações de carinho no dia das mães. Pelo menos neste dia elas são nossas heroínas. Mas entendermos em plenitude o sentido da palavra mãe, seria preciso estar ao seu lado em cada momento, sentindo o palpitar de seu coração, pois cada uma tem sua caminhada e nela encontraremos muito da mão divina. A meu ver, este poema da Madre Teresa traduz um pouco da emoção e algumas vezes da decepção de ser mãe;
 “Ensinarás a voar ... 
Mas não voarão o teu vôo. 
Ensinarás a sonhar ... 
Mas não sonharão o teu sonho.
Ensinarás a viver... 
Mas não viverão a tua vida.
Ensinarás a cantar ...
Mas não cantarão a tua canção.
Ensinarás a pensar... 
Mas não pensarão como tu. 
Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem...
Estará a semente do caminho ensinado e aprendido!”
Obrigado por ter aceitado das mãos de Deus esta missão sublime de ser mãe!
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!

Bom Dia!
(20 anos)

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