Artigo 11

Intenções de Missa

Está bem difundido nas comunidades o costume de anunciar, antes do início da Missa, as intenções pelas quais será celebrada a Eucaristia. Vamos refletir sobre esse procedimento, tentar esclarecer seu significado e alertar quanto a possíveis desvios.

1. O costume de “mandar celebrar Missa”

As pessoas procuram o sacerdote ou vão até a secretaria da igreja e solicitam que a Missa de um determinado dia, no horário estabelecido, seja aplicada numa determinada intenção: por alma de um falecido, ou em ação de graças por um aniversariante, ou pelo sucesso de uma operação... e assim por diante. O fiel que “manda” celebrar a missa oferece uma “espórtula”, ou seja, contribui com um valor em dinheiro que caberá ao sacerdote pela prestação dos serviços religiosos. Atualmente, mais comum a Missa com intenções coletivas, ou seja, várias pessoas encomendam suas intenções, e contribuem com quanto quiserem. A soma dos valores recebidos constituirão a “espórtula” daquela Missa.

2. O que significa tudo isso? Como é que nosso povo entende esses procedimentos? Entende que a Missa, que o sacrifício de Jesus na cruz, tem um valor espiritual infinito. Portanto, aplicar a Missa por um falecido, por um doente ou em ação de graças é encomendar a oração mais poderosa que se pode oferecer.

A “espórtula” não pode ser entendida como “pagamento”, pois o valor da Missa é infinito, não tem preço! A contribuição seria então uma taxa para o sustento do sacerdote, para cobrir as despesas de funcionamento da igreja e dos serviços religiosos. Todo mundo sabe que é as­sim que funciona em nossas paróquias, em nossas igrejas. Em princípio, tal costume não merece objeção. Porém, com frequência, acontecem desvios. Há pessoas que “encomendam” a missa, mas, não se envolvem, não se interessam pessoalmente pela celebração; imaginam que sua própria participação na oração não é nem mesmo necessária, pois o efeito do sacramento depende apenas do ministro ordenado. Se foi registrada a intenção, se foi dada a contribuição “devida”, o efeito seria automático.

3. Qual a maneira correta de colocar as intenções?

Claro que a Eucaristia só pode ser celebrada por um sa­cerdote. Mas cada membro da assembleia pode e deve participar ativamente na Missa. A intenção que foi encomendada deve estar, em primeiro lugar, dentro do nosso próprio coração. Mais importante e mais relevante que a leitura da lista de intenções antes do início da Missa, muitas vezes extensa e monótona, é estar consciente de que podemos nos unir com Jesus que se oferece no sacrifício do altar, colocando mentalmente nossas intenções. Interessante é que há momentos específicos para isso na própria estrutura da celebração:

- quando chegamos à igreja e, em silêncio, nos colocamos diante do sacrário, fazendo já nossas intenções;

- quando o sacerdote, depois do Ato Penitencial ou do Glória diz “oremos”, antes da primeira oração da Missa;

- durante as preces dos fiéis (pena que em muitos lugares não se reserva um tempinho em silêncio para que cada um reze por suas intenções particulares);

- durante a grande Oração Eucarística, quando se reza pela Igreja, pelo papa, pelo bispo... é o momento de rezar pelos vivos. É mais um momento para colocar, em silêncio, nossas intenções particulares;

- ainda durante a grande Oração Eucarística, quando se reza pelos que já deixaram esta vida (momento de silêncio). É o momento de rezar, no silêncio do coração, pelos nossos falecidos;

- quando se reza pela paz, outro momento privilegiado para colocarmos nossas inten­ções, agradecer ou pedir pelos que sofrem ou necessitam de uma graça especial;

- na hora da comunhão, estando com Ele dentro do coração. É hora de lhe falar sobre as nossas intenções, na intimidade e na profundeza da fé.

Pare um pouquinho para pensar: Será que a gente não desperdiça essas excelentes oportunidades de colocar bem dentro do Coração de Jesus as nossas intenções, aquelas que de fato podem brotar do nosso próprio co­ração. “Mandar celebrar Missa”, o que relativamente é muito fácil, e depois não participar devidamente e conscientemente da Eucaristia acaba sendo um aberrante contra-senso. Você não acha?

Clodoaldo Montoro

(Deus Conosco nº 109, Janeiro de 2011, p.123-124, Editora Santuário)

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* Intenções da Missa: em cada comunidade, o costume é diferente. Normalmente, as intenções, por falecidos e outras, são lidas antes da missa. A leitura deve começar com antecedência suficiente para não atrasar o horário do início da celebração. As intenções não devem ser lidas depois do Hino de Louvor depois que o presidente diz “Oremos” (IGMR 32). Às vezes, é constrangedor dizer “quem encomendou” a missa, porque parece comércio. Também é delicado o padre ressaltar alguma das intenções, deixando as outras de lado. Por isso, cada comunidade tem que analisar o procedimento com as intenções de missa, bem como das espórtulas.

Lourenço Mika

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Artigo 10

O AVISO DE MISSA

Tédio - em algumas comunidades, os Avisos Paroquiais configuram o momento mais tedioso da celebração. Em outras, patéticos como o horário político na televisão. No final da missa, o povo já está cansado de ouvir e está com pressa para sair da igreja. É avisado aquilo que não desperta a menor atenção.

Desinteresse - alguns avisos são desnecessários, por exemplo, “missa do Apostolado da Oração na primeira sexta-feira do mês”; outros, inoportunos, “bingo na associação de moradores” (somos Igreja ou cassino?); outros, não entendidos, “palestra sobre família na sexta-feira”...

Memorização - se forem pronunciados apenas três avisos, muito bem elaborados, um simples fiel conseguirá memorizar pelo menos um aviso; ao estar saindo da igreja, possivelmente já não lembrará dos outros dois avisos. É tempo perdido dar mais do que três avisos. É constatado que o fiel comum não lembra o Evangelho que foi proclamado e não lembra de nenhuma Prece dos Fiéis que foi lida na missa. Se há vários avisos que são imprescindíveis, a solução é imprimir cópias em papel e distribuir no final da missa.

Código - o aviso de missa tem que levar em conta que é um texto que é redigido para ser falado (código oral) por uma pessoa (emissor) e ouvido por outra (receptor). É um texto diferente daquele que é escrito para ser lido com os olhos (código criptografado) e compreendido pelo intelecto.

Eficiência - Um aviso eficiente segue as leis do marketing: anunciar uma novidade, despertar um interesse, mover para uma ação, ter um objetivo alcançado. Se um aviso de missa não motiva ninguém a participar de algum evento (retiro, encontro de formação, visita, palestra...), o aviso foi ineficiente.

Técnica - um aviso tem que levar em conta a técnica de redação de uma notícia, o lead (cabeçalho), que contém os 5 ‘W’ e um ‘H’: Who (quem?), What (o quê?), Where (onde?), When (quando?), Why (por quê?), How (como?).

Exemplo – “Palestra sobre Alimentação Saudável: na próxima sexta-feira, dia 10 de setembro, às 20 horas, no salão paroquial, haverá uma palestra sobre Alimentação Saudável. A palestrante é a nutricionista Janete Giacomelli, membro da Pastoral da Criança. Os convidados para a palestra são as pessoas que querem ter uma vida mais saudável. Não precisa fazer inscrição e nem pagar taxa. Quem vier na palestra, ganhará de brinde uma cartilha impressa sobre Alimentação Saudável.” (a repetição das palavras Alimentação Saudável e palestra é intencional para facilitar a memorização).

Clareza - Anunciar em forma de manchete: “Palestra sobre Alimentação Saudável”. Depois, descrever o dia da semana, a data no mês e a hora. Descrever o local e o assunto. Explicar quem vai falar e quem é o público convidado para ouvir. Motivar as pessoas, falando das vantagens: palestra gratuita, cartilha dada de brinde...

Quem avisa - de preferência, o coordenador da comunidade, ou o presidente do conselho de pastoral. É ele quem deve decidir o quê será avisado, fazer a redação do texto e providenciar uma pessoa de boa leitura para ‘dar’ os avisos. O padre não deve ser o dono-dos-avisos (centralizador) e nem qualquer pessoa pode falar (vender) o que quiser.

Quando se avisa - depois da oração pós-comunhão, antes da bênção final; não no momento da ação de graças.

O quê se avisa - “terminada a oração depois da comunhão, podem ser feitas, se necessário, breves comunicações ao povo” (IGMR 123). Na igreja, se avisa aquilo que tem a ver com a evangelização, com a pastoral, com a catequese, com a liturgia... O público-alvo dos avisos são os fiéis presentes na celebração e não os ausentes; por isso, a mensagem tem que ser do interesse deles. O evento tem que ser da semana em curso. Não se avisa aquilo que vai acontecer num futuro muito longínquo. Uma cópia da folha de avisos, impressa ou fotocopiada, dever ser afixada no quadro-mural; se alguém se interessou por algo e não conseguir memorizar, pode conferir no quadro-mural.

O quê não se avisa - Anúncio de bingo, quermesse, mutirão, passeio, passeata, abaixo-assinado... isso deve ser feito através de outro veículo, como panfleto, boletim impresso, cartaz afixado no quadro-mural. O “aviso de missa” noticia o que vai acontecer; a “notícia” noticia o que já aconteceu.

Aniversariantes - Se os aniversariantes da semana forem chamados à frente, no mínimo se deve dar um presentinho para cada aniversariante. Cantar ‘Parabéns’ para aniversariantes, só quando a equipe litúrgica sabe o nome completo do aniversariante e providenciou um presente para cada aniversariante.

* Intenções da Missa: em cada comunidade, o costume é diferente. Normalmente, as intenções, por falecidos e outras, são lidas antes da missa. A leitura deve começar com antecedência suficiente para não atrasar o horário do início da celebração. As intenções não devem ser lidas depois do Hino de Louvor depois que o presidente diz “Oremos” (IGMR 32). Às vezes, é constrangedor dizer “quem encomendou” a missa, porque parece que a pessoa quer se aparecer. Também é delicado o padre ressaltar alguma das intenções, deixando as outras de lado. Em muitas comunidades, há uma pequena urna para que os fieis escrevam suas intenções em pequenos bilhetes e coloquem na urna; a urna é trazida na procissão de entrada e colocada diante do altar. Nas comunidades em que funciona bem o dízimo, não se recebe a espórtula; mas, o dízimo deve repassar ao padre a respectiva espórtula. Algumas intenções que citam o nome da pessoa não podem ser lidas: para que fulano se cure do alcoolismo, para que fulano seja libertado das drogas, pelo casamento religioso de fulano e fulana... Por isso, cada comunidade tem que analisar o procedimento com as intenções de missa, bem como das espórtulas.

Lourenço Mika - www.maikol.com.br, clique em Artigos, Artigo 10

Esse artigo foi publicado na Revista Paróquias & Casas Religiosas, Promocat, São Paulo-SP, na edição nº 14, Setembro/outubro 2008, página 48.

Artigo 9

COMO CONSTRUIR UMA IGREJA

- Na igreja, são importantes: visualização, sonorização, iluminação, ventilação, decoração, comunicação, dicção, apresentação..., e até, oração!

- Ao pensar em construir uma nova igreja, deve-se primeiramente elaborar o projeto acústico, o projeto arquitetônico, o projeto de iluminação, o projeto de climatização, o projeto de decoração; e não como às vezes se faz, em que um grupo de voluntários, em mutirão, começa a erguer paredes, sem a menor noção de como deveria ser uma igreja católica (e até levam multa do CREA). Algumas igrejas evangélicas incorporam plenamente a tecnologia eletrônica da boa comunicação. Com a disseminação da prática da cremação dos mortos em vez de enterro no cemitério, surgiram as “Funeral Homes”, ou seja, casarões de até 30 cômodos para os velórios.

- Na teologia litúrgica, não se usa o termo “templo” para as igrejas, porque templo era a designação dos templos dos cultos pagãos e do AT. O templo era o local onde Deus habita; este templo Jesus destrói e faz do Corpo d’Ele o Templo Novo. Além do mais, na teologia paulina, o povo de Deus é o Templo onde habita Deus e cada batizado é templo vivo do Espírito Santo. Por isso, podemos dizer que o templo vivo de Deus (assembleia reunida) reúne-se numa igreja. Quando se trata da Igreja Universal, usar letra maiúscula no início (Igreja); quando se trata de templo, letra minúscula (igreja).

- Visualização:

            A arquitetura das igrejas medievais valorizava a luz e o som naturais. Quando o padre ‘gritava’ no ambão, sempre localizado numa lateral da nave maior, o grito ecoava nas altas ogivas. A torre era alta para ser vista de longe e para que os badalos do sino se propagassem na maior distância possível. As estátuas, as pinturas e os vitrais formavam um visual artístico formidável... o que lamentavelmente se perdeu hoje.

            A arquitetura das igrejas de hoje tem que ser adaptada para a acústica (áudio) e visualização (imagem) favorecidos pela tecnologia. A igreja não precisa ser alta e nem precisa das ogivas geradoras do eco, hoje nocivo para a sonorização. A igreja pode ser esférica, orbital, piramidal, oval, em forma de meia-lua... Numa arquitetura ovalada parece que fica mais fácil de situar cada detalhe, deixando a capela do Santíssimo do lado de fora do plano ovalar. A Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia devem ficar de 7 a 10 degraus acima dos fiéis, numa espécie de tablado, de acordo com as dimensões da igreja. Importante que o padre e a equipe litúrgica sejam vistos e ouvidos; pois olho e ouvido se complementam. O altar e o ambão não podem ser muito altos; o padre e o leitor têm que ser vistos da cintura para cima, como nos telejornais. Os gestos dos braços e o Lecionário têm que ser vistos. Levar em consideração que há pessoas, deficientes auditivas ou não, que usufruem da leitura labial ou da linguagem das libras. Segurar o microfone na mão na altura do peito. Os músicos podem ficar num tablado.

Nos desafios da Pastoral Urbana, não se pense mais numa estrutura arquitetônica parecida com a Basílica de São Pedro em Roma ou uma Catedral da Sé de São Paulo; pense-se num prédio de 20 a 50 andares. No subsolo, pode ter uns três andares para o estacionamento de automóveis. O piso térreo pode servir para recepções, com cozinha e lanchonete. O 1º andar será a igreja. A partir do 2º andar, auditórios maiores e menores, salas-de-catequese... equipados com projetor-multimídia, salas informatizadas para reuniões pastorais, secretarias... Disponibilizar internet wireless para aulas de teologia, pastoral da comunicação... Os últimos andares podem ser reservados para a residência do padre, síndico...

Projetor-Multimídia: as folhas de cânticos e os folhetos litúrgicos podem ser substituídos pelo datashow, projetando a partir do computador, ou do videocassete ou da câmera. Os telões, dois ou mais, de 7 a 12 metros de largura, têm que estar posicionados em locais que possam ser vistos por todos. Pode-se filmar ao vivo num enquadramento de primeiro plano aquele que está com a palavra (padre, leitor, comentarista...) e projetá-lo ao vivo nos telões. O melhor exemplo de televisionamento está na Basílica de Aparecida; em Curitiba-PR, Paróquia das Mercês. Se então, se quiser missa a missa ao vivo na TV ou pela internet, basta colocar um transmissor. Já há padres que chegam na igreja com um pendrive contendo a homilia. A cabine de comando do áudio-vídeo pode ficar embutida na parede e isolada com uma parede de vidro.

Na parede frontal da igreja, escrever o nome da igreja; exemplos: Paróquia Nossa Senhora das Graças, Capela São Lourenço. Implantar na frente da igreja uma placa metálica com os horários das missas, reuniões, expediente...

- Sonorização:

            Quando uma criancinha chora na igreja, a primeira causa é o som estridente, pois a criança tem o ouvido muito sensível. Quando a Igreja mudou a missa do latim para a língua vernácula, foram feitas acomodações, mas ainda não se chegou ao bom uso - inteligibilidade - da palavra falada e ouvida. Cabe aos peritos em acústica e sonorização, a instalação de um bom equipamento de sonorização numa igreja. Cabe à comunidade treinar alguém para ser o operador do equipamento de som; deve ser alguém que entende de eletrônica e que entende de liturgia. Para testar o microfone, deve-se sibilar (som entre língua e dentes) ou falar algumas frases úteis; não se deve assoprar no microfone, nem falar “Alô”, nem dar “tapas” no microfone. O microfone esteja revestido de espuma para neutralizar a interferência do vento e da respiração. Diferenciar microfone de palco (sorvete), de lapela, sem-fio, de orelha. O microfone, quanto mais caro, normalmente tem mais qualidade. Na regulagem, para a voz humana, não exagerar nos sons graves (Low); é bom acentuar levemente os agudos (High). As caixas-de-retorno, geralmente colocadas no chão, mais atrapalham do que ajudam, pois a tendência é regular a aparelhagem pensando em quem canta ou fala e não pensando em quem ouve.

Dicas para quem usa o microfone:

- Falar alto (sem gritar), devagar, com naturalidade

- Pronunciar bem as palavras, com o sotaque de origem

- Ler como se não estivesse lendo

- Cuidar da respiração, sem sorver o ar

- Manter a distância correta entre a boca e o microfone, falando na direção do microfone

- De preferência, segurar o microfone na mão e não deixá-lo no pedestal

- Evitar que pessoas não treinadas façam leituras no microfone

- Além de terem voz boa, os membros da equipe litúrgica devem se vestir adequadamente

Principais erros da sonorização:

- Falar ou cantar muito perto do microfone

- Ficar escondido atrás do microfone e da estante (a visualização correta é como o enquadramento que aparece nos telejornais: braços a serem vistos)

- Aparelhagem desregulada e mal projetada na hora da compra

- Microfones sem qualidade (analógico X digital)

- Erros de posicionamento das caixas-de-som

- Iluminação:

            O projeto arquitetônico deve privilegiar a luz natural e dar condições para uma iluminação artificial adequada para cada momento. A luz natural deve ser direcionada a partir do povo para o altar. A Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia devem ficar bem iluminadas, de dia ou de noite. Os lustres - que são uma versão moderna dos antigos candeeiros nos quais se queimava azeite - devem projetar a luz sobre o povo e não para o teto. Distinguir a luz difusa - que ilumina as obras de arte - da luz direta - que ilumina lá aonde a equipe litúrgica e o povo precisa ler. O teto seja pintado com cores claras. As janelas, tendo persianas acionadas por controles eletrônicos, têm que dar condições de escurecer levemente o ambiente na hora das projeções no telão. Prever que alguns eventos religiosos - casamentos, primeira comunhão... - serão filmados, para o que precisa uma boa iluminação fixa e a disposição de tomadas elétricas para a iluminação portátil.

- Climatização:

            Prevenindo frio ou calor, a igreja deve ter ar condicionado; o aparelho de climatização deve ficar do lado de fora para evitar ruídos. Valorizar a ventilação natural, pois não adianta deixar as janelas fechadas e ligar os ventiladores.

- Decoração:

            Observar as cores litúrgicas prescritas no Diretório Litúrgico: verde, vermelho, roxo, branco e róseo. Flores e toalhas sejam bem cuidadas. No altar, deve ficar unicamente o Missal Romano e, durante a Liturgia Eucarística, o cálice, a patena e o cibório; vela e flores, sempre fora do altar. Flores, velas (já existe a vela eletrônica), estátuas, vitrais, quadros, ícones da via-sacra, alfaias sagradas, lecionário, missal, mesa da palavra, mesa da eucaristia, bíblia sagrada, piso, paredes, teto... todos esses elementos devem remeter ao sobrenatural. Lembrar de comprar livro novo quando o antigo já está desgastado.

- Comunicação:

A igreja se caracteriza pela comunicação entre o elemento humano e o ser divino, na base da fé na vida sobrenatural do homem. Mesmo na pós-modernidade, ainda há espaço para a religião e para a mística. O badalo do sino é convite à oração, isto é, ao diálogo entre o homem e Deus. Hoje, o sino é substituído por um CD. O coral de música sacra é substituído pelo cântico de todos os fiéis. O órgão de tubos, pesando toneladas, foi substituído por um teclado eletrônico portátil.

* Segurança:

Não esquecer de: sensor de presença, câmera filmadora, alarme monitorado, cerca eletrificada, cachorro, guardião, seguro total...

Lourenço Mika

Artigo 8

Família: público-alvo da evangelização

FAMÍLIA: Pai + mãe + Filhos + Avós + Tios + Filhos Adotivos + Empregados (+ Bichinhos)

Família - Campanha da Fraternidade-1994

* Estudo feito com alunos de 8ª série e II Grau (Curitiba-PR, 1994):

PERFIL da FAMÍLIA 

Família   Pré-TV (até ±   1970)                       

Família   Pós-TV (desde ±   1970)

 

 

01   - Rural e Tradicional

01   - Urbana e Teledependente

02   - Muitos filhos; espaço para DEUS

02   - Poucos Filhos; espaço para os bens de consumo

03   - Autoridade dos pais

03   - Processo dialógico participativo

04   - Educação:

           

75%   - Família

10%   - Escola

9%   - Igreja    

6%   - Sociedade

04 - Educação:

80%   - Mídia (TV, rádio, músicas, internet...)

20%   - Família, Escola e Igreja

05   - Mentalidade na base da lógica; sofrimento

05   - Mentalidade na base da emoção; prazer

06   - Dogmática, certeza; nada era questionado

06   - Pragmatismo, incerteza; tudo é questionado

07   - Mundo estático, definido

07   - Mundo dinâmico, indefinido

08   - Professor: transmissor de conhecimentos

08   - Monitor: organizador de conhecimentos

09   - Comandos mecânicos, livros, artesanato

09   - Controle remoto, informática, indústria, estandardização

10 - Brinquedos fabricados   artesanalmente

10   - Brinquedos eletrônicos, games

11   - Rádio AM, antena VHF, telefone

11   - Rádio FM, antena parabólica, TV digital, internet, celular, ipad, tablet

12   - Recinto do lar

12   - Globalização da cultura, mundialização da economia, da política

13   - Refeição sagrada precedida pela oração

13   - Cada um faz refeição em hora e local diferentes

14   - Oração-em-família: terço, novena

14   - Oração individual ou nenhuma

15   - Conflitos familiares: aconselhamento

15   - Refúgio em drogas, álcool, sexo, jogatina

16   - Confessor

16   - Psicólogo

17   - Finanças estáveis, pagamento à vista

17   - Luta pela sobrevivência, crediário, cartão

18   - O trabalho envolvia a família toda

18   - Cada um com emprego diferente

19   - Pai dava dinheiro para esposa e filhos

19   - Mãe e filhos com (des)emprego próprio

20   - Casa própria

20   - Aluguel, BNH, Cohab, favelas, invasões

21   - Bens duráveis

21   - Bens descartáveis

22   - Harmonia com a natureza

22   - Poluição, aquecimento global

23   - Sexo: tabu, desinformação

23   - Conhecimento do sexo, anticoncepcionais

24   - Namoro sem intimidades

24   - Sexo livre, erotismo no merchandising

25   - Modernidade

25   - Pós-Modernidade

26   -

26   -

       

Bibliografia específica:

- HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo, Ed. Loyola, 2003.

- PUNTEL, Joana T. e CORAZZA, Helena Pastoral da Comunicação, Diálogo entre Fé Cultura. Sepac, São Paulo, Paulinas, 2007

Para debater em grupos:

 - O que mudou para melhor?

- O que mudou para pior?

- O que vai mudar ainda?

 

Recomenda-se: diálogo, fé em Deus, lazer em família, responsabilidade...

 7.2 - Igreja: agente evangelizador

 PERFIL da IGREJA

01   - Igreja: Pastoral de massa, missões

01   - Pastorais específicas: jovens, doentes, sem-terras

02   - Sacramentos, mandamentos

02   - Luta pelos Direitos Humanos, caminhada do povo

03   - Direito Canônico, normas universais

03   - Bíblia, a comunidade se organiza por si

04   - Autoridade do papa, bispo, padre

04   - Serviço dos agentes de pastoral, lideranças

05   - Todos iam à Igreja

05   - 3% dos católicos vão à Igreja

06   - Matrimônio indissolúvel

06   - Divórcio e nova união; casamento dura ± 4 anos

07   - Igreja excluía divorciados/amasiados

07   - Igreja tenta acolher amasiados, casais de 2ª união, mães solteiras

08   - Movimentos de espiritualidade

08   - Grupos de Pastoral locais

09   - Protagonismo da hierarquia

09   - Protagonismo dos leigos

10   - Catolicismo

10   - Ecumenismo; Seitas mercantilistas

11   -

11   -

             Para debater em grupos:

 a) O que você concorda no Perfil da Família e da Igreja descritos acima?

b) O que você discorda no Perfil da Família e da Igreja descritos acima?

c) O que você acrescentaria ou tiraria no que está descrito acima?

Artigo 7

O CASAMENTO POLONÊS

Os imigrantes poloneses chegaram ao Paraná por volta de 1871. Estabeleceram-se em várias regiões do Estado como: Ivaí, Araucária, São Mateus do Sul, Mallet, Cruz Machado, Contenda, Tomaz Coelho, Rio Claro, Reserva e Irati. Em Curitiba, eram a maior colônia polonesa no Brasil. Fixaram-se em núcleos coloniais em áreas dos atuais bairros de: Pilarzinho, em 1871; Abranches, em 1873; Santa Cândida, em 1875; Lamenha, Santo Inácio, Órleans, Dom Pedro II, Dona Augusta, em 1876; Ferraria, antiga Rivière, em 1877; Murici, Zacarias, Inspetor Carvalho e Coronel Accioly, em 1878. Os imigrantes poloneses dedicaram-se principalmente à agricultura. Difundiram o uso do arado e de outras técnicas agrícolas. Contribuíram para o desenvolvimento de Curitiba e do Paraná.

            Década de 1960 (época da infância deste redator, bisneto de imigrantes poloneses). Arredores da cidade de Curitiba. Mais exatamente, em foco as colônias rurais formadas pelos descendentes dos imigrantes poloneses. Entenda-se aqui colônia como o grupo de descendentes dos imigrantes que vieram da Polônia para o Brasil e que preservaram as tradições, as características culturais, a língua e a religião trazidas da Europa. Eram pobres, mas viviam muito bem. Embora tenham aprendido o português e tenham assimilado a cultura brasileira, os descendentes dos imigrantes preservaram muitas tradições, como é o caso do casamento tipicamente polonês.

 

O local e a data - A festa do casamento era feita na casa dos pais da noiva, num dia de sábado. Em décadas anteriores, o casamento era celebrado na segunda-feira e não no sábado. Para marcar o casamento, era preciso pensar em contratar uma cozinheira ( kucharka ) com seus tachos e talheres, uma bandinha de música ( musykanti ), o padre ( ksiads )... algo que tinha que ser feito com uns dezoito meses de antecedência. Marcada a data com esses três profissionais, então era hora de ir convidando o casal coordenador da festa ( druzba e druzbina ), os padrinhos e madrinhas , os condes e as damas ( sfat e druszka ). O convite geral era dirigido para os familiares e vizinhos; na prática, a colônia toda era convidada.

 

* Nota - os vocábulos em polonês aqui inseridos entre parênteses nem sempre existem no dicionário polonês porque são vocábulos criados nas colônias polonesas.

 

A Cozinheira - Prevendo alimentação para mais ou menos 500 pessoas por dois a quatro dias, a cozinheira se alojava na casa da noiva já na segunda-feira, quando encaminhava a arte culinária da semana. Na década de 1960, poucas casas tinham energia elétrica. Na terça-feira, ela assava as bolachas de mel com decoração colorida feita à base de glacê e açúcar. Na quarta-feira, ela cozinhava a cerveja caseira ( piwo ) e a gengibira, mais doce. Na quinta-feira, assava as broas ( chleb ) e o bolo da noiva ( kolacz ) e preparava a geléia de porco ( zimne nogi ). Dois ou três porcos eram abatidos pela manhã, tarefa que todo colono sabia fazer; já para matar o boi previamente engordado, era necessário chamar um açougueiro que possuía os apetrechos adequados. Na sexta-feira, dia em que os condes e as damas vinham para ornamentar o ambiente, a cozinheira se ocupava em preparar os frangos; o frango caipira tinha que ser novo e era doado pelos convidados ao casamento. Os pernis suínos eram assados no forno. Eram fritados os bolinhos de carne ( klopse ) e os sonhos. O açougueiro esquartejava a carne do boi. No sábado pela manhã, a cozinheira assava os frangos. Um grupo de mulheres fazia a maionese de batata e ovo, cozinhava o arroz, preparava as saladas de cebola e tomate. Numa grelha montada especialmente para a ocasião, vários homens se encarregavam de assar o churrasco. A refeição principal era servida pelas 15 horas, pois a cerimônia religiosa era oficiada na igreja pela manhã ou no mais tardar pelas 14 horas.

 

A despedida - os pais dos noivos não iam ao casamento religioso na igreja, pois eles estavam ocupados com a festa. Quem acompanhava os noivos na viagem à igreja eram os padrinhos, os condes e as damas. A noiva se trajava em sua própria casa, com o auxílio de uma pessoa da família que sabia vestir a noiva ( staroscina ). Por isso, havia o rito da despedida ( renkowiny ) dos noivos de seus pais. Nesse rito, eram declamados poemas e orações, intercalados por músicas religiosas. Por três vezes, de joelhos, os noivos pediam a bênção dos pais e estes, chorando, lhes impunham as mãos sobre a cabeça e traçavam o sinal-da-cruz. O druzba, falando em nome dos pais da noiva, dizia: “Nossa filha sempre foi tratada como rainha; se por acaso ela não servir para você, caro noivo, traga ela de volta que aqui ela será tratada sempre como rainha!” No final dessa cerimônia familiar, a staroscina jogava balas para os convidados e o druzba servia vodka para os homens e licor para as mulheres. Os sfaty eram encarregados de comprar os foguetes e os cigarros e charutos que eram colocados em caixas de sapato ornadas com papel crepom desfiado. Cada convidado de honra recebia pregada na roupa uma flor, que era de cedro verde com um lacinho de fita colorida. Para cada categoria de convidados (pais, padrinhos, sfaty, druzba) havia uma flor diferente. Alguns dias depois do casamento, os noivos iam para a cidade para a foto do casamento; a noiva se vestia de novo e então era feito o retrato. Não havia fotógrafos no dia do casamento, muito menos câmara de vídeo.

 

O matrimônio - de carroça puxada por uma parelha de cavalos, ou de perua rural, os noivos se dirigiam até à Igreja. Havia flores de crepom penduradas no arreamento dos cavalos, nos fueiros ( konica ) das carroças, e, mais tarde, nas maçanetas dos automóveis. O matrimônio era celebrado dentro da liturgia da missa. Nessa época, a missa mudou do latim para a língua vernácula. O casamento era celebrado em polonês, dado que todos conheciam a língua. O Concílio Vaticano II instituiu a equipe litúrgica que ajuda o padre a celebrar a missa; as tarefas litúrgicas cabiam a alguns membros da família dos noivos. O casamento civil ( slub cywilny ) era feito alguns dias antes ou depois do casamento religioso, na mais discreta singeleza; iam ao cartório apenas os noivos e dois testemunhas, que também podiam ser qualquer pessoa encontrada nas imediações do cartório.

 

Os arcos - terminada a cerimônia religiosa, o séqüito viajava para a casa da noiva. No trajeto, os foguetes sinalizavam em qual parte do trajeto os noivos se encontravam. Nas estradas de chão batido, se chovesse, a carroça demorava mais, mas era mais seguro para ir e voltar, pois o jipe, a rural ou a caminhonete freqüentemente encalhavam no barro. Nas principais encruzilhadas, desde o dia anterior estavam montados arcos ( bramka ), com duas taquaras verdes e enfeitadas com flores coloridas de crepom. O arco principal ficava na entrada da casa onde seria a festa. Os convidados para o casamento não iam para a igreja, mas calculavam o tempo para chegar na festa antes de os noivos chegarem da igreja. O druzba e a druzbina recebiam os convidados com um aperitivo, recolhendo os presentes para os noivos, que eram panelas, talheres, ferramentas, quadros religiosos e até guarda-chuva.

 

A festa - Enfim, a festa vai começar. Tão logo chegavam da igreja, os noivos serviam o bolo ( kolacz ) para os convidados. Os sfaty serviam - de novo - vodka e cigarros para os homens; as druszki distribuíam balas para as mulheres e crianças. Então, aos poucos os convidados se sentavam à mesa; as mesas eram montadas no paiol. A tarefa dos sfaty era servir a carne e a cerveja, enquanto as druszki serviam a comida. Como o espaço não era muito grande e eram poucos os pratos e os talheres, era necessário servir em duas a quatro mesadas.

 

A dança - terminada a comilança, as mesas eram rapidamente desmontadas para a dança. O paiol se transformava na pista de dança ( boisko ), que era enfeitado no teto com taquaras verdes e flores de papel e galhos de cedro pregados nas paredes. No início, o druzba dançava com a noiva ( wywodziny ) e a druzbina dançava com o noivo. Então os noivos passavam a dançar juntos. Druzba e druzbina dançavam com cada um dos pares de condes e damas, até o último casal. Daí a dança ficava livre até o amanhecer do dia. Cada pouco, alguém gritava: Viva os noivos! ( Niech zyja nam! ). Cada conde tinha o direito de realizar um szimango, isto é, se normalmente o rapaz tirava a moça para dançar, no chimango era a moça que podia tirar o rapaz. O chimango era sinalizado por um lenço branco pendurado num aro ao lado do abajur/globo ( kwiat ) principal do boisko.

 

A música - as bandinhas musicais da época utilizavam o violino, o acordeão, o clarinete, o baixo ( basy ) e o bumbo. Como não havia energia elétrica e nem amplificadores de som, o melhor clarinetista era aquele que conseguia soprar com mais força no seu instrumento. As bandinhas eram familiares - pai, filho, genro, cunhado. Na Colônia Dom Pedro II eram famosos os Halerz; na Colônia Cristina, o Wojtek Olbrech e seu conjunto. As músicas de maior sucesso era um xote ( Sokola ), uma marchinha ( Na Zielonem Gaju ) e uma valsa ( Sla Dzieweczka do Laseczka ). A Rádio Cambijú de Araucária-PR, hoje Rádio Iguaçu, cedia espaço para que essas bandinhas se apresentassem na rádio aos domingos; quando surgiu o gravador de cassete portátil, as músicas eram gravadas no casamento para serem reproduzidas na radioemissora. É famosa até hoje (ano 2003) aos domingos à tarde a Hora Polonesa ( Godzina Polska ) na Rádio Iguaçu, que pode tocar os CDs de música polonesa de algumas bandinhas remanescentes como: Celso Taborda, Grupo Musical Bela Vista, Musical Solo Ignácio Arendt, Coração Nativo, Grupo Ponczek... Celso Taborda possui o site www.musicapolonesa.com.br, através do qual se pode ouvir trechos de música polonesa.

 

A dança da mesa - pelas 22 horas, era realizada a dança da mesa, o czepowiny ou odczepiny. Os noivos eram colocados sentados à mesa ao centro do boisko, juntamente com os padrinhos. Cada conde e dama tinha a tarefa de ir buscando cada um dos convidados, dançar uma volta com o convidado ao redor da mesa dos noivos. Aí, o convidado pagava a gratificação do casamento, depositando uma cédula de dinheiro no prato dos noivos. A compensação da gratificação era um novo cálice de vodka ou licor, ou balas, ou cigarros. Não havia o costume de cortar a gravata do noivo ou recolher moedas no sapatinho da noiva. No final, o noivo ficava sentado à mesa e a noiva escolhia alguns rapazes para dançar com eles, o que era uma grande honra. Ao final dessa cerimônia, a noiva se sentava no colo do noivo e as senhoras casadas retiravam ( odczepic ) o véu da noiva e então ela recebia um lenço-de-cabeça ( chustka ); a partir dessa hora, já como mulher casada, ela passava a usar o lenço todos os dias. Fazia-se uma brincadeira, em que as casadas puxavam a noiva para o lado delas e as solteiras puxavam-na para o lado das solteiras. Enquanto isso, os homens respeitáveis, trajados de chapéu, em qualquer canto, com um baralho bem surrado, improvisavam uma mesa para jogar uma eletrizante partida de truco.

 

O Poprawiny - a música e a dança continuavam até o amanhecer do dia. Para repor as energias, pela meia-noite era servido um cafezão com a comida especialmente preparada para essa hora: pastel de requeijão ( pierogi ), bolinho de carne ( klopse ), geléia de porco ( zylcz ), bolachas, sonhos, bolos, cuques... No almoço do dia seguinte, domingo, parentes e vizinhos iam de novo na casa da noiva para um almoço festivo - repique - , chamado poprawiny; se algo não foi bom no dia anterior, agora era reparado! A legitimação de se comparecer nesse almoço era a desculpa de se oferecer para fazer a limpeza do pós-casamento; porém, depois de tanto piwo e vodka, o serviço ficava, naturalmente, para os donos-da-casa para a segunda-feira.

 

O Patatisko - casal que casa, quer casa para morar. O primeiro local que o filho ou a filha do casal polonês pensa em morar é ao lado da casa dos pais, ou seja, no Patacisko. Explicando: Patacisko é o local aonde se plantava batata-doce ( pataty ) para a alimentação da vaca ( krowa ) e do porco ( swinia ). Todo dia, a dona-da-casa ( babka ) tinha a tarefa de ir buscar a batata-doce para os animais, com o auxílio de um carrinho-de-mão ( toki ). Por isso, o Patacisko tinha que ficar perto da casa. Nas colônias mencionadas, há centenas de casas construídas no Patacisko. O pai era um pequeno lavrador; a mãe, dona-de-casa e responsável pela criação de animais. A casa sempre era construída perto de um córrego para facilitar a água para os animais. Na propriedade, sempre havia um poço de água potável; para cavar o poço, a fonte subterrânea era localizada com o auxílio de um ramo de pessegueiro em forma de Y, que se curvava no local da fonte nas mãos de uma pessoa que conhecia a técnica de encontrar água subterrânea. O potreiro, cercado com arame farpado, servia como pasto para eqüinos e bovinos. As terras férteis mais ao longe da casa eram destinadas para a plantação de batata, trigo, centeio, cevada, milho, feijão, ervilha, repolho... Olhando da janela da casa-mãe, a babka - mãe ou sogra - conseguia controlar no Patacisko as briguinhas do casal novo, as brincadeiras dos netos, a hora de as crianças irem para a escola, a hora que o genro chegava em casa, e, ai, se voltasse bêbado...

 

A Língua - até hoje (ano 2003), nas colônias polonesas pode-se falar a língua polonesa, especialmente com as pessoas mais idosas. Havia escola que ensinava o polonês, a missa era em polonês. Sobraram cantigas de natal ( kolendy ), de quaresma ( gorzkie zale ) e folclóricas que até hoje são cantadas nas festas polonesas. Na época de natal, havia a apresentação do Turon, uma espécie de bode (não se conhecia o papai-noel) que visitava todas as famílias. Para crianças de primeiro ano de escola, a desgraça ficava por conta de encontrar um professor que não entendia o polonês, como é o caso de Campo Largo-PR, onde havia colônias de poloneses e italianos; o professor era italiano e os alunos poloneses eram chamados de Polako Burro. Foram criados termos que não existem no dicionário da Polônia, mas que aqui no Brasil possuem um significado pitoresco e intraduzível para o português; para exemplificar, Patacisko (local onde se plantava batata-doce).

 

Os sobrenomes - Se alguém folhear a lista telefônica da região metropolitana de Curitiba, encontrará centenas de sobrenomes poloneses. Os que terminam em ...wicz (Machniewicz, Markowicz, Kudlawiec, Antosiewicz, Wachowicz), os que terminam em ...ski (Biernacki, Lukasinski, Belinowski, Zielinski, Zytkowski, Kwiatkowski, Ruzyski, Burkowski, Gorski, Dombrowski, Szydlowski, Grochocki, Wroblewski, Krzyzanowski, Ciachorowski), os que terminam em ...a (Mika, Sikora, Nalepa, Kula, Valenga, Przepiura, Bora, Kuzma, Krupa, Lipka, Gorka, Lica, Gogola), os terminados em ...k (Belniak, Surek, Hajduk, Szpak, Kmiecik, Jarek, Patyk, Ponczek, Rendak, Lalik, Bolak, Golombek, Cyulik), e mais alguns (Halerz, Dybas, Falat, Lau...). Os poloneses, ao redor de Curitiba, não gostavam se serem chamados de Polakos, pois este termo era pejorativo; preferiam ser chamados de Poloneses. Em troca, os poloneses chamavam os negros de Zielone; falar de negro ( czarny ) era passível de taxação preconceituosa, mas podia-se chamá-lo de Verde ( Zielony ). Havia dois grupos rivais de poloneses: os urbanos, 5% ( miastuchy ) e os rurais, 95% ( kolonisci ). Curiosamente, nos cartórios de registro civil no tempo da imigração houve tradução literal de nomes e sobrenomes da forma mais incrível: Sikiera tornou-se Machado, Kowalski tornou-se Ferreira...

 

A lavoura - a lavoura tipicamente polonesa trouxe ao Brasil ferramentas cujo modelo só é encontrado nesta região: arado ( plug ), aradinho de três lâminas ( radlo ), grade retangular ( brona ), grade triangular ( bronka ), carrinho sem rodas puxado por cavalo ( sanie ), ventilador para cereais ( mlynek ), foicinha ( sierp ), gadanha ( kosa ), moedor de milho ( zarny ), picador de palha ( siedczarka ), berço balançante ( kolyska ), costurador de pele curtida ( szydlo )... No prédio da casa e do paiol sempre havia o sótão ( pientro ), onde era possível guardar sementes ou feno para o inverno. Alguns utensílios domésticos eram típicos: fazedor de manteiga ( maslanka ), azedador de repolho ( beczka ). O krzan, raiz branca amarga usada na Swienconka, até hoje não possui um termo equivalente em português. No final do verão, o feno ou papuã era secado e empilhado ao redor de um tronco ( klopa ) para servir de alimento para o gado no período do inverno. Plantava-se batata-doce, batata inglesa, repolho, ervilha, centeio, feijão, arroz, linhaça, cebola, alho, beterraba... Para malhar o trigo ou para descascar o milho no paiol, havia mutirão ( pisieron ); o pisieron acabava em baile. Quando um lavrador, passando pela estrada, enxergava um colega a capinar a lavoura, levantando o chapéu, bradava: “Deus te ajude!” ( Boze pomagai! ), ao que o outro respondia: “Deus te pague!” ( Bóg zaplac ).

 

A carroça - a imigração polonesa ao Paraná destaca-se pela difusão da carroça ( wóz ) puxada por dois cavalos. A carroça representou um ciclo intermediário entre o transporte em lombo de burro e o transporte ferroviário e rodoviário. A carroça possuía um cabeçalho ( dyszel ), na ponta do qual era atrelado o arreamento ( sciengel ) do cavalo. As rodas da carroça possuíam uma chapa de aço ( rajfa ) e raios de madeira ( sprechy ). Os fueiros ( konica ) seguravam as paredes ( wasong, zotol ), artisticamente entalhadas e pintadas em várias cores. A carroça podia ser usada para transportar pessoas, quando eram colocados assentos de mola, ou para transportar cargas de até meia tonelada. Em dias de festa, eram colocados os guizos na coleira dos cavalos. A carroça polonesa era bastante diferente da carroça italiana, mais leve e para um cavalo apenas.

 

Os animais - em cada propriedade, era costume haver uma criação de animais que incluía vaca de leite, touro e porco para a carne, galos e galinhas para produção de ovos, cavalos para a tração animal. Por isso, sempre havia estábulo ( stajnia ), chiqueiro ( chlewek ), galinheiro ( kurnik ); incluindo residência e paiol para depósito e garagens, em cada propriedade rural havia no mínimo cinco construções cobertas com telhas de barro. Os animais criados para a defesa da propriedade eram os cachorros; os gatos moravam no paiol para caçarem os ratos. De vez em quando, no leilão da festa da igreja, era interessante arrematar um cachaço para poder melhorar a raça da criação de porcos. O mesmo podia acontecer ao arrematar uma abóbora, um casal de marrecos ou gansos - para produzir penas para o edredom ( pierzyna ) - , um cabrito, um coelho...

 

A cultura polonesa - Certamente o maior vestígio da cultura polonesa na região de Curitiba é a religião católica e a língua polonesa. Surgiram também profissões tipicamente polonesas, como a de ferreiro ( kowal ), cavador de poços ( studniarz ), construtor de casas ( budownicz ), moinheiro ( mlynarz ), alfaitate (  krawiec ). É notável também a influência da culinária polonesa (repolho azedo, pastel de requeijão...), da música e das tradições folclóricas (Clube União Juventus, Sociedade Tadeusz Kosciuszko, Sociedade Józef Pilsudzki, Centralny Zwiazek Polaków ).

 

A religião - As tradições polonesas estão intimamente ligadas ao catolicismo. As colônias polonesas eram atendidas pelos padres missionários vicentinos poloneses que formaram uma paróquia em cada colônia: Tomaz Coelho, Orleans, Araucária, Contenda, Catanduvas do Sul, Dom Pedro II, Abranches, Santa Cândida, Barreirinha, São Mateus do Sul, Irati, Ivaí, Imbituva, Prudentópolis, Alto Paraguassu, Itaiópolis, Mafra. A missa de domingo era o ponto de encontro dos poloneses, oportunidade em que colocavam todas as notícias em dia. Chegavam na igreja com mais de uma hora de antecedência. Depois da missa, iam na venda: os homens tomavam aperitivos, as crianças e mulheres tomavam capilé e comiam bolachas, e a prosa continuava solta. Aos domingos à tarde, havia o costume de visitar os parentes. Também havia comunidades de irmãs religiosas polonesas, como é o caso das irmãs franciscanas da Sagrada Família que se estabeleceram em Catanduvas do Sul, Orleans, Dom Pedro II, Campo Magro, Murici e Colônia Figueiredo; elas cuidavam da escola e selecionavam meninas vocacionadas para engrossar suas próprias fileiras. A celebração de Pentecostes ( zielone swienta ) era o dia em que a casa era enfeitada no interior e na varanda com ramos de cedro. A sala principal da casa era o oratório ( izba ), onde havia um altar com estátuas do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria e os quadros de Nossa Senhora do Monte Claro ( Matka Boska Czenstochowska ) e de Santo Izidoro, o protetor dos lavradores. Toda noite, a família se reunia na izba para a reza do terço de Nossa Senhora. Quando vinha a Capelinha de Nossa Senhora, os vizinhos vinham rezar junto, porque depois da reza havia comida e bebida. No sábado da Semana Santa, se fazia a Bênção dos alimentos ( Swienconka ). Velório e enterro eram um ritual dos mais respeitados; na noite do velório, recitava-se o rosário de Nossa Senhora - 15 dezenas de Ave-Marias -, as ladainhas e os cânticos apropriados. Ao lado da igreja, sempre havia um cemitério; o enterro acontecia sempre com a missa de corpo-presente e a procissão até o cemitério, onde, na hora do sepultamento, se cantava o hino Serdeczna Matko e o Angelus ( Aniol Panski ).

 

O Bosque do Papa - Inaugurado em 1980, logo após a visita do papa João Paulo II a Curitiba. Fica na rua Mateus Leme, no Centro Cívico, ao lado do Portal Polonês. O Bosque do Papa envolve uma área de 48 mil m², onde existia uma antiga fábrica de velas. É cortado pelo rio Belém e inclui uma reserva de mata atlântica, com mais de 300 araucárias. Um ambiente agradável acolhe os visitantes do Bosque. O Memorial da Imigração Polonesa, em Curitiba, está instalado nas clareiras do Bosque. Reconstitui-se o ambiente em que viveram os pioneiros imigrantes poloneses, que chegaram em Curitiba por volta de 1871. É um museu ao ar livre que traduz a luta, as crenças, as tradições e o estilo de vida daqueles imigrantes. Calçadas de pedra, equipamentos e utensílios usados pelos poloneses, como uma carroça e uma pipa de azedar repolho, estão expostos para visitação. Realizam-se anualmente eventos culturais de tradição polonesa, como a Swienconka (Bênção dos Alimentos) no Sábado de Aleluia, e a festa de Nossa Senhora de Czenstochowa (Nossa Senhora do Monte Claro), em agosto. Sete casas construídas pelos poloneses, com troncos de pinheiro encaixados, foram transportadas do entorno de Curitiba para o Bosque. Uma das casas foi transformada na Capela de Nossa Senhora de Czenstochowa, em homenagem à padroeira da Polônia. O Bosque também conta com trilha ecológica, ciclovia, palco, loja de artesanato e uma casa de chá, ao estilo polonês.

 CONCLUSÃO

Muitos são os estudos sobre a cultura plasmada em Curitiba. É impossível analisar a população curitibana sem citar as etnias - poloneses, italianos, alemães, portugueses, ucranianos, japoneses... Portais, bosques e memoriais relativos a imigrantes são apenas a ponta de um grande iceberg que é a cultura do curitibano. Ficaram traços estrangeiros na língua, na religião, na arquitetura, nos costumes, na culinária... A chegada da energia elétrica na área rural não conseguiu modificar muito o imaginário coletivo, principalmente dos poloneses; antes, consolidou-o.

Os descendentes dos poloneses fixados na região de Curitiba abrasileiraram-se, mas preservaram muitos traços culturais. Com a mecanização da lavoura e a crescente urbanização, a família polonesa foi abandonando o modelo rural tradicional para assumir uma fisionomia urbana teledependente. Hoje, alguns bisnetos e tataranetos dos imigrantes poloneses moram no Patacisko; outros, que tiveram que ir morar na cidade, quando chega o domingo, carregam no bagageiro do automóvel uma caixa de isopor com latinhas de cerveja e viajam 20 a 40 quilômetros para fazer um churrasco no antigo Patacisko, porque ali ainda se pode comer uns pierogi da vovó; e no casamento da prima, dançar sokola.

 

 

Curitiba, Dezembro de 2003

Lourenço Mika

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

- SIKORA, Mafalda Ales. Poloneses, sua História, sua Cultura. Colônia Dom Pedro II, 3 v. Campo Largo-PR, Gráfica Pema, 2002.

 

ANEXO ILUSTRATIVO

Visite: www.jaraguadosul.com.br/etnias

http://www.parques-curitiba.com/parques-natureza-turismo.htm

- http://www.130anos.com/

Artigo 5

Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE

 

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se pode assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo o que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente para fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão… E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os Meios de Comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta; (2) a programação é espelho da vida real; (3) controlar a informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…

Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros?! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!

Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranquilamente dá-se as mãos para invocar Jesus… Um Jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um Jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de nós conversão contínua! Um Jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”

Até quando a televisão vai assim?Até quando os brasileiros ficarão calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas, sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!

Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade.

Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação.

www.comshalom.org/blog/carmadelio/28414-o-lixo-big-brother-bispo-da-igreja-se-manifesta-sobre-programa.

 

 

 

O olhar de Veríssimo sobre o BBB...

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade do brasileiro.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis.
~ Caminho árduo?
~ Heróis?
~ São esses nossos exemplos de heróis?
~ Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais.
Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão ...
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails.
"Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito."
Luis Fernando Veríssimo
É cronista e escritor brasileiro

 

Bispos   brasileiros afirmam que reality shows são um "mal na sociedade"
 
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Durante   a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizada na semana   passada, os religiosos participantes emitiram uma nota considerando que os   reality shows são um “mal para a sociedade” e "atentam contra a   dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um   prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é   a família brasileira".
 
  De acordo com a professora doutora Leila Tardivo, Livre Docente da Faculdade   de Psicologia da USP, os reality shows, programas cada vez mais comuns nas   emissoras de televisão brasileiras podem influenciar o   comportamento das pessoas que assistem esse tipo de atração. Segundo a   especialista, o “Big Brother Brasil”, por exemplo, cria “uma ideia fantasiosa   para a sociedade”. Além do BBB, há outros programas do gênero, como A Fazenda, SolitáriosBusão do Brasil, entre outros.
 
  “Pela emoção, por essa mistura de fantasia com realidade e com essa   identificação que esse formato de programa passa para o público pode sim   fazer com que as pessoas, principalmente as crianças e os jovens, sejam   influenciadas pelo que acontece nessas atrações”, afirma Leila, que ressalta
  “querer entrar na história de moralidade e religião” com a repercussão da   nota dos bispos.
 
  A culpa não é da TV
  Para a psicóloga não se pode culpar os canais de TV que investem em reality   show. Leila diz que esses programas são exibidos porque agradam os telespectadores   do País. No entanto, a professora diz que não consegue ter   explicações para justificar o fato de o “Big Brother”, da TV Globo, ter chegado a 11ª edição no   Brasil.
 
  “A culpa não é da televisão, ela não obriga a assistir nada e ainda sempre temos   o controle remoto na mão. O fato é que a TV coloca no ar o que o povo quer   assistir”, declara a professora da Faculdade de Psicologia da USP.
 
  Banalização
  Mesmo ao afirmar que o formato desses programas só permanece no Brasil porque   caiu no gosto popular, Leila se diz preocupada pela banalização promovida   pelos reality shows, que “abusam de sensualidade, permissividade e   liberalidade”.
 
  “É preocupante essa situação até pela posição de colocar as pessoas que   participam desses programas em coisas. E é ruim quando a pessoa se transforma   em coisa”, complementa Leila.

 

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D58083%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D3770082801%26fnt%3Dfntnl

P – Nº 0131/11

 

NOTA DA CNBB SOBRE ÉTICA E PROGRAMAS DE TV

 

Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.

Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.

Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.

Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamados reality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.

Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.

Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.

Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III).

Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.

Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade.

Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.

Brasília, 17 de fevereiro de 2011

 

Dom   Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo   de Mariana

Presidente   da CNBB

Dom   Luiz Soares Vieira

Arcebispo   de Manaus

Vice-Presidente   da CNBB

Dom   Dimas Lara Barbosa

Bispo   Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário   Geral da CNBB

 

Big Brother: espetáculo “digno de lástima”, diz arcebispo

Mostra “a fragilidade humana, a falta de valores e do sentido de dignidade e respeito”

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – O que se oferece em um espetáculo com o Big Brother “é digno de lástima”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo. 

Em um artigo intitulado “A celebridade é frágil”, divulgado à imprensa nesta sexta-feira, o arcebispo afirma que pode parecer “um despropósito a abordagem conjunta sobre celebridade e doença”.

“Particularmente quando se pensa na pessoa célebre como alguém com potência de força, seja física, esportiva, artística ou política - condição contrária à fragilidade do doente. No entanto, a condição humana pode hospedar, num tempo ou noutro, cedo ou tarde, força e fraqueza.”

Dom Walmor recorda que “ninguém é poderoso sempre, possui tudo sempre, tem força física sempre. E mais, ninguém está imune ao sofrimento e à dor, seja na própria vida, na família ou nas instituições que frequenta”.

“Essa verdade, que constantemente deve ser considerada, devolve cada um à realidade da sua condição de ser humano. Pela força da sabedoria, demove do orgulho e da soberba, além de corrigir o coração e a inteligência de toda indiferença causadora da falta de solidariedade, que impede a igualdade e perpetua as discriminações.”

“A consideração da fraqueza que se hospeda no ser humano, seja no enfermo, no pobre, no outro que pode menos, tem sido ofuscada, ilusoriamente, pela apelação das disputas e apegos pelo poder”, afirma.

“Não menos, e de modo imoral – prossegue o arcebispo –, seduzindo multidões e tirando, como caça-níqueis, o seu dinheiro, por meio de espetáculos questionáveis, como é o caso do Big Brother.”

“Na verdade, sob o apanágio do poder e dos momentos de celebridade, mesmo com a exposição do próprio corpo, da privacidade e dos desejos escondidos de ter e poder mais, o que se oferece em tal espetáculo é digno de lástima.”

Dom Walmor considera que ali se assiste a um show que “mostra a fragilidade humana, a falta de valores e do sentido de dignidade e respeito”.

“Voltar o olhar para quem precisa, especialmente, o doente contracenando com a condição de celebridade, é um exercício educativo, oportuno na vida de qualquer um”.

“Seja para os jovens de modo a não viverem na ilusão e chegarem despreparados ao lugar e à condição que todos chegam, ou os adultos, no auge da ascensão e conquistas, para que o orgulho e a soberba não os derrubem, com celeridade inusitada, dos postos e funções de um momento glorioso e passageiro.” 

Nesta semana que antecede o Dia Mundial do Doente, Dom Walmor convida a visitar os enfermos no hospital, em casa, nos asilos, casas de repouso ou nas clínicas e abrigos. 

“Que crianças, jovens, adultos e velhos, com reverência traduzida em gestos de solidariedade, ofertas e presença consoladora, sejam um apelo para que haja mais investimentos em saúde, com boas estruturas médicas para todos, em especial os mais pobres e sofredores.”

“Vale lembrar as palavras de Cristo para o juízo final, ao falar da garantia para a participação no Reino de Deus: ‘Estive doente e me visitastes’”, afirma o arcebispo.

 

A Vergonha

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o BBB

 

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo; mas, conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir a este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays; acho que cada um faz da vida o que quer; mas, sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se foi divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!

Veja o que está por de trá$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar..., ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins..., telefonar para um amigo..., visitar os avós..., pescar..., brincar com as crianças..., namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

 

Faça sua parte !!!  

Não assista, não telefone!!!!!!!!!  

 

 

Artigo do Prof. MIGUEL REALE JÚNIOR sobre o "BBB".

 

 

Programas como Big Brother indicam a completa perda do pudor, ausência de noção do que cabe permanecer entre quatro paredes. Desfazer-se a diferença entre o que deve ser exibido e o que deve ser ocultado. Assim, expõe-se ao grande público a realidade íntima das pessoas por meios virtuais, com absoluto desvelamento das zonas de exclusividade. A privacidade passa a ser vivida no espaço público.

 

O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso. Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos.

 

Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado "paredão", quando um dos protagonistas há de ser eliminado. Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima. As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação. Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite. Outra convivente resiste a uma conquista, mas depois de assediada cede ao cerco com cinematográfico beijo no insistente conquistador que em seguida ridiculamente chora por ter traído a namorada à vista de todo o Brasil. A moça assediada, no entanto, diz que o beijo superou as expectativas. É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante?

 

Instala-se o império do mau gosto. O programa gera a perda do respeito de si mesmo por parte dos protagonistas, prometendo-lhes sucesso ao custo da violação consentida da intimidade. Mas o pior: estimula o telespectador a se divertir com a baixeza e a intimidade alheia. O Big Brother explora os maus instintos ao promover o exemplo de bebedeiras, de erotismo tosco e ilimitado, de burrice continuada, num festival de elevada deselegância.

 

O gosto do mal e mau gosto são igualmente sinais dos tempos, caracterizados pela decomposição dos valores da pessoa humana, portadora de dignidade só realizável de fixados limites intransponíveis de respeito a si própria e ao próximo, de preservação da privacidade e de vivência da solidariedade na comunhão social. O grande desafio de hoje é de ordem ética: construir uma vida em que o outro não valha apenas por satisfazer necessidades sensíveis.

Proletários do espírito, uni-vos, para se libertarem dos grilhões da mundialização, que plastifica as consciências.

 

Miguel Reale Júnior, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras.

O Estado de São Paulo, 02 de fevereiro de 2009

 

 

Big Brother: “A vida como ela é” sempre que o amor é substituído pelo egoísmo

 

Bispo brasileiro comenta programa televisivo

 

Por Alexandre Ribeiro

(DOURADOS, segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008)

 

Dom Redovino Rizzardo, bispo de Dourados (Mato Grosso do Sul, centro-oeste do Brasil), comentou sobre o programa febre mundial e que é exibido em sua oitava edição pela maior rede de televisão brasileira desde o dia 8 de janeiro.

O bispo lembra primeiramente - no artigo difundido por sua diocese esta segunda-feira - que, em sua origem, o Big Brother (Grande Irmão) é o personagem central do romance “1984”, publicado em 1948, pelo escritor inglês George Orwell.

“Preocupado com o totalitarismo soviético, Orwell imagina uma sociedade dominada por um ditador, que se autodenomina “Grande Irmão”. Nela, os cidadãos são permanentemente vigiados por câmeras instaladas em toda a parte, a começar de suas casas.”

“Certamente, o autor jamais teria imaginado que sua profecia se realizaria em regimes que se dizem democráticos”, comenta.

Dom Redovino destaca que a emissora Rede Globo afirma que o “Big Brother” apresenta “a vida como ela é”, na realidade de cada dia, em cada ambiente, inclusive na família -, e não como imaginamos ou queremos que seja.”

De acordo com o bispo, na verdade, o programa mostra “a vida como ela é” sempre que o amor é substituído pelo egoísmo: o outro passa a ser visto como concorrente e rival, que precisa ser destruído para que eu possa vencer.

“No espetáculo, o que parece imperar a velas soltas é o princípio maquiavélico de que o fim justifica os meios. O que importa é atingir o objetivo, mesmo que, para isso, tudo fique em segundo lugar, inclusive a respeito e a dignidade da pessoa humana.”

Se assim for - prossegue o prelado -, “a Rede Globo tem razão: o Big Brother é a cara de um Brasil sem princípios, sem valores e sem rumo e, por isso mesmo, malandro, corrupto e violento - o oposto da pátria que desejamos e ajudamos a construir se... ficarmos longe de shows tão malfadados!

De acordo com o bispo, “o comportamento dos componentes do Big Brother e do público são expressões de imaturidade humana e não refletem o que o ser humano tem de melhor”.

Dom Redovino comenta ainda que o programa estimula a ilusão de entrar em um mundo virtual televisivo onde tudo é fácil e permitido, e a felicidade depende de determinados produtos.

“Basta olhar a fisionomia dos atores nos anúncios publicitários. Será que pode existir um sonho melhor do que ganhar dinheiro e fama sem fazer nada?”, comenta.

De acordo com o bispo, a “imensa maioria da população brasileira tem uma existência dura, sofrida e trabalhosa, exatamente o contrário do que acontece no Big Brother”.

“No Big Brother, o participante vira espetáculo, uma espécie de marionete obrigada a satisfazer as necessidades da emissora (inclusive financeiras) e dos telespectadores.” O bispo cita a edição de dezembro de 2007 da revista “Cidade Nova”, para enfatizar que “o programa sacrifica o que o ser humano tem de melhor: a capacidade de estabelecer relações verdadeiras, baseadas na gratuidade e na sinceridade”.

 

BIG TROTE !!!  

29 milhões de ligações do povo brasileiro votando  em algum candidato para ser eliminado do Big Brother. Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30. Então, teremos R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais que o povo brasileiro gastou só nesse paredão. Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato "fifty to fifty" com a operadora do 0300, ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00. Repito, somente em um único paredão...". 

Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano  inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas. Mas o "x" da questão, caro(a) É saber que  paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, consequentemente, daqueles que só bebem nessa  fonte.  

Certa está a Rede Globo. O programa BBB dura cerca de três meses. Ou seja, o sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural para quem gasta mais de oito milhões numa só noite!  Coisa de país rico como o nosso, claro. Nem o Unicef, quando faz o programa Criança Esperança com um forte cunho social, arrecada tanto  dinheiro. Vai ver deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas tenho dúvidas se daria audiência.Prova disso é que na Inglaterra pensou-se em fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial, de testes de audiência. A razão? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.  

Programas como BBB existem no  mundo inteiro, mas explodiram em terras tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição. Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR pelo seu voto. Que eleitor é  esse? Depois não adianta dizer que político é ladrão, corrupto, safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB. Aí, agüente a vitória de um Severino não-sei-das-quantas para Presidente da Câmara dos Deputados e a cara de pau, digo, a grande idéia dele de colocar em votação um aumento salarial absurdo a ser pago pelo contribuinte. Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer assunto relevante para melhorar a  articulação e a auto-crítica... Chega de buscar explicações sociais, coloniais, educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o Congresso.  
Olhemos para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de procurar desculpas quando a resposta está em nós mesmos. A Rede Globo sabe  muito bem disso, os autores das músicas Egüinha Pocotó, O Bonde do Tigrão e assemelhadas sabem muito bem disso; o Gugu e o Faustão também; os gurus  e xamãs da auto-ajuda idem.  
Não é maldade nem desabafo,  é constatação.  10 

Repasse.
Vale a pena ser lido.
Atenciosamente,
Valério Weber, Curitiba, Pr.

- - -

Mais um Big Brother Brasil...

Mais um Big Brother Brasil (BBB), mais um programa poluindo os lares, os pensamentos dos brasileiros, através de emissoras de televisão. Como se já não bastasse as novelas, para prender a atenção de todos, até das crianças, e principalmente das classes de menor poder aquisitivo, os quais se deixam envolver e cativar  por essas tramas vazias e absurdas, de baixo nível cultural e educativo, que mostram o lado mais medíocre da programação imposta a todos telespectadores, ocupando um espaço que poderia ser usado para instruir, educar e orientar a população.

Cléura

 

****BRASILEIROS POCOTÓS**

 

//O jumento e o cavalinho///

//eles nunca andam só//

//quando sai (sic) pra passear//

//levam a égua Pocotó//

//Pocotó, pocotó, pocotó//

//Minha egüinha Pocotó.///

 

Luciano Pires, Diretor de Comunicação da Dana Corporation, é autor de um

ótimo livro, do qual emprestei o título deste editorial, “Brasileiros

Pocotós – Reflexões sobre a mediocridade que assola o Brasil” (Ed. Panda

Books). Em sua contra-capa, ele escreve o seguinte: “Você liga a

televisão e não se conforma com o baixo nível da programação? Abre o

jornal e só encontra notícias superficiais e sensacionalistas? Liga o

rádio e parece estar ouvindo sempre a mesma música? Ruim? Chama um

‘profissional’ para fazer um conserto em sua casa e o resultado é um

desastre? No trabalho, sente a solidão de não ter interlocutores? As

conversas são rasas, os temas superficiais? Vê seus filhos decorando a

mesma tabela periódica que você decorou anos atrás? Você tem a sensação

de que o Brasil está ficando burro? Pois eu, sim! Daí este livro”.

 

Muito bem. Foi disso que lembrei quando, dia desses, um amigo me

encaminhou um texto de autoria de Roberto Reccinella , que dizia: “Na

terça-feira, dia 22/02, a Rede Globo recebeu 29 milhões de ligações do

povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado do Big

Brother. Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30. Então,

teremos R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais

que o povo brasileiro gastou só nesse paredão. Suponhamos que a Rede

Globo tenha feito um contrato ‘fifty to fifty’ com a operadora do 0300,

ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00. Repito, somente em um único

paredão...”.

 

Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de

telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da

sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o

prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas. Mas o “x” da

questão, caro(a) leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter

um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o

conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população,

além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e,

conseqüentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.

 

Certa está a Rede Globo. O programa BBB dura cerca de três meses. Ou

seja, o sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro

quiser com as votações. Aliás, algo muito natural para quem gasta mais

de oito milhões numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro.

Nem o Unicef, quando faz o programa Criança Esperança com um forte cunho

social, arrecada tanto dinheiro. Vai ver deveriam bolar um “BBB Unicef”.

Mas tenho dúvidas se daria audiência. Prova disso é que na Inglaterra

pensou-se em fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto

morreu na fase inicial, de testes de audiência. A razão? O nível das

conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se

interessaria.

 

Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras

tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma

bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição. Que

simplesmente anula seu voto por não acreditar mais nos políticos deste

País, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de

extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal. Que vota numa

legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que não

perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de

PAGAR pelo seu voto. Que eleitor é esse? Depois não adianta dizer que

político é ladrão, corrupto, safado etc. Quem os colocou lá? Claro, o

mesmo eleitor do BBB. Aí, agüente a vitória de um Severino

não-sei-das-quantas para Presidente da Câmara dos Deputados e a cara de

pau, digo, a grande idéia dele de colocar em votação um aumento salarial

absurdo a ser pago pelo contribuinte.

 

Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras

de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao

invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer

assunto relevante para melhorar a articulação e a auto-crítica...

 

Há uma frase de Robert Savage que diz: “Há mais pessoas dispostas a

pagar para se entreter do que para serem educadas”. E é verdade, a Globo

sabe disso! Quantas pessoas você conhece que desistiram de cursar uma

faculdade porque acharam o preço muito alto? Pergunte a uma criança

quantos nomes de bichinhos de desenhos japoneses e funções das

personagens de jogos de computador ela conhece. Você vai perder a conta.

Mas se perguntar quem foi Monteiro Lobato, como se escreve “exceção” ou

quanto é seis vezes três, ela vai titubear. Para piorar ainda mais o

cenário dos próximos anos, cito um ditado chinês: *“Se você quer educar

uma criança, comece pelos avós dela”.*

 

Voltando ao parágrafo original desse editorial, o autor do livro comenta

num dos primeiros capítulos o surgimento, há cerca de quarenta anos, do

MNMB (Movimento Nacional pela Mediocrização do Brasil). Pois é, nem

Stanislaw Ponte Preta e seu Febeapá (Festival de Besteira que Assola o

País) imaginariam que a coisa iria piorar. E piorou. Sabe por quê?

Porque o brasileiro quer. Chega de buscar explicações sociais,

coloniais, educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o

Congresso. Olhemos para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de

procurar desculpas quando a resposta está em nós mesmos. A Rede Globo

sabe muito bem disso, os autores das músicas Egüinha Pocotó, O Bonde do

Tigrão e assemelhadas sabem muito bem disso; o Gugu e o Faustão também;

os gurus e xamãs da auto-ajuda idem.

 

Não é maldade nem desabafo não, é constatação.

 

Boa semana e boas aulas.

Júlio Clebsch O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Big Brother!! vergonha....

 

FAZ PARTE!!

 

 

Triste país este em que pessoas como Kleber viram ídolos. Sem ter feito nada de bom, apenas por que fracassaram na tentativa do mal, são julgados inocentes.

 

Apenas por cometerem incontáveis erros de português, são julgados puros.

 

A desinteligência é confundida com qualidade, com algo a ser valorizado.

 

Pela sua ignorância e falta de estudo, imediatamente julga-se que não teve oportunidades, sem levar em conta a realidade de fatos. Pessoas identificam-se e pronto.

Alguém lhe perguntou por quê não estudou ? Não, apenas constatam que o brasileiro típico não tem estudo, é ignorante e ponto final.

 

Triste país este que nunca soube votar, que se deixa levar pelas aparências, pela casca, como se conteúdo fosse o que menos importasse...

 

Triste país em que um aproveitador barato vence um trabalhador, motivado apenas por preconceito.

 

A votação do BBB, mais do que uma etapa num programa de TV, mostra a lamentável radiografia de um país superficial, em que a malandragem sempre predomina em detrimento ao caráter, à integridade, ao produzir.

 

Hackers de última hora modificam o percentual de votações, esfregam na cara dos nternautas, e nada é feito. Alguma semelhança com Brasília ?

 

Infelizmente não é mera coincidência... Ídolos de barro são construídos num piscar de olhos, o corpo, o rebolar, são sempre mais valorizados do que o caráter de um ser.

 

Vê-se o país em que hoje vivemos : Um enorme potencial desperdiçado. Um povo que poderia ser vencedor, íntegro, trabalhador. Mas a indolência, a malandragem, a falsa pureza é que são moedas correntes num mercado inexplicável.

 

Kleber promete que se ganhar dá dinheiro aos outros participantes.

O povo o aplaude. Já na primeira prova vende sua participação em troca de um carro usado. O povo aplaude as falcatruas expostas, acostumado que está...

 

Trata mulheres como objetos usáveis e descartáveis. Refere-se à Xaiane como “cascuda para o ato" utiliza, descarta, fala mal dela para todos, parte para a próxima. O público, ao invés de castigar a cafajestagem, transforma-o num astro de última hora...A própria Xaiane? Que vergonha ! ? Apóia o mau-caráter.

 

Um simpatizante ameaça na net que todos que falarem mal do moço vão receber vírus em seus computadores. O servidor da Globo emperra, impedindo-nos de votar no domingo pela eliminação de Kleber, e na terça-feira, a favor de André ou Vanessa. Manipulação explícita? O mal vence e o bem sai, com um sorrisinho amedrontado.

 

Kleber dentro da casa chora de saudades dos pais, promete que fará caridade com o dinheiro, que ajudará outros participantes, que Maria Eugênia (boneca fabricada, cabeça de lata, como ele) o acompanhará até o fim.

 

Bastou anunciar-se o resultado e tudo mudou : Maria Eugênia foi "deixada para depois", Bambam sai da casa e só após longuíssimos minutos se divertindo com a galera é que foi dar um abracinho mixuruca nos pais... Seu grito com a galera ? "Nós vamos curtir muito com esta grana" Ué, e a caridade ?

 

E a promessa que fez, ao vivo na noite de domingo, de que ficaria 12 horas de joelhos ? Onze eliminados. Alguns ruins, outros bons. Os outros dois finalistas, mais humanos e autênticos.

 

O ídolo de barro ganhou. É burro, ignorante, não tem cultura. Mas foi espertalhão, soube ludibriar o público com um "jeitinho humilde" inventado e aperfeiçoado, com um discurso demagógico que qualquer olhar mais atento desmascara.

 

Triste país este. Após a vitória de Kleber, ficou ainda mais triste ser brasileiro.

 

Arnaldo Jabor

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Terça, 10 de janeiro de 2012 - http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505557-osvendilhoesdostemploseletronicosemtemposdeespertalhoesdafe

Incapaz de vender a alma ao diabo, a Rede Bandeirantes acaba de revender seu santo horário da noite para o pastorR.R. Soares, o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O seu ‘Show da Fé’ de 20 minutos, que começava religiosamente às 21h, agora vai durar uma hora inteira, a partir das 20h30. Não se sabe ainda quanto custou esse novo e triplicado milagre, mas pelo contrato antigo o bom pastor já pagava R$ 5 milhões mensais à Band.  O vil metal falou mais alto para a TV de Johnny Saad, que anunciava a devolução do horário nobre da noite a seriados consagrados, como o 24 Horas, para concorrer com as novelas da Globo e as séries do SBT, todas com melhor audiência.

A reportagem é de Luiz Cláudio Cunha e publicada pelo jornal eletrônico Sul21, 09-01-2012.

A novidade escangalhou os planos do argentino Diego Guebel, que assumiu a direção artística da Band em outubro passado com a promessa de recuperar o espaço nobre e caro da noite para atrações mais mundanas do que a prosopopeia de Soares. A bíblica derrota de Guebel na Band é apenas outro indício da onda avassaladora do dinheiro que afoga a TV brasileira deste Brasil cínico que finge ser laico e imune à força econômica da religião e seus falsos profetas. Os canais de rádio e TV são concessões públicas, supostamente alheias aos credos e seitas religiosas que transformaram estúdios, igrejas, templos e estádios em púlpitos eletrônicos cada vez mais invasivos e escancarados.

Não existe ninguém no Governo ou no Congresso brasileiros com coragem para frear essa flagrante ilegalidade, sancionada por verbas, dízimos, patrocínios e uma farta hipocrisia. A irrestrita capitulação aos padres e pastores que lideram milhões de fiéis (e eleitores) ficou escancarada na última eleição presidencial, em 2010, quando os dois principais candidatos com raízes na esquerda — Dilma Rousseff e José Serra — sucumbiram vergonhosamente à chantagem das correntes mais atrasadas das igrejas, frequentando missas e cultos com o gestual mal ensaiado de pios devotos que não sabiam nem metade da missa, nem qualquer salmo dos evangelhos. Encenaram um constrangedor teatro de conversão medida para não ofender o eleitor mais ortodoxo. Para não perder votos, Dilma eSerra caíram na armadilha do falso debate religioso sobre o aborto — um tema que um e outro, por mera consciência política ou formação acadêmica, sabem que nos países mais evoluídos não passa de um grave e secular problema de saúde pública.

A submissão das instâncias do Estado secular ao poder cada vez maior das igrejas pode ser medida pela intrusão cada vez mais descarada da fé nos meios eletrônicos do Brasil, que deturpam a concessão pública pelo proselitismo religioso vetado pela Constituição. A igreja católica brasileira agrupa hoje mais de 200 rádios e quase 50 emissoras de TV, contra 80 rádios e quase 280 emissoras de TV de oito braços do crescente ramo evangélico. É um domínio que se fortalece cada vez mais, embora adaptando seu perfil para fórmulas mais agressivas e despudoradas de avanço sobre o bolso das populações mais pobres, mais desesperadas, menos instruídas.

 

Comer ou dormir

Em agosto de 2011, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o Novo Mapa das Religiões, um denso estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, com base em 200 mil entrevistas formuladas pelo IBGE em 2009 a partir de suaPesquisa de Orçamento Familiar (POF). O trabalho mostrou que o Brasil deixará de ser a maior nação católica do mundo nos próximos 20 anos, mantida a queda progressiva que sofre a Igreja no país. Ela representava 83,24% da população em 1991 e caiu para 68,43% em 2009. “As mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em 10. Se esta perda de 1% de católicos por ano continuar, a Igreja católica terá em 20 anos menos da metade da população brasileira”, destacou o coordenador da pesquisa, Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.

A economia é um forte indutor desta transformação, diz Neri. Ele lembra que as chamadas ‘décadas perdidas’ de 1980 e 1990 foram demarcadas pela queda do catolicismo em contraste com a ascensão dos grupos evangélicos, especialmente seus ramos mais belicosos e vorazes — os neopentecostais. O período de 2003 a 2009, compreendido entre duas graves crises econômicas, observa uma segunda explosão evangélica, passando de 17,9% para 20,2%. A primeira explosão, ainda maior, ocorreu nas últimas seis décadas do Século 20, quando os evangélicos aumentaram seu rebanho em sete vezes: passaram de 2,6% em 1940 para 15,4% em 2000. A FGV foi buscar no alemão Max Weber (1864-1920), o pai da moderna sociologia, o fundamento teórico que explica o avanço arrebatador dos evangélicos, a partir de sua obra mais conhecida — A ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo, publicada em 1904-05. Ali, Weber explica o maior desenvolvimento capitalista nos países protestantes no Século XIX e a maior proporção desses fiéis entre empresários e trabalhadores mais qualificados. “A tese de Weber era que o estilo de vida católico jogava para outra vida a conquista da felicidade. A culpa católica inibiria a acumulação de capital e a lógica da dívida de trabalho, motores fundamentais do desenvolvimento capitalista”, escreve Neri.

Weber: Melhor comer que dormir em paz

Weber repetia um ditado da época: “Entre bem comer ou bem dormir, há que escolher. O protestante quer comer bem, enquanto o católico quer dormir sossegado”. O pensador alemão constrói seu texto em cima de máximas do inventor e calvinista americano Benjamin Franklin (1706-1790), um dos líderes da Independência dos Estados Unidos, que dizia que “tempo é dinheiro” e “dinheiro gera mais dinheiro”. Era uma notável conversão justamente aos argumentos opostos que levaram ao grande cisma do cristianismo, no início do Século 16, quando um atrevido padre agostiniano alemão, Martinho Lutero, pregou nos portões da igreja de Wittenberg as suas 95 teses que desafiavam a autoridade do Papa e quebravam a hegemonia de Roma sobre o mundo cristão. Na época, Lutero denunciava justamente o que seria o âmago da Reforma Protestante: o desvio do caminho de fé da igreja primitiva para o atalho da corrupção, da indulgência, da simonia e da luxúria de papas e cardeais rodeados de amantes e concubinas, antecessores lascivos dos bispos e padres que comem criancinhas.

Teologia do bolso

Lutero e sua radical volta às origens, estimulando o protesto aos desvios éticos de Roma e o retorno à palavra original dos evangelhos, geraram os dois termos que identificam os segmentos mais prósperos da dissidência cristã: os protestantes e os evangélicos, onde brilha sua facção mais agressiva e endinheirada — o pentecostalismo, que hoje abriga no mundo cerca de 600 milhões de seguidores, pulverizados em 11 mil seitas e subgrupos. Ali viceja sua parcela mais faustosa: a corrente neopentecostal, a que pertencem o abonado bispo R.R. Soares e seus parceiros mais ricos, os também bispos Edir MacedoSilas Malafaia e Valdemiro Santiago, cada um chefiando sua própria seita, sempre na condição suprema de ‘apóstolos’.  Todos mostram uma devoção especial pela alma e pelo bolso de seus seguidores, a quem não se acanham de pedir contribuições financeiras a que, recatadamente, chamam de ‘oferta’.

Para não atormentar ainda mais a vida de sua aflita freguesia, os quatro chefes religiosos tratam de facilitar ao máximo as ofertas financeiras. Na tela da TV de seus animados cultos, sempre se oferece o número das contas bancárias, a bandeira dos cartões de crédito ou o telefone para informações extras que permitam a oferta, rápida e facilitada. Nenhum deles fica ruborizado pela insistência do pedido de ajuda, porque todos são pios devotos da ‘Teologia da Prosperidade’, uma doutrina pecuniária que faria o velho Lutero engolir cada uma das 95 teses que vomitou contra a cupidez da velha Roma.

A ideia nasceu, evidentemente, no coração do capitalismo, os Estados Unidos, no início do Século XX. O pai dessa fé sonante é o americano Essek William Kenyon (1867-1948), um evangelista de origem metodista nascido em Saratoga, Estado de Nova York. Descobriu o milagre do rádio e plantou ali a sua “Igreja no Ar”, a ancestral eletrônica dos R.R.Soares e Malafaias da vida. Espalhou então aos quatro ventos o lema que explica as benesses divinas da fartura: “O que eu confesso, eu possuo”.

Kenyon passou o bastão da prosperidade para um conterrâneo, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003), um jovem texano com deficiência cardíaca, que caiu de cama quando adolescente. Garantiu ter ido e voltado ao inferno e ao céu não uma, nem duas, mas três (três!) vezes. Com este desempenho singular, até para campeões de esportes radicais, o jovem naturalmente converteu-se. Dizendo-se ungido para ser mestre e profeta, Hagin garantia ter tido oito (oito!) visões de Cristo na década de 1950, além de acumular alguns passeios extracorpóreos. Tudo isso acrescido pela divina revelação de que os verdadeiros fiéis deviam gozar de uma excelente saúde financeira e que o caminho da fortuna passava, inevitavelmente, pela prosperidade de seus profetas aqui na Terra. Foi sopa no mel, e a teologia da prosperidade conquistou corações e mentes — e bolsos.

 

Na conta do santo

A primeira semente deste ostensivo neopentecostalismo brotou no Brasil com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo. Três anos depois, o pastor R.R. Soares, casado com Magdalena, irmã deMacedo, saiu do ninho da Universal para fundar sua própria igreja, a Internacional da Graça de Deus, que acaba de alugar a tela do horário nobre da Band graças ao verbo divino e a verba milionária do pastor. Uma década depois, o bispo Macedo, ainda mais próspero do que o cunhado, comprou a sua própria rede de TV, a Record, hoje a segunda maior audiência do país (4,7 pontos) no horário nobre das noites de dezembro passado, embora ainda distante da Globo (13,8).

Os televangelistas brasileiros aparentemente compõem um paraíso na terra e no ar rico em mirra, incenso e ouro, muito ouro. Há tempos, quatro grupos evangélicos rondam o empresário Sílvio Santos, que topa tudo por dinheiro, na esperança de amealhar o espaço das madrugadas do SBT por módicos R$ 20 milhões mensais. Em 2009, o próprioEdir Macedo alvejou sua maior concorrente: ofertou R$ 545 milhões para alugar o espaço das madrugadas da Rede Globo para a sua Igreja. A Globo piscou, não respondeu, e o bispo voltou à carga em agosto passado, disposto a mover céus e terras. Nada feito.

A contabilidade desses pastores, pelo jeito, oscila entre o inferno e o paraíso. O bispo que oferecia milhões para comprar um naco do maior concorrente era o mesmo dono da Igreja que fazia um descarado apelo em seu blog, em abril passado, para que os fieis juntassem alguns trocados para ajudá-lo a pagar a conta salgada de seu site. Coisa miúda, apenas R$ 107.622 mensais, que o pobre bispo diz gastar com despesas mundanas como hospedagem do servidor, salário dos funcionários, água, luz e gastos administrativos da manutenção do site. “Se o Espírito Santo lhe tocar, nos ajude a carregar essa responsabilidade”, escreveu o bispo, implorando por uma doação mínima de R$ 20.

O espírito santo, aparentemente, tocou a Rede Globo. A emissora dos Marinho odeia o bispo Macedo, mas adora os evangélicos. Na véspera do Natal de 2011, 18 de dezembro, a maior rede desta vasta nação católica rasgou o hábito e transmitiu o seu primeiro evento evangélico, gravado uma semana antes no Aterro do Flamengo, no Rio. O público presente, apenas 20 mil pessoas, foi uma heresia para as ambições bíblicas da Globo, mas a fiel audiência na telinha na tarde do domingo seguinte foi uma bênção divina.  Ao longo dos 75 minutos do programa, condensado de quase oito horas de gravação ao vivo (entre 14h e 21h30), apresentaram-se nove artistas no ‘Festival Promessas 2011′, sob o comando do astro global Serginho Groisman. Um dos mais festejados foi o cantor Regis Danese, 39 anos, que vendeu um milhão de cópias com um único disco gospel, “Compromisso”, o único a conquistar o primeiro lugar em rádios e TVs seculares do país e que lhe garantiu a indicação para o prêmio Grammy Latino em 2009.

 

A conversão da Globo

Antes desse sucesso, Danese já era consagrado como artista do “Só Pra Contrariar”, um grupo de pagode que ainda ostenta o 27º lugar do ranking brasileiro, com 8 milhões de discos vendidos. Apesar disso, com problemas no casamento, converteu-se ao protestantismo no início do século. Salvou o matrimônio com Kelly, sua parceira musical, e engordou ainda mais o bolso. O álbum “Compromisso”, que conquistou o ‘Disco de Diamante’ pela venda de 500 mil cópias em apenas quatro meses de 2008, traz o seu maior sucesso, Faz um Milagre em Mim.  O jornalista Tom Phillips, do diário britânico The Guardian, anotou que, logo após sua triunfal apresentação no festival da Globo,Danese foi indagado na entrevista coletiva sobre os fundamentos deste milagre musical: “O senhor escutou a voz de Deus? O que ele disse?”, perguntavam-lhe. O ex-pagodeiro explicava e, embevecido, o isento repórter da revista Nova Jerusalém ressoava a cada resposta: “Amém. Louvado seja o Senhor!”

A genuflexão da Globo não representa uma súbita conversão da emissora ao credo evangélico da música: “A Globo não é um canal católico, e sim secular e republicano. Apenas documentamos um festival gospel por sua crescente importância na vida cultural do Brasil”, esquivou-se Luiz Gleizer, diretor da TV, ao jornalista britânico que ecoou o festival sob uma manchete embalada pela típica ironia inglesa: “O Gospel começa a dar o tom no Brasil, a casa da bossa nova”.

Os profetas da Globo não sabem entoar um único salmo, mas como os apóstolos eletrônicos da concorrência também têm um ouvido afinado pelo doce tilintar das moedas do templo. Isso não é contado nem no confessionário, mas os querubins globais sussurram nos corredores da ‘Vênus Platinada’ que os direitos de comercialização e os espaços publicitários do festival renderam à Globo algo entre R$ 35 milhões a R$ 55 milhões, o suficiente para remir muitos pecados, dúvidas e dívidas, aqui na terra e lá no céu. O grupo é dono da gravadora Som Livre e de um catálogo religioso onde brilham ídolos como o padre católico Fábio de Melo, que já vendeu quase 2 milhões de CDs pelo selo global.

O olho cúpido e republicano da Globo está mirando um mercado de música gospel que o The Guardian estima em R$ 1,5 bilhão, um paraíso econômico onde se irmanam crentes, artistas, emissoras laicas, pastores, espertalhões, vigaristas e políticos de todas as crenças, devotos todos do santo dinheiro que cai do céu diretamente em seus bolsos. O fluminense Arolde de Oliveira, deputado federal pelo PSD — aquele diabólico partido nascido da costela do prefeito Gilberto Kassab e que garante não pertencer nem ao paraíso, nem ao inferno, nem ao purgatório —, é dono da rádio 93 FM e do Grupo MK Music, que ele jura ser o maior selo de música gospel do continente. “Mais de 60 milhões de brasileiros estão direta ou indiretamente ligados à Igreja Evangélica”, lembra o deputado Oliveira. A Globo, como se vê, tem a inspiração divina e o ouvido apurado.

O festival Promessas abriu as portas de uma terra prometida para os profetas globais. No domingo gospel, a audiência da Globo subiu aos céus, dando-lhe a indulgência de miraculosos 13 pontos no Ibope (cada ponto representa 58 mil aparelhos ligados), bem mais do que os 7 humildes pontos habituais do horário. O pastor Silas Malafaia, inimigo da Universal do bispo Macedo, aproveitou e tripudiou no seu site: “A Record não acreditou nos evangélicos, a Globo acreditou e arrebentou na audiência! Enquanto a Record fala mal dos cantores e da igreja, a Globo abre espaço para o louvor e adoração a Deus”. E arrematou com um desajeitado elogio que deve ter sobressaltado as almas globais: “Quando os que deveriam abrir as portas fecham, Deus usa os ímpios para glorificá-lo”. Iluminada pela santa promessa do Ibope, a ímpia Rede Globo prepara mais três edições do sucesso gospel para 2012 — duas versões regionais e uma nacional, evitando cuidadosamente o Rio de Janeiro, que já padece a praga de um congestionamento evangélico todo santo ano.

 

O golpe do martelinho

Valdemiro Santiago é outro desgarrado da Universal. Depois de ser considerado um virtual sucessor de Edir Macedo, brigou com ele e saiu para fundar em 1998 a sua seita, a Igreja Mundial do Poder de Deus. Começou com 16 membros e hoje o apóstolo Valdemiro chefia mais de dois mil templos, alguns na África e em Portugal, e um jornal mensal, Fé Mundial, com tiragem de 500 mil exemplares — além de um maçante trololó diário de 22 horas na Rede 21, uma subsidiária da Rede Bandeirantes, que administra as duas horas restantes.

Sua marca registrada é um chapéu de boiadeiro, o que reforça sua imagem de astro sertanejo, que costuma ganhar espaço até no Jornal Nacional da Globo, uma devota do divisionismo que Valdemiro poderia provocar nas legiões de seu arqui-inimigo Edir Macedo. Quando enfrenta problemas de caixa, Valdemiro confia no santo gogó. Em 2010, chorou diante das câmeras de TV ao convocar 150 mil fiéis para ofertarem R$ 153, o número de peixes de um alegado milagre de Cristo. Faturou cerca de R$ 23 milhões.

Empolgado, o bispo sertanejo imaginou outra forma esperta de arrecadar dinheiro fácil, mas desta vez sem choro. Criou a campanha do “Martelinho da Justiça”, um pequeno, baratinho malho de madeira capaz de quebrar mandingas, maus-olhados e “as pedras que atravessam os seus caminhos”. A clava fajuta de Valdemiro, que despertaria a inveja do grande Thor, devia ser canonizada como a mais cara do mundo: cada oferta pelo martelinho tinha o mínimo de R$ 1 mil e Valdemiro esperava que 10 mil de seus seguidores o abençoassem com a compra do mimo, o que rechearia seu chapelão com R$ 10 milhões.

No reclame da Igreja Mundial na TV, o pastor de português trôpego, voz rouca, terno e gravata mostrava a certeza das favas divinas e muito bem calculadas: “Ainda hoje ou amanhã, na primeira hora, você vai até a agência bancária e faz esta ‘ofertinha’ de R$ 1 mil. Depois, mandaremos o martelinho pelo correio”. Para esse milagre acontecer, bastava ao crente fazer o depósito nas contas indicadas na tela e disponíveis no Banco do Brasil, Bradesco ou Caixa Econômica Federal. “De preferência no BB, como o nosso apóstolo tem nos orientado”, aconselhava o pastor, com ar compungido.

A atrevida igreja de Valdemiro já vendeu garrafinhas Pet de 400 ml com ‘água ungida’, entregues por ‘ofertas’ de R$ 100, R$ 200 ou até R$ 1.000, prometendo resultados espantosos: “Uma única gota dessa água será o suficiente para mudar a história de sua vida, para lhe abençoar de uma forma poderosa”, jurava o santo homem, escoltado por outros oito pastores calados e sisudos, todos de gravata e terno escuro. Se usassem óculos pretos iria parecer uma paródia do CQC, sem a divina graça do programa humorístico da Band que sucede o show religioso do pastor R.R. Soaresnas noites da segunda-feira.

 

O trovão homofóbico

O bizarro merchandising da Mundial tem produzido bons resultados, pelo menos para as finanças da igreja deValdemiro. No primeiro dia de 2012 ele inaugurou em Guarulhos, SP, a ‘Cidade Mundial’, um megatemplo de 240 mil metros quadrados e capacidade para acolher 150 mil fieis da Igreja Mundial do Poder de Deus — mais de duas vezes a lotação prevista do Itaquerão (68 mil lugares), o estádio que o Corinthians está construindo para a Copa do Mundo de 2014. Para erigir o templo, Valdemiro viu a igreja aumentar seus gastos mensais em R$ 30 milhões, prova de que o martelinho e a garrafinha são realmente miraculosos.

O pastor Silas Malafaia, chefe supremo da AVEC, sigla da associação que mantém a Igreja Vitória em Cristo, é a voz mais trovejante desse abusado mercado da fé ancorado nos fundamentos pétreos da Teologia da Prosperidade. Embora tenha os mesmos instrumentos de redenção econômica de Edir Macedo, Malafaia é um inimigo mortal do dono da Universal. Divergiram até na eleição presidencial de 2010: ele primeiro apoiou Marina Silva, depois fulminou sua opção pelo plebiscito no debate sobre o aborto (“cristão não tergiversa nesse tema”), e acabou fazendo campanha por Serra, adversário de Dilma, apoiada justamente pelo rival bispo Macedo. Malafaia é figura fácil no Congresso Nacional, em Brasília, onde veste a armadura de sua santa cruzada contra a proposta de lei que combate a homofobia: “O projeto [que garante a livre orientação sexual] é a primeira porta para a pedofilia”, reza, com a fúria dos justos. Numa entrevista a uma revista religiosa, crucificou como “idiotas” todos os pastores que, ao contrário dele, não apostam suas fichas, martelinhos e garrafinhas na Teologia da Prosperidade.

Ele não poupa a garganta e fala muito: quase todo santo dia, Malafaia se esparrama por cinco horas de programas variados em redes nacionais como CNT, Rede TV, Boas Novas e Bandeirantes e ocupa os sábados de emissoras regionais em outros 15 Estados. Seu programa se espalha pelos Estados Unidos e Canadá e, desde meados de 2010, Malafaia atinge 142 milhões de lares em 127 países da África, Ásia, Oriente e Médio e Europa, com o apoio da americana Inspiration Network, que faz a dublagem para o inglês.

Para tornar mais veraz sua pregação, às vezes importa dos Estados Unidos especialistas nesta riqueza material. No ano passado, junto com o pastor americano Mike MurdockMalafaia lançou o projeto do “Clube de 1 Milhão de Almas”. Alma, sabem os televangelistas, custa caro. Ele pretendia arrebanhar um milhão de crentes para sua grei e seus programas de TV, mediante a ‘oferta’ (voluntária, claro) de R$ 1 mil — ou seja, um martelinho de madeira, pelo generoso chapéu do bispo Valdemiro. Na conta do lápis, uma bolada plena de R$ 1 bilhão, capaz de pagar mais do que cinco Mega-Senas da Virada, que bateu em R$ 177 milhões no réveillon de 2011. Os ofertantes ganhariam o livro 1001 Chaves da Sabedoria, do pastor Murdock, e um certificado do clube milionário, em todos os sentidos.

Para inspirar o seu rebanho, Malafaia teve a feliz ideia de colocar um contador de acessos na página da igreja para que todos acompanhassem a adesão em catadupa do milhão de almas. Algo deu errado, ou o martelinho não funcionou. Lançado em abril do ano passado, o contador da igreja Vitória em Cristo virou uma estátua de sal, como a mulher de Lot em Gênesis (19,26) e estagnou num número pífio: miseráveis 58.875 almas era a contagem de quinta-feira passada, 5 de janeiro. Um inferno de faturamento que não chegou a R$ 60 milhões, muito distante do paraíso do R$ 1 bilhão arquitetado pelo diabólico Malafaia. Faltam portanto ainda 941.125 almas para Malafaia inaugurar, sob as trombetas de Jericó, o seu clube milionário. Haja martelinho!

 

O supermercado da fé

O bravo Malafaia não desiste facilmente. Em 2009 ele lançou a campanha de uma Bíblia por módicos R$ 900, pouco menos que um martelinho. Era a tarifa da Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira, sacada genial de outro gênio da prosperidade, o pastor americano Morris Cerullo. Desta vez, a garrafinha deve ter funcionado, pois antes do final do ano ele viajou à Flórida, nos Estados Unidos, e lá viu se materializar, em nome da Vitória em Cristo, um jato executivo Cessna quase novo, modelo Citation Excel, pela bagatela de 12 milhões — de dólares !

Se alguém tiver alguma restrição a Bíblia, martelinho ou garrafinha, nem assim terá qualquer constrangimento para auxiliar o empreendimento celestial de Malafaia. Na sua página na Internet (www.vitoriaemcristo.org), o bom pastor dá a boa notícia de que todos podem participar de sua jornada, tornando-se seu ‘Parceiro Ministerial’, um programa de fidelidade da Igreja que arrecada fundos para manter seus programas de TV. A porta está aberta a “qualquer pessoa que receba de Deus a visão de abençoar vidas, proclamando o Evangelho por meio das mensagens do pastor Malafaia”, explica o dono do site e da igreja. Dependendo do tamanho da carteira, seu título de parceiro também cresce: o ‘Especial’ paga R$ 15 mensais, o ‘Fiel’ doa R$ 30 e o ‘Gideão’ entra na cota de sacrifício do martelinho: R$ 1 mil mensais, com direito a um exemplar por mês da revista Fiel, livros, Bíblias e um cartão para 10% de descontos nos produtos da Editora Central Gospel comprados pelo telemarketing, “desde que não esteja em promoção”.

Virar parceiro do pastor é fácil, pagar é muito mais. A organização abençoada de Malafaia trabalha com o ganhoso instrumental financeiro de uma grande loja de departamentos, como convém a este éden da prosperidade.  A igrejaVitória em Cristo opera, sem preconceitos, com cartões Visa, Master, Diners, Amex ou Hipercard e tem contas abertas, sem discriminação, com o Banco do Brasil, HSBC, Bradesco ou Itaú, além de trabalhar com boletos bancários ou cheques nominais. Malafaia aceita boletos antecipados para o ano todo, mas nenhuma contribuição abaixo de R$ 15. Acima, pode.

 

Abobrinhas e beterraba

Agora, esse mundo dourado de riquezas, promessas, ofertas, obras e fartura vai ganhar outro e inesperado púlpito: um espaço de brilho, luzes e discussões mundanas, terrenas, insinuantes, quase lascivas. Começa na terça-feira (10/1) a 12º edição do ‘Big Brother Brasil’, o reality show da Globo que arrebata o país por 12 semanas no seu jogo canalha de perfídias, traições, intrigas e sensualidade explícitas, onde garotas curvilíneas e garotos musculosos, todos transbordantes de hormônios e carentes de neurônios, desfilam suas abobrinhas em diálogos patetas e reflexões idiotas. O jornalista Eugênio Bucci, professor de Ética Jornalística da ECA-USP e da ESPM, de São Paulo, tatuou o BBB como “o mais deseducativo programa da TV brasileira, onde a fama justifica qualquer humilhação”.

Na TV, onde nada se cria e tudo se copia, a Record também tem sua versão BBB, “A Fazenda”, com mais roupa e a mesma dose intragável de papo imbecil. A personal trainer Joana, a vencedora da versão 4 da Fazenda, que acabou em outubro passado, arrebatou R$ 2 milhões após encontrar uma beterraba premiada, entre outros sofisticados desafios intelectuais.

Apesar dessa crônica indigência, mais de 130 mil jovens brasileiros se inscreveram para o BBB12, ao longo de sete meses, filtrados em seletivas regionais em 10 capitais. É uma febre televisiva que pode parar até a maior cidade brasileira, São Paulo, onde chega a bater em 40% do Ibope, o que significa quase dez milhões de telespectadores, metade da população da Grande SP.

A vencedora do BBB de 2011, a modelo paulista Maria Helena, 27 anos, de São Bernardo do Campo, faturou um cheque de R$ 1,5 milhão ganhando o voto por telefone de 51 milhões de pessoas. Se fosse candidata a presidente em 2010, Maria Helena, capa da edição de junho de 2011 da revista Playboy, teria derrotado José Serra por mais de sete milhões de votos e perderia para Dilma Rousseff por menos de cinco milhões.

Boninho, o diretor do BBB, apimentou a receita em 2012, para horror do pastor Malafaia, infiltrando quatro homossexuais entre os doze sarados concorrentes. “Três dos quatro gays são mulheres”, adiantou o lúbrico Boninhono seu tuíter.  Ele não disse, mas o programa de 2012 terá também a atração extra de duas evangélicas, a assistente comercial mineira Kelly, 28 anos, e a zootécnica baiana Jakeline, 22. O empresário Danilo Leal, 45 anos, pai deJakeline, acha que a filha vai resistir bem ao paredão impiedoso do BBB, apesar de evangélica: “Ela não é recatada. Espero que Jakeline aproveite bem seus 15 minutos de fama e faça o pé de meia”, reza o empresário, dando sua sanção paternal para o que der e vier.

Não se sabe ainda o tamanho do fio-dental que as duas evangélicas vão exibir na casa mais vigiada do Brasil, nem o salmo que irão recitar debaixo do edredom, cercadas por tantas câmeras indiscretas. Não deixa de ser simbólico que, cinco séculos após ser cravado nos portões da igreja de Wittenberg, o credo rigorosamente puritano e austero fundado pelo cisma de Lutero infiltre duas crentes assanhadas e iconoclastas no cenário conspícuo do programa mais ímpio da maior rede brasileira de TV aberta. A explicação, certamente, não está nas páginas lambidas da Bíblia dos templos e igrejas desta terra supostamente laica, mas nas cédulas louvadas do dinheiro ungido pela graça divina e pela licença dos homens neste país tropical, que Jorge Ben resumiu como “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

A louvação ecumênica ao dinheiro pintado pela hipocrisia de todos os credos esclarece, em parte, a progressiva invasão destes templos cada vez mais eletrônicos, escancarados por vendilhões cada vez mais acessíveis a espertalhões cada vez mais abusados no assalto à boa fé de sempre dos desesperados.

O velho evangelista Kenyon, profeta dessa cínica doutrina da prosperidade, poderia traduzir este Armagedom moral com o mantra invertido da religião de resultado que inventou: o que eu possuo, não confesso.

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Jucília e Valdir – Londrina:

 

É, de fato, uma reportagem muito rica em informações a respeito dos "evangélicos" citados. Pelo jeito, o autor conhece muito sobre fatos e pessoas do meio religioso. Para nós, católicos, seria interessante que alguém, com essa bagagem e essa lingua solta,  fizesse uma reportagem investigativa "dentro de nossa casa". Por que será que uma Igreja rica em instrumentos de salvação se dá ao luxo de perder fiéis pelo ladrão? Por que o desinteresse do leigo diante das atividades paroquiais? Por que nossos padres, (que sempre invocam a sucessão apostólica, quando lhes convêem), aproveitando-se da servilidade de nossos leigos, fazem e desfazem em nossas comunidades, como lhes dão na telha. Não foi Pedro que disse: "Eu vos envio às comunidades, não como senhores absolutos, mas como modelos do rebanho"? Na Quinta-Feira Santa, quando Cristo instituiu a Eucaristia, também não instituiu o Lava-Pés? Nossas comunidades não deveriam ser escolas de democracia? Não eram estes senhores que há bem pouco tempo faziam de suas homilias, verdadeiras loas à democracia para "derrubar" a ditadura militar? Cidadania, Democracia, bem como quaisquer outros direitos ou deveres devem ser exercitados pelos que participam do processo. Não estamos aqui pregando nenhum tipo de anti-clericalismo, muito pelo contrário. Existem determinações de Bispos, sugerindo um maior protagonismo do leigo. Mas, de que tipo de leigo estamos falando, quando é notório que muitos párocos só administram em conjunto com os que lhe são simpáticos? Porventura, não é isso que acontece no meio político corrupto? Um mau político consegue seus objetivos quando se cerca daqueles que lhe são coniventes. É uma pena que, praticamente, a maioria de nossas instituições, hoje, valoriza mais a afinidade de pensamento do que a competência. Penso que as estatísticas sempre favoreceram os números de católicos no Brasil. Preocupante seria uma pesquisa que levantasse que tipo de católicos somos! Talvez, o motivo do sucesso dos espertalhões da teologia da prosperidade, seja de que "vacas de presépio", quando lhes convêm, vão atrás de pastos mais verdes!

 

Paz e Bem!

 

Valdir/Londrina

 

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- Olá Pe. Lourenço. Gostei muito deste material enviado por você. Bem o que dizer de um mundo capitalista. Embora pareça muito, esse universo teologico da prosperidade é muito pequeno diante de todos os famintos que se encontram em continentes como a Africa, Asia, America Latina e até aqui perto de nós o Haiti e no Brasil. Vive-se hoje uma teologia que realmente não vem  suprir as necessidades da alma. Não alimenta o espírito e não prepara as pessoas para o verdadeiro memorial pascal em Jesus Cristo. Todos querem os bens materais, mas todos temem a morte e não sabem lidar com ela. Este é um pequeno exemplo. O que se vive hoje é o anti - Cristo. Não se vive nem se pratica o verdadeiro Evangelho, pois se assim o fosse a pobreza no mundo seria muito menor. A igreja católica não precisa desta concorrencia pois ela é feita da verdadeira Igreja e nesta Deus sabe reconhecer quem lhe é  fiel ao amor, a justiça e a caridade. São modismos e vão passar, pois não há mal que dure para sempre. As pessoas na euforia não percebem o vazio que virá depois...
É preciso ter a humildade e perceber que estes tantos aqui citados são nossos irmãos em Cristo. Mas também não podemos ficar de braços cruzados. Devemos trabalhar para o bem daqueles que não fazem parte deste universo televisivo. Os pobres, até mesmo pelos neopntecostais são rejeitados e excluidos. O grande desafio da igreja católica, penso, que seria trabalhar a  mente a a alta estima destes que estão excluidos para assim por fim a esta onda midiatica. Pessoas instruidas são mais difíceis de serem manipuladas e passam a ter opinião própria. A igreja católica deve trabalhar para por fim a uma corrupção que até ela não esta livre. Competir com esse tipo de projeto colocá-a em pé de igualdade com os neopetencostais...Ela tem que ser muito mais que isso. É preciso consolidar o amor de Cristo de forma sábia,inteligente e que corresponda ao Evangelho proposto por Deus Pai. Tenho dito.
Um abraço,
Mônica Favero 

 

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Artigo sobre o BBB* – Luís Fernando Veríssimo

Publicado a 24 Janeiro 2011 por Vitalves

                       

 Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 
[...] Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. 
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? 
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. 
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia. 
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. 
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). 
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. 
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!! 
Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. 
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores). Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. 
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade. 

Obs.: BBB* - Big Brother Brasil 

( Luís Fernando Veríssimo )

Fonte: http://pt-br.paperblog.com/artigo-sobre-o-bbb-luis-fernando-verissimo-60926/

 

2012/1/12 LMAIKOL <O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.>

   

 

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Antonio     Barreto

   


Cordel que deixou Rede Globo e Pedro Bial indignados
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil.

 

 

BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL.
            
Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
            
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
            
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
            
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
            
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
            
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
            
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
            
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
            
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
            
Respeite, Pedro Bial
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
            
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
            
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
            
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
            
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
            
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
            
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
            
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
            
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
            
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
            
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
            
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
            
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
            
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
            
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
            
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
            
FIM

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CAMPANHA NACIONAL

Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB12

"É fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos", exige manifesto publicado por uma série de entidades" - DO TEXTO ABAIXO

 

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Fonte : http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505881-pelaimediataresponsabilizacaoda-tv-globo-nocasobbb12

Quinta, 19 de janeiro de 2012

Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB12

"É fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos", exige manifesto publicado por uma série de entidades.

 http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505881-pelaimediataresponsabilizacaoda-tv-globo-nocasobbb12

Eis o manifesto.

Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.

Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena "de amor". O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.

Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.

Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de
seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.

Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.

Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.

Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:

• Ocultar um fato que pode constituir crime;
• Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;
• Atrapalhar as investigações de um suposto crime;
• Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.

É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.

Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.

Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.

Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma "naturalidade" dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.

Brasil, 18 de janeiro de 2012

•  FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

•  Rede Mulher e Mídia

•  Articulação de Mulheres Brasileiras

•  Campanha pela Ética na TV

•  Ciranda

•  Coletivo Feminino Plural

•  Observatório da Mulher

•  Associação Mulheres na Comunicação - Goiânia

•  COMULHER Comunicação Mulher

•  HUMANITAS - Diretos Humanos e Cidadania

•  Marcha Mundial das Mulheres

•  Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos

•  SOF – Sempreviva Organização Feminista

•  SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia

Manifesto aberto a adesões de entidades e redes.

Para aderir, escreva para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

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Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE

 

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.


Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão…


E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar e informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…


Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!


Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamente dá-se as mãos para invocar Jesus… Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de nós conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”


Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficaremos calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!


Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação…


E se alguém não gostou do que leu, paciência!

Artigo 4

São Lourenço, padroeiro dos diáconos, martirizado no dia 10 de agosto de 258

São Lourenço foi um dos sete primeiros diáconos da Igreja de Roma, ordenado pelo Papa Sisto II. Ele foi o arcediácono da comunidade dos diáconos romanos. Foi um dos primeiros diáconos da Igreja que assistiam ao papa em suas funções na celebração dos divinos mistérios, na distribuição da Eucaristia e na administração dos bens da Igreja. Quando da perseguição do Imperador Valeriano, o próprio pontífice, preso e conduzido ao martírio, delegou a ele o encargo de distribuir tudo o que tinha aos pobres.

A fúria de Valeriano se abateu contra toda a cristandade e fez milhares de mártires. Quando o papa Sisto II foi martirizado, o imperador prendeu Lourenço e exigiu que este lhe entregasse todas as riquezas da Igreja. Lourenço pediu um prazo e foram-lhe concedidos três dias. Ele reuniu então no átrio todos os pobres que a Igreja socorria e chamou o imperador e disse-lhe: “Aqui tens os tesouros da Igreja que nunca diminuem, e podem ser encontrados em toda parte!”. Existem documentos que atestam que no século III, a Igreja em Roma sustentava mais de 1.500 pobres. Indignado, o imperador condenou-o a um suplício especialmente cruel.

O imperador deu ordens para que fizessem Lourenço morrer de morte longa e cruel. E assim foi feito. Lourenço foi açoitado, atormentado e finalmente colocado despido em uma grelha sobre brasas para morrer lentamente. Depois de algum tempo nesse martírio, Lourenço com um sorriso celestial, falou aos algozes: “Se quiserdes, podeis me virar, visto que deste lado já estou assado”. E pouco depois: “Agora o meu corpo já está completamente assado, pronto para ser comido”. E continuando suas orações pela Igreja, sereno, entregou sua alma a Deus. Era o dia 10 de agosto do ano 258.

Os cristãos levaram o corpo dele em triunfo para o cemitério de Verano e depois lá foi construída uma célebre Basílica em sua homenagem. Mais sete outras basílicas foram construídas na Cidade Eterna a este grande herói e baluarte da cristandade, cantado pelos poetas e representado nas mais belas pinturas dos grandes mestres. E esse heróico testemunho de fé prestado pelo mártir também foi exaltado pelo Papa Dâmaso que admirava as virtudes dele e edificou-lhe a segunda igreja, sobre as ruínas do teatro de Pompeu. No total, a cidade de Roma dedicou-lhe trinta e quatro Igrejas, sendo a primeira no lugar do martírio.

É um dos santos mais venerados da Antiguidade Cristã. Sua Basílica em Roma é a segunda em importância depois da Basílica de São Pedro e São Paulo. Ela tem o altar papal, onde somente o papa pode celebrar a missa. A história de São Lourenço foi muito divulgada por escritores daquela época, como Prudêncio; a imagem dele foi imortalizada pelos afrescos do Bem-aventurado Angélico na capela vaticana do Papa Nicolau V.

Por que então tanta devoção a São Lourenço? Foram a coragem e o humor que ele demonstrou com certa irreverência aos carrascos em seu martírio que estimularam na imaginação popular o seu heroísmo. São Lourenço foi declarado o Padroeiro dos diáconos.

Artigo 3

Dogma da Imaculada Conceição - 150 anos: 1854-2004

Palestra proferida aos 19 maio 2004 no auditório das Filhas da Caridade em Curitiba-PR - Pe. Lourenço Mika, CM

 

1) Definições

 

- Dogma: do Latim, dogma-atis = Decisão. Ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa. Na Igreja Católica Apostólica Romana, ponto de doutrina já por Ela definido como expressão legítima e necessária de sua fé.

- Imaculada: Epíteto com que se designa a Virgem Maria, isenta da mácula do pecado original.

- Conceição: Concepção. A concepção da Virgem Maria pelos pais, Joaquim e Ana, de uma forma privilegiada: imaculada.

- Pecado Original: O pecado (simbólico) de Adão e Eva, transmitido a todos os seus descendentes, que nascem em estado de culpa. Gênesis = Origens. Pecado é transgressão religiosa, com as condições: ato mau-em-si e pleno conhecimento e livre querer por parte do pecador.

- Dogmas de Maria: A Igreja possui quatro Dogmas sobre Maria:

1) Maternidade Divina, Theotokos, proclamado no Concílio de Éfeso, ano 431, celebrado na liturgia em 1º de janeiro;

2) Virgindade Perpétua, definido no Concílio de Constantinopla, em 553;

3) Imaculada Conceição, definido em 1854 por Pio IX;

4) Assunção, definido por Pio XII em 1º de novembro de 1950, celebrado na liturgia em 15 de agosto.

 

2) Roteiro de Maria na Bíblia e na História da Igreja

 

- Gn 3, 14-15: “O Senhor Deus disse à serpente: Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

- Is 7, 14: “O próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.”

- Joaquim no Mosteiro: fontes apócrifas afirmam que Joaquim e Ana eram um casal já idoso e sem filhos. Joaquim se retirou para um mosteiro do deserto da Judéia, onde o arcanjo Gabriel apareceu a ele, anunciando que Joaquim e Ana teriam uma filha, a Mirian, a Formosa (hebraico). O nascimento de Maria é celebrado aos 8 de setembro, Natividade; em Curitiba-PR, Nossa Senhora da Luz.

- Sião: O Monte Sião situa-se dentro dos muros da antiga Jerusalém; é ali que Joaquim e Ana moravam por ocasião do nascimento de Maria. Por isso, Maria é chamada de filha de Sião. No século III, Santa Helena fez construir naquele local a Igreja do Nascimento de Maria que existe, reconstruída, até hoje.

- Lc 1, 27:  Virgem desposada com um varão chamado José.

- Anunciação: celebrada em 25 de março. Em Nazaré, há a Basílica da Anunciação em cujo subsolo está a gruta da anunciação e a fonte de água, na qual beberam Maria, José e Jesus.

- Visitação de Maria a Isabel: celebrada em 31 de maio; Magnificat; em Ein-Karim.

- Nascimento de João Batista: celebrado em 24 de junho; luz que vem antes da luz, tradição da fogueira de São João Batista.

- Belém: 25 de dezembro, nascimento de Jesus. Cronologia Bíblica: ano 5 AC.

- Evangelhos: Versão de Lucas (anunciação, circuncisão de Jesus após 8 dias, apresentação de Jesus no templo após 40 dias, volta a Nazaré) e versão de Mateus (anunciação acontece não a Maria, mas em sonhos a José, visita dos magos, fuga ao Egito). Qual evangelista é mais verossímil?

- Jerusalém: Jesus com 12 anos, perdido e encontrado no Templo.

- Caná da Galiléia: primeiro milagre. Maria aparece na vida pública de Jesus.

- Cruz: Jesus nasceu quando Maria tinha mais ou menos 13 anos. Somados à idade de Jesus, 35 anos, aos pés da cruz, Maria com 48 anos. Basta ver a cronologia encartada na Bíblia Sagrada: Jesus nasceu no ano 5 AC e morreu no ano 30 DC.

- Cenáculo: após a ressurreição Maria ficou morando nos fundos do Cenáculo.

- Éfeso: Maria foi com João a Éfeso. Há uma casa atribuída a Maria em Éfeso.

- Dormição: Maria e João voltaram a Jerusalém. Maria morreu (a morte foi tão suave que se diz que Ela adormeceu), com mais ou menos 55 anos. Ali foi construída a Igreja da Dormição de Maria.

- Túmulo de Maria: o corpo de Maria foi depositado num túmulo no Jardim das Oliveiras, ao lado da Gruta dos Apóstolos no Getsêmani de Marcos; dali foi glorificada - assunta, ressuscitada.

- Coroação de Maria nos céus: oito dias depois da Assunção, no dia 22 de agosto, se celebra a festa de Maria Rainha dos céus e da terra. É o 5º mistério glorioso. A 11 de outubro de 1954, o Papa Pio XII instituiu a festa da realeza de Nossa Senhora.

- Aparições: 1.500 catalogadas ao longo dos séculos. Lista das aparições aprovadas e não aprovadas - www.maikol.com.br, link Artigos, Artigo 3.

- Trajeto para a definição do Dogma da Imaculada Conceição: 1830, Rue du Bac, a inscrição “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. 1854, decreto do dogma por Pio IX. 1858, na aparição em Lourdes, Maria diz a Bernadete Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

 

- Lumen Gentium: Constituição Dogmática sobre a Igreja do Concílio Vaticano II, promulgada aos 21 de novembro de 1964. Capítulo VIII, § 52-69: A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no Mistério de Cristo e da Igreja:

I. Proêmio: § 52. A Santíssima Virgem no Mistério de Cristo; § 53. A Virgem Maria e a Igreja; § 54. Intenção do Concílio;

II. Função da Santíssima Virgem na economia da salvação: § 55. A Mãe do Messias no AT; § 56. Maria na Anunciação; § 57. A Virgem Maria e o Menino Jesus; § 58. A Virgem Maria no ministério público de Jesus; § 59. A Virgem Maria depois da Ascensão;

III. A Santíssima Virgem e a Igreja: § 60. Maria, escrava do Senhor, na obra da Redenção; § 61. Maternidade Espiritual; § 62. Medianeira; § 63. Maria, como Virgem e Mãe, figura da Igreja. § 64. Fecundidade da Virgem e da Igreja; § 65. Virtudes de Maria que a Igreja deve imitar;

IV. O Culto da Santíssima Virgem na Igreja: § 66. Natureza e fundamento deste culto; § 67. Espírito da pregação e do culto;

V. Maria, sinal de esperança certa e de consolação para o Povo de Deus peregrino: § 68 e § 69. Já glorificada no céu em corpo e alma.

 

- Catecismo da Igreja Católica: promulgado aos 11 de outubro de 1992. No Índice Analítico, no verbete MARIA: Culto de Maria, Igreja e Maria, Maria como modelo, Maria na Economia da Salvação, Nomes de Maria.

 

- Brasil: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, pescada em 1717: 8 de dezembro (dia santo), 12 de outubro (feriado). 8 de setembro de 2004, centenário da primeira coroação: João Paulo II decretou indulgências desde 1º de maio a 31 de dezembro de 2004, mediante confissão, comunhão, Pai-Nosso, Credo, oração a Maria. 8 de setembro de 2004, nova coração (5 coroas selecionadas de 167, mediante concurso).

 

 

3) Bula Ineffabilis Deus

 

O dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi proclamado pelo papa Pio IX, aos 8 de dezembro de 1854, com a bula dogmática Ineffabilis Deus, resultado da devoção popular aliada a intervenções papais e infindáveis debates teológicos. Já nos anos 700, essa celebração existia no Oriente. O calendário romano já lhe devotava uma festa em seu calendário em 1476. Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória a toda a cristandade. Quatro anos após a proclamação do dogma por Pio IX, Maria Santíssima apareceu a Bernadette Soubirous dizendo: "Eu sou a Imaculada Conceição". Eis um resumo da bula Ineffabilis Deus:

 

§ 1-3 - Posição e privilégios de Maria nos desígnios de Deus: pecado de Adão veio pela astúcia do demônio; Encarnação do Verbo; Maria com a plenitude da santidade; Maria imune da mancha do pecado original;

§ 4-6 - Tradição da Igreja sobre a Imaculada Conceição: a tradição da fé pertence à autoridade da Igreja.

§ 7-10 - Os Papas favoreceram o culto da Imaculada: Imaculada Conceição é citada na liturgia e foi adotada como padroeira de igrejas e congregações.

§ 11-14 - Os Papas precisaram o objeto do culto da Imaculada: Papa Alexandre VII, na Constituição Sollicitudo Omnium Ecclesiarum, de 8 de dezembro de 1661, diz que “... desde o primeiro instante da sua criação e da sua infusão no corpo, a alma de Maria foi preservada imune de toda mancha de pecado original...”

§ 15-16 - Os Papas proibiram a doutrina contrária: sujeitos às penas contidas nos Livros proibidos... que festa e culto sejam postos em dúvida ou contrariados.

§ 17 - Consenso de Doutos, Bispos e Famílias Religiosas: sustentam e defendem a doutrina da Imaculada Conceição.

§ 18-20 - O Concílio de Trento em harmonia com a Tradição: o Concílio de Trento (1545-63) promulgou o decreto dogmático sobre o pecado original; todos os homens nascem infectados pelo pecado original, menos Maria.

§ 21 - Pensamento dos Padres e dos Escritores Eclesiásticos: vitória sobre o crudelíssimo inimigo do gênero humano.

§ 22-23 - O Proto-Evangelho: Maria esmagou a cabeça da serpente com seu pé virginal.

§ 24 - Figuras bíblicas de Nossa Senhora: arca de Noé, escada de Jacob, sarça ardente de Moisés, templo...

§ 25 - Expressões dos Profetas: trono excelso de Deus.

§ 26-27 - A “Ave-Maria” e o “Magnificat”: cheia de graça; bendita entre as mulheres.

§ 28 - Paralelo com Eva: Eva escutou a serpente.

§ 29 - Expressões de louvor: lírio entre espinhos; jardim plantado por Deus; fonte límpida; livre de todo contágio de corpo, de alma e de intelecto.

§ 30-31 - Imaculada: A Virgem Mãe de Deus não devia ser concebida por Ana antes que a graça afirmasse o seu poder; a natureza cedeu ante a graça.

§ 32-34 - Consenso unânime e Petições para a Definição do Dogma: desde os tempos mais antigos, bispos, eclesiásticos, ordens regulares e mesmo imperadores e reis apresentaram vivas instâncias a esta Sé Apostólica a fim de que fosse definida como dogma de fé católica a Imaculada Conceição da Santíssima Mãe de Deus.

§ 35-40 - Trabalho de preparação: Constituímos uma comissão especial de veneráveis... com o encargo de examinarem tudo o que diz respeito à Imaculada; 2 de fevereiro de 1849, de Gaeta, Encíclica, consultando bispos sobre o dogma; convocado um Consistório.

§ 41-42 - A Definição do dogma: Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original; essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis. Se alguém deliberadamente entende de pensar diversamente de quanto por nós foi definido, está condenado.

§ 43-45 - Sentimentos de esperança e exortação final: escutem as Nossas palavras todos os caríssimos filhos Nossos e da Igreja Católica. Dado em Roma, a 8 de dezembro de 1854, nono ano do Nosso Pontificado. Pio IX.

 

 

4) Vídeo:

- Igreja de Santa Ana, Nazaré, Ain-Karim, Belém, Caná da Galiléia, Calvário, Dormição, Túmulo, Rijeka.

 

- Estrelas: 12 da CEN (Revista Internacional de Teologia CONCILIUM, Fascículo 304/2004/1. Editora Vozes)

 

 

 

Curitiba, maio de 2004

Lourenço Mika

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Artigo 2

Lendas, Crendices e Superstições

Máikol

A doutrina cristã, da Igreja Católica, deriva da Bíblia Sagrada e do Magistério da Igreja. Ocorre que nas convicções de fé do povo, há muitos elementos contrários à sã doutrina. Por exemplo, alguns católicos acreditam na reencarnação ensinada pelo espiritismo. Neste começo de século e milênio, as crendices e superstições estão voltando com força total, misturadas aos ensinamentos da Nova Era. Por isso, o católico, para viver a verdadeira fé, deve se purificar das crendices e superstições, as quais derivam da cultura pagã.

Definições:

Lenda: Narração escrita ou oral, de caráter maravilhoso, na qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética.

Crendice: Crença popular absurda e ridícula.

Superstição: Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crença estranha à fé religiosa e contrária à razão, atribuindo efeitos espirituais a coisas ou objetos inanimados.

 

As principais lendas, crendices e superstições são:

 

Boitatá = pelo folclore, gênio que protege os campos contra os incêndios; ou, touro furioso que lança fogo pelas narinas e queima tudo. Facho de luz que surge espontaneamente sobre o banhado, fenômeno natural.

 

Lobisomem = homem que, segundo a crendice vulgar, se transforma em lobo e vagueia nas noites de sexta-feira pelas estradas, assustando as pessoas, até encontrar quem, ferindo-o, o desencante. É uma lenda.

 

Saci Pererê =  uma das mais populares entidades fantásticas do Brasil, negrinho de uma só perna, de cachimbo e com barrete vermelho, de poderes mágicos e que, consoante a crença popular, persegue os viajantes ou lhes arma ciladas pelo caminho. É lenda.

 

Mula-sem-cabeça = conforme a crendice popular, concubina de padre, que, metamorfoseada em mula, sai, certas noites, cumprindo o seu fadário, a correr desabaladamente, ao fúnebre tilintar de cadeias que arrasta, amedrontando os supersticiosos; mulher que namora padre vira mula-sem-cabeça.

 

Curupira = ente fantástico que, segundo a crendice popular, habita as matas e é um índio cujos pés apresentam o calcanhar para diante e os dedos para trás.

 

Caipora = ente fantástico e azarado. oriundo da mitologia tupi, representado, segundo as regiões, ou com a forma de uma mulher unípede que anda aos saltos, ou como uma criança de cabeça grandíssima, ou como um caboclinho encantado, ou como um homem agigantado, montado num porco-do-mato, ou com um pé só, redondo, seguido do cachorro papa-mel.

 

Iara = ente fantástico, espécie de sereia de rios e lagos. Criada pelo folclore brasileiro.

 

Fantasma = suposto reaparecimento de defunto ou de alma penada, em geral sob forma indefinida e evanescente, quer no seu antigo aspecto, quer usando atributos próprios, como sudário, cadeias, etc.; alma do outro mundo, aparição, assombração, assombramento, assombro, mal-assombrado, visagem; seres estranhos que aparecem às pessoas... São lendas, isto é, histórias criadas pela tradição popular, algumas absurdas ou ridículas.

 

Coisas que dão azar - gato preto, sexta-feira, número 13, passar por debaixo de uma escada, quebrar um espelho...

 

Atitudes para afastar o azar - figa, pé de coelho, ramo de arruda atrás da orelha, plantar espada de São Jorge ou jurema, bater na mesa 3 vezes com o dorso dos dedos dizendo "isola", defumação com incenso vendido pelos esotéricos...

 

Feitiços para causar o mal a alguém - feitiço feito com fitas amarradas; despacho de comidas deixado na esquina, ou no cemitério ou na barranca do rio; olho gordo; encosto; escrever o nome da pessoa num bilhetinho e colocar o bilhetinho na boca de um sapo seco ou sob a sola do sapato; espetar alfinetes na fotografia da pessoa; acender vela preta ou vermelha; amassar os nomes de um marido e esposa com pimenta malagueta para separar o casal; jogar terra de cemitério no quintal; galo preto; bruxaria...

 

Simpatias para atrair a sorte - entrar com o pé direito, benzer-se, pregar na porta da casa uma ferradura encontrada na estrada, trevo de quatro folhas, pirâmide, estátua de elefante colocada de modos a ser vista por trás, amuletos, estátua de buda, duende (boneco) no jardim, olho ou pele de lobo, panelinha da fartura...

 

Superstições de Passagem de ano - roupa branca, lentilha na ceia, pular as sete ondas, flores oferecidas à iemanjá...

 

Ler a sorte - há várias maneiras de se ler a sorte: ler a mão, como fazem as ciganas; cartas de tarô; numerologia; jogar búzios; consultar vidente ou espírita; fazer o mapa astral; adivinhar o futuro impondo as mãos numa bola de cristal...

 

Horóscopo - é certo que a lua, os planetas e os astros influenciam a vida das plantas e dos animais da Terra, podendo interferir até no clima (marés, chuva, geada, furacões, el niño). Porém, até hoje ninguém conseguiu provar a influência dos astros sobre o futuro da vida particular das pessoas, com base na data do nascimento. O horóscopo veiculado pelos jornais, pela rádio e pela televisão, não passa de uma espécie de auto-sugestão, na qual não há nada de científico.

 

Interpretar sonhos - os sonhos nada mais são do que criações da mente inconsciente, dado que o homem possui o consciente, o subconsciente e o inconsciente. É certo que Deus pode falar à pessoa através de sonhos; isso aparece na Bíblia. Porém, tudo depende da interpretação do sonho. Por exemplo, se um motorista sonha com um acidente, não significa que lhe vá acontecer um acidente; mas, se ele interpretar que o acidente lhe vai acontecer, o acidente pode acontecer pelo auto-condicionamento.

 

Fazer 30 cópias de uma oração e deixar na igreja - isso é uma devoção popular que a Igreja nunca aprovou e nem incentivou. São orações ao Espírito Santo, a São Judas, a Santa Edviges, a Santa Rita, a Santo Antônio e a outros santos. Em alguns folhetos há ameaças para quem quebrar a corrente. Rezar, é válido; porém, a Igreja nunca disse a alguém que deva fazer 30 cópias de uma oração e deixá-las nos fundos da Igreja, ou que devesse publicar a oração num jornal. Outra devoção popular sem nenhuma fundamentação é a das 13 almas benditas.

 

Acender velas - nenhum santo e nem Jesus Cristo nunca pediram a ninguém para acender velas; normalmente, são os benzedores que mandam acender velas. O que a Igreja adota é o uso da vela (Cristo-Luz) no Batismo, na Crisma, na 1ª Eucaristia, na procissão, na visita ao doente... E o que a Igreja desaprova é o acender maços inteiros de velas no cemitério ou no candeeiro; não seria mais sensato comprar algo para uma família carente do que queimar dezenas de velas?

 

Promessas - Há muito pagador de promessa caminhando por longos trajetos sob o peso da cruz. Há muita mãe que promete não cortar o cabelo do filho até os 7 anos de idade. Nos locais de peregrinação, muitos a andar ajoelhados. Promessas absurdas. Ainda há aqueles que batem na secretaria da paróquia e dizem: "Padre, me dê uma ajuda porque eu fiz a promessa de ir na Basílica de Aparecida!" Esclarecendo - a Igreja mantém apenas as promessas do Batismo; e explica que ninguém é obrigado a cumprir uma promessa errada.

 

O 3º Segredo de Fátima - circulam por aí centenas de textos xerocados que tentam descrever o 3º segredo de Fátima, predizendo três dias de trevas... Nisto não há nada de científico ou aprovado pela Igreja. O 1º segredo de Fátima foi o fim da I Guerra Mundial; o 2º, a conversão da Rússia; o 3º segredo, o atentado ao Papa João Paulo II na Praça da Basílica Vaticana, em 1981. Nos casos de aparições de Nossa Senhora a Igreja é muito prudente e lenta para declarar uma aparição como verdadeira.

 

Espiritismo e Fenômenos Paranormais - o espiritismo fala de incorporação de espírito, transe, curas, cirurgias invisíveis, mediunidade... É tudo invenção, charlatanismo e caso de polícia. Já a Parapsicologia explica cientificamente fenômenos como telepatia, premonições, casas mal-assombradas, colchões que pegam fogo, imagens que choram, pessoas que narram fatos do passado (psicografia não existe)... São fenômenos originados pelas vivências contidas no inconsciente da pessoa, onde estão arquivadas informações de até 8 gerações anteriores, se exteriorizando em algum fenômeno. A hipnose é científica, bem como a sugestão, a regressão da memória e o poder da mente.

 

Reencarnação - o homem se compõe de corpo (organismo), psiquismo (cinco sentidos aliados às faculdades mentais) e espírito (sobrenatural). Nasce uma vez, vive uma vez, morre uma vez e parte para a eternidade uma vez. Não há como admitir a volta do espírito a um outro corpo. E nenhum aleijado está pagando pecados de vidas pregressas.

 

Liberdade e destino - há os que acham injusto o sofrimento de pessoas de bem ou a morte prematura de um jovem. Dizem que foi o destino traçado por Deus. Estão errados. Deus dá a liberdade e a vontade a toda pessoa humana para ela mesma decidir o seu rumo na vida, ainda que haja escolhas que não dependam da pessoa porque são escolhas inerentes à natureza humana. A felicidade plena está reservada para o céu. Aqui na terra, antes de se revoltar com um filho que nasceu deficiente ou teve uma morte prematura, é aconselhável cair de joelhos e dizer o que Jesus ensinou: "Pai, seja feita a Vossa Vontade", e não a minha vontade. Admitir o destino é negar a liberdade humana.

 

 

Questões a responder:

Quais as crendices e superstições que existem na sua comunidade?

Você conhece alguma crendice ou superstição que não foi citada aqui?

Existem pessoas azaradas? Seria coincidência ou acaso?

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SUPERSTIções e crendices

 

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

 

Se formos buscar nos dicionários e enciclopédias a definição do verbete superstição, a encontraremos como “crença ou noção sem base na razão ou no conhecimento, que leva a criar falsas obrigações, a temer coisas inócuas, a depositar confiança em coisas absurdas, sem nenhuma relação racional entre os fatos e as supostas causas a eles associadas”. É mesmo que crendice ou falso-misticismo.

 

O termo “superstição” tem origem no latim, onde superstitio comporta dois sentidos: o de sobrevivente, superstes, e o de desenvolver uma forma de crendice, superstare. Crendice é uma crença no sentido pejorativo: denota fé considerada absurda ou supersticiosa. Das crenças populares brota a chamada religiosidade, que nada mais é que uma forma primária de desenvolver a religião.

 

No Brasil emprega-se a expressão “religiosidade” quase em níveis de depreciação. Quando alguém quer dizer que determinada manifestação da fé popular não se enquadra naquilo que é considerado uma ortodoxia, diz-se que se trata de uma religiosidade, que nada mais é que uma dimensão popular, rica, dinâmica e complexa, tendente ao subjetivismo, e que pode expressar-se ou não em forma de uma religião convencional.

 

Religiosidade, deste modo, é um conjunto de crenças, oriundas das tradições, e às vezes do imaginário popular. Tais manifestações podem ser sentidas, pelo menos do ponto de vista antropológico, como um fenômeno social oriundo do povo. É a concretização do evangelho, em mediações históricas, sem a capa do oficial ou do erudito. O catolicismo, no Brasil, pode ser visto sob três enfoques: o popular, o oficial e o erudito. Enquanto o primeiro é um conjunto de ritos, devoções e crenças sem a mediação da hierarquia, o oficial é aquele levado a efeito sob a coordenação das autoridades religiosas. O terceiro, o erudito, é o chamado “saber oficial”, oriundo da hierarquia (magistério) ou dos teólogos independentes (magistério paralelo).

 

O catolicismo popular tem origens medievais pré-tridentinas. Seus arquétipos germânicos refletem-se na pompa, na liturgia, grandes devoções a santos, relíquias e santuários. O latino-americano tem também influências célticas e ibéricas. Na primeira, se ressaltam os ritos penitenciais, às vezes geradores de complexos de culpa. Na segunda, os arroubos da defesa da fé: cruzadas, ordens religiosas com missões específicas, etc. É o catolicismo guerreiro. O cristianismo da América Latina é popular. Mais leigo e social, familiar e libertário. Mistura influências tridentinas, como Igreja oficial, clerical, sacramental e doutrinária com a religiosidade ameríndia e negra, resultante da inculturação.

 

O Concílio Vaticano II e o Encontro de Medellín, mostraram certa reserva com a religiosidade popular. O Encontro de Puebla veio resgatar essa força de ser Igreja, mas Santo Domingo silenciou. A religiosidade popular na América Latina, presente em muitas CEBs, apresenta algumas características, como certa resistência à igreja hierárquica, grande poder de mobilização, sacramentalidade circunstancial, ênfase à vida comunitária e atividades sociopolíticas. Práticas condenadas no passado, como o “passe” e as “benzedeiras”, hoje fazem parte do repertório da religiosidade popular, desde que, é óbvio, sejam feitas em nome do Deus Trinitário, e não de outras entidades. É pena que muitos teólogos não desçam de seus pedestais, para viver de perto as crenças simples do povo.

 

Na religiosidade popular podemos encontrar traços de uma espiritualidade cristã primitiva, como também das superstições que não têm nenhum vínculo com o cristianismo. Mais além do fulcro religioso, vemos as manifestações de formas supersticiosas que não mantêm nenhuma ligação com as religiões tradicionais, mas perfiladas à bruxaria e a crenças idolátricas, sem nenhum compromisso com o espiritual. Por exemplo, vários hotéis e prédios nos Estados Unidos não possuem o 13° andar; é pura superstição atéia e irracional.

 

Existem crenças em presságios e sinais, originados por acontecimentos ou coincidências fortuitas, sem qualquer relação comprovável com os fatos dos quais se acredita sejam prenúncio. Isto vai além da religião primitiva, em que se cultuam basicamente espíritos que se crê estarem presentes nas coisas e nas forças da natureza; paganismo, magia, feitiçaria. Neste caso, as superstições nos surgem, por derivação em um sentido de crença cega, arraigada e exagerada em alguma coisa, regra ou intuição.

 

Tem muita gente que se torna dependente dessas deturpações do sentimento religioso que determinam comportamentos irracionais, de caráter normativo e preconceituoso. Consistem, essencialmente, na atribuição de causas sobrenaturais a fatos ou fenômenos de ordem natural. Têm um conteúdo defensivo que nasce do medo, cujas raízes se fundem nos arquétipos da história do homem.

 

Na América Latina sofremos a influência das crenças dos índios e dos escravos negros, daí possuirmos um ponderável acervo de crendices religiosas derivadas dessas culturas. Entre as superstições mais difundidas no Brasil, predominam também as de origem européia, introduzidas pela colonização portuguesa. A maioria estabelece normas de conduta relacionadas com a vida cotidiana: levantar da cama com o pé direito, não passar debaixo de uma escada, não se sentarem treze pessoas à mesa, não tirar as teias de aranha da casa ou que uma noiva deve usar alguma coisa emprestada no dia do casamento.

 

Algumas superstições são expressas apenas por gestos: bater na madeira com os nós dos dedos, fazer o sinal da cruz, ou cruzar o dedo médio sobre o polegar, com o propósito de “afastar o mal” ou “atrair o bem”. Os amuletos como pés de coelho, galhos de arruda, ferraduras, santinhos, medalhas e fitas de devoção. Alguns, atletas e juízes de futebol, artistas e outros, têm no “sinal da cruz” uma espécie de fetiche, pois o usam em várias oportunidades, conforme nos mostra a televisão.

 

Algumas pessoas elegem um amuleto particular, geralmente uma peça de roupa, uma mecha de cabelo de um filho ou qualquer outro objeto de referência pessoal. Os gestos e os amuletos gozam de muito prestígio no meio teatral e folclórico. Segundo a tradição popular, o dia 13 pode ser fatídico quando cai em uma sexta-feira do mês de agosto. No contraponto dessas falsas idéias, os capuchinhos da igreja Santo Antônio, no bairro Partenon, criaram a divisa “Dia 13 é dia de Santo Antônio”, para descaracterizar o 13. A superstição atinge também certas pessoas consideradas portadoras de falta de sorte e, por isto, denominadas de “pé frio”.

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

Considerando nossa fidelidade à cultura lusitana que nos precedeu, é de indagar: quem é que nunca entrou em uma casa nova com o pé direito ou não bateu na madeira para isolar o azar? Algumas superstições já fazem parte do cotidiano das pessoas. Alguns o fazem mais por costume do que por crença efetiva. É assim que nascem as superstições...

 

É comum ouvir que nós, brasileiros, somos um povo muito supersticioso. Vocês sabem o que isso significa? Uma pessoa supersticiosa possui apego infundado a qualquer coisa que lhe dizem, crê em fatos sem fundamentos reais, segue conselhos que nascem da crendice popular. É algo que passa de avós para netos, entre amigos, de geração a geração; é a chamada narrativa da história oral. Só para orientação e conhecimento – enfatizando que tais crenças não tem o menor fundamento lógico ou religioso – relaciono abaixo algumas superstições bastante cultivadas entre nós.

 

Aranhas

Aranhas, grilos e lagartixas representam boa sorte para o lar. Matar uma aranha pode causar infelicidade no amor ou nos negócios. Alguns enxergar em certos casos, a presença da “aranha da boa notícia”;

 

Bolsa no chão

Não podemos deixar a bolsa apoiada no chão se não quisermos perder dinheiro.

 

Bons desejos

Na hora de acordar, abra os dois olhos ao mesmo tempo para ver tudo com clareza e não ser enganado por ninguém. Ao levantar, procure dar o primeiro passo com o pé direito para atrair boa sorte e felicidade. Faça um desejo ao cortar a primeira fatia de seu bolo de aniversário. Ponha um caroço de melancia na testa e, antes que ele caia, faça um desejo. Jogue uma moeda numa fonte. Só faça um desejo quando a água parar de se movimentar e você enxergar o seu reflexo. Os gregos atiravam moedas em seus poços para que estes nunca secassem. Alguns mentalizam um desejo ao usar um sapato pela primeira vez. Enquanto você estiver cruzando uma pequena ponte, prenda a respiração e faça um pedido;

 

Borboleta

Ver uma borboleta voar dá sorte para o dia; outros dizem que enxergar uma borboleta negra é sinal de morte;

 

Brinde

Se o seu copo contiver algum tipo de bebida alcoólica, no brinde com alguém cujo copo contenha bebida sem álcool, vocês estarão se arriscando, nesse tim-tim, a ter seus desejos invertidos; é perigoso (os antigos diziam “não presta” brinde entre vinho (bebida alcoólica) e refrigerante (bebida sem álcool); se no brinde um copo quebrar, havia alguém desejando o mal para aquele cujo copo quebrou;

 

Buda

Para garantir dinheiro e prosperidade ele deve ficar em cima da geladeira, sobre um prato cheio de moedas;

 

Coceira

Sua mão esquerda está coçando? Então, prepare-se para receber um bom dinheiro extra. Se por acaso a mão que estiver coçando for a direita, tome cuidado: é provável que perca uma grande quantia. Coceira na sola do pé significa viagem ao exterior;

 

Corujas

A coruja é sinal de sabedoria; alguns afirmam, no entanto, que ver uma coruja pousada no telhado de uma casa dá azar;

 

Cristais que quebram

Segundo algumas correntes, os cristais possuem energia suficiente para atrair e repelir fluídos negativos; se um cristal se quebra em sua mão é sinal que alguém estava lhe desejando algum mal; é costume quebrar voluntariamente cristais e vidros na passagem do ano-novo, para espantar as vibrações negativas;

 

Deixar o sapato virado

Sapatos virados ou sobrepostos geram malefícios a seus donos, desde dores, enxaquecas, até morte;   

 

Elefante

Quem tiver um elefante de enfeite, sobre um móvel qualquer, sempre deve, segundo os supersticiosos, mantê-lo com o rabo voltado para a porta de entrada: isso evita a falta de dinheiro;

 

Escada

Nunca se deve passar por debaixo de uma escada. É azar na certa;

 

Espelho quebrado

Quebrou um espelho? A superstição prega que serão sete anos de má sorte. Ficar se admirando num espelho quebrado é ainda pior: significa quebrar a própria alma. Ninguém deve se olhar também num espelho à luz de velas. Para culminar, não permita que outra pessoa se olhe no espelho ao mesmo tempo que você;

 

Estrela

          Não se aponta para uma estrela: cria berruga na ponta do dedo;

 

Estrela Cadente

Viu uma estrela cadente? Faça um pedido, porque, segundo a crença de muita gente, é garantia de que ele vai se realizar;

 

Galinhas

Iguais aos cristais, as galinhas atuam, segundo quem acredita, como pára-raios contra o mau olhado e pensamentos negativos;

 

Gato

Se tivermos um gato e formos mudar de casa, é bom passar manteiga em suas patinhas, para que ele não volte para a casa antiga;

 

Gato Preto

Na Idade Média, acreditava-se que os gatos eram bruxas transformadas em animais. Por isso a tradição diz que cruzar com gato preto é azar na certa; os místicos, no entanto, têm outra versão: quando um gato preto entra em casa é sinal de dinheiro chegando;

 

Guarda-chuva

Dentro de casa, o guarda-chuva deve ficar sempre fechado. Segundo as tradições esotéricas, abri-lo dentro de casa traz infortúnios e problemas aos familiares;

 

Meias do avesso

Se você colocar involuntariamente a meia do avesso, não se preocupe: é sinal de que uma boa notícia está para chegar;

 

O sexo do bebê

Existem algumas crenças para tentar adivinhar. Pedir a futura mamãe que mostre uma das mãos. Se ela estender com a palma para baixo, será menino. Se a palma estiver para cima, nascerá uma menina. Existe também a linguagem do ventre. Se for pontudo e saliente, sinal de que um menino está para chegar. Arredondado e crescendo para os lados, menina à vista.

 

Objetos perdidos

Dizem que a maneira mais eficiente de encontrar algo que desapareceu é orar a Santo Antônio, e ao encontrá-lo dar três pulinhos em homenagem a São Longuinho;

 

Orelha Quente

Se sua orelha esquentar de repente, é porque alguém está falando mal de você. Nesses casos, vá dizendo o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder. Para aumentar a eficiência do contra-ataque, morda o dedo mínimo da mão esquerda: o detrator irá morder a própria língua;

 

Pé direito

Devemos sair de casa e entrar em qualquer lugar, sempre com o pé direito, para evitar o azar;

 

Sal grosso

Deixar um copo de vidro cheio de sal grosso no canto da sala, traz sorte ou realiza mudanças de vida;

 

 

Vassoura

Para dispensar uma visita chata, é só deixar uma vassoura de cabeça para baixo atrás da porta; crianças que montarem em vassouras serão infelizes;

 

Velas, lâmpadas e cigarros

Três velas ou três lâmpadas acesas em um mesmo quarto podem ser prenúncio de morte. Acender três cigarros com um mesmo palito de fósforo também significa perigo. Trata-se de uma tradição de guerra. O primeiro cigarro aceso mostra o alvo ao inimigo, que mira no segundo e atira no terceiro; Varrer a casa à noite expulsa a tranqüilidade e chama cobras;

 

Repito: nenhuma dessas práticas vistas acima, e outras menos votadas, tem o mínimo valor para a vida humana. Trata-se realmente de crendices idiotas, formas infundadas de crer em certas coisas, incapazes de resolver um problema ou modificar situações. Você acredita nessas bobagens? Ou crê, como eu, que

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

Quando se enxerga por aí tanta superstição, chega-nos a conclusão que nosso povo é, em geral mal catequizado e precisa urgentemente ser liberto dessas crendices que assolam a sua vida espiritual. A única pessoa que leva vantagem em tudo isto é o inimigo de nossas almas: o diabo, nosso adversário. A Bíblia diz que ele cegou o entendimento dos incrédulos (2Cor 4,4). As catequeses, em geral,  são mais programáticas do que querigmáticas; mais currículo do que vivência.

 

Isto produz uma distorção: no fim do período o catequizando sabe todo o conteúdo do livro ou da apostila, mas não foi evangelizado. Ser evangelizado é conhecer e professar na vida o real senhorio de Jesus, vencedor do mal, do pecado e da morte. Quem é evangelizado de fato despreza todo tipo de superstição ou crendice alienante.

 

Jesus, veio para nos libertar das crendices e superstições. O diabo prende as pessoas debaixo do medo dessas ameaças, mas a Bíblia nos diz que o Filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo (1Jo 3,8). O único poder que pode libertar verdadeiramente o ser humano é a verdade através do evangelho de Cristo, pois ele mesmo disse: “...e conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês.” (Jo 8,32).

 

Ao cristão não é lícito viver dependendo de rezas, encantamentos, amuletos, plantas, rogos ou qualquer espécie de artifício para afugentar o mal. Não precisa ir mais à benzedeira para “fechar o corpo” ou coisa parecida. Quem crê no poder de Jesus deve, tão-somente, deixá-lo entrar em seu coração e verá que nada dessas tolices atinge um verdadeiro servo de Deus, um cristão de verdade. A Bíblia chega mesmo a dizer que

 

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca  (1Jo 5,8).

 

Infelizmente, muitas pessoas são escravas das superstições e do ocultismo que, ao invés de ajudar, pioram suas condições de vida física e mental. Essas distorções psico-religiosas são barreiras que impedem as pessoas de conhecerem as Escrituras e o poder de Deus. Por não confiarem exclusivamente em Deus, colocam sua confiança em objetos ou na adoção de determinadas atitudes pessoais, que, acreditam, podem trazer bênção ou afastar maldição.

 

Conheci pessoas, algumas até cultas e esclarecidas que tinham manias supersticiosas, como, só entrar de pé direito em uma sala, jamais andar em automóvel de cor verde, não passar o ano com roupa preta, ou nessas festividades usar roupa íntima amarela ou da cor preconizada pela televisão. Um homem que trabalhava no 13º. andar, subia de elevador até o 14º. e descia pelas escadas.

 

No Brasil, como de resto em boa parte da América Latina há uma ponderável predileção popular pelos “horóscopos” e especulações em torno do Zodíaco como fonte de adivinhações e normas de vida. É uma superstição grosseira, do tipo “destino”, como se tudo estivesse anteriormente programado sem a possibilidade da intervenção da providência divina. Nesse sistema, os signos caracterizam a personalidade de cada pessoa. Pura asneira! Uma colega estava no aeroporto esperando para embarcar, quando sua mãe telefonou aflita, dizendo-lhe que o horóscopo lhe havia revelado não ser aquele um dia propício para viagens. A moça viajou assim mesmo e nada lhe aconteceu. Há ainda as crendices de fim-de-ano, onde se vê cristãos “pulando sete ondas do mar” ou presenteando Iemanjá com perfumes, flores e sabonetes. Dizem os tolos que no reveillon não se come peru nem pratos feitos com milho, pois atrasa a vida.

 

Outros, seguem a risca as superstições orientais, onde cruzar com um mendigo na rua, ou enxergar um enterro dá azar. Se fosse assim, os donos de funerárias não estariam ricos. Há também o caso de celebridades, especialmente dois cantores famosos, um brasileiro e outro espanhol que são extremamente supersticiosos. Enquanto um, em dias de espetáculo só usa azul, não dobra esquinas à esquerda e não admite passar na frente de cemitérios, o outro usa o mesmo sapato em todas as apresentações, e exige dezenas de toalhas brancas no camarim, as quais não usa nem a metade. Quando alguém nos propuser a prática de algum tipo de “simpatia” ou superstição, é salutar lermos o que diz a Bíblia:

Não dêem ouvidos aos profetas (falsos) de vocês, aos seus adivinhos, aos seus sonhos, aos seus agoureiros e aos seus encantadores (Jr 27,9).

Quando disserem a vocês: consultem os médiuns e os feiticeiros que chilreiam e murmuram entre dentes, respondam: “Acaso não consultará um povo a seu Deus? Acaso a favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8,19).

Mas, quanto aos medrosos, incrédulos, abomináveis, homicidas, adúlteros, feiticeiros, idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte (Ap 21,8).

Vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará (Jo 8,32)

Se o Filho libertar vocês, verdadeiramente vocês serão livres (Jo 8,36)

Não há encantamento contra Jacó, nem adivinhação contra Israel (Nm 23,23)

 

Os dicionários, referindo-se aos amuletos, classificam-nos como um “pequeno objeto (figura, medalha, figa, etc.) que, desde a mais alta Antiguidade, os povos trazem consigo por acreditar em seu poder mágico de afastar desgraças ou malefícios”. Nas mesmas trilhas, fetiche é um “objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto”. Nesse contexto, a superstição revela-se como um “sentimento, em geral religioso, baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”.

 

Dentre os diversos tipos de amuletos (olho de boto ou do peixe-boi, ferradura, meia-lua, Estrela-de-Davi, galho de arruda ou o patuá) a figa é o que alcançou maior popularidade. Usada (por quem acredita) para combater a esterilidade e o mau-olhado, é representada por uma mão humana fechada com o polegar entre os dedos indicador e médio. Enfim, amuleto é uma figura ou objeto portátil, qualquer coisa a que supersticiosamente se atribui virtudes sobrenaturais para livrar seu portador de males materiais e espirituais, e para propiciar benefícios nessas áreas. 

 

Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Cor 6,19 Ef 1,13); nossos pecados são perdoados (At 10,43; Rm 4,6ss); somos  recebidos como filhos de Deus (Jo 1,12); se somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8,17);  passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1Jo 3,14);   somos novas criaturas (2 Cor 5,17);  o diabo se afasta e não nos toca (Tg 4,7; 1Jo 5,18);  não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8,32-36);   podemos usar o nome de Jesus para curar enfermos e expulsar

 

Em razão disso, somente o retorno voluntário ao pecado (e a superstição consciente configura uma situação de pecado) poderá alterar a nossa situação diante de Deus. O uso de qualquer objeto, seja no corpo, seja em nossa casa, não melhora em nada a nossa condição de filho, de herdeiro, de abençoado, de isento das investidas do diabo. Objetos não expulsam demônios, não quebram maldições, não substituem o poderoso nome de Jesus.

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

O nome de Jesus não pode ser substituído por um objeto ou um produto industrializado. O uso de amuletos evidencia não uma atitude de fé, mas de falta de fé. Deus não opera por esse meio, sejam cordões, pulseiras, pirâmides, cristais, velas ou qualquer outro produto. A Bíblia não apoia tal prática. A atitude de fé é o ato de esperarmos no Senhor e nele confiarmos.

 

Alegremo-nos no Senhor e ele nos concederá os desejos do nosso coração (Sl 23,1; 37,4-7).

 

Fugindo das tentações das magias e dos feitiços, nossa confiança deve ser depositada no Deus Uno e Trino. Trata-se de uma busca de libertação. do pecado e das práticas que nos levam ao distanciamento de Deus.

 

Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança (Sl 40,.4). 

 

Se dividirmos a nossa fé entre Deus e os amuletos, estaremos coxeando entre dois pensamentos. Como disse Elias ao povo hebreu: “Vocês devem se decidir entre Javé e Baal” (cf. 1Rs 18,21). Não é esta uma manifestação de fé, mas de incredulidade, de dúvida nas promessas de Deus. E a dúvida é inimiga da fé (Mt 21,21). Quem recorre aos amuletos e às demais superstições que andam por aí, está declarando que não tem confiança total no poder de Deus, e recorre àquelas crendices como um “reforço”.

 

Abraão não duvidou da promessa de Deus, nem se deixou levar pela incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir (Rm 4,20s). 

 

O patriarca Abraão creu, mesmo diante das evidências, na promessa de que seria pai de muitas nações. Aguardou confiantemente. Não apelou para objetos, amuletos, cordões, pé-de-coelho, pulseiras, vassouras atrás da porta, etc. Apenas creu e foi agraciado pelos dons de Deus.

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

Os profetas abriram processo contra o povo de Israel justamente pela idolatria e pela utilização de objetos de pecado, como culto aos lugares altos, às árvores frondosas e aos terafim (ídolos de madeira usados pelas mulheres israelitas nas suas residências). Tais práticas de pecado foram como que importadas do Egito, da Babilônia e dos povos vizinhos. Quando Israel sucumbiu ao poder das nações invasoras, foram atribuídas a essas superstições, as causas de todos os males. Como afirma o salmista,

 

O Espírito que em nós opera não nos permite colocar coisas impuras diante de nossos olhos (Sl 101,3).

 

 Os objetos, ou qualquer tipo de material não servem para aumentar a fé dos cristãos. O que transmite fé, o que proporciona fé, o que dá origem à fé, é a palavra de Deus  (cf. Rm 10,17).  Jesus não distribuiu qualquer tipo de objeto para melhorar a fé de seus ouvintes. Nos primeiros passos da Igreja, vemos Pedro e demais apóstolos anunciando insistentemente o Cristo vivo, e falando com paciência dos mistérios de Deus e das palavras de Jesus. E todos se enchiam de alegria, e milhares aceitavam o Evangelho. Disse-lhes Pedro:

 

Arrependam-se, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados.

 

Os amuletos e outros objetos correlatos, longe de serem veículos de bênçãos ou de ajuda, podem trazer maldições, porque esse tipo de crença (que nem é fé) não está centralizado exclusivamente no Deus vivo. Pelo contrário, visa buscar ajuda e amparo em um sistema fora da providência de Deus, No livro do profeta Isaías há um texto interessante:

 

Ai dos que confiam no poder místico dos amuletos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor (13,1).

 

O uso de amuletos pelo povo de Deus equivale a tomar o caminho de volta para o Egito, renunciando às delícias da terra de Canaã e à salvação prometida. As nossas superstições devem ser deixadas no esquecimento, de lado, como algo pernicioso ao crescimento da nossa fé. Nós, pela ação do Espírito em nossas vidas, já morremos para essas coisas, para o sistema mundano, para o pecado. Jesus morreu para nos libertar dessas falsas crenças, para vivermos pela observância do evangelho, a vida da graça e da justiça.

 

 

 

 

 

A nossa proteção está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

 

 

 

 

 

O autor é Doutor em Teologia Moral.

 

 

Conferência proferida num encontro de Famílias Cristãs, realizada na cidade de Florianópolis (SC) em outubro de 2008. Antônio é autor, entre outros, dos livros “História das Religiões” (Palotti) e “Os equívocos da reencarnação” (Recado)

 

 

Artigo 1

A Terra Santa

 

De 11 de setembro a 15 de outubro de 1997, o 16º Retiro-Peregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus. Lá se foram 41 brasileiros, liderados pelo Pe. Afonso de Santa Cruz, da Genesaré Tours, de Curitiba-PR. Não é uma viagem de turismo, e sim, um retiro espiritual, no qual se medita a Sagrada Escritura, se reza..., ao sabor da emoção de se estar pisando as mesmas pedras que Jesus pisou, de se beber da mesma fonte de água que Maria de Nazaré bebeu, ou de se percorrer os mesmos caminhos que os grandes santos da Igreja percorreram.

 

A "Terra Santa" é a Palestina do tempo de Jesus; hoje um país moderno, chamado Israel. Graças ao avião, é possível ir do Brasil a Israel com mais ou menos 15 horas de vôo, com escala em Roma ou Lisboa. Quem vai a primeira vez, se converte; e quem foi uma vez, não se contenta enquanto não repetir a viagem. No grupo de peregrinos/97 havia uma senhora que viajava pela 7ª vez; uma outra, pela 11ª vez. É uma viagem de muita fé e esperança. Sabendo que tudo neste mundo passa, o peregrino aprende a valorizar o mundo espiritual e faz a experiência do convite de Deus: "Sai da tua terra e vai..."

 

No começo do ano, eu recebi pelo correio o envelope da Genesaré Tours, com os prospectos do 16º Retiro-Peregrinação. Havia um grande cartaz que eu devia colocar no quadro-mural da Igreja Santa Rita de Cássia. Me dirigi à Igreja. Enquanto eu colocava a fita crepe no cartaz, nos fundos da Igreja, olhei para frente. São José, em seu pedestal, com o Menino-Deus nos braços, sorriu para mim. É verdade. Eu disse a São José: "Olhe, eu gostaria muito de participar desta peregrinação, mas com o meu salário de pároco é impossível..." Porém, quando faltavam 10 dias para o embarque, o pessoal da Genesaré Tours me telefonou, dizendo: "Padre Máikol, São José financiou a sua viagem." Lembrei-me da cena de colar o cartaz no fundo da Igreja... Só deu tempo de encaminhar algumas atividades da paróquia, pegar a câmera filmadora e entrar no avião.

 

Tornei-me devoto do Santo: "São José não falha!" Visitei a carpintaria dele em Nazaré. Impressionei-me com a estátua de bronze, em tamanho natural, que está na Gruta do Leite, mostrando a Sagrada Família na fuga ao Egito. Se dependesse de mim, eu convocaria um concílio, com a finalidade de incluir o nome de José na Profissão de Fé, "Creio em Deus Pai todo-poderoso... em José, o pai adotivo de Jesus... Amém." E eu daria um jeito de tirar o nome do safado do Pilatos do credo.

 

Eis os lugares santos visitados:

 

8 Monte Carmelo - A viagem à Terra Santa começa no Monte Carmelo, na gruta do profeta Elias; as monjas carmelitas fazem custódia à gruta de Elias, profeta que viveu pelo ano 800 AC. Viajando ao passado histórico, é possível encontrar o poço de Jacó (1400 AC) e o Monte Sinai, onde Moisés recebeu o decálogo pelo ano 1250 AC. Fazendo a ponte com o Novo Testamento, em Jerusalém, no Monte Sion, está a casa que pertenceu a Joaquim e Ana, os pais de Maria de Nazaré; por isso, Maria, a filha de Sion.

 

8 Nazaré - Um lugar santo que faz perder a fala, devido à emoção, é a Basílica da Anunciação, em Nazaré. No subsolo, a casa de pedra que pertenceu a Maria. No local exato onde o arcanjo Gabriel apareceu a ela está escrito: "Verbum caro hic factum est" - aqui o Verbo se fez carne. Quem olha a cúpula da basílica de baixo para cima, tem a impressão de que o "sim" de Maria se projeta dali para todos os cantos da terra. Nas paredes da basílica, o retrato de Fátima, Lourdes, Guadalupe, Czestochova, Japão, Aparecida... A poucos passos da basílica, a Igreja da Carpintaria de São José. E mais adiante, a única fonte de água de Nazaré, da qual beberam Maria, José e Jesus; todo peregrino bebe naquela fonte.

 

8 Ein-Kerem - Ein-Kerem, uma cidade pouco conhecida porque nos Evangelhos não se fala dela; fica perto de Jerusalém. Ali moravam Zacarias e Isabel, os pais de João Batista. Há uma fonte de águas cristalinas da qual a família bebia. A Basílica da Visitação ostenta na fachada frontal uma pintura do encontro de Maria de Nazaré com Isabel; nos muros, "O Senhor fez em mim maravilhas...", escrito em muitas línguas. Dentro da Igreja de São João Batista, o local exato onde o profeta nasceu; e nos muros, o "Bendito seja o Senhor Deus de Israel porque visitou e libertou o seu povo...", em muitas línguas.

 

8 Belém - Basílica da Natividade, Gruta do Leite, Gruta dos Pastores... Belém significa "casa do pão". Todo peregrino se ajoelha e beija uma estrela dourada de 14 pontas que indica o lugar da manjedoura de Jesus. Depois da visita dos pastores e dos magos, Maria se refugiou na Gruta do Leite para amamentar Jesus; e então, a fuga ao Egito. Os mais lindos presépios do mundo estão nas lojas de Belém. E na época do Natal, centenas de corais entoam o "Noite Feliz".

 

8 Monte das Tentações - o Menino-Deus cresceu em idade e sabedoria. Aos 12 anos, desafiou os Doutores da Lei do Templo de Jerusalém. Com mais ou menos 33 anos de idade, subiu ao Monte que fica ao lado de Jericó; ali orou e jejuou 40 dias. Hoje, um mosteiro encravado no paredão de rocha recorda as três tentações de Jesus. Descendo do Monte das Tentações, Jesus foi ao Jordão.

 

8 Rio Jordão - são mais ou menos 10 metros de largura. O rio começa mais largo, no Lago de Genesaré, do que termina, no Mar Morto. No lugar onde Jesus foi batizado por João Batista, todo peregrino faz questão de ter a água derramada na cabeça. Cantou-se o "Prometi no meu Santo Batismo". Em frascos caracterizados, cada peregrino leva água do Jordão para sua casa.

 

8 Mar de Tiberíades - ou Lago de Genesaré, 12 X 21 km, fundura de 40 a 50 m. Um antigo vulcão, 210 metros abaixo do nível dos outros mares. Na travessia de Tiberíades para Cafarnaum, Jesus acalmou a Tempestade. Ali aconteceu a pesca milagrosa. Até hoje, o peixe de São Pedro é servido à saciedade nos restaurantes da cidade de Tiberíades; pescador que sou, sei que se trata de uma tilápia bem saborosa! Nosso barco ancorou, rezamos a Missa ao som do "Tu, vieste à margem do lago..."

 

8 Cafarnaum - a cidade de Jesus. A casa de Pedro, o pescador da Galiléia. Passando pela praia, disse Jesus: "Vem e segue-me." Seguiram-no Pedro e André, Tiago e João, os primeiros discípulos. Em Cafarnaum, Jesus curou a sogra de Pedro; hoje, sobre as ruínas da casa, uma bela Igreja. A poucos metros, as ruínas da sinagoga na qual Jesus ensinava. Ali Jesus curou um leproso. Mais adiante, uma grande pedra; metade na água, metade dentro da Igreja do Primado de Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Mesmo negando Jesus por três vezes, Simão Pedro foi o primeiro Papa. Na "Mensa Christi", Jesus ressuscitado comeu peixe assado e um favo de mel, depois da ressurreição. A pedra está lá: ver para crer.

 

8 Caná da Galiléia - com os primeiros discípulos, Jesus e sua mãe foram ao casamento de São Judas Tadeu, o primo de Jesus. "Eles não têm mais vinho...", diz Maria. O servo encheu com água do poço as seis talhas de pedra que estão lá até hoje. O melhor vinho da região, o primeiro milagre de Jesus! Todo casal, marido e esposa, renova ali a fidelidade conjugal. E todo padre reza ali pelos casais cujo casamento abençoou ou que ainda vai abençoar. Na loja de souvenirs, é obrigatória uma garrafa de vinho de Caná.

 

8 Tabgha - Quem gosta, volta! Volta e meia, Jesus voltava para Cafarnaum. Ao lado esquerdo da Casa de Pedro e da Igreja do Primado, o "heptapegon", isto é, as sete fontes. Em meio às fontes, uma multidão faminta. Cinco pães e dois peixes: a multidão saciada milagrosamente. No piso do santuário, um mosaico do século I com 5 pães e 2 peixes. Nenhum peregrino fala nada: reza, emociona-se e lembra-se do "Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão se alimentar terá a vida eterna", testemunhado pela lamparina vermelha ao lado do sacrário da igreja de cada paróquia. Confira o Evangelho de João, 6.

 

8 Monte das Bem-Aventuranças - casa de Pedro, igreja do primado, Tabgha, Igreja das Bem-Aventuranças. Trajeto para uma hora, à pé. Na igreja, 8 paredes, 8 vitrais, 8 bem-aventuranças. Qual é a sua bem-aventurança predileta? É o Sermão da Montanha, Mateus 5-7. A custódia do Monte das Bem-Aventuranças pertece às irmãs franciscanas.

 

8 Jericó - é a cidade mais antiga do mundo. "Hir Shikov" significa cidade perfumada. Jericó surgiu pelo ano 9000 AC graças a uma fonte de água em meio ao deserto da Judéia; a fonte sempre esteve no centro da cidade. Vários povos dominaram Jericó, revela a arqueologia. Josué conquistou Jericó pelo ano 1200 AC. Hoje, Jericó está sob o domínio dos Palestinos de Yasser Arafat. Disse Jesus a Zaqueu: "Desce do sicômoro, hoje quero estar na tua casa". O baixinho de Jericó se converteu. Os peregrinos da Genesaré Tours tiveram celebração eucarística na Igreja de São Francisco. Depois, um farto almoço com as famosas frutas de Jericó.

 

8 Mar Morto - na verdade, um antigo vulcão; na lenda bíblica, as cidades de Sodoma e Gomorra castigadas por Deus, com enxofre e fogo, no tempo de Abraão. O Mar Morto está 430 metros abaixo do nível dos oceanos; por isso, em suas margens, temperaturas de até 45º centígrados. A água, que se parece com uma gelatina, é tão densa de sódio, cloro, cálcio, magnésio e potássio que faz o corpo humano boiar extraordinariamente. A mulher de Lot, que virou estátua de sal, está lá até hoje..., aliás, são milhares de estátuas de sal esculpidas pelas ondas e pelo vento, entre o verão (julho) e o inverno (dezembro).

 

8 Qumran - Na época de Jesus, as grutas de Qumran eram habitadas pelos monges essênios; Qumran fica perto do Mar Morto. Pelo ano 70 DC, os romanos invadiram a Palestina, matando e dispersando os judeus. Na fuga dos romanos, os essênios deixaram seus pergaminhos escondidos em potes de barro nos fundos das grutas. No dia 29 de novembro de 1947, um pastor chamado Mohamed Edib descobriu esses pergaminhos ao resgatar uma cabra que havia caído numa das Grutas de Qumran; e os revendeu a um sírio cristão chamado Khalil Kando. Kando revendeu os pergaminhos ao arcebispo de Jerusalém que, por sua vez, nos Estados Unidos os revendeu ao professor Yigael Yadin. Na verdade, esses escritos eram textos completos do Antigo Testamento. Hoje esses pergaminhos estão no Santuário do Livro, em Jerusalém.

 

8 Massada - No Monte de Massada, perto de Qumran e do Mar Morto, estão as ruínas da Fortaleza de Herodes. O Monte se parece com uma gigantesca torre redonda, com paredões de rocha bem íngremes, impossíveis de escalar sem a ajuda de instrumentos. O topo de Massada é bem plano, a 700 acima do Mar Morto. Pelo ano 40 AC, Herodes construiu ali uma fortaleza para se proteger dos povos inimigos. Na fortaleza havia provisão de água e comida para muitos anos; havia piscina, refeitório, sinagoga, armas... Pelo ano 70 DC, as legiões romanas já haviam destruído Jerusalém e arrasado a Palestina toda. O último foco de resistência estava no Monte Massada; ali havia 960 judeus, liderados por Eleazar Bem Yair.. Um general romano, de nome Silva, recebeu a tarefa de conquistar Massada. Elezar resistiu por vários meses. Percebendo a impossibilidade de resistir, convenceu todo seu grupo para todos se suicidassem. Foram escolhidos 10 homens para que cada um matasse 100 outros; depois, dos 10 homens um foi escolhido para para matar os outros 9 e, para, finalmente se suicidar. Quem sobrou para contar essa história foram 2 mulheres e 5 crianças que se esconderam por ocasião do suicídio e foram encontradas pelos romanos.

 

8 Monte Tabor - O Evangelho de Lucas (9, 28-36) descreve o fato da Transfiguração de Jesus: Jesus, levando consigo Pedro, Tiago e João, subiu a um alto monte da Galiléia. Trata-se do Monte Tabor, que se eleva 588 metros acima da planície, oferecendo uma visão magnífica das aldeias e lavouras do Vale de Jezrael. O cume do monte tem 1 km de comprimento por 400 m de largura. Ali está plantada a Igreja da Transfiguração, na qual há um belíssimo mosaico mostrando o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias. Ao lado da Igreja, um mosteiro dos franciscanos. No passado histórico de Israel, o Tabor servia de fronteira entre as dez tribos do Reino do Norte e as duas do Reino do Sul. Já o Salmo 89, 13 dizia: "Os montes Tabor e Hermon cantam o teu nome, Senhor."

 

8 Naim - No sopé do Monte Tabor, há duas aldeias árabes: Daburieh e Naim. Daburieh é famosa porque ali habitou a profetisa Débora, a qual predisse a importante vitória de Baraque sobre o exército cananeu de Sísera (Juízes 4, 6). Naim aparece no Evangelho porque Jesus ressuscitou ali o filho de uma viúva pobre. Curiosidade: Naim é uma vila muito pobre, habitada por árabes muçulmanos; não mora ali nenhuma família cristã. Porém, em Naim há uma Igreja Católica muito significativa: a pintura principal retrata a ressurreição do filho da viúva de uma forma muito expressiva. Sabe-se que Jesus operou esse milagre quando estava subindo a Jerusalém para morrer e ressuscitar. A chave da igreja de Naim está confiada a duas senhoras muçulmanas, que também se encarregam de cuidar desse lugar santo. E o peregrino se depara com dezenas de crianças pedindo da vila a pedir um shequel, dinheiro de Isarel.

 

8 Betânia - Jerusalém fica bem no alto. No caminho de Jericó a Jerusalém fica a aldeia de Betânia. Toda vez que Jesus subia de Jericó a Jerusalém, ele se hospedava na casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Numas dessas viagens, Lázaro estava morto havia quatro dias; Jesus o ressuscitou, prefigurando seu próprio Calvário e ressurreição. O túmulo de Lázaro pode ser visitado até hoje; é necessário descer 22 íngremes degraus para se chegar ao local onde estava o corpo de Lázaro. Ao lado do túmulo, uma bonita Igreja em forma de túmulo, cuidada pelos franciscanos. E como é praxe, ao lado da igreja católica, uma mesquita muçulmana, porque os árabes também se acham donos dos lugares santos.

 

8 Jerusalém - em hebraico, "Yir Shalaim", em português, "Cidade da Paz". Porém, nada de paz! Em Jerusalém coabitam quatro povos historicamente inimigos. Inimigos pela política, pela economia, pela língua e pela religião. 1) Judeus - aqueles que seguem a Lei de Moisés e a Torah; muitos deles são fanáticos, usam terno preto e cartola preta. 2) Árabes - consideram-se descendentes de Ismael, um dos filhos de Abraão; seguem a religião do Islamismo, fundado por Maomé. 3) Palestinos - liderados por Yasser Arafat; descendentes dos antigos habitantes de Canaã, desde antes da chegada dos Israelitas; o território dos Palestinos restringe-se à cidade de Jericó, a faixa de Gaza e alguns quarteirões em algumas cidades. 4) Cristãos - são a minoria; estão em Israel por motivos religiosos e culturais. A maior parte dos "Lugares Santos" católicos está sob o domínio dos árabes e dos Judeus. Em Israel se fala hebraico, árabe e inglês; mas, uma palavra é comum a judeus e árabes: dólar! O "Sheqel", dividido em 100 "Agarots" às vezes é recusado. Curiosidade: as línguas hebraica e árabe são escritas da direita para a esquerda, em caracteres totalmente diferentes dos que o leitor está vendo aqui. Em Jerusalém, há três dias santificados por semana: os muçulmanos "folgam" na sexta-feira, os judeus "guardam" o Shabat e os cristãos "santificam" o domingo.

 

8 Jerusalém: Cidade Antiga - Os Israelitas, liderados por Josué, conquistaram Jericó pelo ano 1250 AC. Em seguida, os Filisteus de Creta também invadiram Canaã, donde surgiu o nome "Palestina". Pelo ano 1000 AC, o rei David conquistou a colina de Jerusalém, derrotando os cananeus. E o rei Salomão construiu o Templo pelo ano 950 AC. Para se defender dos povos inimigos, David e Salomão construíam os muros da Jerusalém antiga, protegendo o templo, o palácio, a corte e as habitações. Jerusalém fica bem no alto; por isso, de todos os cantos de Israel se diz: "Vamos subir a Jerusalém!" Todo peregrino deve observar um ritual: ao avistar Jerusalém, contemplá-la de longe e brindá-la com uma taça de vinho. Foi nessa circunstância que Jesus exclamou: "Jerusalém, Jerusalém, dias virão em que não sobrará pedra sobre pedra."

 

8 Jerusalém: Gruta dos Apóstolos - a gruta situa-se no Jardim das Oliveiras. Na verdade, é um antigo moinho de azeite de olivas, que pertenceu a Marcos, o evangelista. Em hebraico, Getsê = azeite, mani = moinho. Imagine: Marcos era dono de boa parte do Jardim das Oliveiras. Para extrair o óleo das azeitonas, ele possuía um moinho que esmagava as frutinhas. Para recolher o óleo extraído, ele aproveitou uma gruta subterrânea e ampliou-a. Durante o dia, os empregados trabalhavam na gruta. À noite, a gruta estava vazia. Por isso, toda vez que Jesus subia a Jerusalém com seus apóstolos, o grupo passava a noite na gruta do Getsêmani de Marcos. Depois da morte de Jesus, muitos peregrinos passavam a noite no Getsêmani de Marcos. E ele ficava explicando aos peregrinos tudo o que sabia sobre a vida de Jesus. Entediado de repetir a mesma historinha, Marcos, que era empresário e não apóstolo, decidiu escrever tudo o que ele sabia sobre Jesus. Nasceu aí o Evangelho de Marcos. E a gruta foi denominada de Gruta dos Apóstolos, hoje uma igreja franciscana.

 

8 Jerusalém: as muralhas - As muralhas de Jerusalém, como os turistas as podem ver hoje, são uma soma de diferentes períodos de construção, no decorrer dos séculos. Foi no reinado de Suleimã, o Magnífico, em 1542, que os Muros de Jerusalém adquiriram sua forma atual. Nas muralhas, de aproximadamente 3 km de comprimento e 13 metros de altura, há 34 torres e 8 portas: ao Norte, a Porta Nova, a Porta de Damasco e a Porta de Herodes; ao Leste, a Porta de Santo Estêvão e a Porta de Ouro (fechada pelos Turcos em 1530); ao Sul, a Porta do Lixo e a Porta de Sião; ao Ocidente, a Porta de Jafa. A parte mais alta do Muro é conhecida como o Pináculo do Tempo, cuja altura se eleva a 70 metros. Nas muralhas de Jerusalém, há muitas "agulhas", isto é, na parte interna do muro, há entrâncias triangulares que servem para rechaçar os inimigos, com flechas ou fuzis. A Porta do Lixo está marcada por impressionantes rajadas de metralhadora.

 

8 Jerusalém: Muro das Lamentações - também chamado de Muro Ocidental. É o lugar mais sagrado dos judeus, pois é a única relíquia do útlimo Templo de Jerusalém, construído por Herodes no ano 20 AC; na verdade, trata-se de uma parede da muralha construída ao redor do templo. No ano 70 DC, quando da destruição de Jerusalém, o imperador romano Tito deixou de pé esta parte da muralha, com seus enormes blocos de pedra, a fim de mostrar às gerações futuras a força dos soldados romanos que foram capazes de destruir todo o resto das edificações judaicas. Durante o período bizantino, não era permitida a entrada dos judeus em Jerusalém, a não ser, uma vez por ano, no aniversário da destruição do Templo, ocasião em que lamentavam a dispersão do povo judeu e choravam sobre as ruínas do Templo Sagrado; daí o nome dado a esta parte da muralha: "Muro das Lamentações". O costume de rezar junto ao Muro continuou no decorrer dos séculos. Entre 1948 e 1967, o acesso ao Muro foi novamente proibido aos judeus, já que ele se encontrava na parte jordaniana da cidade. Depois da Guerra dos Seis Dias, o Muro das Lamentações converteu-se em um lugar de júbilo nacional e de culto religioso. Hoje-em-dia, os judeus ortodoxos (sobretudo preto, chapéu-fundo preta, barba), passam o dia todo guardando o Muro das Lamentações. Qualquer peregrino - homem ou mulher - pode se aproximar do Muro, desde que se identifique com seu passaporte. No Muro Ocidental, os judeus costumam ler os Salmos e a Lei de Moisés, sempre num movimento inclinatório de vai-e-vem.

 

8 Jerusalém: Mesquitas - Maomé (570-652) fundou o Islamismo, conferindo-lhe por capital a cidade santa de Meca, na Arábia. O Islamismo é monoteísta, chamando a Deus de Alá; a Bíblia deles é o Alcorão. Os árabes se consideram descendentes de Ismael - filho de Abraão - e da escrava egípcia Agar (Gn 16); por isso, irmãos dos judeus. No corpo de doutrina do Islamismo, figura o mandamento da Guerra Santa; para os islamitas - ou muçulmanos - morrer/matar na guerra significa "ir diretamente ao céu". Depois da destruição de Jerusalém no ano 70 DC, a Palestina ficou desabitada por muito tempo. No ano 636, os muçulmanos conquistaram Jerusalém. Aí, os reis católicos da Europa organizaram as Cruzadas, para reconquistar os Lugares Santos. Tarde demais: os árabes já tinham construído suas mesquitas sobre alguns lugares significativos. Por exemplo, em Jerusalém, a mesquita de Omar está construída exatamente sobre a rocha do Monte Moriah, no qual Abraão havia oferecido em sacrifício o seu filho Isac. E é bem neste local que estava o templo construído por Salomão, destruído em 587 AC por Nabucodonosor e reconstruído por Zorobabel. O templo que Jesus conheceu foi construído por Herodes, a partir de 20 AC, e destruído por Tito no ano 70. Em 691, o califa Abdel el Malik Ibn Mervan iniciava a construção da atual mesquita que é conhecida como Mesquita de Omar, com sua cúpula de 25 metros, feita de ouro maciço. Ao lado dela, na antiga Esplanada do Templo, a Mesquita de El-Aksa, construída pelo califa El-Walid, sobre o antigo Palácio de Salomão. No trajeto que vai entre as duas mesquitas, há uma fonte de água para as abluções rituais. Quando o muezim (trombeta) convida para a oração, na Mesquita de El-Aksa há orações comunitárias, ao passo que na Mesquita de Omar, só orações individuais. O turista pode entrar na mesquita, desde que esteja descalço e com o corpo bem coberto.

8 Jerusalém: Pai-Nosso - Ensinou Jesus: "Quando orardes, dizei: Pai nosso que estais nos céus..." (Mt 6, 9-13). Dentre as muitas orações cristãs que existem, o Pai-Nosso é a mais bonita e a mais completa de todas. No alto do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, um gruta sagrada testemunha que foi ali que Jesus fez os discípulos decorarem o Pai-Nosso. Talvez, algum dos discípulos teve a idéia de escrever na parede a oração ensinada por Jesus. Por isso, hoje, o Pai-Nosso está escrito nas paredes em mais de 100 idiomas. A primeira Igreja construída junto à gruta do Pai-Nosso foi edificada pelo convertido Imperador Constantino, pelo ano 325. Os persas destruíram-na em 614. Os Cruzados reconstruíram-na no Século XII. Expulsos os Cruzados, o local foi tomado pelos muçulmanos. Em 1868, a Princesa Aurélia de Bossi de la Tour d’Auvergne comprou este Lugar Sagrado; fez construir ali um Convento Carmelita. Em seguida, doou o local ao governo da França que deveria edificar ali uma basílica em honra do Sagrado Coração de Jesus, obra, porém, que fracassou. Os restos mortais da Princesa Aurélia repousam dentro do Convento. Confusões históricas à parte, o Pai-Nosso chama a Deus de Pai e traz a mensagem de que os homens são todos irmãos, filhos do mesmo Pai. E você, leitor, já recitou o Pai-Nosso hoje?

 

8 Jerusalém: Dominus Flevit - Em Lucas 19, 41, o médico-evangelista diz que quando o Mestre chegou perto de Jerusalém, ele chorou. Em Latim, "Dominus Flevit", em brasileiro, "O Senhor chorou". Chorou porque Ele estava a profetizar a destruição de Jerusalém. A profecia se cumpriu no ano 70, quando os Romanos não deixaram pedra sobre pedra. Jesus chorou quando da sua entrada triunfal em Jerusalém, dias antes de sua morte e ressurreição. Naquela ocasião, o povo O aclamava com Hosanas, jogando ramos de oliveira no caminho e estendendo os mantos para que Jesus os pisasse. A primeira capela do "Dominus Flevit" foi erigida no século XII pelos Cruzados. A capela atual foi edificada em 1891 e tem a forma de uma lágrima. Quem está dentro da Capela e olha para o altar, vislumbra atrás do altar uma grande janela que mostra AO VIVO a cidade antiga de Jerusalém. A armação de ferro da janela mostra um trançado de espinhos e o cálice da Eucaristia. O peregrino que está nas imediações da Igreja "Dominus Flevit", também chora, até porque a Capela está ladeada por flores cujo aroma induz à lágrima.

 

8 Jerusalém: Jardim das 8 Oliveiras - a árvore da oliveira não morre, pois ela sempre se renova com brotos saem em seu tronco ou a partir das raízes. A oliveira produz olivas, num português coloquial, azeitonas! Das olivas é que se extrai o azeite que dá sabor aos alimentos. No Jardim das Oliveiras, há 8 árvores que foram plantadas no tempo de Salomão, em 1000 AC. Ao lado delas, a Rocha da Agonia, sobre a qual foi construída a Basílica do Getsêmani; o Getsêmani (moinho de azeite) de Marcos situa-se ao lado das 8 Oliveiras. Após a Santa Ceia, Jesus foi ao Jardim das Oliveiras. Tomando consigo Pedro, Tiago e João, recomendou-lhes: "Vigiai e orai." Eles adormeceram. Aí apareceu a comitiva de Judas. As 8 Oliveiras ouviram o estalido do beijo traidor de Judas e o ecoam até os nossos dias. Quando os romanos destruíram Jerusalém no ano 70, por ordem do Imperador Tito, todas as oliveiras deveriam ser cortadas; as 8 Oliveiras, milagrosamente, se salvaram. Hoje, os botânicos afirmam que elas têm mais de 3000 anos. Quem cuida com muito carinho das 8 Oliveiras são os franciscanos. Eles construíram nas imediações alguns "romitágios", isto é, grutinhas ou apartamentos, onde o peregrino pode se hospedar e fazer o seu retiro espiritual, em silêncio. Do grupo de peregrinos brasileiros da Genesaré Tours, de Curitiba-PR, alguns deles já fizeram essa experiência de ficar ali 8 dias em retiro; inclusive o redator destas palavras... As oliveiras são mudas, mas elas falam.

 

8 Jerusalém: Basílica do Getsêmani - a basílica foi edificada exatamente por sobre a Rocha da Agonia. O Evangelho diz que ali Jesus anteviu o sacrifício do Calvário, enquanto suava sangue. A Rocha da Agonia recolheu as lágrimas e o sangue de Jesus e é testemunha da frase: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade e sim a tua." (Lc 22, 42). A primeira basílica do Getsêmani foi construída no ano de 379 e destruída pelos persas em 614. Os Cruzados, no século XII, reconstruíram-na, porém, logo em seguida os árabes demoliram-na. A atual basílica foi edificada de 1919 a 1924. Chama-se Basílica das Nações porque foram 16 países que contribuíram para a obra; no interior da basílica, os 16 brasões das respectivas nações. As cúpulas da igreja são decoradas com lindos mosaicos; as janelas são de alabastro translúcido. A luz filtrada pelas janelas convida à meditação. A fachada externa mostra as estátuas dos quatro evangelistas e, mais acima, um mosaico que representa Cristo oferecendo ao Pai o seu sofrimento. Se há lugares santos que induzem o peregrino à alegria e ao regozijo, a igreja do Getsêmani induz à consternação e ao pavor.

 

8 Jerusalém: Gallicantu - Os relatos históricos contidos nos evangelhos dão conta de que Jesus, depois de traído por Judas no Jardim das Oliveiras, foi conduzido preso ao palácio do sumo-sacerdote Caifás. Ali, Jesus ficou preso até à madrugada. O apóstolo Pedro havia ficado do lado de fora do palácio e ouviu o "Canto do Galo" - gallicantu - que o mestre havia predito: "Antes que o galo cante, me negarás três vezes" (Mt 26, 34). Por isso, a igreja construída junto ao palácio de Caifás chama-se "Gallicantu", construída em 1931, pelos padres Agostinhos da Assunção. Eles fizeram muitas escavações arqueológicas no local e encontraram o fosso (prisão) no qual Jesus ficou detido, a escada pela qual Jesus subiu para ser julgado por Caifás, moedas hebraicas antigas e o alojamento dos serventes. No pátio da igreja, um belo conjunto de estátuas em bronze mostra a cena na qual Pedro diz a uma empregada que não conhece a Jesus; no alto, o galo a cantar. No tempo de Jesus, esse local ficava dentro dos muros de Jerusalém, por hoje está fora deles.

 

8 Jerusalém: Via Dolorosa - todo peregrino católico que vai a Jerusalém sonha em percorrer a Via Dolorosa, isto é, o caminho pelo qual Jesus carregou a cruz. A tradição canonizou 14 estações da Via-Sacra: a 1ª Estação situa-se no Pretório, onde Jesus foi condenado à morte por Pôncio Pilatos; a 14ª Estação situa-se no Santo Sepulcro. A reza da Via-Sacra tradicional baseia-se em 9 estações descritas nos Evangelhos e em mais 5 provenientes de testemunhos orais. As 2 primeiras estações estão localizadas dentro da Fortaleza Antônia; as 7 seguintes, nas ruelas da Cidade Antiga de Jerusalém; e as 5 últimas, dentro da Basílica que abriga o Calvário e o Santo Sepulcro. São elas: 1ª - Jesus é condenado à morte; 2ª - Jesus toma a cruz; 3ª - Jesus cai com o peso da cruz; 4ª - Jesus encontra sua mãe; 5ª - Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a cruz; 6ª - Verônica enxuga o rosto de Jesus; 7ª - Jesus cai pela segunda vez; 8ª - Jesus consola as mulheres chorosas; 9ª - Jesus cai pela terceira vez; 10ª - Jesus é despido; 11ª - Jesus é pregado na cruz; 12ª - Jesus morre na cruz; 13ª - O corpo de Jesus é descido da cruz e entregue a Maria; 14ª - Jesus é sepultado. Na Via Dolorosa, há alguns vestígios históricos: o "Litróstrotos", pavimento interno do Tribunal de Pilatos; o pórtico "Ecce Homo" de Pilatos sob o qual ele apresentou Jesus à multidão; a coluna na qual Jesus esteve amarrado na flagelação; a pedra do jogo-de-dados na qual os soldados sortearam a túnica de Jesus. Hoje, a maior parte da Via Dolorosa é um animado mercado de rua dos árabes.

 

8 Jerusalém: Calvário - A palavra "calvário" significa "caveira", "gólgota" em hebraico. No tempo de Jesus, o Monte Calvário ficava numa região desabitada, bem próxima à cidade. Quem olhasse para o monte, tinha a impressão de estar vendo uma caveira gigantesca. Na verdade, o Monte Calvário se eleva 15 metros acima da superfície do solo. E era ali que os sentenciados à cruz eram supliciados. No topo do Calvário havia uma espécie de estaleiro para dependurar os condenados. Provavelmente, Jesus carregou apenas o madeiro horizontal da cruz tradicional; e não eram usados pregos, e sim, Jesus foi amarrado ao madeiro. Uma vez amarrado, o madeiro foi suspenso no estaleiro. No Calvário, atualmente há uma imensa igreja que abriga duas capelas: uma, no local em que Jesus foi desnudado e preso ao madeiro da cruz, que pertence aos católicos; outra, no local da crucificação, que pertence aos gregos ortodoxos. Nos poucos metros que separam uma da outra, há um altar dedicado à Virgem Maria das Dores.

 

8 Jerusalém: Santo Sepulcro - é o lugar sagrado por excelência para os cristãos. Fica ao lado do Calvário, na época de Jesus, fora da cidade. O corpo de Jesus, descido da cruz, foi envolto num Sudário de 4 metros de comprimento, o qual existe até hoje e está guardado em Turim, na Itália. Desde a madrugada da ressurreição, o Santo Sepulcro era venerado. No ano 44, Herodes Agripa aumentou o perímetro de Jerusalém, estendendo os muros, de modos que o Calvário e o Santo Sepulcro ficaram dentro dos muros de Jerusalém. No ano 70, Jerusalém foi destruída. No ano 135, o Imperador Adriano mandou eliminar todos os vestígios das religiões hebraica e cristã; no local do Santo Sepulcro foi construído um templo dedicado a Júpiter. O mesmo ocorreu na gruta de Belém. Esses templos, providencialmente, serviram para reencontrar os lugares santos, na época de Constantino, imperador convertido graças às orações de sua mãe, Santa Helena. No ano de 324 foi erigida uma capela junto ao Santo Sepulcro; em 326, Constantino e Helena comandaram a edificação de uma basílica, destruída em 614 pelos persas. A Basílica atual foi construída pelos Cruzados em 1149. No interior, há uma parte dos católicos e uma parte dos ortodoxos, que se subdividem em armênios, bizantinos, sírios e coptas. Seis igrejas detêm a chave do templo do Santo Sepulcro: Católica romana, Ortodoxa grega, Armênia ortodoxa, Etíope, Egípcia copta e Síria. O peregrino pode passar a noite em oração dentro da basílica, sabendo que a porta só será reaberta pela madrugada.

 

8 Jerusalém: Ascensão - Os Atos dos Apóstolos narram que 40 dias após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos, levou-os ao alto do Monte das Oliveiras, deixou as últimas recomendações e então subiu aos céus. Até hoje está preservada a pedra da qual Jesus ‘decolou’ rumo ao céu, deixando ali a marca do seu pé. Neste local, no século IV, foi construída uma igreja, que foi destruída pelos Persas em 614 e reconstruída pelos Cruzados no século XII. Hoje, a pedra da ascensão de Jesus está protegida por um templo árabe que tem a forma de um foguete espacial, isto é, uma torre pontiaguda.

 

8 Jerusalém: Cenáculo - O Cenáculo foi palco da Última Ceia e do envio do Espírito Santo. Situa-se no Monte Sião. É uma construção de pedra, com uma sala inferior e uma sala superior; essa, cheia de arcos. É lugar sagrado porque ali estiveram Jesus, sua mãe Maria e todos os apóstolos. Nos tempos apostólicos e dos primeiros cristãos, o Cenáculo era a capital mundial do cristianismo. A construção ficou intacta na destruição de Jerusalém do ano 70 e do ano 135 por estar fora da área de interesse militar e comercial; porém, foi destruída pelos Persas em 614 e reconstruída pelos Cruzados no século XII. Hoje, o Cenáculo é um templo muçulmano, com um nicho de orações em seu interior, a Mihrab, e um minarete do lado de fora. No entanto, o Cenáculo cumpre a profecia de Isaías: "De Sião sairá a lei e de Jerusalém a Palavra do Senhor". Foi no Cenáculo que Jesus lavou os pés dos discípulos e deixou a lei do "amai-vos uns aos outros". E foi no Cenáculo que 50 dias após a ressurreição os apóstolos receberam o Espírito Santo e saíram a pregar o Evangelho. No tempo de Jesus, o Cenáculo era uma sala comum de refeições; uma espécie de sala de jantar de alguma pessoa mais ou menos rica e amiga de Jesus. A própria palavra "Cenáculo" em latim, quer dizer refeição. Depois da morte de Jesus, os Apóstolos e primeiros cristãos costumaram reunir-se ali para rezar e recordar o que lhes tinha ensinado e pedido. No século IV foi construída ao lado do Cenáculo uma igreja chamada Santa Sião que foi destruída pelos persas no ano 614; logo em seguida foi reconstruída, mas foi novamente destruída pelos muçulmanos. Mais tarde, os Cruzados construíram ali uma grande basílica em três planos, sendo que no plano superior ficava justamente a sala do Cenáculo e na sala inferior ficava o local onde Jesus lavou os pés dos Apóstolos. Quando os Franciscanos chegaram à Terra Santa, em 1335, a Basílica estava praticamente em ruínas, porque pertencia aos domínios dos muçulmanos. Com a intercessão do então rei de Nápoles, o Sultão do Egito, doou aos franciscanos a Basílica, que foi reconstruída.  Mas em 1524, os muçulmanos se apossaram novamente do local. s franciscanos foram obrigados a se retirarem e o local foi transformado numa Mesquita. Hoje, no entanto, é propriedade do Estado de Israel. No plano inferior existe uma sala onde os judeus veneram o túmulo do rei Davi; e na sala superior, os cristãos veneram o lugar da Santa Ceia, o Cenáculo.

 

8 Jerusalém: Maria da Dormição - Há muita lenda e muita interpretação errada sobre a vida de Maria de Nazaré, após a morte e ressurreição de Jesus. A verdade é que: Maria foi mãe de Jesus com mais ou menos 13 anos de idade. Jesus morreu com 36 anos. Aos pés da cruz, o apóstolo João, adolescente na época, recebeu o encargo de cuidar de Maria. Maria estava com 48 anos de idade. Inicialmente, Ela morou num quartinho nos fundos do Cenáculo, no Monte Sião, em Jerusalém. Logo mais, João a levou para Éfeso, na Grécia. Alguns anos depois, João e Maria voltaram a Jerusalém. E ela continuou morando nos fundos do Cenáculo. Portanto, nessa época, Maria estava com a idade de mais ou menos 55 anos. Foi quando ela adoeceu; com febre, em seu leito, adormecia e acordava. Num dado momento, ela adormeceu. Porém, passado um quarto de hora, João e outras pessoas que a acompanhavam constataram que ela não respirava mais, não tinha pulsação cardíaca... Maria morreu. Sim, Maria morreu. Como a morte dela foi tão suave como se ela tivesse apenas adormecido, nunca se diz que Maria morreu, mas que ela adormeceu. No local onde ela morreu e foi velada, foi construída a Igreja da Dormição. No interior da Igreja, há uma cripta que mostra uma efígie de marfim, representando a Dormição de Maria.

 

8 Jerusalém: Túmulo de Maria - Maria morreu. Conforme o costume da época, foi embalsamada, envolta com o sudário de 4 metros e levada à sepultura. O túmulo de Maria está no Jardim das Oliveiras, no Vale do Cedron, ao lado da Basílica do Getsêmani, a poucos passos da Gruta dos Apóstolos. As sepulturas da época de Jesus sempre eram coletivas, com criptas nas paredes, para depositar vários defuntos. Para se chegar ao local onde o corpo de Maria foi colocado, é necessário descer 48 degraus. A atual Igreja do Túmulo de Maria foi construída pelos Cruzados; inicialmente, era custodiada pelos franciscanos, mas a partir de 1757, passou para o domínio dos gregos e armênios. Os sírios, coptas e etíopes também têm ali seus altares; e como é praxe, também os muçulmanos! A tradição diz que: quando Maria entregou sua alma a Deus, ela estava no meio dos apóstolos, mas faltava um; era Tomé, que estava pregando em terras distantes. Quando ele chegou, a Virgem já havia sido sepultada no Vale de Cedron. Tomé não se conformou e pediu para abrir o túmulo, pois ele queria beijar as mãos de Maria uma última vez. E assim fizeram os apóstolos. Mas quando abriram a porta, viram o túmulo vazio, e não encontraram o corpo de Maria; apenas encontraram o sudário e sentiram um forte perfume de rosas e ouviram uma melodia celestial. Então ficou interpretado que o corpo de Maria era sagrado demais para ser tragado pelos vermes da terra; tal qual Jesus ressuscitou, assumindo um corpo sobrenatural, Maria também foi ressuscitada por Deus. É errada a interpretação (tomando por base Ap 13, 14 - mulher levada ao deserto) de que Maria foi levada viva ao céu, arrastada por uma legião de anjinhos. A Igreja celebra a Assunção de Maria, o 4º mistério glorioso do rosário,  no dia 15 de agosto (pela liturgia, no domingo subseqüente). Maria, a primeira a ser ressuscitada por Deus. Na Profissão de Fé, se proclama: “Creio... na ressurreição da carne, na vida eterna.” Ser cristão é crer que a vida não termina com a morte, da morte corporal brota a Vida Eterna, na dimensão da Glória. O papa Pio XII declarou o dogma da Assunção de Maria no dia 1º de novembro de 1950, pela bula “Munificentissimus Deus”. Jesus ressuscitado apareceu por várias vezes aos discípulos e apareceu a São Cristóvão, a Santo Antonio, a Santa Margarida Maria Alacoque... Maria ressuscitada apareceu em Fátima, em Lourdes, na Rua du Bac em Paris, em Medugorje...

 

8 Jerusalém: Igreja de Santa Ana - Os evangelhos apócrifos, isto é, aqueles que não foram incorporados à Bíblia, afirmam que os pais de Maria se chamavam Joaquim e Ana e moravam em Jerusalém. Por isso, no dia 26 de julho se comemora o dia dos avós, pois os avós de Jesus foram São Joaquim e Santa Ana. A casa deles ficava a poucos passos da Piscina de Betesda, ao lado da Porta de Santo Estêvão. Quando os cruzados foram expulsos de Jerusalém, deixaram atrás de si mais de 30 igrejas, construídas durante o tempo em que lá estiveram. A Igreja de Santa Ana, a mais conservada de todas, é um dos mais belos exemplos da arquitetura cruzada. Foi construída no ano de 1100 pela esposa de Balduíno I, num estilo romanesco. Está situada sobre uma cripta que é identificada como o local do nascimento de Maria. Depois da expulsão dos cruzados, Saladino fez da Igreja uma escola de teologia islâmica. Em 1856, depois da guerra da Criméia, o Sultão Abdul Majid entregou-a a Napoleão III como recompensa por sua ajuda durante a guerra. A igreja foi restaurada e confiada aos Padres Brancos.

 

8 Jerusalém: Piscina de Betesda - o achado arqueológico da piscina de Betesda fica a poucos metros da Porta de Santo Estêvão, dentro das muralhas de Jerusalém. Na época de Cristo devia estar situada fora da muralha norte da cidade, próxima da porta chamada "Probática" (das ovelhas), que conduzia ao Templo. Esse era o lugar onde ficavam os doentes; dizia-se que um anjo se banhava em suas águas e a primeira pessoa que descesse às águas depois do banho do anjo, ficava curada. Foi nessa piscina que Jesus curou um enfermo que sofria de paralisia havia 38 anos. A Piscina de Betesda ficou sepultada por escombros durante muitos sáculos e só recentemente foi descoberta e escavada. Nas escavações ficou comprovado que a piscina tinha uma forma retangular, 120 X 70 metros, com até 8 metros de profundidade. A piscina também era usada para a lavagem das ovelhas trazidas ao Templo para o sacrifício.

 

8 Jerusalém: Mosteiros - O peregrino que chega a Israel passa a se indagar se ele não poderia passar a residir nesta "Terra Santa". Essa indagação data de épocas anteriores a Cristo. Foi assim que em Israel foram surgindo muitos mosteiros. No vale de Wadi Kelt, no caminho de Jericó, está o mosteiro de São Jorge; diz-se que São Joaquim, pai de Maria de Nazaré, passou por ele. No alto do Monte Carmelo, junto à Gruta de Elias, está o Mosteiro Stella Maris. Encrustado num paredão de rocha ao lado de Jericó, o Mosteiro das Tentações, habitado por monges gregos ortodoxos. No deserto da Judéia, o mosteiro de São Sabas. Ao lado da Igreja das Bem-Aventuranças, um mosteiro feminino. Em Qumran, o mosteiro dos essênios. No Monte Tabor, um convento franciscano. Em Latroun, o mosteiro trapista. Ao pé do Monte Sinai, o Mosteiro de Santa Catarina. Em Jerusalém, vários mosteiros: Mosteiro Emanuel (beneditino), o Mosteiro da Santa Cruz, o mosteiro do Litóstrotos (Irmãs de Sion). Em muitos lugares citados pela Bíblia, os franciscanos moram em seus conventos, fazendo a custódia dos Lugares Santos. No Jardim das Oliveiras, há vários pequenos eremitérios, onde o peregrino, individualmente ou em grupo, pode passar uma temporada de vida monástica.

 

8 Emaús - Lucas descreve a caminhada de dois discípulos de Jerusalém a Emaús (Lc 24, 13-35), no dia da ressurreição de Jesus. Jesus se juntou a eles; porém, eles só o reconheceram quando Jesus partiu o pão. Os discípulos eram Cleofas e Simão. Ao lado das ruínas da casa de Cleofas, há uma igreja das mais bonitas e significativas. O peregrino que a visita, sente a presença do Cristo ressuscitado que se transubstancializa na Eucaristia. Ao lado da igreja, um bosque que convida à meditação. Porém, existe também uma versão de que os discípulos de Emaús reconheceram Jesus no local onde hoje se situa o Mosteiro Trapista de Latroun. Aliás, há vários lugares santos cuja localização é dupla ou duvidosa.

 

8 Poço de Jacó - Está no vale que se estende entre os Montes Garizim e Ebal. Pelo ano 1800 AC, Jacó se estabeleceu ali com a sua família e os rebanhos, ocasião em que cavou o poço. A boca do poço tem 2,5 metros de diâmetro; a fundura é de 30 metros. É nesse local que aconteceu o diálogo entre Jesus e a samaritana, descrito em João 4. No século IV já havia um capela junto ao poço; danificada na revolta samaritana, reconstruída por Justiniano, destruída pelos árabes, reconstruída pelos Cruzados, destruída em 1187 por Saladino, reconstruída pelos gregos ortodoxos em 1860. E em Hebron, hoje Cisjordânia, está a Gruta de Marpela, com os túmulos de Abraão, Sara, Isac, Rebeca, Jacó e Léa.

 

8 Túmulo de Raquel - Jacó, neto de Abraão, foi um grande patriarca. Teve duas esposas: Léa e Raquel. Léa gerou 6 filhos: Ruben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon. Raquel, 2 filhos: José e Benjamin. A escrava de Léa, Zelfa, também gerou 2 filhos a Abraão: Gad e Aser. Ainda, a escrava de Raquel, Balá, também gerou 2 filhos a Abraão: Dan e Neftali. Destes 12 filhos de Jacó se formaram as 12 tribos de Israel. Léa ainda teve a filha Dina, só que na cultura patriarcal, mulher ainda que famosa não era importante. Em Gn 35, 16-20 se descreve que Raquel morreu no parto de Benjamin, no caminho de Efrata, entre Jerusalém e Belém. Foi Jacó quem construiu o primeiro túmulo de Raquel. As mulheres judias sempre pedem a Deus a fertilidade junto ao túmulo de Raquel.

 

8 Túmulo de David - David foi rei de Israel de 1004 a 965 AC. Foi ele que conquistou Jerusalém, para fazer dela a capital do país. Para os judeus, o túmulo de David é lugar sagrado por excelência, o segundo depois do Muro das Lamentações. Em 1172, o rabino Benjamim de Tudela identificou o túmulo e atestou a sua veracidade. O túmulo é feito de pedra e está adornado com coroas de prata e com a torah; uma linda toalha cobre o túmulo, na qual há os desenhos da estrela de David de seis pontas, da harpa e do alaúde.

 

8 Knesset e Menorah - Knesset é o edifício do Parlamento de Israel. Menorah é o candelabro de 7 braços, símbolo do país de Israel. Os judeus foram dispersos pelo ano 70, com a destruição de Jerusalém pelos romanos. A pátria deles, a Palestina, passou a ser colônia de romanos, gregos, ingleses... No final da II Guerra Mundial, a ONU decretou que os judeus têm direito a uma pátria. Assim, em 1948, surgia o moderno país de Israel. A Knesset foi construída com as famosas pedras vermelhas de Jerusalém. O edifício foi financiado pela família Rothschild, da Inglaterra, e foi inaugurado em 1966. Os portões de entrada, de ferro forjado, são obra do famoso escultor israelense David Palombo. A Knesset é composta por 120 membros eleitos por sufrágio universal, tendo direito a voto todos os cidadãos maiores de 18 anos. As eleições realizam-se de quatro em quatro anos. A grande Menorah que se acha frente ao Parlamento foi doada pelo Parlamento Britânico e descreve diversas cenas da história judaica.

 

8 Museu da Bíblia - em Jerusalém, lugar de visita obrigatória é o Museu da Bíblia, também chamado de Santuário do Livro. O museu abriga os manuscritos encontrados nas grutas do Mar Morto (Qumran e Massada), as cartas de Bar Kochba e muitos objetos antigos. A curiosa linha arquitetônica desse pequeno museu evoca a forma das tampas dos potes de barro em que foram descobertos os pergaminhos do Mar Morto. A comunidade essênia de Qumran se considerava como os Filhos da Luz; e o resto do mundo, como os Filhos das Trevas. Por isso, o museu é todo branco, ladeado de mármore negro. O interior do museu é um túnel que simboliza uma caverna.

 

8 Haifa - Haifa, que no começo deste século não era mais do que uma pequena cidade de 10 mil pessoas, hoje é a terceira maior cidade de Israel, com 250 mil habitantes. Em Haifa está o mais importante porto marítimo do país e o centro de suas indústrias pesadas. Haifa está situada na mais bela baía do Mediterrâneo, frente ao Monte Carmelo, onde habitou o profeta Elias. A origem de Haifa é obscura. Seu nome apareceu pela primeira vez no século III na literatura talmúdica. Não está associada a nenhum acontecimento militar ou histórico de importância. Apesar de ser uma cidade pequena, Haifa foi ocupada sucessivamente pelos cruzados, árabes, turcos e ingleses. Ao visitar Haifa, em 1898, Teodor Herzl, fundador do Sionismo, prognosticou que a cidade cresceria e se converteria em centro industrial. Seus elogios atraíram milhares dos primeiros imigrantes e Haifa, é hoje, uma das mais importantes cidades de Israel. Haifa é o centro mundial da seita Bahai, cujos fiéis - cerca de 2 milhões - proclamam a fraternidade universal, a união de todas as religiões, uma linguagem mundial comum e consideram que todos os profetas foram enviados por Deus para pregar a mesma mensagem, sendo o mais recente deles, o chefe espiritual da seita Baha-Ulah. A seita Bahai começou na Pérsia, em 1844. O templo Bahai de Haifa é de uma arquitetura notável.

 

8 Acre - é uma das cidades mais antigas do mundo. É mencionada em Juízes 1, 31 com o nome de Aco, como a cidade da tribo de Aser, o que do ano 1100 AC. Foi dominada pelos cananeus, depois pelos fenícios, depois pelos gregos. Em Atos 21, 7 se descreve que o Apóstolo Paulo esteve em Acre, que nessa época tinha o nome de Ptolomaida. No tempo dos cruzados, Balduíno I ocupou a cidade e a transformou num baluarte do Reino Latino (1099-1291) na Palestina. Na época, era o porto de entrada para peregrinos e guerreiros. Depois da Batalha de Hittin, a cidade foi tomada pelos turcos de Saladino por dois anos; a glória dos cruzados (cristãos) foi retomar Acre, já que não conseguiram tomar Jerusalém. Porém, em 1291, o sultão El-Ashraf conquistou Acre, com a força de 200.000 soldados. Nos tempos mais recentes, até Napoleão tentou conquistar Acre. Ao todo, a cidade passou por 17 domínios estrangeiros. É uma cidade repleta de ruínas cruzadas e árabes, palco de muita luta e muito sangue. Hoje Acre é habitada por uma maioria de judeus, contando também com a presença de árabes e cristãos. Porém, a cidade é ofuscada pelo brilho de Haifa. Da época cruzada, Acre preserva a cripta de São João, sala de refeições dos Cavaleiros Hospitalários de São João. Da época turca, preserva-se a mesquita construída por El-Jazzar.

 

8 Cesaréia - uma pequena cidade fenícia chamada "Torre de Strato", na costa mediterrânea, foi transformada no ano 20 AC por Herodes Magno num dos maiores portos da Palestina. Os melhores arquitetos e engenheiros e os operários mais qualificados construíram, em 12 anos, uma das mais belas cidades da época: Cesaréia. A cidade recebeu o nome de Cesaréia em homenagem a Augusto César, amigo e protetor de Herodes. Havia palácios, edifícios públicos, praças, mercados, um templo de mármore, um anfiteatro e um hipódromo. Herodes construiu um porto artificial de águas profundas para que grandes embarcações pudessem atracar ali; enormes blocos de pedra foram baixados ao mar para formar um quebra-mar semi-circular. Depois da morte de Herodes, Cesaréia foi dominada pelos Romanos. Graças à sua beleza, passou a ser o lugar da residência oficial dos procuradores e durante 500 anos foi a capital da província romana. Pôncio Pilatos vivia em Cesaréia; dali ele foi para Jerusalém para passar a Páscoa, ocasião em que condenou Jesus a morrer na cruz. Também Filipe (At 8, 40), o diácono, viveu em Cesaréia; e São Paulo esteve preso ali por dois anos, quando se apresentou ante o rei Agripa (At 26) e os notáveis. No ano 60, ali Vespasiano foi proclamado imperador de Roma. No ano 66 irrompeu um tumulto entre judeus e sírios, ajudados pelos Romanos. Em seguida, o massacre de 20.000 judeus foi a causa imediata da grande rebelião judaica que culminou com a destruição de Jerusalém e do segundo templo, no ano 70. No século III, o conhecido estudioso cristão Orígenes fundou em Cesaréia um brilhante centro de estudos cristãos. A cidade passou para as mãos dos muçulmanos em 638 e os cruzados a ocuparam em 1102. Em 1252, o rei da França Luís IX circundou a cidade com fortificações e muralhas. Em 1291, Bibars devastou e destruiu completamente a cidade. Foi o fim de Cesaréia. Abandonada, a cidade foi sepultada pouco a pouco pelas dunas. Iniciadas em 1956, as escavações de Cesaréia confirmaram o esplendor da cidade na antigüidade. Do período romano, foi descoberto o anfiteatro, o aqueduto, o hipódromo e a pedra com o nome de Pôncio Pilatos. Dos cruzados, foram descobertas as muralhas, com suas portas e fossos de 10 metros de largura por 15 de fundura.

 

8 Telaviv - significa "Colina da Primavera". É a capital do Estado de Israel, cidade fundada em 1909, nas margens do Mar Mediterrâneo. Hoje é a maior cidade de Israel, com meio milhão de habitantes. Totalmente habitada por judeus, é o centro comercial, industrial e cultural do país. Abriga o aeroporto internacional Ben-Gurion. Historicamente, desde a dispersão dos judeus pelos Romanos no ano 70, os judeus não existiam como Estado até o final da II Guerra Mundial. O país de Isarel foi criado aos 14 de maio de 1948, por um decreto da ONU, ocasião em que David Ben-Gurion se tornou 1º Ministro; Israel já nasceu como um aliado dos Estados Unidos. Telaviv se tornou a capital, abrigando a maioria das embaixadas estrangeiras. Na Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, Israel anexou os territórios do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, das Colinas de Golã na Síria, e da zona oriental de Jerusalém. Em 4 de novembro de 1995, logo após o encerramento de uma grande manifestação em favor da paz, em Telavive, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista da direita israelense, Yigal Amir, de 25 anos, pertencente ao Eyal (Força Judaica Combatente).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roteiro do Vídeo do 16º Retiro-Peregrinação - PARTE 1

0:00 - Barra colorida, Fade Out, Genesaré Tours - Curitiba-PR, by Máikol Vídeo

0:01 - apresenta... 16º Retiro-Peregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus, de 11 de setembro a 15 de outubro de 1997. Diretor Espiritual: Pe. Afonso Gessinger, SJ (Afonso de Santa Cruz). Diretora Geral: Neusa Lemos Correa Machado. Guias Turísticos: Emilio Kousa (Israel) e Alessandre Nadalon (Europa). Motoristas: Salim Salah (Israel) e Gattolin Franco (Europa)

0:02 - Diretor Honorário: São José, o Carpinteiro; Foto de São José, Imagens da Genesaré Tours, São José

0:03 - Pe. Afonso fala em São Paulo, Avião da Alitália (Pe. Máikol narra)

0:04 - Aeroporto, Mapa de Israel

0:05 - Aeroporto de Tela Aviv, bênção do ônibus, Emílio fala

0:06 - Estrada de Tel Aviv, Monte Carmelo Carmelo (Gruta de Elias): Pai-Nosso

0:07 - Bênção dos Escapulários; Nazaré, Emílio fala

0:08 - Nazaré: Gruta de Maria, Altar frente à Gruta

0:09 - Nazaré: Evangelho (Mons. Getúlio)

0:10 - Nazaré: Pe. Afonso fala na Basílica Superior; Nossas Senhoras do mundo todo

0:11 - Nazaré: Nossas Senhoras do mundo todo

0:12 - Nazaré: Igreja da Carpintaria de São José

0:13 - Nazaré: Fonte de Nazaré

0:14 - Ain-Kerem: Chegada (eu falo); Igreja da Visitação, Magnificat (Helena)

0:15 - Ain-Kerem: interior da Igreja da Visitação; Magnificat em 51 línguas (Franciscano)

0:16 - Ain-Kerem: túmulo de Afonso Ratisbonne (Pe. Afonso fala); Igreja de João Batista

0:17 - Ain-Kerem: Benedictus, fonte, 6 meninas israelitas,

0:18 - Belém: entrada, basílica, Estrela de Belém

0:19 - Belém: missa na Gruta de São José (oremos, Pai-Nosso)

0:20 - Belém: Gruta de São Jerônimo

0:21 - Belém: Gruta do Leite (cântico Maria de Nazaré)

0:22 - Belém: Gruta dos Pastores, franciscano fala, fuga ao Egito,

0:23 - Peregrina: Enima Mustafa

0:24 - Belém: ônibus, loja de souvenirs

0:25 - Monte das Tentações: Jericó, Monte das Tentações

0:26 - Jordão: entrada dos peregrinos, Rio Jordão

0:27 - Jordão: Vem, Espírito Santo; Batismo dos peregrinos,

0:28 - Jordão: Neusa, Peregrina Maria Yole Diniz

0:29 - Cafarnaum: mar, eu falo

0:30 - Cafarnaum: Pe. Afonso fala, Emílio fala

0:31 - Cafarnaum: Igreja de Pedro, sinagoga, getsêmani

0:32 - Tabgha: Igreja do Primado de Pedro, rocha da Igreja

0:33 - Tabgha: Emílio fala dos 5 pães e 2 peixes, mosaico

0:34 - Monte das Bem-Aventuranças: eu falo, Pe. Afonso fala

0:35 - Monte das Bem-Aventuranças: Pe. Afonso fala

0:36 - Monte das Bem-Aventuranças: freira fala

0:37 - Peregrina: Maria Berenice Melo Koering; Tiberíades

0:38 - Tiberíades: buffet do Hotel Kineret

0:39 - Peregrinos: Zefiro Giassi e Ana Maria Zilli Giassi

0:40 - Tiberíades: travessia do Mar de Tiberíades, barco, Hino Nacional

0:41 - Tiberíades: Emílio explica sobre o Mar da Galiléia

0:42 - Tiberíades: Missa - Tu te abeiraste da Praia (cântico)

0:43 - Tiberíades: Missa - Nome do Pai, Ato Penitencial

0:44 - Tiberíades: Missa - Oremos, Aleluia

0:45 - Tiberíades: Missa - Evangelho da Pesca Milagrosa, consagração

0:46 - Tiberíades: Missa - Abraço da Paz,

0:47 - Tiberíades: Missa - Segura na mão de Deus e vai (cântico), bênção final

0:48 - Tiberíades: Pesca maravilhosa, Tu te abeiraste da Praia (cântico)

0:49 - Tiberíades: Barco, Peregrina Mônica Guimarães Faulhaber

0:50 - Caná da Galiléia - chegada dos peregrinos, Igreja de São Bartolomeu

0:51 - Caná da Galiléia - renovação dos casamentos (4 casais)

0:52 - Caná da Galiléia - peregrinos da Índia, vinho de Caná

0:53 - Peregrino: Mons. Getúlio Vieira

0:54 - Deserto da Judéia, mapa

0:55 - Jericó: Missa - Nome do Pai (Mons. Getúlio), 1ª leitura (Ana Giassi)

0:56 - Jericó: Missa - Evangelho (Pe. Benno)

0:57 - Jericó: Ave Maria em árabe, oração muçulmana

0:58 - Jericó: restaurante árabe

0:59 - Jericó: Pe. Afonso explica sobre árabes e judeus

1:00 - Jericó: tâmaras

1:01 - Mar Morto: madrugada

1:02 - Mar Morto: banho

1:03 - Mar Morto: cidade, Peregrina: Edi Gonzatti

1:04 - Qumran: Emílio explica gruta nº 4

1:05 - Qumran: Emílio explica o scriptorium dos essênios

1:06 - Qumran: Emílio explica o scriptorium

1:07 - Qumran: Emílio explica o scriptorium

1:08 - Massada: bondinho, peregrinas idosas

1:09 - Massada: Emílio explica a fortaleza de Massada

1:10 - Massada: lado arqueológico de Massada

1:11 - Massada: Mons. Getúlio explica a fortaleza de Massada, pamelo, artesanato, Shibli

1:12 - Monte Tabor: Helena explica

1:13 - Betânia: peregrinos chegam

1:14 - Betânia: túmulo de Lázaro

1:15 - Betânia: Missa - Pe. Oscar, Evangelho de Lázaro (Pe. Amauri)

1:16 - Betânia: Missa - Marta e Maria, Franciscano polako

1:17 - Betânia: Muezim da mesquita, inscrições árabes

1:18 - Peregrino: Pe. Máikol

1:19 - Jerusalém: Emílio fala dos 5 Montes

1:20 - Jerusalém: Vista de Jerusalém a partir do Jardim das Oliveiras

1:21 - Jerusalém: Túmulo de David, Gruta dos Apóstolos

1:22 - Jerusalém: Gruta dos Apóstolos - Missa: oremos, 1ª leitura (Neusa)

1:23 - Jerusalém: Gruta dos Apóstolos - Missa: Evangelho (Pe. Batisti), Comunhão

1:24 - Jerusalém: Muro das Lamentações

1:25 - Jerusalém: ruínas do Templo de Jerusalém

1:26 - Jerusalém: Mesquita de El-Aksa e Mesquita de Omar

1:27 - Jerusalém: Restaurante - Uvas

1:28 - Jerusalém: Restaurante - Cântico do "Demos Graças ao Senhor"

1:29 - Jerusalém: Igreja do Pater Noster

1:30 - Jerusalém: Pater Noster em polako, árabe

1:31 - Jerusalém: Basílica do Getsêmani - 8 oliveiras

1:32 - Jerusalém: Basílica do Getsêmani - hora santa na rocha da agonia

1:33 - Jerusalém: Basílica do Getsêmani - hora santa na rocha da agonia

1:34 - Jerusalém: Gallicantu - igreja, escada romana

1:35 - Jerusalém: Gallicantu - fosso, estátua de Pedro

1:36 - Jerusalém: Peregrina: Maria Hercilia Tribuzi Cordeiro

1:37 - Jerusalém: Via Dolorosa - Porta de Herodes, 1ª Estação, tratorzinho

1:38 - Jerusalém: Via Dolorosa - 3ª Estação, 5ª Estação

1:39 - Jerusalém: Via Dolorosa - 6ª Estação, 7ª Estação

1:40 - Jerusalém: Via Dolorosa - 11ª Estação, Calvário, Mãe Chorosa, 13ª Estação

1:41 - Jerusalém: Via Dolorosa - Santo Sepulcro

1:42 - Jerusalém: Peregrina: Ofélia Silva Camargos

1:43 - Jerusalém: Capela da Ascensão

1:44 - Jerusalém: Cenáculo, peregrina Odenila Silva Masson

1:45 - Jerusalém: Capela da Dormição de Maria

1:46 - Jerusalém: Túmulo de Maria

1:47 - Jerusalém: Igreja de Santa Ana

1:48 - Jerusalém: Piscina de Betesda

1:49 - Jerusalém: Irmã Margarida do Mosteiro Emanuel

1:50 - Jerusalém: Frei Emílio Sheidt do Mosteiro Casa Nova

1:51 - Jerusalém: Frei Emílio Sheidt do Mosteiro Casa Nova

1:52 - Jerusalém: Arriba, Camelo, Mosteiro da Santa Cruz

1:53 - Jerusalém: Mosteiro Trapista de Latroun, Missa 1:54 - Jerusalém: Mosteiro Trapista de Latroun, Missa

1:55 - Jerusalém: Hotel Renacense, diplomação: Maria Araújo, Alice, Amáilia, Anália, Máikol, Berenice

1:56 - Diplomação: Émina, Maria da Luz, Pe. Benno, Berlinde, Edi, Maria Yole, Ir. Penha, Maria Socorro, Maria Yole, Mônica, Odenila, Mons. Getúlio

1:57 - Diplomação: Helena, Ione, Ida, Pe. Amauri, Ofélia, Pe. Oscar, Rosália, Raul, Idalina, Pe. Batisti, Julita, Leony, Lyris, Lilian, Silvestre, Leonilde

1:58 - Diplomação: Juca, Janete, Zefiro, Ana Maria. Pan no grupo

1:59 - 16º Retiro-Peregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus

- Mais uma Relização de... Genesaré Tours, Curitiba-PR, by Máikol Vídeo

- Diretor Espiritual: Pe. Afonso Gessinger, SJ, Afonso de Santa Cruz

- Diretora Geral: Neusa Lemos Correa Machado; camera, edição e direção: Padre Máikol

- Cópias desta fita com Genesaré Tours - Curitiba-PR

- Genesaré Tours, fone (041) 223-5884, fax (041) 225-2711. Caixa Postal, 3175, 80001-970, Curitiba-PR

- Máikol Vídeo, Caixa Postal, 155, 80001-970, Curitiba-PR

- Agradecimentos: esta realização só foi possível graças a São José, o Carpinteiro

2:00 - Fim

Roteiro do Vídeo do 16º Retiro-Peregrinação - PARTE 2

0:00 - Barra colorida, Fade Out - Genesaré Tours - Curitiba-PR, by Máikol Vídeo

0:01 - apresenta... 16º Retiro-Peregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus

- de 11 de setembro a 15 de outubro de 1997

- Diretor Espiritual: Pe. Afonso Gessinger, SJ (Afonso de Santa Cruz)

- Diretora Geral: Neusa Lemos Correa Machado

- Guias Turísticos: Emilio Kousa (Israel) e Alessandro Nadalon (Europa)

- Motoristas: Salim Salah (Israel) e Gattolin Franco (Europa)

0:02 - Diretor Honorário: São José, o Carpinteiro; Foto de São José, Imagens da Genesaré Tours, São José

0:03 - Mapa da Europa, PARTE 2, Alberta fala em Castelgandolfo

0:04 - Castelgandolfo: Cântico da Bênção, Papa fala

0:05 - Roma: Praça São Pedro

0:06 - Roma: Guarda Suíca, Basílica São Pedro

0:07 - Roma: Basílica São Paulo Extra-Muros

0:08 - Roma: Catacumba de Santa Domitilla, Santuário das 3 Fontes

0:09 - Roma: Peregrino Pe. Benno; Terço no ônibus, mapa, Alessandro Nadalon

0:10 - Pietrelcina: Igreja do Padre Pio

0:11 - San Giovanni Rotondo: Túmulo do Padre Pio

0:12 - Lanciano: missa - homilia

0:13 - Lanciano: missa - eucaristia

0:14 - Lanciano: Mônica narra as conclusões do Milagre Eucarístico

0:15 - Lanciano: Mônica narra as conclusões do Milagre Eucarístico

0:16 - Lanciano: Mônica narra as conclusões do Milagre Eucarístico

0:17 - Loreto: Pe. Batistti narra sobre sobre o Santuário de Loreto

0:18 - Loreto: Bênção dos Doentes

0:19 - Porto de Ancona: Pe. Afonso fala, Pe. Máikol fala

0:20 - Medugorje: Alessandro fala da Yugoslávia

0:21 - Medugorje: Pe. Afonso fala de Medugorje

0:22 - Medugorje: Praça da Igreja de São Tiago

0:23 - Medugorje: Igreja São Tiago - Rosário, Salve Regina

0:24 - Medugorje: Igreja São Tiago - missa

0:25 - Medugorje: Igreja São Tiago - evangelho em 5 línguas

0:26 - Medugorje: Igreja São Tiago - Pater Noster

0:27 - Medugorje: Igreja São Tiago - Bênção

0:28 - Medugorje: casa da Vicka

0:29 - Medugorje: Imagem de Nossa Senhora de Medugorje

0:30 - Medugorje: Morro da Cruz

0:31 - Medugorje: Mistérios Gloriosos, Mistérios Dolorosos

0:32 - Medugorje: Terço em polonês, dois croatinhas

0:33 - Medugorje: Confessionários, diferentes nacionalidades, souvenirs

0:34 - Mar Adriático, ônibus

0:35 - Rijeka: Nossa Senhora do Mar

0:36 - Rijeka: 32 quadros de Maria

0:37 - Rijeka: 32 quadros de Maria

0:38 - Rijeka: 32 quadros de Maria

0:39 - Gorizza: Igreja Santo Espirito

0:40 - Gorizza: Gattolin Franco fala do vinho

0:41 - Gorizza: almoço no castelo

0:42 - Murano: barco

0:43 - Murano: artesanato em vidro

0:44 - Murano: peregrinos

0:45 - Veneza: pombas da Praça de São Marcos, Santa Luzia

0:46 - Pádua: São Leopoldo Mandic

0:47 - Pádua: Alessandro fala

0:48 - Einsiedeln: Pe. Afonso explica

0:49 - Liechtenstein

0:50 - Suíça: auto estrada, Fribourg

0:51 - Lalouvesc: Igreja de São Francisco Régis

0:52 - Lalouvesc: Igreja de São Francisco Régis

0:53 - Ars: igreja de São João Maria Vianney

0:54 - Paray-Le-Monial: Sagrado Coração de Jesus, ônibus

0:55 - Paris: Capela da Medalha Milagrosa - Rua du Bac, Santa Luiza, São Vicente, Irmã Zelinda

0:56 - Paris: Capela da Medalha Milagrosa - missa: Em nome do Pai, Glória

0:57 - Paris: Capela da Medalha Milagrosa - missa: Oremos, 1ª Leitura (Santa Catarina)

0:58 - Paris: Capela da Medalha Milagrosa - missa: Ofertas (Santa Luiza Marillac)

0:59 - Paris: Capela da Medalha Milagrosa - missa: Santo (Coração de São Vicente), cadeira

1:00 - Paris: Igreja N. Sra do Carmo, túmulo de Antonio Frederico Ozanam

1:01 - Paris: Igreja N. Sra do Carmo, túmulo de Antonio Frederico Ozanam

1:02 - Paris: Igreja N. Sra do Carmo, túmulo de Antonio Frederico Ozanam

1:03 - Paris: Notre Dame, Jaqueline explica

1:04 - Paris: Notre Dame, Jaqueline explica

1:05 - Paris: Notre Dame, Jaqueline explica

1:06 - Alençon: Berenice fala da casa onde Santa Teresinha nasceu

1:07 - Lisieux: Berenice fala do carmelo onde Santa Teresinha viveu

1:08 - Lisieux: vida de Santa Teresinha em audiovisual

1:09 - Lisieux: vida de Santa Teresinha em audiovisual

1:10 - Lisieux: vida de Santa Teresinha em audiovisual

1:11 - Alençon: Pe. Afonso explica sobre Santa Teresinha

1:12 - Alençon: Missa, Mons. Getúlio

1:13 - Alençon: freira explica sobre Santa Teresinha, Berenice e Rosália explicam

1:14 - Alençon: freira explica sobre Santa Teresinha, Berenice e Rosália explicam

1:15 -Ione Terezinha Fernades Loures, peregrina

1:16 - Lourdes: Pe. Aviz fala frente à Basílica

1:17 - Lourdes: Pe. Aviz mostra moinho e prisão, onde Bernadete viveu

1:18 - Lourdes: Pe. Aviz mostra moinho

1:19 - Lourdes: Pe. Aviz mostra a gruta

1:20 - Lourdes: missa na gruta - Evangelho (Pe. Battisti)

1:21 - Lourdes: missa na gruta - Mensagem do Pe. Afonso

1:22 - Lourdes: missa na gruta - Ave de Lourdes

1:23 - Lourdes: Estátua, Doentes

1:24 - Lourdes: Bênção dos Doentes - Procissão

1:25 - Lourdes: Bênção dos Doentes - Santíssimo

1:26 - Lourdes: Bênção dos Doentes - Santíssimo

1:27 - Lourdes: Bênção dos Doentes - Tantum ergum

1:28 - Lourdes: banho dos doentes

1:29 - Lourdes: rio, trutas, Praça da Basílica

1:30 - Lourdes: Via-Sacra

1:31 - Lourdes: Via-Sacra

1:32 - Lourdes: Via-Sacra

1:33 - Lourdes: Terço Luminoso

1:34 - Lourdes: Terço Luminoso

1:35 - Lourdes: Terço Luminoso

1:36 - Lourdes: São Vicente de Paulo

1:37 - Nevers: tumba de Santa Bernadete Subirous

1:38 - Peregrina: Helena Noguti

1:39 - Lisboa: Igreja de Santo Antonio - Suzana fala

1:40 - Lisboa: Igreja de Santo Antonio - missa

1:41 - Lisboa: Igreja de Santo Antonio - missa

1:42 - Peregrinas: Anália, Julita, Alice

1:43 - Fátima: sinos - Angelus

1:44 - Fátima: cartaz - Mônica fala

1:45 - Fátima: Suzana fala da azinheira

1:46 - Fátima: Pe. Afonso fala das estátuas dos santos da esplanada

1:47 - Fátima: Praça, sinos

1:48 - Fátima: Imagem da Nossa Senhora de Fátima

1:49 - Fátima: Missa - a 13 de maio

1:50 - Fátima: Missa - a 13 de maio

1:51 - Fátima: Missa - Pe. Afonso fala do 1º fruto da peregrinação: a fé

1:52 - Fátima: Missa - Pe. Afonso fala do 2º fruto da peregrinação: tornar-se criança

1:53 - Fátima: Missa - Pe. Afonso fala do 3º fruto da peregrinação: adorar a Deus em Espírito

1:54 - Fátima: Valinhos - Casa de de Francisco e Jacinta e de Lúcia

1:55 - Fátima: Valinhos - Via Sacra

1:56 - Fátima: Azinheira e Oliveira

1:57 - Fátima:Terço Luminoso

1:58 - Fátima: Bênção Final

1:59 - 16º RetiroPeregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus

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- Diretor Espiritual: Pe. Afonso Gessinger, SJ, Afonso de Santa Cruz

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- Agradecimentos: esta realização só foi possível graças a São José, o Carpinteiro

2:00 - Fim

 

 

 

Os manuscritos do Mar Morto

Documentos retratam o ambiente dos judeus

 

Encontrados entre 1947 e 1956, em cavernas próximas às ruínas de um convento em Qumran, a 25 quilômetros de Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto contêm as mais antigas cópias conhecidas do Velho Testamento. Escritos num período que vai de 150 a.C a 70 d.C., os textos traduzidos até agora não fazem referência direta a Jesus, mas ajudam a entender o ambiente em que Cristo viveu, revelando uma fartura de informações sobre os judeus daqueles tempos.

São cerca de 900 pergaminhos, muitos deles apenas fragmentos, tidos como uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX. A tese mais aceita pelos especialistas sustenta que os manuscritos foram escritos pelos essênios, que constituíam uma comunidade de vida religiosa da época. Temendo um ataque romano, eles teriam escondido os textos em vasos de cerâmica guardados em cavernas.

Os essênios eram escatológicos (pregavam permanentemente o fim dos tempos) e teriam voluntariamente se retirado para o deserto. Viviam em comunidade, em rigorosa observância da lei mosaica e sob uma disciplina severa. Qumran significa lua dupla, devido ao reflexo da lua no Mar Morto.

 

 

TERRA SANTA PODE ACABAR SEM CRISTÃOS ALERTA O RELATÓRIO DA CUSTÓDIA FRANCISCANA DA TERRA SANTA

 

Jerusalém, 17 out (RV) - No ano 2020, os cristãos na Terra Santa serão apenas 1,6% do total da população, de acordo com o informe intitulado “Terra Santa fica sem cristãos”, elaborado pela Custódia Franciscana da Terra Santa. O temor de que a presença cristã na Terra Santa seja apenas testemunhal e simbólica está aumentando, em termos demográficos, devido à imigração maciça de judeus e o elevadíssimo índice de natalidade dos muçulmanos. “Com o êxodo cristão _ diz o informe _ vai-se também a visão cristã do homem, universal e igualitária, com o respeito pela pessoa e pela vida, numa região em que esses valores estão em franca regressão.”  Segundo o Prof. Bernard Sabella, da Universidade de Belém, a partir de 1948 cerca de 230 mil árabes cristãos abandonaram a Terra Santa e, a partir da “Guerra dos seis dias”, de 1967, 35% da população cristã palestina emigrou. Esse fenômeno é evidente nos três centros principais bíblicos e cristãos: Jerusalém, Belém e Nazaré, indica o documento. Só para dar um exemplo, a população cristã de Jerusalém caiu de 25% para 2%, de 1840 e 2002, enquanto os judeus passaram de quatro mil para 400 mil, e os muçulmanos, de 4.600 para 143 mil, graças, neste caso, a uma natalidade que consegue duplicar seu número a cada 25 anos. Belém, em 1863, era uma cidade quase completamente cristã, com 4.400 cristãos e apenas 600 muçulmanos. Hoje, a cidade bíblica conta doze mil cristãos e 33.500 muçulmanos, cuja presença aumentou pela criação de campos de refugiados, depois da primeira guerra árabe-israelense, de 1948. Nazaré, em 1900, era uma pequena cidade cristã, mas a chegada de muitos muçulmanos da cidade de Séforis (dinamitada pelo Exército israelense), e a criação, por parte de Israel, de um bairro judeu, distribuíram seus 140 mil habitantes em 70 mil judeus, 38 mil muçulmanos e 32 mil cristãos, revela ainda o informe. O documento destaca que os fatores que determinam o êxodo de cristãos se entrelaçam: a quase impossibilidade de dispor de uma casa nos territórios palestinos, onde Israel confiscou 60% da terra para construir os assentamentos judeus une-se ao fato que, se se tem a terra para construir, as autoridades dificultam assustadoramente a concessão de alvarás de construção. A isso, somam-se a destruição de casas por parte do Exército israelense e o desemprego potencializado pela crise política atual, que reduziu 65% do poder aquisitivo dos palestinos. Os cristãos compartilham com os muçulmanos o medo de perder a vida nas freqüentes incursões do Exército israelense, nas cidades sob controle da ANP. Outro fator que determina o êxodo é a sensação que os cristãos têm, de estar encravados entre o Judaísmo e o Islamismo, religiões que identificam a Religião com o Estado. Como se não bastasse _ acrescenta o relatório _ as pequenas comunidades cristãs estão sendo isoladas pelo Exército israelense, que cercou por exemplo, as cidades bíblicas de Jericó e de Emaús.

 

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30/12/08 - 21h27 - Atualizado em 30/12/08 - 22h40

Palestinos x judeus: o histórico do conflito

A repórter Sonia Bridi mostra essa história de sangue, de radicalismo e de tentativas fracassadas de paz, que começou em 1948, com a criação do estado de Israel.

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Faz 60 anos que o mundo acompanha esse conflito no Oriente Médio. Em seis décadas, foram muitos os momentos de altíssima tensão na região. A repórter Sonia Bridi mostra essa história de sangue, de radicalismo e de tentativas fracassadas de paz.

Em maio de 1948, apoiando-se numa resolução da ONU que determinava a partilha da Palestina em dois estados, os judeus declaram a sua independência, criando o moderno estado de Israel.

Mas logo no dia seguinte, o novo país foi invadido por Iraque, Líbano, Egito e Síria. Os israelenses resistiram e ainda ampliaram o território.

Em 1967, após várias ameaças e demonstrações de força militar do Egito, Israel deflagrou um ataque preventivo e teve início a Guerra dos Seis Dias. Ao fim dela, Israel havia tomado a Faixa de Gaza, a Península de Sinai, a Cisjordânia, área onde fica Jerusalém, as Colinas de Golan e a nascente do Rio Jordão, fonte da maior parte da água consumida na Terra Santa.

Em 1973, num ataque surpresa no Yom Kipur, o dia do perdão para os judeus, Síria e Egito fracassaram na tentativa de reconquistar os territórios perdidos. 

Uma tentativa de paz <BR>

Cinco anos depois, os egípcios assinaram um acordo histórico com os israelenses. O ato deu o Prêmio Nobel da Paz ao presidente do Egito, Anwar Sadat, e ao então primeiro-ministro israelense, Menahen Begin.

Na seqüência, Israel invadiu o Líbano com o objetivo de destruir focos terroristas palestinos. O Exército de Israel obrigou o então terrorista Yasser Arafat a fugir do Líbano. Durante a ocupação, milícias cristãs aliadas a Israel massacraram 800 refugiados palestinos.

Israel retirou as últimas tropas do sul do país no ano 2000. Mas seis anos depois lançou nova ofensiva, provocada pelos seguidos ataques com foguetes lançados pelo grupo Hezbollah. 

Nasce o Hamas <BR>

Quando a primeira intifada, o levante, começou nos territórios palestinos em 87, Yasser Arafat comandava a Organização para a Libertação da Palestina. Um ano depois, Arafat renunciou ao terrorismo e passou a negociar a paz. A primeira intifada duraria seis anos e mataria duas mil pessoas. Nessa revolta, nascia o Hamas.

Em 93, um novo acordo de paz. E, no ano seguinte, Arafat, o então primeiro-ministro de Israel, Izaac Rabin, e o ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres, dividiriam o Nobel da Paz.

Israel começou a devolver os territórios ocupados. Um radical israelense assassinou Itzak Rabin em novembro de 95. O então presidente Bill Clinton fez pressão. Mas, em 2000, Arafat recusou a proposta que dava aos palestinos o controle de 95% dos territórios ocupados. 

A segunda intifada <BR>

Dois meses depois, Ariel Sharon, que liderava a oposição em Israel, fez uma visita à parte árabe de Jerusalém, onde fica a mesquita Al Aqsa. Para os palestinos, uma provocação. Começava uma nova intifada.

Desde então, até o fim de novembro deste ano, segundo a organização de direitos humanos B'Tselem, os conflitos mataram 4.897 palestinos, 580 israelenses e 64 estrangeiros. Conflitos internos entre as facções palestinas deixaram mais 594 mortos.

A construção de um muro de segurança separando Israel da Cisjordânia ajudou a reduzir os atentados com homens-bomba.

Em 2004, o líder palestino Yasser Arafat morreu e foi sucedido por Mahmoud Abbas. Ele e o então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon acertaram um cessar-fogo, que teve o apoio também do Hamas.

Em 2005, unilateralmente Israel removeu oito mil colonos judeus de assentamentos na Faixa de Gaza e retirou as tropas da região.

No início de 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas. As divergências entre o Hamas e o Fatah, grupo do presidente Abbas, levaram a um conflito entre as facções.

Desde então, o Hamas passou a controlar a Faixa de Gaza e o Fatah, a Cisjordânia. Israel passou a restringir a entrada de combustível e suprimentos para a Faixa de Gaza. 

O cessar-fogo <BR>

Em junho deste ano, Israel e o Hamas acertaram um cessar-fogo de seis meses negociado pelo Egito. Mas desde novembro se acusavam mutuamente de desrespeitar o acordo.

O Hamas anunciou que não renovaria o cessar-fogo. Os ataques com foguetes contra Israel se intensificaram e o governo israelense fez várias advertências antes de lançar a ofensiva, considerada por muitos uma resposta desproporcional aos ataques com os foguetes do Hamas.

A nova série de ataques veio a dois meses das eleições em Israel e no momento em que crescia a expectativa de negociações, com proximidade da posse do novo presidente americano. E agora, com o aumento da violência, como fica o processo de paz no Oriente Médio?

Por trás da ofensiva, Israel tem objetivos mais ambiciosos do que acabar com os ataques de foguetes. Quem afirma é o diretor de pesquisa da universidade Sciences Po, de Paris, Alain Dickhoff, organizador de uma série de estudos sobre o estado de Israel.

“O objetivo é diminuir a influência política do Hamas, que é uma organização política e militar, tem influência social em Gaza. E Israel quer enfraquecer o Hamas estruturalmente. Nesse raciocínio, a força dos ataques se entende, não se justifica, mas se compreende, porque é a vontade de provocar mudança política. Se isso vai ser alcançado, é outra questão”.

O analista acha que Israel terá dificuldade em afastar o povo palestino do Hamas, porque isso não se consegue com meios militares. O efeito pode ser exatamente o contrário.

O pesquisador prevê que os ataques terminem em pouco tempo, porque um conflito prolongado, ou a reocupação da Faixa de Gaza, pode levar à morte de soldados israelenses e prejudicar o governo nas eleições.

Mas ele acredita em avanços em 2009. “Há vários fatores que vão ajudar. Acaba o mandato da Autoridade Palestina, há eleições no Irã e no Líbano. Mas o principal é que Barack Obama toma posse e deve agir rapidamente para mostrar que houve uma mudança”, diz ele.

Se isso acontecer, Israel pode sair com um cessar-fogo mais consistente. E os palestinos, com o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL939750-10406,00.html

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Canaã, Palestina, Samaria

 

Antonio Ferreira das Neves, da cidade de Valparaíso-SP, nos escre­veu pedindo esclarecimentos sobre a Palestina. Trata-se da terra de Jesus? Mas palestinos e judeus não são ini­migos ferrenhos? Jesus era palestino, israelita ou judeu ?

 

Vamos aproveitar a pergunta que ele faz e tentar dar uma no­ção geral.

 

CANAÃ: Terra de Canaã, for­mada pela região que vai desde o Sinai (sul) até a fronteira sírio­libanesa (norte). Do Mar Mediter­râneo (oeste) até a depressão do rio Jordão e do Mar Morto (leste). Esses limites nunca foram muito precisos e se referiam à tão so­nhada “Terra Prometida”. Terra fértil, bem regada pelas chuvas (“Terra onde corre leite e mel”).

 

Os israelitas (descendentes do Patriarca Jacó, cujo outro nome era Israel), quando foram liberta­dos da escravidão no Egito, ru­maram em direção dessas terras. Peregrinaram pelo deserto duran­te 40 anos, até conseguirem entrar e tomar posse de uma boa parte dessas terras. Jamais ocuparam todo o território, pois tiveram de renunciar à Fenícia, ao norte, e às regiões costeiras da Palestina.

 

PALESTINA: País dos antigos filisteus, em torno do qual se de­senvolveu toda a história bíblica. A Bíblia, em geral, usa a expressão “Palestina” como terra de Is­rael, como terra de Canaã e, às vezes, como “terra santa”.

 

Jesus era israelita, era judeu. Considerando aqueles tempos da Bíblia, podemos dizer que Jesus viveu na Palestina. Mas conside­rando o tempo atual, não é con­veniente dizer que Jesus era pa­lestino. Poderia causar confusão e geraria polêmica.

 

NAZARENO: Se Jesus nas­ceu em Belém, por que era cha­mado de Nazareno ou Jesus de Nazaré? Primeiro porque poucos sabiam que Jesus havia nascido em Belém; Depois, porque cultu­ralmente o lugar onde a pessoa morava é que dava forte caracte­rística ao cidadão. Perguntavam: “De onde veio esse pregador?” “De Nazaré!, respondiam.

 

Jesus era Nazareno no sen­tido que habitava na cidade cha­mada Nazaré, mesmo não tendo nascido lá.

 

Existem outras expressões parecidas que podem também ser aplicadas a Jesus. Nazareu, cuja raiz grega é neser, aquele que vela (Jesus era conhecido por fazer longas vigílias em ora­ção). Nazireu, do hebraico, que era aplicado a um homem que se consagrava a Deus por meio de um voto. Por isso não podia cortar nem a barba nem o cabelo.

 

GALILEIA: Jesus era galileu, porque o lugar onde vivia era a região da Galileia. A cidade de Na­zaré ficava na região da Galileia. Galileia seria como um Estado den­tro do País Israel. Comparando: “O Ronaldinho do qual estou falando é o gaúcho (do Rio Grande do Sul), não o Ronaldinho fenômeno.

 

SAMARIA: Depois do Rei Sa­lomão, o povo israelita sofreu uma divisão, um cisma. As tribos do norte elegeram um outro rei, não aceitando o rei legítimo que era um descendente de Salomão. Por isso, os israelitas do norte passaram a ser considerados hereges e inimi­gos. A Samaria era uma região (um Estado) que ficava ao norte. Jesus atravessou essa região e lá, uma vez, encontrou-se com uma sama­ritana, na beira do poço de Jacó. É por isso que o Evangelho de João, que descreve essa cena (4, 9), afir­ma que os Judeus (do sul) não se davam com os samaritanos.

Clodoaldo Montora

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